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1 2 https://bit.ly/2Qk67jG https://api.whatsapp.com/send?phone=5561996098844 https://curso.professorizando.com.br/educacao-especial https://bit.ly/2Qk67jG 3 Agradecimentos Juntos, expressamos nossa gratidão aos mais de 3 milhões de professores e professoras do nosso país. Essa apostila é dedicada aos verdadeiros heróis e heroínas que atuam todos os dias mudando as gerações e transformando o Brasil. Vocês são nossos maiores Mestres. E é por cada um de vocês que sempre nos dedicamos a aprimorar nosso trabalho! “Não temos que ser perfeitos hoje. Não temos de ser melhores do que outra pessoa. Tudo o que precisamos fazer é ser o melhor que pudermos.” Joseph B. Wirthlin Podemos mudar a educação do nosso país se dermos o primeiro passo, transformando um coração, um aluno de cada vez! Bons Estudos! 4 Sumário Agradecimentos ...............................................................................................................................................3 Introdução ........................................................................................................................................................6 Módulo 01 ........................................................................................................................................... 7 Contexto Histórico ..........................................................................................................................................7 Legislação e Educação no Brasil ...................................................................................................................11 Internacional ..................................................................................................................................................21 Qual o Correto? PcD, PNE, Pessoa com necessidade Especial? ...............................................................22 Módulo 02 ......................................................................................................................................... 25 Educação Especial – Modalidade de Ensino ...............................................................................................25 O Professor na Educação Especial ...............................................................................................................27 Formação Docente Continuada ...................................................................................................................28 Alunos com Deficiência: Como Lidar Com Eles Em Sala de Aula? .........................................................31 Estrutura Escolar ...........................................................................................................................................32 Como Incluir os Alunos com Deficiência? .................................................................................................35 Desafios do Professor de Educação Especial ..............................................................................................39 Módulo 03 ......................................................................................................................................... 40 Deficiências e Distúrbios ...............................................................................................................................40 Deficiência Intelectual ...................................................................................................................................40 Alunos com Deficiência Intelectual na Escola ............................................................................................42 Deficiência Física ...........................................................................................................................................45 Deficiência Física no Processo Escolar ........................................................................................................46 Deficiência Visual ..........................................................................................................................................46 Deficiência Visual no Processo Escolar .......................................................................................................47 Deficiência Auditiva ......................................................................................................................................48 Libras ...............................................................................................................................................................50 5 Deficiência Múltipla ......................................................................................................................................51 Síndrome de Down ........................................................................................................................................52 A Síndrome de Down na Sala de Aula .........................................................................................................53 Autismo ...........................................................................................................................................................54 Causas do Autismo ........................................................................................................................................55 Autismo no Processo Escolar .......................................................................................................................59 Superdotação e Altas Habilidades ................................................................................................................61 Alunos com Superdotação e Altas Habilidades na Eescola .......................................................................65 Sobre a Autora .................................................................................................................................. 67 Quem Somos .................................................................................................................................... 68 Referências Bibliográficas .............................................................................................................................69 6 Introdução A educação especial é uma modalidade de ensino da qual é necessário um olhar muito especial. Conhecer, estudar e apender sobre, é algo essencial não apenas para professores, mas por todos que convivem em sociedade. Afinal, pessoas com deficiências estão presentes a todo momento. Compreender suas singularidades e as leis que regem, é o primeiro passo para poder auxiliar quem precisa. Nesta apostila você poderá conhecer um pouco mais de algumas deficiências e formas de como trabalhar em sala de aula. Entender a importância do professore junto com sua formação continuada. Entender um pouco mais sobre a legislação que rege e cuida das pessoas com deficiência. Conhecer os direitos e deveres te dá potencialidade para buscar, lutar e ajudar quem precisa desse entendimento Hoje, temos uma visão mais inclusiva sobre a as pessoas com deficiências. Mesmo não sendo o ideal e muitas vezes segregativa, um longo e complicado caminho foi percorrido para estar dessa forma. Quando conhecemos o passado, entendemos a situação atual para assim, ajudarmos a melhorar. Contamos com você nesse processo, estude e se capacite para fazer a diferença. 7 Módulo 01 Contexto Histórico É importante contextualizar a Educação Especial desde seus primórdios até a atualidade, para que se perceba que as escolas especiais são as principais responsáveis pelos avanços da inclusão. No Brasil, até a década de 50, praticamente não se falava em Educação Especial. Foi a partir de 1970, que passou a ser discutida, tornando-se preocupação dos governos com a criação de instituições públicas e privadas, órgãos normativos federais e estaduais e de classes especiais. Hoje, muitas pessoas defendem estesistema de Ensino Especial paralelo, criado para educar os que possuem alguma deficiência, o que contribui para que sejam segregados, e excluídos da sociedade que os nega. Muitos parecem desconhecer a importância de se construir um processo de inclusão, gradativo, que é aconselhado por muitos. Muito se escuta sobre a inclusão de alunos deficientes em salas de aulas regulares. O que poucos sabem, é que foi percorrido um longo e atribulado caminho para a educação inclusiva ser o que é hoje. Contudo, por mais que que as mudanças e procedimentos tenham conquistado grandes avanços, ainda é necessário ter consciência de que ainda há muito a se aprender e desenvolver. Nas classes com alunos com deficiências constatou-se que a inclusão é primordial para o desenvolvimento, tanto o dele quanto para o restante da escola. Incluir é saber respeitar, acolher e conviver com as diferenças. A abordagem e a percepção da sociedade em relação as pessoas com deficiências tem se modificado gradualmente durante os anos, no meio social, filosófico e cientifico. No passado, não tão distante algumas sociedades prezavam apenas pela força braçal para promover a agricultura, guerra, pecuária e artesanato. Dessa forma, os indivíduos com deficiências físicas eram inaceitáveis para a sociedade. Tanto que não enxergavam nenhum 8 problema, ético ou moral, com o fato de pessoas com deficiência serem descartadas logo após seu nascimento. Devido a tudo isso os deficientes intelectuais, mesmo não apresentando nenhuma característica física aparente que os sujeitassem a morte, eles eram escondidos e muitas vezes tornavam-se algo inoportuno para as famílias. Com o fortalecimento do cristianismo na idade média, toda população passou a ser considerada filhos de Deus. As deficiências eram atribuídas a causas divinas. Com isso algumas pessoas com Deficiência eram objetos de caridades e outras, na tentativa da igreja se proteger de manifestações sobre o poder abusivo do clero, eram consideradas possessões demoníacas, sendo caçadas e exterminadas Dessa forma, muitas pessoas que sofriam de deficiência e transtornos mentais foram acusadas pela Inquisição de “possuírem demônio” e de praticarem bruxaria, sendo acorrentadas e queimadas vivas. Portanto, conhecer a história da humanidade é essencial para compreendermos que o preconceito é um legado histórico, resultante de situações políticas, religiosas e econômicas de séculos. A deficiência passou a ser vista como algo infortuno e improdutivo do ponto de vista econômico, e pela primeira vez houve a tentativa de tratamento em um hospital psiquiátrico com uso de alquimia, magia e astrologia, de forma institucional que servia tanto para tratar como para confinar e esconder pessoas que não apresentavam comportamentos dentro dos padrões ditos normais. Dessa forma começam a questionar sobre a institucionalização de pessoas com necessidades especiais, pois passam a reconhecer que a vida das instituições era de certa forma desumanas, tornando assim seus pacientes incapazes de viver novamente em uma sociedade. Ao mesmo tempo em que desperta as discussões sobre os direitos humano, começa então as indagações obre o direito dos deficientes. A luta era agora para acabar com a institucionalização de pacientes, em uma tentativa de integração de pessoas com necessidades especiais na sociedade, colocando- as assim em um sistema mais próximo do que é considerada uma vida normal. Tornando- as independentes e autossuficientes. O princípio da normalização de deficientes favoreceu o 9 afastamento de instituições e inicios de programas para oferecer serviços que atendessem a suas necessidades. De forma que o indivíduo com necessidade especial deve se adaptar a sociedade, e não a sociedade se adaptar a ele. As primeiras iniciativas especializadas com a educação de pessoas com deficiências surgiram na França, com uma escola que tinha como objetivo fazer pessoas mudas falarem e uma instituição que o foco era a educação de pessoas surdas, onde assim foi criado o método de comunicação por linguagem de sinais pelo Charles M. Eppé. Mais tarde foi criado o sistema de escrita e leitura sobre relevo, sendo denominado sistema braile, criado por Louis Braille. A inicialização de educação para deficientes intelectuais aconteceu pela primeira vez pelo médico Jean Marc Itard, que consistia em métodos de ensino da repetição de experiências positivas na vida do indivíduo. A primeira instituição pública focada na deficiência intelectual foi criada pelo médico Edward Seguin, que usava o método educacional originado da neurofisiologia, que consiste em uso dos recursos didáticos como música, artes e cores para assim despertar a motivação dos alunos. O século XX foi marcado pela a declaração dos direitos humanos(1948), que assegura a educação pública e gratuita para toda a sociedade juntamente com o movimento nacional de defesa dos direitos das pessoas com deficiência, que por sua vez defendem as oportunidades educacionais iguais para todos. Surge então o documento Declaração de Salamanca (1994), fortalecendo as políticas inclusivas, no qual segundo esse documento, necessidades educacionais especiais vão além de crianças com deficiência no âmbito escolar. A Declaração de Salamanca inclui também todas as crianças que por algum motivo não tem acesso à escola, afirmando ainda que o princípio fundamental da escola inclusiva é o de que todas as crianças devem aprender juntas, sempre que possível, independentemente de quaisquer dificuldades ou diferenças que elas possam ter. A Lei de Diretrizes e Bases (BRASIL,1961), pela primeira vez supôs o direito dos 10 excepcionais a educação. O atendimento educacional para as pessoas com deficiências passa ser regido pela Lei Nº4.024/61, que trata dos direitos de educação, preferencialmente dentro do sistema regular de ensino. Integração ainda A Constituição Federal (BRASIL,1988) determina o atendimento educacional especializado aos portadores de deficiências, preferencialmente na rede regular. Ela ainda determina a obrigatoriedade de matricula de alunos com deficiências nos estabelecimentos públicos ou particulares oficiais, de forma que todas as diferenças fiquem juntas em uma mesma sala de aula. A LDB, Lei N° 9394(BRASIL,1996), em concordância com as legislações e documentos anteriores que amparam a inclusão educacional, menciona em seu art. 58, que a oferta da educação especial deve ser oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para os educandos com necessidades especiais, havendo quando necessário, apoio especializado para atender as peculiaridades da clientela de educação especial. Não sendo possível sua inclusão nas classes comuns, o atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sendo que a oferta da educação especial é dever constitucional do Estado, tendo início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil. Do mesmo modo, quanto às incumbências dos sistemas de ensino, o artigo 59, caput e incisos, da Lei 9394 (BRASIL,1996), traz que as instituições de ensino devem assegurar aos educandos os recursos necessários de forma a atender suas necessidades, como os currículos, métodos e técnicas, recursos educativos e organização específica, assim como, professores capacitados e especializados que possam atender a esses alunos. Além de educação especial para o trabalho visando a sua efetiva vida em sociedade, condições adequadas para aqueles que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo. A inclusão é a nossa capacidade de entender e reconhecer o outro. A educação 11 inclusiva acolhe todas as pessoas, sem exceção, abrangendo tanto quem tem deficiência física, como os que têm comprometimento mental, ou são superdotados, enfim todas as minorias e crianças que são discriminadas por qualquer outro motivo. Inclusão está muito alémde ser apenas uma necessidade, ela é um fator imprescindível para o desenvolvimento de uma sociedade e seu convívio interpessoal. É a forma de enxergar o outro como um ser humano igual a todos nós. Portanto apesar de haver grandes avanços na competência conceitual, ainda existe os preconceitos e estereótipos acerca de pessoas com deficiências construídos culturalmente. Essas barreiras são por diversas vezes firmadas no conceito de negação das possibilidades dessas pessoas, acreditando assim em suas limitações e incapacidades. São pré- conceitos que devemos, e podemos interromper. Legislação e Educação no Brasil As pessoas com deficiências todos os dias esbarram em dificuldades causadas pela falta de acessibilidades, das quais pode parecer simples para quem não tem deficiência alguma, porém é uma barreira enorme para quem precisa. Pode ser a falta de uma rampa de acesso para um cadeirante. A falta de um cardápio em braile para pessoa cega. E quando uma pessoa surda precisa resolver algo e não tem mais ninguém que entenda e se comunique em libras no local? Existe diversas leis sobre acessibilidade e inclusão, porém não é suficiente e nossa luta tem que ser constante. Como dito anteriormente, a atual Constituição Brasileira tem possui o foco de garantir os direitos das pessoas no Brasil, juntamente com os das pessoas com deficiência. E por causa dela, surgiu várias leis e decretos mais específicos sobre a inclusão e sua acessibilidade. . Em 2000, entrou em vigor a Lei Nº 10.098. A lei que foi em sua totalidade feita 12 para exigir a acessibilidade. Assegurando o direito de autonomia das pessoas com deficiências. Quando falamos sobre leis completas sobre acessibilidade, a que se encaixa melhor nesse perfil é a LBI (Lei Brasileira de Inclusão), onde teve inspiração em uma convenção da ONU sobre direito das pessoas com deficiência. Deixando assim a LBI como a mais ampla. Em um dos seus capítulos, ela aborda a proibição a escolas que cobravam valores adicionais para ter recursos de acessibilidade e inclusão. Ela ainda reafirma que o sistema educacional deve ser inclusivo em todos os níveis de escolaridade. BRASIL - 1961 – Lei Nº 4.024: A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) fundamentava o atendimento educacional às pessoas com deficiência, chamadas no texto de “excepcionais” (atualmente, este termo está em desacordo com os direitos fundamentais das pessoas com deficiência). Segue trecho: “A Educação de excepcionais, deve, no que for possível, enquadrar- se no sistema geral de Educação, a fim de integrá-los na comunidade”. 1971 – Lei Nº 5.692: A segunda lei de diretrizes e bases educacionais do Brasil foi feita na época da ditadura militar (1964-1985) e substituiu a anterior. O texto afirma que os alunos com “deficiências físicas ou mentais, os que se encontrem em atraso considerável quanto à idade regular de matrícula e os superdotados deverão receber tratamento especial”. Essas normas deveriam estar de acordo com as regras fixadas pelos Conselhos de Educação. Ou seja, a lei não promovia a inclusão na rede regular, determinando a escola especial como destino certo para essas crianças. 1988 – Constituição Federal: O artigo 208, que trata da Educação Básica obrigatória e gratuita dos 4 aos 17 anos, afirma que é dever do Estado garantir “atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”. Nos artigos 205 e 13 206, afirma-se, respectivamente, “a Educação como um direito de todos, garantindo o pleno desenvolvimento da pessoa, o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho” e “a igualdade de condições de acesso e permanência na escola”. 1989 – Lei Nº 7.853: O texto dispõe sobre a integração social das pessoas com deficiência. Na área da Educação, por exemplo, obriga a inserção de escolas especiais, privadas e públicas, no sistema educacional e a oferta, obrigatória e gratuita, da Educação Especial em estabelecimento público de ensino. Também afirma que o poder público deve se responsabilizar pela “matrícula compulsória em cursos regulares de estabelecimentos públicos e particulares de pessoas portadoras de deficiência capazes de se integrarem no sistema regular de ensino”. Ou seja: excluía da lei uma grande parcela das crianças ao sugerir que elas não são capazes de se relacionar socialmente e, consequentemente, de aprender. O acesso a material escolar, merenda escolar e bolsas de estudo também é garantido pelo texto. 1990 – Lei Nº 8.069 Mais conhecida como Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei Nº 8.069 garante, entre outras coisas, o atendimento educacional especializado às crianças com deficiência preferencialmente na rede regular de ensino; trabalho protegido ao adolescente com deficiência e prioridade de atendimento nas ações e políticas públicas de prevenção e proteção para famílias com crianças e adolescentes nessa condição. 1994 – Política Nacional de Educação Especial Em termos de inclusão escolar, o texto é considerado um atraso, pois propõe a chamada “integração instrucional”, um processo que permite que ingressem em classes regulares de ensino apenas as crianças com deficiência que “(...) possuem condições de acompanhar e desenvolver as atividades curriculares programadas do ensino comum, no mesmo ritmo 14 que os alunos ditos «normais” (atualmente, este termo está em desacordo com os direitos fundamentais das pessoas com deficiência). Ou seja, a política excluía grande parte dos alunos com deficiência do sistema regular de ensino, “empurrando-os” para a Educação Especial. 1996 – Lei Nº 9.394 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) em vigor tem um capítulo específico para a Educação Especial. Nele, afirma-se que “haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de Educação Especial”. Afirmando também que “o atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a integração nas classes comuns de ensino regular”. 1999 – Decreto Nº 3.298 O decreto regulamenta a Lei nº 7.853/89, que dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência e consolida as normas de proteção, além de dar outras providências. O objetivo principal é assegurar a plena integração da pessoa com deficiência no “contexto socioeconômico e cultural” do País. Sobre o acesso à Educação, o texto afirma que a Educação Especial é uma modalidade transversal a todos os níveis e modalidades de ensino e a destaca como complemento do ensino regular. 2001 – Lei Nº 10.172 O Plano Nacional de Educação (PNE) anterior, criticado por ser muito extenso, tinha quase 30 metas e objetivos para as crianças e jovens com deficiência. Entre elas, afirmava que a Educação Especial, “como modalidade de Educação escolar”, deveria ser promovida em todos os diferentes níveis de ensino e que “a garantia de vagas no ensino regular para os 15 diversos graus e tipos de deficiência” era uma medida importante. 2001 – Resolução CNE/CEB Nº 2 O texto do Conselho Nacional de Educação (CNE) institui Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. Entre os principais pontos, afirma que “os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma Educação de qualidade para todos”. Porém, o documento coloca como possibilidade a substituição do ensino regular pelo atendimento especializado. Considera ainda que o atendimento escolar dos alunos com deficiência tem início na Educação Infantil, “ assegurando-lhes os serviços de educação especial sempre que se evidencie, mediante avaliação e interação com a famíliae a comunidade, a necessidade de atendimento educacional especializado”. RESOLUÇÃO CNE/CEB Nº 02/2001 Art. 7º Em todas as instituições de ensino e educação, os currículos deverão ajustar- se às condições do educando com necessidades educacionais especiais, à luz do disposto nos artigos 24, 26 e 32 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diretrizes Curriculares Nacionais par Educação Especial 17/02/2001 7 Art. 8º A organização e a operacionalização dos currículos escolares são da competência e responsabilidade dos estabelecimentos de ensino, em seus projetos políticos pedagógicos, incluindo neles as disposições necessárias para o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos, atendidas, além das Diretrizes Curriculares Nacionais, as normas dos respectivos sistemas de ensino. § 1º - como modalidade das etapas da Educação Básica, a Educação Especial 16 considerará as situações singulares, os perfis dos estudantes, as faixas etárias e se pautará pelos princípios éticos, políticos e estéticos de modo a assegurar: 1. a conquista da dignidade humana, ou seja, o direito de cada aluno de ter a oportunidade de realizar, com maior autonomia, seus projetos; 2. a busca da identidade, ou seja, a identificação própria de cada um, o reconhecimento e a valorização das suas diferenças, de suas necessidades educacionais em seu processo formativo; da valorização da potencialidade de cada um, do desenvolvimento de seus conhecimentos e valores; 3. o exercício da cidadania , ou seja, a capacidade de participação social, política e econômica e sua ampliação, mediante o cumprimento e o usufruto dos direitos; § 2º - É facultado ao aluno surdo efetivar sua educação por meio da língua portuguesa e da língua de sinais, com base em seu histórico de vida e na opção dos pais e do próprio educando. Art. 9º Os Projetos Pedagógicos, independentes da etapa ou modalidade da educação básica, deverão conter as disposições mínimas para o atendimento prioritário às necessidades educacionais especiais de alunos. Art. 10º Cabe aos Sistemas de Ensino, estabelecer normas para o funcionamento de suas escolas, a fim de que essas tenham as suficientes condições para elaborar Diretrizes Curriculares Nacionais par Educação Especial 17/02/2001 sua proposta política pedagógica e contar com professores capacitados e especializados conforme prevê o art. 59 da LDB. § 1º São considerados professores capacitados para atuar em classes comuns com alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, aqueles que comprovarem, mediante histórico escolar, que foram incluídos conteúdos ou disciplinas sobre esse tema em sua formação inicial ou continuada. § 2º São considerados professores especializados para atuar nos serviços de educação especial, aqueles que comprovarem a formação em cursos de licenciatura com 17 habilitação específica na área ou, então, em cursos de pós-graduação em educação especial. 3º Consideram-se também especialistas em educação especial os egressos de cursos normais de nível médio, com ênfase em educação especial. § 4º Consideram-se, ainda, especialista em educação especial os egressos dos cursos de licenciatura ou normal de nível médio que tenham participado de cursos de educação continuada em educação especial. Art. 11º A formação de professores para a Educação Especial, na graduação terá como base as diretrizes curriculares nacionais de todas as etapas da educação básica e as diretrizes curriculares nacionais para a formação de professores, contemplando: 1. ambiente institucional 2. investigação dos problemas dessa modalidade de educação buscando oferecer soluções teoricamente fundamentadas e socialmente contextualizadas. 3. desenvolvimento de práticas educativas que correlacionam teoria e prática. 4. utilização de métodos e técnicas que contemplem códigos e linguagens apropriados às situações específicas de aprendizagem, que incluam: A) no caso de surdez – capacitação em Língua Portuguesa e em Língua de Sinais; B) no caso de cegueira – capacitação no uso do código braille; C) no caso de surdo-cegueira – capacitação para o uso de Língua de Sinais digital, tadoma... Art. 12º É facultado às instituições escolares viabilizar ao aluno com grave deficiência mental ou múltipla, que não apresentar resultados de escolarização previstos no Inciso I do Art. 32 da LDB, terminalidade específica do ensino médio, por meio da certificação de conclusão de escolaridade, com histórico escolar que apresente, de forma descritiva, as habilidades atingidas pelo educando, respeitada a legislação existente, esgotadas as possibilidades pontuadas no art. 24 e 26 da Lei 9.394/96 e de acordo com o regimento e a proposta pedagógica da escola 18 2002 – Resolução CNE/CP Nº1/2002 A resolução dá “diretrizes curriculares nacionais para a formação de professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena”. Sobre a Educação Inclusiva, afirma que a formação deve incluir “conhecimentos sobre crianças, adolescentes, jovens e adultos, aí incluídas as especificidades dos alunos com necessidades educacionais especiais”. 2002 – Lei Nº 10.436/02 Reconhece como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais (Libras). 2005 – Decreto Nº 5.626/05 Regulamenta a Lei Nº 10.436, de 2002 2006 – Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos Documento elaborado pelo Ministério da Educação (MEC), Ministério da Justiça, Unesco e Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Entre as metas está a inclusão de temas relacionados às pessoas com deficiência nos currículos das escolas. 