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HIIT BODY WORK A NOVA CALISTENIA ALEXANDRE F. MACHADO Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com Autor: Alexandre F. Machado, PhD. © Todos os direitos reservados à: VO2PRO Treinamento Ltda. Proibida reprodução total ou parcial desta obra, de qualquer forma ou meio eletrônico, mecânico, inclusive por meio de processos xero- gráficos, sem permissão expressa do autor (Lei no 9610/98). VO2PRO i Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com ALEXANDRE F. MACHADO HIIT BODY WORK A NOVA CALISTENIA 1º EDIÇÃO ISBN: 978-85-69284-08-6 SÃO PAULO VO2PRO 2019 ii Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com Alexandre F. Machado, pai do Matheus, Ana Clara e do Davi. Runaholic assumido, surfista de final de semana e praticante de jiu-jitsu e CrossFit. É Graduado em educação física (1995 - UFRRJ), pós graduado em fisiologia do exercício (2001 - UCB), Mestrado em ciência da motricidade humana (2005 - UCB) e doutor em educação física (2019 - USJT). É autor de 10 livros na área de Educação Física, entre eles HIIT - manual prático do treinamento (editora Phorte) e Cross Training (editora Ícone), além de diversos artigos em periódicos nacionais e internacionais. No Brasil atualmente é o pesquisador com maior número de pesquisas sobre o HIIT com peso do corpo. Palestrante no Brasil e na exterior. Foi docente do ensino superior de 2002 a 2011 (UNESA e UNIBAN), na cadeira de treinamento esportivo, coordenador do laboratório de pesquisa em fisiologia do exercício de 2005 a 2007 (LAFIEX - UNESA / Petrópolis). Atualmente é Líder da EdTech VO2PRO, uma empresa com foco no ensino à distância para profissionais de educação física, professor na Universidade Anhanguera em São José dos Campos - SP e coordenador do curso de pós g r a d u a ç ã o e m CROSS TRAINING do instituto Valorize. O AUTOR iii Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com Apresentação Curiosidades sobre o HIIT BODY WORK CAP 1: Por que HIIT BODY WORK ?..................10 CAP 2: A ciência.................................................15 CAP 3: Os exercícios..........................................23 CAP 4: A sessão.................................................44 CAP 5: Princípios do treinamento.......................56 Referências bibliográficas..................................64 SUMÁRIO iv Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com A elaboração de uma sessão de calistenia segue três princípios, que são: seleção, precisão e totalidade. Os princípios são fundamentais para sustentar os quatro pilares da calistenia, sendo eles: (1) a sessão deve ser de caráter inclusivo, (2) usar apenas o peso do corpo, (3) ter como objetivo saúde, condicionamento e ou estética e (4) a seleção dos exercícios para a elaboração de uma sessão deve obedecer uma regra metodológica. A partir dos princípios da calistenia e com o uso dos quatros pilares a sessão é construída em três momentos, sendo eles: (1º) introdutório que são os exercícios de aquecimento; (2º) fundamental que são os exercícios de extensão, flexão e laterais de tronco, equilíbrio, abdominais, corridas e saltos e os (3º) conclusivo, constituídos de exercícios de volta à calma. O HIIT BODY WORK usa os mesmo pilares que a calistenia mas, os princípios para prescrição da sessão de treino são diferentes, sendo eles: (1º) seleção de exercícios, os exercícios são classificados em simples e complexos, (2º) cargas de tempo, as caras de tempo são: tempo total da sessão, tempo de estímulo e tempo de recuperação devem ser diferenciadas para o perfis diferentes de praticantes, (3º) número de ciclos por exercício, para indivíduos com menor nível de condicionamento um número menor de ciclos por exercício. Mesmo com princípios diferentes o HIIT BODY WORK mantem os mesmo pilares da antiga calistenia, com uma abordagem diferenciada e mais atualizada do treinamento com peso do corpo, mas com os mesmo objetivos. E nesta obra você leitor entenderá todos os processos que levaram o HIIT BODY WORK a ser denominado como a nova calistenia. Boa Leitura e bons treinos Alexandre Machado APRESENTAÇÃO v Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com O primeiro curso de HIIT BODY WORK aconteceu na cidade de São Paulo (SP) em julho de 2015. Entre julho de 2015 a junho de 2019 foram mais de 3 mil profissionais e estudantes que participaram de cursos e palestras sobre HIIT BODY WORK no Brasil, Portugal e Colômbia. Foto: 1º turma de HIIT BODY WORK, curso de certificação da VO2PRO. Olha eu ai no canto (seta vermelha). A PRIMEIRA TURMA DE C E RT I F I C AÇ ÃO D O CURSO HIIT BODY WORK vi Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com Muito provavelmente, se não fosse um pé quebrado, eu não existiria o HIIT BODY WORK. No ano de 2012, eu quebrei o pé direito em num buraco, a lesão foi muito grave e após 1 ano eu ainda não conseguia correr nem 1 km, e isso me levou a buscar novas formas de exercícios físicos que eu pudesse praticar. Em 2013, conheci o Insanity Trainer, um treinamento intervalado de alta intensidade usando apenas o peso do corpo e que virou febre no mercado norte americano em função da promessa de entregar resultados de 1 ano de academia em apenas 8 semanas de prática. Procurando entender o porquê que da seleção dos movimentos, do tempo de execução e recuperação, percebi que haviam muitas respostas a serem respondidas para que pudesse usar o treinamento intervalado com peso corporal como uma sessão de treinamento segura e eficiente. Então aqui começa a minha história com o treinamento intervalado de alta intensidade usando apenas o peso do corpo ou, como é mais conhecido hoje, o HIIT BODY WORK. No ano de 2015, após uma gestação de aproximadamente 1 ano, entre entender os tipos de exercícios, as linhas de cargas e fazer as experimentações na prática surge o primeiro curso de HIIT BODY WORK do Brasil a certificação do VO2PRO, empresa que até então era específicas para os cursos voltados para a corrida de rua. Em 2016 inicio o Doutorado na Universidade São Judas Tadeu em São Paulo com objetivo de trazer a ciência para a prática do HIIT BODY WORK. Entre o início do curso de doutorado em 2016 até o final do curso em junho de 2019, foram 11 artigos publicados, sendo oito deles como primeiro autor, dois livros publicados, três estágios de doutorado em Universidades fora de São Paulo (UERJ e UFJF), sendo uma delas em Portugal (UTAD), uma palestra internacional e pelo menos 20 palestras no Brasil, tudo sobre o HIIT BODY WORK. Quem diria que um pé quebrado iria me levar tão longe. C O M O S U R G I U A PROPOSTA DO HIIT BODY WORK? vii Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com viii Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com O nome surgiu da necessidade de se ter um apelo comercial, onde fosse de fácil pronuncia e que fosse em inglês para que possamos internacionalizar a proposta de treinamento. Entre as opções que representavam bem a dinâmica do treinamento tínhamos: 1º - HIIT WHOLE BODY 2º - HIIT BODY WEIGHT 3º - HIIT BODY WORK Como a proposta surgiu aqui no Brasil, tinha que ser um nome de fácil pronuncia para nós brasileiros. Você vai concordar comigo que as palavras “BODY” e “WORK”, são bem conhecidas dos brasileiros e de fácil pronuncia e que combinou muito bem com “HIIT”. Ai fica fácil entender o porque escolhemos o nome HIIT Body Work. Então podemos definir o HIIT BODY WORK como um treino intervalado de alta intensidade que usa apenas o peso do corpo. O POR QUE DO NOME HIIT BODY WORK ? ix Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.comO uso do treinamento intervalado de alta intensidade para promover condicionamento não é um fato novo na ciência da atividade física, mas a forma com que ele vem sendo utilizado, com o peso do corpo, faz com que o reconheçamos como uma inovação de valor. Podemos entender como inovação de valor a capacidade de modificar processos com foco em um determinado objetivo e, com isso, gerar um CAPÍTULO 1 POR QUE HIIT BODY WORK ? Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com novo mercado para esse produto. No caso, o treinamento intervalado de alta intensidade com peso do corpo para uma rápida resposta sobre a estética corporal. Temos então a união da metodologia de treinamento intervalado de alta intensidade e de exercícios usando apenas o peso do corpo, chamado de calistenia. A calistenia Desde de muito tempo atrás, o exercício físico com peso corporal já era praticado com diferentes objetivos: na Grécia antiga, com objetivo de desenvolvimento da força e dos valores da sociedade da época; na Roma antiga era prat icado como preparação mil i tar (AZEVEDO, SANTOS, 2015). A palavra "Calistenia" tem origem nas palavras gregas Kallos, que significa beleza e Stehnos, que significa força. A calistenia começou a ser difundida na França do século XIX pelo suíço Phoktion Heinrich Clias. Em 1827, Marian Mason, que era discípula de Clias, publicou o livro: On the utility of exercise na Inglatera, que falava das vantanges do exercício calistênico (CLERK, CRENN, LISTELLO, 1964). Em 1829, Clias publicava o livro "Kallisthenie - Exercises for Beauty and Strength", a partir do qual a calistenia foi denominada como exercício físico de forma ritmada, usando apenas o do peso corpo e sem nenhum tipo de equipamento ou apoio (ALIJAS& TORRE, 2015). A publicação de Clias teve uma rápida disseminação pela Europa, sendo publicado em Inglês e Alemão um ano após seu lançamento. Com isso, inicia-se uma diferenciação entre os termos ginástica e calistenia, em que se entendia como Ginástica a prática de exercícios com ou sem aparelhos e a Calistenia, como a prática de exercícios somente com o peso corpora l , movimentos r i tmados e uma elaboração da sessão de treino obedecendo uma regra metodológica (MACHADO, 2018). Nos EUA, a difusora da calistenia foi a americana Catherine Beecher, com a publicação do livro "Physiology and Calisthenics for schools and families". A calistenia ganhou força nos EUA com o movimento "Saúde, Educação Fís ica e Recreação", que utilizou a prática de atividade física para promover a saúde na população da época. Basicamente, o movimento estimulava a prática da calistenia para toda a população, i ndependen te de sexo e /ou n í ve l de condicionamento. Além do treinamento físico proposto pelos exercícios calistenicos, o mov imento também t inha um foco de sociabilização, uma vez que todos participavam juntos (MACHADO, 2018). Porém, foi através da Associação Cristã de Moços (ACM) que a calistenia se difundiu pelo EUA, pois passou a ser encarada como um sistema de treinamento, praticada em clubes e associações. As aulas de calistenia eram elaboradas levando em consideração seis princípios (AMARAL, 1965), sendo eles: Seleção, precisão, totalidade, progressão, unidade e adaptação. • Princípio da seleção: utiliza os exercícios que mais se adaptam aos objetivos propostos. 11 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com • Princípio da precisão: os movimentos devem ser executados com a mecânica correta para evitar possíveis lesões. • Princípio da totalidade: os movimentos devem envolver grandes músculos nas sessões de treinamento. • Princípio da progressão: aumento do número de exercícios e da intensidade em função dos objetivos. • Princípio da unidade: os exercícios deveriam ser selecionados a partir de uma estratégia, para evitar sobrecarga. • Princípio da adaptação: os estímulos devem ser fortes para promoverem adaptação de forma individual nas sessões de calistenia. Os exercícios foram divididos em 8 grupos, organizados a partir da seleção de objetivos e considerando a prescrição das sessões de treino (ALIJAS, TORRE, 2015). Os grupos eram divididos em: (1) braços e pernas; (2) região posterior-superior do tronco; (3) região posterior-inferior do tronco; (4) região lateral do tronco; (5) equilíbrio; (6) região abdominal; (7) gerais do ombro e (8) saltos e corridas (AMARAL, 1965). A Calistenia proposta no século XIX, que eu vou chamar aqui de caistenia tradicional, tem quatro pilares básicos: usar apenas o peso do corpo; ser de caráter inclusivo; a seleção de exercícios tem que obedecer a uma regra; objetivo de saúde; condicionamento e estética. O HIIT body work Há relatos que o primeiro treinamento de HIIT foi em 1930 e era com base na frequência cardíaca, em que os praticantes corriam 400 ou 200 metros seguidos de um período de recuperação passiva (parados) de 30, 60 ou 90 segundos (DANTAS, 1998). Os exercícios com peso corporal passaram a ser realizados usando o HIIT e a proposta foi chamada de whole-body training (McRAE et al. 2012), Whole-body calisthenics (GIST et al. 2014; GIST et al. 2015) e HIIT body work (MACHADO, 2015), modalidade que teve seu boom no ano de 2012 nos EUA. Entretanto, somente em 2017, com a publicação de Machado e colabores: “High- intensity interval training using whole-body exercises: training recommendations and methodological overview”, que o treinamento intervalado de alta intensidade usando o peso do corpo passa a ser utilizado de forma sistematizada, com base em critérios claros para sua prescrição. Até o ano de 2017, as publicações de HIIT com peso do corpo observavam apenas respostas fisiológicas agudas e crônicas a partir de protocolos já existentes na literatura, mas que não foram propostos como aulas para os praticantes de atividade física do universo fitness. Machado et al (2017a), propõe um formato de aula estruturada e com cargas de tempo e seleção de exercícios bem descritas para serem aplicados em qualquer indivíduo, independente de idade, sexo e/ou nível de condicionamento. 12 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com Contudo, para que você possa entender o porquê da proposta do HIIT body work é necessário que passemos rapidamente pela história da ginástica de academia no Brasil. A primeira academia de ginástica no Brasil surgiu no Rio de Janeiro, na década de 1930 e a p l i c a v a a c a l i s t e n i a c o m o m e i o d e desenvolvimento do condicionamento físico. Na década de 1980, chega ao Brasil a ginástica aeróbica, que foi inspirada na antiga calistenia com a inclusão de alguns passos de dança, que rapidamente dominou o mundo e no Brasil não foi diferente. A partir da ginástica aeróbica, que também é conhecida como ginástica de alto impacto, surgem as outras modalidades de ginástica de academia como: ginástica localizada, step, jump, spinning, hidroginástica e, com os avanços tecnológicos e científicos, surgem posteriormente muitas outras modalidades. Avançando um pouco na linha do tempo e indo para 2012, na cidade de Los Angeles, nos EUA, Shaun T. que é ex atleta de futebol americano e personal trainer de algumas ce lebr idades , lança um programa de condicionamento chamado de Insanity training, que prometia resultados de 1 ano em apenas 8 semanas de treinamento. Foi uma febre nos EUA em 2013 e rapidamente chegou ao Brasil. O programa era vendido em CDs e os alunos faziam as aulas propostas seguindo as orientações. Não era diferente das aulas em VHS de ginástica da Jane Fonda, que eram vendidas em bancas de jornais aqui no Brasil na década de 1980. Estes são chamados de home fitness programs. As aulas propostas pelo programa Insanity training não seguem uma metodologia de seleção de exercícios e muito menos de prescriçãodas cargas de tempos, que são diferenciadas para diferentes perfis de praticantes, assim como outros programas de HIIT que existem no mercado diferente da proposta do HIIT body work. O HIIT body work tem dois pilares para a elaboração de sua sessão de treino. O 1º pilar é o tipo de exercício, que é divididos em dois tipos: simples e complexo. Os exercícios simples são aqueles que tem mesmo padrão de movimento durante toda sua execução, um exemplo é o Jump Jack; já o complexo, tem padrão de movimento alterado ou combinado durante a execução, como exemplo temos o Burpee (MACHADO et al, 2017a). As sessões podem ser elaboraras usando apenas os exercícios simples ou somente os complexos ou, ainda, um combinado com ambos os tipos de exercícios. A elaboração da sessão usando os exercícios complexos e simples pode ser de forma alternada, como por exemplo: um bloco de exercício simples seguido de um bloco de exercícios complexos; ou dois ou três blocos de exercícios simples seguidos de dois ou três blocos de exercícios complexos e vice versa. No HIIT body work são muitas as possibilidades e todas elas com respostas fisiológicas mapeadas, o que nos possibilita uma prescrição eficiente e segura da sessão. O 2º pilar são as cargas de tempo, que dividimos em tempo de estímulo (TE) e tempo de recuperação (TR). Para indivíduos iniciantes o TR deve ser maior que o TE; para indivíduos intermediários, o TR deve ser igual ao TE e para 13 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com os avançados o TR deve ser inferior ao TE (MACHADO et al. 2017b). Portanto, não basta sair fazendo qualquer exercício em alta intensidade, se faz necessário uma diretriz clara para a prescrição de forma segura e eficiente do treinamento de alta intensidade com peso corporal. Nesse ponto, o HIIT body work segue os mesmos princípios da calistenia tradicional e esse é o motivo do HIIT body work ser chamado de "a nova calistenia". 14 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com Ciência, do latim Scientia, que tem como significado “conhecimento”. Representa o conhecimento adquirido através de experimentos ou da aplicação prática baseada em evidências. As evidências científicas O Americam College of Sport Medicine (ACSM), sempre no final de cada ano lança as tendências do universo fitness para o próximo ano. O HIIT não aparecia na lista das 20 CAPÍTULO 2 A CIÊNCIA Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com principais tendências para 2013 e de forma assustadora em 2014 era o primeiro colocado da lista. Desde então vem se mantendo entre os três primeiros colocados na lista até 2018. O treinamento com peso do corpo, em 2013, estava na terceira posição e até a lista de tendências de 2017 se manteve entre as três primeiras posições. Na lista de 2018, caiu para quarta posição. Mesmo assim, fica clara a grande sinergia entre a metodologia HIIT e o uso do peso do corpo como ferramenta de treino. O HIIT ganhou destaque pelos rápidos re s u l t a d o s e s t é t i c o s , e m b o r a a l g u n s pesquisadores (GILLEN et al, 2016, KEATING et al. 2014) não tenham observado diferenças entre sua eficácia quando comparado aos exercícios com intensidade moderada. Existe um grande número de evidências científicas que observaram adaptações semelhantes e/ou superiores do HIIT, quando comparado ao treinamento convencional com baixa ou moderada intensidade, com um volume na sessão de treino superior ao proposto no HIIT (GIST et al. 2015; GIBALA, GILLEN, PERCIAVL, 2014; GIST, FREESE, CURETON, 2014; McRAE et al. 2012; GIBALA, LITTLE, 2010), para indicadores clínicos (GIBALA, LITTLE, 2010; G I B A L A , G I L L E N , P E R C I AV L , 2 0 1 4 ) , condicionamento físico (GIST et al. 2015; GIST, FREESE, CURETON, 2014; McRAE et al. 2012) e emagrecimento (GIBALA, GILLEN, PERCIAVL, 2014). O que fica claro nas pesquisas é sua efic iênc ia , quando comparado com o treinamento de intensidade moderada, para melhora do condicionamento físico (GIBALA et al. 2014; ROZENEK et al. 2016) e redução da gordura corporal usando apenas exercícios com o peso do corpo (McRAE et al. 2012; GIST et al. 2014; GIST et al. 2015; MACHADO et al. 2018) ou com uso de ferramentas como o kettlebell (MEIER et al 2015), uso da bicicleta em não atletas (ROZENEK et al. 2016) ou esteira (GIBALA, GILLEN, PERCIVAL, 2014). Embora a maior parte das pesquisas sobre HIIT sejam realizadas em bicicleta e esteira, o que se observa é que o HIIT mais aplicado nas academias, centros de treinamento ou em espaço abertos é o HIIT com o peso do corpo (MACHADO et al. 2018). Ainda são poucas as evidências científicas que investigam as estratégias para as sessões de HIIT com o peso do corpo. Embora as já existentes apontem para a necessidade de uma estrutura metodológica com base nas respostas fisiológicas, para a construção de sessões eficientes e seguras. O uso do HIIT no meio fitness ficou muito conhecido a partir do experimento de Tabata e seus colaboradores (TABATA et al., 1996). No experimento, os pesquisadores observaram que o protocolo proposto de 4 minutos, com 8 ciclos de 20 segundos de estímulo (170% iVO2 máximo) e 10 segundos de recuperação passiva foi mais eficiente quando comparado com atividades de intensidade moderada com duração superior a 30 minutos. O protocolo proposto por Tabata e seus colaboradores (TABATA et al., 1996) é realizado na bicicleta ergométrica, mas, em função de sua grande popularização, hoje é reproduzido em praticamente qualquer tipo de ergômetro, ferramentas como Kettlebell e também com o peso do corpo. O que leva a muitos 16 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com questionamentos sobre a reprodutibilidade do protocolo e aos seus resultados (VIANA et al., 2018). Em 2012, McRae e seus colaboradores (McRAE et al., 2012) adaptaram o protocolo proposto por Tabata (TABATA et al., 1996) para o uso com exercícios usando apenas o peso do corpo. Participaram do experimento 22 mulheres jovens, universitárias e com idade média de 20 anos. Foram utilizados quatro exercícios, sendo eles: Burpee, Jump jack, Mountain clibers e Squat trust. A frequência semanal foi de quatro vezes e a cada dia elas faziam somente um único exercício. Além disso, a carga de trabalho foi “all out” em todos os ciclos de todas as sessões. O experimento teve a duração de quatro semanas, totalizando 16 sessões. No final os pesquisadores observaram alterações significativas nas medidas de massa corporal e VO2 máximo. Sessões com 4 minutos de duração, gerando resultados iguais ou superiores ao treinamento com intensidade moderada com duração de 1 hora, têm sem dúvida um grande ape lo comerc ia l . Mas as adaptações continuarão a acontecer após as quatro semanas? Surge também uma segunda pergunta: qual foi o critério utilizado para a seleção dos exercícios? Em outro artigo, os autores Brett Klika e Chris Jordan, com base em suas experiências em treinamento para não atletas e a partir de uma revisão de literatura, propuseram em 2013 um treinamento em circuito usando apenas o peso do corpo em alta intensidade (KLICA, JORDAN, 2013). High-Intensity Circuit Training (HICT) foi o nome denominado para a proposta dos pesquisadores. Eles dividem os exercícios em quatro classificações, sendo elas: (1) exercícios que utilizam todo o corpo, (2) exercícios para membros inferiores (MMII), (3) exercícios para membros superiores (MMSS) e (4) exercícios para CORE. São 12 exercícios, sempre distribuídos na sequência corpo todo, MMII, MMSS e CORE. O tempo de estímulo é de 30 segundos e o tempo de recuperação de 10 segundos, podendo ser 15 segundos para indivíduos iniciantes. A proposta é que sejam feitos de 2 a 3 passagens. Segundo Klica eJordan (2013), o tempo de 30 segundos para o estímulo é o equivalente a execução de 15 a 20 repetições. Observa-se que os autores tiveram uma g rande p reocupação na o rgan i zação metodológica da estrutura da sessão de HICT, com recomendações claras sobre a ordem dos exercícios, número de exercícios na sessão e o tempo de execução. A proposta é muito clara e não deixa dúvidas quanto a forma de execução do HICT, porém não há evidências que comprovem a eficácia da proposta. Outro ponto importante é que para ser caraterizado com uma atividade de alta intensidade usando apenas o peso do corpo, os exercícios propostos devem permitir que a execução possa ser realizada com uma velocidade significativa para gerar um estresse metabólico, alguns exercícios propostos pelos a u t o re s d o H I C T n ã o p o s s i b i l i t a m o desenvolvimento da velocidade, sendo eles: Wall sit, plank, push-up and rotation e side 17 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com plank. Porém, um ajuste na seleção dos exercícios, seguindo as recomendações da proposta, deve ser suficiente para eliminar essa falha metodológica. Nicholas H. Gist também pesquisou o treinamento intervalado de alta intensidade usando apenas o peso do corpo, porém, em s e u s d o i s e x p e r i m e n t o s , e l e e s e u s colaboradores usaram apenas um único exerc íc io, o Burpee. Em seu pr imeiro experimento (GIST et al. 2014), comparou um protocolo de HIIT que consiste em 4 estímulos de 30 segundos (all out) seguidos de 4 minutos de recuperação passiva na bicicleta (SIT) e usando apenas o peso do corpo com o exercício Burpee (HIC). Gist e seus colaboradores observaram neste experimento que as adaptações agudas provocadas pelo protocolo HIC são semelhantes àquelas observadas no protocolo SIC e sugere que o uso de exercícios com peso corporal pode ser uma alternativa para aqueles que buscam condicionamento físico, tanto de forma recreativa, quanto competitiva. No segundo experimento (GIST et al, 2015), compararam os efeitos de dois diferentes protocolos de treinamento após quatro semanas de intervenção. O protocolo HIT consistiu de 4 a 7 sets de 30 segundos do exercício Burpee, com intensidade all out, seguidos de 4 minutos de recuperação. O protocolo TPT é um teste padrão de aptidão física do exército dos EUA e consiste em 2 minutos de push-ups (flexões de braço), 2 minutos de sit-ups (abdominal remador) e corrida de 2 milhas, um na sequência do outro e nessa ordem. Em ambos os protocolos foram realizados treinamentos com uma frequência de três vezes na semana. O grupo TPT foi composto por 8 homens e 5 mulheres e o grupo HIT, por 9 homens e 4 mulheres. Em ambos os grupos a média de idade foi de 20 anos. Ao final das quatro semanas de intervenção com os diferentes protocolos, foram observadas diferenças significativas quando comparado pré e pós período de intervenção do mesmo grupo, porém não foram observadas diferenças significativas entre os resultados entre os TPT e HIT sobre as variáveis testadas, que foram: massa corporal, massa gorda e VO2 pico. Os pesquisadores observaram que as respostas com o protocolo HIT foram semelhantes ao protocolo TPT, o que sugere que o exercício calistênico realizado em alta intensidade pode ser uma alternativa de condicionamento viável para a preparação física das forças armadas norte americanas (GIST et al. 2015). O HIIT é uma metodologia de fácil aplicabilidade e com custo operacional baixo, mas requer que o profissional tenha um excelente nível de conhecimento sobre o método, para uma correta prescrição e controle da sessão de treino (GRAY et. 2016). No HIIT body work não é diferente, ou melhor, há uma necessidade ainda maior em função da diversidade de movimentos e de suas combinações. ! A ciência do HIIT body work Em 2017 foi publ icado o pr imeiro experimento sobre o estudo da tese de doutoramento, intitulado: HIGH INTENSITY INTERVAL TRAINING WITH BODY WEIGHT: 18 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com THE NEW CALISTHENICS ? Na revista Manual Therapy, Postutology e Rehabilition Journal (MACHADO et al, 2017ª). O foco do artigo foi os diferentes tipos de exercícios utilizados na sessão de HIIT body work, classificados como simples e complexos. Ainda no ano de 2017, foi publicado o artigo com maior impacto na comunidade científica sobre prescrição de exercícios com peso corporal, o artigo intitulado: High-intensity interval training using whole-body exercises: training recommenddations and methodological overview, na revista Clinical Physiology and functional imaging (MACHADO et al, 2017b). Nesse artigo, foi sugerido uma relação de cargas de treino diferenciada para os diferentes perfis de praticantes do HIIT com peso corporal. E ainda em dezembro de 2017, foi publicado o terceiro artigo sobre o HIIT body work; este, por sua vez, em parceira com o professor Alexandre Evangelista, o artigo intitulado: Effects of high-intensity calisthenic training on mood and affective responses, publicado no JEP online (EVANGELISTA et al, 2017). O foco nesse experimento foram as mudanças de humor durante a sessão de HIIT body work. Logo no início de 2018, é publicado o 1º experimento com o HIIT body work, um estudo piloto intitulado: Frequência de treinamento no HIIT body work e redução da massa corporal: um estudo piloto (MACHADO et al, 2018ª). O experimento observou a resposta sobre a massa corporal em 24 indivíduos de ambos os sexos, com idade média de 34 anos. Os voluntários foram divididos em três grupos, sendo eles: grupo 1, HIIT com peso corporal cinco vezes na semana; grupo 2, HIIT com peso corporal três vezes na semana e grupo 3, corrida cinco vezes na semana com intensidade moderada. O grupo 1 acumulou 150 minutos de atividade na semana, o grupo 2 acumulou 90 minutos e o grupo 3 acumulou 300 minutos de atividade na semana. A partir dos resultados, observou-se que nos três grupos houve perda significativa de massa corporal após o período de quatro semanas de intervenção dos protocolos de treinamento (grupo 1, 2 e 3), porém não houve diferenças significativas quando comparado entre os grupos a variação da perda da massa corporal. A grande pergunta que esse experimento deixou foi: Por que o grupo 1, que treinou HIIT com peso corporal cinco vezes na semana, não obteve um resultado mais expressivo do ponto de vista da perda de massa corporal? A hipótese, que não foi testada, é que o pouco tempo de recuperação entre uma sessão e outra interferiu na qualidade de execução dos movimentos, o que afetou diretamente a qualidade da sessão. Em sequência, é publicado mais um artigo. Este que foi o primeiro a ser submetido da sequência de artigos sobre o HIIT com peso do corpo é um artigo de revisão sistemática. O objetivo do artigo foi descrever as estratégias de controle de carga e as diferentes adaptações promovidas pela prática do treinamento intervalado de alta intensidade com peso corporal, publicado na revista Brasileira de Medicina do Esporte (MACHADO et al, 2018b). Dos 288 estudos selecionados, apenas 3 foram incluídos para análise que são: McRae et al, 2012; Gist et al, 2014 e Gist et al, 2015. Os 19 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com estudos utilizaram diferentes tempos de estímulo e recuperação, assim como o tempo total da sessão, as chamadas varáveis de tempo, o que pode ter influenciado nas diferentes adaptações observadas nos experimentos. Coincidentemente, na mesma revista foi publicado outro experimento do grupo, este intitulado: Taxa de sudorese após treinamento intervalado de alta intensidade usando o peso do corpo (MACHADO et al, 2018c). O objetivo foi avaliar a perda de água durante uma sessão de HIIT usando o peso do corpo. O experimento comparoua perda de água de uma sessão de HIIT com peso do corpo com uma sessão de corrida contínua de intensidade moderada, em i n d i v í d u o s c o m d i f e re n t e s n í v e i s d e condicionamento e observaram que a sessão de HIIT com peso corporal tem maior perda de água, mesmo para os indivíduos com maior nível de condicionamento. Outro experimento muito importante do grupo foi o int i tulado: A high-Intensity jump-based aquatic exercise program improves boné mineral density and functional fitness in postmenopausa women (ABOARRAGE JUNIOR et al, 2018), publicado na revista Rejuvenation Reserarch. Os pesquisadores observaram que o HIIT com peso corporal realizado na água, com senhoras com idade média de 65 anos, gerou melhoras na densidade mineral óssea e na capacidade funcional após o período de 24 semanas de intervenção. E por último, um dos mais importantes do grupo, o artigo intitulado: Descrition of training loads using whole-body exercise during high-intensity-interval training (MACHADO et al, 2018d), publicado pela revista Clinics. O experimento descreve o comportamento da frequência cardíaca, percepção de esforço e pe rcepção de recupe ração , a l ém da concentração de lactato e carga interna pelo método trimp após a sessão de HIIT body work. Transformando ciência em treinamento A intensidade dos estímulos para o HIIT body work é “all out”, que é caracterizada como a maior intensidade possível durante o período de estímulo proposto (GIBALA, et al 2008; MACHADO et al. 2017a). Para prescrição do HIIT body work de forma segura e eficiente é necessário conhecer as variáveis envolvidas na prescrição da sessão, que estão divididas em duas categorias: variáveis de tempo e variáveis de distribuição. Entre as variáveis de tempo temos: (1) tempo total da sessão; (2) número total de ciclos da sessão; (3) tempo de estímulo; (4) tempo de recuperação e (5) relação de carga. Nas variáveis de distribuição temos: (6) número de ciclos por exercício; (7) seleção de exercícios; (8) tipo de recuperação e (9) estrutura da sessão de treino. Variáveis de tempo Tempo total da sessão - refere-se ao tempo total de treino na sessão. Número total de ciclos – Refere-se à soma de todos os ciclos da sessão. Os ciclos são compostos pelo tempo de estímulo mais o tempo de recuperação. 20 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com Tempo de estímulo – É o tempo de execução do movimento em cada ciclo. Tempo de recuperação – É o tempo de recuperação em cada ciclo. Relação de carga – Refere-se à proporção matemática do tempo de recuperação sobre o tempo de estímulo. Entendido que o tempo de estímulo sempre será 1 e o tempo de recuperação será proporcional ao tempo de estímulo. Exemplo-1: Tempo de estímulo de 30 segundos e tempo de recuperação de 30 segundos temos uma relação de carga de 1:1, onde o tempo de recuperação é igual ao tempo de estimulo. Exemplo-2: Tempo de estímulo de 30 segundos e tempo de recuperação de 60 segundos temos uma relação de carga de 1:2, onde o tempo de recuperação é duas vezes o tempo de estimulo. Exemplo-3: Tempo de estímulo de 30 segundos e tempo de recuperação de 15 segundos temos uma relação de carga de 1:1/2, onde o tempo de recuperação é a metade do tempo de estimulo. A relação entre carga de tempo e nível de aptidão física no HIIT body work ainda não é bem definida, embora o número de publicações científicas tenha aumentado consideradamente. As cargas de tempo devem ser manipuladas independente do nível de condição física do indivíduo e de forma que o mesmo possa realizar o maior número de repetições possíveis durante o estímulo (MACHADO et al, 2017ª). Dessa forma, é possível prescrever o HIIT body work para indivíduos com os mais diferentes perfis de condicionamento. Para os iniciantes a recomendação é utilizar uma carga de tempo com menor impacto fis io lóg ico (MACHADO e t a l , 2017b) , caracterizada com um menor tempo de estímulo em relação ao tempo de recuperação proposto do ciclo de exercício. Outra variável importante para a prescrição da sessão de HIIT body work é a seleção dos exercícios que também interferem na sessão. Variáveis de distribuição Número de ciclos por exercício – Refere-se à quantidade de ciclos para cada exercício na sessão. Quanto maior a quantidade de ciclos por exercício, mais estressante é a sessão. Seleção de exercícios – Os exercícios podem ser classificados como simples ou complexos (MACHADO et al, 2017ª). Os exercícios simples causam menor impacto sobre o organismo, enquanto que os complexos causam um maior impacto. A seleção dos exercícios corretos influencia diretamente na sessão de treino. Tipo de recuperação – Existem dois tipos de recuperação: a passiva, que o aluno deve permanecer parado e a ativa em que eles se mantém em movimento, porém com uma intensidade bem baixa, que permita com que ele possa se recuperar. Estrutura da sessão de treino – A estrutura da sessão diz respeito à organização da execução, podendo ser de três formas distintas, sendo elas: bloco, circuito e fracionada. Vamos usar aqui um modelo padrão de sessão de HIIT body work para exemplificarmos cada um dos três modelos de sessão de treino. 21 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com Exercício 1 – Jump jack Exercício 2 – Burpee Exercício 3 – Escalador Exercício 4 – Squat jump Tempo total da sessão de 24 minutos Numero total de ciclos = 24 (6 ciclos por exercício) Ciclo = 30 segundos (TE): 30 segundos (TR) Estrutura Bloco: O praticante irá realizar os 6 ciclos do exercício 1 para passar para o exercício 2 e assim até o último exercício da sessão. Estrutura em Circuito: O praticante irá realizar 1 ciclo para cada exercício na ordem proposta, até que termine o número de ciclos prescritos na sessão. Estrutura Fracionado: Esse modelo é uma combinação entre as duas estruturas anteriores. Para utilizar esse modelo de estrutura o pré-requisito é que o número de ciclos tem que ser par, como em nosso exemplo, o número de ciclos é 6 por exercício, logo o praticante irá realizar 3 ciclos na estrutura bloco e depois na sequência mais três ciclos na estrutura de bloco novamente. Entre as estruturas da sessão de HIIT body work, a que tem maior impacto fisiológico é a estrutura em bloco e a que tem menor impacto fisiológico é a estrutura em circuito. A classificação dos exercícios em simples e complexo é em referência ao padrão de movimento. Exercícios com padrão único de movimento são denominados como simples, por exemplo: Jump jack. E exercícios com padrão de movimentos combinados são denominados como complexos, por exemplo: Burpee (MACHADO et al, 2017ª). No link abaixo você tem acesso a biblioteca de artigos no site da VO2PRO com todos os artigos do grupo sobre o HIIT BODY WORK. http://www.vo2pro.com.br/biblioteca/# 22 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com http://www.vo2pro.com.br/biblioteca/# http://www.vo2pro.com.br/biblioteca/# Os exercícios no HIIT body work são classificados em função da complexidade do gestor motor. Abaixo há alguns exemplos de exercícios que podem ser utilizados nas sessões de HIIT body work. CAPÍTULO 3 OS EXERCÍCIOS Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com 3.1 - Jump Jack 24 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com 3.2 - Seal Jack 25 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com 3.3 - Split. 26 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com 3.4 - Line up 27 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com 3.5 - Squat 28 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes- 13409255400 - P rotegido por E duzz.com 3.6 - Mountain Climber 29 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com 3.7 - Running ou Skipping 30 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com 3.8 - Abdominal remador 31 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com 3.9 - Abdominal canivete (V-up) 32 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com Exercícios Complexos são classificados como aqueles com padrão de movimento combinado, por exemplo: Burpee. O Burpee sem dúvida é um dos mais conhecidos entre os exercícios com peso do corpo, mas sabe a história do Burpee? O Burpee foi inventado pelo fisiologista Dr. Real Huddleston Burpee, daí vem o nome do exercício. O objetivo do Burpee incialmente era medir a aptidão física. Ele ficou conhecido quando foi incluído como exercício obrigatório na preparação física do exército americano, a partir daí todos passaram a usar o Burpee como exercício para condicionamento. O Burpee está entre os exercícios mais praticados em todo o mundo e no HIIT body work não poderia ser diferente. Para uma pessoa de aproximadamente 80 Kg, o gasto energético é de 1,43 calorias por BURPEE realizado. Esta mesma pessoa realizando 10 BURPEES por minuto terá um gasto energético de 14,3 calorias por minuto, o que chega a ser mais intenso que a corrida em terreno plano que tem o gasto energético aproximado de 10 c a l o r i a s p o r m i n u t o . BURPEE ORIGINAL (1939): agachar e colocar as duas mãos no chão a frente do corpo, jogar as duas pernas para trás parando na posição de prancha, retornar os pés rapidamente e voltar à posição de pé. Hoje, o Burpee original é chamado de Squat thrust. BURPEE TRADICIONAL: é o utilizado pelo exército norte americano, sendo: agachar e colocar as duas mãos no chão a frente do corpo, jogar as duas pernas para trás parando na posição de prancha, deitar no chão tocando o peito no chão, levantar o tronco, retornar os pés rapidamente, voltar à posição de pé e saltar com os braços elevados à cima da cabeça (Figura 3.10). 33 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com 3.10 - Burpee 34 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com 3.10 - Burpee, finalizando o movimento com um salto e os cotovelos devem estar acima dos ombros. 35 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com 3.11 - 1/2 Burpee 36 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com 3.12 - Squat Jump. 37 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com 3.13 - Alternado ou Lange Este salto é pouco conhecido, mas é tão temido quanto o Burpee por aqueles que o conhecem. Em sua execução após a etapa D, descrita abaixo nas fotos, os movimentos da etapa A e B se repetem, mas com as pernas alternadas. 38 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com 3.14 - Big jump 39 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com 3.15 - Ski jump 40 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com 3.16 - Deslocamento lateral 41 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com 3.17 - Deslocamento agachado 42 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com Como na calistenia, o HIIT body work obedece uma regra metodológica para a seleção dos e x e r c í c i o s , e m f u n ç ã o d o n í v e l d e condicionamento ou estratégia para sessão de treino, os exercícios na sessão podem ser todos simples, todos complexos, alternar entre simples e complexos ou um grupo de exercícios simples seguidos de complexos e ainda um grupo de exercícios complexos seguidos dos simples (MACHADO et al.2017b) A seleção e ordem dos exercícios pode interferir na sessão de treinamento (SIMÃO et al. 2005; SIMÃO et al. 2007) e também nas adaptações encontradas no treinamento de forma crônica (JANNIG et al. 2009; SANTOS et al. 2009; GIL et al. 2011). Conhecer entre os exercícios quais podemos classificar como simples e quais podemos classificar são de extrema importância para uma elaboração correta e segura da sessão de HIIT body work. Abaixo, na tabela 3.1, um quadro de visualização rápida da classificação dos exercícios citados nesse capítulo, seguindo a proposta de Machado e colaboradores (2017b): Exercícios simples com padrão de movimento único e exercícios complexos com padrão de movimento combinado. Exercícios simples: Jump jack, Seal jack, Split, Squat, Line up, Mountain climber, Running e abdominal remador e canivete. Exercícios complexos: Burpee, 1/2 Burpee, Squat jump, Lange ou Alternado, Big jump, Ski jump, deslocamento com jump e deslocamento agachado. 43 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com Elaborar uma sessão de treinamento parece fácil, mas requer muito planejamento e harmonia na organização entre cada um dos momentos da sessão, com o objetivo de que a mesma seja uma experiência única para seu aluno/cliente. A sessão de treinamento geralmente é dividia em 3 momentos bem distintos, que são: preparo, treino e relaxamento. Todos com funções específicas na sessão. CAPÍTULO 4 A SESSÃO Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com Preparo – Tem com objetivo tirar o organismo da zona de repouso através de movimentos com enfoque neuromotor e metabólico. O preparo proporciona um aumento da eficiência motora em função de uma melhor ação da coordenação intramuscular e intermuscular, diminuição da resistência vascular periférica e aumento do metabolismo do tecido (PLATONOV, 2008). Treino – Aqui é desenvolvida a proposta para gerar a adaptação no organismo do aluno/cliente. No HIIT body work, temos 3 diferentes modelos de aulas, que são: DTA, NO STOP e DUO SET que podem ser aplicadas de duas formas distintas, em bloco ou circuito e o tempo de treino pode variar de 10 a 30 minutos. Relaxamento – Tem como objetivo desacelerar o organismo e fazer com que ele volte perto dos valores de repouso. Aqui podem ser usados exercícios de alongamento, liberação miofascial e relaxamento. Ao realizar exercícios com no mínimo intensidade mínima, algumas variáveis fisiológicas retornam ao normal de forma mais lenta e, com isso, o relaxamento irá auxiliar no: retorno do fluxo de sangue dos músculos para os órgãos que tiveram o fluxo reduzido com a atividade física, redução dos níveis de adrenalina no sangue, redução na tensão muscular e eliminação de produtos indesejáveis resultantes da atividade física (PLATONOV, 2008). O relaxamento pode ser interpretado como o início da recuperação. No HIIT body work o tempo total de uma sessão pode variar de 20 a 50 minutos, em todas as variações estão presentes, o preparo, treino e o relaxamento. O número de sets proposto por exercício deve ser no mínimo de 3 para os iniciantes no HIIT body work; entre 5 e 6 para os alunos mais experientes e sem um número máximo previsto para alunos com perfil de condicionamento mais avançado. Quanto mais exercícios na sessão, menor será o estresse fisiológico e quanto maior o número de sets por exercício maior será o estresse fisiológico da sessão. Contudo, um número de sets superior a 6 deixa a sessão de treino muito repetitiva para os alunos. Recomendo usar um número de sets superior a 6 quando for uma proposta específica de treinamento fora de uma sessão coletiva. Os modelos de sessão de treino propostos aqui não são direcionados para um perfilde aluno determinado, eles podem ser utilizados para todos os perfis. O importante é que durante a elaboração da parte principal da sessão aqui denominada de treino, a seleção dos exercícios, o número de sets por exercício e a carga de tempo possam ser prescritas de acordo com o perfil de 45 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com cada aluno. Abaixo descrevo alguns modelos de sessão com tempo definido em cada um dos momentos. Uma característica particular na prescrição do HIIT body work é usar ciclos de 1 minuto de duração, isso por um motivo bem simples: fica muito mais fácil a organização da sessão de treino do ponto de vista operacional, mas não quer dizer que outros tipos de ciclos estejam errados, somente não são práticos. MODELO 1 - 20 minutos PREPARO - 5 minutos TREINO- 10 minutos RELAXAMENTO - 5 minutos Para os iniciantes, este modelo é uma excelente alternativa para que possam experimentar uma sessão de HIIT body work de forma rápida. Como proposta, mesmo sendo um individuo iniciante, mas em função do pouco volume de treino, é utilizar uma carga de tempo de 30 segundos de estímulo por 30 segundos de recuperação (1:1) e somente dois exercícios simples ou um simples e outro complexo. Já para os alunos com um perfil de condicionamento melhor, os avançados, a sugestão é usar apenas um único exercício complexo com uma carga de tempo de 30 segundos de estímulo por 30 segundos de recuperação (1:1) ou dois exercícios complexos com carga de tempo de 40 segundos de estímulo por 20 segundos de recuperação (1:1/2). Uma segunda sugestão para os alunos avançados é utilizar uma carga de tempo de 50 segundos de estímulo por 10 segundos de recuperação (1:1/5), mas para os exercícios de prancha ou abdominais. MODELO 2 – 25 minutos PREPARO - 5 minutos TREINO - 15 minutos RELAXAMENTO - 5 minutos 46 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com Com o aumento do tempo de treino, a sugestão para os iniciantes é trabalhar com uma carga de tempo com maior tempo de recuperação em relação ao estímulo, relação de carga (1:2). Um exemplo seria 30 segundos de estímulos por 60 segundos de recuperação e ainda utilizar dois exercícios, sendo um simples e outro complexo. Outra opção para iniciantes seria usar 15 segundos de estímulos por 45 segundos de recuperação, relação de carga 1:3 e ainda seguindo o modelo de ciclos de 1 minuto de duração. Porém, nesse modelo de linha de carga, em especial para os iniciantes, a seleção dos exercícios deve ser direcionada para exercícios com um nível de complexidade maior, pois o tempo de estímulo é pequeno e o número de ciclos por exercício deve ser maior também para gerar um estresse acumulado significativo. Para os avançados, pode-se mudar a carga de tempo e deixá-la um pouco mais intensa, uma relação de carga de 1:1/3 no ciclo de um minuto, por exemplo: 45 segundos de estímulos por 15 segundos de recuperação e trabalhar três diferentes exercícios, podendo ser: três simples ou três complexos ou ainda alternar entre simples-complexo-simples ou complexo-simples-complexo. Os modelos abaixo (3, 4, 5 e 6) podem seguir as mesmas orientações dos modelos 1 e 2, com os devidos ajustes em função do aumento de tempo de treino. MODELO 3 – 30 minutos PREPARO - 5 minutos TREINO - 20 minutos RELAXAMENTO - 5 minutos MODELO 4 – 45 minutos PREPARO - 10 minutos TREINO - 25 minutos RELAXAMENTO - 10 minutos 47 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com MODELO 5 – 45 minutos PREPARO - 10 minutos TREINO - 30 minutos RELAXAMENTO - 5 minutos MODELO 6 – 50 minutos PREPARO - 10 minutos TREINO - 30 minutos RELAXAMENTO - 10 minutos Uma estratégia que você deve levar em consideração para os indivíduos iniciantes é inserir um exercício em decúbito no meio da sessão. Exemplo: para uma sessão para iniciantes com 3 exercícios. Exercício 1 – Jump jack Exercício 2 – Abdominal remador Exercício 3 – Squat Exemplo: para uma sessão para iniciantes com 5 exercícios. Exercício 1 – Jump jack Exercício 2 – burpee Exercício 3 – Abdominal remador Exercício 4 – split Exercício 5 – Squat jump 48 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com CONSTRUINDO A SESSÃO DE TREINO A construção da sessão de treino no HIIT body work envolve três momentos distintos: 1º - identificar o perfil do aluno, se é iniciante, intermediário ou avançado; 2º - a partir do perfil do aluno, definir qual será a carga de tempo, lembre-se que carga de tempo envolve: tempo de estímulo, tempo de recuperação e tempo total de treino; 3º - número de ciclos por exercícios e 4º - a distribuição dos exercícios. Seleção dos exercícios Lembre-se que os exercícios complexos exigem mais do praticante e sua execução será sempre mais difícil quando comparados aos exercícios simples. Se sua intenção for uma sessão que gere um menor estresse, priorize os exercícios simples. Uma outra opção para minimizar o impacto da sessão é inserir um exercício em decúbito no meio da sessão, por exemplo: abdominal remador ou prancha ventral. Número de ciclos por exercício Utilize no mínimo 3 ciclos por exercícios e no máximo 6. Acima de 6 ciclos para casos específicos de uma preparação para algum movimento específico ou que queira gerar um alto estresse metabólico no indivíduo. Carga de tempo A carga de tempo total deve ser progressiva, isso quer dizer que começamos com uma carga menor e vamos aumentando com o aumento do condicionamento. A dica é começar sempre com uma relação de carga maior para a recuperação e ir diminuindo até que seja menor que o tempo de estímulo. 49 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com Ciclo de tempo de 1 minuto. O ciclo é composto pelo tempo de estímulo mais o tempo de recuperação. As aulas coletivas Nas sessões coletivas, a linha de raciocínio não mais exige um maior planejamento do professor em função da seleção das cargas de tempo e seleção dos exercícios em função da heterogeneidade da turma. Para as aulas coletivas, minha dica é usar cargas de tempo com relação de 1:1, por exemplo: 20 segundos de estímulo para 20 segundos de recuperação, 30 segundos de estímulo para 30 segundos de recuperação ou 45 segundos de estímulo para 45 segundos de recuperação. Para os indivíduos com menor condicionamento, realizar um ciclo sim e outro não. Com isso, ele terá um tempo maior de recuperação. E sobre a seleção dos exercícios, selecionar sempre movimentos que os indivíduos com menor condicionamento e coordenação possam fazer uma versão adaptada, com menor complexidade do gesto. Outro ponto importante é que, durante a sessão coletiva, mantenha os indivíduos iniciantes ou com menor condicionamento juntos e próximos a você. 50 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com Os tipos desafios Os desafios ganharam nomes para que o treinamento tenha uma um maior envolvimento dos alunos. Até o momento são três os desafios, sendo eles: DTA, NO STOP e DUO SET, cada um com uma característica específica. DTA é o modelo de desafio mais tradicional de HIIT body work, o nome vem do método de treinamento de força DTA, que significa dor, tortura e agonia. Sua característica é que a recuperação seja passiva, ou seja, parado. NO STOP, nesse modelo de desafio do HIIT body work a recuperação é em movimento. Detalhe Importante durante o movimento do tempo de recuperação: a intensidade deve ser baixa, para possibilitar a recuperação. Geralmente são exercícios simples, como: running ou abdominal remador. DUO SET é o mais novo desafio de HIIT body work. Ele trabalha com duas cargas de tempo de estímulo em sequência e somente depois o tempo de recuperação (passiva). Veja no exemplo: a carga de tempo é expressa daseguinte forma 20+20/20, onde se lê 20 segundos do exercício 1, seguidos de 20 segundos do exercício 2 e a recuperação passiva de 20 segundos. Nos três tipos de desafios, a execução pode ser realizada no formato bloco ou formato em circuito. O bloco gera um estresse maior quando comparado com circuito. No bloco, a execução é feita exercício por exercício, até que se encerre os ciclos. Como exemplo em uma sessão com 5 exercícios e 3 ciclos para cada exercício, a execução dos 3 ciclos do exercício nº 1 é realizada e somente depois irá para o exercício nº 2 e assim até completar todos os exercícios da sessão. No circuito, a execução é realizada como nos circuitos tradicionais. Seguindo o exemplo da sessão com 5 exercícios e 3 ciclos para cada exercício, nesse formato o aluno irá realizar a execução do ciclo 1 do exercício 1, 2, 3, 4 e 5 e depois inicia a execução do ciclo 2 de todos os exercícios novamente, até que termine o número de ciclos da sessão. 51 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com Desafio DTA Esse modelo de desafio é indicado para perfis de alunos iniciantes, em função de um número de ciclos pequenos “3” e no meio do desafio temos um exercício em decúbito, o que diminui o estresse da sessão de treino. Para tornar essa sessão com maior estresse sobre os alunos, pode-se aumentar o número de ciclos de 3 para 5 e trocar o exercício “abdominal remador” para outro exercício que não seja posicionado em decúbito. E para tornar a sessão ainda mais estressante, basta diminuir o tempo de recuperação. Desafio NO STOP 52 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com Lembre-se que nesse modelo de desafio a recuperação é ativa, isso quer dizer que o aluno irá realizar movimento, mas com uma intensidade baixa. Nesse desafio, o exercício que será executado como recuperação ativa é sempre o running (corrida estacionária). Uma opção para deixar esse modelo de desafio com menor impacto é que o exercício de recuperação seja um realizado em decúbito, podendo ser abdominal ou prancha. E para deixar esse modelo de desafio mais intenso, use exercícios complexos nos estímulos. Uma outra opção é aumentar o número de ciclos por exercício. Desafio DUO SET Esse modelo de desafio é indicado para perfis de alunos intermediários e avançados. Ele permite uma execução em maior intensidade por maior tempo em função da mudança de movimentos e essa estratégia gera um alto estresse metabólico. Para gerar um estresse ainda maior, você tem a opção de selecionar apenas exercícios complexos e também aumentar o tempo de estímulo e manter o tempo de recuperação. 53 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com MODELOS DE DESAFIOS Aqui são apresentados alguns modelos de desafios para que você possa usar como referência na elaboração das suas rotinas de treino para seus alunos. As rotinas estão dividas em dois diferentes grupos, HIIT com recuperação passiva que entende-se que é parado e HIIT com recuperação ativa, isto é realizando algum tipo de movimento em baixa intensidade, aqui nós denominamos este HIIT em especial como HIIT no stop. Nesta proposta de HIIT no stop os estímulos são realizados também em intensidade all out e a recuperação ativa em uma intensidade baixa, onde permita uma recuperação durante a execução do exercício. Rotinas HIIT com recuperação passiva Perfil iniciante – Total de 20 ciclos de (30 segundos estímulo / 60 segundos recuperação) Jump jack - 4 x (30 segundos estímulo / 60 segundos recuperação passiva) Burpee - 4 x (30 segundos estímulo / 60 segundos recuperação passiva) Split - 4 x (30 segundos estímulo / 60 segundos recuperação passiva) Squat jump - 4 x (30 segundos estímulo / 60 segundos recuperação passiva) Abdominal - 4 x (30 segundos estímulo / 60 segundos recuperação passiva) Perfil intermediário – Total de 30 ciclos de (30 segundos estímulo / 30 segundos recuperação) Suicidio - 6 x (30 segundos estímulo / 30 segundos recuperação passiva) Jump jack - 6 x (30 segundos estímulo / 30 segundos recuperação passiva) Burpee - 6 x (30 segundos estímulo / 30 segundos recuperação passiva) Running - 6 x (30 segundos estímulo / 30 segundos recuperação passiva) Squat thrust - 6 x (30 segundos estímulo / 30 segundos recuperação passiva) Perfil Avançado – Total de 40 ciclos de (30 segundos estímulo / 15 segundos recuperação) Burpee - 10 x (40 segundos estímulo / 15 segundos recuperação passiva) Lunge - 10 x (40 segundos estímulo / 15 segundos recuperação passiva) Squat thrust - 10 x (40 segundos estímulo / 15 segundos recuperação passiva) Suicidio - 10 x (40 segundos estímulo / 15 segundos recuperação passiva) 54 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com Rotinas HIIT com recuperação ativa (No stop) No stop com exercícios simples – Total de 20 ciclos de (30 segundos estímulo / 60 segundos recuperação ativa). 5 x jump jack (30 segundos) - abdominal (60 segundos) 5 x split (30 segundos) - prancha (60 segundos) 5 x escalador (30 segundos) - abdominal (60 segundos) 5 x seal jack (30 segundos) - prancha (60 segundos) No stop com exercícios complexos – Total de 20 ciclos de (30 segundos estímulo / 60 segundos recuperação ativa). 5 x suicidio (30 segundos) - jump jack (60 segundos) 5 x burpee (30 segundos) - split (60 segundos) 5 x squat jump (30 segundos) - escalador (60 segundos) 5 x squat thrust (30 segundos) - seal jack (60 segundos) 55 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com Com a passar dos anos o conceito de treinamento esportivo sofreu modificações em função do esporte ter saído da perspectiva de alto rendimento somente. Hoje quando falamos de treinamento temos uma visão mais ampla onde atingimos além do alto rendimento a educação e o lazer. CAPÍTULO 5 PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com O treinamento esportivo focado no alto rendimento tem por objetivo preparar atletas para chegarem ao máximo de sua forma física, técnica, tática e psicológica em uma época determinada em função do período de competições. No lazer o treinamento esportivo tem por objetivo a melhora da condição física para uma melhor qualidade de vida e no treinamento esportivo educacional ele esta focado no desenvolvimento motor para um melhor crescimento e desenvolvimento das crianças e jovens. Há ainda mais uma opção de treinamento esportivo que seria uma variante entre o alto rendimento e o educacional, denomina-se de esporte escolar (TUBINO, MOREIRA, 2003), que aplica os conceitos do esporte de alto rendimento em jovens escolares com objetivo de aprimorar sua condição física, técnica e tática para competições estudantis regionais, estaduais, nacionais e internacionais. O treinamento resume-se principalmente em exercícios que influenciam, diretamente ou não, a modalidade esportiva. Com isso podemos definir treinamento esportivo como processo sistematizado, organizado e planejado que tem por objetivo atingir o máximo da condição física, técnica, tática e psicológica de um atleta e ou equipe em um tempo determinado. Os exercícios físicos utilizados como meio de treinamento podem ser divididos em quatro categorias, descritas abaixo: (1)Preparação geral: Exercícios responsáveis pelo desenvolvimento funcional geral do organismo. Asseguram uma preparação de base concreta, possibilitando um desenvolvimento harmonioso do organismo; (2) Preparação complementar: Exercícios responsáveis me preparar o organismo para a preparação específica; (3)Preparação específica ou especial: Estes exercícios formam a maior parte do treinamento. São exercícios que possuem uma estrutura de intensidade e volume próximos àsda atividades de competição; (4)Preparação para competição: Realização de exercícios idênticos às atividades de competição, ou de exercícios que estão muito próximos a competição, respeitando as regras e as limitações da mesma. PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO O desenvolvimento e aperfeiçoamento da condição física fundamenta-se em um processo com um conjunto de leis que constituem uma espécie de guia para os profissionais da área de preparação física, chamado de princípios do treinamento desportivo. O aumento do condicionamento físico ocorre como resultado de uma série de repetidas sessões de exercícios físicos. As adaptações 57 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com causadas no organismo pelo exercício serão planejadas de forma detalhada e estruturada, respeitando os princípios do treinamento desportivo (VERKHOSHNSKY, 1996). A utilização dos princípios do treinamento desportivo durante a montagem do programa de treinamento, permite que o professor possa adaptar os métodos em meios de treinamento já existentes com as necessidades de cada aluno ou atleta (DANTAS, 2003). Não existe método de treinamento aplicado de forma isolada que irá melhorar a condição física do atleta. Para que um programa de treinamento seja bem sucedido devemos seguir os princípios do treinamento desportivo (MAGLISCHO, 2010). Princípio da individualidade Biológica Indivíduos diferentes respondem de forma diferente ao mesmo treinamento, a este processo chamamos de individualidade biológica que basicamente é regido por dois fatores: (1) herança genética ou genótipo e (2) nível de condicionamento atual ou fenótipo. O ser humano deve ser considerado como a soma do genótipo mais o fenótipo, com isso entendem-se que as potencias são determinadas pelo genótipo e as capacidades são determinadas pelo fenótipo (BOMPA, 2002). Genótipo: A herança genética determina em grande parte a resposta do treinamento aeróbio e anaeróbio. A tipologia de fibras é um dos principais determinantes da performance e da adaptação no organismo, pois um indivíduo com um percentual de fibras rápidas predominantes no organismo responderá de forma mais eficiente ao treinamento de potência e velocidade enquanto que um indivíduo com um percentual de fibras lentas predominantes responderá de forma mais eficiente ao treinamento de resistência (MAGLISCHO, 2010). Sem dúvida para a formação de um atleta de alto nível a genética faz toda a diferença, mas pensando em condicionamento físico voltado para saúde isso quer dizer que mesmo se o nosso aluno não tiver a genética favorecendo determinada capacidade física ele será capaz de desenvolve – lá e aperfeiçoa -lá. Fenótipo: O nível de condicionamento tem um papel fundamental para o desenvolvimento da forma física, pois indivíduos que estão muito tempo sem uma prática regular de exercícios físicos tendem a ter uma velocidade de desenvolvimento maior do que aqueles que já estão praticando regularmente o exercício físico. Este aumento é mais evidente nas primeiras 12 semanas de treinamento para aqueles que estão iniciando ou retornando a prática regular de exercícios físicos (MACHADO, 2010). Posteriormente a este período de evolução da condição física de forma rápida a maioria irá estabilizar a condição física ou terá progressos muito pequenos em função de estar trabalhando no limite fisiológico do organismo. 58 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com Em função do aumento de prática de exercícios físicos cada vez mais torna-se mais difícil a melhora da condição física no praticante caso ele não tenha uma modificação na metodologia de trabalho e manipulação das cargas de treinamento de forma a provocar estímulos diferenciados no organismo. Certamente os indivíduos que treinam de forma consciente, planejada e orientada irão se sair melhor na evolução da condição física em comparação aos indivíduos que não tem nenhum tipo de planejamento e acompanhamento orientado. Princípio da adaptação O princípio da adaptação é regido pela lei da ação e reação, para cada estimulo (ação) sofrido pelo organismo ele terá uma reação diferente. Para que ocorra a adaptação o organismo deverá trabalhar em um nível metabólico mais elevado. Cada intensidade de estímulo gera uma resposta do organismo, onde estímulos fracos não acarretam nenhuma alteração no organismo, estímulos médios apenas excitam, estímulos fortes causam as adaptações almejadas e os estímulos muito fortes causam danos ao organismo (DANTAS, 2003). Entre os estímulos ou stress como também podemos denominá-los, podem ocorrer dois tipos de stress o stress positivo que provoca uma adaptação biopositiva (eustress) ou o stress negativo que provoca uma adaptação bionegativa (distress). Foi observado que um conjunto de stress positivos proporcionava uma adaptação orgânica chamada de síndrome da adaptação geral (SAG), estas adaptações são compostas por três fases descritas abaixo (SELYE, 1956): Fase de alarme: É quebrada a homeostase do organismo onde ocorre uma excitação mas não chega a provocar uma adaptação em função do estimulo ser de baixa intensidade. Fase de resistência: Geralmente ocorre com uma seqüência de estímulos ou com um estimulo com uma intensidade considerável ao ponto de provocar danos mas que o organismo consiga se recuperar após um período de recuperação. Nesta fase é que ocorre as adaptações biopositivas. Fase de exaustão: Ocorre em função de um estímulo muito forte gerando lesões no organismo ou também por estímulos aplicados de forma seqüencial sem permiti que o organismo tenha uma período adequado de recuperação. Os danos provocados nesta fase podem ser temporários ou permanente gerando com isso um stress bionegativo ao praticante e impossibilitando-o de prosseguir com a pratica de exercícios. A partir deste princípio podemos classificar as cargas de treinamento em cargas (OZOLIN, 1970): ineficaz, desenvolvimento, manutenção, recuperação e excessiva. Carga ineficaz: Não provoca nenhum tipo de beneficio ao treinamento em função de sua baixa intensidade sendo insuficiente para causar uma adaptação biopositiva; 59 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com Carga de desenvolvimento: Estas cargas geram uma adaptação biopositiva de magnitude ótima para o praticante de exercícios físicos, tendo como objetivo um desenvolvimento continuo da condição física de forma eficiente e segura para o praticante e ou atleta na sua respectiva modalidade Carga de manutenção: Estas cargas são inferiores as cargas de desenvolvimento, porém são de suma importância para o treinamento, pois, elas permitem a estabilização da condição física para que o praticante e ou atleta possa continua no processo de desenvolvimento da condição física. Basicamente estas cargas firmam o processo alcançado com as cargas de desenvolvimento. Carga de recuperação: As cargas de recuperação garantem ao organismo o restabelecimento das condições biológicas e são utilizadas após períodos longos de preparação e após competições. Sua característica é sempre com cargas de volume e intensidade baixos garantindo a regeneração dos substratos energéticos gastos durante o treinamento. Em geral esta carga deve permitir uma recuperação do organismo adequada assegurando uma nova carga de treinamento e seu desenvolvimento sobre esta carga. Carga excessiva: Ao contrario da carga ineficaz esta carga pode provocar danos, queda no rendimento o conhecido overtraining. Na pratica o processo de adaptação deverá envolver três etapas distintas para que obtenha sucesso (MAGLISCHO, 2010): (1) Criar a necessidade de adaptação no organismo através do treinamento especifico, (2) Proporcionar uma recuperação adequada ao estímulo imposto e (3) Garantir que o organismo tenha nutrientes corretos e em quantidades ideais para permitir a total adaptação do organismo. Após a adaptação do organismoo mesmo estimulo (treinamento) não será suficiente para continuar a provocar as adaptações e com isso surgirá a necessidade aplicar-se uma nova carga de trabalho seja pela intensidade, volume ou densidade do treinamento, em outras palavras deveremos aplicar o princípio da sobrecarga. Princípio da sobrecarga Todo estímulo é considerado uma carga para o organismo, e objetivo de se aplicar uma nova carga (sobrecarga) é atingir determinada forma física, com isso após aplicação de uma carga devemos respeitar alguns critérios (DANTAS, 2003), sendo eles: tempo de recuperação, intensidade da carga aplicada anteriormente, pois caso contrário, cairemos em um dos dois tipos de erros, que são a recuperação excessiva para carga aplicada e a recuperação insuficiente para a carga aplicada. 60 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com A sobrecarga se faz necessária para provocar a adaptação biopositiva do organismo por três razões básicas: alcançar níveis superiores de adaptação, produzir quantidades superiores de energia a medida que a utilizamo-las e otimizar o processo de geração de energia aeróbia e anaeróbia (PLATONOV, 2008). A dinâmica do aumento das cargas pode ocorrer de diferentes formas, porém todas devem ter aumento continuo e gradual respeitando as condições orgânicas do praticante e ou atleta de acordo com os objetivos. As dinâmicas das cargas podem ter características: linear crescente, ondulatória, escalonada e piramidal (MACHADO, 2011). A sobrecarga na variável volume de treinamento é caracterizada pela grau de assimilação do treinamento do atleta, período dentro do macrociclo em que o atleta ou praticante se encontra e pelos objetivos almejados, a sobrecarga pela intensidade é caracterizada pela período macrociclo em que o praticante e ou atleta se encontra, pelos objetivos almejados e pela modalidade praticada e a sobrecarga pela densidade do treinamento é caracterizada pelo tempo entre um estimulo e outro. A quantificação das cargas de trabalho é uma das tarefas básicas e mais importantes do profissional de educação física. Para uma correta quantificação de cargas de trabalho devemos selecionar os conteúdos e combinar as distribuições das cargas ao longo do período de treinamento e para realizar a distribuição da carga de forma adequada devemos seguir algumas orientações: selecionar cargas de acordo com os níveis de condicionamento dos praticantes e ou atletas, cumprir de forma adequada o tempo de recuperação em função da magnitude da carga, aumentar de forma lenta e gradativa as cargas de trabalho, repetir o exercício físico com objetivo de conhecer o processo de regeneração deste, aplicar cargas integradas para um desenvolvimento generalizado, controlar e avaliar constantemente as cargas de trabalho e alternar as cargas de trabalho durante o período de treinamento. Princípio da manipulação das cargas de trabalho (volume, intensidade e densidade do treinamento). O aumento da condição física é dependente do aumento das cargas de trabalho, e a escolha da incidência do volume, intensidade ou densidade no período determinado de treinamento respeitará a qualidade física trabalhada, o tempo de treinamento e o nível de condicionamento físico (VERKHOSHNSKY, 1996). A carga de trabalho selecionada deve garantir a correta adaptação do atleta para que possa ocorrer o desenvolvimento das capacidades físicas almejadas. Entende-se como uma variável de volume aquelas que estão direcionadas com a distância total percorrida, tempo total de trabalho, número total de exercícios, variável de intensidade aquelas que estão diretamente ligadas cargas utilizadas, velocidade de trabalho e amplitude de movimentos 61 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com (VERKHOSHNSKY, 1996) e densidade do treinamento os períodos de recuperação entre um estímulo e outro e entre uma sessão de treinamento e outra (MAGLISCHO, 2010). O praticante não pode treinar semana após semana com a mesma demanda de carga de trabalho e ainda sim ter resultados biopositivos. Para que o indivíduo possa ter adaptações biopositivas de forma crescente e constante se faz necessária manipulação das cargas de trabalho de forma correta, pois a manipulação realizada de forma incorreta vai gerar uma adaptação bionegativa e conseqüentemente não irá gerar a adaptação esperada. O método mais simples de melhorar o desempenho do praticante é pelo aumento da intensidade de treinamento, mas se o objetivo é melhorar o condicionamento aeróbio os aumentos na velocidade devem ser monitorados para que o praticante não desvie o metabolismo aeróbio para o anaeróbio. As adaptações conseguidas rapidamente com o aumento da intensidade são perdidas rapidamente, pois são apenas ajustes fisiológicos mas, as adaptações estruturais obtidas com o treinamento de intensidade permanecem por semanas até meses mesmo com um treinamento menos intenso. A manipulação das cargas que envolve uma progressão do volume de treinamento permite que os praticantes aumentem de forma constante o metabolismo aeróbio e a resistência muscular. A sobrecarga pelo volume permite um desenvolvimento por até 16 semanas até o ponto de platô do condicionamento, onde será necessário uma manipulação das diferentes cargas para prosseguir com o aumento do condicionamento (MIRWALD, BAILEY, 1986). A densidade do treinamento certamente é o mais efetivo método para o desenvolvimento da resistência muscular. Os intervalos de recuperação reduzidos aumentam a quantidade de energia fornecida pelo metabolismo aeróbio e diminuição da participação do metabolismo anaeróbio. Este método é indicado para trabalhar perto das competições e para o treinamento de ritmo. A manipulação das variáveis do treinamento deve ser feita de forma consciente e planejada para que o indivíduo possa ter a progressão no condicionamento físico de forma constante e progressiva de acordo com os objetivos, abaixo podemos observar um quadro rápido das respostas das manipulações de cada uma das variáveis . Princípio da continuidade A preparação física basea-se em aplicação de cargas crescentes que automaticamente vão sendo assimiladas pelo organismo, onde se observa períodos de estresse e períodos de recuperação (DANTAS, 2003). Este princípio basea-se em uma aplicação de uma nova carga de trabalho antes que o organismo se recupere totalmente da carga anterior, e com a continuidade destes estímulos ocorrerá o fenômeno da super compensação. 62 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com Este processo sistematizado e organizado é conhecido com princípio da continuidade, este por sua vez esta diretamente ligado com o princípio da sobrecarga pois sem uma correta aplicação de uma nova carga de trabalho o condicionamento pode ter um efeito negativo e com isso ter uma adaptação negativa ao invés de uma positiva. Princípio da especificidade Este princípio surgiu da necessidade de se adequar o treinamento do segmento corporal com o sistema energético e o gesto esportivo, tudo isso com um único objetivo o da melhor performance. Durante o treinamento o professor cria situações reais de prova para que se possa avaliar os sistemas metabólicos, músculo-esquelético e cardiorrespiratório em condições reais e assim obter dados mais fidedignos quanto as reais condições de seu aluno (WEINECK, 1999). O princípio da especificidade baseia-se em adaptações fisiológicas e metabólicas especificas do gesto motor realizado e que as adaptações serão mais eficientes quanto mais próximo da realidade forem os estímulos. 63 Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com 6 REFERÊNCIAS Licenciado para - D ouglas valeriano nunes - 13409255400 - P rotegido por E duzz.com ALDEN, J. R. e MAGENIS, A. A History of the United States. New York, American Book Company, 1960. ALIJAS, R. D. R; TORRE, A. H. D.Calistenia: Volviendo a losorígenes. Emásf, Revista Digital de Educación Física, 2015. 6(33): 87-96. AMARAL, C. R. Calistenia no Plano Geral da Educação Física. 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