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LITERATURA E PRODUÇÃO DE TEXTO EM LÍNGUA INGLESA APRESENTAÇÃO CURRÍCULO LATTES Professora Mestre Sâmia Leticia Cardoso dos Santos ● Doutoranda em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). ● Mestre em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). ● Especialista em Neuropedagogia pelo Instituto Faculdade de Tecnologia do Vale do Ivaí. ● Especialista em Tecnologias Aplicadas ao Ensino a Distância pelo Centro Universitário Cidade Verde (UniFCV). ● Graduada em Letras Português-Inglês pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). ● Professora do Ensino Básico. Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/3482945991061023 Possui ampla experiência na área educacional, desde o Ensino Fundamental até o Superior. Atualmente, é professora da rede pública e privada de ensino. Professor Fabio Henrique Cardoso da Silva ● Graduado em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). ● Pós-graduado em Especialização em Ensino e Aprendizagem de Línguas – UEM – Turma 2017 – 2019 ● Professor do Ensino Básico Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/1689935044122952 Possui vasta experiência na área educacional, incluindo educação infantil e anos do ensino fundamental e médio. Atua há vários anos como professor nos sistemas de ensino da Oxford University Press e International School. http://lattes.cnpq.br/3482945991061023 http://lattes.cnpq.br/1689935044122952 APRESENTAÇÃO DA APOSTILA Seja muito bem-vindo(a)! Prezado(a) aluno(a), é uma alegria tê-lo(a) na disciplina de Literatura e Produção Textual em Língua Inglesa e convido-o(a) a juntos irmos em busca de compreender a importância da leitura e da escrita em língua inglesa para nós, professores, bem como para nossos alunos Para isso, na Unidade I apresentaremos as Práticas de Leitura, abordando algumas concepções de leitura a partir de diversos autores, em seguida, apresentaremos as etapas leituras e alguns exemplos concretos de atividades em língua inglesa. Para finalizar essa unidade, discutiremos, mais especificamente, sobre as práticas de leitura no ensino de língua inglesa, descrevendo alguns métodos de leitura. Na Unidade II, apresentaremos a prática da leitura por meio dos gêneros literários em sala de aula. Depois, exemplificamos os diversos gêneros literários - lírico, épico e dramático, suas características, bem como as formas que devem ser trabalhados nas aulas de língua inglesa. Em seguida, na Unidade III, intitulada Produção Escrita, traremos três concepções de linguagem. Posteriormente, discutiremos a respeito das concepções de escrita, utilizando exemplos em língua inglesa, associando-as ao ensino de língua inglesa. Para finalizar essa unidade, destacamos a importância dos gêneros textuais para que a escrita em língua inglesa aconteça de uma forma significativa, prazerosa e eficaz. Por fim, na Unidade IV, abordaremos os conceitos de texto e textualidade, exemplificando os contextos por meio de enunciados, textos, questões, entre outros em língua inglesa. Ao longo da apostila, você, estudante, notará que, embora essas concepções sejam voltadas para o ensino da nossa língua, ou seja, a língua portuguesa, ao apresentarmos esses aportes teóricos voltamos as exemplificações e as contribuições para o ensino de uma segunda língua, no nosso caso a língua inglesa. Portanto, as línguas podem ter particularidades diferentes, mas, em muitos momentos, teorias, métodos e didáticas, elas se aproximam. Muito obrigado e bom estudo! UNIDADE I PRÁTICAS DE LEITURA Professora Mestre Sâmia Cardoso Professor Especialista Fabio Cardoso Plano de Estudo: ● Concepções de leitura; ● As etapas de leitura; ● Prática de leitura no Ensino de Língua Inglesa. Objetivos de Aprendizagem: • Entender algumas concepções de leitura. • Compreender as quatro etapas do processo de leitura. • Estabelecer a importância da prática de leitura no ensino de Língua Inglesa. INTRODUÇÃO Olá, caros estudantes, Nesta unidade, temos como objetivo abordar a leitura dentro do processo de ensino-aprendizagem no ensino de Língua Inglesa. Inicialmente, descrevemos quatro importantes concepção de leitura, destacando suas características e explorando alguns exemplos de atividades a fim de que você, estudante, consiga compreender de forma didática como cada uma dessas concepções ocorre na prática. Posteriormente, apresentamos quatro etapas de leitura - decodificação, compreensão, interpretação e retenção, definindo-as e associando uma com as outras, com o objetivo de entender que a leitura só ocorre de maneira significativa, se cumprir todas as etapas de leitura. Por fim, apresentamos a importância das práticas de leitura no ensino de língua inglesa, ressaltando algumas estratégias de leitura as quais podem auxiliar os professores em sala de aula, para que possam desenvolver uma leitura significativa, prazerosa e produtiva, proporcionando um desenvolvimento com relação à LI. Bons estudos!!! 1 CONCEPÇÃO DE LEITURA Imagem do Tópico: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/cute-little-children-reading- books-while-731273989 A leitura não é um assunto novo no que diz respeito à aprendizagem de língua inglesa (doravante LI). Entretanto, nós, professores e futuros professores, precisamos saber que o ensino-aprendizagem de qualquer língua estrangeira (LE) apresenta processos constituídos por práticas que envolvem diversos aspectos os quais dependem de fatores linguísticos (gramaticais e estruturais) e extralinguísticos (discursivo- pragmáticos). Diante disso, a leitura é uma habilidade que envolve tanto os elementos linguísticos visíveis na superfície do texto quanto os extralinguísticos, ou seja, o conhecimento de mundo dos leitores, suas práticas comunicativas, sua história, sua cultura com o objetivo de construir sentidos plausíveis no evento de comunicação já que é uma atividade interativa altamente complexa de produção de sentidos, que se realiza evidentemente com base nos elementos lingüísticos presentes na superfície textual e na sua forma de organização, mas requer a mobilização de um vasto conjunto de saberes no interior do evento comunicativo (KOCH, 2006, p. 11). Kleiman (1995, p.13) colabora com essa concepção ao afirmar que “a compreensão de um texto é um processo que se caracteriza pela utilização de conhecimento prévio: o leitor utiliza na leitura o que ele já sabe, o conhecimento adquirido ao longo de sua vida”. Assim, “a interação de diversos níveis de conhecimento, como o conhecimento linguístico, o textual, o conhecimento de mundo, que o leitor consegue construir o sentido do texto”. Portanto, ao utilizar diversos níveis de conhecimento que interagem entre si, a leitura passa a ser compreendida como um processo interativo. https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/cute-little-children-reading-books-while-731273989 https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/cute-little-children-reading-books-while-731273989 Ainda para essa concepção, Garcez (2001) destaca que a leitura é um processo complexo e abrangente de decodificação e de compreensão do mundo, bem como não envolve apenas os elementos linguísticos, mas também da experiência pessoal de cada leitor. A partir dessa pequena contextualização a respeito de leitura, abordaremos as três concepções de leitura: (i) foco no texto, (ii) foco no leitor, (iii) foco na interação texto- autor-leitor. Concepção de leitura: foco no texto Para essa concepção, o sujeito é “assujeitado pelo sistema, caracterizado por uma espécie de não consciência'''. O texto é compreendido como um “simples produto da codificação de um emissor decodificado pelo leitor/ouvinte”,exigindo apenas que este conheça o código (linguagem) utilizado. O leitor somente realiza uma atividade de reconhecimento. (KOCH; ELIAS, 2006, p. 10). Nas palavras das autoras A leitura é uma atividade que exige do leitor o foco no texto, em sua linearidade, uma vez que ‘tudo está dito no dito’...nesta concepção, cabe-lhe o reconhecimento dos sentidos das palavras e estruturas do texto….o leitor é caracterizado por realizar uma atividade de reconhecimento, de reprodução. (KOCH; ELIAS, 2006, p. 10). Sendo assim, as propostas de leitura fundamentadas nessa concepção têm o texto como centro, atribuindo à leitura um papel de decodificação de signos linguísticos. Logo, o leitor apenas identifica a informação presente no texto. Na imagem abaixo, conseguimos compreender como ocorre essa concepção de leitura. A seguir, demonstraremos algumas atividades a fim de exemplificar essa concepção com foco no texto. Reading: Figura 1 - Atividade 1 Fonte: THAVES, Bob; THAVES, Tom, 2012. Disponível em https://frankandernest.com/,. Acesso em 30 maio de 2021. Answer the questions: 1- What are the nouns present in the comic strip? 2 - What is the comparative form present in the comic strip? Nas duas questões presentes na atividade anterior, observamos que o leitor encontra a resposta ao realizar a decodificação do texto, pois os “nouns” (substantivos) presente são: “computer games” e “life”. Já a forma comparativa é marcada pela expressão “as good as”. Concepção de leitura: foco no leitor Nesta concepção, o leitor é visto como ativo, pois utiliza as informações não linguísticas do texto, o seu conhecimento extralinguístico e a sua capacidade de inferir, somando informações de outros textos. Segundo Kato (1985 p. 57), “a leitura não passa a ser vista como um processo que extrai o sentido final do texto, este é o elemento que delimita a gama de interpretações possíveis, algumas das quais pode não ter sido https://frankandernest.com/ planejada pelo autor”. De acordo com a imagem a seguir, essa concepção parte do leitor para o texto. Na segunda atividade, notamos que as propostas de leitura norteadas por essa concepção estão associadas ao levantamento de hipóteses, ao reconhecimento geral do texto, desconsiderando as habilidades de decodificação do código linguístico. Conforme verificamos na atividade a seguir: Reading and answer: The lion and the mouse A lion, tired of hunting, slept stretched out under the good shade of a tree. Mice came strolling over him and he woke up. Everyone managed to escape, except one, which the lion trapped under his paw. Both the mouse asked and begged that the lion gave up on crushing him and let him go. Some time later the lion was trapped in a hunters' net. Failing to let go, he made the entire forest tremble with his roars of rage. At that, the mouse appeared, and with its sharp teeth he gnawed at the ropes and released the lion. Moral: One good deed wins another. 1. What is the moral of the fable? 2. What did you learn from the moral of the fable? 3. Have you ever experienced something similar described in the fable? Na atividade a respeito da fábula, verificamos que o leitor precisa realizar uma leitura por meio de inferências, atribuindo sentido ao texto de acordo com seu conhecimento prévio sobre o assunto abordado. Portanto, para responder a Questão 1 o leitor precisa conhecer o que são as morais presentes no gênero fábula, bem como identificar e compreender a moral presente na fábula anterior. Em seguida, a Questão 2 apresenta um questionamento pessoal, assim o leitor precisará relacionar o texto a sua vivência, a fim de responder o que aprendeu com a moral encontrada na fábula lida. Por fim, na Questão 3, notamos que, o leitor precisará expressar a sua experiência pessoal, isto é, descrever se em algum momento de sua vida viveu algo semelhante ao descrito na fábula. Concepção de leitura: foco na interação autor-texto-leitor Partindo do próprio nome dado a essa concepção, também reconhecida como “interacional (dialógica) da língua”, diferentemente das duas concepções apresentadas anteriormente, os leitores são compreendidos como “atores/construtores sociais, sujeitos ativos que – dialogicamente – se constroem e são construídos no texto considerando o próprio lugar da interação e da construção de interlocutores” (KOCH; ELIAS, 2006, p. 10- 11). Assim, para essa concepção, “a interdependência equilibrada entre informação contida no texto e os conhecimentos prévios do leitor é a condição essencial para a compreensão” (MAURER, 1988, p. 265) Dessa forma, o sentido de um texto é construído por meio da interação entre texto e sujeitos. Logo, a leitura é uma atividade interativa bastante complexa de produção de sentidos, a qual se realiza através dos elementos linguísticos presentes na superfície do texto e da sua organização, bem como necessidade da mobilização de vários conhecimentos no interior do evento comunicativo.. A partir do texto “Black Awareness Day in Brazil” desenvolvemos algumas questões as quais consideram a essa concepção de leitura. Vejamos: Black Awareness Day in Brazil Why is there still systemic racism and discrimination against Black people in this country? By irony of fate, today, in Brazil, we celebrate Black Awareness Day – which is also called Black Consciousness Day. Yesterday, a Black man was Beaten to death at a retail store. So the question that Begs an answer is how many more lives have to Be taken until our leaders make a real change? The death of the 40-year-old male bears a striking resemblance to George Floyd case in the United States. The American victim claimed for his life and whispered “I can’t breathe” hoping that the police officer would take his knee off his throat. While getting beaten up, the Brazilian husband said to his wife “help me”. Unfortunately, their attempts were in vain. As Martin Luther King said in 1963, “I had a dream.” Every day I wake up and hope that this dream finally came true. Fonte: SILVA, Daniel. Inglês no teclado. Disponível em https://inglesnoteclado.com.br/2020/11/texto-em- ingles-sobre-racismo-e-exercicios-com-respostas.htmlAcesso em 03 maio de 2021. 1. According to the text, is there still racism in Brazil today? What is your opinion about this? 2. The text presents a position regarding the Black Consciousness Day in Brazil. Do you agree with this position? 3. What other forms of descrimination are there in Brazil? Na Questão 1, o leitor deve considerar o texto, isto é, o racismo presente no Brasil ainda hoje, bem como deve expor a sua opinião sobre esse assunto. Em seguida, na Questão 2, é abordado a posição adotada no texto a respeito do “Dia da Consciência Negra” a fim de que o leitor opine se concorda ou não com esse posicionamento a favor dessa data tão significativa para o nosso país. Na última questão, o leitor deve expor as demais formas de descriminação existentes no Brasil. Portanto, a leitura é um processo https://inglesnoteclado.com.br/2020/11/texto-em-ingles-sobre-racismo-e-exercicios-com-respostas.html https://inglesnoteclado.com.br/2020/11/texto-em-ingles-sobre-racismo-e-exercicios-com-respostas.html no qual o leitor desenvolve um trabalho ativo para a compreensão e interpretação do texto a partir do texto e dos seus conhecimentos anteriores à leitura. Essa concepção de leitura com foco na interação autor-texto-leitor vem de encontro com o que os Parâmetro Curricular Nacional defende A leitura é o processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de compreensão e interpretação do texto, a partir de seus objetivos, de seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor, de tudo o que sabe sobre a linguagem etc. Não se trata de extrair informação, decodificando letra por letra, palavra por palavra. Trata-se de uma atividadeque implica estratégias de seleção, antecipação, inferência e verificação, sem as quais não é possível proficiência. É o uso desses procedimentos que possibilita controlar o que vai sendo lido, permitindo tomar decisões diante de dificuldades de compreensão, avançar na busca de esclarecimentos, validar no texto suposições feitas.(BRASIL, 1997, p. 41). Concepção leitura: foco no discurso A leitura é vista como um processo discursivo, no qual o autor e o leitor são entendidos como produtores de sentido do texto. Assim, Com a incorporação das noções da pragmática, outra guinada é observada. O foco passa a ser não mais sobre o que o texto diz em função da interação do leitor com os dados linguísticos, mas sobre o que o autor quis dizer, isto é, suas intenções. Nessa visão, o ato de ler passa a ser visto como um ato comunicativo. (KATO, 1999, p. 114-115) Essa concepção advém da Análise do Discurso francesa cujo objeto de estudo é o discurso. Sendo assim, a leitura é determinada pela formação discursiva - momento sócio-histórico - do leitor e do autor, bem como pelos sentidos do texto. Além disso, o texto materializa o discurso, e este nunca será interpretado da mesma forma por diferentes leitores. O esquema a seguir representa a concepção de leitura discursiva. Com o objetivo de exemplificarmos uma atividade norteada pela concepção de leitura com o foco no discurso, apresentamos a seguinte atividade. Reading: Figura 2 - First text: Figura 3 - Second text Answer: 1. In the first text, which brand is advertised? How did you get this information? 