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APOSTILA PATOLOGIA CLÍNICA MONITORIA UNIGRANRIO MEDICINA VETERINÁRIA por Aline Bouzon Crespo PATOLOGIA CLÍNICA MEDICINA VETERINÁRIA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo MONITORIA UNIGRANRIO SUMÁRIO Patologia Clínica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Hemograma. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Anemias. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Eritropoiese. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Policitemia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Casos Clínicos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Granulopoiese. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . EAS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Função Renal. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Função Hepática. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Pâncreas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Tireóide. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Adrenal. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 03 04 06 08 10 11 12 15 17 19 21 26 29 Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo PATOLOGIA CLÍNICA HEMOGRAMA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 4 Composição do Sangue Elementos figurados (hemograma) Hemácias Plaquetas Leucócitos Polimorfonucleares (granulócitos) Neutrófilo Eosinófilos Basófilos Mononucleares Monócitos Linfócitos Plasma (bioquímica sérica > soro sanguíneo) Água Proteínas plasmáticas Albumina Globulina Fibrinogênio Enzimas Hormônios Ureia Creatinina O hemograma é dividido em: Eritrograma > eritrócito ou células vermelhas (hemácias) Leucograma > leucócitos Alguns incluem também a contagem de plaquetas > diretamente relacionada com o processo de coagulação. Haptoglobina: transporte de hemoglobina livre Eritrograma Dividido em: Hematimetria > número de hemácias por mm3 de sangue Hemoglobinometria > concentração de hemoglobina em gramas por decilitro (dL) = [Hb]g/dL Hematócrito ou volume globular = % de hemácias Índices Hematimétricos (para classificação morfológica da anemia): VGM = Volume globular médio (tamanho da hemácia) CHbGM = Concentração de hemoglobina globular média Hematoscopia > análise microscópica do esfregaço sanguíneo Não tem como a hemácia ter mais hemoglobina do que ela suporta > mas existe CHbGM aumentado > isso significa extravasamento de hemoglobina pra fora da hemácia > DHIV. Quando o CHbGM está aumentado significa hemólise. Pode ser doença hemolítica intravascular (DHIV) ou erro de quem coletou e transportou o sangue. PATOLOGIA CLÍNICA HEMOGRAMA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 5 Esfregaço: Ocupar 70-80% da lâmina Ter franja > melhor local para pesquisa de hemoparasita, porque as células parasitadas são mais pesada e tendem a ir para o final do esfregaço. Bordos retos Região central > local ideal para a hematoscopia - avaliação da morfologia das hemácias O que observar na hematoscopia: Corpúsculo de Heinz > hemólise por agente oxidante (comum em gatos > até 3%; e equinos) Associada à enzima Glicose- 6P-dhase (glicose 6 fosfato desidrogenase) > quando o animal entra em contato com fenotiazínicos, azul de metileno ou cebola, ocorre hemólise > anemia hemolítica intravascular Corpúsculo de Howell Jolly > pontinho dentro da hemácia que são restos de material do núcleo da célula, indicando que é uma célula jovem Macrocitose > hemácia aumentada Anisocitose > hemácias de tamanhos diferentes Policromasia > hemácia acizentada; presença de reticulócitos Esferócito > hemólise por anticorpo (imunomediada) Fundamental: Saber coletar, saber pedir e saber interpretar o que pediu. Reticulócito > precursor das hemácias = hemácias jovens Anemia pode ser um problema na produção ou na destruição de hemácias. O 1º tem problema na produção, pois não tem resposta medular, já o 2º tem problema na destruição. PATOLOGIA CLÍNICA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 6 ANEMIAS ANEMIAS Classificação (critérios) Resposta medular > reticulócito Responsiva ou regenerativa Sinais: macrocitose (aumento do VGM), policromasia, corpúsculo de Howell Jolly, eritroblasto (hemácia jovem). Normalmente desencadeadas por hemólise (intra ou extravascular) ou hemorragia aguda > ambas provocam perda de hemácia. Não responsivo ou arregenerativa Hipotireoidismo Desnutrição (deficiência de ferro) Hipoplasia de medula Doenças crônicas Morfologia > VGM e CHbGM VGM (+) = macrocítica VGM (ok) = normocítica VGM (-) = microcítica CHbGM (+) = doença hemolítica intravascular > não existe hemácia hipercrômica CHbGM (ok) = normocrômica CHbGM (-) = hipocrômica Fisiopatologia Hemólise Intravascular (DHIV) Extravascular (DHEV) Hemorragia Aguda Crônica > ferropriva IRC (insuficiência renal crônica) Aplasia Hipoplasia Hipotireoidismo CHbGM aumentado = hemólise (DHIV) Tipos de Anemia: 1. Anemia Macrocítica Normocrômica 2. Anemia Macrocítica Hipocrômica 3. Anemia Normocítica Normocrômica 4. Anemia Normocítica Hipocrômica 5. Anemia Microcítica Normocrômica 6. Anemia Microcítica Hipocrômica Anemia Macrocítica Normocrômica Pode ser uma anemia pseudomacrocítica > a presença do reticulócito pode estar causando a macrocitose. Na macrocitose verdadeira a hemácia produzida é maior do que o normal, isso acontece nas deficiências de vitamina B12 e ácido fólico > anemia perniciosa. Não é comum em animais, com exceção dos primatas. Comum em humanos vegetarianos e com cirurgia bariátrica (redução da capacidade de absorção). Se um cachorro apresenta os sintomas desse tipo de anemia, logo se deduz que é uma pseudomacrocitose. A farinha de trigo hoje em dia é enriquecida com vitamina B12 e ácido fólico para evitar a deficiência dessas vitaminas. Vitamina B12 PATOLOGIA CLÍNICA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 7 ANEMIAS atua na produção de hemoglobina. Anemia Macrocítica Hipocrômica É sempre pseudomacrocítica (falsa) > presença de reticulócitos (ainda não tem cor por conta do baixo teor de hemoglobina) > responsiva (medula óssea). Possíveis causas: hemólise e hemorragias agudas. Anemia Normocítica Normocrômica Parece normal mas é ruim, pois significa que não tem resposta medular. Causada por: Insuficiência renal Hipotireoidismo Doenças crônicas Aplasia e hipoplasia de medula (ex: leucemia) Anemia Normocítica Hipocrômica + Microcítica Normocrômica + Microcítica Hipocrômica Quadro de evolução do mesmo tipo anêmico > deficiência de ferro. Qualquer doença crônica pode provocar anemia. Na doença crônica ocorre aumento de