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CURSO PREPARATÓRIO MAGISTÉRIO PROFESSORA: ANA VITAL FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO CIPRIANO LUCKESI A educação dentro de uma sociedade não se manifesta como um fim em se mesma, mas sim como um instrumento de manutenção ou transformação social. Necessita de pressuposto, de conceitos que fundamentem e oriente os seus caminhos. As relações entre Educação e Filosofia parecem ser quase ―naturais‖. Enquanto a educação trabalha com o desenvolvimento dos jovens e das novas gerações de uma sociedade, a filosofia é a reflexão sobre o que e como devem ser ou desenvolver estes jovens e esta sociedade. Os pré-socráticos , dedicavam-se a entender a origem do cosmos e a criar uma compreensão para a educação moral e espiritual dos homens. Os sofistas foram educadores. Foram, inclusive, no Ocidente os primeiros a receberem pagamento para ensinar. Sócrates foi o homem que morreu em função de seu ideal de educar os jovens e estabelecer uma moralização do ambiente grego ateniense. Platão foi o que pretendeu dar ao filósofo o posto de rei, a fim de que este tivesse a possibilidade de imprimir na juventude as idéias do bem, da justiça, da honestidade. A filosofia fornece à educação uma reflexão sobre a sociedade na qual está situada, sobre o educando, o educador e para onde esses elementos podem caminhar. A educação é responsável pela direção da sociedade, na medida em que ela é capaz de direcionar a vida social, salvando-a da situação em que se encontra; grupo entende que a educação reproduz a sociedade como ela está; há um terceiro grupo de pedagogos e teóricos da educação que compreendem a educação como uma instância mediadora de uma forma de entender e viver a sociedade. Educação como redação da sociedade A tendência redentora a sociedade está ―naturalmente‖ composta com todos os seus elementos; o que importa é integrar em sua estrutura tanto os novos elementos (novas gerações), quanto os que, por qualquer motivo, se encontram à sua margem. Importa, pois, manter e conservar a sociedade, integrando os indivíduos no todo social. A educação formação da personalidade dos indivíduos, para o desenvolvimentos de suas habilidades e para a veiculação dos valores éticos necessários à convivência social, nada mais tem que fazer do que se estabelecer como redentora da sociedade, integrando harmonicamente os individuas no todo social já existente. A educação, nesse sentido, tem por significado e finalidade a adaptação do indivíduo à sociedade. Deve ―reforçar os laços sociais, promover a coesão social e garantir a integração de todos os indivíduos no corpo social‖. Curando-o de suas mazelas. Este é um modo ingênuo de compreender a relação entre educação e sociedade. Comênio, Didática Magna: Ensinar tudo a todos. Parte da compreensão de que o mundo foi criado bom e harmônico por Deus. Pela desobediência, o ser humano introduziu o desequilíbrio, o pecado! Deus mandou Cristo para trazer a salvação para os seres humanos e oferecer- lhes a oportunidade de retornar ao equilíbrio e à harmonia. À educação cabe a recuperação dessa harmonia perdida. E Comênio completa essa consideração, identificando os desvios do ser humano e da sociedade da sua época no que se refere à inteligência, à prudência, à sabedoria, ao amor próprio, à justiça, à castidade, à simplicidade etc. Ele é o meio mais eficaz de redimir essa sociedade. Os enciclopedistas da Revolução Francesa (pedagogia tradicional) e os pedagogos do final do século passado (pedagogia nova) continuaram com essa mesma compreensão. Tanto Comênio, como os enciclopedistas e pedagogos renovados, todos consideram a sociedade como um todos orgânico que deve ser mantido e restaurado através da educação. Dermeval Saviani dá a denominação de ―teoria não crítica da educação‖. A segunda tendência de interpretação do papel da educação na sociedade é a que afirma que a educação faz, integralmente, parte da sociedade e a reproduz dentro da sociedade e exclusivamente ao seu serviço, mas a reprodução no seu modelo vigente, perpetuando-a, se for possível da sociedade implica entendê-la como um elemento da própria sociedade, determinadas por seus condicionantes econômicos, sociais e políticos — portanto, a serviço dessa mesma sociedade e de seus condicionantes visão da educação é ―não crítica‖. Aqui, ela é ―crítica‖, porém além de ser crítica, é reprodutivista, desde que a vê somente como elemento destinado a reproduzir seus próprios condicionantes. Dermeval Saviani denomina esta tendência de ―teoria crítico-reprodutivista‖ da educação. Louis Althusser, Ideologia e aparelhos de ideológicos de Estados. A tendência ―crítico-reprodutivista‖ não propõe uma prática pedagógica, mas analisa a existência, projetando essa análise para o futuro. Ideologia a aparelhos ideológicos de Estado, pressupostos marxistas, necessária a ―reprodução cultural‖ da sociedade. A força de trabalho possui duas vertentes que servem diretamente ao sistema produtivo: uma vertente biológica e outra cultural. O termo ―proletário‖ tem seu sentido primitivo em ―prole‖, que significa exatamente a multiplicação biológica dos homens. O sistema de produção capitalista sustenta a reprodução biológica pelo salário. Do ponto de vista cultural, a força de trabalho deve manifestar competência no exercício das atividades que garantem a produção. ―Não basta assegurar à força de trabalho. A força de trabalho deveria ser competente, isto é, apta a ser posta a funcionar no sistema complexo do processo de produção‖. Deve-se, pois, não só reproduzir a mão-de-obra do ponto de vista quantitativo (biológico), mas também qualitativo (cultural), necessária a formação profissional do ponto de vista qualitativo. Foi delegada a uma instituição social específica: a escola. A escola principal instrumento para a reprodução qualitativo da força de trabalho de que necessitava a sociedade capitalista, dois sentidos diversos. Aprender-se, portanto, saberes práticos e ao mesmo tempo que ensina estas técnicas e estes conhecimentos, a escola ensina também ―as regras‖ dos bons costumes, isto é, o comportamento que todo agente da divisão do trabalho deve observar, uma reprodução da submissão desta à ideologia dominante, para os operários, e uma reprodução da capacidade para manejar bem a ideologia dominante, para os agentes da exploração e da repressão, a fim de que www.concursovirtual.com.br ww w. co nc ur so vir tu al. co m .b r CURSO PREPARATÓRIO MAGISTÉRIO PROFESSORA: ANA VITAL FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO possam assegurar, também ―pela palavras‖, a dominação da classe dominante. Saberes práticos torna-se básico que essa reprodução se dê sob a égide da sujeição à ideologia dominante. Ao ―saber fazer‖ acrescente-se o ―saber comportar-se‖. A escola, segundo a análise de Althusser, é o instrumento criado para otimizar o sistema produtivo e a sociedade a que ele serve, pois ela não só qualifica para o trabalho, socialmente definido, mas também introjeta valores, que garantem a reprodução comportamental compatível com a ideologia dominante. O Estado, com seus aparelhos, é o fator fundamental de manutenção e reprodução da sociedade. Aparelhos repressivos que se manifestam pelo exercício da violência e de seus aparelhos ideológicos – que veiculam e inculcam valores da sociedade vigente, tendo em vista sua manutenção e reprodução. Aparelhos ideológicos: religioso, escolar, familiar, jurídico, sindical, da informação, cultural (letras, artes, etc). ―prima-dona‖: a Escola substituiu a Igreja no esquema da reprodução através da veiculação de valores e garantem a hegemonia política, sustentadora do poder, pelo processo de reprodução das relações de produção vigentes na sociedade. Convém ao papel que ela deve desempenhar na sociedade de classes: Papel de explorado Papel de agente da exploração De agente de repressão Ou (de) profissionais da ideologia Não é a escola queinstitui a sociedade, mas, é, ao contrário, a sociedade que institui a escola para o seu serviço, é o instrumento de reprodução e, por isso mesmo, de manutenção do sistema social vigente que não há possibilidade nenhuma para a