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3° Período Eduardo Zanella TX 
1 
 
APG 9 – DOENÇAS DO PERICÁRDIO 
 
1. Compreender as doenças do pericárdio: epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, manifestações clínicas, 
exames para diagnóstico, tratamento. 
2. Entender as alterações eletrocardiográficas da pericardite. 
3. Compreender quais os mecanismos imunológicos das doenças autoimunes. 
 
Compreender as doenças do pericárdio: epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, manifestações 
clínicas, exames para diagnóstico, tratamento. 
 
ANATOMIA DO PERICÁRDIO 
 
 O pericárdio é uma membrana serosa que reveste o coração e a parte proximal dos grandes 
vasos; 
 É formado por duas lâminas: visceral e parietal 
 Entre essas duas lâminas existe uma camada virtual que separa elas, nessa camada existe 
uma pequena quantidade de líquido pericárdico entre elas, que tem como função reduzir o atrito 
entre os folhetos. 
 
 
 O pericárdio tem função de revestimento e redução do atrito do coração entre estruturas que 
estão perto. 
 O pericárdio promove uma melhor fixação do coração no mediastino; 
 O pericárdio funciona como uma barreira física contra infecções; 
 No pericárdio parietal é encontrado as terminações nervosas nociceptivas; 
 
DISTÚRBIOS DO PERICÁRDIO 
 
Os distúrbios do pericárdio incluem a pericardite aguda e a crônica, o derrame pericárdico e o 
tamponamento cardíaco, bem como a pericardite constritiva e a pericardite constritiva-exsudativa. 
 
PERICARDITE AGUDA: 
A pericardite consiste em um processo inflamatório no pericárdio. A pericardite aguda, definida por 
sinais e sintomas que resultam de uma inflamação pericárdica com duração inferior a 2 semanas, 
pode ocorrer como uma doença isolada ou como resultado de uma doença sistêmica. 
 
 
3° Período Eduardo Zanella TX 
2 
Etiologia: 
As infecções virais (especialmente infecções por vírus Coxsackie e ecovírus) são a causa mais 
comum de pericardite e, provavelmente, são responsáveis por muitos casos classificados como 
idiopáticos. 
Outras causas de pericardite aguda incluem infecções bacterianas ou micobacterianas, doenças 
do tecido conjuntivo (p. ex., lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide), uremia, pós-cirurgia 
cardíaca, invasão neoplásica do pericárdio, radioterapia, traumatismo, toxicidade medicamentosa 
e processos inflamatórios contíguos do miocárdio ou dos pulmões. 
 
 
 
 Pericardite viral e idiopática: 
 As duas causas mais comuns; 
 Vírus Coxsackie B e Echovirus tipo 8 (causas de gripe e resfriado comum), mas outros 
também podem: vírus influenza, o vírus Epstein-Barr, o citomegalovírus, o vírus do sarampo, 
da caxumba, da varicela-zóster, da rubéola, da hepatite B etc. 
 Pródromo de uma síndrome gripal de IVAS 1-3 semanas antes; 
 Tanto o quadro viral quanto idiopático costumam ser autolimitados, com regressão dos 
sintomas em 1-3 semanas; 
 Complicação mais comum: pericardite recorrente (raramente pode ocasionar tamponamento 
cardíaco e evolução para pericardite constritiva). 
 
