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1 Capítulo de livro a ser publicado pela Fabrefactum Editora. É proibida a sua cópia e distribuição sem a permissão, por escrito, da referida editora. 2 Estratégia Organizacional Jonathan Simões Freitas 2.1 Introdução O que você faz quando quer ir para um lugar que ainda não conhece? Provavelmente, você abre um aplicativo, informa o endereço de destino, confirma o local de origem, seleciona o meio de transporte e escolhe uma rota dentre as alternativas identificadas pelo programa. Você, então, segue a rota escolhida, em modo de navegação - seja por conta própria, seja utilizando meios públicos ou de terceiros. Ao longo do processo, você é eventualmente informado acerca de novos incidentes no trajeto, bem como de novas rotas que podem ter se tornado mais rápidas. Tudo isso a partir de atualizações em tempo real - as quais, em alguns casos, contam com contribuições de outros usuários que também estão conectados naquele momento. Assim, a previsibilidade da navegação é altíssima e você pode ter uma estimativa precisa do horário de chegada no destino. Por analogia, alguém poderia pensar na estratégia organizacional como sendo a navegação de uma organização no mapa do seu ambiente. Ao trabalharem diariamente, as pessoas colocam as suas organizações em movimento contínuo. As origens e os destinos dos seus trajetos não são tão claros e os caminhos, em si, certamente não são tão previsíveis. Contudo, de diversas formas, as organizações sempre descrevem trajetórias nos seus ambientes, apesar de, na maioria das vezes, não ser possível discernir de antemão esse trajeto. Nesse sentido, diferentes organizações seriam como distintos meios de transporte, sendo as alternativas de rotas organizacionais possíveis constrangidas pelas potencialidades disponibilizadas pelos respectivos recursos e estruturas da organização em questão. Como na nossa locomoção, as atividades organizacionais que constituem as rotas de uma organização também podem ser internalizadas ou terceirizadas - para parceiros públicos ou privados. No entanto, contar com a colaboração de informantes externos é algo bem mais complicado. Além disso, as coordenadas do espaço organizacional não são fixas e não há nenhum sistema de posicionamento global (GPS) para indicar com precisão onde a organização está. Por fim, em geral, são várias as pessoas interessadas 2 no volante e diversas as perspectivas dos membros da tripulação. Portanto, a navegação, aqui, pode gerar vários conflitos internos e colisões externas, levando, em alguns casos, à entrega da organização para algum ferro-velho. Porém, sob outras condições, a viagem pode ser muito gratificante para os passageiros e valorizar significativamente o próprio meio de transporte. Com essa analogia em mente, você compreenderá, neste capítulo, os principais paradigmas de entendimento da estratégia organizacional e, para cada um deles, as perspectivas mais influentes na pesquisa acadêmica dessa área. Nesse contexto, destaque será dado aos fatores externos e internos às organizações comumente associados ao desempenho organizacional. Também abordarei a complexidade, a incerteza e o dinamismo incidentes sobre o processo estratégico e as tendências contemporâneas de retorno à prática real da estratetização como a fonte mais confiável de conhecimento relevante sobre a estratégia nas organizações. 2.2 Navegação em um mapa A fim de elucidar o significado do conceito de “estratégia organizacional”, uma analogia cartográfica pode ser empregada. Afinal, por ser fundamentalmente um tipo de atividade, a estratégia praticada pelas pessoas de uma organização alude a um movimento realizado em um espaço ao longo do tempo. Assim, analogicamente, essa forma de estratégia pode ser pensada como “navegação em um mapa”1; 2. Navegar implica uma rota. Esta, por sua vez, pressupõe uma origem e um destino. Portanto, pelo menos três questões básicas estão envolvidas no ir-e-vir organizacional: (1) de onde; (2) por onde; e (3) para onde? Isto é: enquanto uma organização, qual é a nossa origem, a nossa rota e o nosso destino? “Organização”, aqui, sendo entendida, tradicionalmente, como uma corporação multidivisional ou uma unidade de negócio industrial (Figura 2-1). 3 Figura 2-1 - Elementos básicos da estratégia organizacional Se essas questões se referem a um “ir” ou a um “vir”, depende do ponto de vista. Quando se olha prospectivamente a partir da origem, formula-se a estratégia pretendida para a organização: de/por/para onde iremos. Quando se reflete retrospectivamente após a chegada no destino, constata-se a estratégia organizacional realizada: de/por/para onde viemos. Por fim, enquanto a estratégia está em realização, pode-se tentar discernir tanto o “de/por onde estamos vindo” quanto o “por/para onde estamos indo”. Na medida em que a estratégia realizada até o momento é igual à pretensão original, ela é considerada “deliberada”; na medida em que é diferente, é tida por “emergente”3 (Figura 2-2Erro! Fonte de referência não encontrada.). 