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APG 22 – “LEITE FRACO” 
GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA 
Magny Emanuele Lima – Medicina 
 
Objetivos 
1. Compreender os benefícios do 
aleitamento materno e suas orientações; 
2. Entender a composição do leite materno e 
os nutrientes ofertados ao lactente; 
3. Discutir os marcos do desenvolvimento e 
do crescimento esperados por idade. 
Aleitamento materno 
De acordo com a OMS, a amamentação é 
importante à saúde do lactente sob o aspecto 
nutricional, imunológico, gastrintestinal, 
psicológico, do desenvolvimento e da interação 
entre mãe e filho. Com o intuito de prevenir a 
desnutrição precoce e reduzir a morbimortalidade 
infantil, a OMS recomenda o aleitamento materno 
exclusivo (AME) até o 6° mês de vida e a sua 
complementação até os 2 anos de idade. 
Segundo dados do Ministério da Saúde, estima-se 
que o aleitamento materno seja capaz de diminuir 
em até 13% a morte de crianças menores de 5 
anos por causas preveníveis. A informação chama 
atenção principalmente pelo impacto que a 
amamentação tem na redução da mortalidade 
infantil nessa faixa etária e por não existir outra 
estratégia capaz de alcançar esse feito. A 
amamentação traz inúmeros benefícios, 
integrados com a minimização de risco para 
desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes 
melito, câncer antes dos 15 anos de idade e 
sobrepeso/obesidade. 
 Doenças virais podem ser transmitidas pelo 
leite materno, como síndrome da 
imunodeficiência adquirida (AIDS) e 
infecções causadas pelo vírus linfotrópico 
de células T humanas tipo 1 (HTLV-1). 
Benefícios da amamentação 
A amamentação na primeira meia hora de vida 
intensifica a formação de laços afetivos entre mãe 
e filho, promove a colonização da pele do recém-
nascido pela microbiota da mãe e promove o 
início do ato de amamentar. São inúmeros os 
benefícios da amamentação natural para a mãe 
e para o filho: 
O leite materno é altamente nutritivo e pode suprir 
todas as necessidades alimentares do recém-
nascido durante os 4 a 6 primeiros meses de vida. 
De 6 a 12 meses, fornece 3/4 das proteínas 
necessárias para a criança e daí em diante 
permanece como valioso suplemento proteico à 
dieta infantil. Além desses elementos, o leite 
materno contém açúcar, gorduras, sais minerais e 
vitaminas. Com exceção das gorduras e das 
vitaminas, sua composição é relativamente 
independente da nutrição materna. 
Devido à sua composição e, principalmente, ao 
seu conteúdo rico em substâncias imunológicas, o 
leite materno protege o recém-nascido contra 
infecções bacterianas do sistema digestório e 
infecções respiratórias. 
O leite materno não é perecível e está isento de 
bactérias, eventos triviais na amamentação 
artificial em áreas tropicais, onde a esterilização e 
a refrigeração dos alimentos são deficientes ou 
inexistentes. 
O ato de amamentar estimula o crescimento 
adequado da boca e mandíbula do recém-
nascido, o que promove uma adequação 
anatômica do sistema estomatognático e diminui 
em mais de 50% cada um dos indicadores de 
maloclusões dentárias (apinhamento, mordida 
cruzada posterior, mordida aberta, rotações 
dentárias, entre outros), que afetariam mais tarde 
a função dentofacial da criança. 
A amamentação cria uma ligação especial entre 
a mãe e o recém-nascido, o que repercute 
positivamente na vida da criança em termos de 
estimulação, fala, sensação de bem-estar e 
segurança e no seu modo de se relacionar com 
outras pessoas. 
A amamentação diminui o risco de asma e 
leucemia na infância, além de diminuir os riscos de 
doenças crônicas na vida adulta, como 
obesidade, dislipidemia, hipertensão e diabetes. 
A amamentação natural é econômica e 
conveniente. É relativamente efetiva como 
método anticoncepcional (uma vez que as 
lactantes, enquanto amenorreicas, tendem a não 
APG 22 – “LEITE FRACO” 
GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA 
Magny Emanuele Lima – Medicina 
 
conceber, em sua grande maioria) e, a longo 
prazo, reduz o risco de diabetes tipo 2 e câncer de 
mama, útero e ovários. 
Amamentar logo que o bebê nasce diminui o 
sangramento da mãe após o parto e faz o útero 
voltar mais rápido ao tamanho normal, e a 
diminuição do sangramento previne a anemia 
materna. Quando o bebê suga adequadamente, 
a mãe produz prolactina, que faz os peitos 
produzirem o leite, e ocitocina, que libera o leite e 
faz o útero se contrair, diminuindo o sangramento. 
Portanto, o bebê deve ser colocado no peito logo 
após o nascimento, ainda na sala de parto. 
Ato da amamentação 
A atuação do profissional de saúde junto às mães 
de recém-nascidos é imprescindível por favorecer 
o aleitamento exclusivo, reduzindo a mortalidade 
neonatal. Um bom posicionamento para 
amamentar é obtido quando mãe e recém-
nascido estão bem estabelecidos, confortáveis e, 
consequentemente, relaxados. 
A melhor posição para amamentar é aquela em 
que a mãe e o bebê sintam-se confortáveis. A 
mãe pode estar sentada, em pé ou deitada (esta 
última mais indicada para incentivo à 
amamentação na primeira meia hora de vida 
pós-cirurgia materna). A amamentação deve ser 
prazerosa tanto para a mãe como para o bebê. 
O bebê deve estar virado para a mãe, bem junto 
de seu corpo, bem apoiado e com os braços 
livres. A cabeça do bebê deve ficar de frente 
para o peito e o nariz bem na frente do mamilo. 