2. What are the verbal and non-verbal elements that make up the first text? 3. What is the purpose of the first advertisement? 4. In the second text, what brand is being advertised? How did you get this information? 5. Is the purpose of the first text similar to the second text? 6. Why didn’t the second burger inside the box? What is the meaning effect created from the big Whopper? Na atividade anterior, a leitura com foco no discurso deve ser realizada por intermédio do professor. As três primeiras questões se referem ao primeiro texto, a propaganda da empresa de fast food Mc Donalds. Notamos que os leitores precisam realizar a leitura do texto verbal e não verbal, bem como utilizar seus conhecimentos prévios (culturais, históricos e sociais) para responder às questões 1, 2 e 3 compreendendo qual marca é anunciada e quais recursos - as cores da marca (vermelho e amarelo), a logo, as inscrições timbradas no fundo da foto com a inscrição de comemoração de 50 anos do Hambúrguer “Big Mac”, bem como a imagem deste no centro da propaganda. Em contrapartida, no segundo texto, a empresa anunciada é do mesmo segmento alimentício, a famosa empresa de fast food “Burger King”, concorrente da empresa Mc Donalds, conforme questionado na Questão 4. Para obter a resposta dessa questão, os leitores precisam identificar a marca por meio da logo, das cores e a menção de um dos nomes de seus hambúrgueres. Na Questão 5, é questionado se o objetivo da primeira propaganda é similar a segunda, podemos afirmar que não, uma vez que a empresa “Mc Donalds” apenas anuncia e comemora um dos seus hambúrgueres mais famosos, porém a "Burger King” faz uma crítica a sua concorrente, e se coloca acima dela com relação a qualidade, pois o hambúrguer “Whopper” qualificado de “bobo” para ironizar a concorrência e, consequentemente, valorizar o tamanho, já que não cabe na caixa da concorrência, a caixa do hambúrguer “Big Mac”. 2 AS ETAPAS DE LEITURA https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/group-diversity-kid-lay-down-on-1054521569 Para uma visão psicolinguística, o processo de leitura possui quatro etapas - decodificação, compreensão, interpretação e retenção. Decodificação A primeira etapa de leitura é chamada de decodificação. Seu nome caracteriza a ação do leitor, isto é, decodifica o signo linguístico, “sem ela, todo o processo fica emperrado e não permite que as demais etapas se concretizem. Nessa etapa, ocorre o reconhecimento do código escrito e sua ligação com o significado pretendido no texto”. (MENEGASSI, 2010, p. 10). Entretanto, o autor salienta que o simples reconhecimento das palavras e a relação com o significado não caracteriza uma leitura. Por isso, “a decodificação, para ser considerada como uma etapa no processo de leitura, deve ser aliada à compreensão, iniciando o processo de apreensão de significados. Decodificação mal feita implica compreensão mal sucedida” (MENEGASSI, 1995, p. 87). Compreensão A compreensão de texto caracteriza-se como a segunda etapa do processo de leitura. Para compreender um texto, é preciso captar a temática do texto e resumi-lo. “Para que isso aconteça, o leitor deve conseguir reconhecer as informações e os tópicos principais do texto, assim como, também, dominar as regras sintáticas e semânticas da https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/group-diversity-kid-lay-down-on-1054521569 língua usada”.(MENEGASSI, 2010, p. 12). Na compreensão, Menegassi (1995) descreve três níveis diferentes. O nível literal de compreensão ocorre quando o leitor se detém exclusivamente ao texto, à “leitura superficial” das ideias ali contidas. Nesse nível o leitor não faz inferências. O nível inferencial de compreensão permite que se façam incursões no texto, reiterando informações que nem sempre estão em nível superficial. O uso de inferências permite ao leitor uma expansão nos seus esquemas cognitivos, pois ampliará sua capacidade de buscar novas informações a partir do que não está implícito. A não realização do ato de inferenciação pode ocasionar compreensão limitada, não possibilitando, muitas vezes, a apreensão dos conteúdos do texto. O nível interpretativo de compreensão já é mais elevado do que os anteriores, pois o leitor começa a deixar o texto, a expandir sua leitura. Em realidade, esse nível permite que se faça a ligação dos conteúdos que o texto apresenta aos conhecimentos que o leitor possui, dando início à terceira etapa do processo de leitura (MENEGASSI, 1995, p. 87-88) Podemos observar que os níveis vão possibilitando que a compreensão de um texto evolua. Por exemplo, primeiro, no nível literal, há uma leitura superficial. Em seguida, no nível inferencial de compreensão, o leitor faz inferências ampliando os sentidos do texto. Por fim, no nível interpretativo de compreensão, “o leitor começa a deixar o texto, a expandir sua leitura. Em realidade, esse nível permite que se faça a ligação dos conteúdos que o texto apresenta aos conhecimentos que o leitor possui, dando início à terceira etapa do processo de leitura”. (MENEGASSI, 1995, p. 88). Interpretação A interpretação, terceira etapa de leitura, “é a etapa de utilização da capacidade crítica do leitor, o momento em que analisa, reflete e julga as informações que lê” (MENEGASSI, 2010, p. 17). Sendo assim, para que o leitor consiga realizar a interpretação, é preciso que ele já tenha feito anteriormente a compreensão. Nesse etapa de leitura, O leitor, ao compreender, faz uso de seus conhecimentos anteriores, que se interligam aos conteúdos que o texto apresenta. No momento em que o leitor alia os conhecimentos que possui aos conteúdos que o texto oferece, ele amplia seu cabedal de conhecimentos e de informações, reformulando conceitos e ampliando seus esquemas sobre a temática do texto. (MENEGASSI, 1995, p. 88). Para que haja a produção de interpretações, as inferências são essenciais. Elas são ligações de sentido entre o leitor e o texto, bem como entre o texto e o leitor. Como verificamos no quadro a seguir. Quadro 1 - Representação esquemática na produção de interpretações Fonte: (MENEGASSI, 2010, p. 18). RetençãoA última etapa do processo de leitura, chamada de retenção,“é responsável pelo armazenamento das informações mais importantes na memória do leitor. Para isso ocorrer, a retenção pode se dar em dois níveis”. (MENEGASSI, 2010, p. 20). Essa etapa tem dois níveis, Para Menegassi (2010, p. 20), O primeiro é resultado do processamento da compreensão, isto é, o leitor não precisa fazer uso da interpretação. Nele, o leitor armazena na memória a temática e as informações principais do texto lido, sem analisá-las. O segundo nível de retenção (...) advinda da interpretação, é sempre maior do que a da compreensão, uma vez que são alterados os conhecimentos prévios do leitor, (...) com o acréscimo de informações resultadas de um julgamento realizado pelo leitor, sobre o texto lido, o que altera seu ponto de vista sobre o tema e possibilita a construção de um novo texto. A partir dessas quatro etapas do processo de leitura, cabe a nós, professores de língua inglesa, estudarmos os textos trabalhados em sala de aula e estabelecermos objetivos claros e definidos em cada processo de leitura, a fim de que, no final do processo de leitura de um texto, consigamos levar nossos alunos a obterem a retenção das informações. 3 PRÁTICA DE LEITURA NO ENSINO DE LÍNGUA INGLESA https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/young-pretty-woman-teacher-on-english-678737923 Ao abordarmos as práticas de leitura no Ensino de Língua Inglesa, precisamos retornar aos documentos oficiais a fim de compreendermos os direcionamentos no que diz respeito ao ensino de LI. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais, a aprendizagem de leitura em Língua Estrangeira pode ajudar o desenvolvimento integral do letramento do aluno. A leitura tem função primordial na escola e aprender a ler em outra língua pode colaborar no desempenho do aluno como leitor em sua língua materna (BRASIL, 1998, p. 20). A leitura em língua inglesa, assim como em outras línguas, depende de vários fatores: conhecimento do código linguístico, dos gêneros textuais a serem lidos, dos temas presentes no texto; O professor, mediador do conhecimento, deve auxiliar aos alunos na construção dos objetivos a serem alcançados na leitura, para que assim definam o nível de compreensão que precisam ou desejam atingir. Para que isso ocorra, abordaremos a seguir algumas estratégias utilizadas por leitores diante de textos em língua inglesa. ● “Prediction”: pode ser tanto um nível de leitura quanto uma pré-leitura, ou seja, o leitor irá predizer informações que muito provavelmente estará no texto. Assim o leitor poderá predizer elementos linguísticos, ideias, conceitos que o texto apresentará, função social do gênero lido entre outros. https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/young-pretty-woman-teacher-on-english-678737923 ● “Skimming”: significa “olhada” geral, rápida por todo o texto para apreender o que for compreensível à primeira vista, com objetivo de realizar uma compreensão global do assunto e do enfoque que lhe é dado, através das informações não- verbais, dos títulos, subtítulos, início e fim de parágrafos, entre outros, permitindo reconhecer o gênero e fazer algumas predições. ● “Scanning”: busca de informações específicas em locais do texto já previstos, como por exemplo, os principais aspectos presentes na introdução, as características das personagens, tempo, espaço e conflito presentes no desenvolvimento de uma narrativa, nesta estratégia de leitura, ainda busca informações pontuais. ● Exploração do lay-out: o leitor precisa observar aspectos relacionados à estrutura do texto (disposição na página, título, subtítulos, autor, data de publicação, fonte e referência bibliográfica, entre outros), bem como os elementos não lingüísticos (fotos, desenhos, gráficos). ● O vocábulo, a dedução e o contexto: trata-se de localizar as palavras repetidas, as palavras-chave, as palavras cognatas e as palavras derivadas, assim o leitor poderá relacioná-las a seus conhecimentos linguísticos anteriores e ao contexto no qual elas apareceram, estabelecendo um sentido a essas palavras. ● A flexibilidade: refere-se à flexibilidade no modo e no ritmo que lê, considerando o tipo de texto e o objetivo da leitura. Isto ocorre porque os textos requerem leituras diferentes. ● Seletividade: diz respeito à capacidade do leitor selecionar, num texto, aspectos importantes tais como: palavras, parágrafos, seções, porções que considera importantes para compreender melhor sem ter que ler o texto na íntegra. ● A organização textual: diz respeito à estrutura de um texto que permite recorrer a uma estratégia importante na construção de seu significado. O leitor precisa compreender a parte composicional, isto é, introdução, desenvolvimento e conclusão; a fim de compreender e analisar as relações que se estabelecem entre elas; organizar o conteúdo global; entender a intenção comunicativa do texto. E, por fim, realizar uma interpretação crítica do texto. ● Sequência cronológica: como o próprio nome já a define, refere-se à observação cronológica dos eventos presentes no texto, a qual permite construir a coesão textual. Reconhecendo que a compreensão leitora é um processo complexo de construção e de negociação de significados, uma vez que o leitor precisará transitar entre o seu mundo - conhecimento cultural, social e histórico, e o mundo do autor, por meio da materialidade do texto. Essas estratégias auxiliarão os leitores no processo de leitura, já que, muitas vezes, os leitores não terão conhecimento de todos os vocabulários, nem de todas as estruturas gramaticais presentes em um determinado texto em LI, logo para que haja interpretação, poderá utilizar algumas dessas estratégias. SAIBA MAIS Fonte: Vasquez. Natanael Wilberto Juarez. Skimming, Scanning. Disponível em .https://www.mindomo.com/pt/mindmap/skimming-scanning-fb6961acb16e423d8b01fd16640471c7. Acesso em 06 de maio de 2021. #SAIBA MAIS# REFLITA “Não temo dizer que inexiste validade no ensino em que não resulta um aprendizado em que o aprendiz não se tornou capaz de recriar ou de refazer o ensinado, em que o ensinado que não foi apreendido não pode ser realmente aprendido pelo aprendiz.” Fonte: Pedagogia da Autonomia; 51ª edição; Editora Paz & Terra; página 26. Paulo Freire. https://www.mindomo.com/pt/mindmap/skimming-scanning-fb6961acb16e423d8b01fd16640471c7 #REFLITA# CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade, abordamos a leitura dentro do processo de ensino-aprendizagem no ensino de Língua Inglesa. Primeiramente, descrevemos quatro importantes concepção de leitura - (i) foco no texto, (ii) foco no leitor, (iii) foco na interação texto-autor-leitor, (iv) foco no discurso, destacando suas características e explorando alguns exemplos de atividades para que você, estudante, conseguisse compreender de forma didática como cada uma dessas concepções ocorre na prática. A partir dessas atividades, concluímos que a materialidade, ou seja, o texto, poderá ser explorado de diversas formas, de acordo com os objetivos propostos pelo professor. É válido destacarmos que, embora a concepção com foco no discurso seja mais interativa e eficaz, o professor precisa ter a sensibilidade de explorar determinados textos com base na real necessidade de sua sala de aula, pois uma concepção precisará de uma maior domínio da língua inglesa comparada a outra concepção. Em seguida, estudamos as quatro etapas de leitura - decodificação, compreensão, interpretação e retenção, definindo-as e associando uma com as outras, com o objetivo de entender que a leitura só ocorre de maneira significativa,se cumprirmos todas as etapas de leitura, assim cabe aos professores compreender que a leitura deve ser realizada como um processo, e em cada etapa, é preciso mobilizar alguns recursos diferentes até chegar na etapa final. Por fim, compreendemos a importância das práticas de leitura no ensino de língua inglesa, ressaltando algumas estratégias de leitura - skimming, scanning, prediction, seletividade, as quais podem auxiliar os professores em sala de aula, considerando que, muitas vezes, os alunos não terão domínio de todos os elementos linguístico, já que a LI não é sua língua materna, e estes ainda estão em processo de aquisição de linguagem dessa segunda língua. LEITURA COMPLEMENTAR ESP: O USO DAS ESTRATÉGIAS DE LEITURA PARA COMPREENSÃO DE TEXTOS EM LÍNGUA INGLESA Alane de Jesus Souza, Aline de Almeida Brito Evaldo Ferreira Resumo: Este artigo objetiva relatar os resultados de um minicurso ofertado à comunidade acadêmica. Serão aplicadas atividades que compreendam o contexto nacional e global, através da abordagem ESP. Espera-se que os cursistas leiam e compreendam provas de proficiência de programas de pós-graduação stricto sensu em língua inglesa. Palavras-chave: Minicurso, ESP, provas de proficiência, pós-graduação, língua inglesa. Fonte: SOUZA Alane; BRITO Aline; FERREIRA Evaldo — ESP: O USO DAS ESTRATÉGIAS DE LEITURA PARA COMPREENSÃO DE TEXTOS EM LÍNGUA INGLESA. Anais do Congresso Nacional Universidade, EAD e Software Livre, v. 1, n. 9 (2018). Disponível em http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:vkrAIlzV8y0J:www.periodicos.letras.ufmg.br/ind ex.php/ueadsl/article/view/13932+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br Acesso em 07 de maio de 2021. http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:vkrAIlzV8y0J:www.periodicos.letras.ufmg.br/index.php/ueadsl/article/view/13932+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:vkrAIlzV8y0J:www.periodicos.letras.ufmg.br/index.php/ueadsl/article/view/13932+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br LIVRO • Título: Ler e compreender os sentidos do texto. • Autoras: Ingedora V. Koch, Vanda Maria Elias. • Editora Contexto • Sinopse: Este livro apresenta pensamento sistematizado como uma ponte entre teorias sobre texto e leitura e práticas docentes. Pensado e idealizado para professores da educação básica. As autoras destacam a importância e a complexidade do ato de ler, portanto exige do leitor muito mais do que o conhecimento a respeito dos elementos linguísticos, mobilizando diversas estratégias a fim de construir sentidos do texto. FILME/VÍDEO • Título: Central do Brasil • Ano: 1998 Central do Brasil é um filme franco-brasileiro de 1998 dirigido por Walter Salles, e estrelado por Fernanda Montenegro e Vinícius de Oliveira. Ambientado no Brasil, o enredo gira em torno de Dora, uma professora aposentada que trabalha como escritora de cartas para pessoas analfabetas na Estação Central do Brasil, a qual ajuda Josué a encontrar seu pai no Nordeste, pois sua mãe morreu atropelada por um ônibus. Esse filme destaca o poder da leitura. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Educação - Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Língua Portuguesa - 1º e 2º Ciclos do Ensino Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997, p. 41. BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais Brasília, DF: MEC/SEF, 1998. GARCEZ, L. H. do C. Técnicas de redação: o que é preciso para saber escrever bem. São Paulo: Martins Fontes, 2001. KATO, M. O aprendizado da leitura. São Paulo: Martins Fontes, 1999. KATO, M. O aprendizado da leitura. São Paulo, SP: Martins Fontes, 1985. KLEIMAN, A. Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas: Mercado da Letras, 1995. KOCH, I. G.V. Introdução à Linguística Textual: Trajetória e grandes temas. São Paulo: Martins Fontes, 2006. KOCH, I. G. V.; ELIAS, V. M. Ler e compreender: os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2006. MAURER, J. L. Compreensão de linguagem escrita: aspectos do papel do leitor. In: BOHN, H. I.; VANDRESEN, P. (Org.). 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UNIDADE II A LEITURA POR MEIO DOS TEXTOS LITERÁRIOS Professora Mestre Sâmia Cardoso Professor Especialista Fabio Cardoso Plano de Estudo: ● Razões para o uso da literatura em sala de aula; ● Gênero épico; ● Gênero lírico; ● Gênero dramático. Objetivos de Aprendizagem: • Compreender os tipos de texto literário e como usá-los em sala de aula, • Estabelecer a importância do trabalho com a literatura para a aquisição de linguagem. INTRODUÇÃO Olá, caros estudantes, Nesta unidade temos como intuito apresentarmos os tipos de textos literários e suas especificidades de trabalho em sala de aula. Inicialmente, destacamos a importância de se trabalhar com o texto literário/artístico em língua estrangeira durante as aulas e como este trabalho é importante para fornecer recursos valiosos para a aquisição de linguagem. Em seguida, buscamos apresentar os gêneros literários, demonstrando possíveis formas de se trabalhar o texto literário em sala, incentivando os alunos à compreensão, prática, reflexão e comparação com a própria língua. O primeiro gênero literário que buscamos trabalhar é o gênero épico. Demonstraremos as possibilidades, as discussões e as estratégias para que o trabalho com os livros seja o mais eficaz possível para os alunos. O segundo gênero literário é o gênero lírico. Este talvez seja o tipo literário mais comum e é aquele que vemos mais regularmente em sala de aula. Neste gênero demonstraremos como o uso de poemas, poesias, rimas, músicas etc, podem ser enriquecedoras para as aulas de LI. Por fim, apresentamos o gênero dramático e veremos que o trabalho com os textos dramáticos não necessariamente nos obriga a ler clássicos em inglês arcaico, embora culturalmente seja enriquecedor, mas sim utilizar as particularidades do gênero como uma forma de prática textual e oral. Bons estudos! 1 RAZÕES PARA O USO DA LITERATURA EM SALA DE AULA https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/education-learning-concept-opening-book- textbook-1491910001 Muitas vezes é complexo para nós professores refletirmos e pensarmos de maneira crítica sobre nossas práticas profissionais. É muito comum uma certa ansiedade por isso e, assim, ficamos reféns de nossas zonas de conforto evitando desafios maiores para não disparar mais gatilhos ansiosos. Entretanto, vamos apresentar algumas formas de inserir a literatura ao desenvolver desta unidade, com o intuito de demonstrar ser possível o uso de literatura de uma forma menos tradicional em nossas aulas. E, além disso, devemos pensar que muitas vezes é melhor trabalharmos um pouco de literatura com os estudantes do que absolutamente nada. Pensando nisso,buscamos encontrar elementos que pudessem primeiramente apresentar os motivos para a realização da literatura em sala de aula. Baseados em “Why teach literature in the foreign language classroom?” de Jonathan P. A. Sell (2005), comentamos essas razões a seguir: 1. Modelo linguístico. O texto literário pode prover bons modelos linguísticos de escrita, expressões diferenciadas, rimas etc. https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/education-learning-concept-opening-book-textbook-1491910001 https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/education-learning-concept-opening-book-textbook-1491910001 2. Competência linguística. A literatura consegue expandir as competências dos alunos que já possuem algum conhecimento básico na língua. 3. Enriquecimento cultural. O uso da literatura promove a expansão da consciência e compreensão cultural. 4. Treinamento mental. A literatura pode treinar a mente e a sensibilidade. 5. Autenticidade. Literatura é material genuinamente autêntico e não textos artificiais muitas vezes escritos ou selecionados para contextos específicos no texto. 6. Notabilidade. A literatura, especialmente poesia e música, tem como característica o fato de poderem ser memoráveis. Por isso, utilizar-se desses recursos em sala de aula pode ser fonte para um rico acervo linguístico. 7. Aberto a interpretação. O texto literário é capaz de gerar discussões e é aberto a análise dos alunos gerando interação entre os alunos. 8. Material motivacional. A literatura é ferramenta para engajar e motivar os alunos a lidar com questões e situações subjetivas que podem ser do interesse dos alunos. 9. Ritmo. Poemas apresentam uma cadeia rítmica capaz de apresentar aos alunos os ritmos da linguagem. 10. Conveniência. O recurso necessário é geralmente um material simples que pode ser fotocopiado e entregue aos alunos. Por outro lado, há também adversidades no trabalho com a literatura em sala de aula, uma vez que, a depender da proficiência dos alunos na língua, podem ocorrer dificuldades acima do esperado para a turma, o que dificulta o processo de aprendizagem. Outro contratempo ao uso de literatura em sala de aula nos dias de hoje tem sido o quão as novas tecnologias modificaram as práticas culturais atuais e o consumo delas. É evidente que a literatura jamais deixará de existir, porém é notável que a cada ano o hábito de leitura tradicional se torna incomum, ou seja, aquele hábito de consumir livros da forma como nós consumimos vai sendo substituído por outras formas de consumir arte. Nesse sentido, temos que ter a visão de que, como professores de uma geração ávida por novidades e repleta de recursos o tempo todo, é preciso buscar confluência entre os textos literários e não-literários para tentar proporcionar ao nosso aluno uma experiência repleta de possibilidades. Como define Rossner (1983), Se você é um professor sensato, você usa todo tipo de recurso que é possível. No entanto, a diferença entre o discurso convencional e o discurso literário é que no convencional você pode antecipar, pegar atalhos; quando lê algum trecho, digamos, você geralmente sabe algo sobre o assunto do trecho e pode usar esse conhecimento enquanto faz a leitura naturalmente com o intuito de interpretar o texto. Isso é um procedimento natural de leitura: todos fazemos isso. A quantidade de informação que geralmente extraímos de algo que lemos é mínima, na verdade, isso ocorre porque nós simplesmente buscamos no trecho algo que encaixe num conhecimento prévio que já possuímos. Entretanto, não é possível fazer isso com a literatura porque precisamos encontrar evidências as quais sejam representativas de alguma nova realidade. Então, com o discurso literário, os processos reais para fazer sentido estão nas evidências. É necessário empregar procedimentos interpretativos diferentes daqueles requisitados num processo normal de leitura. (ROSSNER, 1983, p. 35, tradução nossa,). 1 No decorrer desta unidade, buscaremos estratégias para o ensino com os gêneros épico, lírico e dramático, tentando estabelecer práticas possíveis e realizáveis para o trabalho com estes em sala de aula. 1 If you’re a sensible teacher you use every resource that comes to hand. But the difference between conventional discourse and literature is that in conventional discourse you can anticipate, you can take short cuts; when reading a passage, let’s say, you often know something about the topic the passage deals with, and you can use that knowledge while reading naturally in order to find out what’s going on in the passage. This is a natural reading procedure: we all do it. The amount of information we normally take out of something we read is minimal, actually, because we simply take from the passage what fits the frame of reference we have already established before reading. Now you can’t do that with literature . . . because you’ve got to find the evidence, as it were, which is representative of some new reality. So, with literary discourse the actual procedures for making sense are much more in evidence. You’ve got to employ interpretative procedures in a way which isn’t required of you in the normal reading process. (ROSSNER, 1983, p. 35) 2 GÊNERO ÉPICO https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/old-books-quill-pen-vintage-inkwell- 1947616498 Há de se considerar, ao longo dos anos, que o acesso à informação e o avanço tecnológico têm modificado a forma com a qual lidamos com o texto escrito. Percebemos que a velocidade com a qual os textos surgem, modificam-se e se estabelecem socialmente é igualmente proporcional a sua necessidade em sala de aula. Atualmente, nossos alunos consomem literatura de diversas formas, porém cada vez menos da maneira tradicional. E é um desafio buscar despertar este desejo para uma atividade cada vez menos comum entre eles. Ao nos depararmos em como trabalhar com o livro em sala de aula, podemos muitas vezes nos preocupar em como levar essa realização concretamente para jovens que podem estar alheios a essa materialidades. Por isso, é preciso que essa inserção seja atrativa, cativante e sedutora para os alunos, no sentido de despertar interesse sobre o assunto do material lido. Em anos iniciais, é importante que o trabalho com o texto narrativo seja lúdico, prazeroso e divertido; a escolha de materiais vibrantes, coloridos, curtos, e de fácil compreensão torna-se essencial para obter êxito no trabalho com o texto narrativo em sala de aula. Outro dado importante é considerar diversas formas de fazer a leitura do texto. Muitas vezes, os alunos sozinhos não terão autonomia para ler e compreender o texto, https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/old-books-quill-pen-vintage-inkwell-1947616498 https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/old-books-quill-pen-vintage-inkwell-1947616498 por isso, a figura do professor, neste momento, é importante. Além disso, não limitar essa leitura para apenas um dia, ou uma vez. O texto literário pode ser dividido e lido em diversas aulas, lido em um momento específico, sendo retomado a cada aula. Assim, os alunos têm acesso ao mesmo vocabulário, ampliando o reconhecimento das palavras e sua aquisição de forma natural. O professor dos anos iniciais deve explorar as imagens e o texto não-verbal. Procure atividades as quais os alunos também podem buscar o lúdico, como desenho de alguma ação dos personagens. É importante preparar questões de pre-reading, while-reading e post-reading com o intuito de praticar o entendimento dos alunos sobre aquilo que leem. A leitura de um texto narrativo não pode ser por si mesmo. Deve haver fins pedagógicos bem definidos pelo professor para que o trabalho com o texto não seja visto pelo aluno como uma atividade sem razão de existir. O mesmo deve nortear o trabalho com os anos finais. Coma diferença que, para os alunos desta faixa de idade, o texto narrativo deve fazer sentido para sua realidade e o trabalho já pode ser mais autônomo no sentido de acreditar que os alunos conseguem uma maior compreensão do texto sozinhos. De acordo com Polidorio (2004), O uso de short stories mostrou reações positivas porque os alunos gostavam de descobrir o que aconteceria ao fim da história e isso fazia com que eles se concentrassem na leitura. Eles gostaram de discutir o tema das short stories. A participação dos alunos nas aulas com os textos foi maior do que em aulas sem eles. O que foi possível perceber que 50% dos alunos estavam interessados na leitura e discussão. (POLIDORIO, 2004, p. 96, tradução nossa)2 E como então determinar o melhor texto/livro para se trabalhar com os alunos? Como fazer a escolha levando em conta as necessidades dos alunos? Inicialmente, o professor precisa se perguntar sobre as possibilidades de que o material seja acessível para todos alunos; em seguida, qual o tema do material e como ele contribui para a 2 The use of short stories showed positive reactions because students liked to find out what would happen in the end of a story and this made them concentrate on the reading. They liked to discuss the theme of the short stories. Students’ participation in the lessons with the short stories was bigger than in the lessons without the short stories. It was possible to see that 50% of them were interested in the reading and discussion. (POLIDORIO, 2004, p. 96). realidade social/econômica daquela turma. Aí, sim, buscar um livro que possa responder positivamente a essas perguntas. Após nos perguntarmos criticamente sobre os efeitos do uso do texto narrativo em sala de aula, podemos buscar esses materiais em editoras, por meio de seus catálogos, ou até mesmo nos clássicos. Por exemplo, os alunos dos anos iniciais da educação básica desenvolvem trabalho com os contos de fada em língua portuguesa como recurso para aprenderem diversas disciplinas, por que não trabalhar os mesmos contos em língua inglesa? Ou contos adaptados, com finais diferentes para criar fatos novos, novas discussões, entre outras possibilidades? Em relação a essa interdisciplinaridade, Rodrigues (2015, p. 27) diz que, Ao inserir literatura nas aulas de LE, o professor também pode trabalhar interdisciplinarmente a relação de sua disciplina com a de outras áreas, como por exemplo: Língua Portuguesa, Artes, História. Atividades articuladas e interdisciplinares que contribuam para a percepção maior do aluno, fazendo-o perceber que disciplinas diferentes também se relacionam. Assim, concluímos que não há motivos para que o professor evite o uso de textos narrativos em sala de aula, muito pelo contrário, o uso de livros de forma contínua pode ser exatamente o fator necessário para despertar aulas mais dinâmicas, fluidas e engajadoras. 