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PLANEJAMENTO E GESTÃO DE OBRAS PÚBLICAS ANELIZE PANTALEÃO PUCCINI CAMINHAFundação Biblioteca Nacional ISBN 978-85-387-6626-1 9 7 8 8 5 3 8 7 6 6 2 6 1 Código Logístico 59364 Planejamento e gestão de obras públicas Anelize Pantaleão Puccini Caminha IESDE BRASIL 2020 © 2020 – IESDE BRASIL S/A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito da autora e do detentor dos direitos autorais. Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: Thiago Leite/ sakdam /Shutterstock Todos os direitos reservados. IESDE BRASIL S/A. Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 Batel – Curitiba – PR 0800 708 88 88 – www.iesde.com.br CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ C191p Caminha, Anelize Pantaleão Puccini Planejamento e gestão de obras públicas / Anelize Pantaleão Puccini Caminha. - 1. ed. - Curitiba [PR] : IESDE, 2020. 86 p. Inclui bibliografia ISBN x978-85-387-6626-1 1. Administração pública - Brasil. 2. Obras públicas - Planejamento - Brasil. 3. Governança corporativa. I. Título. 20-63700 CDD: 352.770981 CDU: 351.711(81) Anelize Pantaleão Puccini Caminha Doutoranda em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Mestre em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Especialista em Processo Civil pela mesma instituição. Bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Atua como professora de Direito e é autora de artigos científicos e livros nessa área. Atualmente, é professora na graduação, em diversas especializações e em cursos preparatórios. É também sócia-proprietária em um escritório de advocacia. Agora é possível acessar os vídeos do livro por meio de QR codes (códigos de barras) presentes no início de cada seção de capítulo. Acesse os vídeos automaticamente, direcionando a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet para o QR code. Em alguns dispositivos é necessário ter instalado um leitor de QR code, que pode ser adquirido gratuitamente em lojas de aplicativos. Vídeos em QR code! SUMÁRIO 1 Governança pública 9 1.1 Análise da governança pública 9 1.2 Obras públicas 14 1.3 Planejamento de obras públicas 20 2 Contratos de prestação de serviços e produtos 26 2.1 Contratos administrativos e suas consequências jurídicas 26 2.2 Benefícios e custos 30 2.3 Formas de empreitada 33 2.4 Cronograma físico-financeiro e responsabilidade fiscal 38 3 Procedimento licitatório 43 3.1 Conceito e modalidade de licitação 43 3.2 Lei de licitação 48 3.3 Procedimento de licitação 51 4 Fiscalização de contratos 57 4.1 As principais atribuições da fiscalização 57 4.2 Fiscalização de contratos administrativos 60 4.3 Documentação necessária 64 5 Garantias contratuais 72 5.1 As garantias nos contratos administrativos 72 5.2 Avaliação dos resultados e seu impacto social 77 5.3 O impacto ambiental e as principais irregularidades 80 Agora é possível acessar os vídeos do livro por meio de QR codes (códigos de barras) presentes no início de cada seção de capítulo. Acesse os vídeos automaticamente, direcionando a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet para o QR code. Em alguns dispositivos é necessário ter instalado um leitor de QR code, que pode ser adquirido gratuitamente em lojas de aplicativos. Vídeos em QR code! As obras públicas são necessárias para o desenvolvimento da sociedade. Sejam elas básicas ou complexas, sempre têm o objetivo de garantir o bem-estar da população que habita determinada região. Tendo em vista a utilização de verba pública e a contratação de empresa privada, é imprescindível que o procedimento seja realizado de modo transparente. Para isso, a legislação brasileira indica de que forma os processos de planejamento, contratação e desenvolvimento de obras públicas devem acontecer. Cada capítulo deste livro é destinado à compreensão estrutural e funcional dos sistemas de planejamento e contratação das obras públicas. Começaremos com uma noção geral e introdutória do estudo da governança pública, cuja análise se dá tendo em vista a necessidade de prestação de serviços públicos por meio da iniciativa privada. Em seguida, estudaremos cada etapa do procedimento de contratação de obras públicas. O procedimento se inicia com a fase preliminar, seguida pela fase interna da licitação. A contratação pode ser realizada de outras formas, que também serão desenvolvidas ao longo dos capítulos. Na sequência, iremos analisar a fase externa e o contrato para a execução da obra pública. Ao final do livro, iremos desenvolver os mecanismos de fiscalização utilizados pela legislação brasileira. Além disso, ao final dos capítulos, você será desafiado a responder atividades que integram e aplicam os assuntos estudados em situações cotidianas, o que gera um estudo mais prático. Em suma, esta obra traz as informações básicas para a compreensão geral do planejamento e gestão de obras públicas e destina-se a estudantes que desejam aprofundar o estudo dos contratos administrativos de obras públicas. Bons estudos! APRESENTAÇÃOVídeo Governança pública 9 1 Governança pública A governança pública é entendida como a capacidade do governo de implementar políticas públicas e organizar a vida em sociedade. Neste capítulo, iremos estudar de que forma se dá a governança pública, a necessidade de gestão das organizações e como surgiu a administração do Estado por terceiros. Primeiramente, veremos que essa governança tem o objetivo de instrumentalizar o governo e, então, examinaremos a nova governan- ça pública e de que maneira ela é positivada na legislação brasileira. Em seguida, iremos compreender o conceito de obras públicas, suas diferentes formas e seus respectivos contratos. Além disso, analisaremos as suas fases, desde o planejamento, passando pelo desenvolvimento e finalizando com a entrega e o uso da obra. Posteriormente, estudaremos o planejamento das obras públi- cas e as fases prévias à licitação, como a identificação das neces- sidades do estabelecimento e as características básicas de cada empreendimento. Assim, convidamos você para o estudo dos primeiros passos do planejamento e desenvolvimento de obras públicas. 1.1 Análise da governança pública Vídeo A governança surgiu por meio da necessidade de gestão das or- ganizações por terceiros, deixando de lado a administração direta de seus proprietários. Em algumas situações, há divergência de interesses entre administradores e proprietários e, para minimizar os conflitos, existem diversos estudos e estruturas de governança desenvolvidas, as quais serão abordadas ao longo do capítulo. Antes de mais nada, é necessário entender a definição de governança e governabilidade, conceitos frequentemente confundidos na socieda- 10 Planejamento e gestão de obras públicas de. Segundo Bonatto (2018), governabilidade é a capacidade de gover- nar, é a legitimidade política de exercer o poder, enquanto governança é a capacidade, exercida pelo governo, de implementar políticas públicas, planejá-las e executá-las em todos os seus aspectos. Paludo (2010) afirma que, no Brasil, o Estado é administrado pelo governo, com diretrizes e objetivos gerais para a atuação da Adminis- tração Pública, a qual é o mecanismo utilizado para executar a promo- ção do bem comum. Sendo assim, a governança pública é um instrumento de gover- no utilizado para a realização dos seus fins. Para tanto, são aplicados mecanismos a fim de organizar a prestação de serviços à sociedade, a gestão de recursos públicos, a divulgação das informações inerentes, a relação com a sociedade civil etc. (PALUDO, 2010). O objetivo principal da governança pública, portanto, é garantir o bem-estar e o desenvolvi- mento da população do Estado. Para a melhor compreensão do tema, é importante distinguir os tipos de governança aplicáveis, comodito anteriormente. De acordo com Rhodes (1996 apud CARVALHO, 2017), existem, atualmente, seis formas principais de governança utilizadas: 1. governança como Estado mínimo: diminui o valor da despesa pública por meio das privatizações e do uso de mecanismos do mercado, reduzindo, dessa forma, a dimensão da estrutura do Estado. Ou seja, reduz a despesa pública, privatizando os serviços estatais e, consequentemente, reduzindo a estrutura do Estado; 2. governança como governança corporativa: utiliza instrumentos institucionais com o objetivo de assegurar a transparência do serviço público, garantindo acesso pleno à prestação de contas públicas; 3. governança como nova gestão pública: incorpora um novo institucionalismo econômico (agencificação, competição, contratualização e oferta de escolhas ao cidadão no acesso aos serviços públicos), com a inclusão de novas práticas gestionárias que garantem, por exemplo, a gestão por objetivos e a orientação para resultados; 4. governança como boa governança: utiliza os recursos públicos de maneira eficiente, aumentando os níveis de probidade e transparência e levando em consideração a democracia liberal, com o objetivo de responder às necessidades sociais; No vídeo Governança Pú- blica – o que é?, publicado pelo canal do Tribunal de Contas da União, é explicado o papel do Tribunal no setor público e elaborada uma análise da Governança Pública no Brasil. Disponível em: https://www. youtube.com/watch?ti- me_continue=10&v=kGYdT- 1mJ-0c&feature=emb_title. Acesso em: 28 fev. 2020. Vídeo Governança pública 11 5. governança como sistema sociocibernético: assume crescente interdependência e interação de diferentes atores no plano social, econômico, político e administrativo, tornando o Estado dependente da efetividade da governação e deixando de lado a concepção de que um Estado consegue, sozinho, definir e impor, efetivamente, um conjunto de políticas públicas; 6. governança como redes auto-organizadas: pode utilizar as redes de interdependência, reciprocidade e confiança como um conjunto de interações entre organizações públicas e privadas, com ou sem fins lucrativos, indo além da hierarquia ou do mercado enquanto mecanismos de coordenação da ação coletiva. Conforme recomenda o Banco Mundial (1994), os fatores para uma governança adequada são: formulação de políticas públicas abertas, geradas em um processo transparente; servidores públicos integrantes da Administração Pública, que objetivem o interesse público; responsa- bilidade pelas ações da Administração Pública; sociedade civil organiza- da; e regras estáveis e legítimas de um Estado de Direito. Na década de 1980 surgiu a cartilha da Nova Gestão Pública, que con- sagrou a mudança na matriz organizacional da Administração Pública. Uma das principais alterações foi no foco dessa gestão, que passou a ter como objetivo modificar as relações entre a Administração Pública e os outros atos, a fim de provocar mudanças dentro do setor público. Dessa forma, o escopo da Nova Gestão Pública refere-se a melhorar a eficácia e a eficiência nas organizações públicas e na prestação de serviços públicos. Diante desse cenário, a nova governança pública inclui o diálogo com o mercado e com a sociedade civil. Para Paludo (2010), a finalida- de desse novo modelo, portanto, é a participação de todos os cidadãos nas decisões referentes às políticas públicas, ou seja, às parcerias intra e interorganizacionais. A Constituição Federal brasileira de 1988 estabelece no artigo 1º que o Brasil é uma República Federativa, constituindo-se em Estado Demo- crático de Direito (BRASIL, 1988). Pode-se concluir, desse modo, que o poder do Estado brasileiro decorre do povo, por meio da democracia. Posto isso, o país está organizado conforme: as condições necessárias de governança; os direitos e as garantias fundamentais; e a organização política e administrativa do Estado e dos Poderes (BRASIL, 2014a). 12 Planejamento e gestão de obras públicas Após o estabelecimento da Constituição Federal, foram desenvolvi- dos diversos instrumentos para a organização e o fortalecimento da go- vernança pública, dentre eles: o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal (Decreto n. 1.171, de 22 de junho de 1994); a Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar n. 101, de 4 de maio de 2000); o Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocra- tização (GesPública), instituído em 2005 e revisado em 2009 e em 2013; a Lei n. 12.813, de 16 de maio de 2013; e os instrumentos de transparên- cia, como a Lei de Acesso à Informação (Lei n. 12.527, de 18 de novembro de 2011). Todos esses instrumentos têm o objetivo de garantir ao cida- dão o acesso à informação, facilitar o controle dos atos administrativos e assegurar a transparência na conduta de agentes públicos. Nessa perspectiva, o Tribunal de Contas da União publicou, em 2014, uma cartilha intitulada Referencial Básico de Governança Aplicável a Órgãos e Entidades da Administração Pública e Ações Indutoras de Me- lhoria. O objetivo da cartilha é garantir o acesso da população às infor- mações e às condutas dos agentes públicos, sendo a transparência um dos mecanismos utilizados para esse fim. A transparência é importante quando se trata de Administração Pú- blica, pois faz uso do dinheiro arrecadado em taxas e impostos para a sua manutenção. Dessa forma, a população precisa de informações adequadas sobre onde está sendo investido o dinheiro público, de que maneira o Estado está se desenvolvendo e quais são os próximos pas- sos do ente público. Assim, a transparência garante que a população possa ter acesso às informações. Considerando que o escopo principal da governança pública é inte- grar os interesses da sociedade com o interesse público, a cartilha es- tabelece que a governança no setor público deve estar alinhada entre quatro perspectivas, apresentadas na figura a seguir.. Governança pública 13 Figura 1 Perspectivas de observação da governança no setor público. Sociedade e Estado Entes federativos, esferas de poder e políticas públicas Órgãos e entidades Atividades intraorganizacionais Fonte: Brasil, 2014a. Desse modo, as regras estabelecidas pela governança pública devem estar de acordo com os interesses da sociedade em conjunto com o Esta- do, ser estruturadas em políticas públicas desenvolvidas pelas esferas de poder e pelos entes federativos, ter atribuições definidas em órgãos e en- tidades e estar relacionadas por meio de atividades intraorganizacionais. Com isso, resultam em uma relação de interdependência e complemen- tariedade entre as quatro perspectivas apresentadas (BRASIL, 2014a). A gestão pública é realizada pela Administração Pública para a efeti- vação da governança pública. Tal administração compreende, segundo o artigo 4º do Decreto-Lei n. 200 (BRASIL, 1967), diversos entes que são necessários para a existência de interligação efetiva entre eles: I - A Administração Direta, que se constitui dos serviços integra- dos na estrutura administrativa da Presidência da República e dos Ministérios. II - A Administração Indireta, que compreende as seguintes cate- gorias de entidades, dotadas de personalidade jurídica própria: a) Autarquias; b) Empresas Públicas; c) Sociedades de Economia Mista. d) fundações públicas. Visualiza-se, então, que a gestão pública engloba entes da adminis- tração direta e indireta, como autarquias, empresas públicas, socieda- des de economia mista e fundações públicas. Neste sentido, a gestão pública é realizada por meio desses entes e as suas funções são distri- buídas de modo que cada um tenha sua competência bem definida. De que modo as quatro perspec- tivas devem estar alinhadas para a governança no setor público e por que isso é desenvolvido dessa forma? Atividade 1 14 Planejamento e gestão de obras públicas O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC, 2015) elen- cou quatro princípiosbásicos que podem ser aplicados à governança de obras públicas: • Transparência: visa garantir que a população ou qualquer par- te interessada tenha amplo acesso às informações que julguem necessárias. • Equidade: todas as partes precisam ser tratadas de maneira jus- ta e com igualdade de condições, levando em consideração a iso- nomia entre todos e observando direitos, deveres, necessidades, interesses e expectativas. • Prestação de contas (accountability): todos os agentes de go- vernança precisam apresentar as contas realizadas com o dinhei- ro público, de modo claro e compreensível. É importante, ainda, salientar que essas devem ser apresentadas em um momento oportuno e que todas as ações e omissões são de responsabili- dades do próprio agente. • Responsabilidade corporativa: deve ser observada, de manei- ra zelada, a viabilidade econômico-financeira das organizações, com o objetivo de reduzir as externalidades negativas de seus negócios. Deve ser observado o modelo do negócio e os diversos capitais apresentados no curto, médio e longo prazo. À vista disso, os princípios devem ser transportados para a Administra- ção Pública para que o planejamento da obra pública seja realizado com base em princípios éticos e critérios de boa governança estabelecidos. Dessa forma, se dará uma gestão ética sobre as obras públicas. 1.2 Obras públicas Vídeo Uma das formas de prestação de serviço público é por meio da construção de obras públicas. O objetivo principal dessas obras é aten- der às necessidades da coletividade, com a entrega de prestações im- portantes para a vida em sociedade. Toda construção, reforma, fabricação, recuperação ou ampliação de um bem público é considerada obra pública (BRASIL, 1993). O de- senvolvimento de qualquer obra pública necessita de um estudo de diversos fatores. Sendo assim, é necessário uma série de estudos que Governança pública 15 devem ser realizados pelo ente público para definir a realização de um empreendimento público. Além disso, é preciso saber diferenciar o termo obra de serviço. De acordo com a Lei de Licitações (Lei n. 8.666/1993), serviço é “toda ati- vidade destinada a obter determinada utilidade de interesse para a Administração, tais como: demolição, conserto, instalação, montagem, operação, conservação, reparação, adaptação, manutenção, transpor- te, locação de bens, publicidade, seguro ou trabalhos técnico-profissio- nais” (BRASIL, 1993). A fim de compreender efetivamente de que forma são estrutura- das as obras públicas, é importante diferenciar, também, os conceitos de compra e alienação. Compra é “toda aquisição remunerada de bens para fornecimento de uma só vez ou parceladamente” e alienação é “toda transferência de domínio de bens a terceiros” (BRASIL, 1993). Outros conceitos, também definidos pela Lei n. 8.666/1993, são igualmente importantes para o estudo das obras públicas e licitações. Por exemplo, “obras, serviços e compras de grande vulto - aquelas cujo valor estimado seja superior a 25 (vinte e cinco) vezes o limite estabe- lecido na alínea ‘c’ do inciso I do art. 23 desta Lei” (BRASIL, 1993). Pode- mos referir que, no conceito de obras e serviços de grande vulto, temos como parâmetro o valor estabelecido na Lei de Licitações, que consiste em 25 vezes o valor de R$ 1,5 milhão. Temos, ainda, a definição de seguro garantia, “que garante o fiel cumprimento das obrigações assumidas por empresas em licitações e contratos” (BRASIL, 1993). Ele é estabelecido na Lei de Licitações, pois uma garantia pelo contratado precisa ser apresentada, visando assegu- rar que a obra ou o serviço público será concluído. Segundo a Lei n. 8.666/1993, a execução direta é “a que é feita pelos órgãos e entidades da Administração, pelos próprios meios”, enquanto a execução indireta é “a que o órgão ou entidade contrata com tercei- ros sob qualquer dos [...] regimes” (BRASIL, 1993). O projeto básico é o instrumento utilizado para desenvolver e caracterizar a obra que será licitada. Dessa forma, diversos elementos são necessários, como estabelece o inciso IX, artigo 6º (BRASIL, 1993). Projeto Básico - conjunto de elementos necessários e suficien- tes, com nível de precisão adequado, para caracterizar a obra ou serviço, ou complexo de obras ou serviços objeto da licitação, 16 Planejamento e gestão de obras públicas elaborado com base nas indicações dos estudos técnicos pre- liminares, que assegurem a viabilidade técnica e o adequado tratamento do impacto ambiental do empreendimento, e que possibilite a avaliação do custo da obra e a definição dos méto- dos e do prazo de execução. Visualiza-se, como discorrido acima, que diversos elementos precisam estar presentes para que se evolua ao segundo momento do processo de licitação: a elaboração do projeto executivo. Esse projeto, segundo a Lei n. 8.666/1993, é “o conjunto dos elementos necessários e suficientes à execução completa da obra, de acordo com as normas pertinentes da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT” (BRASIL, 1993). A Lei de Licitações estabelece três conceitos importantes: o de Ad- ministração Pública, o de Administração e o de Imprensa Oficial. É ne- cessário que haja a distinção entre eles, uma vez que a Administração é o órgão, ente ou unidade utilizado pela Administração Pública para exercer as suas atividades, como estabelece a Lei de Licitações. Já a Im- prensa Oficial é o veículo de divulgação oficial da Administração Pública. O contrato administrativo deve ser celebrado entre duas partes, o ente público e o privado; desta forma, é preciso definir contratante e contratado: o primeiro é “o órgão ou entidade signatária do instrumen- to contratual”, já o segundo é “a pessoa física ou jurídica signatária de contrato com a Administração Pública” (BRASIL, 1993). A Lei de Licitações estabelece outros conceitos importantes para o estudo sobre o planejamento e a gestão das obras pública, dispostos no artigo 6º, tais como: XVI - comissão - comissão, permanente ou especial, criada pela Administração com a função de receber, examinar e julgar todos os documentos e procedimentos relativos às licitações e ao ca- dastramento de licitantes. XVII - produtos manufaturados nacionais - produtos manufatura- dos, produzidos no território nacional de acordo com o processo produtivo básico ou com as regras de origem estabelecidas pelo Poder Executivo federal; XVIII - serviços nacionais - serviços prestados no País, nas condi- ções estabelecidas pelo Poder Executivo federal; XIX - sistemas de tecnologia de informação e comunicação es- tratégicos - bens e serviços de tecnologia da informação e co- municação cuja descontinuidade provoque dano significativo à administração pública e que envolvam pelo menos um dos Governança pública 17 seguintes requisitos relacionados às informações críticas: dispo- nibilidade, confiabilidade, segurança e