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30/06/2023, 11:37 about:blank
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Risco e perigo: identificação e controle
Compreender os conceitos e as diferenças entre risco e perigo, ser capaz de identificar o perigo potencial e controlar os riscos existentes em cada modalidade de aventura.
AUTOR(A): PROF. MARCELO MARTINS KALYTCZAK
Introdução
Imprevisível, desconhecido, assustador, vertiginoso, irado, apavorante, adrenalina, extremo, são apenas algumas amostras dentre as dezenas de palavras que costumam ser usadas
para descrever a emoção e todas as incontáveis sensações propiciadas pelo esporte de aventura.
Os esportes de aventura, ou esportes radicais, são caracterizados por práticas que envolvem o risco e o perigo e que buscam, dentre outras coisas, dar sentido à existência, havendo
a valorização da vida. Algo paradoxal para uma espécie que busca segurança e conforto para se reproduzir e prosperar neste mundo.
Os elementos fundamentais dos esportes de aventura, na maioria das vezes, são os responsáveis por afastar potenciais praticantes de um contato inicial com as modalidades e por
adiar vivências e experiências incríveis.
Com isso, a compreensão dos conceitos de risco e perigo se torna essencial para o desenvolvimento e evolução dessas práticas. Tanto para atrair novos adeptos como para o
aperfeiçoamento de novas metodologias de ensino com vistas ao desenvolvimento da técnica e, consequentemente, o aumento da segurança de seus praticantes.
De posse desse conhecimento, iremos às montanhas, às trilhas, aos rios, aos mares, aos céus e aos obstáculos urbanos encarar os perigos com consciência e controlar os riscos
existentes em cada manobra, em cada aventura.
Mapa mental
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Risco e perigo: bases conceituais
O esporte de aventura é representado por diversas modalidades terrestres, aquáticas e aéreas realizadas em meio urbano ou natural, cada qual com sua dose de perigo incorporada à
sua prática.
Mas afinal, os esportes de aventura são perigosos, são arriscados ou são perigosos e arriscados?
Uma resposta ponderada acerca dessa questão demanda a aquisição das bases conceituais de cada uma das palavras: perigo e risco. O senso comum, bem como os veículos de
comunicação não especializados, frequentemente tratam perigo e risco como sinônimos. Embora apresentem uma estreita relação, seus significados são distintos, porém
complementares.
Perigo é uma situação que ameaça a existência de uma pessoa ou uma coisa, ou então é uma fonte potencial para provocar um dano. Podemos entender que o perigo é uma situação
percebida como danosa ou ruim.
PEREIRA; ARMBRUST, 2010 P. 15.
Dessa forma, uma atividade perigosa é aquela em que há uma circunstância ou situação que prenuncia um mal para alguém ou algo, de acordo com Ferreira (2001). Já o risco pode
ser entendido como "a possibilidade de ocorrer a situação perigosa, a probabilidade de ocorrência e as consequências de um determinado evento perigoso" (PEREIRA;
ARMBRUST, 2010, p. 15).
Em outras palavras, o perigo pode ser considerado uma fonte potencial para provocar danos, enquanto que o risco se refere à probabilidade de ocorrência da ação danosa ou da
exposição à fonte dos danos.
Os esportes de aventura aéreos, tais como o paraquedismo, a asa-delta e o parapente, são modalidades com potencial para provocar danos aos seus praticantes. O perigo existente,
nesses casos, é representado pelo potencial de queda, capaz de provocar danos irreversíveis, portanto, algo extremamente perigoso.
Seguindo a mesma linha de raciocínio, o perigo se apresenta nos esportes aquáticos, tais como o surfe, o stand up paddle e o mergulho autônomo, como um potencial para
afogamentos ou mesmo ataques de tubarões, podendo causar danos irreversíveis e até mesmo a morte de seus praticantes.
Para toda prática esportiva, de aventura ou não, existirá alguma fonte potencial de danos, algum perigo envolvido. A diferença entre os perigos presentes em cada prática estará no
potencial dano causado em caso de sua ocorrência. Entretanto, é necessário avaliar as probabilidades de ocorrência dessas ações danosas em potencial, ou seja, analisar todos os
pontos de exposição à fonte dos danos e suas consequências, analisar os riscos.
A regra de ouro nos esportes de aventura é:
1) Identificar o perigo da modalidade;
2) Controlar os riscos para reduzir a exposição ao dano em potencial.
Risco e perigo possuem uma relação inversamente proporcional. Diante disso, quanto maior e mais assustador for o perigo identificado na prática, menor será a exposição ao dano
em potencial. Isto é, maior será o controle dos riscos.
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Legenda: PLACA DE PERIGO.
As placas instaladas nas praias de Fernando de Noronha têm como função principal identificar o perigo existente naquela área do mar. A informação é clara, os tubarões estão lá, em
seu habitat e, em relação a esse fato, pouca coisa se pode fazer.
O que cabe ao indivíduo que recebe essa informação ao se deparar com a placa é: avaliar e decidir o nível de exposição ao qual vai se submeter ao dano em potencial descrito na
placa. Essa ação é o que chamamos de controle dos riscos.
