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Portugues_e_Saude_em_movimento_23_MAAv

Material didático "Português & Saúde em movimento" para o módulo de acolhimento do Projeto Mais Médicos. Reúne dez unidades sobre linguagem na atenção básica do SUS — variação linguística, diversidades, saúde mental, estilo de vida, ética e direitos, ISTs/Aids, desigualdades sociais, saúde da mulher, da criança e do idoso — com atividades multimodais para desenvolver compreensão e produção em português no contexto médico.

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3ª edição 
Revisada e Ampliada 
 
Nelson Viana 
Patrícia de Oliveira Lucas 
Tábata Quintana Yonaha 
 
SOBRE OS AUTORES 
 
Fernando Fico é graduado em Letras pela Universidade Federal Fluminense e 
especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Universidade Federal do Rio de 
Janeiro. 
 
Tábata Quintana Yonaha é graduada em Letras pela Universidade de Brasília, mestra 
em Linguística Aplicada pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da 
Universidade de Brasília e doutoranda em Linguística pela Universidade Federal de São 
Carlos. 
 
Pedro Couto é graduado em Letras pela Universidade de Brasília e mestre e doutorando 
em Literatura e Práticas Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Literatura da 
Universidade de Brasília. 
 
Nelson Viana é graduado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas 
(PUC), mestre em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas 
(Unicamp) e Doutor em Linguística Aplicada pela Universidade Federal de Minas 
Gerais (UFMG). 
 
Patrícia de Oliveira Lucas é graduada em Letras – Português Inglês pela Universidade 
Federal de São Carlos (UFSCar), mestre em Linguística Aplicada pela Universidade 
Estadual de Campinas (Unicamp) e Doutora em Linguística pela UFSCar, com estágio 
de doutoramento na Universidade de Michigan (U of M), Estados Unidos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Português & Saúde em movimento 
 
 
Bem vindo/a! 
 
Esperamos que você encontre aqui uma oportunidade de (re)aproximação com a 
língua portuguesa em seu contexto profissional. Elaboramos as unidades deste material 
a fim de auxiliar o/a professor/a de português do Módulo de Acolhimento e Avaliação 
do Projeto Mais Médicos para o Brasil, promovido pelo Ministério da Saúde e pelo 
Ministério da Educação. 
As dez propostas temáticas apresentam a linguagem relacionada a temas 
importantes da prática médica no contexto da Atenção Básica no Sistema Único de 
Saúde Brasileiro (SUS). 
Um dos principais objetivos é refletir sobre como a linguagem pode contribuir 
para uma interação médico-paciente de maneira mais satisfatória e humanizada. O 
material é composto de atividades baseadas em textos multimodais e as estruturas 
linguísticas apresentadas cumprem o propósito de auxiliar no desenvolvimento da 
compreensão e da produção textual em língua portuguesa, mais especificamente para o 
cotidiano médico. 
Enfatizamos que este material foi desenvolvido considerando-se a linguagem 
como prática social e mediadora no contexto da interação. Desse modo, ele poderá ser 
utilizado também como suporte a profissionais da área da linguagem. Assim, esperamos 
que este material não seja utilizado apenas como um guia de instruções e conhecimentos 
prontos e acabados, já que trata-se de uma ferramenta em constante mudança e reflexão 
da prática dialógica entre docentes e discentes. 
 
 
Setembro de 2017: Os autores, Fernando Fico, Pedro Couto e Tábata Quintana 
Março de 2018: Nelson Viana, Patrícia Lucas e Tábata Quintana. 
Novembro de 2018: Nelson Viana, Patrícia Lucas e Tábata Quintana 
Sumário 
VARIAÇÃO LINGUÍSTICA .............................................................................................................................2 
DIVERSIDADES ..............................................................................................................................................17 
SAÚDE MENTAL ............................................................................................................................................24 
ESTILO DE VIDA ............................................................................................................................................37 
ÉTICA & DIREITOS HUMANOS .................................................................................................................47 
IST`S E AIDS ....................................................................................................................................................56 
DESIGUALDADES SOCIAIS .........................................................................................................................71 
SAÚDE DA MULHER ......................................................................................................................................78 
SAÚDE DA CRIANÇA ....................................................................................................................................85 
SAÚDE DO IDOSO ..........................................................................................................................................93 
 
	
1 
 
○1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OBJETIVOS 
 
 
• Expor panoramicamente algumas diversidades linguísticas do Brasil; 
• Proporcionar discussões sobre a variedade de formas e expressões 
linguísticas; 
• Auxiliar para sensibilização sobre “preconceito linguístico”; 
• Apresentar diferentes gêneros textuais da área médica para abordar 
habilidades de compreensão e interpretação. 
 
 
 
 
 
	
2 
1 
TEXTO 01
 
 
 
 
 
VARIAÇÃO LINGUÍSTICA 
 
 
 
 
RODA DE CONVERSA 
 
Qual dessas palavras se usa 
em sua região? 
 
Macaxeira? 
Mandioca? 
Aipim? 
Bala? Confeito? 
Queimado? 
Pernilongo? Carapanã? 
Mosquito? 
Muriçoca? 
 
 
Diversidade do português brasileiro 
As	 línguas	 do	mundo	não	 são	homogêneas,	 exibindo	uma	
grande	diversidade.	Isso	porque	locutor	e	interlocutor	atuam	
em	diferentes	espaços	sociais,	concretamente	configurados,	o	
que	se	reflete	no	material	utilizado.	
Imagine	uma	pessoa	conversando	com	outra,	ou	escrevendo	
para	 ela	 sobre	 determinado	 assunto.	 Depois	 de	 algumas	
palavras,	analisando	sua	 linguagem,	é	possível	 identificar	as	
características	 sociais	 dos	 falantes	 (sua	 origem	 geográfica,	
nível	 sociocultural,	 idade),	 o	 canal	 que	 selecionaram	 (fala	
espontânea,	fala	formalizada).	
A	linguagem	dos	brasileiros	não	é	absolutamente	idêntica,	
apresentando	 mais	 de	 um	 ponto	 de	 variação.	 O	 resultado	
dessas	 observações	 mostrará	 que	 o	 português	 brasileiro	 é	
uma	 língua	 heterogênea,	 como	 qualquer	 outra,	 pois	 está	
submetida	a	uma	natural	diversidade.	É	possível	avaliar	essa	
diversidade	a	partir	dos	seguintes	parâmetros:	
	
(1) variação	geográfica;	
(2) variação	sociocultural;	
(3) variação	individual;	
(4) variação	de	canal;	
(5) variação	temática.	
	
Cada	uma	dessas	variações,	por	sua	vez,	é	organizada	
por	 um	 conjunto	 de	 usos	 linguísticos	 considerados	
relevantes	 para	 sua	 caracterização.	 Esses	 usos	 são	
tecnicamente	 conhecidos	 como	 variantes.	 Como	 isso,	
entende-se	 por	 variação	 a	 manifestação	 concreta	 das	
variantes,	e	por	variedade	a	soma	das	variações.	
CASTILHO, Ataliba T. de & ELIAS, Vanda Maria. Pequena Gramática do Português Brasileiro. São Paulo: Contexto, 2012. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ATIVIDADE DE VÍDEO 
Depois	 de	 assistir	 ao	 vídeo	 (https://youtu.be/	
flOhPXEPW9c)	da	unidade,	reponda	as	perguntas:	
	
a) Segundo	a	reportagem,	quais	são	os	estados	em	
que	mais	se	“chia”	no	Brasil?	Quais	são	o	primeiro	e	
segundo	lugares,	respectivamente?	
	
b) Qual	a	explicação	dos	especialistas	sobre	a	origem	
do	“s”	chiado?	De	onde	ele	veio?	
	
c) “Manezinho”	é	denominação	dada	a	que	grupo	
de	pessoas?	
 
 
3 
	
	
TEXTO 02 
 
A mitologia do preconceito linguístico 
 
Parece haver cada vez mais, nos dias de hoje, uma forte tendência a lutar contra as mais 
variadas formas de preconceito, a mostrar que eles não têm nenhum fundamento racional, 
nenhuma justificativa, e que são apenas o resultado da ignorância, da intolerância ou da 
manipulação ideológica. Infelizmente, porém, essa tendência não tem atingido um tipo de 
preconceito muito comum na sociedade brasileira: o preconceito linguístico. Muito pelo 
contrário, o que vemos é esse preconceito ser alimentado diariamente em programas de 
televisão e de rádio, em colunas de jornale revista, em livros e manuais que pretendem 
ensinar o que é “certo” e o que é “errado” sem falar, é claro, nos instrumentos tradicionais 
de ensino da língua: a gramática normativa e os livros didáticos. 
O preconceito linguístico fica bastante claro numa série de afirmações que já fazem 
parte da imagem (negativa) que o brasileiro tem de si mesmo e da língua falada por aqui. 
Outras afirmações são até bem-intencionadas, mas mesmo assim compõem uma espécie 
de “preconceito positivo”, que também se afasta da realidade. Vamos examinar algumas 
dessas afirmações falaciosas e ver em que medida elas são, na verdade, mitos e fantasias 
que qualquer análise mais rigorosa não demora a derrubar. 
Estou convidando você, a partir de agora, a fazer junto comigo um pequeno passeio 
pela mitologia do preconceito linguístico. Quando o passeio acabar, isto é, quando tivermos 
terminado de examinar os principais mitos, vamos tentar refletir juntos para encontrar os 
meios mais adequados de combater esse preconceito no nosso dia a dia, na nossa atividade 
pedagógica de professores em geral e, particularmente, de professores de língua 
portuguesa. 
Marcos Bagno. Preconceito Linguístico: o que é e como se faz. 49. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2007. 
(Adaptado) 
 
 
	
 
	
	
 
 
 
 
 
 
 
 
 
COMPREENSÃO 
É uma habilidade textual de entender e 
verificar as informações explícitas, 
literais, de uma determinada mensagem. 
 Tem caráter objetivo. 
 
4 
	
	
ATIVIDADES 
 
01) Com base no texto, julgue os itens a seguir como V (verdadeiro) ou F (falso): 
 
a) ( ) Ignorância, tolerância e/ou manipulação fazem parte da justificativa 
social do preconceito linguístico. 
b) ( ) A tendência de combate aos diversos tipos de preconceito vale apenas 
para o denominado preconceito linguístico. 
c) ( ) A mídia e os livros didáticos contribuem para a disseminação do 
preconceito linguístico. 
d) ( ) O brasileiro, na opinião de Bagno, possui uma imagem positiva sobre si 
mesmo. 
e) ( ) O conjunto de mensagens sobre a realidade linguística brasileira apresenta 
uma série de raciocínios falaciosos e mitologias fantásticas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
	
	
 
TEXTO COMPLEMENTAR 
“A língua portuguesa falada no Brasil apresenta uma unidade surpreendente” 
( Mito n° 1) 
 
Este é o maior e o mais sério dos mitos que compõem a mitologia do preconceito linguístico no 
Brasil. Ele está tão arraigado em nossa cultura que até mesmo intelectuais de renome, pessoas de visão 
crítica e geralmente boas observadoras dos fenômenos sociais brasileiros, se deixam enganar por ele. 
Existe também toda uma longa tradição de estudos filológicos e gramaticais que se baseou, 
durante muito tempo, nesse (pre)conceito irreal da “unidade linguística do Brasil”. Esse mito é muito 
prejudicial à educação porque, ao não reconhecer a verdadeira diversidade do português falado no Brasil, 
a escola tenta impor sua norma linguística como se ela fosse, de fato, a língua comum a todos os 160 
milhões de brasileiros, independentemente de sua idade, de sua origem geográfica, de sua situação 
socioeconômica, de seu grau de escolarização etc. 
Ora, a verdade é que no Brasil, embora a língua falada pela grande maioria da população seja o 
português, esse português apresenta um alto grau de diversidade e de variabilidade, não só por causa da 
grande extensão territorial do país — que gera as diferenças regionais, bastante conhecidas e também 
vítimas, algumas delas, de muito preconceito —, mas principalmente por causa da trágica injustiça social 
que faz do Brasil o segundo país com a pior distribuição de renda em todo o mundo. São essas graves 
diferenças de status social que explicam a existência, em nosso país, de um verdadeiro abismo linguístico 
entre os falantes das variedades não-padrão do português brasileiro — que são a maioria de nossa 
população — e os falantes da (suposta) variedade culta, em geral mal definida, que é a língua ensinada 
na escola. 
Como a educação ainda é privilégio de muito pouca gente em nosso país, uma quantidade 
gigantesca de brasileiros permanece à margem do domínio de uma norma culta. Assim, da mesma forma 
como existem milhões de brasileiros sem terra, sem escola, sem teto, sem trabalho, sem saúde, também 
existem milhões de brasileiros sem língua. Afinal, se formos acreditar no mito da língua única, existem 
milhões de pessoas neste país que não têm acesso a essa língua, que é a norma literária, culta, empregada 
pelos escritores e jornalistas, pelas instituições oficiais, pelos órgãos do poder — são os sem-língua. É 
claro que eles também falam português, uma variedade de português não- padrão, com sua gramática 
particular, que no entanto não é reconhecida como válida, que é desprestigiada, ridicularizada, alvo de 
chacota e de escárnio por parte dos falantes do português-padrão ou mesmo daqueles que, não falando o 
português-padrão, o tomam como referência ideal — por isso podemos chamá-los de sem-língua. 
O fato de no Brasil o português ser a língua da imensa maioria da população não implica, 
automaticamente, que esse português seja um bloco compacto, coeso e homogêneo. Na verdade, como 
costumo dizer, o que habitualmente chamamos de português é um grande “balaio de gatos”, onde há 
6 
	
	
gatos dos mais diversos tipos: machos, fêmeas, brancos, pretos, malhados, grandes, pequenos, adultos, 
idosos, recém-nascidos, gordos, magros, bem- nutridos, famintos etc. Cada um desses “gatos” é uma 
variedade do português brasileiro, com sua gramática específica, coerente, lógica e funcional. 
É preciso, portanto, que a escola e todas as demais instituições voltadas para a educação e a 
cultura abandonem esse mito da “unidade” do português no Brasil e passem a reconhecer a verdadeira 
diversidade linguística de nosso país para melhor planejarem suas políticas de ação junto à população 
amplamente marginalizada dos falantes das variedades não-padrão. 
O reconhecimento da existência de muitas normas linguísticas diferentes é fundamental para que 
o ensino em nossas escolas seja consequente com o fato comprovado de que a norma linguística ensinada 
em sala de aula é, em muitas situações, uma verdadeira “língua estrangeira” para o aluno que chega à 
escola proveniente de ambientes sociais onde a norma linguística empregada no quotidiano é uma 
variedade de português não padrão. 
Marcos Bagno. Preconceito Linguístico: o que é e como se faz. 49. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2007. 
(Adaptado) 
 
 
. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ATIVIDADES 
 
Enumere	os	temas,	tópicos	e	argumentos	(desenvolvimento	lógico)	na	ordem	em	que	aparecem	no	
texto	e,	em	seguida,	produza	uma	síntese	de	8	a	10	linhas.	
	
	
	
	
								 [ ] O mito da unidade do Português brasileiro. 
[ ] Reconhecimento da autêntica diversidade linguística brasileira 
[ ] Grau de alta diversidade do português brasileiro devido a vários critérios: extensão territorial e 
injustiça social. 
[ ] Tradição filológica e gramatical baseou-se no mito da unidade do português. 
[ ] Porcentagem elevada de brasileiros à margem da norma culta: os sem- língua. 
[ ] Português como um balaio de gatos 
1 2 3 4 5 6 
INTERPRETAÇÃO 
 
É uma habilidade textual de apresentação 
de hipóteses. 
Tem caráter subjetivo e depende de 
referências extraliterais, que não 
constam no texto. 
 
 
7 
	
	
Leia e atente para as diferenças de uso do Português nos trechos das letras de 
música a seguir: 
8 
	
	
TEXTO 04 
Médico debocha de paciente na internet: ‘Não existe 
peleumonia’ 
 
Médico e duas funcionárias foram afastados após postagem em rede social. 
	
Um	médico	plantonista	no	Hospital	Santa	Rosa	de	Lima,	em	Serra	Negra	(SP),	foi	afastado	do	trabalho	
após	 ter	 uma	 foto	 sua	 publicada	 numa	 rede	 social	 com	 o	 título	 “Uma	 imagem	 fala	mais	 que	mil	
palavras”.	Na	foto,	Guilherme	Capel	Pasqua	mostra	o	receituário	médico	com	o	seguinte	dizer:	“Não	
existe	peleumonia	e	nem	raôxis”.Vinte	minutos	antes	da	postagem,	na	quarta-feira	(27),	o	médico	
havia	atendido	o	mecânico	José	Mauro	de	Oliveira	Lima,	42	anos,	que	estudou	até	o	segundo	ano	do	
ensino	fundamental	e	não	sabe	como	falar	corretamente	algumas	palavras.	
	Seu	enteado,	o	eletricista	Claudemir	Thomaz	
Maciel	da	Silva,	de	25	anos,	o	acompanhava	na	
consulta	e	revela	que,	assim	que	souberam	o	
diagnóstico,	 o	 mecânico	 perguntou	 sobre	 o	
tratamento	para	a	“peleumonia”.	A	reação	do	
médico	 não	 foi	 muito	 profissional,	 afirma	
Claudemir.	
“Quando	meu	padrasto	falou	pneumonia	
e	raios	X	de	forma	errada,	ele	deu	risada.	Na	
hora,	não	desconfiamos	que	ele	iria	debochar	
depois	na	internet.	O	que	ele	fez	foi	absurdo.	
O	procurei	 e	 escrevi	 para	 ele	na	 rede	 social	
que,	independente	dele	ser	doutor,	não	existe	
faculdade	para	formar	caráter.	Assim	que	ele	viu	
minha	 postagem,	 apagou	 a	 foto.	 Ele	 não	 quis	
conversar	com	a	gente”,	diz	Claudemir.	
 
“Quando meu 
padrasto falou 
pneumonia e raios X 
de forma errada, ele 
deu risada. Na hora, 
não desconfiamos 
que ele iria debochar 
depois na internet. O 
que ele fez foi 
absurdo. 
O	eletricista	conta	que	o	padrasto	ainda	não	sabe	que	virou	assunto	
na	internet	e	teme	pela	reação	dele.	Claudemir	diz	que	o	mecânico	
não	pôde	estudar	por	falta	de	dinheiro.	
“Meu	padrasto	não	sabe	falar	direito	porque	não	teve	estudo.	
Ele	vai	ficar	muito	triste	quando	souber	o	que	aconteceu,	estamos	
evitando	 contar,	 mas	 ele	 vai	 acabar	 descobrindo.	 Ele	 trabalhava	
como	cozinheiro	aqui	em	Serra	Negra	e	depois	se	tornou	mecânico.	
Lembro	 que	 ele	 estudava,	mas	 precisou	 abandonar	 as	 aulas	 para	
cuidar	de	mim.	Tive	tuberculose	aos	dois	anos	e,	nessa	época,	ou	ele	
estudava	ou	pagava	meus	remédios”,	lembra.	
Outros	 parentes	 e	 amigos	 da	 família	 ficaram	 indignados	 com	 a	
postagem	 do	 médico	 e	 começaram	 a	 reproduzir	 a	 foto.	 “Não	
podemos	 aceitar	 esse	 tipo	 de	 pessoa	 se	 julgando	 melhor	 do	 que	
outras	 pessoas	 que	 estão	 convalescente	 e	 não	 teve	 a	 mesma	
escolaridade	que	um	cidadão	que	se	julga	melhor	que	outros	seres	
humanos	 por	 causa	 de	 seu	 diploma,	 volta	 pra	 sua	 faculdade	 e	
aprende	um	pouco	mais	sobre	Ética	e	cidadania	(sic)”,	reclamou	um	
morador.	
“Os	pacientes	têm	que	ser	tratados	com	respeito,	poderia	
ter	 sido	 com	 alguém	 da	 minha	 família.	 As	 pessoas	 não	 têm	
obrigação	de	saber	falar	direito,	na	maioria	das	vezes,	são	pessoas	
humildes,	com	dor	e	não	estão	preocupadas	se	estão	falando	certo	
ou	errado”,	disse	outra	pessoa.	
 
9 
	
	
As	críticas	 foram	ainda	direcionadas	a	outras	duas	 funcionárias	do	
hospital	que,	assim	como	o	médico,	debocharam	da	forma	como	os	
pacientes	costumam	falar	na	unidade.	Uma	das	funcionárias	
postou:	 “Tira	 minha	 pressão?	 Porque	 eu	 tenho	 tiroide”.	
Assim	como	o	médico,	elas	também	foram	afastadas.	
Formado	pela	Universidade	Estadual	Paulista	
(UNESP),	 o	 médico	 disse	 à	 EPTV	 que	 não	 teve	
intenção	de	ofender	e	pediu	desculpas	aos	que	falam	
peleumonia	ou	raôxis.	Ele	acredita	que	é	o	contexto	
social	que	define	as	regras	do	português.	
Disse	também	que	não	estava	trabalhando	
no	momento	e	que	fazia	uma	brincadeira	entre	os	
médicos	que	tem	um	grupo	em	rede	social	e	que	
vai	processar	quem	postou	a	foto.	
O	Conselho	Regional	de	Medicina	de	São	Paulo	
(Cremesp)	informou	que	vai	instaurar	uma	sindicância	
para	avaliar	a	conduta	do	médico.	
Em	 2014,	 uma	 paciente	 registrou	 um	 boletim	 de	
ocorrência	contra	um	médico	plantonista	do	Centro	Integrado	
de	Saúde	do	bairro	Nova	Veneza,	em	Sumaré	(SP).	Thaynara	de	
Oliveira	 Cruz,	 de	 19	 anos,	 se	 queixava	 de	 dores	 na	 cabeça	 e	
variações	na	pressão	arterial,	mas	o	médico	teria	afirmado	no	
prontuário	que	o	problema	da	paciente	era	“falta	de	ocupação”.	
Na	consulta,	Thaynara	se	surpreendeu	com	o	atendimento	do	clínico	
geral,	que	não	a	examinou.	“Você	não	conhece	paracetamol?	Dipirona?	É	isso	
que	tem	que	tomar.	Mais	nada’	e	eu	falei	 ‘já	 faz	alguns	dias,	nada	mais	vai	
resolver?’	e	ele	falou	que	não”,	disse	a	paciente	na	época.
A	 jovem	 diz	 ter	 se	 sentido	 ofendida	 e	 humilhada	
quando	 o	 médico	 perguntou	 sobre	 a	 ocupação	 dela.	
“Perguntou	se	eu	trabalhava,	eu	disse	que	cuidava	do	meu	
filho	e	ele	disse	que	era	falta	de	ocupação	o	que	eu	tinha”,	
afirmou.	 Diante	 disso,	 o	 profissional	 teria	 escrito	 o	
diagnóstico	 na	 ficha	 médica	 e	 receitado	 um	 dos	
medicamentos.	 Após	 o	 atendimento,	 a	 jovem	 foi	 com	 o	
marido	 até	 o	 1º	 DP	 da	 cidade	 registrar	 um	 boletim	 de	
ocorrência	 contra	 o	 profissional	 da	 saúde,	 onde	 apontou	
que	houve	ofensa	e	humilhação	por	parte	do	médico.	
O	 profissional	 não	 quis	 comentar	 o	 ocorrido.	 A	
Prefeitura	 de	 Sumaré	 abriu	 um	 processo	 administrativo	
para	investigar	a	conduta	do	médico.	
<http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2016/07/medico-debocha-de-paciente-
na-internet-nao-existe-peleumonia.html>Acesso em3/11/2017. 
 
