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DANÇA COMO FERRAMENTA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA
Rubens dos Santos, Ivaldo de Jesus Santos¹
 Leandro Farias Silva²
RESUMO
O presente artigo, intitula-se: Dança como ferramenta na educação inclusiva. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, usando como metodologia a pesquisa bibliográfica, que por meio de livros e artigos, foi analisado estudos de diversos autores. Foi abordado a importância da dança na educação inclusiva para a formação escolar e social do discente, assim como abordar o pensamento dos pesquisadores e teóricos sobre o tema. Expomos também a ligação professor de educação física e o aluno com necessidades especiais e as ações que são fundamentais para o aluno se tornar protagonista do seu próprio aprendizado e compreender o mundo onde vive.
Educação, Inclusão e Dança
Palavras-chave: 
1. INTRODUÇÃO
 O trabalho proposto tem como objetivo compreender até que ponto a dança inclusiva pode contribuir para a melhoria da pessoa portadora de necessidades especiais. Além disso, reconhecer a importância da dança como uma prática educativa capaz de favorecer a construção, a autoestima e integração social desses indivíduos no contexto o qual estão inseridos. Para a realização dessa pesquisa, baseou-se nos estudos desenvolvidos pelos seguintes autores (Borges 2014), (Lacava, 2010), (Nunes, 2005) e (Oliveira e Ventura, 2022) entre outros. 
 Acredita-se que agregar a dança ao conteúdo das atividades educativas, evidencia um desempenho relevante na formação da pessoa portadora de necessidades especiais, possibilitando experiências que auxiliam no desenvolvimento motor e cognitivo, levando-os ao bem-estar do corpo e da mente. Sendo que a finalidade da inclusão, é de que todos com suas diferenças possam vivenciar outras experiências no ensino regular, espera-se que a dança traga resultados significativos na vida dessas pessoas, tanto no aspecto pessoal como no social.
 
Nessa perspectiva, a pesquisa analisa a dança inclusiva como um subsídio para o desenvolvimento e ampliação das capacidades físicas (coordenação motora/equilíbrio) e cognitivas da pessoa portadora de necessidades especiais. Apesar de terem a capacidade de desenvolver suas habilidades e potencialidades, contudo muitas vezes, devido as suas diferenças ainda são vistas como pessoas incapazes de realizar atividades essências para o desenvolvimento da aprendizagem.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Oliveira e Ventura (2022) a arte da dança é um elemento de Inclusão para as pessoas com deficiências, em todos os ambientes educacionais. O sujeito conquista autonomia no aprendizado da dança, logo há uma influência na qualidade de vida deles porque é inestimável o valor de construção do ser humano enquanto ser histórico em seu movimento. 
 Mostrando suas potencialidades diante da sua deficiência, à qual não é um empecilho para o seu desenvolvimento como pessoa e ser humano pertencente a uma sociedade. Logo a dança tem um fator, de elevar a uma qualidade de vida significativa por se desafiar a aprender a cada dia na construção de um ser humano em constante evolução. 
 A dança é uma expressão corporal capaz de proporcionar melhorias no desenvolvimento cognitivo, afetivo e motor da pessoa portadora de necessidades especiais. No entanto, devido as suas limitações e peculiaridades, muitas vezes o sistema educacional, ou até mesmo a sociedade, veem essas deficiências como um obstáculo para novas formas de aprendizagens. 
 Apesar de suas deficiências, isso não impede de vivenciarem outras experiências. Conforme Borges (2014, p. 10) “não podemos evidenciar somente as deficiências, mas sim mostrar os potenciais, portanto a dança é um potencial a ser evidenciado e a ser assumido enquanto fonte pedagógica capaz de incluir o aluno portador de necessidades especiais na escola regular”. 
A inserção da dança na escola para alunos com Necessidades Educacionais Especiais pode significar uma importante ferramenta em seu desenvolvimento como um todo, pois muitas vezes suas potencialidades são pouco exploradas. Estas devem ser estimuladas de forma adequada, partindo de um princípio básico que é a consciência corporal. A inclusão não se dá da forma isolada. É preciso que aconteça a interação e o apoio de todos na escola e onde ela existe, toda a sociedade, portanto deve integrar-se nessa responsabilidade. (LAVACA, 2010, P. 16)
	
