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Geovana Sanches, TTXIV GERENCIAMENTO DAS VIAS AÉREAS ANATOMIA DA VIA AÉREA O acesso a via aérea é uma exclusividade médica. Para acessarmos a via aérea do paciente é essencial que conheçamos as estruturas pelas quais iremos passar, tais quais a língua e as amígdalas, até chegarmos à traqueia. O problema é que a configuração da via aérea varia entre os indivíduos e é mutável por diversos fatores. Assim, algumas vias aéreas tornam-se de difícil acesso. O alvo da laringoscopia é identificar a valécula, estrutura entre a parte posterior da língua e anterior à epiglote. A partir disso, identificaremos a epiglote, as cordas vocais, as aritenoides e o esôfago, entrando com o tubo na região entre as cordas vocais. A epiglote não deve ser pinçada, pois sua face posterior é inervada pelo n. vago – caso haja pinçamento, isso pode desencadear um reflexo vasovagal no paciente. A exceção a isso está nos recém-nascidos, os quais apresentam uma epiglote muito grande e o sistema nervoso autônomo imaturo. Paciente em apneia Quando o paciente está em apneia (figura B), há um relaxamento generalizado do organismo e perda da contração diafragmática. Com isso, a língua cai sobre a via aérea, tornando-a impérvia. FISIOLOGIA RESPIRATÓRIA Os pulmões têm como função promover as trocas gasosas. Para tal, conta com uma fração inspirada de oxigênio de 21% no ar ambiente. Volumes e Capacidades pulmonares • Volume corrente: volume que é inspirado e expirado durante a respiração normal o 500 mL ou 7 mL/kg Geovana Sanches, TTXIV • Volume de reserva inspiratório: volume máximo de ar que pode ser inspirado após uma inspiração espontânea (profunda) – é um volume de ar extra, inspirado além do volume corrente normal o 3.000 mL ou 43 mL/kg • Volume de reserva expiratório: máximo de volume extra de ar que pode ser expirado em uma expiração forçada, após a expiração espontânea o 1.100 mL ou 15 mL/kg • Volume residual: volume de ar que permanece nos pulmões após uma expiração forçada máxima o 1.200 mL ou 15 mL/kg o É muito importante, pois essa reserva de oxigênio será responsável por manter a saturação do paciente em momentos de apneia • Capacidade pulmonar total: volume máximo de ar que “cabe” nos pulmões, para máxima expansão, com o maior esforço. É a quantidade total de ar presente nos pulmões a cada inspiração máxima o Consiste na soma dos 4 volumes pulmonares • Capacidade residual funcional: quantidade de ar que permanece nos pulmões ao final da expiração normal o Corresponde à soma do volume residual com o volume de reserva expiratório • Capacidade inspiratória: volume total de ar que pode ser inspirado a partir da capacidade residual funcional o Refere-se a soma do volume corrente ao volume de reserva inspiratório • Capacidade vital: quantidade total de ar que pode ser mobilizado entre a inspiração máxima e a expiração máxima o Calculado a partir da soma entre o volume de reserva inspiratória, volume de reserva expiratório e volume corrente Curva de dissociação da Hemoglobina Desvios na curva de dissociação da Hb são deletérios para o paciente, seja para a direita, seja para a esquerda. Isso pois, deve-se manter uma adequada pressão parcial de oxigênio no sangue, visando manter a saturação acima de 90%. Para que essa saturação de 90% seja mantida, necessitamos de uma PaO2 de 60mmHg. Em valores inferiores a esse, teremos um quadro de hipoxemia. Quando a distribuição do oxigênio pelo organismo não é suficiente, as células entram em sofrimento e liberam produtos e subprodutos inadequados, especialmente o ácido lático. Esses produtos cursam com acidose metabólica, desencadeando um quadro de inflamação local e aguda, podendo evoluir para inflamação generalizada, SIRS e sepse. Nesses casos, é essencial conduzir o oxigênio para o local adequado com o auxílio de dispositivos, tais quais a máscara facial, máscara Geovana Sanches, TTXIV laríngea, tubo laríngeo, tubo orotraqueal, entre outros. Nunca podemos deixar que falte oxigênio