3 GÊNERO LÍRICO https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/people-enjoying-reading-writing-poetry- concept-1629395236 Após refletirmos sobre o uso do texto narrativo como um recurso valioso para as aulas de língua inglesa, passamos a discutir o uso dos textos líricos, ou seja, talvez aquele que mais utilizamos em nossas aulas, pois envolve poesias, músicas, versos, que podem facilitar o trabalho do professor em sala de aula. O trabalho com o texto poético ou musical já é uma realidade comum no trabalho dos professores de língua estrangeira porque o ritmo, as rimas, a cadência dos versos são facilitadores para a aquisição linguística de maneira geral. Em relação ao caráter interpretativo, o trabalho com o gênero lírico também exige que os alunos reflitam sobre as possibilidades do texto artístico. Desse modo, os alunos precisam compreender todas as nuances do texto poético e não somente aquilo que está grafado. A compreensão do gênero lírico pode ser feita de diversas formas, sendo elas coletivamente em sala, individualmente, em discussões usando a língua alvo, entre outras. O gênero lírico permite o trabalho com recurso pouco utilizado nos diálogos, que é a constante presença de rima. Essa característica de estilo promove uma atividade de memorização e expansão de vocabulário importante, pela qual os alunos podem perceber a medida em que o texto é trabalhado em sala. https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/people-enjoying-reading-writing-poetry-concept-1629395236 https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/people-enjoying-reading-writing-poetry-concept-1629395236 Nesse sentido, é perceptível que quando trabalhamos com músicas ou interpretação de poesia em sala de aula, os alunos assumem um papel claro de destaque ao agirem sobre o texto e buscarem suas particularidades. É importante que este processo seja feito com mediação, colaboração e auxílio do professor para que o aluno possa agir sobre o texto, desde que seu sentido seja preservado, ou seja, não se pode aceitar qualquer interpretação sobre os textos apenas porque pretendemos uma participação ativa dos nossos alunos. É preciso que haja coerência e evidências para comprovar as possíveis deduções. O uso de canções no ensino de inglês é visto como um fator muito positivo, como afirmam Santos & Pauluk (2002) [...] o uso de canções no ensino de inglês possui diferentes alvos. Além dos aspectos linguísticos como aquisição de vocabulário, compreensão da gramática e expressão oral e escrita, entre outros, podem ser propostos alguns de natureza cultural. As canções como forma de expressão cultural, veiculam valores estéticos, ideológicos, morais, religiosos, etc. Elas possuem, em seus conteúdos, as marcas do tempo e lugar da sua criação. (SANTOS; PAULUK, 2002, p. 6) Determinada a relevância do trabalho com o gênero lírico, o quanto este pode contribuir para o desenvolvimento de nossas aulas, é preciso pensar como inserir esse texto artístico durante as aulas de língua inglesa, uma vez que elas não devem ocorrer sem um propósito bem definido e um planejamento adequado. O trabalho com o texto lírico pode trazer excelentes resultados caso seja preparado pelo professor como um recurso dentro de uma sequência didática. Dessa forma, o professor deve fazer um trabalho de pre-reading, buscando apresentar o aluno ao assunto do texto trabalhado. Algumas atividades com músicas ou poesias podem ser feitos exercícios de while- reading, como por exemplo completar trechos do texto conforme ouvem a canção ou leem, ou, ainda, escolherem as palavras que eles acreditam que se encaixam na letra e conferir depois. Uma atividade como essa proporciona o agir crítico do aluno já sendo impelido a fazer a interpretação dos versos aos quais estão sendo expostos. Por fim, o professor deve apresentar atividades de post-reading na qual os alunos devem estar expostos a uma conclusão do assunto trabalhado, seja esse um “gancho” para uma próxima atividade, uma eventual produção artística dos alunos etc. Então, após apresentarmos as possibilidades do trabalho com o gênero lírico, temos como objetivo para o próximo tópico apresentar como viável o uso de textos dramáticos também nas aulas de língua inglesa. 4 GÊNERO DRAMÁTICO https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/young-actress-mouse-costume-461394385 Após as reflexões em relação aos diferentes gêneros (épico e lírico), chegamos ao gênero dramático, este talvez seja o tipo de texto menos utilizado em sala de aula atualmente. Se o trabalho com o texto literário já ocorre com pouca regularidade, o uso de peças de teatro ocorre ainda menos, porque se trata de um gênero considerado complexo, com vocabulário e diálogos considerados de difícil compreensão também. Mais uma vez, pretendemos demonstrar a relevância do uso do texto dramático em salade aula, suas possibilidades e o quanto é possível engajar nossos alunos a ler clássicos como Shakespeare e, além disso, propor até mesmo a encenação como forma de praticar a língua inglesa em uma representação artística e cultural. Já discutimos, nos tópicos anteriores, o fato de a literatura ser fonte de cultura, porque por meio dela os alunos entram em contato com um universo diferente do seu, incluindo hábitos, atitudes ante às situações apresentadas, linguagem etc. Por outro lado, temos em Shakespeare um exemplo de obras que apresentam temas universais, que ultrapassam o tempo e atingem até hoje relevância como feminismo em “Taming of https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/young-actress-mouse-costume-461394385 the shrew” (A megera domada), a traição em “Macbeth” ou o amor como em Romeu e Julieta. Ler uma obra shakespeariana pode ser um desafio caso pensemos em utilizar o texto original, no entanto, o professor deve se sentir seguro para trabalhar com a linguagem, o vocabulário e as estruturas que são diferentes das utilizadas atualmente. Por isso, sugerimos que o trabalho com a obra seja com as versões mais recentes, o que permitiria que os alunos ainda tivessem contato com o texto literário, porém não causaria nenhum tipo de anacronismo durante as aulas. Em relação a esta autonomia, Silvério defende que, Deve, portanto, o profissional responsável pela disciplina refletir a respeito de novos caminhos a serem adotados na sala de aula, aproximando-se, ao longo do processo de ensino-aprendizagem, da realidade do estudante, de modo a não somente facilitar a compreensão no conteúdo, mas também permitir com que floresça, desta maneira, o interesse no conhecimento de novas linguagens e culturas. (SILVÉRIO, 2018, s/p). Sendo assim, buscamos em Wielewicki & Marins (2018) exemplos de uso do texto dramático em sala de aula e pudemos perceber que, a mesma sequência que ocorre com os outros tipos de textos, irá ocorrer com este tipo também. Isto é, o professor deve preparar uma sequência didática inicial para apresentar o trabalho com o livro, atividades que possam ser efetuadas durante a leitura e, por fim, exercícios de conclusão do processo, podendo este ser com a materialização da própria peça de teatro adaptada. A sequência didática apresentada pelo artigo traz como proposta o uso de literatura aliado a diversos recursos além do livro e a peça escolhida foi “A Megera Domada”. O recurso utilizado para dinamizar o trabalho com a obra foi a telenovela “O Cravo e a Rosa”. Em relação a esse dialogismo entre as obras, as autoras demonstram as questões que justificam o trabalho com elas questionando como a literatura na televisão pode despertar o interesse e a crítica dos alunos. A proposta foi, assim, aliar uma análise estrutural a uma análise crítica desta circulação. Ao abordar questões como o tema e a caracterização de personagens na peça e na telenovela (como o fato de Catarina, na telenovela, ser representada como a mulher que se metamorfoseou de “fera” a “favo de mel”), podemos promover questionamentos sobre, por exemplo, a readequação do gênero da peça, no meio escrito, para o meio e o público televisivo. Shakespeare na sala de aula pode tornar, dessa forma, o aluno um agente, na medida em que este trabalho permite desenvolver sua criticidade ao propor reflexões sobre questões feministas e de ordem social [...] (WIELEWICKI & MARINS, 2018, p. 89) Após essas reflexões, resta evidente que o trabalho com o texto dramático favorece o ensino de inglês no sentido de ser produzido em prosa e permitindo que o aluno encare a sua reprodução como uma prática na aquisição da língua. Além disso, a estratégia de solicitar uma possível encenação pode ainda trabalhar com a inibição dos alunos, fazendo com que desenvolvam aspectos de confiança e possuam mais segurança ao utilizar a língua inglesa quando necessário. Rodrigues (2015, p. 27) afirma que “A imaginação pode ser muito explorada ao se trabalhar dramas, teatros em aulas de LE, além de se trabalhar também a inibição dos alunos, desinibindo-os e estimulando- os.” SAIBA MAIS Como o estudo da literatura auxilia no aprendizado da língua inglesa? O uso do texto literário nas aulas de língua inglesa ainda é visto como algo “impossível”, ou “muito trabalhoso”, por alguns professores de língua estrangeira. Este é um assunto que sempre gera discussões entre professores, coordenadores e alunos. Não podemos deixar de mencionar que esse tema já foi, e ainda é, motivo de muitas pesquisas de campo que se tornaram dissertações e teses no meio acadêmico. A partir desta discussão, sempre vem a pergunta: “Qual a importância da literatura nas aulas de inglês?”, ou “o uso da literatura ajuda no aprendizado de uma segunda língua”? Primeiramente, devemos lembrar que não podemos pensar em uma língua, sem pensar na cultura e tudo que envolve esta nova língua. Assim como as comidas típicas, músicas, filmes e arte, a literatura é extremamente importante durante o processo de ensino e aprendizagem da segunda língua. Através da literatura estrangeira, alunos e professores têm a oportunidade de mergulhar diretamente na sociedade e na história do país falante da língua alvo. Juntamente com o conteúdo de cada livro, os estudantes têm a oportunidade de aprender vocabulário novo e expressões idiomáticas utilizadas em outras épocas. Na maioria das vezes, a linguagem presente nestes livros são bem complexas. Porém, cabe ao professor preparar seus alunos antes da leitura. É necessário que seja realizado o “pre-reading”, onde o professor possa apresentar informações sobre o autor, a sociedade em que ele vivia, a sua forma de escrever, temas presentes em suas obras, vocabulário e expressões, entre outros. Como resultado, o professor terá alunos mais envolvidos e interessados em suas aulas, o que facilitará a leitura da obra. A literatura também permite ao professor proporcionar aos seus alunos discussões sobre temas que ainda são discutidos nos dias atuais, tais como diferenças sociais, preconceitos, casamento, educação, religião, política, entre outros. Sendo assim, o professor que se propõe a trabalhar com o texto literário nas aulas de língua inglesa, seja o livro todo, trechos ou poemas, terá como resultado de seu trabalho, alunos com ponto de vista crítico e com grande conhecimento linguístico e cultural. Texto: Patrícia Gabriela Parizotto Setten, profª das disciplinas RWS e inglês do Colégio Piracicabano Disponível em: http://colegiometodista.g12.br/piracicabano/noticias/201ccomo-o-estudo-da-literatura- auxilia-no-aprendizado-da-lingua-inglesa-201d #SAIBA MAIS# REFLITA Getting students to work together on a mini – production of a play, or simply to read an extract from a play aloud in class, is an excellent way of creating cohesion and cooperation in group - Lazar (2005, p.138) #REFLITA# CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao fim desta unidade, caros estudantes. Esperamos que tenha sido uma experiência enriquecedora e que este convite à reflexão sobre o ensino de literatura nas aulas de inglês possa ter encontrado materialidade em suas expectativas quanto à unidade. Discutimos aqui, inicialmente, a importância do uso de literatura em aulas de Língua Inglesa, abandonando uma crença de que o livro literário seja complexo ou impossível de ser trabalhado em sala de aula. Percebemos que há diversos fatores positivos para o uso da literatura, sendo um deles o fato de que ela “irá inserir o aluno na cultura do outro país, de forma autêntica, a partir do momento que são utilizadas obras oriundas de países originalmente de língua inglesa, da mesma forma que na disciplina de literatura e língua portuguesa apoiam-se em obras de autores brasileiros,contribuindo não só para o aprendizado da língua, gramaticalmente, mas também fornecendo conhecimento histórico da cultura do país em diferentes épocas. (Silvério, 2018) Em seguida, refletimos sobre os diferentes tipos de gêneros literários e como podemos trabalhar com esses levando em consideração suas particularidades e as diferenças entre eles. O gênero inicial foi o épico, ou o texto narrativo, no qual os alunos podem ser apresentados desde muito cedo, nos anos iniciais e a prática permanecer até os anos finais do ensino médio. As estratégias de leitura, de trabalho e a inclusão de atividades que passem a perceber o aluno como agente são fundamentais para um trabalho eficaz com os livros, além de contar com a perspicácia da escolha de materiais que sejam atraentes e que possuam relação com o conhecimento de mundo dos alunos. É nesse sentido que “a aprendizagem deixa de ser compreendida, assim, como a aquisição de conhecimento, habilidades e competência (unilateralmente transmitida do professor em direção ao aluno), e passa a se reposicionar como um processo de engajamento com a “subjetificação” do ensino, ou seja, os participantes deste processo tornam-se sujeitos”. (WIELEWICKI & MARINS, 2018, p. 90) Já o gênero lírico talvez seja o mais utilizado em sala de aula devido sua curta extensão e também por apresentarem elementos como rimas, cadências e ritmo, o que dá maior dinâmica para as aulas de inglês. Quem nunca aprendeu inglês com música? Ou decorou alguns versos de uma poesia famosa para recitar em algum momento especial da escola? Essas atividades lúdicas podem parecer menos assertivas, porém se trabalhadas de maneira reflexiva e com o aluno sendo protagonista das ações podem se tornar um perfeito mote de aquisição linguística. O gênero dramático, este muitas vezes abandonado em sala de aula, pode ser importante fator para ensino de cultura, mas também para trabalhar com aspectos extralinguísticos como a inibição dos alunos, a falta de segurança na língua inglesa, a coletividade e a colaboração dos alunos, entre outros. Por isso, cabe a nós professores sermos conscientes do papel fundamental que exercemos em nossas aulas e conscientes de que a literatura também deve ser incluída em aulas de LE. Não somente ensinar gramática ou demais disciplinas precisamos preparar nossos alunos para a sociedade, e que ele assim esteja de forma crítica e habilidosa. Para Silvério (2018), “o papel dos professores de LE não é somente ensinar a língua – gramática, sintaxe e etc – mas poder também fazer com que a LE se integre com outras disciplinas, valorizando assim o aspecto inter e multidisciplinar, deixando a LE mais significativa para preparar o aluno a pensar criticamente e a se integrar em sociedade”. LEITURA COMPLEMENTAR Multiletramentos e Ensino de Literatura em Língua Inglesa na Formação do Professor em Um Curso EaD Vera Helena Gomes Wielewicki, Liliam Cristina Marins Resumo Este trabalho tem como objetivo principal apresentar e discutir uma proposta de Ensino de Literatura em Língua Inglesa, a partir da análise de um livro didático, elaborado em 2014 para um Curso de Letras-EaD, acrescido de comentários dos alunos postados na plataforma Moodle. O livro contempla os principais gêneros literários (poesia, conto, drama e romance) e exemplos de textos literários desses gêneros que têm sua circulação expandida para canções, adaptações/traduções, telenovelas e filmes. Além disso, há sugestões de atividades para o texto literário em sala de aula do Ensino Básico e questões para a reflexão crítica do professor de literatura de língua inglesa segundo a pedagogia dos multiletramentos. Embora não haja na grade curricular do ensino regular uma disciplina voltada para a literatura em língua inglesa, acreditamos que não podemos ignorar todo esse material na sala de aula de língua inglesa no contexto brasileiro, pois ele pode contribuir para o desenvolvimento crítico e criativo dos alunos. Esta discussão se justifica por possibilitar reflexões sobre o ensino de literatura via outros meios (além do livro escrito) em uma configuração de ensino superior que ainda está galgando degraus para transpor barreiras geográficas, políticas, culturais e sociais – como é o caso da Educação a Distância no Brasil. O aporte teórico deste estudo se fundamenta em teóricos dos multiletramentos (COPE, B; KALANTZIS, M., 2000), das multimodalidades (KRESS, 2000) e da educação a distância (MOORE, 2002). Palavras-chave: Ensino de literatura em língua inglesa; educação a distância; multiletramentos LIVRO • Título: Malala • Autor: Fiona Beddall • Editora: Richmond • Sinopse: Malala conta a história de uma menina paquistanesa cuja campanha pela educação das meninas de seu país a levou a ser atingida na cabeça pelo Talibã, quando ela tinha quinze anos. Após essa terrível provação, Malala usou sua popularidade internacional em uma campanha em prol da educação de meninas. Depois de falar nas Nações Unidas e fazer visitas humanitárias ao redor do mundo, ela tornou-se a mais jovem vencedora do Prêmio Nobel da Paz. FILME/VÍDEO • Título: O Cravo e a Rosa • Ano: 2000 • Sinopse: O romance entre o rude caipira Petruchio (Eduardo Moscovis) e a geniosa Catarina (Adriana Esteves) norteia a trama. Os dois vivem em mundos completamente diferentes, e suas vidas se cruzam por conta da dificuldade financeira de Petruchio. Catarina talvez seja a solução dos problemas do fazendeiro. REFERÊNCIA CARVALHO, I. F. de; BRÍGLIA, T. M. O texto dramático shakespeariano na aula de língua inglesa do ensino médio. Calidoscópio, 11(3), 306–319, 2013. Recuperado de http://revistas.unisinos.br/index.php/calidoscopio/article/view/cld.2013.113.09. Acesso em 05 de maio de 2021. POLIDORIO,V. The use of Literature in the English Teaching. Cascavel, Pr: Coluna do Saber, 2004. RODRIGUES, R. G. Gênero textual e texto literário nas aulas de Língua Inglesa: Breve apontamento no contexto do Ensino Médio. International Congress of Critical Applied Linguistic. Brasília, Brasil – 19-21 Outubro 2015. ROSSINER, R. “Talking shop: H.G. Widdowson on literature and ELT.” ELT Journal 37.1, 30-35. 