A dança como propósito de inclusão é uma ferramenta significante para o desenvolvimento do aprendizado, assim a escola e as pessoas de forma geral precisam ter uma visão voltada para a capacidade e as potencialidades desses indivíduos e não para as suas limitações. 
 Quando o assunto é inclusão, não se pode isolar a pessoa com necessidades especiais, apresentando a ele/ela apenas atividades mecanizadas conforme a deficiência que eles apresentam. Os alunos especiais devem ter a mesma igualdade de condições para desenvolver seu potencial. 
 Quando há uma sensibilização e conscientização de todos, esses sujeitos tornam-se parte integrante da sociedade como um todo. De acordo com Lacava (2010) a cada movimento, um gesto desenvolvido pelo aluno na movimentação do seu corpo é uma conquista que o leva a ter uma confiança significante na área do conhecimento. Este processo de construção interfere no contexto da aprendizagem do aluno, como seu espaço, sua criatividade, seu próprio ritmo por meio dos movimentos, destacando a diferenciação de seu ritmo e vivenciando tudo no seu tempo. 
Um dos deveres do professor na sociedade é desenvolver no aluno a capacidade de autonomia, criticismo, curiosidade científica e cidadania, acima de tudo. O docente constrói sua vida profissional nas próprias experiências adquiridas na sala de aula e através do tempo ou na base da tentativa e erro. 
O professor de Educação Física é muito importante na vida escolar de uma criança dita “normal” e, essencial para a criança com necessidades especiais dentro de uma sala de aula completamente heterogênea. Além de desempenhar seu papel como mediador da aprendizagem, deve procurar e/ou desenvolver recursos especiais, para que o estudante possua um aprendizado mais eficiente. As tecnologias assistivas podem ser recursos importantes para ajudar o professor. 
A Tecnologia Assistiva (TA) é um termo ainda novo, é utilizado para identificar todo o arsenal de recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e consequentemente promover vida independente e inclusão. Ela vem dar suporte para efetivar o novo paradigma da inclusão na escola e na sociedade para todos, que tem abalado os preconceitos que as práticas e os discursos anteriores forjaram sobre e pelos deficientes. (SANTOS [et al], 2009, p. 29). 
Apesar do professor estar diretamente ligado ao aluno, não é apenas dever dele se preocupar com melhorias de ensino. A comunidade escolar, tem que trabalhar juntas para buscar analisar determinadas situações e melhorá-las, adaptando e/ou confeccionando materiais para ajudar o aluno aprender. Para Floriani (2017) “a escola, na perspectiva inclusiva, deverá oferecer qualidade à permanência com êxito destes alunos,” mudança de comportamento da comunidade escolar para que o aluno com deficiência se sinta parte do processo de aprendizado. Se tratando do professor de Educação Física, essa interação pode acontecer durante as aulas práticas, incluindo o aluno nas atividades esportivas. 
A dança, pode ser uma estratégia para incluir o estudante com necessidades especiais. Segundo Laban (1990 Apud Liberali, 2015, p. 66), a dança na educação inclusiva tem por objetivo ajudar o ser humano a achar uma relação corporal com a totalidade da existência. Por isso, na escola, não se deve procurar a perfeição ou a execução de danças sensacionais, mas a possibilidadede conhecimento que a atividade criativa da dança traz ao aluno. 
Oliveira e Ventura (2022) [...] visto que constitui o processo de formação tanto da Educação Física quanto da Dança; o movimento humano dessa forma é observado como um marco da relação dialética entre o corpo e a mente, percebendo uma profunda indissociabilidade, o que nos remete buscar a compreensão do sujeito como um todo. A Dança inclusiva potencializa o todo, e faz do corpo diferente um corpo cheio de desafios. 
A Educação não pode e jamais será mensurável isto porque o ser humano aprende de diversas formas e o aluno especial por ter lhe sido tolhido o direito de dançar por simples preconceito vem mostrar que sim ele é parte integrante desta sociedade e que a sua forma de participar dela é dançando, expressando seus desejos, anseios dúvidas, criticas através da dança[...]. (BORGES, 2014)
3. MATERIAIS E MÉTODOS
Esta pesquisa configura-se como um estudo qualitativo, descritivo e bibliográfico. Com o objetivo de alcançar a temática apresentada neste trabalho interdisciplinar proposto pela universidade.
Primeiramente fez-se uma análise bibliográfica em bases online como o Google Acadêmicos, em livros, artigos e periódicos com a finalidade de abrir os horizontes. 
No segundo momento foi feito a seleção dos teóricos, considerando como critérios a leitura de artigos, livros e periódicos acerca da temática, dança como fermenta na Educação Inclusiva, como base de desenvolvimento para pessoa portadora de necessidades especiais. Foram exploradas as publicações existentes de acordo a pesquisas feita pela internet, relacionadas à temática dentre os anos de 2005 a 2022. E em último momento, se realizou a revisão da literatura que foi analisada, com a finalidade de atingir as conclusões esperadas mediante a proposta do tema abordado.
	 