para o paciente. Tempo de dessaturação Quando o paciente chega em apneia, temos um certo tempo para voltar a ventilação antes que haja lesão maior. Esse tempo depende das características do indivíduo, as quais são determinantes para as Zonas de West. • Adulto padrão (70kg): 10 minutos • Crianças: 6 a 7 minutos o Apresentam metabolismo acelerado, necessitando de maior quantidade de oxigênio • Obesos: 4 minutos o Apresentam capacidade pulmonar total reduzida, volume de oclusão alto e PIP alta, gerando atelectasia Atelectasia pulmonar Os pacientes que serão intubados possuem diversos fatores que cefalizam o diafragma, levando a uma atelectasia pulmonar. Quanto maior for essa atelectasia, menor o tempo para intubação. Por isso, no processo da indução anestésica, caso a hemodinâmica permita, o paciente deve estar em proclive (inclinação para frente). AVALIAÇÃO DA VIA AÉREA Anamnese • Ronco ou apneia do sono o Pode ocorrer por edema de via aérea, obesidade, macroglossia, entre outros. Nesses casos, a expiração não é adequada, há aumento de CO2, hipóxia e, por fim, o ronco o Caso o paciente apresente-os, devemos ter maior atenção, pois indica uma via aérea mais difícil • Dispneia ou fadiga o A fadiga pode indicar que o paciente não tem expiração adequada e reabsorve CO2, cursando com acidose respiratória, edema cerebral e contração do diafragma. Com isso, o indivíduo não entra em sono REM • Trauma na região do pescoço o Edema e sangramento atrapalham a visão com o laringoscópio o Deve-se questionar também a presença de neoplasias na região • Cirurgia e radioterapia prévia • Relato de dificuldade de intubação o É muito importante questionar se o paciente tem um histórico de via aérea difícil • Crianças o Possuem a via aérea mais difícil devido a traqueia em cone e desproporção entre a língua (maior) e o restante das estruturas Exame físico • Distância inter-incisivos > 3 cm o Entrada de 3 dedos na boca • Distância tireo-mento > 5 cm Geovana Sanches, TTXIV o Distância de três dedos • Protrusão voluntária da mandíbula o Paciente diabético de longa data apresenta artrose e, em geral, não consegue fazer a protrusão mandibular • Movimento de flexão (35º) e extensão (80º) do pescoço • Complacência do espaço submandibular (permite depressão digital) • Comprimento dos dentes incisivos superiores • Conformação do palato o A via aérea da criança é naturalmente mais difícil; quando há fenda palatina ela se torna ainda pior • Comprimento e largura do pescoço o > 45 cm é um preditor de risco independente de via aérea difícil o Causas: obesidade, tumoração, síndromes • Presença de deformidades cervicais Classificação de Mallampati A classificação de Mallampati avalia a proporção da língua em relação à cavidade oral. Para avaliação correta, solicita-se que o paciente abra a boca enquanto realiza a protrusão da língua olhando para o horizonte, sem fonação. A partir disso, definimos as classes entre I e IV, sendo que três e quatro se correlacionam a vias aéreas difíceis. Geovana Sanches, TTXIV • Classe I: tonsila, úvula e palato mole totalmente visíveis • Classe II: palato duro e mole, parte superior das tonsilas visíveis; não é possível identificar a ponta da úvula • Classe III: visibilidade apenas do palato mole e da base da úvula • Classe IV: visualiza-se apenas o palato duro Além das classificações tradicionais, podemos dizer que o paciente apresenta um Mallampati 0 quando é possível visualizar a epiglote durante a abertura da boca. Sequência de exame físico rápido para urgência (regra do 3-3-2) Preditores de ventilação difícil • Obesidade • Dentição em mal estado geral ou ausente oDificulta a intubação e a ventilação o O laringoscópio pode encostar e machucar a mucosa, fazendo-a sangrar (prejudicará a visão) ou pode arrancar os dentes restantes • Macroglossia • Presença de barba o Pode necessitar de ventilação a 4 mãos, pois a vedação da máscara é prejudicada pela presença da barba o Em cirurgias eletivas, recomenda- se a retirada da barba Quando o paciente