4 Figura 2-2 - Pontos de vista sobre a estratégia organizacional Esses pontos de vista também podem servir para distinguir os paradigmas existentes de compreensão da estratégia organizacional4 (Figura ). Com enfoque prospectivo, de mapeamento da origem, da rota e do destino de uma organização, identifica-se o paradigma da “estratégia-como-processo”5; 6 (EPO). Do outro lado, com vistas a destacar fatores críticos de sucesso dos mapas de organizações bem-sucedidas, posiciona-se o paradigma da “estratégia-como-conteúdo”7; 8 (ECO). Por fim, enfatizando o realismo da navegação em si, encontra-se o paradigma da “estratégia- como-prática”9; 10; 11; 12; 13 (EPA). Figura 2-3 - Paradigmas de compreensão da estratégia organizacional O restante deste capítulo está estruturado em torno desses três paradigmas. Para cada um deles, resumo as principais perspectivas correspondentes, com destaque para o 5 paradigma da ECO - por este ter sido, historicamente, a fonte das teorias mais influentes no campo da estratégia organizacional. 2.3 Mapeamento Um primeiro paradigma de compreensão da estratégia organizacional pode ser denominado “estratégia-como-processo”. Em relação à nossa analogia cartográfica, a EPO caracteriza-se por um foco no processo de mapeamento; isto é, no “mapear” a origem, a rota e o destino da organização. Em relação a esses elementos fundamentais da estratégia organizacional, duas lógicas básicas de mapeamento podem ser adotadas: a causação e a efetuação14 (Figura ). A causação é a lógica de mapear a rota a partir do destino, “para trás”, até à origem. Ou seja: do efeito final vislumbrado, desdobrando-o em uma cadeia causal tida por necessária para que ele ocorra. Alternativamente, a efetuação é a lógica de mapear a rota a partir da origem, “para frente”, até ao destino. Ou seja: das causas presentes para os seus possíveis efeitos futuros. Figura 2-4 - Lógicas de mapeamento da estratégia organizacional Assim, algumas perspectivas da EPO enfatizam a definição inicial da visão e dos objetivos da organização para, então, derivar planos estratégicos adequados e os seus mecanismos de implementação. Outras, por outro lado, partem de uma “auditoria” da situação original, antes de projetarem as rotas e os eventuais destinos organizacionais. De qualquer forma, em geral, as abordagens clássicas desse paradigma tentam estabelecer algum sequenciamento, em termos de etapas de mapeamento, tendendo a identificar estratégia organizacional como um “processo de planejamento estratégico” (PPE)6. Diferentes tipos de PPE ainda são amplamente utilizados, principalmente nas grandes corporações e na estruturação dos livros-texto de estratégia15; 16; 17. Contudo, essa 6 maneira de conceber a estratégia organizacional vem sofrendo duras críticashá muito tempo18. Uma concepção alternativa - mas ainda situada no paradigma da EPO - é o “incrementalismo lógico”19. Essa perspectiva enfatiza a incerteza sobre o futuro e, portanto, a necessidade de o planejamento ser realizado de modo incremental. Isto é: mapeando-se o próximo passo da rota somente depois de o passo atual ter sido dado. Uma terceira via, também edificada sobre a premissa da imprevisibilidade futura, ficou conhecida como “planejamento por cenários”20. Esse tipo de mapeamento leva em consideração múltiplos destinos (e rotas) possíveis, em função de diversas configurações de fatores que podem vir a influenciar a navegação da organização. Dessa forma, apesar de se mirar uma rota-alvo, a avaliação desses fatores contextuais indica planos de contingência a serem colocados em ação, caso um cenário futuro alternativo se torne mais provável diante de novas circunstâncias. Destacando essa limitação da racionalidade no planejamento e a restrição na capacidade humana de relacionar causas e efeitos, a perspectiva cognitiva também se insere nesse paradigma21. Com o foco na percepção e nos modelos mentais (sempre parciais) dos estrategistas, essa abordagem rompeu com o objetivismo pressuposto nas perspectivas anteriores, mas manteve-se na tradição de conceber a estratégia como um mapeamento. Nesse caso, no entanto, enxergando a estratégia como um processamento (limitado) de informações realizado por agentes que pensam de maneiras diferentes a partir das distintas “lentes” que utilizam para fazerem sentido das situações em que estão envolvidos. A 2-5 resume pictoricamente os diferentes enfoques dados por essas diversas perspectivas sobre o mapeamento da estratégia organizacional. Figura 2-5 - Algumas perspectivas do paradigma da estratégia-como-processo 7 O que se observa nessas e em várias outras perspectivas correlatas6, portanto, é que o enfoque desse paradigma sempre recai sobre o olhar preditivo, com vistas ao mapeamento antecipado da navegação organizacional. As diferenças se dão no nível de racionalidade assumido, na previsibilidade atribuída ao futuro em determinado contexto e nas maneiras de lidar com os prognósticos organizacionais. Mas o ponto de partida é sempre congelado antes da navegação, a fim de que origens, rotas e destinos sejam pensados a priori, introduzindo uma clivagem entre formulação e implementação, pensamento e ação. Nesse sentido, uma ênfase excessiva em mapeamento pode levar ao fenômeno conhecido como “parálise pela análise”. No entanto, em situações em que esse “congelamento para planejamento” é plausível, esse paradigma pode ser válido e útil para definir a estratégia organizacional. 