Prévia do material em texto
Mariana Medeiros de Sousa - UFERSA 1 Semiologia HIPERTENSÃO PORTAL É uma das consequências da cirrose hepática Trajeto: Veia mesentérica inferior → veia esplênica ou mesentérica superior → veia porta hepática → fígado Veio umbilical ligava à porta na fase fetal → colabamento e formação do ligamento umbilical → pode voltar a abrir com a hipertensão portal Fluxo sanguíneo hepático= 1500ml/min (25% do débito cardíaco) → 75 % porta e 25% da A. hepática Veia porta transporta nutrientes + hormônios hepatotróficos esplâncnicos + toxinas Hipertensão portal (HP): >100mmHg (5-10) Síndrome da HP: esplenomegalia congestiva + varizes esôfago- gástricas + circulação colateral no abdome. Prinicipal causa: Cirrose hepática Pode ocorrer ascite e encefalopatia hepática ANATOMIA DA HIPERTENSÃO PORTA 1º - Cirrose → fibrose hepática → ↑ pressão da veia porta para passar pelo fígado 2º - liberação de NO para tentar dilatar a musculatura vascular → vasodilatação periférica → ↓ pressão percebida nos barorreceptores (mácula densa ou carotídeos) 3º - vasodilatação esplâncnica → Elevação das catecolaminas, SRAA, HAD 4º - Retenção hidrossalina → aumento do fluxo porta Resultado: pacientes hipotensos devido à vasodilatação periferia, mas hiper vascularizados CONSEQUÊNCIAS • Vasos do esôfago ficam superdilatados devido o retorno sanguíneo → formação de varizes esofágicas ( no esôfago distal e fundo gástrico) • NA porção do reto há drenagem para a porta, então pode causar hemorroidas • Veia umbilical vai ser dilatar, podendo ser reativada e causar a cabeça de medusa ETIOLOGIA DA HP HP INTRA-HEPÁTICA PRÉ-SINUSAL Esquistossomose Importante causa de HP em países subdesenvolvidas Mariana Medeiros de Sousa - UFERSA 2 Semiologia • Reação granulomatosa em vênulas do espaço porta • Ausência de injúria hepato-celular • Fibrose de Simmers Fibrose portal não-cirrótica idiopática (Síndrome de Banti) SINUSOIDAL • Cirrose hepática Causa mais comum de HP no Brasil e do Mundo • Hepatite Crônica Início pré-sisudoidal, mas com o avanças da lesão torna- se sinusoidal PÓS-SINUSOIDAL • Doença hepática veno-oclusiva Depósito de matriz rica fibronectina → Doença Enxerto X hospedeiro → Hirradiação hepática → Chá Jamaicano – alcaloide de planta crotaiaira PRÉ-HEPÁTICAS Fístulas arterio-venosas Traumatismos abdominais Aneurismas de artéria ou veia esplênica Trombose da veia esplênica Pancreatite crônica Trombose da veia porta Mais comum na população pediátrica (infecção na V. umbilical) Cirrose hepática ou hepatocarcinoma complicando a cirrose hepática Uso de contraceptivos Síndromes mieloproliferativas etc. Esplenomegalia de grande monta Leucemia mieloide crônica Linfomas Policetemia etc. PÓS-HEPÁTICO Síndrome de Budd-Chiari Desordens mieloproliferativas – Policitemia Vera, hemoglubinuria Paroxística Norturna etc. Gravidez Contraceptivos orais Malignidades em geral Obstrução da veia cava inferior Trombose venosas, cistos, abcessos Edema de membros inferiores e circulação colateral no dorso Doenças cardíacas Pericardite constritiva, cardiopatias orovasculares, cardiomiopatias etc. DIAGNÓSTICO CLÍNICO • Ascite • Esplenomegalia (baço grande) pode causar hiperesplenismo • Encefalopatia hepática • Varizes esofagogástricas LABORATORIAL Mariana Medeiros de Sousa - UFERSA 3 Semiologia Tentar localizar a causa da hipertensão local (na maioria das vezes, cirroses devido ao álcool) • Albumina • Hemograma • TGO/TGP • Fosfatasa alcalina/ Gama GT • Coagulograma (TPAE+INR) EXAMES DE IMAGEM • USG doppler o Avaliar a veia porta o Trombos o Diâmetro (HP em torno de 15mm) o Sentido do fluxo (hepatopetal ou hepatofugal – caminho inverso do sangue) o Avaliação do baço • Endoscopia digestiva