confidencialidade. XX - produtos para pesquisa e desenvolvimento - bens, insumos, serviços e obras necessários para atividade de pesquisa científica e tecnológica, desenvolvimento de tecnologia ou inovação tec- nológica, discriminados em projeto de pesquisa aprovado pela instituição contratante. (BRASIL, 1993) Desse modo, podemos entender que esses conceitos são importantes porque, com base neles, temos estabelecidos diversos elementos essen- ciais para a gestão e o planejamento das obras públicas. Isso ocorre tendo em vista o desenvolvimento do processo licitatório, a contratação entre o ente público e o privado, a execução da obra pública e a sua entrega final. Obras públicas e serviços, que antes eram funções exclusivas do Es- tado, atualmente são desenvolvidos pela iniciativa privada. Assim, o Es- tado passou de um modelo intervencionista para um modelo regulador. Sendo assim, o poder estatal, nesse novo modelo, fiscaliza e regulamen- ta os serviços concedidos. Com esse novo modelo de Estado, houve a necessidade da criação de agências reguladoras como uma figura nova de Direito Público.A finalidade dessas agências é servir de instrumento estatal na tarefa de fiscalizar as obras públicas (MADEIRA, 2010). Salienta-se que o serviço só é prestado de maneira indireta, com a delegação de funções, se for realizado de quatro formas diferentes: concessão, permissão, autorização e terceirização. Nessas situações, as empresas atuam em setores de responsabilidade do Estado, o qual também pode transferir a sua responsabilidade a outros por meio da privatização dos serviços públicos, hipótese em que o Estado se retira da prestação de serviço público de modo completo (MADEIRA, 2010). Posto isso, as obras públicas, geralmente, são realizadas por empre- sas privadas e fiscalizadas pelo Estado. Dessa maneira, essas empresas prestam um serviço estatal. No Brasil, a Lei n. 8.666/1993 tem como objetivo regulamentar o artigo 37, inciso XXI, da Constituição Federal, que estabelece os seguintes termos: ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, servi- ços, compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualifi- cação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumpri- mento das obrigações. (BRASIL, 1988) 18 Planejamento e gestão de obras públicas O escopo da referida lei é estabelecer normas gerais a respeito das licitações e dos contratos administrativos de obras públicas, na esfera da União, dos Estados e Distrito Federal e dos Municípios (BRASIL, 1993). Logo, ao verificar a necessidade de determinada obra pública, o Estado precisa cumprir alguns procedimentos específicos. Para tanto, deve ser realizado um processo de licitação nos casos em que uma obra pública precisa ser executada em determinada região. Dessa for- ma, o ente público deve realizar estudos e análises preliminares para verificar a viabilização da obra. Igualmente, é importante a realização do procedimento prévio para garantir que o Poder Público tome as de- cisões mais convenientes para a sociedade. Além disso, para desenvolver uma obra pública, é necessária a ob- servação da sustentabilidade, ou seja, o empreendimento não pode ser realizado se gerar impacto negativo ao meio ambiente. Em vista disso, em atividades potencialmente degradadoras para o meio ambiente, é preciso realizar um Estudo de Impacto Ambiental 1 , conforme previsto na Constituição Federal. Ainda, objetivando a preservação ambiental na realização de um empreendimento, é imprescindível a obtenção de um licenciamento ambiental, que é realizado em três etapas, conforme a Resolução Conama n. 237/1997: Art. 8º - O Poder Público, no exercício de sua competência de controle, expedirá as seguintes licenças: I - Licença Prévia (LP) - concedida na fase preliminar do plane- jamento do empreendimento ou atividade aprovando sua lo- calização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua implementação; II - Licença de Instalação (LI) - autoriza a instalação do empreendi- mento ou atividade de acordo com as especificações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as me- didas de controle ambiental e demais condicionantes, da qual constituem motivo determinante; III - Licença de Operação (LO) - autoriza a operação da atividade ou empreendimento, após a verificação do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores, com as medidas de con- trole ambiental e condicionantes determinados para a operação. (BRASIL, 1997, p. 646) Estudo de Impacto Ambiental é o estudo realizado antes do início do empreendimento a fim de verificar seu impacto no meio ambiente, podendo ser utilizado para que não se desenvolva efetivamente o empreendimento quando houver a possibilidade de um dano ambiental. 1 Governança pública 19 Podemos verificar que as formas de licença ambientais são comple- mentares, mas não alternativas. Ou seja, é necessário que haja uma licença específica para cada momento da obra pública, pois uma não substitui a outra. Conforme o conceito de execução indireta, proposto na Lei n. 8.666/1993 (BRASIL, 1993), quando a obra é realizada por terceiros por meio de licitação, podem ser realizados os seguintes regimes de contratação: • empreitada por preço global: execução da obra ou serviço por preço certo e total; • empreitada por preço unitário: contratação de unidades deter- minadas por preço certo; • tarefa: contratação por preço certo para pequenos trabalhos, com ou sem fornecimento de materiais, por meio de mão de obra; • empreitada integral: compreende a integralidade de um em- preendimento, com todas as etapas da obra, serviços e instala- ções necessárias. Diante dessas regulamentações, algumas etapas são essenciais, conforme mostra o fluxograma a seguir. Figura 2 Fluxograma de procedimentos Fase preliminar à licitação Programa de necessidades Estudos de viabilidade Anteprojeto 1 2 3 Fase interna da licitação Projeto básico Projeto executivo Recursos orçamentários Edital de licitação 1 2 3 4 Fase externa da licitação Publicação do edital de licitação Comissão de licitação Recebimento de propostas Procedimento da licitação 1 2 3 4 Fase contratual Contrato Fiscalização da obra Recebimento da obra 1 2 3Fase posterior à contratação Operação Manutenção 1 2 II III IV V I Fonte: Adaptada de Brasil, 2014b. 20 Planejamento e gestão de obras públicas Como podemos observar na Figura 2, o primeiro passo para o plane- jamento de uma obra pública é a fase preliminar, que consiste em rea- lizar o programa de necessidades, estudo de viabilidade e anteprojeto. O segundo passo é a fase interna da licitação, que engloba a reali- zação de um projeto básico, etapa obrigatória no processo licitatório. São necessários também um projeto executivo – que consiste no plane- jamento de recursos orçamentários a serem utilizados na obra – e um edital de licitação. O terceiro passo é a fase externa da licitação, efetivada por meio da publicação do edital. Nessa fase, é importante que a comissão de licitação seja criada para verificar se o processo licitatório está sendo realizado em conformidade com a legislação vigente. Após esse proce- dimento, serão recebidas as propostas de licitação. Com a definição, se dá início ao processo licitatório. A quarta etapa é a fase contratual, na qual o Poder Público firma contrato com a empresa vencedora da licitação. O órgão estatal neces- sita, portanto, fiscalizar a obra e, depois do período de empreendimen- to, receber a obra finalizada. O quinto e último passo é a fase posterior à contratação, em que é iniciada a operação da obra pública e mantido o seu funcionamento. Verificamos, portanto, que é necessário, para o desenvolvimento das obras públicas, percorrer as cinco etapas com transparência e efe- tividade. Nesse sentido, observamos, na presente seção, os conceitos essenciais para o planejamento e a gestão das obras públicas, bem como o procedimento realizado em cada etapa do processo. 1.3 Planejamento de obras públicas Vídeo Como visto anteriormente, antes da licitação deve ser realizada uma fase preliminar, que é essencial para tomar a decisão de licitar. É impe- rativo, nessa fase, que se identifiquem as necessidades, se estimem os recursos e se escolha a melhor alternativa para a população local. Na sequência, devem ser estabelecidas as características básicas de cada empreendimento, como finalidade, futuros usuários, dimensões, entre outros (BRASIL, 2014b). A figura a seguir ilustra as etapas dessa fase. Governança pública 21 Figura 3 Etapas da fase preliminar Identificar as necessidades Estabelecer as características básicas Fonte: Elaborada pela autora. Como afirmado pelo Tribunal de Contas da União (BRASIL,2014b), o próximo passo é realizar estudos de viabilidade, visando eleger o em- preendimento adequado para o programa de necessidades, incluindo os aspectos técnicos, ambientais e socioeconômicos. Nesse momento, deve ser feita a avaliação dos custos de todas as possíveis alternati- vas para o desenvolvimento da obra pública. Assim, pode-se verificar a relação custo/benefício de cada uma e preparar um relatório sobre a opção selecionada. Portanto, o estudo de viabilidade é um momento indispensável para a obra e deve ser realizado de modo aprofundado. Nele, serão estudadas, também, as leis urbanísticas para o projeto da obra e os aspectos positivos e negativos do empreendimento. Um anteprojeto é realizado depois da escolha do empreendimento, constando os principais elementos da arquitetura, da estrutura e das instalações em geral. Nessa etapa, é primordial que se elabore um pro- jeto arquitetônico com a configuração definitiva da construção da obra (E-GESTÃO PÚBLICA, 2020). Após a realização de todas as etapas da fase preliminar à licitação, há a fase interna da licitação. Com a definição do empreendimento, de- ve-se iniciar os preparativos da contratação, comumente, por licitação. No Brasil, temos a regulamentação do procedimento por meio da Lei n. 8.666/1993. O documento com as recomendações básicas do Tribunal de Contas da União é um importante material de apoio para o estudo do planejamen- to de obras públicas. Nele, são apresentadas de maneira didática as regras para contratação e fiscalização das obras. BRASIL. Tribunal de contas da união. Obras Públicas: recomendações básicas para a contratação e fiscalização de obras e edificações públicas. 4. ed. Brasília, DF: TCU, 2014. Disponível em: https://portal. tcu.gov.br/biblioteca-digital/obras- -publicas-recomendacoes-basicas- -para-a-contratacao-e-fiscalizacao- -de-obras-e-edificacoes-publicas. htm. Acesso em: 28 fev. 2020. Leitura O que deve ser observado para um efetivo planejamento das obras públicas? Atividade 2 22 Planejamento e gestão de obras públicas Assim, abre-se o processo administrativo e todos os documentos, as memórias de cálculo e as justificativas serão anexadas a este. Com isso, temos o projeto básico, que é elaborado antes da licitação e deve ser aprovado por autoridade competente. Além disso, o projeto precisa contemplar os seguintes requisitos, previstos no inciso IX, artigo 6º, na Lei de Licitações (BRASIL, 1993): a. desenvolver adequadamente a solução escolhida, levando em consideração todos os elementos constitutivos, que devem ser apresentados com clareza para fornecer a visão global da obra; b. apresentar as soluções técnicas globais e localizadas para a obra, a fim de minimizar as alterações que poderão ser necessárias nas fases de elaboração do projeto executivo e durante a realização das obras e montagens; c. sem que haja a frustração do caráter competitivo para a execução da obra, é preciso identificar os tipos de serviços que serão executados e os materiais e equipamentos imprescindíveis para a obra, buscando os melhores resultados para o empreendimento; d. visando manter o caráter competitivo da execução da obra, é preciso apresentar as informações adequadas para o estudo e a dedução de métodos construtivos, instalações provisórias e condições organizacionais; e. é importante apresentar os subsídios para a montagem do plano de licitação e gestão da obra, a programação adequada que será realizada, a estratégia de suprimentos, as normas que deverão ser observadas na sua fiscalização e qualquer outro dado necessário para o caso concreto; f. por fim, é relevante apresentar o orçamento, com a observância de serviços e fornecimentos propriamente avaliados, detalhando-o para que se observe o custo global da obra. Elaborado pelo órgão responsável pela obra pública, o projeto bá- sico de uma licitação fica sob a responsabilidade de um encarregado inscrito no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) do estado ou no Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) estadual. O responsável técnico deverá registrar as Anotações de Responsabilida- de Técnica (ARTs) ou o Registro de Responsabilidade Técnica (RRTs), referentes ao projeto. Quais são os elementos essen- ciais que devem ser verificados na fase de planejamento da obra pública, conforme a Lei de Licitações? Por que deve haver essa verificação? Atividade 3 Governança pública 23 Verifica-se, ainda, se há necessidade de licenciamento ambien- tal no empreendimento, conforme dispõe as Resoluções Conama (n. 001/1986 e n. 237/1997). O objetivo principal dessa etapa de elaboração do projeto básico é definir as características básicas do empreendimento, com a análise dos custos e prazos para realizar a obra e com a elaboração do orça- mento. Por meio do projeto básico é possível executar, com transpa- rência e valores justos, o processo licitatório. Em suma, a elaboração dos projetos depende de três etapas suces- sivas: estudo preliminar ou anteprojeto, projeto básico e projeto execu- tivo. Por fim, deverão ser providenciados, pelo responsável pela autoria dos projetos, o alvará para a construção e as aprovações pelos órgãos competentes (BRASIL, 2014b). Nesse sentido, para a execução de obras e prestação de serviços, a licitação só poderá ser realizada quando: I - houver projeto básico aprovado pela autoridade competente e disponível para exame dos interessados em participar do pro- cesso licitatório; II - existir orçamento detalhado em planilhas que expressem a composição de todos os seus custos unitários; III - houver previsão de recursos orçamentários que assegurem o pagamento das obrigações decorrentes de obras ou serviços a serem executadas no exercício financeiro em curso, de acordo com o respectivo cronograma; IV - o produto dela esperado estiver contemplado nas metas es- tabelecidas no Plano Plurianual de que trata o art. 165 da Consti- tuição Federal, quando for o caso. (BRASIL, 1993) Portanto, para efetuar a contratação de serviços e obras públicas, é necessário que haja o projeto básico aprovado pelas autoridades com- petentes e, também, o orçamento detalhado com a composição de to- dos os custos. Ainda, se houver pagamento de obrigações decorrentes de obras ou serviços a serem executadas no exercício financeiro do curso, os referidos pagamentos devem estar de acordo com o respec- tivo cronograma. Por fim, é preciso verificar se o produto do licencia- mento está contemplado nas metas estabelecidas no Plano Plurianual, referido no artigo 165 da Constituição Federal de 1988. 24 Planejamento e gestão de obras públicas CONSIDERAÇÕES FINAIS Para um planejamento e uma gestão efetiva de obras públicas é neces- sário que se leve em consideração os princípios básicos da governança, como transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa. Deve-se sempre ter em vista os interesses da população local e as necessidades específicas para a governança fundamentada em prin- cípios éticos. Para ser executada, a obra pública percorre um longo percurso com- posto de cinco fases. A etapa preliminar é importante para estabelecer os critérios básicos da obra – ou seja, os elementos indispensáveis – e para realizá-la de acordo com a necessidade da população local. Igualmente re- levantes são, também, as demais etapas, tais como: fases interna, externa, contratual e posterior das obras públicas. Por fim, os elementos essenciais para o projeto básico de uma obra pública são: o desenvolvimento da solução escolhida; as soluções técnicas para a fase de elaboração do projeto executivo; as informações necessá- rias para o estudo; os subsídios para a montagem do plano; e o orçamen- to detalhado do custo global da obra. REFERÊNCIAS BANCO MUNDIAL. Governance: The World Bank’s Experience. Washington D.C: World Bank, 1994. BONATTO, H. Governança e gestão de obras públicas: do planejamento à pós-ocupação. Belo Horizonte: Fórum, 2018. BRASIL. ConstituiçãoFederal (1988). Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 5 out. 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao. htm. Acesso em: 28 fev. 2020. BRASIL. Decreto-Lei n. 200, de 25 de fevereiro de 1967. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 27 mar. 1967. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ decreto-lei/del0200.htm. Acesso em: 27 fev. 2019. BRASIL. Lei n. 8.666, de 21 de junho de 1993. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 22 jun. 1993. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/ L8666compilado.htm. Acesso em: 27 fev. 2020. BRASIL. Resolução Conama. 237, de 19 de dezembro de 1997. Brasília: Licenciamento Ambiental, 1997. Disponível em: https://portal.tcu.gov.br/biblioteca-digital/resolucao- conama-237-1997-dispoe-sobre-a-revisao-e-complementacao-dos-procedimentos-e- criterios-utilizados-para-o-licenciamento-ambiental.htm. Acesso em: 28 fev. 2020. BRASIL. Tribunal de Contas da União. Governança Pública: referencial básico de governança aplicável a órgãos e entidades da administração pública e ações indutoras de melhoria. Brasília, DF: TCU, 2014a. Disponível em: https://portal.tcu.gov.br/biblioteca-digital/ governanca-publica-referencial-basico-de-governanca-aplicavel-a-orgaos-e-entidades-da- administracao-publica-e-acoes-indutoras-de-melhoria.htm. Acesso em: 28 fev. 2020. BRASIL. Tribunal de Contas da União. Obras Públicas: recomendações básicas para a contratação e fiscalização de obras e edificações públicas. 4. ed. Brasília, DF: TCU, 2014b. Governança pública 25 Disponível em: https://portal.tcu.gov.br/biblioteca-digital/obras-publicas-recomendacoes- basicas-para-a-contratacao-e-fiscalizacao-de-obras-e-edificacoes-publicas.htm. Acesso em: 28 fev. 2020. CARVALHO, E. de. Governança Pública e Desenvolvimento. In: 22º, CONGRESSO INTERNACIONAL DO CENTRO LATINO AMERICANO PARA EL DESAROLLO (CLAD). Anais [...] Madri: INA, 2017. Disponível em: http://repap.ina.pt/bitstream/10782/677/3/ CLAD2017%20Governa%C3%A7a%20p%C3%BAblica%20e%20desenvolvimento%20EC. pdf. Acesso em: 27 fev. 2020. E-GESTÃO PÚBLICA. Tudo que você precisa saber sobre orçamento de Obras Públicas. Disponível em: https://d335luupugsy2.cloudfront.net/cms%2Ffiles%2F4913%2F15203527 29ebook-obras-1.pdf. Acesso em: 28 fev. 2020. IBGC. Código das melhores práticas de governança corporativa. 5. ed. São Paulo: IBCG, 2015. Disponível em: https://conhecimento.ibgc.org.br/Lists/Publicacoes/Attachments/21138/ Publicacao-IBGCCodigo-CodigodasMelhoresPraticasdeGC-5aEdicao.pdf. Acesso em: 27 fev. 2020. MADEIRA, J. M. P. Administração pública: tomo II. 11. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. PALUDO, A. V. Administração pública: teoria e questões. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. GABARITO 1. As quatro perspectivas essenciais devem estar alinhadas de modo que atendam às ne- cessidades da população. Para que o alinhamento seja desenvolvido de maneira efetiva, é necessário que sejam observadas a sociedade e a estrutura organizacional do Estado. 2. Há a necessidade, nesse momento, de se observar quais são as questões essenciais apresentadas, estimando os recursos necessários para optar pela melhor alternativa para a população local. 3. Os elementos essenciais que devem ser verificados na fase de planejamento das obras públicas, conforme a Lei de Licitações, são: o desenvolvimento da solução escolhida, as soluções técnicas para a fase de elaboração do projeto executivo, as informações necessárias para o estudo, os subsídios para a montagem do plano e o orçamento deta- lhado do custo global da obra. Nesse sentido, todos devem ser observados, visando ao planejamento adequado com o objetivo de assegurar o melhor para a população local. https://portal.tcu.gov.br/biblioteca-digital/obras-publicas-recomendacoes-basicas-para-a-contratacao-e-fiscalizacao-de-obras-e-edificacoes-publicas.htm https://portal.tcu.gov.br/biblioteca-digital/obras-publicas-recomendacoes-basicas-para-a-contratacao-e-fiscalizacao-de-obras-e-edificacoes-publicas.htm http://repap.ina.pt/bitstream/10782/677/3/CLAD2017%20Governa%C3%A7a%20p%C3%BAblica%20e%20desenvolvimento%20EC.pdf http://repap.ina.pt/bitstream/10782/677/3/CLAD2017%20Governa%C3%A7a%20p%C3%BAblica%20e%20desenvolvimento%20EC.pdf http://repap.ina.pt/bitstream/10782/677/3/CLAD2017%20Governa%C3%A7a%20p%C3%BAblica%20e%20desenvolvimento%20EC.pdf 26 Planejamento e gestão de obras públicas 2 Contratos de prestação de serviços e produtos Neste capítulo, serão trabalhadas as questões relativas aos contratos administrativos, ou seja, aqueles realizados entre a Administração Pública e os terceiros que executarão as obras pú- blicas. Primeiramente, abordaremos o conceito de contrato admi- nistrativo, os elementos obrigatórios para a sua formulação e as suas consequências jurídicas. Diante disso, estudaremos o que é necessário para a formulação do contrato de empreitada. Na se- quência, iremos analisar, de acordo com os quatro regimes de em- preitada, os benefícios e os custos dos contratos administrativos. Finalmente, estudaremos a importância dos cronogramas físico-fi- nanceiros das obras públicas e discutiremos a responsabilidade fiscal destas e suas consequências. 