2.4 Mapa Um segundo paradigma de compreensão da estratégia organizacional é o que enxerga a estratégia como conteúdo. Diferentemente da EPO, esse paradigma da ECO enfatiza, não tanto o processo de mapeamento em si, mas, sim, o conteúdo típico dos mapas de organizações de sucesso22. “Sucesso”, nesse contexto, é definido como a obtenção e a sustentação de uma vantagem competitiva - isto é, de uma vantagem em relação às organizações que competem pelo mesmo mercado. Nesse sentido, as perspectivas da ECO destacam diferentes fatores que impactam esse desempenho organizacional superior. Historicamente, sem dúvida, essa é a abordagem mais tradicional na pesquisa sobre estratégia organizacional, tendo produzido as teorias mais influentes na literatura dessa área. Pelo menos quatro perspectivas principais foram desenvolvidas no contexto desse paradigma (Figura ): a “visão baseada em instituições” (VBI); a “visão baseada em setores industriais” (VBS); a “visão baseada em estruturas organizacionais” (VBE); e a “visão baseada em recursos” (VBR). As duas primeiras (VBI e VBS) focam em aspectos críticos do ambiente externo à organização e, assim, implicam uma lógica de mapeamento “de fora para dentro”. As outras duas (VBE e VBR) adotam o enfoque oposto, pois destacam fatores internos à organização e, desse modo, um processo de planejamento “de dentro para fora”. No entanto, em geral, todas pressupõem que uma organização oferta determinados produtos (bens ou serviços), a partir da realização de certas atividades, orientadas por uma missão organizacional e por um conjunto de valores e crenças (Figura 2-6). 8 Figura 2-6 - Principais perspectivas do paradigma da estratégia-como-conteúdo No restante desta seção, apresento, resumidamente, as principais ideias de cada uma dessas perspectivas da ECO. 2.4.1 Visão baseada em setores industriais Uma das primeiras perspectivas a serem desenvolvidas nesse paradigma foi a VBS. Fortemente influenciada pela Economia da Organização Industrial, essa visão enfatiza a estrutura e a dinâmica dos setores industriais como os determinantes da conduta e, consequentemente, do desempenho organizacional. Por isso, é também chamada de paradigma “Estrutura-Conduta-Desempenho”4. Nessa vertente, uma proposta teórica que foi pioneira é o famoso Modelo das Cinco Forças23 (MCF). Nesse modelo, cinco forças setoriais são destacadas como críticas para o potencial de rentabilidade de uma organização em uma indústria. São elas: o poder de barganha dos compradores; a intensidade de rivalidade entre os competidores; a ameaça de novos entrantes; a ameaça de produtos substitutos; e o poder de barganha dos fornecedores (camadas do “setor industrial” na Figura 2-6). De acordo com o MCF, quanto mais baixos forem os níveis dessas forças centradas na competição industrial, 9 mais atrativo será o setor em questão para que as organizações nele se posicionem - daí essa escola de pensamento também ser chamada “posicionamento estratégico”6. De maneira complementar, outra proposta nessa mesma perspectiva é a distinção de três estratégias genéricas que podem ser adotadas para competição nos setores industriais23; 24. Por um lado, as pessoas responsáveis pela organização podem buscar a “liderança em custo”, otimizando a eficiência das atividades organizacionais (exploitation). Alternativamente, pode-se perseguir a “diferenciação de produto”, inovando nos bens e serviços ofertados (exploration). Em ambos os casos, também pode ser conveniente adotar uma estratégia de “foco”, concentrando a venda dos produtos em um segmento específico do setor. Nos termos da Figura , a estratégia organizacional pode orbitar em torno das camadas “atividades”, “produtos” ou “segmentos”, respectivamente. Outra maneira de conceber esses tipos estratégicos25 é distinguindo aquelas organizações em que se busca defender mercados estáveis já conquistados (“defensoras”) daquelas em que se prospectam novas oportunidades em ambientes dinâmicos (“prospectoras”). Algumas tentarão combinar essas duas posturas (“analíticas”) enquanto outras simplesmente reagirão às ações dos concorrentes (“reativas”). Apesar de essas abordagens teóricas enfatizarem a rivalidade entre competidores, outras propostas da VBS destacam a possibilidade de cooperação em um setor industrial (“cooperadores”, na