apresenta algum desses fatores, a via aérea já é considerada difícil, independente das demais características. ABERTURA DA VIA AÉREA Head Tilt-Chin Lift Consiste em posicionar os dedos de uma das mãos sob o mento do paciente, o qual será tracionado para cima e para frente, enquanto o polegar da mesma mão deprime o lábio inferior para abertura da cavidade oral. A outra não do examinador é posicionada na região frontal do paciente para fixação da cabeça. NÃO pode ser realizada em paciente com lesão cervical ou colar cervical. Jaw-Thrust Consiste na elevação da mandíbula. Com as duas mãos, o examinador posicionará os dedos médios e indicadores no ângulo da mandíbula, projetando-a para frente, enquanto os polegares deprimem o lábio para abertura da cavidade oral. Pode ser realizado em pacientes com suspeita ou confirmação de lesão cervical, assim como naqueles que estão com o colar. São necessários, entretanto, dois profissionais – um para realização da manobra e o outro para acessar a via aérea. Geovana Sanches, TTXIV POSICIONAMENTO É de extrema importância, de forma que até 95% das falhas de IOT ocorrem devido ao posicionamento inadequado. A via aérea possui três eixos (eixo oral, eixo faríngeo e eixo laríngeo) que não são congruentes. Para realização da IOT, eles devem ser alinhados. Passos para posicionamento adequado 1. Coxim suboccipital a. Alinha os eixos faríngeo e laríngeo b. O tamanho do coxin deve ser individualizado. A meta é alinhar o lobo da orelha com a linha do osso esterno, o que melhora muito a via aérea do paciente 2. Hiperextensão da cabeça a. Alinha o eixo oral com os demais Triângulo de Simoni O triângulo de Simoni é utilizado para pacientes obesos ou com a via aérea muito difícil. São posicionados coxins desde a cabeça até o tórax do paciente, visando retificar a via aérea. Crianças Em bebês ou crianças muito pequenas, o coxin é posicionado nos ombros e não embaixo da cabeça. ANTES DA INTUBAÇÃO 0. Preparar cenário (verificar materiais) 1. Posicionamento adequado a. Alinhamento da via aérea 2. Pré-oxigenação + Sedação a. Oferecimento de oxigênio a 100% para o paciente, garantindo alguns minutos extras para intubação 3. Intubação PREPARO DO CENÁRIO Antes de iniciar qualquer procedimento, o cenário deve ser preparado. Todos os materiais e medicamentos necessários devem ser checados, verificando se estão presentes e funcionando adequadamente. Geovana Sanches, TTXIV Manejo da cânula orotraqueal • Insuflar e desinflar o Cuff (se presente) o Importância do cuff: deve ser insuflado quando esta estiver em posição correta para garantir uma adequada oxigenação pulmonar (impede escape aéreo) e isolar o pulmão do conteúdo da orofaringe (impede broncoaspiração) o Em crianças, geralmente o cuff não é utilizado pois, a via aérea é muito pequena e ele pode causar isquemia • Escolha do tamanho correto da cânula o Tentar utilizar a maior cânula possível, tendo em vista que cânulas estreitas estão sujeitas à obstrução por secreção ou sangue o Mulheres: 7 e 7,5 o Homens: 8 e 8,5 o Gestantes: 6,5 e 7 (diminuímos 0,5 devido ao edema de via aérea) Lâminas • Checar o laringoscópio e escolher qual lâmina será utilizada • Macintosh o É a mais utilizada o Lâmina curva • Miller o Muito usada na pediatria, tendo em vista que a via aérea da criança é muito estreita e anteriorizada o Lâmina reta • Outras: Sikker, Wis-Foregger e Guedel PRÉ-OXIGENAÇÃO Recomendações para pré-oxigenação • Explicar todo o procedimento ao paciente • Evitar vazamento entre a máscara e a face do paciente • Respirar todo o volume corrente por 3 minutos ou 8 respirações profundas em 60 segundos, ambos com fluxo de oxigênio de 10 L/min, sendo igualmente efetivos para oxigenação • Em pacientes obesos, deve ser realizada em posição céfalo-aclive • Ventilação não invasiva com pressão positiva pode ser utilizada em paciente obeso mórbido ou em paciente hipoxêmicos • Pode ser recomendado o uso de pressão expiratória final positiva (PEEP) em pacientes obesos Dispositivos de oxigênio e