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O Transtorno do Espectro Autista – TEA1 tem sido o grande desafio nas questões médicas e educacionais do século XXI. Na década de 80, tratava-se de um distúrbio raro, com uma incidência de acordo com (ROTTA; OHLWELLER; RIESGO, 2016) de 01 para 2.500 nascidos, e hoje, a prevalência tem aumentado gradativamente, sendo de 01 para 68 crianças. O TEA é tratado como um distúrbio do desenvolvimento humano, que vem sendo estudado pela ciência há quase seis décadas, mas sobre o qual ainda permanecem, dentro do próprio âmbito da ciência, divergências e grandes questões por responder. Definir TEA, antigamente conhecido como autismo, não é tarefa fácil, mas necessária, visto que as fronteiras existentes do espectro autista são muito tênues. Segundo Orrú (2007) o Autismo é uma palavra de origem grega (autos) que significa por si mesmo. É um termo quando usado dentro da psiquiatria, denomina-se comportamentos humanos que se centralizam “em si mesmos”, voltados para o próprio indivíduo. Atualmente, com as definições da Organização Mundial da Saúde – OMS, Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - DSM-V e pesquisadores, nos mostram como tem ocorrido a evolução conceitual do TEA, como demonstraremos a seguir: Quando Leo Kanner, (1943) psiquiatra Austríaco, radicado nos EUA, descreveu casos de 11 crianças que apresentavam em comum “um isolamento” extremo desde o início da vida, e um desejo obsessivo pela 1 O termo TEA será utilizado durante o texto no lugar da denominação autismo, pois, seguiremos o DSM-V, mas encontraremos o termo autismo quando este for citado por outros autores. preservação da mesmice, denominou-as “autista” e usou o termo “autismo infantil precoce”, pois, os sintomas já apareciam na primeira infância. Segundo José de Jesus Mari, (2015), TEA é uma condição geral para um grupo de desordens complexas do cérebro, antes, durante ou logo após o nascimento. Esses distúrbios ou desordens se caracterizam pela dificuldade na comunicação social e comportamentos repetitivos, considerado como uma condição permanente: a criança nasce com TEA e torna-se um adulto com TEA. De acordo com Teixeira (2006), o autismo é um transtorno invasivo do desenvolvimento caracterizado por prejuízo na interação social, atraso na aquisição da linguagem e comportamentos estereotipados e repetitivos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) o autismo é definido como uma desordem em um contínuo, envolvendo os aspectos cognitivos e neurocomportamentais. No DSM-V o TEA deve ser considerado distúrbio do desenvolvimento caracterizado por quadro comportamental peculiar, e que envolve sempre as áreas da interação social, da comunicação e do comportamento em graus variáveis de leve a severo. A mais recente classificação do DSM-V, publicado em 2013, denomina o Autismo como um “Transtorno de Neurodesenvolvimento”, recebendo o nome de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Assim, o TEA é definido como um distúrbio do Desenvolvimento Neurológico que deve apresentar, desde a infância, déficit nas dimensões sócio comunicativa e comportamental. Pesquisadores e Neurologistas dirigem as pesquisas conceituando TEA como uma desordem global que afeta o desenvolvimento do cérebro, a nível comportamental e comunicativo, apresentando um quadro de indivíduos com anormalidades sensoriais, motoras e cognitivas; que enfrentam sérios desafios na adaptação aos seus ambientes; deficiências em recursos de enfrentamento e compensa de formas incomuns de regular as emoções, bem como controlar os aspectos físicos e sociais à sua volta. Essas definições citadas, colaboram para identificar quem é a criança com TEA e permite descrever as modificações de nomenclatura ocorridas desde a década de 1950, quando Leo Kanner definiu o Espectro Autista como “autismo infantil precoce”, até o termo que deve ser utilizado hoje, TEA, por profissionais que avaliam e diagnosticam esse transtorno, bem como pela comunidade escolar. Surpreende pela diversidade de características que podem apresentar, na maioria das vezes, a criança que apresenta o TEA possui uma aparência totalmente normal, bom funcionamento cognitivo em algumas áreas, enquanto outras se encontram bastante comprometidas. A multiplicidade das terminologias fenomenológicas existentes durante a história, demonstram a complexidade do transtorno e a importância de esclarecimentos e de um diagnóstico preciso a esse respeito, que deve envolver uma equipe multidisciplinar, com um trabalho de observação efetiva. Para melhor visualização e compreensão das características do TEA, apresentaremos pesquisas que examinaram traços autísticos e as definições de cada processo: CARACTERÍSTICAS FREQUENTEMENTE ASSOCIADA COM O AUTISMO DOMÍNIO/PROCESSO CARACTERÍSTICAS SENSORIAL Hipersensibilidade, evitação sensorial, busca sensorial, problemas de integração vestibular (equilíbrio) e proprioceptiva (localização espacial do corpo). MOTOR Atrasos no desenvolvimento motor, problemas com a coordenação fina e grossa, baixo tônus motor, problemas de planejamento motor, falta de destreza e dificuldade de coordenação. ESTIMULAÇÃO / ATIVAÇÃO E EMOÇÃO Hiperestimulação, hipoestimulação, temperamento difícil ou lento, alta reatividade emocional, fraca regulação emocional, medo generalizado, ansiedade, depressão e problemas motivacionais. COGNIÇÃO Dificuldades de atenção, pensamento concreto, boas habilidades de “visualização”, fraco aprendizado incidental e por visualização, falta de brincadeiras de “faz de conta”, problemas de funcionamento metacognitivo e executivo, dificuldades na solução de problemas, baixo entendimento social. INTERAÇÃO SOCIAL Fraco contato visual, dificuldades em seguir o modelo, atenção conjunta e referências sociais, baixa iniciativa de interações sociais, tendência a isolar-se, afeto social inapropriado, falta de empatia, baixo uso de gestos sociais, falta de conscientização de protocolos sociais e amizades superficiais. LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO Problemas de protocomunicação (falta de gestos sociais), ecolalia, dificuldade na linguagem expressiva e receptiva, inversão de pronomes e fraca compreensão de leitura e fala coloquial. AUTORREGULAÇÃO Falta de habilidades apropriadas de autorregulação, dificuldades na solução de problemas, incapacidade