2007 – Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) No âmbito da Educação Inclusiva, o PDE trabalha com a questão da infraestrutura das escolas, abordando a acessibilidade das edificações escolares, da formação docente e das salas de recursos multifuncionais. 19 2007 – Decreto Nº 6.094/07 O texto dispõe sobre a implementação do Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação do MEC. Ao destacar o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos com deficiência, o documento reforça a inclusão deles no sistema público de ensino. 2008 – Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva Documento que traça o histórico do processo de inclusão escolar no Brasil para embasar “políticas públicas promotoras de uma Educação de qualidade para todos os alunos”. 2008 – Decreto Nº 6.571 Dispõe sobre o atendimento educacional especializado (AEE) na Educação Básica e o define como “o conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e pedagógicos organizados institucionalmente, prestado de forma complementar ou suplementar à formação dos alunos no ensino regular”. O decreto obriga a União a prestar apoio técnico e financeiro aos sistemas públicos de ensino no oferecimento da modalidade. Além disso, reforça que o AEE deve estar integrado ao projeto pedagógico da escola. 2009 – Resolução Nº 4 CNE/CEB O foco dessa resolução é orientar o estabelecimento do atendimento educacional especializado (AEE) na Educação Básica, que deve ser realizado no contraturno e preferencialmente nas chamadas salas de recursos multifuncionais das escolas regulares. A resolução do CNE serve de orientação para os sistemas de ensino cumprirem o Decreto Nº 6.571. 20 2011 - Decreto Nº 7.611 Revoga o decreto Nº 6.571 de 2008 e estabelece novas diretrizes para o dever do Estado com a Educação das pessoas público-alvo da Educação Especial. Entre elas, determina que sistema educacional seja inclusivo em todos os níveis, que o aprendizado seja ao longo de toda a vida, e impede a exclusão do sistema educacional geral sob alegação de deficiência. Também determina que o Ensino Fundamental seja gratuito e compulsório, asseguradas adaptações razoáveis de acordo com as necessidades individuais, que sejam adotadas medidas de apoio individualizadase efetivas, em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social, de acordo com a meta de inclusão plena, e diz que a oferta de Educação Especial deve se dar preferencialmente na rede regular de ensino. 2011 - Decreto Nº 7.480 Até 2011, os rumos da Educação Especial e Inclusiva eram definidos na Secretaria de Educação Especial (Seesp), do Ministério da Educação (MEC). Hoje, a pasta está vinculada à Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi). 2012 – Lei nº 12.764 A lei institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. 2014 – Plano Nacional de Educação (PNE) A meta que trata do tema no atual PNE, como explicado anteriormente, é a de número 4. Sua redação é: “Universalizar, para a população de 4 a 17 anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, o acesso à 21 educação básica e ao atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo, de salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados”. O entrave para a inclusão é a palavra “preferencialmente”, que, segundo especialistas, abre espaço para que as crianças com deficiência permaneçam matriculadas apenas em escolas especiais. 2019 - Decreto Nº 9.465 Cria a Secretaria de Modalidades Especializadas de Educação, extinguindo a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi). A pasta é composta por três frentes: Diretoria de Acessibilidade, Mobilidade, Inclusão e Apoio a Pessoas com Deficiência; Diretoria de Políticas de Educação Bilíngue de Surdos; e Diretoria de Políticas para Modalidades Especializadas de Educação e Tradições Culturais Brasileiras. Internacional 1990 – Declaração Mundial de Educação para Todos No documento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), consta: “as necessidades básicas de aprendizagem das pessoas portadoras de deficiências requerem atenção especial. É preciso tomar medidas que garantam a igualdade de acesso à Educação aos portadores de todo e qualquer tipo de deficiência, como parte integrante do sistema educativo”. O texto ainda usava o termo “portador”, hoje não mais utilizado. 1994 – Declaração de Salamanca O documento é uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) e foi concebido na Conferência Mundial de Educação Especial, em Salamanca (Espanha). O texto trata de princípios, políticas e práticas das necessidades educativas especiais, e dá orientações 22 para ações em níveis regionais, nacionais e internacionais sobre a estrutura de ação em Educação Especial. No que tange à escola, o documento aborda a administração, o recrutamento de educadores e o envolvimento comunitário, entre outros pontos. 1999 – Convenção da Guatemala A Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência, mais conhecida como Convenção da Guatemala, resultou, no Brasil, no Decreto nº 3.956/2001. O texto brasileiro afirma que as pessoas com deficiência têm “os mesmos direitos humanos e liberdades fundamentais que outras pessoas e que estes direitos, inclusive o direito de não ser submetidas a discriminação com base na deficiência, emanam da dignidade e da igualdade que são inerentes a todo ser humano”. Novamente, o texto ainda utiliza a palavra “portador”, hoje não mais utilizado. Qual o Correto? PcD, PNE, Pessoa com necessidade Especial? O termo PcD (pessoa com deficiência) é bastante usado para se referir a uma pessoa que possui algum tipo de deficiência, porém, quando não se tem familiaridade com o assunto, o receio em usar determinadas expressões gera um pouco de insegurança. As pessoas têm medo de ofender ou constranger o próximo com palavras inadequadas. Os termos mais utilizados e mais buscados no Google são PPD – pessoa portadora de deficiência e PNE – portador de necessidade especial. Apesar de serem amplamente utilizados, não significa que estão corretos ou que são a forma mais adequada para se referir a uma pessoa. Atualmente, o termo oficial e CORRETO que foi definido pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito das Pessoas com Deficiência é PcD que significa Pessoa com Deficiência, pois ele esclarece que há algum tipo de deficiência sem que isso inferiorize quem a tem. Pessoa portadora de deficiência (PPD) ou Portador de Necessidades Especiais (PNE) são termos errados e devem ser evitados, uma vez que não transmite a realidade como deveriam. 23 Por que usar PcD e outros termos adequados? A maneira de se referir a pessoas com deficiência física, visual, auditiva ou intelectual pode demostrar um certo preconceito e criar uma barreira de comunicação. É preciso ter claro que deficiência não é sinônimo de doença, por isso o termo portador acaba sendo inadequado. A expressão necessidades especiais também remete à ideia de que as pessoas com deficiência deverão ser tratadas de forma diferente por que não possuem a mesma capacidade. A deficiência não é a mesma coisa que a ineficiência, e quando se trata de profissionais, as atividades desenvolvidas e a produtividade podem ser iguais ou até mesmo superiores, tudo dependerá se a pessoa tem perfil, da dedicação e empenho de cada colaborador e das condições de trabalho e inclusão oferecidas pelo empregador. Usar o termo adequado faz com que a pessoa a quem se refere não se sinta inferiorizada ou discriminada e evita algum tipo de constrangimento. Além disso, ao falar dos tipos de deficiência, não se deve impor barreira, havendo a necessidade de especificar a deficiência é possível descrever dentro de um contexto, sem que sejam usados termos pejorativos pode-se usar, por exemplo: pessoa com deficiência física. Também é possível trocar o sujeito da frase: Profissional com deficiência ou candidato com deficiência. Quem utiliza termos adequados consegue manter uma relação amigável com qualquer pessoa, além de se mostrar um conhecedor de causas que se preocupa com o próximo. Como se relacionar Por uma questão cultural e até por falta de informação no que se refere a inclusão das pessoas com deficiência, é comum ocorrer alguns deslizes nessa relação, por isso, veja algumas dicas do que fazer ou não. 24 » Não tente vangloriar quem possui deficiência ou torná-lo um super herói. Ele é apenas alguém que pode ter os seus pontos fortes e fracos. » Nunca subestime uma pessoa devido a sua deficiência. Se você não sabe se ela será capaz de realizar alguma tarefa, pergunte. Também não tenha receio em questionar se precisará de alguma aptação/acessibilidade. Por exemplo, cadeirantes precisam de rampas de acesso ou mesas com altura diferenciada e para eles isso não é um problema, a inclusão se faz com a pessoa! » Quando estiver conversando com uma pessoa com deficiência intelectual, fale um pouco mais pausadamente para que ele possa compreender o que foi dito e aguarde ele formular a resposta sem o interromper. » Ao conversar com uma pessoas com deficiência visual, se identifique; se houver outras pessoas, não se esqueça de mencioná-las » Nem sempre pessoas com deficiência precisam de ajuda. Por isso, sempre pergunte antes de sair dando o braço a um cego ou empurrando uma cadeira de rodas. Espere que a pessoa responda e em caso positivo questione a maneira correta de proceder. » Escolha o termo correto para se referir à pessoa com deficiência (PcD) para evitar constrangimento para as partes. Em situações que não souber como lidar com a questão, é mais indicado questionar como tratar ou agir do que parecer desrespeitoso ou ser ofensivo. 25 Módulo 02 Educação Especial – Modalidade de Ensino A educação escolar é dividida em dois níveis, segundo a LDB, em seu artigo 21: » Educação Básica »Educação Superior. A Educação Básica apresenta três etapas: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Educação Infantil l – creches (de 0 a 3 anos) e pré- escolas (de 4 e 5 anos) – É gratuita mas não obrigatória. É de competência dos municípios. Ensino Fundamental – anos iniciais (do 1 º ao 5 º ano) e anos finais (do 6º ao 9º ano) – É obrigatório e gratuito. A LDB estabelece que, gradativamente, os municípios serão os responsáveis por todo o ensino fundamental. Na prática os municípios estão atendendo aos anos iniciais e os Estados os anos finais. Ensino Médio – O antigo 2º grau (do 1 º ao 3º ano). É de responsabilidade dos Estados. Pode ser técnico profissionalizante, ou não. Já o Ensino Superior é de competência da União, podendo ser oferecido por Estados e Municípios, desde que estes já tenham atendido os níveis pelos quais é responsável em sua totalidade. Cabe a União autorizar e fiscalizar as instituições privadas de ensino superior. A educação brasileira conta ainda com algumas modalidades de educação, que perpassam todos os níveis da educação nacional. São elas: Educação Especial – Atende aos educandos com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino. 26 Educação a distância – Atende aos estudantes em tempos e espaços diversos, com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação. Educação Profissional e Tecnológica – Visa preparar os estudantes a exercer em atividades produtivas, atualizar e aperfeiçoar conhecimentos tecnológicos e científicos. Educação de Jovens e Adultos – Atende as pessoas que não tiveram acesso a educação na idade apropriada. Educação Indígena – Atende as comunidades indígenas, de forma a respeitar a cultura e língua materna de cada tribo. Então, como já falamos a cima, porem sempre bom reforçar que a educação especial é uma modalidade de ensino destinada a educandos que tem a necessidades de práticas educativas especiais no campo da aprendizagem, originadas quer de deficiência física, sensorial, mental ou múltipla, quer de características como altas habilidades ou superdotação. Apesar do atendimento preferencial na rede regular para os educandos com necessidades especiais, a legislação educacional considera a existência de atendimento especializado. Assim, quando não for possível a integração desses educandos em classes comuns do ensino regular, deve ser oferecido atendimento em classes, escolas ou serviços especializados A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional determina que os sistemas de ensino devem assegurar aos educandos com necessidades especiais: » Currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades; » Terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados; » Professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses 27 educandos nas classes comuns; » Educação especial para o trabalho, visando à sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgão oficiais e afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora; » Acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular. (art. 59) Dessa forma, a Educação Especial, de acordo com a atual Política do MEC, deve assegurar o Atendimento Educacional Especializado (AEE), que é definido pelo Decreto Federal 7.611/11, no § 1º do Art. 2º, alíneas I e II como: (…) conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e pedagógicos organizados institucional e continuamente, prestado das seguintes formas: 1. complementar a formação dos alunos com deficiência, Transtornos Globais do Desenvolvimento, como apoio permanente e limitado, no tempo e na frequência dos estudantes às Salas de Recursos Multifuncionais, doravante denominadas pela sigla SRM; 2. suplementar a formação de alunos com Altas Habilidades/ Superdotação. O Professor na Educação Especial Nós sabemos que a formação dos docentes para a educação especial e inclusiva não é realmente a melhor, porem isso deve mudar, a partir de nossa dedicação aos estudos e realmente colocar a mão na massa. Assim teremos uma educação qualidade e verdadeira para todos. Muitos professores relatam que não se sentem prontos para trabalhar com alunos com deficiências. O que é muito comum, pois em nossa formação em faculdade poucas vezes tivemos uma preparação significativa voltada para a realidade em sala de aula, principalmente voltado a educação especial. Quando na LDB vem escrito que “professores com especialização adequada em 28 nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular, capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns”. É definido que, os sistemas de ensino devem assegurar aos alunos com deficiências com professores