Prévia do material em texto
Profª Dra. Irisdalva Oliveira • Doença parasitária cosmopolita mais comum que acomete o homem e vários animais • Acomete carnívoros, herbívoros, insetívoros, roedores, suínos, primatas e outros mamíferos e aves. • Causada pelo Toxoplasma gondii, única espécie descrita. • Aproximadamente 200 espécies de mamíferos e aves se infectam por este parasita. • Os felídeos são os hospedeiros definitivos (HD) (reprodução sexuada) e os demais hospede iros como mamíferos e aves são hospede iros intermediários (HI). Introdução • Menos infectivo e patogênico para o HD, quando comparado com o HI. • Doença de alta prevalência sorológica, mas de baixa incidência sintomatológica. • Homem aproximadamente 50% da população adulta já teve contato com o agente, mas somente 10% a 20% apresentam sintomas da doença. • Cerca de 30% de humanos com AIDS desenvolvem toxoplasmose se infectados pelo parasita. Introdução • Reino: Protozoa • Filo: Apicomplexa • Ordem:Eucoccidiida • Família: Sarcocystidae • Gêneros: Toxoplasma • Espécie: T .gondii Taxonomia Morfologia Morfologia Grânulos densos Micronemas Apicoplasto Roptrias Taquizoítos (T) extracelular e macrófagos (Ma); Taquizoitos (T) dentro do vacúolo parasitóforo (VP) em um macrófago Cisto com bradizoitos (Bra) em tecido muscular VP Oocisto imaturo(eliminado por felídeos) e oocisto esporulado (maturação externa) Formas infectantes • Trofozoíto • 4 a 8 μm • Fase aguda da infecção • Forma de meia lua com uma das extremidades afiladas • Pouco resistentes a ação do suco gástrico • Encontrada dentro do vacúolo das células parasitadas e nos líquidos orgânicos • Forma de reprodução rápida por endodiogenia Taquizoíto - Tachis = rápido Reprodução assexuada Toxoplasma gondii Taquizoítos dentro do vacúolo parasitóforo após ciclo de divisão endodiogênica • Fase crônica • Formam cistos de aproximadamente 20 a 200μm • Encontradas dentro do vacúolo parasitóforo dos tecidos muscular esquelético, cardíaco, nervoso e retiniano • Multiplicam-se lentamente dentro do cisto por endodiogenia Bradizoíto -Brady = lento • Armazenam grânulos de amilopectina no seu interior, dividem mais lentamente • Menos susceptíveis à destruição por enzimas proteolíticas, pepsina e tripsina • Permanecem viáveis por vários anos Bradizoíto -Brady = lento • Forma de resistência • Forma infectante produzida somente nas células intestinais dos felídeos não i m u n e s e e l i m i n a d o s n a f o r m a imatura junto com as fezes • Após esporulação no ambiente , apresentam 2 esporocistos com 4 esporozoítos cada. Oocistos • Esporulação do oocisto: Condições ambientais adequadas (temperatura e umidade) • Oocistos esporulados podem sobreviver por longos períodos de tempos em sólidos úmidos por exemplo (12 a 18 meses) ou sobre frutas e vegetais. • No solo podem ser mecanicamente transmitidos por moscas, besouros, etc. • Esporozoítos são infectantes e ao serem ingeridos se multiplicam originando os taquizoítos bradizoítos formação de parede cística. Oocistos Taquizoíto Bradizoíto Oocisto esporulado Ciclo Biológico Fase assexuada – Hospedeiros intermediários Água e alimentos contaminados com oocistos maduros (contendo esporozoítos); cistos (contendo bradizoítos); ou taquizoítos eliminados no leite Ao atingirem a luz intestinal todos como taquizoítos atravessarem a mucosa, invadem vários tipos celulares e formam vacúolos parasitóforos, onde se dividem rapidamente por endodiogenia Novos taquizoítos → lise da célula → invasão de novas células Taquizoítos disseminam-se pela linfa ou sangue → fase proliferativa ou fase aguda Resposta imune do hospedeiro → diminuição do parasitismo → desaparecimento dos parasitas extracelulares do sangue, da linfa e dos órgãos viscerais ↓ reprodução, formação de bradizoítos, encistamento - fase