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Empreendedorismo Unidade 2 David Stephen Unidade 02 | Introdução Nesta etapa do estudo, iremos nos debruçar sobre a análise da oportunidade que se apresenta a nossa frente. Antes mesmo de fincar a primeira estaca do novo empreendimento, é necessário que se tenha muita certeza sobre o que realmente será feito. E, para isso, aprenderemos algumas ferramentas cruciais, como a pesquisa de mercado, análise de SWOT e o diagrama de ERRC. Unidade 02 | Competências • Identificar e avaliar as oportunidades de negócio; • Entender a importância da pesquisa de mercado para redução dos riscos; • Aplicar a análise de SWOT para avaliação do negócio; • Aplicar a análise de ERRC para avaliação do produto. 1. Oportunidades de negócio Planejar antes de colocar a mão na massa. Essa é a palavra de ordem de qualquer projeto empreendedor bem-sucedido. Mas, infelizmente, poucos empreendedores dedicam o tempo e os recursos necessários à essa importante etapa do processo de construção de um novo negócio. Mas, quais são os passos para se planejar um negócio? Fonte: Freepik Oportunidade: Não existe uma receita de bolo para avaliar uma oportunidade, mas podemos sabatiná-la com os seguintes questionamentos: • A oportunidade em questão atende uma necessidade? • Ela tem perspectiva de lucro? • Quanto tempo dura essa oportunidade? • Consegue recuperar o dinheiro investido? • Existe a possibilidade de expansão? • Consegue esclarecer “no papel” com números? Necessidade: Perguntar se uma oportunidade atende a uma necessidade é averiguar se o negócio a ser explorado resolve um problema. Lucro: Outro aspecto importantíssimo é quanto à perspectiva de lucro. Embora ainda esteja cedo para responder isso com exatidão, é importante levantar informações mais rudimentares sobre a possibilidade de haver apuração de lucro na operação do novo negócio. Tempo x oportunidade: Essa é uma pergunta que muitos empreendedores e investidores ignoram. Nenhum negócio gera lucro para sempre. Cada um tem seu ciclo de vida. Resta-nos apenas calcular o tempo de vida que o negócio terá e se esse tempo será suficiente para retornar o investimento realizado. Depois desse período, continuar ou não com o negócio será uma decisão mais confortável de ser tomada, uma vez que o capital já foi completamente retornado e, de preferência, remunerado. Investimento: Como já dissemos anteriormente, você deve calcular o tempo de vida de seu negócio para que haja tempo hábil de recuperar o seu capital investido. Embora saibamos que nenhum negócio atinge o ponto de equilíbrio em menos de um ou dois anos, por melhor que seja, é necessário se planejar para um negócio que consiga se pagar no menor espaço de tempo possível. Mas atenção, não estamos falando aqui de chutar números para cima, maquiar projeções ou ser otimista aos extremos. Embora os termos a seguir venham a ser alvos de nossos estudos mais adiante, é importante anteciparmos algumas definições: • Anjo (ou angel): Investidores pessoa física; • Payback: retorno do capital; • ROI: Return Of Investment (retorno do investimento). Expansão: entenda-se expansão não apenas como o acréscimo de área construída à sede de uma empresa, por exemplo, mas todo e qualquer passo significativo rumo à elevação dos resultados, como mudança de endereço, aquisição de novos parques de equipamentos, abertura de filiais, aquisição de empresas e fusões. Você pode expandir seus negócios com segurança (relativa) se conseguir planejar-se bem quanto ao aspecto econômico-financeiro, sem esquecer o mercadológico, é claro. Não adianta fazer um planejamento financeiro perfeito se você errar na avaliação de seu produto, do seu cliente e da concorrência que enfrentará dentro do novo cenário pós-expansão. Implantação: Por fim, resta a seguinte pergunta: você consegue desenhar ou descrever, clara e objetivamente, o que, como, quando e onde você vai implantar o seu negócio? Estamos falando de um Plano de Negócio (ou Business Plan). O Business Plan (BP) é o plano de seu projeto de empreendedorismo, propriamente dito. Mas por que escrever um BP? Palavras são palavras, e nada mais – já dizia o poeta. Palavras são como poeira ao vento. Dispersam-se. Mudam-se. Diluem-se ao sabor do tempo. Aquilo que sonhamos deve ser repetidamente verbalizado no nosso dia a dia. Mas, em algum momento, temos que escrever concretamente o que pretendemos fazer dos nossos sonhos, para que eles ganhem corpo e se materializem, em uníssono, perante todo o grupo societário a frente do empreendimento. É para isso que servem os BPs: tornar palpável, mensurável e analítico um projeto de empreendimento. Vamos aprender, mais adiante, como construir, de forma sucinta e objetiva, um Plano de Negócio. 