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0 3ª edição Revisada e Ampliada Nelson Viana Patrícia de Oliveira Lucas Tábata Quintana Yonaha SOBRE OS AUTORES Fernando Fico é graduado em Letras pela Universidade Federal Fluminense e especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tábata Quintana Yonaha é graduada em Letras pela Universidade de Brasília, mestra em Linguística Aplicada pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Universidade de Brasília e doutoranda em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos. Pedro Couto é graduado em Letras pela Universidade de Brasília e mestre e doutorando em Literatura e Práticas Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Literatura da Universidade de Brasília. Nelson Viana é graduado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC), mestre em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Doutor em Linguística Aplicada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Patrícia de Oliveira Lucas é graduada em Letras – Português Inglês pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), mestre em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Doutora em Linguística pela UFSCar, com estágio de doutoramento na Universidade de Michigan (U of M), Estados Unidos. Português & Saúde em movimento Bem vindo/a! Esperamos que você encontre aqui uma oportunidade de (re)aproximação com a língua portuguesa em seu contexto profissional. Elaboramos as unidades deste material a fim de auxiliar o/a professor/a de português do Módulo de Acolhimento e Avaliação do Projeto Mais Médicos para o Brasil, promovido pelo Ministério da Saúde e pelo Ministério da Educação. As dez propostas temáticas apresentam a linguagem relacionada a temas importantes da prática médica no contexto da Atenção Básica no Sistema Único de Saúde Brasileiro (SUS). Um dos principais objetivos é refletir sobre como a linguagem pode contribuir para uma interação médico-paciente de maneira mais satisfatória e humanizada. O material é composto de atividades baseadas em textos multimodais e as estruturas linguísticas apresentadas cumprem o propósito de auxiliar no desenvolvimento da compreensão e da produção textual em língua portuguesa, mais especificamente para o cotidiano médico. Enfatizamos que este material foi desenvolvido considerando-se a linguagem como prática social e mediadora no contexto da interação. Desse modo, ele poderá ser utilizado também como suporte a profissionais da área da linguagem. Assim, esperamos que este material não seja utilizado apenas como um guia de instruções e conhecimentos prontos e acabados, já que trata-se de uma ferramenta em constante mudança e reflexão da prática dialógica entre docentes e discentes. Setembro de 2017: Os autores, Fernando Fico, Pedro Couto e Tábata Quintana Março de 2018: Nelson Viana, Patrícia Lucas e Tábata Quintana. Novembro de 2018: Nelson Viana, Patrícia Lucas e Tábata Quintana Sumário VARIAÇÃO LINGUÍSTICA .............................................................................................................................2 DIVERSIDADES ..............................................................................................................................................17 SAÚDE MENTAL ............................................................................................................................................24 ESTILO DE VIDA ............................................................................................................................................37 ÉTICA & DIREITOS HUMANOS .................................................................................................................47 IST`S E AIDS ....................................................................................................................................................56 DESIGUALDADES SOCIAIS .........................................................................................................................71 SAÚDE DA MULHER ......................................................................................................................................78 SAÚDE DA CRIANÇA ....................................................................................................................................85 SAÚDE DO IDOSO ..........................................................................................................................................93 1 ○1 OBJETIVOS • Expor panoramicamente algumas diversidades linguísticas do Brasil; • Proporcionar discussões sobre a variedade de formas e expressões linguísticas; • Auxiliar para sensibilização sobre “preconceito linguístico”; • Apresentar diferentes gêneros textuais da área médica para abordar habilidades de compreensão e interpretação. 2 1 TEXTO 01 VARIAÇÃO LINGUÍSTICA RODA DE CONVERSA Qual dessas palavras se usa em sua região? Macaxeira? Mandioca? Aipim? Bala? Confeito? Queimado? Pernilongo? Carapanã? Mosquito? Muriçoca? Diversidade do português brasileiro As línguas do mundo não são homogêneas, exibindo uma grande diversidade. Isso porque locutor e interlocutor atuam em diferentes espaços sociais, concretamente configurados, o que se reflete no material utilizado. Imagine uma pessoa conversando com outra, ou escrevendo para ela sobre determinado assunto. Depois de algumas palavras, analisando sua linguagem, é possível identificar as características sociais dos falantes (sua origem geográfica, nível sociocultural, idade), o canal que selecionaram (fala espontânea, fala formalizada). A linguagem dos brasileiros não é absolutamente idêntica, apresentando mais de um ponto de variação. O resultado dessas observações mostrará que o português brasileiro é uma língua heterogênea, como qualquer outra, pois está submetida a uma natural diversidade. É possível avaliar essa diversidade a partir dos seguintes parâmetros: (1) variação geográfica; (2) variação sociocultural; (3) variação individual; (4) variação de canal; (5) variação temática. Cada uma dessas variações, por sua vez, é organizada por um conjunto de usos linguísticos considerados relevantes para sua caracterização. Esses usos são tecnicamente conhecidos como variantes. Como isso, entende-se por variação a manifestação concreta das variantes, e por variedade a soma das variações. CASTILHO, Ataliba T. de & ELIAS, Vanda Maria. Pequena Gramática do Português Brasileiro. São Paulo: Contexto, 2012. ATIVIDADE DE VÍDEO Depois de assistir ao vídeo (https://youtu.be/ flOhPXEPW9c) da unidade, reponda as perguntas: a) Segundo a reportagem, quais são os estados em que mais se “chia” no Brasil? Quais são o primeiro e segundo lugares, respectivamente? b) Qual a explicação dos especialistas sobre a origem do “s” chiado? De onde ele veio? c) “Manezinho” é denominação dada a que grupo de pessoas? 3 TEXTO 02 A mitologia do preconceito linguístico Parece haver cada vez mais, nos dias de hoje, uma forte tendência a lutar contra as mais variadas formas de preconceito, a mostrar que eles não têm nenhum fundamento racional, nenhuma justificativa, e que são apenas o resultado da ignorância, da intolerância ou da manipulação ideológica. Infelizmente, porém, essa tendência não tem atingido um tipo de preconceito muito comum na sociedade brasileira: o preconceito linguístico. Muito pelo contrário, o que vemos é esse preconceito ser alimentado diariamente em programas de televisão e de rádio, em colunas de jornale revista, em livros e manuais que pretendem ensinar o que é “certo” e o que é “errado” sem falar, é claro, nos instrumentos tradicionais de ensino da língua: a gramática normativa e os livros didáticos. O preconceito linguístico fica bastante claro numa série de afirmações que já fazem parte da imagem (negativa) que o brasileiro tem de si mesmo e da língua falada por aqui. Outras afirmações são até bem-intencionadas, mas mesmo assim compõem uma espécie de “preconceito positivo”, que também se afasta da realidade. Vamos examinar algumas dessas afirmações falaciosas e ver em que medida elas são, na verdade, mitos e fantasias que qualquer análise mais rigorosa não demora a derrubar. Estou convidando você, a partir de agora, a fazer junto comigo um pequeno passeio pela mitologia do preconceito linguístico. Quando o passeio acabar, isto é, quando tivermos terminado de examinar os principais mitos, vamos tentar refletir juntos para encontrar os meios mais adequados de combater esse preconceito no nosso dia a dia, na nossa atividade pedagógica de professores em geral e, particularmente, de professores de língua portuguesa. Marcos Bagno. Preconceito Linguístico: o que é e como se faz. 49. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2007. (Adaptado) COMPREENSÃO É uma habilidade textual de entender e verificar as informações explícitas, literais, de uma determinada mensagem. Tem caráter objetivo. 4 ATIVIDADES 01) Com base no texto, julgue os itens a seguir como V (verdadeiro) ou F (falso): a) ( ) Ignorância, tolerância e/ou manipulação fazem parte da justificativa social do preconceito linguístico. b) ( ) A tendência de combate aos diversos tipos de preconceito vale apenas para o denominado preconceito linguístico. c) ( ) A mídia e os livros didáticos contribuem para a disseminação do preconceito linguístico. d) ( ) O brasileiro, na opinião de Bagno, possui uma imagem positiva sobre si mesmo. e) ( ) O conjunto de mensagens sobre a realidade linguística brasileira apresenta uma série de raciocínios falaciosos e mitologias fantásticas. 5 TEXTO COMPLEMENTAR “A língua portuguesa falada no Brasil apresenta uma unidade surpreendente” ( Mito n° 1) Este é o maior e o mais sério dos mitos que compõem a mitologia do preconceito linguístico no Brasil. Ele está tão arraigado em nossa cultura que até mesmo intelectuais de renome, pessoas de visão crítica e geralmente boas observadoras dos fenômenos sociais brasileiros, se deixam enganar por ele. Existe também toda uma longa tradição de estudos filológicos e gramaticais que se baseou, durante muito tempo, nesse (pre)conceito irreal da “unidade linguística do Brasil”. Esse mito é muito prejudicial à educação porque, ao não reconhecer a verdadeira diversidade do português falado no Brasil, a escola tenta impor sua norma linguística como se ela fosse, de fato, a língua comum a todos os 160 milhões de brasileiros, independentemente de sua idade, de sua origem geográfica, de sua situação socioeconômica, de seu grau de escolarização etc. Ora, a verdade é que no Brasil, embora a língua falada pela grande maioria da população seja o português, esse português apresenta um alto grau de diversidade e de variabilidade, não só por causa da grande extensão territorial do país — que gera as diferenças regionais, bastante conhecidas e também vítimas, algumas delas, de muito preconceito —, mas principalmente por causa da trágica injustiça social que faz do Brasil o segundo país com a pior distribuição de renda em todo o mundo. São essas graves diferenças de status social que explicam a existência, em nosso país, de um verdadeiro abismo linguístico entre os falantes das variedades não-padrão do português brasileiro — que são a maioria de nossa população — e os falantes da (suposta) variedade culta, em geral mal definida, que é a língua ensinada na escola. Como a educação ainda é privilégio de muito pouca gente em nosso país, uma quantidade gigantesca de brasileiros permanece à margem do domínio de uma norma culta. Assim, da mesma forma como existem milhões de brasileiros sem terra, sem escola, sem teto, sem trabalho, sem saúde, também existem milhões de brasileiros sem língua. Afinal, se formos acreditar no mito da língua única, existem milhões de pessoas neste país que não têm acesso a essa língua, que é a norma literária, culta, empregada pelos escritores e jornalistas, pelas instituições oficiais, pelos órgãos do poder — são os sem-língua. É claro que eles também falam português, uma variedade de português não- padrão, com sua gramática particular, que no entanto não é reconhecida como válida, que é desprestigiada, ridicularizada, alvo de chacota e de escárnio por parte dos falantes do português-padrão ou mesmo daqueles que, não falando o português-padrão, o tomam como referência ideal — por isso podemos chamá-los de sem-língua. O fato de no Brasil o português ser a língua da imensa maioria da população não implica, automaticamente, que esse português seja um bloco compacto, coeso e homogêneo. Na verdade, como costumo dizer, o que habitualmente chamamos de português é um grande “balaio de gatos”, onde há 6 gatos dos mais diversos tipos: machos, fêmeas, brancos, pretos, malhados, grandes, pequenos, adultos, idosos, recém-nascidos, gordos, magros, bem- nutridos, famintos etc. Cada um desses “gatos” é uma variedade do português brasileiro, com sua gramática específica, coerente, lógica e funcional. É preciso, portanto, que a escola e todas as demais instituições voltadas para a educação e a cultura abandonem esse mito da “unidade” do português no Brasil e passem a reconhecer a verdadeira diversidade linguística de nosso país para melhor planejarem suas políticas de ação junto à população amplamente marginalizada dos falantes das variedades não-padrão. O reconhecimento da existência de muitas normas linguísticas diferentes é fundamental para que o ensino em nossas escolas seja consequente com o fato comprovado de que a norma linguística ensinada em sala de aula é, em muitas situações, uma verdadeira “língua estrangeira” para o aluno que chega à escola proveniente de ambientes sociais onde a norma linguística empregada no quotidiano é uma variedade de português não padrão. Marcos Bagno. Preconceito Linguístico: o que é e como se faz. 49. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2007. (Adaptado) . ATIVIDADES Enumere os temas, tópicos e argumentos (desenvolvimento lógico) na ordem em que aparecem no texto e, em seguida, produza uma síntese de 8 a 10 linhas. [ ] O mito da unidade do Português brasileiro. [ ] Reconhecimento da autêntica diversidade linguística brasileira [ ] Grau de alta diversidade do português brasileiro devido a vários critérios: extensão territorial e injustiça social. [ ] Tradição filológica e gramatical baseou-se no mito da unidade do português. [ ] Porcentagem elevada de brasileiros à margem da norma culta: os sem- língua. [ ] Português como um balaio de gatos 1 2 3 4 5 6 INTERPRETAÇÃO É uma habilidade textual de apresentação de hipóteses. Tem caráter subjetivo e depende de referências extraliterais, que não constam no texto. 7 Leia e atente para as diferenças de uso do Português nos trechos das letras de música a seguir: 8 TEXTO 04 Médico debocha de paciente na internet: ‘Não existe peleumonia’ Médico e duas funcionárias foram afastados após postagem em rede social. Um médico plantonista no Hospital Santa Rosa de Lima, em Serra Negra (SP), foi afastado do trabalho após ter uma foto sua publicada numa rede social com o título “Uma imagem fala mais que mil palavras”. Na foto, Guilherme Capel Pasqua mostra o receituário médico com o seguinte dizer: “Não existe peleumonia e nem raôxis”.Vinte minutos antes da postagem, na quarta-feira (27), o médico havia atendido o mecânico José Mauro de Oliveira Lima, 42 anos, que estudou até o segundo ano do ensino fundamental e não sabe como falar corretamente algumas palavras. Seu enteado, o eletricista Claudemir Thomaz Maciel da Silva, de 25 anos, o acompanhava na consulta e revela que, assim que souberam o diagnóstico, o mecânico perguntou sobre o tratamento para a “peleumonia”. A reação do médico não foi muito profissional, afirma Claudemir. “Quando meu padrasto falou pneumonia e raios X de forma errada, ele deu risada. Na hora, não desconfiamos que ele iria debochar depois na internet. O que ele fez foi absurdo. O procurei e escrevi para ele na rede social que, independente dele ser doutor, não existe faculdade para formar caráter. Assim que ele viu minha postagem, apagou a foto. Ele não quis conversar com a gente”, diz Claudemir. “Quando meu padrasto falou pneumonia e raios X de forma errada, ele deu risada. Na hora, não desconfiamos que ele iria debochar depois na internet. O que ele fez foi absurdo. O eletricista conta que o padrasto ainda não sabe que virou assunto na internet e teme pela reação dele. Claudemir diz que o mecânico não pôde estudar por falta de dinheiro. “Meu padrasto não sabe falar direito porque não teve estudo. Ele vai ficar muito triste quando souber o que aconteceu, estamos evitando contar, mas ele vai acabar descobrindo. Ele trabalhava como cozinheiro aqui em Serra Negra e depois se tornou mecânico. Lembro que ele estudava, mas precisou abandonar as aulas para cuidar de mim. Tive tuberculose aos dois anos e, nessa época, ou ele estudava ou pagava meus remédios”, lembra. Outros parentes e amigos da família ficaram indignados com a postagem do médico e começaram a reproduzir a foto. “Não podemos aceitar esse tipo de pessoa se julgando melhor do que outras pessoas que estão convalescente e não teve a mesma escolaridade que um cidadão que se julga melhor que outros seres humanos por causa de seu diploma, volta pra sua faculdade e aprende um pouco mais sobre Ética e cidadania (sic)”, reclamou um morador. “Os pacientes têm que ser tratados com respeito, poderia ter sido com alguém da minha família. As pessoas não têm obrigação de saber falar direito, na maioria das vezes, são pessoas humildes, com dor e não estão preocupadas se estão falando certo ou errado”, disse outra pessoa. 9 As críticas foram ainda direcionadas a outras duas funcionárias do hospital que, assim como o médico, debocharam da forma como os pacientes costumam falar na unidade. Uma das funcionárias postou: “Tira minha pressão? Porque eu tenho tiroide”. Assim como o médico, elas também foram afastadas. Formado pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), o médico disse à EPTV que não teve intenção de ofender e pediu desculpas aos que falam peleumonia ou raôxis. Ele acredita que é o contexto social que define as regras do português. Disse também que não estava trabalhando no momento e que fazia uma brincadeira entre os médicos que tem um grupo em rede social e que vai processar quem postou a foto. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) informou que vai instaurar uma sindicância para avaliar a conduta do médico. Em 2014, uma paciente registrou um boletim de ocorrência contra um médico plantonista do Centro Integrado de Saúde do bairro Nova Veneza, em Sumaré (SP). Thaynara de Oliveira Cruz, de 19 anos, se queixava de dores na cabeça e variações na pressão arterial, mas o médico teria afirmado no prontuário que o problema da paciente era “falta de ocupação”. Na consulta, Thaynara se surpreendeu com o atendimento do clínico geral, que não a examinou. “Você não conhece paracetamol? Dipirona? É isso que tem que tomar. Mais nada’ e eu falei ‘já faz alguns dias, nada mais vai resolver?’ e ele falou que não”, disse a paciente na época. A jovem diz ter se sentido ofendida e humilhada quando o médico perguntou sobre a ocupação dela. “Perguntou se eu trabalhava, eu disse que cuidava do meu filho e ele disse que era falta de ocupação o que eu tinha”, afirmou. Diante disso, o profissional teria escrito o diagnóstico na ficha médica e receitado um dos medicamentos. Após o atendimento, a jovem foi com o marido até o 1º DP da cidade registrar um boletim de ocorrência contra o profissional da saúde, onde apontou que houve ofensa e humilhação por parte do médico. O profissional não quis comentar o ocorrido. A Prefeitura de Sumaré abriu um processo administrativo para investigar a conduta do médico. <http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2016/07/medico-debocha-de-paciente- na-internet-nao-existe-peleumonia.html>Acesso em3/11/2017. “Você não conhece paracetamol? Dipirona? É isso que tem que tomar. Mais nada.” 10 PRODUÇÃO ESCRITA Etapa 1 Organização: Metade da turma assumirá o cargo de supervisor e a outra metade de tutor. A partir desse momento, organizem-se em duplas para a produção a seguir. Etapa 2 Com base na situação apresentada no texto 04, como supervisor do Programa você deve escrever um e-mail para seu tutor relatando o ocorrido e pedindo orientação sobre os procedimentos adequados. Leve em consideração: forma de tratamento, nível de formalidade e informalidade, estrutura do gênero, propósito, clareza e coesão. Etapa 3 Como tutor, você recebeu o e-mail do seu colega supervisor que precisa de uma resposta em relação ao caso. Responda informando seu posicionamento e oriente-o de acordo com a situação. Etapa 4 Em duplas, discutam as duas produções, avaliem a coerência entre o e-mail do tutor e o do supervisor e apresentem as versões definitivas ao professor com as alterações necessárias. Etapa 5 Correção dos e-mails pelo professor de acordo com a grade a seguir. 11 GRADE DE AVALIAÇÃO DE GÊNERO EM SALA: E-MAIL NÍVEL Avançado Intermediário- superior Intermediário Básico Elementar GÊNERO / INTERLOCUTOR Mensagem eletrônica para um colega O texto apresenta excelentes elementos de interlocução. Faz uso bastante adequado de vocativo, fechamento. Conclui a proposta exatamente da maneira como foi solicitada. O texto apresenta bons elementos de interlocução, faz uso adequado de vocativo e fechamento e conclui a proposta de maneira bastante adequada. O texto apresenta: elementos de interlocução satisfatórios. Traz ainda usos de vocativo e expõe conclusão adequada à proposta. O texto apresenta raros elementos de interlocução O texto apresenta pouquíssimos elementos de interlocução PROPÓSITO Texto 1 (supervisor) - Relatar o ocorrido e pedir orientação ao tutor Texto 2 (tutor) – Apresentar resposta em relação ao caso, posicionar-se orientando o supervisor. Desenvolve fluentemente os respectivos propósitos Desenvolve bem os respectivos propósitos Desenvolve parcialmente os respectivos propósitos Menciona os respectivos propósitos com pouco desenvolvimento sobre os mesmos Apenas menciona os respectivos propósitos, mas não os desenvolve ORGANIZAÇÃO TEXTUAL (desenvolvimento, clareza e coesão) Texto muito bem desenvolvido com clareza e coesão. As ideias são apresentadas de forma bastante coerente. Texto bem desenvolvido com clareza e coesão. As ideias são apresentadas de forma coerente. Texto parcialmente desenvolvido, com problemas de clareza e coesão. Texto pouco desenvolvido com vários problemas de clareza e coesão Texto minimamente desenvolvido com muitos problemas de clareza e coesão ADEQUAÇÃO LEXICAL E GRAMATICAL (ortografia, acentuação,pontuação, estrutura, concordância verbal e nominal) Raras inadequações e/ou interferências de outras línguas no léxico, ortografia e no uso de estruturas. Poucas inadequações e/ou interferências de outras línguas no léxico, ortografia e no uso de estruturas. Algumas Inadequações e/ou interferências de outras línguas no léxico, ortografia e no uso de estruturas Muitas Inadequações e/ou interferências de outras línguas no léxico, ortografia e no uso de estruturas Texto apresenta inadequações e/ou interferências de outras línguas, em excesso, com relação ao léxico, ortografia e no uso de estruturas. 12 GÊNEROS TEXTUAIS FREQUENTES NA ÁREA MÉDICA Observe os modelos de prescrição a seguir e, após analisá-los, complete o último quadro com as informações sobre a denominação de gênero a partir de suas particularidades. MODELO DE PRESCRIÇÃO MÉDICA 13 Denominação do gênero Particularidades PRESCRIÇÃO MÉDICA A Prescrição Médica é composta por dados: – Dados Essenciais: 1. Cabeçalho–impresso que inclui nome e endereço do profissional ou da instituição onde trabalha (clínica ou hospital); registro profissional e número de cadastro de pessoa física ou jurídica, podendo conter, ainda, a especialidade do profissional. 2. Superinscrição–constituída por nome e endereço do paciente, idade, quando pertinente, e sem obrigatoriedade do símbolo RX, que significa: “receba”; por vezes, esse último é omitido, e, em seu lugar, se escreve: “uso interno” ou “uso externo”, correspondentes ao emprego de medicamentos por vias enterais ou parenterais, respectivamente. 3. Inscrição–compreende o nome do fármaco, a forma farmacêutica e sua concentração. 4. Subscrição–designa a quantidade total a ser fornecida; parafármacos de uso controlado, essa quantidade deve ser expressa em algarismos arábicos, escritos por extenso, entre parênteses. 5. Adscrição – é composta pelas orientações do profissional para o paciente. 6. Data e assinatura. – Dados Facultativos: Peso, altura, dosagens específicas como usadas na Pediatria. O verso do receituário pode ser utilizado para dar continuidade à prescrição, aprazamento de consulta de controle, e para as orientações de repouso, dietas, possíveis efeitos colaterais ou outras informações referentes ao tratamento. Sobre o O “R”cortado é um símbolo usado por alguns médicos no início de sua prescrição. Existem várias teorias explicativas sobre sua origem, porém nelas há em comum um pedido de proteção para a prescrição. Não há obrigatoriedade do seu uso na receita médica. Sobre o ® O símbolo ® indica o nome de venda do produto, e não o princípio ativo. A prescrição de drogas no Brasil é normatizada pelas Leis Federais 5991/ 738 e 9787/998 e pela Resolução no 357/2001 do Conselho Federal de Farmácia. Normas para execução adequada de receita: 1. A prescrição deve ser escrita a tinta, em vernáculo, em letra de forma, clara, por extenso. Fonte: Manual de orientações Básicas para prescrição médica / Célia Maria Dias Madruga, Eurípedes Sebastião Mendonça de Souza. - João Pessoa: Idéia, 2009. 14 DENOMINAÇÃO DO GÊNERO PARTICULARIDADES DECLARAÇÃO DE ÓBITO 1. Preencher os dados de identificação com base em um documento da pessoa falecida. Na ausência de documento, caberá à autoridade policial, proceder o reconhecimento do cadáver. 2. Registrar os dados na DO, sempre, com letra legível e sem abreviações ou rasuras. 3. Registrar as causas da morte, obedecendo ao disposto nas regras internacionais, anotando um diagnóstico por linha e o tempo aproximado entre o início da doença e a morte. 4. Revisar se todos os campos estão preenchidos corretamente, antes de assinar. Fonte: http://svoi.fmrp.usp.br/documentos/declaracao_obito.pdf DENOMINAÇÃO DO GÊNERO PARTICULARIDADES O artigo 3º da Resolução CFM nº 1.658, de 13 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 3º Na elaboração do atestado médico, o médico assistente observará os seguintes procedimentos: I - especificar o tempo concedido de dispensa à atividade, necessário para a recuperação do paciente; II - estabelecer o diagnóstico, quando expressamente autorizado pelo paciente; III - registrar os dados de maneira legível; IV - identificar-se como emissor, mediante assinatura e carimbo ou número de registro no Conselho Regional de Medicina. Parágrafo único. Quando o atestado for solicitado pelo paciente ou seu representante legal para fins de perícia médica deverá observar: I - o diagnóstico; II - os resultados dos exames complementares; III - a conduta terapêutica; IV - o prognóstico; V - as consequências à saúde do paciente; VI - o provável tempo de repouso estimado necessário para a sua recuperação, que complementará o parecer fundamentado do médico perito, a quem cabe legalmente a decisão do benefício previdenciário, tais como: aposentadoria, invalidez definitiva, readaptação; VII - registrar os dados de maneira legível; VIII - identificar-se como emissor, mediante assinatura e carimbo ou número de registro no Conselho Regional de Medicina.” Fonte: http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/cfm/2008/1851_2008.htm 15 16 ○2 OBJETIVOS • Apresentar textos que tratem da diversidade; • Possibilitar a problematização sobre o senso comum do discurso cômico; • Propor reflexões sobre novas possibilidades de acolhimento. 17 EXERCÍCIO DE COMPREENSÃO E PRODUÇÃO ASSISTA AOS VÍDEOS A SEGUIR QUE TRATAM DE TEMAS IMPORTANTES SOBRE A DIVERSIDADE E PLURALIDADE DO SER HUMANO. AO FINAL DE CADA VÍDEO, ANOTE AS IDEIAS PRINCIPAIS PARA REDIGIR UM TEXTO INFORMATIVO SOBRE CADA UM DELES. DIVERSIDADES 2 1 2 3 4 18 LISTA DE VÍDEOS: 1: https://www.youtube.com/watch?v=DVgb481rRGg&t=0s 2: https://www.youtube.com/watch?v=j7ZDgFxLImI&t=0s 3: https://www.youtube.com/watch?v=bqbMVw5xec0&t=00s 4: https://www.youtube.com/watch?v=lckmfCIqwJ8&t=00s 5: https://www.youtube.com/watch?v=-JCsHfzDZHU&t=1s 6: https://www.youtube.com/watch?v=Bcq6GPyMfPo&t=0s 7: https://www.youtube.com/watch?v=a1-EQmyaKT4&t=0s 8: https://www.youtube.com/watch?v=H2rIZcV21ok&t=0s 5 7 6 8 19 TEXTO 01 Constituição Federal de 1988 Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - a soberania; II - a cidadania; III - a dignidade da pessoa humana; IV- os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político. (...) Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: (...) VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; (...)” http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm 20 TEXTO 02 RODA DE CONVERSA De acordo com o texto “Racismo Recreativo”, discuta com seu grupo a questão apresentada (Será que piada é algo tão inocente quanto parece?). Na sequência, apresente o resultado da discussão levando em consideração os destaques do trecho da Constituição. Racismo Recreativo Pessoas negras ouvem piadasracistas cotidianamente de seus amigos, de seus colegas, de seus vizinhos e até mesmo de estranhos. Representações supostamente engraçadas de pessoas negras também estão presentes nos meios de comunicação. As pessoas brancas que contam essas piadas acham que estão falando algo realmente engraçado, mas poucas pessoas negras acham graça no que elas ouvem. Nós não achamos graça nessas brincadeiras porque sabemos que elas não são brincadeiras. Elas têm um propósito: afirmar que nós negros somos inferiores e que nós devemos ocupar um lugar subalterno na sociedade – a mesma ideia que brancos utilizaram para justificar 388 anos de escravidão. É curioso perceber que, para muitos brasileiros, o humor é uma forma aceitável de racismo. O problema é que o humor é um tipo de mensagem e todas as mensagens imprimem ideias e valores. Piadas racistas refletem a moralidade de uma sociedade. Elas apontam quem merece respeito e quem não merece o nosso apreço. Você já insistiu em alguma piada que sua mãe não gostou? Provavelmente, não. [...]. Nós fazemos piadas sobre membros de grupos que nós desprezamos: negros, mulheres, pobres, nordestinos, homossexuais e gordos. Pessoas negras não ouvem piadas apenas no espaço público. Muitas delas também ouvem comentários supostamente engraçados no ambiente de trabalho. Elas comunicam o acontecido aos seus chefes, mas, infelizmente, muitos deles ignoram; dizem que a pessoa não deveria ser tão sensível e outros até riem. Vários negros processam as pessoas brancas por essas piadas racistas, mas eles frequentemente encontram um problema: quase todos os juízes brasileiros são brancos e muitos deles acham que essas piadas não são mais do que piadas. Inúmeros membros do Judiciário, direta e indiretamente, dizem para brancos que o racismo pode ser utilizado para fins recreativos. Dizem para brancos que eles estão livres para expressar o desprezo que sentem por negros, desde que seja na forma de piadas. Isso não é racismo; é apenas uma expressão do espírito jocoso brasileiro. Surge então a pergunta: que tipo de democracia racial é essa que precisa atacar incessantemente a dignidade de metade de sua população para poder se legitimar? Que tipo de nação pretendemos construir quando negros são repetidamente ofendidos por seus colegas de trabalho e seus superiores simplesmente afirmam que isso não tem importância? que tipo de nação pretendemos nos tornar quando membros do judiciário afirmam que pessoas brancas têm o direito de ofender negros e que esse direito está acima da dignidade pessoal de metade da população do país? que tipo de nação? Transcrição do vídeo intitulado “Racismo recreativo – Adilson José Moreira” disponível em https://drauziovarella.uol.com.br/videos/cabine/racismo-recreativo-adilson-jose- moreira/?fbclid=IwAR2Fvkk85HFSp9oUe-7m2-fHKtN4Lej4xQ-NouZkSaLO_1eN8mnQd7-EfuM. 21 TEXTO 03 PRINCIPAIS PROBLEMAS DE COMUNICAÇÃO ENTRE MÉDICO E PACIENTE A efetividade na comunicação entre médico e paciente é fundamental. Afinal, o diagnóstico é baseado no que é conversado durante a consulta. Entretanto, nem tudo ocorre tão perfeitamente, pois podem surgir ruídos e problemas de comunicação. Segundo um estudo realizado pela Universidade de Toronto, no Canadá, 54% das queixas dos pacientes e 45% de suas principais preocupações passam despercebidas pelos médicos durante uma consulta. Os pesquisadores apontam que problemas Psicossociais (aqueles relacionados simultaneamente à psicologia individual e à vida social) e Psiquiátricos são extremamente comuns em medicina geral e que, em 50% das consultas, os médicos não são capazes de diagnosticá-los. O estudo mostra, ainda, que em pelo menos metade das consultas, médicos e pacientes discordam da natureza do sintoma apresentado. Principais problemas de comunicação entre médico e paciente De acordo com os pesquisadores, a ansiedade e insatisfação dos pacientes estão relacionadas com os seguintes problemas de comunicação: • Incerteza: os pacientes têm receio em relação aos resultados do tratamento; • Falta de informação: alguns pacientes não saem da consulta com todas as dúvidas respondidas. Muitas vezes acabam apelando para informações online para suprir a falta de informação; • Explicação: quando um médico prescreve um tratamento, ele é o especialista naquela situação, mas isso não é um impedimento para que sejam dadas explicações acessíveis e que o paciente seja informado sobre sua condição e os próximos passos; • Feedback: os pacientes querem saber a real opinião do médico sobre o caso. Muitas vezes isso não ocorre em função da preocupação de se oferecer uma solução; • Utilização de linguajar médico: palavras complexas dificultam o entendimento do problema por parte do paciente, tais como o uso de terminologias técnicas: “edema”, “cefaleia” e “sutura“, que são desconhecidas para a maioria das pessoas; • Interrupção durante a consulta: pacientes que são interrompidos enquanto explicam seus sintomas tendem a não informar suas principais preocupações. • Outro estudo, realizado com médicos pediatras em Paris, revelou que, de todas as palavras ditas ao longo de uma consulta, 83% são ditas pelo médico, sendo que 48% eram perguntas à mãe e apenas 3% eram respostas. Todos esses dados sugerem uma relação médico e paciente excessivamente hierarquizada, com pouca interação de fato e um diálogo ineficaz. De nada adianta um paciente obediente que está, ao mesmo tempo, perdido e inferiorizado. Uma boa comunicação entre médico e paciente está diretamente relacionada a resultados positivos à saúde do paciente –que passa a participar de forma mais ativa em seu tratamento. Por fim, os pesquisadores afirmam que explicar e compreender as preocupações dos pacientes–mesmo quando elas não podem ser resolvidas – resulta na queda significativa de ansiedade, 22 o que aumenta sua satisfação e, mais importante, os resultados clínicos positivos ao longo do tratamento. Podemos inferir pelos estudos que a comunicação clínica humanizada é, portanto, um componente importante das boas práticas médicas e, assim, um relevante tema da Gestão em Saúde que trata da relação entre o médico e paciente. Fonte: https://blog.iclinic.com.br/problemas-de-comunicacao-entre-medico-e-paciente/ ATIVIDADES Esse relato é baseado em pesquisas desenvolvidas em outros países. Leia o relato apresentado e, na sequência, faça as atividades propostas. 1) Em grupos de 5, discutam as possíveis similaridades sobre problemas de comunicação entre médicos e pacientes nesses países e no Brasil e, na sequência, apresente resultados de suas discussões para os demais colegas. 2) O texto aborda seis problemas de comunicação entre médico e paciente. Acrescente outros 2 possíveis problemas, explicitando-os de forma sucinta. _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 23 ○3 OBJETIVOS • Apresentar o histórico das enfermidades mentais; • Proporcionar sensibilização para o acolhimento humanista e formas discursivas integradoras no contexto médico. 