escola de trabalhar pela sua transformação. Uma perspectiva reprodutivista, chegando ao pessimismo derrotista que pode ser visto, perspectiva compreender e educação como mediação de um projeto social. Serve de meio para realizar um trajeto de sociedade; projeto que pode ser conservador ou transformador. Possível compreender a educação dentro da sociedade, com os seus determinantes e condicionantes, mas com a possibilidade de trabalhar pela sua democratização. A tendência redentora é otimista em relação ao poder da educação sobre a sociedade, a tendência reprodutivista é pessimista, no sentido de que sempre será uma instancia a serviço do modelo dominante de sociedade. A tendência redentora pretende ―curar‖ a sociedade de suas mazelas, adaptando os indivíduos ao modelo ideal de sociedade. A tendência reprodutivista afirma que a educação não é senão uma instância de reprodução do modelo de sociedade ao qual serve. Uma reconhece que a educação é a instância que corrige desvio do modelo social; outra reconhece que a educação reproduz o modelo social. Organização da sociedade é tida como ―natural‖ e a-histórica, otimismo de um lado, pessimismo de outro. Os teóricos da terceira tendência, nem negam que a educação tem papel ativo na sociedade, nem recusam reconhecer os seus condicionantes dos próprios condicionantes históricos. Denominada de ―crítica‖ não cede ao ilusório otimismo, pode ser uma instância social, entre outras, na luta pela transformação da sociedade, na perspectiva de sua democratização efetiva e concreta, atingindo os aspectos não só políticos, mas também sociais e econômicos. Trabalha para realizar esse projeto na prática. Se o projeto for conservador, medeia a conservação; projeto for transformador, medeia a transformação; se o projeto for democrático, medeia a realização da democracia. Ela poderá ser reprodutora, mas não necessariamente; desde que poderá ser criticizadora. Libertação das maiorias dentro da sociedade. A tendência redentora propõe uma ação pedagógica otimista, do ponto de vista político, acreditando que a educação tem poderes quase que absolutos sobre a sociedade. A tendência reprodutivista é crítica em relação à compreensão da educação na sociedade, porém pessimista, não vendo qualquer saída para ela, a não se submeter-se aos seus condicionantes. Tendência transformadora, que é crítica, recusa-se tanto ao otimismo ilusório, quanto ao pessimismo imobilizador. Propõe-se compreender a educação dentro de seus condicionantes e agir estrategicamente para a sua transformação. Propõe-se desvendar e utilizar-se das próprias contradições da sociedade, para trabalhar realisticamente (criticamente) pela sua transformação. O termo liberal não tem o sentido de ―avançado‖, ―democrático‖, ―aberto‖, como costuma ser usado, justificação do sistema capitalista, interesses individuais da sociedade, propriedade privada, sociedade de classe, tendências liberais, formas ora conservadora, ora renovada. A pedagogia liberal sustenta a idéia de que a escola tem por função preparar os indivíduos para o desempenho de papéis sociais, as aptidões individuais, adaptadas aos valores e as normas vigentes na sociedade de classe do desenvolvimento da cultura individuais, esconde a realidade das diferenças de classe, não leva em conta a desigualdade de condicional e evoluiu a pedagogia renovada. Tendência tradicional, ensino humanístico, de cultura geral, aluno é educado para agir, pelo próprio esforço, sua plena realização como pessoa, predominância da palavra do professor, postas, do cultivo exclusivamente intelectual. Tendência liberal renovada acentua, o sentido da cultura como desenvolvimento das aptidões individuais, é um processo interno, partes das necessidades e interesses individuais necessárias para a adaptação ao meio. Valorize a auto-educação, a experiência direta sobre o meio pela atividade centrada no aluno e no grupo. Duas versões distintas: renovada progressivista, ou pragmatista, pelos pioneiros da educação. Anísio Teixeira, Montessori, Decroly e, de certa forma, Piaget. Não-diretiva auto-realização as relações interpessoais, psicólogo Carl Rogers. Tendência liberal tecnicista subordina a educação à sociedade, preparação de ―recursos humanos‖ A sociedade industrial e tecnológica estabelece as metas econômicas, sociais e políticas, a educação treina (também cientificamente) nos alunos os comportamentos de ajustamento e essas metas maximização da produção e www.concursovirtual.com.br ww w. co nc ur so vir tu al. co m .b r CURSO PREPARATÓRIO MAGISTÉRIO PROFESSORA: ANA VITAL FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO garantir um ótimo funcionamento da sociedade; qualificação da mão-de-obra, pela redistribuição da renda, pela maximização da produção. Manutenção do Ensino autoritário, tecnologia educacional, análise experimental do comportamento. Leis 5.540/68 e 5.692/71, que reorganizam o ensino superior e o ensino de 1º e 2º graus. O termo ―progressista‖, emprestado de Snyders, análise, crítica das realidades, sustentam implicitamente as finalidades sociopolíticas da educação a pedagogia progressista não tem como institucionalizar-se numa sociedade capitalista; daí ser ela um instrumento de luta dos professores ao lado de outras práticas sociais. Autogestão, primazia dos conteúdos no seu confronto com as realidades sociais, prática social, junto ao povo, educação popular ―não-formal‖. Crítico-social dos conteúdos síntese superadora, inserida na prática social concreta, mediação entre o individual e o social, saber criticamente reelaborando. HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA Pensar a educação brasileira diz respeito ao formato de contrato social que a sociedade está negociando, a partir dos modelos pedagógicos construídos para seu sistema de ensino escolar. A educação deve ser discutida em sua relação com a sociedade. A escola é a estrutura burocrático-administrativa, os professores, o corpo de alunos, a comunidade onde está inserida e o projeto político pedagógico a ela subjacente. Hoje um dos olhares sobre a escola a percebe como espaço sócio-cultural polissêmico, onde vários atores sociais se encontram produzindo a construção do conhecimento, do ensino e da aprendizagem (DAYRELL, 1999; SACRISTAN, 1995). Nessa concepção, projetos pedagógicos generalizantes perdem a especificidade e a diversidade do espaço escolar e suas práticas. Outro olhar observa a escola como espaço onde professores, alunos e estrutura burocrático-administrativa se encontram empregando uma enorme quantidade de dinheiro, tempo e ânimo, e não consegue avançar no sentido do ensino-aprendizagem proposto na Pedagogia da LDB e dos PCNs (CASTRO, 1995). Dessa forma, alunos rendem pouquíssimo, professores não ensinam nada. Não que eles não tragam informações, trazem-nas, porém são comunicações e questões que, do ponto de vista da pedagogia da aprendizagem, de pouco ou nenhum resultado ou utilidade. Em ambas as concepções educacionais, no entanto, o condicionamento das Secretarias de Ensino às políticas governamentais de educação emperra a continuidade de projetos pedagógicos substanciais. Os problemas nos modelos de educação levados para as escolas públicas hoje suscitam um debate onde podemos atualizar as teorizações de Marx, Durkheim e Bourdieu, e também retomar a discussão recente no Brasil entre as escolas tradicional, nova e crítico-revolucionária. Um dos sentidos que se atribui à escola é sua polissemia. Nesse sentido cabe-lhe uma análise polissêmica, a partir desses três teóricos e suas influências na análise da educação brasileira. À escola são atribuídos vários significados e um gradiente valorativo: escola positivada como futuro,trabalho, sucesso, amizades, namoros, ou escola como lugar negativo de violência, drogas, rebeldias, preconceitos. De qualquer modo, qualquer espaço de interação social é sempre conflituoso, considerado positivo ou negativo conforme a posição do sujeito. Não existe, portanto, sociedade construída em pura harmonia ou desarmonia (SIMMEL, 1981: 47-58). Como ponto de partida, não se pode falar em escolas senão no plural: escola de rico, escola de pobre; escola pública, escola