para solicitar e utilizar apoios instrumentais e emocionais, sinais de fraca autorregulação (impulsividade, distração, hiperatividade, comportamento estereotipado e autoestimulador, interesses obsessivos e limitados, comportamentos compulsivos e ritualísticos). PROBLEMAS COMPORTAMENTAIS Desobediência, agressividade, autoagressividade, problemas com o sono e com a alimentação. CARACTERÍSTICAS FÍSICAS/PROBLEMAS MÉDICOS Aparência normal, circunferência craniana grande e convulsões. Fonte: O Desenvolvimento do Autismo – Social, Cognitivo, Linguístico, Sensório-motor e Perspectivas Biológicas. (2015). Segue abaixo as características do TEA de acordo com a fonte acima. Por meio dos sentidos, aprendemos sobre o ambiente, bem como sobre nós, criamos as memórias que contêm registros da nossa história de experiências sensoriais. A gama de disfunções sensoriais do TEA que incluem a hiper e a hipo sensibilidades táteis, visuais, auditivas, olfativas e gustativas. Problemas de defesa tátil, aversões alimentares, sensibilidade hiper ou hipo a dor, sons, cheiros e toques. Os problemas sensoriais envolvem também o sistema vestibular, que ajuda a regular o equilíbrio e o movimento e os sistemas proprioceptivo, que fornece feedback sobre a posição corporal pelos músculos, tendões e ligamentos. Problemas nestes dois últimos sistemasprovavelmente são responsáveis pelo menos em parte, pelas dificuldades que muitas crianças têm nas atividades motoras grossas e finas (WHITMAN, 2015). Como observamos, os problemas sensoriais afetam diretamente o desenvolvimento do TEA, pois, não conseguem perceber as informações sensoriais que o meio ambiente oferece; informações táteis, olfativas, gustativas, visuais e auditivas. O sistema motor é um conjunto de processos que ajudam a organizar e coordenar os movimentos funcionais. A aprendizagem motora requer atenção e esforço conscientes. Problemas motores são frequentemente observados em crianças com autismo, sendo as motoras finas mais afetadas que as motoras grossas. Descrições de crianças com autismo sugerem que essas podem ficar facilmente estressadas, ansiosas e temerosas. Mostram fortes emoções ao ambiente, podendo ter dificuldades para regular suas emoções quando se sentem incomodados. Estudiosos têm especulado sobre o papel que a estimulação exerce no TEA, pois, indicam que a estimulação excessiva possa ser responsável pelas dificuldades sociais e comportamentos disruptivos observados nos indivíduos com TEA. A atenção é um pré-requisito para a aprendizagem e tem sido considerada o grande desafio da criança que apresenta o TEA, por apresentarem dificuldades em lidar com estimulação excessiva, mostrando comportamento de falta de vontade, ou hiperexcitação usando estes ou outros mecanismos de enfrentamento. Muitos sujeitos que apresentam TEA, diante da estimulação excessiva ou para orientar-se por períodos mais longos, necessitam de mecanismos de autorregulação para integrar e interpretar as tarefas sociais a que são confrontados. Grande parte das crianças com TEA apresentam boa capacidade de memorização. Quando o material a ser recordado é de natureza visual, existe mais possibilidade de recordar informações complexas e com relevância do que os que são apresentados em forma auditiva. O mais rudimentar nos processos cognitivos, a atenção, é um pré-requisito para o desenvolvimento dos processos mais complexos. Pais e professores relatam que crianças com TEA têm dificuldades com a atenção, desviam com frequência sua atenção, pois se envolvem com situações irrelevantes por longos períodos de tempo. Hipóteses sobre a natureza exata dos problemas de atenção das crianças com TEA (WHITMAN, 2015): Orientar-se para um estímulo; Sustentar a atenção por um período mais longo; Desviar a atenção de um estímulo para o outro; Ampliar o seu foco de atenção; A teoria do desenvolvimento aborda que a atenção e desatenção do TEA podem evoluir como uma forma de regular as emoções desagradáveis. Essa forma seletiva de observar o mundo de forma desatenta representa como esta criança lida com situações extremamente difíceis dentro das suas características. Seu olhar periférico e sua falta de vontade para dividir a sua atenção com outras pessoas são exemplos de como a criança utiliza mecanismos de enfrentamento, representando a forma de lidar nestas situações. As crianças com TEA apresentam dificuldades de atenção, pois, seu foco está em aspectos estreitos do ambiente, ou seja, conseguem manter atenção em estímulos mais simples e apresentam dificuldade na integração ou na percepção, e até mesmo para extrair significados de padrões de estímulos mais complexos (WHITMAN, 2015). Pesquisas sugerem que crianças com TEA de alto funcionamento apresentam boa capacidade na memorização e vão melhorando com o passar da idade. Estudos revelam que materiais de natureza visual são mais fáceis de serem memorizados do que materiais com informações auditivas. As pessoas com TEA apresentam dificuldades para compreender ideias abstratas, expressões de humor, figuras de linguagem e comportamentos enganadores, entendendo de modo literal as expressões orais utilizadas por um grupo de pessoas. Sua compreensão de mundo é visualizada de forma concreta. Temple Grandin relata que convertia ideias abstratas em imagens para melhor entendimento. Pessoas com TEA podem aprender habilidades comportamentais e cognitivas simples e concretas, mas apresentam dificuldade de transferir ou generalizar o que aprenderam para outros contextos e de se adaptarem a eles. A explicação possível para essa incapacidade é que estes apresentam um transtorno autorregulador. Esse transtorno não permite que a criança alcance sucesso em mudanças e generalização de comportamento, pois há grande dificuldade dessa transferência para novas situações de aprendizagem, que podemos caracterizar como autorregulação e apresenta-se da seguinte maneira: Parecem confusas, indefesas e distraídas; Agem de forma impulsiva e aparentemente sem sentido; Perseveram utilizando repetidamente estratégias ineficazes (WHITIMAN, 2015). Mesmo diante de roteiros sociais ou outros, para que possam lidar com situações específicas, o TEA precisaria apresentar habilidades metacognitivas (habilidades para tomada de decisão) caracterizadas pela autorregulação de comportamento. O pensamento autorreflexivo depende do desenvolvimento