24 SAÚDE MENTAL Observem a disposição das frases apresentadas a seguir. Após leitura, ordenem-nas, utilizando o conteúdo da letra “A" como ponto de partida e escrevam o primeiro parágrafo do texto que será apresentado nesta unidade e que se inicia com o conceito de Saúde Mental. A) Saúde mental é B) diretamente relacionados com as condições de vida C) dislexia, autismo, síndromede Down, demência senil, depressão, D) – ansiedade e estresse, por exemplo – E) e com diferentes sintomas, até distúrbios psicológicos e de comportamento F) um conceito vago que engloba desde transtornos como G) que se manifestam de diferentes formas H) impostas pela sociedade atual. Saúde mental é ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ 1. Releia os excertos apresentados a seguir, retirados do texto “Saúde Mental”. Na sequência, faça os exercícios propostos. ____________ seja uma patologia tão abrangente, é longa a tradição de lidar mal com as pessoas que têm “problemas mentais”. Num passado não tão remoto assim, quem nascia com uma doença psiquiátrica ou a desenvolvesse durante a vida era trancado num quarto, isolado de toda a família, e os parentes procuravam evitar a aproximação de vizinhos e amigos, ____________ essas enfermidades eram motivo de vergonha. Atualmente, a Política Nacional de Saúde Mental vigente no Brasil e instituída por lei federal defende o atendimento dessas pessoas fora dos hospitais e enfatiza a 25 necessidade de sua reabilitação psicossocial. Para que isso seja realizado de forma eficaz, é necessária a implantação de medidas de apoio não só ao paciente, ____________ também à sua família. A primeira referência a problemas mentais de que se tem notícia está na Bíblia. No Livro dos Juízes do Velho Testamento, há a descrição de patologias psiquiátricas muito semelhantes às doenças que diagnosticamos hoje. É um problema bem antigo, ____________, inerente à espécie humana, ____________ não encontramos doenças equivalentes em nenhuma outra espécie. Chimpanzés e gorilas podem apresentar alterações de comportamento, fazer maldades, ____________ não têm doença mental. Esse atributo do homem deve ser consequência do aperfeiçoamento do nosso sistema nervoso, do desenvolvimento acentuado do nosso cérebro que, às vezes, se desorganiza. A) Recoloque em seus devidos lugares as 6 palavras retiradas dos excertos apresentados anteriormente, observando, principalmente, o sentido que cada uma produz. EMBORA MAS PORQUE PORTANTO POIS MAS B) Você sabia que essas palavras recebem uma denominação especial em língua portuguesa? Leia as alternativas apresentadas a seguir e assinale qual delas é a correta. 1) Adjetivo 2) Crase 3) Conectivo 4) Artigo 5) Verbo 26 C) Observe a tabela apresentada na sequência e relacione cada um dos termos com sua respectiva função. Após relacioná-los, escreva um exemplo para cada um dos grupos de conectivos. CONECTIVOS/ARTICULADORES DESIGNAÇÃO/FUNÇÃO Logo após; anteriormente; posteriormente; em seguida; afinal; por fim; finalmente; agora; atualmente; hoje; frequentemente; constantemente; às vezes, etc. ( ) Continuação ou adição São utilizados para acrescentar algo ao texto, e que esteja relacionado com o que foi apresentado anteriormente. Exemplo: Além disso; ademais; outrossim; ainda mais; por outro lado; também; e; nem; não só; como também; não apenas; bem como, etc. ( ) Tempo, frequência, duração, ordem ou sucessão Situam o leitor na sucessão dos acontecimentos ou das ideias. Por esse motivo, são muito explorados em textos narrativos. Exemplo: (C) Por exemplo; isto é; ou seja; aliás, etc. ( ) Ilustração ou esclarecimento São utilizados como forma de esclarecimento de alguns conceitos ou ideias apresentados no texto. Exemplo: (D) Em síntese; enfim; em resumo; portanto; assim; dessa forma; dessa maneira; desse modo; logo; pois; assim sendo; nesse sentido, etc. ( ) Ideias alternativas São utilizados quando queremos citar mais de uma opção. Exemplo: (E) Todavia; Pelo contrário; em contraste com; salvo; exceto; menos; mas; contudo; entretanto; no entanto; embora; apesar de; ainda que; mesmo que; posto que; ao passo que; em contrapartida, etc. ( ) Conclusão ou resumo É bastante comum a sua utilização para expressar a conclusão de um parágrafo, para resumir as ideias que foram apontadas no texto. Exemplo: (F) Ou...ou; quer...quer; ora...ora. ( ) Contraste, oposição, restrição, ressalva Como o próprio nome indica, servem para opor ideias ou conceitos num período. Exemplo: Adaptado de: https://www.todamateria.com.br/conectivos/ D) O texto apresentando na sequência é uma entrevista feita pelo médico Drauzio Varella ao psiquiatra Valentim Gentil. Após a abordagem dos usos dos conectores em língua portuguesa, leia essa entrevista tentando substituir os termos em negrito pelos termos apresentados na tabela ao final da entrevista. Lembre-se: o mais importante é que a ideia do texto original seja mantida, ainda que seja preciso realizar alguma alteração. 27 SITUAÇÃO NO BRASIL Drauzio – No Brasil, os portadores de patologias psiquiátricas eram internados nos hospitais. Depois (_________), a orientação foi que ninguém mais deveria ser afastado do convívio familiar e social. Como você vê essas posições tão antagônicas no nosso país? Valentim Gentil – Em primeiro lugar, como decorrentes de um mal- entendido. Não foi o fechamento dos leitos dos hospitais que diminui a necessidade de internação. Foi o surgimento de terapêuticas modernas a partir de 1950. Se nos detivermos na história da psicofarmacologia, medicamentos como o lítio e os barbitúricos, por exemplo, surgiram pouco antes da segunda metade do século XX. Os barbitúricos foram usados para tratamento da epilepsia em 1930, 1940 e, no pós-guerra, apareceram os estimulantes que, infelizmente, não funcionavam bem para depressão. Em 1952, com o lançamento dos antipsicóticos (a clorpromazina foi o primeiro deles) que ajudam a reduzir as crises de agitação psicomotora em poucos dias, começaram a desativar os leitos nos hospitais. Na Itália, fecharam cinquenta mil; nos Estados Unidos, cem mil. Esperava-se que essa tendência de reinserção social continuasse, mas (_________) os governos do mundo inteiro passaram a usar os recursos economizados com o fechamento dos leitos para outros fins que não a saúde mental. Não se investiu na prevenção primária, nem se demonstrou que retirar as pessoas dos leitos hospitalares era um modo eficaz de humanizar o atendimento. Outro erro foi imaginar que a sociedade acolheria os doentes e que as famílias teriam condições de recebê-los em casa e de seguir as orientações dos profissionais de saúde. Além disso (_________), os medicamentos não chegaram como deveriam – até hoje, no Brasil, a distribuição de lítio para prevenir recaídas não é regular – e, se não voltamos para a estaca zero, estamos muito próximos da desassistência maciça aos pacientes. Em todos os países do mundo, é grande o número de doentes graves nas prisões, de doentes sem assistência alguma em suas casas ou perambulando nas ruas. Uma tese defendida em Juiz de Fora (MG), por exemplo, mostra que das 83 pessoas avaliadas que moravam na rua há mais de um ano, 82 eram portadoras de algum distúrbio psiquiátrico. 28 Drauzio – No Brasil, grande parte dos leitos psiquiátricos foi desativada... Valentim Gentil – No Brasil, existiam 120 mil leitos psiquiátricos. Atualmente, existem 43 mil, apesar de (_________) o número de habitantes ter pulado de 80 milhões para 180 milhões nas últimas décadas. Em troca dessa redução de leitos, o que se construiu de alternativas? Foram instituídos dois mil leitos psiquiátricos em hospitais gerais há quinze anos, e mais nada (_________). Acontece que manter um leito custa muito caro e o que vai ser utilizado pela Psiquiatria é o mesmo que se destina ao paciente de transplante de fígado. Por isso, o hospitalnão quer receber pessoas com depressão, pois essa doença pode ser tratada em clínicas especializadas. Obrigá-los a agir de outra forma é fazer com que um sistema que já não vai bem economicamente acabe falindo. Drauzio – Como reverter essa realidade? Valentim Gentil – Nossas políticas têm de ser revistas. É possível estabelecer um sistema primário de prevenção. Assim como dizemos que fumar maconha faz mal, podemos orientar as mulheres grávidas para evitarem contato com pessoas gripadas porque (_________) a gripe, no primeiro trimestre da gravidez, pode aumentar o risco de doença mental grave na criança. Da mesma forma (_________), podemos alertar os indivíduos com predisposição para problemas psiquiátricos, especialmente aqueles que tiverem casos de doença mental na família, para que passem longe das drogas e tomem menos café e menos coca- cola. Eles devem evitar, também (_________), os remédios para emagrecer e os estimulantes, que podem desencadear ataques de pânico. Além disso, diagnóstico precoce e introdução rápida do tratamento ajudam a reverter o quadro de doença mental antes que se agrave. Um PROPOSTAS DE SOLUÇÃO Drauzio – Você vê alguma possibilidade de mudar essa situação? Valentim Gentil – Está na hora de o Ministério da Saúde mudar a política em vigência desde 1985, uma política equivocada, importada da Itália, onde também acabou não dando certo, já que (_________) a lei aprovada em 1958 que mandava fechar os hospitais psiquiátricos não foi obedecida. O hospital psiquiátrico é um equipamento médico e há situações em que a pessoa precisa de cuidados que só pode receber durante a internação. Podemos fechar os manicômios. Esses são desnecessários, mas ( ) não podemos fechar os hospitais. 29 exemplo é a depressão pós-parto ou a depressão puerperal. Mulher que continua deprimida três dias depois do parto, se não receber atendimento eficaz, corre o risco de desenvolver um quadro grave de psicose. Outro exemplo é a agudização dos quadros maníacos. Se forem tratados nas primeiras 48, 72 horas, a crise poderá ser controlada em duas ou três semanas sem necessidade de internação hospitalar. Como se vê, estabelecer um sistema básico de prevenção é o jeito de reduzir o número de leitos hospitalares. No entanto (_________), eles são absolutamente necessários, se a situação agravar-se porque o atendimento adequado não foi introduzido precocemente. Nesse caso, a pessoa pode ficar muito perturbada, confusa, correndo riscos ou pondo em risco quem está por perto. Vamos voltar às pessoas que estão nas ruas. Podemos recolhê-las para tratamento, mas, depois da alta, como lhes prestar assistência? O velhinho sem família nem recursos pode morar num asilo. Mas, se for portador de doença mental, os asilos estão impedidos por lei de recebê- los. Drauzio – Os asilos hospitalares foram fechados? Valentim Gentil – As pessoas fizeram esse desserviço com boas intenções. Não havia mais o conceito de hospital psiquiátrico e asilo virou sinônimo de manicômio. No final, proibiram a criação de uma entidade de apoio e proteção como as idealizadas por nossos antepassados. Não adianta oferecer residência hospitalar terapêutica, se o morador de rua ou a pessoa que dorme embaixo da ponte não tiver um lugar seguro para viver. Um lugar em que não seja obrigada a conviver com bandidos e malandros e não seja morta por grupos de extermínio, como mostram as notícias veiculadas na imprensa. É preciso que essa gente se sinta amparada, alimentada, não passe frio, tenha atendimento básico de saúde e as doenças de pele tratadas. Esses cuidados podem ser oferecidos fora dos hospitais, mas requerem a criação de instituições pelas quais a sociedade possa pagar. Não adianta construir um condomínio supervisionado para colocar os moradores de rua. Se nem o Cingapura deu muito certo, como propor a mesma solução para os doentes mentais? Drauzio – Como entregar para uma família com dificuldades econômicas extremas, em que todos precisam trabalhar, a Valentim Gentil – É uma pena que os conceitos da Psiquiatria Social e Comunitária, que eram bem intencionados e dirigidos para a reinserção social e reabilitação dos portadores de doença mental, tenham servido para resolver problemas de incapacidade gerencial, administrativa e 30 responsabilidade de cuidar do portador de doença mental que pode criar problemas a cada minuto? Isso não seria uma maneira de o Estado lavar as mãos e livrar-se do problema? financeira. Recentemente, os jornais noticiaram o caso de uma senhora mãe de cinco filhos. A filha que era arrimo de família morreu e ela precisou sair para trabalhar. Em casa, deixava um filho um pouco retardado, mas que não era agressivo, e duas filhas psicóticas que, de vez em quando (____________), agudizavam e criavam o maior transtorno. Isso obrigava a mãe a trancá-las dentro de casa. Os vizinhos do bairro pobre se incomodavam com a situação, reclamavam e chamavam a polícia. O pior é que essa senhora foi indiciada por cárcere privado das filhas, embora só agora essas moças doentes há 30 anos recebam a visita de uma equipe do sistema de saúde. Mesmo se (_________) considerarmos famílias constituídas, estruturadas, com boas condições financeiras, acesso aos melhores serviços de saúde, essas também têm problemas porque não existem hospitais psiquiátricos modernos no Brasil. Nada além Às vezes Não obstante Uma vez que ademais Da mesma maneira Posteriormente Todavia Ainda semelhantemente Entretanto Porém Uma vez que 31 RODA DE CONVERSA Depois da leitura do texto abaixo, discutam em grupos aspectos relacionados ao consumo exacerbado de ritalina. Pesquisa da UFMG revela uso indiscriminado de medicamentos psicoestimulantes por estudantes Ritalina, um dos medicamentos estudados na pesquisa, é um remédio controlado e paciente precisa ter orientação médica. Uma pesquisa da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostrou o uso indiscriminado e perigoso, por estudantes, de substâncias psicoestimulantes. O remédio desse tipo mais conhecido é a ritalina. Esses medicamentos aumentam a concentração e têm a venda controlada. Sem a orientação de um médico, podem ter efeitos colaterais graves. Lisdexanfetamina e metilfenidato. Dois psicoestimulantes que melhoram a atenção e a concentração. Por isso, eles podem ajudar muito quem tem baixo rendimento na escola e no trabalho. Só que o uso é controlado – tem horário certo para tomar e um médico precisa calcular a dose. Pesquisas mostram que estudantes universitários que não têm nenhuma indicação médica para tomar esses estimulantes estão usando esse tipo de medicamento. Eles têm o desejo de ter melhor desempenho, de tirar notas boas. “A utilização para neuroaprimoramento é um doping e todo doping tem um preço”, falou o orientador da pesquisa, Edson Perini. O psiquiatra José Belizário explica a diferença: para crianças, adolescentes, que têm déficit de atenção, os psicoestimulantes podem ser muito eficientes – porque a família e um médico controlam o uso. Mas quando um jovem usa por conta própria, em época de prova, está correndo muito risco. Pior ainda se o remédio for tomado pra ficar acordado e estudar por mais tempo. “Funciona muito bem, desde que use corretamente. Uma criança tem menos efeitos com dose certa do que adultos. O uso correto é muito importante nesse grupo, mas fazem uso de forma abusiva, em horários equivocados. Durante a noite, a memória fica pior, guarda menos, exposto a depressão, ansiedade, pânico e mais grave, risco de suicídio”, disse Belizário. Fonte: https://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/pesquisa-da-ufmg-revela-uso- indiscriminado-de-medicamentos-psicoestimulantes-por-estudantes.ghtml 32 ATIVIDADE DE VÍDEO No vídeo (https://www.youtube.com/ VÍDEOwatch?v=fPplwRuHHmI&t=0s),Dráuzio Varella fala sobre os problemas da prescrição (ou falta dela) da ritalina. Responda: a) Varella recomenda o uso da ritalina para estudos? b) Quais consequências a droga mencionada pode trazer após seu uso indevido? c) Varella já fez uso dessa droga em seu tempo de faculdade? Comente. 33 TEXTO 03 Medicina da Unicamp cria projeto para ensinar empatia e compaixão a alunos No início do curso, Rafael Gomes queria ser como Hunter “Patch” Adams, médico americano cuja história virou filme, conhecido por seu estilo baseado no afeto e na proximidade com os pacientes. Com o tempo, viu que o mais provável seria virar um dr. House, personagem do seriado homônimo que sabe tudo de medicina, mas quer distância de gente. “Na faculdade, nossa visão poética é destruída. Aprendemos que ser bom médico é saber resolver problemas”, diz Gomes, 31, formado no ano passado pela Unicamp. Ele não se considera um dr. House e atribui parte disso a um projeto do qual participou no último ano. Coordenado pelo professor Marco Antonio de Carvalho Filho, o projeto surgiu da percepção de que os alunos do último ano não estavam à vontade com seus pacientes. “A faculdade dá conhecimento técnico, mas não ensina a ser médico, a lidar com pessoas, a essência da profissão”, diz Carvalho Filho. Para ensinar empatia e compaixão a futuros médicos, há debates sobre ética e simulação de consultas com atores, de forma a treinar habilidades de comunicação. “O pensamento comum é de que é preciso se afastar do paciente para ter boa conduta. Vou contra essa corrente.” “O pensamento comum é de que é preciso se afastar do paciente para ter boa conduta. Vou contra essa corrente.” Segundo o professor, os alunos entram em contato com a morte e ninguém conversa sobre isso no curso. “Muitos acham que a solução para não sofrer é se afastar.” Antes de participar das simulações, o recém-formado José Antonio Nadal, 26, tinha medo de ser aquele que dá a pior notícia da vida a alguém. “Depois, entendi que podemos criar vínculo, trabalhar com o paciente e ser lembrado como alguém que o ajudou em um momento crítico.” Mais de 500 alunos passaram pelo projeto. Os resultados foram analisados na tese de doutorado de Marcelo Schweller, médico da Unicamp. Ele constatou que a empatia dos estudantes aumentou. Além disso, 94% dos alunos acharam que sua capacidade de ouvir o doente melhorou. “Quando estão no ambulatório os alunos se preocupam em atender rapidamente. É raro um professor discutir se o paciente saiu satisfeito, se o médico soube ouvir. Na simulação, refletimos sobre isso”, diz Schweller. Carvalho Filho acha que esse é só um começo. “Essa atitude mais humana deveria permear toda a formação, não ser concentrada em projetos ou disciplinas.” A humanização se tornou necessidade, na opinião de Flávia Pileggi Gonçalves, coordenadora do departamento de medicina da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). “Pesquisas mostram que mais coisas interferem no processo saúde-doença que gene ou remédio”, diz. Na UFSCar, onde o currículo já é integrado conforme as diretrizes definidas pelo Ministério da Educação em 2014, os alunos estudam casos clínicos a partir da perspectiva de várias áreas. 