2.1 Contratos administrativos e suas consequências jurídicas Vídeo Para a execução de uma obra pública, a Administração Pública pode usar seus próprios meios ou contratar terceiros. Quando há a neces- sidade de terceirizar, a execução é indireta e é realizado um contrato de empreitada, ou seja, um contrato administrativo regulado pela Lei de Licitações. Dessa forma, conforme dispõe o artigo 2º dessa lei, em toda obra pública, ou serviço realizado entre a Administração Pública e a empresa que irá executar a obra, haverá licitação antes do contrato (BRASIL, 1993). O contrato pode ser identificado como “todo e qualquer ajuste entre órgãos ou entidades da Administração Pública e particulares, em que haja um acordo de vontades para a formação de vínculo e a estipulação de obrigações recíprocas, seja qual for a denominação utilizada” (BRASIL, Contratos de prestação de serviços e produtos 27 1993, art. 2º, § único). Assim, tanto a Administração Pública quanto a em- presa contratada precisam cumprir as obrigações ajustadas no contrato. Entretanto, verifica-se que o artigo 2º da Lei de Licitações, ainda, prevê que deverão ser ressalvadas algumas hipóteses. Isso significa que a regra geral é a contratação realizada com licitação prévia, porém, em alguns casos, é possível que a contratação seja direta, ou seja, con- trato sem licitação. As hipóteses de contratação direta estão disciplina- das nos artigos 17, 24 e 25 da referida lei. Como se trata de uma relação entre uma empresa particular e o ente público, é necessário que se apliquem, no contrato administrativo, cláusulas e preceitos de Direito Público. Portanto, diferente do Direito Civil Contratual, no qual se aplicam regras entre particulares, quando uma pessoa jurídica de direito público está envolvida, é necessário que se observe as regras do Direito Administrativo. Contudo, as regras de Direito Civil Contratual podem ser aplicadas de maneira supletiva na falta de regras de Direito Administrativo. À vista disso, conclui-se que os contratos administrativos são regidos pelas regras de Direito Público. Os contratos precisam estabelecer condições claras e precisas para execução. Nas cláusulas, os direitos, as obrigações e as respon- sabilidades de ambas as partes precisam estar definidos de acordo com os termos da licitação e da proposta vinculada, como estabelece o parágrafo 1º do artigo 54 da Lei n. 8.666 (BRASIL, 1993). Aqueles em que houve dispensa da licitação, como estabelece o artigo 24 da referi- da lei, também precisam “atender aos termos do ato que os autorizou e da respectiva proposta” (BRASIL, 1993). Para tanto, é necessário que todos os contratos estabeleçam as se- guintes cláusulas, conforme artigo 55 da Lei de Licitações (BRASIL,1993): I O objeto do contrato e os elementos essenciais que visam caracterizá-lo. III O preço e as condições necessárias ao pagamento, observando os critérios, data-base e periodicidade do reajustamento de preços; e a atualização monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento. II Como será realizada a execução do contrato ou o fornecimento do serviço. Por que é necessário realizar o procedimento licitatório, antes da assinatura do contrato admi- nistrativo, entre a Administração Pública e a empresa que irá executar a obra? Atividade 1 Para conhecer todas as hipóteses de contratação direta, leia os artigos 17, 24 e 25 da Lei de Licitações (Lei n. 8.666/1993), disponíveis em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ l8666cons.htm. Acesso em: 26 mar. 2020. Saiba mais 28 Planejamento e gestão de obras públicas IV Os prazos para cada etapa do processo: a execução, a conclusão, a entrega, a observação e, por fim, o recebimento definitivo, conforme o caso. V De que modo correrá a despesa e a indicação do crédito, estabelecendo a classificação funcional programática e da categoria econômica. VI Em alguns contratos, são exigidas as garantias que devem ser oferecidas no contrato administrativo para assegurar sua plena execução. VII As responsabilidades das partes e seus direitos, mediante as penalidades cabíveis e os valores das multas. VIII As hipóteses de rescisão. IX Em caso de rescisão administrativa, prevista no artigo 77 desta Lei, os direitos da Administração são reconhecidos. X Quando for necessária a importação, as condições, a data e a taxa de câmbio para conversão. XI A vinculação ao edital de licitação ou ao termo que a dispensou ou a inexigiu, ao convite e à proposta do licitante vencedor. XII Durante a execução do contrato e nos casos omissos, a legislação que será aplicada. XIII A obrigação do contratado de manter com as obrigações assumidas de modo compatível com todas as condições de habilitação e qualificação exigidas na licitação. Ao estabelecer essas cláusulas, o contrato administrativo garante a segurança da sua execução para ambas as partes, assegurando que a Contratos de prestação de serviços e produtos 29 empresa contratada irá receber o valor acordado e que o ente público receberá a obra realizada conforme o estabelecido na licitação. Nas contratações de obras públicas, a garantia pode ser exigida e será prevista a critério da autoridade competente. À escolha do con- tratado, a garantia poderá ser realizada por caução, em dinheiro ou em títulos da dívida pública (seguro-garantia ou fiança bancária), como prevê o artigo 56 da Lei de Licitações (BRASIL, 1993). A referida garantia não poderá exceder 5% do valor do contrato. Entretanto, as hipóteses em que obra, serviços e fornecimentos envol- verem alta complexidade técnica e riscos consideráveis, o limite da ga- rantia será de 10%. Se o contrato estiver como depositário dos bens da Administração Pública, será acrescido o valor desses bens (BRASIL, 1993). Com relação aos contratos administrativos, a Administração Pública poderá, conforme o regime jurídico: I - modificá-los, unilateralmente, para melhor adequação às finalidades de interesse público, respeitados os direitos do contratado; II - rescindi-los, unilateralmente, nos casos especificados no inciso I do art. 79 desta Lei; III - fiscalizar-lhes a execução; IV - aplicar sanções motivadas pela inexecução total ou parcial do ajuste; V - nos casos de serviços essenciais, ocupar provisoriamente bens móveis, imóveis, pessoal e serviços vinculados ao objeto do contrato, na hipótese da necessidade de acautelar apuração ad- ministrativa de faltas contratuais pelo contratado, bem como na hipótese de rescisão do contrato administrativo. (BRASIL, 1993, artigo 58, grifos nossos) Sendo assim, é possível a alteração dos contratos posteriormente à sua assinatura, desde que haja justificativa efetiva dentro do previs- to em lei. A nulidade declarada do contrato administrativo opera de maneira retroativa e impede que se produzam efeitos jurídicos nele. Nesses casos de nulidade, desconstituem-se os efeitos jurídicos já pro- duzidos pelo contrato, como disposto no artigo 59 da Lei de Licitações (BRASIL, 1993). Vale ressaltar que a essa invalidade não poderá exonerar a Adminis- tração do dever de indenizar o contratado se, até a data da declaração de nulidade, houver executado parte da obra pública (BRASIL, 1993). Recomenda-se a leitura do livro Comentários à lei de licitações e contratos administrativos, de Marçal Justen Filho, que se refere aos artigos mencionados ao longo deste capítulo. Das páginas 917 a 1.083, há uma análise detalhada das disposições contra- tuais e da sua execução. JUSTEN FILHO, M. 16. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2014. Leitura nulidade: ação que impede que o ato realizado com vícios insanáveis produza efeitos. Glossário 30 Planejamento e gestão de obras públicas São acrescidos, ainda, os prejuízos, desde que sejam regularmente com- provados, promovendo, portanto, a responsabilidade do causador, como disposto no parágrafo único do artigo 59 da referida legislação. Logo, é possível concluir que existem diversas consequências jurídi- cas ao inadimplemento dos contratos administrativos, o que enseja a responsabilidade à parte que deu causa ao não cumprimento. ensejar: ser a causa ou motivo; possibilitar; justificar. Glossário 2.2 Benefícios e custos Vídeo No que tange aos benefícios e aos custos da obra pública, também é necessário observar a Lei de Licitações. Salienta-se que, nos contratos administrativos, as cláusulas econômico-financeiras e monetárias só poderão ser alteradas mediante prévia concordância do contratado. Além disso, em alguns casos, é necessário que as cláusulas econômico- -financeiras sejam revistas para se manter o equilíbrio contratual, como dispõem os parágrafos 1º e 2º do artigo 58º (BRASIL, 1993). Uma das formas de analisar os preços unitários é determinar o BDI 1 paradigma. É necessário que se estabeleça a referida análise, visto que a maioria dos sistemas oficiais de preços apenas apresenta o custo direto da execução dos serviços. O BDI deve ser estabelecido tanto no projeto básico como nas propostas de preços ofertadas pelos licitantes, como estabelece a Súmula do TCU 258/2010 (BRASIL, 2012). O contrato administrativo realizado entre a Administração Pública e o terceiro que irá executar a empreitada apenas poderá ser alterado unilateralmente pela Administração: “a) quando houver modificação do projeto ou das especificações, para melhor adequação técnica aos seus objetivos; b) quando necessária a modificação do valor contra- tual em decorrência de acréscimo ou diminuição quantitativa de seu objeto, nos limites permitidos por esta Lei” (BRASIL, 1993, grifos nos- sos). Portanto, nessas hipóteses, a Administração Pública poderá alte- rar o contrato sem que haja acordo com a parte contratada. É necessário haver o acordo entre a Administração Pública e a em- presa contratada nas seguintes hipóteses: a. quando conveniente a substituição da garantia de execução; b. quando necessária a modificação do regime de execução da obra ou serviço, bem como do modo de fornecimento, em face de verifi- cação técnica da inaplicabilidade dos termos contratuais originários; BDI é a sigla de Budget Difference Income (ou, em português, benefício e despesas indiretas). Trata-se de uma taxa incidente sobre o custo da obra para cobrir despesas indiretas do projeto. Ela é inerente à execução do projeto e pode ser constituída por valores de impostos, juros, lucros, entre outros. 1 Contratos de prestação de serviços e produtos 31 c. quando necessária a modificação da forma de pagamento, por imposição de circunstâncias supervenientes, mantido o valor inicial atualizado, vedada a antecipação do pagamento, com re- lação ao cronograma financeiro fixado, sem a correspondente contraprestação de fornecimento debens ou execução de obra ou serviço; d. para restabelecer a relação que as partes pactuaram ini- cialmente entre os encargos do contratado e a retribuição da administração para a justa remuneração da obra, serviço ou for- necimento, objetivando a manutenção do equilíbrio econômico- -financeiro inicial do contrato, na hipótese de sobrevirem fatos imprevisíveis, ou previsíveis, porém de consequências incalculá- veis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual (BRASIL, 1993, art. 65, inciso II, grifos nossos) Dessa forma, verifica-se que é essencial o diálogo entre a Administra- ção Pública e a empresa contratada, a fim de se reajustar a relação à medi- da que haja qualquer modificação do cenário pactuado anteriormente. A figura a seguir apresenta um resumo das formas de alteração dos contra- tos celebrados entre o setor privado e a Administração Pública. Verifica-se que pode haver alteração motivada tanto uni quanto bilateralmente. Modificação da forma de pagamento Regime de execução Substituição da garantia de execução Manutenção do equilíbrio econômico-financeiro Modificação do valor contratual Modificação do projeto Alteração contratual Unilateral Bilateral Fonte: Elaborada pela autora com base em Brasil, 1993. Nessas hipóteses, de acordo com o parágrafo 1º do artigo 65º (BRASIL, 1993), o contratado só ficará obrigado a aceitar os acréscimos ou supressões em até 25% do valor inicial atualizado do contrato. Nos casos particulares de reforma de edifício ou de equipamento, o limite será de 50% de acréscimo. Figura 1 Formas de alteração contratual 32 Planejamento e gestão de obras públicas O artigo 65 também determina que os limites estabelecidos não po- derão exceder o disposto anteriormente, salvo nos casos a seguir. O acordo celebrado preveja as formas de supressões entre as partes envolvidas. Não estiverem fixados os preços por meio do acordo entre as partes; será necessário então estabelecê-los, mediante acordo entre as partes, dentro dos limites estabelecidos no parágrafo 1º do artigo 65. O contratado já tiver comprado os materiais necessários para obras, bens ou serviços e houver a supressão deles; a Administração então deverá arcar com os custos, desde que comprovados, de maneira regular, e corrigidos pela atualização monetária. Ainda, é possível a indenização por qualquer outro dano causado ao contratado decorrente da supressão, mediante comprovante regular. Houver uma alteração posterior à apresentação da proposta, com efetiva repercussão nos preços do contrato, extinção ou criação de tributos ou encargos; será então necessária a revisão dos valores. Salienta-se que, para que haja a efetiva revisão, é necessário que seja comprovada a repercussão nos preços do contrato. Houver qualquer alteração no contrato, ocorrendo, portanto, o aumento dos encargos do contratado; deverá então ser restabelecido o equilíbrio econômico-financeiro por meio de aditamento ao instrumento contratual. Nesse sentido, ressalta-se que a alteração do valor do contrato, com o objetivo de reajustar os preços pactuados no próprio instrumento, não caracterizam a sua alteração, como elenca o parágrafo 7° do artigo 65º (BRASIL, 1993): § 7º A variação do valor contratual para fazer face ao reajuste de preços previsto no próprio contrato, as atualizações, compensa- ções ou penalizações financeiras decorrentes das condições de pagamento nele previstas, bem como o empenho de dotações orçamentárias suplementares até o limite do seu valor corrigido, não caracterizam [sua] alteração, podendo ser registrados por simples apostila, dispensando a celebração de aditamento. A referida alteração se dá tendo em vista as atualizações, com- pensações ou penalizações financeiras relativas às formas de paga- mento previstas. Contratos de prestação de serviços e produtos 33 2.3 Formas de empreitada Vídeo Tendo em vista as seções anteriores, vamos analisar agora quatro formas de empreitadas indiretas previstas na legislação brasileira, ob- servando as suas vantagens e desvantagens. 2.3.1 Empreitada por preço global Ela será realizada quando houver a execução da obra por preço certo. Acontecerá nas hipóteses em que é possível determinar qualita- tiva e quantitativamente a execução do objeto, durante a fase interna da licitação. Isto é, deverá ser realizada quando o preço da empreitada for presumível com precisão (BONATTO, 2018). Ainda segundo Bonatto (2018), a regra é que, nesse tipo de em- preitada, não poderá ser realizada a revisão das quantidades das obras ou dos serviços estabelecidos na execução dos contratos. Des- sa forma, não poderá ser requerida pela contratada a reivindicação de revisão de quantidades, e será levado em consideração o que está previsto na planilha de serviços e no cronograma físico-financeiro. A Administração Pública poderá alterar o contrato, entretanto não por mera revisão de quantidade. Só será alterado o valor pago à contratada na hipótese de modifi- cação do projeto ou das condições preestabelecidas para o desenvolvi- mento da obra. Portanto, como dispõe o artigo 47 da Lei de Licitações (BRASIL, 1993), os editais de licitação de obra pública precisam esta- belecer, obrigatoriamente, todos os elementos necessários no projeto básico. Assim, verifica-se a obrigatoriedade do fornecimento de todos os elementos e informações necessários para os licitantes antes da lici- tação, de modo que todos possam elaborar suas propostas de preços adequados com a obra e os serviços. Um caso em que é possível contratar empreitada por preço global é a hipótese de reforma em uma escola pública. A quantidade e a qua- lidade dos materiais utilizados para a troca do piso e pintura do imó- vel podem ser facilmente determinadas, assim como a mão de obra. Nesse caso, a obra pode ser contratada por um preço certo e total (BONATTO, 2018). 34 Planejamento e gestão de obras públicas As vantagens e desvantagens da empreitada por preço global, assim como sua indicação de uso, estão descritas na figura a seguir. Figura 2 Empreitada por preço global Desse modo, verifica-se que a empreitada por preço global é de gran- de vantagem para a Administração ao, como regra geral, estabelecer preços fixos ao contrato e restringir qualquer aditivo, facilitando, portan- to, a fiscalização do contrato. Entretanto, salienta-se que para ser realiza- da essa empreitada é necessário realizar um projeto básico com elevado grau de detalhamento, e que o percentual de risco do contratado é ele- vado, podendo, dessa forma, elevar o valor da proposta apresentada. 2.3.2 Empreitada por preço unitário A empreitada por preço unitário é contratada quando não é possí- vel definir a quantidade e/ou a qualidade do objeto a ser contratado. Há a previsão de revisão de quantidades nas hipóteses em que não é possível determinar os elementos necessários para a obra ou serviço público de maneira clara e precisa. obras e serviços executados “acima da terra” que apresentam boa precisão na estimativa de quantitativos, por exemplo, a construção de edificações e de linhas de transmissão; contratação de estudos e projetos; emissão de laudos; confecção de pareceres. • Simplicidade nas medições (por etapa concluída); • Menor custo para a Administração Pública na fiscalização da obra; • Valor final do contrato é, em princípio, fixo; • Restrição dos pleitos do construtor e da assinatura de aditivos; • Dificulta o jogo de planilha; • O construtor tem incentivo para concluir a obra no menor prazo possível; • Maior facilidade para a Administração controlar o cumprimento de prazos. • Como o construtor assume os riscos associados aos quantitativos de serviços, o valor global da proposta tende a ser superior se comparado com o regime de preços unitários; • Tendência de haver maior percentual de riscos e imprevistos no BDI do construtor;• A licitação e a contratação exigem projeto básico com elevado grau de detalhamento dos serviços (artigo 47 da Lei n. 8.666/1993). Desvantagens ! Indicada para: Vantagens Fonte: Adaptada de Brasil, 2012. Contratos de prestação de serviços e produtos 35 Um exemplo de uso dessa empreitada é a terraplanagem. Nesse caso, tendo em vista a instabilidade do terreno, não é possível determinar a quantidade de material que será necessária para o empreendimento. Portanto, deve ser realizada a contratação por metros cúbicos de terra, devendo ser paga exatamente a quantidade utilizada (BONATTO, 2018). As vantagens e desvantagens da empreitada por preço unitário, as- sim como suas indicações de uso, estão descritas na figura a seguir. Vantagens obras executadas “abaixo da terra” ou que apresentam incertezas intrínsecas nas estimativas de quantitativos, como em execução de fundações, serviços de terraplanagem, desmontes de rocha etc.; implantação, pavimentação, duplicação e restauração de rodovias; canais, barragens, adutoras, perímetros de irrigação, obras de saneamento; infraestrutura urbana; obras portuárias, dragagem e derrocamento; e reforma de edificações; contratação de serviços de gerenciamento e supervisão de obras. • Pagamento apenas pelos serviços efetivamente executados; • Menor risco para o construtor, na medida em que ele não assume risco quanto aos quantitativos de serviços (os riscos geológicos do construtor são minimizados); • A obra pode ser licitada com um projeto com grau de detalhamento inferior ao exigido para uma empreitada por preço global ou integral. • Rigor nas medições dos serviços; • Maior custo da Administração para acompanhamento da obra; • Favorecimento do jogo de planilha; • Necessidade frequente de aditivos para inclusão de novos serviços ou alteração dos quantitativos dos serviços contratuais; • O preço final do contrato é incerto, pois tem base na estimativa de quantitativos, que podem variar durante a execução da obra; • As partes precisam renegociar preços unitários quando ocorrem alterações relevantes dos quantitativos contratados; • O construtor não tem incentivo para concluir a obra no menor prazo possível; • Há maior dificuldade para a Administração Pública controlar o cumprimento de prazos. ! Indicada para: Desvantagens Fonte: Adaptada de Brasil, 2012. Conforme observado na Figura 3, há uma grande vantagem ao es- tabelecer a empreitada por preço unitário, uma vez que os riscos do construtor são minimizados exponencialmente. Entretanto, para a Ad- ministração, os custos são incertos, podendo acarretar um aumento do valor tendo em vista a necessidade de repactuar o contrato em diver- sos momentos. Figura 3 Empreitada por preço unitário 36 Planejamento e gestão de obras públicas 2.3.3 Tarefa No regime de tarefa, é contratada a mão de obra para a execução de pequenos trabalhos e, geralmente, os materiais são fornecidos pela contratante. A principal diferença em relação à empreitada por preço global e por preço unitário é a complexidade e/ou o tamanho da obra ou dos serviços a serem executados. O valor a ser pago pode ser tanto em preço unitário como em preço global (BONATTO, 2018). As vantagens e desvantagens da empreitada por tarefa, bem como suas indicações de uso, estão descritas na figura a seguir. Figura 4 Regime de tarefa Vantagens Desvantagens serviços de pequena proporção, ou seja, pequenos trabalhos. • Pagamento apenas da mão de obra com materiais fornecidos pelo contratado; • Pagamento realizado por preço unitário ou global. • Obras de valores elevados não podem ser objetos de tarefa. ! Indicada para: Fonte: Elaborada pela autora. Percebe-se, assim, que esse regime pode ser aplicado apenas nas hipóteses de realização de pequenos trabalhos. Ressalta-se que os ma- teriais são fornecidos pelo contratante em praticamente todos os tipos de empreitada, contudo, no regime de tarefa, é o contratado quem o fornece. 