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3° período Eduardo Zanella -TX APG 01 Objetivos: 1. Relembrar a anato/fisiologia do sistema cardiovascular 2. Relembrar o controle da PA pelo sistema nervoso e endócrino 3. Compreender a fisiopatologia e os fatores de risco no desenvolvimento da PA alta 4. Compreender quais são os exames de rotina do hipertenso e como os interpreta-los (valores) 1. Relembrar a anato/fisiologia do sistema cardiovascular ANATOMIA DO CORAÇÃO O coração está localizado no mediastino médio e anterior. O coração tem quatro câmaras: átrios direito e esquerdo e ventrículos direito e esquerdo. Os átrios são câmaras de recepção que bombeiam sangue para os ventrículos (as câmaras de ejeção). Os átrios são câmaras menores e de parede mais fina que os ventrículo, pois eles são câmaras de recepção, não precisando fazer força de contração para receber o sangue. O lado direito do coração (coração direito) recebe sangue pouco oxigenado (venoso) do corpo pelas VCS e VCI e o bombeia através do tronco e das artérias pulmonares para ser oxigenado nos pulmões. O lado esquerdo do coração (coração esquerdo) recebe sangue bem oxigenado (arterial) dos pulmões através das veias pulmonares e o bombeia para a aorta, de onde é distribuído para o corpo. Camadas do Coração: A parede de cada câmara cardíaca tem três camadas, da profunda para a superficial: 1. Endocárdio, uma fina camada interna (endotélio e tecido conjuntivo subendotelial) ou membrana de revestimento do coração que também cobre suas valvas 2. Miocárdio, uma camada intermediária helicoidal e espessa, formada por músculo cardíaco 3. Epicárdio, uma camada externa fina (mesotélio) formada pela lâmina visceral do pericárdio seroso. Pericárdio: O pericárdio é um saco que reveste o coração e tem como função principal a lubrificação e proteção do coração. O pericárdio consiste em duas partes principais: (1) o pericárdio fibroso e (2) o pericárdio seroso. 1. O pericárdio fibroso, superficial, é composto por tecido conjuntivo inelástico, resistente, denso e irregular. O pericárdio fibroso impede a hiperdistensão do coração, fornece proteção e ancora o coração no mediastino. 2. O pericárdio seroso, mais profundo, é uma membrana mais fina, delicada, que forma uma dupla camada em torno do coração. 3° período Eduardo Zanella -TX A lâmina parietal do pericárdio seroso mais externa está fundida ao pericárdio fibroso. A lâmina visceral do pericárdio seroso mais interna, que também é chamada epicárdio, é uma das camadas da parede do coração e adere firmemente à sua superfície. Entre as camadas parietal e visceral do pericárdio seroso existe uma fina película de líquido seroso lubrificante. Esta secreção das células pericárdicas, conhecida como líquido pericárdico, reduz o atrito entre as camadas do pericárdio seroso conforme o coração se move. O espaço que contém os poucos mililitros de líquido pericárdico é chamado cavidade do pericárdio. Válvulas O sistema de válvulas é importante para evitar o refluxo do sangue durante o ciclo cardíaco. Válvula tricúspide: separa o átrio direito do ventrículo direito, e é ela que direciona o sangue do AD para o VD. Valva pulmonar: separa o VD da artéria pulmonar Valva mitral: entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo Valva aórtica: entre o ventrículo esquerdo e a aorta Irrigação e Drenagem Artéria coronárias: irrigação Veia coronária: drenagem FISIOLOGIA DO CORAÇÃO: Alguns autores falam que temos dois corações, pois comparam ele como uma bomba, o lado direito ejeta o sangue para a circulação pulmonar, enquanto o esquerdo para a circulação sistêmica. Lado direito: Circulação sistêmica > átrio direito > ventrículo Direito > artéria pulmonar > pulmão = oxigenação Lado esquerdo: pulmões > átrio esquerdo > ventrículo esquerdo > aorta = demais órgãos Eletrocardiograma O eletrocardiograma é o registro da atividade elétrica do coração. 