capacitados. Precisamos da tão famosa formação continuada. Buscar se capacitar sempre, conhecer novos estudos e metodologias. Normalmente quando o professor atua em uma sala de aula regular comum, pode vir a ter um aluno com deficiência ou não. Porem quando você trabalha efetivamente em um atendimento especializado, é fato que você terá que dedicar totalmente sobre as deficiências e suas possibilidades. Entretanto não poderá atuar nos atendimentos contendo apenas a sua graduação. Estar em uma aula regular e trabalhar com a educação especial não é uma tarefa simples. A educação inclusiva é muito mais complexa do que parece. Precisa adaptar conteúdos, flexibilizar suas ações para atender todos os alunos e trabalhar em cima das potencialidades de cada aluno. Agora, se você professor deseja trabalhar no atendimento educacional especializado(AEE), é necessário fazer cursos específicos. Para assim poder também apoiar e instruir os professores do ensino regular. Formação Docente Continuada Os professores que já atuam, será que estão recebendo apoio para ter uma formação continuada? Existem caminhos e estudos depois de formados? É necessário continuar estudando? Os professores devem receber apoio dos gestores de onde trabalham para continuar sua formação. Existe alguns cominhos como, mestrados, pós-graduação e cursos de capacitação. É importante sempre continuar estudando e se atualizando, o mundo muda e as crianças também. E na área da inclusão todos os dias são descobertos novos recursos e novas 29 formas de atuar. O ideal seria uma parceria entre as universidades e escolas tanto publica como privada. Na vertente de trabalharem junto com as instituições escolares, possibilitando uma maior qualidade de ensino que perpetue. Com a formação continuada, o processo de aprendizagem e desenvolvimento do professor é constante e permeia o dia a dia da sala de aula. Dessa forma, o educador tem a oportunidade de refletir e aperfeiçoar as suas práticas pedagógicas e também de promover o protagonismo de seus alunos, potencializando assim o processo de ensino-aprendizagem. No âmbito escolar, o educador atualizado e em formação ininterrupta se torna um facilitador e não apenas um transmissor de informações. Além disso, a formação continuada ajuda o docente a se tornar cada vez mais capaz de se adaptar às rápidas e diversas mudanças do contexto educacional, contornando as dificuldades encontradas no dia a dia da sala de aula. Sendo assim, a formação continuada auxilia professores e gestão escolar a ponderar e melhorar todos os aspectos pedagógicos, propondoestratégias com a finalidade de sanar dificuldades e sugerindo mudanças significativas para toda a comunidade escolar. Quando o docente busca se aprimorar, ele abre espaço para novas práticas educacionais e com isso dá um novo significado ao espaço escolar. O educador que busca a evolução constante das suas competências desenvolve, por exemplo: » Didáticas de aulas mais dinâmicas na transmissão do conteúdo das disciplinas; » Maior engajamento dos alunos em atividades de aprendizagem; » Detecção mais fácil das dificuldades de aprendizagem e construção de novas estratégias para contorná-las. Assim, as práticas de aulas desatualizadas, caracterizadas por uma linguagem diferente daquela dos alunos, serão repensadas. Com isso, a dinâmica de aula melhora, bem como o engajamento dos alunos e a motivação destes com o processo de aprendizagem. 30 Um tema muito discutido ultimamente é a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que passa a ser o documento norteador das escolas de todo país. A BNCC coloca a formação continuada dos professores como pauta obrigatória nas escolas, o que torna essa formação ainda mais importante para as instituições. Por outro lado, a falta de tempo dos docentes é um fator que preocupa muitos diretores e coordenadores na hora de organizar um programa de formação para a sua equipe. Nesse cenário, novas possibilidades proporcionadas pela tecnologia têm oferecido alternativas que facilitam a implementação de uma cultura que valoriza a formação continuada em qualquer instituição. Existem, por exemplo, plataformas online como aqui a VALECUP que oferecem cursos voltados especificamente para a formação continuada de educadores. Alguns temas que podem ser trabalhados nesse tipo de curso são, por exemplo: » Capacitação em Educação especial » Alfabetização e Letramento para crianças com deficiências » Transtornos » Métodos de avaliação e acompanhamento do desempenho e desenvolvimento dos alunos. Uma das maiores vantagens dos cursos online para formação continuada é a sua flexibilidade: cada docente evolui nas capacitações de acordo com a sua rotina, de maneira presencial ou à distância, e consegue progredir por meio de pequenas entregas, conforme a sua disponibilidade. A formação continuada deve ser encarada como uma grande aliada dos educadores, uma vez que contribui para a evolução constante do trabalho do docente. Isso porque ela favorece a criação de novos ambientes de aprendizagem, dando novo significado às práticas pedagógicas. Além disso, com a BNCC ela também é elevada a ferramenta fundamental, que deve ser promovida pela escola. Da mesma forma que o mundo evolui de forma rápida e a tecnologia assume uma relevância cada vez maior no processo de aprendizagem, a formação de professores também acompanha essa evolução, por meio dos cursos de formação continuada online, por exemplo. 31 Alunos com Deficiência: Como Lidar Com Eles Em Sala de Aula? As ações pedagógicas devem respeitar todas as particularidades do aluno, pois cada um é único em suas características, que dependem de uma série de fatores dos aspectos de desenvolvimento físico e sócio emocional. Apesar de suas necessidades de aprendizagem acadêmica, os alunos nas diferentes áreas de abrangência da Educação Especial trazem conhecimentos de vida bastante valiosos, que precisam ser respeitados e valorizados. Os professores, devem acreditar na potencialidade deste aluno, estimulando a busca pelo conhecimento acadêmico, e intervindo positivamente no desenvolvimento de suas habilidades cognitivas e adaptativas, propondo um plano de intervenção pedagógica individualizado. O professor deve levar em consideração os aspectos emocionais, atribuindo-lhes o mesmo nível de importância das demais capacidades cognitivas e linguísticas. É necessário conhecer cada aluno na sua individualidade, respeitar o seu tempo, reconhecer aquilo que é importante para cada um, formar vínculo, ajudá-lo a se perceber e, principalmente, entender que a agressão nos momentos de agitação motora não se dirige a professores, mas sim, às manifestações sintomáticas da sua estrutura psíquica. No planejamento das intervenções, deve-se observar a natureza das dificuldades, considerando as severas ausências de interações, comunicação e linguagem e também as alterações de atenção, baixa frustração, ansiedade, hiperatividade e agressividade que podem apresentar. No atendimento ao aluno com deficiência física neuromotora é imprescindível conhecer suas formas de comunicação/interação, a fim de definir estratégias de ensino que desenvolvam as capacidades e o potencial, possibilitando assim sua participação nas situações práticas vivenciadas no cotidiano escolar. No atendimento específico ao aluno com Altas Habilidades/Superdotação, as atividades deverão ser organizadas, levando-se em conta os conhecimentos prévios, as áreas de interesse e habilidades do estudante. 32 O professor deve assumir o papel de motivador e articulador na busca de recursos que atendam à necessidade de aprendizagem do aluno, sensibilizando-o na construção do conhecimento e propiciando ambiente socioafetivo favorável ao alcance da autonomia intelectual, moral e social, utilizando- se de todos os recursos disponíveis. Estrutura Escolar Porém, antes de ocorrer a aula, será que nossas escolas estão preparadas para receber alunos com deficiência? Você sabia a escola que deve se adaptar ao aluno, e não ao contrário? Quantas vezes já ouvimos “ ah, mas esse aluno não consegue se adaptar na escola! ”. Pois é a instituição que deve traçar meios e estratégias com objetivo de promover a educação inclusiva. Tanto na estrutura física como nas praticas dos professores. Em cada deficiência se abre um mundo do qual necessita de uma ajuda especifica, tanto em recursos didáticos, profissionais e estruturais. E é dever da escola amparar todos os âmbitos da necessidade. Por exemplo, os alunos que possuem o espectro autista, tem a garantia de um acompanhante especializado, pela Lei Berenice Piana, de número nº 12.764/2012. Essa lei ainda fala sobre a necessidade de professores do ensino regular serem capacitados para promover uma inclusão no contexto educacional, É necessário um trabalho multidisciplinar, onde escola, comunidade e equipe pedagógica trabalhe juntos. A inclusão deve ser em todas as esferas. Sala de Recursos Sala de Recursos são espaços (salas) destinados ao atendimento aos alunos com necessidades educacionais especiais que estão inseridos na educação regular por meio da 33 política de Educação Inclusiva. Trata-se de salas com materiais diferenciados, além de contar com profissionais preparados especificamente para o atendimento às diversas necessidades educativas especiais dos educandos. Tecnologias Especiais para Crianças com Necessidades Especiais A Educação Especial desenvolve-se em torno da igualdade de oportunidades, em que todos os indivíduos, independentemente das suas diferenças, deverão ter acesso a uma educação com qualidade, capaz de responder a todas as suas necessidades. Desta forma, a educação deve-se desenvolver de forma especial, numa tentativa de atender às diferenças individuais de cada criança, através de uma adaptação do sistema educativo. A evolução das tecnologias permite cada vez mais a integração de crianças com necessidades especiais nas nossas escolas, facilitando todo o seu processo educacional e visando a sua formação integral. No fundo, surge como uma resposta fundamental à inclusão de crianças com necessidades educativas especiais num ambiente educativo. Como uma das respostas a estas necessidades surge a utilização da tecnologia, com o desenvolvimento da Informática veio a se abrir um novo mundo recheado de possibilidades comunicativas e de acesso à informação, manifestando-se como um auxílio a pessoas com necessidades educativas especiais. A tecnologia deve ser encarada como umelemento cognitivo capaz de facilitar a estruturação de um trabalho viabilizando a descoberta, garantindo condições propícias para a construção do conhecimento. Na verdade, são inúmeras as vantagens que advêm do uso das tecnologias no campo do ensino –aprendizagem no que diz respeito a crianças especiais. Assim, o uso da tecnologia pode despertar em crianças especiais um interesse e a motivação pela descoberta do conhecimento tendo em base as necessidades e interesses das crianças. A deficiência deve ser encarada não como uma impossibilidade, mas como uma força, onde o uso das tecnologias desempenha um papel significativo. 34 Vantagens O uso das tecnologias no campo do ensino-aprendizagem traz inúmeras vantagens no que respeita às crianças com necessidades especiais, permitindo: » Alargar horizontes levando o mundo para dentro da sala de aula; » Aprender fazendo; » Melhorar capacidades intelectuais, tais como a criatividade e a eficácia; » Permitir que um professor ensine simultaneamente em mais de um local; » Permitir vários ritmos de aprendizagem numa mesma turma; » Motivar o aluno a aprender continuamente, pois utiliza um meio com que ele se identifica; » Proporcionar ao aluno os conhecimentos tecnológicos necessários para ocupar o seu lugar no mundo do trabalho; » Aliviar a carga administrativa do professor, deixando mais tempo livre para dedicar ao ensino e à ajuda a nível individual; » Estabelecer a ponte entre a comunidade e a sala de aula. » A adaptação do sistema educativo » A adaptação do sistema educativo a crianças com necessidades especiais deve procurar: Incentivar e promover a aplicação das tecnologias da informação e comunicação ao sistema de ensino. Promover a utilização de computadores pelas crianças e jovens com necessidades especiais integrados no ensino regular, criar áreas curriculares específicas para crianças e jovens de fraca incidência e aplicar o tele-ensino dirigido a crianças e jovens impossibilitados de frequentar o ensino regular. Adaptar o ensino das novas tecnologias às crianças com necessidades especiais, preparando as escolas com os equipamentos necessários e promovendo a adaptação dos programas escolares às novas funcionalidades disponibilizadas por estes equipamentos. Promover a criação de um programa de formação sobre a utilização das tecnologias da informação no apoio às crianças com necessidades especiais, destinados a médicos, terapeutas, professores, auxiliares e outros agentes envolvidos na adequação da tecnologia às necessidades das crianças 35 Como Incluir os Alunos com Deficiência? Não é tão simples quando a leitura desse material, a pratica com toda certeza é essencial para você desenvolver meios de ensino e técnicas próprias. Aqui tem algumas dicas para dar o primeiro passo que a Rita Macedo do blog canaldoensino pode de forma prática compilar em forma de material de estudo e de didática. Conheça o seu aluno Antes de tudo, é importante olhar e estudar os laudos médicos do seu aluno. Se ele precisará de interpretes ou um professor de apoio. Converse com os pais para saber mais informações sobre como a criança é no dia a dia, o que ela gosta ou o que você pode fazer para ajuda a evitar que haja alguma crise durante a aula. Inclusão nas atividades Independente da deficiência que esse aluno pode ter, sempre é possível inclui-lo em algum momento da aula. Seja em brincadeiras ou atividades. Explore junto com a turma todas as potencialidades. Fique amigo do seu aluno Esse aluno irá precisar uma atenção diferenciada, por isso sente ele próximo a você. Apenas tome cuidado para não trata-lo de forma que ele se sinta intimidado ou muito diferente dos demais. Lidar com o estudante deficiente com dó, pode gerar um desconforto muito grande. Aproveite essa aproximação para conversar, conhecer os interesses e preferencias. Seja amigável, use os interesses desse aluno em material da sua aula, para assim ajudar na atenção e desenvolvimento. 