ventilação Máscara de Hudson • Possui reservatório e é não reinalante • Necessário que o paciente possua drive respiratório, pois ele quem fará o movimento Máscara de Venturi • Permite dosagem da fração de oxigênio • Necessário que o paciente esteja consciente, pois os movimentos respiratórios dependem dele Geovana Sanches, TTXIV Bolsa-valva-máscara • Popularmente conhecido como ambu • Também é possível dosar a fração de oxigênio administrada • Utilizada para pacientes em apneia ou com nível de consciência baixo o Não deve ser realizado em pacientes ainda conscientes! Como ventilar? Os métodos de ventilação podem ser utilizados tanto para a pré-oxigenação, quanto para a ventilação manual do paciente em casos de emergência. C e E • C (face) e E (região cervical) • Atenção para não pressionar a carótida (risco de manobra vasovagal e, em idosos, de soltar algum trombo pré-existente) • Pode ser necessária ventilação a 4 mãos Manobra de Sellick • Ventilar um paciente com estômago cheio é perigoso, pois pode ocorrer regurgitação do conteúdo gástrico e bronco-aspiração • A manobra de Sellick consiste em aplicar pressão sobre a cartilagem cricóide, o que causa oclusão esofagiana proximal, diminuindo esse risco • Não é mais indicada Cânula de Guedel • Permite a elevação da língua, mantendo-a no local adequado e deixando a via aérea pérvia • Pode ser colocada em paciente sedado ou em apneia (não pode ser inserida em pacientes acordados) • Escolha do tamanho adequado: deve ir do lobo da orelha até a rima labial TIMELINE PARA INDUÇÃO E INTUBAÇÃO EM SEQUÊNCIA RÁPIDA 1. Paciente monitorizado 2. Início da pré-oxigenação a. Objetivo: fornecer oxigênio a 100% ao pulmão para termos um tempo maior até a dessaturação quando o paciente entrar em apneia b. Método: paciente em proclive, com máscara acoplada ao rosto e O2 a 100% com fluxo de pelo menos 10 L/min; solicitar que o paciente respire fundo c. Deve ser realizado por 4 a 7 minutos 3. Drogas a. Pré-tratamento b. Paralisia e indução 4. IOT Drogas para intubação orotraqueal As drogas utilizadas para IOT tem por objetivos a analgesia, hipnose, bloqueio neuromuscular e bloqueio autonômico. 1. Lidocaína 2% 1,5 mg/kg a. Diminui reatividade da via aérea 2. Fentanil 1,5 a 3 mcg/kg Geovana Sanches, TTXIV a. Analgésico 100x mais potente do que a morfina b. Deprime a respiração, mas paciente ainda possui movimentos respiratórios 3. Hipnótico a. Cetamina 1,5 a 2 mg/Kg (paciente instável) b. Propofol 2 mg/kg (paciente estável) c. Etomidato 4. Rocurônio 1,2 mg/kg a. Bloqueador neuromuscular b. Outra opção é a Succinilcolina Após 60 segundos da paralisia e indução, pode-se iniciar o processo de intubação. INTUBAÇÃO OROTRAQUEAL A intubação orotraqueal é um procedimento de exclusividade médica. Método 1. Paciente corretamente posicionado 2. Laringoscópio empunhado com a mão esquerda 3. Entrar com o laringoscópio à direita e empurrar a língua para a esquerda 4. Identificar a estruturas anatômicas; ao chegar à valécula, é possível levantá-la à medida que o laringoscópio é anteriorizado 5. Visualização da via aérea a. Classificação de Cormack Lehane 6. Inserção do tubo orotraqueal coma mão direita 7. Insuflar o Cuff 8. Ventilação Classificação de Cormack Lehane Trata-se de uma classificação laringoscópica que se relaciona com a classificação de Mallampati. • Classe I: toda a prega vocal e aritenoides são visíveis • Classe II: face posterior da epiglote e cartilagens aritenoides são visíveis. Nesse caso, é possível tentar otimizar a laringoscopia para melhor visualização • Classe III: apenas a epiglote é visível o Utilizar fio-guia ou fibroscópio • Classe IV: não é possível a visualização da epiglote o Usar fibroscópio ou máscara facial que nos de alternativas para chegar à via aérea Manobra de BURP A manobra de BURP (Backward, Upward, Righward Pressure) é utilizada quando a identificação das estruturas anatômicas necessárias está difícil. Faz-se uma pressão para trás, para cima e para direita a fim de tentar identificar a corda