3° período Eduardo Zanella -TX Ciclo Cardíaco É o conjunto dos eventos cárdicos que ocorrem entre o inicio de um batimento e o início do próximo. Cada ciclo é iniciado pela geração espontânea de potencial de ação no nodo sinusal, que se difunde desse ponto rapidamente por ambos os átrios, e depois, por meio do feixe A-V para os ventrículos. Em virtide dessa disposição especial do sistema de condução, há retardo de mais de 0,1s na passagem do impulso cardíaco dos átrios para o ventrículo. Esse retardo permite que os átrios se contraiam antes dos ventrículos, bombeando, assim, sangue para o interior dos ventrículos antes do começo da forte contração ventricular. Fase diastólica: repolarização, relaxamento, enchimento Relaxamento isovolumétrico: ventrículo começa a relaxar, diminui a pressão interventricular e fecha as semilunares. Logo depois se abrem as AV para começar um novo ciclo. Pressão diminui devido relaxamento, volume se mantem devido ao fechamento das valvas. Sangue flui até o átrio e aumento de pressão faz com que saia = enchimento rápido porque já estava no átrio . Enchimento rápido: sangue acumulado dos átrios passa para os ventrículos (70) Enchimento lento: sangue que chega das veias passa direto para os ventrículos (devido a valva aberta) (10) Enchimento atrial: impulso adicional de fluxo (20) Fase sistólica: despolarização, contração, esvaziamento. Contração isovolumétrica: início da contração ventricular, produz aumento da pressão que faz com que as valvas AV se fechem. Período de ejeção: quando a pressão ventricular ultrapassa a pressão diastólica das artérias que saem do coração e abrem as valvas semilunares. Devido aumento da pressão o volume diminui. Ejeção rápida (70) ejeção lenta (30). Pré carga: grau de tensão na parede ventricular no final da diástole representa a pressão gerada dentro do ventrículo pela quantidade de sangue que se encheu ate o fim da diástole. É considerada a pressão diastólica final quando o ventrículo foi preenchido, representa o trabalho ou a carga imposta ao coração antes do início da contração. Ela representa a quantidade de sangue que o coração precisa bombear a cada batimento. É determinada, em grande parte, pelo retorno venoso para o coração e pelo estiramento das fibras musculares cardíacas 3° período Eduardo Zanella -TX Pós carga: grau de tensão na parede ventricular no inicio da ejeção. Representa a pressão gerada dentro do ventrículo pelo grau de dificuldade de saída de sangue dos ventrículos. É a pressão na qual o musculo exerce sua força contráctil de modo a mover o sangue para a aorta, representa o trabalho do coração após a contração. ** fator que dificulta a ejeção do sangue aumenta a pós carga: aumento da resistência periférica, estenoses da valva semilunar, tromboembolismo pulmonar. ** qualquer valor que aumente o volume telediastolico aumenta a pré carga: atividade física, insuficiência sistólica Debito cardíaco: quantidade de sangue que o coração envia para a aorta por minuto DC= VS x FC Retorno venoso: quantidade de fluxo sanguíneo que volta pelas veias ate o átrio direito por min. Frequência cardíaca: velocidade de batimentos do coração por minuto. Regulação intriseca-frank starling: a quantidade de sangue que o coração bombeia esta determinada pela velocidade do fluxo sanguíneo das veias do coração (retorno venoso). O coração bombeia todo sangue que chega das veias ´maior retorno venoso, maior distensãodas fibras e mais força de contração, ou seja, maior volume sanguíneo ejetado´ Regulação sistema nervoso autônomo: maior estimulo simpático, maior a força de contração e aumento de frequência cardíaca. 2. Relembrar o controle da PA pelo sistema nervoso e endócrino Pressão arterial é PA que o sangue exerce contra a parede das artérias A pressão é importante para que ocorra a movimentação sanguínea AUTORREGULAÇÃO: Manutenção do fluxo sanguíneo constante para um órgão, mesmo com variação da pressão arterial; Quando a célula muscular lisa é estirada, ela se contrai; Aumento da P.A → Estiramento do musculo liso arteriolar → Constrição → Maior R.P; Diminuição da P.A → Menor estiramento → Dilatação → Menor R.P. Dessa forma, o fluxo sanguíneo se mantém constante, mesmo com variação da P.A. É o mecanismo mais importante na circulação coronariana, cerebral, pulmonar e renal. CONTROLE NEURAL E HORMONAL: Envolve a inervação simpática do músculo liso vascular; Vasos da pele e músculo esquelético → Muita inervação simpática; • Na pele, produz vasoconstrição; • Na musculatura esquelética, vasodilatação; Vasos coronários, pulmonares e cerebrais → Pouca inervação simpática. Regulação Neural: O Sistema Nervoso regula a pressão sanguínea por meio de alças de feedback negativo que ocorrem a partir de 2 tipos de reflexos: os barorreceptores e os quimiorreceptores. Reflexos Intrínsecos – são os barorreceptores e os quimiorreceptores, que ficam localizados no sistema circulatório, esses reflexos controlam a PA a curto prazo. 