2.3.4 Empreitada integral Ela é realizada quando há a necessidade de contratar um empreendi- mento em sua integralidade. Compreende todas as etapas da obra, ser- viços e instalações necessárias, que serão realizadas até a entrega, sob a responsabilidade do contratante (BRASIL, 1993). A contratada deve realizar a obra de maior vulto e complexidade, incluindo serviços necessários, ma- teriais e equipamentos, e tem liberdade para administrar e executar a obra, desenvolver o projeto executivo, entre outros direitos (BONATTO, 2018). Contratos de prestação de serviços e produtos 37 Um exemplo de empreitada integral é a construção de uma usina hidroelétrica. Esta é realizada por meio da empreitada integral tendo em vista que o empreendimento precisa ser construído de modo que esteja apto a funcionar. Portanto, se realiza a obra como um todo, com a sua entrega em pleno funcionamento. As vantagens e desvantagens da empreitada integral, bem como suas indicações de uso, estão descritas na figura a seguir. Figura 5 Empreitada integral Vantagens Desvantagens via de regra, empreendimentos extremamente complexos, que utilizam tecnologia de ponta ou que exigem conhecimentos e tecnologias que não estão disponíveis para uma única empresa, por exemplo, subestações de energia; refinarias, plantas petroquímicas; instalações industriais; oleodutos, gasodutos; usinas nucleares, hidroelétricas e termoelétricas; e estações de bombeamento. • As mesmas da empreitada por preço global; • O empreendimento é entregue pronto para operação; • O proprietário da obra tem garantias sobre o desempenho/funcionamento do projeto; • O contratante tem maior garantia sobre o prazo de entrega da obra; • A interface entre projetistas, executores de obras civis, fornecedores de equipamentos e responsáveis pela montagem é facilitada; • O número de litígios entre as partes e pleitos do construtor diminui; • Clara definição da responsabilidade pela perfeita execução contratual. • As mesmas da empreitada por preço global; • O preço final do contrato tende a ser mais elevado, pois o construtor assume riscos diversos: geológico, hidrológico, de performance do empreendimento e de desempenho dos equipamentos; • O preço final do contrato também é mais elevado devido à necessidade de o construtor gerenciar o empreendimento como um todo. ! Indicada para: Fonte: Adaptada de Brasil, 2012. Podemos observar, portanto, que a empreitada integral é umas das formas de diminuir o litígio com maiores garantias de que, efetivamen- te, a obra será entregue em pleno funcionamento. A principal desvan- tagem é que, havendo elevado grau de responsabilidade da contratada, o valor do empreendimento pode ser elevado. Quais são as vantagens observadas em cada um dos quatro regimes de empreitada existentes na Lei de Licitações? Cite um exemplo de uso de cada regime. Atividade 2 38 Planejamento e gestão de obras públicas 2.4 Cronograma físico-financeiro e responsabilidade fiscal Vídeo Para a realização de uma obra pública, é necessário programar os custos de gastos do empreendimento. O artigo 8º da Lei n. 8.666 estabelece que “a execução das obras e dos serviços deve programar-se, sempre, em sua totalidade, previstos seus custos atual e final e consi- derados os prazos de sua execução” (BRASIL, 1993). Portanto, de acordo com o Tribunal de Contas da União, é necessá- rio que se estabeleça um cronograma físico-financeiro da obra pública (BRASIL, 2012), o qual é, na fase de planejamento, um dos elementos constituintes do projeto básico, em que deve constar a previsão de to- das as etapas da obra e seu respectivo prazo. Esse cronograma deve contemplar a avaliação do prazo proposto para a execução da obra. Além disso, deve mencionar a distribuição dos serviços ao longo do tempo, o porte e o tipo de empreendimento. A avaliação da compatibilidade do cronograma será realizada pela equi- pe de auditoria com a dotação orçamentária da obra e deverá contem- plar o valor total da construção, incluindoo BDI (BRASIL, 2012). O documento em que é apresentado o relatório da avaliação do cronograma físico-financeiro da obra é de suma importância, pois, por ser um documento técnico, por meio dele o fiscal poderá realizar as medições previstas para cada etapa da conclusão. Além disso, deve- rá ser justificada e autorizada toda alteração realizada no cronograma pelo ente competente e, consequentemente, será realizado aditivo ao contrato. Se houver a prorrogação do prazo, será elaborado um novo cronograma com as necessárias alterações (BONATTO, 2018). Como regra geral, a formulação do cronograma fica a cargo do ór- gão contratante, para o adequado planejamento da obra, sendo esta- belecido, nesse momento, os prazos para a execução das parcelas de serviços e seus pagamentos respectivos. É possível, ainda, que a con- tratada tenha o encargo do planejamento adequado, mas com a apro- vação da Administração (BONATTO, 2018). Verifica-se a exigência do cronograma para que as obras ou serviços sejam licitados, como estabelece o artigo 7º da Lei de Licitações: Quais são os elementos essenciais para o cronograma físico-financeiro da obra pública? Atividade 3 Contratos de prestação de serviços e produtos 39 § 2º As obras e os serviços somente poderão ser licitados quando: I - houver projeto básico aprovado pela autoridade competente e disponível para exame dos interessados em participar do pro- cesso licitatório; II - existir orçamento detalhado em planilhas que expressem a composição de todos os seus custos unitários; III - houver previsão de recursos orçamentários que assegurem o pagamento das obrigações decorrentes de obras ou serviços a serem executadas no exercício financeiro em curso, de acordo com o respectivo cronograma; IV - o produto dela esperado estiver contemplado nas metas es- tabelecidas no Plano Plurianual de que trata o art. 165 da Consti- tuição Federal, quando for o caso. (BRASIL, 1993) Averiguamos, no estudo acerca das alterações dos contratos admi- nistrativos, que uma das hipóteses de alteração por acordo das par- tes é quando se faz necessário modificar a forma de pagamento. Esse caso poderá acontecer apenas por imposição de circunstâncias super- venientes. Além disso, é “vedada a antecipação do pagamento, com relação ao cronograma financeiro fixado, sem a correspondente con- traprestação de fornecimento de bens ou execução de obra ou serviço” (BRASIL, 1993, artigo 65, inciso II, alínea c). O Tribunal de Contas da União afirma que deve ser realizado proce- dimento de auditoria para fiscalizar se os cronogramas físico-financeiros, propostos pelo licitante vencedor e as demais empresas participantes, são adequados. É importante verificar, nessa situação de mudança, se há uma manipulação dos preços unitários do contrato. Para tanto, é necessário cotejar os preços unitários de serviços iniciais e verificar se há compatibi- lidade com os mercados e as demais empresas licitantes (BRASIL, 2012). A responsabilidade fiscal na gestão das finanças públicas está pre- vista na Lei Complementar n. 101, de 4 de maio de 2000. O conceito estabelecido nessa lei para a responsabilidade na gestão fiscal: pressupõe a ação planejada e transparente, em que se previnem riscos e corrigem desvios capazes de afetar o equilíbrio das con- tas públicas, mediante o cumprimento de metas de resultados entre receitas e despesas e a obediência a limites e condições no que tange a renúncia de receita, geração de despesas com pessoal, da seguridade social e outras, dívidas consolidada e mobiliária, operações de crédito, inclusive por antecipação de receita, concessão de garantia e inscrição em Restos a Pagar. (BRASIL, 2000, art. 1º, § 1º) 40 Planejamento e gestão de obras públicas É responsabilidade dos analistas do Tribunal de Contas verificar im- propriedades, irregularidades ou ilegalidades detectadas na auditoria. A execução da auditoria se dará por meio do projeto básico visto que, a partir desse momento, são estabelecidas as normas que serão obser- vadas durante o processo. Verifica-se que, na lei complementar de responsabilidade na ges- tão fiscal de finanças públicas, está previsto que qualquer despesa será acompanhada de estimativa do impacto orçamentário-financeiro e de declaração da despesa, resultando como condição prévia para licitação e execução de obras: Art. 16. A criação, expansão ou aperfeiçoamento de ação gover- namental que acarrete aumento da despesa será acompanhado de: I - estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva entrar em vigor e nos dois subsequentes; II - declaração do ordenador da despesa de que o aumento tem adequação orçamentária e financeira com a lei orçamentária anual e compatibilidade com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias. [...] § 4º As normas do caput constituem condição prévia para: I - empenho e licitação de serviços, fornecimento de bens ou exe- cução de obras. (BRASIL, 2000) Dessa forma, o controle de gastos com a obra pública durante a licitação deverá ser feito levando em consideração o cronograma físico-financeiro do empreendimento. Ou seja, os valores que serão gastos na obra pública precisam ser apresentados no cronograma. Há, portanto, a promoção da transparência dos gastos públicos, visto que a utilização de verba pública deve ser de conhecimento de todos, de modo que seja conduzida a obra pública com responsabilidade. CONSIDERAÇÕES FINAIS Estudamos, neste capítulo, quais são os elementos essenciais para um contrato administrativo, o qual é firmado entre a Administração Pública e uma empresa privada, para a execução de uma obra pública. Verificamos que é essencial que a transparência seja mantida durante a execução do con- trato, uma vez que é utilizado dinheiro público para a realização do projeto. Discorremos sobre as formas de alteração de contrato e os elementos necessários para que a obra seja realizada por acordo entre as partes Sugere-se a leitura do Relatório de Fiscalização TC n. 006.111/2016-5 do Tribunal de Contas da União, pois é importante que sejam observados os passos adequados até que se tenha o contrato administrativo, ou seja, a fase preliminar e a con- tratação efetiva. Outro ponto essencial que deve ser observado nessa leitura são as questões referentes à auditoria realizada no contrato administrativo. Disponível em: https://www.cama- ra.leg.br/internet/comissao/index/ mista/orca/orcamento/OR2017/ Fiscobras2016/anexo/SINTETICOS/ Sintético_2016_33.pdf. Acesso em: 27 mar. 2020. Leitura Contratos de prestação de serviços e produtos 41 ou por iniciativa do Poder Público. Concluímos que, apenas em situações excepcionais, o contrato poderá ser alterado de maneira unilateral, como no caso de alteração do projeto para melhoria da qualificação técnica e modificação dos valores contratuais, visando à quantidade do objeto. Nas demais situações, qualquer alteração deverá ser realizada mediante acor- do entre as partes. Visualizamos os tipos de empreitada, levando em consideração a forma de pagamento da obra. Identificamos que, em alguns empreendimentos, é mais vantajoso para os cofres públicos contratarem por preço global e, em outros, por preço unitário. Enfim, a maneira mais adequada para o ente público depende da espécie de empreendimento que será contratado. Por fim, analisamos o cronograma físico-financeiro da obra, que é o mecanismo pelo qual se fiscalizará o empreendimento. Dessa forma, a responsabilidade fiscal da obra é efetivada, uma vez que os elementos do cronograma são preestabelecidos no plano de obra. Portanto, será responsabilizada a parte que descumprir qualquer cláusula do contrato. REFERÊNCIAS BONATTO, H. Governança e gestão de obras públicas: do planejamento à pós-ocupação. Belo Horizonte: Fórum, 2018. BRASIL. Lei n. 8.666, de 21 de junho de 1993. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 22 jun. 1993. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/ L8666compilado.htm.Acesso em: 27 mar. 2020. BRASIL. Lei Complementar n. 101, de 4 de maio de 2000. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 5 maio, 2000. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/lcp/lcp101.htm. Acesso em: 27 mar. 2020. BRASIL. Tribunal de Contas da União. Roteiro de Auditoria em Obras Públicas. Brasília, DF: TCU, 2014. Disponível em: https://www.cjf.jus.br/cjf/unidades/controle-interno/ normatizacao/roteiro-de-auditoria-de-obras-publicas-tcu. Acesso em: 27 mar. 2020. GABARITO 1. O serviço de execução da obra será celebrado por meio de um contrato administrativo, que é regulado pela Lei de Licitações. O procedimento licitatório é necessário para assegurar a transparência do processo. 2. Existem quatro importantes maneiras de realizar o contrato administrativo: • Regime de empreitada por preço global: estabelece preços fixos ao contrato, como regra geral, e restringe qualquer aditivo, facilitando, portanto, a fiscalização do contrato. Exemplo: construção de edificações e linhas de transmissão. 42 Planejamento e gestão de obras públicas • Regime de empreitada por preço unitário: os riscos do construtor são minimizados de maneira exponencial. Exemplo: implantação, pavimentação, duplicação e restauração de rodovias. • Regime de tarefa: o pagamento é feito apenas pela mão de obra, sendo os materiais fornecidos pelo contratado. É usado apenas para serviços de pequena proporção. • Regime de empreitada integral: o empreendimento é entregue pronto para a operação. Exemplo: usinas nucleares, hidroelétricas e termoelétricas. 3. O cronograma físico-financeiro deve contemplar a avaliação do prazo proposto para a execução da obra, com a distribuição dos serviços ao longo do tempo, o porte e o tipo de empreendimento. Procedimento licitatório 43 3 Procedimento licitatório Neste capítulo, veremos alguns critérios objetivos relacionados à licitação e ao seu procedimento. Primeiramente, analisaremos o conceito e as modalidades de licitação. Dessa maneira, serão ob- servadas cada forma de licitação e seu objeto, prazo e preço. Em seguida, estudaremos a Lei de Licitações e cada princípio consti- tucional aplicável. Por fim, examinaremos cada fase do processo licitatório, iniciando pela fase preliminar, passando pela fase inter- na, seguindo para a fase externa, ratificada pela fase contratual, e finalizando com a fase posterior à contratação. Percorreremos, portanto, o longo percurso do processo licitatório no Brasil. 3.1 Conceito e modalidade de licitação Vídeo De acordo com Bonatto (2018), existem três possíveis procedimen- tos que podem ser efetivados pelo Poder Público para a realização de obras e serviços públicos: a lici- tação, a dispensa e a inexigibilidade 1 . Geralmente, a contratação é feita por meio de licitação, tendo em vista o princípio da impessoalidade 2 , como dispõe o artigo 37 da Constituição Federal. A licitação é o procedimento pelo qual a Adminis- tração Pública seleciona quem será contratado para executar obras públicas ou serviços de engenharia. A isonomia deve ser respeitada, permitindo a partici- pação de todos os interessados em realizar o serviço ou a construção e levando em conta o contrato mais vantajoso para o Estado (BONATTO, 2018). A inexigibilidade ocorre quando não é necessário exigir que o processo de licitação seja reali- zado antes da contratação. 1 O princípio da impessoalidade estabelece o dever da impar- cialidade na defesa do interesse público, ou seja, a seleção da empresa que irá trabalhar para a Administração deverá ser realizada sem discriminação ou privilégios. 2 44 Planejamento e gestão de obras públicas A Lei n. 8.666/1993 estabelece as seguintes mo- dalidades de licitações existentes no Brasil: concor- rência, tomada de preços, convite, concurso e leilão. A modalidade de licitação é a forma como o proce- dimento é realizado, portanto é o mecanismo pelo qual se dá a contratação das obras públicas. Veja- mos, na sequência, as características de cada uma das modalidades, incluindo o valor destinado e o prazo mínimo para o recebimento da proposta ou a realização do evento. da vo od a/ Cr ea tiv e St al l/ Bl an -k / m ed ia -ja / g ov in da m ad ha va 10 8/ Sh ut te rs to ck Figura 1 Modalidades de licitação CONCORRÊNCIA É a modalidade de licitação entre quaisquer interessados que, na fase inicial de habilitação preliminar, comprovem possuir os requisitos mínimos de qualificação exigidos no edital para execução de seu objeto. Prazo: 45 dias – nos casos em que o contrato contemplar o regime de empreitada integral ou quando a licitação for do tipo “melhor técnica” ou “melhor técnica e preço”. 30 dias – demais casos. Valor: Obras e serviços: acima de R$ 1,5 milhão. Demais casos: acima de R$ 650 mil. TOMADA DE PREÇOS É a modalidade de licitação entre interessados devidamente cadastrados ou que atendam a todas as condições exigidas para cadastramento até o terceiro dia anterior à data do recebimento das propostas, observada a necessária qualificação. Prazo: 30 dias – nos casos em que a licitação for do tipo “melhor técnica” e “técnica e preço”. 15 dias – demais casos. Valor: Obras e serviços: até R$ 1,5 milhão. Demais casos: até R$ 650 mil. CONVITE É a modalidade de licitação em que os interessados do ramo pertinente ao seu objeto, cadastrados ou não, são escolhidos e convidados. Deverão ser convidadas, no mínimo, três empresas pela unidade administrativa. Será afixada, em local apropriado, uma cópia do instrumento convocatório, estendendo-o aos demais cadastrados na correspondente especialidade que manifestarem interesse com antecedência de até 24 horas da apresentação das propostas. Prazo: 5 dias úteis. Valor: Obras e serviços: até R$ 150 mil. Demais casos: até R$ 80 mil. (Continua) No vídeo Saber Direito – licitações e contratos admi- nistrativos – aula 2, publicano pelo canal TV Justiça Oficial, é apresentada a forma pela qual se dá o processo de licitação e a elaboração do contrato administrativo. Assim, é interessante verificar os elementos necessários em cada etapa do proces- so e o seu caráter essencial. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=QPqruV0ZTO4. Acesso em: 26 mar. 2020. Vídeo Procedimento licitatório 45 LEILÃO É a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para a venda de bens móveis inservíveis para a administração ou de produtos legalmente apreendidos ou penhorados, ou para a alienação de bens imóveis prevista no artigo 19, a quem oferecer o maior lance, igual ou superior ao valor da avaliação. Prazo: 15 dias. Valor: R$ 650 mil. CONCURSO É a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para a escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, mediante a instituição de prêmios ou remuneração aos vencedores, conforme critérios constantes em edital publicado na imprensa oficial com antecedência mínima de 45 (quarenta e cinco) dias. Prazo: 45 dias. Valor: não interessa o valor, mas a natureza do objeto. Fonte: Elaborada pela autora com base em Brasil, 1993. Ainda, existem modalidades que não estão na Lei de Licitações, as quais estão listadas a seguir. • Pregão Estabelecido na Lei n. 10.520/2002, diz respeito à contratação de bens ou serviços comuns (BRASIL, 2002). O Decreto n. 5.450/2005 estabelece que, para a aquisição de bens e serviços comuns da União, a modalidade pregão é obrigatória. Normalmente, o pregão é realizado na modalidade eletrônica, salvo se comprovada a inviabilidade justificada por autorida- de competente (BRASIL, 2005). O valor independe do estimado para a contratação e o prazo não será inferior a oito dias úteis. • Pregão eletrônico Refere-se à aquisição de bens e à contratação de serviços comuns, incluídos os serviços comuns de engenharia, conforme estabelecido na Lei n. 10.520/2002 e no Decreto n. 10.024/2019. Além disso, dispõe sobre o uso da dispensa eletrônica no âmbito da Administração Pública federal. O prazo não seráinferior a oito dias úteis. Quanto ao valor, é o es- timado ou o máximo aceitável para a contratação e “se não constar expressamente no edital, possuirá caráter sigiloso e será disponibili- zado exclusiva e permanentemente aos órgãos de controle externo e interno” (BRASIL, 2019). • Consulta Definida na Lei n. 9.472/1997, a consulta é aplicável apenas às agên- cias reguladoras. É o mecanismo utilizado para garantir o acesso às 46 Planejamento e gestão de obras públicas telecomunicações de modo amplo e com preço justo. Estão abarcadas nessa hipótese as redes de telecomunicações, a utilização dos recursos de órbita e o espectro de radiofrequências (BRASIL, 1997). O prazo é razoável e não interessa o valor, mas, sim, a natureza do objeto. • Regime diferenciado de contratações públicas Conforme determina a Lei 12.462/2011, o regime diferenciado de contratações públicas é aplicável apenas em alguns casos estabeleci- dos (BRASIL, 2011): • Nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, que foram estabelecidos na Carteira de Projetos Olímpicos, definida pela Autoridade Pública Olímpica (APO). • Durante a Copa das Confederações de 2013 e a Copa do Mundo de 2014, sendo que o Comitê Gestor foi instituído para definir, aprovar e supervisionar as ações previstas no Plano Estratégico das Ações do Governo Brasileiro para a realização da Copa do Mundo Fifa 2014. No caso de obras públicas, foram restringidas mediante o estabelecido nas responsabilidades celebradas entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios. • Nas obras de infraestrutura e de contratação de serviços para os aeroportos das capitais dos Estados da Federação distantes até 350 km das cidades-sede dos mundiais estabelecidos anteriormente. • No Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e em suas relações integrantes; nas hipóteses de obras e serviços de engenharia no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e para construção, ampliação, reforma e administração de estabelecimentos penais e de unidades de atendimento socioeducativo; • Em todas as ações no âmbito da segurança pública e obras e serviços de engenharia, relacionadas a melhorias na mobilidade urbana ou ampliação de infraestrutura logística. Para aquisição de bens, os prazos são de 5 dias úteis, quando ado- tados os critérios de julgamento pelo menor preço ou pelo maior des- conto, e de 10 dias úteis, nas hipóteses não abrangidas em lei. Para Procedimento licitatório 47 contratação de serviços e obras, os prazos são de 15 dias úteis, quando adotados os critérios de julgamento pelo menor preço ou pelo maior desconto, e de 30 dias úteis, nas hipóteses não abrangidas em lei. Para licitações em que se adote o critério de julgamento pela maior oferta, o prazo é de 10 dias úteis, e para licitações em que se adote o critério de julgamento pela melhor combinação de técnica e preço, pela melhor técnica ou em razão do conteúdo artístico, o prazo é de 30 dias úteis (BRASIL, 2011). Em relação ao valor, ele “será calculado com base nos valores pra- ticados pelo mercado, nos valores pagos pela administração pública em serviços e obras similares ou na avaliação do custo global da obra, aferida mediante orçamento sintético ou metodologia expedita ou pa- ramétrica 3 ” (BRASIL, 2011). Com exceção da modalidade de concurso, as propostas serão julga- das da seguinte forma: I - a de menor preço – quando o critério de seleção da proposta mais vantajosa para a Administração determinar que será ven- cedor o licitante que apresentar a proposta de acordo com as especificações do edital ou convite e ofertar o menor preço; II - a de melhor técnica; III - a de técnica e preço; IV - a de maior lance ou oferta – nos casos de alienação de bens ou concessão de direito real de uso. (BRASIL, 1993) Visualiza-se, dessa forma, que o concorrente que apresentar a me- lhor proposta, de acordo com o que está especificado no edital ou con- vite, e ofertar o menor preço será o vencedor. O artigo 22 da Lei de Licitações veda, de maneira expressa, a criação de outras modalidades de licitação ou combinação. Vale ressaltar que essa proibição é válida para a novas modalidades de licitações criadas por atos administrativos, leis estaduais etc. As modalidades criadas por meio de lei nacional são autorizadas, visto que é competência da União, conforme estipula a Constituição Federal (BRASIL, 1988). A Lei n. 8.666/1993 também prevê dispensa da licitação em alguns casos em que o valor é de até R$ 8 mil para aquisições e serviços e de até R$ 15 mil para obras e serviços de engenharia. Metodologia expedita ou pa- ramétrica, também chamada de avaliação de ordem de grandeza, é uma estimativa aproximada, sem dados detalhados de engenharia. 