monócitos, que consome ferro do metabolismo, indisponibilizando essa substância que é essencial para produção das hemácias, acarretando em uma anemia não responsiva. O suíno desenvolve anemia ferropriva porque já nasce com deficiência de ferro > suplementação de ferro na ração. PATOLOGIACLÍNICA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 8 ERITROPOIESE ERITROPOIESE Hematopoiese Eritropoiese Hemácias Leucocitopoiese Granulopoiese Neutrófilo Eosinófilo Basófilo Linfocitopoiese Linfócito Monocitopoiese Monócito Trombocitopoiese Plaquetas Eritropoiese Célula tronco pluripontencial (origem de qualquer elemento figurado) > presente na medula óssea (ossos longos e chatos). Célula-tronco Mielóide Unidade formadora de colônia de eritrócitos (UFC) > Eritrócitos UFC de eosinófilos > Eosinófilo UFC de basófilo > Basófilo UFC granulócito monócito (bipotencial) UFC granulócito > Neutrófilo UFC monócito > Monócito UFC de megacariócito (não são células, são pigmentos de megacariócitos) > Plaquetas Célula-tronco Linfóide UFC de linfócito T > Linfócito T UFC de linfócito B > Linfócito B UFC Eritrócito Rubroblasto (1) > divisão > Pró-rubrócito (2) > divisão > Rubrócito basófilo (3) > divisão > Rubrócito policromático (4) > divisão ou maturação > Metarrubrócito (5) > maturação > Reticulócito (6) - macrocitose > maturação > Hemácia/Eritrócito (7) PATOLOGIA CLÍNICA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 9 ERITROPOIESE Hipóxia: estímulo para que ocorra a liberação de eritropoietina pelos rins (80%) e fígado (20%) para estimular a produção de hemácias. No cão, 100% da eritropoietina é produzida no fígado. A Macrocitose ocorre devido a presença de reticulócito, porque este tem o tamanho maior que o da hemácia madura. Policromasia = célula jovem que ainda não foi produzido todo teor de hemoglobina dentro da célula. Macrocitose + policromasia = presença de reticulócitos > resposta medular Para corar reticulócito é necessário um corante específico, por isso para a contagem desse índice é necessário solicitar um exame à parte. Valores de Referência de Reticulócitos: Cão = até 3% Gato = até 2% Ruminantes = qualquer % de reticulócitos indica resposta ao processo anêmico. Se o animal não estiver anêmico, não existe reticulócitos na circulação Equino = não se encontra reticulócitos na circulação em nenhuma situação Os hormônios tireoidianos e andrógenos (masculinos) estimulam a liberação de eritropoietina que estimula a produção de hemácias. Os estrógenos (femininos) inibem a produção de eritropoietina. Se o paciente tem hipotireoidismo e desenvolve um quadro de anemia não responsiva, é porque falta estímulo para a liberação de eritropoietina e consequentemente a produção de hemácias. PATOLOGIA CLÍNICA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 10 POLICITEMIA POlICITEMIA Fisiológica A altitude faz com que o organismo produza mais hemácias, por conta da carência de oxigênio atmosférico > policitemia absoluta. Patológica Distúrbio primário: sempre no órgão produtor > medula óssea > Policitemia vera - distúrbio mieloproliferativo; eritropoietina normal ou reduzida. Distúrbio secundário: no local afetado > carcinomas (renais) e hepatocarcinomas (equinos) - tumores produtores de eritropoietina > lesões graves (pulmão) - dificulta a captação de oxigênio, estimulando a produção de hemácias. Hipóxia = estímulo para produção de eritropoietina. Policitemia relativa Diminuição do volume plasmático. Ex: desidratação, a perda de líquido aumenta a concentração de hemácias em relação ao volume plasmático. Ao reidratar o animal, a perda eritrocitária vai se normalizar. Policitemia absoluta Aumento real do número de hemácias. Condições fisiológicas como a falta de oxigênio atmosférico ou condições patológicas (primária ou secundária). Parâmetros estão normais porque a desidratação (aumento das proteínas plasmáticas) está mascarando a anemia. Cálculo do VGM e CHbGM PATOLOGIA CLÍNICA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 11 CASOS CLÍNICOS CASOS ClíNICOS VR Cão H: 5,5-8,5 x 10(6)/mm(3) Hb: 12-18g/dL Ht: 37-55% VGM: 60-77 fl CHbGM: 32-34% Exame 1 H: 2,87 x 10(6)/mm(3) > (-) Hb: 7,65 g/dL > (-) Ht: 23% > (-) Hematoscopia: anisocitose (hemácias de tamanhos diferentes), policromasia (coloração acinzentada aponta a presença de reticulócitos), eritroblastose (precursor da hemácia que ainda contém núcleo) EAS: cor avermelhada Sg++ Ptn+++ (lesão renal) Morfologia: Anemia macrocítica normocrômica Resposta Medular: Responsiva Fisiopatologia: 50% chance de ser hemólise > nesse caso é hemólise intravascular, pois tem presença de hemoglobina na urina 50% chance de ser hemorragia O aumento de urobilinogênio representa o aumento de destruição de hemácias no meio extravascular > hemólise extravascular. Exame 2 H: 3,5 x 10(6)/mm(3) > (-) Hb: 9,8g/dL > (-) Ht: 30% > (-) Hematoscopia: esferócitos e autoaglutinação Bioquímica Sérvia: BT: 1,8mg/dL (0,2-0,4) BD: 0,2mg/dL (0,1-0,3) BI: 1,6mg/dL > o aumento é associada a icterícia pré-hepática (doença hemolítica) BT = BD (hidrossolúvel) + BI (lipossolúvel) Morfologia: Anemia macrocítica normocrômica (pseudomacrocítica) Resposta medular: Responsiva Fisiopatologia: Hemólise Esferócitos: anemia hemolítica imunoimediada (endógeno ou exógeno) Autoaglutinação: anemia hemolítica imunoimediada Bilirrubina: produto da destruição de hemácias Esferócito: representa hemólise por anticorpo > imunomediada PATOLOGIA CLÍNICA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 12 CASOS CLÍNICOS Exame 3 H: 6,5 x 10(6)/mm(3) > (N) Hb: 8,0g/dL > (-) Ht: 28% > (-) Hematoscopia: anisocitose c/ macrocitose e hipocromia Morfologia: Anemia microcítica hipocrômica > deficiência de ferro > perda crônica de sangue Resposta medular: não responsiva Fisiopatologia: hemorragia crônica GRANulOPOIESE Célula tronco pluripontencial (origem de qualquer elemento figurado) > presente na medula óssea (ossos longos e chatos). Célula-tronco Mielóide Unidade formadora de colônia de eritrócitos (UFC) > Eritrócitos UFC de eosinófilos > Eosinófilo UFC de basófilo > Basófilo UFC granulócito monócito UFC granulócito > Neutrófilo UFC monócito > Monócito UFC de megacariócito (não são células, são pigmentos de megacariócitos) > Plaquetas Célula-tronco Linfóide UFC de linfócito T > Linfócito T UFC de linfócito B > Linfócito B 1. Medula Óssea > Célula Tronco Mielóide > UFC > Mieloblasto > Pró-mielócito > Mielócito de Eosinófilo > Metamielócito > Bastão > Eosinófilo 2. Medula Óssea > Célula Tronco Mielóide > UFC > Mieloblasto > Pró-mielócito > Mielócito de Basófilo > Metamielócito > Bastão > Basófilo 3. Medula Óssea > Célula Tronco Mielóide > UFC > Mieloblasto > Pró-mielócito > Mielócito de Neutrófilo > Metamielócito > Bastão > Neutrófilo Processo mitótico: mieloblasto, pró-mielócito e mielócito Processo de maturação: metamielócito e bastão PATOLOGIA CLÍNICA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 13 GRANULOPOIESE Célula madura > circulação > marginal > tecido Até 3% de neutrófilos na circulação é normal. O aumento de neutrófilos é chamado de Desvio Nuclear de Netrófilo à Esquerda (DNNE). Discreto (se tiver só bastão) Moderado (se tiver bastão te metamielócito) Acentuado (bastão, metamielócito e mielócito) Neutrófilos hipersegmentados (DNND): Refere-se ao predomínio de neutrófilos de tamanho normal com 5 ou mais lobulações nucleares. Reflete tempo de trânsito prolongado na circulação sanguínea, e pode ocorrer em inflamação crônica, uso de glicocorticóides, ou hiperadrenocorticismo. Também pode ocorrer em amostras envelhecidas. Se o somatório das células jovem forinferior ao número de células maduras o desvio é regenerativo. Se o somatório das células jovens for superior ao número de células maduras, o desvio é degenerativo. LG > 20.000/mm(3) - Ref. = 6 a 17.000 Bas > VR: 0% > VA: 0 (0 a 50) Eos > VR: 3% > VA: 600 (100 a 950) Miel > VR: 0% > VA: 0 (0) Met > VR: 0% > VA: 0 (0) Bast > VR: 10% > VA: 2.000 (0 - 300) Seg > VR: 60% > VA: 12.000 (3.000 - 11.500) Linf > VR: 23% > VA: 4.600 (1.000 - 4.800) Mon > VR: 4% > VA: 800 (100 - 1380) Processo Inflamatório O que caracteriza se tem processo inflamatório é a presença de DNNE. O que representa se é agudo ou crônico são os monócitos e no caso do cão, os linfócitos e eosinófilos. Agudo Monócito baixo > monocitopenia Crônico Monócito alto > monocitose Vale para todas as espécies menos para o cão, pois este apresenta monocitose nas duas ocasiões. O que vai avaliar se o processo é agudo ou crônico são as células especializadas > linfócitos e eosinófilos. PATOLOGIA CLÍNICA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 14 GRANULOPOIESE Estresse Linfopenia por destruição do tecido linfóide Glicocorticoide > por inibição da liberação de histamina (fator quimiostático para o eosinofilo) pelos mastócitos. Ruminantes Os ruminantes de uma maneira geral têm mais linfócitos circulantes do que neutrófilos circulantes. O cão tem um linfócito para cada dois neutrófilos (1/2), o ruminante tem um neutrófilos para cada dois linfócitos (2/1), ou seja, essa relação é invertida. Nas primeiras 24/48h do processo inflamatório, o ruminante tem diminuição de todas as células > leucopenia, neutropenia, linfopenia, eosinopenia e monocitopenia. O primeiro parâmetro a subir vai ser o fibrinogênio, portanto é o primeiro a ser analisado para confirmar o processo inflamatório. Exercícios Valores de referência (felino) LG 5.500-19.500/mm(3) B 0-2 0-150 E 2-12 0-850 M 0 0 M 0 0 B 0-3 0-300 S 35-75 2.500-7.500 L 12-30 1.500-7.000 M 3-10 100-1.300 1. Felino LG 28.000mm(3) VR VA B 0 0 E 0 0 M 0 0 M 0 0 B 15 4.200 S 80 22.400 L 04 1.120 M 01 280 R: Leucocitose neutrofilica com DNNE discreto regenerativo, aeosinofilia com linfopenia e monocitopenia relativa > Processo inflamatório agudo 2. Felino LG 23.500mm(3) VR VA B 0 0 E 5 1.175 M 0 0 M 0 0 B 06 1.410 S 64 15.040 L 15 3.525 M 10 2.350 R: Leucocitose neutrofilica com DNNE regenerativo discreto eosinofilia e monocitose absoluta > Processo inflamatorio crônico PATOLOGIA CLÍNICA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 15 EAS Valores de referência (ruminantes) LG 4.000-12.0000/mm(3) B 0 0 E 1-10 100-1000 M 0 0 M 0 0 B 0-3 0-100 S 20-40 2000-4.500 L 30-60 3.000-6.800 M 1-10 100-800 3. Ruminante LG 17.800mm(3) VR VA B 0 0 E 5 890 M 0 0 M 0 0 B 05 890 S 30 5.340 L 40 7.120 M 20 3.560 R: Leucocitose neutrofilica com DNNE regenerativo discreto com linfocitose absoluta e monocitose > Processo inflamatório crônico (+48h) EAS Elementos Anormais e Sedimentoscopia (EAS) > Amostra de urina Exame físico Cor > ex: avermelhada = presença de sangue (hemácia/hemoglobina) ou pigmento de algum medicamento, etc; Aspecto > o que dá o aspecto da urina é a presença de sedimentos, que nem sempre é patológico; Volume > controle hídrico; Odor > característico na hora que abre o potinho (evitar cheirar a urina de perto); Densidade > controle hídrico > avalia a função tubular renal > capacidade do rim concentrar urina. Exame químico Proteína > apesar de ser normal ter na urina, a quantidade é tão pequena (15-50mg) que não é detectada no EAS. Quando o EAS detecta proteína na urina, significa proteinúria: Pré-renal > hemoglobina (DHIV) ou mioglobina (lesão muscular) > Sg+ no EAS Renal > é aquela que não tem uma justificativa. A proteína presente nesse caso é a albumina Pós-renal > sempre associada ao aumento do sedimento urinário (hemácias, piócitos, etc) Sangue > não é normal Hemorragia (hemácia) Hemoglobina (DHIV) Mioglobina (lesão muscular) Bilirrubina > não é normal Se o paciente tem ictericia pré- hepática + lesão renal, o paciente apresenta bilirrubinúria, pois a bilirrubina consegue passar Urobilinogênio > normal Ictericia pré-hepática Ictericia hepática Ausente na pós-hepática PATOLOGIA CLÍNICA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 16 EAS Glicose Glicosúria > quando a glicemia estiver acima do limiar renal de reabsorção (cão: 180mg/dL > gato: 220mg/dL). Apesar da glicemia estar alta (ex: 160) o animal só vai apresentar glicosúria se passar de 180 (cão) ou 220 (gato). Não se pode fechar um diagnóstico de diabetes em função de um exame de urina. Corpos cetônicos > não é normal Pode ser causado por jejum prolongado (acima de 12h) Paciente diabético descompensado (cetoacidose diabética) > necessita utilizar gordura para produzir energia pois não consegue produzir glicose Acetona, Acetoacetato, Beta-hidroxi- butirato Nitrito Cistite bacteriana Sedimentoscopia (microscópio) Elementos organizados Hemácias Piócitos Células descamativas Células neoplásicas Sptz Muco Ovos de parasitas Microfilária Densidade normal da urina de todas as espécies (exceto o gato) = 1015-1045 Cilindros Hialino Granuloso Piocitário Hemático Céreo Elementos não organizados Cristais Controle Hídrico Em casos de diminuição da volemia, o organismo libera o hormônio antidiurético (ADH) que vai promover retenção e reabsorção de água. Quando isso ocorre o volume urinário diminui, pois a água que ia sair na urina volta pro sangue, assim a densidade da urina aumenta e a volemia aumenta também. A resposta do rim ao ADH é a reabsorção de água e aumento da concentração