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APG 22 – “LEITE FRACO” GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA Magny Emanuele Lima – Medicina Objetivos 1. Compreender os benefícios do aleitamento materno e suas orientações; 2. Entender a composição do leite materno e os nutrientes ofertados ao lactente; 3. Discutir os marcos do desenvolvimento e do crescimento esperados por idade. Aleitamento materno De acordo com a OMS, a amamentação é importante à saúde do lactente sob o aspecto nutricional, imunológico, gastrintestinal, psicológico, do desenvolvimento e da interação entre mãe e filho. Com o intuito de prevenir a desnutrição precoce e reduzir a morbimortalidade infantil, a OMS recomenda o aleitamento materno exclusivo (AME) até o 6° mês de vida e a sua complementação até os 2 anos de idade. Segundo dados do Ministério da Saúde, estima-se que o aleitamento materno seja capaz de diminuir em até 13% a morte de crianças menores de 5 anos por causas preveníveis. A informação chama atenção principalmente pelo impacto que a amamentação tem na redução da mortalidade infantil nessa faixa etária e por não existir outra estratégia capaz de alcançar esse feito. A amamentação traz inúmeros benefícios, integrados com a minimização de risco para desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes melito, câncer antes dos 15 anos de idade e sobrepeso/obesidade. Doenças virais podem ser transmitidas pelo leite materno, como síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) e infecções causadas pelo vírus linfotrópico de células T humanas tipo 1 (HTLV-1). Benefícios da amamentação A amamentação na primeira meia hora de vida intensifica a formação de laços afetivos entre mãe e filho, promove a colonização da pele do recém- nascido pela microbiota da mãe e promove o início do ato de amamentar. São inúmeros os benefícios da amamentação natural para a mãe e para o filho: O leite materno é altamente nutritivo e pode suprir todas as necessidades alimentares do recém- nascido durante os 4 a 6 primeiros meses de vida. De 6 a 12 meses, fornece 3/4 das proteínas necessárias para a criança e daí em diante permanece como valioso suplemento proteico à dieta infantil. Além desses elementos, o leite materno contém açúcar, gorduras, sais minerais e vitaminas. Com exceção das gorduras e das vitaminas, sua composição é relativamente independente da nutrição materna. Devido à sua composição e, principalmente, ao seu conteúdo rico em substâncias imunológicas, o leite materno protege o recém-nascido contra infecções bacterianas do sistema digestório e infecções respiratórias. O leite materno não é perecível e está isento de bactérias, eventos triviais na amamentação artificial em áreas tropicais, onde a esterilização e a refrigeração dos alimentos são deficientes ou inexistentes. O ato de amamentar estimula o crescimento adequado da boca e mandíbula do recém- nascido, o que promove uma adequação anatômica do sistema estomatognático e diminui em mais de 50% cada um dos indicadores de maloclusões dentárias (apinhamento, mordida cruzada posterior, mordida aberta, rotações dentárias, entre outros), que afetariam mais tarde a função dentofacial da criança. A amamentação cria uma ligação especial entre a mãe e o recém-nascido, o que repercute positivamente na vida da criança em termos de estimulação, fala, sensação de bem-estar e segurança e no seu modo de se relacionar com outras pessoas. A amamentação diminui o risco de asma e leucemia na infância, além de diminuir os riscos de doenças crônicas na vida adulta, como obesidade, dislipidemia, hipertensão e diabetes. A amamentação natural é econômica e conveniente. É relativamente efetiva como método anticoncepcional (uma vez que as lactantes, enquanto amenorreicas, tendem a não APG 22 – “LEITE FRACO” GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA Magny Emanuele Lima – Medicina conceber, em sua grande maioria) e, a longo prazo, reduz o risco de diabetes tipo 2 e câncer de mama, útero e ovários. Amamentar logo que o bebê nasce diminui o sangramento da mãe após o parto e faz o útero voltar mais rápido ao tamanho normal, e a diminuição do sangramento previne a anemia materna. Quando o bebê suga adequadamente, a mãe produz prolactina, que faz os peitos produzirem o leite, e ocitocina, que libera o leite e faz o útero se contrair, diminuindo o sangramento. Portanto, o bebê deve ser colocado no peito logo após o nascimento, ainda na sala de parto. Ato da amamentação A atuação do profissional de saúde junto às mães de recém-nascidos é imprescindível por favorecer o aleitamento exclusivo, reduzindo a mortalidade neonatal. Um bom posicionamento para amamentar é obtido quando mãe e recém- nascido estão bem estabelecidos, confortáveis e, consequentemente, relaxados. A melhor posição para amamentar é aquela em que a mãe e o bebê sintam-se confortáveis. A mãe pode estar sentada, em pé ou deitada (esta última mais indicada para incentivo à amamentação na primeira meia hora de vida pós-cirurgia materna). A amamentação deve ser prazerosa tanto para a mãe como para o bebê. O bebê deve estar virado para a mãe, bem junto de seu corpo, bem apoiado e com os braços livres. A cabeça do bebê deve ficar de frente