1983. SANTOS, Jacinta de Fátima; PAULUK, Ivete. Proposições para o ensino de língua estrangeira por meio de músicas. 2002. SELL, J. P. A. Why teach literature in the foreign language classroom? Encuentro. 2005. 86-93. SILVÉRIO, Moisés. Literatura em Língua Inglesa: Leitura e Análise Textual no Ensino Médio. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 07, Vol. 04, pp. 51-67, Julho de 2018. WIELEWICKI, V. H. G. & Marins, L. C. Multiletramentos e Ensino de Literatura em Língua Inglesa na Formação do Professor em um Curso EaD. Revista Línguas & Letras. 2018. UNIDADE III PRODUÇÃO ESCRITA Professora Mestre Sâmia Cardoso Professor Especialista Fabio Cardoso Plano de Estudo: ● Concepções de linguagem; ● Concepções de escrita; ● A perspectiva do ensino de língua inglesa por meio dos gêneros textuais. Objetivos de Aprendizagem: ● Entender as concepções de linguagem; ● Compreender as concepções de escrita; ● Estabelecer a importância dos gêneros textuais para o ensino de língua inglesa. INTRODUÇÃO Olá, caros estudantes, Nesta unidade temos como intuito apresentarmos a Produção Escrita. De antemão, quando se trata de escrita, precisamos compreender as concepções adotadas no ensino, portanto, primeiramente, descreveremos as principais três concepções de linguagem. Posteriormente, descreveremos as principais concepções de escrita, destacando que, embora sejam utilizadascomo base teórica para o nosso ensino de língua materna, estas concepções também norteiam o ensino de língua inglesa. Por isso, destacamos as principais características de cada um delas, bem como suas influências em sala de aula. Por fim, no que diz respeito propriamente à escrita, ressaltamos a importância dos gêneros textuais, estes precisam estar presentes nas aulas de língua inglesa, pois, conforme os documentos que regem o ensino, a escrita precisa ser trabalhada de maneira contextualizada, interativa, partindo de situações reais de produção, a fim de que os alunos tenham êxito em suas produções e entendam o real significado da escrita em sua vida. Bons estudos! 1 CONCEPÇÕES DE LINGUAGEM https://image.shutterstock.com/z/stock-photo-preschool-children-play-on-speech-therapy- lesson-in-kindergarten-or-primary-school-1502478416.jpg Antes de abordarmos as concepções de linguagem, precisamos compreender que a linguagem é indissociável do ser humano, uma vez que nos constituímos como sujeitos na/pela linguagem. (BENVENISTE, 1995). Portanto, quando se trata do ensino de língua estrangeira ou materna, precisamos conhecer as concepções que poderão ser adotadas pelos professores e suas possíveis influências na sala de aula. Sendo assim, no que diz respeito às concepções que norteiam o ensino-aprendizagem de língua inglesa, adotamos três concepções de linguagem - expressão do pensamento, instrumento de comunicação e forma de interação (GERALDI, 1984 apud BORGES, 2016). A seguir, descreveremos essas três concepções. Concepção: linguagem como expressão do pensamento A concepção de linguagem como expressão do pensamento surgiu na década de 60, quando poucas pessoas tinham acesso à educação formal, e a escola era “uma prática que se preocupava com o ensino de conceitos básicos e normativos da gramática da língua materna, voltados para o domínio da metalinguagem”.(ZANINI, 1999, p. 81). Assim, o ensino era extremamente tradicional, já que a linguagem era voltada apenas a estrutura linguística. Segundo Travaglia (1996), para essa concepção, as pessoas não se expressam por bem porque não pensam. A expressão se constrói no interior da mente, sendo sua exteriorização apenas uma tradução. A enunciação é um ato monológico, individual, que não é afetado pelo outro https://image.shutterstock.com/z/stock-photo-preschool-children-play-on-speech-therapy-lesson-in-kindergarten-or-primary-school-1502478416.jpg https://image.shutterstock.com/z/stock-photo-preschool-children-play-on-speech-therapy-lesson-in-kindergarten-or-primary-school-1502478416.jpg nem pelas circunstâncias que constituem a situação social em que a enunciação acontece (TRAVAGLIA, 1996, p. 21). Sendo assim, na mente do indivíduo, primeiro há a enunciação e, depois, a linguagem. Possenti (1997) colabora com essa definição ao afirmar que, para essa concepção, a língua tem um fim em si mesma, ela é pautada na gramática normativa, “concebida como um manual com regras de bom uso da língua a serem seguidas por aqueles que querem se expressar adequadamente” (TRAVAGLIA, 2005, p. 24). Por isso, a língua é imutável, sem variação, uma vez que, para que haja variação, é preciso que haja reflexão do pensamento, algo que não ocorre nessa concepção. Portanto, a língua São todas aquelas gramáticas cujo conteúdo corresponde a um conjunto de regras que devem ser seguidas e, por isso, destinam-se a ensinar os sujeitos a falarem e a escreverem corretamente, sendo os transgressores de tais regras considerados grosseiros, caipiras, incapazes de aprender. (POSSENTI, 1997, p. 64). Para a língua ser considerada correta precisa ser estruturada a partir de regras normativas. Assim, os alunos precisam dominar a linguagem normatizada, “a língua é só a variedade dita padrão ou culta e que todas as outras formas de uso da língua, são desvios, erros, deformações, degenerações da língua”. (TRAVAGLIA. 2009, p. 24). Figura 1 - Esquema: características da concepção de linguagem como instrumento de comunicação Fonte: Os autores. Diante disso, cabe à escola ensinar a norma padrão através de exercícios que tenham o intuito de internalizar as regras linguísticas. Já os alunos precisam aprender de modo passivo os exercícios, aqueles que não conseguem resolver são considerados incapazes de aprender, uma vez que “o texto é visto como produto (lógico) do pensamento (representação mental) do autor, nada mais cabendo ao leitor/ouvinte senão “captar” essa representação mental, juntamente com as intenções (psicológicas) do produtor, exercendo, pois, um papel e essencialmente passivo” (KOCH, 2009, p; 14). .A partir disso,as habilidades da leitura e da escrita são testes de capacidades, assim os alunos que as realizam satisfatoriamente dominam as regras da gramática normativa, logo são indivíduos dotados de um pensamento lógico. Por fim, os professores são aqueles que têm todo o saber, conhece e domina todas as regras normativas da língua. Concepção: linguagem como instrumento de comunicação Essa concepção se fundamenta na teoria da comunicação, assim para que haja comunicação, é preciso que alguns elementos estejam em harmonia. Um dos elementos é a língua, isto é, o código, constituído por um conjunto de signos que se combinam entre si por meio de regras. O código, no caso a língua inglesa, é utilizado por um emissor para transmitir uma mensagem a um receptor. Mas, para que a comunicação aconteça de modo eficiente, o código precisa ser dominado pelos emissores (falantes) e receptores (ouvintes). (TRAVAGLIA, 1996, p. 22). Diante disso, a língua é utilizada para transmitir uma mensagem, uma informação, a partir de regras gramaticais que devem ser seguidas pelo falante – ouvinte para que se estabeleça a comunicação. Além disso, essa concepção também está relacionada à teoria estruturalista da linguagem, pois, além da língua ser um instrumento de comunicação utilizado para transmitir uma mensagem, também é desenvolvida a oralidade e a escrita. Figura 2 - Esquema: características da concepção de linguagem como instrumento de comunicação Fonte: Os autores. Conforme a imagem anterior, essa concepção se relaciona à gramática descritiva porque estuda/compreende a gramática a partir de um conjunto de observações a respeito de uma determinada variante. Portanto, tem como objetivo descrever as línguas variantes da línguas, de acordo com a língua em uso. Concepção: linguagem como interação Para essa concepção, a língua é viva, dinâmica. Um dos principais autores que fundamenta essa concepção de linguagem é Mikhail Bakhtin, pois compreende a linguagem como um processo de interação verbal e social entre indivíduos, os quais compartilham conhecimentos por meio de enunciados produzidos em um contexto social específico. Segundo Koch (2000, p. 09) essa concepção é Aquela que encara a linguagem como atividade, como forma de ação, ação individual finalisticamente orientada; como lugar de interação que possibilita aos membros de uma sociedade a prática dos mais diversos tipos de atos, que vão exigir dos semelhantes reações e/ou comportamentos, levando ao estabelecimento de vínculos e compromissos anteriormente inexistentes. Sendo assim, a língua deve ser utilizada como um instrumento de interação social, mas “isso não significa banir a gramática, ou seja, o conhecimento das normas que regem a língua materna. Significa oportunizar-lhes a aproximação com a modalidade padrão culta”. (ZANINI, 1999, p. 84). Para essa concepção, o ensino de língua inglesa precisa propiciar ao aluno conhecimento da gramática, mas, especialmente, o desenvolvimento da capacidade de refletir criticamente a respeito do mundo que está ao seuredor, sobretudo, a importância de utilizar a língua como instrumento de interação social. Isso deve ocorrer por meio de textos, porque eles possibilitam a reflexão a respeito da língua, ou seja, compreensão, interpretação, análise e até mesmo a produção de texto. Assim, “o texto passa a ser considerado o próprio lugar da interação e os interlocutores, como sujeitos ativos que – dialogicamente – nele se constroem e são construídos”, além disso, no momento do olhar para o texto, professor e aluno trocam compreensões e interagem. (KOCH, 2002, p. 17). Desse modo, a compreensão de um texto, de um enunciado, não acontece apenas por parte dos leitores (alunos), nem por parte dos produtores (autores), mas sim da interação estabelecida entre ambos. Logo, o ouvinte que recebe e compreende a significação de um discurso adota para com este discurso uma atitude responsiva ativa: ele concorda ou discorda, completa, adapta (...). A compreensão de uma fala de um enunciado é sempre acompanhada de uma atitude responsiva ativa (BAKHTIN, 2003, p. 271). Cabe aos professores trabalhar diversos gêneros discursivos, explorando os recursos linguísticos e extralinguísticos, propiciando reflexões, análise e compreensões profundas. 2 CONCEPÇÕES DE ESCRITA https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/cute-pupil-writing-desk-classroom-elementary- 1288136623 No ensino de língua inglesa, assim como nas demais línguas, discute-se bastante a respeito da escrita. Por isso, é imprescindível compreendermos algumas concepções de escrita. Os pesquisadores Geraldi (1996) e Fiad & Mayrink-Sabinson (1994) apresentaram duas concepções: escrita como inspiração e como trabalho. Posteriormente, Sercundes (1997, 2001), por meio de uma abordagem metodológica, desenvolveu três concepções de escrita: escrita como dom, escrita como consequência e escrita como trabalho. Neste material, descreveremos as concepções adotadas por Sercundes, apresentando suas definições e características. Escrita como dom Nesta concepção de escrita, não há uma preparação prévia para a realização da produção escrita, não existe orientação antes, nem durante, nem posterior à escrita. O professor apenas solicita a produção por meio de um enunciado, e os alunos escrevem com base no seu conhecimento, inspirados em suas vivências. Já que “o ato de escrever é simplesmente articular informações, conseguindo fazê-lo da melhor forma aqueles que têm dom e inspiração” (SERCUNDES, 2001, p. 76). Logo, o conhecimento é algo inato, os alunos possuem fatores genéticos que contribuem para a habilidade de escrever porque nascem com esse “dom”. Um exemplo dessa concepção na escrita de textos, observamos quando o professor de língua inglesa faz a seguinte instrução no quadro: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/cute-pupil-writing-desk-classroom-elementary-1288136623 https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/cute-pupil-writing-desk-classroom-elementary-1288136623 Writing a text about your family. Notamos que, de acordo com a solicitação da atividade anterior, o professor apenas solicita a produção, expondo a temática no enunciado, cabendo aos alunos, a partir do seus conhecimentos prévios, escrever sobre sua família. Assim, o texto é produzido sem objetivo, sem um interlocutor estabelecido, o professor, muitas vezes utiliza esse tipo de atividade para ocupar o tempo dos alunos recolher o texto apenas para ler. Sercundes (1997) observou os procedimentos escolares realizados durante a produção de textos e destacou a seguinte atividade que condiz com essa concepção: A professora de Português da sétima série da escola L, estadual não padrão, solicitou aos alunos que elaborassem um texto sobre a “Eco 92 - O Planeta do Futuro”, a fim de participarem espontaneamente de um concurso. Recolhidos os trabalhos, ela escolheu alguns e os enviou aos responsáveis pelo evento. […]. Não houve orientações para o desenvolvimento desse trabalho ou discussão do tema. A escola, na verdade, supõe um conhecimento prévio do aluno, por estar o tema circulando no mundo social brasileiro, já que o evento foi sediado no Rio de Janeiro. (SERCUNDES, 1997, p. 76) Diante disso, “o ato de escrever é simplesmente articular informações, conseguindo fazê-lo da melhor forma aqueles que têm dom e inspiração, sendo esses os premiados. Aos outros resta conformar-se” (SERCUNDES, 1997, p. 76). Portanto, podemos concluir que a concepção de escrita como dom apresenta tais considerações: a) é um trabalho em que não há registros de atividades prévias; b) o aluno busca em seus conhecimentos e nas informações que conhece estruturas para se redigir um texto; c) para que se tenha o “dom divino” faz-se necessário o uso de noções internalizadas para a prática textual; d) o compromisso com o ato de escrever se desfaz, pois o aprendiz é consciente de que o educador irá somente recolher as redações para marcar a letra “V”, simbolizando que ele leu, na verdade, “vistou” (MENEGASSI, 2010), viu, mas não precisamente corrigiu; e) o estudante não encontra uma função para escrever (MENEGASSI; BALIEIRO, 2015, p. 142). Escrita como consequência Nesta perspectiva, a escrita é realizada após uma atividade prévia, a qual serve de pretexto para a escrita. Sendo assim, “são produções resultantes de uma leitura, uma pesquisa de campo, uma palestra, um filme, um passeio, enfim, cada um desses itens será um pretexto para se realizar um trabalho escrito” (SERCUNDES, 2001, p. 78). Leia o comando de atividade de produção escrita a seguir: After watching the documentary “living in San Francisco”, write four positive points for living in the United States of America. No comando da atividade anterior, observamos que, antes da produção escrita, os alunos assistiram ao documentário “Morando em São Francisco'', e após assistirem a esse documentário, os alunos deveriam produzir um texto a fim de descrever quatro pontos positivos para se viver nos Estados Unidos. Desse modo, o documentário foi utilizado apenas como pretexto, e essas produções escritas não são devolvidas como uma proposta de produção na qual os alunos possam realizar um processo de correção, mas quando isso aconteça, a correção é voltada apenas aos aspectos gramaticais, porque os textos são escritos para os professores com o intuito de lerem e avaliarem. Logo, “revisão e reescrita, ações que caminham paralelamente, permitindo uma melhor produção do texto em construção, são desconsideradas.” (MENEGASSI, 1998, p. 40). Desse modo, Menegassi e Balieiro (2015) resumem a concepção de escrita como consequência da seguinte maneira: a) o aluno sempre efetua o texto apenas para cumprir um dever; b) as atividades realizadas fora ou dentro da sala de aula têm como produto final a produção textual; c) o docente considera o texto do educando como um registro da atividade proposta para atribuir uma nota ou uma premiação; d) o estudante não observa uma finalidade social para a concretização do ato da escrita; e) o texto produzido não progride, uma vez que não existe o processo de revisão e de reescrita.