2. Pesquisa de mercado Se há uma etapa do processo empreendedor que é sistematicamente esquecida pelos empreendedores, é a Pesquisa de Mercado. O ímpeto e a empolgação do empreendedor são os inimigos mais comuns da Pesquisa. Por se considerar um verdadeiro farejador de oportunidades e com uma visão invejável, o futuro empresário simplesmente negligencia essa importante ferramenta, o que pode causar sérios problemas para o seu empreendimento. Fonte: Freepik Segundo o SEBRAE (2015), pesquisa de mercado significa “a coleta de informações junto ao consumidor, concorrente ou fornecedor para orientar a tomada de decisões ou solucionar problemas”. Uma pesquisa de mercado deve ser muito bem planejada, a fim de que sejam evitadas falhas, como a seleção do método inadequado a ser usado no levantamento das informações, equívoco na interpretação dos dados tabulados, entre outras. Um projeto de empreendedorismo deve dedicar de 20% a 30% de seu tempo ao planejamento, e a pesquisa deve caber dentro deste tempo. Para gerenciar esse cronograma, recomendamos fortemente o uso de uma ferramenta informatizada, como o MS-Project, Trello, Asana, entre muitas outras. Essas ferramentas auxiliarão o empreendedor a controlar o tempo de execução de cada atividade prevista no plano de projeto. Ao ler o relatório final da pesquisa, o empreendedor deve realizar uma análise quantitativa, qualitativa e comparativa dos resultados apresentados. Ele deve ficar atento aos sinais dos números. Se os dados coletados e a formulação do questionário foram bem feitos, caberá apenas ao poder de abstração do empreendedor decidir de modo assertivo sobre seu negócio. Ao ler o relatório final da pesquisa, o empreendedor deve realizar uma análise quantitativa, qualitativa e comparativa dos resultados apresentados. Ele deve ficar atento aos sinais dos números. Se os dados coletados e a formulação do questionário foram bem feitos, caberá apenas ao poder de abstração do empreendedor decidir de modo assertivo sobre seu negócio. Fonte: Elaborado pelo autor. Para obtenção de dados secundários, recomendamos fortemente a busca de informações nos sites e documentários dos seguintes organismos: • Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa; • IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; • IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada; • FGV – Fundação Getúlio Vargas; • Sites dos ministérios; • Universidades em geral. 3. Análise de SWOT Outra importante ferramenta, que se alimenta das informações da pesquisa, é a Análise de SWOT. Na verdade, antes mesmo de desenvolver o trabalho de pesquisa, é importante desenhar o escopo de sua análise SWOT. Ele servirá de base para a orientação dos técnicos em Pesquisa de Mercado. SWOT é uma sigla que representa as iniciais de quatro palavras de efeito em inglês: • Strengths Forças / potencialidades; • Weaknesses Fraquezas / vulnerabilidades; • Opportunities Oportunidades; • Threats Ameaças. Fonte: Elaborado pelo autor. O objetivo da análise de SWOT é mapear essas quatro dimensões de um negócio, identificando quais são as suas potencialidades que contribuem para o sucesso do empreendimento, as suas fraquezas que podemcomprometer seu êxito e, por outro lado, as oportunidades que favorecem e as ameaças que põem em risco o empreendimento. A análise de SWOT resulta no diagrama acima, denominado diagrama SWOT, que descreve, de forma didática e clara, um balanço sintético das variáveis determinantes do negócio – um importante subsídio para a decisão de empreender ou recuar. Para compreendermos melhor a funcionalidade dessa ferramenta de gestão, vamos retomar um velho exemplo que temos utilizado em aulas anteriores: a agência de automóveis importados em uma cidade do interior. A análise de SWOT auxilia o empreendedor a visualizar a viabilidade de seu negócio, mas não deve ser encarada como um instrumento analítico, que resulta em um indicativo determinante para empreender ou desistir. Outros elementos também podem pesar na balança do empreendedor. De uma forma grosseira, você pode atribuir um peso de 1 a 5 para cada uma das variáveis determinantes do diagrama SWOT, utilizando sinal positivo para as variáveis S e O, e negativo para as W e T. Se o resultado da equação for positivo, você tem um bom indício para seguir adiante com o seu projeto empreendedor. Do contrário, pare, reflita e decida se vale a pena bancar os riscos. A seguir apresentamos uma simulação disso sobre o nosso estudo de caso em questão. Muita atenção nessa hora! De nada adiantará montar essa equação se os indicadores de cada variável não foram minuciosamente estudados. Ao mensurar o valor de cada um desses indicadores (de 1 a 5), é importante criar métricas subjetivas o mais próximo possível da realidade. Números são frios. Nós que temos de dar a eles os reais significados. Uma sugestão: atribua o valor de cada variável de acordo com uma pesquisa interna entre seus pares e colaboradores. Fonte: Elaborado pelo autor. O diagrama de SWOT também pode ser utilizado para representar a mitigação dos riscos do negócio. Para isso, você deve: • Potencializar ainda mais as suas fortalezas (S); • Fortalecer suas fraquezas (W); • Aproveitar ao máximo as oportunidades (O); • Mitigar as ameaças (T). Fonte: Elaborado pelo autor. 