Figura 2-6). De fato, competir ou cooperar com uma determinada organização é uma decisão que, em princípio, pode mudar com o tempo. Sob novas circunstâncias, um concorrente pode se tornar um parceiro - e vice-versa. Essa dinâmica estabelece ciclos de competição/cooperação e é, em geral, afetada pelo estágio de desenvolvimento da indústria em questão. Setores emergentes tendem a apresentar ciclos rápidos, com muitas oportunidades para novos entrantes e parcerias. Setores mais maduros, de ciclo lento, por outro lado, podem saturar o seu potencial atrativo e, assim, levar a uma concorrência por preço em níveis destrutivos para as organizações nele atuantes16. Daí a representação dos “estágios” de um setor industrial como uma camada distinta na Figura 2-6. Por fim, no nível corporativo, a estratégia organizacional, para a VBS,envolve, não apenas a definição de como competir/cooperar em um determinado setor industrial, mas, prioritariamente, a escolha dos diversos setores nos quais a organização atuará (camada “setores industriais”, na Figura 2-6). Ou seja: a definição do seu escopo, em termos dos mercados em que competirá/cooperará. Assim, apesar de competir virtualmente com todos os competidores de seus mercados, os concorrentes mais importantes de uma organização serão aqueles que tiverem um escopo semelhante, concorrendo com ela em diferentes mercados. Esse 10 subgrupo principal dos competidores é chamado de “grupo estratégico” e, de acordo com essa perspectiva, deve ser o foco competitivo/cooperativo da organização em suas ações e reações26. Nesse contexto, a entrada de uma organização em um novo setor, distinto daqueles em que ela já atua, é conhecida como uma estratégia de “diversificação”. Alternativamente, a internalização de atividades de negócio anteriormente realizadas por um fornecedor é chamada de “integração para trás” - enquanto a internalização de atividades de um comprador (nesse caso, outra organização) é denominada “integração para frente”. Em geral, a diversificação e a integração podem gerar economias de escala (pela redução dos custos unitários dos produtos), de escopo (pela sinergia gerada a partir do compartilhamento de recursos, estruturas e atividades entre diferentes produtos), ou, mesmo, financeiras e administrativas (pelo controle centralizado das unidades e atividades de negócio). Uma organização pode implementar essas estratégias de crescimento, não apenas por expansão interna, mas, também, por aquisição direta de outras organizações já atuantes nos setores e atividades de interesse. Contudo, se não quiserem se comprometer com um investimento elevado de antemão, os administradores de uma corporação em crescimento podem, primeiramente, firmar diferentes tipos de colaboração - por contrato ou parceria informal - com as organizações que pretendem adquirir no futuro15; 16; 17; 27. A Figura 2-7 sintetiza graficamente os principais elementos destacados por essas diferentes vertentes que compõem a VBS. No centro do desenho, estão os compradores - aqui representados como pessoas (business-to-consumer, B2C), mas poderiam ser, também, outras organizações (business-to-business, B2B). Esses compradores são unidos por uma necessidade ou desejo em comum, buscando diferentes produtos que os satisfaçam e estando dispostos a abrir mão (de parte) de suas posses para obter esses bens ou serviços. Contudo, apesar de se unirem em torno de uma demanda compartilhada, os compradores que constituem um mercado (“M”, na Figura 2-7) podem, também, ser segmentados (“SE”) em distintos nichos, com base em critérios diversos - por exemplo, demográficos. 11 Figura 2-7 - Principais elementos destacados pela visão baseada em setores industriais Algumas organizações (como a “On”) podem concentrar a venda dos seus produtos (“Pn”) em um segmento específico. Outras podem atuar mais amplamente no mercado como um todo, estabelecendo-se como concorrentes diretas (“C”). Nesse caso, podem buscar uma atuação junto aos seus fornecedores (“FR”) que minimize os seus custos em relação aos demais competidores. Ou, então, podem procurar inovar, introduzindo novos bens e serviços no mercado (como a “O3”). Contudo, o sucesso dessas estratégias genéricas depende, primordialmente, da intensidade da rivalidade entre os concorrentes (isto é, de “O1” a “On”). Em princípio, alguns desses competidores podem ser diversificados e, assim, concorrerem em mais de um mercado (como “O1” e “O2”, em “Ma” e “Mb”), constituindo grupos estratégicos. Outros, por sua vez, podem implementar uma certa forma de integração em um determinado setor (como a “O1”, que internalizou as atividades dos seus fornecedores no mercado “Ma”). Além disso, novos entrantes (“NE”) podem tentar se inserir no setor, buscando conquistar uma fatia dos compradores atuais. Semelhantemente, outras organizações podem oferecer produtos substitutos (“SU”) - isto é, produtos que têm características distintas