Só coloque o bebê para sugar quando ele abrir 
bem a boca. Quando o bebê pega bem o peito, 
o queixo encosta na mama, os lábios ficam 
virados para fora, o nariz fica livre e aparece mais 
aréola na parte de superior da boca do que na 
inferior. Cada bebê tem seu próprio ritmo de 
mamar, o que deve ser respeitado. 
 A mãe deve iniciar pela mama mais cheia, 
levando o lactente à mama e encostando 
o mamilo em seu lábio inferior. Assim, ele 
abrirá a boca e abocanhará a papila 
mamária e grande parte da aréola, 
estabelecendo a pega eficaz, a fim de 
conseguir uma sucção nutritiva e evitar a 
formação de fissuras e lacerações por uma 
pega incorreta para sucção. 
 Ao sugar, o recém-nascido comprime a 
aréola com o seu maxilar, forçando para o 
exterior o leite acumulado nos canais 
galactóforos subareolares. 
 A sucção deve ser lenta, profunda e 
ritmada, com movimentos de apreensão, 
deglutição e respiração, no ritmo 
adequado de 1/1/1. 
A duração da mamada varia de um recém-
nascido para outro. O ideal é que ele se solte 
espontaneamente do peito. Porém, ao perceber 
que está realizando uma sucção ineficiente ou 
que já é hora de trocar de peito, a mãe deve 
colocar a ponta do dedo mínimo no canto da 
boca do bebê para desfazer a pressão e soltar o 
peito sem provocar estiramentos na pele e 
possíveis lacerações. O profissional de saúde deve 
orientá-la a, na próxima mamada, oferecer o 
último peito dado na mamada anterior, a fim de 
facilitar o esvaziamento das mamas. 
 
Orientações 
 Os bebês não têm horário para mamar. 
Eles costumam mamar muitas vezes, de dia 
e de noite, principalmente nos primeiros 
meses. Nem todo choro do bebê é fome. 
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GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA 
Magny Emanuele Lima – Medicina 
 
Ele pode chorar porque está com frio ou 
calor, sentindo algum desconforto, fraldas 
sujas ou precisando de aconchego. 
 É comum o bebê engolir ar enquanto 
mama. Por isso, quando ele terminar de 
mamar, é importante segurá-lo junto ao 
colo, em posição vertical, para que ele 
não tenha desconforto. 
 O leite materno tem o sabor e o cheiro dos 
alimentos que a mãe come. Por isto, a 
criança que mama no peito aceita melhor 
os alimentos que serão introduzidos após os 
6 meses. 
 É muito importante que o bebê esvazie 
bem a mama, porque o leite do fim da 
mamada tem mais gordura e, por isso, 
mata a fome do bebê e faz com que ele 
ganhe mais peso. 
 A cor do leite pode variar, mas ele nunca 
é fraco. O leite materno é sempre 
adequado para o desenvolvimento do 
bebê. 
 Nos primeiros dias,a produção de leite é 
pequena e este leite chamado de colostro 
tem alto valor nutritivo e é suficiente para 
atender às necessidades do bebê. 
 
Recomendações para a mãe 
Cremes e pomadas não devem ser usados. A 
paciente deve ser orientada a não aplicar 
nenhum tipo de creme na área areolomamilar 
durante toda a gestação e no período da 
amamentação. Seu uso aumenta o risco de 
traumas mamilares. 
A higiene dos mamilos deve ser realizada com o 
próprio leite. Água ou qualquer outra substância, 
antes e depois das mamadas, estão 
contraindicadas porque removem a camada 
hidrolipídica, formada naturalmente pela 
secreção das glândulas sudoríparas, sebáceas e 
tubérculos de Montgomery e pelo leite materno. 
Essa camada tem como finalidade lubrificar a 
região areolomamilar. As mamas devem ser 
lavadas apenas no banho diário. 
 É indicada a exposição das mamas ao sol, 
por 10 a 15 min antes das 10 h ou depois 
das 16 h, diariamente. 
A mulher que amamenta toda vez que o recém-
nascido solicita (livre demanda) tem melhor 
lactação do que aquela que só o atende em 
horários predeterminados – a sucção eficaz 
estimula a lactação. O esvaziamento incompleto 
das mamas determina produção láctea 
inadequada; o leite acaso elaborado em excesso, 
acima das necessidades do bebê, deve ser 
eliminado manualmente realizando-se a ordenha 
manual, e o profissional de saúde deve habilitar a 
mãe para essa ação, para que ela realize tal 
prática, evitando o ingurgitamento mamário. 
Quantidade normal de leite produzida 
Varia de acordo com a mulher e as necessidades 
do recém-nascido, mas é estimada pela OMS em 
850 mℓ (600 kcal) por dia, valor médio satisfatório 
nos 6 primeiros meses de amamentação. A melhor 
maneira de avaliar a lactação adequada é pelo 
crescimento do bebê: ganho de 800 g ± 20% ao 
mês durante os 6 primeiros meses de vida ou a 
duplicação do peso do nascimento à altura do 4° 
mês são parâmetros satisfatórios. 
Término da lactação 
A secreção láctea finda quando cessa a 
amamentação. A falta de estímulo mamilar 
impede a liberação de ocitocina e, em 
consequência, não há ejeção láctea. O ácino 
túrgido tem diminuída a sua produção de leite, 
por efeito local do aumento da pressão. Ademais, 
a ausência de sucção reativa a produção de PIF 
de modo a impedir a secreção de PRL. O leite, 
devido à sua reabsorção no lúmen do ácino 
mamário, tende a não ser mais produzido. 