36 Trabalhe as diferenças É imprescindível trabalhar a diversidade, aceitação, bullying com sua turma. O primeiro passo para trabalhar a inclusão é o conhecimento, de aulas sobre isso para seus alunos. Encoraje-os a ajudarem o colega com deficiência a lidar com suas dificuldades e na socialização. Isso facilita o processo de acolhimento, tornando seus colegas mais sensíveis e solidários. Otimize a comunicação com alunos que possuem deficiência Sempre use o significado denotativo das palavras quando quiser se comunicar com seu aluno. Eles gostam de entender tudo o que se diz no sentido literal das palavras, portanto seja muito objetivo! Para os alunos com deficiência auditiva, é preciso atentar também à comunicação. Ainda que você não domine a linguagem dos sinais, tenha boa vontade para estabelecer contato por meio de expressões faciais, gestos, desenhos etc. Use jogos didáticos e atividades lúdicas Autistas gostam da sensação do jogo, de lidar com suas regras e de chegar a objetivos predefinidos. No entanto, tome cuidado para que eles não se fixem na atividade por muito tempo e percam o foco no objetivo da aula. Proponha atividades para que haja a inclusão no grupo social dos colegas, dando preferência ao desenvolvimento do raciocínio lógico. Não se esqueça de trabalhar a construção de vínculos afetivos por meio da interação dos alunos nas atividades. Mantenha a calma Por mais que em alguns momentos, possa ser difícil, é fundamental que o professor mantenha a calma em sala de aula, pois, todas as vezes que ele se exalta os alunos tendem a se comportar mal, e o controle que esse professor tinha sobre a turma, pode ser prejudicado. Além disso, há casos de pessoas com necessidades especiais que em momentos de estresse, ficam agressivas e isso pode gerar uma situação desagradável. O professor de educação especial precisa ter múltiplas funções Exatamente devido as possíveis crises de agressividade de alguns alunos especiais (lembrando que isso não é uma regra, é um exemplo), entre outros problemas, o professor de educação especial precisa assumir diversas funções, ou seja, ora ele é professor, ora ele é um 37 orientador dos pais, ora ele é psicólogo que precisa acalmar os ânimos. Seja flexível Devido as inúmeras dificuldades que seus alunos possam apresentar, o professor precisa ser flexível, ou seja, ele tem que se adaptar e adaptar a sua didática para que todos os alunos possam compreender e aprender o conteúdo dado em sala de aula. Isso talvez seja o que mais estimule um professor de educação especial a continuar dando aulas, é ele saber que as aulas nunca serão as mesmas, é saber que cada aluno entende de um jeito e ter que estudar uma forma de fazer com que todos entendam o conteúdo. Você já pensou que essas formas diferentes de passar um conteúdo novo, fazem com que os demais alunos fixem mais o conteúdo da aula, já que ele verá a explicação da matéria mais de uma vez e de maneiras diferentes? Planeje aulas divertidas Quando você for planejar suas aulas e principalmente quando for aplicar essas aulas, tente fazer de uma forma divertida e descontraída, assim, além de você conseguir chamar a atenção de todas as crianças para você, ainda vai conseguir tornar a aula mais ativa e menos maçante. Uma aula mais divertida estimula o aluno a querer aprender mais sobre determinado conteúdo, principalmente, aqueles considerados mais complexos por alguns alunos, sejam eles com ou sem necessidades especiais. Trabalhe o respeito em sala de aula Esse talvez seja um dos maiores desafios dos professores de educação especial, isso porque, há muito alunos que chegam na escola com aquela ideia de preconceito em sua mente, e trabalhar o respeito aos alunos com necessidades especiais, fica mais difícil. Sabemos que a responsabilidade do professor não é educar e sim ensinar, mas a nossa realidade é outra, é exatamente nesses momentos que o professor se torna um educador,38 literalmente. No momento em que o professor ensina os alunos a tratar os alunos da educação especial com respeito e educação, é nesse momento que se cria a igualdade. O debate da inclusão deve acontecer dentro da escola Muitas escolas fazem a matrícula de alunos com necessidades especiais e deixam a responsabilidade apenas para o professor, sem se preocuparem com o desempenho desse aluno durante o ano letivo, e essa é uma grande falha da instituição. Trabalhar a educação especial em sala de aula, significa que toda a equipe da instituição de ensino, deve estar atenta àquele aluno em especial, e sempre que houver algum problema, todos possam sentar e discutir qual a melhor alternativa para lidar com aquela situação. Dessa forma, o professor consegue lidar com esse aluno de forma mais eficiente, a escola fica sabendo o que está acontecendo com seus alunos e os pais ficam mais tranquilos em saber que seus filhos estão sendo bem tratados. Foque nas competências e não nas limitações de seus alunos Muitas pessoas sempre observam a pessoa com necessidades especiais a partir de suas limitações, mas o que você professor, acha de observar seus alunos por meio de suas competências e trabalhar esses pontos fortes? Muitas crianças com necessidades especiais tem uma inteligência acima da média, cabe ao professor saber para qual área esse aluno pode se destacar mais e trabalhar para que essa competência seja aprimorada. Certamente o aluno se sentirá mais empenhado a estudar e aprender, a ponto de “esquecer” suas limitações. 39 Desafios do Professor de Educação Especial Sabemos que as dificuldades que um professor de educação especial passa, são ainda maiores. Dentre as reclamações de professores, as principais são: » Salas de aula cheias; » Tempo limitado e aulas “corridas”, sem tempo suficiente para identificarmos problemas e pensarmos em soluções para lidar com o aluno e, às vezes, com a família do mesmo; » Achar estratégias para incluir e envolver essas crianças; » Descobrir seus pontos fortes e fracos, múltiplas inteligências, etc; » Instituições de ensino oferecendo opções a estes alunos; » Trabalhar com “testes prontos”, que não estão adaptados para estes alunos; » Prover condições de trabalho que permitam acomodação às necessidades do aluno; » Trabalhar com as expectativas de forma diferente, encontrando uma forma de envolver este aluno, mas ainda continuando nosso trabalho com os outros alunos; » Trabalhar com estes alunos em níveis mais avançados (aulas de idiomas); » Falta de compreensão de turmas que reclamam da “lentidão” de uma aula que favoreça um aluno com necessidades especiais; » Grande esforço para integrar o aluno à turma e à aula, seguido de avaliação que trata a todos como iguais; » Baixa autoestima destes alunos com necessidades especiais; » Livros excessivamente calcados no paradigma visual. Apesar dessas dificuldades, nós professores nos empenhamos ao máximo, para desenvolver o trabalho de inclusão de alunos com necessidades especiais dentro da sala de aula. Estamos o nosso país mais inclusivo e com mais respeito a todos. 40 Módulo 03 Deficiências e Distúrbios Deficiência Intelectual Muita gente confunde deficiência intelectual e doença mental. Essa confusão é fácil de entender: os nomes são parecidos. Mas são duas coisas bem distintas. A deficiência intelectual, antigamente chamada de deficiência mental, não representa apenas um QI baixo, como muitos acreditam. Ela envolve dificuldades para realizar atividades do dia-a-dia e interagir com o meio em que a pessoa vive. Já a doença mental engloba uma série de condições que também afetam o desempenho da pessoa na sociedade, além de causar alterações de humor, bom senso e concentração, por exemplo. Isso tudo causa uma alteração na percepção da realidade. As doenças mentais podem ser divididas em dois grupos, neuroses e psicoses As neuroses são características encontradas em qualquer pessoa, como ansiedade e medo, porém exageradas. As psicoses são fenômenos psíquicos anormais, como delírios, perseguição e confusão mental. Alguns exemplos de doenças mentais são depressão, TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), transtorno bipolar e esquizofrenia. O tratamento das duas condições também é diferente. Uma pessoa com deficiência intelectual precisa ser estimulada nas áreas em que tem dificuldade. Os principais profissionais envolvidos são educadores especiais, psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. Medicamentos são utilizados quando a deficiência intelectual é associada a doenças como a epilepsia. Alguns dos profissionais também participam do tratamento da doença mental, como os psicólogos e terapeutas ocupacionais. Mas, além deles, é imprescindível o acompanhamento de um psiquiatra. Esse médico coordena o tratamento, além de definir a 41 medicação utilizada para controlar os sintomas apresentados pelo paciente. Em resumo, a principal diferença entre deficiência intelectual e doença mental é que, na deficiência intelectual, há uma limitação no desenvolvimento das funções necessárias para compreender e interagia com o meio, enquanto na doença mental, essas funções existem mas ficam comprometidas pelos fenômenos psíquicos aumentados ou anormais. É importante destacar que as duas podem se apresentar juntas em um paciente. Pessoas com deficiência intelectual podem ter, associada, doença mental. Sendo assim, o tratamento deve levar em conta as duas situações. A principal característica da deficiência intelectual são as limitações no funcionamento mental, que causam aprendizagem e desenvolvimento mais lentos. Deficiência intelectual é uma menor capacidade de compreender, aprender e aplicar informações e tarefas novas ou complexas. Pessoas com deficiência intelectual têm um funcionamento mental abaixo da média esperada para a idade, o que provoca um atraso na aprendizagem e no desenvolvimento desses indivíduos. Em geral, a criança tem mais dificuldade para interpretar conteúdos abstratos, o que exige estratégias diferenciadas por parte do professor Pessoas com deficiência intelectual ou cognitiva costumam apresentar dificuldades para resolver problemas, compreender ideias abstratas (como as metáforas, a noção de tempo e os valores monetários), estabelecer relações sociais, compreender e obedecer a regras, e realizar atividades cotidianas - como, por exemplo, as ações de autocuidado. A capacidade de argumentação desses alunos também pode ser afetada e precisa ser devidamente estimulada para facilitar o processo de inclusão e fazer com que a pessoa adquira independência em suas relações com o mundo. O retardo mental, denominado mais recentemente como deficiência intelectual 42 (DI), é um transtorno neurológico comum na infância e adolescência. Os déficits encontrados envolvem a cognição e o comportamento adaptativo, com início antes dos 18 anos. Inúmeras são as etiologias, desde fatores pré-natais, perinatais e pós-natais até os casos de origem genética. Muitas síndromes genéticas estão associadas. Não há tratamento específico. A assistência geral requer a participação de vários profissionais, tendo o pediatra como coordenador dos diversos encaminhamentos para outras especialidades, conforme as necessidades do quadro clínico. As principais características da deficiência intelectual são a falta de concentração, a dificuldade em interagir e se comunicar e a baixa capacidade de compreensão linguística (não compreendem a escrita ou precisam de um sistema de aprendizado especial). Na área motora, poderá haver alterações nos movimentos mais finos, dificuldades em manter o equilíbrio, dificuldade na coordenação motora, locomoção e manipulação de objetos. Na área cognitiva, as maiores dificuldades estão na concentração, memória e solução de problemas, o que torna o aprendizado mais lento. Quando à comunicação, a deficiência mental provoca dificuldadespara se expressar, fazendo com que a pessoa seja pouco compreendida. Já na área sócio educacional existe uma diminuição das interações sociais em ambiente escolar, uma vez que a idade mental está atrasada em relação à idade real. Alunos com Deficiência Intelectual na Escola Vem crescendo muito o número de alunos com deficiências matriculados nas redes regulares de ensino. O que deixa claro que em algum momento se você é professor, algum aluno com deficiências em sua turma. 43 Se isso te assusta, não se preocupe. É normal se sentir inseguro em relação ter um aluno com deficiência em sala de aula, ainda mais se você não teve experiência na área. O importante é ficar a tento a todos preconceitos e suposições que nos impedem de ver a realidade como ela é de fato. Como já dizia Vygotsky “Todas as crianças podem aprender e se desenvolver. As mais sérias deficiências podem ser compensadas com ensino apropriado” A realidade é que essas crianças, as com deficiência, são como qualquer outra criança, querem brincar, falar, abraçar, ouvir histórias, fazer amigos, mas que, como qualquer outra criança, apresentam dificuldades escolares e possuem seus próprios desafios. Esses desafios e dificuldades podem ser decorrentes da própria deficiência em si, ou ainda das limitações e privações causadas pela deficiência ou por crenças limitantes da família da criança em relação a suas possibilidades. Em geral, a deficiência intelectual traz mais dificuldades para que a criança interprete conteúdos abstratos. Isso exige estratégias diferenciadas por parte do professor, que diversifica os modos de exposição nas aulas, relacionando os conteúdos curriculares a situações do cotidiano, e mostra exemplos concretos para ilustrar ideias mais complexas. O professor é capaz de identificar rapidamente o que o aluno não é capaz de fazer. O melhor caminho para se trabalhar, no entanto, é identificar as competências e habilidades que a criança tem. Propor atividades paralelas com conteúdos mais simples ou diferentes, não caracteriza uma situação de inclusão. Em sala, também é importante a mediação do adulto no que diz respeito à organização da rotina. Falar para o aluno com deficiência intelectual, previamente, o que será necessário para realizar determinada tarefa e quais etapas devem ser seguidas é fundamental. O professor deve identificar as competências e habilidades que a criança tem e incentivá-las, ao invés de insistir no que o aluno não é capaz de fazer. 