crônica da infecção. Imunodeprimidos - cisto pode romper, bradizoítos readquirem as características invasivas dos taquizoítos pode ocorrer disseminação fatal do parasita. Ciclo Biológico Fase coccidiana – Hospedeiros definitivos ou completos Fase assexuada e sexuada - células epiteliais do intestino delgado de felídeos Merozoítos → lise da célula → invasão de novas células (Esquizogonia) Merozoítos → origem às formas sexuadas masculinas ou femininas (Gametogonia) Esporozoítos, bradizoítos, ou taquizoítos penetram o epitélio intestinal do gato, (vilosidades do íleo); multiplicam- se por endodiogenia e originam vários merozoítos Maturação → microgametas (masc. móveis) e macrogametas (fem. imóveis). Microgametas abandonam a célula de origem e fecundam o macrogameta no interior de uma célula epitelial, originando o zigoto (Esporogonia) Zigoto forma uma parede externa dupla e evolui para oocisto ainda no epitélio. O oocisto imaturo, liberado após o rompimento da célula epitelial, é eliminado juntamente com as fezes do gato OBS.: Menos de 50% d o s g a t o s e l i m i n a m oocistos após a ingestão de taquizoítos e quase 100% dos gatos que ingerem b r a d i z o í t o s e l i m i n a m oocistos. Gatos também podem desenvolver cistos teciduais • Ingestão de oocistos (esporozoítos) presentes em alimento ou água contaminadas, jardins , caixas de areia , latas de l ixo ou disseminados mecanicamente por moscas, baratas, minhocas etc. • Ingestão de cistos (bradizoítos) encontrados em carne crua ou mal cozida, especialmente do porco e do carneiro. Os cistos resistem por semanas ao frio, mas o congelamento a 12°C ou o aquecimento acima de 67°C os mata. Trasmissão • Congênita ou transplacentária: o risco da transmissão uterina cresce de 14% no primeiro trimestre da gestação até 59% no último trimestre da gestação • Mulheres que apresentam sorologia positiva antes da gravidez têm menos chance de infectar seus fetos do que aquelas que apresentarem a primoinfecção durante a gestação. Trasmissão • Transplacentária: quando a gestante adquire a toxoplasmose durante a gravidez apresentando a fase aguda da doença, poderá transmitir T. gondii ao feto, tendo os taquizoitos como forma responsável. • Rompimento de cistos no endométrio: apesar da gestante apresentar a doença na fase crônica, alguns cistos localizados no endométrio poderiam, em raras situações, se romper (distensão mecânica ou ação lítica das vilosidades da placenta), liberando os bradizoítos que penetrariam no feto. Vias de infecção mais prováveis para o feto • Severidade da doença clínica é dependente do grau e localização do tecido acometido, a necrose tecidual é proporcional à multiplicação do parasita. • O quadro clínico está relacionado com o órgão acometido. • Com exceção das infecções disseminadas agudas, que podem ser fatais, o hospedeiro geralmente se recupera, aproximadamente, na terceira semana após a infecção, quando os taquizoítos começam a desaparecer dos tecidos. • Doenças concomitantes ou imunossupressão podem agravar o quadro. Patogenia • As formas graves da doença incluem comprometimento ganglionar, icterícia, hepatoesplenomegalia, edema, miocardite, anemia, lesões oculares, etc. • Extremamente grave em pacientes imunodeprimidos com sintomas de febre, dor de cabeça, alteração das funções cerebrais como confusão, letargia, alucinações e psicose, perda de memória e coma. Patogenia • Geralmente são inespecíficos; • Os mais frequentes estão associados ao sistema respiratório e digestivo, acompanhados de febre, anorexia, prostação e secreção ocular bilateral; • Lesões oculares por toxoplasmose em gatos são comuns. Sinais Clínicos A: calcificações intracranianas B e C: cicatrizes na retina hiper e/ou hipopigmentadas podem ser encontradas em qualquer outra área da retina central ou periférica D: trave vítrea ligando a lesão ao disco óptico • Taquizoítos podem causar áreas de necrose no miocárdio, pulmões, fígado e cérebro.