vocal. É necessário que um auxiliar faça a manobra para que o médico prossiga com a intubação. Geovana Sanches, TTXIV Posição da cânula Métodos para avaliar a posição • Capnografia / Detectores de CO2 o É o método mais recomendado • Auscultar a região epigástrica após insuflação aérea através do tubo o Se houver borborigmos, retirar imediatamente a cânula: risco de distensão gástrica, vômitos e broncoaspiração • Ausculta pulmonar o Iniciar pela base esquerda: se a ausculta pulmonar estiver abolida nessa região, o tubo deve ser tracionado um pouco para fora Riscos • Intubação esofágica o É comum e não consiste em um grande problema, desde que seja identificado e o procedimento refeito • Intubação seletiva o O tubo deve ficar localizado antes da carina, pois tende a ir para a direita, não ventilando o lado esquerdo o Caso não haja correção, o paciente evoluirá com hipóxia em alguns minutos o Nos casos em que temos certeza de que não houve intubação seletiva e a expansibilidade está assimétrica, devemos pensar em um possível pneumotórax ou presença de secreção nas vias Cuidados após IOT Insuflar do balonete (Cuff) • Pressão máxima: 20mmHg • Risco de isquemia da mucosa traqueal Fixar cânula • Risco de extubação acidental Riscos pós-intubação • Hipotensão • Bradicardia • Hipoxemia Radiografia de tórax • Não é obrigatório, mas no pronto-socorro é sempre importante para documentar o que foi realizado • Permite o diagnóstico de complicações o Ex.: pneumotórax • Checar posição do tubo o Deve estar 3 a 5 cm acima da carina Em resumo... • Fisiologia respiratória aplicada à IOT o Dessaturação rápida • Anatomia da via aérea o Alvo é a valécula o Anteriorização sempre • Avaliação da via aérea o Abertura oral, extensão e largura do pescoço • Posicionamento o Sniff position • Indução o Analgésico o Hipnótico o Bloqueador neuromuscular • Ventilação manual o Manobra do C e do E VIA AÉREA DIFÍCIL A via aérea difícil é definida como a condição clínica em que o anestesiologista treinado experiente tem dificuldade para ventilação com máscara facial, dificuldade de intubação orotraqueal, ou ambos. Geovana Sanches, TTXIV Máscara laríngea Através da máscara laríngea, o oxigênio é conectado com a via aérea de forma indireta, tendo em vista que ela se posiciona sobre a base da língua. Ela pode substituir o tubo traqueal, mas é uma via aérea temporária. Apresenta como vantagem a não necessidade de visualizarmos a via aérea. Todavia, pode ocorrer inadequação da ventilação por falta de acoplamento apropriado da prótese à via aérea do paciente com consequente desoxigenação, hiperinsuflação esofágica e possibilidade de regurgitação e aspiração de conteúdo gástrico. Indicações • Ventilação eletiva e de curta duração • Narcoanalgesia (manter narcose durante procedimentos e vias aéreas livres em pacientes excessivamente sedados) • Resgate de ventilação após falha da IOT • Reanimação cardiorrespiratória extra hospitalar • Via aérea difícil Contra-indicações • Absolutas o Abertura de boca < 3 cm o Obstruções completas de VA • Relativas o Aumento do risco de aspiração do conteúdo gástrico o Fatores cirúrgicos (laparotomia, cefalodeclive, cirurgias longas) Método Tamanho Há vários tamanhos de máscara, os quais serão escolhidos de acordo com o peso do paciente e a experiência do médico. Fastrach Existem diversos tipos de máscaras laríngeas, dentre as quais está a Fastrach – máscara laríngea que permite a passagem de um tubo em seu interior. Bougie O bougie é um fio guia com ponta flexível que permite o acesso à via aérea difícil. Glidescope O glidescope é um laringoscópio cuja ponta apresenta uma câmara. Geovana Sanches, TTXIV LMA CTrash e Airtraq Fibroscopia O fibroscopio passa dentro do tubo e, por via nasal ou oral, é possível identificar as estruturas necessárias. Intubação retrógrada É uma via aérea cirúrgica, na qual o tubo é inserido na via aérea e sobe para cavidade oral posteriormente. Cricotireoidostomia Utilizada apenas após tentativa falha de todos os demais dispositivos.