 Pericardite piogênica/bacteriana: 
 Síndrome clínica diferente: quadro agudo de febre alta, calafrios, sudorese noturna, dor no 
corpo, prostração e dispneia; 
 Muitas vezes sem valorizar a dor torácica e a síndrome pericárdica propriamente dita; 
 Na pericardite piogenica, o paciente pode nem senti dor torácica, porém, o quadro clinico 
sempre vai estar presente; 
 Atrito presente em < 50% (dificulta o diagnóstico); 
 Doença grave de alta mortalidade (70%); 
 Alta chance de tamponamento cardíaco se o pericárdio não for drenado (tamponamento 
cardíaco: é quando tem um aumento de líquido pericárdico, ultrapassando os 50ml e 
podendo chegar a até 200ml, fazendo com que o coração fique restringido). 
 Geralmente decorre de uma infecção bacteriana torácica ou abdominal alta (pneumonia, 
empiema pleural, mediastinite, abscesso subfrênico, endocardite bacteriana) pelo 
mecanismo da contiguidade... 
 Uma das complicações do pós-operatório de cirurgia torácica; 
 Fatores de risco importantes: derrame pericárdico crônico e imunossupressão. 
 As bactérias mais comuns são: Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae, 
Streptococcus sp., seguidos por Gram-negativos entéricos (E. coli, Klebsiella sp., ...), 
Neiseria meningitidis e Haemophilus influenzae; 
 Quando suspeitar? Quadro clínico de infecção bacteriana + Leucocitose acentuada + 
Aumento da área cardíaca no RX; 
 O ECG pode mostrar alterações de pericardite aguda 
 Deve ser feito um eco para avaliar o derrame e verificar a drenagem + Antibioticoterapia; - 
O líquido geralmente tem aspecto purulento. 
 O tamponamento ocorre em 40% dos casos (principal causa de óbito). 
3° Período Eduardo Zanella TX 
3 
 
 Pericardite Relacionada ao HIV 
 Fase de imunossupressão; 
 Pode ser causada por vírus ou o próprio HIV, mas também por oportunistas (CMV, 
tuberculose...); 
 Presença de pericardite em HIV+ → Risco de morte 9x maior em 6 meses. 
 
 Pericardite Urêmica: 
 Antes da diálise, era uma condição comum entre os pacientes com insuficiência renal 
crônica; 
 Ação direta das toxinas nitrogenadas urêmicas sobre os folhetos pericárdicos → tornam-se 
propensos a hemorragias; 
 Derrame geralmente é sanguinolento; 
 Responde bem ao início da diálise; 
 
 Pericardite relacionada às colagenoses 
 Está relacionada a doenças autoimunes, como febre reumática, artrite reumatoide e lúpus 
 Pericardite reumática → comum em crianças; 
 É a manifestação cardiovascular mais frequente do LES; 
 
Fisiopatologia 
Uma infecção primária (mais rara) ou uma infecção nos tecidos contíguos ao pericárdio – 
por exemplo, uma pleurite bacteriana – pode incitar uma irritação na serosa pericárdica parietal 
suficiente para, assim como outras condições inflamatórias, aumentar a permeabilidade capilar e 
causar um derrame seroso estéril. Os capilares que suprem o pericárdio seroso tornam-se 
permeáveis, possibilitando que proteínas plasmáticas, incluindo o fibrinogênio, saiam dos capilares 
e entrem no espaço pericárdico. Isso resulta em um exsudato que varia em tipo e quantidade, de 
acordo com o agente causal. A pericardite aguda com frequência está associada a um exsudato 
fibrinoso (contendo fibrina), o qual cicatriza por resolução ou progride para deposição de tecido 
cicatricial e formação de aderências entre as camadas do pericárdio seroso. 
 
A inflamação também pode envolver o miocárdio superficial e a pleura adjacente. 
 
Pode ser dividida em: serosa, fibrinosa, serofibrinosa e purulenta/supurativa. 
 
 Serosa: Qualquer que seja a causa, há uma reação inflamatória nas superfícies epicárdicas e 
pericárdicas com escasso número de polimorfonucleares, linfócitos e macrófagos. O volume de 
líquido geralmente não é grande e acumula-se lentamente. A dilatação e o aumento da 
permeabilidade dos vasos devido a inflamação acarretam um acúmulo de líquido de densidade 
elevada e rico em proteínas. Característica de doenças não-infecciosas (Lupus, Febre 
Reumática...). 
 