da urina. Quando há uma insuficiência renal, o rim perde a capacidade de reabsorver água e concentrar a urina, portanto a água vai sair na urina e sua densidade vai diminuir. O normal em animais é ter a urina mais concentrada, pois eles não tem o hábito de beber água com frequência, apenas quando sentem sede. Dessa forma, uma urina muito diluída pode indicar hiperadreno, insuficiência renal, entre outras. Densidade normal da urina do gato = 1015-1060 PATOLOGIA CLÍNICA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 17 FUNÇÃO RENAL 1008-1012 > Isostenúrico, ou seja, semelhante à densidade do plasma sanguíneo: Lesão renal Falta de ADH (diabetes insipitus) Hiperadrenocorticismo > exceção de hormônio produzido pela adrenal Cortisol inibe o ADH É normal ter proteína na urina mas não é normal ter proteína no EAS. Toda glicose que passa pelo glomérulo é reabsorvida pelos túbulos > limiar renal de reabsorção (capacidade maxima que o rim consegue reabsorver) Os corpos cetônicos são produtos da quebra do triglicerídeos > ocorre quando se consome menos energia do que gasta (balanço energético negativo). Exercício EAS: Urina de cor avermelhada, aspecto límpido, pH 6,0, densidade 1040, ptn+++,sg+, urobilinogênio aumentado, bilirrubina+, sedimentos sem alterações. Bioquímica sérica: BT 1,9mg/dL, BD 0,2 mg/ dL, BI 1,7 mg/dL R: Lesão renal + Ictericia pré-hepática por DHIV + proteinúria pré-renal e renal. Icterícia pré-hepática: 25% BD > 75% BI Icterícia hepática: 50% BD > 50% BI Icterícia pós-hepática: 75% BD > 25% BI FuNçãO RENAl O EAS não é um teste de função renal mas tem alguns parâmetros que indicam que existe um comprometimento renal. Parâmetros: 1. Proteína na urina sem justificativa (proteinúria renal > albumina) = Lesão glomerular renal 2. Densidade baixa = Lesão tubular renal 3. Cilindros Granulosos = Lesão tubular renal Uréia e Creatinina são medidas por meio de amostra de sangue e avaliam função renal tanto tubular quanto renal. Essas duas substâncias são produtos finais do metabolismo e praticamente toda ela é excretada através da filtração glomerular. Se o rim não consegue filtrar, as taxas de ureia e creatinina vão aumentar. Porém só aumentam quando há perda de mais de 75% da função renal. Uréia A uréia vem do metabolismo proteico (produto final). Toda proteína (aminoácidos) metabolizada pelo organismo se transforma em amônia. Como a amônia é tóxica, o fígado converte em uréia. Essa uréia é lançada no sangue, filtradas pelo glomérulo é eliminada na urina. A alimentação é um fator que interfere na concentração de uréia, o gato ingere mais proteína então a concentração de uréia é sempre maior que a do cão. Encefalopatia hepática > intoxicação pelo acúmulo de amônia PATOLOGIA CLÍNICA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 18 FUNÇÃO RENAL Creatinina Produzida no músculo a partir do fosfato de creatina (usado para produzir energia) > É lançada no sangue > Filtradas pelo glomérulo > Elimina na urina Animais atletas tem maior produção de creatinina Azotemia (aumento de uréia e creatinina) Azoto é qualquer produto nitrogenado não proteico. Ex: uréia, creatinina, ácido úrico, amônia. Aumento de uréia e creatinina > azotemia Pré-renal Renal Pós-renal Azotemia Pré-renal Causada por qualquer situação que diminua a perfusão renal, ou seja, quantidade de sangue no rim a ser filtrado. Exemplo: Desidratação > tudo aumentado Insuficiência cardíaca > o sangue chega de forma mais lenta e consequentemente há acúmulo de uréia e creatinina Os valores de uréia dificilmente ultrapassam 100mg/dL > tem aumento sutil Azotemia Renal Lesão glomerular renal > perda de + de 75% da função renal. Uréia e creatinina retidas na circulação. Exemplo: IR aguda ou crônica > no exame não tem como diferenciar Azotemia Pós-renal Qualquer situação em que a uréia e creatinina são reabsorvidas. Problema que não permite que o animal urine. Exemplo: Cistite Clearence de creatinina (experimental > sondagem): dosagem na urina em volume de 24 horas. Limitante em veterinária. Microproteinúria: metodologia para dosagem de proteína, já que o EAS não consegue. Volume de 24h também é limitante. Mais indicado na Veterinária Relação proteína-creatinina urinária (PUCU) O que interessa é a relação de proporção entre as duas substâncias (diretamente proporcional) Lesão renal Aumento de proteína > proteínas conseguem passar pelo glomérulo Redução de creatinina > rim não consegue excretar a creatinina Se aumenta a proteína, a creatinina diminui > se diminui a proteína, a creatinina aumenta Valores de referência (varia nos laboratórios): Uréia 12-40 Creatinia 0,5-1,5 ALP 20-155 ALT 10-88 PATOLOGIA CLÍNICA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 19 FUNÇÃO HEPÁTICA FUNçãO HEPáTICA Enzimas Hepáticas ALAT/ALT/TGP > cão, gato e primatas Enzima intracitoplasmática > hepatoespecífica > só altera quando há comprometimento no hepatócito Tem meia vida plasmática de 48-72 horas ALT = Alanina aminotransferase Toda vez que ocorre aumento da atividade do hepatócito, ocorre aumento dessa enzima > paciente utilizando medicamente com glicocorticóide vai aumentar o metabolismo hepático Não avalia função hepática, avalia se há lesão hepática SDH = Sorbitol desidrogenase (d-hase) Enzima hepatoespecífica em todas as espécies ASAT/AST/TGO = Aspartato Não é hepatoespecífica em nenhuma espécie Encontrada no fígado e músculo Enzima intramitocondrial > encontrada na mitocôndria dos hepatócitos e das células musculares Usada para avaliar a gravidade da lesão Meia-vida de 48-72 horas CPK/CK = Creatinofosfoquinase ou Creatinoquinase Só vai extravasar quando houver lesão muscular Enzima especifica do músculo Meia-vida de 12-24 horas Exemplos: ALAT (+); ASAT (N) Lesão hepática branda ALAT (+); ASAT (+) Lesão hepática grave ALAT (N); ASAT (+) Lesão muscular grave ALAT (N); ASAT (N); CPK (+) Lesão muscular branda ALAT (N); ASAT (+); CPK (+) Lesão muscular grave ALAT (N); ASAT (+); CPK (N) Lesao muscular grave > cpk tem meia-vida menor que AST, portanto já não esta mais presente na circulação Fluxo Biliar ALP = Fosfatase alcalina Avalia o fluxo da bile Precede a icterícia Enzima presente na parede dos canalículos biliares Isoenzimas/Influência de outros metabolismos: Hepática Óssea > a fosfatase sofre ação do metabolismo ósseo Induzida p/ glicocorticóide GGT = gama glutaniltransferase > também avalia fluxo biliar (principalmente em felinos) > não sofre influência de outros metabolismos PATOLOGIA CLÍNICA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 20 FUNÇÃO HEPÁTICA Testes de Função Hepática