(MENEGASSI; BALIEIRO, 2015, p. 147). Escrita como trabalho Essa concepção aborda um processo de escrita, ou seja, as produções textuais são contextualizadas e têm objetivos estabelecidos previamente pelos professores, assim as atividades prévias “funcionam como ponto de partida para desencadear uma proposta de escrita” (SERCUNDES, 2001, p. 83). A concepção de escrita como trabalho se diferencia das demais porque acredita na incompletude do texto, isso porque o texto está sempre aberto a novas revisões, comentários e reescritas. À vista disso, a escrita é uma construção que se processa na interação e que a revisão é um momento que demonstra a vitalidade desse processo construtivo, pensamosa escrita como um trabalho de reescritas. Consideramos um texto como um momento no percurso desse trabalho, sempre possível de ser continuado. (FIAD; MAYRINK SABINSON, 1991, p. 55). Para Menegassi (2010), a produção escrita oferece aos alunos quatro etapas: o planejamento, a execução do texto escrito, a revisão e a reescrita. Diante disso, o professor é o co-produtor do texto, pois auxilia o aluno durante todas as etapas,, oferecendo alguns elementos de condições de produção: “finalidade, interlocutor, gênero textual, suporte do texto, circulação social e posição do autor” (MENEGASSI, 2010,p. 78-79). Koch e Elias (2009) chamam a escrita como trabalho de “concepção interacional (dialógica) da língua”, porque “tanto aquele que escreve como aquele para quem se escreve são vistos como atores/construtores sociais, sujeitos ativos que – dialogicamente – se constroem e são construídos no texto” (KOCH & ELIAS, 2009, p. 34). A interação ocorre entre escritor-leitor, mobilizando algumas estratégias, tais como: I. ativação de conhecimentos sobre os componentes da situação comunicativa (interlocutores, tópico a ser desenvolvido e configuração textual adequada à interação em foco); II. seleção, organização e desenvolvimento das ideias, de modo a garantir a continuidade do tema e sua progressão; III. “balanceamento” entre informações explícitas e implícitas; entre informações “novas” e “dadas”, levando em conta o compartilhamento de informações com o leitor e o objetivo da escrita; IV. revisão da escrita ao longo de todo o processo guiada pelo objetivo da produção e pela interação que o escritor pretende estabelecer com o leitor (KOCH e ELIAS, 2009, p.34). A partir dessa concepção, notamos que a produção textual em sala de aula deve ser orientada por meio de uma sequência didática, na qual os professores precisam planejar desde as atividades prévias até as etapas de escrita. Vejamos: No exemplo a seguir, temos inicialmente uma atividade de leitura de um texto narrativo, na qual os alunos devem responder às perguntas e, em seguida, tentar adivinhar o fim da história, a qual deve ser ouvida como exercício de prática auditiva da língua. Como podemos ver, somente neste início de sequência, já temos uma abrangência de várias técnicas e abordagens de ensino. Figura 3 - Atividade 1 Fonte: Phillips S; Wheeldon S; Kelly P. Project Explore! 3. Oxford University Press. United Kingdom, 2019. P. 48 Após o reconhecimento do texto narrativo, é apresentado o primeiro elemento vocabular-gramatical da atividade, que se trata da diferenciação entre adjetivos e advérbios. Sabe-se que o emprego de adjetivos e advérbios é recurso essencial para a escrita de textos narrativos, portanto, o trabalho justamente com esses elementos não é trivial, mas propositalmente pensado para servir de apoio para a escrita que virá ao término da sequência didática. Figura 4 - Atividade 2 Fonte: Phillips S; Wheeldon S; Kelly P. Project Explore! 3. Oxford University Press. United Kingdom, 2019. P. 48 O texto narrativo lido pelos alunos possui o emprego de diversos pronomes indefinidos, que servem como base para o trabalho com o ponto gramatical da sequência. Os alunos devem analisar o texto em busca das frases, e algumas atividades seguem no sentido de trabalhar o ponto gramatical ainda explorando o texto narrativo. Figura 5 - Atividade 3 Fonte: Phillips S; Wheeldon S; Kelly P. Project Explore! 3. Oxford University Press. United Kingdom, 2019. P. 49 Assim, após algumas atividades de compreensão gramatical e também de prática de speaking, chegamos finalmente aos exercícios de escrita, que têm por objetivo solicitar que o aluno realize um texto narrativo, porém, vejamos como essa proposta é realizada. Figura 6 - Atividade 4 Fonte: Phillips S; Wheeldon S; Kelly P. Project Explore! 3. Oxford University Press. United Kingdom, 2019. P. 49 Inicialmente, vejamos que há o convite para o aluno preparar um esboço de seu texto respondendo as perguntas que seguem. Essas perguntas são essenciais para o aluno iniciar a produção de seu texto, porque sai de uma ideia abstrata para a materialização do texto. Somente após essas respostas serem dadas, aí então teremos a solicitação de uma produção textual completa, que nesta sequência ainda solicita que seja feita em grupo. Figura 7 - Atividade 5 Fonte: Phillips S; Wheeldon S; Kelly P. Project Explore! 3. Oxford University Press. United Kingdom, 2019. P. 49 Assim, dadas as reflexões feitas sobre a escrita como um processo metódico e organizado, enfatizamos que a produção textual deve ocorrer por meio dos gêneros discursivos, visto que estes têm uma função social, propiciando uma escrita significativa, conforme é exposta no próximo tópico. Durante e após o processo de escrita, os alunos devem ser orientados pelo professor a fim de que realizem uma autocorreção dos textos. 3 A PERSPECTIVA DO ENSINO DE LÍNGUA INGLESA POR MEIO DOS GÊNEROS TEXTUAIS https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/male-primary-school-student-writes-text-465098729 Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino de língua inglesa ressaltam a importância de que as interações da sala de aula sejam próximas àquelas que o aluno teria em uma situação real de comunicação, ou seja, fora dos limites escolares. [...] o que se faz em sala de aula não é muito diferente das interações de engajamento fora da sala de aula. Contudo, esse encontro ocorre em um contexto institucional, construído em cima das identidades sociais dos que ali atuam para aprender e ensinar alunos e professores , o que impõe ao evento restrições específicas. É por isso que a aprendizagem é de natureza sócio- interacional e situada na história, na cultura e na instituição (BRASIL, 1998, p. 61). Diante disso, faz-se necessário que o ensino da escrita seja pensado e trabalhado durante as aulas de língua inglesa por meio dos gêneros textuais. Para isso, precisamos compreender o que seria os gêneros textuais. Os gêneros textuais são tipos relativamente estáveis de enunciados com estruturas semelhantes e que também são produzidos em contextos semelhantes. Considerados “relativamente estáveis” porque estão em constantes transformações e ampliação para atender aos momentos históricos e às necessidades das diversas situações comunicativas presentes nesses contextos da atividade humana, motivo pelo qual também são infinitos. Sendo assim, é possível dizer que há uma forma a ser seguida, mas as situações comunicativas extrapolam qualquer tipo de engessamento e acabam por dar singularidade ainda que as produções sejam dentro do mesmo gênero. https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/male-primary-school-student-writes-text-465098729 Portanto, os gêneros do discurso apresentam marcas socioculturais e se inserem em contextos interacionais. Nas palavras do autor, a riqueza e a variedade dos gêneros do discurso são infinitas, pois a variedade virtual da atividade humana é inesgotável, e cada esfera dessa atividade comporta um repertório de gêneros do discurso que vai diferenciando-se e ampliando-se à medida que a própria esfera se desenvolve e fica mais complexa (BAKHTIN, 1997, p. 280). Notamos que Bakhtin (1997), um dos precursores dos estudos a respeito dos gêneros, apresenta o conceito de gênero discursivo, entretanto como nas salas de aulas trabalhamos a materialidade dos textos, adotamos a perspectiva teórica de Marchuschi (2005) o qual adota o termo gênero textual. De acordo com Marcuschi (2005), a relação entre gêneros textuais e práticas sociais se dá a partir de que os gêneros são: 1) formas verbais de ação social relativamente estáveis realizadasem textos e 2) modelos comunicativos que servem para criar uma expectativa no interlocutor e prepará-lo para uma determinada reação. Ainda para Marcuschi (2008, p. 155), = Gênero textual refere os textos materializados em situações comunicativas recorrentes. Os gêneros textuais são os textos que encontramos em nossa vida diária e que apresentam padrões sociocomunicativos característicos definidos por composições funcionais, objetivos enunciativos e estilos concretamente realizados na integração de forças históricas, sociais, institucionais e técnicas. Em contraposição aos tipos, os gêneros são entidades empíricas em situações comunicativas e se expressam em designações diversas, constituindo em princípios listagens abertas. Para essa perspectiva, os gêneros textuais “se constituem como ações sócio- discursivas para agir sobre o mundo e dizer o mundo, constituindo-o de algum modo” (MARCUSCHI, 2005, p. 22), logo, não são formas de estruturas estáticas, pois famílias de textos com uma série de semelhanças. Eles são eventos linguísticos, mas não se definem por carac-terísticas linguísticas: caracterizam- se, como já dissemos, enquanto atividades socio-discursivas. Sendo os gêneros fenômenos sócio-históricos e culturalmente sensí-veis, não há como fazer uma lista fechada de todos os gêneros (MARCUSCHI, 2005, p. 29). A partir desse pressuposto teórico, é possível entender que nos comunicamos por meio dos gêneros textuais uma vez que eles são convenções socialmente aceitas e socialmente maturadas em práticas comunicativas, assim estabelecendo uma situação sócio-discursiva para agir e dizer sobre o mundo. Por isso, para trabalhar com a Língua Inglesa, o uso dos gêneros textuais verbais e não-verbais se torna essencial para dar suporte à prática do inglês em sala de aula. À vista disso, os professores propiciam aos alunos uma posição reflexiva e crítica a respeito dos textos, refletindo sobre valores, cultura, crenças que constituem os discursos, já que a língua apresenta sentidos que extrapolam o efeito comunicativo imediato. Para fazer o levantamento dos tipos de textos escritos mais sugeridos, analisamos as primeiras unidades dos livros Project Explore da editora Oxford University Press indicados para os anos finais do Ensino Fundamental, divididos em níveis Starter, 1, 2, 3 e 4. Quadro 1 - Exemplos de gêneros textuais escritos Livro Gêneros textuais escritos Starter Family report, Family Tree, Feeling Wheel, Instruction text, Floor Plans, Collection Description. Livro 1 Introduction, An interview, A family tree, People’s Description, Home’s Description, Website Post, The Cycle of an Animal’s Life, A Chart. Livro 2 People’s Description, Text messages, A Forum, A diary, A News Report, Magazine Article, Report, A Journal Entry. Livro 3 Short Stories, Website Post, A Forum, Advices, Social Media Profiles, Invitations, Questionnaire, Bullet Diary. Livro 4 Film Poster, A Forum, An Article, An Online Article, A Team Project, Social Circle, A Diagram, Day Trip, Online Chat, A Website, A Blog. Fonte: os autores Com base no quadro anterior, é evidente que a escrita pode ser trabalhada por meio de diversos gêneros escritos: diário, forúm, reportagem, perfis de mídia social, listas de compra, bilhetes e etc. Por exemplo, em uma sequência didática que propõe trabalhar o consumo saudável de alimentos e prática de esportes, há diversas possibilidades que podem ser trabalhadas para que os alunos produzam como texto. Na atividade a seguir, vemos que há a proposição de que o aluno reflita sobre seus hábitos de consumo e o que consumiu no dia anterior, registrando uma “Food Diary” sobre si mesmo. Após esta atividade, os alunos devem praticar de forma oral a questionar e responder seus amigos sobre seu consumo diário e registrar o “Food Diary” de seu colega. Então, os alunos devem produzir um resumo com as informações dadas na atividade anterior e solicitar ao término que os alunos comentem o que o colega faz corretamente e o que pode melhorar em sua alimentação. Assim, temos o trabalho com dois gêneros textuais importantes nessa sequência didática que são o diário e a síntese. Ao término da sequência, ainda temos a proposta de um exercício extra, no qual o aluno deve imaginar como um atleta se alimenta diariamente. Figura 8 - Atividade 6 Fonte: Phillips S; Wheeldon S; Kelly P. Project Explore! 2. Oxford University Press. United Kingdom, 2019. P. 39 SAIBA MAIS Inglês para inglês (de verdade) ver De cursos a contato com nativos, sugestões para contornar as dificuldades no ensino POR:Wellington Soares, Sophia Winkel e Alice Vasconcellos Língua Estrangeira é uma disciplina do currículo do Fundamental 2 e do Ensino Médio, mas sejamos sinceros: os alunos raramente aprendem uma segunda língua na escola. Entre as razões estão a escassez de políticas que valorizam o ensino, a formação docente frágil, a falta de autonomia em relação ao material didático e de contato com a língua falada, além de cargas horárias insuficientes e turmas numerosas. Os obstáculos variam de acordo com o contexto de cada escola e de cada município, mas estão sempre ali, dificultando a vida do professor. Mas há saídas à vista. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) vai definir um currículo básico enfatizando a interação com pessoas de outras culturas e o uso de novas tecnologias. "Para engajar os alunos, é preciso motivá-los para o uso da língua aqui e agora. Em vez de preparar para o mercado de trabalho, como fazíamos até então, o foco passa a ser o que a língua pode proporcionar hoje", afirma Margarete Schlatter, professora do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e uma das assessoras da BNCC. O bilinguismo também começa a ganhar espaço. Pensado para ser um legado olímpico, o programa Rio Criança Global, criado em 2009 pela prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Educação, intensificou e estendeu o ensino de inglês nas escolas municipais. A partir do programa, os alunos do 1º ao 3º ano têm uma aula semanal de idioma, enquanto os estudantes do 4º ao 9º ano têm dois tempos semanais de inglês, com ênfase em comunicação oral. Um dos principais trunfos do ensino bilíngue é justamente ter espaços onde se falam duas línguas na escola, o que pode ser criado também em escolas regulares: o professor pode espalhar cartazes, orientações e sinalizações bilíngues que caracterizam a instituição e naturalizam o contato de todos com o idioma. Esse importante movimento nas políticas públicas é um convite também para os educadores. A seguir apresentamos algumas sugestões e exemplos que podem ajudar professores a ensinar melhor uma língua estrangeira. Fonte: SOARES, Wellington; WINKEL, Sophia; VASCONCELLOS, Alice. Inglês para inglês (de verdade) ver. In: Revista Nova Escola. Disponível em https://novaescola.org.br/conteudo/8641/ingles-para- ingles-de-verdade-ver. Acesso em 01 de maio de 2021. #SAIBA MAIS# REFLITA Verdades da Profissão de Professor Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho. A data é um convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores, fica o convitepara que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não apenas “galinhas”. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda. Paulo Freire. #SAIBA MAIS# https://novaescola.org.br/conteudo/8641/ingles-para-ingles-de-verdade-ver https://novaescola.org.br/conteudo/8641/ingles-para-ingles-de-verdade-ver CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro estudante, chegamos ao final de mais uma unidade. No primeiro tópico intitulado Concepção de linguagem, aprendemos três diferentes concepções: expressão do pensamento, instrumento de comunicação, e interação. A primeira, de acordo com o próprio nome, concebe a linguagem como mera expressão do pensamento, desconsiderando todo o contexto de produção do ato comunicativo. Já para a segunda concepção, a linguagem é compreendida como um meio de comunicação com o intuito de transmitir uma mensagem. A última concepção, a linguagem é vista como uma atividade de interação humana. Posteriormente, no segundo tópico, compreendemos as principais concepções de escrita; A escrita como dom não apresenta nenhuma atividade prévia, ou seja, há apenas um comando a ser seguido, sem contextualização, sem atividades de leitura que antecedem a prática escrita, portanto não há um processo de escrita. Mas, na concepção de escrita como consequência, há uma atividade prévia, entretanto esta é apenas um pretexto para a escrita, uma vez que a atividade prévia tem apenas um objetivo: o aluno precisa escrever um texto como consequência final dessa atividade. A concepção de escrita como trabalho trata-se de um processo de escrita, isto é, um percurso desde as atividades prévias até a reescrita da produção. Assim, entendemos que, para desenvolver uma atividade de escrita significativa, é preciso desenvolver um trabalho árduo em sala de aula. Por fim, partindo dessas concepções de escrita, chegamos ao final da unidade, apresentando a importância dos gêneros textuais para a prática da escrita, pois, conforme os documentos que regem o ensino de língua inglesa, a escrita precisa ser significativa, contextualizada e interativa. Dessa forma, citamos alguns gêneros textuais para o ensino de língua inglesa, estes servem de exemplos, mas cada professor, conhecendo a sua realizada, poderá propor sequências didáticas com diversos e diferentes gêneros, de acordo com o grau de escolaridade de seus alunos. LEITURA COMPLEMENTAR GÊNEROS TEXTUAIS E O ENSINO DE LÍNGUA INGLESA: LEITURA E COMPREENSÃO DE TIRINHAS E ANÚNCIOS PUBLICITÁRIOS Ewerton Felix da Silva Antônio Fernandes Dias Júnior Prof. Dr. Leônidas José da Silva Júnior Universidade Estadual da Paraíba (PIBID/UEPB/Campus III) ewertonfelix_gba@hotmail.com juninhotecla36@gmail.com leonidas.silvajr@gmail.com RESUMO: Os gêneros textuais tem recebido uma grande atenção no âmbito escolar nos últimos anos, não só pelo frequente contato com o qual nos submetemos em nosso cotidiano, mas também por serem bastante úteis enquanto ferramenta pedagógica no desenvolvimento da habilidade de compreensão escrita, não só nas aulas de língua materna, como também, nas aulas de língua estrangeira. No mundo multimidiático no qual vivemos, somos expostos todo o tempo a vários gêneros textuais, (seja no “mundo real” ou no “mundo virtual”) dos quais iremos destacar, o gênero “Tirinha” e o gênero “Anúncio Publicitário”. Ao se utilizar “comic strips” (tirinhas) e "advertisements” (anúncios publicitários) nas aulas de língua inglesa, além das questões puramente gramaticais, o professor dispõe da possibilidade de se explorar o verbal e o não-verbal, as expressões idiomáticas, a leitura e compreensão dos enunciados, além de também propor ao alunado, as possíveis interpretações referentes a estes gêneros. O presente trabalho é um relato de experiência do uso dos gêneros textuais “comic strips” e "advertisements” em uma atividade do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), subprojeto de Língua Inglesa, do Campus III da UEPB. Como aporte teórico, foram utilizados textos referentes aos estudos de Lima (2009), Oliveira (2014), Tomitch (2009), bem como os PCN. Palavras-chave: PIBID, Ensino de Língua Inglesa, Gêneros Textuais. Fonte: SILVA, Ewerton Felix Da et al.. Gêneros textuais e o ensino de língua inglesa: leitura e compreensão de tirinhas e anúncios publicitários. Anais V ENID & III ENFOPROF / UEPB... Campina Grande: Realize Editora, 2015. Disponível em: https://editorarealize.com.br/artigo/visualizar/11684. Acesso em 30 de maio de 2021. LIVRO • Título: Produção Textual, análise de gêneros e compreensão. • Autor.Luíz Antônio Marcuschi • Editora: Parábola • Sinopse: Esse trabalho apresenta a quarta versão dos materiais para o curso de Linguística 03 ministrado na graduação em Letras da Universidade Federal de Pernambuco, no segundo semestre de 2005. O livro é dividido em três partes, tais como: Produção textual com ênfase na linguística de texto de base cognitiva; Análise sociointerativa de gêneros textuais no contínuo fala-escrita; Processos de compreensão textual e produção de sentido. FILME/VÍDEO • Título: Arrival - A Chegada. • Ano? 2016. • Sinopse: Esse é o enredo do longa ‘A Chegada’, de 2016, que apesar de parecer um filme comum, aborda questões profundas e originais sobre comunicação e linguagem em meio ao cenário da ficção científica. Uma série de 12 naves alienígenas chega à superfície da Terra sem alardes, em diferentes pontos do globo. Imediatamente, a mídia começa a bombardear notícias sobre esse acontecimento e o caos, em função do medo, começa a se instalar entre as pessoas. Enquanto isso, militares americanos recrutam uma especialista em linguística e um físico para tentarem decifrar a linguagem dos heptapodes – nome dado aos alienígenas. O foco é descobrir, o quanto antes, as reais intenções deles na Terra. • Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=rlm6wSx7h9c https://www.youtube.com/watch?v=rlm6wSx7h9c REFERÊNCIAS BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. 4. ed. Trad. P. Bezerra. São Paulo: Martins Fontes, 2003. BAKHTIN, M. Problemas da poética de Dostoiévski (1929). 2. ed. Trad. Paulo Bezerra. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1997. BENVENISTE, E. O Vocabulário das Instituições Indo-européias II. Campinas, SP: Unicamp, 1995. BORGES, E. F.V. Um modelo caótico de desenvolvimento reflexivo da profissionalidade de professores de línguas. In: ReVEL, v. 14, n. 27, pp.364-388, 2016. Disponível em: Acesso em 30 de maio de 2021. FIAD, R. S.; MAYRINK-SABINSON, M. L. T. A escrita como trabalho. In: MARTINS, M. H. (Org.). Questões de linguagem. 4. ed. São Paulo: Contexto, 1994, p. 54-63. FIAD, R. S. ; MAYRINK-SABINSON, M. L. T. A escrita como trabalho. In: MARTINS, M. H. et al. (org.). Questões de linguagem: muito além do português. São Paulo: Contexto, 1991. p. 54-63. GERALDI, J. W., SILVA. Linguagem e ensino: exercícios de militância e divulgação. Campinas: Mercado de Letras, 1996. KOCH, I. G. V. Desvendando os segredos do texto. São Paulo: Cortez, 2002. KOCH, I. G. V.; ELIAS, V. M. Escrita e interação. In: _. Ler e escrever: estratégias de produção textual. São Paulo: Contexto, 2009. p. 31-52. KOCH, I. V. O texto e a construção dos sentidos. 3ª ed. São Paulo: Contexto, 2000. MARCUSCHI, L. A. 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Objetivos de Aprendizagem: • Conceituar e contextualizar os conceitos de texto e textualidade. • Compreender os fatores de textualidade. • Estabelecer a importância da análise dos fatores de textualidade para estabelecer produções de textos efetivas. INTRODUÇÃO Olá, caros estudantes, Nesta unidade, temos como intuito apresentarmos o conceito de Texto e Textualidade. De antemão, descreveremos o conceito de texto a partir de algumas teorias que coincidem entre si. Posteriormente, abordaremos o segundo conceito, a textualidade. Isto é, as características que constituem um texto, destacando sua importância para que ele seja compreensível. Em seguida, descreveremos os sete fatores de textualidade, a iniciar pelos termos coesão e coerência, que são os elementos descritos no texto, aqueles que podemos encontrar na materialidade como palavras, conectivos, adjuntos, marcadores de pontuação, etc. Também compreendemos que os elementos que estabelecem a coerência nem sempre estão na concretude, mas que é possível reconhecê-la. Após apresentarmos os elementos que estão conceitualizados no texto, apresentamos aqueles que estão ligados aos fatores sociocomunicativos, ou seja, não necessariamente dentro daquele conjunto textual, mas fortemente relacionado a ele para conferir os recursos necessários a sua completa decodificação. Veremos, portanto, os fatores textuais que se comunicam tanto com o produtor do texto, quanto com o receptor demonstrando mais uma vez que ao trabalharmos o texto não podemos deixar de conferir o seu caráter comunicativo e sua função social de agir tanto sobre a vida de quem o produz quanto de quem o recebe. Esperamos que esta unidade seja mais um momento de reflexão e de estudo buscando aprimorar nossos conhecimentos em relação à produção de textos. Vamos lá! 1 CONCEITO DE TEXTO E TEXTUALIDADE https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/little-child-sits-by-desk-doing-1715462341 Conforme estudado até aqui, a produção textual é uma interação entre sujeitos - professor e alunos, com objetivos sociocomunicativos, tendo um intuito principal: a comunicação. Assim, para compreender a produção textual em língua inglesa, precisamos entender algumas características de texto - escrito ou oral, isto é "uma unidade linguística comunicativa básica, já que o que as pessoas têm a dizer umas às outras não são palavras, nem frases isoladas, são textos”. O texto pode apresentar extensões variadas, desde uma palavra até milhares delas. Desse modo, “pode-se definir texto ou discurso como ocorrência linguística falada ou escrita, de qualquer extensão, dotada de unidade sociocomunicativa, semântica e formal”. (COSTA VAL, 2006. p. 3). Ainda de acordo com essa abordagem, para compreender esse conceito, ou seja, o texto, é necessário lidar com várias situações relevantes: crenças, cultura, as diferentes visões de mundo, pré-conhecimentos, pressuposições, convicções, etc. Diante disso, o texto deve ser compreendido como uma unidade de “[...] sentido, necessitando para isso de uma situação discursiva, de interlocutores, das categorias de espaço e tempo e de um propósito claro e definido; e de elementos da linguagem, analisados em sua visão global, especificada pela análise vocabular e referencial” (SANTOS, 2013, p. 56). Além disso, quando o assunto é texto, devemos considerar a comunicação que ele estabelece e a produção de sentidos presente entre o produtor do texto e o receptor. https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/little-child-sits-by-desk-doing-1715462341 (ROCHA, 2015). Portanto, o texto deve ser entendido como uma “unidade formal, material''. Seus constituintes devem se mostrar reconhecivelmente integrados, de modo a permitir que ele seja percebido como um todo coeso”. (COSTA VAL, 1991). Ainda conforme Costa Val (1991), para que seja bem compreendido, é necessário apresentar três aspectos - o pragmático, isto é, o funcionamento no que diz respeito à atuação informacional e comunicativa; o semântico-conceitual refere-se à coerência; e o formal, o qual concerne à sua coesão. Diante disso, o “texto é dotado de unidade de sentido”, uma vez que o sentido do texto se estabelece a partir dos interlocutores, por intervenção de diversos fatores contextuais e extralinguísticos. Partindo do entendimento do conceito de texto, precisamos olhar para a sua elaboração. Nesta, considera-se os propósitos comunicativos de quem escreve, inseridos em um contexto sociocultural, qual tipo de gênero o aluno irá produzir e os aspectos que os envolve e a esfera social de circulação. Portanto, Um TEXTO será definido como uma OCORRÊNCIA COMUNICATIVA que reúne sete fatores de TEXTUALIDADE. Se qualquer um desses fatores não for considerado e satisfeito, o texto não será comunicativo. Assim, os textos não comunicativos são tratados como não-textos (BEAUGRANDE; DRESSLER, 1981. p. 3).1 A partir dessa abordagem, Azevedo e Tardelli (2004, p.45) destacam que “produzir um texto na escola é, pois, realizar uma atividade de elaboração que se apura nas situações interlocutivas criadas em sala de aula; é um trabalho de reflexão individual e coletiva e não um ato mecânico, espontaneísta ou meramente reprodutivo”. À vista disso, precisamos entender o conjunto de características as quais constituem o texto e fazem com que ele seja visto como tal, não como um conjunto de palavras e frases que não compõem um todo significativo. Esse conjunto é chamado de textualidade, nas palavras de Costa Val (2006 p. 5), “chama-se textualidade ao conjunto de características que fazem com que um texto seja um texto, e não apenas uma sequência de frases”. A autora, embasada em Beaugrande e Dressler (1983), salienta 1 1 Tradução livre. Texto original: “A TEXT will be defined as a COMMUNICATIVE OCCURRENCE which meets seven standards of TEXTUALITY. If any of these standards is not considered to have been satisfied, the text will not be communicative. Hence, non-communicative texts are treated as non-texts” BEAUGRANDE; DRESSLER, 1981. p. 3). que há sete fatores responsáveis pela construção de textualidade em um texto. Há dois fatores que se relacionam com o material conceitual e linguístico, chamadosde coerência e coesão. Já os fatores pragmáticos envolvidos no processo sociocomunicativo concernem aos demais fatores - a intencionalidade, a aceitabilidade, a situacionalidade, a informatividade e a intertextualidade. (COSTA VAL, 2006). No quadro a seguir, exemplificamos, por meio de um esquema, esses fatores de textualidade. Figura 1 - Fatores de textualidade Fonte: Disponível em: http://images.slideplayer.com.br/1/339711/slides/slide_20.jpg Perante o exposto, no tópico a seguir descrevemos cada fatores de textualidade, destacando suas importâncias para a constituição de um texto. Além disso, trouxemos exemplos de texto em língua inglesa. 2 FATORES DE TEXTUALIDADE http://images.slideplayer.com.br/1/339711/slides/slide_20.jpg https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/girl-studying-school-looking-very-happy-120103930 Para que um texto cumpra seu propósito comunicativo, é preciso que “tenha o que dizer”, mas também “como dizer”. Este critério diz respeito à coerência e à coesão - fatores de textualidade que relacionam-se ao material conceitual e linguístico do texto, já que o conhecimento linguístico é essencial para a produção de um bom texto. Ao analisarmos os fatores que compõem um texto podemos indicar que esses componentes são essenciais para estabelecermos a diferença entre um texto e uma montanha de frases desconexas. Os elementos que costuram um texto é o que consideramos como fatores de textualidade. Como sugere a figura anterior, esses elementos textuais são gerados a partir dos questionamentos que se podem ser feitos ao próprio texto. Para que este possua uma função é preciso analisar a intencionalidade, a aceitabilidade, a situacionalidade, a informatividade e intertextualidade, além da coesão e coerência. A coesão e a coerência se relacionam com a configuração linguística do texto, relacionando-se com o material conceitual do texto. Enquanto isso, os demais fatores textuais estão ligados aos processos sociocomunicativos e conhecimento de mundo dos produtores. Vamos conferir as possibilidades desses elementos textuais a seguir iniciando pelas definições do material conceitual do texto. A coesão refere-se a uma ligação coerente entre as partes do texto, estabelecida por meio de conectores que ligam frases, parágrafos, sequências textuais, etc. A coesão https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/girl-studying-school-looking-very-happy-120103930 é responsável pela estruturação textual, considerando o todo e como esse é produzido para termos um texto e não apenas um emaranhado de frases soltas. Já a coerência é um elemento fundamental responsável pelo sentido do texto. Para Costa Val (2006) a coerência diz respeito às relações e aos conceitos dispostos na superfície do texto: aspectos semânticos, lógicos e cognitivos. Partindo desse pressuposto, a coerência está não apenas na lógica interna mas também na lógica externa, aquela que vem de outros fatores extratextuais. Para ser coerente, um texto depende de uma troca entre leitor e produtor de modo a confluir seus conhecimentos de língua e de mundo. Assim, passamos para os fatores ligados aos processos sociocomunicativos. Intertextualidade faz referência às maneiras pelas quais a produção e a recepção de um texto se relacionam com o conhecimento de outros textos produzidos. O intertexto demonstra a independência entre os textos e como compreender um só faz sentido ao compreendermos o outro. Nas palavras de Koch (2014, p. 59). texto é um objeto heterogêneo , que revela uma relação radical de seu interior com seu exterior; e, desse exterior, evidentemente, fazem parte outros textos que lhe dão origem, que o predeterminam, com os quais dialoga, que retoma, a que alude, ou, a que opõe. Na propaganda abaixo, vemos a importância da intertextualidade para compreendermos. É preciso levar em consideração o momento em que a peça publicitária foi produzida e também os discursos anteriores que estabelecem a concorrência entre as famosas marcas de refrigerante. Figura 2 - exemplo de intertextualidade com a marcas Coca-cola e Pepsi - Fonte: disponível em: https://i.pinimg.com/originals/5c/9f/06/5c9f0611b790ac6cbda0d0ae53bbd517.jpg. Acesso em: 24 set. 2021. A intencionalidade diz respeito ao esforço empregado pelo produtor para estabelecer um discurso coerente e coeso, com o objetivo de cumprir sua intenção comunicativa. Sendo assim, “a intencionalidade refere- se ao modo como os emissores usam textos para perseguir e realizar suas intenções, produzindo, para tanto, textos adequados à obtenção dos efeitos desejados”.