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GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA 
Magny Emanuele Lima – Medicina 
 
Medidas para inibição da lactação 
 Manter mamas suspensas por sutiãs 
ajustados durante 3 a 10 dias 
 Usar bolsa de gelo por 10 min, 4×/dia 
 Não possibilitar a sucção pelo recém-
nascido ou a expressão dos mamilos 
Medicação: Cabergolina, Bromocriptina e Lisurida 
Fertilidade no período da lactação 
A lactação condiciona efeito contraceptivo 
temporário. Assim como a sucção do mamilo inibe 
a liberação do PIF hipotalâmico, com elevação 
da PRL, o hormônio liberador de gonadotrofina 
(GnRH) está reduzido a níveis não ovulatórios. 
As mães que amamentam integralmente podem 
ficar amenorreicas no pós-parto por 8 a 12 meses, 
enquanto as não lactantes, por menos de 2 meses. 
A amamentação de curta duração (poucas 
semanas) ou a parcial é menos eficiente para 
prolongar a amenorreia pós-parto. 
 Cerca de 80% das puérperas ovulam antes 
da primeira menstruação. Nas que o fazem 
entre 1 e 2 meses, 65% das menstruações 
são precedidas de ovulação, e naquelas 
que menstruam após 2 meses, a taxa 
aumenta para 85%. No fim de 6 meses de 
puerpério, 90% das pacientes já ovulam. 
As mulheres que amamentam integralmente, 
enquanto amenorreicas, não concebem (3 a 10% 
de falhas). A fim de se evitar a gravidez, 
aconselha-se que, se ainda amenorreicas ou 
indistintamente após o retorno das regras, as não 
lactantes procurem proteção anticoncepcional 
aos 30 a 40 dias, e as lactantes, após 3 a 6 meses. 
 Os anovulatórios orais combinados podem 
inibir a produção láctea e devem ser 
evitados. Têm preferência, nas nutrizes, os 
métodos físicos (DIU, preservativos), sendo 
permitidos progestógenos em microdoses. 
Contraindicações para a amamentação 
Contraindicações temporárias: mães com 
algumas doenças infecciosas, como varicela, 
herpes com lesões mamárias, doença de Chagas 
e tuberculose não tratada, ainda quando tenham 
de fazer uso de uma medicação imprescindível 
referentes às categorias 2 A e 2 B, consideradas 
moderadamente seguras para uso durante a 
lactação e que, por isso, devem ser usadas com 
cautela. Os agentes farmacológicos cruzam a 
membrana celular através de microporos, por 
difusão ou por transporte ativo; e, ainda, vão 
diretamente ao leite via espaços intercelulares do 
epitélio alveolar. A maioria das substâncias 
ingeridas aparecem no leite, em concentração 
que não costuma exceder 1% da dose e 
independentemente do volume da secreção. 
Durante esse período de tempo, os recém-
nascidos devem ser alimentados com leite 
artificial por copo, e a produção de leite materno 
deve ser estimulada. 
Contraindicações definitivas: não são frequentes, 
mas existem. Trata-se de mães com doenças 
graves, crônicas ou debilitantes, mães com AIDS, 
e com o vírus HTLV-1, mães que necessitam fazer 
uso de medicamentos nocivos aos recém-
nascidos e, ainda, bebês com doenças 
metabólicas raras como fenilcetonúria e 
galactosemia. 
Marcos do desenvolvimento e crescimento 
A expectativa de vida de uma criança e suas 
contribuições à sociedade se iniciam desde os 
primeiros anos de vida. Nos últimos anos o campo 
do desenvolvimento infantil reconhece cada vez 
mais a importância de uma perspectiva 
neurobiodesenvolvimental, em que se observa a 
criança como parte da família, da comunidade e 
da cultura local. 
Triagem e vigilância do desenvolvimento 
O processo de triagem e vigilância consiste na 
busca dos casos de maior risco para atrasos em 
relação ao desenvolvimento. A triagem é feita por 
meio do uso de instrumentos padronizados e 
estruturados que aumentem a sensibilidade de 
detecção precoce de desvios do 
desenvolvimento. A vigilância, por sua vez, é um 
processo contínuo e permanente, que, além de 
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GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA 
Magny Emanuele Lima – Medicina 
 
usar instrumentos, deve fazer parte de todas as 
consultas de promoção da saúde. Por meio dela 
é possível detectar o perfil das crianças que 
precisarão de um acompanhamento mais 
específico. 
 Desde 2017 está em vigor a Lei n. 13.438 -
obrigatoriamente e para todas as crianças 
em seus primeiros 18 meses de vida, tem de 
aplicar um protocolo para detecção de 
risco ao desenvolvimento. 
Enquanto o crescimento se caracteriza pelo 
aumento no número de células, o 
desenvolvimento envolve, principalmente, a 
capacidade de realizar funções cada vez mais 
complexas, a aquisição de competências e o 
refinamento de habilidades que terão, entre 
outros efeitos, a autonomia do indivíduo ao longo 
do ciclo vital. 
A avaliação deve ser feita de acordo com cada 
marco do desenvolvimento e com a faixa etária. 
Caso aconteça falha em alcançar algum marco, 
deve-se antecipar a consulta seguinte e iniciar 
investigação quanto à situação ambiental e à 
relação da criança com os pais ou cuidadores. A 
persistência de atrasos do desenvolvimento por 
mais de 2 consultas ou a ausência do marco 
esperado para aquela fase indicam a 
necessidade de avaliação mais aprofundada e 
do encaminhamento para um serviço de maior 
complexidade ou para uma avaliação profissional 
mais específica, para que se inicie uma 
estimulação precoce. 
 O desenvolvimento não segue um padrão 
linear e as fases se fundem umas com as 
outras, apesar da divisão existente. 