Teste de capacidade de síntese Dosagem de albumina: avalia capacidade de síntese (capacidade de produzir albumina) Perda da função hepática = Teor de albumina baixo (hipoalbuminemia) Albumina apenas reduz quando a perda e de mais de 80% da função hepática, ou seja, lesão muito extensa. Proteínas totais: nunca deve ser feito apenas proteínas totais, deve ser feito proteínas totais + frações (albumina + globulina) Proteínas totais e frações = albumina e globulina Toda vez que a albumina diminui a globulina aumenta para compensar, logo se eu doso apenas proteína totais pode ser que o paciente tenha hipoalbuminemia e hiperglobulinemia compensatória Quando que aumenta a globulina (alfa, beta e gama)? Em função da hipoalbuminemia, processos inflamatórios, vacinação, tumores (ex: linfosarcoma) que produz globulina, drogas que estimulam o sistema imune. Gama = anticorpos (imunoglobulina) Pra avaliar fígado só interessa a albumina Teste de Coagulação > PT e PTTA Já que a maioria dos fatores de coagulação são produzidos no fígado. Logo se eu tenho paciente com perda da função hepática ele terá deficiência em coagulação. Portanto os tempos de coagulação estarão prolongados/ aumentados. Comprometimento hepático: Uréia: diminui Amônia: aumenta Fígado é responsável por converter amônia em uréia (rim secreta ureia); logo não ocorre a conversão então acumula amônia no sangue e vai reduzir os níveis de ureia Glicose: diminui O hepatócito é substituído por tecido conjuntivo (afuncional) e esse tecido não faz reserva de glicogênio; logo quando eu vou dosar a glicose desse paciente em jejum a glicemia estará baixa pois não vai ter reserva. Capacidade de Excreção Bilirrubina total e frações (lipo e hidrossolúvel) Bilirrubina direta também é chamada de hidrossolúvel Bilirrubina indireta também é chamada se lipossolúvel Icterícia hepática e pós-hepática A bilirrubina que aumenta é a direta (hidrossolúvel) Na pré-hepática quem aumenta e a indireta(lipossolúvel) Animal ictérico tem dificuldade de excreção. PATOLOGIA CLÍNICA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 21 FUNÇÃO HEPÁTICA ALP e GGT: enzimas que avaliam o fluxo da bile Fosfatase > 3 isoenzimas: óssea, glicocorticoide, hepática Antecede a icterícia logo avalia a capacidade de excreção hepática (aumenta antes da icterícia surgir) Exemplos: Caso 1 Hemograma Anemia macrocítica hipocrômica Ret 6% Leucocitose neutrófilica c/ DNNE regenerativo moderado, linfopenia, aeosinofilia e monocitose EAS Cor acastanhado Aspecto límpido Ph 6.0 Bl +++ > fluxo biliar comprometido Urobilinogênio aumentado Bioquímica sérica ALT 180ui (20-80) > lesão hepática AST 120 ui (20-80) > lesão grave ALP 310 mg/dl (80-120) > comprometimento do fluxo biliar (excreção) BT 1.8 mg/dl (0,2-0,4) BD 1.6 mg/dl (0,1-0,3) > BD sai na urina Glicose 70mg/dl (70-90) Coagulação PT alta (síntese) PTTA alta (síntese) = comprometimento de síntese hepático R: Anemia responsiva, processo inflamatório agudo (aesinofilia e linfopenia), icterícia hepática Caso 2 Anemia NN EAS Densidade 1010 > intervalo isostenúrico = lesão tubular renal Proteína +++ > lesão glomerular renal Bioquímica sérica PT 7,0 g/dL (7.0-8.5) ALB 1,8 g/dL (2.5-4.0) > (-) GLOB 5,2g/dL (3.0-4.5) > (+) ALAT (90Ui) R: Anemia não responsiva, lesão glomerular e tubular PâNCREAS Pâncreas Endócrino - Ilhotas de Langehans Alfa > glucagon (hormônio hiperglicemiante > aumenta a glicemia); Beta > insulina (hormônio hipoglicemiante > reduz a glicemia) - a insulina permite que a glicose entre na célula; dentro da célula a glicose se transforma em glicose 6-P > frutose 6-P > frutose 1.6 Difosfato > DHEP e gliceroald 3P (...) > piruvato (ATP); Delta > somatostatina (hormônio de função moduladora da resposta da célula tanto ao glucagon quanto à insulina) - não permite que o glucagon aumente demais a glicemia nem que a insulina reduza demais a glicemia; PATOLOGIA CLÍNICA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 22 PÂNCREAS Células F > polipeptídeo pancreáticos (ainda não se sabe ao certo a sua função) Cada molécula de glicose gera 2 piruvatos Pâncreas Exócrino - ácinos Pancreáticos (secreção/suco) Correspondem a 98% do tecido pancreático. Composição: Amilase > digestão de amido Lipase > digestao de lipídios Proteases > digestão de proteínas - são produzidas na forma inativa e são ativadas quando lançadas no intestino > para não ocorrer digestão do próprio tecido pancreático > pâncreas também produz inibidores dessas enzimas para evitar que aconteça a digestão Tripsina > capaz de ativar a cascata de coagulação (CID = Coagulação Intravascular Disseminada) Quimiotripsina Elastina Carboxipeptidase Essas enzimas são lançadas no intestino delgado e são responsáveis pela digestão. O pâncreas não se regenera. Patologias do pâncreas endócrino Diabetes > deficiência de insulina e hiperprodução de glucagon Paciente apresenta quadro de hiperglicemia Fatores que pré dispõe: raça, genética, ambiente (alimentação, sedentarismo e estresse) e pode ser secundário a outras doenças: Hiperadrenocorticismo Feocromocitoma > tumor de medula da adrenal > produção de catecolaminas Pancreatite Sinais Clinicos (tríade do P) Poliúria > aumento do volume urinário, causada pela glicosúria; Polidipsia > aumento da ingestão de água (compensatória a polidipsia). A glicose na urina puxa a água da urina > diurese osmótica; Polifagia > aumento da ingestão de alimentos (fome), pois a glicose não entra na célula. Emagrecimento progressivo Opacidade de córnea (catarata diabética) Dificuldade de cicatrização > dificuldade na vascularização e acidificação pela presença de corpos cetônicos - nem todo paciente diabético tem cetoacidose. O paciente que tem presença de corpos cetônicos está descompensado. Se for associado à outras doenças, o paciente também terá os sinais clínicos da doença. Diabetes Melitus Diagnóstico: Dosagem de glicose em jejum (8-12h) > mais de 12h ocorre o efeito da gliconeoênese Dosagem de hemoglobina glicosilada ou glicada (HbA1C) > pode ser usado em PATOLOGIA CLÍNICA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 23 PÂNCREAS qualquer espécie, mas é mais recomendado para gatos por conta do estresse Hemoglobina glicada (HbA1C): 33 a 35% da hemácia é composta por hemoglobina. A hemácia é uma célula insulinoindependente, portanto a glicose vai entrar indentependende da insulina. Da quantidade de Hb dentro da hemácia, 4 a 8% é a fração glicada (ligada à glicose). Como é uma ligação irreversível, a glicose vai ficar ligada durante todo o prazo de vida dessa hemácia (120 dias > período de