 Fibrinosa/serofibrinosa: são os tipos mais frequentes de pericardites. São compostas de 
umlíquido seroso variavelmente misturado a um exsudato fibrinoso. A superfície do pericárdio 
está seca e possui uma aspereza granular fina. Na pericardite serofibrinosa, um processo 
inflamatório mais intenso produz quantidade maior de um líquido mais espesso e com 
frequência há fibrina. O desenvolvimento de um atrito pericárdico sonoro é a característica mais 
evidente de pericardite fibrinosa. No entanto, o acúmulo de líquido seroso pode impedir o atrito 
ao separar as duas camadas do pericárdio.Têm como principais causas IAM e traumas. Os 
sintomas da pericardite fibrinosa, caracteristicamente, incluem dor (aguda, pleurítica e 
dependente da posição) e febre; insuficiência congestiva também pode estar presente. 
 
3° Período Eduardo Zanella TX 
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 Purulenta: O exsudato varia de um pus aguado a cremoso, com volume de até 500ml. As 
superfícies serosas estão avermelhadas, granulares e cobertas com exsudato. Em virtude da 
grande intensidade da resposta inflamatória, há frequentemente como consequência grave uma 
pericardite constritiva. Essa pericardite reflete uma infecção ativa causada por invasão 
microbiana do espaço pericárdico; isso pode ocorrerpor: 
 Extensão direta a partir de infecções vizinhas, tais como empiema pleural, pneumonia 
lobar, infecções mediastinais ou extensão de um abscesso de anel através do 
miocárdio ou da raiz da aorta; 
 Disseminação a partir do sangue; 
 Extensão linfática; 
 Introdução direta durante cardiotomia. 
 
Os achados clínicos na fase ativa assemelham-se aos observados na pericardite fibrinosa, embora 
a franca infecção leve a sintomas sistêmicos mais marcantes, tais como febre aguda e calafrios. 
 
Manifestação clínica: 
 
 Na maioria das vezes a pericardite aguda é sintomática; 
 É uma inflamação dos folhetos pericárdicos; 
 Principal sintoma: Dor torácica atípica (diferente da dor anginosa); 
 Dor precordial, contínua, de longa duração (horas/dias), irradia para a região cervical e do 
trapézio, dor tipo pleurítica (piora com a inspiração/tosse); 
 Dor piora em decúbito dorsal; 
 Pode simular uma dor anginosa; 
 O paciente pode apresentar dispnéia e ter sintomas de um quadro gripal 
 Achado patognomônico = ATRITO PERICÁRDICO (85% dos casos); 
 Som áspero, mais audível com o diafragma firmemente pressionado na borda esternal 
esquerda com o paciente sentado com o tronco inclinado para frente; 
 Lembra o ranger entre lixas 
 
Exames Complementares e Diagnóstico: 
 
Não existe um padrão-ouro para diagnóstico (clínica + exames complementares + atrito 
pericárdico); 
O diagnóstico é pautado na combinação de 2 dos seguintes itens: dor torácica típica de pericardite; 
ausculta de atrito pericárdico; alterações eletrocardiográficas típicas; visualização de um derrame 
pericárdico. 
 
 Eletrocardiograma: 
 As alterações eletrocardiográficas da pericardite são bastante amplas e acontecem nos 
segmentos PR, segmento ST e no ritmo, variando de acordo com a fase da pericardite. O 
ECG pode ser normal em até 6% dos casos. 
 A pericardite aguda pode estender-se para a região epicárdica, levando a uma miocardite 
superficial; O mais característico é o aparecimento de uma corrente de lesão do tipo 
supradesnível de ST, com o ST de aspecto côncavo e a onda T positiva e apiculada; 
 Uma alteração característica, nem sempre vista, é o infradesnível do PR; 
 