 
	
 
“Você não conhece 
paracetamol? Dipirona? 
É isso que tem que tomar. 
Mais nada.” 
 
10 
	
	
PRODUÇÃO ESCRITA 
 
 
Etapa 1 
Organização: Metade da turma assumirá o cargo de supervisor e a outra metade de tutor. A partir desse 
momento, organizem-se em duplas para a produção a seguir. 
 
Etapa 2 
Com base na situação apresentada no texto 04, como supervisor do Programa você deve escrever um e-mail 
para seu tutor relatando o ocorrido e pedindo orientação sobre os procedimentos adequados. Leve em 
consideração: forma de tratamento, nível de formalidade e informalidade, estrutura do gênero, propósito, 
clareza e coesão. 
 
Etapa 3 
Como tutor, você recebeu o e-mail do seu colega supervisor que precisa de uma resposta em relação ao caso. 
Responda informando seu posicionamento e oriente-o de acordo com a situação. 
 
Etapa 4 
Em duplas, discutam as duas produções, avaliem a coerência entre o e-mail do tutor e o do supervisor e 
apresentem as versões definitivas ao professor com as alterações necessárias. 
 
Etapa 5 
Correção dos e-mails pelo professor de acordo com a grade a seguir. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 
	
	
 
 
GRADE DE AVALIAÇÃO DE GÊNERO EM SALA: E-MAIL
NÍVEL Avançado Intermediário-
superior 
Intermediário Básico Elementar 
GÊNERO / 
INTERLOCUTOR 
Mensagem 
eletrônica para um 
colega 
 
O texto 
apresenta 
excelentes 
elementos de 
interlocução. 
Faz uso 
bastante 
adequado de 
vocativo, 
fechamento. 
Conclui a 
proposta 
exatamente da 
maneira como 
foi solicitada. 
O texto apresenta 
bons elementos de 
interlocução, faz 
uso adequado de 
vocativo e 
fechamento e 
conclui a proposta 
de maneira 
bastante 
adequada. 
O texto 
apresenta: 
elementos de 
interlocução 
satisfatórios. Traz 
ainda usos de 
vocativo e expõe 
conclusão 
adequada à 
proposta. 
O texto apresenta 
raros elementos 
de interlocução 
 
O texto 
apresenta 
pouquíssimos 
elementos de 
interlocução 
PROPÓSITO 
Texto 1 
(supervisor) - 
Relatar o ocorrido 
e pedir orientação 
ao tutor 
Texto 2 (tutor) – 
Apresentar 
resposta em 
relação ao caso, 
posicionar-se 
orientando o 
supervisor. 
Desenvolve 
fluentemente os 
respectivos 
propósitos 
Desenvolve bem 
os respectivos 
propósitos 
Desenvolve 
parcialmente os 
respectivos 
propósitos 
Menciona os 
respectivos 
propósitos com 
pouco 
desenvolvimento 
sobre os mesmos 
 
Apenas 
menciona os 
respectivos 
propósitos, mas 
não os 
desenvolve 
ORGANIZAÇÃO 
TEXTUAL 
(desenvolvimento, 
clareza e coesão) 
 
Texto muito bem 
desenvolvido 
com clareza e 
coesão. As 
ideias são 
apresentadas de 
forma bastante 
coerente. 
Texto bem 
desenvolvido com 
clareza e coesão. 
As ideias são 
apresentadas de 
forma coerente. 
Texto 
parcialmente 
desenvolvido, 
com problemas 
de clareza e 
coesão. 
 
Texto pouco 
desenvolvido com 
vários problemas 
de clareza e 
coesão 
Texto 
minimamente 
desenvolvido 
com muitos 
problemas de 
clareza e 
coesão 
ADEQUAÇÃO 
LEXICAL E 
GRAMATICAL 
(ortografia, 
acentuação,pontuação, 
estrutura, 
concordância 
verbal e nominal) 
Raras 
inadequações 
e/ou 
interferências de 
outras línguas 
no léxico, 
ortografia e no 
uso de 
estruturas. 
Poucas 
inadequações 
e/ou interferências 
de outras línguas 
no léxico, 
ortografia e no uso 
de estruturas. 
Algumas 
Inadequações 
e/ou 
interferências de 
outras línguas no 
léxico, ortografia e 
no uso de 
estruturas 
 
Muitas 
Inadequações 
e/ou 
interferências de 
outras línguas no 
léxico, ortografia e 
no uso de 
estruturas 
Texto 
apresenta 
inadequações 
e/ou 
interferências 
de outras 
línguas, em 
excesso, com 
relação ao 
léxico, 
ortografia e no 
uso de 
estruturas. 
 
12 
	
	
GÊNEROS TEXTUAIS FREQUENTES NA ÁREA MÉDICA 
 
 
Observe os modelos de prescrição a seguir e, após analisá-los, complete o último quadro com as informações 
sobre a denominação de gênero a partir de suas particularidades. 
 
MODELO DE PRESCRIÇÃO MÉDICA 
 
 
 
 
 
13 
	
	
Denominação do gênero Particularidades 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PRESCRIÇÃO MÉDICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Prescrição Médica é composta por dados: 
 
– Dados Essenciais: 
1. Cabeçalho–impresso que inclui nome e endereço do profissional ou da 
instituição onde trabalha (clínica ou hospital); registro profissional e 
número de cadastro de pessoa física ou jurídica, podendo conter, ainda, a 
especialidade do profissional. 
2. Superinscrição–constituída por nome e endereço do paciente, idade, 
quando pertinente, e sem obrigatoriedade do símbolo RX, que significa: 
“receba”; por vezes, esse último é omitido, e, em seu lugar, se escreve: 
“uso interno” ou “uso externo”, correspondentes ao emprego de 
medicamentos por vias enterais ou parenterais, respectivamente. 
3. Inscrição–compreende o nome do fármaco, a forma farmacêutica e sua 
concentração. 
4. Subscrição–designa a quantidade total a ser fornecida; parafármacos de 
uso controlado, essa quantidade deve ser expressa em algarismos arábicos, 
escritos por extenso, entre parênteses. 
5. Adscrição – é composta pelas orientações do profissional para o 
paciente. 
6. Data e assinatura. 
– Dados Facultativos: 
Peso, altura, dosagens específicas como usadas na Pediatria. 
O verso do receituário pode ser utilizado para dar continuidade à 
prescrição, aprazamento de consulta de controle, e para as orientações de 
repouso, dietas, possíveis efeitos colaterais ou outras informações 
referentes ao tratamento. 
 
Sobre o 
O “R”cortado é um símbolo usado por alguns médicos no início de sua 
prescrição. Existem várias teorias explicativas sobre sua origem, porém 
nelas há em comum um pedido de proteção para a prescrição. Não há 
obrigatoriedade do seu uso na receita médica. 
Sobre o ® 
O símbolo ® indica o nome de venda do produto, e não o princípio ativo. 
A prescrição de drogas no Brasil é normatizada pelas Leis Federais 5991/ 
738 e 9787/998 e pela Resolução no 357/2001 do Conselho Federal de 
Farmácia. Normas para execução adequada de receita: 
1. A prescrição deve ser escrita a tinta, em vernáculo, em letra de forma, 
clara, por extenso. 
Fonte: Manual de orientações Básicas para prescrição médica / Célia Maria Dias Madruga, Eurípedes Sebastião Mendonça 
de Souza. - João Pessoa: Idéia, 2009. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
	
	
DENOMINAÇÃO DO GÊNERO PARTICULARIDADES 
 
 
 
 
 
DECLARAÇÃO DE ÓBITO 
1. Preencher os dados de identificação com base em 
um documento da pessoa falecida. Na ausência de 
documento, caberá à autoridade policial, proceder o 
reconhecimento do cadáver. 
2. Registrar os dados na DO, sempre, com letra 
legível e sem abreviações ou rasuras. 
3. Registrar as causas da morte, obedecendo ao 
disposto nas regras internacionais, anotando um 
diagnóstico por linha e o tempo aproximado entre o 
início da doença e a morte. 
4. Revisar se todos os campos estão preenchidos 
corretamente, antes de assinar. 
Fonte: http://svoi.fmrp.usp.br/documentos/declaracao_obito.pdf 
 
DENOMINAÇÃO DO GÊNERO PARTICULARIDADES 
 O artigo 3º da Resolução CFM nº 1.658, de 13 de 
dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte 
redação: 
 
“Art. 3º Na elaboração do atestado médico, o médico 
assistente observará os seguintes procedimentos: 
 
I - especificar o tempo concedido de dispensa à atividade, 
necessário para a recuperação do paciente; 
II - estabelecer o diagnóstico, quando expressamente 
autorizado pelo paciente; 
III - registrar os dados de maneira legível; 
IV - identificar-se como emissor, mediante assinatura e 
carimbo ou número de registro no Conselho Regional de 
Medicina. 
 
Parágrafo único. Quando o atestado for solicitado pelo 
paciente ou seu representante legal para fins de perícia 
médica deverá observar: 
 
I - o diagnóstico; 
II - os resultados dos exames complementares; 
III - a conduta terapêutica; 
IV - o prognóstico; 
V - as consequências à saúde do paciente; 
VI - o provável tempo de repouso estimado necessário 
para a sua recuperação, que complementará o parecer 
fundamentado do médico perito, a quem cabe legalmente 
a decisão do benefício previdenciário, tais como: 
aposentadoria, invalidez definitiva, readaptação; 
VII - registrar os dados de maneira legível; 
VIII - identificar-se como emissor, mediante assinatura e 
carimbo ou número de registro no Conselho Regional de 
Medicina.” 
Fonte: http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/cfm/2008/1851_2008.htm 
 
15 
	
	
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16 
	
	
○2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OBJETIVOS 
 
• Apresentar textos que tratem da diversidade; 
• Possibilitar a problematização sobre o senso comum do discurso cômico; 
• Propor reflexões sobre novas possibilidades de acolhimento. 
 
17 
	
	
EXERCÍCIO DE 
COMPREENSÃO 
E PRODUÇÃO 
 
ASSISTA AOS VÍDEOS A SEGUIR QUE TRATAM DE TEMAS 
IMPORTANTES SOBRE A DIVERSIDADE E PLURALIDADE DO 
SER HUMANO. 
AO FINAL DE CADA VÍDEO, ANOTE AS IDEIAS PRINCIPAIS 
PARA REDIGIR UM TEXTO INFORMATIVO SOBRE CADA UM 
DELES. 
 
 
 
 
 
 
 
 
DIVERSIDADES 
2 
1 2 
3 4 
18 
	
	
 
 
 
 
 
 
 
 
 LISTA DE VÍDEOS: 
1: https://www.youtube.com/watch?v=DVgb481rRGg&t=0s 
2: https://www.youtube.com/watch?v=j7ZDgFxLImI&t=0s 
3: https://www.youtube.com/watch?v=bqbMVw5xec0&t=00s 
4: https://www.youtube.com/watch?v=lckmfCIqwJ8&t=00s 
5: https://www.youtube.com/watch?v=-JCsHfzDZHU&t=1s 
6: https://www.youtube.com/watch?v=Bcq6GPyMfPo&t=0s 
7: https://www.youtube.com/watch?v=a1-EQmyaKT4&t=0s 
8: https://www.youtube.com/watch?v=H2rIZcV21ok&t=0s 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 7 
6 8 
19 
	
	
 
 
TEXTO 01 
Constituição Federal de 1988 
 
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios 
e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: 
 
I - a soberania; 
II - a cidadania; 
III - a dignidade da pessoa humana; 
IV- os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; 
V - o pluralismo político. 
(...) 
 
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: 
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; 
II - garantir o desenvolvimento nacional; 
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; 
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras 
formas de discriminação. 
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes 
princípios: 
(...) 
VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; (...)” 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20 
	
 
TEXTO 02 
RODA DE CONVERSA 
 
De	acordo	com	o	texto	“Racismo	Recreativo”,	discuta	com	seu	grupo	a	questão	apresentada	
(Será	que	piada	é	algo	tão	inocente	quanto	parece?).	Na	sequência,	apresente	o	resultado	da	
discussão	levando	em	consideração	os	destaques	do	trecho	da	Constituição.	
 
Racismo Recreativo 
 
Pessoas	negras	ouvem	piadasracistas	cotidianamente	de	seus	amigos,	de	seus	colegas,	de	
seus	vizinhos	e	até	mesmo	de	estranhos.	Representações	supostamente	engraçadas	de	pessoas	
negras	 também	estão	 presentes	 nos	meios	 de	 comunicação.	 As	 pessoas	 brancas	 que	 contam	
essas	piadas	acham	que	estão	 falando	algo	realmente	engraçado,	mas	poucas	pessoas	negras	
acham	graça	no	que	elas	ouvem.	
Nós	 não	 achamos	 graça	 nessas	 brincadeiras	 porque	 sabemos	 que	 elas	 não	 são	
brincadeiras.	 Elas	 têm	 um	 propósito:	 afirmar	 que	 nós	 negros	 somos	 inferiores	 e	 que	 nós	
devemos	ocupar	um	lugar	subalterno	na	sociedade	–	a	mesma	ideia	que	brancos	utilizaram	para	
justificar	388	anos	de	escravidão.		
É	 curioso	 perceber	 que,	 para	 muitos	 brasileiros,	 o	 humor	 é	 uma	 forma	 aceitável	 de	
racismo.	O	problema	é	que	o	humor	é	um	tipo	de	mensagem	e	todas	as	mensagens	imprimem	
ideias	e	valores.	Piadas	racistas	refletem	a	moralidade	de	uma	sociedade.	Elas	apontam	quem	
merece	respeito	e	quem	não	merece	o	nosso	apreço.	
Você	já	insistiu	em	alguma	piada	que	sua	mãe	não	gostou?	Provavelmente,	não.	[...].	Nós	
fazemos	 piadas	 sobre	membros	 de	 grupos	 que	 nós	 desprezamos:	 negros,	mulheres,	 pobres,	
nordestinos,	 homossexuais	 e	 gordos.	 Pessoas	 negras	 não	 ouvem	 piadas	 apenas	 no	 espaço	
público.	Muitas	delas	 também	ouvem	comentários	supostamente	engraçados	no	ambiente	de	
trabalho.	Elas	comunicam	o	acontecido	aos	seus	chefes,	mas,	infelizmente,	muitos	deles	ignoram;	
dizem	que	a	pessoa	não	deveria	ser	tão	sensível	e	outros	até	riem.	
Vários	 negros	 processam	 as	 pessoas	 brancas	 por	 essas	 piadas	 racistas,	 mas	 eles	
frequentemente	encontram	um	problema:	quase	todos	os	juízes	brasileiros	são	brancos	e	muitos	
deles	acham	que	essas	piadas	não	são	mais	do	que	piadas.	
Inúmeros	 membros	 do	 Judiciário,	 direta	 e	 indiretamente,	 dizem	 para	 brancos	 que	 o	
racismo	pode	ser	utilizado	para	fins	recreativos.	Dizem	para	brancos	que	eles	estão	livres	para	
expressar	o	desprezo	que	 sentem	por	negros,	desde	que	 seja	na	 forma	de	piadas.	 Isso	não	é	
racismo;	é	apenas	uma	expressão	do	espírito	jocoso	brasileiro.	Surge	então	a	pergunta:	que	tipo	
de	democracia	racial	é	essa	que	precisa	atacar	incessantemente	a	dignidade	de	metade	de	sua	
população	para	poder	se	legitimar?	Que	tipo	de	nação	pretendemos	construir	quando	negros	são	
repetidamente	ofendidos	por	seus	colegas	de	trabalho	e	seus	superiores	simplesmente	afirmam	
que	isso	não	tem	importância?	que	tipo	de	nação	pretendemos	nos	tornar	quando	membros	do	
judiciário	afirmam	que	pessoas	brancas	têm	o	direito	de	ofender	negros	e	que	esse	direito	está	
acima	da	dignidade	pessoal	de	metade	da	população	do	país?	que	tipo	de	nação?	
Transcrição	do	vídeo	intitulado	“Racismo	recreativo	–	Adilson	José	Moreira”	disponível	em	
https://drauziovarella.uol.com.br/videos/cabine/racismo-recreativo-adilson-jose-
moreira/?fbclid=IwAR2Fvkk85HFSp9oUe-7m2-fHKtN4Lej4xQ-NouZkSaLO_1eN8mnQd7-EfuM.	
21 
	
 
 
 
	
TEXTO	03	
	
PRINCIPAIS PROBLEMAS DE COMUNICAÇÃO ENTRE MÉDICO E PACIENTE 
 
A efetividade na comunicação entre médico e paciente é fundamental. Afinal, o diagnóstico é 
baseado no que é conversado durante a consulta. Entretanto, nem tudo ocorre tão perfeitamente, pois 
podem surgir ruídos e problemas de comunicação. 
Segundo um estudo realizado pela Universidade de Toronto, no Canadá, 54% das queixas dos 
pacientes e 45% de suas principais preocupações passam despercebidas pelos médicos durante 
uma consulta. Os pesquisadores apontam que problemas Psicossociais (aqueles relacionados 
simultaneamente à psicologia individual e à vida social) e Psiquiátricos são extremamente comuns em 
medicina geral e que, em 50% das consultas, os médicos não são capazes de diagnosticá-los. O estudo 
mostra, ainda, que em pelo menos metade das consultas, médicos e pacientes discordam da natureza 
do sintoma apresentado. 
 
Principais problemas de comunicação entre médico e paciente 
 
De acordo com os pesquisadores, a ansiedade e insatisfação dos pacientes estão relacionadas com os 
seguintes problemas de comunicação: 
 
• Incerteza:	os	pacientes	têm	receio	em	relação	aos	resultados	do	tratamento;	
• Falta	de	informação:	alguns	pacientes	não	saem	da	consulta	com	todas	as	dúvidas	respondidas.	
Muitas	vezes	acabam	apelando	para	informações	online	para	suprir	a	falta	de	informação;	
• Explicação:	quando	um	médico	prescreve	um	tratamento,	ele	é	o	especialista	naquela	situação,	
mas	isso	não	é	um	impedimento	para	que	sejam	dadas	explicações	acessíveis	e	que	o	paciente	
seja	informado	sobre	sua	condição	e	os	próximos	passos;	
• Feedback:	os	pacientes	querem	saber	a	real	opinião	do	médico	sobre	o	caso.	Muitas	vezes	isso	
não	ocorre	em	função	da	preocupação	de	se	oferecer	uma	solução;	
• Utilização	de	 linguajar	médico:	palavras	complexas	dificultam	o	entendimento	do	problema	
por	parte	do	paciente,	tais	como	o	uso	de	terminologias	técnicas:	“edema”,	“cefaleia”	e	“sutura“,	
que	são	desconhecidas	para	a	maioria	das	pessoas;	
• Interrupção	 durante	 a	 consulta:	 pacientes	 que	 são	 interrompidos	 enquanto	 explicam	 seus	
sintomas	tendem	a	não	informar	suas	principais	preocupações.	
• Outro	estudo,	realizado	com	médicos	pediatras	em	Paris,	revelou	que,	de	todas	as	palavras	ditas	
ao	longo	de	uma	consulta,	83%	são	ditas	pelo	médico,	sendo	que	48%	eram	perguntas	à	mãe	e	
apenas	3%	eram	respostas.		
 
Todos esses dados sugerem uma relação médico e paciente excessivamente hierarquizada, 
com pouca interação de fato e um diálogo ineficaz. 
De nada adianta um paciente obediente que está, ao mesmo tempo, perdido e inferiorizado. Uma boa 
comunicação entre médico e paciente está diretamente relacionada a resultados positivos à saúde do 
paciente –que passa a participar de forma mais ativa em seu tratamento. 
Por fim, os pesquisadores afirmam que explicar e compreender as preocupações dos 
pacientes–mesmo quando elas não podem ser resolvidas – resulta na queda significativa de ansiedade, 
22 
	
 
o que aumenta sua satisfação e, mais importante, os resultados clínicos positivos ao longo do 
tratamento. Podemos inferir pelos estudos que a comunicação clínica humanizada é, portanto, um 
componente importante das boas práticas médicas e, assim, um relevante tema da Gestão em Saúde 
que trata da relação entre o médico e paciente. 
Fonte: https://blog.iclinic.com.br/problemas-de-comunicacao-entre-medico-e-paciente/ 
 
 
ATIVIDADES 
Esse relato é baseado em pesquisas desenvolvidas em outros países. Leia o relato apresentado e, na 
sequência, faça as atividades propostas. 
 
1) Em grupos de 5, discutam as possíveis similaridades sobre problemas de comunicação entre médicos 
e pacientes nesses países e no Brasil e, na sequência, apresente resultados de suas discussões para os 
demais colegas. 
 
 
2) O texto aborda seis problemas de comunicação entre médico e paciente. Acrescente outros 2 
possíveis problemas, explicitando-os de forma sucinta. 
 
_________________________________________________________ 
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
23 
	
	
 
 
 
 
 
 
○3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 OBJETIVOS 
 
• Apresentar o histórico das enfermidades mentais; 
• Proporcionar sensibilização para o acolhimento humanista e formas discursivas 
integradoras no contexto médico. 
 
 
 
 
 
 
24 
	
	
 
SAÚDE MENTAL 
 
Observem a disposição das frases apresentadas a seguir. Após leitura, ordenem-nas, 
utilizando o conteúdo da letra “A" como ponto de partida e escrevam o primeiro parágrafo 
do texto que será apresentado nesta unidade e que se inicia com o conceito de Saúde 
Mental. 
 
A) Saúde mental é 
B) diretamente relacionados com as condições de vida 
C) dislexia, autismo, síndromede Down, demência senil, depressão, 
D) – ansiedade e estresse, por exemplo – 
E) e com diferentes sintomas, até distúrbios psicológicos e de comportamento 
F) um conceito vago que engloba desde transtornos como 
G) que se manifestam de diferentes formas 
H) impostas pela sociedade atual. 
 
Saúde mental é 
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________ 
 
1. Releia os excertos apresentados a seguir, retirados do texto “Saúde Mental”. Na 
sequência, faça os exercícios propostos. 
 
____________ seja uma patologia tão abrangente, é longa a tradição de lidar mal com 
as pessoas que têm “problemas mentais”. Num passado não tão remoto assim, quem 
nascia com uma doença psiquiátrica ou a desenvolvesse durante a vida era trancado 
num quarto, isolado de toda a família, e os parentes procuravam evitar a aproximação 
de vizinhos e amigos, ____________ essas enfermidades eram motivo de vergonha. 
Atualmente, a Política Nacional de Saúde Mental vigente no Brasil e instituída por 
lei federal defende o atendimento dessas pessoas fora dos hospitais e enfatiza a 
25 
	
	
necessidade de sua reabilitação psicossocial. Para que isso seja realizado de forma 
eficaz, é necessária a implantação de medidas de apoio não só ao paciente, 
____________ também à sua família. 
A primeira referência a problemas mentais de que se tem notícia está na Bíblia. No 
Livro dos Juízes do Velho Testamento, há a descrição de patologias psiquiátricas 
muito semelhantes às doenças que diagnosticamos hoje. É um problema bem antigo, 
____________, inerente à espécie humana, ____________ não encontramos doenças 
equivalentes em nenhuma outra espécie. Chimpanzés e gorilas podem apresentar 
alterações de comportamento, fazer maldades, ____________ não têm doença mental. 
Esse atributo do homem deve ser consequência do aperfeiçoamento do nosso sistema 
nervoso, do desenvolvimento acentuado do nosso cérebro que, às vezes, se 
desorganiza. 
 