das relações interpessoais e compreensão social. A competência emocional se desenvolve no âmbito das relações sociais e experiências emocionais de uma pessoa e, Sarni (1999), sugere que crianças com TEA em virtude do déficit cognitivo da interpretação de suas experiências emocionais e dos outros, são incapazes de transmitir emoções de formas convencionais. O TEA exibe um amplo padrão de dificuldade em situações de interação social. Desde os estágios iniciais de desenvolvimento, as dificuldades de interação social podem não ser aparentes e menos fáceis de detectar, mas, à medida que seu desenvolvimento global se desenvolve, as dificuldades interacionais tornam-se cada vez mais aparentes. Wing e Gould (1979), propõem que os estilos de interação social de indivíduos com TEA podem ser agrupados em três tipos: a) DISTANTES: isolam-se do contato social, aborrecem-se quando perto de outras pessoas e muitas vezes rejeitam propostas sociais; b) PASSIVOS: não tomam iniciativas sociais, mas aceitam iniciativas por outros sem demonstrar aborrecimentos; c) ATIVOS: é o nível mais elevado de competência social, pois são indivíduos que se aproximam espontaneamente das pessoas, mas o fazem de maneira incomum e inapropriada. O desenvolvimento social do TEA pode ser aperfeiçoado com estruturas de apoio e intervenções adequadas. A criação de programas de intervenção precoce tem indicado melhora no comportamento social e emocional inapropriados de crianças retraídas, não afetivas e não interativas. O apego em uma perspectiva evolutiva, comportamento de apego servem para manter as crianças próximas de seus pais e cuidadores, garantindo assim sua segurança física e a preservação da espécie. Embora as pesquisas insinuem que as crianças com TEA são insensíveis a comportamentos de apego, em contextos educacionais, percebemos que estilos de apego praticados por essas crianças demonstram, algumas vezes, laços seguros e outras vezes, laços inseguros. A atenção conjunta é um pré-requisito para melhorar o comportamento social da criança. Para a criança com TEA é difícil se envolver e demonstrar comportamentos de apego, fazer contato visual, compartilhar interesses, partilhar a atenção, para a realização de uma atividade. Alguns pesquisadores apontam que a atenção conjunta pode direcionar o entendimento do desenvolvimento do TEA, pois parece ser muito importante a aquisição da linguagem oral para decifrar a comunicação verbal e não verbal de outras pessoas. Durante o desenvolvimento normal a criança é atraída por seus pais e cuidadores e tentam imitar suas expressões faciais.As crianças com TEA, por sua vez, demonstram dificuldades nesta imitação espontânea ou provocada quando solicitada. Os programas de estimulação precoce para crianças com TEA devem se preocupar em desenvolver as habilidades do comportamento imitativo, como o início ao ensino de outros comportamentos não verbais e verbais específicos. Os brinquedos e as brincadeiras influenciam as crianças e ajudam-nas a experimentar novos papéis, a resolver problemas, a interagir em cooperação com outras crianças e a formular e executar planos. O TEA demonstra uma dificuldade em participar de brincadeiras em contextos sociais e não sociais, sendo considerada uma das características marcantes, precoces da criança dentro do TEA. De acordo com Whitman (2015), as brincadeiras de crianças com TEA caracterizam-se por: Natureza estereotipada, com objetos muitas vezes servindo como fontes de autoestimulação repetitiva; Preocupação com brinquedos específicos; Ausência de interações funcionais e normativas com brinquedos; Falta de imaginação e de orientação para o faz de conta; Natureza concreta e não simbólica; Solidão e qualidade não social; Estrutura simplista e decorada. As atividades que descrevem o comportamento de repetição, rotinas fixas, fala excessiva, movimento com o corpo, preocupação e rituais compulsivos sugerem um sistema de autorregulação cognitiva e social mal desenvolvido. O comportamento estereotipado ocorre com alta frequência nas crianças com TEA e sugerem que esse comportamento serve como função de alta estimulação, voltado a aumentar ou reduzir o estímulo externo ou reduzir a ansiedade ou tensão. O comportamento estereotipado, também pode ser explicado como resultado do reforço positivo ou negativo. Por isso, o professor deve se envolver com o aluno para controle do comportamento e a necessidade do reforço positivo e não aumentar negativamente com exigências. A desobediência em crianças com TEA pode ocorrer em virtude de sua falta de habilidade de comunicação e, se não for mediada corretamente, esta pode transformar-se em agressividade. A literatura nos mostra padrões de sono da criança com TEA diferente da criança típica, como: dificuldade para adormecer; má qualidade do sono; acordar durante a noite; acordar cedo e padrões irregulares de sono. Com relação à alimentação, observamos em evidências informais: seletividade alimentar; comer muito rápido; respostas alérgicas aos alimentos e predileções a alimentos secos. Como visto, as informações sobre as características do TEA, nos esclarece para a realização de intervenções educacionais necessárias ao atendimento da singularidade de sua necessidade. A partir do último diagnóstico, versão V de 2013, fundiram-se em um único diagnóstico: Transtorno do Espectro Autista – TEA, todos os distúrbios do autismo (Transtorno Autista, Transtorno Desintegrativo da Infância, Transtorno Generalizado do Desenvolvimento não Especificado e Síndrome de Asperger). O TEA se instala nos três primeiros anos de vida, momento este, em que os neurônios que coordenam a comunicação e os relacionamentos sociais deixam de formar as conexões necessárias (GUIA MINHA SAÚDE ESPECIAL, 2016). Mesmo que o transtorno seja incurável, quando o reconhecimento desses neurônios é tardio, e não são estimulados no momento certo, perde-se a oportunidade de a criança aprender e desenvolver-se. De acordo com o DSM-V existe uma díade de sintomas composta de critérios específicos: 1- Os Déficits sociais e de comunicação; 2- Comportamentos repetitivos e restritivos. A fim de receber um diagnóstico de transtorno do Espectro Autista, uma pessoa precisa apresentar os três seguintes déficits dentro da comunicação e da comunicação social: 1) Problemas de interação social ou emocional alternativa - isso pode incluir a dificuldade de estabelecer conversas e interações, a incapacidade de iniciar uma interação e problemas com a atenção compartilhada ou partilha de emoções e interesse com os outros. 