34 Estudantes da Unicamp assistem a vídeo em que aluno faz papel de médico e atriz interpreta paciente Foto: Eduardo Knapp/Folhapress “Se discutimos um caso de asma, falamos dos fatores psicológicos e sociais envolvidos”, explica Gonçalves. Desde o primeiro ano, os estudantes já atuam no SUS e têm contato com pacientes. “O aluno cria vínculos com as famílias. A metodologia enfocada na prática é um passo em direção a uma medicina mais humanizada”, diz. Na Famema (Faculdade de Medicina de Marília) o aluno também pratica desde o início, em laboratórios com pacientes simulados, e é orientado por médicos e profissionais de comunicação. “Ele vê o paciente como um todo, não apenas a doença”, diz Mercia Ilias, coordenadora do curso. <JULIANA VINES. http://m.folha.uol.com.br/seminariosfolha/2015/05/1628575-unicamp-cria-projeto-pa- ra-ensinar-empatia-e-compaixao-a-futuros-medicos.shtml. Acesso em 05/09/2017.> 35 PRODUÇÃO ESCRITA Após leitura do texto, responda sinteticamente: a) Durante sua formação em medicina (e na área de saúde, em geral), houve alguma disciplina que refletisse/ensinasse maneiras e abordagens de uma comunicação humanista com o/a paciente? b) Que exemplos ou práticas de atendimento humanizado você mencionaria para seus colegas? Onde e com quem você aprendeu sobre tal prática? JANELA DE INTERAÇÃO Comunicação humanista e empatia Baseado na matéria lida e no vídeo sobre médico ideal (https://www.youtube.com/watch?v=3qDMgA Jk5FQ), e levando em consideração aspectos de competência na comunicação clínica, simule uma consulta médica: a) Elenque características de um bom médico apresentadas no vídeo pelos pacientes e, posteriormente, pelos médicos. b) Simule uma consulta médica com linguagem ancorada nos princípios humanistas, demonstrando acolhimento e valorização da fala do/a paciente. Demonstre, em sua fala, preocupação e cuidado em relação a ele/ela. c) ) Entre as características citadas por pacientes e médicos, quais foram as mais citadas: - Experiência -Competência -Empatia -Disponibilidade -Pontualidade -Saber ouvir -Clareza -Simpatia 36 ○4 OBJETIVOS • Proporcionar reflexões sobre hábitos alimentares, estilo de vida e desenvolvimento de doenças crônicas; • Propiciar discussão sobre a relação entre alimentação, estilo de vida e desenvolvimento de doenças crônicas, especialmente no contexto de atuação da equipe médica de Saúde da Família; • Apresentar vocabulário referente ao tema e estruturas gramaticais abordados na unidade (hipóteses, dúvidas, desejos ou possibilidades). 37 Os hábitos alimentares dos brasileiros, dentre outros, podem ser indicadores de um estilo de vida saudável ou não. A pesquisa Nacional de Saúde (PNS), responsável por investigar os hábitos de consumo alimentar, indica alguns marcadores de padrão saudável de alimentação, sendo eles: o consumo recomendado de frutas, legumes, verduras e feijão. A organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a ingestão diária desses alimentos. E você, como tem se alimentado? ESTILO DE VIDA RODA DE CONVERSA Em grupos de 5 discutam qual relação entre alimentação, estilo de vida e desenvolvimento de doenças crônicas e apresentem para os colegas os principais pontos da discussão. 4 38 TEXTO 01 Brasileiros estão entre os maiores consumidores de ‘fast food’ do mundo Na América do Sul, ninguém gasta mais em fast food do que os brasileiros. Aliás, segundo um estudo realizado pela EAE Business School, que analisa os hábitos de consumo nesse setor em 2014, apenas Estados Unidos (290,2 bilhões de reais), Japão (162,3 bilhões de reais) e China (130,2 bilhões de reais) estão à frente do Brasil (53,7 bilhões de reais) em gastos no setor. De acordo com o levantamento, o gasto com fast food por habitante no Brasil em 2014 foi de 265 reais, e o consumo deve crescer em 30,88% até 2019 — uma das maiores expectativas entre os países estudados, junto com Espanha (48,61%) e China (23,99%). Os espanhóis, aliás, estão entre os europeus que menos gastam com fast food. Cada habitante investe em média 42,6 euros por ano (190 reais). Essa cifra os situa somente atrás dos italianos. <https://brasil.elpais.com/brasil/2016/01/21/ Aceeconomia/1453403379_213071.html. Acesso em 04/09/2017.> ATIVIDADE DE VÍDEO FASTFOOD É DROGA? Depois de assistir ao vídeo (https://www.youtube.com/ watch?v=3XmYfoND5xQ), responda as perguntas a seguir por escrito e entregue ao (à) professor(a): a) Segundo especialistas, qual a letalidade do consumo de açúcar? b) Para Paola Carosella, a obesidade é considerada “a fome dos pobres”? O que ela explica a respeito? A fome dos pobres? Obesidade? 39 TEXTO 02 Influências na alimentação brasileira ÁUDIO Escute agora uma matéria da Rádio Agência Nacional sobre a influência africana na culinária brasileira e sintetize as principais informações do áudio: http://www.brasil.gov.b r/saude/2014/12/ levantamento-analisa- habitos- alimentares- dos-brasileiros De acordo com Câmara Cascudo (1967), as fontes da cozinha brasileira são da dieta indígena, africana (especialmente da África Ocidental) e portuguesa. A seguir, vamos conferir quais foram as principais contribuições para nossos pratos brasileiros, tais como a pamonha, a feijoada, o tacacá e vários outros pratos encontrados em nosso vasto território. A CONTRIBUIÇÃO DOS PORTUGUESES Os portugueses estavam habituados a tomar vinho e encontraram um sucedâneo nas bebidas indígenas: milho cozido em água com mel. Nos primeiros tempos, houve, de fato, fartura. Entretanto, essa fartura durou pouco por dois motivos: o aumento da população e o advento da monocultura da cana de açúcar. A cultura desse produto estimulou a produção de doces e de cachaça e essa bebida passou a fazer estragos sobretudo entre as populações ameríndias, prejudicando a saúde dos antigos habitantes de nossa terra. É importante relembrar o papel dos bandeirantes que descobriram as minas de ouro, provocando êxodo da população costeira para a região das minas. Todos queriam garimpar. Ninguém plantava. No meio de tanto ouro, morria-se de fome. Quem tinha alimentos para vender enriquecia facilmente. É, talvez, o começo da história da fome e da exploração no país... O costume de comer carne de gado começou com a vinda dos rebanhos para o continente americano no século XVI. Assim, sarapatel, panelada, buchada, entre outros, não foram técnicas africanas, mas processos europeus. Os indígenas nem conheciam o consumo de carne bovina e os africanos, aparentemente, nunca tiveram tal costume. Em períodos de escassez, o negro africano vendia boi para adquirir comida no comércio. O português também trouxe as festas tradicionais – Páscoa, São João, Natal –, com seus cantos, danças e comidas típicas. Trouxe o pão, feito com quase todos os cereais: cevada, centeio, aveia e principalmente trigo. Vieram ainda com os portugueses, trazidas de outras colônias, especialmente as africanas, novas frutas: uva, figo, maçã, marmelo, pêssego, romã, cidra, tâmaras, melão, melancia. Foi o português que plantou o coqueiro, semeou o arroz, trouxe o pepino, a mostarda e diversos condimentos e ervas. O prato mais gloriosamente nacional do país, a feijoada completa, é um modelo aculturado do cozido português com feijão e carne seca. Além de todas essas contribuições à nossa culinária, os portugueses introduziram hábitos que marcaram definitivamente nosso paladar: valorizaram o uso do sal e revelaram o açúcar aos africanos e índios do Brasil. A partir daí, nossa cozinha adotou os doces de ovos e das mais diversas frutas. Surgiram a goiabada, a marmelada, a cajuada e todas as outras “adas” que constituem o arsenal energético de nossas sobremesas. 40 A impressão popular instintiva reconhece o poder corrosivo do sal. Foi preciso algum tempo para que as pessoas passassem a tolerar o presunto, o chouriço e as salsichas com sal e pimenta. Os sertanejos já acusavam o sal de fazer mal aos rins. O açúcar, entretanto, conquistou a todos imediatamente. Comia-se até farinha de mandioca com açúcar e recomendava-se comer de boca fechada porque, do contrário, iria mais farinha para o rosto dos vizinhos do que para o próprio estômago. Com a indústria do açúcar, surgiu a fabricação do álcool, ou melhor, da cachaça, conquistando indígenas e africanos. A CONTRIBUIÇÃO DOS AFRICANOS A alimentação do negro nos engenhos brasileiros podia não ser nenhum primor de culinária; mas faltar nunca faltava. Sua abundância de milho, toucinho e feijão recomenda-a como regime apropriado ao duro esforço exigido do escravo agrícola. O escravo negro no Brasil parece-nos ter sido, com todas as deficiências do seu regime alimentar, o elemento melhor nutrido em nossa sociedade patriarcal, e dele parece que numerosos descendentes conservaram bons hábitos alimentares, explicando-se em grande parte pelo fator dieta - repetimos - serem em geral de ascendência africana muitas das melhores expressões de vigor ou de beleza física em nosso país [...] (FREYRE, 2003, p. 107). A CONTRIBUIÇÃO DOS INDÍGENAS Da cunhã é que nos veio o melhor da cultura indígena. O asseio pessoal. A higiene do corpo. O milho. O caju. O mingau. O brasileiro de hoje, amante do banho e sempre de pente e espelhinho no bolso, o cabelo brilhante de loção ou de óleo de coco, reflete a influência de tão remotas avós. A culinária nacional - seja dito de passagem- ficaria empobrecida, e sua individualidade profundamente afetada, se se acabasse com os quitutes de origem indígena: eles dão um gosto à alimentação brasileira que nem os pratos de origem lusitana nem os manjares africanos jamais substituiriam. Na tapioca de coco, chamada molhada, estendida em folha de bananeira africana, polvilhada de canela, temperada com sal, sente-se o amálgama verdadeiramente brasileiro de tradições culinárias: a mandioca indígena, o coco asiático, o sal europeu, confraternizando-se em um só e delicioso quitute sobre a mesma cama africana de folha de bananeira. Cremos, aliás, ser o Nordeste, isto é, a zona de influência pernambucana, e mais para o norte o Maranhão, os dois pontos mais intensos dessa confraternização de cultura[...]. A maçoca, de que se fazem vários bolos, além do caribé, não se restringe ao Amazonas: pode ser considerada de uso generalizado ao norte e ao centro do Brasil, embora menos que o mingau, a canjica de milho e a muqueca: estes se incorporam ao sistema nacional da alimentação brasileira logo depois dos produtos por assim dizer originais ou brutos - o cará, o milho, a batata, o cacau, o mindubi, a mandioca. Do milho preparavam as cunhãs, além da farinha (abatiuí), hoje usada no preparo de vários bolos, a acanijic, que sob o nome de canjica tornou-se um dos grandes pratos nacionais do Brasil, a pamuna - hoje pamonha - envolvida, depois de pronta, na própria palha do milho, a pipoca, que, segundo Teorodo Sampaio, quer dizer “epiderme estalada”[...]. Texto adaptado de FREYRE (2003, p. 163, 193 e 194) Texto adaptado de: Alimentação e Cultura (NUT/FS/UnB – ATAN/DAB/ SPS ) 41 PRODUÇÃO ESCRITA (TAREFA DE CASA) Os textos acima nos mostram as contribuições de diversas culturas para a alimentação brasileira. Com base na atual dieta brasileira, quais seriam suas recomendações para um estilo de vida mais saudável para os seguintes casos: • Diabetes • Hipertensão • Colesterol alto • Osteoporose 42 ESCALA MUSICAL ♪ Chocolate Tim Maia Chocolate! Chocolate! Chocolate! Eu só quero chocolate Só quero chocolate Não adianta vir com Guaraná Pra mim é chocolate O que eu quero beber Chocolate!Chocolate! Chocolate! Eu só quero chocolate Só quero chocolate Não adianta vir com Guaraná Pra mim é chocolate O que euquero beber Não quero chá, não quero café Não quero Coca-Cola Me liguei no chocolate Só quero chocolate Não adianta vir com Guaraná Pra mim é chocolate O que eu quero beber Chocolate!Chocolate! Chocolate!Chocolate! Chocolate! Chocolate! Eu só quero chocolate Só quero chocolate Não adianta vir com Guaraná Pra mim é chocolate O que eu quero beber Chocolate! Chocolate! Chocolate! Eu só quero chocolate Só quero chocolate Não adianta vir com Guaraná Pra mim é chocolate O que eu quero beber Não quero chá, não quero café Não quero Coca-Cola Me liguei no chocolate Eu me liguei! Só quero chocolate Não adianta vir com Guaraná Pra mim é chocolate O que eu quero beber Chocolate!Chocolate! Chocolate! - O Senhor aceita um cafezinho? - Não, eu quero é chocolate! ATIVIDADES Ouça a música Chocolate, de Tim Maia. Em seguida, desenvolva as tarefas solicitadas: a) Na sua opinião, qual é a principal mensagem da música? b) Uma outra perspectiva de interpretação da música Chocolate de Tim Maia poderia estar relacionada ao uso de drogas. Justifique sua resposta a partir das expressões destacadas em negrito. c) Outra possível interpretação da música era de que o cantor procurava demonstrar sua preferência por uma bebida que não fosse alcóolica - o chocolate. No entanto, o consumo de refrigerantes e bebidas adocicadas está associado a efeitos maléficos à saúde. Argumente sobre a importância de hábitos alimentares saudáveis, estabelecendo uma relação dialógica entre alimentação, estilo de vida e doenças crônicas. d) A música explicita algumas bebidas estimulantes, tais como como guaraná, café e Coca-Cola. Explique os riscos da ingestão de estimulantes em excesso e seus principais efeitos em nosso sistema. ATIVIDADE DE VÍDEO Dúvidas sobre o sódio Depois de assistir ao vídeo (https://www.youtube.com/ watch?v=Y1H6rohqMJE&t=264s) da unidade, em dupla, realize as seguintes atividades: a) Discutir como Drauzio esclarece a diferença entre sal e sódio e, a partir disso, explicar a relação entre a quantidade de sódio no organismo e os valores da pressão arterial em uma linguagem acessível à população. b) Elaborar um texto informativo para ser publicado em um boletim destinado a hipertensos sobre os possíveis prejuízos do consumo excessivo de sal e suas consequências, de acordo com as informações do vídeo. 43 JANELA DE INTERAÇÃO A alimentação nas diferentes regiões do Brasil Tim Maia já nos indicava uma das maiores preferências em relação aos hábitos alimentares brasileiros - o açúcar, representado, neste caso, pelo chocolate. Esse é um hábito de alimentação considerado não saudável, especialmente quanto ao consumo regular de alimentos doces, como bolos, tortas, chocolates, balas, biscoitos ou bolachas. De acordo com dados de 2013 do IBGE, no Brasil, o percentual de pessoas que informaram ter esse hábito foi 21,7%. Esse índice diminuía com o avanço da idade e aumentava com o nível de escolaridade, conforme o gráfico a seguir. Fonte:IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional de Saúde 2013. 1) Em duplas, indique os principais efeitos negativos relacionados ao consumo excessivo de açúcar. - - - 44 Leia o texto apresentado a seguir. Na sequência e em duplas, façam o exercício proposto. O que são Modalizadores Discursivos? Esses elementos são responsáveis por evidenciar nossa opinião tanto na fala quanto na escrita. O uso que fazemos da língua em nossas ações de comunicação é sempre mediado por intenções: explicitar certeza, dúvida, obrigatoriedade, sentimentos, entre outros. Esse propósito está tão presente em nosso dia a dia que se materializa na estrutura de nossa língua. Os elementos que atuam como indicadores de argumentação são denominamos modalizadores discursivos. Eles são os encarregados de evidenciar o ponto de vista assumido pelo falante e assegurar o modo como ele elabora o discurso. Todavia, é importante utilizar esses marcadores de forma bastante polida, especialmente na relação médico-paciente, para evitar, certos constrangimentos e mal entendidos durante consultas, pedidos de exames e visitas de rotina. Adaptado de: https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/portugues/o-que-sao-modalizadores-discursivos.htm 1) Leia a situação apresentada a seguir e faça o exercício: Marieta, 35 anos, mãe solteira, desempregada e sem residência própria, é encaminhada para consulta com um endocrinologista. Ao entrar no consultório, a conversa entre eles se dá da seguinte forma. Médico: ... Marieta: Bom dia doutor. Posso me sentar? Médico: Qual sua queixa principal? Marieta: Doutor, na verdade estou com alguns problema. Tenho tido muita dor no estomago, na cabeça e nos joelho. Médico: E a senhora sempre foi gorda assim? Marieta: Eu engordei depois que ganhei meu bebê. Antes disso eu não tinha esse corpo não. Médico: A Sra faz pelo menos alguma atividade física? Marieta: No momento não faço nada. Não tenho dinheiro para pagar uma academia. Médico: Mas e uma caminhada? Marieta: Ah, caminhada eu não gosto. Médico: Entendi. Mas a Sra deveria, para começar a emagrecer um pouco. Está numa situação muito complicada. Marieta: Tem algum remédio que o Sr possa dar de graça pra perder peso? Médico: Tem sim. Se chama “criar vergonha na cara”. Marieta: Nossa, precisa falar assim doutor? Médico: Às vezes é preciso sim. Infelizmente. Ainda mais quando o problema envolve obesidade. Marieta: E de exame de sangue, o Sr pode pedir? Médico: Posso. Quais exames você quer? Marieta: Ué, isso quem sabe é o senhor, não é? Médico: Ah, sim. Claro. Vou pedir colesterol, TGO, TGP... Marieta: Alguma outra recomendação, doutor? Médico: Tente perder peso para que em seu retorno não esteja tão gorda como está hoje. Olha sua blusa, o botão está quase abrindo. Marieta: Farei o possível, doutor. Talvez se o Sr estivesse em minha situação, conseguisse entender melhor tudo que estou passando e a razão de eu estar nessa situação. Aí, talvez, o Sr conseguisse ser um pouco mais humano durante seu atendimento. Obrigada. 45 A) Aponte pelo menos 2 situações que foram constrangedoras para a paciente durante sua consulta com o médico endocrinologista. __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ B) Quando o médico diz: “Quais exames você quer?”, é possível afirmar que esse procedimento é recorrente nos atendimentos nas unidades básicas de saúde? Discutam esse fato e apresentem seus posicionamentos, levando-se em consideração, principalmente, a conduta médica adotada por esse profissional. ___________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ C) Como profissional de saúde, como você compreenderia o que é dito ao final da consulta pela paciente? Qual seria a sua conduta? “Farei o possível, doutor. Talvez se o Sr estivesse em minha situação, conseguisse entender melhor tudo que estou passando e a razão de eu estar nessa situação. Aí, talvez, o Sr conseguisse ser um pouco mais humano durante seu atendimento. Obrigada.”