dos produtos atualmente ofertados pelos competidores, mas que podem atender, de uma maneira diferente, à mesma demanda, em termos da necessidade/do desejo que reúne os compradores em um mercado. De fato, um subgrupo desses clientes pode ter uma demanda mais específica ainda não atendida satisfatoriamente, 12 o que representaria uma oportunidade para novas organizações e novos produtos nesse setor (símbolo “?” na Figura 2-7). Dessa forma, atualmente, os mercados tendem a ser potencialmente globais (elipses na Figura 2-7), complexos e incertos em suas interações (padrão de rede como plano de fundo das elipses), bem como altamente dinâmicos (eixos temporais que cruzam as elipses). Nesse contexto contemporâneo de hipercompetição28, a “competitividade” se torna, então, essa capacidade organizacional de competir (e cooperar) com sucesso em seus mercados de atuação, alcançando vantagens competitivas sustentáveis ao longo do tempo15. 2.4.2 Visão baseada em recursos Nessa mesma lógica competitiva, mas destacando outros fatores de competitividade, está a VBR. Essa perspectiva - em reação à ênfase da VBS no ambiente externo às organizações - ressalta os recursos organizacionais (internos) como os principais antecedentes do desempenho organizacional. Assim, originalmente influenciada pela Economia Evolucionária, a VBR preconiza os diversos capitais de uma firma (“sociais”, “humanos”, “tecnológicos”, “físicos” e “financeiros”, na Figura 2-7) como as verdadeiras fontes das quais podem ser obtidas vantagens competitivas sustentáveis29; 30; 31. Nessa perspectiva, “recursos” são geralmente conceituados como os ativos, tangíveis e intangíveis, que estão sob o domínio de uma organização. Esses recursos devem ser integrados em uma atividade produtiva, sendo essa integração denominada “capacidade”. Nesse sentido, os administradores devem ser capazes de desenvolver os ativos e as suas combinações ao longo do tempo, dando origem a “capacidades dinâmicas”32. Quando um recurso de fato sustentar um desempenho competitivo superior, ele será considerado uma “competência essencial”33. Em geral, quatro características identificam uma competência essencial15: valiosa; rara; difícil de imitar; e implementável pela organização (características tradicionalmente resumidas pelo mnemônico “VRIO”). Nesse contexto, “valor” se refere ao potencial de diferenciação competitiva daquele recurso; “raridade” corresponde à quantidade de concorrentes que também dispõem do ativo em questão; “imitabilidade” avalia a dificuldade/facilidade de um competidor obter o recurso que ele ainda não tem; por fim, “implementável pela organização” é um critério que diferencia os recursos que contam com um contexto favorável ao seu aproveitamento produtivo daqueles para os quais isso não ocorre. Combinações de somente algumas dessas quatro características - mas não de todas - produzem vantagens competitivas não-sustentáveis ou a sustentação de um desempenho no máximo pareado ao dos concorrentes. 13 Nesse sentido, para a VBR, os administradores devem conduzir a sua organização no mercado, não a partir da atratividade implicada por uma estrutura industrial em análise, mas, sim, prioritariamente, pelo potencial de determinada estratégia para desenvolver a base de recursos organizacionais nos critérios VRIO. Mais do que isso, essa perspectiva pressupõe que, a partir de um conjunto de competências essenciais, uma organização pode se tornar inovadora, criando, inclusive, novas oportunidades de mercado, que não existiam nas estruturas setoriais vigentes. Portanto, os adeptos da VBR estão mais interessados na evolução industrial do que na busca por um encaixe organizacional ajustado ao ambiente atual. Em particular, umaimplicação dessa perspectiva é analisar a cadeia de valor organizacional, com vistas a possivelmente terceirizar atividades que não contribuam para a formação de capacidades e competências essenciais pela organização16. Nesse sentido, a partir dos ativos disponíveis e da maneira como se deseja que eles se desenvolvam ao longo do tempo, os administradores podem, em um determinado modelo de negócios, por exemplo, concentrar a atuação organizacional em algumas poucas atividades produtivas que efetivamente contribuem para o valor, a raridade, a dificuldade de imitação e a facilidade de implementação dos seus recursos. Apesar de a VBS também propor essa análise da cadeia de valor24, a Figura 2-8 ilustra a principal diferença entre essa perspectiva e a VBR. Como se pode observar, o foco da visão baseada em setores industriais está no posicionamento estratégico da organização em uma determinada indústria, sem enfatizar a composição interna dessa organização, em termos de seus recursos e atividades (veja a “O2”, na Figura 2-6). Já a VBR destaca exatamente essa composição (veja a “O1”, na Figura 2-6), pois diferentemente da VBS, considera que os recursos organizacionais podem ser altamente heterogêneos e de baixa mobilidade entre organizações de um mesmo setor - podendo, assim, gerar vantagens competitivas sustentáveis. Essa diferença de foco está refletida, por exemplo, na famosa matriz SWOT34, na qual se busca identificar, por um lado, as forças e fraquezas organizacionais (SW - strenghts e weaknesses), em termos de recursos e atividades; mas, por outro lado, também são levadas em consideração as oportunidades e ameaças (OT - opportunities e threats) do ambiente industrial externo à organização - combinando, assim, os enfoques da VBR e da VBS respectivamente29. 