Fase I (no momento da dor) – supradesnível de ST em várias derivações, onda T positiva e 
apiculada; 
Fase II (dias após) – volta do ST à linha de base, com a onda T aplainada; 
Fase III (1-2 semanas após) – inversão da onda T; 
Fase IV (semanas ou meses após) – normalização do ECG. 
3° Período Eduardo Zanella TX 
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 Alterações do ritmo podem ocorrer em qualquer estágio e variam de taquicardia sinusal até 
arritmias atriais diversas. 
 Baixa amplitude do QRS acontece na presença de derrame pericárdico, que melhora após 
pericardiocentese. A alternância na morfologia ou amplitude do QRS está associada à 
pericardite com derrame pericárdico volumoso e sinais de tamponamento cardíaco. 
 A diferenciação da pericardite com repolarização precoce pode ser feita através da razão entre 
a amplitude do início do ST sobre a amplitude da onda T (ST/T) em V6. O diagnóstico de 
pericardite ocorre quando a razão ST/T é igual ou maior que 0,25. 
 Na pericardite crônica observam-se predominantemente ondas T invertidas e baixa amplitude 
do QRS. 
 
Outros exames que podem ser solicitados: 
 
 Ecocardiograma: pode demonstrar derrame pericárdico e é uma importante ferramenta na 
avaliação de restrições que possam gerar um quadro de tamponamento cardíaco. 
 
 Radiografia: Na pericardite aguda, a radiografia de tórax é normal na maioria das vezes. A 
presença de cardiomegalia ocorre apenas quando há mais de 200 ml de fluido no saco 
pericárdico. O aumento progressivo do derrame pericárdico, que ocorre, por exemplo, no 
tamponamento cardíaco, resulta em formato globular da silhueta cardíaca à radiografia de tórax. 
 
 Exames laboratoriais: 
 Marcadores de necrose miocárdica: Níveis elevados de marcadores miocárdicos são 
observados em pacientes com pericardite aguda, sendo mais frequente a elevação de 
troponina I (TnI) do que de CKMB, uma vez que esta pode estar elevada em decorrência da 
miosite periférica por infecções virais. A elevação da TnI é marcador de comprometimento 
miocárdico associado (miopericardite). 
 Marcadores de atividade inflamatória: Os marcadores de atividade inflamatória de fase 
aguda como VHS, leucocitose e Proteína C reativa (PCR), encontram-se elevados em 
aproximadamente 75% dos pacientes, sendo que a ausência desses marcadores na 
avaliação inicial de pacientes e não afasta o diagnóstico. Estes tendem a normalizar ao fim 
de duas semanas, sendo que valores persistentemente elevados indicam a necessidade de 
terapêutica anti-inflamatória prolongada e maior risco de recorrência da pericardite. 
 BNP / NT-proBNP: Os níveis de peptídeo natriurético atrial do tipo B (BNP) e da fração N-
terminal do BNP (NT-proBNP) podem estar elevados em doenças pericárdicas. 
 
Tratamento: 
 Orientado à causa básica; 
 Quando idiopática ou viral → controme dos sintomas e prevenção de recidivas; 
 Esquema de escolha: AINE (ibuprofeno, por exemplo). 
 
 
 
3° Período Eduardo Zanella TX 
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Complicações: 
 
A história natural da doença da pericardite viral e idiopática é geralmente benigna, havendo melhora 
dos sintomas entre 2 e 6 semanas. Pode ocorrer derrame pericárdico e tamponamento cardíaco 
em 15% dos casos de pericardite aguda. É mais comum na pericardite piogênica. A pericardite 
recorrente é a complicação mais comum. Em 20-30% dos casos, o paciente apresenta recorrência 
dos sintomas. A pericardite constritiva, no caso da pericardite viral e idiopática, é uma complicação 
rara. 
 
 
PERICARDITE SUBAGUDA/CRÔNICA 
 
Etiologia: 
 Liderada pela pericardite tuberculosa; 
 Outras causas: neoplásica, mixedema, uremia, radioterapia. 
 PERICARDITE TUBERCULOSA: 
 O Mycobacterium tuberculosis pode chegar ao pericárdio ou por contiguidade de um foco 
infeccioso (linfonodo, pleura ou pulmão) ou por via linfo-hematogênica; 
 Desenvolvimento insidioso de sintomas não específicos, como emagrecimento, hiporexia, 
astenia, febre e sudorese noturna; 
 O derrame pleural tuberculoso está presente em 40% dos casos, quase sempre unilateral; 
 Complicações: tamponamento cardíaco + pericardite constritiva. 
 