2) Problemas para as relações – isso pode envolver uma completa falta de interesse em outras pessoas, a dificuldade de se engajar em atividades sociais apropriadas à idade e de adaptação às diferentes expectativas sociais. 3) Problemas de comunicação não verbal – o que pode incluir dificuldade no contato visual, postura, expressões faciais, tom de voz e gestos, bem como a dificuldade de entender esses sinais não verbais em outras pessoas. 4) Comportamentos repetitivos e restritivos – o indivíduo deve apresentar, pelo menos, dois desses comportamentos: Apego extremo a rotinas e padrões; resistência a mudanças nas rotinas e sinais ritualísticos; Fala ou movimentos repetitivos ou estereotipados; Interesses intensos e restritivos. Dificuldade em integrar informação sensorial ou forte procura ou evitar comportamentos de estímulos sensoriais, caracterizando problemas de transtornos sensoriais. Esses dois critérios de análise (díade) do TEA passam por níveis classificatórios de leve, moderado e grave (MARI, 2015) QUADRO: DSM-V– TEA TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA – DÉFICIT NA COMUNICAÇÃO SOCIAL E PADRÕES DE COMPORTAMENTO Déficits persistentes em comunicação social e interação social em múltiplos contextos, manifestados como se segue, atualmente ou por histórico: Déficits na reciprocidade social-emocional, variando, por exemplo, desde uma abordagem social anormal e falha no diálogo normal até um compartilhamento reduzido de interesses, emoção ou afeto, até uma falha em iniciar ou responder à interação social. Déficits em comportamentos comunicativos não verbais usados para interação social, variando, por exemplo, desde comunicações verbais e não verbais pobremente integradas a anormalidades no contato visual e linguagem corporal ou déficits em compreender e usar gestos, até a ausência total de expressões faciais e comunicação não verbal. Déficits no desenvolvimento, manutenção e compreensão dos relacionamentos, variando, por exemplo, desde dificuldades em ajustar o comportamento aos diferentes contextos sociais a dificuldades em compartilhar jogos imaginativos, até a ausência de interesse nos semelhantes. Padrões de comportamentos, interesses ou atividades restritos e repetitivos, como manifestado por pelo menos dois dos seguintes, atualmente ou por histórico: Movimentos motores, uso de objetos ou fala estereotipada ou repetitivos (ex.: estereotipia motora simples, alinhar brinquedos ou virar objetos, ecolalia, frases idiossincráticas). Insistência na monotonia, adesão inflexível à rotina ou padrão ritualizado de comportamentos verbais ou não verbais (ex.: estresse extremo a pouca mudança, dificuldade com transições, padrões de pensamento rígidos, rituais de cumprimento, necessidade de pegar o mesmo caminho ou comer a mesma comida todo dia). Interesses fixos e altamente restritos que são anormais em intensidade e foco (ex.: forte apego ou preocupação com objetos não usuais, interesses excessivamente restritos ou perseverantes). Hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais ou interesse não usual em aspectos sensoriais do ambiente (ex.: aparente indiferença à dor ou à temperatura, resposta adversa a sons e texturas específicos, excessivo tocar ou cheirar objetos, fascinação visual em relação à luz ou movimento. Fonte: Autismo: perspectivas no dia a dia. (2013) O Ministério da Saúde descreve indicadores do desenvolvimento e sinais de alerta que possibilitam a instauração de intervenções precoces importantes para crianças com TEA que possibilitam a identificação desse quadro favorecendo o desenvolvimento global da criança. Esse diagnóstico é realizado por meio de observações direta com a criança, entrevistascom pais e ou cuidadores. INDICADORES DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL SINAIS DE ALERTA PARA TEA De 0 a 06 meses Interação Social Por volta dos 3 meses de idade crianças passam a acompanhar e a buscar o olhar de seu cuidador. Crianças com TEA podem não fazer isto ou fazer com frequência menor. Em torno dos 6 meses de idade é possível observar que as crianças prestam mais atenção em pessoas do que em objetos ou brinquedos. Criança com TEA pode prestar mais atenção em objetos. Linguagem Desde o começo, a criança parece ter atenção à (melodia da) fala humana. Após os 3 meses, ela já identifica a fala de seu cuidador, mostrando reações corporais. Para sons ambientais, apresenta expressões, por exemplo, de “susto”/ choro/tremor. Criança com TEA pode ignorar ou apresentar pouca resposta aos sons de fala. Desde o começo, a criança apresenta balbucio intenso e indiscriminado, bem como gritos aleatórios, de volume e intensidade variados, na presença ou na ausência do cuidador. Por volta dos 6 meses, começa uma discriminação nestas produções sonoras, que tendem a aparecer principalmente na presença do cuidador. Criança com TEA pode tender ao silêncio e/ou a gritos aleatórios. No inicio, o choro é indiscriminado. Por volta dos 3 meses, há o início de diferentes formatações de choro: choro de fome, de birra, etc. Estes formatos diferentes estão ligados ao momento e/ou a um estado de desconforto. Criança com TEA pode ter um choro indistinto nas diferentes ocasiões, e pode ter frequentes crises de choro duradouro, sem ligação aparente a evento ou pessoa. Brincadeiras As crianças olham para o objeto e o exploram de diferentes formas (sacodem, atiram, batem e etc.) Ausência ou raridade desses comportamentos exploratórios pode ser um indicador de TEA. Alimentação A amamentação é um momento privilegiado de atenção por parte da criança aos gestos, expressões faciais e fala de seu cuidador. Criança com TEA pode apresentar dificuldades nestes aspectos. De 06 a 12 meses Interação Social Começam a apresentar comportamentos antecipatórios (ex.: estender os braços e fazer contato visual para “pedir” colo) e imitativos (por exemplo: gesto de beijo). Crianças com TEA podem apresentar dificuldades nesses comportamentos. Linguagem Choro bastante diferenciado e gritos menos aleatórios. Crianças com TEA podem gritar muito e manter seu choro indiferenciado, criando uma dificuldade para seu cuidador entender suas