A) Recoloque em seus devidos lugares as 6 palavras retiradas dos excertos apresentados 
anteriormente, observando, principalmente, o sentido que cada uma produz. 
EMBORA MAS PORQUE PORTANTO POIS MAS 
B) Você sabia que essas palavras recebem uma denominação especial em língua 
portuguesa? Leia as alternativas apresentadas a seguir e assinale qual delas é a correta. 
 
1) Adjetivo 
2) Crase 
3) Conectivo 
4) Artigo 
5) Verbo 
 
 
 
 
 
 
 
26 
	
	
C) Observe a tabela apresentada na sequência e relacione cada um dos termos com sua 
respectiva função. Após relacioná-los, escreva um exemplo para cada um dos grupos de 
conectivos. 
 
CONECTIVOS/ARTICULADORES DESIGNAÇÃO/FUNÇÃO 
Logo após; anteriormente; 
posteriormente; em seguida; afinal; 
por fim; finalmente; agora; 
atualmente; hoje; frequentemente; 
constantemente; às vezes, etc. 
( ) Continuação ou adição 
São utilizados para acrescentar algo ao 
texto, e que esteja relacionado com o que 
foi apresentado anteriormente. 
 
Exemplo: 
Além disso; ademais; outrossim; 
ainda mais; por outro lado; também; 
e; nem; não só; como também; não 
apenas; bem como, etc. 
( ) Tempo, frequência, duração, ordem 
ou sucessão 
 Situam o leitor na sucessão dos 
acontecimentos ou das ideias. Por esse 
motivo, são muito explorados em textos 
narrativos. 
 
Exemplo: 
(C) Por exemplo; isto é; ou seja; aliás, 
etc. 
( ) Ilustração ou esclarecimento 
São utilizados como forma de 
esclarecimento de alguns conceitos ou 
ideias apresentados no texto. 
Exemplo: 
(D) Em síntese; enfim; em resumo; 
portanto; assim; dessa forma; dessa 
maneira; desse modo; logo; pois; 
assim sendo; nesse sentido, etc. 
( ) Ideias alternativas 
São utilizados quando queremos citar 
mais de uma opção. 
Exemplo: 
(E) Todavia; Pelo contrário; em 
contraste com; salvo; exceto; menos; 
mas; contudo; entretanto; no entanto; 
embora; apesar de; ainda que; mesmo 
que; posto que; ao passo que; em 
contrapartida, etc. 
( ) Conclusão ou resumo 
É bastante comum a sua utilização para 
expressar a conclusão de um parágrafo, 
para resumir as ideias que foram 
apontadas no texto. 
Exemplo: 
(F) Ou...ou; quer...quer; ora...ora. ( ) Contraste, oposição, restrição, 
ressalva 
Como o próprio nome indica, servem 
para opor ideias ou conceitos num 
período. 
Exemplo: 
Adaptado de: https://www.todamateria.com.br/conectivos/ 
 
 
D) O texto apresentando na sequência é uma entrevista feita pelo médico Drauzio Varella ao 
psiquiatra Valentim Gentil. Após a abordagem dos usos dos conectores em língua portuguesa, leia 
essa entrevista tentando substituir os termos em negrito pelos termos apresentados na tabela ao final 
da entrevista. Lembre-se: o mais importante é que a ideia do texto original seja mantida, ainda que 
seja preciso realizar alguma alteração. 
 
27 
	
	
 
SITUAÇÃO NO BRASIL 
 
Drauzio – No Brasil, os 
portadores de patologias 
psiquiátricas eram 
internados nos hospitais. 
Depois (_________), a 
orientação foi que 
ninguém mais deveria 
ser afastado do convívio 
familiar e social. Como 
você vê essas posições 
tão antagônicas no nosso 
país? 
 
Valentim Gentil – Em primeiro lugar, como decorrentes 
 de um mal-
entendido. Não foi o fechamento dos leitos dos hospitais que diminui a 
necessidade de internação. Foi o surgimento de terapêuticas modernas a 
partir de 1950. Se nos detivermos na história da psicofarmacologia, 
medicamentos como o lítio e os barbitúricos, por exemplo, surgiram pouco 
antes da segunda metade do século XX. Os barbitúricos foram usados para 
tratamento da epilepsia em 1930, 1940 e, no pós-guerra, apareceram os 
estimulantes que, infelizmente, não funcionavam bem para depressão. 
Em 1952, com o lançamento dos antipsicóticos (a clorpromazina foi o 
primeiro deles) que ajudam a reduzir as crises de agitação psicomotora em 
poucos dias, começaram a desativar os leitos nos hospitais. Na Itália, 
fecharam cinquenta mil; nos Estados Unidos, cem mil. 
Esperava-se que essa tendência de reinserção social continuasse, mas 
(_________) os governos do mundo inteiro passaram
a usar os recursos 
economizados com o fechamento dos leitos para outros fins que não a saúde 
mental. Não se investiu na prevenção primária, nem se demonstrou que 
retirar as pessoas dos leitos hospitalares era um modo eficaz de humanizar 
o atendimento. Outro erro foi imaginar que
a sociedade acolheria os doentes 
e que as famílias teriam condições de recebê-los em casa e de seguir as 
orientações dos profissionais de saúde. 
Além disso (_________), os medicamentos não chegaram como deveriam 
– até hoje, no Brasil, a distribuição de lítio para prevenir recaídas não é 
regular – e, se não voltamos para a estaca zero, estamos muito próximos da 
desassistência maciça aos pacientes. 
Em todos os países do mundo, é grande
o número de doentes graves nas 
prisões, 
 de doentes sem assistência alguma em suas casas ou 
perambulando nas ruas. Uma
tese defendida em Juiz de Fora (MG), por 
exemplo, mostra que das 83 pessoas avaliadas que moravam na rua há mais 
de um ano,
82 eram portadoras de algum distúrbio psiquiátrico. 
 
 
 
 
28 
	
	
 
 
 
 
 
Drauzio – No Brasil, grande 
parte dos leitos psiquiátricos 
foi desativada... 
 
Valentim Gentil – No Brasil, existiam 120 mil leitos psiquiátricos. 
Atualmente, existem 43 mil, apesar de (_________) o número de 
habitantes ter pulado de 80 milhões para 180 milhões nas últimas 
décadas. Em troca dessa redução
de leitos, o que se construiu de 
alternativas? Foram instituídos dois mil leitos psiquiátricos em hospitais 
gerais há quinze anos, e mais nada (_________). 
Acontece que manter um leito custa muito caro e o que vai ser utilizado 
pela Psiquiatria é o mesmo que se destina ao paciente de transplante de 
fígado. Por isso, o hospitalnão quer receber pessoas com depressão, pois 
essa doença pode ser tratada
em clínicas especializadas. Obrigá-los a 
agir de outra forma é fazer com que um sistema que já não vai bem 
economicamente acabe falindo. 
Drauzio – Como reverter 
essa realidade? 
 
Valentim Gentil – Nossas políticas têm de ser revistas. É possível 
estabelecer um sistema primário de prevenção. Assim como dizemos que 
fumar maconha faz mal, podemos orientar as mulheres grávidas para 
evitarem contato com pessoas gripadas porque (_________) a gripe, no 
primeiro trimestre da gravidez, pode aumentar o risco de doença mental 
grave na criança. 
Da mesma forma (_________), podemos alertar os indivíduos com 
predisposição para problemas psiquiátricos, especialmente aqueles que 
tiverem casos de doença mental na família, para que passem longe das 
drogas e tomem menos café e menos coca- cola. Eles devem evitar, 
também (_________), os remédios para emagrecer e os estimulantes, 
que podem desencadear ataques de pânico. 
Além disso, diagnóstico precoce e introdução rápida do tratamento 
ajudam a reverter o quadro de doença mental antes que se agrave. Um 
 
PROPOSTAS DE SOLUÇÃO 
 
Drauzio – Você vê alguma 
possibilidade de mudar 
essa situação? 
 
Valentim Gentil – Está na hora de o Ministério da Saúde mudar a política 
em vigência desde 1985, uma política equivocada, importada da Itália, 
onde também acabou não dando certo, já que (_________) a lei aprovada 
em 1958 que mandava fechar os hospitais psiquiátricos não foi obedecida. 
O hospital psiquiátrico é um equipamento médico e há situações em que 
a pessoa precisa de cuidados que só pode receber durante a internação. 
Podemos fechar os manicômios. Esses são desnecessários, mas ( ) 
não podemos fechar os hospitais. 
29 
	
	
exemplo é a depressão pós-parto ou a depressão puerperal. Mulher que 
continua deprimida três dias depois do parto, se não receber atendimento 
eficaz, corre o risco de desenvolver um quadro grave de psicose. Outro 
exemplo é a agudização dos quadros maníacos. Se forem tratados
nas 
primeiras 48, 72 horas, a crise poderá
ser controlada em duas ou três 
semanas sem necessidade de internação hospitalar. 
Como se vê, estabelecer um sistema básico
de prevenção é o jeito de 
reduzir o número
de leitos hospitalares. No entanto (_________), eles 
são absolutamente necessários, se a situação agravar-se porque o 
atendimento adequado não foi introduzido precocemente. Nesse caso, a 
pessoa pode ficar muito perturbada, confusa, correndo riscos ou pondo 
em risco quem está por perto. 
Vamos voltar às pessoas que estão nas ruas. Podemos recolhê-las para 
tratamento, mas, depois da alta, como lhes prestar assistência? O 
velhinho sem família nem recursos pode morar num asilo. Mas, se for 
portador de doença mental, os asilos estão impedidos por lei de recebê-
los. 
Drauzio – Os asilos 
hospitalares foram 
fechados? 
 
Valentim Gentil – As pessoas fizeram esse desserviço com boas 
intenções. Não havia mais o conceito de hospital psiquiátrico e asilo virou 
sinônimo de manicômio. No final, proibiram a criação de uma entidade de 
apoio e proteção como as idealizadas por nossos antepassados. Não 
adianta oferecer residência hospitalar terapêutica, se o morador de rua ou 
a pessoa que dorme embaixo
da ponte não tiver um lugar seguro para 
viver. Um lugar em que não seja obrigada a conviver com bandidos e 
malandros e não seja morta por grupos de extermínio, como mostram as 
notícias veiculadas na imprensa. 
É preciso que essa gente se sinta amparada, alimentada, não passe frio, 
tenha atendimento básico de saúde e as doenças de pele tratadas. Esses 
cuidados podem ser oferecidos fora dos hospitais, mas requerem a 
criação de instituições pelas quais a sociedade possa pagar. Não adianta 
construir um condomínio supervisionado para colocar os moradores de 
rua. Se nem o Cingapura deu muito certo, como propor a mesma solução 
para os doentes mentais? 
Drauzio – Como entregar 
para uma família com 
dificuldades econômicas 
extremas, em que todos 
precisam trabalhar, a 
Valentim Gentil – É uma pena que os conceitos
da Psiquiatria Social e 
Comunitária, que eram bem
intencionados e dirigidos para a reinserção 
social e
reabilitação dos portadores de doença mental, tenham
servido 
para resolver problemas de incapacidade gerencial, administrativa e 
30 
	
	
responsabilidade de cuidar 
do portador de doença 
mental que pode criar 
problemas a cada minuto? 
Isso não seria uma maneira 
de o Estado lavar as mãos e 
livrar-se do problema? 
 
financeira. 
Recentemente, os jornais noticiaram o caso de uma senhora mãe de cinco 
filhos. A filha que era arrimo de família morreu e ela precisou sair para 
trabalhar. Em casa, deixava um filho um pouco
retardado, mas que não 
era agressivo, e duas filhas psicóticas que, de vez em quando 
(____________), agudizavam e criavam o maior transtorno. Isso obrigava 
a mãe
a trancá-las dentro de casa. Os vizinhos do bairro pobre se 
incomodavam com a situação, reclamavam e chamavam a polícia. O pior 
é que essa senhora foi indiciada por cárcere privado das filhas, embora 
só agora essas moças doentes há 30 anos recebam a visita de uma 
equipe do sistema de saúde. 
Mesmo se (_________) considerarmos famílias constituídas, 
estruturadas, com boas condições financeiras,
acesso aos melhores 
serviços de saúde, essas também têm problemas porque não existem 
hospitais psiquiátricos modernos no Brasil. 
 
 
Nada além Às vezes Não obstante Uma vez que ademais 
Da mesma maneira Posteriormente Todavia Ainda semelhantemente 
Entretanto Porém Uma vez que 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
31 
	
	
 
RODA DE CONVERSA 
 
Depois da leitura do texto abaixo, discutam em grupos aspectos 
relacionados ao consumo exacerbado de ritalina. 
 
Pesquisa da UFMG revela uso indiscriminado de medicamentos 
psicoestimulantes por estudantes 
 
Ritalina, um dos medicamentos estudados na pesquisa, é um remédio controlado e paciente 
precisa ter orientação médica. 
 
Uma pesquisa da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais 
(UFMG) mostrou o uso indiscriminado e perigoso, por estudantes, de substâncias 
psicoestimulantes. O remédio desse tipo mais conhecido é a ritalina. Esses medicamentos 
aumentam a concentração e têm a venda controlada. Sem a orientação de um médico, 
podem ter efeitos colaterais graves. Lisdexanfetamina e metilfenidato. Dois 
psicoestimulantes que melhoram a atenção e a concentração. Por isso, eles podem ajudar 
muito quem tem baixo rendimento na escola e no trabalho. Só que o uso é controlado – tem 
horário certo para tomar e um médico precisa calcular a dose. 
Pesquisas mostram que estudantes universitários que não têm nenhuma indicação 
médica para tomar esses estimulantes estão usando esse tipo de medicamento. Eles têm o 
desejo de ter melhor desempenho, de tirar notas boas. “A utilização para 
neuroaprimoramento é um doping e todo doping tem um preço”, falou o orientador da 
pesquisa, Edson Perini. 
O psiquiatra José Belizário explica a diferença: para crianças, adolescentes, que têm 
déficit de atenção, os psicoestimulantes podem ser muito eficientes – porque a família e um 
médico controlam o uso. Mas quando um jovem usa por conta própria, em época de prova, 
está correndo muito risco. Pior ainda se o remédio for tomado pra ficar acordado e estudar 
por mais tempo. 
“Funciona muito bem, desde que use corretamente. Uma criança tem menos efeitos 
com dose certa do que adultos. O uso correto é muito importante nesse grupo, mas fazem 
uso de forma abusiva, em horários equivocados. Durante a noite, a memória fica pior, guarda 
menos, exposto a depressão, ansiedade, pânico e mais grave, risco de suicídio”, disse 
Belizário. 
 
Fonte: https://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/pesquisa-da-ufmg-revela-uso-
indiscriminado-de-medicamentos-psicoestimulantes-por-estudantes.ghtml 
 
32 
	
	
ATIVIDADE DE VÍDEO 
 
No vídeo (https://www.youtube.com/ 
VÍDEOwatch?v=fPplwRuHHmI&t=0s),Dráuzio 
Varella fala sobre os problemas da prescrição (ou falta 
dela) da ritalina. 
 
Responda: 
 
a) Varella recomenda o uso da ritalina para estudos? 
b) Quais consequências a droga mencionada pode 
trazer após seu uso indevido? 
c) Varella já fez uso dessa droga em seu tempo de 
faculdade? Comente. 
 
 
	
	
	
	
	
33 
	
	
 
TEXTO 03 
 
Medicina da Unicamp cria projeto para ensinar empatia e compaixão a 
alunos 
No	início	do	curso,	Rafael	Gomes	queria	ser	como	Hunter	“Patch”	Adams,	médico	americano	cuja	
história	virou	filme,	conhecido	por	seu	estilo	baseado	no	afeto	e	na	proximidade	com	os	pacientes.	
Com	o	tempo,	viu	que	o	mais	provável	seria	virar	um	dr.	House,	personagem	do	seriado	homônimo	que	
sabe	tudo	de	medicina,	mas	quer	distância	de	gente.	
“Na	 faculdade,	nossa	visão	poética	é	destruída.	Aprendemos	que	ser	bom	médico	é	saber	resolver	
problemas”,	diz	Gomes,	31,	formado	no	ano	passado	pela	Unicamp.	
Ele	não	se	considera	um	dr.	House	e	atribui	parte	disso	a	um	projeto	do	qual	participou	no	último	ano.	
Coordenado	pelo	professor	Marco	Antonio	de	Carvalho	Filho,	o	projeto	surgiu	da	percepção	de	que	
os	alunos	do	último	ano	não	estavam	à	vontade	com	seus	pacientes.	
“A	faculdade	dá	conhecimento	técnico,	mas	não	ensina	a	ser	médico,	a	lidar	com	pessoas,	a	essência	
da	profissão”,	diz	Carvalho	Filho.	
Para	ensinar	empatia	e	compaixão	a	futuros	médicos,	há	debates	sobre	ética	e	simulação	de	consultas	
com	atores,	de	forma	a	treinar	habilidades	de	comunicação.	
	
“O pensamento 
comum é de que é 
preciso se afastar do 
paciente para ter boa 
conduta. 
Vou contra essa 
corrente.” 
	
“O	pensamento	comum	é	de	que	é	preciso	se	afastar	do	paciente	para	
ter	boa	conduta.	Vou	contra	essa	corrente.”	
Segundo	 o	 professor,	 os	 alunos	 entram	 em	 contato	 com	 a	morte	 e	
ninguém	conversa	 sobre	 isso	no	 curso.	 “Muitos	 acham	que	 a	 solução	
para	não	sofrer	é	se	afastar.”	
Antes	 de	 participar	 das	 simulações,	 o	 recém-formado	 José	
Antonio	Nadal,	26,	tinha	medo	de	ser	aquele	que	dá	a	pior	notícia	
da	vida	a	alguém.	
“Depois,	entendi	que	podemos	criar	vínculo,	trabalhar	com	o	paciente	e	
ser	lembrado	como	alguém	que	o	ajudou	em	um	momento	crítico.”	
Mais	 de	 500	 alunos	 passaram	 pelo	 projeto.	 Os	 resultados	 foram	
analisados	 na	 tese	 de	 doutorado	 de	 Marcelo	 Schweller,	 médico	 da	
Unicamp.	
	
Ele	constatou	que	a	empatia	dos	estudantes	aumentou.	Além	disso,	94%	dos	alunos	acharam	que	sua	
capacidade	de	ouvir	o	doente	melhorou.	
“Quando	estão	no	ambulatório	os	alunos	se	preocupam	em	atender	rapidamente.	É	raro	um	professor	
discutir	se	o	paciente	saiu	satisfeito,	se	o	médico	soube	ouvir.	Na	simulação,	refletimos	sobre	isso”,	diz	
Schweller.	
Carvalho	 Filho	 acha	 que	 esse	 é	 só	 um	 começo.	 “Essa	 atitude	mais	 humana	 deveria	 permear	 toda	 a	
formação,	não	 ser	 concentrada	em	projetos	ou	disciplinas.”	A	humanização	 se	 tornou	necessidade,	na	
opinião	 de	 Flávia	 Pileggi	 Gonçalves,	 coordenadora	 do	 departamento	 de	 medicina	 da	 UFSCar	
(Universidade	 Federal	 de	 São	 Carlos).	 “Pesquisas	 mostram	 que	 mais	 coisas	 interferem	 no	 processo	
saúde-doença	que	gene	ou	remédio”,	diz.	
Na	 UFSCar,	 onde	 o	 currículo	 já	 é	 integrado	 conforme	 as	 diretrizes	 definidas	 pelo	 Ministério	 da	
Educação	em	2014,	os	alunos	estudam	casos	clínicos	a	partir	da	perspectiva	de	várias	áreas.	
	
 
34 
	
	
 
Estudantes da Unicamp assistem a vídeo em que aluno faz papel de médico e atriz interpreta paciente 
Foto: Eduardo Knapp/Folhapress 
 
“Se	 discutimos	 um	 caso	 de	 asma,	 falamos	 dos	 fatores	 psicológicos	 e	 sociais	 envolvidos”,	 explica	
Gonçalves.	
Desde	o	primeiro	ano,	os	estudantes	já	atuam	no	SUS	e	têm	contato	com	pacientes.	
“O	aluno	cria	vínculos	com	as	famílias.	A	metodologia	enfocada	na	prática	é	um	passo	em	direção	a	
uma	medicina	mais	humanizada”,	diz.	
Na	 Famema	 (Faculdade	 de	 Medicina	 de	 Marília)	 o	 aluno	 também	 pratica	 desde	 o	 início,	 em	
laboratórios	com	pacientes	simulados,	e	é	orientado	por	médicos	e	profissionais	de	comunicação.	“Ele	
vê	o	paciente	como	um	todo,	não	apenas	a	doença”,	diz	Mercia	Ilias,	coordenadora	do	curso.	
<JULIANA VINES. http://m.folha.uol.com.br/seminariosfolha/2015/05/1628575-unicamp-cria-projeto-pa- 
ra-ensinar-empatia-e-compaixao-a-futuros-medicos.shtml. Acesso em 05/09/2017.> 
	
	
	
35 
	
	
 
 
 
PRODUÇÃO ESCRITA 
Após	leitura	do	texto,	responda	sinteticamente:	
a) Durante	sua	formação	em	medicina	(e	
na	área	de	 saúde,	 em	geral),	houve	alguma	
disciplina	 que	 refletisse/ensinasse	
maneiras	 e	 abordagens	 de	 uma	
comunicação	humanista	com	o/a	paciente?	
	
	
	
	
	
b) Que	 exemplos	 ou	 práticas	 de	
atendimento	humanizado	você	mencionaria	
para	 seus	 colegas?	Onde	e	 com	quem	você	
aprendeu	sobre	tal	prática?	
	
	
JANELA DE INTERAÇÃO 
 
Comunicação humanista e empatia 
Baseado	 na	 matéria	 lida	 e	 no	 vídeo	 sobre	
médico	 ideal	
(https://www.youtube.com/watch?v=3qDMgA
Jk5FQ),	e	levando	em	consideração	aspectos	de	
competência	 na	 comunicação	 clínica,	 simule	
uma	consulta	médica:	
	
a) Elenque	 características	 de	 um	 bom	
médico	 apresentadas	 no	 vídeo	 pelos	
pacientes	 e,	 posteriormente,	 pelos	
médicos.		
	
b) Simule	 uma	 consulta	 médica	 com	
linguagem	 ancorada	 nos	 princípios	
humanistas,	 demonstrando	 acolhimento	 e	
valorização	 da	 fala	 do/a	 paciente.	
Demonstre,	 em	 sua	 fala,	 preocupação	 e	
cuidado	em	relação	a	ele/ela.	
c) )	 Entre	 as	 características	 citadas	 por	
pacientes	 e	médicos,	 quais	 foram	 as	mais	
citadas:	
-	Experiência	
-Competência	
-Empatia	
-Disponibilidade	
-Pontualidade	
-Saber	ouvir	
-Clareza	
-Simpatia	
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
36 
	
	
 
○4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OBJETIVOS 
 
• Proporcionar reflexões sobre hábitos alimentares, estilo de vida e 
desenvolvimento de doenças crônicas; 
• Propiciar discussão sobre a relação entre alimentação, estilo de vida e 
desenvolvimento de doenças crônicas, especialmente no contexto de 
atuação da equipe médica de Saúde da Família; 
• Apresentar vocabulário referente ao tema e estruturas gramaticais 
abordados na unidade (hipóteses, dúvidas, desejos ou possibilidades). 
 