. _________________________________________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ D) No diálogo apresentado, há alguns registros mais informais da língua portuguesa. Você poderia circular alguns deles? Na sequência, se tivesse que reescrever esse diálogo, propondo algumas modificações para deixar a linguagem mais formal, como você procederia? __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ 46 ○5 OBJETIVOS •Possibilitar discussão sobre a diferença entre ética e moral, especialmente na área médica; •Propiciar reflexão sobre os Direitos Humanos e sua relação com o contexto de atuação de Medicina de Família. 47 5 ÉTICA & DIREITOS HUMANOS TEXTO 01 TEXTO 02 ÉTICA: Em geral, ciência da conduta. Existem duas concepções fundamentais dessa ciência. 1ª a que considera como ciência do fim para o qual a conduta dos homens deve ser orientada e dos meios para atingir tal fim, deduzindo tanto o fim quanto os meios da natureza do homem; 2ª a que considera como a ciência do móvel da conduta humana e procura determinar tal móvel com vistas a dirigir ou disciplinar essa conduta. Essas duas concepções, que se entremesclaram de várias maneiras na Antiguidade e no mundo moderno, são profundamente diferentes e falam duas línguas diversas. A primeira fala a língua do ideal para o qual o homem se dirige por sua natureza e, por conseguinte, da “natureza”, “essência” ou “substância” do homem. Já a segunda fala dos “motivos” ou “causas” da conduta humana, ou das “forças” que a determinam, pretendendo ater-se ao conhecimento dos fatos. MORAL: 1. O mesmo que Ética; 2. Objeto da ética, conduta dirigida ou disciplinada por normas. <Dicionário de Filosofia – Nicola Abbagnano> 48 TEXTO 03 Os Direitos Humanos e a Ética Humana Os direitos humanos incluem o direito à vida e à liberdade, à liberdade de opinião e de expressão, o direito ao trabalho e à educação, entre e muitos outros. Todos merecem esses direitos, sem discriminação. O Direito Internacional dos Direitos Humanos estabelece as obrigações dos governos de agirem de determinadas maneiras ou de se absterem de certos atos, a fim de promover e proteger os direitos humanos e as liberdades de grupos ou indivíduos. Desde o estabelecimento das Nações Unidas, em 1945 – em meio ao forte lembrete sobre os horrores da Segunda Guerra Mundial –, um de seus objetivos fundamentais tem sido promover e encorajar o respeito aos direitos humanos para todos, conforme estipulado na Carta das Nações Unidas. Os direitos humanos são comumente compreendidos como aqueles direitos inerentes ao ser humano. CONTEXTO E DEFINIÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS Os direitos humanos são comumente compreendidos como aqueles direitos inerentes ao indivíduo. O conceito de Direitos Humanos reconhece que cada ser pode desfrutar de seus direitos, sem distinção de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outro tipo, origem social ou nacional ou condição de nascimento. Os direitos humanos são garantidos legalmente pela lei de direitos humanos, protegendo indivíduos e grupos contra ações que interferem nas liberdades fundamentais e na dignidade humana. Algumas das características mais importantes dos direitos humanos são: • Os direitos humanos são fundados sobre o respeito pela dignidade e o valor de cada pessoa; • Os direitos humanos são universais, o que quer dizer que são aplicados de forma igual e sem discriminação a todas as pessoas; • Os direitos humanos são inalienáveis, e ninguém pode ser privado de seus direitos humanos; eles podem ser limitados em situações específicas. Por exemplo, o direito à liberdade pode ser restringido se uma pessoa é considerada culpada de um crime diante de um tribunal e com o devido processo legal; • Os direitos humanos são indivisíveis, inter-relacionados e interdependentes, já que é insuficiente respeitar alguns direitos humanos e outros não. Na prática, a violação de um direito vai afetar o respeito por muitos outros; • Todos os direitos humanos devem, portanto, ser vistos como de igual importância, sendo igualmente essencial respeitar a dignidade e o valor de cada pessoa. <Adaptado de https://nacoesunidas.org/direitoshumanos/ > 49 TEXTO 04 < FENAM & UniCEUB. Manual de direitos humanos para médicos.2014> PRODUÇÃO MULTIMÍDIA Em grupos de 5 a 7 pessoas, desenvolvam a seguinte proposta: Com base no texto 04 e também nas situações 1 e 2 descritas na sequência, elabore um pequeno vídeo sobre uma dessas situações, levando-se em consideração as relações entre saúde e direitos humanos. Situação 1: Uma escola pública do município em que você atua como médico, devido a licitação com empresa fornecedora, oferece como merenda apenas sucos artificiais com corantes e bolachas de água e sal. Como profissional da área de saúde, você acredita que esse tipo de alimentação pode trazer riscos à saúde de quem a consome. Por essa razão, produza um vídeo entre 2 e 3 minutos alertando a população sobre esse tipo de hábito alimentar. Situação 2: Em algumas comunidades ribeirinhas, há muitos problemas envolvendo a questão de saneamento básico. Como profissional da área de saúde, você deve gravar um vídeo entre 2 e 3 minutos alertando essa população sobre os usos da água e do depósito de lixo. 50 BOATOS Podem parecer desinteressados ou sem preocupação, mas os boatos podem trazer grandes problemas ao veicular informações falsas para a sociedade RODA DE CONVERSA Qual boato médico você já viu em alguma rede social? VÍDEO O prejuízo dos boatos para a ciência Fala de Esper Kallás sobre o prejuízo causado pelos boatos médicos. (https://www.youtube.com/ watch?v=gSbgZs8OIBA&t=00) 51 ATIVIDADE DE VÍDEO O que são direitos humanos - Glenda Mezarobba Link: https://www.youtube.com/watch?v=fMBNL4HFEOQ 1) Os direitos humanos nos indicam princípios fundamentais para que todo ser humano tenha uma vida digna e , para tanto, é preciso que tais direitos sejam realmente cumpridos e protegidos. O excerto da entrevista a seguir, no entanto, nos mostra outra realidade. Justifique. [...] há indivíduos que não tem essa mesma possibilidade de desenvolver o seu potencial ou, se sobrevive à primeira infância, mas depois não têm escola ou não alimentação ou não tem moradia, então, em alguma medida, você fere a lógica que move essa noção de igualdade e de desenvolvimento das potencialidades de cada indivíduo [...] 2) A partir da discussão do vídeo e da leitura dos textos anteriores, cite alguns desafios para o cumprimento dos direitos humanos na atuação médica: ü ü ü ü ü ü ü ü 52 ESCALA MUSICAL ♪ Samba Manifesto Bezerra da Silva MÚSICA JANELA DE INTERAÇÃO Saúde e Direitos Humanos Se você pensa em subir Não deixe a sua moral cair Porque repercute mal para você Não adianta sua fama rolando pelo mundo todo Porém a sua moral se assemelhando com o lodo Aqui vai o meu protesto, porque não dizer? O meu samba manifesto Que admite que o céu é limite pra quem quer subir Porém não deixe a sua moral cair Se você pensaem subir Se você pensa em subir, não deixe a sua moral cair Porque repercute mal para você Não adianta sua fama rolando pelo mundo todo Porém a sua moral se assemelhando com o lodo Aqui vai o meu protesto, porque não dizer? O meu samba manifesto Que admite que o céu é limite pra quem quer subir Porém não deixe a sua moral cair Se você pensa em subir ATIVIDADES 1) DISCUSSÃO A) Como podemos discutir ética e moral a partir da letra Samba Manifesto? <ALBUQUERQUE, Aline (org). Manual de direitos humanos para médicos. Brasília: FENAM; UniCEUB 2014.> 2) Escolha um dos temas elencados do quadro acima e elabore uma apresentação com seu colega, retomando as possibilidades de acolhimento apresentadas na unidade dois (2). 53 TEXTO 05 ALERTA AOS MÉDICOS E À POPULAÇÃO Brasília, 22 de junho de 2017 Considerando o papel das vacinas como meio de prevenir doenças, de modo individual e coletivo, o que é comprovado por inúmeros estudos científicos e pelos indicadores epidemiológicos, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) vem a público ressaltar que: 1) A falta injustificada de vacinações pode ter consequências desastrosas, como aumento da morbidade e da mortalidade de crianças, de adolescentes e da população adulta, consolidando um retrocesso em termos de saúde pública; 2) Deve ser observado rigorosamente o cumprimento das exigências do calendário vacinal, levando as crianças e os adolescentes aos postos de saúde para receberem as doses necessárias a sua proteção contra doenças evitáveis; 3) Os médicos brasileiros, cientes de suas responsabilidades éticas, técnicas e legais, devem orientar a população sobre a importância da vacinação, esclarecendo suas dúvidas e ressaltando os benefícios de estar com o calendário vacinal atualizado; 4) Não se vacinar ou impedir que as crianças e os adolescentes o façam pode causar enormes problemas para a saúde pública, como o surgimento de doenças graves ou o retorno de agravos de forma epidêmica, como a poliomielite, o sarampo, a rubéola, entre outros. 5) Boatos ou notícias que relacionam a vacina a efeitos colaterais, presença de elementos tóxicos ou nocivos em sua composição, sua ineficácia ou possível substituição por outros métodos não possuem, em geral, base técnica ou científica. Com essa manifestação, o CFM e a SBP conclamam a população, os médicos e os demais profissionais da saúde a se aliarem contra o movimento antivacinas, que existe em vários países e tem crescido no Brasil, em especial com o incremento das redes sociais, trazendo enormes prejuízos para a saúde pública. Vacinar-se e vacinar crianças e adolescentes correspondem a atos de cidadania. Recusar-se a estas práticas pode ser, inclusive, considerado uma ação de negligência. Finalmente, o CFM e a SBP reiteram seus compromissos com a saúde e o bem-estar da população, objetivo cotidiano da atuação dos 420 mil médicos brasileiros. <https://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=27006:2017-06-23-13-57-28&catid=3> 54 ATIVIDADES A partir da leitura do texto anterior é possível verificar a importância da informação e de sua divulgação na sociedade. O direito à informação e à expressão estão listados no artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos: “Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; esse direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.” 1) Com o advento da internet e, em especial, das redes sociais, verifica-se cada vez mais escândalos acerca da divulgação de informações confidenciais de pacientes por parte de alguns profissionais da área da saúde. Qual princípio fundamental esse profissional estaria descumprindo? Comente a importância do princípio em questão. 2) Um amigo médico decide compartilhar a seguinte postagem “Água de Quiabo cura diabetes!” em uma rede social da qual você participa. Qual seria seu posicionamento diante dessa notícia? Que relação é possível estabelecer com o Código de Ética Médica. Fonte: texto e imagem de ampla circulação nas redes sociais 55 ○6 OBJETIVOS •Apresentar definição de IST e das principais infecções no Brasil; •Promover discussão sobre a relação HIV/AIDS e a desconstrução de estigmas e estereótipos; •Possibilitar reflexões sobre o papel da linguagem para uma interação médico- paciente satisfatória e humanizada; •Propiciar reflexão acerca da percepção das mensagens socioculturalmente construídas e como refletem na qualidade do cuidado em saúde. 56 POPULAÇÕES E HIV Relatório da GAP - UNAIDS IST`S E AIDS RODA DE CONVERSA Você já ouviu falar do relatório GAP da UNAIDS? Comente essas estatísticas. Em sua opinião, quais são os maiores grupos de risco? Na sequência, você vai encontrar dados estatísticos desse relatório. Após a leitura, qual deles mais te surpreendeu? 57 <http://unaids.org.br/wp-content/uploads/2015/06/10496120_755177287895223_8514351304395174013_o.jpg . Acesso em 05/09/2017.> 58 TEXTO 01 O QUE SÃO IST As Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) são causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos. São transmitidas, principalmente, por meio do contato sexual (oral, vaginal, anal) sem o uso de camisinha masculina ou feminina, com uma pessoa que esteja infectada. A transmissão de uma IST pode acontecer, ainda, da mãe para a criança durante a gestação, o parto ou a amamentação. Qual o tratamento O tratamento das pessoas com IST melhora a qualidade de vida e interrompe a cadeia de transmissão dessas infecções. O atendimento e o tratamento são gratuitos nos serviços de saúde do SUS. Atenção: A terminologia Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) passa a ser adotada em substituição à expressão Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), porque destaca a possibilidade de uma pessoa ter e transmitir uma infecção, mesmo sem sinais e sintomas. COMO É A PREVENÇÃO DAS IST O uso da camisinha (masculina ou feminina) em todas as relações sexuais (orais, anais e vaginais) é o método mais eficaz para evitar a transmissão das IST, do HIV/aids e das hepatites virais B e C. Serve também para evitar a gravidez. A camisinha masculina ou feminina pode ser retirada gratuitamente nas unidades de saúde. Quem tem relação sexual desprotegida pode contrair uma IST. Não importa idade, estado civil, classe social, identidade de gênero, orientação sexual, credo ou religião. A pessoa pode estar aparentemente saudável, mas pode estar infectada por uma IST. POR QUE ALERTAR O PARCEIRO O controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) não ocorre somente com o tratamento de quem busca ajuda nos serviços de saúde. Para interromper a transmissão dessas infecções e evitar a reinfecção, é fundamental que as parcerias também sejam testadas e tratadas, com orientação de um profissional de saúde. As parcerias sexuais devem ser alertadas sempre que uma IST for diagnosticada. É importante a informação sobre as formas de contágio, o risco de infecção, a necessidade de atendimento em uma unidade de saúde, as medidas de prevenção e tratamento (ex.: relação sexual com uso de camisinha masculina ou feminina até que a parceria seja tratada e orientada). 59 TEXTO 02 O que é HIV HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana. Causador da aids, ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. As células mais atingidas sãoos linfócitos T CD4+. E é alterando o DNA dessa célula que o HIV faz cópias de si mesmo. Depois de se multiplicar, rompe os linfócitos em busca de outros para continuar a infecção. Ter o HIV não é a mesma coisa que ter aids. Há muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença. Mas podem transmitir o vírus a outras pessoas pelas relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação, quando não tomam as devidas medidas de prevenção. Por isso, é sempre importante fazer o teste e se proteger em todas as situações. Biologia O HIV é um retrovírus, classificado na subfamília dos Lentiviridae. Esses vírus compartilham algumas propriedades comuns: período de incubação prolongado antes do surgimento dos sintomas da doença, infecção das células do sangue e do sistema nervoso e supressão do sistema imune. ATIVIDADES Como profissional de saúde, você acaba de receber uma equipe de adolescentes que está fazendo uma pesquisa sobre o HIV. Esses jovens querem a ajuda de um médico para completar a tabela que estão criando e que será disponibilizada na escola para a Feira de Ciências. Com base nessa informação, ajude- os a completá-la. ASSIM PEGA ASSIM NÃO PEGA 1) Sexo vaginal sem camisinha; 2) Talheres/copos; 3) Uso de seringa por mais de uma pessoa; 4) Da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação; 5) Instrumentos que furam ou cortam não esterilizados. 6) Suor e lágrima; 7) Transfusão de sangue contaminado; 8) Sexo anal sem camisinha; 9) Banheiro; 10) Sexo desde que se use corretamente a camisinha; 11) Masturbação a dois; 12) Beijo no rosto ou na boca; 13) Picada de inseto; 14) Aperto de mão ou abraço; 15) Sabonete/toalha/lençol 16) Assento de ônibus; 17) Piscina; 18) Sexo oral sem camisinha; 19) Doação de sangue; 20) Pelo ar. < http://www.aids.gov.br/pt-br/publico-geral/o-que-e-hiv. Acesso em 05/09/2017. 60 ATIVIDADE EM GRUPO Organizem-se em cinco (5) grupos e selecionem uma das IST para leitura e posterior apresentação para os colegas de sala, indicando os pontos mais importantes TEXTO 03 SÍFILIS Transmitida pela bactéria Treponema pallidum, a infecção apresenta diferentes estágios, do primário ao terciário, e tem maior potencial de infecção nas duas primeiras fases, que costumam ocorrer até 40 dias após o contágio. É transmitida por relações sexuais ou pode ser passada da gestante para o bebê. “A sífilis congênita, que é notificada compulsoriamente no Ministério da Saúde, é transmitida de mãe para filho e teve aumento de quase 200% ao longo dos últimos dois anos”, alerta a infectologista Brenda Hoagland, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz). Os sintomas são feridas na região genital (na fase primária) e manchas no corpo que sugerem uma alergia (na fase secundária). O tratamento da doença é gratuito na rede pública, feito com penicilina. O problema é que os sintomas podem se curar sozinhos e passar despercebidos. “O fato de uma pessoa não ter mais sintomas não significa que esteja curada. Esse é o grande problema e faz com que o diagnóstico esteja muito abaixo do necessário”, avisa Brenda. A sífilis terciária pode aparecer de dois a quarenta anos após o início da infecção, podendo causar lesões neurológicas, cardiovasculares e levar à morte. “Pessoas com vida sexual ativa e que tenham relações desprotegidas devem fazer o teste para a sífilis independentemente dos sintomas, da mesma forma que devem fazer testes para o HIV e serem vacinadas contra Hepatite B”, recomenda Brenda, lembrando que a sífilis aumenta o risco de infecção por HIV. O acompanhamento da gestante no pré-natal também é fundamental para evitar a transmissão da doença para o bebê. A sífilis pode levar à má-formação do feto, surdez, cegueira e deficiência mental. 