glicemia). Quanto mais picos de hiperglicemia o paciente tiver, mais glicose vai entrar e mais tempo ela vai permanecer, fazendo com que a fração de 4 a 8% aumente. Se a glicose está alta mas a hemoglobina glicada está normal, esse pico hiperglicemico foi momentâneo causado por estresse, por exemplo (comum em gatos). Dosagem de insulina Curva glicêmica > comum fazer em pacientes que tem sinais clínicos de diabetes, mas a glicemia em jejum está normal Coleta-se o sangue na hora zero (ex: 98mg/dL) e nesse momento aplica glicose (normalmente na veia para ter certeza da quantidade que foi ingerida) Mede-se de 2 em 2 horas 6h depois a glicose deve estar igual ou inferior a hora zero (98mg/dL) Tratamento (testes de monitoramento) Curva de resposta à insulina > paciente diabético começa com a dose mínima (LENTA = 0,5 a 2 unidade/kg em até 12h) 2/3 pela manha: 20kg x 0,5 = 10 unidades > 10 x 2/3 > 20/3 = 6,6666... = 6 unidades 1/3 pela noite Dosagem de Hb glicada PTN glicada (frutosamina) > proteína que também se liga de forma irreversível à glicose, dando um perfil de glicemia menor (90 dias) Outros Exames (de apoio ao diagnóstico) Perfil lipídico: Hipercolesterolemia (aumento de colesterol) Aumento de triglicerídeos Aumento de lipídios totais PATOLOGIA CLÍNICA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 24 PÂNCREAS Patologias do pâncreas exócrino Pancreatite aguda e crônica Focal > pequena parte do tecido pancreático sendo acometida Difusa > comprometimento mais disperso do tecido Pode ser secundária a um cálculo biliar, lipidose hepática (comum em gatos) Sinais Clínicos: dor abdominal, hepatite, abdômen agudo, vômito, diarréia, icterícia (quando está associada a um comprometimento hepático). A sintomatologia não costuma direcionar a um diagnóstico exato. Diagnóstico laboratorial: Dosagem de amilase e lipase no sangue (enzimas de excreção através da filtração glomerular, portanto deve-se ter certeza que a função glomerular esta preservada) Dosar uréia e creatinina (avaliação da função glomerular) Outras alterações: Hiperglicemia (por conta do comprometimento do pâncreas endócrino) Hipocalcemia (único que estará reduzido em um caso de pancreatite) Aumento de ácidos graxos Aumento de lipídios Aumento de triglicerídeos Aumento de colesterol Insuficiência pancreática > Pode ser uma sequela da pancreatite por conta da perda de área funcional, embora exista a insuficiência pancreática congênita (comum em pastor alemão). Algumas espécies possuem amilase salivar (o cão não produz) e alguns tumores produzem amilase, portanto a lipase é um exame mais confiável do que a amilase. Entre uréia e creatinina, a creatinina é mais confiável pois a uréia pode oscilar de acordo com outros fatores.A enzima mais indicada para avaliar o fígado é a ALT. Para toda suspeita de pancreatite deve-se fazer uma avaliação hepática associada. Insuficiência pancreática (IPE) Pode ser uma sequela da pancreatite por conta da perda de área funcional ou congênita (comum em pastor alemão). Deficiência na produção das enzimas. Insuficiência significa que o órgão não está produzindo o que ele produz normalmente. Se o pâncreas está insuficiente ele não produz as enzimas satisfatoriamente, logo a digestão fica comprometida. Esse animal então vai comer, não vai conseguir digerir e consequentemente não vai absorver os nutrientes. Na IPE, as enzimas pancreáticas não estariam aumentadas, podem estar normais ou até mesmo diminuídas. Sinais clínicos da IPE Come muito Emagrecimento progressivo Fezes pastosas Restos de alimento nas fezes Gordura nas fezes (esteatorréia) Polifagia PATOLOGIA CLÍNICA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 25 PÂNCREAS Diagnóstico da IPE Fezes > procura-se restos de fibra, de gordura, de amido. Existem corantes que podem utilizar para corar as fezes e tentar diagnosticar se tem restos de alimentos nas fezes. Não é conclusivo, ter restos de alimentos nas fezes não quer dizer necessariamente que é insuficiência. Tripsina Fecal (digestão da gelatina) > pesquisar a presença da enzima tripsina (protease). A gelatina é uma proteína que serve como substrato para pesquisar a presença de tripsina. Coloca-se as fezes em contato com a gelatina para verificar se existe presença de tripsina nas fezes. Coloca gelatina em um tubo de ensaio, adiciona as fezes e bicarbonato (para alcalinizar para ser favorável a enzima); Coloca o tubo em banho maria a 37 graus para ocorrer a atividade enzimática; Se esse animal estiver normal a tripsina vai digerir a gelatina e esta ficará líquida, o que significa que foi digerida pela tripsina, portanto esse animal é tripsina-positivo; Se a gelatina endurecer, significa que ele é tripsina-negativo. Esse teste não conclui que o animal tem insuficiência pancreática; Falso positivo > quando proteases bacterianas presentes no intestino digerem a gelatina; Falso negativo > quando toda a tripsina foi consumida na digestão do animal e não sobrou enzima para digerir a gelatina. Teste de absorção de gordura > oferecer gordura para o animal depois de coletar o sangue e verificar o plasma. Se o plasma estiver líquido deve- se oferecer gordura via oral. Após 2 horas coleta-se o sangue novamente; Se este animal for normal ele vai digerir essa gordura e o plasma fica lipênico (leitoso/com aspecto gorduroso); Se não ficar lipênico, não fecha diagnóstico; Esse teste pode ser feito tanto com gordura como com vitamina lipossolúvel (mais caro). Teste PABA > PABA é uma substância digerida pela quimiotripsina (uma das proteases pancreáticas); Administra-se via oral se esse animal for normal; o PABA vai ser digerido pela quimiotripsina e aumentar a sua concentração na circulação; Se o PABA diminuir, pode ser insuficiência pancreática ou síndrome de má absorção. Teste da D-xilose > a d-xilose é uma pentose (açúcar de 5 carbonos) e não sofre nenhum processo de digestão, ou seja, já está pronta para ser digerida; Avalia a capacidade de absorção; Administra-se via oral e mede no sangue; Se ela aumentar o teste é normal; Se não aumentar o animal tem síndrome de má absorção; Pode-se associar aos outros testes para conseguir diferenciar se é insuficiência ou má absorção. PATOLOGIA CLÍNICA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 26 PÂNCREAS Prova terapêutica Administra-se enzima digestiva para o animal (não tem nenhum efeito colateral) e avalia-se a sintomatologia; Se for IPE esse paciente vai apresentar: Ganho de peso Redução do volume das fezes Diminuição do apetite Saciedade com uma quantidade menor de alimentos Se for má absorção, a enzima não