 
 
 
 
 
37 
	
	
 
Os hábitos alimentares dos brasileiros, dentre outros, 
podem ser indicadores de um estilo de vida saudável 
ou não. A pesquisa Nacional de Saúde (PNS), 
responsável por investigar os hábitos de consumo 
alimentar, indica alguns marcadores de padrão 
saudável de alimentação, sendo eles: o consumo 
recomendado de frutas, legumes, verduras e feijão. A 
organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a 
ingestão diária desses alimentos. E você, como tem 
se alimentado? 
ESTILO DE VIDA 
 
RODA DE CONVERSA 
Em grupos de 5 discutam qual relação entre alimentação, estilo de vida e desenvolvimento de 
doenças crônicas e apresentem para os colegas os principais pontos da discussão. 
 
 
 
 
4 
38 
	
	
 
TEXTO 01 
 
Brasileiros estão entre os maiores consumidores de ‘fast food’ do 
mundo 
 
Na América do Sul, ninguém gasta mais em fast food do que os brasileiros. Aliás, 
segundo um estudo realizado pela EAE Business School, que analisa os hábitos de 
consumo nesse setor em 2014, apenas Estados Unidos (290,2 bilhões de reais), Japão 
(162,3 bilhões de reais) e China (130,2 bilhões de reais) estão à frente do Brasil (53,7 
bilhões de reais) em gastos no setor. 
De acordo com o levantamento, o gasto com fast food por habitante no Brasil em 
2014 foi de 265 reais, e o consumo deve crescer em 30,88% até 2019 — uma das 
maiores expectativas entre os países estudados, junto com Espanha (48,61%) e China 
(23,99%). Os espanhóis, aliás, estão entre os europeus que menos gastam com fast food. 
Cada habitante investe em média 42,6 euros por ano (190 reais). Essa cifra os situa 
somente atrás dos italianos. 
<https://brasil.elpais.com/brasil/2016/01/21/ Aceeconomia/1453403379_213071.html. Acesso em 04/09/2017.> 
 
 
 
ATIVIDADE DE VÍDEO 
 
FASTFOOD É DROGA? 
 
Depois	 de	 assistir	 ao	 vídeo	 (https://www.youtube.com/	
watch?v=3XmYfoND5xQ),	responda	as	perguntas	a	seguir	por	
escrito	e	entregue	ao	(à)	professor(a):	
a) Segundo	especialistas,	qual	a	letalidade	do	
consumo	de	açúcar?	
b) Para	Paola	Carosella,	a	obesidade	é	considerada	“a	
fome	dos	pobres”?	O	que	ela	explica	a	respeito?	
	
	
A fome dos pobres? 
 
Obesidade? 
 
39 
	
	
TEXTO 02 
 
 
Influências na alimentação brasileira
ÁUDIO 
 
Escute	 agora	 uma	
matéria	 da	 Rádio	
Agência	 Nacional	 sobre	
a	 influência	 africana	 na	
culinária	 brasileira	 e	
sintetize	 as	 principais	
informações	 do	 áudio:	
http://www.brasil.gov.b
r/saude/2014/12/	
levantamento-analisa-
habitos-	 alimentares-
dos-brasileiros	
De	 acordo	 com	 Câmara	 Cascudo	 (1967),	 as	 fontes	 da	 cozinha	
brasileira	 são	 da	 dieta	 indígena,	 africana	 (especialmente	 da	África	
Ocidental)	 e	 portuguesa.	A	 seguir,	 vamos	 conferir	 quais	 foram	 as	
principais	contribuições	para	nossos	pratos	brasileiros,	tais	como	a	
pamonha,	a	feijoada,	o	tacacá	e	vários	outros	pratos	encontrados	em	
nosso	vasto	território.	
A CONTRIBUIÇÃO DOS 
PORTUGUESES 
Os	portugueses	estavam	habituados	a	tomar	vinho	e	encontraram	
um	sucedâneo	nas	bebidas	indígenas:	milho	cozido	em	água	com	mel.	
Nos	 primeiros	 tempos,	 houve,	 de	 fato,	 fartura.	 Entretanto,	 essa	
fartura	durou	pouco	por	dois	motivos:	o	aumento	da	população	e	o	
advento	da	monocultura	da	cana	de	açúcar.	A	cultura	desse	produto	
estimulou	a	produção	de	doces	e	de	cachaça	e	essa	bebida	passou	a	
fazer	 estragos	 sobretudo	 entre	 as	 populações	 ameríndias,	
prejudicando	a	saúde	dos	antigos	habitantes	de	nossa	terra.	
É	 importante	 relembrar	 o	 papel	 dos	 bandeirantes	 que	
descobriram	 as	 minas	 de	 ouro,	 provocando	 êxodo	 da	 população	
costeira	para	a	região	das	minas.	Todos	queriam	garimpar.	Ninguém	
plantava.	 No	meio	 de	 tanto	 ouro,	 morria-se	 de	 fome.	 Quem	 tinha	
alimentos	para	vender	enriquecia	facilmente.	É,	talvez,	o	começo	da	
história	da	fome	e	da	exploração	no	país...	
O	costume	de	comer	carne	de	gado	começou	com	a	vinda	dos	
rebanhos	 para	 o	 continente	 americano	 no	 século	 XVI.	 Assim,	
sarapatel,	 panelada,	 buchada,	 entre	 outros,	 não	 foram	 técnicas	
africanas,	mas	processos	europeus.	Os	 indígenas	nem	conheciam	o	
consumo	 de	 carne	 bovina	 e	 os	 africanos,	 aparentemente,	 nunca	
tiveram	 tal	 costume.	 Em	 períodos	 de	 escassez,	 o	 negro	 africano	
vendia	boi	para	adquirir	comida	no	comércio.	
O	português	 também	trouxe	as	 festas	 tradicionais	–	Páscoa,	
São	João,	Natal	–,	com	seus	cantos,	danças	e	comidas	típicas.	Trouxe	
o	 pão,	 feito	 com	 quase	 todos	 os	 cereais:	 cevada,	 centeio,	 aveia	 e	
principalmente	trigo.	Vieram	ainda	com	os	portugueses,	trazidas	de	
outras	colônias,	especialmente	as	africanas,	novas	 frutas:	uva,	 figo,	
maçã,	marmelo,	pêssego,	romã,	cidra,	tâmaras,	melão,	melancia.	Foi	
o	português	que	plantou	o	coqueiro,	semeou	o	arroz,	trouxe	o	pepino,	
a	 mostarda	 e	 diversos	 condimentos	 e	 ervas.	 O	 prato	 mais	
gloriosamente	 nacional	 do	 país,	 a	 feijoada	 completa,	 é	 um	modelo	
aculturado	do	cozido	português	com	feijão	e	carne	seca.	
Além	 de	 todas	 essas	 contribuições	 à	 nossa	 culinária,	 os	
portugueses	 introduziram	hábitos	que	marcaram	definitivamente	
nosso	paladar:	valorizaram	o	uso	do	sal	e	revelaram	o	açúcar	aos	
africanos	e	índios	do	Brasil.	A	partir	daí,	nossa	cozinha	adotou	os	
doces	de	ovos	e	das	mais	diversas	 frutas.	 Surgiram	a	goiabada,	 a	
marmelada,	 a	 cajuada	 e	 todas	 as	 outras	 “adas”	que	 constituem	 o	
arsenal	energético	de	nossas	sobremesas.
40 
	
	
	
A	 impressão	 popular	 instintiva	 reconhece	 o	
poder	corrosivo	do	sal.	Foi	preciso	algum	tempo	
para	 que	 as	 pessoas	 passassem	 a	 tolerar	 o	
presunto,	 o	 chouriço	 e	 as	 salsichas	 com	 sal	 e	
pimenta.	Os	sertanejos	já	acusavam	o	sal	de	fazer	
mal	aos	rins.	O	açúcar,	entretanto,	conquistou	a	
todos	 imediatamente.	 Comia-se	 até	 farinha	 de	
mandioca	com	açúcar	e	recomendava-se	comer	
de	boca	fechada	porque,	do	contrário,	 iria	mais	
farinha	para	o	rosto	dos	vizinhos	do	que	para	o	
próprio	 estômago.	 Com	 a	 indústria	 do	 açúcar,	
surgiu	 a	 fabricação	 do	 álcool,	 ou	 melhor,	 da	
cachaça,	conquistando	indígenas	e	africanos.	
A CONTRIBUIÇÃO DOS 
AFRICANOS 
A	 alimentação	 do	 negro	 nos	 engenhos	
brasileiros	 podia	 não	 ser	 nenhum	 primor	 de	
culinária;	 mas	 faltar	 nunca	 faltava.	 Sua	
abundância	 de	 milho,	 toucinho	 e	 feijão	
recomenda-a	 como	 regime	 apropriado	 ao	 duro	
esforço	 exigido	 do	 escravo	 agrícola.	 O	 escravo	
negro	no	Brasil	parece-nos	ter	sido,	com	todas	as	
deficiências	do	seu	regime	alimentar,	o	elemento	
melhor	nutrido	em	nossa	sociedade	patriarcal,	e	
dele	 parece	 que	 numerosos	 descendentes	
conservaram	 bons	 hábitos	 alimentares,	
explicando-se	em	grande	parte	pelo	fator	dieta	-	
repetimos	 -	 serem	 em	 geral	 de	 ascendência	
africana	muitas	das	melhores	expressões	de	vigor	
ou	de	 beleza	 física	 em	nosso	país	 [...]	 (FREYRE,	
2003,	p.	107).	
	
A CONTRIBUIÇÃO DOS 
INDÍGENAS 
Da	cunhã	é	que	nos	veio	o	melhor	da	cultura	
indígena.	O	asseio	pessoal.	A	higiene	do	corpo.	
O	milho.	O	caju.	O	mingau.	O	brasileiro	de	hoje,	
amante	 do	 banho	 e	 sempre	 de	 pente	 e	
espelhinho	 no	 bolso,	 o	 cabelo	 brilhante	 de	
loção	ou	de	óleo	de	coco,	reflete	a	influência	de	
tão	 remotas	 avós.	 A	 culinária	 nacional	 -	 seja	
dito	de	passagem-	ficaria	empobrecida,	e	sua	
individualidade	profundamente	afetada,	se	se	
acabasse	com	os	quitutes	de	origem	indígena:	
eles	dão	um	gosto	à	alimentação	brasileira	que	
nem	 os	 pratos	 de	 origem	 lusitana	 nem	 os	
manjares	africanos	jamais	substituiriam.	
Na	 tapioca	 de	 coco,	 chamada	 molhada,	
estendida	 em	 folha	 de	 bananeira	 africana,	
polvilhada	 de	 canela,	 temperada	 com	 sal,	
sente-se	 o	 amálgama	 verdadeiramente	 brasileiro	
de	tradições	culinárias:	a	mandioca	indígena,	o	coco	
asiático,	o	sal	europeu,	confraternizando-se	em	um	
só	e	delicioso	quitute	sobre	a	mesma	cama	africana	
de	folha	de	bananeira.	Cremos,	aliás,	ser	o	Nordeste,	
isto	é,	a	zona	de	 influência	pernambucana,	e	mais	
para	 o	 norte	 o	 Maranhão,	 os	 dois	 pontos	 mais	
intensos	dessa	confraternização	de	cultura[...].	
A	maçoca,	de	que	se	fazem	vários	bolos,	além	
do	caribé,	não	se	restringe	ao	Amazonas:	pode	ser	
considerada	 de	 uso	 generalizado	 ao	 norte	 e	 ao	
centro	 do	 Brasil,	 embora	menos	 que	 o	mingau,	 a	
canjica	de	milho	e	a	muqueca:	estes	se	incorporam	
ao	sistema	nacional	da	alimentação	brasileira	logo	
depois	 dos	 produtos	 por	 assim	 dizer	 originais	 ou	
brutos	-	o	cará,	o	milho,	a	batata,	o	cacau,	o	mindubi,	
a	mandioca.	
Do	milho	preparavam	as	 cunhãs,	 além	da	 farinha	
(abatiuí),	 hoje	 usada	 no	 preparo	 de	 vários	 bolos,	 a	
acanijic,	que	sob	o	nome	de	canjica	tornou-se	um	dos	
grandes	pratos	nacionais	do	Brasil,	a	pamuna	-	hoje	
pamonha	 -	 envolvida,	 depois	 de	 pronta,	 na	 própria	
palha	 do	 milho,	 a	 pipoca,	 que,	 segundo	 Teorodo	
Sampaio,	quer	dizer	“epiderme	estalada”[...].	
	
Texto	 adaptado	 de	 FREYRE	
(2003,	p.	163,	193	e	194)	
	
	
Texto adaptado de: Alimentação e Cultura (NUT/FS/UnB – ATAN/DAB/ 
SPS ) 
 
 
 
 
 
 
 
41 
	
	
PRODUÇÃO ESCRITA (TAREFA DE CASA) 
 
 
Os	textos	acima	nos	mostram	as	contribuições	de	diversas	culturas	
para	 a	 alimentação	 brasileira.	 Com	base	 na	 atual	 dieta	 brasileira,	
quais	 seriam	 suas	 recomendações	 para	 um	 estilo	 de	 vida	 mais	
saudável	para	os	seguintes	casos:	
 
• Diabetes		
	
	
	
• Hipertensão	
	
	
	
• Colesterol	alto		
	
	
	
• Osteoporose	
	
	
	
 
42 
	
	
ESCALA MUSICAL ♪ 
Chocolate 
Tim Maia 
 
Chocolate! Chocolate! Chocolate! 
Eu só quero chocolate 
Só quero chocolate 
Não adianta vir com Guaraná 
Pra mim é chocolate 
O que eu quero beber 
Chocolate!Chocolate! 
Chocolate! 
Eu só quero chocolate 
Só quero chocolate 
Não adianta vir com Guaraná Pra 
mim é chocolate 
O que euquero beber 
Não quero chá, não quero café 
Não quero Coca-Cola 
Me liguei no chocolate 
Só quero chocolate 
Não adianta vir com Guaraná Pra 
mim é chocolate 
O que eu quero beber 
Chocolate!Chocolate! 
Chocolate!Chocolate! 
Chocolate! Chocolate! 
Eu só quero chocolate 
Só quero chocolate 
Não adianta vir com Guaraná Pra 
mim é chocolate 
O que eu quero beber 
Chocolate! Chocolate! Chocolate! 
Eu só quero chocolate 
Só quero chocolate 
Não adianta vir com Guaraná Pra 
mim é chocolate 
O que eu quero beber 
Não quero chá, não quero café 
Não quero Coca-Cola 
Me liguei no chocolate 
Eu me liguei! 
Só quero chocolate 
Não adianta vir com Guaraná Pra 
mim é chocolate 
O que eu quero beber 
Chocolate!Chocolate! 
Chocolate! 
- O Senhor aceita um cafezinho? 
- Não, eu quero é chocolate! 
ATIVIDADES 
Ouça	 a	 música	 Chocolate,	 de	 Tim	 Maia.	 Em	 seguida,	
desenvolva	as	tarefas	solicitadas:	
	
a) Na	sua	opinião,	qual	é	a	principal	mensagem	
da	música?	
	
b) Uma	 outra	 perspectiva	 de	 interpretação	 da	
música	 Chocolate	 de	 Tim	 Maia	 poderia	 estar	
relacionada	ao	uso	de	drogas.	Justifique	sua	resposta	
a	partir	das	expressões	destacadas	em	negrito.	
	
c) Outra	possível	interpretação	da	música	era	de	
que	o	cantor	procurava	demonstrar	sua	preferência	
por	 uma	 bebida	 que	 não	 fosse	 alcóolica	 -	 o	
chocolate.	 No	entanto,	 o	 consumo	de	 refrigerantes	 e	
bebidas	adocicadas	está	associado	a	efeitos	maléficos	à	
saúde.	 Argumente	 sobre	 a	 importância	 de	 hábitos	
alimentares	 saudáveis,	 estabelecendo	 uma	 relação	
dialógica	 entre	 alimentação,	 estilo	 de	 vida	 e	 doenças	
crônicas.	
	
d) A	música	explicita	algumas	bebidas	estimulantes,	
tais	como	como	guaraná,	café	e	Coca-Cola.	Explique	os	
riscos	da	ingestão	de	estimulantes	em	excesso	e	seus	
principais	efeitos	em	nosso	sistema.	
	
 ATIVIDADE DE VÍDEO 
 
Dúvidas sobre o sódio 
Depois	 de	 assistir	 ao	 vídeo	 (https://www.youtube.com/	
watch?v=Y1H6rohqMJE&t=264s)	da	unidade,	em	dupla,	realize	
as	seguintes	atividades:		
	
							a)	Discutir	como	Drauzio	esclarece	a	diferença	entre	sal	e	sódio	
e, a partir disso, explicar a relação entre a quantidade de sódio 
no organismo e os valores da pressão arterial em uma 
linguagem acessível à população. 
	
b) Elaborar um texto informativo para ser publicado em um 
boletim destinado a hipertensos sobre os possíveis prejuízos do 
consumo excessivo de sal e suas consequências, de acordo com 
as informações do vídeo. 
 
 
 
 
 
43 
	
	
JANELA DE 
INTERAÇÃO 
 
A alimentação nas diferentes regiões do Brasil 
Tim	Maia	 já	nos	 indicava	uma	das	maiores	preferências	em	relação	aos	hábitos	
alimentares	brasileiros	-	o	açúcar,	representado,	neste	caso,	pelo	chocolate.	Esse	é	
um	 hábito	 de	 alimentação	 considerado	 não	 saudável,	 especialmente	 quanto	 ao	
consumo	 regular	 de	 alimentos	 doces,	 como	 bolos,	 tortas,	 chocolates,	 balas,	
biscoitos	 ou	 bolachas.	 De	 acordo	 com	 dados	 de	 2013	 do	 IBGE,	 no	 Brasil,	 o	
percentual	 de	 pessoas	 que	 informaram	 ter	 esse	 hábito	 foi	 21,7%.	 Esse	 índice	
diminuía	 com	 o	 avanço	 da	 idade	 e	 aumentava	 com	 o	 nível	 de	 escolaridade,	
conforme	o	gráfico	a	seguir.	
	
	
	
Fonte:IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional de 
Saúde 2013. 
 
1) Em duplas, indique os principais efeitos negativos relacionados ao consumo excessivo de açúcar. 
 
 
 - 
 - 
 - 
44 
	
	
Leia o texto apresentado a seguir. Na sequência e em duplas, façam o exercício proposto. 
 
O que são Modalizadores Discursivos? 
 
Esses elementos são responsáveis por evidenciar nossa opinião tanto na fala quanto na escrita. O uso que fazemos da língua 
em nossas ações de comunicação é sempre mediado por intenções: explicitar certeza, dúvida, obrigatoriedade, sentimentos, 
entre outros. Esse propósito está tão presente em nosso dia a dia que se materializa na estrutura de nossa língua. 
Os elementos que atuam como indicadores de argumentação são denominamos modalizadores discursivos. Eles são os 
encarregados de evidenciar o ponto de vista assumido pelo falante e assegurar o modo como ele elabora o discurso. 
Todavia, é importante utilizar esses marcadores de forma bastante polida, especialmente na relação médico-paciente, para 
evitar, certos constrangimentos e mal entendidos durante consultas, pedidos de exames e visitas de rotina. 
Adaptado de: https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/portugues/o-que-sao-modalizadores-discursivos.htm 
 
1) Leia a situação apresentada a seguir e faça o exercício: 
 
Marieta, 35 anos, mãe solteira, desempregada e sem residência própria, é encaminhada para 
consulta com um endocrinologista. Ao entrar no consultório, a conversa entre eles se dá da 
seguinte forma. 
 
Médico: ... 
Marieta: Bom dia doutor. Posso me sentar? 
Médico: Qual sua queixa principal? 
Marieta: Doutor, na verdade estou com alguns problema. Tenho tido muita dor no estomago, na cabeça e nos 
joelho. 
Médico: E a senhora sempre foi gorda assim? 
Marieta: Eu engordei depois que ganhei meu bebê. Antes disso eu não tinha esse corpo não. 
Médico: A Sra faz pelo menos alguma atividade física? 
Marieta: No momento não faço nada. Não tenho dinheiro para pagar uma academia. 
Médico: Mas e uma caminhada? 
Marieta: Ah, caminhada eu não gosto. 
Médico: Entendi. Mas a Sra deveria, para começar a emagrecer um pouco. Está numa situação muito complicada. 
Marieta: Tem algum remédio que o Sr possa dar de graça pra perder peso? 
Médico: Tem sim. Se chama “criar vergonha na cara”. 
Marieta: Nossa, precisa falar assim doutor? 
Médico: Às vezes é preciso sim. Infelizmente. Ainda mais quando o problema envolve obesidade. 
Marieta: E de exame de sangue, o Sr pode pedir? 
Médico: Posso. Quais exames você quer? 
Marieta: Ué, isso quem sabe é o senhor, não é? 
Médico: Ah, sim. Claro. Vou pedir colesterol, TGO, TGP... 
Marieta: Alguma outra recomendação, doutor? 
Médico: Tente perder peso para que em seu retorno não esteja tão gorda como está hoje. Olha sua blusa, o botão 
está quase abrindo. 
Marieta: Farei o possível, doutor. Talvez se o Sr estivesse em minha situação, conseguisse entender melhor tudo 
que estou passando e a razão de eu estar nessa situação. Aí, talvez, o Sr conseguisse ser um pouco mais humano 
durante seu atendimento. Obrigada. 
 
 
 
 
 
 
 
45 
	
	
A) Aponte pelo menos 2 situações que foram constrangedoras para a paciente durante sua consulta 
com o médico endocrinologista. 
 
__________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________ 
 
B) Quando o médico diz: “Quais exames você quer?”, é possível afirmar que esse procedimento 
é recorrente nos atendimentos nas unidades básicas de saúde? Discutam esse fato e apresentem 
seus posicionamentos, levando-se em consideração, principalmente, a conduta médica adotada 
por esse profissional. 
___________________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________________________ 
C) Como profissional de saúde, como você compreenderia o que é dito ao final da consulta pela 
paciente? Qual seria a sua conduta? 
“Farei o possível, doutor. Talvez se o Sr estivesse em minha situação, conseguisse entender melhor tudo que 
estou passando e a razão de eu estar nessa situação. Aí, talvez, o Sr conseguisse ser um pouco mais humano 
durante seu atendimento. Obrigada.”. 
_________________________________________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________	
 
D) No diálogo apresentado, há alguns registros mais informais da língua portuguesa. Você poderia 
circular alguns deles? Na sequência, se tivesse que reescrever esse diálogo, propondo algumas 
modificações para deixar a linguagem mais formal, como você procederia? 
 
__________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________
46 
	
	
○5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OBJETIVOS 
 
 
•Possibilitar discussão sobre a diferença entre ética e moral, especialmente na área médica; 
•Propiciar reflexão sobre os Direitos Humanos e sua relação com o contexto de atuação de 
Medicina de Família. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
47 
	
	
5 
 
 
ÉTICA & DIREITOS HUMANOS 
 
 
TEXTO 01 
 
 
TEXTO 02 
 
ÉTICA:	Em	geral,	ciência	da	conduta.	Existem	duas	concepções	fundamentais	dessa	ciência.	
	