para o peito e o nariz bem na frente do mamilo. Só coloque o bebê para sugar quando ele abrir bem a boca. Quando o bebê pega bem o peito, o queixo encosta na mama, os lábios ficam virados para fora, o nariz fica livre e aparece mais aréola na parte de superior da boca do que na inferior. Cada bebê tem seu próprio ritmo de mamar, o que deve ser respeitado. A mãe deve iniciar pela mama mais cheia, levando o lactente à mama e encostando o mamilo em seu lábio inferior. Assim, ele abrirá a boca e abocanhará a papila mamária e grande parte da aréola, estabelecendo a pega eficaz, a fim de conseguir uma sucção nutritiva e evitar a formação de fissuras e lacerações por uma pega incorreta para sucção. Ao sugar, o recém-nascido comprime a aréola com o seu maxilar, forçando para o exterior o leite acumulado nos canais galactóforos subareolares. A sucção deve ser lenta, profunda e ritmada, com movimentos de apreensão, deglutição e respiração, no ritmo adequado de 1/1/1. A duração da mamada varia de um recém- nascido para outro. O ideal é que ele se solte espontaneamente do peito. Porém, ao perceber que está realizando uma sucção ineficiente ou que já é hora de trocar de peito, a mãe deve colocar a ponta do dedo mínimo no canto da boca do bebê para desfazer a pressão e soltar o peito sem provocar estiramentos na pele e possíveis lacerações. O profissional de saúde deve orientá-la a, na próxima mamada, oferecer o último peito dado na mamada anterior, a fim de facilitar o esvaziamento das mamas. Orientações Os bebês não têm horário para mamar. Eles costumam mamar muitas vezes, de dia e de noite, principalmente nos primeiros meses. Nem todo choro do bebê é fome. APG 22 – “LEITE FRACO” GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA Magny Emanuele Lima – Medicina Ele pode chorar porque está com frio ou calor, sentindo algum desconforto, fraldas sujas ou precisando de aconchego. É comum o bebê engolir ar enquanto mama. Por isso, quando ele terminar de mamar, é importante segurá-lo junto ao colo, em posição vertical, para que ele não tenha desconforto. O leite materno tem o sabor e o cheiro dos alimentos que a mãe come. Por isto, a criança que mama no peito aceita melhor os alimentos que serão introduzidos após os 6 meses. É muito importante que o bebê esvazie bem a mama, porque o leite do fim da mamada tem mais gordura e, por isso, mata a fome do bebê e faz com que ele ganhe mais peso. A cor do leite pode variar, mas ele nunca é fraco. O leite materno é sempre adequado para o desenvolvimento do bebê. Nos primeiros dias,a produção de leite é pequena e este leite chamado de colostro tem alto valor nutritivo e é suficiente para atender às necessidades do bebê. Recomendações para a mãe Cremes e pomadas não devem ser usados. A paciente deve ser orientada a não aplicar nenhum tipo de creme na área areolomamilar durante toda a gestação e no período da amamentação. Seu uso aumenta o risco de traumas mamilares. A higiene dos mamilos deve ser realizada com o próprio leite. Água ou qualquer outra substância, antes e depois das mamadas, estão contraindicadas porque removem a camada hidrolipídica, formada naturalmente pela secreção das glândulas sudoríparas, sebáceas e tubérculos de Montgomery e pelo leite materno. Essa camada tem como finalidade lubrificar a região areolomamilar. As mamas devem ser lavadas apenas no banho diário. É indicada a exposição das mamas ao sol, por 10 a 15 min antes das 10 h ou depois das 16 h, diariamente. A mulher que amamenta toda vez que o recém- nascido solicita (livre demanda) tem melhor lactação do que aquela que só o atende em horários predeterminados – a sucção eficaz estimula a lactação. O esvaziamento incompleto das mamas determina produção láctea inadequada; o leite acaso elaborado em excesso, acima das necessidades do bebê, deve ser eliminado manualmente realizando-se a ordenha manual, e o profissional de saúde deve habilitar a mãe para essa ação, para que ela realize tal prática, evitando o ingurgitamento mamário. Quantidade normal de leite produzida Varia de acordo com a mulher e as necessidades do recém-nascido, mas é estimada pela OMS em 850 mℓ (600 kcal) por dia, valor médio satisfatório nos 6 primeiros meses de amamentação. A melhor maneira de avaliar a lactação adequada é pelo crescimento do bebê: ganho de 800 g ± 20% ao mês durante os 6 primeiros meses de vida ou a duplicação do peso do nascimento à altura do 4° mês são parâmetros satisfatórios. Término da lactação A secreção láctea finda quando cessa a amamentação. A falta de estímulo mamilar impede a liberação de ocitocina e, em consequência, não há ejeção láctea. O ácino túrgido tem diminuída a sua produção de leite, por efeito local do aumento da pressão. Ademais, a ausência de sucção reativa a produção de PIF de modo a impedir a secreção de PRL. O leite, devido à sua reabsorção no lúmen do ácino mamário, tende a não ser mais produzido. APG 22 – “LEITE FRACO” GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA Magny Emanuele Lima – Medicina Medidas para inibição da lactação Manter mamas suspensas por sutiãs ajustados durante 3 a 10 dias Usar bolsa de gelo por 10 min, 4×/dia Não possibilitar a sucção pelo recém- nascido ou a expressão dos mamilos Medicação: Cabergolina, Bromocriptina e Lisurida Fertilidade no período da lactação A lactação condiciona efeito contraceptivo temporário. Assim como a sucção do mamilo inibe a liberação do PIF hipotalâmico, com elevação da PRL, o hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) está reduzido a níveis não ovulatórios. As mães que amamentam integralmente podem ficar amenorreicas no pós-parto por 8 a 12 meses, enquanto as não lactantes, por menos de 2 meses. A amamentação de curta duração (poucas semanas) ou a parcial é menos eficiente para prolongar a amenorreia pós-parto. Cerca de 80% das puérperas ovulam antes da primeira menstruação. Nas que o fazem entre 1 e 2 meses, 65% das menstruações são precedidas de ovulação, e naquelas que menstruam após 2 meses, a taxa aumenta para 85%. No fim de 6 meses de puerpério, 90% das pacientes já ovulam. As mulheres que amamentam integralmente, enquanto amenorreicas, não concebem (3 a 10% de falhas). A fim de se evitar a gravidez, aconselha-se que, se ainda amenorreicas ou indistintamente após o retorno das regras, as não lactantes procurem proteção anticoncepcional aos 30 a 40 dias, e as lactantes, após 3 a 6 meses. Os anovulatórios orais combinados podem inibir a produção láctea e devem ser evitados. Têm preferência, nas nutrizes, os métodos físicos (DIU, preservativos), sendo permitidos progestógenos em microdoses. Contraindicações para a amamentação Contraindicações temporárias: mães com algumas doenças infecciosas, como varicela, herpes com lesões mamárias, doença de Chagas e tuberculose não tratada, ainda quando tenham de fazer uso de uma medicação imprescindível referentes às categorias 2 A e 2 B, consideradas moderadamente seguras para uso durante a lactação e que, por isso, devem ser usadas com cautela. Os agentes farmacológicos cruzam a membrana celular através de microporos, por difusão ou por transporte ativo; e, ainda, vão diretamente ao leite via espaços intercelulares do epitélio alveolar. A maioria das substâncias ingeridas aparecem no leite, em concentração que não costuma exceder 1% da dose e independentemente do volume da secreção. Durante esse período de tempo, os recém- nascidos devem ser alimentados com leite artificial por copo, e a produção de leite materno deve ser estimulada. Contraindicações definitivas: não são frequentes, mas existem. Trata-se de mães com doenças graves, crônicas ou debilitantes, mães com AIDS, e com o vírus HTLV-1, mães que necessitam fazer uso de medicamentos nocivos aos recém- nascidos e, ainda, bebês com doenças metabólicas raras como fenilcetonúria e galactosemia. Marcos do desenvolvimento e crescimento A expectativa de vida de uma criança e suas contribuições à sociedade se iniciam desde os primeiros anos de vida. Nos últimos anos o campo do desenvolvimento infantil reconhece cada vez mais a importância de uma perspectiva neurobiodesenvolvimental, em que se observa a criança como parte da família, da comunidade e da cultura local. Triagem e vigilância do desenvolvimento O processo de triagem e vigilância consiste na busca dos casos de maior risco para atrasos em relação ao desenvolvimento. A triagem é feita por meio do uso de instrumentos padronizados e estruturados que aumentem a sensibilidade de detecção precoce de desvios do desenvolvimento. A vigilância, por sua vez, é um processo contínuo e permanente, que, além de APG 22 – “LEITE FRACO” GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA Magny Emanuele Lima – Medicina usar instrumentos, deve fazer parte de todas as consultas de promoção da saúde. Por meio dela é possível detectar o perfil das crianças que precisarão de um acompanhamento mais específico. Desde 2017 está em vigor a Lei n. 13.438 - obrigatoriamente e para todas as crianças em seus primeiros 18 meses de vida, tem de aplicar um protocolo para detecção de risco ao desenvolvimento. Enquanto o crescimento se caracteriza pelo aumento no número de células, o desenvolvimento envolve, principalmente, a capacidade de realizar funções cada vez mais complexas, a aquisição de competências e o refinamento de habilidades que terão, entre outros efeitos, a autonomia do indivíduo ao longo do ciclo vital. A avaliação deve ser feita de acordo com cada marco do desenvolvimento e com a faixa etária. Caso aconteça falha em alcançar algum marco, deve-se antecipar a consulta seguinte e iniciar investigação quanto à situação ambiental e à relação da criança com os pais ou cuidadores. A persistência de atrasos do desenvolvimento por mais de 2 consultas ou a ausência do marco esperado para aquela fase indicam a necessidade de avaliação mais aprofundada e do encaminhamento para um serviço de maior complexidade ou para uma avaliação profissional mais específica, para que se inicie uma estimulação precoce. O desenvolvimento não segue um padrão linear e as fases se fundem umas com as outras, apesar da divisão existente. Estágio de 0 a 2 meses Desenvolvimento motor Ao nascimento o padrão motor da criança é imaturo, e observa-se predominância do tônus flexor dos membrosassociado a uma hipotonia axial, uma preensão palmar reflexa e o reflexo de sucção. A avaliação do desenvolvimento dos reflexos permite determinar a integridade do SNC de acordo com a expectativa relacionada