Por analogia, ao transferir esse exemplo para os esportes de aventura, é possível perceber que todas as modalidades apresentam o seu grau de perigo, entretanto, a exposição ao dano
existente em cada experiência pode ser controlada, reduzindo muito a probabilidade de algo de ruim acontecer.
A prática do skate e dos patins, por exemplo, são modalidades que se enquadram nas situações expostas. São atividades que envolvem o perigo e o risco.
O perigo de queda existe, os danos causados por esta são conhecidos e podem ir desde uma pequena contusão, escoriações e até mesmo uma fratura ou algo mais grave. Entretanto,
ao iniciar nessas práticas, é prudente que o praticante utilize equipamentos de proteção para que os potenciais danos identificados sejam minimizados.
Existem diversas formas de reduzir a exposição ao agente danoso em uma modalidade de aventura. Entre elas, destacam-se, a utilização dos equipamentos de proteção, a orientação
e supervisão de um profissional competente e qualificado, o desenvolvimento e aperfeiçoamento das técnicas da modalidade, o respeito às regras e normas de segurança, a
manutenção e cuidado com os equipamentos.
Risco vs perigo
O que é mais arriscado? Andar de skate ou voar de parapente?
Obviamente o primeiro ponto a ser pensado é o perigo existente em cada uma das modalidades, e coincidentemente ambas envolvem os danos causados por uma queda em potencial.
A diferença entre as quedas é que, enquanto uma delas ocorre da própria altura ou, no máximo a poucos metros do chão, a modalidade aérea pode envolver uma queda de algumas
centenas de metros.
Em um primeiro momento, a prática do skate parecerá algo muito mais prudente, pois os danos potenciais são incomparáveis. No entanto, para voar de parapente será necessário um
equipamento de voo produzido e vistoriado dentro das mais rigorosas normas de segurança, um piloto qualificado e registrado na sua categoria, equipamentos de proteção e de
comunicação e, por fim, uma área específica e destinada à prática do voo com uma rampa sinalizada e uma área de pouso segura. Ou seja, tudo com baixíssima exposição ao dano
em potencial.
Por outro lado, para andar de skate muitas vezes o próprio skate já basta. É aconselhável que se use os equipamentos de proteção, tais como capacete, luvas, joelheiras e
cotoveleiras, mas na maioria das vezes eles são deixados de lado. Não são necessários cursos específicos ou registros e certificações e, é provável que você mesmo já tenha se
arriscado numa tentativa, mesmo com pouca habilidade.
Nos exemplos acima, mesmo que o esporte aéreo apresente maior perigo, aquele mais popular, acessível e pacato, apresenta maior probabilidade à ação danosa; portanto, é mais
arriscado.
Esse exercício pode ser aplicado a qualquer modalidade do esporte de aventurae, mais do que isso, pode ser aplicado para o nosso cotidiano. De acordo com tal análise, o
deslocamento de carro pela rodovia até o local de prática de um esporte de aventura, pode ser mais arriscado que o próprio esporte.
Vídeo explicativo
Assista o vídeo a seguir para melhor compreensão do assunto.
Caso prático
Para conhecer um pouco mais sobre o assunto, acesse o conteúdo complementar abaixo.
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Legenda: PERIGO E RISCO: RELAçãO INVERSAMENTE PROPORCIONAL.
Conclusão
O esporte de aventura é representado por diversas modalidades terrestres, aquáticas e aéreas realizadas em meio urbano ou natural, cada qual com sua dose de perigo. Perigo este que
muitas vezes é responsável por desencorajar o potencial praticante da modalidade e adiar uma experiência incrível.
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A compreensão dos conceitos de risco e perigo, e suas relações, se torna essencial para o desenvolvimento e evolução dessas práticas. Tanto para atrair novos adeptos como para o
aperfeiçoamento de novas metodologias de ensino, com vistas ao desenvolvimento da técnica e, consequentemente, o aumento da segurança de seus praticantes.
ATIVIDADE FINAL
Escolha a alternativa correta:
A. Risco e perigo são sinônimos e estão presentes apenas nas modalidades aéreas e aquáticas de aventura.
B. Risco e perigo são palavras distintas e estão presentes apenas nas modalidades aéreas e aquáticas de aventura.
C. Risco e perigo são palavras distintas e estão presentes apenas nas modalidades urbanas de aventura.
D. Risco e perigo são palavras distintas e estão presentes em todas as atividades de aventura.
REFERÊNCIA
FERREIRA, A. B. DE H.; FERREIRA, M. B.; ANJOS, M. DOS. Dicionário Aurélio da língua portuguesa. 5. ed. ed. Curitiba: Positivo, 2010.
PEREIRA, D. W.; ARMBRUST, I. Pedagogia da aventura: os esportes radicais, de aventura e de ação na escola. Jundiaí, SP: Fontoura, 2010.
POSSAMAI, Vanessa Dias. Segurança, riscos, equipamentos e gerenciamento das atividades corporais de aventura. In: LISBOA, Salime Donida Chedid et al. Práticas corporais de
aventura. Porto Alegre: SAGAH, 2019. p. 89-96. E-book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786581492861/. Acesso em: 15 dez. 2022.
SCOPEL, A. J. S. G. et al. Atividades físicas alternativas: práticas corporais de aventura. Curitiba: Intersaberes, 2020. E-Book. Disponível
em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/184970. Acesso em: 15 dez. 2022.

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