14 Figura 2-8- Diferença de foco entre a visão baseada em recursos e a baseada em setores industriais 2.4.3 Visão baseada em instituições Uma terceira - e mais recente - perspectiva no paradigma da estratégia-como- conteúdo é a VBI35. Nessa visão, é ao macroambiente externo que se atribui o maior peso na diferenciação competitiva de organizações ao longo do tempo. Isto é: não aos recursos internos (como na VBR) nem mesmo às forças setoriais de uma indústria (como na VBS), mas às instituições dos contextos nacionais em que a organização atua - “países (instituições)” na Figura 3. Normalmente, até sete dimensões macroambientais são levadas em consideração nessa perspectiva (camadas “éticas”, “políticas”, “legais”, “econômicas”, “socioculturais”, “tecno-científicas” e “ecológicas”, na Figura ), sendo geralmente resumidas pelo mnemônico “PESTEL”, em inglês. Nesse contexto, instituições éticas referem-se aos valores de uma sociedade, enquanto instituições políticas e legais enfatizam normas, formas de negociação e legitimação, bem como regulamentações. As instituições macroeconômicas de um país são fatores, em geral, considerados os principais determinantes para a decisão de internacionalização de uma unidade de negócios. O chamado “Modelo Diamante”, por exemplo, destaca as condições dos fatores de produção, as condições de demanda, a existência de indústrias de apoio e a rivalidade industrial de um país como os principais aspectos a serem levados em consideração nesse tipo de processo decisório36. 15 Além disso, instituições cultural-cognitivas nacionais - como os paradigmas e cosmovisões predominantes em uma cultura - também podem ser analisadas. De forma complementar, o monitoramento dos avanços científicos e tecnológicos - e das respectivas instituições de referência nesses setores sociais - tornou-se de especial importância no cenário atual, marcado pela cultura global da tecnociência. Por fim, mas não menos importante, instituições relativas ao cuidado com o meio-ambiente têm conquistado a atenção dos administradores devido ao crescente apelo internacional por sustentabilidade - o qual tem balanceado o reducionismo econômico-financeiro que dominou o cenário mundial nas últimas décadas, com graves prejuízos ecológicos. No nível corporativo, essa VBI implica a reflexão sobre a estratégia global de uma organização (camada “países” na Figura 2-6), levando em conta todas essas dimensões macroambientais37. Isto é, decisões e ações devem ser tomadas acerca do escopo geográfico de atuação organizacional frente à competição internacional e às diferenças institucionais de cada país. De fato, diferentes modos de entrada podem ser adotados em diferentes países - exportação, licenciamento, abertura de subsidiária etc. Uma organização pode se tornar, por exemplo, multinacional - com operações localmente diferenciadas e adaptadas a cada país - ou global de fato, com atividades integradas e produtos padronizados sendo vendidos da mesma forma em diferentes nações16. 2.4.4 Visão baseada em estruturas organizacionais Uma última - mas, provavelmente, a mais antiga - perspectiva no paradigma da ECO é a VBE. Nessa visão, é a estrutura organizacional que ganha proeminência como fator explicativo do desempenho superior sustentável das organizações. Trabalhos iniciais dessa perspectiva34; 38; 39; 40 investigaram a relação entre estratégia e estrutura, questionando se uma estrutura tem que estar posta primeiramente para que uma estratégia possa, então, ser implementada ou se a definição de uma estratégia leva à estruturação posterior da organização - e de que forma esses extremos se hibridizam na prática. Em particular, tornou-se de especial interesse a formação da chamada estrutura multidivisional (M) - segundo a qual uma organização evolui para se tornar uma corporação com múltiplas unidades de negócio relativamente independentes do ponto de vista estrutural, por meio do processo de diversificação41. Muito debate se seguiu quanto às vantagens e às desvantagens dessa estrutura em relação às demais - como a funcional, a matricial etc. - para o desempenho organizacional. Dessas discussões, foram produzidos muitos modelos e teorias sobre a relação entre o centro estratégico de uma organização e as suas unidades de negócio e funções 16 organizacionais (camadas “centros”, “unidades” e “funções” na