Estágio de 0 a 2 meses 
Desenvolvimento motor 
Ao nascimento o padrão motor da criança é 
imaturo, e observa-se predominância do tônus 
flexor dos membrosassociado a uma hipotonia 
axial, uma preensão palmar reflexa e o reflexo de 
sucção. A avaliação do desenvolvimento dos 
reflexos permite determinar a integridade do SNC 
de acordo com a expectativa relacionada à 
idade cronológica da criança. Esses reflexos estão 
presentes em todos os recém-nascidos a termo, 
sendo considerados fisiológicos nos primeiros 
meses de vida. Sua ausência inicial ou 
permanência tardia sugere alterações 
patológicas que merecem ser investigadas. É 
importante lembrar que os prematuros devem ter 
seu acompanhamento feito de acordo com a 
idade gestacional corrigida até os 2 anos. 
 Os principais reflexos a serem analisados 
são: preensão palmar, preensão plantar, 
reflexo cutâneo-plantar, reflexo de Moro, 
reflexo tônico-cervical, também 
conhecido como reflexo do esgrimista ou 
reação de Magnus-Kleijn, reflexo da 
marcha reflexa e reflexo da procura ou 
voracidade. 
No primeiro mês, deve-se avaliar a postura de 
flexão de membros superiores e inferiores e a 
lateralização da cabeça. Ao longo do segundo 
mês, observar a movimentação ativa dos 
membros superiores e inferiores e a abertura 
espontânea das mãos em alguns momentos. 
Desenvolv. linguagem e comunicação 
No primeiro mês de vida a única forma de 
comunicação é o choro alto e repetido, 
associado às necessidades primárias do bebê. No 
segundo mês, a criança começa a emitir alguns 
sons que não o choro. 
Desenvolvimento socioemocional 
A criança interage com o outro desde os primeiros 
momentos de vida. É um ser social e depende do 
outro para sobreviver. Seu objetivo principal é 
atingir o controle homeostático com o ambiente, 
e aos poucos ele vai se tornando alerta e 
consciente sobre o responsável pelos seus 
cuidados. O sorriso social inicia-se entre o primeiro 
e segundo mês de vida. 
Desenvolvimento cognitivo 
Presta atenção nos rostos, segue coisas com os 
olhos e reconhece as pessoas a distância. 
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GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA 
Magny Emanuele Lima – Medicina 
 
Estágio de 2 a 4 meses 
Desenvolvimento motor 
Após os 2 meses de vida há grande avanço no 
aperfeiçoamento das habilidades motoras dos 
bebês. Os reflexos primitivos vão desaparecendo. 
Nesse momento o bebê deve ser capaz de 
manter a cabeça firme ao ser segurado pelo 
tronco, além de manter suas mãos abertas com 
mais frequência, e começa a estender a mão em 
direção ao que lhe interessa, embora ainda não 
seja capaz de agarrar o objeto, o que fará 
somente aos 4 meses. O desenvolvimento motor 
segue um padrão craniocaudal e outro proximal-
distal. Deitado de costas, o lactente, aos 2 meses, 
deve manter sua cabeça na linha média, em 
alinhamento com o tronco. Na posição de bruços, 
a musculatura cervical mantém a cabeça 
elevada em torno de 45 graus por um momento 
breve, com os cotovelos posteriores às orelhas. 
Aos 4 meses, ao ser puxado pelos braços, a 
cabeça acompanha o movimento alinhada com 
o tronco, sem pender para trás. De bruços, o bebê 
mantém a cabeça elevada por muito tempo, em 
um ângulo de 90 graus, com os cotovelos 
alinhados com as orelhas. 
Desenvolv. linguagem e comunicação 
Aos 2 meses já esboça um som de vogal, e 
percebe-se o bebê brincando com os sons 
produzidos. Aos 4 meses o lactente já reconhece 
os diversos padrões sonoros, como repreensão ou 
elogios, respondendo com mudança da 
fisionomia para alegria ou tristeza. 
Desenvolvimento socioemocional 
Nessa fase o bebê já apresenta reciprocidade 
afetiva, com sorriso social, ao ser estimulado 
afetuosamente. Ele olha direta e demoradamente 
para a mãe ao ser amamentado, reage 
positivamente ao ser estimulado, sorrindo e 
emitindo grunhidos, demonstra satisfação nas 
atividades prazerosas, como aninhar-se ao corpo 
do cuidador. 
Desenvolvimento cognitivo 
Nessa fase, o bebê repete comportamentos que 
lhe pareçam agradáveis, ainda está focado em 
descobertas do seu próprio corpo, como chupar 
o dedo, colocar objetos na boca, ouvir os próprios 
sons, apertar as próprias mãos, permitindo saber se 
ele está feliz ou triste, responde ao afeto, pega o 
brinquedo com uma mão, usa as mãos e os olhos 
juntos, como ver um brinquedo e estender a mão 
para pegá-lo, segue coisas em movimento com os 
olhos de um lado para o outro, observa rostos de 
perto e reconhece pessoas familiares e coisas a 
distância. 
Estágio de 4 a 6 meses 
Nesse momento do desenvolvimento são mais 
serenos, pacíficos, sem cólicas, sorrindo com mais 
frequência, iniciando um interesse maior pelo rosto 
humano, com os membros superiores, inferiores e 
a cabeça mais em linha média, fixando mais o 
olhar, melhor controle do tônus cervical, 
explorando os movimentos e objetos, ou seja, já 
vendo e percebendo um mundo a sua volta. 
Desenvolvimento motor 
Aos 4 meses a criança já consegue segurar 
objetos e quando está em decúbito ventral 
levanta a cabeça de forma firme, apoiando-se 
nos antebraços. Apresenta postura simétrica, 
mãos abertas, reflexo palmar já praticamente 
ausente e brinca com as duas mãos. 
Aos 6 meses apresenta mudança de posição de 
forma ativa (o bebê já rola com facilidade) e 
consegue levar objetos sozinha à boca. Consegue 
sentar, apoiando-se para a frente com as mãos ou 
um apoio, sustenta o peso com membros 
inferiores, agarra o cubo com as mãos, tenta 
pegar objetos pequenos e brinca com os pés. 