vai fazer efeito Teste anti-tripsina É um teste feito no sangue pesquisando se o paciente tem anticorpo contra a enzima. TIREóIdE Histologia Tem um istmo central que conecta os dois lobos; Sua localização é próxima aos primeiros anéis traqueais; Constituída por folículos tireoidianos > constituídos por epitélio cubóide e simples Avaliação da atividade da glândula Biópsia: glândula mais ou menos ativa de acordo com altura dos folículos tireoidianos Mais ativa: mais alongada (colunar) Menos ativa: mais achatada (cubóide) No interior do folículo tireoidiano existe o colóide > se liga a tireoglobulina que é uma glicoproteína que sofre iodação (capaz de se ligar ao iodo) > Iodação forma os precursores hormonais: MIT (monoiodotironina) e DIT (diiodotironina) MIT: iodo ligado à tironina da tireoglobulina DIT: duas moléculas de iodo ligado à tironina da tireoglobulina Assim temos: T3: uma MIT + um DIT T4: junção de dois DIT Uma tironina pode ter até 115 moléculas de iodo, sendo que no máximo somente 30% são T3 e T4 (iodo hormonal), os outros 70% restante é MIT e DIT. Fisiologia O TSH estimula a proteólise que ocorre no interior das células que compõem o epitélio simples dos folículos tiroidianos, dessa forma as tireoglobulinas, presentes no colóide, são captadas para o interior dessas células foliculares e dentro dos fagolisossomos são degradadas dando origem a T3 e T4, MIT e DIT. O T3 e T4 caem na corrente sanguínea e são transportadas pela albumina devido a sua característica lipofílica e chegam aos tecidos onde irão estimular o metabolismo, porém para agirem no tecido devem se desligar da albumina e é quando temos o T3 e T4 livre para se ligarem às células. O MIT e DIT não vão para a circulação e retornam ao colóide, onde irão se ligar a tireoglobulinas dando origem a MIT, DIT e T3 e T4. T3 e T4 livre: hormônios depois de desligados da albumina PATOLOGIA CLÍNICA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 27 TIREÓIDE T3 e T4 total: hormônios ligados à albumina + os livres O T3 e T4 promovem o aumento do metabolismo basal da célula promovendo o aumento na produção de calor, aumento no consumo de O2, estimula a lipólise (degradação de gordura), síntese proteica, dentre outras como o crescimento de pelo. Controle da secreção de hormônios tireoidianos: o hipotálamo frente a uma baixa concentração sérica de T3 e T4 responde secretando FSTSH que atua na adenohipófise estimulando a liberação de TSH que estimula a tireóide a produzir T3 e T4. TSH também estimula a absorção do iodo a nível intestinal. Distúrbios da Tireóide Qualquer doença crônica diminui a produção dos hormônios tireoidianos (T3 e T4). Hipoparatireoidismo primário: quando o problema é na própria glândula (tireóide). Em cães é a principal forma de ocorrência sendo 70% os casos devido a tireóide linfocítica, o restante dos casos correspondem a atrofia idiopática da tireóide (acredita- se ser a evolução da tireóide linfocítica) e hipotireoidismo congênito ou surgimento infantil. Tireóide Linfocítica: É uma doença imunomediada, quando ocorre uma invasão da glândula por linfócitos, macrófagos, plasmócitos, etc. Hipoparatireoidismo secundário: quando ocorre problemas em outros lugares que não a tireóide como a adenohipófise e hipotálamo. Podem ser causados por: Tumores funcionais pituitários; Má formação pituitária; Deficiência isolada de TSH (só falta TSH) > menor produção de T3 e T4 Alterações hipotalâmicas O hipotireoidismo é muito raro em gatos. Hipotireoidismo Sinais clínicos Alopecia bilateral simétrica (distúrbio endócrino), com ou sem hiperpigmentação: diminui a formação de pêlos que fica quebradiços e assima pele fica menos vulnerável e com a lesão repetida ocorre hiperpigmentação. Ocorre normalmente no dorso, não sendo comum ocorrer na cabeça nem nas patas. Geralmente é a principal queixa do proprietário. Pelagem ressecada ou seborréia: diminui a formação de pêlos, que ficam quebradiços e assim pele fica mais vulnerável. Letargia e intolerância ao frio: com a diminuição do metabolismo produz pouco calor. Diminuição da frequência cardíaca: todo metabolismo do animal fica basal. Infertilidade: aumenta o intervalo de cio e ainda provoca a perda da cria, em machos diminui a libido. Constipação e ganho de peso: todo o metabolismo fica basal, assim o transito intestinal também diminui e aí ocorre mais absorção de água, causando ressecamento e retenção de fezes. É pouco específico, pois também pode causar diarréia devido a PATOLOGIA CLÍNICA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 28 TIREÓIDE fermentação de alimentos devido a redução do trânsito intestinal. Mixedema: nesta desordem ocorre a destruição do parênquima tireoidiano.. Exames de triagem (não são conclusivos) Colesterol (bioquímica sérica): animais com hipotireoidismo normalmente têm aumento de colesterol, pois o organismo gasta muito pouco; Anemias arregenerativas (hemograma): os hormônios tireoidianas atuam como estimulantes a eritropoietina; Creatinoquinase (CPK): ocorre aumento em casos de miopatias e/ou neuropatias Teste Tireoidianos (diagnóstico) T4 livre: hormônio depois de se liberar da albumina T3 total: hormônio livre e conjugado TSH: é o fator para estimulação da tireóide Estímulo pelo TSH: dosamos T3 e T4 e verificamos que está baixo > aplicamos TSH > dosa-se novamente > se ainda continuar baixo entendemos que se trata de problema na glândula. T4 baixo e TSH alto: problema na glândula T4 baixo e TSH baixo: problema central (hipotálamo ou hipófise) Hipotireoidismo (cão) Primário > tireóide Tireoidite linfocítica > principal causa de hipotireoidismo em humanos e animais Atrofia idiopática da tireóide > alguns autores acreditam que seja uma fase de evolução da tireoidite linfocítica, mas isso não é confirmado. Congênito > nasce com deficiência na produção do hormônio Idiopática = sem causa definida Secundário > adenohipófise A adenohipófise produz TSH (hormônio tireoestimulante) que estimula a tireóide a produzir T3 e T4. Tumores > não compromete apenas TSH, podendo comprometer todos os outros hormônios que envolvem a adenohipófise. Deficiência isolada de TSH > comprometimento na produção de TSH. Tratamento > reposicao do hormônio independente da etiologia. Sinais Clínicos Alopecia > todo distúrbio endócrino causa alopecia bilateral Hiperpigmentação > pele mais escura Hiperqueratose (aumento de queratina) > pele mais espessa Obesidade > ganha peso com facilidade devido ao metabolismo lento Letargia > intolerante ao exercício Intolerância ao frio > tende a procurar locais quentes Bradicardia Aumento