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1 
 
 
SISTEMAS DE TREINO E PERIODIZAÇÃO DA MUSCULAÇÃO 
1 
 
 
Sumário 
 
Sumário ..................................................................................................................... 1 
NOSSA HISTÓRIA .................................................................................................... 3 
1. INTRODUÇÃO A MUSCULAÇÃO ................................................................... 4 
2. DEFINIÇÕES BÁSICAS ................................................................................... 6 
2.1REPETIÇÕES ................................................................................................... 6 
2.2 SÉRIES ......................................................................................................... 6 
2.3 INTERVALO DE DESCANSO ...................................................................... 6 
3. PRINCÍPIOS DE TREINAMENTO ................................................................... 7 
3.1 PRINCÍPIO DA ADAPTAÇÃO ......................................................................... 7 
3.2 PRINCÍPIO DA SOBRECARGA ...................................................................... 8 
3.3 PRINCÍPIO DA INTERDEPENDÊNCIA VOLUME-INTENSIDADE .................... 9 
3.4 PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE .................................................................. 10 
3.5 PRINCÍPIO DA ESPECIFICIDADE ................................................................ 11 
4. PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ....................................................... 12 
4.1 HISTÓRICO DA PERIODIZAÇÃO ................................................................. 13 
4.2 CONCEITOS DE PERIODIZAÇÃO ............................................................. 17 
4.3 PLANEJAMENTO DO TREINAMENTO ...................................................... 18 
4.4 SESSÃO DE TREINAMENTO ....................................................................... 19 
 4.4.1 MICROCICLOS ................................................................................. 20 
 4.4.2 MESOCICLO ..................................................................................... 23 
4.4 PERIODIZAÇÃO ONDULATÓRIA .............................................................. 29 
5. ORGANIZAÇÃO E PROCESSOS DE TREINAMENTO ................................. 31 
5.1 EDUCAÇÃO FÍSICA E O DESPORTO .......................................................... 31 
5.2 FUNCIONAMENTO DO ORGANISMO ....................................................... 32 
5.3 HIGIENE E ALIMENTAÇÃO ....................................................................... 32 
5.4 CONTROLE MÉDICO ................................................................................. 32 
5.5 BASES FISIOLÓGICAS DO TREINAMENTO ............................................ 33 
5.6 PREPARAÇÃO FÍSICA GERAL E ESPECIAL ........................................... 33 
5.7 PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA ............................................................ 33 
2 
 
 
5.8 PREPARAÇÃO MORAL E PSICOLÓGICA ................................................ 33 
5.9 MÉTODOS DE TREINAMENTO ................................................................. 34 
5.10 ORGANIZAÇÃO E REALIZAÇÃO DAS COMPETIÇÕES............................ 34 
6. CONCLUSÃO ................................................................................................ 35 
REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 37 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em 
atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com 
isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em 
nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no 
desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de 
promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem 
patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras 
normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável 
e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. 
Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de 
cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do 
serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
 
1. INTRODUÇÃO A MUSCULAÇÃO 
 
Este estudo tem cmo objetivo, aborda as características da musculação no que se 
refere a sistemas de treino e periodização da musculação, segundo a visão de diversos 
autores. Ao longo do capítulo, o leitor irá compreender melhor os efeitos do 
condicionamento físico e os benefícios da prática regular da atividade física. Apresenta 
ainda os conceitos básicos comumente utilizados nas academias de musculação. 
A Musculação pode ser conceituada como a atividade física desenvolvida 
predominantemente através de exercícios destinados a partes específicas do corpo, 
utilizando resistências externas e de forma progressiva (LEIGHTON, 1986; GODOY, 1994). 
Santarém (1999) afirma que musculação é um treinamento contra resistências 
graduáveis, que eleva a capacidade contrátil e o volume dos músculos esqueléticos. 
Também defende que tal atividade não pode ser considerada um esporte, mas sim uma 
forma de preparação física, utilizada por atletas em geral. O autor indica a musculação com 
finalidades terapêutica, estética, de lazer, de reabilitação e de estímulo à saúde. 
Um treinamento de musculação é estruturado através de repetições e séries. A 
repetição é formada por uma contração e um relaxamento da musculatura de forma ritmada. 
Uma série é um conjunto de repetições, seguidas por um intervalo de descanso 
previamente estipulado. A resistência utilizada para a sessão pode ser proporcionada por 
mecanismos eletromagnéticos ou hidráulicos, por molas ou elásticos, porém, são 
comumente encontradas as resistências por pesos (GUIMARÃES NETO, 1997). 
5 
 
 
 
Dentro do treinamento com pesos, é possível treinar para diferentes objetivos. 
Entre os mais comuns, estão os objetivos com finalidades competitiva, meio de 
preparação física, fins estéticos e fins recreativos. Além desses, auxilia no tratamento do 
diabetes, melhora no processo de remoção do lactato sanguíneo, diminui ansiedade, 
diminui depressão, previne obesidade, previne osteoporose, reduz gordura intra-abdominal 
e outros. 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
 
2. DEFINIÇÕES BÁSICAS 
 
2.1REPETIÇÕES 
 
Podemos definir uma repetição como sendo um movimento completo de um dado 
exercício. Por exemplo, ao realizar uma rosca direta na barra uma repetição corresponde a 
uma contração do músculo, seguida por uma extensão. 
 
2.2 SÉRIES 
 
Se a repetição representa um movimento completo do exercício, as séries são o 
conjunto de repetições. É corriqueiro treinos com mais de uma série; nesses casos, é 
atribuído um intervalo de descanso previamente estabelecido antes da realização da série 
subseqüente. Considerando o mesmo exercício do tópico anterior, o exercício poderia ser 
composto por 8 repetições, 1 um descanso de 45 segundos e mais 8 repetições; nesse 
caso, teríamos duas séries. 
 
2.3 INTERVALO DE DESCANSO 
 
O intervalo de descanso, como sugere o nome, é um intervalo dado entre as séries 
e os exercícios para que o corpo tenha chance de recuperar sua energia a fim de realizar 
mais uma série corretamente. Segundo Brooks (1998), o período de intervalo deve estar 
ligado à especificidade do treinamento. Assim, um intervalo pode variar de 20-30 segundos 
(no caso de resistênciamuscular) a 2-5 minutos (caso a característica do treinamento seja 
força máxima). 
 
 
7 
 
 
3. PRINCÍPIOS DE TREINAMENTO 
 
3.1 PRINCÍPIO DA ADAPTAÇÃO 
 
Diz a Mitologia Grega que, na adolescência, Milon decidiu ser o homem mais forte 
do mundo. Para isso, ele começou a erguer e a levar nas costas um bezerro durante dias. 
Conforme o bichinho ficava mais velho e pesado, Milon ficava mais forte. Até que, quando 
o pequeno bezerro se tornou um touro, Milon era capaz de levantar um peso equivalente a 
um touro. Com esse feito, ele se tornou o homem mais forte do mundo. Como tal feito foi 
alcançado? Essa resposta está no princípio em estudo, o princípio da adaptação. “Diante 
de um estímulo de maior grandeza que o habitual, o organismo experimenta a quebra da 
homeostase (estado de Equilíbrio Dinâmico)” (GUEDES, 2003, p.105). Quando a 
homeostase é quebrada (provocada por stress), o organismo tende a responder com uma 
adaptação, fazendo com que o corpo crie condições de resistir a tal estímulo (POWERS; 
HOWLEY, 2000). O treinamento de musculação consiste basicamente em quebrar 
sistematicamente a homeostase, para que sempre ocorra adaptação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O modelo teórico que melhor explica isso é o modelo da supercompensação. É fácil 
confundir e achar que quanto mais peso levantado, maior será a curva da 
supercompensação. Entretanto, não é bem assim; devemos aplicar um estímulo (estresse) 
8 
 
 
forte suficiente para causar a quebra da homeostase, sem que ocorram lesões físicas 
(GUEDES, 2003). 
 