Em relação aos reflexos primitivos: os reflexos da 
procura ou voracidade e de preensão palmar a 
partir dos 4 meses desaparecem, e os movimentos 
vão se tornando voluntários. O reflexo de Moro 
começa a desaparecer e persiste até no máximo 
os 6 meses de vida. O tônico-cervical persistente 
nessa idade já representa uma possível lesão 
cerebral grave. 
APG 22 – “LEITE FRACO” 
GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA 
Magny Emanuele Lima – Medicina 
 
Desenvolv. linguagem e comunicação 
Aos 4 meses a criança emite alguns sons (“gugu”, 
“eee”), vocaliza socialmente, grita e sorri. Aos 6 
meses, consegue emitir sílabas isoladas, com 
combinação de consoante e vogal (“ba”, “ga”), 
e consegue obter a localização da fonte sonora. 
Desenvolvimento socioemocional 
Nessa etapa do desenvolvimento infantil há um 
aumento da reciprocidade social entre a criança 
e o cuidador. Os bebês são agora capazes de 
antecipar a intenção do cuidador e 
acompanham seus movimentos. Com 6 meses 
manifestam expectativa do horário de comer, 
sentem o afastamento dos cuidadores, sorriem 
quando estimulados de forma ativa e intencional, 
bem como se decepcionam ao ser frustrados, 
fazendo caretas ou chorando. 
Desenvolvimento cognitivo 
Demonstra estar feliz ou triste, responde ao afeto 
de forma mais adequada, usa as mãos e os olhos 
juntos, como ver um brinquedo e estender a mão 
para pegá-lo, observa rostos de perto e 
reconhece coisas a distância. 
Estágio de 6 a 9 meses 
A segunda fase do primeiro ano de vida da 
criança é marcada por mudanças muito rápidas. 
As relações de troca com o adulto surgem mais 
frequentemente e seguem modificando a 
arquitetura cerebral. 
Desenvolvimento motor 
Após os 6 meses, o bebê consegue sentar-se 
sozinho, sem ajuda ou com mínimo suporte de um 
adulto, e ficar um bom tempo sem cair para os 
lados ou para a frente. Percebe a forma e a 
textura das coisas, sendo capaz de levar pedaços 
de alimentos à boca. A criança tenta se 
locomover, às vezes apenas balançando o corpo 
para a frente e para trás com os quatro membros 
no solo, com o tronco e a cabeça elevados ou até 
mesmo rastejando com o abdome rente ao solo. 
Já é capaz de virar de prono para supino e vice-
versa, usando o rolar como forma de locomoção 
por volta de 8 meses. Aprende a transferir-se de 
deitado para sentado com apoio. Alguns 
lactentes, com 9 meses, conseguem engatinhar 
ou ficar de pé com apoio e se deslocam de um 
lado para o outro, apoiando-se. Nessa fase, a 
criança rola em todas as direções, inclusive 
duranteo sono, o que requer muita atenção por 
parte de seus cuidadores. 
Desenvolv. linguagem e comunicação 
Após os 6 meses, a criança passa a reconhecer 
seu nome e se vira com som chamativo. Alguns 
sons específicos, como o do telefone, assim como 
o som que representa o nome de objetos ou 
ações (cachorro, gato, bola, tchau), também são 
aprendidos. O lactente imita muitos sons, como 
“da-da-da”, e sons específicos mais parecidos 
com palavras que balbucios. 
Desenvolvimento socioemocional 
As pessoas ainda são mais interessantes que 
objetos. Os bebês são agora capazes de 
compreender-se como um ser separado da mãe 
e do mundo, passam a perceber a intenção do 
cuidador, reconhecem alguns objetos de sua 
convivência, brincam com as mãos, pés, roupas e 
brinquedos. 
Aos 6 meses, já iniciam o entendimento de seus 
próprios sentimentos, como a diferença entre 
sentir sede e a necessidade de afeto, com indícios 
de dicas se querem água ou carinho, por 
exemplo. Sentem o afastamento dos cuidadores, 
sorriem quando estimulados de forma ativa e 
intencional. É esperado que o lactente se 
preocupe com ruídos altos, como o aspirador de 
pó, batidas ou com uma voz em tom severo. Passa 
a demonstrar preferência por determinadas 
pessoas, objetos ou lugares e muitas vezes chora 
quando outra criança chora. Progressivamente o 
bebê vai desenvolvendo as preferências entre 
seus familiares, culminando com a ansiedade de 
separação, que acontece por volta dos 9 meses. 
Desenvolvimento cognitivo 
Aos 6 meses olha as coisas por perto, demonstra 
curiosidade e tenta obter coisas e objetos que 
estão fora de alcance. Começa a passar os 
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objetos de uma mão para a outra. Aos 9 meses 
observa o caminho de algo que cai, procura 
coisas que vê alguém esconder, entende a 
brincadeira de esconde-esconde, coloca os 
objetos com facilidade na boca e pega 
pequenas coisas como cereais entre o polegar e 
o indicador. 
Estágio de 9 a 12 meses 
Desenvolvimento motor 
Aos 9 meses os bebês começam a desenvolver as 
habilidades de se arrastar e engatinhar na direção 
daquilo em que têm interesse. Aos 10 meses 
caminham com o apoio, sustentando o corpo nas 
próprias pernas. Aos 11 meses conseguem ficar em 
pé por seus próprios meios, e aos 12 meses 
deambulam se conduzidos pela mão. 
Desenvolv. linguagem e comunicação 
Nessa faixa etária os bebês começam a silenciar 
quando existe um interlocutor e esperam para 
responder com vocalizações quando seus 
parceiros param de conversar. Aos 9 meses 
mostram objetos e respondem de forma efetiva 
com o movimento de cabeça quando não 
querem algo; aos 10 meses buscam objetos e 
levantam os braços para serem colhidos; aos 11 
meses mostram, compartilham e começam a 
responder de forma motora a situações sociais 
como abanar com a mão. Aos 12 meses apontam 
com a mão aberta na direção do objeto e o 
tocam com intenção de exploração. Nessa fase a 
capacidade da criança de comunicação é mais 
importante que uma vocalização explícita. 