3 Quais são as formas de licitação estabelecidas na Lei n. 8.666/1993? Cite um exemplo de cada. Atividade 1 48 Planejamento e gestão de obras públicas 3.2 Lei de licitação Vídeo A Lei de Licitações se aplica aos órgãos da Administração Pública direta e indireta, aos fundos especiais, às autarquias, às fundações públicas, às empresas públicas e às sociedades de economia mista. O objetivo da lei é regulamentar o artigo 37, inciso XXI, da Constitui- ção Federal, como menciona seu primeiro artigo: “esta Lei estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos pertinentes a obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e loca- ções no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios” (BRASIL, 1993). O artigo 22 da Constituição Federal estabelece que a União possui competência privativa para legislar acerca de normas gerais de licitação e contratação, como podemos verificar: Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: [...] XXVII – normas gerais de licitação e contratação, em todas as mo- dalidades, para as administrações públicas diretas, autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, [...] e para as empresas públicas e sociedades de economia mista. (BRASIL, 1988) Portanto, a partir da Lei n. 8.666/1993, foram criadas normas gerais sobre as contratações e licitações no setor público. Se não contraria- rem a norma geral estabelecida em lei, os órgãos citados podem expe- dir normas específicas, desde que sejam relativas aos procedimentos operacionais a serem observados nas licitações. Caso os recursos fi- nanceiros sejam oriundos de agência oficial estrangeira ou organismos financeiros dos quais o Brasil seja parte, é admitido que a respectiva licitação tenha condições decorrentes de acordos internacionais ou con- dições peculiares. Isso se dará apenas na hipótese de ser declarada a inaplicabilidade das normas brasileiras, motivadamente por autoridade superior da administração do financiamento, competindo à autoridade brasileira motivar a aceitação da condição imposta (BONATTO, 2018). Cabe aos Estados membros e aos Municípios suplementarem, no que couber à legislação, a chamada competência concorrente. Essa competência é constituída no seguinte sentido: a União estabelece as normas gerais, visando uniformizar nacionalmente o tratamento da matéria que será objeto de legislação, e o Estado legisla normas espe- Procedimento licitatório 49 cíficas, em seu interesse, desde que não contrarie as normas gerais. Na ausência de norma geral da União, compete ao Estado legislar as suas próprias normas gerais, o que é conhecido como competência concor- rente supletiva. No momento em que a União passa a legislar as referi- das normas, estas terão sua eficácia suspensa. Segundo Bonatto (2018), os princípios constitucionais que regem a licitação, tanto de modo implícito quanto explícito, são: • Princípio da supremacia e da indisponibilidade do interesse público: o primeiro acontece no conflito entre o interesse público e o particular; quando o interesse particular vai de encontro ao público, este último prevalece. O segundo acontece em decorrên- cia do primeiro, tendo em vista quea Administração Pública não pode dispor livremente do interesse da coletividade. • Princípio da isonomia ou da igualdade: todas as partes interes- sadas precisam ser tratadas de forma justa e isonômica, com a devida atenção a todos os seus direitos, deveres, necessidades, interesses e expectativas, caracterizando, portanto, a equidade. • Princípio da seleção da proposta mais vantajosa para a Admi- nistração: deve ser selecionada a proposta mais vantajosa para a Administração, ou seja, a que melhor atenda aos interesses des- critos no instrumento convocatório, atingindo os princípios da boa governança de obras públicas. • Princípio da promoção do desenvolvimento nacional susten- tável: as obras executadas pela Administração Pública devem, fundamentalmente, estabelecer novos parâmetros de consumo na sociedade. Além da questão ambiental, devem ser observadas outras dimensões de sustentabilidade, como as sociais, as cultu- rais, as políticas, entre outras. • Princípio da adjudicação compulsória: significa atribuir ao ven- cedor da licitação o objeto licitado. Dessa forma, ao ser declarada a vitória da licitação, nasce o direito subjetivo de adjudicação. • Princípio da economicidade: devem ser observados os melho- res resultados sob o ponto de vista qualitativo e quantitativo, le- vando-se em consideração a melhor qualidade e o menor custo ao contratar serviços de obras públicas. adjudicação: ato judicial de transferir um bem de uma pessoa para outra. Glossário 50 Planejamento e gestão de obras públicas • Princípio da legalidade: a lei deve ser observada em todos os procedimentos realizados pela Administração, principalmente a gestão de obras públicas, que está vinculada à Constituição Fede- ral e às leis infraconstitucionais. • Princípio da impessoalidade: não pode configurar o subjetivis- mo da comissão de licitação, levando-se em consideração a im- parcialidade em relação a todos os participantes. • Princípio da motivação: os atos da Administração devem ser mo- tivados, apresentando as razões que a levaram a determinada de- cisão. É importante como parte da transparência administrativa. • Princípio da publicidade: os atos da Administração Pública pre- cisam ser de livre acesso a toda a população. Não se restringe apenas à publicação dos atos na imprensa oficial e em jornais de grande circulação, mas, também, conduz o livre acesso a qual- quer cidadão sobre os procedimentos licitatórios. • Princípio da moralidade e da probidade administrativa: a atua- ção da Administração Pública deve estar conectada com a ética e de modo algum deve estar contaminada de imoralidade. A probi- dade é uma forma de moralidade administrativa. • Princípio da vinculação ao instrumento convocatório: é exigi- do o cumprimento das normas e condições do edital pela Admi- nistração Pública, conforme dispõe o artigo 41 da Lei de Licitações. Portanto, não são admitidas modificações ou inovações não pre- vistas no instrumento convocatório. • Princípio do julgamento objetivo: deve ser observado o artigo 48 da Lei de Licitações, que afirma que serão desclassificadas “as pro- postas que não atenderem às exigências do ato convocatório da licitação” (BRASIL, 1993). Portanto, a Administração deve julgar de maneira objetiva, segundo os critérios estabelecidos no instru- mento convocatório. Dessa forma, podemos visualizar que é necessária a aplicação dos princípios constitucionais no planejamento e na execução das obras públicas, sendo, portanto, aplicáveis à Lei de Licitações. Por que há a aplicação dos princípios constitucionais aplicáveis à Lei de Licitação? Quais são eles? Atividade 2 Procedimento licitatório 51 3.3 Procedimento de licitação Vídeo O procedimento licitatório é composto de cinco fases: fase prelimi- nar à licitação, fase interna da licitação, fase externa da licitação, fase contratual e fase posterior à contra- tação. Cada etapa só terá início se estiver finalizada e aprovada a etapa anterior, conforme estabelece o artigo 7º, § 1o, da Lei de Licitações. Com base nas determinações da Lei n. 8.666/1993 e no documento Obras públicas: recomendações bási- cas para a contratação e fiscalização de obras e edifi- cações públicas, elaborado pelo Tribunal de Contas da União (BRASIL, 2014), vejamos, a seguir, cada uma dessas etapas detalhadamente. 3.3.1 Fase preliminar à licitação Nessa fase, ocorre a identificação das necessi- dades da sociedade local para verificar se deve ser realizada a obra. É um momento importante para a obra, tendo em vista que nessa fase se dá a estima- tiva dos recursos e verifica-se qual a melhor alterna- tiva para a sociedade. • Programa de necessidades: as principais necessidades do em- preendimento são definidas nesse momento, estabelecendo, portanto, as ações necessárias, levando-se em consideração o estudo de viabilidade da obra. • Estudo de viabilidade: são estudos técnicos preliminares que vi- sam avaliar o custo da obra ou do serviço, assegurar a viabilidade técnica da obra e definir métodos e prazos para a execução da obra. • Anteprojeto: ocorre nos casos de obras de maior porte e não pode ser considerado como o projeto básico. Nele, devem cons- tar os elementos principais de arquitetura, a estrutura e as ins- talações em geral. Além disso, deverão estar determinados o padrão de acabamento e o custo médio da obra. Leitura Sugerimos a leitura de Obras públicas: recomen- dações básicas para a contratação e fiscalização de obras e edificações públicas, elaborado pelo Tribunal de Contas da União, tendo em vista a didática demonstra- da no documento e a apresentação em tópicos de cada fase do processo licitatório. BRASIL. Tribunal de Contas da União. Brasília, DF: TCU, 2014. Disponível em: https://portal.tcu. gov.br/biblioteca-digital/obras-pu- blicas-recomendacoes-basicas-pa- ra-a-contratacao-e-fiscalizacao- -de-obras-e-edificacoes-publicas. htm. Acesso em: 26 mar. 2020. 52 Planejamento e gestão de obras públicas 3.3.2 Fase interna da licitação A fase interna diz respeito aos preparativos para iniciar a contrata- ção por meio do processo de licitação. Nesse momento, organiza-se o edital de licitações, especificando o objeto que será contratado e defi- nindo os requisitos que serão observados durante a contratação. • Processo administrativo: para a abertura do processo adminis- trativo, deve ser indicado o seu objeto, a origem do recuso finan- ceiro, a documentação, as memórias de cálculo e as justificativas produzidas nos projetos básico e executivo. • Projeto básico: é considerado o elemento mais importante na execução de uma obra pública. Precisa ser elaborado antes da licitação e deve ser aprovado, formalmente, pela autoridade com- petente. É necessário que contenha todos os requisitos obriga- tórios estabelecidos em lei, tais como: licenciamento ambiental, projetos, especificações técnicas, orçamento detalhado, custo unitário de um serviço, custo direto da obra, taxa de benefício, despesas indiretas, orçamento sintético global, cronograma físico-financeiro e responsabilidade do autor do projeto básico (técnica e pela qualidade do produto). • Projeto executivo: é feito pela Administração após a elaboração do projeto básico e antes da execução da obra. Deve apresentar, detalhadamente, os elementos necessários para a realização do empreendimento. Além disso, os serviços só serão autorizados se houver créditos orçamentários correspondentes. • Recursos orçamentários: deverá ser previsto o pagamento de- corrente das obrigações assumidas de obra ou serviços, conforme o cronograma físico-financeiro apresentado no projeto básico. • Edital de licitação: é o documento que relaciona os elementos e as informações para determinado procedimento licitatório – com determinações e posturas específicas estabelecidas no artigo 40 da Lei de Licitações –, como objeto, prazo, condições, local, paga- mento etc. 3.3.3 Fase externa da licitação Só é iniciada afase externa da licitação mediante projeto básico aprovado, orçamento detalhado e previsão de recursos orçamentários. Procedimento licitatório 53 Essa fase começa com a publicação do edital e termina com a assinatu- ra do contrato administrativo. • Publicação do edital de licitação: com o objetivo de alcançar um número maior de licitantes e de atender ao princípio da pu- blicidade, devem ser publicados, no local do órgão interessado, avisos que contenham resumos dos editais das concorrências, das tomadas de preços, dos concursos e dos leilões. Além disso, os avisos precisam ser divulgados pelo menos uma vez e com antecedência. • Comissão de licitação: pode ser permanente ou especial e deve ser composta de, no mínimo, três membros, sendo dois deles servidores qualificados. A participação dos membros será de, no máximo, um ano e não é possível que todos os membros da comissão sejam reconduzidos no período sequente. O obje- tivo é, dessa forma, promover o processo licitatório em todas as suas fases. • Recebimento das propostas: são estabelecidos os prazos míni- mos para a entrega das propostas dos licitantes no parágrafo 2º, artigo 21º, da Lei de Licitações. • Procedimento da licitação: é realizado por meio de habilitação das propostas, análise das propostas de preço, inexequibilidade, recursos, homologação e adjudicação. 3.3.4 Fase contratual Após a homologação e a adjudicação do objeto de licitação, o con- trato administrativo é celebrado. Os elementos constituintes dessa fase são: • Contrato: o contrato administrativo deve ser definido com cla- reza e precisão das condições para a execução da obra ou do serviço. O artigo 55 da Lei n. 8.666/1993 estabelece as cláusulas obrigatórias em todos os contratos. Assim que a licitação for con- cluída, o contrato será assinado dentro do prazo e das condições estabelecidas e, finalmente, o serviço será iniciado. As alterações contratuais serão feitas apenas nas hipóteses estabelecidas no artigo 65 da Lei de Licitações. Há ainda prazos de tempestividade de aditivos estabelecidos nos artigos 62 e 63 da mesma lei. Quais são os procedimentos realizados na fase externa à licitação e os seus requisitos necessários? Atividade 3 54 Planejamento e gestão de obras públicas • Fiscalização da obra: deve ser realizada com o objetivo de ve- rificar o cumprimento das disposições contratuais, técnicas e administrativas. O contratante manterá a equipe de fiscalização formada por profissionais habilitados, a fim de controlar os servi- ços realizados na obra que está sendo executada. • Recebimento da obra: após a finalização da execução da obra, ela será recebida, provisoriamente, por meio de termo circuns- tanciado, assinado pelas partes no prazo de até 15 dias da co- municação escrita da contratada. Com o decurso do prazo de observação hábil ou a vistoria adequada do objeto, a obra será recebida definitivamente. A contratada deverá reparar, corrigir, remover, reconstituir ou substituir quaisquer vícios, defeitos ou incorreções às suas despesas. 3.3.5 Fase posterior à contratação Com a entrega do serviço, a fase de utilização, ou operação, é ini- ciada. A manutenção da obra é essencial, por isso devem ser realiza- das atividades que possibilitem a conservação das características de desempenho técnico de componentes e/ou sistemas. Na fase posterior, com a entrega do empreendimento, são veri- ficadas as irregularidades da obra, as quais podem acontecer por descumprimento de algum elemento do processo de licitação e execução. Assim, diante da natureza de cada empreendimento, é necessário verificar se o que foi pactuado na contratação foi efetivamente realiza- do no decorrer da execução do empreendimento. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo abordamos o conceito de licitação e suas respectivas modalidades. Visualizamos que as modalidades licitatórias ultrapassam as estabelecidas na Lei de Licitações, embora seja necessário que haja a respectiva competência legislativa. Com isso, podemos concluir que o processo de licitação precisa ser realizado com cuidado extremo, tendo em vista que o valor pago para a realização do empreendimento decorre de verba pública. Estudamos, ainda, os princípios constitucionais aplicáveis ao proces- so licitatório, os quais servem como norte para um procedimento claro e termo circunstanciado: é um termo que relata tudo que foi realizado na obra e tudo que está sendo recebido ao final dela. Glossário Procedimento licitatório 55 transparente, de acordo com a legislação brasileira. Assim, é importante observar com atenção todos os elementos estabelecidos no contrato ad- ministrativo em consonância com os princípios constitucionais, a fim de que não haja qualquer irregularidade. Discorremos, por fim, sobre as fases da licitação, com seus procedi- mentos específicos e suas peculiaridades. Dessa forma, constatamos que o processo de licitação é desenvolvido de acordo com a natureza do ob- jeto que será contratado. REFERÊNCIAS BONATTO, H. Governança e gestão de obras públicas: do planejamento à pós-ocupação. Belo Horizonte: Fórum. 2018. BRASIL. Constituição Federal (1988). Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 5 out. 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao. htm. Acesso em: 28 fev. 2020. BRASIL. Decreto n. 5.450, de 31 de maio de 2005. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 1 jun. 2005. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004- 2006/2005/Decreto/D5450.htm. Acesso em: 6 mar. 2020. BRASIL. Decreto n. 10.024, de 20 de setembro de 2019. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 23 set. 2019. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ ato2019-2022/2019/decreto/D10024.htm. Acesso em: 6 mar. 2020. BRASIL. Lei n. 8.666, de 21 de junho de 1993. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 22 jun. 1993. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/ L8666compilado.htm. Acesso em: 27 fev. 2020. BRASIL. Lei n. 9.472, de 16 de julho de 1997. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 17 jul. 1997. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9472. htm. Acesso em: 6 mar. 2020. BRASIL. Lei n. 10.520, de 17 de julho de 2002. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 18 jul. 2002. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/ L10520.htm. Acesso em: 2 mar. 2020. BRASIL. Lei n. 12.462, de 4 de agosto de 2011. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 5 ago. 2011. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011- 2014/2011/Lei/L12462.htm. Acesso em: 6 mar. 2020. BRASIL. Tribunal de Contas da União. Obras Públicas: recomendações básicas para a contratação e fiscalização de obras e edificações públicas. 4. ed. Brasília, DF: TCU, 2014. Disponível em: https://portal.tcu.gov.br/biblioteca-digital/obras-publicas-recomendacoes- basicas-para-a-contratacao-e-fiscalizacao-de-obras-e-edificacoes-publicas.htm. Acesso em: 6 mar. 2020. GABARITO 1. O artigo 22 estabelece que são modalidades de licitação: concorrência, por exemplo, compra de imóveis; tomada de preços, por exemplo, obras e serviços de engenha- ria; convite, por exemplo, compra de um objeto em algumas empresas interessadas; concurso, por exemplo, contratação de pessoas qualificadas para determinada fun- ção; e leilão, por exemplo, disputa pública de determinado bem. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12462.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12462.htm 56 Planejamento e gestão de obras públicas 2. Os princípios constitucionais se dão tendo em vista a necessidade de proteção do interesse público. Assim, os que regem a licitação, tanto de forma implícita quanto explícita, são: da supremacia e da indisponibilidade do interesse público; da isonomia ou da igualdade; da seleção da proposta mais vantajosa para a Administração; da promoçãodo desenvolvimento nacional sustentável; da adjudicação compulsória; da economicidade; da legalidade; da impessoalidade; da motivação; da publicidade; da moralidade e da probidade administrativa; da vinculação aos instrumentos convoca- tórios; do julgamento objetivo. 3. Publicação do edital de licitação, a fim de alcançar um número maior de pessoas e com objetivo de garantir a publicidade; a comissão de licitação, com a função de fisca- lizar a execução do contrato administrativo; o recebimento de propostas, desde que observados os prazos mínimos estabelecidos em lei; e o procedimento da licitação, mediante habilitação, análise das propostas, inexequibilidade, recursos, homologação e adjudicação. Fiscalização de contratos 57 4 Fiscalização de contratos Neste capítulo, iremos analisar a fiscalização de contratos ad- ministrativos, ou seja, aqueles entre o ente público e o terceiro interessado. Serão apresentados diversos aspectos acerca dos elementos necessários para uma fiscalização adequada. O objetivo da fiscalização é garantir que o contrato administra- tivo seja realizado e executado em conformidade com os princípios fundamentais impostos no ordenamento jurídico. As principais atribuições da fiscalização serão desenvolvidas na primeira seção. Portanto, será analisado de que maneira se estabelece o poder-dever do Estado de acompanhar a obra ou o serviço público. Na seção seguinte serão desenvolvidos as formas de fiscaliza- ção, o controle interno de cada órgão, o controle externo de um ór- gão em relação ao outro e o controle judicial que o Poder Judiciário desempenha sobre um contrato administrativo. Por fim, na última seção, será analisada toda a documentação necessária para o processo de licitação, como os documentos re- lativos à qualificação técnica, qualificação econômico-financeira, habilitação judicial e regularização fiscal e trabalhista. 4.1 As principais atribuições da fiscalização Vídeo A Lei n. 8.666/1993, ou Lei de Licitações, estabelece normas gerais sobre as licitações e os contratos administrativos realizados entre o Poder Público e os particulares. Os órgãos da Administração Pública direta são subordinados ao regime da lei, assim como fundos especiais, autarquias, fundações públicas, empresas públicas, sociedades de eco- nomia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estado, Distrito Federal e municípios (BRASIL, 1993). 