à idade cronológica da criança. Esses reflexos estão presentes em todos os recém-nascidos a termo, sendo considerados fisiológicos nos primeiros meses de vida. Sua ausência inicial ou permanência tardia sugere alterações patológicas que merecem ser investigadas. É importante lembrar que os prematuros devem ter seu acompanhamento feito de acordo com a idade gestacional corrigida até os 2 anos. Os principais reflexos a serem analisados são: preensão palmar, preensão plantar, reflexo cutâneo-plantar, reflexo de Moro, reflexo tônico-cervical, também conhecido como reflexo do esgrimista ou reação de Magnus-Kleijn, reflexo da marcha reflexa e reflexo da procura ou voracidade. No primeiro mês, deve-se avaliar a postura de flexão de membros superiores e inferiores e a lateralização da cabeça. Ao longo do segundo mês, observar a movimentação ativa dos membros superiores e inferiores e a abertura espontânea das mãos em alguns momentos. Desenvolv. linguagem e comunicação No primeiro mês de vida a única forma de comunicação é o choro alto e repetido, associado às necessidades primárias do bebê. No segundo mês, a criança começa a emitir alguns sons que não o choro. Desenvolvimento socioemocional A criança interage com o outro desde os primeiros momentos de vida. É um ser social e depende do outro para sobreviver. Seu objetivo principal é atingir o controle homeostático com o ambiente, e aos poucos ele vai se tornando alerta e consciente sobre o responsável pelos seus cuidados. O sorriso social inicia-se entre o primeiro e segundo mês de vida. Desenvolvimento cognitivo Presta atenção nos rostos, segue coisas com os olhos e reconhece as pessoas a distância. APG 22 – “LEITE FRACO” GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA Magny Emanuele Lima – Medicina Estágio de 2 a 4 meses Desenvolvimento motor Após os 2 meses de vida há grande avanço no aperfeiçoamento das habilidades motoras dos bebês. Os reflexos primitivos vão desaparecendo. Nesse momento o bebê deve ser capaz de manter a cabeça firme ao ser segurado pelo tronco, além de manter suas mãos abertas com mais frequência, e começa a estender a mão em direção ao que lhe interessa, embora ainda não seja capaz de agarrar o objeto, o que fará somente aos 4 meses. O desenvolvimento motor segue um padrão craniocaudal e outro proximal- distal. Deitado de costas, o lactente, aos 2 meses, deve manter sua cabeça na linha média, em alinhamento com o tronco. Na posição de bruços, a musculatura cervical mantém a cabeça elevada em torno de 45 graus por um momento breve, com os cotovelos posteriores às orelhas. Aos 4 meses, ao ser puxado pelos braços, a cabeça acompanha o movimento alinhada com o tronco, sem pender para trás. De bruços, o bebê mantém a cabeça elevada por muito tempo, em um ângulo de 90 graus, com os cotovelos alinhados com as orelhas. Desenvolv. linguagem e comunicação Aos 2 meses já esboça um som de vogal, e percebe-se o bebê brincando com os sons produzidos. Aos 4 meses o lactente já reconhece os diversos padrões sonoros, como repreensão ou elogios, respondendo com mudança da fisionomia para alegria ou tristeza. Desenvolvimento socioemocional Nessa fase o bebê já apresenta reciprocidade afetiva, com sorriso social, ao ser estimulado afetuosamente. Ele olha direta e demoradamente para a mãe ao ser amamentado, reage positivamente ao ser estimulado, sorrindo e emitindo grunhidos, demonstra satisfação nas atividades prazerosas, como aninhar-se ao corpo do cuidador. Desenvolvimento cognitivo Nessa fase, o bebê repete comportamentos que lhe pareçam agradáveis, ainda está focado em descobertas do seu próprio corpo, como chupar o dedo, colocar objetos na boca, ouvir os próprios sons, apertar as próprias mãos, permitindo saber se ele está feliz ou triste, responde ao afeto, pega o brinquedo com uma mão, usa as mãos e os olhos juntos, como ver um brinquedo e estender a mão para pegá-lo, segue coisas em movimento com os olhos de um lado para o outro, observa rostos de perto e reconhece pessoas familiares e coisas a distância. Estágio de 4 a 6 meses Nesse momento do desenvolvimento são mais serenos, pacíficos, sem cólicas, sorrindo com mais frequência, iniciando um interesse maior pelo rosto humano, com os membros superiores, inferiores e a cabeça mais em linha média, fixando mais o olhar, melhor controle do tônus cervical, explorando os movimentos e objetos, ou seja, já vendo e percebendo um mundo a sua volta. Desenvolvimento motor Aos 4 meses a criança já consegue segurar objetos e quando está em decúbito ventral levanta a cabeça de forma firme, apoiando-se nos antebraços. Apresenta postura simétrica, mãos abertas, reflexo palmar já praticamente ausente e brinca com as duas mãos. Aos 6 meses apresenta mudança de posição de forma ativa (o bebê já rola com facilidade) e consegue levar objetos sozinha à boca. Consegue sentar, apoiando-se para a frente com as mãos ou um apoio, sustenta o peso com membros inferiores, agarra o cubo com as mãos, tenta pegar objetos pequenos e brinca com os pés. Em relação aos reflexos primitivos: os reflexos da procura ou voracidade e de preensão palmar a partir dos 4 meses desaparecem, e os movimentos vão se tornando voluntários. O reflexo de Moro começa a desaparecer