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
 A temática de inclusão da pessoa portadora de necessidades especiais é um assunto que tem gerado muito interesse por parte da sociedade. A dança, até então era considerada um obstáculo para a pessoa portadora de necessidades especiais, principalmente no que se refere ao corpo. Portanto, nesse contexto de inclusão, muda-se o paradigma no modo de pensar o corpo e nas suas formas de representação na dança. 
 Assim, fica de lado as ideias que até então eram definidas como corpo esteticamente perfeito. Nunes (2005) argumenta que os fisicamente diferentes, sempre foram “excluídos” da ideia de dança-arte. A dança somente era reservada aos corpos diferentes com a finalidade terapêutica e da educação pelo movimento, e que durante muito tempo não puderam desfrutar da parte artística da dança. 
 BORGES (2014, p. 9) ressalta que “com a dança é possível apresentar uma forma de ensinar e ou educar pessoas portadoras de necessidades especiais, que ainda na visão de uma sociedade cada vez mais mecanizada em seus aspectos motores e cognitivos, são excluídas ou agregadas a uma única forma de convívio”. Partindo desse princípio, é notório que as pessoas portadoras de necessidades especiais, podem e devem estar inclusa no meio educacional regular, para potencializar a sua aprendizagem. Assim, a dança vem trazer estas possibilidades de inserção e desenvolvimento da sua educação escolar e social. Com a dança desenvolvemos a potencialidade destas pessoas, trazendo a elas a autoestima, a criatividade, o desenvolvimento motor, intelectual e cognitivo, possibilitando e aflorando a inteligência que estas pessoas portadoras de necessidades especiais sempre tiveram, além disso, trabalhando também a sua interação com o meio social. 
 Segundo LACAVA (2010, p. 16) “Podemos discutir e praticar as diferenças, pensar e fazer processos de reprodução da dança que espreitem as individualidades de cada corpo, de cada pessoa, que permitam a expressão e a interpretação pessoal de cada indivíduo, mesmo em uma sequência de movimentos pré-determinada. ” 
 A pesquisa sobre a dança inclusiva contribuiu para conhecer a importância dos inúmeros benefícios que ela pode proporcionar para a pessoa portadora de necessidades especiais. Observou-se também que, além de estimular o desenvolvimento do aprendizado, das habilidades, das potencialidades, autoestima e confiança, mostrou também a importância para seu autoconhecimento e a capacidade de perceber que suas características corporais e intelectuais não são limites para sua evolução como indivíduo social. 
5. CONCLUSÃO A contribuição da dança na educação inclusiva vai muito além do expressar a arte através do movimentar o corpo com determinado ritmo, pois a dança na educação inclusiva favorece não só a oportunidade do aluno com necessidades especiais mostrar seu talento como também externar para o mundo que sua condição não o impede de superar limites que a deficiência o impõe.
 Sendo assim, compreendemos que a dança proporciona muitos benefícios para o corpo como expressão corporal, condicionamento físico, aumento da flexibilidade e do tônus muscular, consciência sobre equilíbrio e conhecimento do próprio corpo, fatores essenciais para uma pessoa com necessidades especiais adquirir autonomia e autoconfiança não só para despertar talentos artísticos, mas também para que possam levar para a vida na sociedade, haja vista que na maioria das vezes a dança é praticada em grupo o que favorece o convívio e a comunicação.
 Além disso, o contato com diversas pessoas ajuda na aceitação da diferença tanto de pessoas com ou sem necessidades especiais. Portanto a dança na educação inclusiva promove vários fatores que refletem ativamente na inclusão, pois além de todos os benefícios já citados, este tipo de atividade inclusiva ajuda a elevar a imagem do aluno com necessidades especiais para ele mesmo e para o mundo que o cerca favorecendo a aceitação e a autoestima.
 
REFERÊNCIAS
BORGES, Rodrigo Morais. Dança: Quiçá um fator de educação inclusiva? Revista de Educação do Ideau. V. 9- n. 19- jan/jun 2014.
INDAIAL, Rafaela Liberali. Metodologia do ensino de atividade rítmica e dança. UNIASSELVI, 2015.
FLORIANI, Marlei Adriana Beyer. Educação inclusiva. UNIASSELVI, 2017.
LACAVA. Aline Vianna. A dança como fator de inclusão no ambiente escolar. UFSM, 2010 Especialização em Educação Especial- Déficit Cognitivo e Educação de Surdos.
NUNES, S. M. Fazer dança e fazer com dança: perspectivas estéticas para os corpos especiais que dançam. [versão eletrônica], Florianópolis: Ponto de Vista, 6, 7, 43-56, acedido em 7 de janeiro de 2005. 
OLIVEIRA, Dayane da Silva; VENTURA, Paulo Roberto Veloso. Dança Inclusiva: dilemas na formação profissional. PRAXIA Revista On Line de Educação Física da UEG, Goiânia, vol. 4, 2022. 
SANTOS, Elias Souza dos [et al.]. Educação inclusiva, deficiência e contexto social: questões contemporâneas - Salvador: EDUFBA, 2009.
1Ivaldo de Jesus Santos
2Rubens dos Santos 
3Leandro Farias Silva
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI–Licenciatura em Educação Física (BEF0682) – Prática do Módulo VI- 22/12/2022

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