44 Deve redimensionar as formas de exposição, flexibilizar o tempo e usar estratégias diversificadas, como a ajuda dos colegas. Também é importante o auxílio do adulto para a organização da rotina, indicando para o deficiente quais etapas devem ser seguidas na realização de uma dada tarefa. A educação do aluno com necessidades educativas especiais almeja os mesmos objetivos da educação do aluno dito «não-especial». O que difere são os meios e as formas de se atingir esses objetivos Para isso é necessário pensar em uma educação enriquecida, criativa, que possa se utilizar de instrumentos diversos, inclusive os recursos tecnológicos produzidos pela vida moderna, para que esse sujeito desfrute de uma educação de alta qualidade. Recursos para comunicação Trata-se de um conjunto de ferramentas e recursos para atender pessoas sem escrita funcional e sem fala. Esses recursos são conhecidos por sistemas sem ajuda, que é quando se utiliza gestos e expressões faciais e sistemas com ajuda, em que há a utilização de fichários, pastas, prancha de comunicação e alguns itens tecnológicos, como vocalizadores. A comunicação alternativa é um dos principais elementos da educação especial inclusiva. Seguem as dicas para se comunicar com alunos com deficiência intelectual: » Fale com as crianças usando palavras simples, mas não palavras infantis. » Faça pedidos claros e precisos. » Mantenha-se calmo e esteja pronto para reformular seu pedido de várias maneiras. » Use exemplos concretos com frequência, ou seja, diminua a abstração. » Para confirmar se uma criança entendeu sua mensagem, discretamente peça para que ela repita. 45 Fazer o aluno compreender o que você fala é primordial! Exemplos concretos são sempre a melhor opção. Quanto menor o nível de abstração, melhor. A imagem abaixo ilustra bem o exemplo do caracol e dos níveis de abstração. Deficiência Física A deficiência física, é uma limitação por partes do funcionamento motor ou por todo o corpo. Com um comprometimento muscular junto com o neurológico. Afinal, para que ocorra uma paralisia, por exemplo, é necessário que o cérebro não consiga reconhecer os comandos enviados. Existem várias doenças e lesões que podem prejudicar o sistema motor e cerebral em níveis diferentes, produzindo assim vários graus de limitações motoras.. Além das dificuldades físicas como momento e suas funções, a deficiência afeta muitas vezes o bem estar da criança, o seu aprendizado, socialização e auto estima. As deficiências físicas são classificadas em: Paraplegia Perda total das funções motoras dos membros inferiores. Paraparesia Perda parcial das funções motoras dos membros inferiores. Monoplegia Perda total das funções motoras de um só membro (inferior ou posterior) Monoparesia Perda parcial das funções motoras de um só membro (inferior ou posterior) Tetraplegia Perda total das funções motoras dos membros inferiores e superiores. Tetraparesia Perda parcial das funções motoras dos membros inferiores e superiores. Triplegia Perda total das funções motoras em três membros. Triparesia Perda parcial das funções motoras em três membros. Hemiplegia Perda total das funções motoras de um hemisfériodo corpo (direito ou esquer- do) Hemiparesia Perda parcial das funções motoras de um hemisfério do corpo (direito ou es- querdo) Amputação Perda total ou parcial de um determinado membro ou segmento de membro. Paralisia Cerebral Lesão de uma ou mais áreas do sistema nervoso central, tendo como conse- quência alterações psicomotoras, podendo ou não causar deficiência mental. 46 Normalmente, a pessoa com a deficiência física depende de cadeira de rodas, ou muleta para se locomover, podendo, em razão disso, apresentar baixa autoestima. Pode haver também comprometimento de sua linguagem, aprendizagem e grafismo. Por essas razões, essas pessoas podem demandar condições especiais e assistência de monitores ou auxiliares de turma Deficiência Física no Processo Escolar Vem crescendo a cada dia o número de matriculas de alunos com alguma deficiência física na escola regular, e com certeza o movimento de inclusão e escola para todos vem colaborando muito sobre isso. Para que ocorra uma inclusão saudável e significativo, é necessário um apoio de família e suporte pedagógico adequado. Na escola, é primordial adequar a estrutura do prédio para receber alunos com diferentes deficiências físicas, como rampas, elevadores, corrimãos e banheiros adaptados. Na sala de aula, pode-se utilizar recursos especiais como engrossadores de lápis, apoios para os braços, tesouras adaptadas e quadros magnéticos. Se o deficiente físico, não possuir nenhum dano cerebral, é capaz de aprender normalmente, as suas limitações motoras podem atrasar um pouco em relação da dificuldade em executar algumas tarefas, principalmente de coordenação. Deficiência Visual Para ser considerado deficiência visual, é necessário ter comprometimento da visão parcialmente de 40% à 60% ou perca total. Pessoas com miopia, astigmatismo, hipermetropia e doenças que são possíveis de correção com lentes ou cirurgia, não são considerados deficientes visuais. De acordo com os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), os diferentes graus de deficiência são classificados em: 47 Baixa visão (leve, moderada ou profunda): Compensada com o uso de lentes de aumento, lupas o auxílio de bengalas e de treinamentos de orientação. Próximo à cegueira: Quando a pessoaainda é capaz de distinguir luz e sombra, mas já emprega o sistema braile para ler e escrever, utiliza recursos de voz para acessar programas de computador, locomove-se com a bengala e precisa de treinamentos de orientação e de mobilidade. Cegueira Quando não existe qualquer percepção de luz. O sistema braile, a bengala e os treinamentos de orientação e de mobilidade, nesse caso, são fundamentais. O diagnóstico de deficiência visual pode ser feito muito cedo, exceto nos casos de doenças degenerativas como a catarata e o glaucoma, que evoluem com o passar dos anos. Deficiência Visual no Processo Escolar Na escola um dos principais pontos para facilitar a aprendizagem da criança com deficiência visual é a organização dos objetos. De forma que facilite o acesso e mobilidade. Mantenha todos os moveis, como carteiras, mochilas, livros na mesma ordem e local. Se for muda-los de locais, sempre comunique previamente e sinalize os objetos para que sejam reconhecidos. O aluno cego, tem direito a usar materiais e recursos adaptados, como livros em braile e o reglete para escrever no caderno. Já na coordenação da escola é importante que tenha uma máquina braile e impressora adaptada para ajudar também o trabalho do professor. A alfabetização em braile, de forma inclusiva deve ocorrer de forma simultânea ao processo de alfabetização das outras crianças, porém, comum suporte educacional especializado. Vale lembrar que, de acordo com o Decreto 6.571, de 17 de setembro de 2008, o Estado tem o dever de oferecer apoio técnico e financeiro para que o atendimento especializado 48 esteja presente em toda a rede pública de ensino. Mas cabem ao gestor da escola e às Secretarias de Educação a administração e o requerimento dos recursos para essa finalidade. Oferecer ambientes adaptados, com sinalização em braile, escadas com contrastes de cor nos degraus, corredores desobstruídos e piso tátil, é mais uma medida importante para a inclusão de deficientes visuais. O entorno da escola também deve ser acessível, com a instalação de sinais sonoros nos semáforos e nas áreas de saída de veículos próximas da escola. Estratégias Pedagógicas que Podem Ser Utilizadas: » Compreender as dificuldades de percepção de detalhes que o aluno apresente e a necessidade de aproximação da lousa ou material pedagógico; » Facilitar a discriminação de detalhes, potencializando o contraste e a iluminação do material a ser discriminado; » Favorecer o desenvolvimento da consciência visual, ajudando o aluno a analisar e interpretar formas mais complexas de objetos e figuras; » Favorecer a ampliação do repertório visual do aluno, através de múltiplas experiências, incluindo até ajudas táteis e auditivas quando a visão não for suficiente; » Motivar o aluno a construir as imagens mentais a partir da experiência concreta com os objetos para a representação tridimensional e a representação simbólica; » Ajudar o aluno a compreender suas reais alterações de campo visual, as dificuldades com escotoma (ponto cego) buscando o melhor posicionamento de cabeça ou do material que favoreça melhor desempenho visual. Deficiência Auditiva Deficiência auditiva é a perda parcial ou total de audição. Pode ter causa genética causada por má formação na composição do aparelho auditivo, ou fatores externos como algum acidente ou doença não cuidada. Para ser considerado surdo, é necessário ter total perda da audição, e não conseguir ouvir nada. Já os que que conseguem ouvir, algo mesmo que seja apenas sons muito 49 altos e fortes, é considerado parcialmente surdo. Entre os tipos de deficiência auditiva estão a condutiva, mista, neurossensorial e central. A deficiência auditiva condutiva, ocorre quando há uma interferência na condução do som até a parte da orelha interna. Muitas vezes, é possível ser corregido por cirurgia. Quando é neurossensorial, ocorre uma impossibilidade da recepção do som na orelha interna ou nervo auditivo. Muitas vezes ocorre por lesão, e nesse caso é irreversível. Para ser considerado uma deficiência mista, deve ocorrer os dois tipos de perda auditiva: condutiva e neurossensorial. Já a deficiência auditiva central, não é necessariamente acompanhada de diminuição da sensitividade auditiva mas manifesta-se por diferentes graus de dificuldade na compreensão das informações sonoras. Pessoa com surdez leve – indivíduo que apresenta perda auditiva de até quarenta decibéis. Essa perda impede que o indivíduo perceba igualmente todos os fonemas das palavras. Além disso, a voz fraca ou distante não é ouvida. Em geral, esse indivíduo é considerado desatento, solicitando, frequentemente, a repetição daquilo que lhe falam. Essa perda auditiva não impede a aquisição normal da língua oral, mas poderá ser a causa de algum problema articulatório na leitura e/ou na escrita. Pessoa com surdez moderada – indivíduo que apresenta perda auditiva entre quarenta e setenta decibéis. Esses limites se encontram no nível da percepção da palavra, sendo necessária uma voz de certa intensidade para que seja convenientemente percebida. É frequente o atraso de linguagem e as alterações articulatórias, havendo, em alguns casos, maiores problemas linguísticos. Esse indivíduo tem maior dificuldade de discriminação auditiva em ambientes ruidosos. Em geral, ele identifica as palavras mais significativas, tendo dificuldade em compreender certos termos de relação e/ou formas gramaticais complexas. Sua compreensão verbal está intimamente ligada a sua aptidão para a percepção Pessoa com surdez severa – indivíduo que apresenta perda auditiva entre setenta 50 e noventa decibéis. Este tipo de perda vai permitir que ele identifique alguns ruídos familiares e poderá perceber apenas a voz forte, podendo chegar até aos quatro ou cinco anos sem aprender a falar. Se a família estiver bem orientada pela área da saúde e da educação, a criança poderá chegar a adquirir linguagem oral. A compreensão verbal vai depender, em grande parte, de sua aptidão para utilizar a percepção visual e para observar o contexto das situações. Pessoa com surdez profunda – indivíduo que apresenta perda auditiva superior a noventa decibéis. A gravidade dessa perda é tal que o priva das informações auditivas necessárias para perceber e identificar a voz humana, impedindo-o de adquirir a língua oral. Libras Quando falamos de língua materna, nos referimos a língua que é adquirida naturalmente pela criança, de acordo com seu ambiente familiar. Qualquer criança que não tem dificuldade na aprendizagem e seja ouvinte, consegue se comunicar de acordo com a linguagem que aprendeu. Para facilitar a comunicação com quem possui deficiência auditiva, foi criado a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). É uma língua utilizada pela comunidade surda, e possui estruturas e regionalismo próprio. Para conversar em LIBRAS não basta apenas conhecer os sinais de forma solta, é necessário conhecer a sua estrutura gramatical, combinando-os em frases. É comum que a maioria das crianças surdas, não tenham desde cedo o aprendizado de LIBRAS, muitas vezes a família também não possui tal conhecimento. Cabendo a escola em si, assumir a responsabilidade de oferece o ensino, tanto para o aprendizado educacional como social. Conforme o estabelecido na Resolução do CNE Nº 02/2001, a educação dos alunos com surdez pode ser bilíngue, facultando-lhes e às suas famílias a opção pela abordagem pedagógica que julgarem adequada. 51 É possível ter uma educação bilíngue para crianças com surdez, onde se é ensinado as duas formas da língua: a língua brasileira de sinais e a língua portuguesa, afinal é necessário para viver aprender também o nosso português. » Uma envolve o ensino das duas línguas, em momentos distintos, » A outra caracteriza-se pelo ensino da segunda língua somente após a aquisição da primeira língua. Deficiência Múltipla Em dados recentes, existem cerca de45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência no Brasil. E com certeza uma boa parte dessas pessoas ainda precisam de uma atenção maior por parte das políticas públicas e inclusivas. E dentro desse meio, ainda existem pessoas que convivem com dois ou mais tipo de deficiências ao mesmo tempo, é mais comum que possa imaginar, conhecido assim como deficiência múltipla. Então, a deficiência múltipla é associação de uma ou mais deficiências como física, mental, auditiva ou visual na mesma pessoa. As causas são as mais diversas possíveis, ocasionados por fatores gestacionais, acidentes, tumores etc. Porém, as infecções virais como rubéola e sarampo, algumas doenças sexualmente transmissíveis e as más-formações durante a gestação são as causas principais tanto em criança como em adultos. Como lidar com as crianças com deficiência múltipla na escola? No âmbito escolar, a criança precisa ser avaliada a partir das suas dificuldades junto com as potencialidades. É necessário ficar atento as competências do aluno om deficiência múltipla, e uma ótima forma de se comunicar e interagir com essa criança é através da estimulação sensorial. 