1ª	 a	 que	 considera	 como	 ciência	 do	 fim	 para	 o	 qual	 a	 conduta	 dos	 homens	 deve	 ser	
orientada	 e	 dos	 meios	 para	 atingir	 tal	 fim,	 deduzindo	 tanto	 o	 fim	 quanto	 os	 meios	 da	
natureza	do	homem;	
2ª	a	que	considera	como	a	ciência	do	móvel	da	conduta	humana	e	procura	determinar	tal	
móvel	com	vistas	a	dirigir	ou	disciplinar	essa	conduta.	
	
Essas	duas	concepções,	que	se	entremesclaram	de	várias	maneiras	na	Antiguidade	e	no	mundo	
moderno,	são	profundamente	diferentes	e	falam	duas	línguas	diversas.	A	primeira	fala	a	língua	
do	 ideal	 para	 o	 qual	 o	 homem	 se	 dirige	 por	 sua	 natureza	 e,	 por	 conseguinte,	 da	 “natureza”,	
“essência”	ou	 “substância”	do	homem.	 Já	a	 segunda	 fala	 dos	 “motivos”	ou	 “causas”	da	 conduta	
humana,	ou	das	“forças”	que	a	determinam,	pretendendo	ater-se	ao	conhecimento	dos	fatos.	
	
	
MORAL:	1.	O	mesmo	que	Ética;	2.	Objeto	da	ética,	conduta	dirigida	ou	disciplinada	por	
normas.	
<Dicionário de Filosofia – Nicola Abbagnano> 
	
	
	
	
	
	
48 
	
	
TEXTO 03 
Os Direitos Humanos e a Ética Humana 
 
Os	 direitos	 humanos	 incluem	 o	 direito	 à	 vida	 e	 à	 liberdade,	 à	
liberdade	 de	 opinião	 e	 de	 expressão,	 o	 direito	 ao	 trabalho	 e	 à	
educação,	entre	e	muitos	outros.	Todos	merecem	esses	direitos,	sem	
discriminação.	 O	 Direito	 Internacional	 dos	 Direitos	 Humanos	
estabelece	as	obrigações	dos	governos	de	agirem	de	determinadas	
maneiras	 ou	 de	 se	absterem	 de	 certos	 atos,	 a	 fim	 de	 promover	 e	
proteger	 os	 direitos	 humanos	 e	 as	 liberdades	 de	 grupos	 ou	
indivíduos.	Desde	o	estabelecimento	das	Nações	Unidas,	em	1945	–	
em	meio	 ao	 forte	 lembrete	 sobre	 os	 horrores	 da	 Segunda	Guerra	
Mundial	–,	um	de	seus	objetivos	fundamentais	tem	sido	promover	e	
encorajar	 o	 respeito	 aos	 direitos	 humanos	 para	 todos,	 conforme	
estipulado	na	Carta	das	Nações	Unidas.	
	
	
Os direitos humanos 
são comumente 
compreendidos como 
aqueles direitos 
inerentes ao ser 
humano. 
CONTEXTO E DEFINIÇÃO DOS DIREITOS 
HUMANOS 
 
Os	 direitos	 humanos	 são	 comumente	 compreendidos	
como	 aqueles	 direitos	 inerentes	 ao	 indivíduo.	 O	 conceito	 de	
Direitos	Humanos	reconhece	que	cada	ser	pode	desfrutar	de	seus	
direitos,	sem	distinção	de	raça,	cor,	sexo,	língua,	religião,	opinião	
política	ou	de	outro	tipo,	origem	social	ou	nacional	ou	condição	de	
nascimento.	
Os	direitos	humanos	são	garantidos	legalmente	pela	lei	de	
direitos	humanos,	protegendo	indivíduos	e	grupos	contra	ações	
que	 interferem	 nas	 liberdades	 fundamentais	 e	 na	 dignidade	
humana.	
	
Algumas	 das	 características	 mais	 importantes	 dos	 direitos	
humanos	são:	
	
• Os	 direitos	 humanos	 são	 fundados	 sobre	 o	 respeito	pela	
dignidade	e	o	valor	de	cada	pessoa;	
• Os	direitos	humanos	são	universais,	o	que	quer	dizer	que	são	
aplicados	de	forma	igual	e	sem	discriminação	a	todas	as	pessoas;	
• Os	 direitos	 humanos	 são	 inalienáveis,	 e	 ninguém	 pode	 ser	
privado	 de	 seus	 direitos	 humanos;	 eles	 podem	 ser	 limitados	 em	
situações	 específicas.	 Por	exemplo,	 o	 direito	 à	 liberdade	 pode	 ser	
restringido	 se	 uma	 pessoa	 é	 considerada	 culpada	 de	 um	 crime	
diante	de	um	tribunal	e	com	o	devido	processo	legal;	
• Os	 direitos	 humanos	 são	 indivisíveis,	 inter-relacionados	 e	
interdependentes,	 já	 que	 é	 insuficiente	 respeitar	 alguns	 direitos	
humanos	e	outros	não.	Na	prática,	 a	violação	de	um	direito	vai	afetar	o	
respeito	por	muitos	outros;	
• Todos	os	direitos	humanos	devem,	portanto,	ser	vistos	como	
de	 igual	 importância,	 sendo	 igualmente	 essencial	 respeitar	 a	
dignidade	e	o	valor	de	cada	pessoa.	
<Adaptado de https://nacoesunidas.org/direitoshumanos/ > 
49 
	
	
TEXTO 04 
 
< FENAM & UniCEUB. Manual de direitos humanos para médicos.2014> 
 
 
 
 
 
 
 
 
PRODUÇÃO MULTIMÍDIA 
Em	grupos	de	5	a	7	pessoas,	desenvolvam	a	seguinte	proposta:	
Com	base	no	texto	04	e	também	nas	situações	1	e	2	descritas	na	sequência,	elabore	um	pequeno	
vídeo	sobre	uma	dessas	situações,	levando-se	em	consideração	as	relações	entre	saúde	e	direitos	
humanos.	
Situação	1:	
Uma	escola	pública	do	município	em	que	você	atua	como	médico,	devido	a	licitação	com	empresa	
fornecedora,	oferece	como	merenda	apenas	sucos	artificiais	com	corantes	e	bolachas	de	água	e	
sal.	Como	profissional	da	área	de	saúde,	você	acredita	que	esse	tipo	de	alimentação	pode	trazer	
riscos	à	saúde	de	quem	a	consome.	Por	essa	razão,	produza	um	vídeo	entre	2	e	3	minutos	alertando	
a	população	sobre	esse	tipo	de	hábito	alimentar.	
Situação	2:	
Em	algumas	comunidades	ribeirinhas,	há	muitos	problemas	envolvendo	a	questão	de	saneamento	
básico.	Como	profissional	da	área	de	saúde,	você	deve	gravar	um	vídeo	entre	2	e	3	minutos	alertando	essa	
população	sobre	os	usos	da	água	e	do	depósito	de	lixo.	
 
 
 
50 
	
	
BOATOS 
Podem parecer desinteressados ou sem preocupação, mas os 
boatos podem trazer grandes problemas ao veicular informações falsas para a 
sociedade 
 
 
 
 
 
 
 
RODA DE CONVERSA 
Qual boato médico você já viu em 
alguma rede social? 
VÍDEO 
O prejuízo dos boatos para a ciência 
 
 
Fala	de	Esper	Kallás	sobre	o	prejuízo	causado	pelos	
boatos	médicos.	
(https://www.youtube.com/	watch?v=gSbgZs8OIBA&t=00)	
 
 
 
 
 
 
 
 
51 
	
	
ATIVIDADE DE VÍDEO 
O que são direitos humanos - Glenda Mezarobba 
 
Link:	https://www.youtube.com/watch?v=fMBNL4HFEOQ	
	
1) Os	direitos	humanos	nos	 indicam	princípios	 fundamentais	
para	que	todo	ser	humano	tenha	uma	vida	digna	e	,	para	
tanto,	 é	 preciso	 que	 tais	 direitos	 sejam	
realmente	cumpridos	e	protegidos.	O	excerto	
da	entrevista	a	seguir,	no	entanto,	nos	mostra	
outra	realidade.	Justifique.	
	
[...]	 há	 indivíduos	que	não	 tem	essa	
mesma	possibilidade	de	desenvolver	o	
seu	 potencial	 ou,	 se	 sobrevive	 à	
primeira	infância,	mas	depois	não	têm	
escola	ou	não	alimentação	ou	não	tem	
moradia,	 então,	 em	 alguma	 medida,	
você	fere	a	lógica	que	move	essa	noção	
de	igualdade	e	de	desenvolvimento	das	
potencialidades	de	cada	indivíduo	[...]	
	
2) A	partir	da	discussão	do	vídeo	e	da	leitura	dos	textos	anteriores,	cite	alguns	desafios	para	o	
cumprimento	dos	direitos	humanos	na	atuação	médica:	
	
ü 	
ü 	
ü 	
ü 	
ü 	
ü 	
ü 	
ü 	
 
 
	
	
	
	
	
	
	
	
	
52 
	
	
 
ESCALA MUSICAL ♪ 
 
Samba Manifesto 
Bezerra da Silva 
MÚSICA JANELA DE INTERAÇÃO 
 
Saúde e Direitos Humanos 
 
Se	 você	 pensa	 em	 subir	
Não	deixe	a	sua	moral	cair	
Porque	repercute	mal	para	você	
Não	 adianta	 sua	 fama	 rolando	 pelo	
mundo	todo	
Porém	a	sua	moral	se	assemelhando	com	
o	lodo	
Aqui	 vai	 o	 meu	 protesto,	 porque	 não	
dizer?	O	meu	samba	manifesto	
Que	admite	que	o	céu	é	limite	pra	quem		
quer	subir	
Porém	não	deixe	a	sua	moral	cair	
Se	você	pensaem	subir	
Se	você	pensa	em	subir,	não	deixe	a	sua	
moral	cair	
Porque	repercute	mal	para	você	
Não	 adianta	 sua	 fama	 rolando	 pelo	
mundo	todo	
Porém	a	sua	moral	se	assemelhando	com	
o	lodo	
Aqui	 vai	 o	 meu	 protesto,	 porque	 não	
dizer?	O	meu	samba	manifesto	
Que	admite	que	o	céu	é	limite	pra	quem	
quer	subir	
Porém	não	deixe	a	sua	moral	cair	
Se	você	pensa	em	subir	
	
ATIVIDADES	
1) DISCUSSÃO	
A)	Como	podemos	discutir	ética	e	
moral	a	partir	da	letra	Samba	
Manifesto?	
	
	
<ALBUQUERQUE, Aline (org). Manual de direitos humanos para médicos. Brasília: 
FENAM; UniCEUB 2014.> 
 
 
 
 
 
2)	Escolha	um	dos	temas	elencados	do	quadro	acima	
e	 elabore	 uma	 apresentação	 com	 seu	 colega,	
retomando	 as	 possibilidades	 de	 acolhimento	
apresentadas	na	unidade	dois	(2).
 
 
 
 
 
53 
	
	
 
 
 
TEXTO 05 
 
ALERTA AOS MÉDICOS E À POPULAÇÃO 
 
Brasília, 22 de junho de 2017 
Considerando	 o	 papel	 das	 vacinas	 como	 meio	 de	 prevenir	 doenças,	 de	 modo	 individual	 e	
coletivo,	 o	 que	 é	 comprovado	 por	 inúmeros	 estudos	 científicos	 e	 pelos	 indicadores	
epidemiológicos,	 o	 Conselho	 Federal	 de	Medicina	 (CFM)	 e	 a	 Sociedade	Brasileira	 de	 Pediatria	
(SBP)	vem	a	público	ressaltar	que:	
	
1)	A	 falta	 injustificada	de	vacinações	pode	ter	consequências	desastrosas,	como	aumento	da	
morbidade	e	da	mortalidade	de	crianças,	de	adolescentes	e	da	população	adulta,	consolidando	
um	retrocesso	em	termos	de	saúde	pública;	
	
2)	 Deve	 ser	 observado	 rigorosamente	 o	 cumprimento	 das	 exigências	do	 calendário	 vacinal,	
levando	as	crianças	e	os	adolescentes	aos	postos	de	saúde	para	receberem	as	doses	necessárias	
a	sua	proteção	contra	doenças	evitáveis;	
	
3)	 Os	médicos	 brasileiros,	 cientes	 de	 suas	 responsabilidades	 éticas,	 técnicas	 e	 legais,	 devem	
orientar	a	população	sobre	a	importância	da	vacinação,	esclarecendo	suas	dúvidas	e	ressaltando	
os	benefícios	de	estar	com	o	calendário	vacinal	atualizado;	
	
4)	Não	se	vacinar	ou	impedir	que	as	crianças	e	os	adolescentes	o	façam	pode	causar	enormes	
problemas	para	a	saúde	pública,	como	o	surgimento	de	doenças	graves	ou	o	retorno	de	agravos	
de	forma	epidêmica,	como	a	poliomielite,	o	sarampo,	a	rubéola,	entre	outros.	
5)	Boatos	ou	notícias	que	relacionam	a	vacina	a	efeitos	colaterais,	presença	de	elementos	tóxicos	
ou	nocivos	em	sua	composição,	sua	ineficácia	ou	possível	substituição	por	outros	métodos	não	
possuem,	em	geral,	base	técnica	ou	científica.	
	
Com	 essa	 manifestação,	 o	 CFM	 e	 a	 SBP	 conclamam	 a	 população,	 os	 médicos	 e	 os	 demais	
profissionais	da	saúde	a	se	aliarem	contra	o	movimento	antivacinas,	que	existe	em	vários	países	e	
tem	 crescido	 no	 Brasil,	 em	 especial	 com	 o	 incremento	 das	 redes	 sociais,	 trazendo	 enormes	
prejuízos	para	a	saúde	pública.	Vacinar-se	e	vacinar	crianças	e	adolescentes	correspondem	a	atos	
de	cidadania.	Recusar-se	a	estas	práticas	pode	ser,	inclusive,	considerado	uma	ação	de	negligência.	
Finalmente,	 o	 CFM	 e	 a	 SBP	 reiteram	 seus	 compromissos	 com	 a	 saúde	 e	 o	 bem-estar	 da	
população,	objetivo	cotidiano	da	atuação	dos	420	mil	médicos	brasileiros.	
<https://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=27006:2017-06-23-13-57-28&catid=3> 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
54 
	
	
 
 
 
ATIVIDADES 
A	partir	da	 leitura	do	 texto	anterior	é	possível	verificar	a	 importância	da	 informação	e	de	sua	
divulgação	 na	 sociedade.	 O	 direito	 à	 informação	 e	 à	 expressão	 estão	 listados	 no	 artigo	 19	 da	
Declaração	Universal	dos	Direitos	Humanos:	
	
“Todo	 ser	 humano	 tem	 direito	 à	 liberdade	 de	 opinião	 e	 expressão;	 esse	 direito	 inclui	 a	
liberdade	de,	sem	interferência,	ter	opiniões	e	de	procurar,	receber	e	transmitir	informações	
e	ideias	por	quaisquer	meios	e	independentemente	de	fronteiras.”	
	
	
	
1) Com	o	advento	da	internet	e,	em	especial,	
das	 redes	 sociais,	 verifica-se	 cada	 vez	 mais	
escândalos	 acerca	 da	 divulgação	 de	
informações	 confidenciais	 de	 pacientes	 por	
parte	de	alguns	profissionais	da	área	da	saúde.	
Qual	princípio	 fundamental	esse	profissional	
estaria	 descumprindo?	 Comente	 a	
importância	do	princípio	em	questão.	
	
2) Um	amigo	médico	decide	compartilhar	a	
seguinte	 postagem	 “Água	 de	 Quiabo	 cura	
diabetes!”	 em	 uma	 rede	 social	 da	 qual	 você	
participa.	 Qual	 seria	 seu	 posicionamento	
diante	dessa	 notícia?	 Que	 relação	 é	 possível	
estabelecer	com	o	Código	de	Ética	Médica.	
 
 
 
Fonte: texto e imagem de ampla circulação nas 
redes sociais 
55 
	
	
 
 
○6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OBJETIVOS 
 
•Apresentar definição de IST e das principais infecções no Brasil; 
•Promover discussão sobre a relação HIV/AIDS e a desconstrução de estigmas 
e estereótipos; 
•Possibilitar reflexões sobre o papel da linguagem para uma interação médico-
paciente satisfatória e humanizada; 
•Propiciar reflexão acerca da percepção das mensagens socioculturalmente 
construídas e como refletem na qualidade do cuidado em saúde. 
 
 
 
 
 
 
 
 
56 
	
 
POPULAÇÕES E HIV 
 Relatório da GAP - UNAIDS 
 
IST`S E AIDS 
 
RODA DE CONVERSA 
Você já ouviu falar do relatório GAP da UNAIDS? 
Comente essas estatísticas. 
Em sua opinião, quais são os maiores grupos de risco? 
Na sequência, você vai 
encontrar dados estatísticos 
desse relatório. Após a 
leitura, qual deles mais te surpreendeu? 
 
 
 
57 
	
 
 
<http://unaids.org.br/wp-content/uploads/2015/06/10496120_755177287895223_8514351304395174013_o.jpg . Acesso em 05/09/2017.> 
 
 
 
 
58 
	
 
TEXTO 01 
 
O QUE SÃO IST 
 
As Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) são causadas por vírus, bactérias ou outros 
microrganismos. São transmitidas, principalmente, por meio do contato sexual (oral, vaginal, anal) 
sem o uso de camisinha masculina ou feminina, com uma pessoa que esteja infectada. A transmissão 
de uma IST pode acontecer, ainda, da mãe para a criança durante a gestação, o parto ou a amamentação. 
 
Qual o tratamento 
 
O tratamento das pessoas com IST melhora a qualidade de vida e interrompe a cadeia de transmissão 
dessas infecções. O atendimento e o tratamento são gratuitos nos serviços de saúde do SUS. 
Atenção: A terminologia Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) passa a ser adotada em substituição 
à expressão Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), porque destaca a possibilidade de uma pessoa 
ter e transmitir uma infecção, mesmo sem sinais e sintomas. 
COMO É A PREVENÇÃO DAS IST 
 
O uso da camisinha (masculina ou feminina) em todas as relações sexuais (orais, anais e vaginais) é o 
método mais eficaz para evitar a transmissão das IST, do HIV/aids e das hepatites virais B e C. Serve 
também para evitar a gravidez. 
A camisinha masculina ou feminina pode ser retirada gratuitamente nas unidades de saúde. Quem tem 
relação sexual desprotegida pode contrair uma IST. Não importa idade, estado civil, classe social, identidade 
de gênero, orientação sexual, credo ou religião. A pessoa pode estar aparentemente saudável, mas pode estar 
infectada por uma IST. 
 
POR QUE ALERTAR O PARCEIRO 
 
O controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) não ocorre somente com o tratamento de quem 
busca ajuda nos serviços de saúde. Para interromper a transmissão dessas infecções e evitar a reinfecção, é 
fundamental que as parcerias também sejam testadas e tratadas, com orientação de um profissional de saúde. 
As parcerias sexuais devem ser alertadas sempre que uma IST for diagnosticada. É importante a informação 
sobre as formas de contágio, o risco de infecção, a necessidade de atendimento em uma unidade de saúde, as 
medidas de prevenção e tratamento (ex.: relação sexual com uso de camisinha masculina ou feminina até que 
a parceria seja tratada e orientada). 
 
 
 
59 
 
 
TEXTO 02 
O que é HIV 
HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana. Causador da aids, ataca o sistema 
imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. As células mais atingidas sãoos linfócitos 
T CD4+. E é alterando o DNA dessa célula que o HIV faz cópias de si mesmo. Depois de se multiplicar, 
rompe os linfócitos em busca de outros para continuar a infecção. 
 
Ter o HIV não é a mesma coisa que ter aids. Há muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar 
sintomas e sem desenvolver a doença. Mas podem transmitir o vírus a outras pessoas pelas relações sexuais 
desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e 
a amamentação, quando não tomam as devidas medidas de prevenção. Por isso, é sempre importante fazer 
o teste e se proteger em todas as situações. 
 
Biologia 
 
O HIV é um retrovírus, classificado na subfamília dos Lentiviridae. Esses vírus compartilham 
algumas propriedades comuns: período de incubação prolongado antes do surgimento dos sintomas da 
doença, infecção das células do sangue e do sistema nervoso e supressão do sistema imune. 
ATIVIDADES 
 
Como profissional de saúde, você acaba de receber uma equipe de adolescentes que está fazendo 
uma pesquisa sobre o HIV. Esses jovens querem a ajuda de um médico para completar a tabela que estão 
criando e que será disponibilizada na escola para a Feira de Ciências. Com base nessa informação, ajude-
os a completá-la. 
 
ASSIM PEGA ASSIM NÃO PEGA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1) Sexo vaginal sem camisinha; 
2) Talheres/copos; 
3) Uso de seringa por mais de uma pessoa; 
4) Da mãe infectada para seu filho durante a 
gravidez, no parto e na amamentação; 
5) Instrumentos que furam ou cortam não 
esterilizados. 
6) Suor e lágrima; 
7) Transfusão de sangue contaminado; 
8) Sexo anal sem camisinha; 
9) Banheiro; 
10) Sexo desde que se use corretamente a 
 camisinha; 
11) Masturbação a dois; 
12) Beijo no rosto ou na boca; 
13) Picada de inseto; 
14) Aperto de mão ou abraço; 
15) Sabonete/toalha/lençol 
16) Assento de ônibus; 
17) Piscina; 
18) Sexo oral sem camisinha; 
19) Doação de sangue; 
20) Pelo ar. 
< http://www.aids.gov.br/pt-br/publico-geral/o-que-e-hiv. Acesso em 05/09/2017. 
60 
 
 
ATIVIDADE EM GRUPO 
 
Organizem-se em cinco (5) grupos e selecionem uma das IST para leitura 
e posterior apresentação para os colegas de sala, indicando os pontos 
mais importantes 
 
TEXTO 03 
 
SÍFILIS 
Transmitida pela bactéria Treponema pallidum, a infecção apresenta diferentes estágios, do 
primário ao terciário, e tem maior potencial de infecção nas duas primeiras fases, que costumam 
ocorrer até 40 dias após o contágio. É transmitida por relações sexuais ou pode ser passada da gestante 
para o bebê. 
“A sífilis congênita, que é notificada compulsoriamente no Ministério da Saúde, é transmitida 
de mãe para filho e teve aumento de quase 200% ao longo dos últimos dois anos”, alerta a infectologista 
Brenda Hoagland, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz). 
Os sintomas são feridas na região genital (na fase primária) e manchas no corpo que sugerem 
uma alergia (na fase secundária). O tratamento da doença é gratuito na rede pública, feito com 
penicilina. 
O problema é que os sintomas podem se curar sozinhos e passar despercebidos. “O fato de uma 
pessoa não ter mais sintomas não significa que esteja curada. Esse é o grande problema e faz com que 
o diagnóstico esteja muito abaixo do necessário”, avisa Brenda. 
A sífilis terciária pode aparecer de dois a quarenta anos após o início da infecção, podendo 
causar lesões neurológicas, cardiovasculares e levar à morte. “Pessoas com vida sexual ativa e que 
tenham relações desprotegidas devem fazer o teste para a sífilis independentemente dos sintomas, da 
mesma forma que devem fazer testes para o HIV e serem vacinadas contra Hepatite B”, recomenda 
Brenda, lembrando que a sífilis aumenta o risco de infecção por HIV. 
O acompanhamento da gestante no pré-natal também é fundamental para evitar a transmissão 
da doença para o bebê. A sífilis pode levar à má-formação do feto, surdez, cegueira e deficiência mental. 
 
