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1 Luísa Soares 
FRAGILIDADE 
INTRODUÇÃO 
A síndrome de fragilidade baseia-se num tripé composto por desregulação neuroendócrina, sarcopenia e 
disfunção imunológica. Há uma série de fatores predisponentes e fatores desencadeantes que devem ser 
identificados para facilitar o diagnóstico e evitar intercorrências em pacientes frágeis, como: 
predisponentes – inapetência, perda de massa ou força muscular, imobilidade e aterosclerose – e 
desencadeantes – dor, depressão, polifarmácia, cirurgias e hospitalização. O diagnóstico é estabelecido 
com a presença de 3 critérios ou mais: redução da força de preensão palmar, redução da velocidade de 
marcha, perda de peso não intencional, sensação de exaustão e baixa atividade física. Caso sejam 
encontrados 2 critérios, define-se pré-fragilidade. O tratamento não é específico, baseando-se na prática 
de atividade física, suplementação alimentar, suplementação hormonal (com pouca evidência) e 
medicações de diversas naturezas que possam intervir no ciclo de fragilidade. 
 
• Síndrome geriátrica alvo de grande discussão. O conceito de fragilidade tem se modificado 
ao longo dos anos: 
o 1980: relacionada à funcionalidade – um idosos dependente = idoso frágil; 
o 2000: base fisiopatológica; 
• É importante definir o conceito de fragilidade para: 
o Identificar aqueles sob alto risco de complicações, perda de funcionalidade, 
dependência, hospitalização, quedas, doenças agudas e mortalidade; 
o Verificar a existência de um grupo de necessidade especial de atenção do sistema de 
saúde, bem como de cuidados de longo prazo; 
• Fornecer cuidado de saúde adequado para esse subgrupo da população idosa é desafiador, e 
por isso o modelo médico assistencial deve ser voltada para assistência complexa e 
multiprofissional, apesar de envolver maiores custos. 
 
FISIOPATOLOGIA 
• A síndrome tem base num tripé composto por desregulação neuroendócrina, sarcopenia e 
disfunção imunológica. Em algum momento, o idoso entra em uma espiral descendente 
centrada na diminuição da taxa metabólica, que leva à redução da velocidade da caminhada 
e da atividade física, reduzindo o gasto energético e levando a sarcopenia, que fecha o ciclo. 
• O idoso pode entrar nesse ciclo vicioso de diversas maneiras: doença aguda, déficit sensorial, 
desbalanço energético-proteico, imobilização, demência, polifarmácia (iatrogenia) ou 
inúmeros outros. 
 
Há um percurso clínico que leva da doença à 
incapacidade, único para cada indivíduo e 
modulado por fatores como genética e hábitos 
de vida – a fragilidade é um caminho 
independente para a incapacidade. 
 
• Linda Fried: pesquisadora que estabeleceu o atual conceito de fragilidade – postula que a 
base da síndrome é a redução dos eixos hormonais anabólicos, instalação de sarcopenia e 
estado inflamatório subliminar. 
 
2 Luísa Soares 
 
 
Sarcopenia: manifestação central na fragilidade. A perda de massa muscular ocorre no envelhecimento, 
e na fragilidade a sarcopenia atingiu um ponto em que há prejuízo até da homeostase do organismo. 
Fragilidade: estado de vulnerabilidade aumentada e habilidade para manter a homeostasia reduzida. O 
processo tem como fator subjacente as alterações fisiológicas e biológicas relacionadas com a idade e é 
moldado pela presença de doenças. 
 
 
 
FATORES PREDISPONENTES 
• Inapetência; 
• Perda de peso ou força muscular; 
• Imobilidade; 
• Desequilíbrio; 
• Aterosclerose; 
• Depressão; 
• Déficit cognitivo; 
FATORES DESENCADEANTES 
• Doença aguda; 
• Dor; 
• Depressão; 
• Múltiplas doenças crônicas; 
• Polifarmácia; 
• Cirurgias; 
• Hospitalização; 
 