4. Análise de ERCC A análise de SWOT é uma importante ferramenta para a avaliação do negócio como um todo. Mas, todo negócio tem que ter um produto. Esse produto pode ser um material, um serviço ou um processo. De qualquer sorte, antes de ser lançado, ou repensado, esse produto precisa passar por uma avaliação profunda, desde sua matriz de custos, qualidade e preço, até a sua aplicabilidade, valor percebido e público-alvo. Uma das formas mais rápidas e eficazes de se avaliar um produto, sob o ponto de vista mercadológico, é compará-lo com o da concorrência. Surge então, neste cenário, a matriz ERRC, que estudaremos a partir de agora. ERRC é uma sigla que representa as iniciais de quatro verbos em inglês, constituindo-se em uma importante ferramenta para análise do produto frente à concorrência: Eliminate Eliminar; Raise Levantar (aumentar/melhorar); Reduce Reduzir; Create Criar. Fonte: Elaborado pelo autor. A dimensão (Eliminate) determina o que pode ser eliminado do produto. Um bom exemplo disso foi quando a GOL Linhas Aéreas resolveu simplesmente extinguir o café da manhã, almoço e jantar do serviço de catering de seus voos. Com esta operação, aparentemente simples, foi possível àquela companhia vender passagens aéreas a preços imbatíveis e ainda elevar muito a sua margem de lucro. Como resultado dessa atitude, milhões de brasileiros da classe CDE, que jamais tinham viajado de avião, passaram a ocupar os acentos das aeronaves da empresa que definitivamente assumiu a liderança do mercado em pouquíssimo tempo. A dimensão (Raise) determina o que pode ser levantado, ou incrementado, na oferta do produto. Um bom exemplo disso foi quando a Google resolveu aumentar os limites das caixas de e-mail em quase o dobro do seu principal concorrente, a Microsoft. Com esta operação, milhões de novos internautas foram conquistados para abrir contas de e-mail no Gmail, que se tornou líder absoluto deste mercado. Claro que o Hotmail e outros provedores também foram forçados a aumentar suas quotas, mas quem sai na frente consegue impor uma dianteira considerável em relação a seus concorrentes. Foi o que aconteceu também com outros serviços da Google, como o Youtube, Google Drive (agora Google Disco), entre outros. O aumento considerável da fartura de serviços e limites contribuiu para esta empresa assumir a liderança em vários segmentos dos serviços Web. Vamos voltar a Google mais adiante. Algumas vezes é necessário reduzir para crescer. Estamos falando da dimensão (Reduce), que determina o que pode ser reduzido em um produto, e ninguém melhor do que os orientais para falar desse assunto. Nas décadas de 1980 e 1990 foram os japoneses. Depois os coreanos e, agora, os chineses. A indústria desses países se baseia cada vez mais na miniaturização de seus equipamentos e insumos industrializados. Os americanos inventavam, os europeus melhoravam e os orientais reduziam os tamanhos. Hoje, eles conseguem fazer cada vez menor e melhor os seus produtos, quebrando o paradigma de que o que é bom não tem que ser maior. De todas as dimensões da análise de ERRC esta é seguramente a mais poderosa. Criar recursos novos e, sobretudo, inovadores, pode oferecer ao seu produto uma tremenda dianteira frente ao produto do concorrente. A lojinha da Apple, por exemplo, foi uma criação inovadora que quebrou paradigmas para usuários do IPhone e do iPad. Mas quando o próprio produto é fruto de uma criação inovadora, isso deixa a concorrência literalmente de cabelo em pé. No mercado surgem inúmeros exemplos de paradigmas quebrados a cada dia. Empresas como a Apple e a Google são especialistas em criações inovadoras, introduzindo no mercado no mínimo uma nova criação a cada ano. Empreendedorismo Unidade 02 | Introdução Unidade 02 | Competências 1. Oportunidades de negócio Número do slide 5 Número do slide 6 Número do slide 7 Número do slide 8 Número do slide 9 2. Pesquisa de mercado Número do slide 11 Número do slide 12 Número do slide 13 Número do slide 14 3. Análise de SWOT Número do slide 16 Número do slide 17 Número do slide 18 Número do slide 19 4. Análise de ERCC Número do slide 21 Número do slide 22 Número do slide 23 Número do slide 24 Número do slide 25