 
 
 
61 
 
 
HPV 
O Papilomavírus Humano existe com mais de 200 variações e se manifesta por meio de 
formações verrucosas - que podem aparecer no pênis, vulva, vagina, ânus, colo do útero, boca ou 
garganta (sorotipos 6 e 11). O sexo é a principal forma de transmissão do HPV, seja pelo coito ou pelo 
sexo oral. O HPV é uma preocupação grave de saúde pública pelo potencial de alguns tipos do vírus 
causarem câncer, principalmente no colo do útero e no ânus, mas também na boca e na garganta, que 
vêm aumentando entre os jovens. 
O vírus pode ficar latente por períodos prolongados sem que haja sintomas, e é difícil erradicar 
a infecção por completo. Por isso, especialistas recomendam que mulheres em idade reprodutiva façam 
exames preventivos anuais no colo do útero para monitorar o aparecimento de possíveis lesões que 
antecedem o câncer e que podem ser tratadas. 
A infectologista Brenda Hoagland, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas 
(INI/Fiocruz), estende a recomendação a homens que fazem sexo anal desprotegido, e devem fazer 
exames preventivos na região anal e no reto. No fim do ano passado, o Ministério da Saúde anunciou 
que a vacina quadrivalente que protege contra quatro tipos de HPV passaria a ser oferecida também 
para meninos, na faixa de 1 2 a 1 3 anos. Até agora, a vacina só era disponibilizada para meninas de 9 
a 13 anos. 
 
GONORREIA 
 
A doença é causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, que infecta sobretudo a uretra. O 
sintoma mais comum é a presença de corrimento na região genital, mas a infecção pode causar dor ou 
ardor ao urinar, dor ou sangramento na relação sexual e, nos homens, dor nos testículos. A maioria das 
mulheres infectadas não apresenta sintomas. 
O tratamento é feito com antibiótico e deve ser estendido ao parceiro, mesmo que este não 
tenha sintomas. Quando não tratada, a infecção pode atingir vários órgãos, como o testículo, nos 
homens, e o útero e as trompas, nas mulheres, e pode causar infertilidade e complicações graves. 
 
 
Os ditongos abertos ‘éi’ (como em Gonorreia), ‘ói’ e ‘éu’ 
das palavras paroxítonas (palavras que têm acento 
tônico na penúltima sílaba) perderam o acento na 
última reforma ortográfica. Confira a tabela no final 
desta unidade com as principais mudanças. 
 
 
 
62 
 
 
 
HERPES GENITAL 
 
Transmitido pela relação sexual com uma pessoa infectada, o vírus do herpes causa pequenas 
bolhas e lesões dolorosas na região genital masculina e feminina. As feridas podem acompanhar ardor, 
coceira, dor ao urinar e mesmo febre, e os sintomas podem reaparecer ou se prolongar quando a 
imunidade está baixa. 
“O herpes não tem cura. A partir do momento que você tem uma infecção, você ter vários 
episódios ao longo da vida. A única forma de prevenção é o preservativo”, ressalta a infectologista 
Brenda Hoagland, da Fiocruz. 
Além do incômodo causado pelas lesões, o herpes pode facilitar a entrada das outras doenças 
sexualmente transmissíveis. Os portadores do vírus devem ter cuidado redobrado para não transmiti-
lo, o que ocorre principalmente quando as feridas estão presentes, mas pode também ocorrer na 
ausência das lesões ou quando elas já estão cicatrizadas. A doença pode ter consequências graves 
durante a gravidez, podendo provocar aborto e trazer sérios riscos para o bebê. 
 
HEPATITE B OU C 
 
No Brasil, as formas virais mais comuns de hepatite ou inflamação do fígado são as causadas 
pelos vírus A, B ou C. A hepatite B é transmitida sexualmente, e também por transfusão de sangue e 
compartilhamento de material para uso de drogas, entre outros. As mesmas formas valem para a 
hepatite C, mas a transmissão sexual é mais rara, por isso, ela não é considerada propriamente uma 
infecção sexualmente transmissível. 
De acordo com o Ministério da Saúde, milhões de brasileiros são portadores dos vírus B ou C 
e não sabem. Correm, assim, o risco de desenvolver a doença crônica e ter graves danos ao fígado, 
como cirrose e câncer. A vacina contraa hepatite B é gratuita e disponível na rede pública. 
O diagnóstico é feito por meio de exame de sangue e o tratamento pode combinar 
medicamentos e corte de bebidas alcoólicas. Os sintomas para ambas as doenças são raros, mas podem 
incluir cansaço, tontura, enjoo e pele e olhos amarelados. Como a doença é considerada “silenciosa”, 
é indicado realizar exames de rotina que detectam todas as suas formas. 
Ainda não há vacina para a hepatite C. 
<Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39093771. Acesso em 05/09/2017.
 
 
63 
JANELA DE INTERAÇÃO 
Escolha uma das IST discutidas nesta unidade e elabore, com um colega, uma apresentação. Lembre-se 
de abordar: definição, sintomas, prevenção e tratamento da IST. 
 
 
ATIVIDADE DE VÍDEO 
“HIV E AIDS – E NÃO IA DAR EM NADA” 
Depois de assistir ao vídeo (https://www.youtube. 
com/watch?v=u0GTjRpUmds) da unidade, reponda as 
perguntas ou solicitações: 
 
c) De acordo com os participantes do vídeo, há ainda 
informações errôneas em relação ao vírus HIV e a síndrome 
da imunodeficiência adquirida. Discorra sobre essa diferença. 
 
d) No vídeo, os participantes falam da questão da 
promiscuidade e da transmissão, chamando atenção para os 
chamados “grupo de risco”. Atualmente, ainda há a distinção 
entre grupo de risco e grupo de não risco? 
TEXTO 04 
 
O estigma relacionado ao HIV refere- 
se às crenças, atitudes e sentimentos 
negativos em relação às pessoas 
vivendo com o HIV (como também em 
relação seus familiares e pessoas 
próximas) e outras populações que 
estão em maior risco de infecção pelo 
vírus (populações- chave), como gays e 
outros homens que fazem sexo com 
homens, profissionais do sexo e 
travestis e transexuais. 
TEXTO 05 
 
A discriminação relacionada ao HIV 
refere-se ao tratamento desigual e 
injusto (por ação ou omissão) de um 
indivíduo baseado em seu estado 
HIV real ou percebido. A 
discriminação, no contexto do HIV, 
também inclui o tratamento desigual 
daquelas populações mais afetadas 
pela epidemia. Discriminações 
relacionadas ao HIV normalmente 
baseiam-se em atitudes e crenças 
estigmatizantes em relação a 
comportamentos, grupos, sexo, 
doenças e morte. A discriminação 
pode ser institucionalizada através 
de leis, políticas e práticas que focam 
negativamente em pessoas que 
vivem com o HIV e grupos 
marginalizados.
 
 
64 
ATIVIDADE DE VÍDEO 1 
 
Série Unidade Básica de Saúde 
 
 
A série Unidade Básica de Saúde foi inspirada em casos reais da atuação de médicos brasileiros 
que atuam em regiões periféricas oferecendo medicina preventiva nas áreas de Pediatria, Ginecologia, 
Clínica Geral, Enfermagem e Odontologia. A primeira temporada foi exibida em setembro de 2016. 
Segundo, Helena Petta, uma das idealizadoras da série1:“Um dos principais motivos de fazer uma série 
dentro do SUS é mostrar que existe um sistema que dá certo e que, embora tenha muitas dificuldades, 
nele existem profissionais que ajudam e muito a população”. 
Dr. Paulo, o protagonista da série, é um médico muito experiente que trabalha há mais de 15 anos 
em uma Unidade Básica de Saúde da periferia de São Paulo. Acredita que pode, de fato, melhorar a 
qualidade de vida das pessoas através do acompanhamento médico. Bem-humorado e amável com os 
pacientes, Dr. Paulo é aclamado pela comunidade que atende. 
Sua vida muda de uma hora para outra com a chegada da ambiciosa Dra. Laura. Formada em 
engenharia química e medicina, Laura acredita que está na UBS só de passagem, como uma forma de 
conciliar trabalho e estudo em busca de um objetivo maior: uma carreira bem sucedida e remunerada em 
um importante hospital particular. 
A trama de cada episódio vai envolvendo cada vez mais os dois personagens enquanto eles 
aprendem a lidar com as suas diferenças. 
Adaptação da sinopse disponível em: https://filmow.com/unidade-basica-t191842/ficha-tecnica/ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Entrevista disponível em: http://www6.ensp.fiocruz.br/radis/revista-radis/172/reportagens/unidade-basica 
Nota: As atividades de vídeo sobre a série Unidade Básica foram extraídas e ajustadas a partir do material 
“Oi, Doutor!” produzido por Nelson Viana, Patrícia de Oliveira Lucas e Tábata Quintana Yonaha. 
 
 
 
65 
 
 
ATIVIDADES 
 
A seguir encontramos imagens dos principais personagens da série que você irá assistir. Leia 
atentamente as características de cada um e indique o número de acordo com a descrição. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
( ) “A gente acha que tem que aprender tudo sobre as doenças, mas esquece de aprender um pouco 
mais sobre as pessoas”. Essa foi uma frase dita pelo Dr. Paulo, o médico mais experiente da UBS 
que luta por um atendimento humanista. Características físicas: meia idade, branco, cabelo e barba 
de cor preta, olhos de cor escura. 
 
1 
2 
3 
4 
5 
 
 
66 
( ) Samara é a estagiária do 6º ano de Medicina. É a mais nova da equipe e encara o desafio apenas 
como parte de sua obrigação curricular. Características físicas: jovem, branca, cabelos loiros, olhos 
de cor clara. 
( ) Beth é a gerente da UBS. Iniciou a carreira como enfermeira, mas logo assumiu a gerência da UBS. 
Características físicas: negra, olhos de cor escura, usa turbante. 
( ) Dr. Laura é recém-formada em medicina e é mais voltada para uma abordagem que lide com as 
questões biomédicas. Jovem, branca, cabelos loiros, olhos de cor clara. 
( ) Agente Comunitário de Saúde, Malaquias é um integrante importante da equipe, pois costuma fazer 
a ponte entre a comunidade e os membros da UBS. Características físicas: jovem, cabelos e barba 
de cor escura, olhos de cor escura. 
 
ATIVIDADE DE VÍDEO 2 
 
Agora você assistirá o Episódio 2 da Série Unidade Básica. 
 
Enquanto assiste ao vídeo, observe questões éticas e tome notas para discussão posterior. 
 
1) Em grupos, discutam questões éticas que se destacaram no episódio. 
 
2) Com base nesse mesmo episódio, responda as seguintes questões: 
 
a) Dentre os membros da equipe de uma UBS quem conhece mais de perto a rotina familiar? 
_______________________________________________________________________________________ 
_______________________________________________________________________________________ 
 
b) Além do uso do jaleco, qual outra peça é fundamental durante as visitas familiares? 
_______________________________________________________________________________________ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
67 
ATIVIDADE PRÁTICA 
 
No episódio assistido, há referência a uma suposta cura pelo pastor Aberaldo. No Brasil, a principal 
religião é o catolicismo. No entanto, por ser um país religiosamente diverso, há também adeptos ao 
protestantismo, espiritismo, budismo, testemunhas de Jeová, religiões afro-brasileiras, dentre outras. 
Tendo em vista o respeito às crenças dos pacientes, elabore um diálogo em que você, como médico, auxilie 
com mais informações o pastor Aberaldo e seu paciente, Juliano para esclarecer a importância do o 
tratamento medicamentoso sem necessariamente comprometer a fé. 
 
_______________________________________________________________________________________ 
_______________________________________________________________________________________ 
_______________________________________________________________________________________ 
_______________________________________________________________________________________ 
_______________________________________________________________________________________ 
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_______________________________________________________________________________________ 
 
 
68 
Confira as principais mudanças no quadro a seguir e, em duplas, faça o Quiz online recomendado no final da tabela. 
 
 
Reforma Ortográfica (RO): Novas Regras (NR) 
 
RO / NR Observação Exemplos Atenção!!! 
Trema Deixou de ser usado, mas 
nada muda na pronúncia. 
bilíngue; pinguim; cinquenta; linguistico; 
delinquente; antiguidade; quinquênio; 
tranquilo; sequestro; consequência; 
aguentar; sagui; arguir. 
Exceção para nomes próprios 
estrangeiros (como Müller e 
Bündchen) 
Ditongos 
abertos 
Os ditongos 'éi', 'ói' e 'éu' 
só continuam acentuados 
no final da palavra. 
boia; paranoico; heroico; plateia; ideia; 
tipoia 
 
Céu, dói, chapéu, anéis, lençóis não 
mudam!!! 
O acento será mantido em destróier 
e Méier, conforme a regra que 
manda acentuar os paroxítonos 
terminados em 'r' 
Acento 
diferencial de 
tonicidade 
Não se acentuam mais 
certos substantivos e 
formas verbais para 
distingui-los 
graficamente de outras 
palavras. 
 
1) Vou para casa. (preposição) 
2) Ela não para de chorar. (verbo) 
3) Vou pelo morro/pela estrada. 
(contração de preposição + artigo) 
4) O pelo do gato. (substantivo) 
5) Eu pelo/ele pela a cabeça. (verbo) 
Esta regra aplica-se também às 
palavras compostas: para-brisa, 
para-raios. Para evitar confusões, 
foram mantidos os acentos do verbo 
pôr e da forma do pretérito perfeito 
pôde. O acento de fôrma (distinto de 
forma) é facultativo 
 
Acento 
circunflexo 
Os hiatos 'oo' e 'ee' não 
recebem mais acento. 
abençoo; perdoo; magoo; enjoo; leem; 
veem; deem; creem; voo 
Continuam acentuados (ele) vê, 
(eles) vêm [verbo vir], (eles) têm etc. 
Acento agudo 
sobre o 'u' 
 
1. Não se acentua mais o 
'u' tônico das formas 
verbais argui, apazigue, 
averigue 
2. Não se acentuam mais 
o 'u' e o 'i' tônicos 
precedidos de ditongo em 
palavras paroxítonas 
feiura; bocaiuva; baiuca; Sauipe Feiíssimo e cheiíssimo continuam 
acentuados porque são 
proparoxítonos; bem como Piauí e 
teiú, que são oxítonos. 
 
Hífen 
O hífen é empregado: 
 
1. Se o segundo elemento 
começa por 'h'; 
 
2. Para separar vogais ou 
consoantes iguais; 
 
3. Prefixos 'pan' ou 
'circum', seguidos de 
palavras que começam 
por vogal, 'h', 'm' ou 'n' 
 
4. Com 'pós', 'pré' 'pró' 
I. geo-história; giga-
hertz; bio-histórico; 
super-herói; anti-
herói; macro-
história; mini-hotel; 
super-homem 
 
II. inter-racial; micro-
ondas; micro-ônibus; 
mega-apagão; sub-
bibliotecário; 
sub-base; anti-
imperialista; anti-
inflamatório; contra-
atacar; entre-eixos; 
hiper-real; infra-
axilar 
 
III. pan-negritude; pan-
hispânico; circum-
murados; pan-
americano; pan-
helenismo; circum-
navegação 
 
IV. pós-graduado; pré-
operatório; pró-
reitor; pós-auricular; 
pré-datado; pré-
escolar. 
 
Esta regra não se aplica às palavras 
em que se unem um prefixo 
terminado em vogal e uma palavra 
começada por 'r' ou 's'. Quando isso 
acontece, dobra-se o 'r' ou 's': 
microssonda (micro + sonda), 
contrarregra, motosserra, ultrassom, 
infrassom, suprarregional. 
 
 
 
69 
Quiz online recomendado “Jogo das Novas Regras Ortográficas – Reconhecendo Texto e 
Contexto disponível em http://www5.fgv.br/fgvonline/Cursos/gestao/Quiz---Jogo-Das-Novas-Regras-Ortograficas---
Reconhecendo-Texto-E-Contexto/OCWQUISEAD-01slsh2009-1/OCWQUISEAD_00/SEM_TURNO/ 
 
Fonte: José Carlos de Azeredo, professor adjunto de língua portuguesa da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), autor de Gramática Houaiss da língua portuguesa e coordenador e consultor do livro. Escrevendo pela nova ortografia 
(Instituto Antônio Houaiss/Publifolha). Link: https://educacao.uol.com.br/portugues/reforma-ortografica/2009/02/02/ult7238u32.jhtm 
 
 
 
70 
○7 
 
 
 
 
 
OBJETIVOS 
 
 
•Promover reflexões sobre desigualdades sociais no Brasil; 
•Fomentar discussões sobre a relação entre desigualdades sociais e saúde pública no Brasil. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
71 
7 Quais são as três primeiras palavras que vem à sua mente quando você ouve a expressão ‘desigualdades sociais’? Liste-as a seguir: - - - 
- 
 
DESIGUALDADES SOCIAIS 
 
Pensando nas desigualdades sociais mais recorrentes no contexto brasileiro, observe as figuras 
apresentadas a seguir e escreva a temática central correspondente a cada uma delas, de acordo com sua 
opinião. 
 
 
 
 
 
Fonte: http://conteudoms.com/site/ver-conteudo/trabalho-infantil-em-6-anos-15.675-
menores-foram-vitimas-de-acidentes-de-tr 
 
 
 
Fonte:https://istoe.com.br/o-abandono-dos-idosos-no-brasil/ 
 
 
 
 
Fonte: http://www.cearaagora.com.br/site/fome-cai-no-brasil-em-dez-anos-aponta-relatorio-da-onu/ 
 
 
 
 
 
 
 
 
72 
TEXTO 01 
 
Leia o poema “O Bicho” de Manuel Bandeira e responda as perguntas subsequentes: 
 
O Bicho 
Manuel Bandeira 
 
Vi ontem um bicho 
Na imundície do pátio 
Catando comida entre os detritos. 
 
Quando achava alguma coisa, 
Não examinava nem cheirava: 
Engolia com voracidade. 
 
O bicho não era um cão, 
Não era um gato, 
Não era um rato. 
 
O bicho, meu Deus, era um homem. 
 
 
ATIVIDADE 
a) Ao concluir a leitura do poema, escreva um parágrafo sobre o impacto causado por ele. 
_____________________________________________________________________________ 
_____________________________________________________________________________ 
_____________________________________________________________________________ 
_____________________________________________________________________________ 
_____________________________________________________________________________ 
b) Por quê você imagina que a expressão “Meu Deus” foi usada para apresentar o homem como 
um bicho? Pense em mais exemplos desse uso e apresente-os. 
_____________________________________________________________________________ 
_____________________________________________________________________________ 
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________ 
_____________________________________________________________________________ 
c) Tendo o poema como referência e fazendo uso do imperativo2 em língua portuguesa, quais 
recomendações você poderia dar à população com relação aos temas: alimentação e higiene 
pessoal? Utilize as imagens do quadro a seguir para elaborar essas sentenças. 
 
 
 
 
 
73ATIVIDADE DE VÍDEO 
Assista ao curta (https://www.youtube.com/ 
watch?v=6Dp4ZAjRvCU) dirigido pelo cineasta e discuta, em grupo, 
as questões propostas. 
a) Comente a relação entre o título do documentário e possíveis 
sentimentos despertados pelo contexto apresentado. 
b) Considerando o contexto do vídeo, discuta e aponte a quais 
doenças os moradores da Ilha possivelmente estão expostos. 
c) Que comunidades ainda continuam a passar pelos problemas sociais descritos no vídeo? 
 
d) A partir dos cenários do documentário, qual relação pode ser estabelecida entre saúde e 
pobreza? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
74 
 
 
 
TEXTO 02 
 
Pobreza encurta a vida mais que obesidade, álcool e hipertensão 
 
Estudo critica a OMS por não incluir a desigualdade como fator ser combatido 
 
A evidência científica é robusta: a pobreza e a desigualdade social prejudicam 
seriamente a saúde. No entanto, as autoridades de saúde não dão a esses fatores sociais 
a mesma atenção que dedicam a outros quando tentam melhorar a saúde dos cidadãos. 
Um estudo sobre 1,7 milhão de pessoas, publicado pela revista médica The Lancet, traz 
de volta esse problema negligenciado: a pobreza encurta a vida quase tanto quanto o 
sedentarismo e muito mais do que a obesidade, a hipertensão e o consumo excessivo 
de álcool. O estudo é uma crítica às políticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), 
que não incluiu em sua agenda este fator determinante da saúde — tão importante ou 
mais do que outros que fazem parte de seus objetivos e recomendações. 
“O baixo nível socioeconômico é um dos mais fortes indicadores de morbidade e 
mortalidade prematura em todo o mundo. No entanto, as estratégias de saúde global 
não consideram as circunstâncias socioeconômicas pobres como fatores de risco 
modificáveis”, dizem os autores do estudo publicado pela The Lancet, cerca de trinta 
especialistas de instituições de prestígio como a Universidade de Columbia, o King’s 
College de Londres, a Escola de Saúde Pública de Harvard e o Imperial College de 
Londres. 
Seu trabalho se concentrou nos dados de 1,7 milhão de pessoas para analisar 
como o nível socioeconômico influi na saúde e na mortalidade em comparação com 
outros fatores mais convencionais, como o tabagismo ou a obesidade. O resultado está 
de acordo com estudos anteriores: a pobreza é um agente que afeta a saúde de forma 
tão sólida e consistente como o tabaco, o álcool, o sedentarismo, a hipertensão, a 
obesidade e o diabetes. Além disso, a capacidade de encurtar a vida é maior do que 
vários desses fatores. O baixo nível socioeconômico reduz a expectativa de vida em 
mais de 2 anos (2,1) em adultos entre 40 e 85 anos; o alto consumo de álcool reduz em 
meio ano; a obesidade encurta 0,7 ano; o diabetes reduz a expectativa de vida em 3,9 
anos; a hipertensão em 1,6 ano; o sedentarismo, 2,4 anos; e o pior, reduzindo a média 
de vida 4,8 anos, o hábito de fumar. 
A escolha desses fatores não é casual: são aqueles tomados pela OMS para 
combater as doenças não contagiosas no seu plano para reduzir sua incidência em 25% 
até 2025, o chamado objetivo 25x25. “Nossas descobertas sugerem que as estratégias 
e ações globais definidas no plano de saúde da OMS excluem de sua agenda um 
importante determinante da saúde”, criticam os pesquisadores, liderados por Silvia 
Stringhini, do Hospital Universitário de Lausanne. E acrescentam: “A adversidade 
socioeconômica deve ser incluída como fator de risco modificável nas estratégias de 
políticas de saúde locais e globais e no monitoramento do risco para a saúde”. 
Da mesma maneira que se pode promover o abandono do hábito de fumar ou 
o esporte entre a população, o artigo defende que o fator socioeconômico também 
pode ser modificado em todos os níveis, com intervenções como a promoção do 
 
 
75 
desenvolvimento na primeira infância, as políticas de redução da pobreza ou a 
melhoria no acesso à educação. Portanto, as estratégias de prevenção para as doenças 
crônicas estão equivocadas por não abordarem “poderosas soluções estruturais”. 
 
