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AULA 3 MODELOS DE GESTÃO E GESTÃO POR PROJETOS Prof. Sandro Fabiano da Luz 2 INTRODUÇÃO O papel do gerente de projetos O processo de gerenciar projetos é realizado por organizações dos mais diversos ramos. Atualmente, a área pública tem se utilizado desse tipo gerenciamento para potencializar suas ações. Isso ocorre pela necessidade de converter o planejamento em resultados observados, otimizar o processo de alocação de recursos, reduzir os riscos e, consequentemente, elevar a eficiência da gestão de projetos (Pestana et al., 2010). Desse modo, a gestão de projetos apresenta-se à administração pública como uma ferramenta essencial e estratégica que também facilita a governança, gerando mais eficiência na execução, monitoramento e na percepção dos resultados anteriormente planejados. TEMA 1 – PERFIL DO GERENTE DE PROJETOS DA ÁREA PÚBLICA O papel desempenhado pelo gerente de projetos pode ser exercido por uma ou mais pessoas, e ele é fundamental para a área pública. O número de pessoas responsáveis por essa atividade pode variar de acordo com a complexidade e com as características do projeto e do ambiente em que ele está sendo executado. Assim, em projetos consideravelmente menores, com cenários menos complexos e com escopo conhecido, é possível observar a presença do gerente de projeto, operando em prol dos objetivos estimados. Por outro lado, em projetos maiores, com grandes expectativas alocadas e grande quantidade de recursos, é possível existir um grupo de indivíduos respondendo por esse papel. Na área pública, o gerente de projeto é fundamental. Para que essa função seja realizada de forma plena, é necessário que o gerente de projetos tenha características importantes, como conhecer e desenvolver os objetivos do projeto, possuir habilidade de se comunicar com os interessados, possuir a capacidade de gerenciar todos os eventos que podem gerar prejuízo para o projeto, além de outras habilidades (Bruzzi, 2011). Em um ambiente de projetos desenvolvidos no setor público, tais características são fundamentais para a evolução do gerenciamento do projeto. O papel do gerente de projeto pode ser entendido como uma função exercida dentro de todas as instituições. Segundo o PMBOK (2021), o gerente de projetos executa 3 um papel crítico na liderança de uma equipe alocada para um projeto. Seu papel é geralmente designado nos momentos iniciais do planejamento do projeto. Em casos específicos, pode haver um cenário em que o gerente de projetos tenha de se envolver com suas funções antes do início do projeto, principalmente na ação de verificação de cenários e planejamento de atividades iniciais. Quando isso ocorre, percebe-se o amadurecimento e conhecimento da instituição para com o gerenciamento de projetos, e como ele deve acontecer. Um gerente de projetos é uma pessoa proativa e responsável pelo projeto. Ele deve coordenar os recursos para atingir o resultado planejado. Porém, essa não é uma tarefa simples e demanda, desse profissional, uma posição de ação com relação às inúmeras ocorrências a serem administradas ao longo do ciclo de vida do projeto (Gasnier, 2012). Figura 1 – Gerente de projetos Crédito: goodluz/Shutterstock. Vale salientar que, até mesmo a nomenclatura gerente de projetos pode ser observada de diferentes formas, dependendo de cada organização. Em algumas instituições, esse é um papel de pouca ou nenhuma autonomia, assemelhando-se a um analista ou auxiliar de projetos. Contudo, em outras, o gerente de projetos tem poder que se assemelha à direção geral, podendo definir 4 orçamentos de forma decisiva, e, inclusive, fazer contratações. Via de regra, o mercado denomina essa função desse modo, mas tal nomenclatura não aglutina todas as particularidades da função. É possível perceber que o sucesso ou fracasso obtido pelo projeto está relacionado à qualidade e objetividade da função exercida pelo gerente de projeto. Isso ocorre porque ele é responsável por informações importantes do projeto, como o planejamento, e também por questões relativas à centralização de decisões sobre as atividades. Desse modo, se essa função for administrada sem a devida atenção, a probabilidade de o projeto não alcançar seus objetivos é considerável (Vargas, 2016). Diversas instituições públicas e privadas têm dado preferência para o profissional com as características de um gerente de projetos por conhecerem sua importância quanto aos objetivos estipulados. O papel desempenhado pelo gerente de projetos dialoga com as diferentes estruturas organizacionais e suas particularidades. Nesse sentido, as habilidades necessárias para desempenhar um bom papel dentro delas também são muito abrangentes. Entretanto, notamos que a habilidade mais utilizada pelo gerente de projetos é a comunicação. Assim, por ser uma habilidade bastante demandada, ela também deve ser desempenhada com maestria. Segundo Vargas (2016), as habilidades de comunicação devem ser aliadas às habilidades de planejamento, como o estabelecimento de objetivos, realização de análises e à organização do projeto em si. O autor também indica que habilidades como empatia, motivação, liderança e flexibilidade são importantes ferramentas para as atividades de gerenciamento de projetos. Camargo (2018) avalia que é esperado do gerente de projetos que atenda os objetivos com nível de qualidade, custos e prazo previamente definidos. Para isso, ele deve articular todas as restrições do projeto a fim a atingir os objetos. Dessa forma, ele necessita de liderança, experiência, habilidades de negociação e conhecimento de tecnologia em auxílio ao gerenciamento. O papel do gerente de projetos inclui orquestrar diferentes recursos para concluir o projeto. Para isso, ele deve utilizar habilidades de mediação de conflitos, boa montagem de equipe, compreensão de como a instituição opera e das interfaces organizacionais, liderança e alta capacidade para solução de problemas. Essas habilidades são muito importantes, sobretudo em projetos nos quais as pessoas estão separadas por grandes distâncias. Nesses casos, o 5 conhecimento sobre ferramentas tecnológicas de comunicação e as possíveis barreiras apresentadas por cada uma delas são de vital importância. TEMA 2 – ESTRUTURA PÚBLICA E O GERENCIAMENTO DE PROJETOS Um projeto, para evoluir de forma satisfatória, precisa que haja interação dentro da organização. Esse diálogo entre projetos e a estrutura da instituição fazem com que cada projeto opere com peculiaridades pertinentes ao seu escopo, com todos os envolvidos. Contudo, em um âmbito maior, há a estrutura organizacional que suporta todas as decisões de projetos. Nessa estrutura, podem ser relacionados: os envolvidos direta ou indiretamente com o projeto; uma organização de classificação dos projetos dentro da instituição; e, um escritório central que organize as ações relacionadas a projetos. Assim, esses três núcleos articulam e auxiliam na operação de projetos na organização. 2.1 Classificação de projetos Para que a experiência com o gerenciamento de projetos seja otimizada, é importante o entendimento de que um projeto é composto por uma série gerenciamentos importantes que precisam ocorrer sequencialmente. Porém, em um âmbito maior, a instituição na qual os projetos estão sendo administrados deve oferecer uma estrutura que possibilite uma gestão consciente. Nesse sentido, a maturidade em relação ao gerenciamento de projetos pode ser observada como um processo organizacional relacionado à aquisição de experiência por meio de interações que aumentam as chances de obtenção de sucesso (Kerzner, 2006). No que diz respeito à área pública, é possível perceber a existência de uma grande responsabilidade no processo de administração de todos os recursos recebidos. Por isso, é importante que os projetos sejam bemelaborados, acompanhados e controlados. Para que isso seja possível, devemos conhecer a estrutura e como sistematizar o projeto. Um grupo de pessoas fundamental para o gerenciamento de projetos são os stakeholders (ou, em português, “partes interessadas”). Esse termo define aqueles envolvidos com o produto ou com o gerenciamento do projeto, e que são afetados por ele, direta ou indiretamente (Dinsmore; Silveira Neto, 2010). 