 PERICARDITE NEOPLÁSICA: 
 Geralmente o comprometimento neoplásico é por metástase ou por tumores intratorácicos; 
 Carcinosa broncogênico pulmonar, câncer de mama, linfomas; 
 Derrame pleural assintomático, a pericardite aguda clássica e o tamponamento cardíaco 
como primeira manifestação do quadro; 
 O tamponamento cardíaco pode ser pelo derrame pericárdico, frequentemente hemorrágico, 
ou pela presença de massas intrapericárdicas comprimindo o coração 
 PERICARDITE ACTÍNICA: 
 Quando a radioterapia é direcionada ao tórax; 
 Pode manifestar-se como um derrame pericárdico assintomático, como um quadro de 
pericarditeaguda clássica ou como uma complicação; 
 MIXEDEMA PERICÁRDICO: 
 Importante causa de grandes derrames pericárdicos assintomáticos 
 Hipotireoidismo cursa com derrame pericárdico em 1/3 dos casos; 
 Provém do extravasamento de líquido rico em proteína e colesterol, acumulando-se 
lentamente; 
 O líquido tem aspecto amarelado e é viscoso, às vezes, com uma consistência de gel; 
 O tamponamento é muito raro, pois o acúmulo de líquido é muito lento. 
 
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Manifestações clinicas: 
 
 É mais difícil de diagnosticar, pois não tem a dor típica da pericardite (dor atípica) 
 O quadro clínico do paciente não é rico em detalhes 
 Não chama atenção para uma síndrome pericárdica → não há dor torácica, atrito ou alterações 
no ECG 
 Pode se apresentar de três formas: 
1. evolução insidiosa (semanas ou meses) com sintomas gerais, tais como emagrecimento, 
astenia e febre baixa (quando a dor torácica está presente, em geral, não é característica 
da dor pericárdica clássica, manifestando-se mais como uma dor retroesternal ou 
precordial contínua, de leve a moderada intensidade e de caráter opressivo); 
2. derrame pericárdico crônico assintomático; 
3. abrir o quadro já com uma complicação, como o tamponamento cardíaco, a pericardite 
constritiva ou a pericardite efusivo-constritiva 
 Também podem se manifestar igual à aguda, com a diferença de não ser autolimitada; 
 Diagnóstico suspeitado por uma área cardíaca aumentada no RX + derrame pericárdico no eco 
DERRAME PERICÁRDICO: 
 É quando acontece um aumento do liquido pericárdico entre o folheto visceral e parietal; 
 Na maioria das vezes o derrame não causa sinais/sintomas 
 Quando o derrame for de grande volume, ele pode comprimir estruturas que estão próximas ao 
coração, causando sintomas específicos aos órgãos afetados. 
 Ao exame físico é encontrado bulhas hipofoneticas 
 O derrame pericárdico pode ser causado por pericardite ou pode ser idiopático 
O derrame pericárdico se refere ao acúmulo de líquido na cavidade pericárdica, normalmente como 
resultado de um processo inflamatório ou infeccioso. O seu desenvolvimento também pode resultar 
de neoplasias, cirurgia cardíaca, traumatismo, ruptura cardíaca por infarto do miocárdio e 
aneurisma aórtico dissecante. A cavidade pericárdica tem pouco volume de reserva. A relação 
pressão-volume entre os volumes pericárdico e cardíaco normais pode ser drasticamente afetada 
até por pequenas quantidades de líquido, na presença de níveis críticos de derrame. Como as 
pressões de enchimento do coração direito são inferiores àquelas do coração esquerdo, os 
aumentos na pressão normalmente se refletem em sinais e sintomas de insuficiência cardíaca 
direita que antecedem a equalização das pressões. 
Fisiopatologia 
A quantidade de líquido, a rapidez com que ele se acumula e a elasticidade do pericárdio 
determinam o efeito do derrame sobre a função cardíaca. Pequenos derrames pericárdicos podem 
não produzir sintomas, ou produzir achados clínicos anormais. Até mesmo um grande derrame que 
se desenvolve lentamente pode causar poucos ou nenhum sintoma, desde que o pericárdio consiga 
se distender e evitar a compressão do coração. Contudo, um acúmulo súbito de até mesmo 200 ml 
de líquido pode elevar a pressão intracardíaca a níveis que limitam seriamente o retorno venoso 
para o coração.Os sintomas de compressão cardíaca também podem ocorrer com acúmulos 
relativamente pequenos de líquido em um pericárdio que tenha sofrido espessamento resultante 
de formação de tecido cicatricial ou infiltração neoplásica. 
O derrame pericárdico pode levar a uma condição denominada tamponamento cardíaco, no qual 
ocorre compressão do coração em consequência do acúmulo de líquido, pus ou sangue no saco 
pericárdico. 
3° Período Eduardo Zanella TX 
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Essa condição potencialmente fatal pode ser causada por infecções, neoplasia e hemorragia.3,4 O 
tamponamento cardíaco resulta em aumento da pressão intracardíaca, limitação progressiva do 
enchimento diastólico ventricular, assim como reduções no volume sistólico e no débito cardíaco. 
A gravidade da condição depende da quantidade de líquido presente e da velocidade com que ele 
se acumula. 
Um acúmulo significativo de líquido no pericárdio resulta em aumento do estímulo adrenérgico, que 
leva à taquicardia e ao aumento da contratilidade cardíaca. Ocorre elevação da pressão venosa 
central (PVC –pressão nas veias cava superior e inferior durante o retorno venoso), distensão das 
veias jugulares, queda da pressão arterial sistólica, estreitamento da pressão de pulso, abafamento 
das bulhas cardíacas (presença de líquido abafa o som) e sinais de choque circulatório 
(hipoperfusão de órgãos, com resultante disfunção celular e morte). Pessoas com tamponamento 
cardíaco de desenvolvimento lento em geral aparentam estar agudamente enfermas, mas não do 
modo extremo observado naqueles com tamponamento de desenvolvimento rápido. 
 
