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Anatomia punho e mão Osteologia Túnel de Guyton • Formado pela região entre piramidal, pisiforme, hamato (dentro desse túnel existe a passagem do nervo ulnar). • Pode ser gerado fratura de nervo ulnar por diversas questões. • Perda sensitiva do 5° dedo e metade ulnar do 4° dedo; • Ramo motor compromete o adutor do polegar. Falanges • 14 ao todo, são pequenos ossos longos e são divididas em proximais, médias e distais. Elas possuem uma grande congruência, dando uma boa estabilidade aos dedos. - Os ossos da mão são organizados em 3 arcos separados que aumentam a função de preensão. - O arco longitudinal corta a mão longitudinalmente; o arco metacarpiano (cabeça dos metacarpos); o arco carpal forma a base para a movimentação dos dedos e o assoalho do túnel do carpo.. Articulações: Articulação do carpo 1. Radiocárpica: é a articulação entre o rádio, o disco (localizado entre o rádio e o carpo) e a fila proximal dos ossos do carpo; 2. Intercárpica: localiza-se entre as filas proximal e distal dos ossos do carpo. OBS.: os movimentos de flexo-extensão, desvio radial e desvio ulnar são produzidos pela ação conjunta destas duas articulações. - Extensão mais a radiocárpica e flexão mais a intercárpica.. - desvio radial a fila proximal dos ossos do carpo vai se mover em direção a ulna, e a fileira distal desliza em direção ao radio pra que haja uma boa movimentação. - desvio ulnar a fileira proximal vai se mover em direção ao rádio e a fileira distal vai acompanhar o movimento 3. Carpometacárpica comum: é uma combinação de articulação planas entre a fila distal dos ossos de carpo e as bases do 2°, 3°, 4° e 5° metatarsos; possui poucos movimentos. 4. Trapeziometacárpica: é a articulação em sela entre o 1° metacarpo. É uma articulação de grande mobilidade: movimentos = flexo-extensao, ADD-ABD, oposição e circundução. Retináculos e aponeuroses 1. Aponeurose palmar: tecido conectivo denso (forte) localizado abaixo do tecido subcutâneo; é continuo com o tendão do musculo palmar longo e as fáscias dos músculos tênares e hipotenares. Esta aponeurose protege a artéria ulnar, o nervo ulnar e vasos digitais, além de transmitir a fraca força de flexão do palmar longo para os dedos. 2. Retináculo flexor: localiza-se abaixo da aponeurose palmar e forma o teto do túnel do carpo. Este retináculo oferece inserção, ajuda a manter o arco do carpo, evita o deslocamento dos tendões flexores e protege o nervo mediano. Deformidades da mão: • Dedo de Mallet (dedo em martelo): a artc. IFD (interfalangiana distal) permanece em flexão, por ruptura do extensor comum dos dedos, na base da falange distal. • Dedo em pescoço de Cisne: flexão da MCF (metacarpofalangiana), extensão da IFP e flexão da IFD. É uma deformidade típica da AR. • Dedo de Boutonniere: extensão da MCF, flexão da IFP e extensão da IFD. • Mão de macaco: hipotrofia da eminencia tenar, causada por lesão do mediano (palma da mão achatada). • Mão de bispo: hipotrofia da eminência hipotênar e fraqueza dos interósseos e dos lumbricais mediais, devido a uma lesão o nervo ulnar. • Contratura de Dupuytren: espessamento nodular e posterior contração da fáscia palmar, ocasionando flexão do dedo na articulação metacarpofalangeana. Fisiopatologia: causa desconhecida. Existe um distúrbio do turnover do colágeno e uma proliferação dos miofibroblastos que vão dar origem a nódulos palmares pré tendinosos e, posteriormente, as cordas espessas que estão na origem das contraturas dos dedos. Mas comum em homens, que normalmente desenvolve o grau 3. Quando os pais tem normalmente os filhos também tem. Associado a tabagismo, cirrose, vibração excessiva a palma da mão. Tratamento, conservador X cirúrgico: - depende da fase da contratura (inicial, fase 1 ou 2 – conservador, tratamento com fisioterapia) - realizar o “teste da mesa”: se a palma da mão não consegue tocar a mesa, fase cirúrgica; - algumas cirurgias: fasciectomia parcial – retirada do tecido afetado; - fasciotomia – incisão mínima para realizar o corte das cordas; - cirurgia de palma aberta – indicada em casos mais graves (contratura já em fase crônica). Avaliação fisioterápica: 1. Teste de Finkelstein: determina a presença de uma tenossinovite do extensor e do abdutor do polegar (doença de Quervain). Pode ser realizado com o paciente apenas realizando um desvio ulnar; ou fechando o punho com o polegar dentro dos dedos e realizando um desvio ulnar teste positivo = dor sobre os tendões destes músculos. Este teste pode causar desconforto = deve sempre ser comparado com o outro lado. 2. Teste de Phalen: o examinador flete maximamente os punhos do paciente, aplicando cerca de 1 minuto. Um teste positivo causa parestesia (formigamento) no polegar, indicador, dedo médio e metade do anular (região inervada pelo mediano) e é indicativo de síndrome do túnel do carpo. 3. Sinal de tinel: o examinador faz percussões sobre a região palmar do antebraço e punho (túnel do carpo). Um teste positivo causa uma parestesia na área inervada pelo mediano e é indicativo de síndrome do túnel do carpo. 4. Sinal de Fromet: paciente tenta segurar um papel entre o polegar e o indicador e o terapeuta tenta arranca- lo. Quando o paciente apresenta uma fraqueza ou paralisia do adutor do polegar (inervado pelo nervo ulnar), a falange distal flexiona-se, tentando segurar o papel. Este teste indica lesão do nervo ulnar. Lesão traumática dos tendões flexores, dos dedos e polegar Ruptura do tendão flexor profundo dos dedos: Causas mais frequentes: → Ferimentos abertos; → Artrite reumatoide; → Atleta -> tentativa de agarrar o oponente ou sua camisa; → Mais acometido: 4° dedo. Avaliação: → Quadro clinico – incapacidade de realizar a flexão; → Isolamento do tendão flexor. → Avaliar o nível de retração: - Classificação do tipo de ruptura do flexor profundo dos dedos/ nível da retração/ tempo para o reparo: 1: retraído ate a palma: 7 dias 2: retraído até a IFP: 10 dias 3: avulsão da falange distal: 2 semanas. Conduta: → Dependera: → Nível de retração do tendão; → Tempo de regeneração; → Se atleta -> posição dele na equipe, na temporada e nível de participação; → Filosofia do medico que realiza o tratamento; → Método de Kleinert -> flexão dinâmica. OBS: monitoramento por um medico e um terapeuta de mão experiente. Tratamento ortopédico: → Reparo cirúrgico: mais precoce quanto mais retraído estiver o tendão. → Reparo cirúrgico agudo (até 2 semanas de pós lesão) - vantagens: evita maior retração, oferece melhor condição para retorno ás atividades; - desvantagem: possibilidade de nova ruptura tendínea. Classificação do comitê de tendões da federação internacional das sociedades de cirurgia da mão: → Zona 1: distal a inserção do flexor superficial dos dedos. Lesão do flexor profundo dos dedos. Bom prognostico; → Zona 2: “zona de ninguém” túnel osteofibroso dos tendões. Irrigação sanguínea pobre, presença do túnel osteofibroso e proximidade de estruturas anatômicas; → Zona 3: palma da mão – limite distal do ligamento transverso do carpo e prega de flexão palmar distal. Suprimento sanguíneo abundante. Prognostico normalmente é bom; → Zona 4: túnel do carpo. Suprimento sanguíneo diminuído sendo a nutrição sinovial importante. Prognostico fica entre zona 2 e 3; → Zona 5: zona proximal ao canal do carpo. Aqui os tendões são bem vascularizados e o prognostico é bom. Irrigação dos tendões flexores dos dedos: Tipos de incisão para exploração cirúrgica e reconstrução dos tendões flexores (corte em z) Objetivos: 1. Manter o suprimento sanguíneo intacto; 2.Evitar retração em FLX; 3. Expor toda a bainha digital. → Reinserção do tendão → Tenorrafia (sutura do tendão): superfície mais lisa possível no tendão. → Reconstrução com enxerto (do palmar longo, mais usado, pois faz menos falta). → Tenólise: liberação de tendão aderidos – 3 a 6 meses após cirurgia de reconstrução. Tratamento fisioterapêutico pós-operatório: → Imobilização com tala para bloqueio dorsal + polia palmar; - punho em 20°-30° de flexão + MCF e, 60°-70° de flexão + IFP e IFD em extensão plena + tração dinâmica passiva para flexão de dedos. 1° mês: → Extensão ativa até limite da tala; → Flexão SOMENTE passiva; → Cuidados com cicatriz: recursos para acelerar e melhorar cicatrização e massagem de tecido cicatriciais após retirada de ponto. Métodos de mobilização passiva precoce: → Técnica de Duran → Técnica de Kleinert (mais usada hoje em dia) 4° a 6° semana: inicia flexão ativa delicada 6 a 7 semana: - Deslizamento de tendões; - Iniciar flexão e extensão ativas de punho; - Progressão com flexão ativa de dedos: abrir e fechar mão, estimulação elétrica funcional para flexores de dedos (FES). 8 a 12 semana: - ênfase para fortalecimento muscular de flexores de dedos. - Alta fisioterapêutica Fatos importantes na fisiologia e biomecânica dos tendões flexores: → Os tendões cicatrizam através de uma combinação de atividade celular intrínseca e extrínseca; → Sem estresse mecânico o tendão cicatriza em cerca de 8 semanas e o tendão ainda terá pequena resistência pois não há alinhamento das fibras colágenas; → Tendões submetidos a estresse mecânico cicatrizam mais rápido, com menor aderência e melhor excursão por haver alinhamento das fibras colágenas de forma mais precoce; → A força exercida dos tendões normais é cerca de 500 gm para movimentação passiva, 1500 gm para preensão leve, 5000 gm para preensão forçada e 9000 gm para pinça digital realizada para preensão de pequenos objetos. Métodos de avaliação funcional: TAM = (Total da flexão ativa da metacarpofalangiana + interfalangiana proximal + interfalangiana distal) – (perda da extensão da metacarpofalangiana + interfalangiana proximal + interfalangiana distal). → Excelente: TAM 260° (normal) → Bom: TAM 195° a 259° (TAM > 75°) → Regular: TAM 130° a 194° (TAM > 50°) → Mau: TAM 0° a 129° (TAM < 50°). TAM modificado por Strickland = (Total da flexão ativa da interfalangiana proximal + interfalangiana distal) – (perda da extensão da interfalangiana proximal + interfalangiana distal). → Excelente 175° a 150° (TAM > 85%) → Bom: 125° a 129° (TAM > 70%) → Regular: 90° a 124° (TAM > 50%) → Mau: 0° a 89° (TAM < 50%). Armadilhas comuns no tratamento: Fatores anatômicos e humanos: → Adesão é baixa; → Pode ocorrer aderência do tendão na cicatrização do dedo; → Pode ocorrer quadredgia (diminuição na capacidade de gerar movimento devido ao efeito adverso da patologia sobre o desempenho normal do musculo. → Compressão intrínseca resultara em perda da destreza motora fina → Compressão extrínseca resultara em perda da destreza motora grosseira. Tratamento com órtese: → Conscientização inadequada das contraturas em flexão da IFP; → Lesão podem passar despercebidas devido a trauma de tecido mole; → No período pós-operatório, o atleta dever ser capacitado de flexionar passivamente todos os