e persiste até no máximo os 6 meses de vida. O tônico-cervical persistente nessa idade já representa uma possível lesão cerebral grave. APG 22 – “LEITE FRACO” GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA Magny Emanuele Lima – Medicina Desenvolv. linguagem e comunicação Aos 4 meses a criança emite alguns sons (“gugu”, “eee”), vocaliza socialmente, grita e sorri. Aos 6 meses, consegue emitir sílabas isoladas, com combinação de consoante e vogal (“ba”, “ga”), e consegue obter a localização da fonte sonora. Desenvolvimento socioemocional Nessa etapa do desenvolvimento infantil há um aumento da reciprocidade social entre a criança e o cuidador. Os bebês são agora capazes de antecipar a intenção do cuidador e acompanham seus movimentos. Com 6 meses manifestam expectativa do horário de comer, sentem o afastamento dos cuidadores, sorriem quando estimulados de forma ativa e intencional, bem como se decepcionam ao ser frustrados, fazendo caretas ou chorando. Desenvolvimento cognitivo Demonstra estar feliz ou triste, responde ao afeto de forma mais adequada, usa as mãos e os olhos juntos, como ver um brinquedo e estender a mão para pegá-lo, observa rostos de perto e reconhece coisas a distância. Estágio de 6 a 9 meses A segunda fase do primeiro ano de vida da criança é marcada por mudanças muito rápidas. As relações de troca com o adulto surgem mais frequentemente e seguem modificando a arquitetura cerebral. Desenvolvimento motor Após os 6 meses, o bebê consegue sentar-se sozinho, sem ajuda ou com mínimo suporte de um adulto, e ficar um bom tempo sem cair para os lados ou para a frente. Percebe a forma e a textura das coisas, sendo capaz de levar pedaços de alimentos à boca. A criança tenta se locomover, às vezes apenas balançando o corpo para a frente e para trás com os quatro membros no solo, com o tronco e a cabeça elevados ou até mesmo rastejando com o abdome rente ao solo. Já é capaz de virar de prono para supino e vice- versa, usando o rolar como forma de locomoção por volta de 8 meses. Aprende a transferir-se de deitado para sentado com apoio. Alguns lactentes, com 9 meses, conseguem engatinhar ou ficar de pé com apoio e se deslocam de um lado para o outro, apoiando-se. Nessa fase, a criança rola em todas as direções, inclusive duranteo sono, o que requer muita atenção por parte de seus cuidadores. Desenvolv. linguagem e comunicação Após os 6 meses, a criança passa a reconhecer seu nome e se vira com som chamativo. Alguns sons específicos, como o do telefone, assim como o som que representa o nome de objetos ou ações (cachorro, gato, bola, tchau), também são aprendidos. O lactente imita muitos sons, como “da-da-da”, e sons específicos mais parecidos com palavras que balbucios. Desenvolvimento socioemocional As pessoas ainda são mais interessantes que objetos. Os bebês são agora capazes de compreender-se como um ser separado da mãe e do mundo, passam a perceber a intenção do cuidador, reconhecem alguns objetos de sua convivência, brincam com as mãos, pés, roupas e brinquedos. Aos 6 meses, já iniciam o entendimento de seus próprios sentimentos, como a diferença entre sentir sede e a necessidade de afeto, com indícios de dicas se querem água ou carinho, por exemplo. Sentem o afastamento dos cuidadores, sorriem quando estimulados de forma ativa e intencional. É esperado que o lactente se preocupe com ruídos altos, como o aspirador de pó, batidas ou com uma voz em tom severo. Passa a demonstrar preferência por determinadas pessoas, objetos ou lugares e muitas vezes chora quando outra criança chora. Progressivamente o bebê vai desenvolvendo as preferências entre seus familiares, culminando com a ansiedade de separação, que acontece por volta dos 9 meses. Desenvolvimento cognitivo Aos 6 meses olha as coisas por perto, demonstra curiosidade e tenta obter coisas e objetos que estão fora de alcance. Começa a passar os APG 22 – “LEITE FRACO” GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA Magny Emanuele Lima – Medicina objetos de uma mão para a outra. Aos 9 meses observa o caminho de algo que cai, procura coisas que vê alguém esconder, entende a brincadeira de esconde-esconde, coloca os objetos com facilidade na boca e pega pequenas coisas como cereais entre o polegar e o indicador. Estágio de 9 a 12 meses Desenvolvimento motor Aos 9 meses os bebês começam a desenvolver as habilidades de se arrastar e engatinhar na direção daquilo em que têm interesse. Aos 10 meses caminham com o apoio, sustentando o corpo nas próprias pernas. Aos 11 meses conseguem ficar em pé por seus próprios meios, e aos 12 meses deambulam se conduzidos pela mão. Desenvolv. linguagem e comunicação Nessa faixa etária os bebês começam a silenciar quando existe um interlocutor e esperam para responder com vocalizações quando seus parceiros param de conversar. Aos 9 meses mostram objetos e respondem de forma efetiva com o movimento de cabeça quando não querem algo; aos 10 meses buscam objetos e levantam os braços para serem colhidos; aos 11 meses mostram, compartilham e começam a responder de forma motora a situações sociais como abanar com a mão. Aos 12 meses apontam com a mão aberta na direção do objeto e o tocam com intenção de exploração. Nessa fase a capacidade