necessidades. Balbucio se diferenciando; risadas e sorrisos. Crianças com TEA tendem ao silêncio e a não manifestar amplas expressões faciais com significado. Atenção a convocações (presta atenção à fala materna ou do cuidador e começa a agir como se “conversasse”, respondendo com gritos, balbucios, movimentos corporais). Crianças com TEA tendem a não agir como se conversassem. A criança começa a atender ao ser chamada pelo nome. Crianças com TEA podem ignorar ou reagir apenas após insistência ou toque. Começa a repetir gestos de acenos, palmas, mostrar a língua, dar beijo, etc. Crianças com TEA podem não repetir gestos (manuais e/ou corporais) frente a uma solicitação ou pode passar a repeti-los fora do contexto, aleatoriamente. Brincadeiras Começam as brincadeiras sociais (como brincar de esconde-esconde), a criança passa a procurar o contato visual para manutenção da interação. A criança com TEA pode precisar de muita insistência do adulto para se engajar nas brincadeiras. Alimentação Período importante porque serão introduzidos texturas e sabores diferentes (sucos, papinhas) e, sobretudo, porque será iniciado o desmame. Crianças com TEA podem ter resistência a mudanças e novidades na alimentação. Interação Social Aos 15-18 meses as crianças apontam (com o dedo indicador) para mostrar coisas que despertam a sua curiosidade. Geralmente, o gesto é acompanhado por contato visual e, às vezes, sorrisos e vocalizações (sons). Ao invés de apontar elas podem “mostrar” as coisas de outra forma (ex.: colocando-as no colo da pessoa ou em frente aos seus olhos). A ausência ou raridade deste gesto de atenção compartilhamento pode ser um dos principais indicadores de TEA. Linguagem Surgem as primeiras palavras (em repetição) e, por volta do 18º mês, os primeiros esboços de frases (em repetição a fala de outras pessoas). Crianças com TEA podem não apresentar as primeiras palavras nesta faixa de idade. De 12 a 18 meses A criança desenvolve mais amplamente a fala, com um uso gradativamente mais apropriado do vocabulário e da gramática. Há um progressivo descolamento de usos “congelados” (situações do cotidiano muito repetidas) para um movimento mais livre na fala. Crianças com TEA podem não apresentar este descolamento/sua fala pode parecer muito adequada, mas porque está em repetição, sem autonomia. A compreensão vai também saindo das situações cotidianamente repetidas e se ampliando para diferentes contextos. Crianças com TEA mostram dificuldade em ampliar sua compreensão de situações novas. A comunicação é, em geral, acompanhada por expressões faciais que refletem o estado emocional das crianças (ex.: arregalar os olhos e fixar o olhar no adulto para expressar surpresa, ou então constrangimento, “vergonha”). Crianças com TEA tendem a apresentar menos variações na expressão facial ao se comunicarem, a não ser alegria/excitação, raiva ou frustração. Brincadeiras Aos 12 meses a brincadeira exploratória é ampla e variada. A criança gosta de descobrir os diferentes atributos (textura, cheiro, etc.) e funções dos objetos (sons, luzes, movimentos, etc.). A criança com TEA tende a explorar menos objetos e, muitas vezes, fixa-se em algumas de suas partes, sem explorar as funções (ex.: passar mais tempo girando a roda de um carrinho do que empurrando-o). O jogo de faz-de-conta emerge por volta dos 15 meses e deve estar presente de forma mais clara aos 18 meses de idade. Em geral, isso não ocorre no TEA. Alimentação A criança gosta de descobrir as novidades na alimentação, embora possa resisti r um pouco no início. Crianças com TEA podem ser muito resistentes à introdução de novos alimentos na dieta. De 18 a 24 meses Interação Social Há interesse em pegar objetos oferecidos pelo seu parceiro cuidador. Olham para o objeto e para quem o oferece. Crianças com TEA podem não se interessar e não tentar pegar objetos estendidos por pessoas ou fazê-lo somente após muita insistência. A criança já segue o apontar ou o olhar do outro, em várias situações. Crianças com TEA podem não seguir o apontar ou o olhar dos outros; podem não olhar para o alvo ou olhar apenas para o dedo de quem está apontando. Além disso, não alterna seu olhar entre a pessoa que aponta e o objeto que está sendo apontado. A criança, em geral, tem a iniciativa espontânea de mostrar ou levar objetos de seu interesse a seu cuidador. Nos casos de TEA, a criança, em geral, só mostra ou dá algo para alguém se isso reverter em satisfação de alguma necessidade imediata (abrir uma caixa, por exemplo, para que ela pegue um brinquedo em que tenha interesse imediato: uso instrumental do parceiro). Por volta dos 24 meses: surgem os “erros”, mostrando o descolamento geral do processo de repetição da fala do outro, em direção a uma fala mais autônoma, mesmo que sem domínio das regras econvenções (Por isso aparecem os “erros”). Criança com TEA tendem a ecolalia. Os gestos começam a ser amplamente usados na comunicação. Crianças com TEA costumam utilizar menos gestos e/ou a utilizá-los aleatoriamente. Respostas gestuais, como: acenar com a cabeça para “sim” e “não”, também podem estar ausentes nessas crianças entre os 18 e 24 meses. Brincadeiras Por volta de 18 meses, bebês costumam reproduzir o cotidiano por meio de um brinquedo ou brincadeira; descobrem a função social dos brinquedos. (ex.: fazer o animalzinho “andar” e produzir sons) A criança com TEA pode ficar fixada em algum atributo do objeto, como a roda que gira ou uma saliência em que passa os dedos, não brincando apropriadamente com o que o brinquedo representa. As crianças usam brinquedos para imitar ações dos adultos (dar a mamadeira a uma boneca; dar “comidinha” usando uma colher, “falar” ao telefone, etc.) de forma frequente e variada. Em crianças com TEA este tipo de brincadeira está ausente ou é rara. Alimentação Período importante porque, em geral, é feito: 1) o desmame; 2) começa a passagem dos alimentos líquidos/ pastosos, frios/mornos para alimentos sólidos/semi-sólidos, frios/quentes/ mornos, doces/ salgados/amargos; variados em quantidade; oferecidos em vigília, fora da situação de criança deitada ou no colo; 3) começa a introdução da cena alimentar: mesa/ cadeira/utensílios (prato, talheres, copo) e a interação familiar/social. Crianças com TEA podem resistir às mudanças, podem apresentar recusa alimentar ou insistir em algum tipo de