DIAGNÓSTICO 
• Importante para identificar clinicamente pacientes com alto risco de desfechos desfavoráveis, 
dependência e morte. Além disso, auxilia a identificar aqueles com alto risco de complicação 
intra-hospitalar e de recuperação lenta / não melhora do status funcional. 
• A partir dos critérios diagnósticos para fragilidade propostos por Fried, idosos com 3 critérios 
consitutem fragilidade e, com 2 critérios, pré-fragilidade: 
o Preensão palmar reduzida: dianmômetro de mão, com o paciente realizando força 
máxima na posição sentada e com o braço dominante. Representa o desempenho 
muscular, e sua diminuição condiz com situação de sarcopenia. 
o Velocidade de marcha: avaliada fazendo teste de caminhada de 4,6m, corrigido de 
acordo com peso e estatura. 
o Perda de peso não intencional: acima de 5% do peso corpóreo, no último ano. 
3 Luísa Soares 
o Sensação de exaustão: um dos critérios subjetivos. É dito positivo quando o paciente 
concorda com perguntas como “senhor sentiu que teve de fazer esforço para dar 
conta das suas tarefas habituais na última semana?” ou “O senhor não conseguiu 
levar adiante suas coisas na última semana?”. 
o Baixa atividade física: difícil de determinar. 
 
• Outra ferramenta para diagnóstico de fragilidade advém do SOF (Study of Osteoporotic Fractures) 
e define fragilidade como a presença de 2 dos seguintes componentes: 
o Perda de 5% do peso corpóreo em 1 ano; 
o Incapacidade de levantar e sentar de uma cadeira sem uso dos braços 5 vezes; 
o Resposta negativa para a seguinte pergunta: “Você se sente cheio de energia?”. 
 
 
ÍNDICE DE FRAGILIDADE POR ACÚMULO DE DÉFICITS 
• Estudo Canadense de Saúde e Envelhecimento (Canadian Study of Health and Aging): 
o Estudo de coorte no Canadá de análise secundária, com 2.305 idosos participantes 
seguidos por cinco anos; 
o Nova ferramenta de avaliação de fragilidade com outras variáveis (funcionalidade, 
humor e cognição); 
• Baseado em modelo matemático de acúmulo de déficits; 
• Fragilidade resulta da soma de déficits ao longo do tempo; 
• Déficits: sinais, sintomas, alterações laboratoriais, doenças e incapacidades. 
• Considera as informações coletadas na AGA; 
• Base para vários instrumentos. 
 
 
 
 
 
4 Luísa Soares 
ÍNDICE DE VULNERABILIDADE CLÍNICO FUNCIONAL – IVCF-20 
• O IVCF-20 é o primeiro instrumento brasileiro 
para identificação rápida do idoso frágil; 
• Com ênfase na identificação do idoso de risco 
e orientações capazes de preservar ou 
recuperar sua independência e autonomia. 
• O IVCF-20 foi desenvolvido para identificar 
rapidamente o idoso de risco – indivíduo de 60 
anos ou mais, que necessita de uma 
dependência funcional, onde a atenção deve 
ser totalmente maximizada, pois ele possui 
alto risco de ter um declínio. 
• O IVCF nada mais é que uma metodologia de 
reconhecimento rápido em que o idoso que é 
o alvo no termo de intervenções e nas 
melhorias da saúde. 
Robusto: 0 a 6 pontos 
Vulnerável: 7 a 14 pontos 
Frágil: >=15 pontos 
 
TRATAMENTO 
• Intervenções propostas: 
o Atividade física; 
o Suplementação alimentar; 
o Suplementação hormonal 
(com pouca evidência); 
o Medicações de diversas 
naturezas que possam 
intervir no ciclo de 
fragilidade; 
 
 
 
 
5 Luísa Soares 
 
 
 
 
 
6Luísa Soares 
CRITÉRIOS DE BEERS 
INTRODUÇÃO 
• Pacientes idosos normalmente são acometidos por mais de uma doença simultaneamente e, 
devido a isso, tomam vários medicamentos de forma contínua e concomitante. 
• Estima-se que 5% do total de hospitalizações, independentemente da idade dos pacientes, 
decorram de reações adversas a medicamentos. Observa-se, porém, que a probabilidade de 
internações hospitalares serem decorrentes de efeitos colaterais e/ ou interações 
medicamentosas dobra a triplica em idosos.

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