TAMPONAMENTO CARDÍACO: 
 Condição na qual o DC está reduzido devido ao enchimento ventricular prejudicado pelas altas 
pressões intrapericárdicas; 
 É provável quando ocorre um rápido acúmulo de líquido pericárdico, principalmente se for denso 
(sanguinolento ou purulento). 
 
Fisiopatologia: 
 Normalmente, a pressão intrapericárdica está em 0 ou é negativa (acompanha a pressão 
intrapleural); 
 Quando a pressão intrapericárdica aumenta, a pressão em todas as câmaras cardíacas 
aumentam para que não haja um colabamento; 
 Durante a diástole, ocorre uma equalização de pressões cardíacas; 
 CONSEQUÊNCIAS: 
 Síndrome congestiva aguda → congestão pulmonar e sistêmica; 
 Restrição diastólica → Redução do débito cardíaco; 
 Inicialmente, pode haver taquicardia compensatória, mas, se a pressão intrapericárdica 
aumentar mais ainda, apesar de todos os mecanismos compensatórios, a evolução é para o 
choque franco, bradicardia sinusal progressiva e PCR. 
 
Manifestação clínica: 
 Taquipneia, dispneia e ortopneia; 
 Turgencia jugular patológica e pulso paradoxal; 
 Hipotensão → mais importante sinal de gravidade. 
 Tríade de Beck: hipotensão arterial + bulhas hipofonéticas + turgência jugular patológica = 
FORMA GRAVE, risco iminente de morte; 
 A principal causa de tamponamento grave é o hemopericárdio traumático, iatrogênico ou por 
dissecção aórtica. 
 