58 Planejamento e gestão de obras públicas Sendo assim, todos os serviços realizados entre empresa privada e ente público estão sujeitos a contratos nos moldes estabelecidos em lei. São considerados contrato administrativo todos os ajustes entre ór- gão ou entidades da Administração Pública e seus particulares, desde que sejam realizados mediante acordo de vontades. Dessa maneira, cria-se um vínculo e as vontades recíprocas são estipuladas (BRASIL, 1993). É fundamental o conhecimento do caráter formal dos contratos administrativos, o qual é demonstrado na seção II do Capítulo III da Lei 8.666/1993, intitulada Da Formalização dos Contratos. Visto que as obras públicas utilizam o orçamento público, os contra- tos administrativos necessitam da devida fiscalização, a qual é conside- rada um dos momentos mais importantes na execução das obras. Na fiscalização é verificado se as obras ou os serviços estão sendo execu- tados de acordo com as exigências, normas e especificações. As atribuições principais da fiscalização estão estabelecidas no ar- tigo 67 da Lei de Licitações. Dentre elas, está a anotação em registro durante a execução do contrato de todas as ocorrências relacionadas. Para Meirelles (2007, p. 235), o resultado da fiscalização deve ser consignado em livro próprio, para comprovação das inspeções periódicas e do atendimento às re- comendações que forem feitas pela Administração. No livro devem ser anotadas também as faltas na execução do contrato, que inclusi- ve poderão ensejar sua rescisão. Como é um poder-dever do Estado acompanhar e fiscalizar os con- tratos administrativos, um representante da Administração deverá ser designado para essa função. Como estabelece o artigo 67 da Lei de Licitações, é permitido que se contrate, inclusive, terceiros para assistir e subsidiar as informações importantes, a fim de que a fiscalização seja exercida de maneira adequada. Posto isso, durante a fiscalização, o representante da Administração irá observar e relatar todas as ocorrências, as faltas e os defeitos rela- cionados à execução do contrato. O agente designado irá observar se o contrato está sendo respeitado, além de acompanhar e fiscalizar se estão sendo cumpridas a proposta e as regras do instrumento contra- tual e o que foi estipulado no processo licitatório. Assim, se houver uma decisão ou providência necessária que não es- teja na competência do representante, será solicitada a adoção de medi- Fiscalização de contratos 59 das convenientes aos seus superiores em tempo hábil. São levadas em consideração as competências formais de cada órgão, atribuídas em lei. Deverá, ainda, ser mantido um preposto pelo contratado no local da obra ou do serviço para representá-lo durante a execução do contrato (BRASIL, 1993). Caso haja danos decorrentes da execução ou de ma- teriais empregados que resultaram em vícios, defeitos ou incorreção, “o contratado é obrigado a reparar, corrigir, remover, reconstruir ou substituir, às suas expensas” (BRASIL, 1993). Sendo assim, após a assinatura dos contratos, o principal respon- sável pelos encaminhamentos necessários é o representante estabe- lecido pela Administração, o qual deve ser consultado em qualquer assunto relacionado às suas atribuições. Conforme estabelece o inciso IV, artigo 13, da Lei de Licitações, são considerados serviços técnicos especializados a fiscalização e a super- visão ou o gerenciamento de obras ou serviços. A fim de averiguar qual é o melhor serviço de fiscalização de enge- nharia consultiva especial na elaboração de projetos, cálculos, fiscali- zação, supervisão e gerenciamento de engenharia consultiva em geral e, em particular, para a elaboração de estudos técnicos preliminares e projetos básicos e executivos, serão realizadas as licitações “melhor técnica” ou “técnica e preço” (BRASIL, 1993). Esses tipos de licitação são exclusivos para serviços de natureza intelectual. Há diversas normas infralegais que são complementares às normas estabelecidas na Lei de Licitações. A Resolução n. 1.107, de 28 de no- vembro 2018, do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, por exemplo, determina as competências que o engenheiro de saúde e de segurança deve desempenhar, como: a supervisão e a orientação rela- tivas à segurança do trabalho; a elaboração e a proposição de progra- mas e medidas referentes à proteção e prevenção de riscos; e o estudo das condições do locais de trabalho (BRASIL, 2018). Ainda, os serviços de contabilidade, no ato da liquidação das des- pesas, comunicarão as características e os valores pagos aos órgãos incumbidos de arrecadação e fiscalização de tributos, segundo o dis- posto no artigo 63 da Lei n. 4.320, de 17 de março de 1964, como esta- belece o artigo 55, parágrafo terceiro, da Lei de Licitações. Sugerimos a leitura do livro Obras públicas: licitação, contratação, fiscalização e utilização, de Cláudio Altounian, tendo em vista a didática apresentada e o objetivo da pesquisa elencado. Dessa forma, observe as modalidades de licitação e contratação a fim de desenvolver o estudo do presente capítulo. ALTOUNIAN, C. S. 5. ed. Belo Horizonte: Fórum, 2016. Livro 60 Planejamento e gestão de obras públicas Verifica-se, portanto, que a principal atribuição da fiscalização é veri- ficar se a contratada está efetivamente cumprindo o contrato adminis- trativo acordado com o ente público. 4.2 Fiscalização de contratos administrativos Vídeo A execução correta dos contratos administrativos é uma questão delicada, por isso é necessário atenção especial. Dessemodo, a fis- calização dos contratos administrativos não é uma opção, mas, sim, uma necessidade, estando prevista na Constituição Federal e na Lei n. 8.666/1993. O artigo 58 da Lei de Licitações atribui à Administração o poder-dever, de diversas formas, de fiscalizar a execução do contrato administrativo. A fiscalização pode ser feita de três formas: pelo controle interno, pelo controle externo e pelo controle de legalidade. 4.2.1 Controle interno O controle interno está observado no artigo 74 da Constituição Fe- deral, o qual afirma que os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão um sistema de controle interno de modo integrado, com o objetivo de: I - avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de governo e dos orçamentos da União; II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficá- cia e eficiência, da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem como da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado; III - exercer o controle das operações de crédito, avais e garan- tias, bem como dos direitos e haveres da União; IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institu- cional. (BRASIL, 1988) Caso haja qualquer irregularidade ou ilegalidade averiguada no con- trole interno, os responsáveis por esse controle, ao tomarem conheci- mento, deverão comunicar o Tribunal de Contas da União, sob pena de serem responsabilizados de maneira solidária 1 (BRASIL, 1988). Nessa perspectiva, o controle interno pode ser definido como “um plexo de ações estabelecido pela Administração Pública, de Qual é o poder-dever do Estado no que tange aos contratos administrativos? Atividade 1 A responsabilidade solidária acontece quando a obrigação assumida é de responsabilidade de várias partes, ou seja, todos assumem a dívida ou outro com- promisso em condições iguais. 1 Fiscalização de contratos 61 efeito interna corporis, para promover a eficiência e a eficácia nas operações estatais e verificar o cumprimento das políticas estabele- cidas em lei, visando o alcance dos objetivos e metas anteriormente programadas” (GUERRA, 2011, p. 274). Além disso, “qualquer cidadão, partido político, associação ou sindi- cato é parte legítima para [...] denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União” (BRASIL, 1988). Todas as normas estabelecidas no referido artigo da Constituição Fede- ral serão aplicadas à organização, composição e fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal e dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios (BRASIL, 1988). Em cada estado federativo, as Constituições estaduais disporão sobre os seus respectivos Tribunais de Contas, que terão sete Conselheiros integrantes, conforme disposto no parágrafo único do artigo 75 da Constituição Federal (BRASIL, 1988). interna corporis: no âmbito do próprio órgão, de maneira interna. Glossário 4.2.2 Controle externo O controle externo acontece quando o órgão que irá realizar a fis- calização se estabelece em uma administração diversa daquela em que o ato se originou. A fiscalização – das questões contábeis, financeiras, orçamentárias, operacionais e patrimoniais da União e das entidades da Administração Direta e Indireta – será exercida pelo Congresso Na- cional e pelo sistema de controle interno de cada Poder. À vista disso, poderão ser fiscalizadas: a legalidade, a legitimidade, a economicidade, a aplicação das subvenções e a renúncia de receitas (BRASIL, 1998). O controle externo funciona como uma medida de harmonia entre os poderes, entretanto, é relevante salientar que deve estar previsto na Constituição Federal. Um exemplo de controle externo sobre os atos do Poder Executivo e do Poder Judiciário é o Tribunal de Contas. O artigo 70 da Constituição Federal, no seu parágrafo único, estabe- lece que “prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinhei- ros, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária” (BRASIL, 1998). Ou seja, na hipótese de contratos administrativos, em que o ente público contrata uma empresa privada para a execução de obra públi- ca ou prestação de serviços, deverá ser realizada a prestação de contas 62 Planejamento e gestão de obras públicas adequada sempre que a verba pública for utilizada. Assim, ressalta-se a importância da fiscalização dos contratos administrativos. Conforme estabelece o artigo 71 da Constituição Federal (BRASIL, 1988), sob a responsabilidade do Congresso Nacional, o controle ex- terno será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, com competências legalmente estabelecidas, as quais são: • apreciar as contas do Presidente da República, que serão apre- sentadas anualmente, com parecer prévio que deverá ser elabo- rado em 60 dias após seu recebimento; • julgar todas as contas que deram causa a perda, extravio ou ir- regularidade, com prejuízo do erário público e dinheiro, bens e valores públicos da Administração Direta e Indireta – incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Públi- co Federal –, dos administradores e demais responsáveis e, ain- da, de todos que derem causa; • apreciar, na Administração Direta e Indireta, a legalidade dos atos de admissão de pessoal a qualquer título para fins de registro. Incluídas, portanto, as fundações instituídas e mantidas pelo Po- der Público, excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, assim como a das concessões de aposentadorias, reformas e pensões, excluindo as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório; • realizar, por iniciativa própria, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Comissão técnica ou de inquérito, nas unidades administrativas dos poderes Le- gislativo, Executivo e Judiciário e demais entidades referidas no inciso II, artigo 71 da Lei de Licitações; • fiscalizar, nos termos do tratado constitutivo, as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a União parti- cipe, mesmo que direta ou indiretamente; • fiscalizar a aplicação de qualquer espécie de recursos repassados mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congê- neres pela União para o Estado, o Distrito Federal ou o Município; • prestar todas as informações sobre a fiscalização contábil, finan- ceira, orçamentária, operacional e patrimonial e sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas para o Congresso Nacional, Fiscalização de contratos 63 caso seja solicitado por qualquer de suas Casas ou por qualquer das respectivas Comissões; • aplicar aos responsáveis multa proporcional ao dano causado ao erário, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, tendo em vista as sanções previstas em lei; • assinar, caso seja verificada ilegalidade, prazo conforme estabe- lece a lei para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias; • sustar a execução do ato impugnado, na hipótese de não ser atendido, devendo comunicar a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal; • representar sobre irregularidades ou abusos apurados ao Poder competente. Nesse sentido, como dispõe o artigo 70 da Lei de Licitações, qual- quer dano causado pelo contratado diretamente à Administração ou a terceiros, decorrente de culpa ou dolo na execução do contrato, é de sua responsabilidade. Vale ressaltar que essa responsabilidade não é excluída ou reduzida pela fiscalização ou pelo acompanhamento feito pelo órgão interessado. Além disso, conforme o artigo 71, “o contrata- do é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato” (BRASIL, 1993).Logo, se houver inadimplência por parte do contratado, a Adminis- tração Pública não será responsável por seu pagamento e, tampouco, “poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificação, inclusive perante o Registo de Imóveis” (BRASIL, 1993). Entretanto, a Administração Pública responde solidaria- mente pelos encargos previdenciários resultantes da execução do con- trato com o contratado. Diante do exposto, poderá acarretar prejuízo ao erário público o não acompanhamento e fiscalização dos contratos administrativos. 4.2.3 Controle de legalidade O controle de legalidade pode ser realizado interna ou externamen- te. Quando efetivado pelo Poder Judiciário, será de maneira externa, por meio do Mandado de Segurança. O Poder Legislativo examina, por exemplo, a legalidade na admissão de pessoal pelo Tribunal de Contas, como estabelece o artigo 71, inciso III, da Constituição Federal. 64 Planejamento e gestão de obras públicas O controle realizado internamente é exercido pelo próprio órgão que licitou a obra ou o serviço público. Portanto, a Administração Pú- blica que contratou a obra deverá realizar o controle de legalidade. Nessa situação, a Administração é obrigada a exercitar o seu controle interno nas hipóteses de provocação durante o ato convocatório. Ou seja, pode o particular impugnar o ato convocatório e os recursos ad- ministrativos e, dessa forma, será analisada a legalidade do ato pelo próprio ente licitante. O controle legal é realizado pelo Poder Judiciário, nas hipóteses em que há o descumprimento da legislação ou a não observância dos ter- mos estabelecidos no contrato administrativo. Nesses casos, cada par- te do contrato é responsável pela sua efetividade. Assim, quando uma das partes não cumprir os termos acordados, será responsabilizada pela via judicial. Na Lei de Licitações, entre os artigos 81 e 108, estão estabelecidas as normas aplicáveis à tutela judicial. Desse modo, a recusa injustifica- da para assinatura do contrato no prazo estabelecido, por exemplo, caracteriza o descumprimento total da obrigação assumida, estando sujeita às penalidades estabelecidas em lei (BRASIL, 1993). Portanto, verifica-se que a Lei de Licitações estabelece diversas for- mas de responsabilidade, tanto na esfera civil como na penal, e essas estão sujeitas às sanções previstas em lei. Logo, para a devida fiscali- zação, são necessários os controles: interno, dentro do próprio órgão licitante; externo, de outro órgão; e judicial, realizado pelo Poder Ju- diciário. Dessa maneira, tem-se uma efetiva proteção do bem público que será desenvolvido no empreendimento. 4.3 Documentação necessária Vídeo De acordo com a etapa e a espécie de licitação, para que uma em- presa participe de uma licitação são necessários documentos essen- ciais. As formas de habilitação para uma licitação estão enumeradas na Lei de Licitações. Segundo o artigo 27 da Lei de Licitações (BRASIL, 1993), é impres- cindível que os interessados em se habilitar nas licitações apresentem, exclusivamente, documentação relativa a: Quais são as três formas de controle dos contratos administrativos? Atividade 2 Fiscalização de contratos 65 I - habilitação jurídica; II - qualificação técnica; III - qualificação econômico-financeira; IV - regularidade fiscal e trabalhista; V - cumprimento do disposto no inciso XXXIII do art. 7º da Consti- tuição Federal 2 . (BRASIL, 1993) O momento de habilitação no processo licitatório é quando os lici- tantes comprovam que podem participar da licitação, pois confirmam que todos os requisitos estabelecidos na lei são atendidos. Se o concor- rente não conseguir se habilitar devidamente, precluirá o seu direito de participar das fases subsequentes, como estabelece o artigo 41, pa- rágrafo 4º, da Lei de Licitações. Nas hipóteses de habilitação jurídica, conforme o caso, serão neces- sários os seguintes documentos, como estabelece o artigo 28 da Lei de Licitações: I - cédula de identidade; II - registro comercial, no caso de empresa individual; III - ato constitutivo, estatuto ou contrato social em vigor, devida- mente registrado, em se tratando de sociedades comerciais, e, no caso de sociedades por ações, acompanhado de documentos de eleição de seus administradores; IV - inscrição do ato constitutivo, no caso de sociedades civis, acompanhada de prova de diretoria em exercício; V - decreto de autorização, em se tratando de empresa ou socie- dade estrangeira em funcionamento no País, e ato de registro ou autorização para funcionamento expedido pelo órgão compe- tente, quando a atividade assim o exigir. (BRASIL, 1993) Relativo à regularidade fiscal e trabalhista, conforme o caso, será necessária a documentação listada a seguir: I - prova de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Geral de Contribuintes (CGC); II - prova de inscrição no cadastro de contribuintes estadual ou municipal, se houver, relativo ao domicílio ou sede do licitante, pertinente ao seu ramo de atividade e compatível com o objeto contratual; III - prova de regularidade para com a Fazenda Federal, Estadual e Municipal do domicílio ou sede do licitante, ou outra equivalen- te, na forma da lei; IV - prova de regularidade relativa à Seguridade Social e ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), demonstrando situação regular no cumprimento dos encargos sociais instituídos por lei. “Art. 7º – XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos” (BRASIL, 1988). 2 Por que o momento de habilitação é importante para os contratos administrativos? Atividade 3 precluir: significa perder o direito de exercer uma faculdade, ou seja, um direito. Glossário 66 Planejamento e gestão de obras públicas [...] V - prova de inexistência de débitos inadimplidos perante a Justiça do Trabalho, mediante a apresentação de certidão negativa, nos termos do Título VII-A da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei n. 5.452, de 1º de maio de 1943. (BRASIL, 1993) No que tange à qualificação técnica, será imprescindível a seguinte documentação: I - registro ou inscrição na entidade profissional competente; II - comprovação de aptidão para desempenho de atividade per- tinente e compatível em características, quantidades e prazos com o objeto da licitação, e indicação das instalações e do apa- relhamento e do pessoal técnico adequados e disponíveis para a realização do objeto da licitação, bem como da qualificação de cada um dos membros da equipe técnica que se responsabiliza- rá pelos trabalhos; III - comprovação, fornecida pelo órgão licitante, de que recebeu os documentos, e, quando exigido, de que tomou conhecimento de todas as informações e das condições locais para o cumpri- mento das obrigações objeto da licitação; IV - prova de atendimento de requisitos previstos em lei especial, quando for o caso. (BRASIL, 1993) Justen Filho (2014) afirma que a interpretação do artigo 30 da Lei de Licitações é de extrema dificuldade, visto que não é possível limitar de maneira precisa as exigências que a Administração deverá adotar. Por- tanto, não é possível determinar pela regra qual a interpretação correta e única do dispositivo legal (JUSTEN FILHO, 2014). Nos casos de licitações pertinentes a obras e serviços, serão forneci- dos, por pessoas jurídicas de direito público ou privado, a comprovação de aptidão relativa à qualificação técnica (BRASIL, 1993). O documento de aptidão ficará registrado nas entidades profissionais competentes, por meio de atestados fornecidos por pessoas jurídicas de direito pú- blico ou privado, com a seguinte exigência: I - capacitação técnico-profissional: comprovação do licitante de possuir em seu quadro permanente, na data prevista para entrega da proposta, profissional de nível superior ou outro devidamente reconhecido pelaentidade competente, deten- tor de atestado de responsabilidade técnica por execução de obra ou serviço de características semelhantes, limitadas estas No livro Comentários à lei de licitações e contratos administrativos, há uma análise detalhada de todos os dispositivos referidos na lei. JUSTEN FILHO, M. 16. ed. São Paulo: RT, 2014. Livro Fiscalização de contratos 67 exclusivamente às parcelas de maior relevância e valor significa- tivo do objeto da licitação, vedadas as exigências de quantidades mínimas ou prazos máximos. (BRASIL, 1993) Em relação à qualificação econômico-financeira, que corresponde aos valores financeiros disponíveis, será limitada a documentação relativa a: I - balanço patrimonial e demonstrações contábeis do último exercício social, já exigíveis e apresentados na forma da lei, que comprovem a boa situação financeira da empresa, vedada a sua substituição por balancetes ou balanços provisórios, podendo ser atualizados por índices oficiais quando encerrado há mais de 3 (três) meses da data de apresentação da proposta; II - certidão negativa de falência ou concordata expedida pelo dis- tribuidor da sede da pessoa jurídica, ou de execução patrimonial, expedida no domicílio da pessoa física; III - garantia, nas mesmas modalidades e critérios previstos no “caput” e § 1º do art. 56 desta Lei 3 , limitada a 1% (um por cento) do valor estimado do objeto da contratação. (BRASIL, 1993) O conceito de qualificação econômico-financeira corresponde à sa- tisfação da execução do objeto do contrato mediante o pagamento de recursos econômico-financeiros. Quem tiver interesse na licitação de- verá ter recursos para executar o objeto de sua prestação; dessa forma não poderá ser titular do direito de licitar aquele que não dispor de recursos financeiros próprios (JUSTEN FILHO, 2014). A exigência de recursos financeiros próprios será no limite da demonstração da capacidade financeira do licitante em relação aos compromissos assumidos no contrato. Dessa forma, é vedada a exigência de valores mínimos de faturamento anterior, índices de rentabilidade ou lucratividade, como estabelece o parágrafo 1º do artigo 56 da Lei de Licitações (BRASIL, 1993). Nesse mesmo sentido, a Administração poderá exigir, no instrumen- to convocatório da licitação, um capital mínimo ou um patrimônio líquido mínimo nas compras para entrega futura. Podem, também, ser exigidas garantias previstas no parágrafo primeiro do artigo referido como obje- tivo para comprovar a qualificação econômico-financeira dos licitantes e como segurança caso haja o inadimplemento do contrato celebrado. O capital mínimo ou o valor do patrimônio líquido não poderá exceder a 10% do valor estimado da contratação e a comprovação deve ser realiza- da à data da apresentação da proposta (BRASIL, 1993). Está previsto no parágrafo 1º, artigo 56, da Lei de Licitações, que as modalidades de garantia poderão ser: caução em dinheiro ou em títulos da dívida pública, seguro-garantia e fiança bancária. 