3° período Eduardo Zanella -TX Barorreceptores – são receptores sensíveis a pressão, situados nas paredes dos vasos sanguíneos e no coração (vasos carotídeos e aórticos). Eles detectam o estiramento na parede vascular e enviam estímulos para os centros cardiovasculares, provocando mudanças na frequência cardíaca, aumentando a taxa de contração e tônus da musculatura lisa vascular. Embora eles estejam constantemente sensíveis aos valores da PA, eles são ainda mais sensíveis às variações da PA e à velocidade com que elas ocorrem. Dessa forma, o estímulo mais forte aos barorreceptores é a mudança brusca da PA. Algumas patologias podem causar a diminuição da sensibilidade dos barorreceptores às variações de pressão: o É o caso da hipertensão arterial crônica; o A hipertensão, ao invés de ser corrigida pelos baro, ela é mantida, pois eles não veem a PA aumentada como anormal. Quimiorreceptores – são células quiomiossensíveis localizadas nos corpos carotídeos e aórticos. Eles detectam mudança nas concentrações de O2, CO2 e Hidrogênio (sua redução também ocorre com a queda da PA). Sua função é regular a ventilação. Reflexos Extrínsecos – sensores fora da circulação, como por exemplo as variações da pressão relacionada a dor e frio. Regulação hormonal: é uma regulação a longo prazo, que exige mais tempo e diferente do controle neural, o sraa só aumenta a PA Sistema Renina Angiotensina Aldosterona – Quando o fluxo de sangue cai, as células justaglomerulares dos rins secretam renina na corrente sanguínea. Na sequência, a renina e a enzima conversora de angiotensina (ECA) atuam sobre seus substratos para produzir o hormônio ativo angiotensina II, que aumenta a pressão arterial de duas maneiras. A angiotensina II é um potente vasoconstritor; isso aumenta a pressão arterial ao aumentar a resistência vascular sistêmica. A angiotensina estimula a secreção de aldosterona, a qual aumenta a reabsorção dos íons sódio (Na+) e água pelos rins. A reabsorção de água aumenta o volume sanguíneo total, o que eleva a pressão arterial. 3° período Eduardo Zanella -TX Epinefrina e Norepinefrina - Em resposta à estimulação simpática, a medula da glândula suprarrenal libera epinefrina e norepinefrina. Esses hormônios aumentam o débito cardíaco ao elevarem a velocidade e força das contrações cardíacas. Também causam constrição das arteríolas e veias na pele e órgãos abdominais e dilatação das arteríolas no músculo cardíaco e esquelético, o que ajuda a aumentar o fluxo sanguíneo para o músculo durante o exercício. Hormônio Antidiurético - O hormônio antidiurético (HAD) é produzido pelo hipotálamo e liberado pela neurohipófise em resposta à desidratação ou à diminuição no volume sanguíneo. Entre outras ações, o HAD causa vasoconstrição, o que aumenta a pressão arterial. O HAD também promove o deslocamento de água do lúmen dos túbulos renais para a corrente sanguínea. Isso resulta em aumento no volume sanguíneo e diminuição na produção de urina. Peptídeo Natriurético Atrial - Liberado pelas células do átrio do coração, o PNA reduz a pressão arterial ao causar vasodilatação e promover a perda de sal e água na urina, o que reduz o volume sanguíneo. 3. Compreender a fisiopatologia e os fatores de risco no desenvolvimento da PA alta Fisiopatologia A hipotensão leva a má perfusão tecidual e pode levar a morte dos tecidos. Já a hipertensão, pode causar dano no vaso e no órgão alvo. Uma PA sistólica mantida acima de 139mmHg e uma diastólica acima de 89mmHg aumentam o risco de aterosclerose e representam hipertensão clinicamente significativa. A PA também serve para determinar o risco cardiovascular Ainda continuam desconhecidos os mecanismos que resultam em hipertensão na maioria dos indivíduos, mas, sabe-se que o transtorno engloba diversos fatores, como genética, fatores ambientais, alimentares, estilo de vida, entre outros. A prevalência de HAS e vulnerabilidades a HAS aumenta com o tempo. A HAS é o principal fator de risco para aterosclerose, e pode causar hipertrofia cardíaca, insuficiência cardíaca, infarto, dissecção da aorta e insuficiência renal. Definição de HAS: aumento crônico da pressão arterial sistêmica, com os seguintes valores para >18 anos A HAS é dividida em 4 tipos: o HIPERTENSÃO PRIMÁRIA: onde ela não se desenvolve por nenhuma causa, ou seja, ela não se gerou a partir de uma outra patologia. o HIPERTENSÃO SECUNDÁRIA: onde ela se desenvolveu de alguma patologia pregressa ou causa pregressa, seja uma doença ou estresse, ansiedade, entre outras o HIPERTENSÃO DO JALECO BRANCO: apenas quando um profissional de saúde fere sua pressão. Possui um prognostico melhor o HIPERTENSÃO MASCARADA: valores normais de PA no consultório (menor que 14/9), porém com PA elevada pela MAPA. o também pode ser dividida em 3 estágios, como visto na imagem. 