(KOCH; TRAVAGLIA. 2015, p. 97). Usando as imagens acima, das propagandas de Pepsi e da resposta da Coca- Cola podemos perceber que há a intenção de provocar no leitor a comparação entre os produtos, uma vez que as empresas são concorrentes diretas na produção deste produto. A aceitabilidade vai para o campo do receptor do texto, ou seja, do leitor. Este tem a função de analisar e avaliar se a coerência, coesão, relevância do texto atingem as intenções do produtor do texto. Portanto, a aceitabilidade diz respeito à interação entre duas pessoas por meio da linguagem, já que “elas se esforçam por fazer-se compreender e procuram calcular o sentido do texto do(s) interlocutor(es), partindo das pistas que ele https://i.pinimg.com/originals/5c/9f/06/5c9f0611b790ac6cbda0d0ae53bbd517.jpg contém e ativando seu conhecimento de mundo , da situação, etc. (KOCH e TRAVAGLIA, 2015, p. 98) Mais uma vez, pensando nas imagens da propaganda, o leitor deve avaliar se as peças produzem o efeito esperado já que a primeira trata-se de uma forma de ver a imagem, ao passo que a segunda, sugere exatamente o contrário. Essas intenções são atingidas e aceitas pelo leitor/consumidor? Em seguida, podemos definir a situacionalidade como aquela responsável pela adequação do texto ao momento sociocomunicativo. Assim, ao construir um texto, é preciso verificar o que é adequado àquela situação específica: grau de formalidade, variedade dialetal, tratamento a ser dado ao tema, etc. O lugar e o momento da comunicação, bem como as imagens recíprocas que os interlocutores fazem uns dos outros, o s papéis que desempenham, seus pontos de vista, o objetivo da comunicação, enfim, todos os dado s situacionais vão influir tanto na produção do texto, como na sua compreensão.(KOCH; TRAVAGLIA, 2015, p. 85). No texto que trouxemos para demonstrar os fatores textuais, podemos perceber que a situacionalidade é o momento de halloween, festa tradicional estadunidense na qual as pessoas se fantasiam de personagens diversos, sejam eles assustadores ou não. É necessário compreender esses fatores para que a propaganda seja compreendida tanto pelo lado de uma das empresas quanto da outra. A informatividade é responsável pela quantidade de dados suficientes no texto capazes de estabelecer a coesão e a coerência do texto. Segundo Koch Travaglia (2015, p. 85), É a informatividade, portanto, que vai determinar a seleção e o arranjo das alternativas de distribuição da informação no texto, de modo que o receptor possa calcular-lhe o sentido com maior ou menor facilidade, dependendo da intenção do produtor de construir um texto mais ou menos hermético, mais ou menos polissêmico, o que está, evidentemente, na dependência da situação comunicativa e do tipo de texto a ser produzido. Assim, podemos compreender que os fatores para a construção do texto são essenciais para estabelecer uma produção eficaz e competente. É importante trabalhar com esses elementos para que o produtor sinta-se à vontade na hora de produzir seu conteúdo considerando as possibilidades inerentes à escrita, seja ela artística, informativa ou publicitária.SAIBA MAIS English 3.0 – Como a internet está influenciando a língua inglesa? https://vimeo.com/111108854 [video - English 3.0] Eu não sei vocês, mas nos artigos que leio sobre o futuro da língua inglesa, não é incomum alguém dizer que a internet está acabando com o idioma. Seja por que ninguém escreve direito, seja o não uso da gramática normativa, seja por que a comunicação está sendo perdida devido a digitalização, seja lá por qual for o motivo, sempre tem alguém para falar que ninguém vai falar inglês certo ou que o inglês está sendo afetado negativamente por causa da internet e etc. Minha preocupação sempre foi em entender como o inglês é usado no mundo e se ele continuará sendo usado como é nos dias atuais, porém no futuro não tão distante. Nesse curto vídeo de 20 minutos, que poderá ver no começo desse artigo, Tom Chatfield, David Crystal, Robert McCrum, Fiona McPherson e Simon Horobin, autores e linguistas renomados, falam um pouco desse impacto que a internet trouxe para a língua inglesa e até que ponto esse impacto é negativo e principalmente, se vai durar. Eu gostaria de destacar do documentário, um ponto que achei interessante, que é a visão de que a internet não está destruindo a língua inglesa e sim, apenas as pessoas estão usando a língua inglesa de formas diferentes. Algo que percebo por experiência própria, é a forma como eu mesmo falava português aos meus 12 anos, que mudou muito aos meus 15, 18, 20 e agora aos 23. Ou seja, à medida que vamos crescendo, vamos passando por mudanças que por diversos motivos, acabam influenciando em nossos hábitos de fala, escrita e etc. Se você sentar para conversar com seu avô ou avó, talvez eles consigam lhe fazer rir ou ficar surpreso, das diferenças que existiam na época deles. O ponto aqui é entender como a comunicação está em constante mudança, de geração para geração ela vai crescendo e se adaptando. Crystal fala no documentário de outros eventos que mudaram o rumo da comunicação, tais como a invenção da impressão, do telefone, dos meios de comunicação, e da internet. E no decorrer dessas mudanças, muitas pessoas achavam que era o fim. No caso da internet, o impacto é notório, muita coisa mudou em nossas vidas. Tudo é online, digital, as relações interpessoais ficaram mais fracas, principalmente com https://vimeo.com/111108854 os familiares. Na língua inglesa, trouxe uma gama de palavras e termos novos que vão e voltam dependendo da idade, nível social, ou da vida da pessoa que a fala. Eu particularmente não acredito que a internet esteja destruindo a língua inglesa. Pelo contrário, acredito que ela abriu portas para um número maior de pessoas terem acesso a informação e a usar essas informações como desejarem. Além de poder expressar opiniões da forma que desejarem. Toda essa interação acaba ajudando na criação de novas palavras, termos e também erros, comum a qualquer ser humano. Fonte: ALVES, Renato. English 3.0 – Como a internet está influenciando a língua inglesa?. Inglês na Rede, 2015. Disponível em: https://inglesnarede.com.br/dicas/english-3-0-internet-influenciando-lingua-inglesa/. Acesso em: 24 set. 2021. #SAIBA MAIS# REFLITA “A Incoerência textual ocorre justamente no momento em que se tem um texto com um conjunto de palavras que não tem sentido, dificultando a sua compreensão. Cada palavra escrita tem que seguir o sentido do texto. É necessário que haja essa compreensão da importância de se construir um texto coerente, principalmente, quando se prepara discentes para um mundo competitivo, seja na entrada em um curso superior, ou em uma investidura em um concurso público, as avaliações a nível nacional hoje, exigem um patamar de conhecimento relacionado à produção textual que no mínimo atinjam os conceitos básicos de coesão e coerência” Ana Claudia da Silva “You don't need long arms to embrace the world; you need English” - Ricardo Schütz #REFLITA# CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao término desta unidade destinada inteiramente para a materialidade do texto e podemos apontar alguns importantes aspectos e reflexões aos quais fomos levados durante esta unidade. Inicialmente, buscamos conceituar texto e textualidade, trazendo à tona o conceito de que texto não pode ser um grupo de frases isoladas e soltas sem sentido e que é justamente os recursos utilizados para tecer essa teia de sentenças que chamamos de textualidade. Em seguida, trouxemos os fatores de textualidade como peças importantes para a realização de produções textuais, inclusive com o intuito de compreendermos que este trabalho deve ser desenvolvido com nossos alunos também em língua estrangeira. É importante exercitar os elementos que constituem a textualidade para que, quando o leitor, torna-se produtor, ele conheça os caminhos, as formas, os recursos necessários para fazer de seu texto o mais assertivo possível. Refletimos, por meio de duas peças publicitárias, sobre os elementos dados no texto, como a coesão e coerência, e também aqueles que podem não estar expressos necessariamente na materialidade formal, porém fazem parte do jogo interpretativo/produtivo de outras formas. Embora a coerência seja uma marca linguística posta no texto, vemos em Antunes (2005, p. 176) que A coerência não é, portanto, uma propriedade estritamente linguística nem se prende, apenas, às determinações meramente gramaticais da língua. Ela supõe tais determinações linguísticas; mas as ultrapassa. E, então o limite é a funcionalidade do que é dito, os efeitos pretendidos, em função dos quais escolhemos esse ou aquele jeito de dizer as coisas” As formas diversas de compreender um texto são a verificação de fatores como a intertextualidade, ou seja, como esse texto se relaciona com outros, ainda que não seja citado propriamente naquela nova produção, uma vez que somos uma construção de diversos discursos já existentes. Além da intertextualidade, temos a intencionalidade, a aceitabilidade, a situacionalidade e a informatividade. Todos estes, como vimos, ligados ora ao produtor ora ao receptor, aquele a quem o texto se dirige. Dessa forma, consideramos importante destacar que o texto não pode ser considerado uma atividade com devidos fins em si mesmo. É preciso considerar os fatores sociocomunicativos, as possibilidades de produção, o conhecimento prévio dos sujeitos envolvidos, para assim propiciar aos nossos alunos a melhor experiência na produção escrita. LEITURA COMPLEMENTAR A coesão textual como ferramenta para compreensão de textos em Língua Inglesa Fábio Henrique Rosa Senefonte A presente pesquisa ancora-se nos pressupostos de que o sentido do texto é construído pelo leitor e para que isso ocorra, é necessária a ativação de vários conhecimentos, dentre eles o domínio de mecanismos coesivos (KOCH, 2000, 2003, 2004, 2005, 2008; MARCUSCHI, 2008). Dessa forma, o artigo objetiva ilustrar de forma prática como os conhecimentos de coesão textual auxiliam na compreensão de textos em língua inglesa como língua estrangeira. Para isso, foi demonstrado um procedimento metodológico, ancorado na literatura supracitada, para uma possível compreensão de uma notícia extraída do jornal “The New York Times”. Por meio de uma abordagem de leitura instrumental (TODA, 2010), tal procedimento comprovou que a construção de sentido (compreensão) do texto foi possível graças à ativação de vários conhecimentos a respeito de estratégias de leitura, incluindo o conhecimento acerca da coesão textual. Palavras-chaves: Coesão textual. Compreensão de textos. Língua inglesa Fonte: Senefonte, F. H. R. A coesão textual como ferramenta para compreensão de textos em Língua Inglesa Semina: Ciências Sociais e Humanas, Londrina, v. 34, n. 2, p. 215-228,jul./dez. 2013 LIVRO Título: Lutar com Palavras “coesão e coerência” Autor: Maria Irandé Antunes. Ano: 2005. Editora: Parábola. Sinopse: Coesão e coerência não são questões exploradas satisfatoriamente, nem mesmo nas aulas de língua portuguesa. É comum ouvir referências muito vagas à coesão e à coerência, mas elas constituem um terreno vago, para onde vamos jogando tudo o que não sabemos explicar bem: Diante daquele texto meio ruim, não muito bem formulado, não muito claro, recorremos a uma área geral, sem contornos, onde cabe tudo e tudo se acomoda. E, aí, dizemos: falta coesão; ou o texto não tem coerência. Mas... falta coesão exatamente onde? Falta que tipo de recurso? Se um texto não tem coesão é porque lhe está faltando o quê? A indefinição é pior ainda quando se trata de coerência. Um texto, incoerente? Onde? Por quê? A intenção deste livro é fixar algumas noções básicas acerca da propriedade textual da coesão e de sua relação com a coerência, com o objetivo de desenvolver nossa competência para falar, ouvir, ler e escrever textos, com mais relevância, consistência e adequação. Isso contribuirá para que todo leitor compreenda o que fazer para deixar o seu texto articulado, encadeado, coeso e coerente. FILME/VÍDEO Título: Verônica Ano: 2009 Sinopse: Verônica (Andréa Beltrão) é uma professora da rede municipal do Rio de Janeiro. Em seu trabalho ela precisa enfrentar assaltos, tráfico de drogas, roubo de equipamento escolar e homicídios. Após trabalhar na função por 20 anos, ela está esgotada e sem paciência. Um dia, ao sair do colégio em que trabalha, ela nota que ninguém veio buscar Leandro (Matheus de Sá), de 8 anos. Verônica decide levá-lo até sua casa, na favela, mas ao chegar descobre que traficantes mataram os pais de Leandro e agora estão atrás dele. Ela decide levá-lo consigo, buscando ajuda para escondê-lo Veronica - Trailer Oficial - Projeta Brasil Cinemark 2009 https://www.youtube.com/watch?v=DlkmHmVH3AA WEB Para escrevermos um texto, precisamos conhecer elementos de coesão e coerência, por isso, indicamos um site para ajudar seus alunos a praticar as possibilidades de conectivos em inglês. • https://www.sk.com.br/sk-conn-words-of-connection-conectivos-do-ingles.html REFERÊNCIAS ANTUNES, Irandé. Lutar com palavras: coesão e coerência. São Paulo: Parábola, 2005. AZEVEDO, C. B. e TARDELLI, M. C. Escrevendo e falando na sala de aula. In: CHIAPPINI, Lígia. Aprender e ensinar com textos de alunos. São Paulo: Parábola Editorial, 2004. BEAUGRANDE, R. A, & DRESSLER, W. U. Introduction to Text Linguistics. London: Longman, 1981. COSTA VAL, M. da G. Redação e Textualidade. 3ª Ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991. COSTA VAL, M. da G. Redação e Textualidade. 3ª Ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006. KOCH I. O texto e a construção dos sentidos.10. ed. São Paulo: Contexto, 2014. KOCH I.; TRAVAGLIA, Luiz Carlos. A coerência textual. 18. ed. São Paulo: Contexto, 2015. SANTOS. M. F. O. Os saberes construídos no processo da pesquisa .Maceió, AL: Edufal, 2013. ROCHA, M. S da. Texto na escola: um olhar sob o viés da linguística textual. In: Encontro das ciências da linguagem aplicadas ao ensino (ECLAE), 6., 2015, Garanhuns. Anais eletrônicos do VI ECLAE. Garanhuns, PE: Pipa comunicação, 2015, p. 3451-3461 CONCLUSÃO GERAL Prezado(a) aluno(a), Neste material, buscamos trazer para você os principais conceitos a respeito da Literatura e Produção Textual em língua inglesa. Para tanto, abordamos algumas concepções sobre a leitura, em seguida, trouxemos as etapas de leitura, bem como alguns exemplos em língua inglesa. Por fim, discutimos sobre as práticas de leitura no ensino de língua inglesa, descrevendo alguns métodos de leitura. Em seguida, destacamos a importância da prática da leitura de gêneros literários - lírico, épico e dramático, descrevendo as características de cada gênero. Também apresentamos algumas possibilidades de trabalho com esses gêneros literários durante as aulas de língua inglesa. Apresentamos ainda três concepções de linguagem, descrevendo as principais características de cada um delas. Além disso, abordamos três concepções de escrita, exemplificando-as com atividades em língua inglesa. Por último, com o intuito de finalizar o assunto a respeito da produção escrita, levantamos a importância dos gêneros textuais para o ensino de língua inglesa. Para concluirmos o nosso material, apresentamos os conceitos de texto e textualidade, bem como os sete fatores de textualidade - a fim de conceitualizar a importância do domínio das questões textuais nas aulas de língua inglesa. A partir de agora acreditamos que você já está preparado para seguir em frente como professor de Língua Inglesa, uma vez que terá uma base teórica, bem como exemplos práticos em sala de aula, os quais te proporcionarão ter um excelente desempenho no ofício de ser professor. Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigado!