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Matéria Direito, Proteção e Inclusão Social
Unidade 1 / Aula 1Direitos fundamentais: conceitos
Introdução
O que você sabe sobre Direitos Humanos?
Este curso visa a conceituar, promover e capacitar pessoas à área de Direitos Fundamentais e Direitos Humanos, presentes em nossa vida em sociedade. Uma vez que os indivíduos conhecem os seus direitos e desmistificam certos conceitos historicamente mal compreendidos pelo senso comum, tornam-se agentes de transformação social em seus locais de trabalho, compartilhando informações sérias que levam o direito a tantas pessoas.
Assim, você compreenderá na prática a aplicação da legislação que permeia os Direitos Fundamentais e Direitos Humanos, muitas vezes, abstrata e desconhecida de grande parte da população, com aplicação de casos do nosso cotidiano, a fim de que venha a promover direitos e fazer a diferença em nossa sociedade!
O material desta disciplina ficará disponível em todos os momentos que você desejar estudar e refletir sobre o conteúdo. Bons estudos! 
Direitos Fundamentais
Marco histórico do processo de internacionalização dos direitos humanos e princípios fundamentais
Direitos humanos e direitos fundamentais são assuntos indispensáveis em nossa sociedade. Esses termos estão diariamente em mídias sociais, nas relações de trabalho, nas discussões familiares, seja nos espaços públicos, seja em espaços privados. Contudo, a que se referem, exatamente, os Direitos Humanos, Princípios e Direitos Fundamentais? Há diferenças? Como eles chegaram até nós? Você sabe explicar o que são? Aqui, abordaremos os conceitos de Direitos Humanos, Princípios e Direitos Fundamentais. 
Nesse sentido, comecemos com os Direitos Fundamentais, que, historicamente, estão ligados aos primeiros documentos e constituições escritas, que visavam à limitação de poderes de soberanos e de reis absolutistas. Como exemplo, podemos citar os ideais do iluminismo e das revoluções burguesas dos séculos XVI a XVIII, nas Constituições dos Estados, em especial dos Estados Unidos, da Inglaterra e da França (SARLET, 2017). Os direitos à propriedade, ao devido processo legal, à vida e outros foram previstos em tais documentos; aliás, os direitos fundamentais são os previstos pela Constituição de cada país.
Em relação aos Direitos Humanos, faz-se importante ressaltar que o seu processo histórico se dá em conjunto com a história da humanidade e estará sempre em construção; assim, sua característica é a sua aplicação a todos os indivíduos e lugares, pois se trata de direitos universais, de ordem internacional.
Para fins de marco temporal do Direito Internacional dos Direitos Humanos, neste módulo de estudos, usaremos a Declaração Universal de Direitos Humanos, de 1948, que foi produzida pelos países-membros da Organização das Nações Unidas, criada em 1945 após a Segunda Guerra Mundial e as trágicas consequências oriundas desse conflito, em especial, aos indivíduos mais vulneráveis, tais como crianças, adolescentes, idosos, mulheres, pessoas com deficiência, povos negros e originários, população LGBTQIA+ e demais públicos vulneráveis (RAMOS, 2016, p. 49). 
Assim, como forma de prever, proteger e garantir os direitos a essas pessoas, foram produzidos diversos documentos e tratados internacionais, os quais começaram a prever, por exemplo, direito à vida, ao trabalho, direitos políticos e demais direitos civis. Conforme Ramos (2016, p. 29), “os Direitos Humanos consistem em um conjunto de direitos considerado indispensável para uma vida humana pautada na liberdade, igualdade e dignidade”.
Após a explicação da diferença entre Direitos Fundamentais e Direitos Humanos, temos de entender que ambos os termos se coexistem, pois muitos países, inclusive o Brasil, incorporam os tratados internacionais de direitos humanos em seus ordenamentos jurídicos, o que não acarreta conflitos entre estes e os direitos fundamentais previstos em suas constituições. Por fim, os princípios são espécies das normas constitucionais e estão relacionados aos ideais de justiça e valores éticos; são conceitos mais abstratos e genéricos, com aplicabilidade imediata, como o princípio da dignidade da pessoa humana, com margem para diversas interpretações sobre o termo. Os princípios “indicam uma direção, um valor, um fim” (BARROSO, 2015, p. 243) ao intérprete da Constituição.
Até breve! 
Direitos Fundamentais: Conceitos
Marco Histórico do Processo no Brasil dos Direitos Humanos e Princípios Fundamentais
Abordamos o processo histórico, os conceitos, as diferenças dos Direitos Fundamentais, Direitos Humanos e Princípios; Aqui, aprofundaremos tais temas no Brasil: qual o marco histórico de Direitos Humanos e Direitos Fundamentais no país? Quais são esses direitos e como podemos contextualizá-los?
Preliminarmente, faz-se importante ressaltar que a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que estudamos no bloco anterior, faz a previsão da promoção de direitos como saúde, alimentação, habitação, educação etc. (ONU,1948); além disso, o referido documento motivou os países-membros da ONU a produzir outros documentos com temas sobre Direitos Humanos, como o Pacto Internacional Sobre os Direitos Civis e Políticos (PIDCP) e Pacto internacional de Direitos Sociais, Econômicos e Culturais, ambos de 1966 (PIDESC) (RAMOS, 2016). No PIDCP, há previsão sobre o direito à vida e de não ser submetido à escravidão e à servidão, por exemplo; já no PIDESC, são previstos os direitos ao trabalho, o direito à educação, à cultura, entre outros direitos sociais. O Brasil incorporou os referidos pactos em seu ordenamento jurídico em 1992.
Paralelamente a isso, o marco histórico dos Direitos Fundamentais e Direitos Humanos no Brasil se deu a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988. Esse documento sinaliza o compromisso do constituinte à promoção e proteção de diversos direitos individuais e coletivos por meio do Estado democrático de direito; assim, no Título I – Dos Princípios Fundamentais da Constituição Federal de 1988, encontra-se o artigo 4º, inciso II, com a previsão de que o Brasil observará o princípio da “prevalência dos Direitos Humanos” (BRASIL,1988).
Assim sendo, os direitos previstos nos documentos internacionais acima estão previstos na Constituição Federal de 1988, tais como o direito ao trabalho, à educação, à saúde e aos demais direitos civis e sociais (BRASIL,1988). Portanto, podemos observar que foram reproduzidos diversos direitos previstos na Declaração Universal dos Direitos Humanos e dos referidos pactos na Constituição de 1988.
Ainda, a Carta Constitucional tem, em sua redação, no Título I – Dos Princípios Fundamentais, a previsão do artigo 4º, II, que dispõe a observância do Brasil ao “princípio da prevalência dos Direitos Humanos”, mas o que isso quer dizer? Significa que as normas constitucionais de direitos fundamentais já existentes irão conviver com toda aprovação e ingresso de Direitos Humanos, por meio de seus Tratados Internacionais, de forma harmoniosa no ordenamento jurídico brasileiro, sem a exclusão de direitos. Cada caso será analisado e o uso desses direitos ocorrerá por meio de sopesamento, proporcionalidade e razoabilidade.
A partir de 2004, os Tratados e Convenções Internacional sobre Direitos Humanos aprovados pelo Congresso Nacional em dois turnos, por três quintos dos votos de cada casa parlamentar, tiveram equivalência a emendas constitucionais. A Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, em 2008, no Brasil, foi a primeira a ter esse status. Você a conhece?
Até breve!
Direitos Fundamentais: Encerramento
Olá, estudante!
Vimos como a Declaração Universal de Direitos Humanos e de demais documentos internacionais influenciaram na previsão de normas de direitos Fundamentais na Constituição Federal de 1988 e a incorporação de Direitos Humanos por meio de Tratados Internacionais no ordenamento jurídico brasileiro; assim, neste bloco, será abordada a relação entre Direitos Humanos, políticas públicas e o papel do Direito na promoção de uma sociedade mais inclusiva, menos desigual e maisdigna aos indivíduos.
Uma vez que direitos à educação, ao trabalho, à saúde e tantos outros estejam previstos na Constituição Federal, como concretizá-los em nossa sociedade? Como fazê-los chegar a lugares e às pessoas mais vulneráveis?
A Constituição de 1988 dispõe sobre as competências de cada ente federativo, a União, os Estados, Distrito Federal e municípios, que são responsáveis pela efetivação de direitos por meio de políticas públicas. A nível local, compete ao município ofertar o Ensino Fundamental e a educação infantil; já aos estados e Distrito Federal, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio (BRASIL,1988). Assim, cada ente federativo, com seus respectivos poderes executivo e legislativo, tem o dever de cumprir as obrigações previstas no texto constitucional por meio de políticas públicas, sendo esta conceituada pelo ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Eros Grau.
A expressão ´ políticas públicas ´ designa todas as atuações do Estado, cobrindo todas as formas de intervenção do Poder Público na vida social. E de tal forma isso se institucionaliza, que o próprio direito, neste quadro, passa a se manifestar como uma grande política pública- o direito é também, ele próprio, uma política pública. (GRAU, 2011 apud ALMEIDA, 2017, p.162)
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Exemplificando
Para exemplificar, uma vez que o direito à educação é um direito fundamental e previsto na Constituição de 1988, sua aplicação ocorrerá por meio de políticas públicas, como o Plano Nacional de Educação, a nível nacional; o Plano Estadual de Educação, a nível dos Estados e DF, e o Plano Municipal de Educação, dever dos municípios. Você os conhece? Conseguem perceber que esses direitos caminham por uma lógica, desde a Declaração Universal de Direitos Humanos até aos municípios brasileiros? O seu bairro contempla uma escola?
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Assim, uma vez que esses direitos são vistos como Fundamentais e são exigíveis pelo poder público, na medida das competências de cada ente federativo, a violação e o descumprimento de tais direitos, seja por ausência de vagas, seja por fechamento de escolas, seja pela ausência de acessibilidade aos alunos com deficiência, devem ser revistos por meio de alternativas que a própria Constituição Federal faz previsão, de forma administrativa (extrajudicial) ou judicial, por órgãos como o Ministério Público, Defensoria Pública, OAB e Poder judiciário; requerimento ao Conselho Tutelar, nas hipóteses de crianças e adolescentes; além de comissões de direitos das câmaras municipais, das Assembleias legislativas dos Estados, do Congresso Nacional etc. Os órgãos acima serão estudados nos próximos temas!
Você conhece alguém cujo direito à educação foi violado?
Dessa forma, concluímos a primeira etapa do curso. Uma vez que conhecemos os conceitos dos Direitos Fundamentais e Humanos, sabemos onde estão previstos, bem como quais são os direitos exigíveis, temos mais propriedade para lutar por eles e promovê-los, a fim de construirmos um país mais solidário.
Até mais!
Olá, estudante!
Percorremos, em três blocos, o marco histórico dos Direitos Fundamentais e Direitos Humanos, bem como os seus conceitos e como estão na Constituição Federal de 1988; dessa forma, já somos capazes de exigi-los, bem como sabemos quem tem o dever de garanti-los. Ufa!
Agora, você é nosso convidado para assistir ao vídeo produzido com os principais temas abordados em aula, tais como a Constituição Federal de 1988, Direitos Fundamentais e Humanos e políticas públicas. Vamos juntos?  
Saiba mais
Você conhece o site mais confiável para acessar a Constituição Federal de 1988 e demais legislações do país?
Acesse e faça a busca legislativa.
Você conhece a Constituição Federal de 1988?
Em 2018, a Declaração Universal dos Direitos Humanos completou 70 anos; para comemorar esse feito, acesse o link da ONU traduzido em português.
Conheça mais sobre o Plano Nacional de Educação.
Unidade 1 / Aula 2O direito como mecanismo garantidor da inclusão social
Introdução
Boas-vindas à mais essa etapa, que visa a conceituar, promover e capacitar pessoas à área de Direitos Fundamentais e Direitos Humanos presentes em nossa vida em sociedade. Uma vez que os indivíduos conhecem os seus direitos e desmistificam certos conceitos historicamente mal compreendidos pelo senso comum, tornam-se agentes de transformação social em seus locais de trabalho, compartilhando informações sérias que levam o direito a tantas pessoas.
Assim, você compreenderá a aplicação da legislação que permeia os direitos humanos e fundamentais, as políticas públicas afirmativas e inclusivas e a importância dos poderes executivo, legislativo, judiciário e sistema de justiça para efetivá-las. Nesse sentido, venha promover direitos e fazer a diferença em nossa sociedade! O material deste curso estará disponível em todos os momentos que você desejar estudar e refletir sobre o conteúdo. Bons estudos! 
Princípio da Dignidade Humana e Outros Princípios Basilares na CF/88
Olá, estudante!
Já conhecemos e estudamos o histórico dos direitos fundamentais e direitos humanos, o conceito e a aplicação de cada um deles na Constituição Federal, influenciada pela Declaração Universal dos Direitos Humanos; agora, estudaremos a importância do direito como um instrumento garantidor da inclusão social.
Você sabe responder quais premissas são consideradas para uma sociedade mais inclusiva? O que o direito considera como inclusão social? 
A Constituição de 1988 tem como um dos seus fundamentos, o princípio da dignidade da pessoa humana. Como já abordamos na aula anterior, tal princípio apresenta um conceito abrangente, porém, a título de exemplificação, abordaremos o assunto a partir da perspectiva dos juízes Cançado Trindade e Abreu Burelli, no caso dos Meninos de Rua VS Guatemala, pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, que defenderam que o direito à vida deve ser consubstanciado a outros direitos indispensáveis a uma vida plena e digna; em seguida, acrescentam:
“[...] Uma pessoa que em sua infância vive, como tantos países da América Latina, na humilhação da miséria, sem a menor condição de criar seu projeto de vida, experimenta um estado de padecimento equivalente a uma morte espiritual; a morte física que a esta segue, em tais circunstâncias, é culminação da destruição total do ser humano (§9º)”. (1997 apud PAIVA et al., 2017, p. 106).
Dessa forma, para que os indivíduos possam usufruir dignamente de seus direitos e construir uma sociedade menos desigual, a Constituição Federal de 1988 estabeleceu, em seu artigo 5º, inciso II, o princípio fundamental à igualdade, já que todas as pessoas serão iguais perante a lei, inclusive, homens e mulheres, em direitos e obrigações.
Contudo, você já percebeu que, apesar de todas as pessoas serem consideradas iguais juridicamente, muitas delas não conseguem acessar e garantir seus direitos básicos? Devemos entender que há duas dimensões do princípio da igualdade: a formal e a material. O primeiro termo corresponde à igualdade perante a lei em direitos e deveres; o segundo corresponde a uma igualdade em direitos e oportunidades, de forma concreta, em nossa sociedade, tais como direito à segurança alimentar, ao trabalho e ao direito à educação.
A igualdade material também promove políticas em razão do gênero, orientação sexual, raça e liberdade religiosa no combate a diversas discriminações que esses públicos vulneráveis sofrem historicamente (RAMOS, 2016). Alguns fatores impedem a oportunidade de direitos e a efetividade do princípio da igualdade; as discriminações diretas e a indireta são um exemplo.
Discriminações indiretas - a discriminação indireta é praticada por condutas “aparentemente neutras”, de maneira mais discreta.
Discriminações diretas - trata de excluir, invisibilizar, desvalorizar certos grupos em nossa sociedade.
Um exemplo é uma empresa ofertar vagas de trabalho e, aparentemente, em seu processo seletivo imparcial, excluir candidatos com deficiência, ainda que com as mesmas competências técnicas que os demais que passaram, logo, há um desinteresse da empregadora eminvestir, capacitar e promover inclusão e igualdade (RAMOS, 2016).
Como essas práticas acontecem diariamente com públicos vulneráveis, para reduzir e evitar diversos tipos de discriminação, o Estado tem o dever de investir e efetivar políticas públicas afirmativas para esses grupos, de modo a promover o princípio da igualdade em oportunidades. Sobre políticas de inclusão, falaremos a seguir!
Até breve!
Elaboração de Políticas Públicas e a Separação de Poderes
Olá, estudante!
Anteriormente, abordamos o princípio da dignidade da pessoa humana; os conceitos sobre o princípio da igualdade, tanto seu aspecto formal quanto material; bem como explicamos a importância da efetividade desse princípio aos historicamente desiguais. Aristóteles já afirmava “[...] a igualdade consiste em tratar de modo desigual os desiguais [...]” (ARISTÓTELES,1997 apud RAMOS, 2016, p. 505); para tanto, como efetivar direitos e oportunidades a todos, em especial, aos grupos historicamente vulneráveis, que não usufruem da distribuição justa de bens, proteção, direitos e serviços?
O Estado e a iniciativa privada são competentes para a formulação de ações afirmativas cuja criação se deu nos Estados Unidos, segundo Martins (2021), e a importância dos poderes executivo, legislativo e judiciário para a promoção de tais políticas é enorme para uma sociedade menos desigual. O poder executivo cria políticas públicas por meio de seu plano plurianual, Lei de Diretrizes orçamentárias e Lei orçamentária anual, documentos estes, com a previsão de orçamento público vinculado a políticas públicas, que devem ser submetidos ao poder legislativo, para sua aprovação ou vedação, conforme previsão na Constituição Federal. Se for uma proposta de lei para a criação de políticas inclusivas, a iniciativa pode vir dos poderes executivo, legislativo, judiciário e da iniciativa popular (BRASIL,1988).
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Exemplificando
Um exemplo de ações afirmativas é a previsão legal de cotas para pessoas com deficiência nas empresas com 100 (cem) ou mais funcionários, pelo artigo 93 da Lei Federal nº 8.213/91, com previsão de fiscalização para o cumprimento desse direito por órgãos públicos. O Programa Universidade para Todos, o PROUNI, instituído pela Lei nº 11.096/2005, que dispõe sobre a oferta de bolsas integrais e parciais ao ensino superior, aos alunos de baixa renda, a estudantes de escolas públicas e pessoas com deficiência, é um exemplo de ações afirmativas (MARTINS, 2021).
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A importância de cada poder (executivo, legislativo e judiciário) para a construção e efetivação de direitos definirá um país menos desigual. Você conhece alguém que precisou acessar o sistema de justiça para conseguir efetivar algum direito? Quando os poderes do executivo e legislativo negam ou violam direitos, uma das alternativas para a sua obtenção é acessar o sistema de justiça por meio de órgãos que mediam conflitos na esfera extrajudicial ou que, no insucesso de ser resolvida a questão por esse meio, pleiteiam, junto ao poder judiciário, direitos individuais e coletivos. Para tanto, o sistema de justiça precisa ser acessível para as pessoas, o que, infelizmente, não é uma realidade para todos, concorda?
Você conhece as Defensorias Públicas Estaduais e da União, os Ministérios Públicos Federal e Estaduais, o Ministério Público do Trabalho e a Ordem dos Advogados do Brasil-OAB? Há esses órgãos em seu município? No geral, a Defensoria Pública e o Ministério Público são órgãos previstos na Constituição Federal de 1988, os quais visam a defender, gratuitamente, direitos individuais e coletivos, inclusive o meio ambiente. A Defensoria Pública promove atendimento jurídico à população vulnerável, que não tem recursos financeiros para contratar um advogado particular, conforme a nossa Constituição (1988), por isso, é importante atentar-se às políticas públicas inclusivas e fiscalizar os poderes executivo e legislativo para efetivá-las, bem como é preciso maiores investimentos nesses órgãos de justiça, que defenderão o seu direito e da comunidade, em caso de violação ou omissão do Estado.
Até breve!
A Jurisprudência dos Tribunais Superiores Brasileiros e Internacionais na Efetivação de Direitos Humanos e Fundamentais
Olá, estudante!
Nos temas anteriores, foi abordada a importância do Estado em propor e assegurar políticas públicas, em especial às inclusivas, por meio de ações afirmativas, a indivíduos e grupos em situação de diversas vulnerabilidades. As iniciativas públicas e privadas são indispensáveis para a efetivação do princípio da igualdade material e da dignidade da pessoa humana, e na omissão e/ou violação de direitos, o poder judiciário é um caminho para exigi-los.
Esse acesso à justiça em busca de direitos, segundo BARROSO (2015), é denominado “judicialização” de políticas públicas. Segundo o jurista, isso não quer dizer que o poder judiciário irá invadir as esferas dos poderes executivo e legislativo, significa que o poder judiciário irá determinar a efetivação de direitos a quem é competente para promovê-los. Um exemplo, foi o Supremo Tribunal Federal, corte de instância máxima que profere decisões em última instância e, em alguns casos, em única instância, para determinar ao governo federal a elaboração de um plano de enfrentamento para a prevenção e proteção aos povos originários, em razão da Covid-19.
Diversos direitos fundamentais aos povos originários foram violados, tais como o direito à vida, à saúde, alimentação, segurança, entre outros direitos sociais, logo, você consegue perceber que os grupos vulneráveis são os mais afetados em crises sanitárias, humanitárias e socioeconômicas?
Outro exemplo foi o mesmo tribunal decidir pelo reconhecimento da união homoafetiva como unidade familiar ao equipará-la às relações heteroafetivas. O Supremo Tribunal Federal garantiu os direitos e garantias a toda união, independentemente da orientação sexual, do sexo, gênero e classe social. O congresso e poder executivo não haviam proposto lei ou emenda constitucional sobre o tema, nesse sentido, o Conselho Nacional de Justiça, órgão do poder judiciário, editou a Resolução nº 175/2013 para vedar a recusa de cartórios para celebrações civis e de união estável aos casais homoafetivos (MARTINS, 2021). Por outro lado, o poder judiciário e o sistema de justiça de um país possuem suas dificuldades e, muitas vezes, são violadores de direitos, por isso, há sistemas jurisdicionais internacionais de Direitos Humanos, dos quais o Brasil é membro e aceita ser processado por tais órgãos, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA).
Um exemplo de condenação do Brasil, a nível internacional, foi o caso Simone Diniz. A vítima sofreu discriminação racial ao candidatar-se a uma vaga de emprego publicada em jornal. A contratante recusou a senhora Simone em razão desta ser uma mulher negra. Mesmo com provas cabais da discriminação sofrida, a justiça arquivou o processo judicial promovido pela senhora Simone Diniz em face da investigada, segundo a CIDH (OEA,2006). Inconformada, a vítima procurou orientação junto à OAB/SP, que decidiu denunciar o caso da senhora Diniz à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA; o órgão analisou que o Brasil violou os direitos de igualdade, de “não à discriminação”, de “garantias judiciais”, entre outros. A Comissão recomendou, ao Brasil, indenizar, em danos morais e materiais, a vítima; capacitar os funcionários da justiça e segurança pública a atuar frente ao tema racial e antidiscriminatório; realizar campanhas publicitárias para promover um país antirracista; investigar novamente do caso, entre outras medidas. O Brasil se comprometeu a cumprir algumas das exigências da Comissão (OEA, 2006).
Por fim, compreendemos que a luta pela efetivação de direitos é permanente e devemos, sempre, exigir do Estado uma sociedade menos desigual.
Olá, estudante!
Percorremos a nossa aula em três blocos e muitos conceitos e exemplos foram discorridos nesta disciplina; agora, você já pode compartilhar essas informações valiosascom aquelas pessoas que desconhecem seus direitos!
Aliás, convidamos você para assistir ao vídeo produzido com os principais temas abordados em aula e refletir sobre o conteúdo. Vamos juntos?  
Saiba mais
Você conhece o caso citado na aula dos “Meninos de Rua – Vilagran Morales e outros VS. Guatemala”? Para saber mais sobre o ocorrido, acesse o link do Núcleo Interamericano de Direitos Humanos da Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Você já entrou no site do Portal único de acesso ao ensino superior? No portal, estão reunidos os programas de ações afirmativas, como o PROUNI, SISU e FIES. Conheça essas políticas de inclusão e acesso à educação.
Você conhece o site da Defensoria Pública da União e sabe quais os serviços que o órgão realiza? Acesse para saber mais. 
Quanto às defensorias estaduais, faça uma pesquisa em um site de busca da seguinte forma: “Defensoria Pública do Estado de (insira o nome do estado)” e veja se há, em seu município, uma unidade do órgão!
Quer saber mais sobre direitos trabalhistas, discriminação nas relações de emprego e conhecer os canais de denúncias para violações de direitos trabalhistas? Acesso o site do Ministério Público do Trabalho.
Conhece a atuação do Ministério Público Federal? Na aba “atuação temática”, descubra os serviços prestados pelo órgão.
Quanto aos Ministérios Públicos Estaduais, pesquise, em um site de busca, “Ministério Público Estadual do estado de (insira o nome do estado)” e veja as unidades perto de você!
Quer saber mais sobre a Ordem dos Advogados do Brasil? Visite o site nacional, os estaduais e municipais. O órgão tem comissões temáticas, e, caso precisar ou quiser participar, entre em contato!
Por fim, quer saber mais sobre o Sistema da Organizações dos Estados Americanos? Acesse o site e clique em “relatorias”; o item apresentará as temáticas apreciadas e julgadas pela Comissão e Corte Interamericana.
Unidade 1 / Aula 3Medidas de proteção e acesso à justiça
Olá,  estudante!
Uma vez que os indivíduos conhecem os seus direitos e desmistificam certos conceitos historicamente mal compreendidos pelo senso comum, tornam-se agentes de transformação social em seus locais de trabalhos, compartilhando informações sérias e levando o direito a tantas pessoas.
Assim sendo, você compreenderá a aplicação dos Direitos Fundamentais e Direitos Humanos pelas medidas protetivas de urgências e outros instrumentos jurídicos indispensáveis à proteção e à reparação de um direito ameaçado ou violado. Após concluir esta aula, convidamos você a promover direitos e fazer a diferença em nossa sociedade!
Bons estudos! 
Medidas de Proteção como Instrumento de Proteção a Populações Vulneráveis
Olá, estudante!
Nos encontros anteriores, discorremos sobre a importância da efetivação de direitos humanos e fundamentais; o papel dos entes federativos, dos poderes executivo, legislativo e judiciário para a garantia de políticas públicas inclusivas e de ações afirmativas aos grupos historicamente vulneráveis; bem como conhecemos alguns órgãos essenciais à justiça, que prestam serviços gratuitamente para a defesa de indivíduos, coletivos e ao meio ambiente.
Pessoas em situação de vulnerabilidade precisam de maior proteção do Estado em razão de diversas violações de direitos que enfrentam. Muitas vezes, são situações limites e urgentes, de violências, rompimento de vínculos, questões relacionadas à saúde, alimentação, entre outras necessidades indispensáveis para o exercício de uma vida digna e que não podem esperar.
Para proteger e reparar direitos, há previsão no ordenamento jurídico brasileiro e no internacional das medidas protetivas ou de urgência. Conforme a Lei nº 11.340/06, que dispõe sobre a violência doméstica e familiar contra a mulher (a “Lei Maria da Penha”), há a seguinte previsão sobre as medidas protetivas: “[...] serão aplicadas isolada ou cumulativamente, e poderão ser substituídas a qualquer tempo por outras de maior eficácia, sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados”. (BRASIL, 2006, [s. p.]).
Portanto, as medidas protetivas serão aplicadas tanto para a proteção quanto em situações em que os direitos da vítima encontram-se violados pelo Estado, pela sociedade, família e pela própria condição de vulnerabilidade da pessoa (BRASIL, 2003).
Além do poder judiciário, outros órgãos poderão aplicar as medidas protetivas. No Estatuto da Criança e do Adolescente, ao Conselho Tutelar compete aplicar algumas medidas previstas pela Lei nº 8.069/90; já no Estatuto do Idoso, o Ministério Público. Para tanto, para que as medidas protetivas sejam aplicadas de forma eficaz, impedindo o dano a um direito ou a ineficácia de seus meios para a sua proteção (exemplo: um paciente vem a falecer no curso da ação judicial de medicamentos, em virtude da demora do poder judiciário em julgar o pedido), o legislador previu meios que facilitam a celeridade do acesso à justiça, especialmente aos mais vulneráveis.
A Constituição Federal de 1988 previu a gratuidade da justiça para pessoas economicamente hipossuficientes, que não conseguem pagar os custos processuais, taxas e seus emolumentos; assistência jurídica gratuita por meio das defensorias públicas estaduais e da União ou, na ausência dessas instituições nos municípios, convênio entre a defensoria e a OAB para atendimento gratuito, por meio de advogados e não de defensores públicos, além dos Ministérios Públicos Estaduais, da União, do Trabalho e centros de conciliação e mediação municipais, estaduais e federal (BRASIL, 2015). Outra garantia importante é a tramitação processual prioritária envolvendo idosos, pessoas com deficiência, criança e adolescentes, casos de violência doméstica, entre outras previsões nas legislações processuais brasileiras. Além disso, no ordenamento jurídico interno, há previsão de instrumentos jurídicos céleres em razão da iminência de danos, violações e outros riscos que podem sofrer um direito. As denominadas “tutelas de urgência”, que são medidas judiciais para a proteção de um direito em perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo, poderão ser aplicadas, por exemplo, para resguardar a vítima em caso de violência doméstica e familiar, para a realização de uma cirurgia ou internação em leitos hospitalares, entre outras situações urgentes.
Desse modo, percebemos os diversos mecanismos e ramificações para que um direito não venha a perecer e o quanto os investimentos públicos são importantes para que haja uma sociedade mais justa.
Até breve! 
Medidas de Proteção à Criança e ao Adolescente, Mulheres e Idosos
Olá, estudante!
Anteriormente, iniciamos os estudos sobre a importância das medidas protetivas, em especial aos indivíduos e grupos vulneráveis. Agora, vamos aprofundar a aplicação de medidas protetivas às crianças, adolescentes, mulheres e aos idosos.
Em primeiro lugar, já entendemos que as diversas violações de direitos podem ser cometidas pelo Estado, pela família, pela sociedade e pela própria condição de vulnerabilidade da vítima (BRASIL,1990), logo, devemos refletir que as medidas protetivas são aplicadas para proteger um direito em risco ou quando já existe a sua violação e torna-se necessária a redução de seus danos e/ou ações restaurativas. Pensemos que a violência pode se dar de diversas formas nos referidos grupos vulneráveis, não somente física ou sexualmente. Como você pode observar:
· violência psicológica;
· verbal;
· moral;
· patrimonial e digital;
· em razão de gênero;
· idade;
· orientação sexual;
· raça;
· etnia;
· condições socioeconômicas, culturais e demais recortes.
No Estatuto da Criança e do Adolescente, as medidas protetivas estão previstas para diversas situações. Podemos citar as orientações, os acompanhamentos da criança, do adolescente e de seus familiares pelo Conselho Tutelar ou por serviços especializados; questões relacionadas à saúde mental; atendimento e inclusão da família da criança ou do adolescente em serviços e programas de transferência de renda (Auxílio Brasil, antigo Bolsa Família) esocioassistenciais, como os Centros de Referências de Assistência Social (CRAS) e Centros de Referências Especializados de Assistência Social (CREAS). Quanto a esses exemplos, o Conselho Tutelar tem competência para solicitar tais atendimentos e serviços.
Algumas situações são tão graves e urgentes que exigem uma resposta rápida e segura para a criança e o adolescente. Podemos citar o afastamento da vítima do lar, por exemplo, nas hipóteses de violência doméstica e familiar, violência sexual, tortura e outros crimes em que, por motivos de segurança, a criança ou o adolescente é encaminhado às instituições de acolhimento, programa de acolhimento familiar e a famílias substitutas; aliás, essas medidas são de competência do poder judiciário (BRASIL,1990).
Já as medidas protetivas previstas pela Lei nº 11.340/06, em relação às mulheres, a legislação prevê o afastamento do agressor do local de convivência com a ofendida; proibição de aproximação com a mulher, seus familiares e testemunhas; pagamento de alimentos, além da inclusão da ofendida em programas de proteção; aliás, o agressor ou agressora também poderá ter sua prisão decretada preventivamente (BRASIL, 2006).
Em relação aos idosos, o Estatuto do Idoso faz previsão das situações de ameaças e violações de direitos a esse público, competindo ao Poder Judiciário ou Ministério Público aplicar medidas protetivas como: orientações, acompanhamento ao idoso; requisições para questões relacionadas à saúde ou problemas relacionados às substâncias psicoativas (drogas) ao ofendido ou pelo seu agressor e a inclusão do idoso em abrigos (BRASIL, 2003).
Devemos entender que todas essas medidas protetivas previstas devem contar com investimentos do Estado para fortalecer programas e serviços que cheguem aos que mais precisam. A ausência de serviços especializados desestimula denúncias aos órgãos competentes, impondo à vítima a vivência no ciclo da violência.
Por fim, podemos refletir e fazer o exercício da cidadania para a divulgação de serviços que possam levar direitos a indivíduos que passam por situações de violências e que não saibam ou se sintam inseguros para pedir ajuda. O canal de denúncia para violência contra a mulher é o 180, e para violações de direitos humanos (contra idosos, crianças, adolescentes, pessoas com deficiência, população LGBTQIA+, povos originários, negros e a quem precisar), é o disque 100 (BRASIL, 2022).
Seja um agente de transformação social!
Medidas de Proteção e o Sistema de Justiça Nacional e Internacional
Olá, estudante!
Já foram abordadas as medidas protetivas e a importância desse instrumento jurídico para a proteção de direitos de indivíduos e grupos, em especial, aos de vulnerabilidade. Discorremos sobre as peculiaridades dessas medidas previstas em lei às crianças e adolescentes, mulheres e idosos, e quanto à sua aplicação, em âmbito nacional, as medidas protetivas são concedidas pelo poder judiciário, embora outros órgãos tenham previsão legal para requisitá-las, como vimos nos blocos anteriores.
Para esta aula, a título de exemplificação de aplicação de medidas protetivas, abordaremos um caso a nível nacional. Uma das Cortes mais importantes do poder judiciário, o Superior Tribunal de Justiça, STJ, decidiu que as medidas protetivas previstas na Lei nº 11.340/06, Lei Maria da Pena, são aplicadas às mulheres transexuais, em casos de violência doméstica ou familiar.
O Ministro Rogério Schietti Cruz, relator do julgado, fez as seguintes considerações:
[...] Este julgamento versa sobre a vulnerabilidade de uma categoria de seres humanos, que não pode ser resumida à objetividade de uma ciência exata. As exigências e as relações humanas são complexas, e o direito não se deve alicerçar em discursos rasos, simplistas e reducionistas, especialmente nestes tempos de naturalização de falas de ódio contra a minoria. (BRASIL, 2022, [s. p.]).
Portanto, a Corte atendeu, por meio de medidas protetivas previstas na Lei nº 11.340/06, às mulheres trans em razão do gênero e não em razão do sexo biológico. E outra decisão proferida pela mesma Corte inclui as relações homoafetivas entre duas mulheres; relações entre mãe e filha, entre irmãos e demais relações familiares, sendo indispensável à vítima ser mulher.
Uma curiosidade: você sabia que a Lei 11.340/06 foi editada após o Brasil ser denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos pelo caso da Sra. Maria da Penha Maia Fernandes? A referida normativa foi uma das recomendações ao país para combater a violência contra a mulher (PAIVA, 2017).
A nível internacional, como já foi abordado em outras aulas, o Brasil participa do sistema de justiça das Organizações das Nações Unidas, a ONU, e da Organização dos Estados Americanos, a OEA, e esses sistemas preveem suas medidas protetivas e de urgência, contudo, com outras denominações; na OEA, pelo sistema interamericano de justiça, existem as medidas cautelares determinadas pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e as medidas provisórias, estas expedidas pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CDH) (RAMOS, 2016).
A nível internacional, o Brasil foi denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos no caso “Adolescentes internos no Centro de Atenção Juvenil Especializado (CAJE)”, em Brasília/DF, por descumprir medidas que visam a proteger a vida e a integridade física de adolescentes sob sua custódia no referido estabelecimento de ressocialização juvenil. Relatos de mortes e outras violências foram denunciadas à Comissão, em razão da negligência e omissão estatal (OEA,2020). O órgão internacional fez uma série de recomendações ao Brasil e aplicou medidas cautelares ao país, para que providenciasse medidas eficazes frente à tamanha gravidade e urgência da situação; o Brasil, após ser acompanhado pela Comissão para a concretização de diversas recomendações, conseguiu providenciar medidas benéficas ao caso, incluindo a desativação do estabelecimento de ressocialização juvenil e a construção de outras unidades com estruturas arquitetônicas mais adequadas aos adolescentes, além de condições mais dignas de atendimento aos jovens assistidos (OEA, 2020).
Lembre-se: devemos sempre cobrar das autoridades a proteção devida aos nossos direitos!
Até mais!
Olá, estudante!
Vimos, em três blocos, a aplicação das medidas protetivas aos públicos vulneráveis em situações urgentes, em que algum direito esteja ameaçado ou encontra-se violado, bem como a importância do acesso à justiça e aos serviços especializados para a sua proteção.
Ufa! Agora, convidamos você para assistir ao vídeo produzido com os principais temas abordados em aula e refletir sobre como podemos auxiliar e compartilhar novos conhecimentos com os que mais precisam.
Vamos juntos?  
Saiba mais
Você conhece o site do Governo Federal para denúncias de Direitos Humanos? Acesse a página e fique por dentro dos tipos de violações de direitos recebidos pelo órgão por meio do Disque 100. No site, você encontrará explicações sobre os tipos de denúncias que podem ser realizadas (ex: violência contra pessoa idosa, criança, adolescente, pessoas com deficiência, pessoas em situação de rua, contra a comunidade LGBTQIA+, pessoas em situação de cárcere privado e/ou situações análogas à escravidão e quaisquer situações passíveis de denúncias). A ligação é gratuita e anônima.
A Lei Maria da Penha é um marco para a proteção e um mecanismo de combate à violência doméstica/familiar no âmbito do Brasil. Você conhece a história da Maria da Penha Maia Fernandes? É importante saber a história e compartilhá-la em nosso meio social, para que as pessoas lutem por um país antimachista e menos violento.
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios publicou a cartilha Quem nunca? Um guia sobre a velhice e direitos da pessoa idosa. O material foi elaborado pelo Centro Judicial do Idoso (CJI), e na página 9, há previsão sobre os diversos tipos de violências e discriminações com a população idosa. Talvez, você possa compartilhar essas informações com o seu meio social.
Sobre os direitosda criança e do adolescente em situação de risco ou vulnerável, o Canal Proteja publicou uma cartilha com as principais informações e conceitos a respeito de denúncias, tipos de violências, entre outras questões relacionadas à proteção de crianças e adolescentes. Você pode se atentar aos tipos de violência e aos canais e órgãos de denúncias para casos de violência contra a criança e o adolescente.
Unidade 1 / Aula 4Igualdade de gênero
Introdução
O que você sabe sobre Direitos Humanos?
Boas-vindas estudante!
Este curso visa conceituar, promover e capacitar pessoas à área de Direitos Fundamentais e Direitos Humanos presentes em nossa vida em sociedade. Uma vez que os indivíduos conhecem os seus direitos e, desmistificam certos conceitos historicamente mal compreendidos pelo senso comum, tornam-se agentes de transformação social em seus locais de trabalhos, compartilhando informações sérias e levando o direito a tantas pessoas.
Assim sendo, você compreenderá a aplicação da legislação que permeia os Direitos Fundamentais e Direitos Humanos, desconhecida de grande parte da população, com aplicação de casos do nosso cotidiano, a fim de que possa promover direitos e fazer a diferença em nossa sociedade.
O material desta disciplina estará disponível em todos os momentos que você desejar estudar e refletir sobre o conteúdo. Bons estudos! 
Igualdade de Gênero nas Ordens Internacional e Nacional
Igualdade de gênero é um tema complexo na história da humanidade, que envolve uma diversidade rica de movimentos e teorias sobre a luta pelos direitos às mulheres. Por isso, é um equívoco interpretá-las a partir de um pensamento único e estereotipado, conforme o imaginário do senso comum de parte da sociedade mal-informada. Além disso, precisamos entender como as diversas relações de poder em nossa sociedade são dominadas por homens brancos, privilegiados e cisgêneros, resultando no protagonismo masculino e no papel secundário das mulheres ao longo da história. Esses valores predominantes reproduzem comportamentos machistas até mesmo em mulheres, como uma alternativa para serem aprovadas por homens (BEAUVOIR, 1949).
Em breve resumo, o processo histórico pela luta à igualdade de direitos às mulheres perpassou pelas denominadas “três ondas”. A primeira tratou do direito ao voto e ao trabalho; a segunda onda, dos direitos civis e sexuais; já a terceira onda destacou o feminismo negro e a inclusão de outros movimentos, a interseccionalidade (MCCANN et al., 2019).
Em âmbito nacional, ressaltaremos a importância da Constituição Federal de 1988 à previsão do direito à igualdade entre homens e mulheres e veda qualquer tipo de discriminação em razão do sexo e gênero (BRASIL,1988). Antes da Magna Carta, alguns direitos foram conquistados às mulheres no país, como o direito ao voto (1932), a regulamentação do trabalho urbano (1932) e o divórcio (1977). 
O país, enquanto membro das Nações Unidas (ONU) e da Organização dos Estados Americanos (OEA), assumiu as previsões de documentos internacionais de direitos humanos dos dois sistemas, comprometendo-se a promover direitos, o combate às diversas formas de violências e discriminações às mulheres, além de aceitar ser denunciado e processado em caso de violação de direitos às mulheres. No sistema da ONU, o Brasil promulgou a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW) e respectivo protocolo facultativo; na OEA, o país ratificou a convenção interamericana para prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher (Convenção do Belém do Pará) (RAMOS, 2016).
A primeira vez que o Brasil foi condenado pelo sistema de justiça da ONU foi no caso “Alyne Pimentel”, em 2011. Em breve relato, trata-se de uma denúncia ao país por violação ao direito à maternidade, à vida e à saúde. Alyne Pimentel, uma jovem negra, hipossuficiente economicamente e gestante, não recebeu atenção e cuidados necessários pelos estabelecimentos de saúde competentes, passando por dias de sofrimento, em razão das complicações da sua gestação de alto risco, e acabou não resistindo à falta de estrutura na saúde pública da Baixada Fluminense/RJ, vindo a falecer mãe e filha (feto) dias depois.
O comitê, da ONU, para a eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher considerou o Brasil culpado e requisitou uma série de cumprimentos ao país para os familiares da vítima. Como cumprimento, o Brasil indenizou os familiares de Alyne, nomeou a UTI da maternidade em Nova Iguaçu/RJ com o nome da vítima e inaugurou um espaço com o nome de Alyne na Maternidade “Mãe de Mesquita” (PAIVA, 2017).
Em relação ao sistema de justiça da OEA, o caso mais conhecido do Brasil denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos foi o da Sra. Maria Fernandes da Penha, abordado na aula anterior.
Até mais! 
Políticas Públicas para Igualdade de Gênero
As políticas públicas voltadas a garantir a igualdade de gênero no país são frutos de um processo histórico de lutas lideradas por milhares de mulheres, com a contribuição de outros seguimentos da sociedade. São diversas as políticas públicas previstas em legislação nacional e internacional; por outro lado, muitos direitos precisam avançar e serem garantidos pelo Estado, a fim de termos uma sociedade mais igualitária.
Para exemplificar políticas de igualdade de gênero, citaremos a promoção da participação feminina na política. Com exceção do Haiti e Paraguai, o Brasil se encontra atrás de todos os outros Estados da América Latina e ocupa a posição 140º no ranking de 192 países avaliados sobre a representatividade da mulher na política (BUENO, 2022).
Para diminuir essa desigualdade, apenas em 2022, foi inserida, no artigo 17 da Constituição Federal de 1988, a Emenda nº 117/2022, que prevê a obrigatoriedade de os partidos políticos investirem, no mínimo, 5% do fundo partidário para a promoção da mulher na política, bem como a destinação de 30% no financiamento de campanhas de suas candidatas pelo Fundo Especial de Financiamento de Campanha e do Fundo Partidário (BRASIL,1988).
Podemos citar as conquistas e as necessidades de avanços à política pública contra a violência, discriminação, assédio sexual e moral à mulher. Além da Lei Maria da Penha, nº 11.340/06, o Código Penal Brasileiro dispõe sobre o feminicídio, crime cometido em razão do gênero feminino, com penas mais rígidas aos autores do delito; crimes contra a dignidade sexual; os de perseguição “stalking” e o de dano emocional às mulheres, prejudicando-as em diversos setores de suas vidas. Para que haja denúncia desses crimes, é preciso que o Estado invista em órgãos especializados, recursos humanos e infraestrutura para o acolhimento das vítimas, principalmente mulheres negras. Segundo os dados do Fórum de Segurança Pública de 2021, 62% das vítimas assassinadas por feminicídio são mulheres negras.
A implementação de delegacias especializadas da mulher; juizados de violência doméstica e familiar; organizações socioassistenciais públicas e privadas no atendimento a mulheres e seus familiares em situação de violência; defensorias públicas, ministérios público estadual, federal e do trabalho; e estabelecimentos públicos de saúde ao amparo e atendimento à mulher é um exemplo de fatores que contribuem para o rompimento do ciclo de violência.
Na área da saúde, existe o Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento (PHPN) do Ministério da Saúde (BRASIL, 2000), sendo muito importante que as gestantes e seus familiares identifiquem situações de violência contra ela e a criança, bem como que s capacite profissionais e gestores de estabelecimentos da área da saúde para a punição dos envolvidos e promoção de ações preventivas.
Para mulheres LGBTQIA+, o Sistema Único de Saúde faz previsão da Política Nacional de Saúde Integral LGBTQIA+ (BRASIL, 2011); no âmbito do direito ao trabalho, há políticas de combate contra o assédio moral, sexual e à desigualdade salarial, sendo fiscalizadas pelo Ministério Público do Trabalho; aliás, há, também, o Incentivo do Estado à iniciativa privada, por meiode benefícios fiscais, da prorrogação da licença-maternidade de 4 meses para 6 meses (BRASIL,2016); por fim, ressaltamos a necessidade de maiores investimentos em políticas de trabalho e renda, para a independência financeira das mulheres, e de se coibir todo tipo de discriminação nas relações de trabalho. Devemos refletir a importância dessas políticas públicas e cobrarmos o aumento de investimentos públicos, em especial, às mulheres mais vulneráveis historicamente. 
Teorias Queer, o Feminismo Negro e Mulheres com Deficiência
Compreendemos, anteriormente, que a luta pela igualdade de gênero é um processo histórico, contínuo, complexo, não uniforme, com diversidade em teorias, pensamentos, movimentos, além de fatores como a interseccionalidade para o debate e avanços aos direitos das mulheres.
Sendo assim, ao longo da história e sob a perspectiva da proteção dos direitos humanos aos grupos historicamente vulneráveis, urge a necessidade de se destacar e contribuir para a discussão sobre a luta pela igualdade de gênero, mulheres que estão mais expostas e que sofrem com diversas situações de violência, discriminação e pobreza impostas, intencionalmente, pela supremacia branca, cisgênero, com poderes econômicos e políticos na sociedade. 
Comecemos com o feminismo indígena cujas pautas estão em denunciar as barbáries do processo de colonização europeia e as diversas violências sofridas pelas mulheres indígenas, tais como a sexual, a esterilização compulsória, raptos e assassinatos de seus filhos, além de toda a questão sobre o genocídio dos povos originários e a destruição do meio ambiente. Essas atrocidades e outras ainda acontecem ao redor do mundo; lideranças dos movimentos feministas indígenas lutam contra toda a opressão que sofrem pela branquitude e buscam, cada vez mais, espaço na pauta feminista dominada por mulheres brancas, bem como promovem a cultura de seus povos e defendem modelos de organizações sob a liderança de mulheres indígenas (MCCANN et al., 2019). No Brasil, a primeira mulher indígena a se tornar deputada federal foi Joenia Wapichana, em 2018. Autoras sobre o feminismo indígena: Paula Gunn Allen e Cristine Takuá.
A luta por direitos e visibilidade às mulheres com deficiência estão nas pautas feministas. Esse movimento defende uma sociedade em igualdade de gênero e mais inclusiva; a começar, suas lideranças defendem o modelo social em que a deficiência está na sociedade, por meio de atitudes, acessibilidade, discriminações e diversas barreiras que impedem as pessoas com deficiência de serem respeitadas e ouvidas pela sociedade. Além disso, o movimento luta contra toda pressão estética imposta em face de seus corpos e pela ideia de que são seres inferiores, infantis e angelicais (MCCANN et al., 2019). Autoras sugeridas: Rosemarie Garland Thomsom e Jenny Morris.
O debate pela igualdade em direitos a todas as mulheres também perpassa pelo próprio conceito sobre o gênero e à orientação sexual. Como representante dessas discussões, temos Judith Butler. Em linhas gerais, a filósofa defende que o gênero é fruto de um processo histórico social e cultural, não natural. Sexo e gênero são independentes; a heterossexualidade binária (masculina e feminina) é compulsória e norma social; quando pessoas não se identificam com essa imposição são punidas pela sociedade, assim, podemos verificar milhares de pessoas LGBTQIA+ que não se identificam com o binarismo imposto e desejam ser referenciadas e tratadas como gênero neutro. A Teoria Queer, por exemplo, estuda a predominância da heterossexualidade e o papel do Estado em controlar a sexualidade das pessoas, tornando-as limitadas (MCCANN et al., 2019). Como pensadores, temos: Michel Foucault, Simone Beauvoir, Eve Kosofsky Sedgwick, Letícia Nascimento, Paulo Iotti.
Por fim, o feminismo negro defende que a luta por igualdade de gênero não pode ser pautada e protagonizada apenas por mulheres brancas, de classe média ou da elite e cisgênero; as opressões, violências e discriminações sofridas pelas mulheres negras são mais intensas e intencionalmente perpetuadas pela branquitude. Assim, o feminismo negro busca reivindicar e promover seus direitos e tornar a luta feminista mais inclusiva e antirracista (MCCANN et al., 2019). Autoras sugeridas: Lélia Gonzalez, Conceição Evaristo, Djamila Ribeiro, Bell Hooks.
Olá!
Percorremos, em três blocos, os pontos históricos, conceituais, as teorias e os movimentos sobre a luta pela igualdade de gênero, bem como a própria discussão a respeito desse termo!
Agora, convidamos você para assistir ao vídeo produzido com os principais temas abordados em aula, tais como a igualdade de gênero nas ordes nacional e internacional. Vamos juntos?  
Saiba mais
Entendemos a importância de estudar igualdade de gênero sob vários recortes, tais como etnia, raça, orientação social, classe e demais fatores que contribuem para as conquistas e proteção de direitos às mulheres. A interseccionalidade contribui para esse debate; nesse sentido, Kátia Akotirene, importante acadêmica e uma das vozes mais potentes do feminismo negro no Brasil, explica a interseccionalidade na luta por uma sociedade mais igualitária em entrevista ao Instituto Geledés.
Matéria do Caso Alyne Pimentel: época em que o governo brasileiro indenizou seus familiares e inaugurou placa com seu nome no estabelecimento hospitalar.
Publicação do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 2021 sobre as taxas de feminicídio e outras violências contra meninas e mulheres no país.
Para informações a respeito da violência obstétrica, é importante entrar em contato com as Defensorias Públicas Estaduais, OAB e associações que possam denunciar esses casos. A publicação foi elaborada pela Defensoria do Rio de Janeiro, contudo, muitas informações no documento servem para todos!
Cartilha elaborada pela Defensoria do Estado de São Paulo sobre SUS: Mulheres negras, acesso à saúde e racismo.
Cartilha do Tribunal Superior do Trabalho sobre o assédio moral nas relações de trabalho.
Cartilha: Transexualidade e travestilidade na saúde.
Retificação no registro civil a travestis e transexuais.
Acoso sexual en el trabajo: Assédio sexual no mercado de trabalho – uma criação conjunta de ACNUR, ONU Mulheres e UNFPA a partir do programa LEAP – Liderança, empoderamento, acesso e proteção para mulheres migrantes, solicitantes de refúgio e refugiadas no Brasil.
Cartilha: Casa da mulher brasileira. Espacio integrado y humanizado de atendimiento a las mujeres en situación de violencia doméstica y familiar.
Cartilha sobre Direitos das Mulheres Migrantes e Refugiadas Costureiras- Fundação Getulio Vargas.
Cartilha para mulheres indígenas– Situação de violência/Região Norte/São Gabriel da Cachoeira.
Cartilha – Saúde indígena: um direito constitucional.
Cartilha: Guia feminista para mulheres com deficiência: garantia de direitos para o exercício da cidadania. Coletivo Feminista Helen Keller.
Cartilha sobre gordofobia/ninfeias – Universidade Federal de Ouro Preto.
Unidade 1 / Aula 5Revisão da unidade
Direitos Humanos e Inclusão Social
Olá, estudante!
Percorremos 4 aulas de história, conceitos, aplicações e reflexões sobre os Direitos Humanos.
No primeiro bloco, iniciamos o contexto sociopolítico internacional, com o início da construção dos Direitos Humanos na ordem internacional, após o fim da Segunda Guerra Mundial; a criação da Organização das Nações Unidas (ONU); e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que são marcos históricos para o compromisso dos países em promover e coibir quaisquer violações de direitos, principalmente às pessoas e grupos vulneráveis (RAMOS, 2016).
Ainda na aula 1, verificamos a influência da Declaração Universal dos Direitos Humanos em posteriores documentos internacionais, em especial, na Constituição Federal de 1988, bem como que os princípios fundamentais são mais amplos, aplicados caso a caso (BRASIL, 1988) e as normas de direitos fundamentais são pensadas e previstas pelo constituinte, em suas cartas Magnas, em cada país.
Na aula 2, discorremos sobre a importância do princípioda dignidade da pessoa humana para a elaboração e efetivação de direitos e de políticas públicas inclusivas e afirmativas. O princípio da igualdade formal deve estar conexo com a realidade material, a qual os indivíduos vivem, mas não basta apenas a igualdade perante a Lei, mas que todos tenham direitos e oportunidades sem desigualdades e discriminações. Apresentamos o caso Simone Diniz, em que o Brasil foi denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos por omissão e violação à igualdade, por não coibir o racismo, a injúria racial e não promover ações e políticas antirracistas (PAIVA, 2017).
Na aula 3, entendemos a importância das medidas protetivas, de proteção em situações de iminente dano ou risco a algum direito ou quando já ocorreu a violação daquele. Verificamos que as medidas de proteção/protetivas estão previstas no ECA, na Lei Maria da Penha, no Estatuto do Idoso, por exemplo; estudamos sobre a necessidade de investimentos nas áreas do sistema de justiça e em outras áreas de garantia e defesa de direitos, para que esses serviços cheguem aos que mais precisam dessas medidas em situações de urgência; e ressaltamos a importância de divulgar o disque 100 (Direitos Humanos) e 180 (contra a violência a mulher).
Por fim, na aula 4, percorremos e refletimos sobre a luta pela igualdade de gênero, bem como teorias e movimentos feministas, em especial, de mulheres historicamente mais vulneráveis, tais como o movimento feminista de mulheres com deficiência, mulheres indígenas, o feminismo negro e LGBTQIA+. Além disso, refletimos sobre a importância de investimentos em políticas públicas para a promoção da igualdade de gênero e investimentos públicos para se coibir todo tipo de violência contra mulheres.
Dessa forma, entendemos que os Direitos Humanos pertencem à história; está sempre em evolução e seguindo com a sociedade a qual pertence. Não devemos pensar que a história e a luta dos Direitos Humanos são lineares, por isso, a sociedade contemporânea deve estar sempre em alerta para tentativas de retrocessos de seus direitos conquistados. Temos muito a avançar em direitos, logo, por mim, por você, por todos nós e às futuras gerações, lutemos e vigiai-os!  
Olá, estudante!
Aprendermos tantas coisas sobre os Direitos Humanos, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, os Direitos Fundamentais, Ações Afirmativas, Medidas Protetivas e de Proteção, entre outros conceitos interessantes e presentes em nossa sociedade. Vamos de revisão? Venha com a gente! 
Estudo de caso
Imagine a seguinte situação: você é vizinho de Nina, que se encontra desempregada, é casada com Tício e tem um filho, o pequeno Mévio, de 2 anos. Você, como vizinho dessa família, eventualmente, houve gritos e barulhos decorrentes das discussões do casal; na madrugada de segunda-feira, você foi acordado com uma nova briga do casal e, ao expiar pelo muro, testemunha uma agressão física de Tício em face de Nina, além disso, Tício fez xingamentos depreciativos à Nina e disse ter se apropriado do cartão da poupança financeira dela, herdada de seu pai. Inconformado, você pensou em ligar à polícia ou à guarda municipal, porém ficou com medo de ser descoberto e sofrer retaliação de Tício ou prejudicar ainda mais a Nina, mas você tem certeza de que somente os números da Polícia Militar e da Guarda Civil podem ajudá-lo a denunciar o caso de sua vizinha.
No dia seguinte, você foi visitar sua vizinha, que lhe confessou o seu desejo do divórcio, mas que está muito abalada emocionalmente e não sabe nem por onde começar, pois não tem recursos financeiros para pagar advogado particular; por outro lado, Tício alega que não quer o divórcio e não sairá de sua casa; já o pequeno Mévio está com comportamento agitado, choroso e não frequenta a creche municipal, pois não tem vagas no estabelecimento infantil. Tício, então, demonstra, cada vez mais, um comportamento violento, além de ameaçar agredir Nina.
Você, por fim, sensibilizado com a situação de Nina e de seu filho, procura informações sobre como auxiliá-la quanto a:
· Nina ficar em sua residência com seu filho, pois não tem familiares ou recursos financeiros para aluguel de um local, uma vez que está desempregada.
· Informações para o divórcio de Nina, uma vez que não tem recursos financeiros.
· Acompanhamento de profissionais para a saúde mental de Nina.
· Conseguir vaga em creche ao pequeno Mévio.
Portanto, com base nos relatos descritos acima:
· Você está agindo corretamente ao se expor e auxiliar Nina? Você deveria entrar nessa discussão?
· Quais as informações sobre os direitos de Nina e de seu filho que você poderá compartilhar para que mãe e filho venham a obter auxílio e apoio para saírem dessa situação de violência?
· Quanto aos canais de comunicação levantados por você como possibilidades de acionamento, eles estão adequados? Existem outras formas de acionamento?
______
Reflita
Infelizmente, a violência de gênero contra às mulheres é estrutural e permeia toda a sociedade. Você sabe, a nível municipal, estadual ou federal, as propostas de Lei ou ações que vêm sendo discutidas para a diminuição dessas violências?
Na sua opinião, o que podemos fazer, enquanto cidadãos, para contribuir para uma sociedade menos violenta e misógina? 
Conforme o caso narrado, o aluno deveria identificar e trazer os seguintes apontamentos: trata-se de violência contra a mulher nos termos da Lei nº 13.340/06, enquanto violência física, moral/ psicológica e patrimonial em face de Nina. Faz-se importante salientar que é violência verbal qualquer narrativa que venha a abalar ou causar sofrimentos e danos psicológicos às meninas e mulheres; outro fator importante é a violência patrimonial contra Nina, uma vez que o agressor retém o seu cartão de poupança, com o intuito de apropriar-se e gerenciar, como bem entender, um patrimônio que não o pertence.
Quanto à pergunta 1, você age corretamente ao auxiliar Nina, pois, enquanto cidadão, exerce seu papel em fornecer informações e apoio emocional para sua vizinha em situação de violência. Nina está abalada emocionalmente e, portanto, você se torna rede de apoio dela, e é importante compreender as dificuldades de rompimento do ciclo da violência, entre os fatores, como o econômico, pois, infelizmente, as estruturas do patriarcado aprofundam as desigualdades de gêneros, já que Nina encontra-se desempregada e a ausência de vaga em creche para seu filho contribui para que ela tenha que ficar com Mévio, reduzindo sua oportunidade de conseguir um emprego externo, além do mercado de trabalho ainda praticar discriminações contra mulheres que exercem a maternidade.
Quanto à questão 2, como os envolvidos no caso narrado, Nina não tem recursos financeiros para o pagamento de advogado particular, logo, você pode orientar sua vizinha a agendar um atendimento na Defensoria Pública do Estado, mesmo sem ter lavrado o Boletim de Ocorrência, para requerer medidas protetivas. A defesa de Nina poderá pedir o afastamento do acusado da residência familiar, proibição de aproximar-se de Nina e iniciar as tratativas para o divórcio litigioso, uma vez que Tício não quer o rompimento do casal pela via consensual. Na ação de divórcio, poderá ser estipulado um valor a ser pago pelo acusado para a manutenção dos direitos de seu filho, bem como seus gastos, além disso, Nina poderá reaver sua poupança.
Em se tratando de um município que ainda não conta com Defensorias Públicas, Nina pode entrar em contato com o Ministério Público Estadual, a OAB, ou alguma associação sem fins econômicos que faça o atendimento jurídico via pro bono. Nina também tem a opção de fazer o registro do Boletim de Ocorrência, em especial, nas delegacias especializadas da mulher, e, em caso de violência física, importante a realização de corpo de delito. Aliás, mãe e filho poderão ser encaminhados para serviços socioassistenciais e estabelecimentos de saúde para atendimento, orientação e acolhimento, inclusive, pelo próprio Conselho Tutelar, enquanto medida de proteção; por fim, muitas organizações da sociedade civilou órgãos públicos promovem cursos de capacitação e qualificação para mulheres acessarem o mercado de trabalho, constituindo sua autonomia financeira.
Em relação à questão 3, você poderá saber que existem outras ferramentas que podem contribuir para as denúncias contra às mulheres e outros tipos de violações de direitos, como o 180, Disque-100; procure, também, as unidades da Defensoria Pública, do Ministério Público Estadual, a unidade da OAB mais próxima da vítima e Delegacias especializadas; aliás, o seu município poderá também contar com um disque denúncia para o recebimento de denúncias de violência contra a mulher.
Resumo visual
Unidade 2 / Aula 1Estatuto da pessoa com deficiência - Parte 1
Introdução
Olá, caro estudante, dando continuidade à disciplina Direito, proteção e inclusão social, esta unidade propõe conceituar a pessoa com deficiência pelo viés dos direitos humanos e os tipos de deficiência; resgatar todo processo histórico de luta da pessoa com deficiência para o seu reconhecimento, enquanto direito, abordando as legislações vigentes que respaldam você, enquanto cidadão, e oportunizam subsídios na sua vida profissional. 
Sabemos que o número de pessoas com deficiência vem aumentando ao longo dos anos, que a pessoa pode nascer com a deficiência, mas também pode adquirir ao longo da vida por alguma fatalidade ou idade, portanto, compreender esses dois públicos é um diferencial para você, na sua vida pessoal e na prática profissional, já que, cada vez mais, a pessoa com deficiência vem sendo inserida na sociedade. 
Assim, você compreenderá a aplicação da legislação que permeia os Direitos Fundamentais e Direitos Humanos da pessoa com deficiência e os estatutos que regulamentam os direitos da pessoa com deficiência, desconhecidos por grande parte da população. Ao adquirir esse conhecimento, você será capaz de promover direitos e diferenciar-se na sociedade!  
Marco histórico do processo de reconhecimento dos direitos da pessoa com deficiência
Marco Histórico do Processo de Reconhecimento dos Direitos da Pessoa com Deficiência 
O reconhecimento dos direitos da pessoa com deficiência remete a um processo histórico de construção que não podemos deixar de evidenciar, contudo, antes de iniciarmos essa viagem histórica, precisamos saber se você conhece o conceito de pessoa com deficiência. Segundo a LBI – Lei Brasileira de Inclusão – a pessoa com deficiência é: 
Art. 2º Aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. (BRASIL, 2015, [s. p.])  
A Política Nacional para integração da pessoa portadora de deficiência consolida as normas de proteção e dá outras providências. De acordo com o Art. 3º, considera, em primeiro lugar, a pessoa com deficiência, toda perda ou anormalidade que gera incapacidade e não “atenda” ao padrão considerado “normal” de um ser humano; em segundo, conceitua a pessoa com deficiência permanente, aquela que ocorreu ou se estabilizou e não permite recuperação; por fim, a incapacidade como uma redução efetiva e acentuada da capacidade integral social, em que há necessidade de equipamentos, adaptações, meios ou recursos especiais.  
Já o Decreto 5.296/2004, em seu art. 5º, enquadra a pessoa com deficiência nas seguintes categorias (BRASIL, 2004):  
I – Deficiência física: aquela que tem alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando no comprometimento da função física, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. 
II – Deficiência auditiva: perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz. 
III – Deficiência visual: cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho. 
IV – Deficiência mental: funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como: comunicação, cuidado pessoal, habilidades sociais, utilização dos recursos da comunidade, saúde e segurança; habilidades acadêmicas, lazer e trabalho. 
V – Deficiência múltipla: associação de duas ou mais deficiências.  
Aliás, vale ressaltarmos que o autista também é considerado uma pessoa com deficiência, de acordo com os critérios estabelecidos na Lei 12.764, de 27 de dezembro de 2012, e outra questão bastante importante e que também remete ao processo histórico é a terminologia utilizada para se referenciar a esse público; termos técnicos corretos têm muita importância, logo, quando desejamos falar ou escrever de forma construtiva e numa perspectiva da inclusão da pessoa com deficiência, temos de considerar o processo histórico de preconceitos, estigmas e estereótipos. Os termos passaram de aleijado, defeituoso, incapacitado, inválido e portador de necessidades/deficiência para pessoa com deficiência. 
A tabela cronológica das legislações mostra o caminho de luta a passos largos para o processo de inclusão permeado de avanços e retrocessos, partindo da exclusão, segregação, integração até chegar à desejada inclusão, mas que ainda apresenta muitas fragilidades, uma vez que exige a corresponsabilidade de todos em termos de mudança de atitude, capacitação e vontade política. 
Vale lembrar que a sociedade foi ganhando “noção” de inclusão após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945); devido a enorme quantidade de sobreviventes com algum tipo de deficiência, carecia de mão de obra para retomar as atividades econômicas e industriais, entretanto, foi somente na década de 1970 que essa inclusão ganhou relevância, ao surgir as primeiras declarações da história dos direitos das pessoas com deficiência. 
A inclusão demanda uma ampla discussão que perpassa pelo preconceito, pela discriminação e pelo racismo, e não apenas de pessoas com deficiência, mas também de pessoas de diferentes raças, etnias, economicamente desfavorecidas, de determinada orientação sexual e de gênero. O histórico legislativo, aliás, também perpassou pela concepção de deficiência: deficiência como patologia e um problema individual; modelo biomédico da deficiência (segregação); deficiência enquanto fenômeno da natureza social (movimentos sociais); e, por fim, o modelo social da deficiência. Esse percurso da inclusão dependeu de grandes esforços demandados de pessoas com deficiência, de familiares, de profissionais militantes, das entidades sociais e associações que foram surgindo para atender a essa população. 
Constituição de 1988 e a convenção internacional da ONU dos direitos da pessoa com deficiência
Constituição de 1988 e a Convenção Internacional da ONU dos Direitos da Pessoa com deficiência 
O conceito de deficiência fora abordado no Brasil, em seus primores, por meio da palavra “excepcional”, no artigo 175 (BRASIL, 1969), depois, como “deficiente” (BRASIL, 1978) e, com o passar dos anos, como “pessoa portadora de deficiência” (BRASIL,1988); nessa forma, tinha-se que a deficiência não está no indivíduo, mas na sua capacidade de relacionamento social. 
Vale ressaltarmos que, no seu artigo 1º da Constituição Federal (1988), o princípio da dignidade humana é apresentado como um fundamento de tal documento, que, de acordo com Silva (2000 apud SILVA, 2011), esse é um princípio supremo que atrai o conteúdo de todos os direitos fundamentais do ser humano, o direito à vida, e, já no artigo 5º, é abordado como princípio fundamental de garantia de direitos humanos. 
A Constituição Federal (1988) reconhece a importante função do princípio da igualdade na ordem jurídica; de forma imperativa, coloca que todos são iguais perante a lei e acrescenta “sem distinção de qualquernatureza”, assim, consiste no tratamento igual a situações iguais e tratamento desigual a situações desiguais. Entretanto, a pessoa com deficiência tem direito a um tratamento especializado nos serviços “acessível”, porque essas situações apresentam justificativas e são autorizadas pela quebra da igualdade.  
A Constituição Federal (1988) assegura a todos a existência digna da pessoa humana em seu art. 170, em que se refere à garantia das necessidades vitais de cada indivíduo, ou seja, a um valor intrínseco como um todo. A justiça social, por meio da ordem social, em seu art.193, parte do princípio de que todos os indivíduos de uma sociedade têm direitos e deveres iguais em todos os aspectos da vida social e que estes devem ser garantidos, como o desenvolvimento da pessoa humana por meio da educação e do exercício da cidadania em seu art. 205, colocando a importância do papel da educação no processo de formação, uma vez que propicia à pessoa o exercício pleno de sua cidadania, na busca da concretização dos direitos humanos fundamentais, que corroboram a efetividade de uma existência digna; além disso, perpassa todos os direitos sociais assegurados no artigo 6º ao abarcar o direito à educação, o direito à saúde, ao trabalho, ao lazer e à previdência social.  
Entretanto, não podemos deixar de evidenciar que os obstáculos enfrentados pelas pessoas com deficiência dificultam o acesso à garantia dos direitos humanos e, segundo Craveiro (2022), tornam esse público ainda mais vulnerável à situação de violência, exclusão e segregação.  
No âmbito internacional, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), de 10 de dezembro de 1948, estabelece as diretrizes centrais para a proteção social de toda a população, enfatiza que toda pessoa deve gozar dos direitos fundamentais, inclusive do direito à liberdade, sem qualquer distinção e discriminação.  
A Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência fora assinada em Nova York, em 30 de março de 2007, aprovada pelo Congresso Nacional por meio do Decreto Legislativo n º 186, de julho de 2008, e promulgada pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em 25 de agosto de 2009. Segundo Craveiro (2022), o propósito da convenção foi promover, proteger e assegurar o exercício pleno e equitativo de todos os direitos humanos, as liberdades fundamentais para todas as pessoas com deficiência e promover o respeito pela sua dignidade inerente. 
Partindo dos princípios gerais na Convenção, evidenciamos a plena participação e a inclusão na sociedade, que propõe garantia de condições concretas na vida cotidiana; com isso, faz uma interface com a acessibilidade, que viabiliza essa participação, o reconhecimento da diferença e da diversidade humana, considerando cada sujeito como único e com suas especificidades, destacando, também, a descriminação e a importância de ações voltadas à conscientização de toda sociedade. 
Assim, os direitos da pessoa com deficiência estão respaldados mundialmente, por meio de elementos jurídicos, que garantem uma inclusão, de fato.
Estatuto da pessoa com deficiência: conceitos legais
Estatuto da pessoa com deficiência: conceitos legais 
A LBI – Lei Brasileira de Inclusão –, também conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência, beneficia mais de 45 milhões de brasileiros que possuem algum tipo de deficiência, de acordo com os dados do IBGE 2010, a fim de assegurar e promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência. Visando a sua inclusão social e cidadania, foi criada para efetivar a Convenção Internacional da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e garantir o direito da pessoa com deficiência. 
Os direitos fundamentais das pessoas com deficiência estão atrelados aos direitos humanos, requer a garantia de políticas públicas que contribuam para o fomento de direitos individuais e coletivos, portanto, necessita que o Estado invista em sua concretização por meio de recursos públicos.  
A fim de destacarmos as principais inovações entre tantas, temos o conceito jurídico de “deficiência”, passando a ser tratada como resultado das barreiras impostas pelas limitações, conforme preconiza o Art. 2 da LBI (2015). Portanto, a LBI proporciona ferramentas que garantem que todas as pessoas com deficiência tenham seus direitos respeitados e que possam se defender da discriminação, do preconceito e da falta de acesso à sociedade.  
Vale destacarmos, também, algumas políticas públicas introduzidas pela LBI quanto à capacidade civil, garantindo, assim, que as pessoas com deficiência tenham o direito de casar ou instituir união estável e exercer direitos sexuais e reprodutivos em igualdade de condições com as demais pessoas. Outra alteração que merece destaque, devido ao fato de remeter a condutas desinformadas, são as normas que regulamentam o processo de curatela; com as novas regras, abriu-se a possibilidade de a pessoa com deficiência aderir à tomada de decisão apoiada, em que pode eleger até 2 pessoas idôneas, com as quais tenha vínculo e que sejam de sua confiança, para que lhe preste auxílio na tomada de decisão sobre atos da vida civil, fornecendo os elementos e as informações necessárias (BRASIL, 2015). 
A LBI (BRASIL, 2015) assegura às pessoas com deficiência a oferta de sistema educacional inclusivo, de acordo com suas características, interesses e necessidades de aprendizagem, bem como estabelece ao Poder Público o objetivo de garantir a condição de igualdade, promovendo o exercício de sua autonomia; além disso, cria o benefício assistencial "Auxílio Inclusão”, para que a pessoa com deficiência, de acordo com critérios estabelecidos, ingresse no mercado de trabalho sem medo de, com isso, perder o direito ao recebimento do benefício de prestação continuada; certifica às pessoas com deficiência o acesso a bens culturais em formatos acessíveis, a programas de televisão, cinema, teatro e a outras atividades culturais e esportivas.  
Segundo Craveiro (2022), ao longo do Estatuto da Pessoa com Deficiência, a discussão sobre a acessibilidade também ganha destaque, tamanha a importância do fortalecimento da participação social e do exercício dos direitos por parte da pessoa com deficiência, tornando cada vez mais imperativo para que a inclusão aconteça. Portanto, o estatuto impõe ao Poder Público o dever de adotar ações destinadas à eliminação, à redução ou à superação de barreiras para a promoção do acesso a todo patrimônio cultural observada às normas de acessibilidade e o dever de promover a participação da pessoa com deficiência em atividades com vistas ao seu protagonismo.
Olá, estudante. Parabéns! Uma vez que chegou até aqui, você já consegue entender o conceito da pessoa com deficiência, as legislações que respaldam a sua prática enquanto cidadão e profissional e já consegue ser multiplicador do conhecimento adquirido. Para validar esse conhecimento, convidamos você a assistir ao vídeo com os temas relacionados a Lei Brasileira de Inclusão e refletir sobre todo o conteúdo adquirido!
Saiba mais
Você pode aprofundar e entender mais sobre a LBI ao consultar, na íntegra, a legislação no site do planalto, Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), destinada a assegurar e promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando a sua inclusão social e cidadania.   
A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência - Comentada está organizada por capítulos próprios que discorrem sobre cada tema. Ao final, no capítulo 18, há um comparativo entre as disposições finais e transitórias que traz as alterações ocorridas em leis específicas, tais como os códigos civil, eleitoral e de defesa do consumidor, Estatuto das Cidades e Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), bem como a LBI comentada por especialistas da área, disponibilizada no site da FEAC (Federação das Entidades de Campinas).   
Veja, também, a Cartilha sobreDireitos das Pessoas com Deficiência lançada pela Defensoria, ela é uma espécie de guia rápido que tem como função facilitar o acesso às informações para empoderar as pessoas, para que elas questionem mais, ocupem mais os espaços de reivindicação e de construção de políticas públicas. A pessoa com deficiência é uma pessoa como outra qualquer, ela só tem na deficiência uma de suas características, logo, ela não se resume à deficiência. O conteúdo da cartilha contou, ainda, com a aprovação da Rede Intersetorial de Apoio à Pessoa com Deficiência e do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência; apresenta dicas de como tratar a pessoa com deficiência, atendimentos prioritários, direito à saúde, educação, moradia, trabalho, previdência/assistência social, cultura, esporte, turismo, lazer, entre outros.   
Convido você a entrar na sua biblioteca virtual e acessar o livro Serviço Social e Políticas Sociais com Ênfase à Pessoa Idosa e na Pessoa com Deficiência, de Adriéli Volpato Craveiro (2022), que tem como objetivo que você enxergue a pessoa com deficiência como sujeito de direitos, bem como reconheça a importância das políticas sociais para que esse público possa ser atendido em suas demandas e necessidades, entre as quais está a apropriação coletiva dos bens construídos historicamente pela humanidade. Especificamente no capítulo 4, você vai poder compreender o conceito da pessoa com deficiência na contemporaneidade e saber mais sobre a garantia de direitos da pessoa com deficiência.
Unidade 2 / Aula 2Estatuto da pessoa com deficiência - Parte 2
Introdução
Olá, estudante. Esperamos que esteja se sentindo preparado para falar sobre a pessoa com deficiência, que tenha compreendido todo o processo de luta até a contemporaneidade e que possa seguir como multiplicador, para garantir os direitos de forma assegurada pela legislação da pessoa com deficiência. 
Na aula anterior, aprofundamos o estudo sobre o estatuto da pessoa com deficiência e os direitos sociais, vimos o conceito de direito e, consequentemente, de deveres; que a pessoa com ou sem deficiência tem os mesmos direitos e que estes devem ser assegurados para garantir oportunidades iguais de participação a todo indivíduo conforme preconiza o Estatuto da pessoa com deficiência. 
Agora, chegou a sua vez, vamos iniciar o aprendizado realizado na sua prática, como ser humano e cidadão, aprendendo legislações que são contra condutas discriminatórias e capacitistas, ensinando para a sociedade condutas inclusivas que possa fazer valer o direito da pessoa com deficiência na prática.  
Estatuto da pessoa com deficiência e os direitos sociais
Estatuto da pessoa com deficiência e os direitos sociais 
O estatuto, hoje, é a lei mais abrangente na proteção e promoção de direitos das pessoas com deficiência no Brasil, possui foco na promoção da autonomia individual, na acessibilidade e na liberdade; dessa forma, tem como finalidade garantir os direitos fundamentais das pessoas com deficiência, visando a sua real inclusão social por meio da participação ativa na sociedade. 
Para falar de inclusão social, é precisamos abordar o conceito de direitos e deveres, pois, por trás de um direito, há sempre um dever. Assim, o conceito de “direito” é o que é justo, direto e conforme a lei. Assegurado pela Constituição Brasileira de 1988, por meio dos direitos individuais e coletivos, servirá de orientação para informar a todos, sempre com o princípio da igualdade, assegurando os direitos fundamentais aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país; já o dever é a obrigação moral ou legal de se fazer algo, quase sempre é a contrapartida do direito.  
Entretanto, devemos lembrar que todas as pessoas com ou sem deficiência devem ter direitos e deveres iguais, já que as necessidades de todo e qualquer cidadão são da mesma importância. Aliás, essas necessidades constituem a base do planejamento social e todos os recursos precisam ser empregados para garantir oportunidades iguais de participação a todo indivíduo, direito garantido conforme o Art. 8º do Estatuto da Pessoa com Deficiência (BRASIL, 2015), que estabelece o dever do Estado, da sociedade e da família de assegurar à pessoa com deficiência, com prioridade, seu bem-estar pessoal, social e econômico. E são considerados direitos sociais, conforme preconiza o art.6º da Constituição Federal 1988, a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados. 
Para entender a dimensão do processo histórico e de luta, é preciso contextualizar o que antecede o Estatuto da Pessoa com Deficiência até a luta para a implementação. Ele foi criado em 9 de outubro de 2000 com a denominação de Estatuto do Portador de Necessidades Especiais (PL 3638/2000), uma iniciativa do então deputado federal Paulo Paim, que visava à regulamentação e ao aprimoramento de todas as leis, decretos e portarias voltadas para o atendimento da pessoa com deficiência. Em 2003, mudou para Estatuto da Pessoa Portadora de Deficiência, pelo Senado Federal (PLS 06), e foi novamente alterado em outubro, recebendo a contribuição de técnicos, professores, familiares, profissionais da área e pessoas com deficiência, que incluíram questões relevantes para o segmento, sendo constituído como Estatuto da Pessoa com Deficiência (PLS 429).  
Durante o ano de 2003, foi construída uma articulação nas cinco regiões do país, que promoveu 800 encontros e a participação de mais de 15 mil pessoas. Foram compartilhadas diversas propostas de todo o país e estas foram inseridas ao estatuto. Para entender o papel do Estado, faz-se necessário entender as políticas sociais, que tem sido feitas desde a antiguidade, assim o papel que se esperava do Estado foi se modificando em decorrência do desenvolvimento da sociedade e das diferentes formas de governos que foi se materializando ao longo do tempo.  
Quanto à função econômica das políticas sociais, o Estado tem por responsabilidade, nesse caso, a transferência direta ou indireta de bens e recursos para a população mais vulnerável. O acesso é por meio da prestação de serviços sociais elementares, como a saúde, a educação e a assistência social. Conclui-se, então, que o Estatuto da Pessoa com Deficiência representa grandes avanços legislativos por tratar de forma ampla os direitos das pessoas com deficiência ao abordar sobre a mudança no conceito da deficiência implementada e no desenvolvimento desse público como grupo social, contribuindo, assim, como consequência, para a luta por uma sociedade em que todos possam usufruir com equidade os recursos e serviços econômicos, políticos e sociais. 
Estatuto da pessoa com deficiência e legislação contra condutas discriminatórias e capacitistas
Estatuto da pessoa com deficiência e legislação contra condutas discriminatórias e capacitistas 
A prática dos direitos humanos e o fortalecimento da democracia passam pela luta por melhores condições de vida para todos, respaldados na Constituição Federal de 1988, buscando a liberdade e a autonomia de todo e qualquer cidadão. Contudo, as desigualdades existentes em nossa sociedade dificultam essa luta, fazendo com que grupos sociais vulneráveis, como no caso das pessoas com deficiência, não tenham pleno acesso às suas garantias e direitos fundamentais. Muitas dessas realidades de difícil acessibilidade se devem às práticas discriminatórias, como o capacitismo, que contribui para a construção de desafios e obstáculos para a participação ativa das pessoas com deficiência nos mais diversos âmbitos sociais, econômicos, políticos e culturais. 
Isso significa que a nossa organização social ainda funciona como uma barreira para a inserção das pessoas com deficiência em ambientes vitais para o desenvolvimento social coletivo, nas relações sociais e individuais ao se autossabotarem, acreditando que não são capazes devido à deficiência, gerando baixa autoestima, entre outras consequências. Esse comportamento de segregaçãoda sociedade na relação com as pessoas com deficiência pode ser caracterizado como uma manifestação do capacitismo, por desvalorizar e desqualificar com base no preconceito em relação à capacidade corporal e/ou cognitiva, não acreditando nas habilidades e competências que a “pessoa” tem e, sim, colocando barreiras devido à deficiência.  
As barreiras de acessibilidade são quaisquer obstáculos perceptíveis ou não que um indivíduo encontra para se comunicar e ter autonomia para entender as pessoas ou uma determinada situação, sendo consideradas barreiras arquitetônicas (físicas e estruturais); barreiras atitudinais (atitudes ou comportamentos que impedem ou prejudicam a participação social da pessoa com deficiência em igualdade de condições e oportunidades com as demais pessoas); barreiras tecnológicas (que dificultam ou impedem o acesso da pessoa com deficiência às tecnologias); entre outras. 
A discriminação é proibida pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência (BRASIL, 2015) e pela própria Constituição Federal (BRASIL, 1988); aliás, considera-se discriminação em razão da deficiência toda forma de distinção, restrição ou exclusão que prejudique, impeça ou anule direitos e liberdades fundamentais da pessoa com deficiência. Essa discriminação histórica das pessoas com deficiência também fez com que, por séculos, construíssemos as nossas estruturas sociais, políticas e econômicas sem considerar a participação e o envolvimento dessas pessoas. Infelizmente, esse preconceito ainda existe, pois estamos inseridos em uma sociedade em que há discriminação com tudo aquilo que seja considerado fora do padrão. 
Portanto, convidamos você, estudante, a aprender o conceito de capacitismo, que está sendo muito falado nos últimos tempos. Capacitista se refere à discriminação e ao preconceito contra pessoas com deficiência, prática que consiste em conferir às pessoas com deficiência um tratamento desigual (desfavorável ou exageradamente favorável), baseando-se na crença equivocada de que elas são menos aptas às tarefas da vida comum. 
Entretanto, nem sempre é fácil identificar essa prática no dia a dia, da mesma forma como acontece com os outros preconceitos, como machismo e racismo, muitas vezes minimizados ou ignorados. Se a sociedade soubesse o quanto é impactante e devastador na vida das pessoas com deficiência ou daquelas que convivem com elas o uso de expressões preconceituosas, não o fariam. Infelizmente, essas expressões tornaram-se naturais no vocabulário e na vida cotidiana, sempre visando ao ridículo, à crítica e à ofensa, mesmo que inconscientemente. 
Segundo (CAMPBELL, 2008 apud MARTINS, 2021), o capacitismo envolve crenças, práticas e processos tanto nas relações sociais quanto nas instituições (estruturas sociais que regulam o comportamento coletivo) que considera a deficiência como um estado inferior do ser humano. Assim, a conquista por espaços e oportunidades em ambientes vitais da sociedade, educação, mercado de trabalho e no mundo político mostra-se essencial para a inclusão da pessoa com deficiência e eliminação de capacitismo, e a eliminação deste e a superação dos desafios enfrentados pelas pessoas com deficiência dependem não só de políticas públicas e ações governamentais, mas também da conscientização social da importância da inclusão e do tratamento justo e adequado para essas pessoas, tornando a sociedade mais inclusiva, fortalecendo os valores democráticos e contribuindo para um mundo menos desigual. 
Segundo o Estatuto da Pessoa com Deficiência (BRASIL, 2015), no artigo 88, a pessoa que praticar, induzir ou incitar discriminação de pessoa em razão de sua deficiência estará sujeita a uma punição de prisão, podendo variar de 1 a 3 anos, além da multa. Ademais, se o crime for cometido por intermédio de meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza, a pena será aumentada de 2 a 5 anos mais a multa. Já o art. 4º, inciso 1º, do referido estatuto, é bem claro e prevê expressamente o direito à igualdade de oportunidades e a proibição de qualquer tipo de discriminação. 
Logo, é dever e depende de cada um de nós a não utilização de ações e frases que induzam essa prática, repensar a forma de falar e saber se expressar corretamente para que todos os direitos dos cidadãos com deficiência sejam garantidos. 
Políticas públicas para a população idosa
Rede de apoio e de serviços à pessoa com deficiência 
O ser humano nasce e vive em uma rede de relações representadas por família, escola, comunidade, trabalho, entre outras; nesses ambientes, as pessoas desenvolvem interação social, já as relações entre pessoas e ambientes oferecem possibilidades de apoio nos momentos que necessitam, que podem criar oportunidades de desenvolvimento humano por meio das possibilidades que são proporcionadas a ela, como emprego, estudo, amizades, lazer, entre outros. 
Um conceito de rede a partir do seu significado amplo é uma estrutura que tem um padrão que caracteriza e que possibilita a inter-relação entre as pessoas; o apoio, por sua vez, deriva de apoiar descrevendo, sustentar algo, ajudar a mantê-lo, sustentá-lo. Uma rede de apoio, por conseguinte, é uma estrutura que dá algum tipo de contenção a algo ou alguém; em geral, quando pensamos em rede de apoio, pensamos nos laços familiares e de amizade, que pode ser composta de vínculos dessa natureza, mas engloba, também, os vínculos que nutrimos nos diversos espaços sociais em que nos inserimos.  
A rede de apoio é constituída de laços e vínculos de segurança e confiança, seja com pessoas, seja com instituições, e tem como objetivo promover a proteção em momentos difíceis e auxiliar na promoção de bem-estar, qualidade de vida e saúde. Já a rede de apoio para pessoa com deficiência a nível de Governo Federal está inserida dentro das Políticas, ou seja, Política de Educação, Habitação, entre outras. A Política Nacional de Saúde (BRASIL, 2002) é denominada rede de cuidados à pessoa com deficiência e define, como principal objetivo, propiciar atenção integral à saúde da pessoa com deficiência, desde a atenção básica até a sua reabilitação, incluindo a concessão de órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção, quando necessários. Ela tem como objetivo, também, a Capacitação de Recursos Humanos, tanto na rede básica quanto nos serviços de reabilitação (física, auditiva, visual, intelectual), tornando-os mais sensibilizados para os cuidados às pessoas com deficiência usuárias do SUS. 
Historicamente, diante desse déficit de ações concretas do Estado, a sociedade civil criou organizações voltadas para a assistência nas áreas de educação e saúde, e foi a partir do final da década de 1970 que o movimento das pessoas com deficiência surgiu, tendo em vista que, pela primeira vez, elas mesmas protagonizaram suas lutas e buscaram ser agentes da própria história.  O lema “Nada sobre nós sem nós”, expressão difundida internacionalmente, sintetiza com fidelidade a história do movimento, demonstra essa determinação pela busca da plena participação e inclusão e do protagonismo da própria história.  
A rede de serviço disponibilizada à pessoa com deficiência na Política Nacional de Assistência Social – PNAS (BRASIL, 2004), inaugura outra perspectiva de análise ao tornar visíveis aqueles setores da sociedade brasileira tradicionalmente tidos como invisíveis ou excluídos das estatísticas, entre elas, as pessoas com deficiência. Com isso, foi aprovada a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais em Art. 1º, serviços estes organizados por níveis de complexidade do SUAS: Proteção Social Básica e Proteção Social Especial de Média e Alta Complexidade, que considera a pessoa com deficiência como público prioritário dos Serviços de Proteção Social Básica. Entretanto, vale ressaltarmos que os demais serviços disponibilizados também são destinados à pessoa com deficiência. 
Já a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) da cidade de São Paulo oferece 49 serviços voltados ao atendimento e acolhimento de pessoas com deficiência e 3.039 vagas. Osencaminhamentos para os serviços podem ser feitos pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) ou pelo (CREAS); já outras experiências e outros serviços serão abordados nos próximos capítulos.
Cada vez mais empoderado, por entender mais ainda sobre a pessoa com deficiência, convidamos você a assistir ao vídeo para sintetizar todo o aprendizado adquirido, entender mais sobre as ações de inclusão e encaminhar os usuários para uma rede de apoio e serviços assegurada pelo Governo Federal, por meio das políticas a nível estadual, e conhecer os serviços disponibilizados e de referência a nível municipal.  
Saiba mais
Outra prática que está bastante em voga é a meritocracia, termo que mistura latim com grego: meritum (mérito) + cracía (oder). O termo sugere que o sucesso é definido única e exclusivamente pelo esforço, e isso, em tese, acaba colocando trabalhadores de diferentes classes sociais, raças, gêneros, condições sexuais etc. em pé de igualdade. Entretanto, precisamos tomar cuidado com esse discurso da meritocracia, principalmente quando se ignora a desigualdade, uma vez que se pode pensar que se alguém não consegue um bom trabalho ou algo que deseja na vida pessoal ou profissional é porque não se esforçou o suficiente. Veja mais e leia o artigo Brasileiro defende meritocracia, mas faltam políticas públicas de inclusão, pesquisa realizada do IDEIA, instituto de pesquisa de opinião pública, em que seis em cada dez brasileiros apoiam a ideia de meritocracia e acreditam que os profissionais sejam valorizados exclusivamente por sua capacidade e não por questões relacionadas a gênero, cor ou sexualidade, entretanto, há um consenso sobre o diagnóstico das prioridades e educação básica que aparece fortemente. “O que não é óbvio para a opinião pública são os caminhos para encontrar uma solução", diz Moura, do IDEIA (2021).  
Saiba mais sobre a igualdade e a não discriminação no Estatuto da Pessoa com deficiência (BRASIL, 2015), especialmente nos artigos 4º ao 8º, que respaldam a pessoa com deficiência sobre o direito à igualdade, proteção, capacidade civil, dever de todos para assegurar à pessoa com deficiência com prioridade, a efetivação dos direitos e qual é o dever caso haja ameaça ou violação aos direitos da pessoa com deficiência.  
Saiba mais sobre o Relatório Mundial sobre a Deficiência, que mostra os passos que são necessários para melhorar a participação e inclusão das pessoas com deficiência, com a contribuição de diversos autores e editores para a adoção de ações concretas em todos os níveis e setores, promoção do desenvolvimento econômico e social e a consecução dos direitos humanos das pessoas com deficiência em todo o mundo. O relatório aborda os ambientes facilitadores e especifica os tipos de barreiras, para que todos possam entender o acesso aos ambientes físicos e de informações descritos a partir das páginas 177-258, bem como retrata o processo histórico das organizações de pessoas com deficiência, instituições de microcrédito e sindicatos na página 260.  
Faz-se importante saber sobre as ações afirmativas, que, no Brasil, compreendem: “políticas públicas (e privadas) que visam à garantia de direitos historicamente negados a grupos minoritários, como negros, mulheres e portadores de deficiência; fundamentam-se no princípio de igualdade substancial ou material, lembrando que essas mudanças foram possíveis graças à evolução da legislação internacional, por meio dos tratados e convenções, assim, a partir disso, muitas ações afirmativas já foram e ainda são feitas no Brasil. Entre algumas delas, podemos citar: acesso à educação por meio de cotas; inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho pela lei de cotas; determinação de cotas mínimas de participação política, concessão de bolsas de estudo e auxilio estudantil. Veja mais sobre o histórico dessa ação, seus objetivos e cada ação afirmativa elaborada no Brasil na íntegra acessando o artigo O que são ações afirmativas?
Unidade 2 / Aula 3Estatuto do idoso
Introdução
lá, estudante! Convidamos você a conhecer o Estatuto do Idoso; para tanto, esta aula propõe conceituar a pessoa idosa pelo viés dos direitos humanos, por meio do marco histórico do processo de reconhecimento dos direitos da população idosa, os conceitos, objetivos e princípios do estatuto do idoso e as políticas públicas que subsidiam essa população. 
Vale lembrar que a média de vida do cidadão brasileiro vem aumentando de modo significativo, segundo o IBGE (2002), que prevê que a relação será de um para cinco idosos para o mundo em seu conjunto e de um para três para o mundo desenvolvido a partir de 2050, assim, o desafio é lidar com essa previsão e pensar, desde agora, nas dificuldades e nas oportunidades do envelhecimento da população. 
[…] nós envelheceremos um dia, se tivermos este privilégio. Olhemos, portanto, para as pessoas idosas como nós seremos no futuro. Reconheçamos que as pessoas idosas são únicas, com necessidades e talentos e capacidades individuais, e não um grupo homogêneo por causa da idade. (KOFI ANNAN apud REIS, 2018)  
Assim, o estudante compreenderá, na prática, a aplicação da legislação que permeia os Direitos Fundamentais e Direitos Humanos da pessoa idosa
Marco histórico do processo de reconhecimento dos direitos da população idosa
Se tirássemos uma fotografia dos idosos no Brasil, não exatamente veríamos o estereótipo de uma avó com coque na cabeça, aparentando bastante idade, fazendo bolo, cuidando da casa e dos netos, vendo televisão ou sentada na varanda olhando a rua, não que isso seja um problema e não aconteça, mas não é como antigamente. Pesquisas mostram que os cidadãos acima dos 60 anos estão cada vez mais ativos, presentes no mercado de trabalho, realizando atividades físicas, preocupando-se cada dia mais com a aparência e com a saúde, relacionando-se ativamente sexualmente e, muitas vezes, sendo os únicos provedores da família. 
Enquanto as estatísticas registram uma queda na taxa de mortalidade infantil e, consequentemente, aumento na expectativa de vida devido a vários fatores, preveem essa nova realidade por causa da melhoria no saneamento básico, nos serviços de saúde e educação, na alimentação e combate à fome, nos índices de violência e outros quesitos que influenciam a qualidade de vida. Apesar dos números positivos, encontramos no caminho os desafios de uma previdência social em déficit, uma crise que não oferece empregos formais nem para os mais jovens e um Estatuto do Idoso ainda recente, aprovado apenas em 2003. 
Envelhecer, hoje, com dignidade, é um direito social assegurado; o Estado tem a obrigação de permitir um envelhecimento saudável, em condições de dignidade e garantido por políticas públicas, assim, é importante conhecer o histórico dessa luta antes da implementação do Estatuto do Idoso. Em 1994, entrou em vigor a Política Nacional do Idoso (BRASIL, 1994), que busca estabelecer maneiras de integração e participação social dos idosos. A demanda por maior consolidação dos direitos da população idosa chegou ao Congresso em 1997, após mobilização da Confederação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas (Cobap) na elaboração do PL 3.561/1997. Outra proposta foi apresentada na Câmara dos Deputados em 1999, mas apenas anos depois uma comissão reuniu deputados de diferentes partidos políticos com o movimento dos idosos para aprovar ou não o que viria a ser o Estatuto do Idoso. Ao final de um seminário com 500 pessoas e muitos debates, escolheu-se o primeiro projeto, sancionado pelo presidente em 2003. 
Logo, conhecida como “Estatuto do Idoso”, a Lei 10.741/2003 tem como objetivo regular os direitos do cidadão com 60 anos ou mais, que tem como novidade as punições mais severas para quem cometer crimes contra a terceira idade, como o abandono e o desrespeito à dignidade. Entre outros pontos, resumidos os direitos assegurados, tem-se a garantia um salário mínimo por mês; atendimento domiciliar pelo SUS; critério de desempate em concursos; direito ao respeito, moradia digna, gratuidade de recursos relativoa tratamento, habilitação ou reabilitação do idoso; e prioridade em programas habitacionais. Assim, os deveres do Estado e da Sociedade Civil têm o dever de assegurar, com prioridade, o direito à vida, à educação, à cultura, ao trabalho, à cidadania; assegurar a convivência familiar e comunitária; garantir dignidade e evitar tratamento desumano, violento ou constrangedor; reservar assentos nos transportes coletivos e vagas de estacionamentos; capacitar profissionais que atendam a esse público; e criar conteúdo e metodologia que visem à integração digital.  
Entretanto, vale lembrar que a família, que, nesse contexto, também é responsável, segundo Falcão (2015, p.13), pelo menos na sociedade moderna, vem sofrendo profundas modificações, uma vez que acompanham as transformações culturais das últimas décadas […] portanto, enfrenta desafios importantes advindos da velhice […], e a maneira como lidam com esse ciclo de vida depende do sistema que criaram ao longo da vida e da capacidade de se ajustarem às exigências e às perdas decorrentes a esse processo. 
O Estatuto do Idoso expõe também sobre as circunstâncias de violência contra o idoso ao definir punições para casos de morte, sofrimento físico ou psicológico; proibição de discriminação de limite de idade e cobrança de valores diferenciados em razão da idade em planos de saúde. Entretanto, ao ser lançado, o estatuto do idoso trouxe à tona o lembrete de que todas as pessoas estão sujeitas a alcançar a velhice. 
Estatuto do idoso: conceitos objetivos e seus princípios
O significado de envelhecer não se resume ao resultado da passagem do tempo, já que é um processo contínuo e irreversível, que altera as dimensões biológicas, cronológica, funcional, social e psicológica do ser humano. É importante conhecer o conceito de senilidade, pois tem conexões com o envelhecimento e significa o declínio da capacidade físico-mental, bem como para diferenciar o idoso daquele que é senil. Portanto, é necessário um novo olhar para o envelhecimento, a qualidade de vida e a seguridade do idoso em nosso país. 
Você conhece todos os seus direitos como cidadão? É essencial conhecê-los para poder usufruir e reivindicar quando estes forem infringidos, assim, é fundamental que todas as pessoas, independentemente da idade, busquem tais informações. A Constituição de 1988 assume a perspectiva, em seu art. 230, de que a família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida. Esse contexto reforça a necessidade de alargar os seus direitos e de aprimorar as formas para melhor protegê-los. 
O Estatuto do idoso (BRASIL, 2003) formou uma base sólida para cobrar a atuação de todos para o amparo e respeito à população idosa, entretanto, nem todos os direitos previstos ainda são garantidos, tornando o processo de envelhecimento um desafio; com isso, o estatuto regula com destaque a participação social, que é decisivo para a aplicabilidade, não permitindo que o retrocesso nos alcance.  
Conforme reflexão sobre os idosos como sujeitos portadores de direitos, ainda falta a materialização desses direitos assegurados nas legislações, bem como o acesso de todos os idosos, indistintamente, a eles.
“A decisão política de universalizar direitos e proteger todos os idosos é uma atitude nova, própria deste momento histórico da consciência nacional. É um avanço do pensamento. É um avanço do pensamento que precisa ser concretizado na prática” (MINAYO 2005 apud NASCIMENTO, 2014. p. 27). 
O Direito à saúde preconiza que o idoso seja atendido com prioridade em estabelecimentos públicos e privados, bem como o direito, conforme art.16, a um acompanhante em tempo integral. Já os medicamentos gratuitos ao idosos são garantidos de acordo com o art.15, cabendo ao poder público proporcionar. O Estatuto assegura às pessoas idosas vários direitos, porém alguns têm critérios disponibilizados após 65 anos, como é o caso da gratuidade do transporte público, que é definido por conta das administrações municipais e do Benefício Assistencial de Prestação Continuada – BPC –, que tem critérios de idade e de renda também. Outro exemplo é o direito à isenção de pagamento de IPTU, em que o idoso precisa ser aposentado, proprietário de apenas um imóvel e com renda de até dois salários mínimos.  
Uma questão que é importante saber, por desconhecimento de muitas pessoas, é que o dever de pagar alimentos não se limita aos pais, o Estatuto do Idoso, no art.12, determina a obrigatoriedade do filho de pagar pensão para os seus ascendentes, que não apresentam condições de se sustentar, tendo direito a receber pensão. Além disso, eles têm o direito de escolher qual filho deve arcar com essa despesa, e o não pagamento da pensão pode levar o inadimplente à prisão. 
Vale ressaltar, que os direitos dos idosos são um conjunto de princípios e regras que têm como objetivo garantir a qualidade de vida, a dignidade e a proteção da população idosa, possibilitando o exercício de sua cidadania. Entre eles, podemos destacar o direito de envelhecer, o direito à vida, à saúde, à liberdade, à cultura, ao lazer, ao transporte, ao acesso à justiça, à previdência, ao atendimento preferencial, entre outros; e para fechar o resumo de alguns direitos, o Estatuto proporciona a prioridade na tramitação de processos judiciais nos quais sejam partes interessadas. Em casos de morte, essa prioridade se estende ao cônjuge ou companheiro maior de 60 anos. 
O Estatuto do Idoso definiu princípios da proteção integral e da prioridade às pessoas com mais de 60 anos, regulando direitos inerentes a essa população. As ações envolvidas para garantir tais proteções e benefícios contribuiu de maneira efetiva para o aumento de conhecimento e percepção dos idosos em relação aos seus próprios direitos, proporcionando um sentimento de empoderamento no lugar da fragilidade que fazia parte dos seus sentimentos, além de influenciar o modo como as novas gerações percebem os idosos.
Políticas públicas para a população idosa
Lembrando que políticas públicas são asseguradas na Constituição, definida como conjuntos de programas, ações e decisões tomadas pelos governos (nacionais, estaduais ou municipais) com a participação, direta ou indireta, de entes públicos ou privados que visam a assegurar determinado direito de cidadania para vários grupos da sociedade ou para determinado segmento social, cultural, étnico ou econômico. 
 Ao exemplificarmos ações práticas de políticas públicas brasileiras voltadas ao idoso, devemos lembrar que o Estatuto entende idosos como um grupo social vulnerável deve usufruir de programas voltados às suas necessidades. Segundo Moraes (2012 apud NASCIMENTO, 2014), as políticas públicas devem se fundamentar em dados sociais, apontando os locais de maior vulnerabilidade e os sujeitos para os quais as políticas se direcionarão. Nesse caso, tanto a Política Nacional de Assistência Social (PNAS, 2004) quanto a Política Nacional da Atenção Básica (PNAB, 2012) trabalham na perspectiva do território, entendendo este como espaço em que se evidenciam as carências e necessidades sociais, mas também onde se forjam dialeticamente as resistências e as lutas coletivas.  
As políticas públicas setoriais para os idosos no Brasil são consideradas: Políticas de Saúde, Política de Assistência Social, Políticas de Trabalho, Previdência e Seguridade Social, Políticas de Esporte, Turismo e Lazer e a Política de Educação. O Ministério do Desenvolvimento Social – Secretaria Nacional de Assistência e Ação Social – é responsável pelo apoio técnico e financeiro a serviços de proteção social básica e especial, bem como a programas e projetos executados por estados, municípios, Distrito Federal e entidades sociais destinados ao atendimento da pessoa idosa; além disso, constituem propostas do Ministério da Assistência Social a serem elaboradas pelos estados e municípios, como políticas públicas de assistência aos idosos, centros e grupos de convivência,instituições de longa permanência, centros-dia, casas-lares, repúblicas, além do benefício de prestação continuada. Oferece, também, dentro da proteção social básica, o Serviço de Convivência e Fortalecimento intergeracional por meio do cofinanciamento, em parceria com as entidades sociais, voltado também à população idosa com idade igual ou superior a 60 anos e  que se encontra em situação de vulnerabilidade social. 
Já na área da educação, estabelece como meta a erradicação do analfabetismo entre adultos por meio do programa EJA – Educação de Jovens e adultos. Além dessas ações, a Secretaria de Direitos Humanos atua no combate à violência contra o idoso ao fazer a ponte entre sociedade e órgãos públicos por meio do Disque 100, bem como articula ações a partir dos dados das denúncias anônimas recebidas. A fim de proteger esse cidadão, a secretaria lançou, em 2013, o Compromisso Nacional para o Envelhecimento Ativo, que atende à demanda da Sociedade Civil, demandas estas que haviam surgido, anteriormente, na 3ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa realizada em 2011, e também atende ao Plano de Ação Internacional para o Envelhecimento e do Estatuto do Idoso, Lei nº 10.741 (BRASIL, 2003). 
Vale ressaltar, conforme menciona Nascimento (2014), que os direitos humanos econômicos, sociais e culturais são tão direitos quanto todos os outros, razão pela qual devemos afirmar os mecanismos já existentes para a sua exigibilidade, assim como criar outros que venham a ser necessários.
“[…]Direitos, afinal, são construções sociais, historicamente orientadas por necessidades humanas. […]Daí a urgência em se proceder à incorporação da ideia de indivisibilidade dos direitos humanos nas práticas para a realização desses direitos” (NASCIMENTO, 2014, p. 10). 
Desse modo, convidamos você a fazer uma reflexão. A Constituição Federal, logo no art. 1º, declara que são princípios fundamentais da República Federal do Brasil a cidadania e a dignidade humana, assim, o idoso possui status de cidadão, tendo todos os seus direitos assegurados; sem distinção, garante a cidadania aos idosos, uma vez que um dos objetivos fundamentais da Republica é promover o bem de todos, sem preconceito ou discriminação em face da origem, raça, sexo, cor, credo, idade e quaisquer outras formas de discriminação, corroborando com este pressuposto. No entanto, apesar dessa afirmativa, a velhice, no Brasil, ainda representa uma ideia de improdutividade, de perda de papéis sociais, de dependência, doença e abandono, fazendo com que os idosos sejam considerados cidadãos inaptos ou que a questão dos direitos aos idosos seja menor e sem importância diante do peso de se cuidar dessas pessoas, logo, as demandas são muitas e os desafios também, porém o caminho é um só: cabe ao Estado e a sociedade reagir, planejar e, sobretudo, desenvolver políticas públicas consistentes, visando a proporcionar a melhor qualidade de vida possível aos seus cidadãos, incluindo e garantindo as pessoas idosas na participação dessas questões. 
Olá, estudante. É muito importante que você tenha sempre em mãos o Estatuto da pessoa idosa e esteja antenado às mudanças das legislações, para que não cometa nenhum equívoco ou deixe de garantir direitos. Para apreender ainda mais, assista ao vídeo e se aproprie, na íntegra, das legislações voltadas ao idoso, além de conhecer exemplos de serviços oferecidos para a população idosa. Aguardamos você! 
Saiba mais
Você sabia que houve alteração na terminologia referida ao público idoso? A Lei nº 14.423, de 22 de Julho de 2022, substitui as expressões “idoso” e “idosos” pelas expressões “pessoa idosa” e “pessoas idosas”. 
Veja mais sobre o Regulamento do benefício de prestação continuada (capítulo I), página 19, em Política Nacional do Idoso, no caso de indeferimento e do processo de monitoramento e avaliação.  
Saiba mais, também, sobre as alterações do Benefício de Prestação Continuada (BPC) com as novas regras no Guia para técnicos e gestores da assistência social sobre o benefício de prestação continuada. 
Unidade 2 / Aula 4Órgãos: Conselhos de direitos, delegacias da PCD; Rede de defesa e garantia da PCD
Introdução
Olá, estudante, chegou a hora de colocar em prática todo o conteúdo adquirido, assim, convidamos você a conhecer a rede de serviços destinada à pessoa com deficiência e à pessoa idosa, a fim de que possa, enquanto cidadão consciente de seus deveres ou profissional da área, orientar, informar e acompanhar o público com deficiência, as pessoas idosas e seus familiares. 
Assim, nesta aula, vamos abordar a rede que atende a esse público nas esferas nacional, estadual e trazer algumas experiências a nível de município, atitudes inovadoras que devem ser compartilhadas como exemplos, bem como finalizaremos esta unidade dando continuidade às proposições para uma sociedade mais inclusiva, com mais empatia, sem estigmas, ou seja, com um novo olhar sobre a pessoa com deficiência e a pessoa idosa. 
Rede de serviços à pessoa com deficiência
Anteriormente, vimos a importância da rede na nossa vida, o quanto é importante ter uma rede que te apoie e ajude a tornar a sociedade mais inclusiva, além de contribuir para a autonomia e independência da pessoa com deficiência, consequentemente, diminuindo a sobrecarga dos responsáveis. 
Faz-se importante saber que a rede é a articulação entre o conjunto de políticas públicas, serviços, programas, projetos e benefícios que acionamos no processo de garantia de direitos; ela está estruturada e organizada nos territórios, seguindo os tipos de proteção (básica e especial) de média e alta complexidade; e possui extrema importância para a efetivação e conquista de direitos. 
Para que o trabalho possa ser desenvolvido efetivamente, os profissionais que trabalham com esse público contam com a parceria da rede socioassistencial, que está dentro do plano do SUAS – Sistema Único de Assistência Social. De acordo com o MDS (BRASIL, 2009), tem estratégias e Metas para a Implementação da Política Nacional de Assistência Social, deliberada na conferência nacional, que tem como um dos cinco eixos as ações em relação à rede socioassistencial e de intersetorialidade. A rede é, na verdade, a articulação entre o conjunto de políticas públicas, serviços, programas, projetos e benefícios que acionamos no processo de garantia de direitos; ela está estruturada e organizada nos territórios, seguindo os tipos de proteção (básica e especial) de média e alta complexidade, e possui extrema importância para a efetivação e conquista de direitos. Assim, caracteriza, tipifica e classifica nacionalmente os serviços socioassistenciais, de acordo com a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, bem como sustenta a ética nos direitos socioassistenciais e no compromisso com o desenvolvimento humano e social. 
Segundo o PNAS (2004), os serviços de proteção social, básica e especial voltados para a atenção às famílias deverão ser prestados, preferencialmente, em unidades próprias dos municípios, por meio dos centros de referência da assistência social (CRAS) básico e especializado (CREAS). Aliás, os serviços, programas, projetos de atenção às famílias e indivíduos poderão ser executados em parceria com as entidades não governamentais de assistência social, integrando a rede socioassistencial. 
A política de assistência social tem sua expressão em cada nível da Federação na condição de comando único, o Plano de Assistência Social que expressa a política e suas inter-relações com as demais políticas setoriais e, ainda, com a rede socioassistencial. Assim, cabe ao poder público conferir unidade aos esforços sociais, a fim de compor uma rede socioassistencial, rompendo com a prática das ajudas parciais e fragmentadas, caminhando para direitos a serem assegurados de forma integral, com padrões de qualidade passíveis de avaliação.  
O trabalho conjunto realizado de forma articulada e integrada, denominado intersetorialidade, é um dos instrumentos mais utilizados para a efetivação das políticas públicas; essa articulaçãocom a rede de saúde, educação, habitação entre outras potencializa a rede de proteção social, viabilizando o acesso efetivo da população aos equipamentos e serviços da assistência social, além de contribuir para a execução de programas como o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), entre outros que integram a rede de atendimento socioassistencial. Graças à ação integrada dos diversos saberes e práticas, a intersetorialidade contribui, ainda, para o acesso dos beneficiários dos programas de transferência de renda, aos serviços socioassistenciais ofertados pelos estados e municípios. 
Vale salientar que a pessoa com deficiência, além da rede destinada à pessoa sem deficiência, tem uma rede de serviço destinada a ela e que faz parte da rede socioassistencial também, que, historicamente, foi construída pela sociedade civil, por grupos de pais ou pessoas com deficiência que, muitas vezes, não tiveram acesso a um serviço especializado ou destinado a eles. 
Além disso, as entidades sociais, por meio de lutas e movimentos sociais, como entidades constituídas no Brasil e da qual você já deve ter ouvido falar, como o Instituto Louis Braile, APAE, rede SORRI, Pestalozzi, Fundação Síndrome de Down, entre outras, foram se constituindo como serviços especializados para a pessoa com deficiência e famílias, caracterizando serviços da rede cofinanciada, com repasse de recursos dos governos federal, estadual e municipal.  
Ao lançar o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, mais conhecido como Viver sem Limite (BRASIL, 2011), o Governo Federal ressalta o compromisso do Brasil com as prerrogativas da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, da ONU, ratificada pelo nosso país com equivalência de emenda constitucional, apresentando os avanços do Brasil na implementação dos apoios necessários ao pleno e efetivo exercício da capacidade legal por todas e cada uma das pessoas com deficiência; ou seja, cada vez mais nos empenhamos na equiparação de oportunidades para que a deficiência não seja utilizada como motivo de impedimento à realização dos sonhos, dos desejos, dos projetos, valorizando e estimulando o protagonismo e as escolhas das brasileiras e dos brasileiros com e sem deficiência.  
Além disso, o Plano Nacional aborda, em seus capítulos, diversos temas, como o acesso aos direitos garantidos, direcionando cada assunto ao cidadão com ou sem deficiência, chamando os gestores para as responsabilidades e mostrando os caminhos para que o plano seja colocado em prática.  
Assim, políticas públicas de inclusão social têm como objetivo desenvolver ações para combater qualquer desigualdade, exclusão ou restrição feita com o propósito de impedir ou impossibilitar o reconhecimento, desfrute ou exercício de direitos em igualdade de condições, valorizando e estimulando o protagonismo e as escolhas de cada uma das pessoas. Reconhecimento e participação compõem a ideia de inclusão social; em relação às pessoas com deficiência, são necessárias medidas apropriadas para assegurar apoio e não permitir que haja discriminação baseada nas condições físicas, intelectuais, mentais ou sensoriais e, muito menos, afastamento compulsório de suas comunidades.  
Os conselhos de defesas dos direitos da pessoa com deficiência são instrumentos de participação e controle social, são entidades indispensáveis à defesa e promoção dos direitos de cidadania e da qualidade de vida da população com deficiência e ao controle social das políticas públicas. Assim, existe o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), que faz parte da estrutura básica do Ministério dos Direitos Humanos, sendo um órgão superior de deliberação colegiada criado para acompanhar e avaliar o desenvolvimento de uma política nacional para inclusão da pessoa com deficiência e das políticas setoriais de educação, saúde, trabalho, assistência social, transporte, cultura, turismo, desporto, lazer e política urbana dirigidos a esse grupo social.  
O Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência é um órgão consultivo, autônomo, com o suporte administrativo da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência e colaboração técnica dos demais órgãos estaduais nela representados, sendo responsável pelo aconselhamento e assessoramento de políticas públicas para o Governo do Estado de São Paulo nas questões ligadas às pessoas com deficiência. 
Faz-se importante ressaltar que não devemos instituir “guetos“ ou locais únicos para a pessoa com deficiência, ou seja, a pessoa com deficiência tem que estar em todos os espaços, por isso a importância da inclusão social, garantindo a acessibilidade para que possam estar dentro dos espaços destinados a todos, como os conselhos da assistência social, da saúde e da educação, pois, antes de serem consideradas pessoas com deficiências, são pessoas, com os mesmos direitos que qualquer um 
Já o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência é um espaço de participação democrática que realiza ações como o acompanhamento, monitoramento, avaliação e a fiscalização das políticas destinadas à pessoa com deficiência, por meio da articulação e do diálogo com as demais instâncias de controle social e os gestores da administração pública direta e indireta. Os conselhos municipais de direitos das pessoas portadoras de deficiência devem ser criados e implementados por meio de projetos de lei municipais, por proposta do poder executivo ou da sociedade civil organizada, aprovados pelo poder legislativo; aliás, cabe a eles, entre outras atribuições, atuar na sensibilização da sociedade acerca da defesa dos direitos das pessoas com deficiência. 
O processo de participação social acarreta, para a pessoa com deficiência, a possibilidade de ser ouvido e de exercer não apenas o exercício do controle social nos espaços dos Conselhos mas também a de desenvolver a capacidade de tomar decisões e de lutar pelos seus direitos, contribuindo, assim, para a construção e afirmação da cidadania. 
Existem inúmeras iniciativas de rede nacional; no município de Campinas/SP, temos a pessoa com deficiência inserida dentro da Secretaria Municipal de Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos, mas o município implementou o projeto do Executivo, aprovado pela Câmara Municipal, que cria, oficialmente, a Secretaria Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, em 11 de junho de 2013, tendo como objetivo garantir o acesso das pessoas com deficiência a todos os bens, produtos e serviços existentes na sociedade e assegurar os direitos dessa parcela da sociedade por meio de uma efetiva articulação entre sua secretaria e as demais pastas da administração. 
Outra iniciativa foi a inauguração da Secretaria da Segurança Pública e dos Direitos da Pessoa com Deficiência, inaugurada em Dezembro de 2021, e de um Centro de Apoio Técnico (CAT) para o atendimento de pessoas com deficiência em situação de violência, na 2ª Delegacia Seccional de Polícia de Campinas, com o objetivo de disponibilizar um atendimento multidisciplinar e especializado a esse público, reforçando a importância do atendimento humanizado. O projeto elaborado pelo Instituto Jô Clemente, situado no município de Campinas/SP, denominado Território de todas e todos: prevenção à violência e autonomia da pessoa com deficiência, o Plano de Trabalho e as atividades do Centro de Apoio Técnico de Campinas estão em sintonia com o Decreto 59.316 de 2013, que criou o Programa Estadual de Prevenção e Combate à Violência contra a Pessoa com Deficiência. 
Além disso, vale lembrar que a LBI/Estatuto da Pessoa com Deficiência (BRASIL, 2015) respalda todos os direitos estabelecidos para garantir que o trabalho da rede de garantia de direitos seja efetivado, por isso, no cap. 15 de tal estatuto observa-se a oferta de rede de serviços articulados, com a atuação intersetorial, nos diferentes níveis de complexidade, para atender às necessidades específicasda pessoa com deficiência. Também, no art. 95 assegura-se à pessoa com deficiência o atendimento domiciliar pela perícia médica e social do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), pelo serviço público de saúde ou pelo serviço privado de saúde, contratado ou conveniado, que integre o SUS e pelas entidades da rede socioassistencial integrantes do SUAS. 
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Rede de serviços à pessoa ao idoso
A Constituição (BRASIL, 1988) redefiniu o modelo de proteção social adotando o conceito de Seguridade Social, integrada pelo conjunto das ações referentes à saúde, previdência e assistência social, representando um avanço na vida dos idosos, assim, assegura, conforme artigo 3º: 
A obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do poder público assegurar à pessoa idosa, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. (BRASIL,1988)  
Já a Política Nacional do Idoso (BRASIL,1994) tem por objetivo assegurar os direitos sociais do idoso para promover sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade, com isso, prevê ações governamentais nas áreas de promoção e assistência social, saúde, educação, trabalho e previdência social, habitação e urbanismo, justiça e cultura, esporte e lazer. A finalidade primordial da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa é recuperar, manter e promover a autonomia e a independência dos indivíduos idosos, direcionando medidas coletivas e individuais de saúde para esse fim, em consonância com os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde.  
Partindo das premissas estabelecidas na Constituição Federal (BRASIL, 1988) e na Política Nacional do Idoso (BRASIL, 1994), o Estatuto do idoso (BRASIL,2003) estabelece os direitos garantidos para os idosos dentro das legislações voltadas às políticas públicas setoriais nas diversas áreas, garantindo ao acesso à rede de serviços de saúde e de assistência social locais, considerando o art. 203 da Constituição Federal 1988, que diz: 
A Assistência Social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei. (BRASIL, 1988) 
Assim, constitui-se o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que não é considerado aposentadoria, em que é a garantido um salário mínimo mensal à pessoa com deficiência ou idoso acima de 65 anos, brasileiro, nato ou naturalizado, desde que comprovem residência no Brasil e não possuam meios de prover a própria manutenção, nem de tê-la provida por sua família, entretanto, tem o critério de renda per capita, ou seja, a renda por pessoa do grupo familiar que reside sob o mesmo teto sendo considerado: requerente, cônjuge ou companheiro, os pais /madrasta ou padrastos, os irmãos solteiros ou tutelados, os filhos ou enteados. 
Hoje, temos legislações vigentes que legalizam o direito da pessoa pleitear o BPC sem contar como renda os benefícios sociais e aposentadoria até 1 salário mínimo, abrindo a possibilidade de outras pessoas terem esse direito garantido, de acordo com a legislação:  Portaria nº 1.282, de 22 de março de 2021, e Lei nº 14.176, de 22 de junho de 2021. 
O Estatuto do Idoso (BRASIL, 2003), destinado a regular os interesses e garantias das pessoas idosa, vigente desde o ano de 2004, é um importante instrumento de cidadania e proteção às pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, que já contribuíram muito para com a sociedade, bem como protege e facilita a preservação de sua saúde física, mental, moral, intelectual, espiritual e social, objetivando amparar as necessidades comuns a essa fase da vida. 
O Estatuto do Idoso tem como objetivo promover a inclusão social e garantir os direitos desses cidadãos, por exemplo, com a Lei n° 14.181/2021, também conhecida como “Lei do Superendividamento”, editada com o objetivo de aperfeiçoar a disciplina do crédito ao consumidor e dispor sobre a prevenção e o tratamento do superendividamento, considerando que uma das cláusulas configura atos de discriminação contra a pessoa idosa: “§ 3º Não constitui crime a negativa de crédito motivada por superendividamento do idoso” (BRASIL, 2021, [s. p.]). Além disso, no Código de Defesa do Consumidor (CDC) foi inserido o artigo 54-C e estabelece novas proibições na oferta de crédito ao consumidor, entre as quais destaca-se: “c) assediar ou pressionar o consumidor para contratar o fornecimento de produto, serviço ou crédito, principalmente se se tratar de consumidor idoso, analfabeto, doente ou em estado de vulnerabilidade agravada ou se a contratação envolver prêmio” (BRASIL, 1990, [s. p.]). 
Com o aumento do número de pessoas idosas, esses indivíduos, provavelmente, apresentarão um maior número de doenças e/ou condições crônicas que requerem mais serviços sociais e médicos e por mais tempo, devido ao Sistema de Saúde, tradicionalmente, ser voltado ao público materno-infantil, conforme apresenta os números representados hoje, nas internações hospitalar no SUS. Portanto, o envelhecimento populacional desafia a habilidade de produzir políticas de saúde que respondam às necessidades das pessoas idosas, porque o ato de envelhecer deve se dar com saúde, de forma ativa, livre de qualquer tipo de dependência funcional, o que exige promoção da saúde em todas as idades. 
Faz-se importante ressaltar que, mesmo tendo seus direitos garantidos pelas legislações, a pessoa idosa ainda enfrenta grandes desafios para conseguir que esses direitos sejam garantidos, assim, a  prática da intersetorialidade pressupõe o reconhecimento de parceiros e de órgãos governamentais e não governamentais que trabalham com a população idosa, corrigem distorções e potencializam a rede de solidariedade, ofertando ao público idoso atividades oferecidas pela proteção social básica, o CCII – Centro de Convivência Inclusivo e Intergeracional, o SCFV - Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculo, conforme preconiza a Tipificação Nacional de Assistência Social (BRASIL,2014). Ademais, destaca-se outras iniciativas que apresentam projetos voltados para a tecnologia, por meio da inclusão digital, para que os idosos não se sintam isolados na própria família ou na sociedade, ajudando-os a ampliar sua rede de relacionamento com outras pessoas e, até mesmo, outros serviços.  
Vale ressaltarmos que a tipificação também oferece outros serviços destinados aos idosos, que contribuem para processo de envelhecimento saudável, para o desenvolvimento da autonomia e de sociabilidades, para o fortalecimento dos vínculos familiares e do convívio comunitário e para a prevenção de situações de risco social. A intervenção social deve estar pautada nas características, interesses e demandas dessa faixa etária e considerar que a vivência em grupo, as experimentações artísticas, culturais, esportivas e de lazer, bem como a valorização das experiências vividas constituem formas privilegiadas de expressão, interação e proteção social, além de incluir vivências que valorizem suas experiências e que estimulem e potencialize a condição de escolher e decidir.  
Outro serviço disponibilizado é o Serviço de proteção social básica no domicílio para pessoas com deficiência e idosas; já na proteção especial de média complexidade, temos o serviço de proteção especial para pessoa com deficiência, idosas e suas famílias, destinado a oferta de atendimento especializado a famílias com pessoas com deficiência e idosos com algum grau de dependência, que tiveram suas limitações agravadas por violações de direitos; e na alta complexidade, tem o acolhimento para idosos com 60 anos ou mais, de ambos os sexos, independentes e/ou com diversos graus de dependência, no entanto, o acolhimento deve ser provisório, sendo de longapermanência excepcionalmente quando esgotadas todas as possibilidades de autossustento e convívio com os familiares, como Casa Lar e Abrigo Institucional (Instituição de Longa Permanência para Idosos – ILPI). 
A rede deve tratar do interesse do idoso e das suas necessidades, portanto, é essencial que sejam realizados estudos e pesquisas que avaliem a qualidade e aprimorem a atenção à pessoa idosa, identificando e estabelecendo redes de apoio com instituições formadoras, associativas e representativas, universidades, faculdades e órgãos públicos. Aliás, faz-se importante tratar de temas como a questão da sexualidade e doenças sexualmente transmissíveis, uma vez que, segundo os dados de um estudo, em mais de 70% dos países no mundo, os idosos possuem vida sexual ativa, caracterizada por diversos tipos de interações. O estudo da expressão sexual na velhice é considerado como negligenciado, pois são escassas as pesquisas que exploram mais de outros parâmetros que não se restringem apenas às disfunções sexuais (HUMBOLDT et al., 2020 apud MONTEIRO, 2021). A sexualidade é um dos elementos que se mantêm como parte importante da vida das pessoas, independentemente da faixa etária, entretanto, as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) estão presentes na velhice, sendo necessária a adoção de medidas de profilaxia entre os idosos (BRASIL, 2017 apud MONTEIRO, 2021). 
A dependência química é outro evento que vem adentrando na terceira idade. Mesmo sendo a terceira condição psiquiátrica mais prevalente nesse público, poucos são os estudos com foco nos idosos, podendo ser justificado, em parte, aos preconceitos relacionados entre o público e essa problemática. Objetiva-se identificar e discutir os aspectos retratados na atualidade, em pesquisas a respeito da dependência química em idosos a partir da análise das publicações do período de 2010 a 2015 sobre a temática, em meio a um estudo de pesquisa bibliográfica realizada nos meses de agosto e setembro de 2015, por meio do banco de dados apresentados no Congresso Internacional e Envelhecimento Humano (TARQUINO, 2015). 
Como conclusão, destaca-se a necessidade de mais estudos com propósito de evidenciar o perfil dessa clientela e o progresso da exposição ao uso, de forma que possam trazer entendimentos necessários para o desenvolvimento de trabalhos assistenciais, educacionais e preventivos para os idosos, bem como o desenvolvimento de instrumentos diagnósticos, que auxiliem os profissionais de saúde a identificar e intervir precocemente, e a ampliação do acesso a serviços de saúde especializados. E não devemos nos esquecer de que o atendimento deve se estender à família, considerada a nossa primeira rede; é nela que está a base para a formação de qualquer indivíduo; nela se inicia a convivência em sociedade, pois os ensinamentos recebidos por meio dela serão levados para toda a vida, entretanto, temos que levar em conta os desafios impostos pela família, um vez que os papéis podem se inverter; um dia, os filhos podem vir a ter que cuidar dos pais, que um dia cuidaram deles, surgindo, desse modo, os desafios da contemporaneidade, frente os quais devemos analisar se a longevidade tende a aumentar. Assim, segundo (FALCÃO, 2015), é necessário conhecermos o caminho da maturidade, seus encantos e desencantos, deixando de ver essa etapa da vida com algo destrutivo, convertido em pesadelo. O autor aborda em sua obra questões como relacionamento intergeracionais, situações do cotidiano, questões de saúde e idosos. 
Compartilhando ações da rede, que pretende fortalecer ações inovadoras para a população idosa, apresentamos a Campanha da Fundação FEAC – EvenlhESSENCIA, de 2021, que buscou enfocar a maturidade pelas lentes da proteção, dos direitos, da autonomia e da qualidade de vida, envolvendo prevenção à violência, acesso à saúde e abrigo e combate ao preconceito e à discriminação. Outra iniciativa pensando no envelhecimento do cuidador da pessoa com deficiência lançada pela FEAC foi o Projeto ASAS, em 2022, partindo da preocupação compartilhada por muitos pais sobre “quem cuidará do meu filho com deficiência no futuro?”. 
Devemos destacar e potencializar, também, o conselho da pessoa idosa, que é um órgão de representação dos idosos e de interlocução junto à comunidade e aos poderes públicos na busca de soluções compartilhadas, em sintonia com as políticas nacional e estadual, estatuto do idoso e com as regras e leis aprovadas e regulamentadas, devendo promover amplo e transparente debate das necessidades e anseios dos idosos, encaminhando propostas aos poderes municipais, principais responsáveis pela execução das ações. 
 Assim, concluímos, de acordo com Terra (2020), que é preciso envelhecer com saúde, autonomia e independência, qualidade de vida, alegria, prazer, entusiasmo, dignidade, vitalidade, segurança e funcionalidade, assim como ter condições de produzir, ter oportunidade de apreender, estar integrado na sociedade e, enfim, envelhecer sem ficar velho, pois se continua ativo e participante da sociedade. O autor, em sua obra, não oferece soluções mirabolantes, nem fórmulas complicadas, tampouco receitas de poções mágicas e elixires para uma vida longa, mas traz experiências acumuladas de um geriatra que busca transmitir seus conhecimentos à comunidade. Assim, parafraseando Guimarães Rosa, a regra básica para não aparecer é não estar satisfeito nunca, os indivíduos devem se reinventar hoje e sempre, para que sejam eternos idosos, e a verdadeira velhice está no espírito das pessoas, que, simplesmente, entregam-se à passagem do tempo, esquecendo que seu espírito pode permanecer jovem, apesar do corpo envelhecido. As pessoas que envelhecem com um espírito jovem não se sentem velhas.  
Já Abreu (2017) avalia que a nossa sociedade, pautada em uma economia capitalista, que valoriza o consumismo, privilegia o adulto jovem, porque ele é produtivo a figura do idoso deveria tomar um espaço de igualdade significativo; aliás, faz-se importante reconhecer que o velho tem um valor social, assim, criar oportunidade intergeracional, prepara o futuro em que a discriminação e a exclusão social não terão lugar, como a ação realizada de uma casa de repouso em Seattle (EUA), que tem funcionado também como creche, promovendo a interação de idosos e crianças. Pelo menos cinco dias por semana, pequenos de 6 meses a 5 anos participam de atividades com os mais velhos, que têm, em média, 92 anos. Para as crianças, a ideia é desmistificar a velhice e trazer a conscientização de como os idosos devem ser tratados, já para o pessoal da terceira idade, o objetivo é mostrar que eles continuam tendo função social e que os últimos anos de suas vidas também devem ser bem vividos. 
Proposições para uma sociedade mais inclusiva e o Advocay
Ao longo da aula, fomos abordando ações inclusivas ou consequências geradas pela falta de medidas que eu, você e toda a sociedade podemos tomar, tendo empatia pelo outro e acreditando nas habilidades e potenciais que uma pessoa com deficiência pode ter, a depender apenas de oportunidades e de confiança, em si mesma, da família e da comunidade. 
Devemos pensar que todos nós podemos nos tornar deficientes um dia ou ter alguma morbidade que nos impeça de realizar algumas atividades pela idade ou por alguma questão de saúde, assim, podemos necessitar de todos esses recursos. É só você se lembrar de quando quebrou uma perna ou um braço, ficou grávida e com mais dependência no final da gestação, precisou andar de carrinho com seu filho no bairro ou teve um acidente de trabalho na empresa, tornando-se reabilitado do INSS, considerado pessoa com deficiência, mas que pode trabalhar pela Lei de Cotas (1991): 
Art. 93. A empresa com 100 (cem) ou mais empregados está obrigada a preencher de 2% (dois por cento) a 5% (cinco por cento) dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência, habilitadas. (BRASIL,1991, [s. p.]) 
 O Envelhecimento saudável é uma construção coletiva, visto que, segundo Rangel (2022), uma vida longa, saudável e comdireitos assegurados deveria estar ao alcance de todas as pessoas, e criar condições para que isso ocorra é um dever de toda a sociedade.  
Segundo RANGEL, (2022), no Brasil, a Pandemia do Covid 2019 acendeu um alerta sobre a violência contra a pessoa idosa, que registrou aumento de notificações e denúncias durante o isolamento social. De acordo com dados disponibilizados pelo Disque 100, canal de atendimento que recebe, analisa e encaminha denúncias de violação dos direitos humanos, entre 2019 e 2021, o número de chamadas para reportar algum tipo de violência (leia box) contra a pessoa idosa no Brasil saltou de 48,5 mil para cerca de 77 mil denúncias. 
Existem alguns meios pelos quais podemos lutar por seus direitos e ter sua voz ouvida por meio das políticas públicas e tomadores de decisão, um desses meios é o Advocay, que é utilizado como sinônimo de defesa e argumentação em favor de uma causa, portanto, é um processo de reivindicação de direitos que tem por objetivo influir na formulação e implementação de políticas públicas que atendam às necessidades da população. 
Para conhecer esse conceito se faz necessário relembrar o significado de políticas públicas, que dizem respeito a conjuntos de programas, ações e decisões tomadas pelos governos (nacionais, estaduais ou municipais) e assegurados na Constituição Federal com a participação, direta ou indireta, de entes públicos ou privados que visam a assegurar determinado direito dos cidadãos por vários grupos da sociedade ou para determinado segmento social, cultural, étnico ou econômico. Temos o programa Bolsa Família como exemplo de políticas públicas. 
Muitas vezes, a população enfrenta problemas recorrentes que poderiam ou mesmo deveriam ser solucionados pelo poder público. A ausência de políticas públicas que sanem essas necessidades pode existir por diversos motivos, entre eles: ausência de ciência do problema pelo poder público; por não ser considerada questão de prioridade; desconhece-se uma solução; não há orçamento suficiente para a área; não há vontade política.  
Os pontos apresentados podem ser modificados por meio do Advocacy, que contribui expondo os problemas por meio de fontes confiáveis, relatos sobre a importância do tema e as necessidades existentes na sociedade; ele sugere melhorias e solução por meio de pesquisa e colaboração com especialistas da área e busca influir no planejamento orçamentário, por meio de pressão nas autoridades, formuladores de agenda e tomadores de decisão para discussão e implementação de políticas públicas, ampliando a democracia por participação e representatividade de grupos, muitas vezes, excluídos dos processos políticos decisórios, fortalecendo, assim, a democracia da própria sociedade. 
Em geral, as ações de pressão são realizadas por organizações da sociedade civil que representam determinada causa, atuando com legitimidade e credibilidade, com maior envolvimento com o público interessado, compromisso, transparência em suas ações e estratégias de advocacy. 
Alguns exemplos da realização de advocacy são: p ressão junto a tomadores de decisão; participação institucional (em conselhos, comitês, fóruns, campanhas cívicas); manifestações, protestos e greves; educação de grupos de interesse; e propostas de modificação na legislação. 
Os termos lobby e advocacy são, muitas vezes, utilizados como sinônimos, entretanto, apresentam algumas diferenças que podem ser sinalizadas, como: as ações de lobby são realizadas diretamente com o tomador de decisão, ou seja, quem está vivendo a situação e não com alguém que a represente, mas não privilegia ou se restringe a esse modo de atuação. Exemplos de lobby e advocay, segundo Andrade (2016) pode ser verificado no caso recente de taxistas que tentaram barrar o aplicativo Uber em alguns municípios brasileiros; já um exemplo de advocacy pode ser encontrado nas pressões políticas organizadas pela Aliança de Controle ao Tabagismo, que culminaram na aprovação da lei antifumo de 2011. 
Para Zeppelini (2007), Advocacy é, basicamente, um lobby realizado entre setores (ou personagens) influentes na sociedade. É na realização de processos de comunicação, reuniões entre os interessados e pedidos entre essas influências que se dá o verdadeiro advocacy, que pode ter várias vertentes, como social, ambiental ou cultural. Por exemplo, imagine uma comunidade cortada por uma rodovia cujos moradores são obrigados a atravessar de um lado para outro de forma precária, por falta de uma passarela. As pessoas, então, procuram, na comunidade, as ONGS e pedem para que dialoguem com empresas parceiras do bairro, por considerá-las mais maleáveis e influentes, mas tendo o líder da comunidade presente nas discussões.  
Segundo Zeppelini (2007), o advocacy tem vários graus de desenvolvimento no mundo; nos países ricos, como os Estados Unidos, é um valor moral e cultural, ensinado nas escolas, já no Brasil, ainda estamos a anos-luz dessa realidade, apesar da difusão de ideias acerca do Terceiro Setor ter se desenvolvido muito nas últimas décadas e grande parte das ações proverem de empresas privadas e de algumas públicas. Assim, conclui-se que o Brasil está deixando essa oportunidade passar; se todos se conscientizassem da importância do advocacy ou lobby, desde que feito com seriedade, honestidade, sensatez e, principalmente, que se objetive o bem comum (e alheio), o mundo todo se beneficiaria de políticas criadas com mais democracia e bom senso. 
Outas iniciativas que abordam o envelhecer estão disponibilizadas na cartilha envelhecer é para todos, lançada em 2021, pelo Governo do Estado de São Paulo, e que reúne marcos regulatórios federais e estaduais, assim como políticas e programas garantidores dos direitos dessa população nos mais diversos aspectos, como saúde, transporte, moradia, assistência social, educação e cultura. Ela aborda sobre a Lei Estadual nº 12.548/2007; consolida mais de 30 legislações referentes aos direitos da população idosa no Estado de São Paulo; apresenta o Programa Estadual São Paulo Amigo do Idoso; desenvolve ações de diferentes áreas voltadas à proteção, educação, saúde e participação da população idosa; objetiva promover amplo processo de mobilização de diversos setores do poder público e da sociedade civil para desenvolver territórios amigáveis a todas as idades, com foco no incentivo ao envelhecimento ativo no Estado de São Paulo; e traz luz para o conhecimentos de todos numa linguagem acessível sobre a Convenção dos Direitos da Pessoa com deficiência e sobre a LBI/ Estatuto da pessoa com deficiência. Entretanto, é importante destacarmos que, além das legislações federais e estaduais, os municípios também possuem leis próprias que tratam dos direitos da população idosa com deficiência. Assim, é necessário consultar como esses direitos são abordados em sua cidade, por isso, temos que ter o cuidado de verificar se a legislação cabe à nossa cidade antes de cobrar algum direito e, se tiver garantido, poder compartilhar com as pessoas da sua cidade.
As ações inclusivas podem ser realizadas por mim e por você, em conjunto nos conselhos de garantia de direitos (como o conselho da pessoa idosa, o conselho da pessoa com deficiência, em nível Federal, Estadual, Municipal), nas entidades sociais, na comunidade do bairro que você mora, na sua própria família; podem ser pequenas ou grandes ações, o importante é começar, colocar em prática o que você aprendeu durante esta aula, sempre respaldado nas legislações e no conhecimento para atuar em prol do outro, vendo a suas necessidades e solidarizando com a causa. Convidamos você a assistir ao vídeo e entender mais como praticar ações inclusivas. 
Saiba mais
Você conhece ou já ouviu falar sobre Base de Dados dos Direitos da Pessoa com Deficiência?  Essa é uma plataforma criada pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), que reúne, em um sistema de BI – Business Intelligence –, dados censitários e informações sobre a pessoa com deficiênciaorganizados nas áreas de educação, saúde, emprego e renda, desenvolvimento social, entre outras, e foi elaborada para ser uma ferramenta que organiza informações e evidências relacionadas à deficiência como uma forma de dirimir as barreiras incapacitantes que assolam esse público. Um dos objetivos dessa ferramenta é ser um instrumento para a indução de políticas públicas, um ponto de partida para a construção de novas ações inclusivas municipais e estaduais, além de ser um instrumento de monitoramento do progresso das políticas relacionadas à deficiência e da implementação da convenção internacional dos direitos da pessoa com deficiência.   
Em Campinas/SP, temos, também, uma cartilha lançada em 2020, Guia de Serviços voltado ao atendimento da Pessoa com Deficiência em Campinas, que apresenta as entidades sociais, denominada rede da pessoa com deficiência, que trabalha com a pessoa com deficiência e suas famílias no município.  
Faz-se importante saber sobre a Delegacia da pessoa com deficiência no estado de São Paulo, assim, você pode aproveitar para baixar a cartilha disponibilizada, que nos ensina a evitar, identificar e denunciar a violência contra pessoa com deficiência.  
Sobre a iniciativa da creche, em que há uma interação entre idosos e crianças que vem fazendo sucesso, a interação entre as gerações culminou em um lindo documentário que retrata o dia a dia do Providence Mount St. Vicent. Vale a pena conferir o trailer dessa produção, que mostra todos os desafios e sorrisos dessa casa de repouso/creche bem diferente (para legendas em português, escolha a opção “traduzir automaticamente”).  
Políticas Públicas: o que são e para que servem? Saber sobre elas são essenciais para você, cidadão, para que seja um multiplicador dessas informações, podendo contribuir para o aumento de pessoas em discussões de questões como essas.   
Advocacy: o que é? Conheça outros exemplos da prática de Advocay voltados para as organizações que defendem os direitos de mulheres, Direitos Humanos, feminismo, servidores da segurança pública LGBT, sem teto, negros e PVHA (Pessoas vivendo com HIV/Aids).  
Unidade 2 / Aula 5Revisão da unidade
A Práxis de todo o aprendizado
Olá.  
Ao longo desta unidade, tratamos sobre o estatuto da pessoa com deficiência e do estatuto da pessoa idosa (Estatuto do Idoso); você pôde saber mais sobre a “pessoa” com deficiência no viés dos direitos humanos; sobre ações inclusivas, que mostram as competências pessoal e profissional da pessoa com deficiência; e a importância de se falar do idoso cujo número vem aumentando expressivamente nas estatísticas do mundo. Enfim, mostramos o quanto é importante o papel de cada um de nós para que todas as ações com a pessoa com deficiência e com a pessoa idosa, respaldadas nas legislações, sejam garantidas e legitimadas na prática.   
Na aula 5, explicamos o marco histórico do processo de reconhecimento dos Direitos da Pessoa com Deficiência ensinando o conceito correto a ser utilizado para se referir à pessoa com deficiência, tendo sido escolhido por eles próprios, evidenciando todo o processo de luta das pessoas com deficiência, famílias, profissionais, militantes e entidades sociais envolvidas nesse processo permeado de avanços e retrocessos, partindo da exclusão, segregação, integração até chegar à desejada inclusão, como mostra a tabela cronológica das legislações, de acordo com a Constituição de 1988, a Convenção Internacional da ONU dos Direitos da Pessoa com Deficiência, e a LBI/Estatuto da Pessoa com Deficiência,  com o propósito de promover, proteger e assegurar o exercício pleno e equitativo de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais por todas as pessoa com deficiência, bem como promover o respeito à dignidade, evidenciando a plena participação, a inclusão na sociedade, destacando a discriminação e a importância de ações voltada à conscientização de toda a sociedade.  
Na aula 6, abordamos o Estatuto da Pessoa com Deficiência – LBI –, que, hoje, é a lei mais abrangente na proteção e promoção de direitos das pessoas com deficiência no Brasil, focando a promoção da autonomia individual, a acessibilidade e a liberdade. Dessa forma, tem como finalidade garantir os direitos fundamentais das pessoas com deficiência, visando a sua real inclusão social por meio da participação ativa na sociedade. Para tanto, explicamos os direitos, deveres e direitos sociais, conforme preconiza o art. 6º da Constituição Federal (BRASIL,1988), como a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados. 
Muitas das realidades de difícil acessibilidade se deve às práticas discriminatórias, como o capacitismo, que contribui para a construção de desafios e obstáculos para a participação ativa das pessoas com deficiência nos mais diversos âmbitos sociais, econômicos, políticos e culturais. 
Isso significa que a nossa organização social ainda funciona como uma barreira para a inserção das pessoas com deficiência em ambientes vitais para o desenvolvimento social coletivo e individual. Essa discriminação histórica das pessoas com deficiência também fez com que, por séculos, construíssemos as nossas estruturas sociais, políticas e econômicas sem considerar a participação e o envolvimento dessas pessoas. Infelizmente, esse preconceito ainda existe, pois estamos inseridos em uma sociedade em que há discriminação com tudo aquilo que seja considerado fora do padrão. Assim, a conquista por espaços e oportunidades em ambientes vitais da sociedade, educação, mercado de trabalho e no mundo político se mostra essencial para a inclusão da pessoa com deficiência e eliminação de capacitismo.  
Aliás, a eliminação do capacitismo e a superação dos desafios enfrentados pelas pessoas com deficiência dependem não só de políticas públicas e ações governamentais, mas também da conscientização social sobre a importância da inclusão e do tratamento justo e adequado para essas pessoas, tornando a sociedade mais inclusiva, fortalecendo os valores democráticos e contribuindo para um mundo menos desigual. 
Já na aula 7, ressaltamos a importância de se falar da pessoa idosa, uma vez que a média de vida do cidadão brasileiro vem aumentando de modo significativo, colocando o desafio de lidar com essa previsão e pensar, desde agora, nas dificuldades e nas oportunidades do envelhecimento da população. 
Envelhecer, hoje, com dignidade, é um direito social assegurado; o Estado tem a obrigação de possibilitar um envelhecimento saudável, em condições de dignidade e garantido por políticas, por isso a importância de se conhecer o histórico dessa luta antes da implementação do Estatuto do idoso, que formou uma base sólida para cobrar a atuação de todos para o amparo e respeito dessa população, entretanto, nem todos os direitos previstos ainda são garantidos, tornando o processo de envelhecimento um desafio, mas regula com destaque a participação social, este que é decisivo para a aplicabilidade, não permitindo que o retrocesso nos alcance.  
Ressaltamos, conforme preconiza o Estatuto do Idoso, a obrigatoriedade de o filho pagar pensão para os seus ascendentes, que, não apresentando condições de se sustentarem, têm direito a receber pensão e de escolher qual filho deverá arcar com essa despesa, e o não pagamento da pensão pode levar o inadimplente à prisão. 
Portanto, para colocar o estatuto da pessoa idosa na prática, precisamos trazer à tona o conceito e a importância das políticas públicas, que devem ser fundamentadas em dados sociais, para apontar os locais e as demandas de maior vulnerabilidade, como mostramos na Política Nacional de Assistência Social (PNAS, 2004) e na Política Nacional da Atenção Básica (PNAB, 2012), que trabalham na perspectiva do território. 
Ao falarmos especificamente do idoso, devemos lembrar que o Estatuto entende os idosos como um grupo social vulnerável que deve usufruir de programas voltados às suas necessidades, evidenciando as políticaspúblicas setoriais consideradas: Políticas de Saúde, Política de Assistência Social, Políticas de Trabalho, Previdência e Seguridade Social, Políticas de Esporte, Turismo e Lazer e a Política de Educação.  
No entanto, a velhice, no Brasil, ainda representa uma ideia de improdutividade, de perda de papéis sociais, de dependência, doença e abandono, fazendo com que os idosos sejam considerados cidadãos inaptos ou que a questão dos seus direitos sejam menores e sem importância diante do peso de serem cuidados, portanto, as demandas são muitas e os desafios também, porém o caminho é um só: cabe ao Estado e à sociedade reagir, planejar e, sobretudo, desenvolver políticas públicas consistentes, visando a proporcionar a melhor qualidade de vida possível aos seus cidadãos, incluindo e garantindo às pessoas idosas a participação nessas questões. 
Na aula 8, ressaltamos a importância da rede da “pessoa” com deficiência, explicamos o conceito de rede e o quanto ela é importante na vida da pessoa com deficiência, do idoso e da família. A rede é, na verdade, a articulação entre o conjunto de políticas públicas, serviços, programas, projetos e benefícios que acionamos no processo de garantia de direitos, historicamente proporcionado pelas entidades sociais e, na contemporaneidade, pelas redes socioassistenciais e intersetoriais, que executam a política de assistência social, respaldada na tipificação, oferecendo serviços, programas e projetos à população idosa de acordo com proteção social básica e proteção especial, entre outras políticas, como de saúde, primordial nessa fase da vida.  
O Governo Federal ressalta o compromisso do Brasil com as prerrogativas da convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, da ONU, ao lançar o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, mais conhecido como Viver sem Limite, frente a isso, abordamos o primor das legislações pautadas na Constituição Federal de 1988, a lei maior, que é a base; apresentamos o relevante papel dos Conselhos para legitimar o processo de participação social, que acarreta para a pessoa com deficiência a possibilidade de ser ouvido e de exercer não apenas o exercício do controle social nos espaços dos Conselhos mas também desenvolver a capacidade de tomar decisões e de lutar pelos seus direitos, contribuindo, assim, para a construção e afirmação da cidadania; bem como a importância da participação dos idosos, como pessoas ativas na sociedade. Mas não podemos nos esquecer de que tanto a pessoa com deficiência como o idoso são, antes de tudo, pessoas e que devemos considerá-los no viés dos direitos humanos, não precisam estar nos espaços destinados somente a eles, mas, sim, em todos os espaços.  
Vale lembrar que a LBI/Estatuto da Pessoa com Deficiência (BRASIL, 2015) respalda todos os direitos estabelecidos com objetivo de garantir que o trabalho em rede seja efetivado, no cap. 15 deste estatuto, observa-se a oferta de uma rede de serviços articulados, com atuação intersetorial, nos diferentes níveis de complexidade, para atender às necessidades específicas da pessoa com deficiência. 
A rede deve tratar do interesse do idoso e das suas necessidades, portanto, é essencial que sejam realizados estudos e pesquisas que avaliem a qualidade e aprimorem a atenção à pessoa idosa, além de trazer temas de relevância devido às demandas apresentadas, como a sexualidade e a dependência química.  
Ao término da unidade,  apresentamos o conceito de Advocacy, que contribui expondo os problemas por meio de fontes confiáveis, relatos sobre a importância do tema e as necessidades existentes na sociedade; sugere melhorias e solução por meio de pesquisa e colaboração com especialistas da área; busca influir no planejamento orçamentário, por meio de pressão nas autoridades, formuladores de agenda e tomadores de decisão para discussão e implementação de políticas públicas, ampliando a democracia por participação e representatividade  de grupos muitas vezes excluídos dos processos políticos decisórios, fortalecendo, assim, a democracia da própria sociedade. 
Por fim, apresentamos iniciativas inovadoras e inclusivas com o objetivo de compartilhar novas experiências, para que você se inspire para novas práticas enquanto cidadão participativo ou que seja multiplicador dessas ações. 
Olá, estudante, chegamos ao fim da unidade, com todo aprendizado adquirido, você já tem condições de colocar em prática, avaliar as suas ações e modificá-las, contribuindo para que o direito, respaldado no Estatuto da pessoa com deficiência e no Estatuto do idosos/pessoa idosa, seja colocado em prática, sendo multiplicador dessas ações. 
Assim, convidamos você para assistir ao vídeo e aprimorar tudo o que aprendeu na teoria e compartilhar experiências.  
Estudo de caso
Considere o caso apresentado: você e suas amigas estão conversando quando surge o assunto sobre uma colega de trabalho, Sra. Mara, que tem uma filha com múltipla deficiência, chamada Ana, e que está auxiliando nos cuidados do pai dela, Sr. Roberto, idoso de 74 anos e viúvo. Uma colega, que também está na mesa, comenta: “Coitada da Mara, além de ter uma filha com deficiência ainda tem que cuidar do pai, que é idoso; se essa situação fosse comigo, eu não saberia lidar, acredito que seria muito pesado para mim. Vejo a Mara, apesar de toda essa responsabilidade, trabalhando e saindo com as amigas; além disso, conseguiu, recentemente, um novo namorado e iniciou uma faculdade, não sei como ela consegue fazer tudo isso?" 
Depois de todo o aprendizado adquirido e considerando que você está na mesa e faz parte dessa conversa, qual seria a sua resposta, pensando na inclusão social e nas legislações que respaldam? Como você acha que funciona a estrutura da família da Sra. Mara?
Reflita
Reflita sobre todo aprendizado adquirido, as legislações que asseguram os direitos da pessoa com deficiência e do idoso, a participação ativa na sociedade, os espaços de garantia de direito e as ações inclusivas na sociedade.  
Depois de todo o aprendizado adquirido e considerando que você está na mesa e faz parte dessa conversa, qual seria a sua resposta, pensando na inclusão social e nas legislações que respaldam?  
Não é porque se tem uma pessoa com deficiência e idoso na família que você não pode viver uma vida normal, trabalhar, namorar e fazer outras atividades. Hoje, existem os estatutos da pessoa com deficiência e da pessoa idosa (idoso), que legitimam o direito assegurado, e a Sra. Mara está provando que se a inclusão estiver cada vez mais presente na sociedade, sem barreiras, a pessoa com deficiência ou idosa participará ativamente da sociedade e do Estado, garantindo políticas públicas inclusivas.   
Como você acha que funciona a estrutura da família da Sra. Mara? 
A Sra. Mara sempre trabalhou, mas conciliou os tratamentos da filha desde a infância, a fim de que se desenvolvesse e tivesse autonomia e independência. Sempre muito atuante nos Conselhos de garantia de direitos e conhecedora das legislações, conseguiu apoiar a filha Ana no mercado de trabalho e realizar a faculdade de administração, além de apoiar nas questões da atividade de vida diária, ensinando a preparar seu próprio alimento, a cuidar da casa e a ir a vir utilizando os transportes públicos gratuitos, além de apoiar seu pai, garantindo o BPC – Benefício de prestação continuada, incentivá-lo a namorar novamente, praticar atividades físicas e tecnológicas para estar atento às redes sociais, sendo ofertadas pela rede de apoio socioassistencial – SCFV. Desse modo, acaba conseguindo viver a vida dela, não ficando sobrecarregada. 
Resumo visual
Unidade 3 / Aula 1Inclusão racial: povos negros – Parte 1
Introdução
Olá, estudante! Nesta aula, estudaremos o racismo estrutural, como ele se desenvolveu desde o período da escravidão, como permeou a sociedade na abolição da escravidão – que se deu sem que fossem criadas políticas públicas para inserção da população escravizada no mercado de trabalho e moradia – e como a legislação atual tem sido promulgada visando garantiro fim do sistema excludente, por meio da inclusão.
Ao fim, será possível compreender a legislação em vigor, que visa igualar os direitos da população negra às demais, com a finalidade de assegurar tratamento de igualdade, inclusão racial diversidade e pertencimento.
Venha aprender e compreender, e depois conseguirá se posicionar na sociedade, nas discussões e implementos de medidas inclusivas nos mais diversos âmbitos da sociedade.
Aspectos Gerais e Históricos
ASPECTOS GERAIS E HISTÓRICOS
CHEGADA DOS PORTUGUESES AO BRASIL
Para conhecer o Brasil no período colonial foi necessário fazer um resumo histórico, que passaremos a estudar a seguir.
A expedição de Pedro Alvares Cabral até o Brasil durou cerca de 44 dias. Os portugueses estavam indo em direção à Índia, quando, em tese, avistaram o Brasil pela primeira vez. Todavia, existe uma discussão, ao longo da história, a respeito da invasão do Brasil em 1500 pelos portugueses: desde o século XIX desconfia-se que o Brasil havia sido avistado e estudado anteriormente por Portugal e Espanha.
Os tupis e tapuias eram os habitantes nativos do Brasil. Quando da chegada dos portugueses, os tupis-guaranis estavam estabelecidos na costa brasileira, enquanto os tapuias localizavam-se em áreas não habitadas pelos tupis-guaranis.
O BRASIL PRÉ-COLONIAL
Os habitantes nativos do Brasil praticavam a pesca, a coleta de frutas e a agricultura de subsistência. Por cerca de dois anos houve a tentativa de catequização de diversos grupos indígenas, que em sua maioria resultou sem sucesso.
Tendo em vista que a colonização parecia pouco atrativa para Portugal, uma das tentativas de colonização foi um consórcio, em 1505, por três anos, liderado por Noronha, tendo a Coroa Portuguesa retomado a posse das terras novamente quando o arrendamento teve o seu fim.
Consta mencionar que em 1515 um grupo de indígenas foi leiloado e posteriormente levado à Portugal, para demonstrar o que foi possível capturar no Brasil.
Nos primeiros dez anos, a relação entre os portugueses e os povos brasileiros originários foi mansa, visto que as transações de interesse dos portugueses se tratava do que vinha do oceano. Inclusive, nas relações e no trato entre povos originários brasileiros e portugueses, era utilizado – como escambo – o pau-brasil, que fornecia um pó vermelho utilizado para tingir peças.
Assim, os portugueses passaram a necessitar dos indígenas para a extração do – o pau-brasil. A partir de 1530 os portugueses passaram a colonizar os povos originários, de forma que os indígenas começaram a ser tratados como mão de obra e passando a escravização dos indígenas, que ocorreu de duas formas distintas: 1) pela retirada dos indígenas das suas tribos e 2) pela escravização de tribos indígenas que estavam derrotadas em guerras contra outras tribos.
O BRASIL COLONIAL
Como o estado português não possuía recursos para colonizar o Brasil, o país foi dividido em 15 capitanias hereditárias para que os donatários (pessoas nomeadas pelo rei, não pertencentes à alta sociedade, pois esta preferia investir no continente africano e na Índia) extraíssem o máximo de riquezas provenientes do país – porém, não foi uma operação bem-sucedida.
Em um período de crise nos negócios que eram realizados com a Índia e com os muçulmanos, que ocorria ao mesmo tempo que as capitanias hereditárias fracassavam, a Coroa Portuguesa passou a comprar as capitanias, de forma que elas passaram a ser públicas novamente, e não privadas, ainda que não em sua totalidade.
Na terceira tentativa de colonização, Tomé de Sousa veio ao Brasil para ser governador geral, acompanhado do jesuíta Manoel da Nóbrega e cinco clérigos, com o objetivo de catequisar a população indígena. A referida expedição contava com mais de mil pessoas.
Racismo estrutural: do período colonial até a abolição
Olá, estudante! Vamos adentrar na história do Brasil Colônia e do racismo estrutural juntos?
Desde 1570 os portugueses que se encontravam no Brasil iniciaram operações visando à escravização da população negra do continente africano, por parecer mais atrativa financeiramente do que a escravização da população indígena. Assim, houve rápida redução da escravização da população indígena em 1578.
O escravizado tinha um preço, e os requisitos que faziam com que houvesse diferença de valor se tratava de estatura, dentição, saúde física, idade, debilidades físicas e o sexo. As condições de vida eram desumanas, o que era inaceitável pela população escravizada: constantemente os indivíduos tentavam fugir, e para fortalecer o movimento foram criados quilombos. Muitos destes acabaram por ser dizimados; poucos puderam resistir e ajudar outras pessoas que vinham sendo escravizadas. Importante salientar que os escravizados recapturados eram açoitados barbaramente.
O objetivo era apagar a identidade dos povos escravizados, assim, eram-lhes proibidas a utilização de sua língua-mãe e a prática da religião de matriz africana – logo, devia haver a utilização apenas do português. Os indivíduos escravizados resistiam, seja utilizando de forma oculta sua língua mãe, seja praticando as religiões de matriz africana ou, ainda, por meio de rituais e danças.
LEGISLAÇÃO DO PERÍODO COLONIAL
Durante a época da escravização de pessoas – que eram transportadas do continente africano até o Brasil, o chamado tráfico de pessoas no navio negreiro –, foram instituídos alvarás, decretos, leis, códigos penais, códigos civis e demais legislações pertinentes para estruturar a escravização, conforme passaremos a estudar.
Códigos civis e demais legislações. Fonte: elaborado pela autora.
O Direito e a CF 88 como instrumento de proteção aos povos negros
Estudante, nesta aula vamos entender como, nos últimos anos, foram criadas legislações, em especial, a Constituição Federal de 1988, visando igualar um povo que foi tratado por muito tempo como escravizado e de segunda classe.
Após a abolição da escravatura não foram criadas medidas de inserção da população negra no mercado de trabalho – a inserção social –, pelo contrário, as leis vinham com o condão de continuar excluindo a população negra, a exemplo o crime de vadiagem ou vagabundagem para aqueles que não tinham ocupação, que praticassem capoeira, de acordo com o Decreto nº 847 de 1890 (BRASIL, 1890).
Assim, todos passam a ser considerados iguais, sem distinção. Ainda ficou assegurado que o Estado promoveria o bem de todos, um direito concedido independentemente da raça, conforme a Constituição de 1988, artigo 3º, IV (BRASIL, 1988).
O Brasil se propôs a lidar com suas relações internacionais, em repúdio ao racismo, conforme demonstra o artigo 4º, VIII. Além disso, a carta magna afirma, no artigo 5º, que todos são iguais perante a lei, sem qualquer diferença entre as pessoas. (BRASIL, 1988).
Isso demonstra que houve diversos artigos da Constituição reiterando a igualdade entre todos, diante da massiva exclusão que a população negra vivia.
Com a Constituição Federal de 1988, a população negra passou a ter, legalmente, liberdade religiosa, não mais havendo como preceito legal a proibição da prática de religiões de matriz africana.
A Constituição Federal foi um ponto de partida na luta contra o racismo e a equidade racial. Após sua promulgação outras inúmeras leis foram criadas, todas de extrema importância no combate ao racismo. Um exemplo é a Lei nº 7.716 de 5 de janeiro de 1989, que dispõe acerca do crime de racismo, determinando que ele seja tipificado como crime de ação de discriminação ou preconceito de raça (BRASIL, 1989).
Todavia, diversas modalidades de ofensas não estavam caracterizadas, portanto não havia enquadramento no texto constitucional ou em outras leis para elas. Foi, então, necessária a edição de outras legislações para auxiliar na luta e punir os infratores/racistas.
Assim, durante o governo José Sarney, foi tipificado o crime de injúria racial, pelo artigo 140 do Código Penal (BRASIL, 1940).
Visando a uma educação inclusiva, que levasse para as escolas a história do povo negro, e com o objetivo de reduzir as consequências do preconceitoracial na sociedade em relação às pessoas negras no Brasil, tornou-se obrigatório o ensino da temática “História e Cultura Afro-Brasileira” nas escolas, pela Lei nº 10.639 (BRASIL, 2003).
Ainda buscando redimensionar os espaços e criar mecanismos que efetivem a igualdade racial, a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), nº 9.394, obriga a formação de professores e educadores de modo que eles repliquem uma educação racialmente inclusiva.
Tais dispositivos têm o intuito de uma transição para uma sociedade que abomine a exclusão racial, evidenciando direitos de um povo que teve retirados todos os seus direitos – de ir e vir, de liberdade, e os mais intrínsecos direitos de uma pessoa – por conta da escravização, que mantém até os dias atuais as marcas irreversíveis de um país que ainda pratica o racismo de forma estrutural.
Nesta aula, percorremos o contexto histórico e aspectos gerais do Brasil Colonial, e conhecemos as leis que foram promulgadas desde a escravização no Brasil até a abolição da escravatura. Também estudamos os fatos históricos e legais acerca das leis que vieram após a extinção da escravatura e a partir da Constituição Federal de 1.988, com o intuito de combater o racismo e a intolerância religiosa que permearam a sociedade após a abolição da escravatura com o fito de excluir a população negra. 
Saiba mais
Você sabia que um alvará autorizava os senhores de engenho a importar até 120 escravizados da Guiné até a Ilha de São Tomé somente se que referido engenho fosse ativo? O citado alvará foi promulgado em 29 de março de 1549.
Pessoas armadas poderiam recapturar os escravizados que fugissem em direção ao sertão, de acordo com um alvará de 10 de março de 1682.
As pessoas escravizadas eram submetidas a barbáries, e nada deveria fazer com que se parecessem com uma pessoa como qualquer outra. Esse fato é confirmado por alvará proferido em 20 de fevereiro de 1696, afirmando que as pessoas escravizadas no Brasil tinham demasiado luxo, o que não deveria ser praticado para não criar ou influenciar más práticas, restando proibido pelo rei que escravizados vestissem roupas de seda, cambraia holandesa e rendas, além de acessórios de ouro, prata ou itens que ornamentassem seus vestidos.
As pessoas escravizadas podiam ser condenadas à pena de morte, e as pessoas de pele branca, não. Se a pena que coubesse fosse a prisão, esta deveria ser convertida em açoites, no número de 50 ao dia; se ultrapasse 50, a quantidade era fracionada por dia, conforme código penal de 1830.
Assim, indicamos o material produzido pelo Comitê Científico Internacional da UNESCO são oito volumes que retratam a História Geral da África. Se quiser conhecer essas obras, que são ofertadas integralmente, visite o site do IPEA (NASCIMENTO, 2007).
Unidade 3 / Aula 2Inclusão racial: povos negros – Parte 2
Introdução
Olá, estudante! Nesta aula, vamos estudar as legislações que foram criadas pela luta e organização do povo negro, leis que surgiram com o objetivo de combater o racismo e a desigualdade racial.
Apesar da criação de legislações que tratam dessa matéria, o racismo persiste na sociedade nos mais diversos âmbitos, seja no empresarial, da administração pública, judiciário, educacional etc. A tal fenômeno se dá o nome de racismo estrutural e institucional – isso porque a escravidão foi um longo processo de dominação dos brancos e exploração pelos brancos, e é evidente que os resultados não se apagariam rapidamente, sobretudo quando a classe dominante permanece no poder após a abolição da escravatura e a classe explorada não teve reparação imediata.
Dessa forma, a mesma sociedade que se beneficia das benesses da escravidão deverá se unir para minimizar suas consequências.
Aspectos gerais e históricos
AS POLÍTICAS PÚBLICAS AFIRMATIVAS AOS POVOS NEGROS
Antes de adentrar o cerne da questão, ou seja, a legislação, é necessário entender o motivo e o objetivo das criações das normas. Por isso, vamos explicar o racismo estrutural e o racismo institucional em poucas linhas, o que fazemos a seguir.
A sociedade brasileira tem um conjunto de práticas institucionais, históricas, culturais e interpessoais que frequentemente inferiorizam ou marginalizam o povo negro. Com isso o povo negro sofre financeiramente, psicologicamente e fisicamente, como resultado do racismo.
O racismo estrutural está enraizado na sociedade brasileira porque após a escravização não foram instauradas quaisquer medidas para que a população que foi sequestrada, escravizada e torturada (com mortes, inclusive) tivesse um novo começo, com direitos. Assim, o Brasil teve a sua estrutura fundada no racismo, que ainda mantém os privilégios em mãos da população branca.
Do racismo institucional
Ocorre que o racismo não finda. O racismo estrutural está cada dia mais arraigado no âmago da sociedade, tornando-se por vezes involuntário, realizado de forma constante e por vezes naturalizado, e presente nas instituições privadas e nos órgãos públicos, e nos poderes Judiciário, Legislativo e Executivo.
Fato é que normas e leis sempre foram criadas do ponto de vista do homem branco e rico – qual seja, os parlamentares. Logo, foi ignorada a discrepante desigualdade entre as pessoas, sobretudo em relação às necessidades da população negra, e a desigualdade se alonga pelo tempo.
Ainda, os setores empresariais e os poderes Judiciário, Legislativo e Executivo se formaram tendo nos cargos de poder a população branca, e a população negra foi categorizada por muitos anos apenas em cargos subalternizados.
Políticas públicas raciais no âmbito educacional
Uma das medidas principais para que fossem notadas mudanças significativas foi a Lei de Cotas, nº 12.711 de 2012, sancionada visando garantir 50% das vagas em diversas universidades federais e institutos federais de educação para a população negra, e 50% das vagas para a ampla concorrência, com o fito de levar o povo negro para dentro das universidades públicas e institutos federais em maior número – povo este que pode, então, ocupar cargos empresariais e realizar atividades autônomas com a maior base igualitária possível em relação à população branca. Assim, as políticas educacionais passam a ter aspectos mais plurais, deixando de contemplar apenas os que já detêm privilégios.
Políticas públicas raciais no âmbito de direitos humanos
Como dito, a escravidão deixou terríveis vestígios no que se conhece hoje como sociedade, dentre eles o trabalho forçado, seja por meio da servidão ou da jornada exaustiva, ou, ainda, de condições degradantes.
Os casos de trabalho análogo à escravização de pessoas ocorrem em diversas regiões do país. Apesar de a escravidão moderna não se basear unicamente na cor de pele da vítima, o percentual de pessoas negras é relevantemente maior – 84. Por esse motivo foi criada a Comissão Nacional para a erradicação do Trabalho Escravo (PAJOLLA, 2022).
O ordenamento jurídico brasileiro contra práticas racistas e discriminatórias – Da legislação contra práticas racistas
Diante do tratamento desumano que a população negra sofria, foi necessário inserir no Código Penal, no artigo 140, § 3º, o crime de injúria racial:
§3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003) Pena – reclusão de um a três anos e multa. (Incluído pela Lei nº 9.459, de 1997)
No mesmo sentido, a Constituição Federal (BRASIL,1988, s.p.) de forma repetitiva trouxe artigos para proteção da população negra. Observe o artigo 3º, inciso IV, que estabelece como objetivo fundamental da República
IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
O inciso VII do artigo 4º define que as relações internacionais brasileiras se regem pelo
VIII – repúdio ao terrorismo e ao racismo
Foi promulgada a Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor no caso de tratamento discriminatório racial nos cargosda administração pública e nas empresas privadas. Referida lei também prevê penalidades a quem deixar de atender a uma pessoa por sua raça/cor no comércio em geral, em hotel, salões de cabelereiro, estabelecimentos esportivos etc., além de transporte público e outros tipos de transporte, como aviões. Esta lei, aliada às lutas do movimento negro, e outras comissões têm sido criadas nos mais diversos setores para combate ao racismo. A seguir, trataremos de uma proposição no mercado de trabalho.
Como dito anteriormente, o racismo está presente nos mais diversos espaços, dentre eles, no local de trabalho, e como resultado há uma baixíssima ascensão da população negra – por isso há poucas pessoas negras no Brasil em cargos de liderança.
Neste momento, talvez, você se pergunte: ''Então olham para uma pessoa negra e dizem: ‘não vou acendê-la, por sua raça’?''
E a resposta é: não. Ocorre que, por causa do racismo estrutural e do institucional, não se percebe que um empregado negro que provou seu talento, sua competência e seu potencial poderá aportar ainda mais a empresa caso seja promovido. Um funcionário branco, pode ascender, em vez de um profissional negro, em consequência do racismo estrutural, inconsciente e naturalizado. Por isso, os constantes diálogos e o letramento racial são essenciais.
Com motivação extremamente importante, a Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, teve uma importante alteração. A, lei conhecida como Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, de 1996), passou a determinar que fosse parte do ensino a temática “História e Cultura Afro-Brasileira” como parte da ementa do cronograma escolar da rede pública e privada de ensino do Brasil. O objetivo é levar a inclusão racial para a escola, além da criação de um ambiente escolar com pertencimento para crianças e adolescentes negros, que verão a história dos seus ascendentes sendo contada e estudada.
Proposições e debates para uma sociedade antirracista e a contribuição do feminismo negro
Houve uma marcante desigualdade social e racial advinda da escravização e do pós-abolição da escravatura, e ao longo do tempo foram criados diversos grupos que formaram o movimento negro, buscando a igualdade de direitos entre os povos.
Como estudamos anteriormente, sabemos que a articulação dos povos negros, visando reivindicar os seus direitos, iniciou-se com os escravizados fazendo seus rituais religiosos, concretizando os cultos das religiões de matriz africana, e se comunicando para solidificar a prática da capoeira e, ainda, a prática da sua língua-mãe.
Com o passar do tempo, os escravizados, não mais suportando humilhações, tratamento degradante e desumano, e as diversas torturas físicas e psicológicas – eram obrigados a laborar empreendendo esforços físicos além do que suas forças físicas eram capazes de suportar –, movimentaram-se e criaram os quilombos, estruturados em localizações estratégicas, para que os indivíduos pudessem empreender novas fugas se fossem descobertos. Os quilombos eram uma preocupação para os colonizadores, que passaram a dizimar esses locais de acolhimento e luta. Uma pessoa que participou de forma ativa e altruísta da formação dos quilombos foi Zumbi dos Palmares – posteriormente assassinado, com o fito de reduzir as lutas contra a escravização e o apoio às fugas de pessoas escravizadas.
Mais tarde, surgiu a Frente Negra, fundada em 1931, promovendo debates para a inserção de pessoas negras na política e a igualdade dos povos. Seus trabalhos se deram em meados do século XX, e tiveram grande relevância no movimento negro.
Ao longo da história o movimento negro protagonizou inúmeros debates, redigiu documentos e teve um trabalho árduo de compilação de estudos, visando ao combate ao racismo e à promoção da igualdade racial.
Neste passo, importante mencionar que o feminismo negro contribuiu no combate ao racismo, visto que a mulher negra carrega uma história cheia de sacrifícios – após a abolição da escravatura, a mulher negra continuou trabalhando nos empregos subalternizados, enquanto as mulheres brancas eram proibidas de adentrarem no mercado de trabalho. É importante fazer uma distinção: a disputa da mulher branca para o mercado de trabalho não era para as vagas ocupadas até então pelas mulheres negras, o que é evidente quando se observa quantas mulheres negras trabalham como babás, faxineiras, empregadas domésticas, e quantas mulheres brancas realizavam a mesma atividade. Ainda hoje se busca a ascensão da mulher negra, que por muito tempo ocupou os empregos de labor na casa das mulheres em sua esmagadora maioria, brancas, e, ao chegar em casa, tinha que cumprir com as obrigações da manutenção de um lar.
Bem explica Djamila Ribeiro:
Pensar a interseccionalidade é perceber que não pode haver primazia de uma opressão sobre as outras e que é preciso romper com a estrutura. É pensar que raça, classe e gênero não podem ser categorias pensadas de forma isolada, porque são indissociáveis. (RIBEIRO, 2018, p. 82)
No mesmo sentido afirma a pesquisadora Grada Kilomba:
Por não serem brancas nem homens, as mulheres negras ocupam uma posição muito difícil na sociedade supremacista branca. Representamos uma espécie de carência dupla, uma dupla alteridade, já que somos a antítese de ambos, branquitude e masculinidade. Nesse esquema, a mulher negra só pode ser o outro, e nunca a si mesma. (KILOMBA, 2012 apud RIBEIRO, 2018, p. 83-84)
A mulher negra marginalizada, em um país estruturalmente racista, que vive em uma sociedade machista e patriarcal, muito tem a contribuir com suas vivências nas suas perspectivas políticas e sociais, para o combate ao racismo.
Nesta aula, trataremos do racismo estrutural e institucional e de suas consequências nos mais diversos âmbitos da sociedade. Trataremos também das políticas públicas para combater o racismo e implementar a inclusão racial e, por fim, falaremos das discussões para práticas antirracistas, e estudaremos a contribuição do feminismo negro na luta antirracista.
Saiba mais
O ambiente escolar é primordial na vida de crianças, que mais tarde serão as novas gerações da vida adulta. Por esse motivo, foi implementado um dia para que os estudantes conheçam a história de Zumbi dos Palmares, esse é o dia da Consciência Negra, dia 20 de novembro. Nesse dia homenageia-se à figura de Zumbi de Palmares, que tanto aportou ao povo negro.
O acesso ao ensino superior em maior volume e garantido aos povos negros auxilia um povo que, em sua maioria, tem acesso a escolas públicas por toda a sua vida estudantil. Acessar faculdades e institutos federais possibilita aos negros ocupar cada vez mais espaços em indústrias, empresas, bancos e demais instituições, e serem profissionais de engenharia, direito, medicina, contabilidade, administração, enfermagem, educação, pedagogia, educação física, nutrição etc.
Para maior compreensão acerca do tema, indica-se o livro “Racismo estrutural”, de Silvio Luiz de Almeida, no capítulo “Racismo e Economia” (p. 94). 
Unidade 3 / Aula 3Inclusão racial: povos indígenas – Parte 
Introdução
Estudante, esta aula presente trata do surgimento dos povos indígenas: a discussão da origem destes povos e da sua chegada ao Brasil, os cuidados e localização destes povos no nosso país. Também estudaremos como se deu a escravização dos povos indígenas e como ela permaneceu apesar da escravização dos povos negros, as alianças e a organização dos povos originários para lutar contra os colonizadores.
Por fim, será possível entender como se deu a promulgação da Constituição Federal de 1988, visando à proteção dos povos originários e das suas terras, sua cultura, subsistência e direitos básicos de vida.
Bons estudos!
Aspectos gerais e históricos
Existe uma grande discussão acerca da origem dos povos indígenas, resumida em duas teorias: a primeira acredita que parte da população indígena chegou ao Brasil antes de 1500, proveniente da Ásia, por via terrestre, atravessando a Beríngia (conhecida como ponte terrestre de Bering); e a segunda teoria afirma que a população indígena aparentater vindo da Oceania, em um único grupo de migração.
Ocorre que pesquisas arqueológicas vão de encontro com as referidas teorias, demonstrando que há mais de 12 mil anos populações paleoíndias ocupam solo brasileiro.
Não é unânime a quantificação da população indígena no Brasil, porém estudos apontam que cerca de 1400 povos indígenas ocupam o país de forma organizada e por todo o território geográfico.
A contagem dos indígenas que habitavam o Brasil variava entre os pesquisadores: enquanto pesquisas apontam que cerca de 1 milhão e quinhentos mil indígenas habitavam o Brasil, outros pesquisadores calculavam que eram aproximadamente cinco milhões. Posteriormente, estudos disseram que cerca de três milhões e seiscentos mil indígenas habitavam o Brasil.
Quanto às ocupações geográficas, diversos estudos apontam que:
· Os Tupinambás viviam no baixo Amazonas, no litoral nordestino, abarcando inclusive São Paulo.
· Os Guaranis habitavam o Sul, chegando até o Rio Prata.
· Os Tupis em toda a costa, incluindo o Vale Amazonas, bem como a família Aruaque (nos Rios Negro e Madeira); e Caraíba (nas Guianas e no Baixo Amazonas).
As pesquisas feitas por meio da arqueologia demonstram que esses indivíduos faziam uso da cerâmica. Os Tupis, ainda no período pré-colonial, o faziam de forma rudimentar, à mão, sem qualquer detalhe decorativo.
No período colonial as cerâmicas eram feitas mais detalhadamente, com uso dos avanços tecnológicos da época. Os objetos apresentavam mais detalhes e eram mais sofisticados, utilizados com função decorativa.
As pesquisas para conhecimento da história da população indígena variaram ao longo da história com o uso da arqueologia, que muito contribui nas pesquisas acerca dos povos originários. Há, ainda, a linguagem falada como objeto de pesquisa, por meio do que contam os ancestrais de referidos povos de geração em geração.
A subsistência se deu pela agricultura ainda rudimentar, que com a produção de milho, feijão, mandioca, cará, batata-doce, abóbora e tabaco. Os indígenas também praticavam a pesca como complemento de sustento. Sua vida era em comunidade e a produção se dava de forma coletiva, com os labores diários divididos por sexo e idade.
Os indígenas construíam suas casas de acordo com as suas necessidades. Essas construções podiam ser ovais, pentagonais, circulares e até retangulares, edificadas com palhas, folhas, madeira e o que variava de acordo com o clima e forma de organização de cada povo.
Quanto à linguagem, existiam diversas línguas, e os grupos linguísticos eram Tupi, Macro-Tupi, Macro-Jê, Caraíba e Aruak.
Os povos indígenas muito faziam uso das florestas ao seu dispor: na alimentação, para obter medicamentos, para construção de casas e objetos utilizados no dia a dia. O conhecimento adquirido e salvaguardado ao longo da história produziu saberes milenares e científicos.
Os rituais religiosos da população indígena fazem parte da sua cultura e tem grande importância na ancestralidade de referidos povos, com correlação com as danças, as pinturas, a diversão, os cantos e festejos tradicionais. 
Ensino da história dos povos originários
A população indígena foi silenciada com a ausência de políticas públicas quando da homogeneização da população por meio da colonização do Brasil, utilizando como modelo civilizatório a sociedade europeia.
Os portugueses trouxeram diversas doenças, que atingiram fortemente a população indígena. Inicialmente, ainda que de forma invasiva, os portugueses tiveram poucos embates com a população indígena, mas posteriormente eles passaram a submeter os povos originários a trabalhos forçados, castigos degradantes e desumanos, no implemento da escravização.
Quando da chegada dos portugueses no Brasil, a Coroa portuguesa não tinha uma economia que possibilitasse a colonização do nosso país, motivo pelo qual as primeiras relações com a população indígena se deram pelo escambo de quinquilharias com os indígenas em troca das riquezas naturais do Brasil. Com o passar do tempo, a extração do pau-brasil – plantação que não ficava concentrada em uma única região – trouxe dificuldades aos portugueses, que passaram a escravizar os povos originários, desterritorializando-os, entre inúmeras outras violações aos seus direitos como povos que aqui se encontravam.
Os jesuítas que vieram com o padre Manoel da Nóbrega tinham a intenção de catequizar os povos indígenas, e passaram a classificar a população indígena como:
· Tupis: povos predominantes na área litoral no século XVI.
· Tapuias: povos originários que não falavam línguas que possibilitassem o contato com os jesuítas.
Somente com a chegada desses jesuítas em 1549 que iniciou-se o combate incisivo contra a escravização da população indígena, visto que eles queriam os povos originários catequizados, não escravizados.
Narra-se a história do povo indígena identificando seus componentes como indivíduos habitantes na Região Amazônica, que têm cabelos escorridos, usam artes e pinturas por todo o corpo, e adereços vultuosos. Vivem nus e residem em matas e florestas, e perderam muitos aspectos de sua cultura. Não tiveram forças para suportar o excesso de labor quando da escravização nem suportaram os castigos degradantes, o que tornou necessária a escravização da população negra.
O protagonismo da população indígena, de forma diversa das narrativas até então impostas, ocorrei com a manutenção e o enriquecimento da cultura dos povos originários com o passar do tempo. A tentativa de catequização, acrescida da invasão da população portuguesa, não retirou dos povos originários seus costumes, seus conhecimentos para cura e a utilização das ervas, e a forma de subsistência desse povo foi se aprimorando de acordo com o avanço da tecnologia.
Como se não bastasse o silenciamento dos povos indígenas, esse fator gerou o proposital apagamento destes povos pelos colonizadores, que posteriormente passaram a exterminá-los.
Os povos indígenas criaram grupos de enfrentamento aos colonizadores e à escravização. Também transmitem seus saberes de geração a geração, de forma oral, e assim os povos originários formaram diversos outros ramos populacionais. Os indígenas, quando ainda crianças, tinham como característica marcante a alteridade, característica esta que não é apresentada nos livros de história, assim como também não á apresentado o fato de que eles não perderam de forma alguma, seu saber, sua força ancestral e sua identidade cultural.
Os ameríndios lutaram bravamente para manter suas terras e para que não fossem submetidos a trabalhos forçados, o que não impediu os portugueses de buscarem a escravização dos povos indígenas ainda quando da escravização da população negra – nos locais mais remotos ainda havia a escravização dos povos originários, visto que estes estavam por todo o espaço geográfico do Brasil.
A escravização da população indígena e os constantes ataques a este povo pelos portugueses tinha o intuito de tornar os indígenas subalternos no seu próprio território. Por meio do ensino da história dos povos indígenas, retirando o etnocentrismo colonizador e contando a história sem a presença de estereótipos, é possível contribuir para a difusão da história ressignificada.
O direito e a CF 88 como instrumento de proteção aos povos originários
Em 1570 ainda havia a escravização dos povos originários, de modo que foi promulgada a primeira lei que combatia o cativeiro indígena, autorizando a escravização apenas em caso de guerra.
Diante da continuidade da escravização da população indígena, foi necessário promulgar uma lei reafirmando a liberdade em 1609, e diante das constantes transgressões dos colonizadores foi decretado o Regimento das Missões em 1686, o qual regulamenta a mão de obra indígena nos Estados do Maranhão e do Grão-Pará, bem como o trabalho missionário.
Mais tarde, em 1755, foi aprovado o "Directorio", proibindo terminantemente a escravização dos povos originários.
Ao longo da história, conforme a colonização do Brasil avançava, os colonizadores buscavam dizimar os povos indígenas, os quais lutaram bravamente.Na Bahia, por exemplo, os grupos Aymorés e Botocudos enfrentaram os colonizadores. Pelo país, visando à proteção e à organização para o embate, fizeram alianças com os inimigos dos colonizadores: os Tamoios se aliaram aos franceses entre 1550 e 1600, e os Potiguares se aliaram aos franceses para lutar na Paraíba contra os portugueses.
Por causa dos inúmeros ataques sofridos e realizados como forma de defesa, foi criado em 1910 o serviço de Proteção aos Índios – SPI, extinto em 1967 com a criação da FUNAI – Fundação Nacional do Índio.
Marechal Rondon atuou em pesquisas por todo o Brasil, conhecendo os mais diversos grupos indígenas, observando que estes sofriam constantes ataques dos portugueses que a cada dia queriam dominar novos territórios apenas de forma exploratória, enquanto a população indígena cuidava, protegia e preparava os lugares em que passava para que continuassem sendo proveitosos no futuro. Marechal Rondon se tornou grande defensor dos povos indígenas, e em 1952 criou o projeto do Parque Nacional do Xingu, com o objetivo de haver um espaço de proteção e cuidado aos povos originários – área que ele não chegou a conhecer. Rondon já defendia em referida época a demarcação de uma terra indígena no Parque Nacional do Xingu.
Até então, a visão que se tinha dos povos originários era subjetiva: não havia dados que considerassem a diversidade dos grupos indígenas e suas particularidades. Não havendo representantes dessas inúmeras etnias, as poucas políticas públicas que vinham sendo implementadas não atingiam todos os grupos indígenas.
Em 1979 foi criada a União das Nações Indígenas, que foi deslegitimada por causa da insuficiência de alcance a todos os povos e de completa mediação entre os povos originários e o Estado.
Ainda assim, a organização da população indígena foi de grande importância para o que foi previsto na Constituição Federal de 1988, a qual determinou que a União fosse responsável pela demarcação das terras e proteção dos bens indígenas. Ademais, foi n CF de 1988 que delegou ao Congresso Nacional assuntos importantes como a mineração e a construção de hidrelétricas, e a elaboração de Lei Complementar dispondo sobre o importante interesse público da União nas terras indígenas.
A Constituição Federal coroou os direitos dos povos originários, o que iniciou um fortalecimento dos direitos dos povos indígenas, com maior articulação e discussões constantes em Brasília.
Na presente aula, estudaremos a origem dos povos indígenas e sua diversidade desde o período pré-colonial. Aliaremos o conhecimento da importância da promulgação das leis protetivas, como os artigos que visam proteger a população indígena na Constituição Federal, após conhecer os fatos históricos que deram origem aos fatores legais de proteção.
Saiba mais
Você sabia que os povos indígenas não eram considerados povos cultos, e que tinham a capacidade de progredir? Assim entendiam os portugueses, conforme se depreende do texto abaixo:
Enquanto os interesses materiais e as razões de Estado levavam os colonizadores europeus a supor que os povos indígenas deviam sofrer intervenção com o fito de “progredirem” (Domingues, 2000b), isto é, conformarem-se aos padrões da civilização, os pensadores iluministas, de algum modo referidos a padrões científicos e ao discurso da história natural, veiculavam outros valores, que seriam mais tarde formalizados pela Revolução Francesa (Franco, 1976). Aspectos positivos e negativos dos povos indígenas também estiveram em confronto no séc. XIX, contrapondo visões tutelares e científicas, bem como assimilacionistas e românticas dos índios. Oliveira, Freire, 2006, P. 93.
Todavia, se percebe que as lutas não foram apenas físicas, foram também através dos pensadores iluministas.
Unidade 3 / Aula 4Inclusão racial: povos indígenas – Parte 2
Introdução
Estudante, esta aula será sua ferramenta no aprendizado dos direitos dos povos originários e dos movimentos e articulações que foram necessários para assegurar esses direitos.
Tendo em vista a escravização dos povos indígenas, seu silenciamento ao longo do tempo, e o racismo que sofrem até os dias de hoje, foi necessário criar políticas públicas afirmativas em prol dos povos originários. Vamos juntos entender como se deu esse processo.
Também veremos diversos julgados de ações que foram propostas contra o Estado para proteger os povos indígenas, uma vez que o Estado por vezes se mantém inerte no descumprimento da legislação.
Políticas públicas afirmativas e protetivas aos povos originários
Desde a chegada dos portugueses ao Brasil, a população indígena sofre com a invasão dos seus territórios e escravização do seu povo. Esses indivíduos foram violentados e aculturados, além de terem sofrido com a evangelização pela Igreja Católica. Houve, ainda, um genocídio dos povos originários, os quais foram roubados.
Logo, os povos originários se articularam para lutar por seus direitos, e é importante mencionar que em defesa deles foi criada a 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, em conjunto com os procuradores da república, tendo em vista os direitos que muitas vezes deixaram de ser assegurados a esses povos e a outras minorias étnicas, como quilombolas, comunidades extrativistas, ribeirinhas e ciganas. Percebe-se, assim, que se busca garantir a pluralidade no país.
Todavia, foi somente no século XXI que começaram diversas lutas e demandas sociais em prol dos povos originários. A princípio, observa-se que uma das políticas públicas no Brasil foi à utilização das políticas influenciadoras internacionais, com a Declaração Universal de Direitos Humanos. Paris, Declaração Universal de Direitos Humanos, 10/12/1948, (Brasil 1948).
Os povos originários aqui estavam quando da chegada dos portugueses, todavia não tinha as terras em que primeiro habitaram, apesar de que a terra para esses povos é de extrema importância, pois lhes permite viver em comunidade, bem como possibilita sua existência, continuidade, manutenção da cultura e forma de vida. A Constituição Federal estipula a garantia de moradia, conforme artigo 6º, e a dignidade da pessoa humana, nos moldes do artigo 1º, III, do mesmo diploma e ainda, no seu artigo 231 se garante a demarcação das terras indígenas, (BRASIL, 1988).
A Constituição Federal de 1988 veio como instrumento de regulação de direitos básicos para criação de políticas públicas em proteção aos povos originários.
Todavia, vários dos direitos básicos da população indígena lhes foi retirado, reconhecer apenas o direito as terras não foi suficiente, assim sendo, as Leis e iniciativas da educação tiveram que ser os meios pelos quais, ao longo da história referidos direitos vem sendo devolvidos, apesar de ainda em pequena dimensão, motivo pelo qual, tão importante foi a política pública marcante - a Reuni, conhecida como a Lei de cotas, de nº 12711 de 2012 (BRASIL, 2012), com a criação das cotas para os povos indígenas.
No mesmo sentido, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nº 9.394, de 1996 (BRASIL, 1996), visa assegurar que os povos originários tenham sentimento de pertencimento, com currículo escolar diverso, com equidade.
Os movimentos sociais têm grande influência na criação de ações afirmativas, visto que tais organizações reivindicaram os direitos básicos dos povos originários e o que lhes foi retirado ao longo da história. Essas políticas públicas foram criadas visando reparação história, associada à inclusão racial dos povos no Brasil.
A Conferência Mundial contra o Racismo, de 2001 (BRASIL, 2001) exerceu grande pressão, e o Governo Federal do Brasil assinou a Declaração de Durban, em combate ao racismo. Brasil, Conferência Mundial contra o Racismo, 1978, 1983, 2001 e 2009 (Brasil 2009).
As cotas raciais são uma das políticas públicas criadas para reparação, bem como ascensão e igualdade de direitos.
As prerrogativas criadas nas metas dos Planos Nacionais de Educação (PNE) visavam fomentar as pluralidades locais, as necessidades de cada povo e a história de cada um, o que é de grande importância paraos povos indígenas, que sofreram com o apagamento do seu povo ao longo da história.
A região Amazônica é rica em biodiversidade, cultura e riquezas ambientais, e por tal motivo está na mira da sociedade brasileira e de países internacionais. Assim, o desenvolvimento educacional é de suma importância, principalmente diante da diversidade étnico-racial.
Ocorre que, estudos realizados por alunos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Universidade Federal do Amazonas dentre outras, trazem, diversas críticas acerca do acesso dos povos originários ao ensino superior e da necessidade de uma possível reanalise, visto que a metodologia de ensino não considera a heterogeneidade étnico-racial, a identidade e a cultura desses povos. Não basta criar as políticas públicas, é preciso avaliar sua eficácia.
Órgãos de sistema de proteção aos povos originários
Ao longo do tempo, foram criados diversos órgãos para proteger e tutelar os povos originários, conforme se depreende da linha do tempo a seguir:
1906: Criação do Ministério da Agricultura pelo Decreto nº 1.606 de 29/12/1906 (BRASIL, 1906). Esse ministério recebeu a pasta dos povos originários e sua catequese.
1910: Serviço de Proteção ao Índio (SPI), órgão para tutelar os povos indígenas criado pelo Decreto nº 8.072 de 20/06/1910 (BRASIL, 1910). O SPI articulava as conversas entre os povos originários.
1930: SPI passa do Ministério da Agricultura (onde foi criado) para o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio.
1930: SPI passa do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, para o Ministério da Guerra.
1934: SPI sai do Ministério da Guerra e retorna para o Ministério da Agricultura.
1934: A União passa a ter poderes para legislar acerca dos povos indígenas, poder este concedido por meio da Constituição Federal de 1934 (BRASIL, 1934).
1954: As escolas até então criadas só tinham no seu currículo escolar o português.
1960: Fim do SPI, por cauda de investigações e suspeita de corrupção.
1960: A Convenção nº 107 da Organização Internacional do Trabalho OIT, de 26 de junho de 1957, foi incorporada ao Brasil somente em 1960 (BRASIL, 1960). A OIT continuou válida por meio de novos dispositivos legais após o fim da ditadura militar, como no artigo 213 da Constituição Federal de 1988.
1967: Lei nº 5.371 de 5 de dezembro de 1967 (BRASIL, 1967) cria a Funai. Em pouquíssimos momentos houve consulta aos povos originários para a criação ou formulação de atos do seu interesse.
1973: Estatuto do Índio, nº 6.001 (BRASIL, 1973). Ainda trazia a concepção de que os povos originários eram relativamente incapazes, de acordo com o Código Civil de 1916, (BRASIL, 1916), e sendo relativamente incapazes, deveriam ser tutelados por um órgão indigenista estatal (de 1910 a 1967, o Serviço de Proteção ao Índio – SPI; atualmente, a Fundação Nacional do Índio – Funai) até que estivessem “integrados à comunhão nacional”.
1979: Fundada a ANAI – Associação Nacional de Ação Indigenista, com a finalidade de intermediar os diálogos entre os povos indígenas e os demais povos da sociedade brasileira.
1990: Criado o Núcleo de História Indígena e do Indigenismo – NHII/USP. Realizou trabalho de averiguação dos povos originários, como sua história e etnologia.
1991: Transferência da Funai para o Ministério da Educação e Desporto (MEC), por meio do Decreto de nº 26 de 1991 (BRASIL, 1991).
2004: Criação da Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena, pela Lei nº 10.172/2001 (BRASIL, 2001).
2005: APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil foi fundada em 2005. Faz uma junção de movimentos sociais em prol dos povos originários, com o foco em articular os povos indígenas para fortalecimento das suas lutas.
2011: CESTA – Centro de Estudo Ameríndios. Fundado em 2011 visando ampliar os estudos já realizados e os que viessem a ser realizados pelo NHII (Núcleo de História Indígena e do Indigenismo).
As organizações foram criadas para dar voz aos povos indígenas e muitas vezes representá-los, tendo em vista que esses povos foram considerados relativamente incapazes até a promulgação do Código Civil de 2002 (BRASIL, 2002). 
Proposições e debates para a efetivação de garantias e proteção aos povos originários
São diversos os direitos dos povos originários que foram violados; as constituições foram aperfeiçoando-se ao passo que novas organizações indigenistas eram criadas para articular os povos originários.
A permanência dos povos indígenas na terra durante o processo de demarcação tem sido uma luta e motivo de diversas ações judiciais. Não há que se falar em reintegração de posse de terras indígenas quando se discute a demarcação de terras, pois tal direito está previsto no artigo nº 19 da Lei nº 6.001/73 (BRASIL, 1973).
Tendo em vista que as terras brasileiras foram invadidas desde 1500, para assegurar os direitos de quem aqui já vivia – os povos originários–, bem como para preservar o meio ambiente, a demarcação de terras indígenas está assegurada na Constituição Federal de 1988. Diante disso, constantemente são judicializadas as demarcações de terras, que são processos extremamente morosos. Assim, o Ministério Público Federal propôs ação civil requerendo que houvesse agilidade no processo em 2002, e em 2007 foi concedida medida liminar, tendo a ação sido julgada procedente (BRASIL, 1988).
O fato de a análise dos processos de demarcação de terras judiciais serem julgados de forma lenta é completamente absurdo, indo de encontro a um direito assegurado na Constituição Federal. Como exemplo, em 2018, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) deferiu o pedido de condenação do Brasil diante da mora extremamente descomedida no processo de demarcação das terras do Território Indígena Xucuru/PE.
A mora em discussão não se trata de um tempo razoável, visto que a condenação se deu por conta de o processo ter ocorrido em 1989. Em 2001, o Presidente da República deu um decreto homologatório, e em 2005 a Justiça Federal proferiu a resolução final, confirmando a legalidade do registro de imóveis. Ocorre que diversas foram as reintegrações deferidas, impedindo que fossem aplicados os direitos dos povos Xucurus.
Os povos originários passam por um verdadeiro processo para que suas terras sejam demarcadas, e quando a demarcação se dá de forma irregular no processo é necessário novo julgamento. Para ilustrar, o povo Myky/MT obteve a demarcação de sua terra em 1978, e a homologação se deu em 1987. Houve ausência de estudo técnico, e o processo prosseguiu em desconcerto com as normas que ajustavam a demarcação de terras à época. Foi proposto processo por um fazendeiro que discutia a terra com os indígenas:
Em 1976, Benedito Mauro Tenuta, encaminhou à Funai uma proposta para custear a demarcação da TI Menkü (povo Myky), com a seguinte descrição: “…solicita apreciação de proposta e posterior autorização do início dos trabalhos demarcatórios que poderão ser acompanhadas por um representante da Funai, bem como pelos grupos indígenas, Myky(AC 0012899-30.2012.4.01.3400, DESEMBARGADORA FEDERAL DANIELE MARANHÃO COSTA, TRF1 -QUINTA TURMA, e-DJF1 DATA:08/05/2018) (grifos nossos), Brasil, Ministério Público Federal, P. 170, 2019.”
A área demarcada era insuficiente para a reprodução física e cultural dos indígenas.
Foi um largo processo, e apenas em 2007 foi denominado um grupo técnico para remanejar os estudos que demonstrariam o correto polígono das terras tradicionalmente ocupadas pelos povos originários. Com o claro intuito protelatório, diversos fazendeiros propuseram ações pedindo a suspensão do processo de demarcação de terras alegando que a terra indígena não deveria sofrer expansão, vez a decisão do caso Raposa Serra do Sol pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Após diversas discussões propostas pelos movimentos dos que representam os povos indígenas, não é admissível o silenciamento dos povos, e existe uma luta constante contra os atos praticados de forma reiterada visando ao apagamento deles, o genocídio e sua retirada dessas terras.
Saiba mais
Você sabia que os povos originários não fizeram parteda discussão quando da criação e promulgação da Lei de Cotas? Por isso surgiram diversos problemas na implementação de referida política pública, conforme se extrai do exposto abaixo:
Uma questão importante a ser destacada na leitura dos estudos é que, se, por um lado, a criação das políticas de ações afirmativas decorreu da reivindicação dos povos indígenas pelo acesso ao ensino superior, por outro, observa-se pouca participação da comunidade indígena na formulação e no acompanhamento dessas políticas. Paulino (2008, p. 44) exemplifica o caso do Paraná: “Nas entrevistas foi explícita a ausência de participação das comunidades indígenas no processo de formulação e aprovação desta lei”. Segundo o autor, o único momento em que as lideranças indígenas e a Fundação Nacional do Índio (Funai) foram efetivamente demandadas foi na certificação da identificação indígena dos candidatos ao vestibular. No caso das universidades paranaenses, é necessária a apresentação, entre outros documentos, de uma declaração assinada pelo cacique e pelo chefe do posto indígena local, comprovando que o candidato reside ou residiu no mínimo dois anos em terras indígenas do estado do Paraná. No caso da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), as comprovações dos pertencimentos étnicos também deveriam ter a chancela da Funai e de lideranças do povo indígena em questão. Para a UFT bastava a declaração da Funai, alijando do processo os povos envolvidos, BergamaschiI, Doebber, Brito, P. 43- 44, 2018.
Por isso, é importante lembrar que os povos originários precisam participar da construção das políticas públicas, e como sua participação não correu em todo o processo, apenas na fase de implementação.
Unidade 3 / Aula 5Resumo da unidade
A práxis de todo o aprendizado
Estudante, nesta revisão vamos relembrar a história do Brasil, a implementação da escravização dos povos originários e dos povos negros, e a criação de legislações para proteção aos povos originários e aos povos negros. Também vamos rever as políticas públicas que foram implementadas e a ausência delas, bem como a criação e a manutenção de uma sociedade excludente que ainda perpetua os privilégios nas mãos de poucos.
Convidamos você para estudar temas de extrema relevância para inclusão social e racial.
Aspectos gerais e históricos dos povos negros e originários
Quando os portugueses chegaram ao Brasil, alegando haver descoberto este lugar, os povos originários já viviam aqui, e apesar de uma relação embaraçosa, no início os portugueses não tinham o objetivo a escravização dos povos indígenas. Todavia, quando necessitaram de mão de obra, passaram a escravizar os povos originários. Com o passar do tempo, os portugueses perceberam que a mão de obra indígena não era favorável economicamente e, também por conta de um acordo com os jesuítas, deu-se início à escravização dos povos negros, que eram trazidos do continente africano para escravização.
Porém, houve uma redução da escravização dos povos indígenas, que continuou sendo praticada pelos portugueses principalmente em locais mais afastados.
Os povos negros e suas atividades no brasil – Período escravocrata
O Brasil foi um dos maiores importadores de escravizados: os povos negros escravizados vinham de diferentes localidades do continente africano, e havia entre eles diversidade de cultura. No entanto, eles eram proibidos de falar sua língua de praticar sua religião, e para não perderem completamente a identidade, o faziam de forma oculta para que os seus senhores não descobrissem.
Para os portugueses a escravização era altamente lucrativa, e eles traziam inúmeros indivíduos para o Brasil. Aqueles que adoeciam na viagem e eram atirados ao mar, ou que morriam no caminho, não fazem parte do cálculo de pessoas escravizadas no Brasil, logo, os números divulgados nos livros não abarcam todos os indivíduos retirados à força de seu continente.
Os negros eram tratados como um pertence, e a legislação brasileira corroborava com esse conceito. A violência aplicada nos castigos físicos levou muitas pessoas escravizadas à morte.
Diante da estrutura que se criou para manter a dominação, os negros criaram os quilombos para fugir da rotina de trabalhos forçados e castigos cruéis. No entanto, os senhores foram dizimando os quilombos, que eram, para eles, uma grande ameaça.
A escravização e os seus reflexos
A escravização dos povos negros estava prevista em normativas; os negros faziam parte do patrimônio dos seus senhores. O tratamento era diferenciado, por exemplo, enquanto os povos brancos não podiam receber pena de morte, os negros durante a escravização recebiam tal pena. Os escravizados não deveriam ser presos caso a pena para o crime que cometessem não fosse a de morte: de acordo com a lei, era realizada uma contagem, e os condenados recebiam pena de açoite que, se ultrapasse o limite diário, deveria continuar no dia seguinte.
Os escravizados eram avaliados de forma a gerar valor, e alguns traços eram considerados, entre eles estatura, dentição, saúde física, idade, debilidades físicas e sexo. Sendo tratados como bens, podiam ser hipotecados para quitação de dívida. Alguns senhores passaram a dar presentes de valor a alguns indivíduos escravizados, atitude que foi proibida legalmente.
Os negros não tinham acesso à educação pública por proibição, e os libertos eram considerados pessoas de segunda classe, ainda subalternizados.
Os povos negros, ao longo do tempo tentaram resistir, enfrentar e lutar contra a escravização, mas o sistema se firmou de forma contundente para a predominação da escravização. A abolição da escravatura se deu em 13 de maio de 1988 apenas para cumprir com o determinado pelos países que assim o queriam, como os ingleses, por não ser mais rentável manter a escravização – mas o Brasil não tinha o menor interesse em aboli-la.