alimento mantendo, por exemplo, a textura, a cor, a consistência, etc. Podem, sobretudo, resistir a participar da cena alimentar. De 24 a 36 meses Interação Social Os gestos (olhar, apontar, etc.) são acompanhados pelo intenso aumento na capacidade de comentar e/ou perguntar sobre os objetos e situações que estão sendo compartilhadas. A iniciativa da criança em apontar, mostrar e dar objetos para compartilhá- los com o adulto aumenta em frequência. Os gestos e comentários em resposta ao adulto tendem a aparecer isoladamente ou após muita insistência. As iniciativas são raras, sendo um dos principais sinais de alerta de TEA. Linguagem A fala está mais desenvolvida, mas ainda há repetição da fala do adulto em várias ocasiões, com utilização dentro da situação de comunicação. Crianças com TEA podem ter repetição da fala da outra pessoa sem relação com a situação de comunicação. Começa a contar pequenas estórias; a relatar eventos próximos já acontecidos; a comentar sobre eventos futuros, sempre em situações de diálogo (com o adulto sustentando o discurso). Crianças com TEA podem apresentar dificuldades ou desinteresse em narrativas referentes ao cotidiano. Podem repetir fragmentos de relatos/narrativas, inclusive de diálogos, em repetição e independente da participação da outra pessoa. Canta e pode recitar uma estrofe de versinhos (em repetição). Já faz distinção de tempo (passado, presente, futuro); de gênero (masculino, feminino); e de número (singular, plural), quase sempre adequadas (sempre em contexto de diálogo). Produz a maior parte dos sons da língua, mas pode apresentar “erros”; a fala tem uma melodia bem infantil ainda; voz geralmente mais agudizada. Crianças com TEA podem tender à ecolalia; distinção de gênero, número e tempo não acontece; cantos e versos só em repetição aleatória, não “conversam” com o adulto. Brincadeiras A criança, nas brincadeiras, usa um objeto “fingindo” que é outro (um bloco de madeira pode ser um carrinho, uma caneta pode ser um avião, etc.). A criança brinca imitando os papéis dos adultos (de “casinha”, de “médico”, etc.), construindo cenas ou estórias. Ela própria ou seus bonecos são os “personagens”. Crianças com TEA raramente apresentam este tipo de brincadeira ou o fazem de forma bastante repetitiva e pouco criativa. A criança gosta de brincar perto de outras crianças (ainda que não necessariamente com elas) e demonstram interesse por elas (aproximar-se, tocar e se deixar tocar, etc.). A ausência dessas ações pode indicar sinais de TEA; as crianças podem se afastar, ignorar ou limitar-se a observar brevemente outras crianças à distância. Aos 36 meses as crianças gostam de propor/ engajar-se em brincadeiras com outras da mesma faixa de idade. Crianças com TEA, quando aceitam participar das brincadeiras com outras crianças, em geral, têm dificuldades em entendê-las. Alimentação A criança já participa das cenas alimentares cotidianas: café da manhã/almoço/jantar; é capaz de estabelecer separação dos alimentos pelo tipo de refeição ou situação (comida de lanche/festa/almoço de domingo, etc.); início do manuseio adequado dos talheres; alimentação contida ao longo do dia (retirada das mamadeiras noturnas). Crianças com TEA podem ter dificuldade com este esquema alimentar: permanecer na mamadeira; apresentar recusa alimentar; não participar das cenas alimentares; não se adequar aos “horários” de alimentação; pode querer comer a qualquer hora e vários tipos de alimento ao mesmo tempo; pode passar por longos períodos sem comer; pode só comer quando a comida é dada na boca ou só comer sozinha, etc. Fonte: Diretrizes de atenção: à reabilitação da pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA). (2013). O TEA apresenta comportamento de compulsões, rituais e rotinas, insistência, mesmice e interesse circunscritos, que são caracterizados por uma aderência rígida a alguma regra ou necessidade de ter as coisas somente por tê-las. Crianças com TEA, muitas vezes., demonstram grandes habilidades sobre um determinado assunto específico e um padrão anormal e restrito de interesses, exagerando em foco e intensidade para crianças daquela idade. Mas não conseguem destinar tempo para o desenvolvimento e aprendizagem de habilidades básicas, apresentando prejuízo em outras áreas de sua vida fundamentais para a autonomia, comunicação e socialização. Pesquisas indicam que pessoas com TEA aparentam dificuldades nas funções executivas que nos habilitam a planejar coisas, iniciar tarefas, se controlar para continuar a tarefa, manter a atenção, e finalmente resolucionar o problema. Por esta razão, pessoas com TEA são aflitas quando saem da rotina, não conseguem generalizar as regras e informações e apresentam ansiedade diante das mudanças e dos problemas a serem resolvidos, demonstrando, com isso, padrões de comportamentos restritos e repetitivos. Diante desse quadro de rigidez e ansiedade, surgem as birras e os comportamentos disruptivos (se jogar no chão, derrubar objetos, avançar nos colegas e professores), que estão ligados à dificuldade do TEA em utilizar a comunicação convencional para manifestar seus desejos e inquietudes. Por essa questão, o TEA utiliza a forma de comunicação que lhe é extremamente funcional: comportamentos disruptivos. O problema se agrava quando se realizam todos os desejos da criança com TEA, o que é infelizmente comum. A solução para diminuir a frequência de birras, então, é ensinar formas de comunicação adequadas, que permitam a criança a manifestar suas necessidades. O atendimento da criança com TEA é multiprofissional; essa mediação deve envolver várias frentes e diferentes tipos de terapia. As intervenções multidisciplinares, em diferentes combinações, devem atender às necessidades de cada criança, pois, é de fundamental importância o entendimento de que as crianças são diferentes, com potenciais e oportunidades diferentes,significando plano multidisciplinar e individual para cada uma. O processo de investigação de uma criança com TEA, inicia muitas vezes dentro da família, em um parque de diversões, na escola, em busca de respostas a comportamentos diferentes e padrões de desenvolvimento esperados para sua idade. Aprofundando a investigação, chegam a um neurologista e/ou psiquiatra que classificam essa criança de acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais, manual que