privada; escola urbana, escola rural; escolas centrais, escolas periféricas. No mesmo sentido, a educação também possui uma variação semântica, sendo o espaço escolar um de seus lugares de acontecimento e cada espaço escolar possui suas especificidades. Nesse sentido, por exemplo, a idéia de planos nacionais gerais de educação indicia totalizações autoritárias e problemáticas. O art. 210 da Constituição Federal fala de uma ―base comum nacional de formação‖, sendo esse ―currículo único‖ o norte da carreira estudantil que levaria ao vestibular e ao ensino público de graduação e pós-graduação. Educação escolar é domínio humano de trocas de símbolos, intenções, padrões culturais e relações de poder, onde, na repetição e no desenvolvimento de uma série de tarefas, alunos e alunas são submetidos a regras sociais, maneiras de agir e de pensar da sociedade (DURKHEIM, 1966). A escola possui seus rituais próprios como sistema cultural de significados, atitudes e normas (MCLAREN, 1991). Existem, ainda, outros lugares – família, igreja, trabalho, lazer – em que vicejam ideologias e práticas educacionais. A educação pode existir no imaginário das pessoas e na ideologia dos grupos sociais como redentora, reprodutora ou transformadora das relações sociais. Sua polissemia permite que a mesma educação que ensina possa deseducar (BRANDÃO, 1984) . A educação tanto pode reproduzir como transformar. Ensinar a aprender ou reprimir o pensar. As políticas brasileiras para a educação pública, nas últimas décadas, convergem à redenção e à reprodução, culminando num rebaixamento na qualidade do ensino público fundamental e médio e na elitização do ensino universitário. Do sistema de ensino público fundamental e médio saem alunos mal preparados, sob a ótica da formação de base única, que somente encontrarão espaços em faculdades privadas, de baixa qualidade de ensino. Das escolas privadas de ensino médio saem alunos preparados para os conteúdos e modos de agir e pensar exigidos pelas universidades públicas. Essa discussão não é recente no Brasil. Nos debates estabelecidos entre representantes da escola tradicional, da escola nova e os crítico- revolucionários nos anos 1970/80, discutiam-se já os problemas da educação brasileira, tendo como referenciais teóricos Durkheim, Marx e Bourdieu. Esse processo de sucateamento e privatização da educação, iniciado nos anos 1980, se aprofunda na década de 1990, principalmente nos dois governos do presidente FHC.2 A contradição entre ―o que‖ ensinar e o ―como‖ ensinar, a crítica rasteira ao ensino de conteúdos, a falta de verbas, problemas disciplinares etc. mascaram a contradição entre o currículo exigido nas escolas públicas superiores e o currículo encaminhado nas escolas públicas de ensino fundamental e médio, possibilitando o avanço descomunal de escolas privadas, tanto na educação de nível médio quanto de nível superior. A educação pública tem sido atividade de reprodução dos privilégios das classes dominantes na medida em que, através de instituições próprias, visa a assimilação/inculcação de conhecimentos/conteúdos e experiências humanas acumuladas no decorrer da história, e é sob esse paradigma curricular de conteúdos humanistas, científicos e gerais, que se constrói o processo de exclusão www.concursovirtual.com.br ww w. co nc ur so vir tu al. co m .b r CURSO PREPARATÓRIO MAGISTÉRIO PROFESSORA: ANA VITAL FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO das classes mais pobres, escolarizadas no precário ensino fundamental público, impossibilitadas ao acesso ao ensino superior ministrado pelas universidades públicas. Tendo em vista a formação dos indivíduos enquanto seres sociais ou para finalidades sociais e políticas, a educação cria um conjunto de condições metodológicas e organizativas para viabilizar-se no âmbito escolar, sob a diretriz de projetos político-pedagógicos. Segundo Durkheim, a escola, como instituição social, inculca normas e valores, e corrige desvios – através da repetição das tarefas, da imitação. Pode-se pensar também que a mesma escola que corrige desvios, produz desvios, dado que na esteira produtiva da repetição, os moldes se deformam com o uso, reproduzindo peças assemelhadas, mas não idênticas. Na infância, adolescência e juventude, esse processo de socialização, pela educação, dá-se de forma mais intensificada, e pode-se dizer que ocupando lugar privilegiado na construção das identidades. Nesse processo de construção de suas identidades, as crianças e os jovens encontram-se inextricavelmente, de forma positiva ou negativa, com o processo de escolarização. A educação nos níveis fundamental e médio é de importância decisiva para a formação e transformação das condições sociais dos alunos das classes mais pobres. A LDB 9394/96 e os PCNs, em seus fundamentos estéticos, políticos e éticos para a educação, afirmam pedagogicamente, no sentido do ensino-aprendizagem, ―uma busca pela criatividade, espírito inventivo, curiosidade pelo inusitado, e afetividade, para facilitar a constituição de identidades, capazes de suportar a inquietação, a convivência com o incerto, o imprevisível e o diferente‖ (PCN, 1999:75). A idéia de ―constituição de identidades‖ reforça a perspectiva socializante da educação, já que identidade é sempre referida em modos de ser ou apresentar. A educação socializadora das identidades refere-se no que podemos chamar padrões civilizatórios3. Assim, a prática escolar, subjacente aos modelos pedagógicos governamentais ―modernizantes‖, propaga e desenvolve a mesmice, o ensino de conteúdos repetitivos e descontextualizados, as mesmas maquetes das mesmas feiras de cultura, as mesmas aulas nos mesmos espaços, numa lógica voltada para ―o quê‖ os indivíduos aprendem, em vez de ―como‖ aprendem. O que ensinar e como ensinar são questões que o professor deve se propor, depois de identificar os alunos com quem irá interagir no espaço escolar. Embora teorias da aprendizagem pesquisem os modos como os indivíduos aprendem ou como se desenvolve a inteligência humana, a prática didático- pedagógica conduzida no sistema escolar público não privilegia o aprender a aprender, o saber pensar, centro fundante de uma educação transformadora (DEMO, 2004). Deficiente também é a formação dos professores. As universidades e cursos de licenciatura vivem culturas escolares semelhantes de reprodução de velhas práticas didático-pedagógicas. A construção da identidade dos professores é marcada por uma negatividade, conformado numa espécie de identidade deteriorada, atrasada, incompleta4. Esse quadro fomenta um contrato social estruturante de formas conservadoras e autoritárias de ensino que conduzem ao fracasso escolar. A educação pública não facilita o acesso à aprendizagem. Ademais, aprendizagem nas escolas públicas é repetição de velhas práticas; e pela repetição aprende-se muito pouco: é escola como reprodução. Reprodução através da cultura e, ao mesmo tempo, reprodução do sistema. Através das ações pedagógicas, educadores e professores selecionam e afirmam alguns saberes constituídos, arcaizantes, envoltos na ideologia dominante, e estabelecidos como ―legítimos‖, onde são reproduzidas as relações de trabalho, as relações de poder e as relações sociais vigentes. Nesse sentido, Durkheim teoriza a educação como reprodutora da herança sócio-cultural, pela coerção e generalização dos conteúdos morais e normativos do processo de educação escolar socializante. Osprojetos pedagógicos conduzem-se na perspectiva do aprendizado para a socialização, não de um aprendizado para o aprender. O que se exige dos alunos e alunas é que apreendam maneiras de agir e pensar ligados à lógica do mercado, aos padrões culturais civilizados, numa docilização dos corpos e dos sentidos5, gestando seres que pouco prestam à ampliação e transgressão dos modos de conhecer atuais, abortando o surgimento e desenvolvimento de novas formas de consciências. A EDUCAÇÃO E SUA FACE REPRODUTIVA Evoca-se a pedagogia – procedimentos reflexivos sobre a aprendizagem e o processo de conhecimento – como recurso para a condução do processo educacional escolar. A pedagogia, no âmbito da educação pública, é sempre uma certa, e