do intervalo entre cios (fêmeas) Diminuição da libido Cio infértil > cruza mas não gesta Galactorréia > produção de leite PATOLOGIA CLÍNICA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 29 TIREÓIDE Doença que geralmente acomete raças de médio a grande porte e animais de meia idade. Alterações Laboratoriais Hemograma Anemia NN > não responsiva Os hormônios tireoidianos (T3 e T4) estimulam a produção de eritropeitina Bioquímica sérica Hipercolesterolemia > se o animal tem um metabolismo lento, ele armazena mais colesterol Aumento de triglicerídeos Aumento de lipídios totais Aumento da ALAT Comprometimento hepático secundário > aumento de BT/BD Aumento da ASAT Aumento da ALP Nem todo animal vai ter um quadro de comprometimento hepático secundário, vai depender da gravidade do hipotireoidismo. Diagnóstico T3 e T4 + PTN de transporte > tecido alvo > T3 e T4 livres para entrar na célula Dosagem de T4 livre por diálise Dosagem de T3 e T4 total > no caso do cão o T4 é o mais indicado Dosagem de TSH > para diferenciar se é primário ou secundário Estímulo pelo TSH Fator de Von Willebrand Hipertireoidismo Este é comum em gatos idosos e mais raro no cão. Tem como principal causa adenomas e adenocarcinomas produtores de hormônios tireoidianos. O diagnóstico é feito da mesma forma do hipotireoidismo acrescentando palpação, ultrassonografia e cintilografia. Sinais clínicos Animal magro e com muita atividade Aparência de desidratação > ocorre devido ao aumento do catabolismo proteico e quebra da elastina, diminuindo a elasticidade da pele. Muitos clínicos acreditam se tratar de desidratação e fazem fluidoterapia. AdRENAl Localizada a cima do rim e dividida em córtex (camada mais externa) e medular. O córtex adrenal produz 3 categorias de hormônios: Glicocorticóide (cortisol) relacionado ao metabolismo da glicose; Mineralocorticoide (aldosterona) relacionado ao metabolismo de minerais Andrógenos Medular produz catecolaminas (noradrenalina, adrenalina) Cortisol Hormônio hiperglicemiante, estimula a gliconeogênese; Inibe a utilização periférica da glicose pelas células (aumenta a glicemia); Estimula catabolismo proteico (quebra); Inibe o ADH, logo um dos sinais clínicos observados é a diurese (polúiria e polidpsia); PATOLOGIA CLÍNICA Apostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 30 ADRENAL Inibe a vitamina D, que promove absorção de cálcio então inibe a absorção do mesmo a nível intestinal; Estimula a lipólise (quebra de gordura); Inibe a leucodiapedese; Destrói tecido linfóide; Inibe a desgranulação dos mastócitos, inibindo a liberação de histamina, por isso é usado corticóide quando temos uma resposta inflamatória exarcebada. Mineralocorticóide Aldosterona atua no controle da PA; Sistema renina-angiotensina-aldosterona Catecolaminas Relacionadas ao sistema cardiovascular, promovem aumento da glicemia estimulando a glicogenólise (quebra do glicogênio > mais rápida e com efeito nocivo já que passa rapidamente; luta e fuga > descarga de adrenalina que disponibiliza glicóse para fuga). Situação de estresse prolongado (cortisol) produz efeitos nocivos ao organismo. Controle de secreção do glicocorticóide: Hipotálamo estimula a adeno-hipófise que produz o hormônio ACTH (hormônio adrenocorticotrófico) para estimular a adrenal (córtex apenas) a produzir cortisol. Se aumentar > inibe hipotálamo e adeno-hipófise Se diminuir > estimula hipotálamo e adeno-hipófise Mecanismos de Feedback: onde a concentração do hormônio regula sua própria síntese. Principal patologia de córtex adrenal Hiperadrenocorticismo Pode ocorrer por 3 situações: 1. Neoplasia da córtex adrenal (primário); unilateral 2. Hiperplasia de córtex adrenal; bilateral; excesso de ACTH estimulando a córtex, logo, a glândula aumenta de tamanho. 3. Iatrogenico, causado pelo homem; animal que toma de forma exarcebada corticoide. (cachorro é mais sensível nessa situação) Sintomatologia (independe da causa): Poliúria e polidpsia (sintoma mais precoce) devido à inibição da ação do ADH; Alopecia bilateral simétrica > todo distúrbio endócrino sistêmico as alterações são bilaterais Pele fina (pele em pergaminho) devido ao estímulo do catabolismo proteico que quebra fibra de colágeno que promove a elasticidade da pele Queda de pêlo também pelo aumento do catabolismo > tudos os fatores que produzem o pêlo são perdidos resultando na falta de nutrientes para a produção do mesmo (pode ocorrer também por infecção secundária) Diminui a resposta imune (imunossupressão) podendo se favorável ao aparecimento de uma infecção secundária PATOLOGIA CLÍNICAApostila de Medicina Veterinária - Monitoria de Patologia Clínica por Aline Bouzon Crespo 31 ADRENAL Abdômen pendular > devido ao aumento do catabolismo proteico, a parede abdominal fica flácida pela quebra das proteínas presentes na musculatura abdominal e também pela hepatomegalia Fragilidade capilar > sangramento frequente por conta da diminuição das fibras de colágeno que dão resistência as paredes dos vasos; qualquer pancada faz hematoma Deposição de cálcio no celular subcutâneo, já que o mesmo inibe a vitamina D, há uma menor absorção de cálcio no intestino, poranto, ao sequestrar o cálcio do osso para a circular começa um processo de deposição de cálcio nos tecidos moles. Alterações laboratoriais Hemograma: Anemia normocitica normocromica Leucograma: leucocitose neutrofílica com DNND, linfopenia, eosinipenia. Inibição da leucodiapedese > DNND Linfopenia pela distruição do tecido linfóide Eosinopenia pela estabilização da membrana celular, que inibe a desgranulação dos mastócitos e diminui histamina (quimiostático) para os eosinófilos EAS: Intervalo isostenúrico pela inibição do ADH (que é causado por hiperadreno ou lesão renal) Aumento da uréiia Glicosúria > apenas se o animal desenvolver diabetes secundária Fígado Fosfatase alcalina Aumento da Isoenzima induzida por glicocorticói, de mas quando é dosada, não é possível definir qual está aumentada. Aumento da ASAT e ALT por causa da lesão hepática (hepatomegalia) Colesterol alto Triglicerídeo alto Todo esse processo ocorre no fígado, dessa forma, todas as enzimas hepáticas estarão alteradas. Diagnóstico Dosagem do cortisol basal Podem ser feito outros testes associados Dosagem de ACTH Cortisol alto e ACTH baixo > problema na adrenal (primário), ou seja, o estímulo está normal mas a glândula produz exageradamente > ocorre por neoplasia Cortisol alto e ACTH alto > distúrbio secundário; aumento da produção de cortisol por conta do aumento do estímulo para sua produção > ocorre por hiperplasia da córtex