3 68 Planejamento e gestão de obras públicas A forma de apresentação das demonstrações contábeis deverá ser realizada de modo objetivo, podendo ser exigidas todas as relações de compromissos, assumidos pelos licitantes, que possam diminuir a ca- pacidade operativa ou a disponibilidade financeira (BRASIL, 1993). A documentação original ou a cópia autenticada para a habilitação no processo de licitação poderá ser apresentada no cartório compe- tente ou por servidor da administração ou publicação em órgão da Im- prensa Oficial (BRASIL, 1993). O parágrafo 1º do artigo 32º da Lei de Licitações estabelece que a do- cumentação “poderá ser dispensada, no todo ou em parte, nos casos de convite, concurso, fornecimento de bens para pronta entrega e leilão” (BRASIL, 1993). Para Justen Filho (2014), o artigo não está redigido de maneira adequada, pois seria necessária a investigação da idoneidade do licitante, ação que a lei dispensa nas hipóteses mencionadas. Os parágrafos 2º e 3º do artigo 32º afirmam a possibilidade de subs- tituição dos documentos referidos nos artigos 28º a 31º pelo Certificado de Registro Cadastral. Esse certificado é a documentação dos requisitos de habilitação jurídica e regularidade fiscal; contudo, outros documen- tos poderão ser exigidos no caso de pertinência ao objeto concreta- mente licitado. De acordo com o parágrafo 4º do artigo 32º (BRASIL, 1993), as em- presas estrangeiras que não estão em funcionamento no país atende- rão, nas licitações internacionais, às mesmas exigências estabelecidas na Lei de Licitações. Os documentos deverão ser equivalentes, desde que autenticados nos consulados respectivos, e será necessária a tra- dução realizada por um tradutor juramentado. Posto isso, nas referidas licitações, as empresas estrangeiras deverão ter representante legal no Brasil, com poderes expressos para receber citação e responder admi- nistrativa ou judicialmente. Para que a empresa se habilite ao processo de licitação, disposto no artigo 32, não será exigido o recolhimento prévio de taxas e emolu- mentos, salvo aqueles referentes ao fornecimento do edital. Na hipó- tese de solicitação do pagamento de taxas e emolumentos no edital da licitação, será limitado ao valor do custo efetivo de reprodução gráfica da documentação fornecida, conforme dispõe o seu parágrafo 5º. Os respectivos regulamentos podem dispensar a documentação re- ferida na Lei de Licitações para as hipóteses de contratação de produto emolumentos: podem ser co- bradas taxas, tanto nos serviços notariais como nos serviços de registro, para efeitos remunera- tórios do serviço público. Glossário Fiscalização de contratos 69 destinado à pesquisa e ao desenvolvimento, desde que seja realizada à pronta-entrega ou no valor de até R$ 80 mil (BRASIL, 1993). Nas hipóteses de aquisição de bens e serviços nas licitações inter- nacionais (cujo pagamento seja feito com o produto de financiamento, concedido por um organismo financeiro internacional de que o Brasil faça parte ou por uma agência estrangeira de cooperação) não se apli- ca o disposto nas exigências acerca da apresentação de documentos. Ainda, não se empregam as exigências no que tange aos documentos, na hipótese de contratação com empresa estrangeira, para a compra de equipamentos fabricados e entregues no exterior. O citado ante- riormente é aplicado desde que tenha prévia autorização do Chefe do Poder Executivo. Também não se aplica a obrigação, exposta acima nos casos de aquisição de bens e serviços, realizada por unidades adminis- trativas com sede no exterior, como dispõe o parágrafo 6º do artigo 32º da Lei de Licitações (BRASIL, 1993). Se for autorizada a participação de empresas em consórcio na licita- ção, serão observados os seguintes critérios: I - comprovação do compromisso público ou particular de consti- tuição de consórcio, subscrito pelos consorciados; II - indicação da empresa responsável pelo consórcio que deverá atender às condições de liderança, obrigatoriamente fixadas no edital; III - apresentação dos documentos exigidos nos arts. 28 a 31 desta Lei por parte de cada consorciado, admitindo-se, para efeito de qualificação técnica, o somatório dos quantitativos de cada con- sorciado, e, para efeito de qualificação econômico-financeira, o somatório dos valores de cada consorciado, na proporção de sua respectiva participação, podendo a Administração estabelecer, para o consórcio, um acréscimo de até 30% (trinta por cento) dos valores exigidos para licitante individual, inexigível este acrésci- mo para os consórcios compostos, em sua totalidade, por micro e pequenas empresas assim definidas em lei; IV - impedimento de participação de empresa consorcia- da, na mesma licitação, através de mais de um consórcio ou isoladamente; V - responsabilidade solidária dos integrantes pelos atos pratica- dos em consórcio, tanto na fase de licitação quanto na de execu- ção do contrato. (BRASIL, 1993) O consórcio referido é realizadonas hipóteses disciplinadas no ar- tigo 278 da Lei n. 6.404/1976, o qual afirma que “o consórcio não tem 70 Planejamento e gestão de obras públicas personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas con- dições previstas no respectivo contrato” (BRASIL, 1976). Isso se dá na medida em que cada uma responde por sua própria obrigação, sem que haja solidariedade. No que diz respeito à documentação necessária, portanto, é neces- sário observar o que dispõe a Lei de Licitações para cada uma das for- mas de contratação pela Administração Pública. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo, analisamos as disposições estabelecidas acerca da fiscalização dos contratos administrativos e estudamos as deliberações acerca das principais atribuições da referida fiscalização. Concluímos que é necessário fiscalizar a formulação e a execução dos contratos administrativos, sempre tendo em vista a utilização do erário público. Dessa forma, a legislação estabelece diversos mecanismos para o devido controle. Diferenciamos os tipos de controle, sendo o interno realizado no pró- prio órgão licitante, o externo realizado por órgão distinto e o judicial realizado pelo Poder Judiciário. Assim, efetiva-se de modo adequado o contrato administrativo para obras ou serviços públicos. Além disso, uma das formas estabelecidas em lei para que o contra- to seja realizado corretamente é a observância da documentação. Desse modo, a Lei de Licitações estabelece diversos requisitos essenciais para cada momento e espécie de contrato administrativo. REFERÊNCIAS BRASIL. Constituição Federal (1988). Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 5 out. 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao. htm. Acesso em: 10 mar. 2020. BRASIL. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Diário Oficial da Nação, Poder Executivo, Brasília, DF, 17 dez. 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/l6404compilada.htm#:~:text=LEI%20No%206.404%2C%20DE%2015%20DE%20 DEZEMBRO%20DE%201976.&text=Disp%C3%B5e%20sobre%20as%20Sociedades%20 por%20A%C3%A7%C3%B5es.&text=Art.,das%20a%C3%A7%C3%B5es%20subscritas%20 ou%20adquiridas. Acesso em: 10 mar. 2020. BRASIL. Lei n. 8.666, de 21 de junho de 1993. Diário Oficial da Nação, Poder Legislativo, Brasília, DF, 22 jun. 1993. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/ L8666compilado.htm. Acesso em: 10 mar. 2020. BRASIL. Resolução n. 1.107, de 28 de novembro de 2018. Brasília: Presidência da República, 2018. Disponível em: https://sindusfarma.org.br/arquivos/trab/RESOLUCAO-1107-DE-28- DE-NOVEMBRO-DE-2018.pdf. Acesso em: 10 mar. 2020. Fiscalização de contratos 71 GUERRA, E. M. Os controles externo e interno da administração pública. 2. ed. Belo Horizonte: Fórum, 2011. JUSTEN FILHO, M. Comentários à lei das licitações e contratos administrativos. 15. ed. São Paulo: Dialética, 2012. JUSTEN FILHO, M. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. 16. ed. São Paulo: RT, 2014. MEIRELLES, H. L. Licitação e contrato administrativo. 14. ed. São Paulo: Malheiros, 2007. GABARITO 1. É poder-dever do Estado fiscalizar os contratos administrativos, levando em conside- ração a contratação com o Poder Público e a utilização do orçamento público. 2. As formas de controle dos contratos administrativo são: o controle interno, realizado no próprio órgão licitante; o controle externo, realizado por órgão distinto; e o contro- le judicial, realizado pelo Poder Judiciário. 3. O momento de habilitação é importante porque é quando os licitantes comprovam que podem participar da licitação, pois confirmam que todos os requisitos estabeleci- dos na lei são atendidos. https://jus.com.br/tudo/contratos-administrativos 72 Planejamento e gestão de obras públicas 5 Garantias contratuais Neste capítulo, analisaremos as garantias contratuais e os seus respectivos impactos. Em um primeiro momento, as garantias se- rão observadas individualmente, conforme previsto em lei. Assim, também verificaremos os requisitos necessários para cada uma das hipóteses. Na sequência, estudaremos a avaliação dos resultados das obras públicas, além de seus impactos sociais e ambientais. Por fim, serão elencadas e avaliadas as principais irregularidades apresentadas nas obras. 5.1 As garantias nos contratos administrativos Vídeo Para que os contratos administrativos, firmados entre a Administra- ção Pública e o ente privado, sejam assinados, é necessário que o con- tratado apresente, quando exigidas, garantias contratuais que visam assegurar a execução do contrato. Ainda, é necessário que estas levem em conta a segurança do investimento na obra, o qual é feito com ver- ba pública. Logo, de acordo com a Lei de Licitações (BRASIL, 1993), as garantias são cláusulas essenciais nos contratos administrativos. Durante o processo de licitação, portanto, o licitante deve garan- tir que, ao vencer o pleito, manterá sua proposta, firmando, assim, o contrato administrativo. Ao ser chamado dentro do prazo de validade da sua oferta, então, assinará efetivamente a documentação para dar início aos trabalhos. Essa prática é denominada qualificação econômi- co-financeira, conforme dispõe o artigo 31, inciso III, da Lei de Licita- ções: “a documentação relativa à qualificação econômico-financeira limitar-se-á a: [...] garantia, nas mesmas modalidades e critérios previs- tos no ‘caput’ e § 1º do art. 56 desta Lei, limitada a 1% (um por cento) do valor estimado do objeto da contratação” (BRASIL, 1993). Garantias contratuais 73 Convém ressaltar, ainda, que a autoridade competente poderá exi- gir, no seu documento convocatório, a prestação de garantia para a contratação de obras, serviços e compras no processo licitatório. As- sim, definirá os casos em que é necessária a garantia concedida pela contratada para assegurar que a obra será efetivamente concluída. Existem três formas de garantias que poderão ser exigidas pela au- toridade competente no processo de licitação, desde que previstas no instrumento convocatório. Sobre isso, o artigo 56 da Lei de Licitações (BRASIL, 1993) define: § 1º Caberá ao contratado optar por uma das seguintes modali- dades de garantia: [...] I - caução em dinheiro ou em títulos da dívida pública, devendo estes ter sido emitidos sob a forma escritural, mediante registro em sistema centralizado de liquidação e de custódia autorizado pelo Banco Central do Brasil e avaliados pelos seus valores eco- nômicos, conforme definido pelo Ministério da Fazenda; [...] II - seguro-garantia; [...] III - fiança bancária. No caso de o vencedor se recusar a assinar o contrato de obras ou serviços, a garantia apresentada durante o processo de licitação será executada. A seguir, são apresentadas as modalidades de garantia que podem ser utilizadas. Na modalidade pregão, ressalta-se, é vedada a exigência da garantia de proposta, como dispõe o artigo 5º, inciso I, da Lei n. 10.520/2002 (BRASIL, 2002). Curiosidade Caução em dinheiro ou em títulos da dívida pública Na hipótese de caução em dinheiro ou cheque, o depósito só poderá ser realizado no setor financeiro do órgão licitante ou em conta remunerada. Como é condição essencial para a participa- ção da licitação, o depósito fará parte do envelope número 1 e será emitido recibo do valor como documento comprobatório de execução de garantia. Se a garantia for oferecida em cheque, ten- do em vista as suas características, deverá ser administrativa. A apresentação das garantias pelo licitante não poderão ser exigidas antes do prazo legal estabelecido para a licitação. Des- ta forma, caso haja a exigência referida, será caracterizada como restrição de caráter competitivo. restrição de caráter compe- titivo: nas hipóteses em que há restrição em algum dos parti- cipantes no processo licitatório, impedindo que sejam tratados em condições de igualdade. Glossário 74 Planejamento e gestão de obras públicas Para que seja prestada a garantia em títulosda dívida pública, deverá ser obrigatório o acompanhamento dos documentos que: comprovem a origem/aquisição, utilizando-se do respectivo docu- mento e lançamento contábil em registro no balanço patrimonial do licitante; e demonstrem a correção do título cujo valor não seja inferior a 1% do valor máximo do objeto a ser contratado. Só serão aceitos pela comissão de licitação os títulos com ven- cimento até a data correspondente ao prazo de validade da pro- posta de preços passíveis de resgate, incontestável sob nenhum aspecto. Se não for realizado dessa forma, perderá sua função de garantia (BONATTO, 2018). Apesar de sua presunção, a autenticidade dos títulos oferecidos pelo licitante deverá ser averiguada. Se houver indício de fraude, o Ministério Público tem a obrigação de oferecer denúncia. Ainda, as validades da proposta de preços e do seguro-garantia deverão ter prazo igual, visto que, assim, o proponente deve manter a garantia da sua proposta. Após a assinatura do contrato ou o término da validade, haverá devolução das garantias (BONATTO, 2018). Seguro-garantia Não se aplica o disposto nas exigências acerca da apresenta- ção de documentos. Posto isso, a Lei de Licitações conceitua que o seguro-garantia é “o seguro que garante o fiel cumprimento das obrigações assumidas por empresas em licitações e contratos” (BRASIL, 1993). Fiança bancária É a modalidade em que o banco assume a fiança apresentada como garantia de contratação. Não poderão ser caucionados títu- los de crédito ou promovida garantia pessoal de outra natureza. Acrescenta-se a necessidade de comprovação da idoneidade do prestador da garantia fidejussória (JUSTEN FILHO, 2014). Quais são as formas de garantias elencadas na Lei n. 8.666/1993? Exemplifique. Atividade 1 garantia fidejussória: é a garantia que alguém concede a outrem a fim de garantir o cum- primento de obrigação alheia. Portanto, temos a chamada ga- rantia pessoal. Alguns exemplos utilizados na legislação brasileira são: aval e fiança. Glossário Ainda, segundo a Lei de Licitações, essas garantias não poderão ex- ceder o valor de 5% do objeto do contrato e a atualização será realizada nas condições nele descritas. Já para Garantias contratuais 75 obras, serviços e fornecimentos de grande vulto envolvendo alta complexidade técnica e riscos financeiros consideráveis, de- monstrados através de parecer tecnicamente aprovado pela au- toridade competente, o limite de garantia previsto no parágrafo anterior poderá ser elevado para até dez por cento do valor do contrato. (BRASIL, 1993, art. 56) Em situações especiais em que há grandes riscos financeiros, o limi- te da garantia pode ser elevado até 10% do valor contratado. Também deverá constar no texto do edital a exigência da garantia mais elevada, a qual deve ter necessidade comprovada por meio de parecer técnico aprovado por autoridade competente. Após o fim da execução do contrato, será liberada ou restituída a ga- rantia prestada pelo contratado. Se a garantia for paga em dinheiro, deve- rá ser atualizada monetariamente, como estabelece o referido dispositivo legal (BRASIL, 1993, art. 56, § 4º). Caso a Administração Pública necessite entregar os bens de que o contratado ficará como depositário, será acres- cido o valor deles na garantia, como estabelece o parágrafo 5º. O esquema a seguir resume os limites estabelecidos para as garan- tias contratuais, conforme a Lei de Licitações (BRASIL, 1993). Figura 1 Limites das garantias contratuais nas licitações Limite das garantias Regra geral 5% do valor contratado Obras de grande vulto, com alta complexidade e riscos financeiros consideráveis 10% do valor contratado Se o contratado ficar como depositário de bens da Administração Pública Acrescenta-se o valor dos bens à garantia Fonte: Elaborada pela autora com base em Brasil, 1993. 76 Planejamento e gestão de obras públicas Havendo necessidade, para a rescisão dos contratos administrati- vos firmados entre a Administração Pública e o ente privado, alguns motivos são aceitáveis, sem que haja culpa do contratado: XII - razões de interesse público, de alta relevância e amplo conhe- cimento, justificadas e determinadas pela máxima autoridade da esfera administrativa a que está subordinado o contratante e exaradas no processo administrativo a que se refere o contrato; XVII - a ocorrência de caso fortuito ou de força maior, regular- mente comprovada, impeditiva da execução do contrato. (BRA- SIL, 1993, art. 78) Nessas hipóteses, o contratado será ressarcido dos prejuízos regular- mente comprovados e terá direito à devolução da garantia apresentada. Pode-se concluir que, se a rescisão não for executada por força do contratado, ou seja, sob o fundamento do seu inadimplemento, o parti- cular deverá ser indenizado de forma ampla. Nessa situação, a indeniza- ção ocorrerá independentemente da vontade da Administração Pública, que não poderá definir se o particular será ou não indenizado. Se a Ad- ministração se recusar a indenizar após decretar a rescisão de forma unilateral, o Poder Judiciário deverá ser acionado (JUSTEN FILHO, 2014). A indenização não é restrita aos danos emergentes, podendo ser indenizados ainda os lucros cessantes. Nesse contexto, o particular receberá o valor dos pagamentos devidos até a data da rescisão pela execução do contrato (JUSTEN FILHO, 2014). Convém considerar, também, a possibilidade de que venha a se tor- nar necessária a alteração dos contratos para que sejam cumpridos. Não é o caso de rescindi-los, mas de ajustá-los a necessidades que por- ventura surgirem. De acordo com a Lei de Licitações (BRASIL, 1993, art. 65), o contrato administrativo poderá ser alterado por acordo entre as partes, ou seja, entre o Poder Público e o particular, desde que se apresentem as devidas justificativas e seja conveniente a substituição da garantia de execução. É necessário verificar que as alterações contratuais necessitam de cuidados específicos. Portanto, deve-se observar a forma que é realiza- da a alteração, como podemos visualizar no esquema a seguir: Recomenda-se a videoaula Saber Direito - Licitações e Contratos Administrativos, do professor Daniel Barral, publicado no canal TV Justiça Oficial, sobre o con- trato administrativo após o procedimento licitatório. É interessante verificar os elementos necessários para realizar a contratação das obras públicas. Disponível em: https://www.you- tube.com/watch?v=ZZxbBLxz9ew. Acesso em: 30 mar. 2020. Vídeo Garantias contratuais 77 Figura 2 Observações acerca das alterações contratuais Observações: Alteração da modalidade de garantia: acordo entre as partes (BRASIL, 1993, art. 65, inc. II, alínea a). Após a execução do contrato, a garantia é devolvida; se prestada em dinheiro, será atualizada monetariamente. Não confundir com a garantia de propostas. Esta é limitada a 1% do valor estimado da contratação (BRASIL, 1993, art. 31, inc. III). Fonte: Elaborada pela autora com base em Brasil, 1993. Verifica-se, então, que, na hipótese de alteração contratual, é ne- cessário observar diversas questões. Importante conferir a forma de alteração da modalidade de garantia e o mecanismo utilizado após a execução do contrato. Ainda, não se pode confundir com a garantia de proposta, cujo objetivo é garantir que seja executável. 