auxilia nortear e direcionar a avaliação de comportamento de seres humanos, sejam, eles crianças ou adultos, hoje DSM-V, último editado em 2013 e CID-10, Código Internacional de Doenças, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O diagnóstico adequado é necessário para maiores possibilidades de atendimento e melhoria do comprometimento global da criança com TEA. São indicadores para a avaliação mais detalhada de uma criança com provável TEA, de acordo com (ROTTA; OHLWEILER; RIESGO, 2016): Não balbucia aos 12 meses; Não gesticula aos 12 meses (não aponta, não abana); Tem ausência de palavras com significados aos 16 meses; Não consegue elaborar frases de duas palavras espontaneamente e não ecolálicas aos 24 meses; Sofre alguma perda de linguagem ou habilidades sociais em qualquer idade. As intervenções visam ajudar a criança a: Adquirir habilidades funcionais para usar todo o seu potencial; Reduzir a rede de comportamentos mal adaptados que interferem no comportamento; Desenvolver a autonomia e a independência; Flexibilizar tendências repetitivas; Desenvolver habilidades cognitivas a acadêmicas; Melhorar a comunicação e atenção compartilhada. Ao mesmo tempo o diagnóstico é necessário para: Que a família busque orientação e informação especializada; Que os professores reconheçam a necessidade de conhecimento específico sobre o TEA e suas características, e busquem a especialização necessária para o atendimento nas necessidades dessas crianças. Devido à ampla variação do TEA, sua apresentação clínica pode ser acompanhada por comorbidades (ocorre quando duas ou mais doenças estão etiologicamente relacionadas), como epilepsia e outras afecções neurológicas, deficiência intelectual, hiperatividade, auto e heteroagressão. Porém, é necessário realizar o diagnóstico diferencial, como a deficiência intelectual, os distúrbios específicos de linguagem, o mutismo seletivo, a depressão do bebê, o transtorno reativo de vinculação e a surdez (BRASIL, 2013). Com o intuito de conhecer o TEA e suas comorbidades, não é para alarmar a família para outros problemas, mas para compreender como se apresenta o distúrbio do espectro autista e o seu processo de desenvolvimento, a fim de propor alternativas de atendimentos, uma vez que há uma variedade de etiologias. Além dos prejuízos inerentes ao transtorno, podem estar associadas a outros comprometimentos, o que justifica as crianças com TEA apresentarem, em 70% dos casos, duas a cinco comorbidades (ROTTA; OHLWEILER; RIESGO, 2016). Por meio da linguagem expressamos nossas necessidades, comunicamos nossos pensamentos, sentimentos, exploramos e respondemos ao meio social, e imaginamos mundos diferentes em que vivemos. Existe uma compreensão dinâmica entre a linguagem da criança e seu funcionamento social e cognitivo. É comum a criança com TEA apresentar uma deficiência na linguagem como característica diagnóstica central. Também é comum, essas crianças apresentarem muita dificuldade na comunicação e na linguagem expressiva, ao ecoarem palavras que ouvem. Em crianças com o transtorno, que desenvolvem uma linguagem mais complexa, sua gramática é muito semelhante ao das crianças típicas, mas mostram uma variedade de anomalias como: sequência comum de palavras, inversões de pronomes, utilização de sentenças na voz passiva, problemas na produção e compreensão de perguntas. Crianças com TEA, raramente, usam a linguagem para compartilhar ou obter informações de outros. Mesmo as crianças que apresentam alto funcionamento, não compreendem pontos de vistas diferentes dos seus (não apresentam uma teoria da mente). No desenvolvimento da aprendizagem para a aquisição da linguagem com crianças, é necessário o surgimento de intenções comunicativas e com capacidade simbólica. A criança com TEA manifesta limitações nestas áreas, mas seus atos comunicativos e simbólicos podem ser adquiridos, mesmo que apresentem dificuldades, se for mediada a realizar solicitações a outras pessoas e a rejeitá- las. UM TEA EM MINHA SALA DE AULA Fonte: https://pt.slideshare.net/SimoneHelenDrumond/91-autismo-e-sala-de-aula-adaptao-por- simone-helen-drumond Para trabalhar com a criança com TEA é necessário o conhecimento de suas características, de comportamento e de comunicação. Algumas orientações pedagógicas são necessárias, no que tange aos comportamentos disruptivos em uma sala de aula com muitos alunos. A investigação se faz importante, nos problemas de atitudes disruptivas, deve-se posteriormente, ter uma prática de perseverança, redirecionar as atitudes da criança para um comportamento social, levando-a a expressar os seus sentimentos e desejos. Seguem algumas orientações: Não se alterar e não valorizar as reações excessivas; Redirecionar a atenção e ação do aluno; Usar um tom de voz baixo, manter o mesmo tom e o contato visual; Corrigir mediando, não reprimindo; Disciplinar a atividade e não imobilizar o aluno; ele precisa confiar em seu mediador; O mediador deve oportunizar um fazer pedagógico diferenciado e especializado para cada criança que apresenta o TEA. Como sugestão de estratégias de aprendizagem, Verônica Sherborne, professora de Educação Física, acredita que a técnica abaixo pode beneficiar uma criança TEA em seu desenvolvimento psicomotor. Movimentos Sherborne – “Relation Play” Esta abordagem tem como objetivos gerais desenvolver a autoconfiança, autoconhecimento, consciencialização corporal e espacial, promover a interação social e a comunicação entre os participantes. Pode ser aplicado individualmente ou em grupo, em todas as idades (embora seja mais direcionado para crianças). No Relation Play é particularmente importante estimular a comunicação não-verbal. Devem estar sempre presentes a linguagem corporal, mímica, expressões faciais, contato ocular e o toque nas atividades. Esta abordagem também permite trabalhar a defesa tátil (reação exagerada e aversiva ao toque), muito característica nas crianças com este transtorno. O trabalho educacional é de fundamental importância para o atendimento da criança com TEA, pois, independente da teoria comportamental ou cognitiva,é de competência do professor o estabelecimento de intervenções que possam atender às necessidades da criança a nível cognitivo, social e emocional. Devemos observar no TEA quais as suas distrações visuais, auditivas, olfativas e táteis para melhor