da criança de comunicação é mais importante que uma vocalização explícita. Algumas crianças, no final desse período, aos 12 meses, falam palavras singulares, que muitas vezes parecem representar o significado de toda uma sentença – conhecido como período holográfico. Desenvolvimento socioemocional Tipicamente nessa faixa etária, os bebês preocupam-se muito com o cuidador principal, podendo ter medo de outras pessoas que não fazem parte de seu cotidiano e mostrar-se muito reservados em situações novas. Já com 12 meses comunicam melhor suas emoções, mostrando claramente seu afeto e resposta emocional diante de diversas situações, respondendo com intensidade positiva ou negativa a determinados estímulos. Desenvolvimento cognitivo Aos 12 meses o bebê explora as coisas de maneiras diferentes, como sacudir, bater e jogar. Olha para a imagem ou objeto certo quando é nomeado, imita gestos, começa a usar as coisas corretamente, por exemplo, bebidas de um copo, escova de cabelo, bate duas coisas juntas, coloca e tira as coisas de uma caixa, deixa as coisas correrem sem ajuda, cutuca com o dedo indicador e segue instruções simples como “pegue o brinquedo”. Estágio dos 12 aos 18 meses 12 meses é uma idade formativa e transicional. Alguns comportamentos apresentados nessa fase só vão adquirir maior organização aos 15 meses e se consolidar aos 18, quando outros marcos se manifestam em sua forma inicial. Desenvolvimento motor No campo motor, a principal aquisição é a marcha. Aos 12 meses a criança assume a posição ereta e se sustenta sobre seus pés. Aos 15 meses, já prefere caminhar ereta, interagindo mais com o ambiente que a cerca. Consegue segurar objetos pequenos com precisão e facilidade. Nessa idade, sob estímulo, já consegue soltar um bloco dentro de uma caneca, articulando a coordenação visomotora com a habilidade de preensão e soltura voluntária. Contudo, aos 18 meses já terá a capacidade de colocar até 10 blocos dentro de uma caneca de forma ordenada, demonstrando um aprimoramento que é associado à maturidade. Desenvolv. linguagem e comunicação O processo de aquisição da linguagem, na ausência de comprometimentos neurológicos ou de insuficiência nas relações com o ambiente social, ocorre de forma tão ordenada quanto o APG 22 – “LEITE FRACO” GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA Magny Emanuele Lima – Medicina que se observa nos comportamentos motor ou adaptativo. Aos 12 meses, a criança já compreende e reconhece boa parte das situações e objetos que fazem parte de seu cotidiano. Embora sua fala inclua apenas duas ou três palavras com significado, além de “papá” e “mamá”, ela já compreende ordens ou solicitações simples (“me dê a bola”), além de olhar corretamente para os objetos indicados pelos pais ou mesmo apontá-los para especificar o que deseja. Aos 15 meses a criança fala 4-6 palavras incluindo nomes, usando um jargão mais rico e elaborado. Aos 18 meses a linguagem da criança se aprimora, seu jargão se mostra correlato à maior percepção das pessoas e de eventos de sua rotina diária e seu vocabulário se amplia (em torno de 50 palavras). Desenvolvimento socioemocional Nesse período do desenvolvimento a criança gosta de entregar coisas aos outros como brincadeira, pode ter raiva quando frustrada, tem medo de estranhos, demonstra afeto por pessoas conhecidas, pode se apegar aos cuidadores em novas situações, mostra aos outros algo interessante e explora sozinha com os pais em vigilância. Desenvolvimento cognitivo Mostra interesse em uma boneca ou bicho de pelúcia fingindo alimentá-los, aponta para uma parte do corpo, rabisca sozinho, pode seguir comandos verbais de 1 passo sem quaisquer gestos; por exemplo, se senta quando alguém diz “sente-se”. Estágio dos 18 aos 24 meses O período que se inicia a partir dos 18 meses de vida deve ser visto com especial atenção, pois possíveis atrasos na comunicação e desenvolvimento da linguagem, assim como atrasos leves no desenvolvimento motor, podem ser melhor observados nessa fase. Desenvolvimento motor Com 18 meses, as crianças já conseguem andar com segurança e até dar pequenas corridas, além de conseguirem subir e descer degraus baixos e se sentarem em cadeiras pequenas. A partir dos 2 anos, evoluções motoras importantes costumam ser observadas: a criança já é capaz de ficar na ponta dos pés, chutar e lançar bolas sem ajuda, aprende a correr, subir escadas, escalar, pular e abrir maçanetas e começa a tirar sozinha algumas peças de roupa. Em relação à coordenação, consegue copiar grosseiramente desenhos de círculos e linhas horizontais, manifesta preferência pelo uso de uma das mãos e segue ordens com dois comandos diferentes. Desenvolv. linguagem e comunicação Ao se aproximarem dos 2 anos já estão usando entre 50-200 palavras.Aos 18 meses a criança começa a obedecer a ordens simples e, quando solicitada, reconhece e aponta fotos, pessoas e partes do corpo, assim como o nome de objetos familiares. Aos 2 anos se chama pelo nome, completa frases e começa a diferenciar cores, formas e animais. Desenvolvimento socioemocional Um marco importante da criança entre 1-24 meses é o aprendizado do sentimento de posse, quando passa a entender o conceito de “meu” e “não” e a repetir frequentemente essas palavras no dia a dia. Nesse contexto, costuma brincar sozinha e com mais de um brinquedo ao mesmo tempo, embora aceite a companhia de outras crianças para brincar. Ao mesmo tempo que podem demonstrar um comportamento desafiador, iniciando comportamentos de birra, crianças nessa faixa etária começam a demonstrar vergonha, culpa ou tristeza após a transgressão de uma regra. Desenvolvimento cognitivo Ao final desse período as crianças já encontram as coisas mesmo quando escondidas, começam a classificar formas e cores, completam frases e rimas em livros já familiares, brinca de faz de conta, segue instruções de 2 etapas, como “pegue seus sapatos e coloque-os no armário”, e APG 22 – “LEITE FRACO” GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA Magny Emanuele Lima – Medicina nomeia itens em um livro de imagens, como um gato, pássaro ou cachorro. Estágio de 2 a 3 anos Desenvolvimento motor Nesse momento a criança corre e bate numa bola sem perder o equilíbrio, tenta se equilibrar num só pé, sobe escadas alternando movimentos de membros inferiores, colocando um pé de cada vez no degrau, consegue se manter em pé sobre uma única perna, salta no mesmo local com ambos os pés e consegue andar de triciclo. Desenvolv. linguagem e comunicação A criança estabelece relações entre objetos e palavras, amplia o tempo de atenção e concentração, aprimora a percepção auditiva e visual, segue as instruções com 2 ou 3 etapas, pode citar coisas mais familiares, fala o primeiro nome, idade e sexo, nomeia um amigo, diz palavras como “eu”, “nós” e “você”, alguns plurais, fala bem o suficiente para que estranhos o entendam na maior parte do tempo e mantém uma conversa usando 2-3 frases. Desenvolvimento socioemocional Imita adultos e amigos, demonstra afeto pelos amigos sem precisar ser estimulado, demonstra preocupação por um amigo chorando, compreende a ideia de “meu”, “dele” ou “dela”, mostra uma ampla gama de emoções, separa-se facilmente da mãe e do pai e pode ficar chateado com grandes mudanças na rotina. Desenvolvimento cognitivo Consegue usar brinquedos com botões, alavancas e peças móveis, brinca de faz de conta com bonecos, animais e pessoas, monta quebra- cabeças com 3 ou 4 peças, entende o que “dois” significa, copia um círculo com lápis ou giz de cera, vira as páginas do livro uma de cada vez, constrói torres de mais de 6 blocos, parafusa e desparafusa as tampas do frasco ou gira a maçaneta da porta. Avaliação nutricional O crescimento é definido pelo aumento linear e contínuo, mas não constante, das estruturas que compõe; é resultante da interação de fatores intrínsecos ou orgânicos (genéticos, neuroendócrinos) e extrínsecos ou ambientais (nutricionais, condições geofísicas, atividades físicas, vínculo mãe-filho). Fatores extrínsecos: A alimentação é o fator diretamente relacionado ao processo de crescimento. A privação ou excesso de alimentos pode levar a dezenas de distúrbios, de maior ou menor gravidade, devendo haver um equilíbrio entre a demanda e ingestão para nutrição adequada. Quando ocorre predomínio de um dos fatores, aparece subnutrição (proteico-calórica, anemias ferropriva ou megaloblástica, deficiência de vitamina A, raquitismo, entre outras) ou a hipernutrição (obesidade, diabetes, hipervitaminoses). Fatores intrínsecos Podem ser classificados em pré-concepcionais ou genéticos (fisiológicos ou patológicos, com ou sem alteração cromossômica) e pós concepcionais (hormônios). Os fatores genéticos são características herdadas dos pais (genes herdados). Em certas famílias, o crescimento acelerado e a maturação precoce são a regra, ao passo que, em outras, esse processo é lento. A herança genética também é responsável pela transmissão de genes anormais capazes de alterar os ritmos de crescimento e de desenvolvimento (cromossopatias, erros inatos do metabolismo). Alguns hormônios devem ser lembrados como influentes nas 4 fases do crescimento: 1. Crescimento intrauterino: insulina, lactogênio placentário (ação semelhante à do GH, somatotrofina coriônica e somatomedinas). 2. Fase de lactente: os hormônios tireoidianos são os mais importantes, associados à insulina e ao GH. APG 22 – “LEITE FRACO” GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA Magny Emanuele Lima – Medicina 3. Fase pré-puberal: a ação fisiológica mais importante é a do GH. 4. Fase puberal: depende do aumento dos esteroides sexuais, GH e somatomedinas. Antropometria A antropometria é o conjunto de técnicas utilizadas para medir o corpo humano ou suas partes. Podem-se obter medidas globais, como o peso e a estatura, ou de segmentos, como o perímetro cefálico. Quando essas medidas são correlacionadas entre si ou com outros indicadores, como a idade, obtêm-se os índices antropométricos, cuja principal finalidade é permitir a comparação dos dados individuais com os de um a população de referência. Esse tem sido o principal método de avaliação do estado nutricional em crianças, por sua simplicidade, baixo custo, aceitabilidade pela população e por permitir a identificação precoce de crianças em situação de risco nutricional. Embora a antropometria seja um procedimento extremamente simples, erros na obtenção de medidas são frequentes e interferem na interpretação das curvas de crescimento. Índices antropométricos: Peso/idade; Altura/idade; Perímetro cefálico/idade; Índice de massa corporal/idade. Índice peso/idade Pela facilidade de obtenção e por refletir precocemente distúrbios no processo de crescimento, o peso é usado como triagem na avaliação nutricional, pois, na ausência de edema e obesidade, um ganho de peso satisfatório sugere processo de crescimento normal. O ponto negativo é não permitir, numa medida isolada, a distinção entre casos agudos e crônicos de desnutrição. Para essa diferenciação, uma alternativa consiste em avaliar também a relação altura/idade comparando os dois parâmetros. Uma criança com o peso adequado e que, rapidamente, começa a cair de posição no gráfico pode estar em processo de desnutrição aguda, enquanto outra criança, com peso persistentemente abaixo do normal, pode estar com desnutrição crônica. Altura/idade A medida da estatura é denominada comprimento quando obtida com a criança na posição de decúbito; e altura quando obtida com o indivíduo de pé. A criança até os 36 meses deve ser medida em decúbito. Baixa correlação altura/idade indica algum processo biológico que resulta na redução da velocidade de crescimento esquelético. Pode ocorrer desde o nascimento e frequentemente está associada a baixas condições socioeconômicas, aporte inadequado de nutrientes e infecções repetidas ou crônicas. O déficit de altura acompanha tardiamente os agravos nutricionais, sendo relativamente imperceptível nos déficits nutricionais agudos, já que a criança pode perder peso, mas não altura. Um déficit no índice altura/idade indica que a criança tem o crescimento comprometido por processo crônico. O déficit estatural, ao contrário do peso, é dificilmente reversível. Desse modo, um indivíduo que tenha sofrido desnutrição grave e prolongada em alguma época de sua infância ou retardo do crescimento intrauterino pode, no futuro, ter peso normal ou ser obeso, mas permanecerá com algum grau de comprometimento da estatura.Índice de massa corporal O IMC é calculado pela fórmula peso/altura2, utilizado para avaliar a proporção entre peso e altura. Para crianças e adolescentes, a classificação do estado nutricional é realizada a partir da identificação do escore-Z ou percentil de IMC por idade e sexo. A intersecção da medida de IMC com a idade da criança/adolescente nas curvas de referência possibilitará a classificação do estado nutricional segundo indicador de APG 22 – “LEITE FRACO” GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA Magny Emanuele Lima – Medicina IMC/idade, devendo ser observados os pontos de corte para sua interpretação. A principal limitação desse indicador é não permitir a avaliação da com posição corporal do indivíduo. Índice perímetro cefálico/idade A medida desse índice é muito importante pelo menos até os 2 anos, período em que acontece rápido crescimento da massa encefálica. Alterações importantes podem significar eventos de gravidade, que exigem intervenção precoce. Valores abaixo do esperado podem ser resultado do fechamento precoce de suturas (crânio-sinostose), malformações e sequelas de infecções perinatais, entre outros problemas. Valores acima do esperado podem dever- se a lesões expansivas intracranianas como hidrocefalia e tumores. Peso/altura O déficit no índice peso/altura pode significar um processo biológico de comprometimento recente do crescimento que interferiu no ganho de peso com redução da quantidade de tecido e de gordura, mas que ainda não acometeu a estatura. Pode ser precipitado por infecções ou doenças agudas e ocorre, geralmente, quando o suprimento ou a ingestão alimentar é limitado. Esse processo pode desenvolver-se rapidamente, mas também pode ser revertido em curto período de tempo, se as condições forem favoráveis. Esse índice identifica facilmente os casos agudos de desnutrição. O índice peso/altura deve sempre ser empregado em associação com a altura/idade, pois os déficits proporcionais de peso e altura não são identificados por esse método. O uso isolado do peso/altura tem o inconveniente de não diagnosticar uma criança desnutrida cronicamente. A utilização do IM C/idade vem substituindo esse índice. Curvas de crescimento Como instrumentos de avaliação dos índices antropométricos, são utilizadas as “curvas de crescimento” - gráficos de evolução temporal de peso, altura, correlação peso/altura, IMC e PC. Por meio da análise dessas medidas, ao longo do tempo é possível verificar se a criança apresenta tendência a afastamento de seu canal de crescimento, demandando tratamento clínico- individual. Se o alvo dos estudos for um grupo de indivíduos, o desvio do padrão de normalidade indica a necessidade de implementação de ações sociais, tais como cuidados em saúde, medidas de saneamento, mais acesso a alimentos saudáveis, mais oferta de empregos, etc. Por esse motivo, as curvas de crescimento são instrumentos extremamente úteis no estabelecimento de situações de risco nutricional. As curvas de crescimento são instrumentos que têm, portanto, como objetivo avaliar, por meio de gráficos, o estado nutricional de crianças e adolescentes, identificando aqueles com desvios nutricionais e monitorando o processo de crescimento em cada fase da vida.