61 HPV O Papilomavírus Humano existe com mais de 200 variações e se manifesta por meio de formações verrucosas - que podem aparecer no pênis, vulva, vagina, ânus, colo do útero, boca ou garganta (sorotipos 6 e 11). O sexo é a principal forma de transmissão do HPV, seja pelo coito ou pelo sexo oral. O HPV é uma preocupação grave de saúde pública pelo potencial de alguns tipos do vírus causarem câncer, principalmente no colo do útero e no ânus, mas também na boca e na garganta, que vêm aumentando entre os jovens. O vírus pode ficar latente por períodos prolongados sem que haja sintomas, e é difícil erradicar a infecção por completo. Por isso, especialistas recomendam que mulheres em idade reprodutiva façam exames preventivos anuais no colo do útero para monitorar o aparecimento de possíveis lesões que antecedem o câncer e que podem ser tratadas. A infectologista Brenda Hoagland, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), estende a recomendação a homens que fazem sexo anal desprotegido, e devem fazer exames preventivos na região anal e no reto. No fim do ano passado, o Ministério da Saúde anunciou que a vacina quadrivalente que protege contra quatro tipos de HPV passaria a ser oferecida também para meninos, na faixa de 1 2 a 1 3 anos. Até agora, a vacina só era disponibilizada para meninas de 9 a 13 anos. GONORREIA A doença é causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, que infecta sobretudo a uretra. O sintoma mais comum é a presença de corrimento na região genital, mas a infecção pode causar dor ou ardor ao urinar, dor ou sangramento na relação sexual e, nos homens, dor nos testículos. A maioria das mulheres infectadas não apresenta sintomas. O tratamento é feito com antibiótico e deve ser estendido ao parceiro, mesmo que este não tenha sintomas. Quando não tratada, a infecção pode atingir vários órgãos, como o testículo, nos homens, e o útero e as trompas, nas mulheres, e pode causar infertilidade e complicações graves. Os ditongos abertos ‘éi’ (como em Gonorreia), ‘ói’ e ‘éu’ das palavras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na penúltima sílaba) perderam o acento na última reforma ortográfica. Confira a tabela no final desta unidade com as principais mudanças. 62 HERPES GENITAL Transmitido pela relação sexual com uma pessoa infectada, o vírus do herpes causa pequenas bolhas e lesões dolorosas na região genital masculina e feminina. As feridas podem acompanhar ardor, coceira, dor ao urinar e mesmo febre, e os sintomas podem reaparecer ou se prolongar quando a imunidade está baixa. “O herpes não tem cura. A partir do momento que você tem uma infecção, você ter vários episódios ao longo da vida. A única forma de prevenção é o preservativo”, ressalta a infectologista Brenda Hoagland, da Fiocruz. Além do incômodo causado pelas lesões, o herpes pode facilitar a entrada das outras doenças sexualmente transmissíveis. Os portadores do vírus devem ter cuidado redobrado para não transmiti- lo, o que ocorre principalmente quando as feridas estão presentes, mas pode também ocorrer na ausência das lesões ou quando elas já estão cicatrizadas. A doença pode ter consequências graves durante a gravidez, podendo provocar aborto e trazer sérios riscos para o bebê. HEPATITE B OU C No Brasil, as formas virais mais comuns de hepatite ou inflamação do fígado são as causadas pelos vírus A, B ou C. A hepatite B é transmitida sexualmente, e também por transfusão de sangue e compartilhamento de material para uso de drogas, entre outros. As mesmas formas valem para a hepatite C, mas a transmissão sexual é mais rara, por isso, ela não é considerada propriamente uma infecção sexualmente transmissível. De acordo com o Ministério da Saúde, milhões de brasileiros são portadores dos vírus B ou C e não sabem. Correm, assim, o risco de desenvolver a doença crônica e ter graves danos ao fígado, como cirrose e câncer. A vacina contraa hepatite B é gratuita e disponível na rede pública. O diagnóstico é feito por meio de exame de sangue e o tratamento pode combinar medicamentos e corte de bebidas alcoólicas. Os sintomas para ambas as doenças são raros, mas podem incluir cansaço, tontura, enjoo e pele e olhos amarelados. Como a doença é considerada “silenciosa”, é indicado realizar exames de rotina que detectam todas as suas formas. Ainda não há vacina para a hepatite C. <Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39093771. Acesso em 05/09/2017. 63 JANELA DE INTERAÇÃO Escolha uma das IST discutidas nesta unidade e elabore, com um colega, uma apresentação. Lembre-se de abordar: definição, sintomas, prevenção e tratamento da IST. ATIVIDADE DE VÍDEO “HIV E AIDS – E NÃO IA DAR EM NADA” Depois de assistir ao vídeo (https://www.youtube. com/watch?v=u0GTjRpUmds) da unidade, reponda as perguntas ou solicitações: c) De acordo com os participantes do vídeo, há ainda informações errôneas em relação ao vírus HIV e a síndrome da imunodeficiência adquirida. Discorra sobre essa diferença. d) No vídeo, os participantes falam da questão da promiscuidade e da transmissão, chamando atenção para os chamados “grupo de risco”. Atualmente, ainda há a distinção entre grupo de risco e grupo de não risco? TEXTO 04 O estigma relacionado ao HIV refere- se às crenças, atitudes e sentimentos negativos em relação às pessoas vivendo com o HIV (como também em relação seus familiares e pessoas próximas) e outras populações que estão em maior risco de infecção pelo vírus (populações- chave), como gays e outros homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo e travestis e transexuais. TEXTO 05 A discriminação relacionada ao HIV refere-se ao tratamento desigual e injusto (por ação ou omissão) de um indivíduo baseado em seu estado HIV real ou percebido. A discriminação, no contexto do HIV, também inclui o tratamento desigual daquelas populações mais afetadas pela epidemia. Discriminações relacionadas ao HIV normalmente baseiam-se em atitudes e crenças estigmatizantes em relação a comportamentos, grupos, sexo, doenças e morte. A discriminação pode ser institucionalizada através de leis, políticas e práticas que focam negativamente em pessoas que vivem com o HIV e grupos marginalizados. 64 ATIVIDADE DE VÍDEO 1 Série Unidade Básica de Saúde A série Unidade Básica de Saúde foi inspirada em casos reais da atuação de médicos brasileiros que atuam em regiões periféricas oferecendo medicina preventiva nas áreas de Pediatria, Ginecologia, Clínica Geral, Enfermagem e Odontologia. A primeira temporada foi exibida em setembro de 2016. Segundo, Helena Petta, uma das idealizadoras da série1:“Um dos principais motivos de fazer uma série dentro do SUS é mostrar que existe um sistema que dá certo e que, embora tenha muitas dificuldades, nele existem profissionais que ajudam e muito a população”. Dr. Paulo, o protagonista da série, é um médico muito experiente que trabalha há mais de 15 anos em uma Unidade Básica de Saúde da periferia de São Paulo. Acredita que pode, de fato, melhorar a qualidade de vida das pessoas através do acompanhamento médico. Bem-humorado e amável com os pacientes, Dr. Paulo é aclamado pela comunidade que atende. Sua vida muda de uma hora para outra com a chegada da ambiciosa Dra. Laura. Formada em engenharia química e medicina, Laura acredita que está na UBS só de passagem, como uma forma de conciliar trabalho e estudo em busca de um objetivo maior: uma carreira bem sucedida e remunerada em um importante hospital particular. A trama de cada episódio vai envolvendo cada vez mais os dois personagens enquanto eles aprendem a lidar com as suas diferenças. Adaptação da sinopse disponível em: https://filmow.com/unidade-basica-t191842/ficha-tecnica/ Entrevista disponível em: http://www6.ensp.fiocruz.br/radis/revista-radis/172/reportagens/unidade-basica Nota: As atividades de vídeo sobre a série Unidade Básica foram extraídas e ajustadas a partir do material “Oi, Doutor!” produzido por Nelson Viana, Patrícia de Oliveira Lucas e Tábata Quintana Yonaha. 65 ATIVIDADES A seguir encontramos imagens dos principais personagens da série que você irá assistir. Leia atentamente as características de cada um e indique o número de acordo com a descrição. ( ) “A gente acha que tem que aprender tudo sobre as doenças, mas esquece de aprender um pouco mais sobre as pessoas”. Essa foi uma frase dita pelo Dr. Paulo, o médico mais experiente da UBS que luta por um atendimento humanista. Características físicas: meia idade, branco, cabelo e barba de cor preta, olhos de cor escura. 1 2 3 4 5 66 ( ) Samara é a estagiária do 6º ano de Medicina. É a mais nova da equipe e encara o desafio apenas como parte de sua obrigação curricular. Características físicas: jovem, branca, cabelos loiros, olhos de cor clara. ( ) Beth é a gerente da UBS. Iniciou a carreira como enfermeira, mas logo assumiu a gerência da UBS. Características físicas: negra, olhos de cor escura, usa turbante. ( ) Dr. Laura é recém-formada em medicina e é mais voltada para uma abordagem que lide com as questões biomédicas. Jovem, branca, cabelos loiros, olhos de cor clara. ( ) Agente Comunitário de Saúde, Malaquias é um integrante importante da equipe, pois costuma fazer a ponte entre a comunidade e os membros da UBS. Características físicas: jovem, cabelos e barba de cor escura, olhos de cor escura. ATIVIDADE DE VÍDEO 2 Agora você assistirá o Episódio 2 da Série Unidade Básica. Enquanto assiste ao vídeo, observe questões éticas e tome notas para discussão posterior. 1) Em grupos, discutam questões éticas que se destacaram no episódio. 2) Com base nesse mesmo episódio, responda as seguintes questões: a) Dentre os membros da equipe de uma UBS quem conhece mais de perto a rotina familiar? _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ b) Além do uso do jaleco, qual outra peça é fundamental durante as visitas familiares? _______________________________________________________________________________________ 67 ATIVIDADE PRÁTICA No episódio assistido, há referência a uma suposta cura pelo pastor Aberaldo. No Brasil, a principal religião é o catolicismo. No entanto, por ser um país religiosamente diverso, há também adeptos ao protestantismo, espiritismo, budismo, testemunhas de Jeová, religiões afro-brasileiras, dentre outras. Tendo em vista o respeito às crenças dos pacientes, elabore um diálogo em que você, como médico, auxilie com mais informações o pastor Aberaldo e seu paciente, Juliano para esclarecer a importância do o tratamento medicamentoso sem necessariamente comprometer a fé. _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ 68 Confira as principais mudanças no quadro a seguir e, em duplas, faça o Quiz online recomendado no final da tabela. Reforma Ortográfica (RO): Novas Regras (NR) RO / NR Observação Exemplos Atenção!!! Trema Deixou de ser usado, mas nada muda na pronúncia. bilíngue; pinguim; cinquenta; linguistico; delinquente; antiguidade; quinquênio; tranquilo; sequestro; consequência; aguentar; sagui; arguir. Exceção para nomes próprios estrangeiros (como Müller e Bündchen) Ditongos abertos Os ditongos 'éi', 'ói' e 'éu' só continuam acentuados no final da palavra. boia; paranoico; heroico; plateia; ideia; tipoia Céu, dói, chapéu, anéis, lençóis não mudam!!! O acento será mantido em destróier e Méier, conforme a regra que manda acentuar os paroxítonos terminados em 'r' Acento diferencial de tonicidade Não se acentuam mais certos substantivos e formas verbais para distingui-los graficamente de outras palavras. 1) Vou para casa. (preposição) 2) Ela não para de chorar. (verbo) 3) Vou pelo morro/pela estrada. (contração de preposição + artigo) 4) O pelo do gato. (substantivo) 5) Eu pelo/ele pela a cabeça. (verbo) Esta regra aplica-se também às palavras compostas: para-brisa, para-raios. Para evitar confusões, foram mantidos os acentos do verbo pôr e da forma do pretérito perfeito pôde. O acento de fôrma (distinto de forma) é facultativo Acento circunflexo Os hiatos 'oo' e 'ee' não recebem mais acento. abençoo; perdoo; magoo; enjoo; leem; veem; deem; creem; voo Continuam acentuados (ele) vê, (eles) vêm [verbo vir], (eles) têm etc. Acento agudo sobre o 'u' 1. Não se acentua mais o 'u' tônico das formas verbais argui, apazigue, averigue 2. Não se acentuam mais o 'u' e o 'i' tônicos precedidos de ditongo em palavras paroxítonas feiura; bocaiuva; baiuca; Sauipe Feiíssimo e cheiíssimo continuam acentuados porque são proparoxítonos; bem como Piauí e teiú, que são oxítonos. Hífen O hífen é empregado: 1. Se o segundo elemento começa por 'h'; 2. Para separar vogais ou consoantes iguais; 3. Prefixos 'pan' ou 'circum', seguidos de palavras que começam por vogal, 'h', 'm' ou 'n' 4. Com 'pós', 'pré' 'pró' I. geo-história; giga- hertz; bio-histórico; super-herói; anti- herói; macro- história; mini-hotel; super-homem II. inter-racial; micro- ondas; micro-ônibus; mega-apagão; sub- bibliotecário; sub-base; anti- imperialista; anti- inflamatório; contra- atacar; entre-eixos; hiper-real; infra- axilar III. pan-negritude; pan- hispânico; circum- murados; pan- americano; pan- helenismo; circum- navegação IV. pós-graduado; pré- operatório; pró- reitor; pós-auricular; pré-datado; pré- escolar. Esta regra não se aplica às palavras em que se unem um prefixo terminado em vogal e uma palavra começada por 'r' ou 's'. Quando isso acontece, dobra-se o 'r' ou 's': microssonda (micro + sonda), contrarregra, motosserra, ultrassom, infrassom, suprarregional. 69 Quiz online recomendado “Jogo das Novas Regras Ortográficas – Reconhecendo Texto e Contexto disponível em http://www5.fgv.br/fgvonline/Cursos/gestao/Quiz---Jogo-Das-Novas-Regras-Ortograficas--- Reconhecendo-Texto-E-Contexto/OCWQUISEAD-01slsh2009-1/OCWQUISEAD_00/SEM_TURNO/ Fonte: José Carlos de Azeredo, professor adjunto de língua portuguesa da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), autor de Gramática Houaiss da língua portuguesa e coordenador e consultor do livro. Escrevendo pela nova ortografia (Instituto Antônio Houaiss/Publifolha). Link: https://educacao.uol.com.br/portugues/reforma-ortografica/2009/02/02/ult7238u32.jhtm 70 ○7 OBJETIVOS •Promover reflexões sobre desigualdades sociais no Brasil; •Fomentar discussões sobre a relação entre desigualdades sociais e saúde pública no Brasil. 71 7 Quais são as três primeiras palavras que vem à sua mente quando você ouve a expressão ‘desigualdades sociais’? Liste-as a seguir: - - - - DESIGUALDADES SOCIAIS Pensando nas desigualdades sociais mais recorrentes no contexto brasileiro, observe as figuras apresentadas a seguir e escreva a temática central correspondente a cada uma delas, de acordo com sua opinião. Fonte: http://conteudoms.com/site/ver-conteudo/trabalho-infantil-em-6-anos-15.675- menores-foram-vitimas-de-acidentes-de-tr Fonte:https://istoe.com.br/o-abandono-dos-idosos-no-brasil/ Fonte: http://www.cearaagora.com.br/site/fome-cai-no-brasil-em-dez-anos-aponta-relatorio-da-onu/ 72 TEXTO 01 Leia o poema “O Bicho” de Manuel Bandeira e responda as perguntas subsequentes: O Bicho Manuel Bandeira Vi ontem um bicho Na imundície do pátio Catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa, Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade. O bicho não era um cão, Não era um gato, Não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem. ATIVIDADE a) Ao concluir a leitura do poema, escreva um parágrafo sobre o impacto causado por ele. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ b) Por quê você imagina que a expressão “Meu Deus” foi usada para apresentar o homem como um bicho? Pense em mais exemplos desse uso e apresente-os. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ c) Tendo o poema como referência e fazendo uso do imperativo2 em língua portuguesa, quais recomendações você poderia dar à população com relação aos temas: alimentação e higiene pessoal? Utilize as imagens do quadro a seguir para elaborar essas sentenças. 73ATIVIDADE DE VÍDEO Assista ao curta (https://www.youtube.com/ watch?v=6Dp4ZAjRvCU) dirigido pelo cineasta e discuta, em grupo, as questões propostas. a) Comente a relação entre o título do documentário e possíveis sentimentos despertados pelo contexto apresentado. b) Considerando o contexto do vídeo, discuta e aponte a quais doenças os moradores da Ilha possivelmente estão expostos. c) Que comunidades ainda continuam a passar pelos problemas sociais descritos no vídeo? d) A partir dos cenários do documentário, qual relação pode ser estabelecida entre saúde e pobreza? 