Algumas crianças, no final desse período, aos 12 
meses, falam palavras singulares, que muitas vezes 
parecem representar o significado de toda uma 
sentença – conhecido como período holográfico. 
Desenvolvimento socioemocional 
Tipicamente nessa faixa etária, os bebês 
preocupam-se muito com o cuidador principal, 
podendo ter medo de outras pessoas que não 
fazem parte de seu cotidiano e mostrar-se muito 
reservados em situações novas. Já com 12 meses 
comunicam melhor suas emoções, mostrando 
claramente seu afeto e resposta emocional diante 
de diversas situações, respondendo com 
intensidade positiva ou negativa a determinados 
estímulos. 
Desenvolvimento cognitivo 
Aos 12 meses o bebê explora as coisas de 
maneiras diferentes, como sacudir, bater e jogar. 
Olha para a imagem ou objeto certo quando é 
nomeado, imita gestos, começa a usar as coisas 
corretamente, por exemplo, bebidas de um copo, 
escova de cabelo, bate duas coisas juntas, 
coloca e tira as coisas de uma caixa, deixa as 
coisas correrem sem ajuda, cutuca com o dedo 
indicador e segue instruções simples como 
“pegue o brinquedo”. 
Estágio dos 12 aos 18 meses 
12 meses é uma idade formativa e transicional. 
Alguns comportamentos apresentados nessa fase 
só vão adquirir maior organização aos 15 meses e 
se consolidar aos 18, quando outros marcos se 
manifestam em sua forma inicial. 
Desenvolvimento motor 
No campo motor, a principal aquisição é a 
marcha. Aos 12 meses a criança assume a 
posição ereta e se sustenta sobre seus pés. Aos 15 
meses, já prefere caminhar ereta, interagindo mais 
com o ambiente que a cerca. 
Consegue segurar objetos pequenos com 
precisão e facilidade. Nessa idade, sob estímulo, 
já consegue soltar um bloco dentro de uma 
caneca, articulando a coordenação visomotora 
com a habilidade de preensão e soltura 
voluntária. Contudo, aos 18 meses já terá a 
capacidade de colocar até 10 blocos dentro de 
uma caneca de forma ordenada, demonstrando 
um aprimoramento que é associado à 
maturidade. 
Desenvolv. linguagem e comunicação 
O processo de aquisição da linguagem, na 
ausência de comprometimentos neurológicos ou 
de insuficiência nas relações com o ambiente 
social, ocorre de forma tão ordenada quanto o 
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que se observa nos comportamentos motor ou 
adaptativo. Aos 12 meses, a criança já 
compreende e reconhece boa parte das 
situações e objetos que fazem parte de seu 
cotidiano. Embora sua fala inclua apenas duas ou 
três palavras com significado, além de “papá” e 
“mamá”, ela já compreende ordens ou 
solicitações simples (“me dê a bola”), além de 
olhar corretamente para os objetos indicados 
pelos pais ou mesmo apontá-los para especificar 
o que deseja. 
Aos 15 meses a criança fala 4-6 palavras incluindo 
nomes, usando um jargão mais rico e elaborado. 
Aos 18 meses a linguagem da criança se aprimora, 
seu jargão se mostra correlato à maior percepção 
das pessoas e de eventos de sua rotina diária e seu 
vocabulário se amplia (em torno de 50 palavras). 
Desenvolvimento socioemocional 
Nesse período do desenvolvimento a criança 
gosta de entregar coisas aos outros como 
brincadeira, pode ter raiva quando frustrada, tem 
medo de estranhos, demonstra afeto por pessoas 
conhecidas, pode se apegar aos cuidadores em 
novas situações, mostra aos outros algo 
interessante e explora sozinha com os pais em 
vigilância. 
Desenvolvimento cognitivo 
Mostra interesse em uma boneca ou bicho de 
pelúcia fingindo alimentá-los, aponta para uma 
parte do corpo, rabisca sozinho, pode seguir 
comandos verbais de 1 passo sem quaisquer 
gestos; por exemplo, se senta quando alguém diz 
“sente-se”. 
Estágio dos 18 aos 24 meses 
O período que se inicia a partir dos 18 meses de 
vida deve ser visto com especial atenção, pois 
possíveis atrasos na comunicação e 
desenvolvimento da linguagem, assim como 
atrasos leves no desenvolvimento motor, podem 
ser melhor observados nessa fase. 
Desenvolvimento motor 
Com 18 meses, as crianças já conseguem andar 
com segurança e até dar pequenas corridas, 
além de conseguirem subir e descer degraus 
baixos e se sentarem em cadeiras pequenas. A 
partir dos 2 anos, evoluções motoras importantes 
costumam ser observadas: a criança já é capaz 
de ficar na ponta dos pés, chutar e lançar bolas 
sem ajuda, aprende a correr, subir escadas, 
escalar, pular e abrir maçanetas e começa a tirar 
sozinha algumas peças de roupa. Em relação à 
coordenação, consegue copiar grosseiramente 
desenhos de círculos e linhas horizontais, manifesta 
preferência pelo uso de uma das mãos e segue 
ordens com dois comandos diferentes. 
Desenvolv. linguagem e comunicação 
Ao se aproximarem dos 2 anos já estão usando 
entre 50-200 palavras.Aos 18 meses a criança 
começa a obedecer a ordens simples e, quando 
solicitada, reconhece e aponta fotos, pessoas e 
partes do corpo, assim como o nome de objetos 
familiares. Aos 2 anos se chama pelo nome, 
completa frases e começa a diferenciar cores, 
formas e animais. 