Quando da abolição da escravatura os povos negros foram libertos sem que lhes fosse disponibilizados moradia, saúde, trabalho e educação. Diante da ausência de políticas públicas quando da abolição da escravatura, ainda em período similar foram trazidos imigrantes brancos para o Brasil, que foram bem aproveitados de diversas formas pelo mercado de trabalho que surgia.
Em relação à população indígena, ela de forma geral utiliza amplamente as florestas de maneira ritual, medicinal e cultural, com equilíbrio, contribuindo para a preservação do meio ambiente
Quando a história dos povos indígenas é contada, é retirado seu protagonismo no país em que já habitavam – o qual foi invadido e eles foram escravizaram, apesar de sua resistência. Quando da chegada dos portugueses, os povos indígenas tinham uma sociedade devidamente organizada, utilizavam a agricultura e a pesca e mantinham o meio ambiente preservado, preocupando-se com a fauna, a flora e o ecossistema.
Ainda que a legislação tenha passado a proibir a escravização do povo indígena, ela e a dizimação desse povo era uma constante, de forma que os indígenas passaram a se aliar a outros invasores imigrantes para combater os portugueses, visando à sua segurança e à da sua comunidade.
A organização dos povos negros e originários para que lhes fossem assegurados direitos básicos
Os movimentos raciais atualmente ainda lutam para buscar uma reparação histórica, e a Constituição Federal tem o objetivo de que sejam promovidas a igualdade e justiça social para a população.
Foi criado o Sistema de Proteção aos Índios (SPI) em 1.910, para levar as demandas dos povos indígenas ao Estado, buscando soluções e dando os devidos retornos aos povos indígenas. Ainda em 1973 os povos indígenas eram considerados relativamente incapazes, e com tal previsão legal eles não podiam tomar suas próprias decisões, necessitando sempre que a FUNAI os representasse. Essa situação perdurou até o fim da vigência do Código Civil de 1973 e início da vigência do Código Civil de 2002.
Para assegurar o direito às terras aos povos indígenas, a Constituição Federal de 1988 foi de extrema importância, mas para que isso acontecesse as articulações e a criação de movimentos de lutaforam aspectos de extrema importância para a promulgação de uma Constituição Federal, que determinou que as terras dos povos indígenas fossem demarcadas.
Como já mencionado, os povos indígenas habitavam nosso território quando da chegada dos portugueses, fazendo um trabalho milenar de cuidado e preservação da natureza de forma equânime e equilibrada. Para que o meio ambiente seja resguardado e para a proteção dos direitos dos povos originários, a demarcação de terras indígenas foi devidamente prevista na Constituição Federal de 1988. Todavia, são inúmeras as ações judiciais para as demarcações de terras que ocorrem de forma lenta, encontrando-se pendentes de julgamento.
Os povos negros passaram a ter uma legislação que visava igualar os povos, tratando os iguais igualmente e os desiguais desigualmente, na medida de suas desigualdades de forma efetiva com a promulgação da Constituição Federal de 1.988.
Os movimentos raciais fizeram uma contribuição enorme por meio das suas articulações na busca pela efetividade de direitos.
O movimento das mulheres negras – as quais passam pela interferência do racismo e do machismo – tem sido de grande importância no combate ao racismo, por causa da visão dos mais diversos ângulos pelos quais a mulher negra necessariamente percebe a realidade.
Importante frisar esses marcadores, visto que os homens negros sofrem com o racismo, enquanto as mulheres negras sofrem com o racismo e o machismo, e tais pontuações são de extrema importância para a construção de um novo cenário.
Ainda, a legislação visava que todos os povos fossem tratados igualmente, e previam expressamente que o crime de racismo é inafiançável e imprescritível.
Estudante, chegamos ao final da aula, e foram trazidos questionamentos e legislações visando fornecer conhecimento, além da parte teórica que delineou a estruturação da escravização, sua abolição e a ausência de direitos.
Neste vídeo de revisão, você compreenderá de modo mais amplo o que já foi explanado nas aulas desta unidade.
Estudante, chegamos ao final da aula, e foram trazidos questionamentos e legislações visando fornecer conhecimento, além da parte teórica que delineou a estruturação da escravização, sua abolição e a ausência de direitos.
Neste vídeo de revisão, você compreenderá de modo mais amplo o que já foi explanado nas aulas desta unidade.
Estudo de Caso
Estudante, leia com atenção a seguinte reflexão:
Seria, por exemplo, a presença de pessoas negras ou indígenas em posições de poder e destaque suficiente para combater o racismo? Para algumas pessoas, a existência de representantes de minorias em tais posições seria a comprovação da meritocracia e do resultado de que o racismo pode ser combatido pelo esforço individual e pelo mérito. Essa visão, enviesada, serve apenas para naturalizar a desigualdade racial. O problema da representatividade não é simples e tampouco se esgota nessa caricatura da meritocracia. Não há dúvidas de que a representatividade é um passo importante na luta contra o racismo e outras formas de discriminação, e há excelentes motivos para defendê-la. Quem pode duvidar da importância para a luta antidiscriminatória existir uma mulher negra em posições na academia, nos meios de comunicação e no judiciário, áreas geralmente associadas a homens brancos? Nesse sentido, a representatividade pode ter dois efeitos importantes no combate à discriminação:
1. Propiciar a abertura de um espaço político para que as reivindicações das minorias possam ser repercutidas, especialmente quando a liderança conquistada for resultado de um projeto político coletivo.
2. Desmantelar as narrativas discriminatórias que sempre colocam minorias em locais de subalternidade. Isso pode servir, por exemplo, para que mulheres negras questionem o lugar social que o imaginário racista lhes reserva (ALMEIDA, 2019, p. 68).
Após a leitura do texto, lembrando dos pleitos eleitorais para os cargos presidente, governador e senador, argumente: existe representatividade de lideranças indígenas e do movimento negro? Os partidos devem ter acesso à lei de cotas para essa população? 
_______
Reflita
Estudante, você terá a oportunidade de colocar em prática tudo que foi estudado até aqui, lembre-se que a sociedade foi estruturada de forma racista, ao passo que os movimentos raciais ainda lutam para combater o racismo e as consequências do racismo estrutural, assim sendo te convido a fazer o Estudo de Caso e relembrar tudo que foi abordado ao longo da unidade.
Resolução do Estudo de Caso
Estudante, ter um presidente negro ou indígena traria implicações positivas de forma gradual, porque o líder que conhece as necessidades de um povo pauta e cria uma agenda de necessidades emergenciais dos grupos minorizados dos quais faz parte que precisam ser atendidas.
Todavia, ter um líder negro, um ator, um cantor, um gerente da empresa, apenas um, não traz representatividade, mas sim representação, que é quando uma pessoa representa um grupo de pessoas.
Ter um Presidente da República negro eleito, em contrapartida, trará representatividade, pois ele poderá pautar suas tomadas de decisão pensando na ausência de direitos do povo negro e, ao longo do seu mandato, auxiliar na construção de um país igualitário.
Devemos nos atentar que apenas um político negro não conseguirá muitas tomadas de decisão se o Senado e os deputados forem, em sua maioria, brancos.
Por exemplo, a escola em que nossos filhos estudam fornece apenas uma bolsa de estudo por meio das cotas, ou são dadas duas ou mais bolsas de estudo, para que os brancos sintam que existem outros iguais a eles?
Imagine uma empresa em que houve a contratação de um gerente negro. No entanto, na equipe de 20 gerentes apenas uma conta com um negro para representação, para demonstrar que a empresa tem diversidade. O que ocorre quando este homem negro traz pautas de representatividade? Ele é barrado, tendo em vista que apenas um funcionário negro tem que pautar sozinho, sem outros gerentes negros que o auxiliem na explanação dos projetos, inclusive não sendo observada pelos demais a necessidade da representatividade que tratamos neste material. Afinal, os negros estão sempre em minoria nestes grupos, mesmo sendo a população brasileira em sua maioria negra.
A representação é importante, mas a representatividade de fato traz mais efetividade ao processo de inclusão.
Um Presidente da República negro eleito é de grande importância, todavia seu trabalho fluirá com maior eficácia se abaixo dele outros cargos estiverem sendo ocupados por homens e mulheres negros. 
Resumo Visual
Unidade 4 / Aula 1Direitos fundamentais da criança e do adolescente
Introdução
Caro estudante, a presente disciplina propõe a reflexão sobre direito, proteção e inclusão social, em especial à criança e ao adolescente. Nesse sentido, ao longo desta aula será abordado o processo histórico referente à garantia do direito para crianças e adolescentes, com o estudo da legislação vigente e dos desdobramentos a partir do contexto social. Convidamos você a conhecer esses conceitos e ampliar as informações referentes à legislação internacional e à nacional para com os direitos das crianças e dos adolescentes. É fundamental a apropriação dessas informações para que também sejamos agentes no processo de garantia dos direitos, principalmente daqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade e risco social. Que o aprendizado seja constante, de transformação e descobertas. Uma boa aula para você! 
Abordagem histórica da legislação para crianças e adolescentes
No contexto histórico da legislação brasileira, a primeira constituição brasileira, datada de 1824, trazia em sua marca a Constituição do Império, voltada única e exclusivamente a fortalecer o poder do imperador, Dom Pedro I. Conforme destaca Zapater, “não há qualquer referência a crianças e adolescentes na Constituição Imperial de 1824, salvo no que diz respeito à regência no caso de menoridade do imperador (art. 121 e 122)” (ZAPATER, 2019, p. 36). Vale frisar a força do trabalho escravo deste período, incluindoa participação de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, considerados “adultos em miniatura”. Somente em 1891, após a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889, que o país passa a ter sua segunda constituição, a primeira no âmbito do direito. Entretanto, ainda não destacou em seu texto a garantia dos direitos específicos à criança e ao adolescente, apontando somente questões econômicas para o controle das populações economicamente desfavorecidas. 
Diante de uma sociedade classista, dominada por homens brancos, ricos e poderosos, sem valor algum dado à população marginalizada, é possível identificar como as crianças e adolescentes não são sujeitos de direitos. Quando não nascidos das classes mais abastadas, economicamente favorecidas, são objetos para o trabalho ou importunação da estrutura social vigente na época, visto não existir o mínimo de atenção ao desenvolvimento integral e garantia de vida digna às pessoas menos favorecidas, especialmente crianças e adolescentes. Mediante a necessidade do controle das populações economicamente vulneráveis, como as crianças e adolescentes não favorecidas, estas são incluídas em conjunto com mendigos, vadios, viciosos e menores de 21 anos nos chamados Institutos Disciplinar, o que dá base para a criação, em 1927, do Código do Menor, que tinha como objetivo a judicialização para com a situação das crianças e adolescentes em situação de abandono e delinquência (BRASIL, 1927).  
De 1891 a 1988 o Brasil teve quatro novas constituições, nas quais a criança e o adolescente passaram do status “de menor” para responsabilidade da família e do Estado. Vale destacar que em 1946 é criada a UNICEF, e em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, consolidando no art. 5º que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza…” (BRASIL, 1988, [s. p.]), a criança e o adolescente passam a figurar no Capítulo VII, dedicado a tratar “da Família, da Criança, do Adolescente, do Jovem e do Idoso” (BRASIL, 1988, [s. p.]),  o qual destaca quem são os responsáveis por assegurar com absoluta prioridade todos os direitos fundamentais para o desenvolvimento integral das crianças e dos adolescentes, protegendo-os de qualquer tipo de situação que impossibilite sua formação como sujeito. 
Para regulamentar as indicações do artigo 227 da CF, foi promulgada a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, que “dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências” (BRASIL, 1990, [s. p.]). Dentre as regulamentações não contidas na CF, podemos destacar o detalhamento dos direitos fundamentais e as deliberações para as tutelas coletivas, considerando que para melhor resguardar os direitos das crianças e dos adolescentes, diversas pessoas jurídicas, além dos próprios interessados, estão legitimadas quando se tratar de direitos. 
Pode-se considerar que a instituição da Convenção Internacional dos Direitos da Criança da ONU, a CF 1988 e o ECA foram determinantes para o reconhecimento das crianças e dos adolescentes como sujeitos de direitos. Direitos estes que garantem o desenvolvimento integral e uma vida digna e protegida de qualquer tipo de violência. 
Direitos das crianças e dos adolescentes
Vamos pensar na seguinte indagação: “Você se recorda de como foi sua infância e adolescência? Ocorreu alguma situação que possa ter causado desproteção para com o seu desenvolvimento integral?” Pode parecer uma questão desconecta, entretanto, ela é o princípio da nossa reflexão a respeito da importância da garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes no Brasil. Se nasceu depois de 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal vigente, você veio sob plena garantia dos direitos estabelecidos. A situação é bem diferente para quem nasceu antes desta data, especialmente no período de colonização do Brasil, regido pela monarquia, até a Proclamação da República, um total de 389 anos, ainda sem considerar os outros 97 anos entre a Constituição de 1891 e a atual. Quando começamos com as indagações, foi para retomar o tema de quão vulneráveis somos enquanto estamos na fase da infância e da adolescência, considerando todo o processo de desenvolvimento, afetado diretamente pelo ambiente do qual fazemos parte, sendo as condições deste ambiente capazes de influenciar nossa aprendizagem, formação física, psíquica e sexual, atuação profissional e concepção do papel de cidadão.  
Quando você relembrou da sua infância e de alguma situação de desproteção, chegou a basear-se no período de anos indicado? Consciente de que o direito é fundamental para a garantia do desenvolvimento integral, é incompreensível pensar que isso nunca foi o foco. As mobilizações para a garantia dos direitos, por exemplo, o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, demonstram que anteriormente à legislação muitos prejuízos foram permitidos, muitas violações foram realizadas e muitas vidas, perdidas. Mesmo com os 32 anos do ECA completos em 2022, ainda encontramos manchetes com as mais arbitrárias violações dos direitos deste público. Para além do ECA, em 5 de agosto de 2013 foi promulgada a Lei nº 12.852, que “institui o Estatuto da Juventude e dispõe sobre os direitos dos jovens, os princípios e diretrizes das políticas públicas de juventude e o Sistema Nacional de Juventude - SINAJUVE.” (BRASIL, 2013, [s. p.]). Portanto, mais uma legislação que valida a importância da garantia dos direitos, colocando o Estado e a sociedade em atenção para quaisquer tipos de violação, e sinalizando os devidos encaminhamentos. Reforçam a importância da garantia dos direitos os documentos internacionais, entre eles a Declaração dos Direitos da Criança de 1959 e a Convenção sobre os Direitos da Criança da ONU de 1989. 
A compreensão da criança e do adolescente como sujeito de direitos possibilita – ou pelo menos deveria – cessar todos os tipos de violações contra esse público. Fazendo-se valer do Sistema de Garantia de Direitos, todo cidadão brasileiro tem a responsabilidade em defender e denunciar quaisquer tipos de violência, seja ela física, psicológica ou sexual, provocada por terceiros ou pela própria família. Além disso, todo aquele profissional que segue o código de ética não pode se omitir perante uma situação de violência, em especial, às crianças e aos adolescentes do nosso país. Ainda enfrentamos graves violações dos direitos, entretanto, não se pode deixar de monitorar as ações do poder público com investimentos em ações de combate e enfrentamento às violações, bem como os investimentos em políticas públicas que implementem os direitos estabelecidos na legislação. Somente com ações que efetivem a garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes será possível uma sociedade democrática, com sujeitos protagonistas, conscientes de seus direitos e deveres e cidadãos plenos. 
A aplicação dos direitos e cumprimento dos deveres
Partindo do pressuposto de que “é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos…” (BRASIL, 1990, [s. p.], grifo nosso), configura-se o papel de todos para efetuar o que está decretado, com a devida atenção a quaisquer violações dos direitos garantidos na legislação, via Constituição Federal, Estatuto da Criança e do Adolescente e Estatuto da Juventude. Parece simples cumprir esse papel, entretanto, somos deliberadamente norteados pelas mais arbitrárias violações às crianças, adolescentes e jovens no país. Violações essas que ocorrem por parte do próprio poder público, como quando apresenta uma Proposta de Emenda à Constituição que trata da possibilidade da redução da maioridade penal, sem levar em consideração a situação de vulnerabilidade e risco social que muitos adolescentes e jovens brasileiros enfrentam diariamente. Faz-se necessário jogar luz e ampliar o diagnóstico sobre a responsabilidade de todos os representantes indicados no artigo 4º do ECA (BRASIL, 1990) em suas ações pontuais e coletivas.Cada indivíduo, seja criança, adolescente ou jovem, tem seu direito individual garantido pela Constituição Brasileira de 1988. Entretanto, existem direitos que passam do âmbito individual: são os chamados direitos coletivos, como direito à educação, à saúde e ao trabalho. Neste sentido, quando um direito é violado, cabe defesa e proteção dos sujeitos afetados. 
Para a defesa, consta no artigo 81 da Lei nº 8.078 (BRASIL, 1990), que todos os consumidores ou vítimas da violação de direitos contam com o apoio do Sistema de Justiça para atenção à situação, tanto no âmbito individual quanto no coletivo. Com relação à questão no âmbito coletivo, esta estará dividida em direitos difusos, considerados indivisíveis, sem identificação dos titulares envolvidos, que estão ligados por circunstâncias de fato; direitos coletivos, considerados indivisíveis, entretanto, com a identificação do titular, sendo ele um grupo, uma categoria ou classe de pessoas. E, por fim, direitos individuais homogêneos, referentes a interesses de origem comum. 
O Estatuto da Criança e do Adolescente e o Estatuto da Juventude são exemplos de ações que tratam do direito difuso, pois são direitos garantidos para todas as crianças, adolescentes e jovens do país, sem especificação de classe, gênero e raça. O fato é que todas estão protegidas sob a mesma legislação, não sendo possível quantificar ou identificar especificamente qual criança, adolescente ou jovem.  
Os direitos difusos, como o ECA, merecem toda a atenção, pois quando há violação dos direitos estabelecidos, esta pode afetar alguém em particular, ou ao mesmo tempo, todos. Podemos exemplificar com o direito à saúde: quando da ausência de uma medicação para prevenção ou combate a uma pandemia, ela pode afetar todas as crianças e adolescentes. Por outro lado, a necessidade específica de uma criança ou adolescente, para o tratamento de saúde, também deve ser garantido. E resguardar esses direitos deve ser papel de todos, via mobilização em relação às ações daqueles que assumiram cargos públicos com a implementação de políticas públicas, via participação social nos conselhos direitos para efetivação do Sistema de Garantia de Direitos, via estudo e atenção à legislação vigente a fim de que todos tenham informações para combater qualquer tipo de violação. Quando cumprimos com nossos deveres como cidadãos conscientes da legislação brasileira, seja qual for nossa atuação profissional, criamos condições para uma sociedade democrática e de direito. 
Caro estudante, que bom saber do seu interesse nos direitos fundamentais das crianças e dos adolescentes. Esse é o ponto de partida para ampliação dos conhecimentos. Após a realização dos estudos apresentados nesta aula, convidamos você a ampliar os conhecimentos assistindo ao vídeo indicado. Nele serão esclarecidos mais alguns aspectos da legislação, bem como apresentado o processo de mobilização e garantia de direitos das crianças e dos adolescentes. 
Saiba mais
O conhecimento do Estatuto da Criança e do Adolescente é fundamental para todo cidadão brasileiro, especialmente para a atuação profissional, visto ser o marco regulatório dos direitos a esse público em desenvolvimento. Sugerimos de leitura do Artigo 1 ao Artigo 18B. Atente-se às alterações que ocorreram desde a promulgação do ECA em 13 de julho de1990. 
Conheça o texto completo do Estatuto da Criança e do Adolescente.  
 O livro Infância, educação e direitos humanos, indicado nas referências e disponível na Biblioteca Virtual, pode contribuir significativamente para o conhecimento da legislação. 
Você também pode fazer uma reflexão acerca da situação da criança e do adolescente a partir da canção Criança não trabalha, de autoria de Paulo Tatit e Arnaldo Antunes. Proposta de reflexão: que ideia traz a estrofe “Criança não trabalha, criança dá trabalho” à luz do estudo dos artigos 60 a 69 do ECA? 
Unidade 4 / Aula 2Medidas protetivas
Introdução
Caro estudante, a presente disciplina propõe a reflexão a respeito de direito, proteção e inclusão social, em especial à criança e ao adolescente. Caso você não tenha acessado as disciplinas anteriores, convidamos você a conhecê-las para completar os estudos da presente disciplina que contempla as informações acerca dos direitos fundamentais e as medidas de proteção que devem ser acionadas diante da ameaça ou da violação desses direitos. Partiremos do mandamento estatutário que determina que todos – a família, a sociedade, a comunidade e o poder público – são responsáveis pela satisfação e proteção dos direitos fundamentais. Assim, na presente aula vamos discutir as medidas de proteção previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, analisando os conceitos, as hipóteses, os meios e órgãos/agentes responsáveis pela aplicação por tais medidas. Que o aprendizado seja constante, de transformação e descobertas. Uma boa aula para você! 
O que é proteção e o que são as medidas protetivas do ECA?
Ao iniciarmos um estudo ou até mesmo uma roda de conversa que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes, possivelmente a palavra proteção aparecerá. A palavra proteção tem por significado “1. Ato ou efeito de proteger(-se). 2. Abrigo, resguardo. 3. Dedicação pessoal àquilo ou àquele que dela precisa. 4. Auxílio, amparo” (FERREIRA, 2014, p. 619). Para além da etimologia do termo, ele tem um significado relevante para todos os seres vivos. Quando analisado pelo instinto animal, o sinal de proteção aparece automaticamente diante de uma situação de ameaça ou perigo, acionando a busca por proteção. Para cada ser vivo a situação de ameaça ou perigo terá sua proporção baseada no aprendizado adquirido.  
Com relação aos seres humanos, esse aprendizado ocorre mediante as interações entre os sujeitos ou pela própria vivência do sujeito em uma determinada situação. Para ampliar e estabelecer meios de comunicação, o ser humano passou a compartilhar conhecimento e estabelecer combinados de convivência. Para além da “lei da selva” ou da “lei do mais forte”, mobilizações e lutas sociais ocorreram na perspectiva da garantia da proteção a todos, especialmente daqueles considerados mais vulneráveis, especialmente mulheres, crianças e idosos. Podemos citar como exemplo de mobilização a Constituição Federal de 1988, que foi elaborada envolvendo diversos representantes da sociedade e do poder público, de forma a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais. Garantir os direitos é fundamental para uma sociedade democrática, entretanto, também é necessário estabelecer meios para combater as possíveis violações de direitos, chamadas medidas de proteção. Pode-se citar como exemplo as medidas protetivas para crianças e adolescentes, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente, que estabelece no artigo 98 que “as medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados […]” (BRASIL, 1990, [s. p.]). 
Ao considerar a criança e o adolescente sujeitos de direito, garante-se o princípio da proteção integral, conforme legislação vigente, sendo necessário assegurar total proteção para seu “desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade” (BRASIL, 1990, [s. p.]). Moraes complementa que 
[…] medida de proteção é uma conquista social da criança e do adolescente, frente ao ab-rogado modelo tutelar. Essa conquista inseriu, no marco jurídico da cidadania, os princípios da proteção social, com o objetivo de reconhecer as transformações da criança e do/a adolescente em abstrato (menor) a sujeito de direito, em suas diversas fases de vida e estágios de desenvolvimento (MORAES, 2021, p. 203) 
Vale destacar que apenas a força de lei não garante a efetivação das medidas protetivas. Para tanto, foi estabelecido o Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente, que constitui-se na atuação em conjunto dos órgãos governamentais e da sociedade civil na execução das medidas para promoção, defesa e controle dos direitos das crianças e dosadolescentes. 
Para além da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público, conforme apontado no artigo 3 do ECA (BRASIL, 1990), esses atores passam a ter igual responsabilidade em garantir os direitos, combatendo qualquer tipo de violação ou ameaça às crianças e aos adolescentes. Fazem parte deste sistema o Poder Judiciário, as autoridades policiais (militar, civil e federal), os conselhos tutelares, os conselhos de direitos e as entidades de defesa de direitos humanos, entre outros. 
O conhecimento dessas informações possibilita a todos, especialmente aos profissionais que atendem crianças e adolescentes, realizar as devidas orientações e encaminhamentos diante de possíveis suspeitas da violação dos direitos, fazendo uso do Sistema de Garantia como recurso para a defesa e proteção. 
A importância da proteção
Mesmo após a promulgação do ECA em 1990, ainda são noticiadas situações de violações aos direitos, demonstrando a importância da atuação da sociedade civil e poder público, via Sistema de Garantia de Direitos, para que não haja novas ocorrências, criando mecanismos que possam orientar a população a respeito da defesa e promoção dos direitos. 
A superação de crenças populares, como “um tapa resolve”, “deixa fazendo birra, todos estão olhando mesmo”, “meninos brincam de carrinhos, meninas brincam de boneca”, “em briga de marido e mulher, não se põe a colher” ainda se faz necessária. Muitas vezes, além de um simples comentário, encontra-se a violência física, psicológica e sexual. Ao considerar que toda atenção é essencial, por tratar-se da condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento, passa-se a exigir de todos o zelo, o respeito e o cuidado para que nenhuma criança ou adolescente seja “objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão” (BRASIL, 1990, [s. p.]). 
É dever de todos a proteção dos direitos das crianças e dos adolescentes. Neste dever compreende-se o conhecimento básico para os cuidados fundamentais, bem como o conhecimento dos canais para denunciar qualquer tipo de violação. Para tanto, é papel do poder público, seja na esfera federal, estadual ou municipal, prover políticas públicas que garantam a informação a toda população, além de ações que venham a responsabilizar aqueles que infringem a lei. É importante destacar que as medidas de proteção serão tomadas pelo Juiz da Infância e da Adolescente, autoridade responsável. 
Além das sanções punitivas, mediante gravidade dos fatos, e que no ECA são definidas como medidas socioeducativas, é indicado que “na aplicação das medidas levar-se-ão em conta as necessidades pedagógicas, preferindo-se aquelas que visem ao fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários” (BRASIL, 1990, [s. p.]). Dentre as indicações, encontra-se a opção da mediação de conflitos, que passou a ser efetivamente considerada como opção nas alterações do ECA com a Lei nº 12.594/2012 e com a Lei nº 13.010/2014. Nesta última, ficou evidenciada a prática de cuidados sem o uso de castigos físicos ou de tratamento cruel ou degradante, bem como a prática de resolução pacífica de conflitos que envolvam violência contra a criança e o adolescente (BRASIL, 2014). 
Diante da necessidade de uma resolução rápida de situação de violação dos direitos, buscando a proteção integral da criança e do adolescente, reduzindo ao máximo os danos advindos da violação praticada que o ECA trouxe, mesmo que de forma discreta, a mediação de conflitos, ao indicar a integração e a articulação de todos os setores da sociedade na resolução da situação apresentada. A consolidação desta prática, no processo conhecido como desjudicialização, propõe resolução de conflitos considerando a possibilidade do diálogo entre as partes envolvidas, utilizando a situação concreta do ocorrido para pensar em uma resolução, observando os princípios e as normativas que estão estabelecidas pelo local onde aconteceram os fatos, como por exemplo, o ambiente escolar. 
Outra estratégia que passou a ser adotada como alternativa à resolução de conflitos extrajudiciais foi a justiça restaurativa, método criado em 1970 na Nova Zelândia. Também conhecida como prática restaurativa, compreende um conjunto de atos conduzidos por facilitadores para que a vítima e o autor do ato de violação tenham a oportunidade de, por meio de um círculo restaurativo, dialogar a respeito do fato ocorrido e encontrar possíveis resoluções. Assim, as medidas protetivas são essenciais para a garantia do desenvolvimento integral das crianças e dos adolescentes. 
O que fazer mediante a violação dos direitos? Há mesmo o que fazer?
O cenário de vulnerabilidade e risco social tem crescido de forma significativa no país, afetando o desenvolvimento de muitas crianças e adolescentes, especialmente das camadas mais desfavorecidas economicamente. São fatores de risco a segurança alimentar, a escolarização e os cuidados básicos de saúde, entre outros, colocando muitas famílias em estado de desproteção. Mediante essa situação, torna-se inviável responsabilizar somente a família pela violação dos direitos quando, por exemplo, identificamos uma criança em situação de pedinte em um semáforo, ou um adolescente em situação de exploração sexual. As famílias em situação de extrema pobreza ou pobreza são afetadas diretamente quando trata-se da garantia dos direitos, com pouca ou quase nenhuma informação, sem acesso a benefícios sociais e cada vez mais sem esperança, e tornam-se presas fáceis para aqueles que buscam proveito da situação. 
Esse panorama de desproteção social pode nos levar a questionar se há o que fazer. Já foram estabelecidos em legislação os direitos a serem garantidos e diversas mobilizações foram realizadas em defesa desses direitos. Mesmo diante desse panorama, é fundamental continuarmos a luta pela defesa e promoção dos direitos das crianças e dos adolescentes brasileiros. As tragédias noticiadas diariamente não podem ofuscar o objetivo maior da garantia dos direitos. Não podemos desconsiderar a conquista do ECA e demais legislações vigentes, fazendo valer todas as proteções necessárias, sem arbitrariedade e com o envolvimento de todos. 
Para a continuidade da luta, mobilização e defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes, faz-se necessário o conhecimento mais apropriado do Sistema de Garantia de Direitos, identificando no município o funcionamento do Conselho Tutelar, do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), da Delegacia Especializada de Proteção Criança e Adolescente, de organizações da sociedade civil que atuam com Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos e demais órgãos de defesa. O compartilhamento das informações a respeito do trabalho realizado por essas entidades, esclarecendo o papel de agentes de proteção, pode contribuir para que as pessoas cheguem a elas e realizem as denúncias, com atendimento digno e orientador. Outro canal a ser informado massivamente é o Disque 100, um serviço de disseminação de informações sobre direitos de grupos vulneráveis e de denúncia de violações de direitos humanos. 
Cabe ressaltar que o Sistema de Garantia de Direitos não é exclusivo para crianças e adolescentes de famílias menos favorecidas economicamente. Conforme aponta Abigail Torres “em síntese, vulnerabilidade pode ser definida como exposição a contingências e tensões e às dificuldades em lidar com elas” (BRASIL, 2017, p. 40). Conforme estabelecido no parágrafo único do artigo 3º do ECA, a lei aplica-se a todas as crianças e adolescentes, sem distinção (BRASIL, 1990). O desafio está na desmistificação do sistema de justiça para que toda população esteja esclarecida acerca de seus direitos. Entretanto, também se faz necessário um atendimento humanizado, que não aprofunde ainda mais as dores ocasionadas pelas violações, fazendo valer o acesso à justiça de forma qualificada, assegurando atenção por parte do poder público e do Poder Judiciário. 
Ao estabelecer políticas públicas eficazes para a defesae promoção dos direitos, o poder público cumpre com o seu papel. Cabe a todo cidadão brasileiro o controle, monitoramento e compartilhamento das informações para que as violações sejam cada vez mais impedidas, possibilitando o desenvolvimento integral de toda criança e adolescente. A formação de uma rede de proteção trará segurança, formação de cidadãos conscientes e um país justo e democrático. 
Caro estudante, o conhecimento a respeito das medidas protetivas para crianças e adolescentes é de fundamental importância para o cumprimento do nosso papel como cidadão e profissional. Após a realização dos estudos apresentados nesta aula, convidamos você a ampliar os conhecimentos assistindo ao vídeo indicado. No vídeo serão esclarecidos mais alguns aspectos do Sistema de Garantia de Direitos das Crianças e dos Adolescentes e dos métodos de resolução de conflitos extrajudiciais
Saiba mais
Para a garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes, houve muitas mobilizações da sociedade civil de forma a eliminar qualquer tipo de violação. Muitas pessoas envolveram-se com essa casa e muitas entidades de defesas foram criadas de forma a multiplicar as informações para a defesa e promoção dos direitos. Acessando o portal dessas entidades é possível obter mais informações sobre as ações realizadas no país, em especial, do Sistema de Garantia de Direitos. 
Indicamos a seguir algumas das centenas de entidades: 
· Unicef Brasil.  
· Fundação Abrinq.  
· Criança Livre de Trabalho Infantil. 
· NECA – Associação de Pesquisadores e Formadores da Área da Criança e do Adolescente.  
· Observatório da Criança e do Adolescente.  
Acesse, pesquise, estude e compartilhe as informações. As crianças e adolescentes do nosso país agradecem! 
Unidade 4 / Aula 3Ato infracional
Introdução
Caro estudante, os estudos para o conhecimento dos mecanismos de defesa e garantia dos direitos são fundamentais para qualquer cidadão, bem como para todo profissional, e essa é a proposta da disciplina Direito, Proteção e Inclusão Social. É papel de todos a atenção e o combate a qualquer tipo de situação que possa impossibilitar o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes. Além da garantia dos direitos, também é importante o conhecimento referente ao cumprimento das medidas socioeducativas, rompendo com o senso comum sobre a punição dos adolescentes diante da transgressão da lei. Convidamos você a mais um momento de reflexão acerca da garantia dos direitos das crianças e adolescentes. Em especial, nesta aula vamos tratar da perspectiva do processo socioeducativo para a superação do ato infracional. Bons estudos! 
“De menor” a sujeitos de direitos, o cumprimento das medidas socioeducativas
Com a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente, foram estabelecidas no país novas diretrizes com relação à prática de atos infracionais por adolescentes, passando a ser considerado o uso de medidas socioeducativas (MSE), que tem por finalidade a execução de ações educativas que visem “a responsabilização do adolescente quanto às consequências lesivas do ato infracional, sempre que possível incentivando a sua reparação” (BRASIL, 2012, [s. p.]). Entenda-se que para além do direito, a legislação traz os deveres para todo cidadão brasileiro. Estão descritas na Constituição Federal de 1988, quando do descumprimento da legislação estabelecida, as sanções a serem empregadas. Ao tratar-se de criança e adolescente, para situações de transgressão à lei, ficou estabelecida no ECA, no caso das crianças menores de 12 anos, a aplicação da medida de proteção, e para adolescentes entre 12 e 17 anos e 11 meses, as medidas socioeducativas.  
No histórico da legislação brasileira, em 1920 começa no país a regulamentação das leis referentes à população infantojuvenil, com a criação do Código de Menores. Nessa época as crianças e adolescentes, reconhecidos como menores, eram considerados problemas sociais nas cidades em pleno desenvolvimento. Com o advento do processo de modernização e industrialização da década de 1920, as crianças e adolescentes em situação de marginalidade deveriam ter um ofício, um trabalho, para tornarem-se um cidadãos de respeito, rompendo com qualquer tipo de criminalidade, como a mendicância. Em 1964, durante o Regime Militar, é criada a Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor, com o propósito de implantar uma política nacional para o bem-estar do menor. No entanto, antes da proposta de prevenção, estava a busca do rompimento com qualquer tipo de ameaça à ordem social. Com o advento do Novo Código do Menor em 1979, ainda no Regime Militar, começam a aparecer algumas mudanças referentes à consideração da criança e do adolescente. Entre elas, a pessoa não seria mais considerada autor de crime, mas de infração penal. Entretanto, ainda de forma discriminatória, destaca-se que a aplicação da presente lei levará em consideração o contexto socioeconômico do menor e de sua família (BRASIL, 1979).  
Com a promulgação da CF/1988 a definição se altera: “penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da legislação especial” (BRASIL, 1988). Cabe destacar que neste mesmo ano ocorreu a Reunião Internacional de Peritos para a elaboração do Projeto de Princípios Orientadores das Nações Unidas para a Prevenção da Delinquência Juvenil, realizada em Riad, na Arábia Saudita. O resultado deste encontro ficou conhecido como "Princípios Orientadores de Riad”, que destaca que a prevenção da delinquência juvenil é uma parte essencial da prevenção do crime na sociedade. Essa concepção contribuiu para a vertente de defensores dos direitos das crianças e adolescentes que mobilizaram a elaboração do ECA em 1990, considerando o princípio da proteção integral. A nomenclatura “de menor” para de ser utilizada, bem como as deliberações desta classificação, passando o adolescente, como sujeito de direitos, a ter garantido um processo educativo para o rompimento com o ato infracional, ficando estabelecidos no ECA os direitos individuais, as garantias processuais e as medidas socioeducativas mediante a qualificação dos fatos. Para regulamentar as medidas socioeducativas, foi criado em 2012 o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase). 
Esse rol de ações estabelecidas desde a CF/1988, dentre elas, a promulgação do ECA (Lei nº 8.069/1990, a assinatura da Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança da ONU em 1990, a instituição do Sinase (Lei nº 12.594/2012) e do Estatuto da Juventude (Lei nº 12.852/2013), tem possibilitado a promoção e garantia de direitos aos adolescentes e jovens e a prevenção da prática de atos infracionais. O desafio ainda é a criação de políticas públicas com base na legislação vigente para ampliar o atendimento para todos os adolescentes brasileiros, reduzindo as vulnerabilidades sociais que enfrentamos em nosso país, com a devida atenção para que não haja a penalização dos adolescentes brasileiros. 
A importância da prevenção e não da penalização
A adolescência é um período de grandes transformações na vida das pessoas. O processo de desenvolvimento iniciado na infância tem na adolescência uma fase fundamental de amadurecimento, especialmente nas questões físicas e de personalidade. Tal processo já foi e continua sendo estudado pelos mais diversos profissionais das áreas da saúde, educação e assistência social, entre outras. É sabido que o contexto social tem significativa contribuição para o processo de mudanças, que podem facilitar ou mesmo prejudicar o desenvolvimento integral do adolescente. Podemos destacar a violência, o tráfico de drogas, o desemprego e o preconceito racial como exemplos de situações do contexto social, que somados à sociedade do consumo tornam-se ingredientes propícios para que o adolescente esteja em conflito com a lei, especialmente aqueles que se encontram em vulnerabilidade social. O enfrentamento das mudanças da adolescência e essas situações fazem dos adolescentes iscas fáceis para uma possível prática do ato infracional.  
No quesito da garantia dos direitos, compreende-seque não pode ser imputada ao adolescente única responsabilidade pelo cometimento do ato infracional. É necessária uma leitura do contexto social, com a análise apurada da ausência de políticas públicas de prevenção. Garantir o direito a uma educação de qualidade, a oportunidades para aprendizagem profissional, a recursos para prática esportiva e acesso ao lazer e a cultura é fundamental para a prevenção.  
Na ocorrência do ato infracional, antes da punição arbitrária, o ECA trouxe condições salutares, garantindo um processo educativo de responsabilização mediante os fatos judicialmente analisados. Tal definição consta no artigo 112 do ECA (BRASIL, 1990), indicando as medidas socioeducativas a serem definidas em caso de constatação do ato infracional. As medidas estão divididas em meio aberto, quando não há gravidade dos fatos e o adolescente não apresenta risco à sociedade, e em meio fechado, quando há gravidade dos fatos e o adolescente representa risco social. 
Tabela 1 | Informações sobre Medidas Socioeducativas do ECA. Fonte: BRASIL (1990, [s. p.]).
Como está garantido na CF/1988 e no ECA, todo cidadão, em especial os adolescentes, têm o direito à defesa, com uma acolhida qualificada e orientação, bem como apoio à família para a superação da situação. Conforme estabelecido no Sinase, nas execuções das MSE em meio aberto e meio fechado, cada adolescente deve ter o plano individual de atendimento (PIA) elaborado pela equipe técnica, em conjunto com adolescentes e principais referências da sua vida, para estabelecer o trabalho a ser realizado durante o cumprimento da MSE. O PIA será utilizado como recurso para análise da liberação do adolescente e conclusão do cumprimento da MSE.
Além de um simples documento, para cada adolescente, respeitando sua singularidade, será elaborado o PIA que constará do histórico de vida, identificando suas potencialidades, habilidades e necessidades para estabelecer a linha de trabalho a ser adotada. Após esse primeiro levantamento, serão estabelecidas as estratégias e metas a serem alcançadas durante o período estabelecido do cumprimento da MSE para que seja possível uma avaliação objetiva das conquistas do adolescente, não ficando apenas na análise subjetiva. Essa ação também permitirá aos profissionais acompanhar o adolescente, para que seja apresentado ao Juiz da Vara da Infância e Juventude com observações quanto ao cumprindo satisfatório das metas estabelecidas durante o cumprimento da MSE para sua liberação. 
O adolescente em conflito com a lei
O estudo para aquisição de informações referente às medidas socioeducativas é primordial para todo cidadão, principalmente para a efetivação dos direitos referentes aos adolescentes que cometem um ato infracional. Como profissionais que venham atuar com adolescentes, é indispensável o conhecimento referente à legislação brasileira, começando pela Constituição Federal de 1988, depois o Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990 e, por fim, o Sinase de 2012. Dentre eles destacamos: 
· O correto uso da nomenclatura com relação à prática de ato infracional por adolescentes, não utilizando “menor infrator”, “delinquente”, “trombadinha”, e sim, adolescente em conflito com a lei ou adolescente autor de ato infracional. 
· O adolescente, em situação peculiar de desenvolvimento, não será acusado da prática de crime, e sim, da prática do ato infracional. 
· O adolescente, como todo cidadão brasileiro, tem o direito a defesa. Ao tratar-se especificamente do adolescente, desde a constatação do ato infracional pela autoridade competente, o adolescente deve ser apresentado à Vara da Infância e Juventude, para que o juiz, competente para julgar adolescentes, ou Ministério Público possa instaurar o devido processo legal. Até a sua responsabilização, ele tem direito à assistência jurídica gratuita e integral, que poderá ser realizada pela Defensoria Pública. 
· O cumprimento da medida socioeducativa não deve ser considerado um rótulo ou constar no histórico de informação a ser compartilhada, mantendo o direito ao sigilo. 
· O adolescente em cumprimento de medida socioeducativa deve contar com uma rede de apoio significativa, envolvendo profissionais da educação, da assistência social, saúde, direito, esporte e lazer, bem como toda a sociedade civil, para a superação da prática do ato infracional. 
Considerando essas informações, tanto a sociedade civil quanto os profissionais capacitados superam o senso comum e validam a garantia da proteção integral. Ter essa consciência possibilita que acontecimentos como o de 2016, quando uma adolescente de 15 anos ficou detida em uma cela com 30 homens no Pará, não passem despercebidos pela sociedade, fazendo valer as medidas necessárias para a responsabilização daqueles que em vez de proteger, violam o direito de adolescentes do nosso país. 
Outro ponto de destaque para estudos é referente à proposta da redução da maioridade penal. Em 19/08/1993 foi apresentada a Proposta de Emenda à Constituição – PEC 171/1993, a qual sugere alterar a redação do artigo 228 da Constituição Federal, considerando a imputabilidade penal para maiores de dezesseis anos e não mais de dezoito anos, como está previsto. Ao levar-se em consideração a importância das deliberações internacionais, a CF/1988, o ECA, o Estatuto da Juventude para a promoção e garantia de direitos às crianças e aos adolescentes, a PEC 171/1993, se aprovada, poderá trazer um retrocesso às conquistas para a proteção integral das crianças, adolescentes e jovens brasileiros.  
Assim, identifica-se a relevância dos investimentos governamentais para garantir e promover as políticas públicas de efetivação dos direitos das crianças, adolescentes e jovens, conforme apresenta o manifesto da Nações Unidas no Brasil 
É crucial que as leis e as políticas públicas nacionais estejam orientadas a fortalecer as trajetórias juvenis, oferecendo-lhes um ambiente favorável para construírem seus projetos de vida, para fazerem escolhas conscientes, bem como as condições necessárias para transitarem de forma segura e saudável da adolescência para a idade adulta. (ONUBR, 2015, p. 2) 
Não se pode desconsiderar a responsabilização do adolescente para com a prática do ato infracional, entretanto, é necessária uma leitura de mundo, com olhos para a política econômica voltada ao capitalismo, a cultura do consumo, a violência nas comunidades e o preconceito, situações que diariamente levam os adolescentes e jovens às situações de violência, marginalidade e criminalidade. Além de políticas públicas, faz-se necessária a coibição de situações que aproximem adolescentes e jovens da criminalidade, bem como a efetiva execução das medidas socioeducativas, com profissionais qualificados e valorizados, estrutura de atendimento adequada, acompanhamento contínuo da família, fortalecimento da rede de proteção, reconhecimento das habilidades e capacidades dos adolescentes. O tripé adolescente/família, sociedade e poder público trará resultados significativos para o rompimento do ato infracional e um novo percurso para o adolescente, como a continuidade dos estudos, a qualificação profissional, o fortalecimento de vínculos com a família e comunidade, o reconhecimento social e a plena prática da cidadania. 
Caro estudante, o estudo que trata da situação do adolescente em conflito com a lei abrange profundas reflexões acerca do direito integral do adolescente no Brasil. A análise do contexto social é fundamental para compreensão e investigação deste fenômeno que afeta diretamente adolescentes em situação de vulnerabilidade e risco social. Após a realização dos estudos apresentados nesta aula, convidamos você a ampliar os conhecimentos assistindo ao vídeo indicado. No vídeo serão destacadas mais algumas informações para contribuir com a reflexão a respeito das medidas socioeducativas previstas no ECA, entre elas a importância da elaboração do Plano Individual de Atendimento (PIA), a atuação da rede socioassistencial com relação às medidas socioeducativas e os desdobramentos da redução damaioridade penal.
Saiba mais
Adolescente é adolescente! A prática do ato infracional não pode definir quem é esse adolescente. Dessa forma, o conhecimento das medidas socioeducativas é fundamental para a garantia dos direitos e oportunidade para que o adolescente seja responsabilizado pelo ato e tenha oportunidade da mudança. Para tanto, tratando-se do conhecimento mais apurado da legislação e dos dados referentes às medidas socioeducativas, indicamos o estudo de alguns documentos: 
Relatório da pesquisa nacional das medidas socioeducativas em meio aberto.  
Todo relatório merece destaque por trazer os dados regionalizados. 
 Anuário brasileiro da segurança pública 2022.  
Indicação de leitura a partir da página 438, referente ao sistema socioeducativo com apresentação do tema “A queda das internações de adolescentes a quem se atribui ato infracional”. 
 Normas e Princípios das Nações Unidas sobre Prevenção ao Crime e Justiça Criminal.  
Atenção ao Capítulo II que trata da justiça da criança e do adolescente
Unidade 4 / Aula 4Conselho Tutelar: estrutura, funcionamento e competência
Introdução
Caro estudante, a garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes teve seu marco histórico com a promulgação da Constituição Federal de 1988, em seguida, com a publicação do Estatuto da Criança e do Adolescente. Em ambas as legislações destaca-se o dever da sociedade em assegurar a efetivação dos direitos. Assim, na presente aula da disciplina Direito, Proteção e Inclusão Social, vamos estudar a implementação dos Conselhos de Direito e do Conselho Tutelar como órgãos de defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes, que têm como membros integrantes da sociedade em geral. Convidamos você a mais um momento de reflexão a respeito da garantia dos direitos das crianças e adolescentes. Bons estudos! 
Os órgãos de defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) trouxe em sua promulgação o reconhecimento da criança e do adolescente como sujeitos em desenvolvimento e o direito à proteção integral garantidos em força de lei, sob nº 8.069/1990. Em sua estrutura, os 267 artigos estão divididos em duas partes, chamadas livros. O Livro I trata da proteção dos direitos fundamentais da pessoa em desenvolvimento, e o Livro II apresenta os órgãos de defesa, destacando as linhas de atuação da política de atendimento para a criança e o adolescente. 
Para a execução dos órgãos de defesa, a política de atendimento para a criança e o adolescente foi elaborada sob a perspectiva da descentralização, repassando aos municípios parte das incumbências pelas políticas de proteção. O objetivo, neste formato, foi aproximar e ampliar a participação da sociedade civil nas ações de acompanhamento e monitoramento das políticas de proteção, sem retirar as responsabilidades por parte dos governos federal e estadual. 
Com a finalidade de garantir a execução da política de atendimento da criança e do adolescente, ficou definida a “criação de conselhos municipais, estaduais e nacional, órgãos deliberativos e controladores das ações em todos os níveis, assegurada a participação popular paritária por meio de organizações representativas” (BRASIL, 1990, [s. p.]). Os chamados Conselhos de Direitos passam a figurar como instância primordial para o acompanhamento e monitoramento das políticas públicas voltadas às crianças e aos adolescentes. Os conselhos, conforme as instâncias nacional, estadual e municipal, receberam a seguinte nomeação: 
1. Conselho Nacional dos Direitos das Crianças e dos 
2. Adolescentes (CONANDA):  criado pela Lei nº 8.242/1991, tem por objetivo elaborar execução da política nacional de atendimento dos direitos das crianças e dos adolescentes e zelar por ela, bem como dar apoio aos Conselhos Estaduais e Municipais.  
3. Conselho Estadual dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes (CEDCA): de responsabilidade de criação de cada estado da União, tem por finalidade fiscalizar as ações de implementação da política em âmbito estadual. 
4. Conselho Municipal dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes (CMDCA): de responsabilidade de criação de cada município da União, tem como responsabilidade deliberar e controlar, em todos os níveis, a política de atendimento no município. 
A composição dos Conselhos de Direitos deve conter representantes governamentais e não governamentais, de forma paritária, seguindo o regimento preestabelecido, fazendo-se valer a promoção, a fiscalização e a deliberação das políticas públicas com a participação da sociedade civil e do Estado, compreendendo que ambos são corresponsáveis. Outro ponto de destaque é a responsabilidade que os representantes dos Conselhos de Direito têm de assegurar o correto uso das doações destinadas aos Fundos dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes, advindas da dedução do imposto de renda. Os Fundos têm como objetivo financiar projetos que atuem na garantia da promoção, proteção e defesa dos direitos da criança e do adolescente.  
Outra inovação apresentada no ECA foi a criação do Conselho Tutelar, órgão de defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes, conduzido pela sociedade, conforme disposto no artigo 131 “O Conselho Tutelar é órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente, definidos nesta Lei” (BRASIL, 1990, [s. p.]). O artigo destaca que é permanente por ser contínuo, não depende do governante eleito; é autônomo por não depender de uma hierarquia; e é não jurisdicional por ter o papel de fiscalizar o cumprimento dos direitos e não do julgamento e devidas sanções.  
São atribuições do Conselho Tutelar:  
· Atender a crianças e adolescentes quanto à ameaça ou violação dos direitos, aplicando as medidas previstas.  
· Atender e orientar os pais e responsáveis, empregando as medidas previstas.  
· Requisitar a execução de ações dos serviços públicos em prol das crianças e dos adolescentes.  
· Informar às autoridades competentes atos de infração administrativa.  
· Promover campanhas para destinação de recursos ao Fundo e campanhas de proteção e defesa da criança e do adolescente.  
A escolha dos conselheiros se dará por lei municipal, sob atribuição do CMDCA e a fiscalização do Ministério Público. 
A legitimação do Conselho de Direitos e do Conselho Tutelar é primordial para o acompanhamento e monitoramento das políticas públicas de proteção e defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes. 
A luta pelos direitos das crianças e dos adolescentes: quem defende essa causa?
A criação dos Conselhos de Direito e do Conselho Tutelar buscou aproximar a sociedade para atuação legítima na fiscalização dos mecanismos de proteção e defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes, não deixando essa função apenas no âmbito governamental. Está descrito no ECA que “é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos…” (BRASIL, 1990, [s. p.]). Por causa de ações arbitrárias ocorridas antes da Constituição Federal de 1988 – entre elas as que não consideravam crianças e adolescentes sujeitos de direitos, as que os puniam com as mesmas sanções que tinham os adultos, e as que não respeitam o processo de desenvolvimento – ocorreram movimentos populares, e a sociedade civil e entidades sociais  começaram a lutar pela constituição dos conselhos com a participação de representantes destes segmentos. 
Desde a promulgação do ECA em 1990, a sociedade civil passou a ter espaço garantido na promoção, acompanhamento e controle das ações que visam assegurar os direitos das crianças e dos adolescentes. Entretanto, para evitar o mal uso dos conselhos, foram incluídos no ECA os critérios para essa participação, impedindo o uso político-partidário, religioso e privado. Para os Conselhos de Direito ficou estabelecido a seus membros, sejam de qual instância for (Federal, Estadual ou Municipal), que a função de conselheiro é considerada de interesse públicorelevante e não será remunerada (BRASIL, 1990). Com relação ao Conselho Tutelar, os membros são escolhidos por meio de processo eleitoral, exigindo-se dos candidatos idoneidade moral, idade superior a vinte e um anos e que residam no município (BRASIL, 1990). Será estabelecido por legislação municipal ou distrital o processo de eleição, bem como a remuneração dos respectivos integrantes. 
Mediante a relevância de ambas as participações, seja no Conselho de Direito ou no Conselho Tutelar, a representação não pode ser por estrelismo, vaidade ou indicação política. Assumir o papel de conselheiro é assumir o compromisso público para zelar pelos direitos das crianças e dos adolescentes, defendendo-os e garantindo-os. Tal atribuição traz, para quem decidiu ocupar uma cadeira como conselheiro, a necessidade de uma consciência da atuação ética, uma posição apartidária, a compreensão do Estado laico e a transparência na destinação dos recursos públicos. 
Em específico para a cadeira de Conselheiro Tutelar, tendo como uma das atribuições a aplicação das medidas de proteção, é fundamental o conhecimento da legislação brasileira, as diretrizes das políticas de educação, saúde e assistência social, e os trâmites que envolvem a Justiça da Infância e Juventude. O não conhecimento destes itens não caracteriza a impossibilidade da candidatura ao Conselho Tutelar, todavia, “a escolha de pessoas que não têm proximidade com o Estatuto nem com a luta pela garantia de direitos tem gerado, muitas vezes, práticas dissonantes dos pressupostos do ECA” (LEAL; MATOS; SALES, 2010, p. 250). 
Por serem órgãos de defesa, formulação e controle do que está constitucionalmente estabelecido, é indispensável o envolvimento de toda sociedade, sendo papel do poder público incentivar a participação social e o compromisso da população em ocupar esses espaços. A luta pela garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes não pode ser de responsabilidade individual, mas sim, coletiva.  
Participação nos Conselhos
A implementação das leis faz parte da convivência em sociedade que utiliza a legislação para garantir os direitos e deveres de todo cidadão. A Constituição Brasileira de 1988, em seu artigo 5, destaca que todos somos iguais perante a lei, incluindo no inciso II que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (BRASIL, 1988, [s. p.]). Com a promulgação das leis também são indicadas as autoridades competentes para legislar sobre a transgressão da lei, fazendo valer as devidas sanções. Além do sistema judiciário, no caso da garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes, o ECA incluiu formalmente os indivíduos da sociedade em geral como integrantes essenciais nos órgãos de defesa instituídos por essa legislação. 
É parte das ações dos municípios, em sua maioria, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, a criação e jurisprudência do Conselho Municipal dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes (CMDCA) e do Conselho Tutelar (CT). Dessa forma, é importante que você, como cidadão, também conheça os espaços de atuação e de execução da política de proteção à criança e ao adolescente. Para isso, o primeiro passo é acessar o site da prefeitura do seu município e buscar pela Secretaria Municipal de Assistência Social. Como essa não é uma nomenclatura padrão, cada município tem uma identificação para a secretaria, mas a base é a indicação de assistência social. Assim que conseguir o acesso, o próximo passo é pesquisar a estrutura da secretaria, quem é a chefia, se apresenta as ações desenvolvidas via poder público ou em parceria com a sociedade civil e se no município estão constituídos os conselhos CMDCA e CT. Atenção: caso via site você não tenha acesso a essas informações, como todo cidadão, você tem direito a elas. Uma segunda opção é visitar a prefeitura para obtê-las. 
Com relação à estrutura do CMDCA, o decreto municipal deve constar o período de atuação, os titulares e os suplentes representantes do poder público, e os titulares e suplentes da sociedade civil. Outra informação importante é o decreto que estabelece o funcionamento, o regimento interno e a organização das ações. Dada a importância deste órgão de defesa, cada cidadão tem o direito de acompanhar os trabalhos realizados. Por exemplo, é tarefa dos conselheiros do CMDCA a autorização do funcionamento das entidades de atendimento que executam programas de proteção e socioeducativos a crianças e adolescentes. Essa autorização, chamada de registro no CMDCA, deve levar em conta instalações físicas adequadas e apresentação do plano de trabalho de acordo com as diretrizes de atendimento ao público, além de estar regularmente constituída, de contar com pessoas idôneas e de seguir as resoluções e deliberações estabelecidas pelo CMDCA. 
No caso do Conselho Tutelar, a legislação determina que deve haver, em cada município, no mínimo, um Conselho Tutelar como órgão integrante da administração pública local, composto de cinco membros, escolhidos pela população local para mandato de quatro anos (BRASIL, 1990). O processo de eleição dos conselheiros tutelares é de responsabilidade do CMDCA, e a data da eleição é a mesma para todo o território nacional. É de deliberação do município a definição do horário de funcionamento do CT, bem como da remuneração dos conselheiros tutelares. Diante das atribuições do Conselho Tutelar, entre elas a aplicação das medidas protetivas, é importante observar que a atuação de um conselheiro deve se pautar pela defesa da universalização dos direitos garantidos pelo ECA, não focando somente a cobrança dos deveres dos pais, responsáveis e das próprias crianças e adolescentes. O Conselho Tutelar não pode ser uma referência punitiva, mas sim, de garantia dos direitos. 
O fortalecimento dos conselhos de direito e do Conselho Tutelar é uma ação estratégica para a efetivação do ECA. 
Caro estudante, a garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes está assegurada em legislação. Conhecer o Estatuto da Criança e do Adolescente é essencial para todo cidadão e para os profissionais que atuam com esse público. Para aqueles que tenham o interesse em atuar nos órgãos de defesa, é requisito prioritário o estudo e pesquisa do ECA, ampliando os conhecimentos referentes à defesa dos direitos. Após a realização dos estudos apresentados nesta aula, convidamos você a assistir o vídeo que destaca o trabalho realizado no CMDCA e no Conselho Tutelar, com as normativas da atuação dos conselheiros e o papel desafiador diante das medidas de proteção em relação ao contexto social de vulnerabilidade e risco social. 
Saiba mais
O estudo e conhecimento do Estatuto da Criança e do Adolescente é fundamental para a promoção, defesa ou denúncia de ameaças ou violações dos direitos, principalmente para aqueles que pretendem atuar nos órgãos de defesa. 
Você pode começar acessando o site do Governo Federal para o conhecimento na íntegra da Lei nº 8.069, Estatuto da Criança e do Adolescente.  
Também indicamos o gibi A Turma da Mônica em: O Estatuto da Criança e do Adolescente. De forma lúdica, ilustrativa e linguagem especial, o Instituto Maurício de Souza editou o gibi para ampliar a divulgação do ECA. O material está em versão virtual.  
 Outro recurso para o estudo para o esclarecimento de cada artigo do ECA é o livro Comentários ao Estatuto da Criança e do Adolescente, do autor José de F. Tavares. 
Unidade 4 / Aula 5Revisão da unidade
Compreendendo o Estatuto da Criança e do Adolescente
O processo histórico do reconhecimento da criança e do adolescente como sujeitos de direitos passou por muitas lutas e mobilizações de diversos segmentos da sociedade. Estudiosos, pesquisadores, políticos, profissionais, homens e mulheres dedicaram energia e conhecimento para que toda negligência, violência e abuso contra crianças e adolescentes fossem definitivamente interrompidos. É notável, ao realizar o estudo da legislação brasileira, o quanto a Constituição Federal de 1988 realmente reconheceu as crianças e os adolescentescomo sujeitos de direitos. A promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente em 1990 fortalece a garantia dos direitos, assegurando por meio de uma legislação específica os direitos fundamentais, a política de atendimento e as medidas protetivas para as crianças e os adolescentes. Vale destacar a mobilização internacional que por meio da Organização das Nações Unidas, em 1989, estabelece a Convenção sobre os Direitos da Criança. Esse conjunto de documentos – CF/1988, Convenção/1989 e ECA/1990 – é base para proteção, promoção e defesa das crianças e dos adolescentes. 
Em específico no Brasil, a partir do ECA foram estabelecidas as medidas de proteção a serem aplicadas sempre que houver ameaça ou violação dos direitos estabelecidos às crianças e aos adolescentes. As medidas de proteção são uma conquista diante da importância de assegurar total atenção para o “desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade” (BRASIL, 1990, [s. p.]) das crianças e dos adolescentes. Para tanto, foi estabelecido o Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente que constitui-se na atuação em conjunto dos órgãos governamentais e da sociedade civil na execução das medidas para promoção, defesa e controle dos direitos das crianças e dos adolescentes. 
Como base para o acompanhamento e monitoramento das políticas públicas voltadas às crianças e os adolescentes, ficou pactuada a criação dos Conselhos de Direitos, mecanismo com participação do poder público e sociedade em geral, com vistas para a efetivação de ações que promovam, protejam e garantam o desenvolvimento integral das crianças e dos adolescentes. Para zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente, ficou definida a implementação do Conselho Tutelar, órgão permanente e autônomo, não jurisdicional (BRASIL, 1990), composto por pessoas com idoneidade moral, eleitos da sociedade em geral por processo de responsabilidade do Conselho Municipal dos Direitos Humanos, sendo a função de conselheiro constituir serviço público relevante. 
Além das medidas de proteção, também foram validadas no ECA as medidas socioeducativas com o objetivo de ressignificar a prática do ato infracional cometido por adolescentes. A utilização de um processo educativo para o trabalho com o adolescente em conflito com a lei demarcou a importância de responsabilizar em vez de punir, utilizando as medidas socioeducativas como processo de revisão da prática infracional, buscando novas oportunidades com a família, a comunidade e a rede socioassistencial. 
Conforme destacado no artigo 7 do ECA, “A criança e o adolescente têm direito a proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência” (BRASIL, 1990, [s. p.]), a garantia dos direitos fundamentais é responsabilidade de todos; família, comunidade, poder público e sociedade em geral, que em conjunto com o Sistema de Garantia de Direitos assumem o compromisso da defesa de quaisquer ameaça e violação dos direitos constituídos em legislação. 
Prezado estudante, revisite o conteúdo desta unidade para potencializar o conhecimento adquirido. Nele, você terá acesso a um resumo do estudo da legislação nacional e internacional dos direitos das crianças e dos adolescentes. Serão revisitados os pontos principais discutidos nesta unidade, entre eles, política de atendimento, medidas protetivas, ato infracional, conselho de direito e conselho tutelar. O conhecimento ampliado destes pontos é fundamental para atuação como cidadão e profissional da área da criança e do adolescente
Estudo de caso
Para contextualizar sua aprendizagem, imagine que você trabalhe na coordenação de uma Organização da Sociedade Civil – OSC que desenvolve o Programa Jovem Aprendiz, conforme Lei nº 10.097/2000, que possibilita às empresas a contratação, na modalidade de aprendiz, de adolescentes e jovens entre 14 e 24 anos, de forma especial, por tempo determinado, inscritos em programa de aprendizagem para a formação técnico-profissional metódica, compatível com o seu desenvolvimento físico, moral e psicológico. A OSC segue todos os procedimentos da Política Nacional da Assistência Social, com registro atualizado no CMDCA do município de atuação. Para o desenvolvimento do Programa Jovem Aprendiz, você conta com uma equipe composta por um assistente social, uma pedagoga e um monitor. O Programa Jovem Aprendiz da OSC conta com 25 adolescentes, entre meninos e meninas, advindos de projetos sociais, em sua maioria de famílias em situação de vulnerabilidade e risco social. Todos os adolescentes cursam o ensino regular, critério para acesso ao programa. 
Conhecendo esse contexto social, imagine que ocorra a seguinte situação: 
A empresa XPTO, parceira da OSC há três anos, conta com quatro aprendizes que trabalham em sistema de rodízio nos departamentos administrativo, jurídico, almoxarifado e recepção. A responsável da área administrativa, que supervisiona e orienta os aprendizes durante o desenvolvimento das atividades práticas na empresa, realiza um contato telefônico com a pedagoga da OSC para informar a suspeita do furto de um celular corporativo realizado por um dos aprendizes. A situação ocorreu na recepção, local onde estava armazenado o equipamento. A recepcionista, ao dar falta do equipamento, acionou o departamento administrativo, comunicando que naquele dia dois aprendizes haviam ficado na recepção para cobrir o horário de almoço da funcionária, e que considerava os dois muito suspeitos, com características de “menor infrator”. Como os aprendizes já haviam encerrado o horário de aprendizagem profissional na empresa, a responsável do departamento administrativo acessou as filmagens da câmera de segurança e constatou o furto do objeto por um dos aprendizes. Imediatamente acionou a OSC para as devidas providências, alertando acerca da possibilidade da denúncia do furto às autoridades competentes, caso não fosse resolvida a situação com o adolescente, seus responsáveis e integrantes da OSC. Diante da situação, o assistente social entra em contato com os responsáveis e o aprendiz, agendando um atendimento presencial no dia seguinte. Descreva qual estratégia você utilizaria para resolver a situação. 
 ________
Reflita 
Mediante a situação apresentada, reflita: 
· Qual deve ser a atitude da equipe, assistente social e pedagoga diante da situação ocorrida? Qual procedimento a ser adotado? 
· Qual a atuação da coordenação da OSC com a empresa parceira, visto o fato ocorrido, a atitude da funcionária da recepção e a situação para com os demais aprendizes da empresa? 
· Como tratar deste assunto com os demais aprendizes da OSC, em conjunto com as famílias e o apoio da rede de proteção? 
A partir do Estudo de Caso apresentado, é fundamental que seja levado em consideração o contexto social dos sujeitos envolvidos, bem como o estudo da realidade para que a resolução da situação-problema esteja na perspectiva da reflexão e não apenas da punição. Também é importante o estudo para a aquisição de experiência diante das situações-problema que possam ocorrer durante sua atuação. Assim, é possível obter recursos capazes de contribuir para a elaboração de estratégias voltadas a resolução de conflitos que envolvam crianças e adolescentes. É importante que você esteja sempre atento ao seu posicionamento ético, à superação do senso comum e à prática educativa voltada para a conscientização. Conforme os estudos realizados nesta unidade, o Estatuto da Criança e do Adolescente, como legislação, assegurou a todas as crianças e adolescentes do país o direito ao desenvolvimento integral, bem como os mecanismos para a defesa de qualquer ameaça ou violação dos direitos. De acordo com o ECA, “é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos” (BRASIL, 1990, [s. p.]). Com base nas legislações nacionais e internacionais em defesadas crianças e dos adolescentes, veja algumas estratégias para a solução do problema apresentado: 
· É necessário que a equipe, com o apoio da coordenação, tenha o conhecimento do ECA referente à prática do ato infracional cometido por adolescentes. No caso apresentado, deve-se no atendimento com os responsáveis e o aprendiz elucidar os fatos, buscando que o aprendiz, no caso adolescente sujeito de direito e pessoa em desenvolvimento, possa manifestar-se para que a equipe desenvolva a reflexão a respeito da responsabilidade do fato ocorrido. 
· A partir do posicionamento do adolescente, estabelecer com os responsáveis os encaminhamentos para a resolução da situação. Caso o aprendiz reconheça e assuma o fato ocorrido, alinhar em conjunto com a representante da empresa a devolução do equipamento e possível ação de uma justiça restaurativa. Caso o aprendiz não assuma o fato ocorrido, informar a família acerca do possível encaminhamento para as autoridades competentes, no caso, o Conselho Tutelar. Mediante a gravidade do fato, é necessário comunicar o responsável e o adolescente a respeito do possível encerramento do contrato antecipadamente, conforme previsto no artigo 433 da Lei nº 10.097/2000. 
· Promover um encontro com todos os responsáveis e todos os aprendizes para falar do ECA, especialmente a respeito da política de atendimento, das medidas de proteção e das medidas socioeducativas. Convidar um representante do Conselho Tutelar para participar e contribuir com a reflexão. 
· Realizar uma reunião com os representantes da empresa XPTO para apresentar os encaminhamentos em relação ao fato ocorrido, apresentando as ações efetivadas com o aprendiz e o responsável, à luz da garantia dos direitos e deveres, fortalecendo a parceria. Se possível, oferecer um encontro com todos os funcionários para apresentar o trabalho do Programa Jovem Aprendiz com a promoção dos adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade e risco social. 
A partir do conhecimento da legislação referente à criança e ao adolescente, essas são algumas das estratégias para a resolução do problema apresentado. 
Resumo visual

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