52 Não pode faltar, de forma alguma um acompanhamento multidisciplinar, onde inclui escola, saúde e família. É muito importante ter um olhar em todas as áreas da vida da criança, para poder auxiliar em todas as esferas. Dessa forma, esse trabalho coletivo, ajuda a criar novas adaptações e recursos para auxiliar o aprendizado. Para que ocorra um desenvolvimento adequado, é importante que observe as peculiaridades de cada aluno. Não adianta apenas modificar o currículo, pois cada criança é única e suas necessidades também, como: » Atenção a postura da criança nas aulas, para não criar dores » Estimular sempre a comunicação » Deixar que ela interaja com pessoas » Trazer a vivencia da vida para sala de aula » Estruturar e organizar a sala de aula para que a criança possa se desenvolver A deficiência múltipla tem consequências para o desenvolvimento, porem pode ser amenizada com os cuidados e atenções necessárias. Quando bem estimulada em ambiente lúdico, atividades adaptadas e uma rede de profissionais capacitados, certamente ela terá mais qualidade de vida e de aprendizagem. Síndrome de Down É uma síndrome causada pela presença de três cromossomos 21 na maioria das células. Que ocorre na hora da concepção da criança. Todos que possuem síndrome de Down tem 47 cromossomos em suas células em vez de 46, como boa parte da população. Existe algumas características em comum com a maioria das pessoas que possuem essa síndrome, independente se é criança ou adulto, estão mais sucessivos alguns tipos de doença. Porém, como todos os seres humanos, possuem personalidades únicas. Diferentemente de como muitas pessoas acham, não é o comportamento dos pais que causa da síndrome de Down. É não tem nada que eles poderiam ter feito diferente para 53 mudar essa situação. Não é uma doença, e sim uma condição associada a algumas características próprias. A Síndrome de Down na Sala de Aula Não existe uma formula magica e engessada para lida com a inclusão dessas crianças em sala de aula, porem existe algumas formas que ajudam significativamente. A repetição das orientações e comandos, como reforço, é uma ótima forma para facilitar a compreensão, já que alguns demoram mais para entender. Aposte sempre em recursos visuais, o desempenho melhora muito quando as instruções, conteúdos e demais atividades são possíveis de serem visualizadas. Ilustrações grandes e chamativas são ótimas opções. A linguagem verbal, deve ser simples e clara. Em geral, as pessoas com síndrome possuem uma dificuldade de cumprir regras e obedecer a comandos. Entretanto isso não é justificava para fazer o que quiserem, eles devem seguir sim as regras como os outros alunos. Só que vocês podem estabelecer combinados mais simples e possíveis de realizar. Outro ponto importante é mandar as atividades no nível da capacidade da criança. Não force. Aumente gradativamente as dificuldades. Faça uma pausa entre as atividades, deixe ele se distrair um pouco até começar a próxima, isso ajuda a assimilação no cérebro, e criança cansada não desenvolve tão bem. Planeja com antecedência, conheça seu aluno e suas características. Valorize sempre os avanços e conquistas. Quando ele se sentir isolada do grupo ou pouco valorizado, a criança fica com desinteresse nas rotinas escolares, descumpre regras e pode até ficar agressiva. 54 Autismo É um distúrbio que compromete o desenvolvimento cerebral na área da comunicação e da interação social. Uma alteração comportamental que apresenta dificuldades na comunicação tanto verbal quanto a não verbal. De forma que a interação social fica comprometida. E mantêm um interesse restrito e estereotipados. E quer se permeará por toda a vida da pessoa. O autismo é considerado um Transtorno Mental e de Comportamento. Entretanto, algumas pessoas com autismo podem possuir também, uma deficiência Intelectual. Não são todos que possuem alterações intelectuais, algumas inclusive apresentam inteligência acima do normal. O TEA (Transtorno do Espectro Autista) é o termo que foi implementado desde 2013 para englobar todas os antigos transtornos que possuíam as mesmas características só que com diagnósticos diferente, conhecido também como termo “guarda-chuva”. Hoje em dia tudo é uma coisa só, o Autismo só que em graus diferentes. Devido as dificuldades de lidar com o ambiente social, algumas pessoas que possuem esse transtorno, podem apresentar um comportamento diferente. Onde seu comportamento incomum se deve a uma tentativa de se expressar e comunicar sobre algo ou situação. Os problemas comportamentais que podem ocorrer, derivam sua maioria a sensibilidade aos sons, ou algo que viu ou sentiu. Por isso, eles precisam tanto de uma rotina rígida no dia a dia, para reduzir as incertezas e conseguir entender melhor o mundo que o cerca. Nós seres humanos somos totalmente sociais. E isso faz parte da sobrevivência da nossa espécie, afinal precisamos nos comunicar e lidar com o outro desde sempre. Um bebê desde a barriga, o que é cientificamente comprovado, cria laços afetivos com a mãe, a partir do que ele é capaz de ouvir na gestação. Quando nasce precisa automaticamente de cuidados externos, ele procura o colo e o olhar, passa a ter um círculo de 55 confiança da qual ele se sente seguro e acolhido. Quando falamos na dificuldade comportamental social, me refiro aos marcos evolutivos esperados para cada faixa etária. Pois a cada momento que a criança cresce passa ter mais demandas sociais, de forma ficar mais evidente a sua dificuldade de se relacionar com as outras pessoas. Causas do Autismo Como já sabemos, o autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento. Significa que o cérebro quando começa a se desenvolver e formar ligações, ocorre uma cadeia de reações químicas, fazendo com que ocorra modificações nas células e na transmissão neural. Acontecendo assim vários prejuízos na área de comportamento e interação social. Causando um conjunto de sintomas específicos. É caracterizado por alterações presentes em seu desenvolvimento desde muito cedo, normalmente antes mesmo dos três anos de idade, sendo também mais comum em crianças do sexo masculino. Possui um impacto múltiplo e variável, afetando assim a comunicação, a interação social e a capacidade de adaptação. Quando mais cedo foi identificado, mais rapidamente se faz tratamentos para ajudar no desenvolvimento. As causas do TEA não são totalmente conhecidas. Mas hoje em dia está cada vez mais claro que a genética é um dos principais fatores que causam o autismo. Existem centenas de pesquisas em diversos lugares do mundo, que confirmam isso. De acordo com os estudos já tem mais de duzentos genes fazendo parte do transtorno do autismo. Em 90% dos casos diagnosticados, a causa doautismo é genética. Podendo ser herdado do pai e da mãe por ter um conjunto de variantes genéticos ou simplesmente, os genes das crianças podem sofrer uma mutação sem motivo aparente, sem receber dos pais. Quando os pais já possuem um filho com autismo, é comprovado que os mesmos possuem a chance de 18% de ter outro filho com o espectro. 56 Sintomas e Características Já que o autismo não é igual para cada criança, como podemos ficar atentos a suas características e sintomas? Bom, existem sinais que as crianças apresentam, muitas vezes antes mesmo de um ano de idade. Os marcos evolutivos do desenvolvimento infantil, é uma ciência que deve ser respeitada e analisada muito cuidadosamente, em cada idade a criança precisa apresentar algumas características. Se a mesma não demonstra o que se é esperado na faixa etária, apresentando alguns atrasos, devemos ficar em estado de alerta e fazer uma investigação mais detalhada. Mesmo sabendo que cada ser tem seu tempo, existem características que devem estar presentes. Nós precisamos ficar atentos com esses possíveis sinais de alerta para a possibilidade do transtorno de autismo. A presença de alguns desses sintomas, não significa que a criança seja autista, mas deve sinalizar a importância de uma avaliação comportamental mais detalhada. Duas coisas podem acontecer com uma criança com o TEA (Lembrando que nunca é igual para todo mundo, existem variações). A primeira é, ela nunca desenvolver as características sociais esperadas pela idade, ou desenvolver e a partir de dois anos, sofrer uma regressão e perder algumas conquistas alcançadas. Os bebês com o espectro, tendem a apresentar falta de interesse na voz humana e evitar o contato visual, e algumas vezes não demonstram expressões de afeto quando acariciados. E tende a imitar ou ri das gracinhas que comumente fazemos. Com um ano de idade a criança já precisa falar uma palavra com função (quando tem a intenção de se comunicar), ter gestos comunicativos como: apontar, chamar ou usar outros meios para se comunicar. Com dois anos ela precise que fale no mínimo duas palavras. Outras características que devemos observar nessa idade é a atenção compartilhada. Quando você mostra algo para a criança e ela consegue olhar para o que você mostrou e te olhar 57 de volta. Formando assim um triangulo de comunicação. Com um ano deve ter a referência social, já saber quem é mãe e o pai, gostar de ficar com eles, e buscar sempre os cuidadores. Quando vão ficando maiores, muitas vezes demonstram falta de interesse por brincar em grupos. Brincam de forma diferentes com seus brinquedos, preferindo algumas vezes girar a roda dos carrinhos ao invés de brincar de vai e vem com eles. Alguns possuem ações estereotipados como se mover para frente e para trás, movimentos circulares com as mãos, o habito de cheirar e lamber objetos e bater palmas de forma repetitivas. Pode ocorrer também a sensibilidade a barulhos e texturas. Como barulhos em alguns ambientes, texturas diferentes, por exemplo, massinha de modelar, tinta guache e muitas vezes texturas de alimentos. Desenvolvendo algumas vezes uma fala robotizada, onde não apresenta alteração de voz com entonações. Parecendo algumas vezes que ele não tem sentimentos. Ao contrário do que muitos pensam, a agressividade não é critério para o diagnóstico do Transtorno do espectro Autista. No manual mundial dos DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) a agressividade não entra como característica. O Ministério da Saúde afirma que como em qualquer patologia, os casos mais graves são diagnosticáveis com mais facilidade. No entanto, algumas crianças autistas possuem comportamento estranho, e por alguns considerável fora do normal. Algumas rejeitam o contato físico até mesmo de seus familiares. Outras, no entanto, buscam contato físico, de forma e exagerada, até mesmo com estranhos. De acordo com o livro O reizinho autista dos autores Mayra Gaiato e Gustavo Teixeira, temos uma série de características que associadas ao desenvolvimento de uma criança comum, devemos estar alertas para certos níveis de desenvolvimentos, sendo assim: 58 Sinais de alertas para cada idade: Aos quatro meses de idade: Não acompanha objetos que se movem na sua frente. Não sorri para pessoas. Não leva as mãos ou objetos a boca. Não responde a sons altos. Dificuldade em mover os olhos para todas as direções. Aos seis meses de idade: Não tenta pegar objetos que estão próximos. Não demonstra afeto por familiares. Não emite pequenas vocalizações. Aos nove meses de idade: Não senta, mesmo com auxílio. Não balbucia. Não reconhece o próprio nome. Não olha para onde você aponta. Não passa o brinquedo de uma mão para outra. Aos doze meses de idade: Não faz contato visual. Não engatinha. Não fica de pé com apoio. Não procura objetos que vê sendo escondidos. Perdeu habilidades que já possuía. Aos dezoito meses de idade: Não anda. Não pelo menos 1 palavra. Não expressa o que quer, Não aponta. 59 Não se importa se seu cuidador se afasta. Perdeu habilidades que já possuía. Aos dois anos de idade: Não fala frases com duas palavras. Não cópia ações ou palavras. Não segue instruções simples. Não entende o que fazer com utensílios comuns do dia a dia. Perdeu habilidade que já possuía. Aos três anos de idade: Cai muito ao andar. Fala pobre ou incompreensível. Não compreende comandos simples; Não brinca de faz de conta. Não demonstra interesse em brincar com outras crianças. Aos quatro anos de idade: Não brinca com outras crianças. Interagem com poucas pessoas. Tem dificuldades na fala. Tem dificuldades para rabiscar um desenho. Autismo no Processo Escolar Devemos nos ater as dificuldades ocorridas na sala de aula e o ambiente escolar. Normalmente as maiores duvidas de escolas e professores é de como criar mecanismos de aprendizagem, avaliação, introdução do tema e como preparar e estruturar uma escola com um sistema educacional que de fato faça a inclusão desses alunos de forma correta. Ainda vivemos em um mundo que convive com o mito de que o autista não aprende, que autista não consegue evoluir na escola, mas por ele apresentar tal transtorno, 60 é necessário que a escola se prepare, com um processo planejado, organizado, estruturado e integrado de ações que envolvem a área de saúde, pedagógica e gestão curricular. O contexto escolar eficiente para o autista é necessário para que ocorra essa integração de interdisciplinar. A abordagem inicial para poder inserir esse aluno com o transtorno em sala de aula, em primeiro lugar se deve entender qual a necessidade desse aluno, o aluno autismo tem peculiaridades que variam de criança para criança, pois lembre que já citei que nenhum autista é igual a outro, cada um tem suas peculiaridades, personalidade, formas de motivação diferenciada e sensibilidades. Temos que conhecer o perfil comportamental e o perfil cognitivo. Como é esse aluno? Como ele desenvolveu até chegar na escola? Quais são os déficits que ele apresenta? Quais são as particularidades dessa criança? Cada caso deve ser muito bem avaliado com detalhes. E não é função apenas do professor e sim do corpo interdisciplinar que a escola possui, para que a partir daí possa ser feito um planejamento e elaborar elementos estruturarias, métodos e caminhos para essa criança. Dentro do suporte escolar existem três coisas que devem estar presentes nas estratégias que vão ser montadas para essa criança: » Quais são as características desse estudante com o transtorno do espectro autista? Onde eu devo fazer um trabalho mais aprofundado? » Perfil da equipe de instrução. Como é essa escola? Como é o perfil dos profissionais? Quem está à frente da educação especial? Existem gestores preparados para lidar com as mudanças necessárias? Existem profissionaiscom experiência na área ou teremos que criar a parti de agora? » Qualidade e quantidade dos recursos sociais, curriculares e institucionais do ambiente escolar. O que normalmente é a realidade de muitas escolas particulares que não tem estrutura e nem suporte do estado para lidar com essa situação, tendo que criar meios e caminhos próprios para lidar om essa situação. 61 O perfil da equipe é muito importante. A equipe deve gostar de trabalhar com essas especialidades e necessidades especificas, pois muitas vezes essas crianças não vão seguir o mesmo caminho da maioria. Temos que pensar nas três coisas: No individuo, no recurso humano e no recurso físico. Elas devem estar muito bem consolidadas. Superdotação e Altas Habilidades O que antigamente era conhecido como superdotação, hoje em dia e mais reconhecido no meio acadêmico como as Altas habilidades. É claro que precisamos diferenciar um pouco uma criança com o diagnóstico para altas habilidades de uma criança que tem mais facilidade para aprender. Existem alguns indícios que mostram que a criança possui altas habilidades em determinadas funções, porem assim que perceber algumas características é necessário levar para um profissional para realizar o diagnóstico especifico e padronizado. É muito importante saber diferenciar uma criança que tem facilidade de aprendizagem de outra que tem altas habilidades. Muitas pessoas por não terem total entendimento sobre o assunto, acabam confundindo e criando um pré diagnóstico errôneo. O que é a Alta Habilidade ou Superdotação? São pessoas que possui alguma habilidade acima da média sobre determinado assunto, características que se manifestam geralmente quando ainda são pequenas e na idade escolar. O que é muito diferente de quando alguma criança adquire tal habilidade ou competência com tempo. Ela precisa ter essas habilidades como algo nato, ou seja, ela já deve nascer com essa aptidão, que deve apenas melhorar com o tempo. 62 O significado de superdotação é ter um potencial elevado em todas as áreas. Por isso é um termo que não é tão utilizado mais, pois é difícil alguém ser tão habilidoso em tudo. A habilidade pode ser geral ou específica para determinado campo do conhecimento. Uma pessoa pode apresentar uma eficiência muito grande na área de exatas, mas não ter a mesma habilidade com a linguagem. O mais comum é as altas habilidades em um ou mais determinada áreas como: » Intelectual » Acadêmica » Criativo » Social » Especial » Psicomotricidade » Artes Além de apresentar grande criatividade, envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse. Como a Dra. Cristina Moraes relata em seu livro Altas habilidades / superdotação em crianças e adolescentes negras lançado em 2019, pode separar as altas habilidades dessa forma: Tipo Intelectual - Apresenta flexibilidade, fluência de pensamento, capacidade de pensamento abstrato para fazer associações, produção ideativa, rapidez do pensamento, compreensão e memória elevadas, capacidade de resolver e lidar com problemas. Tipo Acadêmico - evidencia aptidão acadêmica específica, de atenção, de concentração; rapidez de aprendizagem, boa memória, gosto e motivação pelas disciplinas acadêmicas de seu interesse; habilidade para avaliar, sintetizar e organizar o conhecimento; capacidade de produção acadêmica. Tipo Criativo - relaciona-se às seguintes características: originalidade, imaginação, 63 capacidade para resolver problemas de forma diferente e inovadora, sensibilidade para as situações ambientais, podendo reagir e produzir diferentemente, e até de modo extravagante; sentimento de desafio diante da desordem de fatos; facilidade de auto-expressão, fluência e flexibilidade. Tipo Social - revela capacidade de liderança e caracteriza-se por demonstrar sensibilidade interpessoal, atitude cooperativa, sociabilidade expressiva, habilidade de trato com pessoas diversas e grupos para estabelecer relações sociais, percepção acurada das situações de grupo, capacidade para resolver situações sociais complexas, alto poder de persuasão e de influência no grupo. Tipo Talento Especial - pode-se destacar tanto na área das artes plásticas, musicais, como dramáticas, literárias ou técnicas, evidenciando habilidades especiais para essas atividades e alto desempenho. Tipo Psicomotor - destaca-se por apresentar habilidade e interesse pelas atividades psicomotoras, evidenciando desempenho fora do comum em velocidade, agilidade de movimentos, força, resistência, controle e coordenação motora. Quais são as principais características? Existe alguns “sintomas” mais comum em crianças com altas habilidades. Lembrando que, nem todas as crianças são iguais e todas possuem características únicas, porem conhecer alguns fatores pode te ajudar a leva-la a um possível diagnostico: 1. Um alto nível de leitura acima do que é esperado pela idade 2. Um vocabulário não condizente com a idade 3. Uma sensibilidade maior aos sentimentos dos outros 4. Raciocino diferente, porém lógico 5. Um alto nível de observação. 6. Uma autonomia precoce 7. Facilidade em aprender assuntos do seu interesse 64 8. Fica entediado fácil 9. Uma originalidade para tudo que faz 10. Grande curiosidade sobre determinados assuntos Precisamos entender que crianças com altas habilidades não significa pressupor que elas são gênios ou terão um futuro espetacular. Muitas crianças sofrem com essa condição, pois sem um amparo escolar e a estimulação de suas habilidades, se sentem desmotivadas a entediadas. Muitas não sentem interesse por frequentar a escola, pois relatam não ter mais nada a aprender lá, ou então são excluídas do grupo de amizades por ser taxadas como “nerds” ou “sabem-tudo”. Além de muitas vezes não se sentirem atraídas pelo assunto dos colegas. As altas habilidades e superdotação entra na modalidade da educação especial, pois também possuem o direito de um cuidado e atenção a mais. E devem sim utilizar a sala de recurso como todos os outros. O que diz a Lei? O Art.59 da Lei de Diretirzes e Bases – Lei 9394/96 diz que: Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação: (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) 1. currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades; 2. terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados; 3. professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a 65 integração desses educandos nas classes comuns; 4. educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora; 5. acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular. Art. 59-A. O poder público deverá instituir cadastro nacional de alunos com altas habilidades ou superdotação matriculados na educação básica e na educação superior, a fim de fomentar a execução de políticas públicas destinadas ao desenvolvimento pleno das potencialidades desse alunado. (Incluído pela Lei nº 13.234, de 2015) Parágrafo único. A identificação precoce de alunos com altas habilidades ou superdotação, os critérios e procedimentos para inclusão no cadastro referido no caput deste artigo, as entidades responsáveis pelo cadastramento, os mecanismosde acesso aos dados do cadastro e as políticas de desenvolvimento das potencialidades do alunado de que trata o caput serão definidos em regulamento. Alunos com Superdotação e Altas Habilidades na Eescola O professor não precisa ter altas habilidades para ensinar os alunos que apresentam. Ele precisa estar disposto e, com certeza, aberto para sempre aprender mais. O primeiro passo após descobrir o diagnóstico, é identificar qual área das altas habilidades o seu aluno se encontra. E logo após traçar estratégias juntamente com o conteúdo regular para ensina-lo e promover seu crescimento de ensino de acordo com o ritmo e possibilidades. Busque trazer o interesse do aluno para as demais disciplinas no horário regular, e quando ele estiver no acompanhamento, como a sala de recurso, deverá expandir seu conhecimento na sua área de mais facilidade, porém sempre trabalhando suas dificuldades 66 também. Por exemplo, se um aluno tem grande facilidade por dinossauro. Suas atividades de todas as disciplinas podem envolver essa temática. Produção de texto sobre dinossauros, matemática fazendo referência a quantidades de dinossauros em algum local, geografia pode trabalhar os habitats e quais dinossauros viviam em casa local. Está vendo, o universo de possibilidade e amplo! Não é tarefa fácil, porém é totalmente possível. 67 Sobre a Autora Ananda Gouveia Neuropsicopedagoga especialista em Gestão Pública Escolar, Desenvolvimento Histórico Educacional e Bases Legais Da Educação, Ananda trabalha com crianças e adultos com o espectro autista há mais de oito anos. Desde a infância tinha a certeza de que nasceu para exercer a função de professo- ra, lidando com a educação especial muito antes de ingressar na faculdade, o que despertou a vontade de se aprofundar na área e gerar mudanças significativas a esse universo. 68 Quem Somos A Professorizando é a maior escola na área de Pedagógia do país em parceria com a Valecup no ensino a distancia, com 5 (estrelas) sendo a maior instituição particular mais bem conceituada do Brasil na área de Pedagógia com diversas opções de cursos. São 10 anos de tradição em ensino de qualidade! Todos os cursos são aprovados e reconhecidos com honra ao mérito pelas melhores instituições e faculdades. Com sede em Brasília e atuação em todo o território nacional, tem sua história marcada pela ajuda aos professores e professoras de nosso país. Atualmente a Professorizando conta com 200 Mil alunos matriculados em todo o país. https://curso.professorizando.com.br/cursos-rmk 69 Referências Bibliográficas GAIATO, Mayra. TEIXEIRA, Gustavo. O Reizinho Autista Editora: Nversos, 2018 SILVA, Ana Beatriz; GAIATO, Mayra; REVELES; Leandro. Mundo Singular: entenda o autismo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. 1988. Presidência Da República. Casa civil. Subchefia Para Assuntos Jurídicos. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br > Acesso em 16 de set. de 2015. ______. Lei n° 8.069. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia Para Assuntos Jurídicos. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br> Acesso em 16 set. 2015. ______. Lei n° 12.764. Institui a Política Nacional de Proteção dos direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista; e altera o § 3º do art. 98 da Lei n.º 8.112, de 11 dezembro de 1990. Presidente da república. Casa Civil, Subchefia Para Assuntos Jurídicos. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br> Acesso em 14 set. 2015 ______.Lei n. 9394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 dez. 1996. ______. MEC. Secretaria de Educação Especial. Educação para todos: EFA 2000. Avaliação: políticas e programas governamentais em educação especial. Brasília: MEC/SEESP, 2000 ______. Ministério da Saúde. Autismo: orientação para os pais / Casa do Autista. Brasília. 2001. ______. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva.2014 MEC. Brasília, jan. 2008. ______. Senado Federal. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: nº4024/61. Brasília: 1961 Aranha, M. S. F. Inclusão Social e Municipalização, In: Novas Diretrizes da Educação Especial. São Paulo: Secretaria Estadual de Educação, 2001. BEREOHFF, Ana Maria P. Autismo: uma história de conquistas. Revista Em Aberto, Brasília, n. 60, ano 13, p. 11-24, out./dez. 1993. Disponível em: . Acesso em: 8 set. 2015. 70 BRUNO, Marilda Moraes Garcia. Educação infantil: saberes e práticas da inclusão: dificuldades de comunicação sinalização: deficiência visual. 4. Ed. Brasília: MEC, Secretaria de Educação Especial, 2006. PIMENTA, Tatiana. Deficiência Intelectual: principais características, sintomas e tratamento. Vittude, 2017. Disponível em <https://www.vittude.com/blog/deficiencia-intelectual- caracteristicas-sintomas/> Acesso em : 08 de Nov. 2019. COELHO, Bruna. Inclusão é direito: as principais leis de acessibilidade no Brasil. Handtalk. Disponível em <http://blog.handtalk.me/leis-de-acessibilidade> Acesso em: 16 de Out. 2019 FRANÇA, Luísa. A formação continuada e a sua importância para manter o corpo docente atualizado. Somospar 2018. Disponível em: <https://www.somospar.com.br/a-formacao- continuada-e-a-sua-importancia-para-manter-o-corpo-docente-atualizado/ >. Acesso em: 01 de Nov. 2019 SEMANA pedagógica. Gestaoescolar, 2014.Disponivel em: <http://www.gestaoescolar.diaadia. pr.gov.br/arquivos/File/sem_pedagogica/julho_2014/anexo7.pdf> Acesso em: 18 Nov. 2019 BATISTA, Rafael. «Superdotados»; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com. br/psicologia/superdotado.htm. Acesso em 19 de fevereiro de 2020. COMO trabalhar educação especial em sala de aula. Canal do ensino, 26 de ago de 2019. Disponível <https://abime.com.br/2019/08/26/como-trabalhar-educacao-especial-em-sala-de- aula/> Acesso em 07 de jan. de 2020 ABCMED, 2017. Deficiência física. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas- e-doencas/1306348/deficiencia+fisica.htm>. Acesso em: 19 fev. 2020. SANTOS, Vagna.O processo de inclusão de alunos com deficiência visual: um estudo em uma escola pública da Comunidade de pindorama iuíu-bahia, 2015. MARIA, Dayse educação infantil : saberes e práticas da inclusão : dificuldades de comunicação e sinalização : surdez. [4. ed.] / Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal... [et. al.]. – Brasília : MEC,Secretaria de Educação Especial, 2006.89 p. : il. MORAES, Cristina Altas habilidades/superdotação em crianças e adolescentes negras, 2019. Agradecimentos Introdução Módulo 01 Contexto Histórico Legislação e Educação no Brasil Internacional Qual o Correto? PcD, PNE, Pessoa com necessidade Especial? Módulo 02 Educação Especial – Modalidade de Ensino O Professor na Educação Especial Formação Docente Continuada Alunos com Deficiência: Como Lidar Com Eles Em Sala de Aula? Estrutura Escolar Como Incluir os Alunos com Deficiência? Desafios do Professor de Educação Especial Módulo 03 Deficiências e Distúrbios Deficiência Intelectual Alunos com Deficiência Intelectual na Escola Deficiência Física Deficiência Física no Processo Escolar Deficiência Visual Deficiência Visual no Processo Escolar Deficiência Auditiva Libras Deficiência Múltipla Síndrome de Down A Síndrome de Down na Sala de Aula Autismo Causas do Autismo Autismo no Processo Escolar Superdotação e Altas Habilidades Alunos com Superdotação e Altas Habilidades na Eescola Sobre a Autora Quem Somos Referências Bibliográficas