Desenvolvimento socioemocional 
Um marco importante da criança entre 1-24 meses 
é o aprendizado do sentimento de posse, quando 
passa a entender o conceito de “meu” e “não” e 
a repetir frequentemente essas palavras no dia a 
dia. Nesse contexto, costuma brincar sozinha e 
com mais de um brinquedo ao mesmo tempo, 
embora aceite a companhia de outras crianças 
para brincar. Ao mesmo tempo que podem 
demonstrar um comportamento desafiador, 
iniciando comportamentos de birra, crianças 
nessa faixa etária começam a demonstrar 
vergonha, culpa ou tristeza após a transgressão de 
uma regra. 
Desenvolvimento cognitivo 
Ao final desse período as crianças já encontram as 
coisas mesmo quando escondidas, começam a 
classificar formas e cores, completam frases e 
rimas em livros já familiares, brinca de faz de 
conta, segue instruções de 2 etapas, como 
“pegue seus sapatos e coloque-os no armário”, e 
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nomeia itens em um livro de imagens, como um 
gato, pássaro ou cachorro. 
Estágio de 2 a 3 anos 
Desenvolvimento motor 
Nesse momento a criança corre e bate numa bola 
sem perder o equilíbrio, tenta se equilibrar num só 
pé, sobe escadas alternando movimentos de 
membros inferiores, colocando um pé de cada 
vez no degrau, consegue se manter em pé sobre 
uma única perna, salta no mesmo local com 
ambos os pés e consegue andar de triciclo. 
Desenvolv. linguagem e comunicação 
A criança estabelece relações entre objetos e 
palavras, amplia o tempo de atenção e 
concentração, aprimora a percepção auditiva e 
visual, segue as instruções com 2 ou 3 etapas, 
pode citar coisas mais familiares, fala o primeiro 
nome, idade e sexo, nomeia um amigo, diz 
palavras como “eu”, “nós” e “você”, alguns 
plurais, fala bem o suficiente para que estranhos o 
entendam na maior parte do tempo e mantém 
uma conversa usando 2-3 frases. 
Desenvolvimento socioemocional 
Imita adultos e amigos, demonstra afeto pelos 
amigos sem precisar ser estimulado, demonstra 
preocupação por um amigo chorando, 
compreende a ideia de “meu”, “dele” ou “dela”, 
mostra uma ampla gama de emoções, separa-se 
facilmente da mãe e do pai e pode ficar 
chateado com grandes mudanças na rotina. 
Desenvolvimento cognitivo 
Consegue usar brinquedos com botões, 
alavancas e peças móveis, brinca de faz de conta 
com bonecos, animais e pessoas, monta quebra-
cabeças com 3 ou 4 peças, entende o que “dois” 
significa, copia um círculo com lápis ou giz de 
cera, vira as páginas do livro uma de cada vez, 
constrói torres de mais de 6 blocos, parafusa e 
desparafusa as tampas do frasco ou gira a 
maçaneta da porta. 
Avaliação nutricional 
O crescimento é definido pelo aumento linear e 
contínuo, mas não constante, das estruturas que 
compõe; é resultante da interação de fatores 
intrínsecos ou orgânicos (genéticos, 
neuroendócrinos) e extrínsecos ou ambientais 
(nutricionais, condições geofísicas, atividades 
físicas, vínculo mãe-filho). 
Fatores extrínsecos: 
A alimentação é o fator diretamente relacionado 
ao processo de crescimento. A privação ou 
excesso de alimentos pode levar a dezenas de 
distúrbios, de maior ou menor gravidade, devendo 
haver um equilíbrio entre a demanda e ingestão 
para nutrição adequada. Quando ocorre 
predomínio de um dos fatores, aparece 
subnutrição (proteico-calórica, anemias ferropriva 
ou megaloblástica, deficiência de vitamina A, 
raquitismo, entre outras) ou a hipernutrição 
(obesidade, diabetes, hipervitaminoses). 
Fatores intrínsecos 
Podem ser classificados em pré-concepcionais ou 
genéticos (fisiológicos ou patológicos, com ou 
sem alteração cromossômica) e pós 
concepcionais (hormônios). 
Os fatores genéticos são características herdadas 
dos pais (genes herdados). Em certas famílias, o 
crescimento acelerado e a maturação precoce 
são a regra, ao passo que, em outras, esse 
processo é lento. A herança genética também é 
responsável pela transmissão de genes anormais 
capazes de alterar os ritmos de crescimento e de 
desenvolvimento (cromossopatias, erros inatos do 
metabolismo). 
Alguns hormônios devem ser lembrados como 
influentes nas 4 fases do crescimento: 
1. Crescimento intrauterino: insulina, 
lactogênio placentário (ação semelhante 
à do GH, somatotrofina coriônica e 
somatomedinas). 
2. Fase de lactente: os hormônios tireoidianos 
são os mais importantes, associados à 
insulina e ao GH. 
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3. Fase pré-puberal: a ação fisiológica mais 
importante é a do GH. 
4. Fase puberal: depende do aumento dos 
esteroides sexuais, GH e somatomedinas. 
Antropometria 
A antropometria é o conjunto de técnicas 
utilizadas para medir o corpo humano ou suas 
partes. Podem-se obter medidas globais, como o 
peso e a estatura, ou de segmentos, como o 
perímetro cefálico. Quando essas medidas são 
correlacionadas entre si ou com outros 
indicadores, como a idade, obtêm-se os índices 
antropométricos, cuja principal finalidade é 
permitir a comparação dos dados individuais com 
os de um a população de referência. Esse tem 
sido o principal método de avaliação do estado 
nutricional em crianças, por sua simplicidade, 
baixo custo, aceitabilidade pela população e por 
permitir a identificação precoce de crianças em 
situação de risco nutricional. 