Supercompensação: Segundo Guedes (2003, p.107), “A recuperação adequada 
proporciona um superávit tanto metabólico (CP, glicogênio), quanto estrutural (proteínas 
contráteis), adaptando o organismo a níveis superiores”. Tal ciclo tem como duração por 
volta de 5 dias pós treino (HOUSTON, 1999, apud GUEDES, 2003). 
 
 
 
 
 
3.2 PRINCÍPIO DA SOBRECARGA 
 
O princípio da sobrecarga anuncia que o aluno deva ser submetido constantemente 
a um estresse (estímulo) cada vez maior, para que, assim, continue ocorrendo a curva de 
supercompensação. Dantas (2003) afirma que período de recuperação de um treino varia 
de acordo com a sua intensidade. Dessa forma, um treinamento pode requerer desde 
poucas horas de descanso até alguns dias de repouso. 
Segundo Bompa (2002), o método da sobrecarga tem se tornado obsoleto, visto 
que o incremento dos estímulos é constante sem dar tempo de recuperação, acabando por 
levar vários atletas à fadiga excessiva, podendo ocorrer lesões. Segundo o mesmo autor, 
em curto prazo, tal estratégia de treino pode ser produtivo, já que as cargas iniciaram 
relativamente baixas, sendo, assim, suportáveis para os atletas. Contudo, a longo prazo, o 
estímulo imposto pelo treinamento levará a níveis críticos de fadiga e ao supertreinamento. 
Isso ocorre porque o modelo da sobrecarga não admite uma regressão na intensidade 
imposta pelo treino. 
 
 
9 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3.3 PRINCÍPIO DA INTERDEPENDÊNCIA VOLUME-INTENSIDADE 
 
O Princípio da Interdependência Volume-Intensidade preconiza que, quando uma 
variável, por exemplo, a intensidade, aumenta, devemos diminuir a outra; no nosso caso, o 
volume (GUEDES, 2003). Tome como exemplo uma pessoa que realiza um Leg Press 45° , 
com 150 quilos, por 10 repetições. Se o objetivo desejado for aumentar o peso levantado 
pelo nosso praticante, devemos fatalmente reduzir o número de repetições. Para imaginar 
a demanda fisiológica que esse exercício requer sem diminuir a carga externa, basta 
calcular: 
 
 
 
O esforço é tão grande que, caso essa pessoa ainda consiga realizar o exercício, 
a chance de lesão, tanto muscular, quanto articular, é muito alta. Imagine ainda um corredor 
de curtas distâncias que consiga percorrer 100m em 10,0 segundos. Se fosse correr uma 
maratona (aproximadamente 42 km) com o mesmo ritmo, seu tempo final seria de 70 
minutos, valor que é baixo demais para uma prova dessa magnitude. Verkoshanski (1995, 
apud GUEDES, 2003, p. 109) relata que “atletas de alto nível suportam alta intensidade, 
por altos volumes de treinamento”. A relação volume-intensidade, está intimamente ligada 
10 
 
 
à fase de treinamento atual do atleta. Se a prioridade for força máxima, devemos reduzir o 
volume total para que possamos aumentar consideravelmente a intensidade. Porém, se no 
momento a resistência muscular localizada é primordial, ocorre o inverso, o volume 
aumenta drasticamente enquanto a intensidade declina (DANTAS, 2003). 
 
 
 
 
 
 
3.4 PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE 
 
Uma única sessão de treinamento de musculação não é suficiente para o aumento 
da performance; porém, o excesso pode levar o sujeito ao que chamamos de 
supertreinamento. Infelizmente, caso as sessões sejam espaçadas demais, não ocorrerá 
melhora no condicionamento físico. E é exatamente isso que o princípio da continuidade 
expõe: 
 
O aprimoramento da performance ocorre ao longo do tempo, desde que o 
treinamento seja contínuo. A interrupção do treinamento leva à reversibilidade das 
adaptações ocorridas , acarretando destreinamento. (GUEDES, 2003, p.109). 
 
Reduções significantes do consumo máximo de oxigênio (VO2max) parecem 
ocorrer dentro de duas a quatro semanas de destreinamento físico. 
11 
 
 
 
 
 
 
 
 
3.5 PRINCÍPIO DA ESPECIFICIDADE 
 
Para Dantas (2003), o Princípio da Especificidade é que rege a maneira pela qual 
o treinamento deve ser elaborado. Para a elaboração do treinamento, deve-se levar em 
conta as características específicas da performance desportiva; entre elas, podemos citar: 
 
 porção corporal de maior influência; 
 ações motoras específicas. 
 sistemas energéticos envolvidos; 
 
Guedes (2003), além de ter idéias que corroboram as de Dantas, ainda acrescenta 
que, ao não respeitar o princípio da Especificidade, os resultados podem ser catastróficos, 
prejudicando o desempenho do atleta. 
12 
 
 
Basicamente, o Princípio da Especificidade baseia-se em respeitar o que o 
atleta/cliente deseja. Se uma pessoa chegar a uma academia de musculação e dizer ao 
instrutor que gostaria de reduzir medidas, ou seja, perder massa corporal. 
 
 
 
 
 
 
4. PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO 
 
A questão da estruturação e periodização do treinamento dos desportistas de alto 
rendimento é um assunto muito atual devido à crescente profissionalização e 
comercialização do desporto de uma forma geral. O crescimento constante do calendário 
de competições e o aumento dos prêmios pagos por elas produzem uma grande 
intensificação nos aspectos relacionados à preparação desportiva e, consequentemente, 
uma evolução nos enfoques teórico-metodológicos e de soluções tecnológicas com o 
objetivo de buscar cada vez mais o máximo do aperfeiçoamento desportivo. Isso, de certa 
forma, mostra uma mudança na forma de pensar e realizar as ideias tradicionais, que 
discutem a dinâmica das cargas do treinamento por sua magnitude, seu caráter e sua 
orientação, além de diferentes formações estruturais em toda a hierarquia do treinamento 
moderno: ciclos, períodos, etapas, macrociclos, mesociclos, etc. (Zhelyazkov, 2001). A 
discussão promovida na literatura internacional tem levado em consideração uma série de 
fatores objetivos e subjetivos: 
13 
 
 
 A grande diferença das atividades motoras nos desportos e as respectivas 
exigências relacionadas com a especialização morfofuncional do organismo; 
 A estrutura da atividade competitiva: eliminatória, de turnos, de pontos 
corridos, etc.; 
 A organização técnico-material e financeira de preparação desportiva como 
premissa para participar em diversos tipos de competições; 
 As concepções teórico-metodológicas e a experiência prática dos grandes 
especialistas do desporto; 
 As formatações em entendimento dos princípios, métodos e formas de 
construção do processo de treinamento. 
Esses e outrosenfoques têm sido estudados e, com muita dificuldade, têm evoluído 
em sua história e vêm se distinguindo em uma sucessão de diversas etapas. A periodização 
do processo de treinamento desportivo consiste, antes de tudo, em criar um sistema de 
planos para distintos períodos que perseguem um conjunto de objetivos mutuamente 
vinculados. O plano de treinamento constitui um sério trabalho científico, que prevê 
perspectivas possíveis a curto, médio e longo prazo. A periodização do treinamento não é 
uma parte isolada do todo, ou seja, o planejamento do treino, mas, sim, uma fase do 
processo de elaboração do planejamento e procura responder à necessidade de unir todas 
as variáveis, o que envolve um programa de preparação dos atletas. Na programação do 
treinamento, na prática, as decisões são tomadas com base em uma premissa lógica. Isso 
quer dizer que, quando se tem uma tarefa qualquer, concreta e determinada 
quantitativamente, deve-se perguntar o que é necessário realizar na prática e de que forma 
solucionar a tarefa. 
 
