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Millena Fernandes l @medmillena
Anatomia da parede abdominal e peritônio
CASO CLÍNICO
Homem de 30 anos, chega ao PS ensanguentado, devido à um
ferimento por arma branca na região de quadrante inferior direito
após uma briga de bar. De acordo com a localização do ferimento,
descreva as camadas que foram atingidas desde a pele até a
membrana que reveste o abdome.
ABDOME
Sistema digestório= se inicia na boca. Trajeto do alimento= boca,
faringe, esôfago, estômago e intestinos
Porção protegida= fígado (gradil costal), parte do estômago, rins,
baço e pâncreas
Conteção dos órgãos abdominais
- Contenção anterosuperior= paredes musculoaponeuróticas
- Contenção superior= diafragma
- Contenção inferior= músculos da pelve
Paredes do abdome
Se contraem para aumentar a pressão intra-abdominal e
distendem na ingestão de alimentos, na gravidez, deposição de
gordura ou em doenças
Peritônio= circunda as vísceras abdominais= estômago,
intestino, fígado e baço
Estende-se superiormente até o 4º espaço intercostal da
caixa torácica
OBS= órgãos abdominais mais altos são protegidos pela caixa
torácica
OBS2= pelve maior sustenta e protege parcialmente as vísceras
abdominais inferior (parte do ílio, ceco, apêndice vermiforme e colo
sigmoide)
Delimitações=
- Superiormente= processo xifoide e margens costais
- Posteriormente= coluna vertebral
- Inferiormente= partes superiores dos ossos da pelve
Camadas da parede abdominal:
De superficial para profundo, na parede anterolateral do abdome,
temos o seguinte: pele, tela subcutânea (camada adiposa + camada
membranácea), plano músculo-aponeurótico (oblíquo externo,
oblíquo interno e transverso, anterolateralmente, e reto do abdome
medialmente, e suas respectivas aponeuroses), fáscia transversal
(reveste o m.transverso do abdome internamente), tecido
extraperitoneal (tecido conjuntivo frouxo com células adiposas) e
peritônio parietal (membrana serosa).
Pele
- Está entre a
cavidade torácica e
a cavidade pélvica
- Abriga uma grande
quantidade de
órgãos do sistema
digestório e parte
dos sistemas genital
e urinário
- É dinâmico e
flexivel
1. Pele (epiderme e
derme)
2. Tela subcutânea -
Fáscia de Camper
3. Tela subcutânea -
Fáscia de Scarpa
(extrato
membranáceo)
4. Músculos
5. Fáscia de
revestimento
6. Gordura extra
peritoneal
7. Peritônio parietal
(membrana)
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Ligamento inguinal= marca a transição da cavidade abdominal para
os membros inferiores
Parede anterolateral do abdome
Parede anterior, lateral direita e esquerda e posterior
É musculoaponeurótica, exceto a parede posterior
O limite entre a parede anterior e as paredes laterais é
indefinido, portanto, usa-se o termo “parede anterolateral
do abdome”
É formada por pele e tela subcutânea, composta por
gordura, músculos, suas aponeuroses e fáscia muscular,
gordura extraperitoneal e peritônio parietal
Anatomia de superfície
Pode ser dividido em 4 quadrantes ou 9 regiões
Pontos de superfície= McBurney/Blumberg
É um ponto na junção da linha dois terços medial e um terço lateral
que se estende do umbigo até a espinha ilíaca anterossuperior (linha
espinoumbilical). A base do apêndice vermiforme encontra-se
profundamente neste ponto.
Facilita o diagnóstico de apendicite
Apêndice= parte do intestino grosso
Sinal de rovsing= dor no quadrante inferior
Tela subcutânea
Camada de tecido conjuntivo adiposo. Abaixo do umbigo ela forma
duas camadas:
Uma camada superficial de tecido adiposo do abdome
(fáscia de Camper)
Uma camada membranosa mais profunda - estrato
membranáceo (fáscia de Scarpa)
O estrato membranáceo continua inferiormente para a região
perineal como o estrato membranáceo do períneo (fáscia de Colles)
- A camada superficial de tecido adiposo da fáscia superficial varia
em espessura.
- Camada membranosa profunda da fáscia superficial;
- Fina e membranosa e contém pouca ou nenhuma gordura.
- No plano sagital mediano, ela é firmemente aderida à linha alba e
à sínfise púbica
MÚSCULOS
Linha alba: processo xifoide até
a sínfise púbica
Intersecções tendíneas: entre
os ventres musculares
Linha semilunar (Spiegel):
formato de semilua, delimita o M.
Reto do abdome. Aparecimento
das aponeuroses dos músculos
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Há uma divisão
Músculos da parede anterolateral do abdome
Há cinco (pares bilaterais)= três planos e dois verticais
Planos= oblíquo externo, oblíquo interno e transverso do
abdome
- Fibras musculares possuem orientações diferentes (começam
póstero lateralmente)
- Continuam anterior e medialmente como aponeuroses fortes,
semelhantes a lâminas
- Formação da BAINHA DO MÚSCULO RETO DO ABDOME= tendínea,
aponeurótica e resistente. Envolve o músculo reto do abdome
Verticais= músculo reto do abdome e músculo piramidal
- Contidos na bainha do músculo reto do abdome
- Próximos à linha mediana anterior, envolvidos por uma bainha
tendínea formada pelas aponeuroses dos músculos planos
Oblíquo externo= fibras no sentido de mão no bolso
Oblíquo interno= fibras no sentido de mão na bunda
Músculo oblíquo externo do abdome
Sua aponeurose forma a face externa da baixa dos
músculos retos do abdome
Maior e mais superficial
Músculo oblíquo interno do abdome
Há a formação de uma musculatura que vai para a região das
gônodas (cremaster)
Músculo transverso do abdome
O mais interno
Orientação circunferencial e transversal ideal para comprimir o
conteúdo abdominal e aumentar a pressão
Músculo reto do abdome
Origem= costela V a XII
Inserção= linha alba, tubérculo
púbico e metade anterior da
crista ilíaca
Inervação= nervos
toracoabdominais e nervo
subcostal
Ação= comprime e sustenta
as vísceras abdominais,
flexiona e roda o tronco
Origem= fáscia toracolombar
Inserção= margens inferiores
das costela X e VII, linha alba
e linha pectínea do púbis
Inervação= nervos
toracoabdominais e primeiro
nervo lombar
Ação= comprime e sustenta
as vísceras abdominais,
flexiona e roda o tronco
Origem= faces internas
das cartilagens cosais
Inserção= margens
inferiores das costela X e
VII, linha alba e linha
pectínea do púbis
Inervação= nervos
toracoabdominais e
primeiro nervo lombar
Ação= comprime e
sustenta as vísceras
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Principal músculo vertical da parede anterior do abdome
É três vezes mais largo na parte superior do que na parte inferior;
Músculo piramidal
Em forma de triângulo e não é encontrado em cerca de 20% das
pessoas
Está em cima da parte inferior do músculo reto do abdome e se
fixa à parte anterior do púbis e ao ligamento púbico anterior
Tensiona a linha alba
Bainha do músculo liso do abdome
Compartimento fibroso incompleto e forte dos músculos
reto do abdome e piramidal
São encontradas as artérias e veias epigástricas superior
e inferior, e também partes distais dos nervos
toracoabdominais
É formada pelo entrelaçamento das aponeuroses dos
músculos planos do abdome
¾ superiores do músculo reto abdominal= são envolvidos tanto
anteriormente quanto posteriormente
¼ inferior= recebe as aponeuroses apenas na região anterior. Na
região posterior o músculo estará em contato direto com a fáscia
transversal
- Linha arqueada= marca a divisão entre os músculos que são
envolvidos. Demarca a transição entre a parede posterior
aponeurótica da bainha que reveste os três quartos superiores do
músculo reto do abdome e a fáscia transversal que reveste o
quarto inferior.
Fáscia transversal
Cada um dos três músculos planos é recoberto, nas suas
superfícies anterior e posterior, por uma camada de
fáscia profunda.
A camada profunda ao músculo transverso do abdome
(fáscia transversal) é a mais espessa.
Aponeuroses dos músculos antero laterais envolvem o músculo reto
do abdome= REGIÃO DE BAINHA
INERVAÇÃO
Nervos toracoabdominais:T7 a T11;
Partem dos espaços intercostais em direção anteroinferior e
seguem no plano neurovascular entre os músculos oblíquo interior
Origem= pubis (sínfise e
crista)
Inserção= processo
xifoide e castilagens
costais
Inervação= nervos
intercostais
Ação= flexão do tronco
e retroversão de pelve
(joga a espinha ilíaca
para a frente)
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e transverso do abdome para suprir a pele e os músculos do
abdome
Ramos cutâneos laterais (torácicos): T7 a T9 ou T10;
Pele dos hipocôndrios direito e esquerdo
Nervo subcostal: nervo espinal T12
O m. reto do abdome é inervado apenas pelos nervos
toracoabdominais e pelo nervo subcostal! O nervo ilio-hipogástrico,
assim como o nervo ilioinguinal, inervam apenas os músculos oblíquo
interno e transverso do abdome!
Músculos da parede anterolateral do abdome (inclusive a maior
parte da alça inferior do músculo oblíquo externo do abdome) e a
pele sobrejacente, superior à crista ilíaca e inferior ao umbigo
Nervos ílio-hipogástrico e ilioinguinal: ramificações
terminais do ramo anterior do nervo espinal L1
Pele sobre a crista ilíaca, região inguinal superior e hipogástrio; M.
oblíquo interno e transverso do abdome
Os ramos cutâneos do nervo ilio-hipogástrico inervam a pele da
região hipogástrica e da crista ilíaca!
Os nervos ilio-hipogástrico e ilioinguinal, juntamente com os nervos
toracoabdominais e com o nervo subcostal, inervam os músculos
oblíquo interno e transverso do abdome.
A pele da região acima do umbigo é inervada pelos ramos cutâneos
dos nervos toracoabdominais T7, T8 e T9
T7, T8 e T9= pele acima do umbigo
T10= pele na região umbilical
T11= pele abaixo do umbigo
n.subcostal ("T12")= pele abaixo do umbigo
Os nervos toracoabdominais são a continuação dos nervos
intercostais de T7 a T11. Basicamente, esses nervos inervam os
grandes músculos da parede anterolateral do abdome (oblíquo
externo, oblíquo interno, transverso e reto do abdome). Além disso,
esses nervos emitem ramos cutâneos que fazem a inervação de
faixas horizontais de pele da parede anterolateral do abdome da
seguinte maneira:
T7-T9: pele acima do umbigo
nervo T10: pele na altura do umbigo
nervo T11: pele abaixo do umbigo
VASCULARIZAÇÃO
A distribuição dos vasos sanguíneos abdominais profundos
reflete a disposição dos músculos
Artéria epigástrica superior (continuação da A. Torácica
interna). Anamostosa-se com a A. Epigástrica inferior na
região umbilical
Artéria epigástrica inferior (origina-se da A. Ilíaca
externa). Anamostosa-se com a A. Epigástrica superior
As 6 artérias responsáveis pela inervação da parede anterolateral
do abdome são: 1. a. epigástrica superior (ramo medial da a.torácica
interna) 2. a. musculofrênica (ramo lateral da a.torácica interna) 3.
a. epigástrica inferior (ramo da a.ilíaca externa) 4. a. circunflexa
ilíaca profunda (ramo da a.ilíaca externa 5. a. epigástrica superficial
(ramo da a.femoral) 6. a. circunflexa ilíaca superficial (ramo da
a.femoral)
DRENAGEM
Pele e a tela subcutânea
Drenagem superior= veia torácica interna medialmente e
veia torácica lateral lateralmente
Primeiras= profundas e
superficias
Ilíaca externa= regiões
profunda
Femoral= região
superficial
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Drenagem inferior= veia epigástrica superficial e
epigástrica inferior, ramos das veias femoral e ilíaca
externa
Veias profundas
Acompanham as artérias e recebem o mesmo nome
- No entanto, apenas na aorta elas tributam de modo diferente
- Drenam para um sistema ázigo e hemiázigo
Auxilia o retorno do sangue para o coração;
FÁSCIA EXTRAPERITONEAL
Fica atrás de toda a musculatura
Pode ter tecido adiposo
Os órgão retroperitoneais podem se encontrar nessa fáscia
Profundamente à fáscia transversal existe uma camada
de tecido conjuntivo, a fáscia extraperitoneal, que separa
a fáscia transversal do peritônio. Contém uma quantidade
variada de tecido adiposo.
Vísceras situadas na fáscia extraperitoneal são
denominadas retroperitoneais.
PERITÔNIO
Membrana que reveste as faces internas da parede
anterolateral cavidade abdominal
O peritônio consiste em duas lâminas contínuas: o peritônio
parietal, que reveste a face interna da parede
abdominopélvica, e o peritônio visceral, que reveste
vísceras como estômago e intestino. As duas lâminas de
peritônio consistem em mesotélio, uma lâmina de epitélio
pavimentoso simples
Se reflete (dobra-se bruscamente e continua) sobre as
vísceras abdominais (estômago, intestino, fígado e baço)
Cavidade peritoneal
Se forma entre as paredes e as vísceras
Contém líquido extracelular que lubrifica a membrana que
reveste a maior parte das estruturas que
formam/ocupam a cavidade abdominal
Vai até a cavidade pélvica
A cavidade peritoneal é completamente fechada nos
homens. Entretanto, nas mulheres, existe uma
comunicação através das tubas uterinas, cavidade uterina
e vagina. Essa comunicação é uma possível via de infecção
externa
OBS= a linha alba dá passagem a pequenos vasos e nervos para a
pele
Funções
- Redução do atrito, a resistência a infecções, o armazenamento
de gordura, proteção dos órgãos abdomino-pélvicos, conexão entre
os órgãos, manutenção da posição dos órgão por meio de
ligamentos suspensores e prevenção da fricção entre os órgãos
durante a movimentação.
Divisão e conceitos
Projeção do peritônio que suspende um órgão=
mesocólon/mesentério
Projeção de peritônio que liga dois órgãos com outras
vísceras= omento
OMENTOS
Sustenta e protege
Une o fígado ao estômago= OMENTO MENOR
Millena Fernandes l @medmillena
- Ligamento hepatoduodenal= liga o fígado até o duodeno do
intestino delgado
- Ligamento hepatogástrico= liga o fígado até o estômago
Omento maior= une o estômago ao cólon transverso do
intestino grosso; prega que conecta o estômago ao cólon
transverso
Omento menor= une o estômago ao fígado
MESOCÓLON
Projeções do peritônio que suspende órgãos
Mesocólon transverso= projeção do peritônio que se liga
ao cólon transverso do intestino grosso
O mesocólon fixa o intestino grosso à parede posterior
do abdome, sendo, assim como o mesentério, local de
passagem de vasos sanguíneos e linfáticos relacionados
aos intestinos.
Mesocólon sigmóide= projeção do peritônio que liga o cólon
sigmóide do intestino grosso
Mesoapêndice
Mesentério= projeção do peritônio que se une ao intestino
delgado (parte amarela). Dobras do peritônio que
suspendem as vísceras abdominais
BOLSA OMENTAL
Espaço que se localiza posteriormente ao estômago
Espaço oco que é formado pelos omentos maior e menor e seus
órgãos adjacentes.
Forame omental= atinge uma região= bolsa omental
Estabelece a comunicação entre a cavidade peritoneal maior e a
bolsa omental
ESCAVAÇÕES
Presente nos peritônios; continuidades do peritônio
Pode ter acúmulo de líquido quando ele estiver em excesso
Protegem também
Entre o reto e o útero há a escavação reto-uterina
Escavação retovesical= entre o reto e a bexiga
Millena Fernandes l @medmillena
Parede posterior do abdome
Rins= retroperitoniais, pois estão posicionados atrás do
peritônio da cavidade abdominal; fora da cavidade
abdominal
M. quadrado do lombo e M. Psoas
Processo costiforme
REGIÃO INGUINAL
Ligamento inguinal
Canal inguinal
É uma passagem intermuscular oblíqua com cerca de 4
cm de comprimento localizada acima da porção medial do
ligamento inguinal.
Ele começa o anel inguinal profundo e continua terminando
no anel superficial;
Conteúdo: ramo genital do nervo genitofemoral, funículo
espermático, lig. redondo do útero e nervo ilioinguinal.
Parede anterior: aponeurose do músculo oblíquo externo, reforçado
lateralmente pelas fibras do m. oblíquo interno. Parede posterior:
formado pela fáscia transversal Teto: Fibras dos mm. transverso
do abdome e m. oblíquo interno. Assoalho:metade medial do lig.
Inguinal
Anel inguinal profundo
Anel Interno; Abertura oval da fáscia transversal;
Está situado em um ponto exatamente acima do ligamento
inguinal e imediatamente lateral aos vasos epigástricos
inferiores.
É a área de junção entre
a parede do abdome e a
coxa. Área onde a
parede do abdome é
enfraquecida devido a
mudanças que ocorrem
durante o
desenvolvimento
(gônadas).
Pode ocorrer hérnia
inguinal (homens).
A margem inferior da
aponeurose do oblíquo
externo forma o
ligamento inguinal de
cada lado.
Essa margem livre
espessa e reforçada
da aponeurose do
oblíquo externo passa
entre a EIAS e o
tubérculo púbico,
medialmente.
Millena Fernandes l @medmillena
Criptoquirdia= testiculos na região abdominal
Hérnia inguinal
Mais comum em homens devido o canal mais aberto
Uma hérnia inguinal é a protusão ou passagem de um saco
de peritônio com ou sem conteúdo abdominal, através de
uma parte enfraquecida da parede do abdome na região
inguinal
Indiretamente: através do anel inguinal profundo (mais comum);
Diretamente: através da parede posterior do canal inguinal;
Hérnia femoral
A protrusão do conteúdo abdominal (uma alça do intestino)
pelo canal femoral denomina-se hérnia femoral.
Apresenta-se como um inchaço globular na região inguinal.
É mais comum em mulheres, cujo anel femoral é maior
devido à maior largura da pelve.