 
3° Período Eduardo Zanella TX 
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ALTERAÇÃO NA CURVA DE PRESSÃO VENOSA: 
 O retorno venoso para os átrios ocorre em duas fases: 
o Durante a sístole ventricular (descenso X); 
o Durante a diástole (abertura das valvas e redução de todas as pressões cavitárias); 
o No tamponamento, o retorno só acontece durante a sístole. 
 
 
PERICARDITE CONSTRITIVA: 
o coração é envolvido por uma cicatriz densa, fibrosa ou fibrocalcificada entre as lâminas visceral 
e parietal do pericárdio seroso. Com o tempo, o tecido cicatricial contrai e limita a expansão 
diastólica e o débito cardíaco, ponto em que o débito cardíaco e a reserva cardíaca se tornam 
invariáveis, características que mimetizam uma cardiomiopatia restritiva. A equalização das 
pressões diastólicas finais em todas as quatro câmaras cardíacas é a característica fisiopatológica 
da pericardite constritiva. 
Um histórico prévio de pericardite pode ou não estar presente. A cicatriz fibrosa pode ter até 1 cm 
de espessura, obliterando o espaço pericárdico e, às vezes, se calcifica; em casos extremos, pode 
assemelhar-se a um molde de gesso (concretio cordis). Devido à densa cicatriz enclausurante, não 
é possível ocorrer hipertrofia e dilatação cardíaca.O débito cardíaco pode estar reduzido durante 
o repouso, mas o mais importante é que o coração tem pouca ou nenhuma capacidade de aumentar 
seu débito em resposta ao aumento da demanda sistêmica. 
Os sinais de pericardite constritiva incluem bulhas cardíacas distantes ou abafadas, pressão 
venosa jugular elevada e edema periférico. O tratamento consiste na ressecção cirúrgica da 
carapaça de tecido fibroso constritor (pericardiectomia). 
 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS:: 
 Síndrome congestiva sistêmica; 
 Turgencia jugular patológica, hepatomegalia congestiva, ascite, edema de MMII e genitália; 
 Sintomas de congestão pulmonar podem aparecer nas fases avançadas. 
 
PERICARDITE EFUSIVO-CONSTRITIVA: 
uma combinação de derrame, tamponamento e constrição, é uma síndrome que se desenvolve em 
uma quantidade significativa de pessoas com doença pericárdica. Como é observada com mais 
frequência durante a evolução subaguda ou crônica da doença pericárdica, ela mais provavelmente 
ocorre em virtude de uma transição da pericardite aguda com derrame pericárdico para a 
3° Período Eduardo Zanella TX 
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pericardite constritiva. A condição normalmente é detectada quando não ocorre a estabilização das 
medidas hemodinâmicas após a pericardiocentese (retirada de líquido do pericárdio). Existem 
muitas causas, mas a mais comum é a idiopática; pode ainda ser causada por doença maligna, 
radioterapia e tuberculose. Pessoas com o distúrbio normalmente necessitam de pericardiectomia. 
 
Compreender quais os mecanismos imunológicos das doenças autoimunes. 
 Pode estar associada à fase aguda do Lúpus Eritematoso Sistémico (LES), AR, esclerose 
sistémica, poliartrite, artrite de células gigantes, ou outras vasculites sistémicas; 
 Pensa-se que 40% dos casos de pericardite aguda idiopática recorrente têm uma origem auto-
imune; 
 Interação das PAMPs (padrões moleculares associados a patogénios) que derivam de produtos 
virais, com os TLRs das células dendríticas. Estas podem promover as respostas primárias das 
células T e B, representando uma ligação entre o sistema imune inato e adaptativo. 
 Seguidamente as células T CD4+ podem ser diferenciadas em diferentes subgrupos de células 
Th com perfis citocínicos e funções efetoras diferentes; 
 A auto-imunidade pode estar associada à integração do DNA de microorganismos no 
hospedeiro o que levaa mutação e às reacções cruzadas

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