não outra, concepção de direção executiva, subordinada a uma estrutura político-social que implica em criação e desenvolvimento de projetos pedagógicos específicos. A alternância política no Estado, decorrente dos processos democrático-eleitorais, age perversamente sobre os projetos pedagógicos, causando interrupções e descontinuidades, desmanchando os últimos ideários de algum projeto pedagógico de médio e longo prazos. Acaba- se por não se desenvolverem projetos pedagógicos referidos no processo educativo, mas nas tendências político- ideológicas dos governantes, o que corrobora a tese de Pierre Bourdieu de que projetos pedagógicos são arbitrários e violentos: Toda ação pedagógica (AP) é objetivamente uma violência simbólica enquanto imposição, por um poder arbitrário, de um arbitrário cultural. (...) A ação pedagógica que reproduz a cultura dominante, contribuindo desse modo para reproduzir a estrutura das relações de força, numa formação social onde o sistema de ensino dominante tende a assegurar-se do monopólio da violência simbólica legítima (Bourdieu & Passeron, 1975:20). A descontinuidade dos projetos pedagógicos reverbera em reutilização de velhas alternativas, o que desemboca numa repetição assistemática e inoperante de práticas de ensino tradicionais, na utilização de tecnologias didático- pedagógicas descontextualizadas, quando não ultrapassadas. A descontinuidade dos projetos pedagógicos há muito promove a retomada de antigas práticas escolares. Nessa descontinuidade surge um vácuo ao anacronismo didático, que ainda é acentuado pela indisponibilidade de tempo do professor em buscar novas práticas para suas aulas. Essa incapacidade criativa decorre, em parte, da má formação. Assim, os professores repetem o decorado por anos a fio; os alunos fazem as tarefas repetidamente. A escola reproduz um cotidiano que se arrasta, um cotidiano afastado do mundo, irreal. O descompasso entre o ritmo escolar e o ritmo dos alunos pode resultar, por exemplo, na injunção de concepções: a www.concursovirtual.com.br ww w. co nc ur so vir tu al. co m .b r CURSO PREPARATÓRIO MAGISTÉRIO PROFESSORA: ANA VITAL FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO disciplina pode se apresentar como indisciplina, e o contrário6. Como falava Brandão, a escola que educa, pode deseducar. Ou, como em Durkheim, a escola corrige desvios, mas também os produz. Uma ação pedagógica subjacente e oculta, de inculcação do habitus escolar, impregna o imaginário dos indivíduos e grupos sociais, conferindo valor à educação. Esse longo processo de inculcação de valores sociais e formativos para uma longa durabilidade, inerente às etapas do ensino, confere às práticas escolares essa plausibilidade valorativa (BOURDIEU & PASSERON, 1975: 43-4). A carga horária mínima de 200 horas/aula; aulas em período integral; revisões, suplência; aumento da educação fundamental de oito para nove anos, bolsa-escola, Cieps, e outros mecanismos de fixação e suspensão dos indivíduos de sua vida cotidiana para o cotidiano repetitivo do processo de socialização escolar completam o modus operandi da formação do capital cultural depositado no ensino escolar. Ao salientar os problemas educacionais, dá-se validade às propostas reformadoras, redentoras, que representam a educação escolar como um bem intocável. Na verdade, há muito o espaço escolar perdeu sua centralidade como lugar de educação e socialização. Ainda, segundo Saviani, no caso brasileiro, ―o aligeiramento do ensino destinado às camadas populares, e a conseqüente diluição dos conteúdos da aprendizagem das escolas públicas‖ (SAVIANI, 1985: 58), levam à uma redução desse capital cultural7. A reprodução social pela transmissão e obtenção do capital cultural traz, entretanto, em seu processo reprodutivo, a contradição, que abre possibilidades para a transformação das práticas escolares. O filósofo Karl Marx vê no ―processo de produção constantemente renovado a condição para as transformações‖ (1984:261). Tanto em Pierre Bourdieu (2001: 24-7) quanto em Demerval Saviani (1985: 59), a superação das contradições do reprodutivismo – que se dá pela distribuição desigual do capital cultural – na educação somente pode se dar, exatamente, pela aquisição desse capital cultural dominante, e pela transformação dos ―conteúdos fixos, abstratos e formais, (do capital cultural dominante) em conteúdos reais, dinâmicos e concretos‖ (SAVIANI, 1985: 67). Ainda afirma esse autor que o ―domínio da cultura constitui instrumento indispensável para a participação política das massas. Dominar o que os dominantes dominam é condição de libertação‖ (SAVIANI, 1985: 59). Ao tratar da relação do sistema de ensino com o conhecimento e o poder, Pierre Bourdieu diz: Se há uma verdade, é que a verdade é um resultado de lutas; mas essa luta só pode conduzir à verdade quando obedece a uma lógica tal que não se pode triunfar sobre os adversários sem empregar contra eles as armas da ciência, contribuindo assim para o progresso da verdade científica (BOURDIEU, 2001: 25) Ainda em sua aula inaugural, onde relaciona saber, escola e poder, Bourdieu irá, no entanto, alertar para o fato de que: A ambição mágica de transformar o mundo social sem conhecer os mecanismos que o movem corre o risco de substituir por uma outra violência, às vezes mais desumana, a ―violência inerte‖ dos mecanismos que a ignorância pretensiosa destruiu. (2001:36). Para Marx, ocorre, por meio da educação, um processo ideológico em dois níveis: 1º) enquanto processo, na medida em que transmite e reproduz conteúdos culturais, impondo-se aos sujeitos das classes dominadas e criando nelas um valor, ao aceitar a ação pedagógica da cultura dominante, e um hábito que orienta suas ações; 2º) enquanto ideologia pedagógica ou sistema de pensamento que objetiva camuflar através do discurso articulado as reais relações de violência material e de violência simbólica. Essa teorização da educação como violência simbólica será exaustivamente trabalhada por vários estudiosos, particularmente na França (BOURDIEU, 1975: 122; FOUCAULT, 1996). É o pensamento pedagógico buscando impor sua autonomia e justificar sua validade. A educação, mediante seus processos específicos, reproduz e inculca a ideologia. Daí os múltiplos usuários do espaço escolar, alunos, professores e comunidade, encontrarem-se alienados de uma educação que paute pelo aprender a aprender, pelo aprender a pensar, o que reflete um arremedo de reflexão que culmina no embotamento do poder de discriminar realidade de fantasia, educação de deseducação. A perspectiva polissêmica conferida à educação escolar presta-se à crítica das práticas no espaço sócio-cultural da escola, mas a educação deve ser pensada em seus múltiplos lugares de acontecimento. Não se pode, por exemplo, reduzir o problema do ensino-aprendizagem aos professores, ou aos alunos, ou a qualquer dado isolado. No espaço da educação escolar transitam fluxos diversos de valores, interesses, estilos culturais e relações de poder, compondo uma intrincada rede, onde problemas e soluções surgem, escapam, podem ser aprendidos, construídos, desconstruídos e reconstruídos numa lógica não da reprodução,mas da transformação, pois é, como afirmou Marx (1984), no espaço da produção, que podem ocorrer inovações. Para a ideologia liberal, a questão é modificar preservando, e não transformando. O Estado neoliberal programa estruturar as instituições educacionais públicas, avaliar a compra de novos equipamentos, capacitar professores como saída para os impasses e ambigüidades da educação brasileira. Monta plataformas de governo, orientadas pelo partido majoritário ou governante, o que em muitos casos obriga o adiamento e o desmonte de políticas públicas anteriores. Esse vai-e-vem de projetos que alimenta o experimentalismo, de matriz ideológica ligada à cultura do consumismo e da reprodutibilidade, ao mesmo tempo inibe experimentações mais demoradas na educação. A educação escolar pública, dentre outros órgãos dependentes das políticas sociais, é uma das instituições que mais sofre com esses súbitos e constantes rearranjos de forças político- partidárias no âmbito do Estado. Nesses rearranjos