Embora a antropometria seja um procedimento 
extremamente simples, erros na obtenção de 
medidas são frequentes e interferem na 
interpretação das curvas de crescimento. 
Índices antropométricos: 
 Peso/idade; 
 Altura/idade; 
 Perímetro cefálico/idade; 
 Índice de massa corporal/idade. 
Índice peso/idade 
Pela facilidade de obtenção e por refletir 
precocemente distúrbios no processo de 
crescimento, o peso é usado como triagem na 
avaliação nutricional, pois, na ausência de 
edema e obesidade, um ganho de peso 
satisfatório sugere processo de crescimento 
normal. O ponto negativo é não permitir, numa 
medida isolada, a distinção entre casos agudos e 
crônicos de desnutrição. Para essa diferenciação, 
uma alternativa consiste em avaliar também a 
relação altura/idade comparando os dois 
parâmetros. Uma criança com o peso adequado 
e que, rapidamente, começa a cair de posição 
no gráfico pode estar em processo de desnutrição 
aguda, enquanto outra criança, com peso 
persistentemente abaixo do normal, pode estar 
com desnutrição crônica. 
Altura/idade 
A medida da estatura é denominada 
comprimento quando obtida com a criança na 
posição de decúbito; e altura quando obtida com 
o indivíduo de pé. 
 A criança até os 36 meses deve ser medida 
em decúbito. 
Baixa correlação altura/idade indica algum 
processo biológico que resulta na redução da 
velocidade de crescimento esquelético. Pode 
ocorrer desde o nascimento e frequentemente 
está associada a baixas condições 
socioeconômicas, aporte inadequado de 
nutrientes e infecções repetidas ou crônicas. O 
déficit de altura acompanha tardiamente os 
agravos nutricionais, sendo relativamente 
imperceptível nos déficits nutricionais agudos, já 
que a criança pode perder peso, mas não altura. 
Um déficit no índice altura/idade indica que a 
criança tem o crescimento comprometido por 
processo crônico. O déficit estatural, ao contrário 
do peso, é dificilmente reversível. Desse modo, um 
indivíduo que tenha sofrido desnutrição grave e 
prolongada em alguma época de sua infância ou 
retardo do crescimento intrauterino pode, no 
futuro, ter peso normal ou ser obeso, mas 
permanecerá com algum grau de 
comprometimento da estatura.Índice de massa corporal 
O IMC é calculado pela fórmula peso/altura2, 
utilizado para avaliar a proporção entre peso e 
altura. Para crianças e adolescentes, a 
classificação do estado nutricional é realizada a 
partir da identificação do escore-Z ou percentil de 
IMC por idade e sexo. A intersecção da medida 
de IMC com a idade da criança/adolescente nas 
curvas de referência possibilitará a classificação 
do estado nutricional segundo indicador de 
APG 22 – “LEITE FRACO” 
GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA 
Magny Emanuele Lima – Medicina 
 
IMC/idade, devendo ser observados os pontos de 
corte para sua interpretação. 
 A principal limitação desse indicador é não 
permitir a avaliação da com posição 
corporal do indivíduo. 
Índice perímetro cefálico/idade 
A medida desse índice é muito importante pelo 
menos até os 2 anos, período em que acontece 
rápido crescimento da massa encefálica. 
Alterações importantes podem significar eventos 
de gravidade, que exigem intervenção precoce. 
 Valores abaixo do esperado podem ser 
resultado do fechamento precoce de 
suturas (crânio-sinostose), malformações e 
sequelas de infecções perinatais, entre 
outros problemas. 
 Valores acima do esperado podem dever-
se a lesões expansivas intracranianas 
como hidrocefalia e tumores. 
Peso/altura 
O déficit no índice peso/altura pode significar um 
processo biológico de comprometimento recente 
do crescimento que interferiu no ganho de peso 
com redução da quantidade de tecido e de 
gordura, mas que ainda não acometeu a 
estatura. Pode ser precipitado por infecções ou 
doenças agudas e ocorre, geralmente, quando o 
suprimento ou a ingestão alimentar é limitado. Esse 
processo pode desenvolver-se rapidamente, mas 
também pode ser revertido em curto período de 
tempo, se as condições forem favoráveis. Esse 
índice identifica facilmente os casos agudos de 
desnutrição. O índice peso/altura deve sempre ser 
empregado em associação com a altura/idade, 
pois os déficits proporcionais de peso e altura não 
são identificados por esse método. O uso isolado 
do peso/altura tem o inconveniente de não 
diagnosticar uma criança desnutrida 
cronicamente. A utilização do IM C/idade vem 
substituindo esse índice. 
Curvas de crescimento 
Como instrumentos de avaliação dos índices 
antropométricos, são utilizadas as “curvas de 
crescimento” - gráficos de evolução temporal de 
peso, altura, correlação peso/altura, IMC e PC. Por 
meio da análise dessas medidas, ao longo do 
tempo é possível verificar se a criança apresenta 
tendência a afastamento de seu canal de 
crescimento, demandando tratamento clínico-
individual. 
Se o alvo dos estudos for um grupo de indivíduos, 
o desvio do padrão de normalidade indica a 
necessidade de implementação de ações sociais, 
tais como cuidados em saúde, medidas de 
saneamento, mais acesso a alimentos saudáveis, 
mais oferta de empregos, etc. Por esse motivo, as 
curvas de crescimento são instrumentos 
extremamente úteis no estabelecimento de 
situações de risco nutricional. As curvas de 
crescimento são instrumentos que têm, portanto, 
como objetivo avaliar, por meio de gráficos, o 
estado nutricional de crianças e adolescentes, 
identificando aqueles com desvios nutricionais e 
monitorando o processo de crescimento em cada 
fase da vida.

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