3° período Eduardo Zanella -TX MECANISMOS DA HIPERTENSÃO ESSENCIAL OU PRIMÁRIA: Redução da excreção renal de sódio: a redução na excreção renal de sódio eleva. Volume de líquido e o débito cardíaco, contribuindo para a elevação da PA. Com a elevação da PA, os rins excretam sódio adicional. Dessa forma, um novo estado de excreção constante de sódio é alcançado, mas as custas da alta pressão arterial. Aumento da resistência vascular: pode resultar da vasoconstrição ou alterações estruturais na parede dos vasos. Fatores genéticos: tem sido associados a polimorfismos específicos do angiotensinogênio e de variantes do receptor da angiotensina 2; polimorfismos no sistema Fatores ambientais: estresse, obesidade, tabagismo, falta de atividade física, alto consumo de sal modificam o impacto dos determinantes genéticos PRINCIPAIS CAUSAS DE HIPERTENSÃO SECUNDÁRIA: RENAL: o glomerulonefrite aguda o Doença renal crônica o Doença policística o Estenose da reteria renal o Vasculite renal o Tumores produtores de renina ENDÓCRINA: o Hiperfunção adrenocortical (síndrome decushing, aldosteronismo primário, hiperplasia suprarrenal congênita, ingestão de alcaçuz) o Hormônios exógenos (glicocorticoides, estrogênio) o Acromegalia o Hipotireoidismo o Hipertireoidismo o Induzida pela gestação CARDIOVASCULAR: o Aumento do volume intravascular o Aumento do débito cardíaco o Rigidez da aorta o Coarctação da aorta (estreitamento do lúmen da aorta - congênito geralmente) NEUROLÓGICA: o Aumento da pressão intracraniana o Apneia do sono o Estresse agudo (incluindo cirurgia) Fatores de risco Genética * Raça * Idade (A idade é um dado importante no raciocínio diagnóstico, pois as vasculopatias têm suas faixas etárias preferenciais.) * Resistência a insulina * Hábitos de vida: • alta ingestão de sal • Ingestão excessiva de kcal • Obesidade • Consumo excessivo de álcool • Baixa ingestão de potássio • Estresse • Ansiedade • Tabagismo • Colesterol alto • Dieta com alto teor de gorduras saturadas 3° período Eduardo Zanella -TX 4. Compreender quais são os exames de rotina do hipertenso e como os interpreta-los (valores) Hematócrito exame de urina (urina concentrada e mais amarela em alguns casos) eletrólitos ( * Quando a hipertensão arterial está associada a níveis diminuídos de potássio, é preciso excluir a possibilidade de uso de medicamentos anti-hipertensivos Observa-se um aumento do cálcio no hiperparatireoidismo) creatinina sérica (avaliar função renal) TFG (taxa de filtração - avaliar funçã renal) Glicemia de jejum TSH (para eliminar problemas tireoidianos) ECG (Hipertrofia ventricular esquerda (HVE) Também chamada de sobrecarga ventricular esquerda, a HVE é um aumento da massa muscular do ventrículo esquerdo provocado pelo esforço do coração em bombear sangue nos pacientes com hipertensão arterial. A hipertrofia ventricular esquerda costuma ter com sinais o aumento da amplitude do complexo QRS, uma alteração da onda T e desvio do eixo elétrico para a esquerda.) Perfil lipídico (avalia LDL, HDL, TG, VLDL pois pode haver placa de ateroma obstruindo parcialmente o vaso, ocasionando aumento da PA) Teste ergométrico Exame de Holter Monitoração residencial da PA (MRPA) Monitoração ambulatorial da PA Ultrassom de carótidas Tomografia cardíaca computadorizara Ecocardiograma Radiografia de tórax Considerações: As diretrizes propõem a realização de exames complementares nas seguintes circunstâncias: Existência de indícios de hipertensão arterial secundária nos resultados dos exames laboratoriais Hipertensão arterial grave depois dos 55 anos (PAS > 180 mmHg, PAD > 120 mmHg) Deterioração renal inexplicada com terapia anti-hipertensiva - Hipertensão arterial grave com aterosclerose difusa, rim atrófico inexplicado ou edema pulmonar recorrente – Ruído abdominal que lateraliza para um lado (sensibilidade de 40%, especificidade de até 99%) Exames de imagem renovasculares: angiografia, angiorressonância magnética, ângio-TC e ultrassonografia com Doppler (exame preferencial para detecção de estenose da artéria renal a fim de evitar exposição ao contraste) A hipertensão renovascular constitui a causa mais comum passível de correção da hipertensão arterial secundária.