políticos que desorganizam a educação pública, criam-se vácuos propícios ao surgimento e proliferação de escolas privadas. O caso de escolas privadas de ensino superior no Brasil afirma a concepção capitalista neoliberal de educação. A EDUCAÇÃO COMO AÇÃO TRANSFORMADORA Como ação transformadora e modo de enfrentamento das práticas didático-pedagógicas reprodutivistas, olhar a escola como espaço de interações múltiplas favorece a teorização e o encaminhamento de novas práticas escolares. Intervenções interessantes de participação das www.concursovirtual.com.br ww w. co nc ur so vir tu al. co m .b r CURSO PREPARATÓRIO MAGISTÉRIO PROFESSORA: ANA VITAL FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO comunidades escolares na discussão de políticas públicas para a educação podem surtir efeito. Aos projetos pedagógicos generalizantes impõe-se a necessidade de ressignificações, reconstruções para a especificidade sócio- cultural das escolas e sua comunidade. A manutenção de projetos pedagógicos bem sucedidos pode ser outro caminho. Num documento redigido por Marx para o Conselho Central Provisório do I Congresso da Associação Internacional dos Trabalhadores, fica claro como o autor defendia a intervenção dos trabalhadores nos debates sobre a legislação educacional, pois, no seu entendimento, essa era a maneira mais eficiente de fazer com que o Estado impusesse leis que limitassem, nesse caso, a ganância dos empresários capitalistas, pois impondo tais leis, a classe operária não fortifica o poder governamental. Pelo contrário, ela transforma esse poder, agora usado contra ela, em seu próprio agente. Eles efetuam por uma medida geral aquilo que em vão tentariam atingir por uma multidão de esforços individuais isolados (MARX E ENGELS, 1983: 83). A idéia de Marx, além de convidar a uma educação participativa, mostra-nos sua concepção de educação que relaciona a escola a outras dimensões física e simbólica, dimensão do diálogo com a sociedade civil, evidenciando nortes de um pensamento parametrado pelo horizonte da transformação revolucionária da sociedade, sem, contudo, abster-se diante dos desafios colocados pela prática política e pelas particularidades das conjunturas políticas. Consta, no Manifesto do Partido Comunista, a defesa da implementação de uma ―educação pública gratuita de todas as crianças‖ (MARX: 1945). Para Marx, a educação deveria ser mantida e desenvolvida pelo Estado, mas através de poderes públicos8, subordinando a educação à sociedade civil. No Manifesto Comunista e na Crítica ao Programa de Gotha, o teórico antevia o problema da educação gerida pelo Estado. A sua percepção da educação como um dos ―aparelhos ideológicos do Estado‖ (ALTHUSSER: S/D) levou-o a concluir pela defesa da implementação de uma gestão pública, mas não estatal, do processo educacional escolar. Por educação pública, ele assim entendia: Uma coisa é determinar, por meio de uma lei geral, os recursos para as escolas públicas, as condições de capacitação do pessoal docente, as matérias de ensino etc, e velar pelo cumprimento destas prescrições legais (...), e outra coisa completamente diferente é designar o Estado como educador do povo! Longe disto é subtrair a escola a toda influência do governo e da Igreja (...). É o Estado quem necessita receber do povo uma educação muito severa (MARX: 2004). Por sua postura diante dos movimentos sociais, Marx aponta para a necessidade da luta no campo político contra modelos de educação estatal e na proposição de uma modalidade combinada de educação, voltada para a formação de todas as dimensões humanas, incluindo a atividade produtiva, a sensibilidade artística, a formação científica e o cultivo do corpo. Do ponto de vista do desenvolvimento da educação para o mundo do trabalho e da produção, existem projetos e há uma valorização da educação como formadora de mão-de-obra para o mercado (DEMO: 1996). A educação para a formação científica fica restrita a algumas áreas de conhecimento. Do ponto de vista histórico-estrutural, há muito a escola pública abandonou a sensibilidade artística e o cultivo do corpo. Hoje essas atividades educativas são realizadas, em grande parte, por instituições privadas como academias e espaços culturais. São tímidos, mas eficazes, os trabalhos realizados pelas ONGs comunitárias. Novas formas de sociabilidade educacional requerem novas práticas pedagógicas e novas formas de participação e intervenção, pela sociedade civil e comunidade escolar, nas políticas educacionais públicas. Perceber a escola como espaço sócio-cultural onde transitam subjetividades diferenciadas é uma concepção que convida a práticas mais democráticas no processo de ensino-aprendizagem. Ao Estado cabe o fomento e a gestão burocrático- administrativa. Perceber a especificidade do espaço da escola é desconstruir projetos pedagógicos generalizantes e autoritários, reconstruindo-os, dialeticamente, face à demanda da escola, enquanto espaço sócio-cultural peculiar. A participação política, hoje, ganha outras conotações e requer outras estratégias de enfrentamento às microestruturas de poder e de violência simbólica. Se, através de projetos pedagógicos generalizantes, a estrutura educacional atiça, reproduzindo, os recônditos padronizadores das mentes estudantis, tornam-se urgentes formas outras de pedagogias que combinem ludicidade, estética, ética e participação numa ―busca de criatividade, espírito inventivo, curiosidade pelo inusitado, e afetividade, para facilitar a constituição de identidades, capazes de suportar a inquietação, a convivência com o incerto, o imprevisível e o diferente‖ (PCN, 1999: 75), que surgem nos imponderáveis da educação pública brasileira. Assim, pensar uma educação transformadora requer um redimensionamento das práticas de ensino-aprendizagem no cotidiano do espaço escolar, desvelando as relações entre professores, alunos e escola. É no espaço específico da escola que se pode pensar os valores que a educação transforma ou perpetua. Nesse sentido, é preciso buscar a origem sócio-cultural dos alunos, seus anseios profissionais, sua compreensão do papel da escola, sua história escolar. Ao professor é preciso clareza de objetivos, conhecimento dos processos didático-pedagógicos, criatividade, postura metodológica, domínio dos conteúdos e ética. A escola deve ser pensada desde sua localização e inserção na comunidade e sociedade, sua organização interna, sua infraestrutura, enfim, as relações sociais dos atores que constroem e reconstroem o processo de ensino- aprendizagem. Dito de outra forma, se é no espaço escolar que se produz e reproduz o conhecimento é, dialeticamente, nesse espaço que podem surgir as transformações no processo de ensino-aprendizagem. Referências bibliográficas BRANDÃO, Carlos R. 1984. O que é educação. São Paulo: Brasiliense. CASTRO, Cláudio M. 1995. Educação brasileira: consertos e remendos. Rio de Janeiro:Rocco. DEMO, Pedro. 2000. Saber Pensar. São Paulo: Cortez. www.concursovirtual.com.br ww w. co nc ur so vir tu al. co m .b r CURSO PREPARATÓRIO MAGISTÉRIO PROFESSORA: ANA VITAL FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO __________. 1996. Política social, educação e cidadania. São Paulo: Papirus. DURKHEIM, Émile. 1966. As regras do método sociológico. 4 ed. São Paulo: Nacional. __________. 1972. Educação e sociologia. 8 ed. São Paulo: Melhoramentos. FOUCAULT, Michel. 1996. A ordem do discurso. São Paulo: Loyola. _________. 1987. Vigiar e Punir. Petrópolis, RJ: Vozes. GOFFMAN, Erving. 1988. Notes on the management of spoiled identity. New Jersey. Prentice-Hall. KOHAN, W. O. . Filosofia. O paradoxo de aprender e ensinar. Belo Horizonte: Autêntica, 2009. 96 p. KOHAN, W. O., XAVIER, Ingrid Müller. Abecedário de Criação Filosófica. Belo Horizonte: Autêntica, 2009. 270 p. LA TAILLE, Yves de. Limites: três dimensões educacionais. São Paulo: Ática, 1999. SACRISTÁN, Gimeno. 1995. Currículo e diversidade cultural. In: Silva, Tomaz T. e Moreira & Antonio F. (orgs). Territórios contestados: o currículo e os novos mapas políticos e culturais. Petrópolis. Vozes. SAVIANI, Demerval. 