atender e estimular o seu processo pedagógico. O processo de ensino e aprendizagem na apresentação do material didático deve ser individual, com afetividade, compartilhando com sentimentos e interesses de cada aluno. Deve-se, portanto, oportunizar ambientes estruturados, organizados, não hiperestimulados, olhando para os olhos e chamando para o contato visual, respeitando a necessidade de organização diária, que permitam uma situação mais confortável ao aluno TEA, mas ao mesmo tempo oferecendo atividades diversas. Com isso, auxiliando no rompimento da repetição estereotipada. A criança com TEA aprende de forma mais direta as informações que podem ser absorvidas de uma região do espaço visual. Para isso, o professor deve propiciar atividades a nível visual, como umroteiro de imagens que ajudam seu cérebro a se aprontar para as atividades diárias e/ou atividades de sala de aula. A música provoca um efeito calmante e natural sobre o corpo humano. Músicas de piano provocam um efeito relaxante e positivo sobre as crianças com TEA. Durante as atividades, a música pode auxiliar na parte integrante do trabalho pedagógico, sendo considerada uma boa estratégia para regular as crises de ansiedade. Auxiliam, também, na interação, emoção e aprendizado da linguagem, além de facilitar nos momentos lúdicos e de necessidade de espera da criança. Muitas vezes os comportamentos repetitivos podem originar-se na tentativa de se organizar, pois as crianças com TEA executam esses comportamentos para ajudar no controle de superestimulação em ambientes com muita estimulação visual e auditiva, por exemplo. A criança com TEA, para se organizar, alinha determinados objetos como forma de acalmar, de simplificar o que está sentindo, e, para tanto, é de competência de quem está mediando a situação em casa ou na escola, de ofertar um lugar mais seguro, calmo, um ambiente mais previsível, onde possa ajudá-lo na redução de sua ansiedade. Seguem outras orientações para interação no cotidiano escolar do aluno com TEA: Estimular o contato físico; Reprimir comportamentos auto e heteroagressão quando ocorrerem. Propiciar atividades que envolvam elementos do mundo ao seu redor. Emprego de estratégias relacionadas à área de seu interesse; Recursos visuais oferecidos paralelamente aos estímulos auditivos podem ser úteis; Criar estratégias que estabeleçam e favoreçam as interações de amizade; Explicar e estabelecer claramente atividades e normas básicas de respeito; Conhecer as características dos alunos e manifestação de comportamento; Promover melhor desenvolvimento das potencialidades; Buscar suporte científico e técnico para melhor compreensão dos transtornos; Atitudes de acolhimento e afeto, pois o afeto não é uma parte incidental, mas sim é parte inseparável de como nos vemos e representamos o mundo em volta de nós. Devido à inflexibilidade de comportamento e casos mais severos de autoagressão, medidas de acolhimento são fundamentais; O aprendizado advindo de situações reais é de utilidade real para a criança, pois pode-se organizar situações contextuais da criança; A disposição do ambiente escolar é de fundamental importância, no qual todos participam, e o aluno com o TEA deve ficar mais próximo do professor; Fazer estratégias metodológicas diversificadas; Oferecer atividades que possibilitem diferentes graus de complexidade, pois esta pode ser trabalhada de diversas maneiras; Explorar utilização de diversos materiais durante a realização de atividades; Elaborar formas de avaliação adequadas à necessidade do aluno. É de fundamental importância compreender as dificuldades que a família sente ao receber o impacto de provável e/ou diagnóstico do espectro autista, pois, na maioria das vezes, convivem com o nascimento de um bebê que não chama a atenção por suas características físicas, mas sim, pelos sintomas que apresentam em seu desenvolvimento nas questões sociais, de comunicação e de comportamento. Esses sintomas podem se apresentar de maneiras sutis e os pais são quase pegos de surpresas. Muitas vezes o TEA traz uma carga de dor familiar, isolamento social e exclusão escolar. Por mais que a família se preocupe, existe a insegurança e, com isso, alterações significativas ocorrem no ambiente familiar. Diante do conflito, pode existir o desafio, a negação, a culpa e sentimentos, muitas vezes improdutivos, mas necessários para o enfrentamento do diagnóstico adequado. Por último, vem a experiência da dor e do luto para a luta, para a busca de conhecimento e intervenções necessárias que facilitem o desenvolvimento da criança com TEA. Mesmo com todo apoio e busca pela família para melhorar a condições de vida dessa criança, a situação cotidiana não é leve, é insegura, na qual os pais buscam na escola e nas terapias intervenções para melhorar as habilidades do TEA com vista à superação de suas dificuldades. A escola e a família precisam dialogar entre si nas ações, intervenções de aprendizagem e suporte de apoio na área da comunicação e comportamento. O bom preparo do profissional se faz necessário, como o auxílio no atendimento pedagógico do aluno com TEA e intervenções junto à família. A família e a escola são corresponsáveis pela busca compartilhada de impasses que surgirão ao longo do caminho, que objetivará no sucesso de cada criança com TEA. AUTISMO. FILME FRANCÊS "O CÉREBRO DE HUGO" https://www.youtube.com/watch?v=PKhS4WlG234 AUTISMO E SINDROME DE ASPERGER - TEMPLE GRANDIN (PARTE 1) https://www.youtube.com/watch?v=I1-VYbBeUd8 AUTISMO E SINDROME DE ASPERGER - TEMPLE GRANDIN (PARTE 2) https://www.youtube.com/watch?v=mLIgzWXCT6I https://www.youtube.com/watch?v=PKhS4WlG234 https://www.youtube.com/watch?v=I1-VYbBeUd8 https://www.youtube.com/watch?v=mLIgzWXCT6I BRASIL. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Pragmáticas Estratégicas. F. Comunicação e Educação em Saúde. Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro Autista (TEA). Brasília – DF, 2013. CUNHA, Eugênio. Autismo na escola: um jeito diferente de aprender, um jeito diferente de ensinar. 4ª Ed. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2016. _______________. Autismo e Inclusão: psicopedagogia práticas educativas na escola e na família. 6ª Ed. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2015 GUIA MINHA SAÚDE ESPECIAL. Autismo. 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