Não é ideologia, mas ciência 
 
“A força da evidência do efeito do nível social sobre a mortalidade, como exemplifica o estudo de 
Stringhini e seus colegas, agora é impossível de ignorar”, diz um comentário na The Lancet assinado por 
Martin Tobias, especialista do Ministério da Saúde da Nova Zelândia. Ele acrescenta: “Eles baseiam seu 
argumento não na ideologia política, mas na ciência rigorosa”. De acordo com o epidemiologista, ter baixo 
nível socioeconômico “significa ser incapaz de determinar o próprio destino, privado de recursos materiais 
e com oportunidades limitadas, que determinam tanto o estilo de vida quanto as oportunidades de vida”. 
O pesquisador espanhol Manuel Franco, que não participou do estudo, acredita que “é importante que os 
autores mostrem que o fator socioeconômico importa, e importa tanto quanto os apontados pela OMS”. 
“A evidência diz que a desigualdade mata. Estamos interessados na saúde do país, tanto na dos pobres 
quanto na dos ricos? Esse fator não é atacado porque não interessa”, diz Franco, epidemiologista da 
Universidade de Alcalá de Henares, especialista nos efeitos dos fatores sociais e ambientais sobre a saúde. 
Franco explica como nos países ricos (o estudo foi centrado em dados do Reino Unido, França, Suíça, 
Portugal, Itália, Estados Unidos e Austrália) há diferenças “insuportáveis” na expectativa de vida dentro 
da mesma cidade, como Barcelona, Madri, Glasgow ou Baltimore. “E a diferença não para de crescer: a 
expectativa de vida dos pobres não cresce como a dos ricos”, denuncia. E conclui: “Fazemos pesquisas 
para melhorar alguma coisa. Sabemos que existem fatores estruturais que prejudicam a saúde, mas as 
autoridades não querem atacá-los, preferem falar apenas dos fatores individuais: pratique esporte, não 
fume”. 
 
<Disponível em https://brasil.elpais.com/brasil/2017/01/31/ciencia/1485861765_197759.html. Acesso em 05/09/2017> 
ATIVIDADES 
1) De acordo com o texto, a pobreza e a desigualdade social prejudicam seriamente a saúde. Como 
médico(a) de família, escreva nas linhas a seguir quais podem ser os principais desafios para o 
desenvolvimento da atenção primária à saúde em contextos de desigualdade social? 
_________________________________________________________________________________ 
_________________________________________________________________________________ 
_________________________________________________________________________________ 
2) “Sabemos que existem fatores estruturais que prejudicam a saúde, mas as autoridades não querem 
atacá-los, preferem falar apenas dos fatores individuais”. Escreva nas linhas a seguir outros fatores 
referidos no texto. 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
 
 3) Em grupos de 5, leiam o texto 02 e anotem as informações mais relevantes. Na sequência, um dos 
membros do grupo deverá resumir e gravar em vídeo essas informações em forma de noticiário (de 3 
a 4 minutos). Apresente o vídeo para os colegas. 
 
76 
	
 
Revisão do uso do Imperativo 
 
 
 
 
77 
	
 
○8 
 
 
 
 
OBJETIVOS 
• Abordar necessidades mais comuns das mulheres em relação à saúde; 
• Promover discussão sobre o papel e o valor da mulher na sociedade brasileira; 
• Propiciar reflexões acerca das políticas públicas de apoio à mulher e sobre a importância de 
papel mais ativo dos profissionais de saúde na garantia do bem-estar da população feminina. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
78 
	
 
8 
 
SAÚDE DA MULHER 
 
RODA DE CONVERSA 
 
§ Quais são as necessidades de atendimento médico mais comuns das 
mulheres? 
§ A mulher no Brasil está bem amparada, no que diz respeito a suas 
demandas específicas de saúde? 
 
VOCÊ SABIA? 
 
A	expressão	dar	à	luz,	popularmente	utilizada	como	"dar	a	luz	a	alguém",	escreve-se	na	verdade	
com	crase	no	a	e	sem	preposição	depoisde	 luz,	pois	seu	significado	seria	dar	para	a	 luz,	entregar	
alguém	para	a	luz	(trazer	alguém	ao	mundo).		
Podemos	dizer,	portanto,	que	Ela	deu	à	luz	uma	linda	menina.	
	
Lembrando:	a	crase	é	a	junção	da	preposição	‘a’	com	o	artigo	feminino	‘a’.	Ela	quase	sempre	ocorre,	
portanto,	em	casos	em	que	há	uma	preposição	‘a’	seguida	de	palavra	feminina	com	artigo,	ou,	ainda,	
nos	casos	equivalentes	ao	‘a	la’	do	espanhol.	
	
Eu	fui	à	UBS	para	ser	atendido,	depois	fui	à	Clínica	da	Família	fazer	meu	cadastro.		
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
79 
	
 
 
 
 
 
 
ATIVIDADE DE VÍDEO 
 
O renascimento do parto 
 
Você	vai	assistir	ao	trailer	de	um	documentário	intitulado	“O	renascimento	do	parto”,	(https://www.	
youtube.com/watch?v=1zB-5ASFqm0).	Antes	de	assistir	a	esse	vídeo,	comente	com	o	professor	o	que	
você	acha	que	ele	retrata?		
	
ATIVIDADES	
Analisando	o	gráfico	a	seguir	e	considerando	o	vídeo	assistido,	responda	as	questões	propostas:	
	
 
 
 
 
 
1) A	cesariana	é	apontada	por	especialistas	como	algo	negativo	ou	positivo	para	a	saúde	da	mãe	e		
do	bebê?	Explique.	
	
2) Qual	a	crítica	que	se	faz	à	cesariana	programada?	
	
3) Uma	das	entrevistadas,	falando	sobre	o	problema	de	excesso	de	cesarianas,	menciona		
“interesses que se entrelaçam”. Na sua opinião, tendo em vista o vídeo e o gráfico, quais seriam 
esses	interesses?	Discorra.	
80 
	
	
TEXTO 02 
Machismo é questão de saúde pública, dizem mulheres reunidas em Brasília 
A	2ª	 Conferência	Nacional	 de	 Saúde	Pública	 das	Mulheres	 termina	 em	Brasília	 com	propostas	 para	
melhorar	o	atendimento	para	a	população	feminina	do	país	
A	2ª	Conferência	Nacional	de	Saúde	das	Mulheres	(CNSM)	terminou	neste	domingo	(20/8),	no	Centro	
de	Convenções	Ulysses	Guimarães,	com	uma	mensagem	clara:	machismo	mata	e	adoece,	e,	por	isso,	deve	
ser	 visto	 como	uma	questão	de	 saúde	pública.	Outro	 recado	dado	 em	alto	 e	 bom	som	pelas	1,8	mil	
delegadas	presentes	foi	a	disposição	de	cobrar	do	governo	ações	concretas	que	enfrentem	o	problema	e	
melhorem	o	atendimento	na	rede	pública	para	a	população	feminina.	
(...)	
“As	mulheres	têm	que	lutar	por	um	atendimento	melhor.	O	que	fizemos	aqui,	durante	a	conferência,	foi	
só	 mostrar	 como	 tem	 que	 ser	 esse	 atendimento”,	 comentou	 a	 coordenadora-geral	 do	 evento,	 a	
catarinense	 Carmem	 Lucia	 Luiz,	 que	 representa	 no	 CNS	 a	União	 Brasileira	 de	 Mulheres	 (UBM)	 e	 é	
enfermeira	 sanitarista	 com	 33	 anos	 de	 experiência.	 “Acredito	 que,	 no	 mínimo,	 tem	 de	 ser	 um	
atendimento	que	considere	o	segmento	ao	qual	cada	uma	pertence,	um	atendimento	mais	integral,	que	
veja	a	mulher	como	um	todo,	que	considere	e	respeite	a	diversidade	da	nossa	realidade”.	
Machismo	
Para	os	presentes,	 está	 claro	que	a	questão	de	gênero	está	 intimamente	 ligada	à	 saúde.	As	 relações	
desiguais,	 com	 a	 desvalorização	 da	 mulher,	 favorecem	 violências	 física	 ou	 psicológica,	 que	 causam	
depressão,	condições	de	subsistência	inadequadas,	lesões	corporais	e	morte.	De	acordo	com	os	dados	
da	Organização	Mundial	de	Saúde	(OMS)	presentes	no	Mapa	da	Violência	2015	-	Homicídios	de	Mulheres	
no	Brasil,	para	cada	grupo	de	100	mil	mulheres	brasileiras,	eram	4,8	assassinatos,	número	que	é	o	quinto	
pior	entre	os	dados	de	83	países.	Em	33%	desses	feminicídios,	ou	1.583	casos,	parceiros	ou	ex-parceiros	
foram	os	autores	—	são	quatro	dessas	mortes	por	dia	no	país.	
“Machismo	mata,	causa	doença,	vira	depressão,	ou	seja,	é	problema	de	saúde,	sim”,	diz	o	presidente	do	
Conselho	Nacional	de	Saúde	(CNS),	Ronald	Santos.	“Por	isso	é	importante	uma	política	pública	para	o	
enfrentamento	 do	 conjunto	das	 iniquidades”,	 argumenta	 o	 responsável	 pelo	 órgão	 do	Ministério	 da	
Saúde	(MS)	que	dá	diretrizes	para	o	Sistema	Único	de	Saúde	(SUS).	Essas	três	instituições	estão	à	frente	
da	organização	da	conferência,	que	terminará	amanhã	(domingo),	com	a	apresentação	de	um	relatório	
com	propostas	para	atualização	da	Política	Nacional	de	Atenção	Integral	à	Saúde	da	Mulher.	
(...)Fonte: Correio Braziliense 
	
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
81 
	
	
ATIVIDADES 
1) Deduza	com	seu	colega,	sem	a	ajuda	de	um	dicionário,	o	significado	dos	termos	destacados	
em	negrito.	Em	seguida,	assinale	as	alternativas	correspondentes	a	palavras	que	podem	substituir	
tais	termos	de	acordo	com	o	contexto:	
V. Segmento	
a)	porção			 	b)	divisão		 c)	retalho		 d)	parcela		
VI. Subsistência	
a) sustento b) sobrevivência c) existência d) duração 
VII. Iniquidades	
a)	injustiças	 b)	pecados	 	 c)	desigualdades	 d)	crueldades	
VIII. Integral	
a) global b) natural c) inalterado d) inteiro 
 
RODA DE CONVERSA 
 
“Acredito que, no mínimo, tem de ser um atendimento que considere o segmento ao 
qual cada uma pertence, um atendimento mais integral, que veja a mulher como um 
todo, que considere e respeite a diversidade da nossa realidade”. 
 
Em grupos, analisem, discutam e comentem essa afirmação. 
 
 
82 
	
 
ESCALA MUSICAL ♪ 
Maria da Penha 
Paulinho	Resende	e	Evandro	Lima		
Interpretada	por	Alcione	
	
Comigo	não,	violão	
Na	cara	que	mamãe	beijou	
“Zé	Ruela”	nenhum	bota	a	mão		
Se	tentar	me	bater	
Vai	se	arrepender	
Eu	tenho	cabelo	na	venta		
E	o	que	venta	lá,	venta	cá		
Sou	brasileira,	guerreira		
Não	tô	de	bobeira	
Não	pague	pra	ver	
Porque	vai	ficar	quente	a	chapa	
Você	não	vai	ter	sossego	na	vida,	seu	moço	
Se	me	der	um	tapa	
Da	dona	“Maria	da	Penha”		
Você	não	escapa	
	
O	bicho	pegou,	não	tem	mais	a	banca		
De	dar	cesta	básica,	amor	
Vacilou,	tá	na	tranca	
Respeito,	afinal,	é	bom	e	eu	gosto		
Saia	do	meu	pé	
Ou	eu	te	mando	a	lei	na	lata,	seu	mané		
Bater	em	mulher	é	onda	de	otário	
Não	gosta	do	artigo,	meu	bem		
Sai	logo	do	armário	
Não	vem	que	eu	não	sou	
Mulher	de	ficar	escutando	esculacho		
Aqui	o	buraco	é	mais	embaixo	
A	nossa	paixão	já	foi	tarde		
Cantou	pra	subir,	Deus	a	tenha		
Se	der	mais	um	passo	
Eu	te	passo	a	“Maria	da	Penha”		
Você	quer	voltar	pro	meu	mundo		
Mas	eu	já	troquei	minha	senha		
Dá	linha,	malandro	
Que	eu	te	mando	a	“Maria	da	Penha”		
Não	quer	se	dar	mal,	se	contenha		
Sou	fogo	onde	você	é	lenha	
Não	manda	o	seu	casco	
Que	eu	te	tasco	a	“Maria	da	Penha”		
Se	quer	um	conselho,	não	venha		
Com	essa	arrogância	ferrenha	
Vai	dar	com	a	cara	
Bem	na	mão	da	“Maria	da	Penha”	
	
	
	
	
	
	
	
83 
	
 
ATIVIDADES	
1) A	letra	da	música	possui	um	registro	de	língua	específico	e	repleto	de	expressões	idiomáticas.		
Que registro seria? 
	
	
	
2) Em	pequenos	grupos,	definam	as	expressões	 “tenho	cabelo	na	venta”,	“o	bicho	pegou”	e	 “aqui	o	
buraco	é	mais	embaixo”,	mantendo	um	vocabulário	popular,	de	fácil	compreensão.	
 
 
 
 
 
 
3) Na	sua	opinião,	a	linguagem	da	canção,	seu	tema	e	ritmo	atingem	o	público-alvo?	Explique.	
	
	
 
ATIVIDADE DE VÍDEO 
Drauzio Varella aborda no vídeo “A evolução no tratamento do câncer de 
mama” 
Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=kISem4pEQJI 
 
Após assistir o vídeo e considerando outubro como o mês de conscientização acerca do 
câncer de mama, em duplas ou trios, elaborem uma breve fala à sua comunidade sobre o tema. 
Leve em conta fatores de prevenção, conscientização, diagnóstico e tratamento, utilizando 
dados, exemplos práticos e uma linguagem sempre clara e acessível. 
	
 
 
 
 
 
 
 
 
84 
	
 
○9 
 
 
 
 
 
 
OBJETIVOS 
• Abordar meios de se comunicar com o público infantil de forma clara, objetiva e dinâmica; 
• Focalizar problemas de saúde gerados por alimentação inadequada; 
• Oportunizar o desenvolvimento de argumentação oral e escrita relacionada a saúde da criança; 
• Retomar o tema de ética médica focada em contexto da saúde da criança. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
85 
	
 
9 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 SAÚDE DA CRIANÇA 
 
RODA DE CONVERSA 
 
Qual o papel da alimentação na saúde da criança? Você acha que, no Brasil, as crianças têm 
bons hábitos alimentares ou acesso a uma alimentação adequada? 
Quais seriam as consequências disso (a curto e a longo prazo) na saúde dessas crianças?ATIVIDADE 
1) Você foi convidado pelo diretor de uma escola no município em que trabalha para dar 
uma palestra na rádio sobre o tema “Obesidade infantil”. O convite inclui a presença de 
outro colega da equipe da área de saúde. Com base nesse cenário, em duplas, 
desenvolvam as seguintes propostas: 
a) Qual colega da sua equipe de trabalho você convidaria. Por quê 
b) Em dupla, elaborem o roteiro da entrevista para uma apresentação hipotética na rádio 
da escola. 
 
86 
	
 
TEXTO O1 
A POBREZA E O CÉREBRO DAS CRIANÇAS 
Viver na pobreza coloca em risco o desenvolvimento do cérebro das crianças. Mais tarde, elas levam 
desvantagem nos testes de quociente intelectual, tendo mais dificuldade de intelecção de textos, de 
concentração e de autocontrole. O grupo de Kimberly Noble, da Universidade Colúmbia, está iniciando um 
estudo que pretende realizar testes cognitivos para avaliar a integridade de diversos circuitos cerebrais, do 
nascimento à adolescência, nas crianças nascidas em famílias mais pobres. 
Com essa finalidade, levantaram-se fundos para esse programa de pesquisa. Foram acompanhadas 
mil crianças americanas divididas em dois grupos: no primeiro, as mães receberam durante três anos a 
quantia mensal de U$ 333 para suplementar o orçamento doméstico; no outro, a suplementação foi de apenas 
U$ 20. Nos dois grupos foram aplicados testes periódicos para avaliar as habilidades cognitivas visuais e 
auditivas, além de outras envolvidas no aprendizado e na tomada de decisões. Foram analisados, também, 
aspectos da vida familiar, como os níveis de estresse, a qualidade dos relacionamentos e o uso dos recursos 
recebidos. 
De modo geral, as crianças das famílias mais pobres levaram desvantagem nos testes de linguagem 
e memória e nas capacidades de autocontrole e concentração. Esses resultados estão de acordo com os de 
outros grupos que encontraram nas crianças das camadas mais pobres alterações anatômicas em áreas do 
cérebro envolvidas na cognição, entre as quais uma diminuição de volume do hipocampo, estrutura essencial 
para a formação das memórias. 
Em trabalho publicado na revista Nature Neuroscience, Noble mostrou que, em 1.099 crianças 
americanas estudadas, o nível educacional dos pais e o salário da família estão associados às dimensões do 
córtex cerebral, a camada mais superficial, formada pelas reentrâncias e saliências que coordenam funções 
complexas: memória, linguagem, atenção, pensamento abstrato e consciência. Crianças mantidas com 
rendas familiares anuais abaixo de U$ 25 mil apresentaram áreas do córtex cerebral em média 6% menores 
do que aquelas criadas em famílias que vivem com mais de U$ 150 mil anuais. 
A associação entre renda familiar e volume de determinadas áreas é encontrada em diversas partes 
do cérebro, mas é mais pronunciada nos centros que governam a linguagem, o controle de impulsos e outras 
formas de autorregulação. O cérebro é o órgão que mais consome energia. No recém-nascido, 87% das 
calorias ingeridas são gastas por ele. Esse número cai para 44% aos cinco anos, 34% aos dez, e para 23% 
nos homens e 27% nas mulheres adultas. 
As diarreias e as infecções parasitárias da infância interferem com o equilíbrio energético, uma vez 
que prejudicam a absorção de nutrientes e obrigam o organismo a investir energia na reparação dos tecidos 
lesados e na mobilização do sistema imunológico para localizar e atacar os germes invasores. Aos três anos 
de idade, o cérebro da criança atingiu 80% das dimensões do adulto. Nessa fase, já existem mil trilhões de 
conexões entre os neurônios (sinapses), aparato essencial para que o desenvolvimento intelectual aconteça 
em sua plenitude. 
Dos 18 meses aos quatro anos de idade, a maturação do córtex pré-frontal acontece com velocidade 
máxima. Essa área, que coordena funções de altíssima complexidade, depende de estímulos cognitivos 
múltiplos e variados para formar novas sinapses e reforçar a arquitetura das já existentes. O estresse causado 
por ambientes domésticos conturbados interfere com a construção e a arquitetura das sinapses, deixando 
falhas duradouras no cérebro infantil. 
Estrutura cuja característica fundamental é a plasticidade, isto é, a capacidade de formar novas 
conexões neuronais para suprir as que se perderam ou nem chegaram a se formar, o cérebro adulto poderá 
se recuperar mais tarde. A reconstrução, no entanto, será um processo laborioso, lento e imperfeito. 
<Drauzio Varella. https://drauziovarella.com.br/drauzio/artigos/a-pobreza-e-o-cerebro-das-criancas> 
 
 
 
 
 
 
87 
	
 
ATIVIDADES 
 
1) De acordo com o estudo de Noble, as dimensões do córtex cerebral nas crianças analisadas estão associadas 
a duas causas. Quais são elas? 
 
2) Há características, citadas no texto, que afetam negativamente o desenvolvimento do cérebro de crianças mais 
pobres. Entre as características apresentadas a seguir, assinale quais foram apontadas no texto: 
 
( ) estresse familiar 
( ) hipoglicemia 
( ) diarreias e infecções parasitárias 
( ) anemia falciforme 
 
3) A partir da leitura do texto, produza um parágrafo, posicionando-se criticamente acerca da pobreza no Brasil 
e suas implicações no desenvolvimento cerebral das crianças. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
88 
	
 
 
TEXTO 02 
Leia o texto a seguir e desenvolva as atividades propostas: 
 
 
Obesidade influencia de diferentes formas no aprendizado de crianças, 
mostra estudo 
 
 
 
 
RODA DE 
CONVERSA 
 
O outro lado da moeda 
na alimentação infantil 
no Brasil é a obesidade. 
 
A que se devem os níveis 
alarmantes de obesidade 
infantil em nosso país? 
 
Quais fatores 
desencadeiam nas 
crianças a compulsão por 
comida? 
 
Em sua opinião, os pais 
são os únicos 
responsáveis pela 
obesidade infantil? 
 