 
4.1 HISTÓRICO DA PERIODIZAÇÃO 
 
A utilização de planejamentos com o objetivo de maximizar o desempenho de atletas 
em determinado período (competição) é uma prática adotada há muito tempo. No Egito e 
na Grécia, é possível constatar, que há milhares de anos, já eram utilizados alguns 
14 
 
 
princípios do treinamento como maneira de preparar os atletas para os jogos olímpicos e 
para a guerra (BARBANTI,1997). Segundo Bompa (2002), há registros de planejamentos 
realizados pelo grego Flavius Philostratus, desde os jogos olímpicos da antiguidade (170-
245 a.C), os quais descrevem como deve ser realizado o treinamento para as competições 
além de destacar a importância da recuperação após estes períodos competitivos. Dessa 
maneira, pode-se dizer que o desenvolvimento dessa área teve início na Grécia Antiga, 
onde eram desenvolvidos inúmeros jogos, com destaque para os Jogos Olímpicos. Porém, 
somente no final do século XIX, quando o barão Pièrre de Coubertin deu início aos Jogos 
Olímpicos da era moderna, o treinamento passou a ser uma estrutura s istematizada, que 
visa à elevação do rendimento esportivo (BARBANT I, 1997). O planejamento do 
treinamento gradativamente sofreu mudanças e foi, ao longo do tempo, desenvolvido por 
diversos estudiosos. De 1902 a 1913, Kraevki, Tausmev, Olshanik, Skotar, Shtliest e Murph, 
através de suas contribuições, deram início à evolução dos estudos relacionados ao 
planejamento do treinamento esportivo; em 1916, Kotov deu origem ao treinamento 
interrompido e dividido em três ciclos: geral, preparatório e especial; em 1922, Gorinevski 
“escreveu o primeiro livro com o título Bases Fundamentais do treinamento”; em 1930, 
Pihkala escreveu o livro Fundamentos Gerais do T reinamento, que junto com o livro de 
Gorinevski serviu como fonte para os teóricos tradicionais, além de propor a idéia de que a 
carga de treinamento deveria possuir um caráter ondulatório, alternando trabalho e 
recuperação; já em 1939, Grantyn propôs os princípios gerias do planejamento do 
treinamento esportivo, além de confirmar a divisão da temporada nos três ciclos: principal, 
preparação e transição; então, Ozolin, em 1949, afirma a Idéia de treinamento a longo prazo 
(15 a 20 anos) e de que os períodos e as etapas da temporada devem ter a mesma duração, 
mas com distribuição dos conteúdos diferente de acordo com as modalidades, além de que 
os calendários competitivos devem direcionar as etapas de treinamento; e Letonov, em 
1950, criticou os modelos utilizados na época, iniciou os conceitos sobre adaptação 
biológica, alertou sobre a individualidade no que diz respeito às adaptações dos processos 
de treinamento e dividiu a temporada em três ciclos: treinamento geral e específico, forma 
competitiva e recuperação (Gomes, 2009). 
 
15 
 
 
 
Em 1965, o russo Matveyev, atualizou e aprofundou os conhecimentos apresentados 
pelos estudiosos até os anos 50 (Gomes, 2009) e então publicou um modelo de 
estruturação do treinamento, denominado de periodização. Para tanto, ele utilizou 
avaliações e análises estatísticas do comportamento em atletas de diversas modalidades, 
baseando–se nos ciclos de supercompensação do austríaco Hans Selye (Síndrome Geral 
de Adaptação) com modificações do bioquímico desportivo russo Yakolev (GARRETT & 
KIRKENDALL, 2000; BOMPA, 2002; FORTEZA, 2001; GOMES, 2009). A Síndrome de 
Adaptação Geral de Seyle (1936), citada por Chagas (1995), propõe que o organismo passa 
por três diferentes fases antes de adaptar-se a um diferente estresse/estímulo: reação de 
alarme, fase de resistência e fase de esgotamento. Nesta primeira o indivíduo enfrenta um 
estímulo prejudicial, apresentando uma queda em sua resistência, que desencadeará uma 
resposta do organismo gerando em seguida um estágio de adaptação ou de resistência (2ª 
fase). Neste estágio, os sinais característicos da reação de alarme desaparecem totalmente 
e a resistência eleva-se acima das condições normais. A 3ª fase ou estágio de esgotamento, 
aparece se o estresse sobre o indivíduo permanece durante muito tempo, esgotando a 
energia de adaptação. Para Chagas (1995) “deve ser destacado a importância prática 
resultante da tríplice fase da SAG, porque ela nos desperta a atenção para a primeira 
indicação sobre a capacidade de adaptação do organismo, bem como, destaca sua limitada 
energia de adaptação frente a um estresse constante”. Então, para Matveyev (1977), 
periodização é o planejamento e a estruturação do treinamento ao longo da temporada para 
possibilitar ao atleta alcançar um estado de ótima (a melhor possível) performance em 
determinada época da temporada (competição ou competições mais importantes). Este 
estado de ótima performance envolve os aspectos f ís icos, psíquicos, técnicos e táticos. 
No entanto, na tentativa de se adequar a periodização do treinamento à realidade dos 
calendários de competições, que passaram a ocupar grande parte do ano e com isso o 
16 
 
 
sistema de preparação que previa de um a dois picos de rendimento durante a temporada 
já não atendiam às necessidades da prática (Platonov, 2008), foram elaboradas tentativas 
de aperfeiçoar a teoria da periodização, proposta por Matveyev. Na década de 1970, 
Arosjev propôs o modelo de periodização pendular, que segundo Thiess (1985) representa 
apenas uma reforma da periodização de Matveyev, já que a tradicional subdivisão em 
períodos não é desconsiderada. O Modelo Pendular tem como objetivo proporcionar ao 
atleta a obtenção de vários picos de rendimento durante uma mesma temporada, tentando 
adequar desta maneira, a preparação ao calendário de competições. Para isto, segundo 
Filho et al. (2010), fundamenta-se na alternância sistemática entre cargas específicas e 
gerais. Esta alternância de cargas consiste em uma diminuição da carga geral e aumento 
das cargas específicas com a aproximação das competições, e por este motivo, é 
denominado de Modelo Pendular. Para Forteza De La Rosa (2001), quanto menores são 
os pêndulos durante o processo de treinamento, maiores serão as condições de competir 
eficazmente, todavia se os pêndulos são maiores, maior será a possibilidade de sustentar 
a forma desportiva por um tempo maior por parte do atleta. Ainda na década de 1970, outro 
modelo de treinamento foi proposto por Vorobjev: o T reinamento Modular. Segundo Thiess 
(1985), este modelo era utilizado principalmente pelos halterofilistas e tem como 
característica principal, mudanças bruscas e freqüentes no volume e na intensidade das 
cargas de treinamento, durante toda a temporada e com predominância das cargas 
específicas. 
O modelo de Vorobjev é considerado o primeiro modelo de periodização a se afastar 
das idéias propostas na periodização clássica de Matvéiev. No final da década de 1970 e 
início de 1980, Verkhoshanski divulgou os resultados das suas experiências do treinamento 
em blocos, queconsiste na concentração de cargas sequentes, de tal forma que se produz 
uma adaptação significativa a tempo para participar das principais competições (SIFF E 
VERKHOSHANSKI, 2000). No modelo de blocos deve-se atentar para que seja feita uma 
análise da necessidade de cada modalidade, para conseqüente elaboração dos blocos de 
treinamento. Este modelo apresenta dois grandes blocos, preparação e competi ção, um 
mais volumoso e menos intenso e o outro mais intenso e menos volumoso, no qual deverão 
ocorrer os melhores resultados (SILVA, 1995). Para Thiess (1985) este modelo é 
considerado um avanço na área de planejamento esportivo e também uma diferenciação 
do modelo de periodização proposto por Matveyev. Ainda no final da década de 1970, Peter 
Tschiene propôs o Modelo de Treinamento Estrutural voltado para o alto rendimento e que 
17 
 
 
se apoiava nas experiências da antiga República Federal alemã (THIESS E TSCHIENE, 
1985). Este esquema de treinamento é mais voltado para modalidades que apresentam 
grande demanda de Força Rápida e baseia-se na elevação e manutenção, durante todo o 
ciclo de treinamento, da intensidade e do volume para que seja possível manter altos picos 
de rendimento durante toda a temporada (TSCHIENE, 1985). Os atletas russos 
destacaram-se no atletismo e mais especificamente no arremesso de martelo, nestes último 
anos, com resultados considerados surpreendentes em nível mundial (GOMES, 2009). 
Entre estes, está Bondarchuk (campeão olímpico e recordista mundial), atualmente 
treinador de atletismo. Bondarchuk, propôs um modelo de treinamento, que segundo 
Gomes (2009), divide a temporada de preparação em três fases: desenvolvimento, 
manutenção e descanso. Além disso fundamenta-se nas características de adaptação indi 
vidual apresentadas pelos atletas (GOMES, 2009) e por isso é denominado T reinamento 
individualizado de Bondarchuk ou, segundo Gomes (2009), Modelo Integrador. Por isso, 
diferentes atletas apresentam picos de rendimento em diferentes momentos. A estrutura de 
treinamento para as modalidades coletivas é voltada para modalidades com extensos 
calendários competitivos, normalmente os esportes coletivos. Segundo Bompa (2002), 
existem 3 estados diferentes de prontidão esportiva: forma geral, alta forma e ótima forma. 
A obtenção destes desempenhos acontecerão no decorrer da temporada, visando a ótima 
f orma na competição ou competições mais importantes, possibilitando ao atleta a 
superação de seus melhores resultados. 
 
4.2 CONCEITOS DE PERIODIZAÇÃO 
 
Desde seu surgimento como conceito e aplicação prática no treinamento esportivo, 
vários autores definiram de diferentes maneiras a periodização. Para Matveyev (1977), o 
precursor deste conceito, periodização é o planejamento e a estruturação do treinamento 
ao longo da temporada para possibilitar ao atleta alcançar um estado de ótima (a melhor 
possível) performance em determinada época da temporada (competição ou competições 
mais importantes). 
Este estado de ótima performance envolve os aspectos físicos, psíquicos, técnicos 
e táticos. Bompa (2002) acrescenta a idéia da fragmentação da preparação ao longo da 
temporada, e assim define periodização como a divisão do ano de treinamento em vários 
18 
 
 
períodos, com o objetivo específico de se alcançar um alto rendimento através de uma 
preparação sistemática. Esta divisão organizada do treinamento tem o intuito de preparar 
o atleta para as competições mais importantes. Esta fragmentação da temporada em 
intervalos menores e melhor administráveis, como macrociclos e mesociclos 
(ZATSIORSKY, 1999; BOMPA, 2001), deve ter como objetivo, segundo Zakharov (1992), 
possibilitar ao atleta obter a chamada “forma desportiva” em uma sequência de três fases: 
aquisição, manutenção (estabilização relativa) e perda temporária. 
Para que isto aconteça deve haver um estabelecimento de uma sucessão de 
períodos, atentando para a configuração quanto a conteúdos, cargas e ciclos do 
treinamento (MARTIN, 2001), sendo fundamental a clareza de que todos os períodos 
perseguem um conjunto de objetivos mutuamente vinculados (GOMES, 2009). Porém, para 
Chandler e Brown (2009), além da periodização visar a máxima performance ao atleta no 
período apropriado, deve-se atentar, ao mesmo tempo, para diminuir as chances de 
sobretreinamento (overtraining). Além disso, para elaboração de uma periodização “deve-
se estabelecer um prognóstico sobre as possibilidades de performance do atleta de acordo 
com o tempo disponível e de seu potencial; levar em consideração os recursos humanos, 
financeiros e materiais; realizar uma preparação prévia geral; possibilitar ao atleta o auge 
do desempenho na competição mais importante; além de manipular a carga de treinamento 
para que futuramente desempenhos melhores sejam alcançados.”(TUBINO E MOREIRA, 
2003). 
 
4.3 PLANEJAMENTO DO TREINAMENTO 
 
Para que objetivos de curto, médio e longo prazo sejam alcançados, deve ser 
realizado um planejamento que leve em consideração a estruturação, execução, controle e 
avaliação do treinamento (BEYER, 1987). Por isso, destaca-se a importância dos seguintes 
elementos estruturais: preparação plurianual, preparação anual (temporada), macrociclo, 
mesociclo e microciclo de treinamento, além da própria sessão de treinamento (PLATONOV, 
2008; NAVARRO, 1996). Ainda Navarro (1996), defende uma hierarquia em que cada 
elemento estrutural maior está constituído por outros menores, ou seja: 
 - a preparação plurianual está composta por várias preparações anuais 
(temporadas); 
- a preparação anual compreende um ou mais macrociclos; 
19 
 
 
 - um macrociclo é composto por vários mesociclos; 
- um mesociclo é formado por vários microciclos; - um microciclo é um conjunto de 
sessões de treinamento; 
- a sessão é a unidade mais simples do treinamento. (NAVARRO, 1996) 
 
 
 
 
4.4 SESSÃO DE TREINAMENTO 
 
A sessão de treino pode ser tratada como unidade de tempo didático independente, 
com objetivos e tarefas operacionais bem definidas – como unidade cíclica diurna (2 a 3 
treinos por dia) –, com diferentes objetivos operacionais. Se a intenção é realizar um 
trabalho eficaz, a sessão de treinamento deve estar constituída como um todo funcional 
junto a cada uma de suas partes. Seus métodos e conteúdos não devem ser programados 
aleatoriamente, e, sim, devem estar interligados com o objetivo de resolver a deficiência 
apresentada pelo atleta ou pela equipe. 
Em cada treinamento, é comum destacarem-se três partes devidamente 
interligadas: preparatória, principal e final. A divisão da sessão em três partes está 
condicionada pelas particularidades do estado funcional do atleta. 
Para Navarro (1996), a sessão é a unidade básica de treinamento em um sistema 
de preparação esportiva. Zakharov e Gomes (1992) descrevem a sessão de treinamento 
como o elemento integral de partida da estrutura de preparação do atleta. Segundo Navarro 
20 
 
 
(1996), as sessões de treinamento podem ser classificadas dependendo dos tipos de 
tarefas, das formas de organização, da magnitude da carga de treinamento e da orientação 
dos conteúdos. 
 
 
 
 4.4.1 MICROCICLOS 
 
Os microciclos se configuram como um conjunto de várias sessões semanais. Na 
prática, utilizam-se os microciclos curtos e os longos, cuja razão de ser é a alternância entre 
esforço-recuperação, de forma que o atleta evite estar permanentemente em estado de 
cansaço crônico (físico ou psíquico, principalmente quando realiza um volume grande de 
trabalho). 
O microciclo representa o elemento da estrutura de preparação do atleta que inclui 
uma série de sessões de treino ou de competições, visando à solução das tarefas do 
mesociclo referido (etapa) de preparação. Sendo elemento da estrutura geral de 
preparação, o microciclo resolve as tarefas de preparação dentro do correspondente 
período de tempo. A sua duração varia de 3 a 14dias. Na prática do desporto, têm-se 
utilizado mais frequentemente os microciclos de 7 dias, porque, no regime semanal, é 
consideravelmente mais fácil coordenar a vida normal do indivíduo com diferentes fatores 
que determinam o processo de sua preparação como desportista (p. ex., com o regime de 
estudos ou de trabalho do atleta, com o expediente das instalações desportivas, com a 
21 
 
 
participação nas competições, etc.). Os microciclos de maior duração são utilizados, às 
vezes, no processo de preparação dos atletas de alto rendimento e podem estar ligados à 
participação num torneio prolongado ou pressupõem a utilização das condições específicas 
de preparação. A estrutura e o conteúdo do microciclo apresentam características 
diferentes, que estão condicionadas por uma série de fatores. A análise de microciclos que 
se verificam na prática permitiu destacar alguns indícios gerais que lhes são próprios em 
diferentes modalidades desportivas e, com base nisso, classificá-los. Convém destacar, 
como principal indício de classificação, a tarefa que se resolve em determinado microciclo, 
assim como a composição dos meios e dos métodos de treinamento, a grandeza e a 
orientação predominante das cargas que constituem seu conteúdo. 
Os microciclos são uma das unidades estruturais uti lizadas para o planejamento a 
longo prazo (NAVARRO, 1996). Segundo Zakharov (1992), o microciclo é constituído por 
uma série de sessões de treinamento que visam à solução de tarefas de um determinado 
mesociclo. Geralmente tem durações semanais ou mensais, e possibilitam aos treinadores 
refletirem sobre os resultados do trabalho realizado no último microciclo para formulação 
dos microciclos seqüentes. São susceptíveis à alterações devido às influências externas, 
porém não devem haver mudanças que afetem o planejamento previamente estabelecido 
nos meso e macrociclos do treinamento (TUBINO E MOREIRA, 2003). Para Zakharov 
(1992), a aplicação de microciclos na prática permitiu detectar particularidades entre as 
diferentes modalidades e por isso surgiu a necessidade de classificá-los de acordo com a 
tarefa, composição dos meios de treinamento, a grandeza e a orientação predominante das 
cargas de treinamento que constituem o conteúdo de cada microciclo. A partir destas 
informações, Zakharov (1992) dividiu e classificou os microciclos de acordo com o período 
da temporada em que o atleta se encontra. 
 
1- Microciclos “de treinamento”: consistem na etapa de preparação do atleta que 
visa gerar adaptações a longo prazo no organismo do mesmo. Segundo a composição 
predominante dos meios de treinamento, podem ser divididos em microciclos preparatórios 
gerais ou específicos. Ainda, dependendo do conteúdo predominante das carga de 
treinamento, os microciclos podem ser: a) microciclo de choque: caracteriza-se por altas 
cargas de treinamento, próximo ou mesmo o limite do atleta (80 100%), o qual irá ter uma 
mobilização máxima das reservas energéticas do organismo. Devido à grande exigência 
22 
 
 
dos microciclos de choque, deve haver, a partir de um controle rigoroso, uma alternância 
entre os microciclos de choque e os outros microciclos. 
b) microciclo “ordinário”: possui cargas de treinamento moderadas que irão 
variar de 60 a 80% do máximo do atleta. Este microciclo representa a base estrutural do 
processo de preparação de atletas de diferentes níveis de qualificação. 
c) microciclo “estabilizador”: tem como objetivo a manutenção da forma física 
do atleta. Geralmente estes microciclos substituem os de “choque” e os “ordinários” para 
que as adaptações obtidas nestes períodos prévios do treinamento consigam ser mantidas 
no atleta. A grandeza das cargas estão entre 40 e 60% do máximo do atleta. 
d) microciclo recuperativo de manutenção: o objetivo principal deste microciclo 
é assegurar a recuperação do atleta, porém possibilitando ao mesmo a manutenção de 
certas adaptações obtidas nos microciclos anteriores e da condição integral do atleta. A 
utilização deste microciclo reduz, significativamente, a perda da forma f ísica do atleta, 
assegurando assim uma recuperação ativa do mesmo. A grandeza das cargas variam de 
30 a 40% do máximo do atleta. 
e) microciclo recuperativo: visa a recuperação completa do atleta. Para isso, a 
carga de treinamento está por volta de 10-20% do máximo do atleta. Dias de descanso 
também são comuns neste microciclo. 
2- Microciclo preparatório de controle: tem como objetivo avaliar o nível de 
preparação do atleta, ou seja, as adaptações ao treinamento e a assimilação da carga de 
treinamento nos microciclos anteriores. Por isso, geralmente é apli cado ao final de etapas 
de preparação, incorporando ao treinamento, participação em situações próximas ou até 
mesmo idênticas ao que o atleta irá encontrar nas competições. Então o treinador poderá 
detectar possíveis deficiências nos atletas e iniciar as correções necessárias. 
 3- Microciclo pré-competitivo: é o período de preparação que se encontra 
próximo às competições objetivadas pelo atleta. Neste período o atleta deve estar em um 
ótimo estado de prontidão que foi possibilitado pela acumulação dos períodos anteriores da 
preparação. Neste microciclo não é indicado a utilização de cargas máximas e os 
treinamentos de alta intensidade se alternam com fases de recuperação. Possuem a tarefa 
principal ligada à criação do efeito sumário de treinamento. Sua reprodução numa série de 
microciclos de treinamento garante as mudanças de adaptação a longo prazo no organismo 
do atleta, as quais estão na base do aperfeiçoamento de diversos aspectos de sua 
preparação. Segundo a composição predominante dos meios de treinamento utilizados, 
podem-se destacar os microciclos de treinamento preparatórios gerais e especiais. 
23 
 
 
4- Microciclo competitivo: o objetivo deste microci clo é transferir o que foi 
realizado durante os treinamentos, para as competições. A estrutura e a duração do 
microciclo irão depender e variar de acordo com o regulamento e a especificidade da 
modalidade. 
 
 
 4.4.2 MESOCICLO 
 
O mesociclo trata da estrutura de carga que varia de 3 a 6 semanas e representa o 
elemento da estrutura de preparação do atleta orientado para a solução das tarefas de 
determinado. O mesociclo é unidade estrutural da preparação desportiva e constitui-se de 
vários microciclos (NAVARRO, 1996). O mesociclo apresenta-se como uma etapa 
relativamente completa do processo de treinamento, geralmente com duração de três a seis 
semanas. O processo de treinamento com base em mesociclos possibilita a sistematização 
da preparação de acordo com a tarefa principal de determinado período, garante uma 
dinâmica ótima das cargas, uma composição racional dos vários meios e métodos de 
preparação, a correspondência entre os fatores da ação pedagógica e das medidas de 
recuperação, além de atingir a continuidade do desenvolvimento das di versas qualidades 
e capacidades (PLATONOV, 2008). Segundo Navarro (1996), cada mesociclo deve: - 
direcionar os microciclos de treinamento para objetivos simultâneos; - organizar microciclos 
de diferentes tipos e cargas de treinamento para obter um estímulo de treinamento 
acumulado dentro do mesociclo; - deve ser uma estrutura de treinamento relativamente 
completa que proporcione ganhos notáveis na preparação. Classificação dos mesociclos 
Matveyev (1977) classificou os mesociclos da seguinte maneira: mesociclo de introdução, 
de base, de preparação e controle, de pré-competição e de competição. 
1) Mesociclo de introdução: Geralmente inicia o período preparatório do 
macrociclo de preparação. A sua tarefa consiste em assegurar a passagem paulatina do 
organismo do atleta do estado reduzido da atividade de treinamento para o nível competitivo 
a altos parâmetros, frequentemente próximos das cargas máximas de treinamento nos 
mesociclos posteriores. O conteúdo do mesociclo inicial é compostopor 2 a 3 microciclos 
do tipo recuperativo ou inicial e concluídos com o microciclo recuperativo. Para o mesociclo 
inicial, é característica a intensidade relativamente baixa com aumento gradual do volume 
24 
 
 
geral de exercícios.o objetivo deste mesociclo é possibilitar ao atleta melhorar a eficácia do 
trabalho específico com os treinamentos. A carga de treinamento ainda é muito voltada 
para o treinamento físico geral (PLATONOV, 2008). 
 2) Mesociclo de base: Reúne alguns tipos de mesociclos, em que se realiza o 
principal trabalho de treinamento quanto ao aperfeiçoamento de diversos aspectos da 
preparação do atleta. Pela composição dos meios de treino, os mesociclos dividem-se em 
preparatórios gerais e preparatórios especiais, sendo que, pela grandeza das cargas, 
dividem-se em desenvolvimento e estabilizadores. Visa o aumento das capacidades 
funcionais dos principais sistemas do organismo além do desenvolvimento das 
capacidades f ísicas e à formação do preparo técnico, tático e psíquico. A carga de 
treinamento neste período apresenta volume e intensidade altos (PLATONOV, 2008). 
3) Mesociclo de preparação e controle: É a forma principal de organização das 
influências de treinamento que visam à obtenção do efeito acumulativo de treino, que está 
na base da elevação do nível de treino do atleta. Neste período objetiva-se desenvolver a 
capacidade integral do atleta, a partir da continuidade dos mesociclos anteriores. Nesse 
caso, aproximase ao máximo, treinamento e situações que serão encontradas na 
competição, ou seja, esta fase é voltada para a especificidade (PLATONOV, 2008). A 
participação em competições ou situações próximas às mesmas possibilitará ao treinador 
detec tar possíveis deficiências nos atletas (ZAKHAROV, 1992). 
4) Mesociclo de pré-competição: Destaca-se como um componente estrutural que 
assegura a preparação imediata para a competição principal do macrociclo. Durante este 
mesociclo, resolve-se todo um conjunto de tarefas que incluem a recuperação após a etapa 
precedente de competições seletivas, a manutenção e a eventual elevação do nível atingido, 
a eliminação de pequenos defeitos da preparação, a solução do estado psíquico do atleta, 
a adaptação às condições de realização das competições principais, etc. A necessidade de 
solução dessas tarefas condiciona a inclusão, na estrutura do mesociclo pré-competitivo, 
de diferentes tipos de microciclos, cujo conteúdo poderá variar dependendo do estado do 
atleta. Esta fase é destinada a eliminar pequenas falhas que ainda podem ocorrer, 
aperfeiçoando a capacidade técnica do atleta. A parte tática e ps íquica orientada ganha 
lugar de destaque (PLATONOV, 2008). 
5) Mesociclo de competição: Representa a base do período competitivo de 
preparação do atleta. A sua estrutura e o seu conteúdo são determinados pela 
25 
 
 
especificidade da modalidade desportiva, pelo sistema de preparação competitiva, pelas 
particularidades do calendário de competições, pelo nível da qualificação do atleta e por 
outros fatores. A duração do período competitivo poderá ser de 6 até 8 meses, o que é 
característico, por exemplo, para os jogos desportivos. Nesse período, destacam-se 
geralmente 4 a 6 mesociclos competitivos. Este mesociclo é determinado pela 
especificidade de cada modalidade, as particularidade dos calendários esportivos e a qual 
ificação e grau de desempenho do atleta (PLATONOV, 2008). 
Planejamento do Treinamento em Diferentes Períodos do Macrociclo 
O rendimento desportivo do atleta, em grande parte, é determinado pelo caráter da 
distribuição (dinâmica), no ciclo anual, das cargas de treinamento e de competição. O efeito 
acumulativo de cargas de certa orientação de treinamento propicia uma adaptação 
funcional favorável para as cargas que apresentam outra orientação. Como resultado, tal 
combinação assegura a obtenção dos objetivos da preparação no determinado macrociclo, 
em particular a coincidência do pico da forma desportiva com o período das principais 
competições. Para a estruturação do ciclo anual, é importante considerar a solução de 
diferentes tarefas da preparação do atleta (equipe). Com base nas informações colhidas na 
literatura especializada e na experiência de preparação dos atletas de alto rendimento em 
diversas modalidades, podem-se destacar alguns aspectos comuns da estruturação de 
diferentes períodos do macrociclo de preparação. 
1) PERÍODO PREPARATÓRIO 
Em muitos tipos de desportos, o período preparatório destaca-se pelo tempo de 
duração de seu conteúdo. Nesse período, deve ser construída a base funcional que 
assegurará um volume alto de trabalho especial do atleta na temporada de competições. A 
preparação do aparelho locomotor e do sistema vegetativo do organismo deve ser 
estimulada com atividades que têm como objetivo o aperfeiçoamento técnico-tático, bem 
como das capacidades físicas e psicológicas. O sistema moderno de preparação do 
desportista independente da idade e do nível, desde o primeiro dia do período preparatório, 
constrói-se com exercícios que devem resolver a preparação física psicológica, técnica e 
tática de forma especial. A seleção dos exercícios deve respeitar a forma de execução da 
atividade competitiva, bem como imitar o regime de funcionamento da fibra muscular e o 
sistema energético predominante. Isso é possível quando selecionamos exercícios 
oriundos da própria modalidade desportiva, já no período preparatório. O período 
26 
 
 
preparatório é normalmente subdividido em duas etapas: a geral e a especial. Na etapa 
geral do período preparatório, o mesociclo inicial e o mesociclo básico de preparação, 
prevê-se a orientação no sentido de elevação do organismo para a execução eficaz do 
trabalho, com ênfase no sistema aeróbio. Na estruturação da preparação segundo o 
princípio de um macrociclo anual, o volume da carga aeróbia aumenta gradualmente 
durante 10 a 12 semanas e atinge o seu máximo em 4 a 5 meses antes das principais 
competições. No caso de um período preparatório mais curto, tal elevação ocorre durante 
6 a 8 semanas. O trabalho de aperfeiçoamento da resistência aeróbia deve combinar-se 
obrigatoriamente com exercícios de orientação de força no regime de manutenção (5 a 8% 
por mês do valor anual). Os exercícios de preparação geral são utilizados 
predominantemente como meios de preparação de força. Convém assinalar que, já no 
início do período preparatório, muitos técnicos consideram necessário destinar 2 a 3% do 
tempo para os exercícios do tipo sprint. Considera-se que, após o período transitório que 
antecede o período preparatório, no início do macrociclo, o desportista encontra-se em 
condição favorável para o aperfeiçoamento de suas capacidades de velocidade. Nos 
mesociclos, essa possibilidade é dificultada, pois a realização de grandes volumes de 
trabalho de orientação para o aperfeiçoamento de diversos tipos de resistência cria um nível 
desfavorável à revelação máxima das capacidades de velocidade. As altas capacidades 
aeróbias asseguram vantagens somente nas distâncias de fundo. Para obter sucesso nas 
distâncias de meio-fundo e curtas, nas acelerações e no trecho final, o desportista tem de 
dispor de altas capacidades anaeróbias. É por isso que, na segunda etapa do período 
preparatório (os mesociclos preparatório especial básico e preparatório de controle), 
aumenta significativamente o volume de exercícios preparatórios especiais de caráter misto 
(aeróbio-anaeróbio). À medida que se aproximam as competições, incluem-se, no regime 
competitivo específico, em volume cada vez maior, exercícios intensivos. Os volumes mais 
altos de cargas no sistema energético aeróbioanaeróbio misto devem ser enfatizados no 
final do período preparatório. Para atingir a potência máxima de funcionamento do sistema 
anaeróbio-gli- colítico, bastam geralmente 6 a 10 treinos de choque de correspondente 
orientação, realizados durante 2 a3 semanas. Os grandes volumes de cargas de orientação 
anaeróbio-glicolítica são atingidos nunca antes de 4 a 5 semanas que antecedem as 
principais competições. A aplicação demasiadamente prematura e excessiva de cargas 
anaeróbio-glicolíticas reduz o nível das capacidades funcionais do organismo, prejudicando 
o sistema de preparação. A correlação geral de cargas executadas em diversas zonas de 
intensidade, no ciclo anual de preparação, está em média na proporção de 70 a 75% da 
27 
 
 
orientação aeróbia, 12 a 20% da orientação aeróbia/ anaeróbia e 4 a 10% da orientação 
anaeróbia. Tais correlações sofrem alterações, dependendo do tipo de desporto. Assim, 
por exemplo, na preparação dos atletas especializados em maratona, a participação da 
carga aeróbia representa 85 a 87% do volume total anual. As cargas de orientação de força 
dessa etapa devem ser aplicadas na variante uniformizada ou concentrada. Na preparação 
dos atletas de alto rendimento, têm sido utilizados, nos últimos anos, com bastante 
frequência, os mesociclos com volume elevado (concentrado) de cargas de força, na ordem 
de 23 a 25% do volume geral anual. Tal trabalho orientado assegura o nível de preparação 
de força do atleta para o momento das principais competições. A etapa com elevado teor 
de cargas de força dura, geralmente, de 3 a 8 semanas (segundo alguns dados, até 12 
semanas) (Verkhoshanski, 1985), dependendo da duração do período preparatório e dos 
períodos de realização das principais competições. No período de aplicação de cargas 
concentradas de força e de realização de seu efeito, deve ser reduzido o volume do trabalho 
de outra orientação. O efeito mais favorável é proporcionado, nesse período, pelo volume 
moderado de exercícios especiais, om intensidade em elevação gradual. Como os 
exercícios de força utilizam predominantemente meios preparatórios especiais (p. ex., 
corrida saltada, corrida subindo montanha, trabalho nos aparelhos especiais de força, para 
nadadores; os ciclistas praticam subindo a montanha ou andando de bicicleta com catraca 
pesada, etc.), o trabalho de força, no período de sua aplicação concentrada, deve ter 
caráter predominantemente aeróbio. A correlação geral dos meios de preparação de força 
dos atletas das modalidades cíclicas está, em média, na proporção de 70%, resistência de 
força, de 20%, qualidades de velocidade e de força (inclusive força de explosão) e de 10%, 
força máxima (Meerson, 1986). Na etapa especial, dá-se prioridade ao trabalho direto dos 
elementos técnicos ao aperfeiçoamento de elementos anteriormente dominados e que 
devem fazer parte da composição do novo programa competitivo. A preparação física, 
nessa etapa, deve contribuir para a solução das tarefas de aperfeiçoamento técnico. Os 
exercícios de preparação física adquirem orientação cada vez mais especializada e já se 
apresentam como exercícios preparatórios especiais. Inicia-se o controle do nível de 
diversos aspectos de preparação do atleta com sua respectiva correção. A preparação 
técnica visa à consolidação dos hábitos adquiridos e à elevação do nível competitivo. 
 
 
 
28 
 
 
2) PERÍODO COMPETITIVO 
Diversos aspectos da preparação do atleta, no período competitivo, merecem 
atenção especial. A preparação realiza-se em rigorosa conformidade com o calendário das 
competições em que os períodos de realização das principais competições têm significado 
especial. No caso, se o objetivo da preparação consistir na apresentação e na participação 
bem-sucedida nas principais competições realizadas em períodos curtos, o período 
competitivo poderá ser dividido em três etapas (Portman, 1986). 
 
 
 
 
 
29 
 
 
4.4 PERIODIZAÇÃO ONDULATÓRIA 
 
Para Fleck e Kraemer (2006), a periodização pode ser entendida como “a variação 
planejada do volume e da intensidade do treinamento”, sendo “extremamente importante 
para ganhos ótimos contínuos na força, bem como para outros resultados do treinamento. 
Além disso, as alterações nas outras variáveis do treinamento, como a escolha dos 
exercícios, também podem ser feitas de forma regular e periodizada”. A utilização de 
treinamentos periodizados diminui o risco de lesões, evita o overtraining, elimina o tédio e 
melhora a recuperação (KRAEMER et al 2000). Periodização ondulatória é definida como 
a variação regular do volume e da intensidade nas sessões de treinamento presentes em 
um mesmo ciclo (KRAEMER et al., 2003; FLECK, 1999; JIMÉNEZ, 2009; MARX, 2001; 
KRAEMER et al., 2000), com o objetivo de treinar diferentes componentes do sistema 
neuromuscular (JIMÉNEZ, 2009). Periodização ondulatória pode ser utilizada em curtos 
períodos de tempo (semanas, meses), a longo prazo (anos), ou no caso de carreira 
esportiva visa possibilitar ao atleta alcançar o pico de rendimento na competição mais 
importante (FLECK,1999). Vários autores (KRAEMER et al., 2003; FLECK, 1999; JIMÉNEZ, 
2009; MARX, 2001; KRAEMER et al., 2000) consideram como treinamento periodizado, em 
seus respectivos estudos, somente os protocolos/programas de treinamento “ondulatórios”, 
denominando os demais protocolos, “não ondulatórios”, de treinamento “não-periodizado”. 
Fleck realizou um estudo em 1999, no qual analisou diversos trabalhos que confrontaram 
o treinamento “periodizado” com o “não-periodizado”. Stone et al. (1981), citado por Fleck 
(1999), a partir de uma amostra de homens universitários treinados, verificou um aumento 
significativamente maior na força máxima (1RM), nos saltos verticais, na massa corporal 
magra, além de uma diminuição no percentual de gordura dos indivíduos que realizaram o 
treinamento periodizado quando comparados com o “nãoperiodizado”, ambos em seis 
semanas de treinamento. Um segundo estudo citado por Fleck (1999),e publicado em 1980 
por Stowers et al., analisou durante 7 semanas de treinamento, os ganhos de força e 
potência em homens universitários destreinados. A amostra foi dividida em três grupos: 
treinamento periodizado, treinamento não periodizado e controle. O grupo que realizou o 
treinamento periodizado obteve ganhos de força (medido através do teste de 1RM) e 
potência (medido através de saltos verticais) significativamente maiores do que os outros 
grupos. Fleck (1999) ainda cita outros estudos (O’BRYANT et al., 1988; MCGEE et al., 1992; 
W ILLOUGHBY, 1992; W ILLOUGHBY, 1993) que confrontaram o treinamento “periodizado” 
30 
 
 
com o “não periodizado” e encontraram ganhos significativamente maiores de força, de 
desempenho motor, de massa corporal total, massa corporal magra e diminuição do 
percentual de gordura corporal para os indivíduos que realizaram o treinamento 
“periodizado”. Fleck (1999) ainda atenta para a necessidade de analisar os efeitos do 
modelo de treinamento periodizado em mulheres, idosos e crianças, além de analisá-los 
em longo prazo (mai s de seis meses). Então Kraemer et al. (2000), analisaram em vinte e 
quatro tenistas do sexo feminino, o efeito do volume de treinamento de força sobre o 
desenvolvimento das habilidades no desempenho competitivo. Para isso, as atletas foram 
divididas em três diferentes grupos: um grupo controle que não realizava treinamento de 
força, um grupo que realiza treinamento periodizado com múltiplas séries e um treinamento 
não periodizado com série única. A amostra fora avaliada em um pré-teste e com 4, 6 e 9 
meses de treinamento. As variáveis a serem examinadas são: composição corporal, 
potência anaeróbica, avaliação da força máxima (1RM) e máxima velocidade de saque 
(KRAEMER et al., 2000). Durante todo o protocolo de testes não foram observadas 
mudanças significativas na massa corporal em nenhum dos grupos. No entanto, foram 
observados aumentos significativos na massa muscular livre de gordura e diminuição do 
per centual de gordura no grupo com treinamento periodizado após 4, 6 e 9 meses de 
treinamento. Um aumento significativo na potência foi observado somente no treinamentoperiodizado após 9 meses de treinamento (KRAEMER et al., 2000). O desempenho de força 
foi medido no teste de 1 RM nos exercícios supino reto, abdução de ombros livre e no leg 
press. Foram observados aumentos significativos após 4,6 e 9 meses de treinamento para 
o grupo de treinamento periodizado, enquanto para o grupo de treinamento em forma de 
séries simples foram observados aumentos significativos somente após o 4º mês de 
treinamento. Na velocidade do saque foram observados melhoras significativas para o 
grupo de treinamento periodizado após 4 e 9 meses de treinamento, enquanto não foram 
observadas mudanças significativas para o grupo de treinamento em circuito simples 
(KRAEMER et al., 2000). Estes dados demonstram a superioridade do treinamento 
periodizado direcionado para o esporte com alto volume de treinamento quando comparado 
ao treinamento com bai xo volume e séries simples quando o objetivo é melhorar o 
desempenho atlético competitivo (KRAEMER et al., 2000). O treinamento de força é um 
dos treinamentos mais eficientes no que diz respeito à adaptações neuro-musculares 
importante na prevenção de lesões e também para melhoria da performance motora nas 
diferentes modalidades (KRAEMER et al., 2000). Porém poucos estudos tem examinado o 
efeito do treinamento a longo prazo(6 meses ou mais), principalmente em mulheres 
31 
 
 
(KRAEMER et al., 2000). Com a crescente demanda de tempo dedicado às competições, 
acaba sobrando menos tempo para o treinamento de força e condicionamento 
supervisionados, durante e entre as temporadas. Então, sessões de treinamento com baixo 
volume podem reduzir o tempo de treinamento (KRAEMER et al., 2000). Em 2003, Kraemer 
et al., publicaram outro estudo que tinha como objetivo comparar o treinamento “periodizado” 
com o “nãoperiodizado”. Novamente a amostra foi composta por mulheres treinadas em 
tênis. Porém, avaliações para a compos ição corporal, potência anaeróbica, VO2max, 
velocidade, agilidade, força máxima, a altura do salto, velocidade do saque de ténis, e 
concentrações séricas hormonais foram realizadas antes e após 4, 6 e 9 meses de 
treinamento de força realizado 2-3 vezes por semana. Após os treinamentos, Kraemer et 
al. (2003), verifi caram um aumento significativo na massa magra e uma diminuição 
significativa do percentual de gordura sem diferença entre os grupos com treinamento 
“periodizado” e “não-periodizado”. 
5. ORGANIZAÇÃO E PROCESSOS DE TREINAMENTO 
 
A organização e o planejamento do treino são assuntos complexos e requerem uma 
maior quantidade de experimentos científicos para explicar alguns fenômenos que ocorrem 
na prática dos desportos. A seguir, relatamos alguns aspectos que o treinador deve 
conhecer com profundidade para facilitar todo o processo pedagógico de ensino e de 
desenvolvimento do treino dos futuros campeões. 
 
5.1 EDUCAÇÃO FÍSICA E O DESPORTO 
 
A educação física é um processo pedagógico que objetiva instruir e despertar o gosto 
pela prática de exercícios físicos, procurando assim desenvolver a cultura da sociedade 
para a melhora da qualidade da saúde e do bem-estar psicossocial. O desporto deve ser 
encarado como uma atividade regulamentada pelas regras, sendo possível alcançar um 
alto rendimento somente com um treinamento sistematizado e especializado durante 
muitos anos. Dessa forma, o desenvolvimento na prática das capacidades físicas, técnicas, 
táticas, etc. torna-se imprescindível para a preparação do atleta que busca um resultado de 
alto rendimento. 
32 
 
 
5.2 FUNCIONAMENTO DO ORGANISMO 
 
Além de se discutir o funcionamento normal do organismo, deve-se aqui também 
entender quais são as mudanças funcionais que o treinamento pode provocar no organismo 
do atleta. Tais assuntos devem ser abordados pelo treinador durante as sessões de 
treinamento, de uma forma bem clara e objetiva, facilitando, assim, o entendimento pelo 
desportista. 
 
5.3 HIGIENE E ALIMENTAÇÃO 
 
Outro fator que facilitará muito as sessões de treinamento é a conscientização do 
jovem atleta de que a higiene é indispensável, e que a alimentação especializada exerce 
influência significativa no aperfeiçoamento de suas capacidades competitivas. 
5.4 CONTROLE MÉDICO 
 
O controle médico no desporto assume a responsabilidade de manter o bom estado 
de saúde do praticante no período de treinamento destinado ao alto rendimento. 
33 
 
 
5.5 BASES FISIOLÓGICAS DO TREINAMENTO 
 
A fisiologia do exercício fundamenta o desenvolvimento morfofuncional nos atletas 
durante o processo de preparação a longo prazo. As leis biológicas assumem um papel 
regulador em seus sistemas de treinamento. 
 
5.6 PREPARAÇÃO FÍSICA GERAL E ESPECIAL 
 
Em alguns desportos, a preparação física assume o papel de maior importância, 
como é o caso de grande parte dos desportos individuais; entretanto, nos desportos 
coletivos, a preparação física assume apenas um papel complementar, sendo primordial a 
preparação técnico-tática, a psicológica, etc. Nesse caso, é bom que esses conceitos 
teóricos sejam de conhecimento de toda a equipe. 
 
5.7 PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA 
 
É compreendida por alguns autores como o elemento que desenha toda a 
locomoção motora dos atletas na quadra desportiva. A técnica, juntamente com a tática, 
constituem a principal essência dos desportos, principalmente dos coletivos, em que é 
possível, através da tática, trei nar diversos sistemas, como o defensivo, o de ataque, etc. 
 
5.8 PREPARAÇÃO MORAL E PSICOLÓGICA 
 
A preparação moral de um desportista desenvolve-se no processo da própria 
prática desportiva e está associada ao alto nível de preparação psicológica. Isso ajuda o 
atleta a concentrar-se para o jogo, além de despertar a motivação e o espírito de 
coletividade, otimizando a prática competitiva. 
 
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5.9 MÉTODOS DE TREINAMENTO 
 
Os métodos que auxiliam na preparação dos atletas são os verbais, os 
demonstrativos e os de influência prática. Esse último é o mais utilizado pelos treinadores, 
que, mediante os métodos de jogos (os intervalados, os contínuos e os competitivos), 
facilitam o aperfeiçoamento das capacidades competitivas dos atletas. 
 
5.10 ORGANIZAÇÃO E REALIZAÇÃO DAS COMPETIÇÕES 
 
Ao estruturar as sessões de treinamento, o treinador deve prestar atenção ao 
calendário de competições e, ao mesmo tempo, selecionar as mais importantes para a sua 
realidade; isso facilitará a realização e o alcance de um alto nível de forma desportiva. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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6. CONCLUSÃO 
 
O objetivo dos nossos estudos é discutir as tendências modernas do treinamento. 
Seu objetivo não é determinar a atividade a ser realizada, mas sim discutir e entender os 
fatores e os mecanismos fundamentais envolvidos na preparação do desportista. A 
organização do material procura estabelecer uma sequência de entendimento do conteúdo 
proposto. Princípios da preparação desportiva, busca orientar-se com relação a leis e 
regras, princípios pedagógicos e biológicos que fundamentam os conhecimentos 
necessários ao técnico desportivo. Na estruturação e periodização justifica-se pela 
complexidade do tema, mas principalmente pela discussão profunda das possibilidades 
levantadas por grandes estudiosos da preparação desportiva, a origem e evolução dos 
pressupostos teóricos do planejamento do treinamento até as propostas mais modernas. 
Com as várias mudanças ocorridas nas mais diversas modalidades esportivas, que 
vão desde regras até calendários de competições, surgiu a necessidade de realizar 
adaptações na maneira como o treinamento era planejado e executado, para que o mesmo 
continuasse sendo efetivo para o alto nível de desempenho dos atletas. A periodização do 
treinamento sof reu então, várias adaptações desde o seu surgimento, em 1965, para que 
se adequasse principalmente à necessidade de possibilitar ao atleta alcançar picos de 
rendimentos maisvezes na temporada ou mais duradouros, dependendo da modalidade e 
do calendário da mesma. Porém a dificuldade de medir na prática a eficácia destes novos 
modelos de periodização faz com que seja impossível compará-los e determinar qual é o 
mais efetivo para determinado objetivo, modalidade ou até mesmo atleta/equipe. Mesmo 
não sendo possível esta medição, a periodização do treinamento esportivo é, há muito 
tempo, utilizada e estudada por treinadores e estudiosos como uma possível maneira de 
planejar e executar o treinamento a médio e longo prazo e assim, alcançar os objetivos 
propostos previamente à competição. Porém, a periodização tem sido tratada de maneira 
equivocada por alguns autores e chamada por eles de periodização ondulatória. Esta tem 
como definição uma simples manipulação regular dos componentes da carga volume e 
intensidade, dentro de mesmos ciclos de treinamento. Além disso, defendem uma maior 
efetividade deste “modelo de treinamento” desde ganhos significativos de força, potência e 
velocidade de deslocamento, até alterações na concentração hormonal, resultados estes, 
encontrados em seus respectivos estudos.Todo profissional da área do treinamento 
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desportivo precisa obter conhecimentos do desenvolvimento da preparação em um 
contexto global. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
 
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