74 TEXTO 02 Pobreza encurta a vida mais que obesidade, álcool e hipertensão Estudo critica a OMS por não incluir a desigualdade como fator ser combatido A evidência científica é robusta: a pobreza e a desigualdade social prejudicam seriamente a saúde. No entanto, as autoridades de saúde não dão a esses fatores sociais a mesma atenção que dedicam a outros quando tentam melhorar a saúde dos cidadãos. Um estudo sobre 1,7 milhão de pessoas, publicado pela revista médica The Lancet, traz de volta esse problema negligenciado: a pobreza encurta a vida quase tanto quanto o sedentarismo e muito mais do que a obesidade, a hipertensão e o consumo excessivo de álcool. O estudo é uma crítica às políticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que não incluiu em sua agenda este fator determinante da saúde — tão importante ou mais do que outros que fazem parte de seus objetivos e recomendações. “O baixo nível socioeconômico é um dos mais fortes indicadores de morbidade e mortalidade prematura em todo o mundo. No entanto, as estratégias de saúde global não consideram as circunstâncias socioeconômicas pobres como fatores de risco modificáveis”, dizem os autores do estudo publicado pela The Lancet, cerca de trinta especialistas de instituições de prestígio como a Universidade de Columbia, o King’s College de Londres, a Escola de Saúde Pública de Harvard e o Imperial College de Londres. Seu trabalho se concentrou nos dados de 1,7 milhão de pessoas para analisar como o nível socioeconômico influi na saúde e na mortalidade em comparação com outros fatores mais convencionais, como o tabagismo ou a obesidade. O resultado está de acordo com estudos anteriores: a pobreza é um agente que afeta a saúde de forma tão sólida e consistente como o tabaco, o álcool, o sedentarismo, a hipertensão, a obesidade e o diabetes. Além disso, a capacidade de encurtar a vida é maior do que vários desses fatores. O baixo nível socioeconômico reduz a expectativa de vida em mais de 2 anos (2,1) em adultos entre 40 e 85 anos; o alto consumo de álcool reduz em meio ano; a obesidade encurta 0,7 ano; o diabetes reduz a expectativa de vida em 3,9 anos; a hipertensão em 1,6 ano; o sedentarismo, 2,4 anos; e o pior, reduzindo a média de vida 4,8 anos, o hábito de fumar. A escolha desses fatores não é casual: são aqueles tomados pela OMS para combater as doenças não contagiosas no seu plano para reduzir sua incidência em 25% até 2025, o chamado objetivo 25x25. “Nossas descobertas sugerem que as estratégias e ações globais definidas no plano de saúde da OMS excluem de sua agenda um importante determinante da saúde”, criticam os pesquisadores, liderados por Silvia Stringhini, do Hospital Universitário de Lausanne. E acrescentam: “A adversidade socioeconômica deve ser incluída como fator de risco modificável nas estratégias de políticas de saúde locais e globais e no monitoramento do risco para a saúde”. Da mesma maneira que se pode promover o abandono do hábito de fumar ou o esporte entre a população, o artigo defende que o fator socioeconômico também pode ser modificado em todos os níveis, com intervenções como a promoção do 75 desenvolvimento na primeira infância, as políticas de redução da pobreza ou a melhoria no acesso à educação. Portanto, as estratégias de prevenção para as doenças crônicas estão equivocadas por não abordarem “poderosas soluções estruturais”. Não é ideologia, mas ciência “A força da evidência do efeito do nível social sobre a mortalidade, como exemplifica o estudo de Stringhini e seus colegas, agora é impossível de ignorar”, diz um comentário na The Lancet assinado por Martin Tobias, especialista do Ministério da Saúde da Nova Zelândia. Ele acrescenta: “Eles baseiam seu argumento não na ideologia política, mas na ciência rigorosa”. De acordo com o epidemiologista, ter baixo nível socioeconômico “significa ser incapaz de determinar o próprio destino, privado de recursos materiais e com oportunidades limitadas, que determinam tanto o estilo de vida quanto as oportunidades de vida”. O pesquisador espanhol Manuel Franco, que não participou do estudo, acredita que “é importante que os autores mostrem que o fator socioeconômico importa, e importa tanto quanto os apontados pela OMS”. “A evidência diz que a desigualdade mata. Estamos interessados na saúde do país, tanto na dos pobres quanto na dos ricos? Esse fator não é atacado porque não interessa”, diz Franco, epidemiologista da Universidade de Alcalá de Henares, especialista nos efeitos dos fatores sociais e ambientais sobre a saúde. Franco explica como nos países ricos (o estudo foi centrado em dados do Reino Unido, França, Suíça, Portugal, Itália, Estados Unidos e Austrália) há diferenças “insuportáveis” na expectativa de vida dentro da mesma cidade, como Barcelona, Madri, Glasgow ou Baltimore. “E a diferença não para de crescer: a expectativa de vida dos pobres não cresce como a dos ricos”, denuncia. E conclui: “Fazemos pesquisas para melhorar alguma coisa. Sabemos que existem fatores estruturais que prejudicam a saúde, mas as autoridades não querem atacá-los, preferem falar apenas dos fatores individuais: pratique esporte, não fume”. <Disponível em https://brasil.elpais.com/brasil/2017/01/31/ciencia/1485861765_197759.html. Acesso em 05/09/2017> ATIVIDADES 1) De acordo com o texto, a pobreza e a desigualdade social prejudicam seriamente a saúde. Como médico(a) de família, escreva nas linhas a seguir quais podem ser os principais desafios para o desenvolvimento da atenção primária à saúde em contextos de desigualdade social? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 2) “Sabemos que existem fatores estruturais que prejudicam a saúde, mas as autoridades não querem atacá-los, preferem falar apenas dos fatores individuais”. Escreva nas linhas a seguir outros fatores referidos no texto. _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 3) Em grupos de 5, leiam o texto 02 e anotem as informações mais relevantes. Na sequência, um dos membros do grupo deverá resumir e gravar em vídeo essas informações em forma de noticiário (de 3 a 4 minutos). Apresente o vídeo para os colegas. 76 Revisão do uso do Imperativo 77 ○8 OBJETIVOS • Abordar necessidades mais comuns das mulheres em relação à saúde; • Promover discussão sobre o papel e o valor da mulher na sociedade brasileira; • Propiciar reflexões acerca das políticas públicas de apoio à mulher e sobre a importância de papel mais ativo dos profissionais de saúde na garantia do bem-estar da população feminina. 78 8 SAÚDE DA MULHER RODA DE CONVERSA § Quais são as necessidades de atendimento médico mais comuns das mulheres? § A mulher no Brasil está bem amparada, no que diz respeito a suas demandas específicas de saúde? VOCÊ SABIA? A expressão dar à luz, popularmente utilizada como "dar a luz a alguém", escreve-se na verdade com crase no a e sem preposição depoisde luz, pois seu significado seria dar para a luz, entregar alguém para a luz (trazer alguém ao mundo). Podemos dizer, portanto, que Ela deu à luz uma linda menina. Lembrando: a crase é a junção da preposição ‘a’ com o artigo feminino ‘a’. Ela quase sempre ocorre, portanto, em casos em que há uma preposição ‘a’ seguida de palavra feminina com artigo, ou, ainda, nos casos equivalentes ao ‘a la’ do espanhol. Eu fui à UBS para ser atendido, depois fui à Clínica da Família fazer meu cadastro. 79 ATIVIDADE DE VÍDEO O renascimento do parto Você vai assistir ao trailer de um documentário intitulado “O renascimento do parto”, (https://www. youtube.com/watch?v=1zB-5ASFqm0). Antes de assistir a esse vídeo, comente com o professor o que você acha que ele retrata? ATIVIDADES Analisando o gráfico a seguir e considerando o vídeo assistido, responda as questões propostas: 1) A cesariana é apontada por especialistas como algo negativo ou positivo para a saúde da mãe e do bebê? Explique. 2) Qual a crítica que se faz à cesariana programada? 3) Uma das entrevistadas, falando sobre o problema de excesso de cesarianas, menciona “interesses que se entrelaçam”. Na sua opinião, tendo em vista o vídeo e o gráfico, quais seriam esses interesses? Discorra. 80 TEXTO 02 Machismo é questão de saúde pública, dizem mulheres reunidas em Brasília A 2ª Conferência Nacional de Saúde Pública das Mulheres termina em Brasília com propostas para melhorar o atendimento para a população feminina do país A 2ª Conferência Nacional de Saúde das Mulheres (CNSM) terminou neste domingo (20/8), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, com uma mensagem clara: machismo mata e adoece, e, por isso, deve ser visto como uma questão de saúde pública. Outro recado dado em alto e bom som pelas 1,8 mil delegadas presentes foi a disposição de cobrar do governo ações concretas que enfrentem o problema e melhorem o atendimento na rede pública para a população feminina. (...) “As mulheres têm que lutar por um atendimento melhor. O que fizemos aqui, durante a conferência, foi só mostrar como tem que ser esse atendimento”, comentou a coordenadora-geral do evento, a catarinense Carmem Lucia Luiz, que representa no CNS a União Brasileira de Mulheres (UBM) e é enfermeira sanitarista com 33 anos de experiência. “Acredito que, no mínimo, tem de ser um atendimento que considere o segmento ao qual cada uma pertence, um atendimento mais integral, que veja a mulher como um todo, que considere e respeite a diversidade da nossa realidade”. Machismo Para os presentes, está claro que a questão de gênero está intimamente ligada à saúde. As relações desiguais, com a desvalorização da mulher, favorecem violências física ou psicológica, que causam depressão, condições de subsistência inadequadas, lesões corporais e morte. De acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) presentes no Mapa da Violência 2015 - Homicídios de Mulheres no Brasil, para cada grupo de 100 mil mulheres brasileiras, eram 4,8 assassinatos, número que é o quinto pior entre os dados de 83 países. Em 33% desses feminicídios, ou 1.583 casos, parceiros ou ex-parceiros foram os autores — são quatro dessas mortes por dia no país. “Machismo mata, causa doença, vira depressão, ou seja, é problema de saúde, sim”, diz o presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Ronald Santos. “Por isso é importante uma política pública para o enfrentamento do conjunto das iniquidades”, argumenta o responsável pelo órgão do Ministério da Saúde (MS) que dá diretrizes para o Sistema Único de Saúde (SUS). Essas três instituições estão à frente da organização da conferência, que terminará amanhã (domingo), com a apresentação de um relatório com propostas para atualização da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher. (...)Fonte: Correio Braziliense 81 ATIVIDADES 1) Deduza com seu colega, sem a ajuda de um dicionário, o significado dos termos destacados em negrito. Em seguida, assinale as alternativas correspondentes a palavras que podem substituir tais termos de acordo com o contexto: V. Segmento a) porção b) divisão c) retalho d) parcela VI. Subsistência a) sustento b) sobrevivência c) existência d) duração VII. Iniquidades a) injustiças b) pecados c) desigualdades d) crueldades VIII. Integral a) global b) natural c) inalterado d) inteiro RODA DE CONVERSA “Acredito que, no mínimo, tem de ser um atendimento que considere o segmento ao qual cada uma pertence, um atendimento mais integral, que veja a mulher como um todo, que considere e respeite a diversidade da nossa realidade”. Em grupos, analisem, discutam e comentem essa afirmação. 82 ESCALA MUSICAL ♪ Maria da Penha Paulinho Resende e Evandro Lima Interpretada por Alcione Comigo não, violão Na cara que mamãe beijou “Zé Ruela” nenhum bota a mão Se tentar me bater Vai se arrepender Eu tenho cabelo na venta E o que venta lá, venta cá Sou brasileira, guerreira Não tô de bobeira Não pague pra ver Porque vai ficar quente a chapa Você não vai ter sossego na vida, seu moço Se me der um tapa Da dona “Maria da Penha” Você não escapa O bicho pegou, não tem mais a banca De dar cesta básica, amor Vacilou, tá na tranca Respeito, afinal, é bom e eu gosto Saia do meu pé Ou eu te mando a lei na lata, seu mané Bater em mulher é onda de otário Não gosta do artigo, meu bem Sai logo do armário Não vem que eu não sou Mulher de ficar escutando esculacho Aqui o buraco é mais embaixo A nossa paixão já foi tarde Cantou pra subir, Deus a tenha Se der mais um passo Eu te passo a “Maria da Penha” Você quer voltar pro meu mundo Mas eu já troquei minha senha Dá linha, malandro Que eu te mando a “Maria da Penha” Não quer se dar mal, se contenha Sou fogo onde você é lenha Não manda o seu casco Que eu te tasco a “Maria da Penha” Se quer um conselho, não venha Com essa arrogância ferrenha Vai dar com a cara Bem na mão da “Maria da Penha” 83 ATIVIDADES 1) A letra da música possui um registro de língua específico e repleto de expressões idiomáticas. Que registro seria? 2) Em pequenos grupos, definam as expressões “tenho cabelo na venta”, “o bicho pegou” e “aqui o buraco é mais embaixo”, mantendo um vocabulário popular, de fácil compreensão. 3) Na sua opinião, a linguagem da canção, seu tema e ritmo atingem o público-alvo? Explique. ATIVIDADE DE VÍDEO Drauzio Varella aborda no vídeo “A evolução no tratamento do câncer de mama” Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=kISem4pEQJI Após assistir o vídeo e considerando outubro como o mês de conscientização acerca do câncer de mama, em duplas ou trios, elaborem uma breve fala à sua comunidade sobre o tema. Leve em conta fatores de prevenção, conscientização, diagnóstico e tratamento, utilizando dados, exemplos práticos e uma linguagem sempre clara e acessível. 84 ○9 OBJETIVOS • Abordar meios de se comunicar com o público infantil de forma clara, objetiva e dinâmica; • Focalizar problemas de saúde gerados por alimentação inadequada; • Oportunizar o desenvolvimento de argumentação oral e escrita relacionada a saúde da criança; • Retomar o tema de ética médica focada em contexto da saúde da criança. 85 9 SAÚDE DA CRIANÇA RODA DE CONVERSA Qual o papel da alimentação na saúde da criança? Você acha que, no Brasil, as crianças têm bons hábitos alimentares ou acesso a uma alimentação adequada? Quais seriam as consequências disso (a curto e a longo prazo) na saúde dessas crianças?ATIVIDADE 1) Você foi convidado pelo diretor de uma escola no município em que trabalha para dar uma palestra na rádio sobre o tema “Obesidade infantil”. O convite inclui a presença de outro colega da equipe da área de saúde. Com base nesse cenário, em duplas, desenvolvam as seguintes propostas: a) Qual colega da sua equipe de trabalho você convidaria. Por quê b) Em dupla, elaborem o roteiro da entrevista para uma apresentação hipotética na rádio da escola. 86 TEXTO O1 A POBREZA E O CÉREBRO DAS CRIANÇAS Viver na pobreza coloca em risco o desenvolvimento do cérebro das crianças. Mais tarde, elas levam desvantagem nos testes de quociente intelectual, tendo mais dificuldade de intelecção de textos, de concentração e de autocontrole. O grupo de Kimberly Noble, da Universidade Colúmbia, está iniciando um estudo que pretende realizar testes cognitivos para avaliar a integridade de diversos circuitos cerebrais, do nascimento à adolescência, nas crianças nascidas em famílias mais pobres. Com essa finalidade, levantaram-se fundos para esse programa de pesquisa. Foram acompanhadas mil crianças americanas divididas em dois grupos: no primeiro, as mães receberam durante três anos a quantia mensal de U$ 333 para suplementar o orçamento doméstico; no outro, a suplementação foi de apenas U$ 20. Nos dois grupos foram aplicados testes periódicos para avaliar as habilidades cognitivas visuais e auditivas, além de outras envolvidas no aprendizado e na tomada de decisões. Foram analisados, também, aspectos da vida familiar, como os níveis de estresse, a qualidade dos relacionamentos e o uso dos recursos recebidos. De modo geral, as crianças das famílias mais pobres levaram desvantagem nos testes de linguagem e memória e nas capacidades de autocontrole e concentração. Esses resultados estão de acordo com os de outros grupos que encontraram nas crianças das camadas mais pobres alterações anatômicas em áreas do cérebro envolvidas na cognição, entre as quais uma diminuição de volume do hipocampo, estrutura essencial para a formação das memórias. Em trabalho publicado na revista Nature Neuroscience, Noble mostrou que, em 1.099 crianças americanas estudadas, o nível educacional dos pais e o salário da família estão associados às dimensões do córtex cerebral, a camada mais superficial, formada pelas reentrâncias e saliências que coordenam funções complexas: memória, linguagem, atenção, pensamento abstrato e consciência. Crianças mantidas com rendas familiares anuais abaixo de U$ 25 mil apresentaram áreas do córtex cerebral em média 6% menores do que aquelas criadas em famílias que vivem com mais de U$ 150 mil anuais. A associação entre renda familiar e volume de determinadas áreas é encontrada em diversas partes do cérebro, mas é mais pronunciada nos centros que governam a linguagem, o controle de impulsos e outras formas de autorregulação. O cérebro é o órgão que mais consome energia. No recém-nascido, 87% das calorias ingeridas são gastas por ele. Esse número cai para 44% aos cinco anos, 34% aos dez, e para 23% nos homens e 27% nas mulheres adultas. As diarreias e as infecções parasitárias da infância interferem com o equilíbrio energético, uma vez que prejudicam a absorção de nutrientes e obrigam o organismo a investir energia na reparação dos tecidos lesados e na mobilização do sistema imunológico para localizar e atacar os germes invasores. Aos três anos de idade, o cérebro da criança atingiu 80% das dimensões do adulto. Nessa fase, já existem mil trilhões de conexões entre os neurônios (sinapses), aparato essencial para que o desenvolvimento intelectual aconteça em sua plenitude. Dos 18 meses aos quatro anos de idade, a maturação do córtex pré-frontal acontece com velocidade máxima. Essa área, que coordena funções de altíssima complexidade, depende de estímulos cognitivos múltiplos e variados para formar novas sinapses e reforçar a arquitetura das já existentes. O estresse causado por ambientes domésticos conturbados interfere com a construção e a arquitetura das sinapses, deixando falhas duradouras no cérebro infantil. Estrutura cuja característica fundamental é a plasticidade, isto é, a capacidade de formar novas conexões neuronais para suprir as que se perderam ou nem chegaram a se formar, o cérebro adulto poderá se recuperar mais tarde. A reconstrução, no entanto, será um processo laborioso, lento e imperfeito. <Drauzio Varella. https://drauziovarella.com.br/drauzio/artigos/a-pobreza-e-o-cerebro-das-criancas> 87 ATIVIDADES 1) De acordo com o estudo de Noble, as dimensões do córtex cerebral nas crianças analisadas estão associadas a duas causas. Quais são elas? 2) Há características, citadas no texto, que afetam negativamente o desenvolvimento do cérebro de crianças mais pobres. Entre as características apresentadas a seguir, assinale quais foram apontadas no texto: ( ) estresse familiar ( ) hipoglicemia ( ) diarreias e infecções parasitárias ( ) anemia falciforme 3) A partir da leitura do texto, produza um parágrafo, posicionando-se criticamente acerca da pobreza no Brasil e suas implicações no desenvolvimento cerebral das crianças. 