Figura 2-6). No nível corporativo, várias dessas estruturas podem ser combinadas em arranjos complexos de gestão (camada “estruturas organizacionais” na Figura 2-6). Uma organização pode, por exemplo, ser centralizada na administração de unidades relacionadas ou, alternativamente, gerenciada como um portfólio de negócios independentes16; 27. Apresentando certa interface com o paradigma da estratégia-como-processo, algumas vertentes da VBE enfatizaram níveis gerenciais específicos que impactam distintivamente no desempenho da organização devido à importância da atuação desses gerentes na formulação e na implementação estratégica (camada “administradores” na Figura 2-6). A abordagem do “alto escalão”42, por exemplo, destaca a equipe da alta administração (TMT - top management team) como sendo as pessoas que efetivamente determinam se uma organização alcançará vantagem competitiva sustentável ou não, devido ao poder diferenciado desses gerentes sobre a escolha estratégica (strategic choice) que será realizada43. Outras abordagens5 destacam, por exemplo, a média gerência (middle management team), por ser ela que garantirá - ou não - a implementação bem-sucedida da estratégia formulada pelo TMT. Contudo, a abordagem mais influente dessa perspectiva da VBE é, provavelmente, a “governança corporativa”44; 45; 46. Essa vertente ressalta a necessidade de estruturar a relação entre os acionistas-proprietários e os administradores, a fim de que estes gerenciem de forma a maximizar o retorno esperado por aqueles. Diversas formas de controle gerencial e de políticas de remuneração foram desenvolvidas nesse sentido. Inicialmente, o enfoque recaía, quase exclusivamente,sobre o objetivo de geração de retorno econômico-financeiro para acionistas investidores (“shareholders” na Figura 2- 6). Contudo, nas últimas décadas, tem havido uma crescente ênfase na responsabilidade corporativa social e ambiental da organização (RCS e RCA), assim como na integridade dos líderes e na consideração de outros interessados, que não os acionistas, nas tomadas de decisão47 - isto é, os “stakeholders”, na Figura 2-6. 2.5 Navegação Finalmente, o paradigma mais recente - e, provavelmente, o mais influente na escola europeia de estratégia - é o da estratégia-como-prática9; 10; 11; 12; 13. Os adeptos da EPA criticaram os paradigmas anteriores pelo fato de estes abstraírem a estratégia de sua prática social, enfocando o mapeamento ou o mapa em si, ao invés de enfatizarem a navegação real. Nesse sentido, esse novo paradigma, que se consolidou na última década, destaca o realismo do “navegar”, e não os congelamentos episódicos de mapeamento nem as análises abstratas dos fatores que, em média, contribuem para 17 um desempenho superior. Pelo contrário: para a EPA, o contexto sociomaterial de cada organização é único e está inevitavelmente em fluxo, sendo a navegação organizacional o resultado da miríade de atividades das pessoas envolvidas. Além disso, essa navegação se dá sem haver ao certo um destino para onde se vai nem uma rota coletiva específica sendo conscientemente tomada. Pelo contrário: o sentido (ou significado) da rota está sempre “em construção”, sendo construído pela própria caminhada dos atores, tendo em vista o relacionamento entre as suas diversas origens e concepções de destinos. Assim, esse paradigma criticou o racionalismo analítico da EPO e da ECO, apontando a sua falha em descrever os fenômenos organizacionais concretos que têm sido observados após a erosão do modernismo como o fundamento cultural básico das organizações. Em contextos pluralistas como o nosso contexto contemporâneo, em que a confiança na razão e nas suas análises foi abalada, a importância da construção democrática do espaço coletivo por uma via dialogal consciente das relações de poder embutidas nas estruturas sociais é proclamada como a única norma no paradigma da EPA. Esse cenário molda as chamadas “organizações pós-burocráticas”, nas quais análises e ferramentas de tomadas de decisão são vistas somente no contexto das relações sociopolíticas em que são empregadas, vinculando, assim, qualquer ação racional à sua dimensão histórico-cultural formativa e localmente condicionada. Nesse sentido, no paradigma da EPA, advoga-se um retorno à observação da estratégia-na-prática, sem dissociar pensamento e ação, formulação e implementação - pelo contrário: considerando-os integrados, como de fato o são na vida concreta dos estrategistas. Estes, por sua vez, são entendidos como agentes políticos, com seus interesses particulares, buscando moldar a direção organizacional pelas veredas de rotas compatíveis com as suas agendas - e empregando, para isso, diversas táticas discursivas, performáticas e institucionais. Dessa forma, a estratégia é transformada em um gerúndio - “estratetizando” (strategizing) - uma vez que se manifesta enquanto fenômeno somente na medida em que pessoas reais estão “indo-e-vindo” nas suas atividades cotidianas ordinárias. A Figura Erro! Nenhum texto com o estilo especificado foi encontrado no documento.6 ilustra alguns dos principais elementos desse paradigma. Por enfatizar a dinâmica organizacional, a EPA se aproxima mais da EPO do que da ECO. Porém, essa nova concepção diferencia-se da estratégia-como-processo, pois não entende “processo” como um episódio de mapeamento prévio à implementação de uma estratégia formulada. Antes, compreende a dinâmica da estratégia como a sua própria identidade, não sendo possível, para os adeptos da estratégia-como-prática, pensar a estratégia fora de seu fluxo48. Nos termos da nossa analogia cartográfica, para a EPA, é como se estivéssemos dentro de um ônibus sempre em movimento, sem um GPS, mas, 18 sim, com uma tripulação diversa disputando o volante e construindo a viagem a partir de seus relacionamentos, balizados por suas histórias - um quadro menos estruturado, mas tido, por alguns, como mais realista. Figura Erro! Nenhum texto com o estilo especificado foi encontrado no documento.6 - Alguns dos principais elementos do paradigma da estratégia-como-prática 2.6 Resumo Neste capítulo estudamos a estratégia organizacional a partir de uma analogia cartográfica e discutimos os principais paradigmas e perspectivas dessa área. • Estratégia organizacional pode ser pensada como a navegação de uma organização em um mapa ao longo do tempo. • Com base nessa analogia, três elementos básicos compõem a noção de estratégia organizacional - origem, rota e destino -, estando associados a três questões fundamentais sobre o ir-e-vir de uma organização: de onde, por onde e para onde? • Três paradigmas de compreensão da estratégia organizacional podem ser distinguidos: o paradigma da estratégia-como-processo enfatiza o mapeamento; o da estratégia-como-conteúdo, o mapa; e o da estratégia- como-prática, a navegação em si. • O mapeamento de estratégias pode ser feito a partir de um processo prévio de planejamento estratégico (estruturado em passos sequenciais) ou incrementalmente, à medida que cada passo é dado. Além disso, múltiplos cenários podem ser levados em consideração para lidar com a incerteza que limita a nossa racionalidade nesse processo. 19 • Na estratégia-como-conteúdo, tenta-se abstrair, dos mapas organizacionais, fatores atemporais que expliquem a vantagem competitiva sustentável das organizações de sucesso. • No contexto desse paradigma, quatro perspectivas principais foram desenvolvidas: a visão baseada em setores industriais, focada em fatores relacionados à estrutura e à dinâmica das indústrias; a visão baseada em recursos, com enfoque na formação de competências essenciais internas à organização; a visão baseada em instituições, que destaca o macroambiente em suas múltiplas dimensões e na sua influência sobre a internacionalização das organizações; e, por fim, a visão baseada em estruturas organizacionais, focada nas diversas formas que uma organização pode tomar, tendo em vista os seus vários shareholders, stakeholders e administradores. • No paradigma da estratégia-como-prática, critica-se a racionalização da estratégia, propondo-se um retorno à observação da estratégia-na-prática, nos seus contextos históricos específicos, à medida que a navegação organizacional de fato emerge da miríade de atividades dos atores envolvidos. 2.7 Referências 1 PHAAL, R.; FARRUKH, C.; PROBERT, D. 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O que o nome “estratégia organizacional” revela sobre o campo teórico e prático ao qual se refere? Por que o uso do termo “estratégia”? Por que o uso do termo “organizacional”? b. Qual é o fenômeno enfocado pela estratégia organizacional? Isto é, qual é o aspecto das organizações enfatizado por esta área de conhecimento e prática? Nesse sentido, qual é o objetivo de um teórico (acadêmico) da área de estratégia? Semelhantemente, qual é o objetivo de um praticante desta área (estrategista)? II. Sobre a evolução dos paradigmas: a. Como se deu a evolução do paradigma da estratégia-como-conteúdo? O que cada uma de suas quatro principais perspectivas questionou e acrescentou às visões anteriores? b. Qual foi a ênfase do paradigma da estratégia-como-processo? Por que ele se diferenciou do paradigma da estratégia-como-conteúdo? III. Sobre as perspectivas do paradigma da estratégia-como-conteúdo: a. Cite e descreva as cinco forças do modelo de concorrência proposto por Michael Porter. O que a interação entre esses cinco fatores determina em relação ao setor industrial analisado? b. Cite e descreva os quatro critérios (VRIO) das vantagens competitivas sustentáveis e diferencie, conceitualmente, “recursos”, “capacidades” e “competências essenciais”. c. Cite e descreva as três principais estratégias genéricas no nível de negócios, diferenciando-as. d. Descreva a estratégia corporativa de “diversificação”, diferencie-a da estratégia de “integração” e exemplifique.