5.2 Avaliação dos resultados e seu impacto social Vídeo Para que a avaliação dos resultados seja eficaz, durante a execução do contrato, um representante da Administração Pública (designado especialmente para a tarefa) deverá acompanhar e fiscalizar o contra- to, como estabelece a Lei de Licitações: “a execução do contrato deverá ser acompanhada e fiscalizada por um representante da Administração especialmente designado, permitida a contratação de terceiros para assisti-lo e subsidiá-lo de informações pertinentes a essa atribuição” (BRASIL, 1993, art. 67). Com base nesse artigo, verifica-se que, para a função de assistência, é possívelcontratar terceiros a fim de assistir e subsidiar informações pertinentes à atribuição de fiscalização. Inclusive, durante a execução 78 Planejamento e gestão de obras públicas do contrato, pode-se subcontratar partes da obra, do serviço ou do fornecimento (BRASIL, 1993, art. 72). Deve ser observado, na hipótese mencionada, o limite admitido pela Administração em cada caso. Após a execução do contrato, ainda segundo a Lei de Licitações (BRA- SIL, 1993, art. 73), o seu objeto será recebido da seguinte forma: I - em se tratando de obras e serviços: a) provisoriamente, pelo responsável por seu acompanhamen- to e fiscalização, mediante termo circunstanciado, assinado pelas partes em até 15 (quinze) dias da comunicação escrita do contratado; b) definitivamente, por servidor ou comissão designada pela au- toridade competente, mediante termo circunstanciado, assinado pelas partes, após o decurso do prazo de observação, ou vistoria que comprove a adequação do objeto aos termos contratuais, observado o disposto no art. 69 desta Lei; II - em se tratando de compras ou de locação de equipamentos: a) provisoriamente, para efeito de posterior verificação da con- formidade do material com a especificação; b) definitivamente, após a verificação da qualidade e quantidade do material e consequente aceitação. O recebimento provisório, conforme se pode notar no artigo men- cionado, consiste na transferência simples da posse do bem ou dos resultados do serviço para a Administração. Ressalta-se que não sig- nifica que a Administração reconheça que o objeto é bom ou que foi executada corretamente a prestação (JUSTEN FILHO, 2014). É durante o período de recebimento provisório que a Administração examinará o objeto para verificar se está de acordo com as exigências da lei, do contrato e da técnica. O efeito da entrega provisório será realizado com a liberação dos riscos da transferência da posse (JUSTEN FILHO, 2014). Quando se tratar de obra ou serviço, existindo a possibilidade de algum defeito, a Administração Pública deverá designar serviço ou co- missão de obras e serviço, com o objetivo de realizar a vistoria. Conside- rando a natureza do objeto, se houver necessidade, poderá ser exigida qualificação profissional ou técnica dos servidores – no caso de compras, e, assim, serão examinadas as especificações técnicas e necessárias (JUS- TEN FILHO, 2014). Após os testes, os exames e as verificações necessá- rios, na hipótese de a coisa ou serviço apresentar algum defeito, deverão ser rejeitados e devolvidos exatamente na forma como se encontram. Quem deverá acompanhar a execução da obra pública? Atividade 2 Garantias contratuais 79 Tendo em vista o princípio do contraditório, o particular deverá acompanhar exames e verificações tendo, portanto, acesso aos laudos e aos documentos. Se concluído que há defeituosidade no objeto, também será aplicado o princípio da transparência. A empresa contra- tada poderá requisitar que sejam realizadas as provas outra vez; além disso, novas provas, caso não concorde com o laudo da avaliação técni- ca (JUSTEN FILHO, 2014). Nas hipóteses de aquisição de equipamentos de grande vulto, este será recebido mediante termo circunstanciado. Nos demais casos, se utilizará recibo, como determina a Lei de Licitações (BRASIL, 1993, art. 73, § 1º). Ressalta-se que, conforme o referido dispositivo legal, “o rece- bimento provisório ou definitivo não exclui a responsabilidade civil pela solidez e segurança da obra ou do serviço, nem ético-profissional pela perfeita execução do contrato, dentro dos limites estabelecidos pela lei ou pelo contrato” (BRASIL, 1993, art. 73, § 2º). Nesse sentido, mesmo no caso de o vício se revelar após o recebi- mento da coisa, quando é impossível a sua detecção prévia, o particular será o responsável pela integridade dela (BRASIL, 1993). O recebimento do produto não exclui as regras sobre evicção e vícios ocultos, e devem ser também observadas as regras específicas disciplinadoras de casos especiais (JUSTEN FILHO, 2014). Sugere-se a leitura do artigo O desenvolvimento pelo licitante de programa de integridade como critério de desempate no projeto de lei Nº 1.292/95, da profes- sora Mirela Ziliotto, para aprofundar o estudo. Acesso em: 30 mar. 2020. http://www.novaleilicitacao.com.br/2020/02/12/o-desenvolvimento-pelo-licitante-de-programa- -de-integridade-como-criterio-de-desempate-no-projeto-de-lei-no-1-292-95/ Artigo O prazo para a entrega definitiva de obras e de serviços não poderá ultrapassar 90 dias, a não ser na ocorrência de hipóteses excepcionais, desde que sejam justificadas e previstas no edital, como disciplina a Lei de Licitações (BRASIL, 1993, art. 73, § 3º). A Administração terá 15 dias para praticar os atos, termo circunstanciado ou vistoria, após a notifi- cação, mediante sua comunicação, sob pena de presumir-se definitiva a aceitação, nos termos que estabelece a lei: princípio do contraditório: todo acusado tem direito à defesa, ou seja, devem ser aceitos todos os tipos de defesa admitidos em Direito, assegurando, portanto, o direito à resposta. defeituosidade: na hipótese de defeito do objeto, é necessária a avaliação por responsáveis técnicos que será relatada por meio de laudos e documentos. Glossário vício: qualquer defeito ou imperfeição na coisa. evicção: perda parcial ou total de um bem, por decisão judicial ou ato administrativo, relacionada à causa preexistente ao contrato. Glossário http://www.novaleilicitacao.com.br/2020/02/12/o-desenvolvimento-pelo-licitante-de-programa-de-integridade-como-criterio-de-desempate-no-projeto-de-lei-no-1-292-95/ http://www.novaleilicitacao.com.br/2020/02/12/o-desenvolvimento-pelo-licitante-de-programa-de-integridade-como-criterio-de-desempate-no-projeto-de-lei-no-1-292-95/ 80 Planejamento e gestão de obras públicas § 4º Na hipótese de o termo circunstanciado ou a verificação a que se refere este artigo não serem, respectivamente, lavrado ou procedida dentro dos prazos fixados, reputar-se-ão como realiza- dos, desde que comunicados à Administração nos 15 (quinze) dias anteriores à exaustão dos mesmos. (BRASIL, 1993, art. 73) Em algumas situações, não há como diferenciar o recebimento pro- visório do recebimento definitivo. Isso ocorre nas circunstâncias defini- das no artigo 74 da Lei de Licitações: I - gêneros perecíveis e alimentação preparada; II - serviços profissionais; III - obras e serviços de valor até o previsto no art. 23, inciso II, alínea “a”, desta Lei, desde que não se componham de aparelhos, equipamentos e instalações sujeitos à verificação de funciona- mento e produtividade. (BRASIL, 1993) No atendimento a essas hipóteses, será realizado o recebimento dos bens mediante recibo, como estabelece o parágrafo único do refe- rido artigo (BRASIL, 1993, art. 74). Será de responsabilidade do contratado a boa execução do objeto do contrato, ou seja, os custos do controle de qualidade cabem ao exe- cutor particular. Entretanto, ressalta-se que a Administração poderá dispor em contrário, nos editais, nos convites ou nos atos normativos, os ensaios, testes e demais provas exigidas por normas técnicas ofi- ciais, como estabelece o artigo 75 da Lei n. 8.666 (BRASIL, 1993). Se a execução ocorrer em desacordo com o contrato, mesmo que em parte, a Administração rejeitará obra, serviço ou fornecimento, con- forme disposto no artigo 76 da referida lei. 5.3 O impacto ambiental e as principais irregularidadesVídeo Nos estudos de viabilidade, será avaliado o impacto ambiental do empreendimento licitatório, como dispõe a Lei n. 8.666 (BRASIL, 1993, art. 12, inc. VII). Para a elaboração do projeto básico, deve-se verificar, portanto, a necessidade de licenciamento ambiental. As Resoluções, do Conselho Nacional do Meio Ambiente, n. 001/1986 e n. 237/1997, em conjunto com a Lei n. 6.938/1981, dispõem sobre a necessidade de licenciamento ambiental. A primeira afirma, no seu O que é necessário observar para a elaboraçãodo projeto básico? Atividade 3 Garantias contratuais 81 artigo 2º, que dependerão de estudo e elaboração de relatório de im- pacto ambiental as seguintes atividades: • Estradas de rodagem com duas ou mais faixas de rolamento; • Ferrovias; Portos e terminais de minério, petróleo e produtos quí- micos; [...] • Extração de combustível fóssil (petróleo, xisto, carvão); • Aterros sanitários, processamento e destino final de resíduos tóxicos ou perigosos; • Usinas de geração de eletricidade, qualquer que seja a fonte de energia primária, acima de 10MW; [...] • Qualquer atividade que utilizar carvão vegetal, derivados ou produ- tos similares, em quantidade superior a dez toneladas por dia. [...] • Empreendimentos potencialmente lesivos ao patrimônio espe- leológico nacional. (BRASIL, 1986, art. 2º) Nessas situações, entre outras que podem ser encontradas no refe- rido artigo, em que há a exigência do licenciamento ambiental, é neces- sário que se elaborem um relatório e um estudo de impacto ambiental. Este documento deverá ser submetido à aprovação do órgão estatual e, de modo complementar, será encaminhado para a Secretaria Espe- cial do Meio Ambiente. É importante salientar que esse procedimento será realizado para se conceder o licenciamento de atividades modifi- cadoras do meio ambiente. As atividades e os empreendimentos para os quais é obrigatório o licenciamento ambiental estão descritas no anexo 1 da Resolução n. 237 do CONAMA (BRASIL, 1997), tais como: Extração e tratamento de minerais Indústria de produtos minerais não metálicos Indústria metalúrgica Indústria mecânica Indústria de material elétrico, eletrônico e comunicações Indústria de material de transporte Indústria de madeira Indústria de papel e celulose Indústria de borracha Indústria de couros e peles Indústria química Indústria de produtos de matéria plástica Resolução n. 237 do CONAMA (BRASIL, 1997) Indústria têxtil, de vestuário, de calçados e de artefatos de tecidos Indústria de produtos alimentares e de bebidas Indústria de fumo Indústrias diversas Obras civis Serviços de utilidade Transporte, terminais e depósitos Turismo Atividades diversas Atividades agropecuárias Uso de recursos naturais 82 Planejamento e gestão de obras públicas Nas situações elencadas, será eleito para o desenvolvimento do em- preendimento contratado, portanto, o que melhor responda aos aspec- tos técnico, ambiental e socioeconômico (BRASIL, 2014). Para isso, antes da implantação do projeto, as alternativas adequadas serão avaliadas em seus quesitos técnicos e socioeconômicos, incluindo o exame das melhorias e dos malefícios advindos da implantação da obra. Na análise das alternativas, deve ser observado também seu cus- to. Uma das formas de avaliá-lo é multiplicar o custo por metro qua- drado pela estimativa da área equivalente de construção, de acordo com a NBR 12.721/1993 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) (BRASIL, 2014). No que tange às irregularidades, é importante considerar que podem ocorrer no procedimento licitatório, nos con- tratos, na tributação, na execução orçamentária, nas medições, nos pagamentos e no recebimento da obra. O quadro a seguir apresenta o que se pode considerar irregular no procedimento licitatório, segundo o Tribunal de Contas da União: Quadro 1 Irregularidades concernentes ao procedimento licitatório Exigências desnecessárias de caráter restritivo no edital, especialmente no que diz respeito à capacitação técnica dos responsáveis técnicos e técnico-operacional da empresa. Ausência de critério de aceitabilidade de preços global e unitário no edital de licitação. Projeto básico inadequado ou incompleto, sem os elementos necessários e suficientes para caracterizar a obra, não aprovado pela autoridade competente, e/ou elaborado posteriormente à licitação. Modalidade de licitação incompatível. Obra não dividida em parcelas com vistas ao melhor aproveitamento dos recursos disponíveis no mercado e à ampliação da competitividade. Obra dividida em parcelas, porém não respeitando a modalidade de licitação pertinente para a execução total do empreendimento. Tipo inadequado de licitação. Dispensa de licitação sem justificativa ou com justificativa incompatível. Inexigibilidade de licitação sem justificativa ou com justificativa incompatível. Ausência da devida publicidade de todas as etapas da licitação. Ausência de exame e aprovação preliminar por assessoria jurídica da administração das minutas de editais de licitação, contratos, acordos, convênios e ajustes. Não conformidade da proposta vencedora com os requisitos do edital e, conforme o caso, com os preços máximos fixados pelo órgão contratante. (Continua) Garantias contratuais 83 Inadequação do cronograma físico-financeiro proposto pelo vencedor da licitação, indicando manipulação dos preços unitários de forma que os serviços iniciais do contrato ficam muito caros e os finais muito bara- tos, podendo gerar um crescente desinteresse do contratado ao longo das etapas finais da obra por conta do baixo preço dos serviços remanescentes. Inadequação do critério de reajuste previsto no edital, sem retratar a variação efetiva do custo de produção. Não adoção de índices específicos ou setoriais de reajuste, desde a data prevista para a apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela. Participação na licitação, direta ou indiretamente, do autor do projeto básico ou executivo, pessoa física ou jurídica, pois a ele só é permitida a participação como consultor ou técnico, nas funções de fiscalização, supervisão ou gerenciamento, exclusivamente a serviço da administração interessada. Fonte: Adaptado de Brasil, 2014, p. 48-49. Pode-se verificar, nas hipóteses previstas no Quadro 1, que as princi- pais irregularidades em relação ao processo licitatório são as que estão em desacordo com o princípio da isonomia ou não estão atentas à es- colha da proposta mais vantajosa para a Administração (BRASIL, 2014). As irregularidades concernentes aos contratos apresentam-se em relação à sua celebração e à sua administração (BRASIL, 2014). Pode-se vê-las no quadro a seguir: Quadro 2 Irregularidades concernentes ao contrato Divergência entre a descrição do objeto no contrato e a constante do edital de licitação. Divergências relevantes entre os projetos básico e executivo. Não vinculação do contrato ao edital de licitação (ou ao termo que a dispensou ou a inexigiu) e à proposta do licitante vencedor. Ausência de aditivos contratuais para contemplar eventuais alterações de projeto ou cronograma físico-financeiro. Não justificativa de acréscimos ou de supressões de serviços. Extrapolação, quanto aos acréscimos ou às supressões de serviços, dos limites definidos na Lei n. 8.666/1993. Alterações, sem justificativas coerentes e consistentes, de quantitativos, reduzindo quantidades de serviços co- tados a preços muito baixos e/ou aumentando quantidades de serviços cotados a preços muito altos, podendo gerar sobrepreço e superfaturamento (jogo de planilha). Acréscimo de serviços contratados por preços unitários diferentes da planilha orçamentária apresentada na licitação. Acréscimo de serviços cujos preços unitários são contemplados na planilha original, porém acima dos pratica- dos no mercado. Execução de serviços não previstos no contrato original e em seus termos aditivos. Subcontratação não admitida no edital e no contrato. Contrato encerrado com objeto inconcluso. Prorrogação de prazo sem justificativa. Fonte: Adaptado de Brasil, 2014, p. 49. 84 Planejamento e gestão de obras públicas Das irregularidades na execução orçamentária, as hipóteses referem- -se à não existência de previsão de recursos orçamentários para o paga- mento da obra ou ao fato de que não houve a inclusão da obra no plano plurianual ou em lei. Pode-se conferir detalhes no quadro a seguir: Quadro 3 Irregularidades concernentesà execução orçamentária Não inclusão da obra no plano plurianual ou em lei que autorize sua inclusão, no caso de sua execução ser superior a um exercício financeiro. Ausência de previsão de recursos orçamentários que assegurem o pagamento das etapas a serem execu- tadas no exercício financeiro em curso. Fonte: Adaptado de Brasil, 2014, p. 50. Nas hipóteses relativas às medições e pagamentos, verifica-se o pagamento de serviços que não estão regulares, o superfaturamento, dentre outros. O quadro, na sequência, descreve mais claramente es- sas irregularidades: Quadro 4 Irregularidades concernentes às medições e aos pagamentos Pagamento de serviços não efetivamente executados. Pagamento de serviços executados, porém não aprovados pela fiscalização. Falta de comprovação e de conferência pela fiscalização dos serviços executados. Divergências entre as medições atestadas e os valores efetivamente pagos. Medições e pagamentos executados com critérios divergentes dos estipulados no edital de licitação e contrato. Inconsistências e incoerências nos relatórios de fiscalização. Superfaturamento. Fonte: Adaptado de Brasil, 2014, p. 50. No que diz respeito ao recebimento da obra, pode-se encontrar diversas irregularidades, principalmente nas hipóteses em que não são observados os elementos essenciais para o seu recebimento. Veja o quadro a seguir: Quadro 5 Irregularidades concernentes ao recebimento da obra Ausência de recebimento provisório da obra pelo responsável por seu acompanhamento e fiscalização, mediante termo circunstanciado assinado pelas partes. Ausência de recebimento definitivo da obra, por servidor ou comissão designada por autoridade compe- tente, mediante termo circunstanciado, assinado pelas partes, após prazo de observação ou vistoria que comprove a adequação do objeto aos termos contratuais. Descumprimento de condições descritas no edital de licitação e no contrato para o recebimento da obra. (Continua) Garantias contratuais 85 Descumprimento dos prazos de conclusão, de entrega, de observação e de recebimento definitivo, confor- me o caso, previsto no contrato e em seus termos aditivos. Recebimento da obra com falhas visíveis de execução. Omissão da Administração, na hipótese de terem surgido defeitos construtivos durante o período de res- ponsabilidade legal desta. Não realização de vistorias dos órgãos públicos competentes para a emissão do “Habite-se”. Fonte: Adaptado de Brasil, 2014, p. 50-51. É possível compreender que, diante das diversas irregularidades que a obra pública pode apresentar, a Lei n. 8.666 (BRASIL, 1993) prevê, a partir do seu artigo 81, as sanções administrativas e a tutela judicial para as hipóteses de atos em desacordo. Isso ocorre, por exemplo, nos casos de recusa injustificada para assinar o contrato administrativo, nas hipóteses de o agente administrativo praticar atos em desacordo com a Lei de Licitações, dentre outros. Não se pode deixar de observar, inclusive, que algumas situações elencadas entre os artigos 89 e 99 são imputadas como crime com pe- nas estabelecidas legalmente. As situações em que se aplicam as san- ções penais são inexigir a licitação fora das hipóteses previstas em lei, fraudar o caráter competitivo do procedimento licitatório, afastar lici- tante com violência, entre outras descritas na legislação. CONSIDERAÇÕES FINAIS Conhecemos, neste capítulo, as garantias contratuais apresentadas no contrato administrativo e analisamos as garantias aceitas por lei, as quais deverão estar elencadas no edital da licitação. Verificamos que são aceitas para o contrato administrativo apenas as garantias: caução em di- nheiro ou em títulos da dívida pública, seguro-garantia e fiança bancária. Na segunda seção, vimos as formas de avaliação dos resultados das obras públicas, o impacto gerado na sociedade e os mecanismos elen- cados na Lei de Licitações. Finalmente, analisamos o impacto ambiental decorrente das obras públicas e as principais irregularidades apresentadas. A inobservância do determinado na legislação pode, portanto, acarretar sanção admi- nistrativa ou penal. Desta forma, é necessário observar que a Lei n. 8666/1993 apresen- ta as sanções referentes às irregularidades de obras e de serviços. 86 Planejamento e gestão de obras públicas REFERÊNCIAS BONATTO, H. Governança e gestão de obras públicas: do planejamento à pós-ocupação. Belo Horizonte: Fórum, 2018. BRASIL. Conselho Nacional Do Meio Ambiente. Resolução n. 1, de 23 de janeiro de 1986. Disponível em: http://www2.mma.gov.br/port/conama/legislacao/CONAMA_RES_ CONS_1986_001.pdf. Acesso em: 19 mar. 2020. BRASIL. Conselho Nacional Do Meio Ambiente. Resolução n. 237, de 19 de dezembro de 1997. Disponível em: https://portal.tcu.gov.br/biblioteca-digital/resolucao-conama-237-1997- dispoe-sobre-a-revisao-e-complementacao-dos-procedimentos-e-criterios-utilizados- para-o-licenciamento-ambiental.htm. Acesso em: 19 mar. 2020. BRASIL. Lei n. 6.938, de 31 de agosto de 1981. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 2 set. 1981. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6938. htm. Acesso em: 25 mar. 2020. BRASIL. Lei n. 8.666, de 21 de junho de 1993. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 22 jun. 1993. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/ L8666compilado.htm. Acesso em: 25 mar. 2020. BRASIL. Lei n. 10.520, de 17 de julho de 2002. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 18 jul. 2002. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/ L10520.htm. Acesso em: 25 mar. 2020. BRASIL. Tribunal De Contas Da União. Governança Pública: referencial básico de governança aplicável a órgãos e entidades da administração pública e ações indutoras de melhoria. Brasília, 2014. Disponível em: https://portal.tcu.gov.br/biblioteca-digital/ governanca-publica-referencial-basico-de-governanca-aplicavel-a-orgaos-e-entidades-da- administracao-publica-e-acoes-indutoras-de-melhoria.htm. Acesso em: 19 mar. 2020. JUSTEN FILHO, M. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. 16. ed. São Paulo: RT, 2014. GABARITO 1. São formas de garantia elencadas na Lei de Licitações: caução em dinheiro ou em títulos da dívida pública. São exemplos: por meio de um cheque administrativo; se- guro-garantia, que é realizado por seguradoras visando garantir que a obra será exe- cutada; ou fiança bancária, que é a garantia realizada pelo banco, que figura como fiador da obra. 2. O acompanhamento da execução do contrato deverá ser fiscalizado por um repre- sentante da Administração Pública, designado especialmente para o ato. Se houver necessidade, será permitida a contratação de terceiros para garantir que a sua atri- buição seja desenvolvida adequadamente, garantindo a assistência de informações pertinentes como estabelece o art. 67 da Lei n. 8.666/1993. 3. Durante a elaboração do projeto básico é necessário verificar o impacto ambiental do empreendimento que será desenvolvido, como disposto no art. 12, inc. VII, da Lei n. 8.666/1993. Para tanto, em empreendimentos com atividade modificadora do meio ambiente, será obrigatório que se execute o estudo prévio de impacto ambiental a fim de garantir que não haja um impacto negativo. PLANEJAMENTO E GESTÃO DE OBRAS PÚBLICAS ANELIZE PANTALEÃO PUCCINI CAMINHAFundação Biblioteca Nacional ISBN 978-85-387-6626-1 9 7 8 8 5 3 8 7 6 6 2 6 1 Código Logístico 59364 Página em branco Página em branco