• Fase crônica da doença produção de bradizoítos, geralmente é assintomática Lesões • Humanos – 10% a 20% apresentam sintomas clínicos, que podem persistir por semanas ou meses e, em alguns casos por anos. Pode ocorrer cefaléia, febre, dor muscular e nas articulações, convulsões, coma, morte. • A patogenia mais importante ocorre no feto humano • 33% retardo mental severo • 53% problemas de visão • 23% retardo mental leve • 20% estrabismo • 10% problemas de audição Sinais Clínicos • Pesquisa do agente • Exames coproparasitológicos: felídeos. Encontro de oocistos nas fezes de gatos • PCR- reação em cadeia da polimerase • Encontro de cistos teciduais pesquisa direta nos tecidos em microscópio: exame histopatológico, imuno-histoquímica Diagnóstico • Observação dos sinais clínicos e sintomas – não específicos • Testes sorológicos • Bioensaio em camundongos: demonstração dos organismos em tecidos de camundongos inoculados com material suspeito (vias intraperitoneal e intracerebral) : após ~3 semanas cistos Diagnóstico • Testes sorológicos • Importante distinguir infecção latente (IgG) de recente (IgM) • Recomenda-se coletar mais de um amostra de soro com intervalo de 2 a 3 semanas • Imunofluorescência indireta • ELISA (Enzyme-linked immunosorbent assay) Diagnóstico Toxoplasmose congênita Toxoplasmose congênita ou pre-natal: • 1º trimestre: aborto; 10% a 20% a chance de transmissão • 2º trimestre: • transmissão em 1/3 das gestações; • Síndrome ou Tétrade de Sabin - Coriorretinite (inflamação na retina): 90% dos casos manifestando-se na adolescência ou adulto jovem, raramente após os 40 anos - Calcificação cerebral: 69% dos casos - Perturbação neural: 60% dos casos - Micro e macrocefalia: 50% dos casos • 3 º t r i m e s t r e : n a s c e n o r m a l , m a s c o m s i n t o m a s d e comprometimento ganglionar, hepatosplenomegalia, anemia, miocardite, problemas visuais. • Diagnóstico: • Pesquisa de IgM e IgA no soro de recém-nascido - IFI - ELISA • Drogas atuam na fase proliferativa – taquizoítos- e não na forma cística • Tratamento apenas na fase aguda, na toxoplasmose ocular e em indivíduos imunocomprometidos • Tóxicas em uso prolongado • Associação de : • Sulfadiazina: 100 a 125 mg/kg/ dia - via oral. Duas a quatro semanas • Pirimetamina: 75 a 100mg (10 dias) Tratamento e Prevenção • Sulfonamidas e pirimetamina – visa atuar contra as formas proliferativas, mas não contra os cistos. • Clindamicina reduz a eliminação de oocistos pelos gatos. • Não há nenhuma droga que mate os cistos. • Para formas oculares: • Antiparasitários associado a Meticorten • Associação: Cloridrato de clindamicina, sulfadiazina e meticorten (Alcançam 93% de cura) Tratamento e Prevenção • Distribuição universal; • Elevadas nas zonas rurais mais do que nas zonas urbanas; • Encontrados em grande número de animais (cão, gato, coelho, carneiro, boi, porco, ratos, galinhas , etc); • Maior contaminação por hospedeiro definitivo: Disseminação de 2 a 20 milhões de oocistos em 20g/fezes • Aumento dos índices de animais silvestres soropositivos • Viabilidade dos oocistos durante meses • Infecção de gatos através dos roedores e através das fezes Epidemiologia • Carne deve ser bem cozida – >65°C • Lavar bem os alimentos, mãos • Não oferecer carne crua aos gatos • Limpeza das caixas de areia dos gatos – diariamente • Fezes de gatos devem ser eliminadas no vaso sanitário ou incineradas • Uso de luvas em trabalhos de jardinagem • Evitar alimentação a base de leite cru, carne crua ou mal cozida de qualquer animal • Controle da população de gatos vadios • Exame e acompanhamento sorológico da gestante Controle