1985. Escola e democracia: teorias da educação, curvatura da vara, onze teses sobre educação e política. São Paulo: Cortez e Autores Associados. OLIVEIRA, Paulo S. 1989. O que é brinquedo? São Paulo: Brasiliense. EXERCÍCIOS 1. Considerando a tendência pedagógica renovada não-diretiva, assinale a opção correta quanto à relação professor-aluno. A) O professor, por meio do sistema instrucional, é o elo entre o conhecimento científico e o aluno. B) A educação deve ser centrada no aluno, e o professor deve ser um especialista em relações humanas. C) A atitude receptiva do aluno e a autoridade do professor são o centro do processo educativo. D) O diálogo e a relação horizontal são os pilares nas relações na sala de aula. _________ 2.A tendência pedagógica cuja base do planejamento da ação didática seja a sequência: motivação do aluno, apresentação do conteúdo, associação de conhecimentos e generalização denomina-se : A) liberal renovada progressivista. B) progressista libertária. C) progressista libertadora. D) liberal tradicional. _________ 3.Acerca da concepção de educação segundo a tendência crítico-social dos conteúdos, assinale a opção correta. A) A educação é uma atividade mediadora entre uma experiência fragmentada do conhecimento e uma visão organizada da realidade. B) A preparação intelectual e moral dos alunos para assumirem determinadas posições na sociedade é a função primordial da educação. C) O foco da educação está na adequação das necessidades individuais ao meio social por meio da reprodução de situações da vida. D) O questionamento das relações do homem com a natureza, visando à transformação da realidade, é a base da educação. 4.A tendência pedagógica da escola que trabalha com temas extraídos da prática social e da realidade dos alunos para a construção do conhecimento é identificada como A) liberal renovada progressivista. B)progressista libertária. C) progressista libertadora. D) renovada não-diretiva. ________ _ 5.Uma proposta pedagógica baseada na psicologia genética de Piaget tem sua fundamentação baseada na tendência liberal A) tradicional. B) renovada progressivista. C) renovada não-diretiva. D) tecnicista. ________ 6.Assinale a opção correta quanto à concepção de um planejamento participativo. A) Em uma perspectiva participante, a fragmentação das ações e a hierarquização das decisões são os princípios da ação de planejar. B) Os conflitos existentes no grupo não devem ser considerados, pois podem prejudicar o processo de elaboração e implementação do planejamento. C) As condições físicas da escola devem ser consideradas para evitar comprometimentos ao longo do processo de planejamento. D) Os especialistas que não fazem parte da comunidade escolar não podem contribuir com o planejamento, pois representam uma intervenção inadequada ao processo participativo. ________ 7.Acerca da avaliação e do acompanhamento de um planejamento participativo, assinale a opção correta. A) A avaliação deve ter o objetivo de autoconhecimento e de tomada de decisão por um grupo envolvendo diferentes dimensões da escola. B) Deve prevalecer a dimensão diagnóstica realizada no início do processo, pois ela dá subsídios para as decisões em todas as instâncias. C) A avaliação de resultados é o instrumento mais adequado a esse tipo de planejamento, pois garante a identificação das metas alcançadas ou não. D) Para garantir a neutralidade da ação, os aspectos técnicos da avaliação devem prevalecer sobre aqueles de caráter político. ________ _ 8.A partir da concepção de interdisciplinaridade do currículo, assinale a opção correta. A) As especificidades de cada disciplina devem ser abolidas para que o processo educativo possa ser considerado interdisciplinar. B) A construção do conhecimento ocorre tendo os conteúdos das disciplinas como fim e não como meio de aprendizagem. C) Ao final de cada período letivo, deve ocorrer uma avaliação que contemple pelo menos uma questão relacionada a cada disciplina trabalhada. D) Apenas o trabalho a partir de temas geradores, por todos os professores da escola, não garante o sucesso do trabalho interdisciplinar. ________ _ 9.Assinale a opção correta à luz do planejamento de ensino em uma perspectiva emancipatória. www.concursovirtual.com.br ww w. co nc ur so vir tu al. co m .b r CURSO PREPARATÓRIO MAGISTÉRIO PROFESSORA: ANA VITAL FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO A) A flexibilidade do planejamento em qualquer de suas etapas compromete a coerência das ações e metas estabelecidas. B) Para garantir a qualidade do processo educativo, o planejamento deve ser elaborado a partir do perfil do aluno ideal para os resultados esperados. C) A seleção dos conteúdos a serem trabalhados deve ter como ponto de partida os conhecimentos e as habilidades do professor, pois só assim há sucesso no trabalho pedagógico. D) O planejamento de ensino garante a identidade do processo educativo e materializa a intencionalidade de um grupo específico. ________ 10.Considerando a realidade de uma escola que, nos anos finais do ensino fundamental, decidiu trabalhar com a metodologia de projetos para organizar o trabalho pedagógico, assinale a opção correta. A) Os professores devem organizar todo o processo educativo com ênfase no ensino e, não, na aprendizagem. B) Nessa metodologia, as competências e as habilidades são fundamentais para o processo de construção do conhecimento nas disciplinas. C) A escolha do objeto a ser investigado, dos procedimentos utilizados e da forma de apresentação dos resultados é atribuição exclusiva dos alunos envolvidos. D) Existe grande preocupação com a origem do tema a ser abordado, pois essa origem é que caracteriza a metodologia escolhida. ________ _ 11.Acerca da psicologia da aprendizagem, assinale a opção incorreta. A) As teorias da aprendizagem podem ser classificadas em teorias comportamentalistas e teorias cognitivas. B) As teorias do condicionamento enfatizam a importância das condições ambientais para a ocorrência da aprendizagem e definem a aprendizagem com base nas mudanças comportamentais. C) Para a teoria cognitiva, a aprendizagem é o resultado do processo de relação do sujeito com o mundo externo, que tem consequência no plano da organização interna do conhecimento. D) As condições motivacionais não interferem no processo de ensino-aprendizagem. ________ _ 12.De acordo com a teoria construtivista de Vigotsky a respeito do processo de desenvolvimento e aprendizagem, assinale a opção correta. A) O desenvolvimento cognitivo está intimamente relacionado ao contexto sociocultural em que a pessoa está inserida. B) Para se entender o conceito de zona de desenvolvimentoproximal, tem pouca ou nenhuma relevância o conhecimento das categorias nível de desenvolvimento real e nível de desenvolvimento potencial. C) O nível de desenvolvimento real refere-se às conquistas que a criança ainda está para consolidar. D) O nível de desenvolvimento potencial se refere àquilo que a criança não é capaz de fazer mesmo com a ajuda de outra pessoa. ________ _ 13.Com relação à aplicação dos princípios da teoria comportamental no processo de ensino-aprendizagem, assinale a opção correta. A) A aprendizagem deve ser diretamente observada, mediante a resposta emitida pelo aluno. B) Controlar as condições do ambiente e o aluno, para assegurar a aprendizagem, é atribuição que excede o conjunto de atribuições dos professores. C) Medir a mudança de comportamento do aluno é procedimento inadequado quando se deseja avaliar os objetivos de aprendizagem. D) A mudança de comportamento do aluno é um aspecto que deve ser negligenciado quando são formulados os objetivos educacionais. _________ 14.No que concerne à dinâmica das relações em sala de aula, assinale a opção correta. A) O campo de atuação dos educadores é marcado pela ausência de conflitos. B Tirar proveito das dificuldades advindas das relações interpessoais em sala de aula é uma atitude que caracteriza pouco amadurecimento emocional. C) A sala de aula, que se cria na tensão professor-aluno e permeia a dimensão cognitiva do processo ensino- aprendizagem, constitui o núcleo da experiência docente- discente. D) Suportar a perda e a frustração característica psíquica irrelevante para que alguém seja considerado psiquicamente apto a ser bom educador. _________ 15. Uma das definições possíveis de cultura é a experiência acumulada pelas sociedades no decorrer de sua história. À luz desse conceito, assinale a opção correta. A Educação é a escolarização realizada em ambientes formais cujo contexto se adapta a qualquer cultura. B Educação designa o conjunto de atividades mediante as quais o grupo assegura que seus membros adquiram a experiência social acumulada. C A educação escolar é a única responsável por envolver em seu currículo todos os conhecimentos acumulados pela cultura de cada povo. D A experiência acumulada pelos grupos sociais é conteúdo exclusivo de uma educação não formal, razão pela qual independe da escolarização dos indivíduos. _________ 16.A educação como fenômeno social é parte integrante das relações sociais, econômicas, políticas e culturais de uma determinada sociedade. Acerca desse assunto, assinale a opção correta. A A organização dos grupos sociais não interfere em suas práticas educativas. B A educação determina as relações sociais e possibilita as mudanças econômicas e sociais. C A prática educativa está determinada por fins e exigências sociais, políticas e ideológicas. D A estrutura social e a organização dos grupos humanos independem dos processos educativos e do acúmulo de conhecimentos desses grupos. __________ 17.Julgue os itens subsequentes, relativos à atuação profissional dos professores. I A atuação profissional dos professores contribui para a formação do cidadão crítico, capaz de participar das transformações sociais. II A atuação dos professores como profissionais restringe-se aos ambientes escolares, campo específico de sua atuação profissional. III A atuação dos professores dispensa sólido domínio de conteúdos e de habilidades específicas de sua área de conhecimento. IV Não cabe aos professores a responsabilidade pelo desenvolvimento das capacidades individuais dos alunos. Estão certos apenas os itens A I e II. B I e III. C II e IV. D III e IV. Texto para as questões de 18 a 22 Nos últimos anos, diversos estudos têm sido dedicados à história da didática no Brasil, suas relações com as tendências www.concursovirtual.com.br ww w. co nc ur so vir tu al. co m .b r CURSO PREPARATÓRIO MAGISTÉRIO PROFESSORA: ANA VITAL FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO pedagógicas e a investigação do seu campo de conhecimento. Os autores, em geral, concordam em classificar as tendências pedagógicas em dois grupos: as de cunho liberal — pedagogia tradicional, pedagogia renovada e tecnicismo educacional; e as de cunho progressista — pedagogia libertadora e pedagogia crítico-social dos conteúdos. Certamente existem outras correntes vinculadas a uma ou outra dessas tendências, mas essas são as mais conhecidas. José Carlos Libâneo. Didática. São Paulo: Cortez, 2005, p. 64 (com adaptações). __________ 18.Assinale a opção correta em relação à pedagogia tradicional. A) A atividade de ensinar, na pedagogia tradicional, não está centrada no professor. B) Na pedagogia tradicional, a proposta pedagógica está voltada para o interesse da maioria da população. C) A pedagogia tradicional é uma educação não diretiva. D) Em geral, considera-se que, na pedagogia tradicional, o aluno é um recebedor da matéria, e sua tarefa é decorá-la. _________ 19.Assinale a opção correta quanto à pedagogia renovada. A) O objetivo da pedagogia renovada é o treino da mente e da vontade. B) A pedagogia renovada concebe o aluno como um indivíduo ativo e curioso, que precisa participar das experiências de aprendizagem. C) O professor que orienta seu trabalho pela pedagogia renovada tende a classificar os alunos segundo um modelo de aprendizado idealizado. D) A aprendizagem, de acordo com a pedagogia renovada, não mobiliza o desenvolvimento das capacidades intelectuais. __________ 20.O tecnicismo educacional A) orienta o professor a incentivar, guiar e organizar as situações de aprendizagem. B) pratica uma didática ativa e envolvente. C) desenvolveu-se no Brasil na década de 50 do século XX, tendo ganhado autonomia nos anos 60 do mesmo século. D) foi empregado com muito êxito nos movimentos sociais. __________ 21.Assinale a opção incorreta a respeito da pedagogia libertadora. A) A pedagogia libertadora prescinde de uma proposta explícita de didática. B) A atividade escolar, nessa pedagogia, é centrada na discussão de temas sociais. C) A pedagogia libertadora é muito utilizada na educação de jovens e adultos. D) Nessa abordagem pedagógica, não se utilizam temas geradores. __________ 22.Na pedagogia crítico-social dos conteúdos, A) os conhecimentos sistematizados devem ser confrontados com as experiências socioculturais. B) não é atribuída importância à didática escolar e à direção do processo de ensinar. C) busca-se a transmissão passiva dos conhecimentos escolares articulados com a sociedade. D) é dada preferência aos interesses minoritários da sociedade, privilegiando-se algumas classes. __________ 23.Toda instituição escolar necessita de uma estrutura de organização interna, geralmente prevista no regimento escolar ou em legislação específica. Acerca dos elementos que constituem a estrutura organizacional interna de instituições escolares, assinale a opção correta. A) A direção deve ser a única instância para decidir as ações a serem realizadas na escola. B) O setor pedagógico deve envolver-se, exclusivamente, com as questões relacionadas à aprendizagem. C) Os conselhos escolares devem participar decisões da instituição. D) Os pais não devem figurar como categoria da estrutura organizacional interna da escola. Texto para as questões de 24 a 27 Um bom projeto escolar deve prever a organização adequada e efetiva de aspectos administrativos e pedagógicos, visando ao menos quatro áreas: organização da vida escolar; organização dos processos de ensino e aprendizagem; organização das atividades de apoio técnico-administrativo; e organização das atividades que assegurem a relação entre a escola e a comunidade. __________ 24) A organização da vida escolar: A) corresponde a uma concepção estritamente funcional e hierarquizada que subordina o nível pedagógico ao nível administrativo da instituição escolar. B) trata da organização dos meios de trabalho com objetivo depropiciar melhores condições de ensino e aprendizagem. C) cuida, exclusivamente, de estruturar a documentação dos alunos, com o intuito de fornecer a organização adequada para formação de seu currículo. D) inclui a decisão de como aplicar os recursos financeiros recebidos pela escola. _________ 25.A organização dos processos de ensino e aprendizagem A) visa apenas ao cumprimento dos programas e planos de ensino. B) dispensa a ação do supervisor ou do coordenador pedagógico. C) não inclui a organização das condições físicas, materiais e didáticas da escola. D) compreende o currículo, a organização pedagógica, a avaliação e as ações de formação continuada. GABARITO 1b 2d 3a 4c 5b 6c 7a 8d 9d 10b 11d 12a 13a 14c 15b 16c 17a 18d 19b 20c 21d 22a 23c 24b 25d 1)Julgue certo ou errado as afirmações a seguir: 1) A concepção tecnicista de currículo, por não problematizar as opções feitas, empenha-se nas questões técnicas de organização e operacionalização, bem como no compromisso com a cultura, ao contrário do que fazem os adeptos da perspectiva crítica, cuja forma de organizar o trabalho está estreitamente vinculada à intencionalidade educativa. 2) A preparação intelectual e moral dos alunos para assumir sua posição na sociedade, de acordo com as aptidões individuais, caracterizam a atuação da escola na tendência liberal tradicional. 3) Contraditoriamente, o ideário da escola nova contribuiu para uma maior elitização do ensino, sobretudo no Brasil, porque, ao dar ênfase à qualidade e à exigência de escolas aparelhadas e professores altamente qualificados, pôs a escola pública em posição inferiorizada. 4) No tecnicismo, o interesse centra-se na racionalização do ensino e no uso de meios e técnicas que permitam atingir os objetivos instrucionais operacionalizados. 5) A tendência pedagógica libertadora, mais conhecida como pedagogia de Paulo Freire, espera que a escola transforme os alunos em um sentido autogestionário, resistindo com violência contra a burocracia como instrumento da ação dominadora do Estado. www.concursovirtual.com.br ww w. co nc ur so vir tu al. co m .b r CURSO PREPARATÓRIO MAGISTÉRIO PROFESSORA: ANA VITAL FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO 6) As características da tendência pedagógica tradicional evidenciam a posição empirista, que enfatiza a assimilação, por parte do aluno, do conhecimento que lhe é externo e deve ser adquirido por meio de transmissão. 7) Na perspectiva histórico-crítica, reconhecem-se os limites da escola, mas também as suas contradições e, portanto, suas possibilidades, que estão ligadas ao ensino, visto como processo consciente, deliberado e sistemático. 8) Para a pedagogia tecnicista, os conteúdos propriamente ditos são os que resultam das necessidades e interesses manifestos pelo grupo e que podem não ser, necessariamente, as matérias de estudo. 9) A diferença entre a vertente tradicional e a vertente escolanovista da pedagogia liberal reside nos meios de educar e não nos fins. 10) Na pedagogia escolanovista o aluno é convidado a engajar- se em projetos de cunho social, a fim de dominar conteúdos científicos e formar sua consciência crítica. 11) Na pedagogia tecnicista o professor guia os alunos através de mensuração de comportamentos de entrada e saída, comparando-os uns com os outros. 12) O pensamento comeniano, que reflete a pedagogia tradicional, entendia que qualquer pessoa que soubesse ler e escrever seria capaz de ensinar, caso tivesse um bom livro didático, o que permitiria o ensino em massa. 13) Correntes pedagógicas críticas, surgidas nas últimas décadas e fruto de muitos estudos e teses, constituem em estudos sobre o currículo enquanto recorte da sociedade levado para a escola. Visam à proposta de uma escola que reflita sobre as composições societárias visando à emancipação dos sujeitos a partir de suas aprendizagens. 14) Na escola tradicional p professor era transmissor do conhecimento e na nova escola passa a ser facilitador da aprendizagem. 15) Quando o sujeito aprende, põe para funcionar todo o seu organismo mesmo que a inteligência não acompanhe esse movimento. 16) No início da década de 60, o embate político-ideológico em torno dos objetivos da pedagogia de Paulo Freire a situava em campos opostos: para os conservadores, tratava-se de uma pedagogia de natureza subversiva, ao passo que para setores da esquerda possuía cunho idealista. Entretanto, a pedagogia de Freire é tipicamente empírica. 17) Há uma visão do senso comum, segundo o qual a Pedagogia se ocupa do modo de ensinar e do uso das técnicas de ensino. Portanto, numa perspectiva crítica, o campo de atuação da Pedagogia é o estudo da problemática educacional. 18) Uma das estratégias da abordagem comportamentalista é o ensino baseado na eficiência. Portanto, a definição da avaliação nessa perspectiva é a medida pela qualidade e análise dos resultados. 19) No que se refere à abordagem sócio-cultural, é correto afirmar que o ensino, nessa abordagem, deve levar ao desenvolvimento de operações que constituem a fixação de uma forma de ação. 20) A tendência tecnicista foi introduzida no Brasil efetivamente no final dos anos 60 do século XX, entretanto, apesar da máquina oficial, não há indícios seguros de que os professores da escola pública tenham assimilado essa tendência, pelo menos quanto ao ideário. GABARITO 1C 2C 3E 4C 5E 6C 7C 8E 9C 10 E 11 C 12 C 13 C 14 C 15 E 16 E 17 C 18 E 19 E 20 E 2) Em todo processo educativo, a ênfase dada aos conteúdos determina uma visão do mundo e uma tendência pedagógica. Identifique a que caracteriza a Pedagogia Crítica - Social dos Conteúdos: a) conteúdos definidos em função do processo a ser instituído, com ênfase nos aspectos funcionalista /orgânico; b) conteúdos dados numa graduação lógica, repassados e extraídos da realidade com ênfase nos aspectos cognitivos; c) conteúdos apresentados através de temas geradores, apreendidos e extraídos da realidade, com ênfase na experiência vivida; d) conteúdos articulados com situações concretas de vida do aluno e com disposições sócio-culturais decorrentes com ênfase nos desafios da realidade social; CERTA e) conteúdos voltados para as áreas de interesse dos alunos, decorrentes de atividades livres e situações problemáticas, com ênfase no ensino como atividade de pesquisa. 3) A escola brasileira tem tido a função de preparar as classes trabalhadoras para servir aos interesses das classes dominantes. O educador consciente de sua participação,como sujeito histórico, deverá ter a sua ação voltada para: a) o repúdio à escola, porque nela se verifica a inculcalção dos valores dominantes na consciência do aluno. b) a construção de uma nova sociedade, porque, para ele, a atuação docente diante do quadro social, é desgastante; c) a transformação interna da escola, para que esta possa se inserir no processo global de transformação social; CERTA d) a mudança dos hábitos dos alunos, para que adquiram outros padrõos culturais mais compatíveis com os ideais de nação civilizada; e) o compromisso com uma nova escola que possa se alijar da tutela das classes dominantes, colocando-se em posição do neutralidade. 4) A Educação Reprodutora é aquele sistema de Ensino que vê: a) a educação apenas como passagem de informações sem um objetivo definido; b) os objetivos educacionais, variando de geração para geração; c) como objetivo maior a adaptação do indivíduo dentro de uma sociedade já estruturada, reproduzindo idéias e atitudes; CERTA d) a educação voltada para participação ativa do educando durante todo o processo; a) o educando como centro do sistema educativo. 9) Observando os gráficos que representam o olhar da instituição sobre a realidade: B) A) Realidade existente Realidadedesejada Realidade existente Realidade desejada www.concursovirtual.com.br ww w. co nc ur so vir tu al. co m .b r CURSO PREPARATÓRIO MAGISTÉRIO PROFESSORA: ANA VITAL FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO Realidade existente Realidade desejada C) ( interseção) Sobre os diagramas acima, é correto afirmar: a) O diagrama A representa a proposta conservadora/ reprodutivista da escola, que não deseja nenhuma mudança e quer apenas o aperfeiçoamento do homem; o diagrama B representa a visão revolucionária/pessimista da escola que acredita não haver convergência entre a realidade desejada e a realidade existente; o diagrama C é a visão progressista / transformadora da escola, pois representa os ideais de mudança e transformação e vê ambas as realidades com pontos de contato e pontos discordantes. CERTA b) O diagrama A é a visão progressista / transformadora da escola, pois representa os ideais de mudança e transformação e vê ambas as realidades com pontos de contato e pontos discordantes; o diagrama B representa a visão revolucionária pessimista da escola que acredita não haver convergência entre a realidade desejada e a realidade existente; o diagrama C representa a proposta conservadora/ reprodutivista da escola, que não deseja nenhuma mudança e quer apenas o aperfeiçoamento do homem. c) O diagrama A representa a proposta conservadora/ reprodutivista da escola, que não deseja nenhuma mudança e quer apenas o aperfeiçoamento do homem; o diagrama B é a visão progressista / transformadora da escola, pois representa os ideais de mudança e transformação e vê ambas as realidades com pontos de contato e pontos discordantes; o diagrama C representa a visão revolucionária/ pessimista da escola que acredita não haver convergência entre a realidade desejada e a realidade existente. d) O diagrama A representa a visão revolucionária /pessimista da escola que acredita não haver convergência entre a realidade desejada e a realidade existente; o diagrama B representa a proposta conservadora/ reprodutivista da escola, que não deseja nenhuma mudança e quer apenas o aperfeiçoamento do homem; o diagrama C é a visão progressista / transformadora da escola, pois representa os ideais de mudança e transformação e vê ambas as realidades com pontos de contato e pontos discordantes. 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