alta o Sempre indicada após o diagnóstico ou suspeita de HP o Classificação das varizes esofageanas ▪ F1 (pequeno calibre): <5mm de diâmetro ▪ F2 e F3: 5 a 202 mm ▪ F4 (grosso calibre): >20mm o Varizes gástricas ▪ Difícel reconhecimento (se confunde com as pregas gástricas) o Gastropatia hipertensiva portal – aspecto de pele de cobra • Angio-TC e ressonância Magnética • Arteriografia • Medidas hemodinâmicas COMPLICAÇÕES DA HP • Colaterais gastresofágicas • Colaterais retas • Remanescente da Veia umbilical • Anastomoses com a veia rena esquerda VARIZES Esofagianas Acomete entre 20 a 80% dos pacientes com HP, desses até 40% vai sangrar ( e desses 30% morrem na hora do sangramento) → dos que sangraram 70% voltam a sangrar em 1 ano. Com Child C → mortalidade precoce de 50% e de 90% em um ano após hemorragia Gástricas Diagnostico com EDA e USG endoscópico Tipo 1: no fundo gástrico; Tipo 2: ectópicas CONDUTA DO SANGRAMENTO Mariana Medeiros de Sousa - UFERSA 4 Semiologia • Controle respiratório e hemodinâmico • Reposição de cristaloide/sangue • Plasma fresco • Child C/ instabilidade hemodinâmica → UTI • Rebaixados ou confusos → proteger via aérea • Endoscopia digestiva (EDA) o mais precoce possível com o paciente estável • Terapia endoscópica o Lavado gástrico vigoroso o EDA descartar esofagite, gastrite erosiva o 60% dos ipisódios cessam espontaneamente o Controle em 85%-990% dos casos o Escleroterapia ▪ Irritação e trombose do vaso → fim do sangramento + desconfortos o Ligaduras elásticas → estrangulamento da variz + menos potencial de complicações o Varizes de fundo gástricos → utilização do cianoacrilato (solidificação ao entrar em contato e tenta estancar o sangramento) • Terapia farmacológica o Vasoconstrictores esplâncnicos intravenosos o Vasopressina, Terlipressina, somatostatina, octreotídeo • Balão de Sangstaken-Blackmore o Utilizado na ausência ou falha dos procedimentos anteriores o Encefalopatia 3 e 4 → proteger vias aéreas o 90% de eficácia → 50% voltam a sangrar. Complicações de 20% o Curta permanência, até a estabilidade hemodinâmica • TIPS (transjugular intrahepatic Porto-systemic Shunt) → criar conexão entre o sistema porta e o central a fim de facilitar a passagem do sangue o Sucesso de 95% • Cirurgia de urgência → método mais eficaz e mortalidade de 25% em condições de emergências médicas PROFILAXIA PRIMÁRIA DO SANGRAMENTO • Rastreamento para todos os pacientes com cirrose hepática • Varizes F2 e F3 → indicação de ligadura elástica • Beta-bloqueador está indicado, inclusive de varizes F1 o Medidas mais eficaz o Propanolol PROFILAXIA SECUNDÁRIA DO SANGRAMENTO • Realizada após o primeiro sangramento • Novo sangramento em 1 ano sem profilaxia • Beta-bloqueadores não seletivos o 25%-40% redução de sangramento e 20% na mortalidade o Bloqueio B-2: vosconstrição esplâncnica o Bloqueio B-1: ↓ débito cardíaco e fluxo portal o Propanolol e Nadolol • Terapia endoscópica o Escleroterapia ou ligadura elástica o Associação com B-bloqueadores possui resultados superiores que o tratamento isolado • TIPS • Cirurgia para hipertensão porta o Método mais eficaz na profilaxia secundária da hemorragia de varizes CIRURGIA DESCOMPRESSIVAS • Objetivo – descompressão das varizes gastro- esofágicas • Indicações o Falência do tratamento endoscópico e medicamentoso o Sangramento de varizes gástricas e gastropatia hipertensiva portal Mariana Medeiros de Sousa - UFERSA 5 Semiologia o Cirurgia de emergência – falência endoscópica e medicamentosa • Complicação o Deterioração das função hepática e encefalopática porto-sistêmica (não-seletiva) • Procedimentos o Derivações ou shunts descompressivos o Procedimentos de desvascularização o Transplante hepático