Discuta essa questão 
com seu grupo e 
apresente seus 
argumentos aos demais 
colegas 
 
Pesquisa	da	Faculdade	de	Medicina	de	Ribeirão	Preto	(FMRP)	da	USP	mostra	
que	 a	 presença	 de	 obesidade	 infantil	 pode	 ter	 influência	 em	 algumas	 das	
habilidades	 cognitivas	necessárias	 ao	aprendizado.	 Já	 a	prática	de	atividades	
físicas	está	entre	os	fatores	que	protegem	a	cognição	das	crianças.	
O	estudo	da	fonoaudióloga	Patrícia	Aparecida	Zuanetti	analisou	habilidades	
importantes	para	o	aprendizado	de	crianças,	além	de	seus	níveis	de	 leitura	e	
escrita.	Entre	as	verificadas,	estão	memória	de	trabalho	fonológica,	consciência	
fonológica,	 atenção	 focada	e	 flexibilidade	cognitiva	e	a	nomeação	automática	
rápida.	
Entre	 as	 crianças	 estudadas,	 a	 obesidade	 teve	 influência	 em	 habilidades	
específicas.	 “Por	 exemplo,	 ela	 influenciou	 negativamente,	 ou	 seja,	 trouxe	 um	
prejuízo	nas	tarefas	de	flexibilidade	cognitiva,	que	é	a	capacidade	de	alternar	
entre	 estímulos	 diferentes”.	 Ao	 mesmo	 tempo,	 ela	 auxiliou	 positivamente	 a	
tarefa	de	memória	fonológica.	“Possivelmente	isso	acontece	porque,	apesar	de	
ser	uma	tarefa	que	avalia	a	memória	fonológica	de	curto	prazo,	ela	necessita	de	
uma	atenção	focada	em	somente	um	estímulo,	demonstrando	que	em	atividades	
de	 atenção	 focada	 ou	 atenção	 simples,	 essas	 crianças	 apresentam	 bom	
desempenho.	No	entanto,	quando	é	necessário	alternar	a	atenção	–	flexibilidade	
cognitiva	–	a	capacidade	de	resolver	tarefas	decai”.	
A	 fonoaudióloga	 ressalta,	 porém,	 que	 o	 adequado	 desenvolvimento	 da	
linguagem	 escrita	 é	 dependente	 de	 diversos	 fatores	 nutricionais,	 orgânicos,	
genéticos	e	da	estimulação	ambiental.	 “Recomenda-se	que	as	dificuldades	de	
aprendizagem	sejam	detectadas	o	mais	cedo	possível,	para	que	possa	haver	uma	
intervenção	adequada”,	enfatiza.	
A	 intervenção	 pode	 se	 basear	 na	 estimulação	 específica	 de	 habilidades	
alteradas,	como	por	exemplo,	terapia	fonoaudiológica.	“Também	é	importante	
orientar	pais	e	professores	sobre	como	estimular	a	capacidade	 linguística	da	
criança,	e	para	a	prática	de	atividade	física,	entre	outras”,	afirma	a	pesquisadora.	
“A	atividade	física	é	considerada	um	fator	protetorda	cognição	pois	permite	uma	
melhora	da	oxigenação	do	cérebro	e	provoca	outras	alterações	fisiológicas	que	
promovem	melhora	das	habilidades	cognitivas”,	destaca.	
A	 memória	 de	 trabalho	 fonológica,	 explica	 a	 pesquisadora,	 “é	um	 tipo	 de	
memória	 de	 curto	 prazo	 responsável	 por	 armazenar	 os	 estímulos	 verbais	
enquanto	 se	 realiza	 uma	 tarefa	 cognitiva,	 como	 por	 exemplo,	 guardar	 um	
número	de	telefone	até	conseguir	ligar	para	alguém”.	Na	realização	do	teste	de	
memória	fonológica,	as	crianças	precisaram	repetir	sequências	de	números	e	
palavras	sem	significado.	
A	consciência	fonológica	é	a	habilidade	de	refletir	a	respeito	dos	sons	da	fala,	
observando	 que,	 de	 acordo	 com	 a	manipulação	 destes	 sons,	 pode-se	 formar	
palavras	diferentes.	 “Por	exemplo,	 ‘dente’	 e	 ‘pente’	 rimam,	e	 como	 terminam	
sonoramente	iguais,	o	final	dessas	palavras	também	deve	ser	escrito	de	forma	
igual”.	 Na	 avaliação	 desta	 habilidade,	 as	 crianças	 realizaram	 tarefas	 de	
reconhecimento	de	rimas,	de	percepção	de	fonema	inicial	e	final	das	palavras	
ouvidas,	entre	outras.	
89 
 
 
Foi	analisada	ainda	a	flexibilidade	cognitiva,	que	é	a	capacidade	em	alternar	entre	dois	estímulos,	
conseguindo	focar	a	atenção	em	ambos	e	utilizar	cada	habilidade	de	acordo	com	o	necessário;	no	
teste,	 as	 crianças	 tinham	 de	 ligar	 números	 e	 letras	 em	 ordem	 alfabética	 e	 numérica	 de	 modo	
alternado.	
Também	fizeram	parte	 dos	 testes	 a	 atenção	 focada,	 que	 é	 a	 capacidade	de	manter	 o	 foco	 em	
somente	um	único	estímulo,	seja	este	auditivo,	visual	ou	de	outra	natureza;	e	a	nomeação	automática	
rápida,	relacionada	à	velocidade	de	processamento	–	o	tempo	que	uma	pessoa	leva	para	realizar	a	
tarefa	de	nomear	estímulos	visuais.	
O	 estudo	 aplicou	 testes	 validados	 e	 padronizados	 para	 a	 população	 brasileira.	 “Além	 das	
habilidades	abordadas	nesta	pesquisa,	 os	 testes	 avaliaram	a	 capacidade	de	 leitura	e	 escrita	das	
crianças”,	aponta	a	fonoaudióloga.	
Todas	as	crianças	analisadas	tinham	entre	8	e	12	anos	de	 idade,	14	delas	com	diagnóstico	de	
obesidade.	 “Esta	 condição	 era	 presente	 desde	 a	 primeira	 infância	 e	 elas	 continuavam	 obesas,	
mesmo	com	seguimento	médico	e	orientação	nutricional,	oferecidas	por	um	ambulatório	específico	
de	obesidade	infantil”,	relata	Patrícia.	O	outro	grupo	tinha	28	crianças	eutróficas,	ou	seja,	que	não	
apresentavam	obesidade,	vindas	de	escolas	municipais.	
A	pesquisa	foi	orientada	pela	professora	Marisa	Tomoe	Hebihara	Fukuda,	da	FMRP.	
Fonte: Júlio Bernardes.Jornal da USP 
 
ATIVIDADES 
1)	A	pesquisa	da	FMRP	mostrou	as	influências	da	obesidade	infantil	na	cognição	
das	crianças.	De	acordo	com	o	texto,	em	que	casos	elas	são	mais	acentuadas?	
_____________________________________________________________________________________________	
_____________________________________________________________________________________________	
_____________________________________________________________________________________________	
 
2) Segundo o texto, que fatores poderiam estar associados a uma criança que apresenta 
dificuldades ortográficas? 
_____________________________________________________________________________________________	
_____________________________________________________________________________________________	
_____________________________________________________________________________________________	
 
	
 
3) Quais outros problemas de saúde uma criança obesa pode desenvolver? 
	
_____________________________________________________________________________________________	
_____________________________________________________________________________________________	
_____________________________________________________________________________________________	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
90 
PRODUÇÃO ESCRITA 
	
Você foi convidado a escrever uma pequena notícia no jornal da sua cidade, recrutando 
os pais a levarem seus filhos para vacinação gratuita nos postos mais próximos. No texto, 
fale sobre a importância da vacinação infantil na saúde da criança e na prevenção de 
doenças, os riscos e consequências que envolvem o não-cumprimento da agenda de 
vacinas e destaque a facilidade e gratuidade do serviço. Atente-se à linguagem acessível 
à população 
 
91 
 
 
DEBATE 
 
Sob Pressão é uma série de televisão brasileira. Trata-se da rotina vivenciada por médicos em um 
hospital público. No oitavo episódio da série, uma menina chega em estado grave ao hospital e vai 
direto para cirurgia. A criança sofreu lesões no fígado e baço e, como perdeu muito sangue, precisará 
de transfusão. Todavia, um procedimento aparentemente simples não pode ser prontamente realizado, 
tendo em vista as seguintes questões: 
 
"Não, não pode de jeito nenhum. Nossa igreja não permite. 
Ela não pode receber sangue de outras pessoas." 
 
Foto: TV Globo 
 
Evandro faz de tudo para convencer os pais da pequena Kelly 
 
 
 
Foto: TV Globo 
PREPARAÇÃO 
 
Grupo dos jurados: O papel dos jurados, no decorrer da atividade, é elaborar critérios que devem 
ser utilizados para a atribuição (de 0 a 10) de notas com relação à performance dos debatedores. 
 
Grupo dos debatedores: O papel dos debatedores é apresentar argumentos bem fundamentados de 
acordo com o lado que deverão representar. 
 
 
92 
 
 
 
○10 
 
 
 
 
 
 
 
 
 OBJETIVOS 
 
 
 
 
• Oportunizar discussões acerca do envelhecimento e de condições de saúde física e mental 
do idoso no Brasil; 
• Favorecer a prática de interpretação de conteúdos textuais sobre tópicos de saúde. 
 
 
 
93 
 
 
 
 
 
 
 
 
 SAÚDE DO IDOSO 
 
De acordo com o Artigo 30 do Estatuto do Idoso: 
 
É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao 
idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à 
educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, dignidade, 
ao respeito e à convivência familiar e comunitária 
 
 
 
Diante do exposto, como profissional da saúde, quais são os principais cuidados para a 
efetivação do cumprimento dessa lei? 
 
 
 
 
 
De acordo com essas imagens e com base em itens do artigo 30 do Estatuto do Idoso, quais direitos 
não estão sendo atendidos? Discuta com seus colegas. 
 
10 
 
94 
 
 
Leia o texto 01 e realize as atividades propostas 
 
Abandono que adoece 
Paloma Oliveto 
 
Há	uma	cena	que	o	voluntário	José	Elias	Vieira	dos	Santos	já	se	habituou	a	ver.	Não	
que	se	acostume	com	a	ideia.	São	pessoas	chegando	ao	Lar	Samaritano,	uma	instituição	para	
idosos	em	Águas	Lindas	de	Goiás,	com	ordem	judicial.	“Como	o	Estatuto	do	Idoso	estabelece	
que	mais	de	30	dias	sem	visita	 já	é	abandono,	os	parentes	são	acionados	pelo	Ministério	
Público”,	explica	o	administrador	da	casa.	A	realidade	do	abrigo	localizado	no	Entorno	do	
Distrito	Federal	não	é	diferente	da	de	outras	cidades	e	países.	Com	o	aumento	da	expectativa	
de	vida,	o	mundo	observa	a	formação	de	um	exército	de	solitários.	
Embora	esse	sentimento	possa	recrutar	para	suas	fileiras	pessoas	de	qualquer	idade,	
o	idoso	está	na	linha	de	frente.	“Nessa	fase	da	vida,	ele	se	depara	com	situações	delicadas,	
como	a	perda	ou	o	afastamento	de	pessoas	queridas,	doenças,	aposentadoria,	perda	do	corpo	
jovem	e	da	 independência,	entre	outros”,	destaca	a	psicóloga	Cecília	Fernandes	Carmona,	
autora	do	artigo	A	experiência	de	solidão	e	a	rede	de	apoio	social	de	idosas,	publicado	na	
revista	 Psicologia	 em	 Estudo.	 “Esse	 é	 um	 período	 de	 muitas	 transformações,	 marcado	
especificamente	por	várias	perdas.	O	sentimento	de	solidão	pode	ser	percebido	como	mais	
agudo	pelo	idoso	por	ele	estar	passando	por	todas	as	vicissitudes	dessa	fase”,	explica.	
Nos	 últimos	 anos,	 diversos	 estudos	 têm	 apontado	 uma	 forte	 associação	 entre	 a	
solidão	e	a	incidência	de	doenças	crônicas	em	idosos.De	fato,	pesquisadores	da	Universidade	
de	Chicago	descobriram	que	o	isolamento	pode	aumentar	o	risco	de	morte	em	14%	nas	faixas	
etárias	mais	avançadas.	O	trabalho,	 liderado	pelo	psicólogo	e	especialista	no	assunto	John	
Cacioppo,	 descobriu	 que	 o	 estresse	 provocado	 por	 essa	 sensação	 induz	 respostas	
inflamatórias	nas	células,	afetando,	entre	outras	coisas,	a	produção	dos	leucócitos,	estruturas	
que	defendem	o	organismo	de	infecções.	
Uma	 outra	 pesquisa,	 da	 Universidade	 de	 Brigham	 Young,	 publicada	 na	 revista	
especializada	Perspectives	on	Psychological	Science,	comparou	estatísticas	de	mortalidade	
e	constatou	que	a	solidão	é	tão	prejudicial	à	saúde	quanto	fumar	15	cigarros	por	dia	ou	ser	
alcoólico.	 Recentemente,	 a	 revisão	 de	 23	 artigos	 científicos	 levou	 pesquisadores	 da	
Universidade	 de	 York	 a	 concluir	 que	 a	 solidão	 aumenta	 em	 29%	 o	 risco	 de	 doenças	
coronarianas	e	em	32%	o	de	acidentes	vasculares.	 “Intervenções	 focadas	na	solidão	e	no	
isolamento	 social	 podem	 ajudar	 a	 prevenir	 duas	 das	 principais	 causas	 de	 morte	 e	
incapacidade	em	países	de	renda	alta”,	alertaram	os	autores.	
	
	
Combate	ao	Isolamento	
	
Se,	no	corpo,	esse	exílio	social	causa	estragos,	na	mente	ele	pode	ser	devastador.	“A	
solidão	 tende	 a	 ser	 vista	 como	 um	 fato	 isolado,	 passageiro,	 sendo	 até	 mesmo	 mal	
interpretada	como	 ‘frescura’	ou	excesso	de	sensibilidade,	quando,	na	verdade,	é	um	tema	
delicado	e	importante,	que	pode	estar	atrelado	a	outras	condições	e	quadros”,	observa	Cecília	
Fernandes	Carmona.	“Quando	não	trabalhada,	ela	pode	evoluir	para	um	quadro	mais	grave,	
como	depressão,	levando	até	ao	suicídio”,	alerta.	
95 
 
 
Diante	desses	riscos,	alguns	países	têm	desenvolvido	programas	de	combate	à	solidão	
na	terceira	idade.	Na	Inglaterra,	onde	17,7%	da	população	tem	mais	de	65	anos	—	percentual	
que	 deve	 aumentar	 para	 24,3%	 em	 2039	 —,	 já	existem	 campanhas	 nacionais,	 como	 a	
EndLoneliness.	O	país	também	lançou	um	serviço	pioneiro:	um	0800	que	recebe	ligações	de	
pessoas	mais	velhas	e	solitárias.	O	relatório	de	atividades	de	2016	diz	que	são	feitas	1,4	mil	
chamadas	por	dia	de	idosos	que,	de	outra	maneira,	não	teriam	com	quem	conversar.	
Para	a	médica	gerontóloga	Zaida	Azeredo,	autora	de	diversos	livros	e	pesquisas	sobre	
idosos,	 é	 urgente	 investir	 em	 espaços	 de	 lazer	 e	 de	 interação	 social,	 além	 de	 planos	
educativos	de	longo	prazo.	“Esses	são	fatores	preventivos	da	solidão”,	afirma.	No	ano	passado,	
ela	publicou	o	artigo	Solidão	na	perspectiva	do	 idoso	na	Revista	Brasileira	de	Geriatria	e	
Gerontologia,	descrevendo	um	estudo	que	fez	com	73	idosos	frequentadores	de	centros	de	
convivência	de	Viseu,	em	Portugal.	Quando	perguntados	como	a	sensação	de	estar	só	poderia	
ser	 diminuída,	 28,8%	 elegeu	 passeios;	 16,4%	 citou	 atividades,	 como	 ginástica,	 dança	 e	
trabalhos	manuais.	Quinze	por	cento	escolheu	a	resposta	“família	estar	mais	presente/não	
abandonar	o	idoso”.	(...)	
A	 importância	 do	 apoio	 familiar	 também	 foi	 constatada	 pela	 psicóloga	 Cecília	
Fernandes	Carmona,	que	entrevistou	mulheres	de	62	a	80	anos	em	Uberaba,	no	Triângulo	
Mineiro.	De	acordo	com	ela,	ao	explicar	o	que	 leva	à	solidão,	as	 idosas	destacaram	que	o	
problema	 não	 é	 estar	 só.	 “O	 tempo	 em	 que	 se	 está	 sozinho	 pode	 se	 constituir	 como	 um	
momento	de	dedicação	pessoal,	 ou	 seja,	um	período	no	qual	 se	pode	 fazer	 coisas	de	que	
gosta,	que	trazem	bem-estar”,	esclarece.	Mas	isso	só	acontece	quando	o	idoso	tem	certeza	da	
força	de	seus	vínculos	sociais.	“O	apoio	e	a	presença	de	familiares	e	amigos	foram	um	forte	
fator	de	proteção	contra	o	sentimento	de	solidão.	Uma	vez	que	o	idoso	se	percebe	amparado	
e	bem	atendido,	ele	sente	mais	confiança	em	estar	sozinho”.	
	
Fonte: http://especiais.correiobraziliense.com.br/solidao-maltrata-o-cor-po-e-a-mente-dos-idosos 
 
 
ATIVIDADES 
 
1) Segundo	a	autora,	quais	situações	contribuem	para	que	o	idoso	sinta	muita	solidão?	
_____________________________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________________________	
	
2) No	texto,	a	frase	“a	solidão	é	tão	prejudicial	à	saúde	quanto	fumar	15	cigarros	por	dia	ou	ser	
alcoólico”	é	polêmica.	Explique-a	e	dê	sua	opinião.	
_____________________________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________________________	
	
	
96 
 
 
	
3) Explique,	em	suas	palavras,	qual	relação	pode	ser	estabelecida	entre	o	tempo	sozinho	como	
algo	saudável	e	a	presença	dos	familiares	na	vida	do	idoso.	
_____________________________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________________________	
 
 
 
4) Que	outras	 soluções	poderiam	ser	pensadas	para	melhorar	 a	qualidade	de	vida	do	 idoso?	
Liste-as.	
	
§ 	
§ 	
§ 	
§ 	
§ 	
§ 	
 
5) A	solidão	na	terceira	idade,	segundo	o	texto,	tem	a	renda	familiar	como	fator	decisivo	ou	é	um	
problema	global?	Explique.	
____________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________	
	
RODA DE CONVERSA 
Em grupos, discutam as seguintes questões: 
a) O que é envelhecer? 
b) Quais são os medos e aflições de quem envelhece? 
c) Quais são as possíveis relações entre envelhecimento e estética? 
97 
 
 
 
ATIVIDADE DE VÍDEO 
Acesso em: https://globoplay.globo.com/v/2563519/ 
Na sequência você vai assistir duas partes de uma cena de um vídeo que trata do tema da violência 
contra o idoso. Uma das convidadas do programa afirma que esse tipo de violência é um crime, nomeando-
a de “violência psicológica”. Como profissional da área de saúde, discuta: 
 
a) Qual sua compreensão sobre esse tipo de crime? 
b) Após assistir a segunda parte do vídeo, qual análise você faria da sua compreensão apresentada na 
resposta do item a. 
c) Que orientações deveriam ser dadas aos pacientes que procuram atendimento médico para reportar 
situações semelhantes às da cena apresentada. 
 
TEXTO 03 
Leia o texto 03 e realize as atividades propostas 
 
A arte de envelhecer 
 
O	envelhecimento	é	sombra	que	nos	acompanha	desde	a	concepção:	o	feto	de	seis	meses	é	muito	
mais	velho	do	que	o	embrião	de	cinco	dias.	
	
Lidar	com	a	inexorabilidade	desse	processo	exige	uma	habilidade	na	qual	nós	somos	inigualáveis:	
a	adaptação.	Não	há	animal	capaz	de	criar	soluções	diante	da	adversidade	como	nós,	de	sobreviver	
em	nichos	ecológicos	que	vão	do	calor	tropical	às	geleiras	do	Ártico.	
	
A	exaltação	da	juventude	como	o	período	áureo	da	existência	humana	é	um	mito	das	sociedades	
ocidentais.	Confinar	aos	jovens	a	publicidade	dos	bens	de	consumo,	exaltar	a	estética,	os	costumes	
e	os	padrões	de	comportamento	característicos	dessa	faixa	etária	tem	o	efeito	perverso	de	insinuar	
que	o	declínio	começa	assim	que	essa	fase	se	aproxima	do	fim.	
	
A	 ideia	de	 envelhecer	 aflige	mulheres	 e	 homens	modernos,	muito	mais	 do	que	 afligia	 nossos	
antepassados.	Sócrates	tomou	cicuta	aos	70	anos,	Cícero	foi	assassinado	aos	63,	Matusalém	sabe-
se	lá	quantos	anos	teve,	mas	seus	contemporâneos	gregos,	romanos	ou	judeus	viviam	em	média	30	
anos.	 No	 início	 do	 século20,	 a	 expectativa	 de	 vida	 ao	 nascer	 nos	 países	 da	 Europa	 mais	
desenvolvida	não	passava	dos	40	anos.	
	
Os	que	estão	vivos	agora	têm	boa	chance	de	passar	dos	80.	Se	assim	for,	é	preciso	sabedoria	para	
aceitar	que	nossos	atributos	se	modificam	com	o	passar	dos	anos.	Que	nenhuma	cirurgia	
devolverá	aos	60	o	rosto	que	tínhamos	aos	18,	mas	que	envelhecer	não	é	sinônimo	de	decadência	
98 
 
 
física	para	aqueles	que	se	movimentam,	não	fumam,	comem	com	parcimônia,	exercitam	a	cognição	
e	continuam	atentos	às	transformações	do	mundo.	
	
Considerar	 a	 vida	 um	 vale	 de	 lágrimas	 no	 qual	 submergimos	 de	 corpo	 e	 alma	 ao	 deixar	 a	
juventude	é	torná-la	experiência	medíocre.	Julgar,	aos	80	anos,	que	os	melhores	foram	aqueles	dos	
15	aos	25	é	não	levar	em	conta	que	a	memória	é	editora	autoritária,	capaz	de	suprimir	por	conta	
própria	as	experiências	traumáticas	e	relegar	ao	esquecimento	inseguranças,	medos,	
desilusões	afetivas,	riscos	desnecessários	e	as	burradas	que	fizemos	nessa	época.	
	
Ainda	que	maldigamos	o	envelhecimento,	é	ele	que	nos	traz	a	aceitação	das	ambiguidades,	das	
diferenças,	do	contraditório	e	abre	espaço	para	uma	diversidade	de	experiências	com	as	quais	nem	
sonhávamos	anteriormente.	
<Drauzio Varella. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarel-la/2016/01/1732457-a-arte-de-envelhecer.shtml> 
 
ATIVIDADES 
 
1) Segundo	o	autor,	qual	a	qualidade	principal	do	ser	humano	para	lidar	com	o	
envelhecimento	que	é	algo	inevitável?	Comente.	
	
2) Em	 nossa	 sociedade,	 quais	 situações	 conflituosas	 podem	 ser	 ocasionadas	
entre	o	público	jovem	e	o	público	idoso?	
	
3) De	 acordo	 com	 o	 texto,	 quais	 condutas	 deveríamos	 ter	 para	 retardar	 o	
envelhecimento?	
	
4) Para	o	autor	do	texto,	a	nostalgia	parece	ser	algo	negativo	na	terceira	idade.	
Qual	sua	opinião	sobre	esse	ponto	de	vista?	
 
5) Você	acredita	que	o	envelhecimento	poderia	 trazer	benefícios	ao	 indivíduo?	
Em	caso	afirmativo,	quais	seriam	eles?	
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
99 
 
 
ATIVIDADE DE VÍDEO 
Você	 vai	 assistir	 ao	 trailer	 (https://www.youtube.com/	 watch?v=XRdRP7yKsHE&t=0s)	 de	 um	
documentário	chamado	“Envelhescência:	um	novo	olhar	sobre	o	envelhecimento”.	Antes	de	assisti-lo,	
pense	no	título	do	filme:	
a)	 Por	 quê	 você	 acredita	 que	 a	 palavra	 “envelhescência”	 foi	 usada	 no	 lugar	 da	 palavra	
“envelhecimento”?		
b)	Em	sua	compreensão	e	de	acordo	com	o	vídeo,	essa	alteração	causa	algum	efeito	de	sentido?	
	
Após	assistir	ao	vídeo,	discuta	com	os	colegas.	
	
1) Os	entrevistados	possuem	hábitos	ditos	como	típicos	de	pessoas	mais	jovens.	Todos	começaram	
suas	práticas	ainda	jovens?	Exemplifique.	
2) Na	sua	opinião,	hábitos	como	os	dos	entrevistados	são	saudáveis	em	qualquer	idade,	para	qualquer	
pessoa?	Quais	seriam	os	riscos	e	benefícios	de	tais	hábitos	na	terceira	idade?	
3) No	vídeo,	menciona-se	que	estamos	nos	preparando	para	uma	nova	forma	de	vivenciar	a	terceira	
idade.	Que	forma	seria	essa?	
	
	
JANELA DE INTERAÇÃO 
Você	está	em	seu	consultório	e	recebe	pela	primeira	vez	um	paciente	na	terceira	idade	que	é	
hipertenso,	solitário	e	deprimido.	Ele	reclama	que	gostaria	de	ser	mais	ativo,	mas	não	tem	muitas	
perspectivas	e	está	piorando	de	saúde.	Possui	hábitos	saudáveis,	toma	os	remédios	corretamente,	mas	
ainda	assim	não	apresenta	uma	melhora	satisfatória.	
	
Sente-se	com	um	colega	e	elabore	uma	consulta	completa,	registrando-a	em	forma	de	diálogo,	com	
anamnese,	encaminhamento	e	recomendações.	Leve	em	consideração	a	baixa	escolaridade	e	dificuldade	
de	compreensão	do	paciente,	bem	como	sua	fragilidade	emocional.	Em	duplas,	após	a	discussão,	
apresente	seu	diálogo	aos	colegas,	fazendo	os	papéis	do	paciente	e	do	médico.	
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Imagem da capa: Creative 
Commons. 
FICO, Fernando, QUINTANA, Tábata & COUTO, Pedro. 
Português e saúde em movimento. 1. ed. Brasília: Ministério da 
Educação,2017.101p.

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