88 TEXTO 02 Leia o texto a seguir e desenvolva as atividades propostas: Obesidade influencia de diferentes formas no aprendizado de crianças, mostra estudo RODA DE CONVERSA O outro lado da moeda na alimentação infantil no Brasil é a obesidade. A que se devem os níveis alarmantes de obesidade infantil em nosso país? Quais fatores desencadeiam nas crianças a compulsão por comida? Em sua opinião, os pais são os únicos responsáveis pela obesidade infantil? Discuta essa questão com seu grupo e apresente seus argumentos aos demais colegas Pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP mostra que a presença de obesidade infantil pode ter influência em algumas das habilidades cognitivas necessárias ao aprendizado. Já a prática de atividades físicas está entre os fatores que protegem a cognição das crianças. O estudo da fonoaudióloga Patrícia Aparecida Zuanetti analisou habilidades importantes para o aprendizado de crianças, além de seus níveis de leitura e escrita. Entre as verificadas, estão memória de trabalho fonológica, consciência fonológica, atenção focada e flexibilidade cognitiva e a nomeação automática rápida. Entre as crianças estudadas, a obesidade teve influência em habilidades específicas. “Por exemplo, ela influenciou negativamente, ou seja, trouxe um prejuízo nas tarefas de flexibilidade cognitiva, que é a capacidade de alternar entre estímulos diferentes”. Ao mesmo tempo, ela auxiliou positivamente a tarefa de memória fonológica. “Possivelmente isso acontece porque, apesar de ser uma tarefa que avalia a memória fonológica de curto prazo, ela necessita de uma atenção focada em somente um estímulo, demonstrando que em atividades de atenção focada ou atenção simples, essas crianças apresentam bom desempenho. No entanto, quando é necessário alternar a atenção – flexibilidade cognitiva – a capacidade de resolver tarefas decai”. A fonoaudióloga ressalta, porém, que o adequado desenvolvimento da linguagem escrita é dependente de diversos fatores nutricionais, orgânicos, genéticos e da estimulação ambiental. “Recomenda-se que as dificuldades de aprendizagem sejam detectadas o mais cedo possível, para que possa haver uma intervenção adequada”, enfatiza. A intervenção pode se basear na estimulação específica de habilidades alteradas, como por exemplo, terapia fonoaudiológica. “Também é importante orientar pais e professores sobre como estimular a capacidade linguística da criança, e para a prática de atividade física, entre outras”, afirma a pesquisadora. “A atividade física é considerada um fator protetorda cognição pois permite uma melhora da oxigenação do cérebro e provoca outras alterações fisiológicas que promovem melhora das habilidades cognitivas”, destaca. A memória de trabalho fonológica, explica a pesquisadora, “é um tipo de memória de curto prazo responsável por armazenar os estímulos verbais enquanto se realiza uma tarefa cognitiva, como por exemplo, guardar um número de telefone até conseguir ligar para alguém”. Na realização do teste de memória fonológica, as crianças precisaram repetir sequências de números e palavras sem significado. A consciência fonológica é a habilidade de refletir a respeito dos sons da fala, observando que, de acordo com a manipulação destes sons, pode-se formar palavras diferentes. “Por exemplo, ‘dente’ e ‘pente’ rimam, e como terminam sonoramente iguais, o final dessas palavras também deve ser escrito de forma igual”. Na avaliação desta habilidade, as crianças realizaram tarefas de reconhecimento de rimas, de percepção de fonema inicial e final das palavras ouvidas, entre outras. 89 Foi analisada ainda a flexibilidade cognitiva, que é a capacidade em alternar entre dois estímulos, conseguindo focar a atenção em ambos e utilizar cada habilidade de acordo com o necessário; no teste, as crianças tinham de ligar números e letras em ordem alfabética e numérica de modo alternado. Também fizeram parte dos testes a atenção focada, que é a capacidade de manter o foco em somente um único estímulo, seja este auditivo, visual ou de outra natureza; e a nomeação automática rápida, relacionada à velocidade de processamento – o tempo que uma pessoa leva para realizar a tarefa de nomear estímulos visuais. O estudo aplicou testes validados e padronizados para a população brasileira. “Além das habilidades abordadas nesta pesquisa, os testes avaliaram a capacidade de leitura e escrita das crianças”, aponta a fonoaudióloga. Todas as crianças analisadas tinham entre 8 e 12 anos de idade, 14 delas com diagnóstico de obesidade. “Esta condição era presente desde a primeira infância e elas continuavam obesas, mesmo com seguimento médico e orientação nutricional, oferecidas por um ambulatório específico de obesidade infantil”, relata Patrícia. O outro grupo tinha 28 crianças eutróficas, ou seja, que não apresentavam obesidade, vindas de escolas municipais. A pesquisa foi orientada pela professora Marisa Tomoe Hebihara Fukuda, da FMRP. Fonte: Júlio Bernardes.Jornal da USP ATIVIDADES 1) A pesquisa da FMRP mostrou as influências da obesidade infantil na cognição das crianças. De acordo com o texto, em que casos elas são mais acentuadas? _____________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________ 2) Segundo o texto, que fatores poderiam estar associados a uma criança que apresenta dificuldades ortográficas? _____________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________ 3) Quais outros problemas de saúde uma criança obesa pode desenvolver? _____________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________ 90 PRODUÇÃO ESCRITA Você foi convidado a escrever uma pequena notícia no jornal da sua cidade, recrutando os pais a levarem seus filhos para vacinação gratuita nos postos mais próximos. No texto, fale sobre a importância da vacinação infantil na saúde da criança e na prevenção de doenças, os riscos e consequências que envolvem o não-cumprimento da agenda de vacinas e destaque a facilidade e gratuidade do serviço. Atente-se à linguagem acessível à população 91 DEBATE Sob Pressão é uma série de televisão brasileira. Trata-se da rotina vivenciada por médicos em um hospital público. No oitavo episódio da série, uma menina chega em estado grave ao hospital e vai direto para cirurgia. A criança sofreu lesões no fígado e baço e, como perdeu muito sangue, precisará de transfusão. Todavia, um procedimento aparentemente simples não pode ser prontamente realizado, tendo em vista as seguintes questões: "Não, não pode de jeito nenhum. Nossa igreja não permite. Ela não pode receber sangue de outras pessoas." Foto: TV Globo Evandro faz de tudo para convencer os pais da pequena Kelly Foto: TV Globo PREPARAÇÃO Grupo dos jurados: O papel dos jurados, no decorrer da atividade, é elaborar critérios que devem ser utilizados para a atribuição (de 0 a 10) de notas com relação à performance dos debatedores. Grupo dos debatedores: O papel dos debatedores é apresentar argumentos bem fundamentados de acordo com o lado que deverão representar. 92 ○10 OBJETIVOS • Oportunizar discussões acerca do envelhecimento e de condições de saúde física e mental do idoso no Brasil; • Favorecer a prática de interpretação de conteúdos textuais sobre tópicos de saúde. 93 SAÚDE DO IDOSO De acordo com o Artigo 30 do Estatuto do Idoso: É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária Diante do exposto, como profissional da saúde, quais são os principais cuidados para a efetivação do cumprimento dessa lei? De acordo com essas imagens e com base em itens do artigo 30 do Estatuto do Idoso, quais direitos não estão sendo atendidos? Discuta com seus colegas. 10 94 Leia o texto 01 e realize as atividades propostas Abandono que adoece Paloma Oliveto Há uma cena que o voluntário José Elias Vieira dos Santos já se habituou a ver. Não que se acostume com a ideia. São pessoas chegando ao Lar Samaritano, uma instituição para idosos em Águas Lindas de Goiás, com ordem judicial. “Como o Estatuto do Idoso estabelece que mais de 30 dias sem visita já é abandono, os parentes são acionados pelo Ministério Público”, explica o administrador da casa. A realidade do abrigo localizado no Entorno do Distrito Federal não é diferente da de outras cidades e países. Com o aumento da expectativa de vida, o mundo observa a formação de um exército de solitários. Embora esse sentimento possa recrutar para suas fileiras pessoas de qualquer idade, o idoso está na linha de frente. “Nessa fase da vida, ele se depara com situações delicadas, como a perda ou o afastamento de pessoas queridas, doenças, aposentadoria, perda do corpo jovem e da independência, entre outros”, destaca a psicóloga Cecília Fernandes Carmona, autora do artigo A experiência de solidão e a rede de apoio social de idosas, publicado na revista Psicologia em Estudo. “Esse é um período de muitas transformações, marcado especificamente por várias perdas. O sentimento de solidão pode ser percebido como mais agudo pelo idoso por ele estar passando por todas as vicissitudes dessa fase”, explica. Nos últimos anos, diversos estudos têm apontado uma forte associação entre a solidão e a incidência de doenças crônicas em idosos.De fato, pesquisadores da Universidade de Chicago descobriram que o isolamento pode aumentar o risco de morte em 14% nas faixas etárias mais avançadas. O trabalho, liderado pelo psicólogo e especialista no assunto John Cacioppo, descobriu que o estresse provocado por essa sensação induz respostas inflamatórias nas células, afetando, entre outras coisas, a produção dos leucócitos, estruturas que defendem o organismo de infecções. Uma outra pesquisa, da Universidade de Brigham Young, publicada na revista especializada Perspectives on Psychological Science, comparou estatísticas de mortalidade e constatou que a solidão é tão prejudicial à saúde quanto fumar 15 cigarros por dia ou ser alcoólico. Recentemente, a revisão de 23 artigos científicos levou pesquisadores da Universidade de York a concluir que a solidão aumenta em 29% o risco de doenças coronarianas e em 32% o de acidentes vasculares. “Intervenções focadas na solidão e no isolamento social podem ajudar a prevenir duas das principais causas de morte e incapacidade em países de renda alta”, alertaram os autores. Combate ao Isolamento Se, no corpo, esse exílio social causa estragos, na mente ele pode ser devastador. “A solidão tende a ser vista como um fato isolado, passageiro, sendo até mesmo mal interpretada como ‘frescura’ ou excesso de sensibilidade, quando, na verdade, é um tema delicado e importante, que pode estar atrelado a outras condições e quadros”, observa Cecília Fernandes Carmona. “Quando não trabalhada, ela pode evoluir para um quadro mais grave, como depressão, levando até ao suicídio”, alerta. 95 Diante desses riscos, alguns países têm desenvolvido programas de combate à solidão na terceira idade. Na Inglaterra, onde 17,7% da população tem mais de 65 anos — percentual que deve aumentar para 24,3% em 2039 —, já existem campanhas nacionais, como a EndLoneliness. O país também lançou um serviço pioneiro: um 0800 que recebe ligações de pessoas mais velhas e solitárias. O relatório de atividades de 2016 diz que são feitas 1,4 mil chamadas por dia de idosos que, de outra maneira, não teriam com quem conversar. Para a médica gerontóloga Zaida Azeredo, autora de diversos livros e pesquisas sobre idosos, é urgente investir em espaços de lazer e de interação social, além de planos educativos de longo prazo. “Esses são fatores preventivos da solidão”, afirma. No ano passado, ela publicou o artigo Solidão na perspectiva do idoso na Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, descrevendo um estudo que fez com 73 idosos frequentadores de centros de convivência de Viseu, em Portugal. Quando perguntados como a sensação de estar só poderia ser diminuída, 28,8% elegeu passeios; 16,4% citou atividades, como ginástica, dança e trabalhos manuais. Quinze por cento escolheu a resposta “família estar mais presente/não abandonar o idoso”. (...) A importância do apoio familiar também foi constatada pela psicóloga Cecília Fernandes Carmona, que entrevistou mulheres de 62 a 80 anos em Uberaba, no Triângulo Mineiro. De acordo com ela, ao explicar o que leva à solidão, as idosas destacaram que o problema não é estar só. “O tempo em que se está sozinho pode se constituir como um momento de dedicação pessoal, ou seja, um período no qual se pode fazer coisas de que gosta, que trazem bem-estar”, esclarece. Mas isso só acontece quando o idoso tem certeza da força de seus vínculos sociais. “O apoio e a presença de familiares e amigos foram um forte fator de proteção contra o sentimento de solidão. Uma vez que o idoso se percebe amparado e bem atendido, ele sente mais confiança em estar sozinho”. Fonte: http://especiais.correiobraziliense.com.br/solidao-maltrata-o-cor-po-e-a-mente-dos-idosos ATIVIDADES 1) Segundo a autora, quais situações contribuem para que o idoso sinta muita solidão? _____________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ 2) No texto, a frase “a solidão é tão prejudicial à saúde quanto fumar 15 cigarros por dia ou ser alcoólico” é polêmica. Explique-a e dê sua opinião. _____________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ 96 3) Explique, em suas palavras, qual relação pode ser estabelecida entre o tempo sozinho como algo saudável e a presença dos familiares na vida do idoso. _____________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ 4) Que outras soluções poderiam ser pensadas para melhorar a qualidade de vida do idoso? Liste-as. § § § § § § 5) A solidão na terceira idade, segundo o texto, tem a renda familiar como fator decisivo ou é um problema global? Explique. ____________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________ RODA DE CONVERSA Em grupos, discutam as seguintes questões: a) O que é envelhecer? b) Quais são os medos e aflições de quem envelhece? c) Quais são as possíveis relações entre envelhecimento e estética? 97 ATIVIDADE DE VÍDEO Acesso em: https://globoplay.globo.com/v/2563519/ Na sequência você vai assistir duas partes de uma cena de um vídeo que trata do tema da violência contra o idoso. Uma das convidadas do programa afirma que esse tipo de violência é um crime, nomeando- a de “violência psicológica”. Como profissional da área de saúde, discuta: a) Qual sua compreensão sobre esse tipo de crime? b) Após assistir a segunda parte do vídeo, qual análise você faria da sua compreensão apresentada na resposta do item a. c) Que orientações deveriam ser dadas aos pacientes que procuram atendimento médico para reportar situações semelhantes às da cena apresentada. TEXTO 03 Leia o texto 03 e realize as atividades propostas A arte de envelhecer O envelhecimento é sombra que nos acompanha desde a concepção: o feto de seis meses é muito mais velho do que o embrião de cinco dias. Lidar com a inexorabilidade desse processo exige uma habilidade na qual nós somos inigualáveis: a adaptação. Não há animal capaz de criar soluções diante da adversidade como nós, de sobreviver em nichos ecológicos que vão do calor tropical às geleiras do Ártico. A exaltação da juventude como o período áureo da existência humana é um mito das sociedades ocidentais. Confinar aos jovens a publicidade dos bens de consumo, exaltar a estética, os costumes e os padrões de comportamento característicos dessa faixa etária tem o efeito perverso de insinuar que o declínio começa assim que essa fase se aproxima do fim. A ideia de envelhecer aflige mulheres e homens modernos, muito mais do que afligia nossos antepassados. Sócrates tomou cicuta aos 70 anos, Cícero foi assassinado aos 63, Matusalém sabe- se lá quantos anos teve, mas seus contemporâneos gregos, romanos ou judeus viviam em média 30 anos. No início do século20, a expectativa de vida ao nascer nos países da Europa mais desenvolvida não passava dos 40 anos. Os que estão vivos agora têm boa chance de passar dos 80. Se assim for, é preciso sabedoria para aceitar que nossos atributos se modificam com o passar dos anos. Que nenhuma cirurgia devolverá aos 60 o rosto que tínhamos aos 18, mas que envelhecer não é sinônimo de decadência 98 física para aqueles que se movimentam, não fumam, comem com parcimônia, exercitam a cognição e continuam atentos às transformações do mundo. Considerar a vida um vale de lágrimas no qual submergimos de corpo e alma ao deixar a juventude é torná-la experiência medíocre. Julgar, aos 80 anos, que os melhores foram aqueles dos 15 aos 25 é não levar em conta que a memória é editora autoritária, capaz de suprimir por conta própria as experiências traumáticas e relegar ao esquecimento inseguranças, medos, desilusões afetivas, riscos desnecessários e as burradas que fizemos nessa época. Ainda que maldigamos o envelhecimento, é ele que nos traz a aceitação das ambiguidades, das diferenças, do contraditório e abre espaço para uma diversidade de experiências com as quais nem sonhávamos anteriormente. <Drauzio Varella. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarel-la/2016/01/1732457-a-arte-de-envelhecer.shtml> ATIVIDADES 1) Segundo o autor, qual a qualidade principal do ser humano para lidar com o envelhecimento que é algo inevitável? Comente. 2) Em nossa sociedade, quais situações conflituosas podem ser ocasionadas entre o público jovem e o público idoso? 3) De acordo com o texto, quais condutas deveríamos ter para retardar o envelhecimento? 4) Para o autor do texto, a nostalgia parece ser algo negativo na terceira idade. Qual sua opinião sobre esse ponto de vista? 5) Você acredita que o envelhecimento poderia trazer benefícios ao indivíduo? Em caso afirmativo, quais seriam eles? 99 ATIVIDADE DE VÍDEO Você vai assistir ao trailer (https://www.youtube.com/ watch?v=XRdRP7yKsHE&t=0s) de um documentário chamado “Envelhescência: um novo olhar sobre o envelhecimento”. Antes de assisti-lo, pense no título do filme: a) Por quê você acredita que a palavra “envelhescência” foi usada no lugar da palavra “envelhecimento”? b) Em sua compreensão e de acordo com o vídeo, essa alteração causa algum efeito de sentido? Após assistir ao vídeo, discuta com os colegas. 1) Os entrevistados possuem hábitos ditos como típicos de pessoas mais jovens. Todos começaram suas práticas ainda jovens? Exemplifique. 2) Na sua opinião, hábitos como os dos entrevistados são saudáveis em qualquer idade, para qualquer pessoa? Quais seriam os riscos e benefícios de tais hábitos na terceira idade? 3) No vídeo, menciona-se que estamos nos preparando para uma nova forma de vivenciar a terceira idade. Que forma seria essa? JANELA DE INTERAÇÃO Você está em seu consultório e recebe pela primeira vez um paciente na terceira idade que é hipertenso, solitário e deprimido. Ele reclama que gostaria de ser mais ativo, mas não tem muitas perspectivas e está piorando de saúde. Possui hábitos saudáveis, toma os remédios corretamente, mas ainda assim não apresenta uma melhora satisfatória. Sente-se com um colega e elabore uma consulta completa, registrando-a em forma de diálogo, com anamnese, encaminhamento e recomendações. Leve em consideração a baixa escolaridade e dificuldade de compreensão do paciente, bem como sua fragilidade emocional. Em duplas, após a discussão, apresente seu diálogo aos colegas, fazendo os papéis do paciente e do médico. 100 101 Imagem da capa: Creative Commons. FICO, Fernando, QUINTANA, Tábata & COUTO, Pedro. Português e saúde em movimento. 1. ed. Brasília: Ministério da Educação,2017.101p.