dedos até a palma e estende-los ativamente até a tala de bloqueio dorsal antes de deixar a primeira sessão de tratamento; → Deve-se chamar a atenção do atleta para que não permita que dedos ou punhos sejam flexionados ou estendidos fora da tala de bloqueio dorsal protegida. Fisioterapia nas doenças e lesões traumáticas do punho e mão Tenossinovite estenosante de Quervain ▪ Acomete mais mulheres na proporção de 6:1 (gestantes); ▪ Faixa etária entre 40 e 60 anos; ▪ Dor progressiva na borda radial do punho (próximo ao polegar) ▪ Principalmente para carregar sacolas e bolsas. ▪ Quervain descreveu a entorse das lavadeiras, em função do desgaste sobre os tendões dos músculos abdutor longo do polegar e extensor curto do polegar. Avaliação fisioterapêutica: ▪ História da moléstia atual; ▪ Inspeção; ▪ Palpação; ▪ ADM de polegar (principalmente o de abdução e extensão) ▪ Teste provocativo: teste de Finkelstein (começar o teste pelo lado não acometido, e depois acometido) Tratamento conservador: ▪ Imobilização com luva gessada curta para polegar: punho a 15° de extensão + polegar a 40° de abdução e 10° de flexão + IF livre (6 semanas) ▪ Infiltração com corticoide; ▪ Controle da dor e inflamação; ▪ Após imobilização: exercícios ativos de ADM polegar e punho dentro dos limites da dor 2x ao dia. ▪ Ultrassom na mão ou laser mais profundo de 830 a 904 (ultrassom melhor resultado na literatura). Tratamento pós-operatório: ▪ Inicia-se em 1 semana de P.O ▪ Exercícios ativos e passivo de polegar e punho; ▪ Cuidados com cicatriz (após retirada de pontos). Uso de laser L neônio, 630 pontual na região dos pontos (3 a 6 J/cm²) ▪ Retorno ás atividades. 3 a 4 semanas de P.O (previsto). Dedo em gatilho ▪ É uma tenossinovite digital estenosante que afeta particularmente, e em ordem decrescente, 1°, 3° e 4° dedos e que resulta em constrição da polia sobreposta à articulação metacarpo-falangeana. Um nódulo tendíneo pode desenvolver no local da estenose. ▪ Suas principais causas são: - Atividades repetitivas de preensão; - Diabetes; - Hipotireoidismo; - Artrite reumatoide; - Artrite psoriática; - Infecções. Classificação: ▪ Grau 1: pré gatilho: dor e edema sobre a polia A1, porém sem bloqueio; ▪ Grau 2 (ativo): bloqueio presente, e paciente consegue estender o dedo ativamente; ▪ Grau 3 (passivo): bloqueio presente, e paciente não consegue estender o dedo ativamente, necessitando auxilio da outra mão (grau 3 A) ou incapacidade de flexionar ativamente (grau 3 B); ▪ Grau 4 (contratura): contratura fixa do dedo, com IFP em flexão. Tratamento conservador: ▪ Infiltração com corticoides: acetato de metilprednisolona ou betametasona. ▪ Imobilização das MCF com IFD e IFP livres; ▪ Evitar atividades manuais que exigem esforço repetitivo; ▪ Fonoforese com objetivo de controle de inflamação com ativos fitoterápicos ou mesmo hidrocortisona (se não houver contraindicação. ▪ Quando inflamação e edema controlados: exercícios ativos e passivos de ADM (extensão e flexão de dedos); exercícios de deslizamento do tendão. Tratamento pós-operatório: ▪ Liberação percutânea do túnel osteofibroso: secção da polia A1, utilização agulha hipodérmica e anestesia local. ▪ Liberação cirúrgica: incluindo uma via de acesso palmar na região da prega palmar distal dos dedos ou prega de flexão metacarpofalagiana do polegar, dissecção e secção longitudinal da polia A1. ▪ Enfatizar controle de edema e início de exercícios ativos e passivos de ADM (1° a 2° semana de PO); ▪ Cuidados com cicatriz e continuação dos exercícios de ADM (3° a 4° semana de PO); ▪ Fortalecimento da mão no limite da dor (4° a 6° semana de PO).