6 Vale salientar que tal gerenciamento é importante, visto que a relação dos stakeholders com o projeto pode vir a ser tanto positiva quanto negativa. Por exemplo, um novo fornecedor central de um insumo, pode ser um interessado, com uma relação bastante positiva com o projeto; entretanto, os fornecedores antigos, que não serão mais acionados, podem ser tidos como envolvidos com relação negativa, por isso, devem também ser monitorados. O gerenciamento dos stakeholders envolve desde a própria equipe do projeto, diretoria, potenciais clientes, fornecedores, concorrentes e o governo – uma vez todas estas pessoas e organizações são consideradas partes interessadas. A má administração desse grupo pode comprometer seriamente o projeto, a ponto de ele poder ser até mesmo cancelado. Um dos papéis do gerente de projetos é realizar as interações com todos os seus envolvidos. Contudo, dentro das instituições, essa tarefa se torna complexa, muito pelo fato de que, por diversas vezes, há vários projetos sendo gerenciados concomitantemente. Por isso, e para que os envolvidos entendam de que trata cada projeto, é importante a apresentação do termo taxonomia. De acordo com Gasnier (2012), a taxonomia de projetos pode ser entendida como uma ciência atenta à classificação e à sistematização de um grupo de projetos. Sua intenção é melhorar a comunicação, possibilitando a segmentação de mercados, definição de diferentes abordagens e auxiliar na seleção do gerente de projetos com o perfil mais adequado para cada projeto. Uma classificação de projeto pode auxiliar a identificar qual projeto é o mais complexo, com prazos mais curtos, ou, ainda, que apresentará ou utilizará uma tecnologia nunca utilizada. Com essa identificação, será possível não apenas identificar a equipe e o gerente de projetos ideal, mas, sobretudo, verificar a aderência ao planejamento organizacional maior, o plano de gestão existente em cada órgão, e a legislação vigente. Vale salientar que um projeto não é um esforço temporário realizado de forma isolada dentro de uma instituição. Ele possui, ou deveria possuir, aderência com o planejamento estratégico da área pública, bem como receber suporte e ter sua importância percebida – esforço que seria facilitado com a taxonomia de projetos. Não existe uma classificação de projetos única no mundo, pois o gerenciamento de cada projeto tem particularidades. No entanto, a título de exemplificação, é importante o entendimento completo das informações sobre o 7 projeto para melhor classificação. Assim, informações como o custo do projeto, tempo de execução, utilização de tecnologia e recursos humanos, são importantes. Todavia, informações mais subjetivas do projeto também devem ser levadas em consideração, como impacto municipal, aderência com o planejamento estratégico, complexidade, importância do projeto quanto ao bem- estar social, entre outras. A intenção dessa segmentação é deixar claro, de forma rápida e sucinta, qual projeto pode ser prioritário no rol de projetos possíveis para um órgão. Observe, a seguir, o Quadro 1. Ele apresenta um exemplo de taxonomia usada em projetos. Quadro 1 – Classificação de projetos 1 ponto 2 pontos 3 pontos 4 pontos 5 pontos Urgência Muito baixa Baixa Moderada Alta Muito alta Custo Menor que R$ 5.000,00 Entre R$ 5.000,00 e R$ 50.000,00 Entre R$ 50.000,00 e R$ 200.000,00 Entre R$ 200.000,00 e R$ 500.000,00 Acima de R$ 500.000,00 Tecnologia Comum Utilizada Conhecida Pouco utilizada De ponta Impacto organizacional Muito baixo Baixo Moderado Grande Muito grande Complexidade Muito baixo Baixo Moderado Grande Muito grande A proposta dessa classificação é a fácil identificação, por meio de um cociente, que informe exatamente a realidade do projeto. Basta somar a pontuação de cada característica dos projetos. O projeto que obtiver o maior número de pontos poderá ser elencado como mais robusto no sentido de gerenciamento. Assim, informações sobre a equipe e o responsável pelo projeto seriam mais facilmente administradas. Apesar disso, para a realização de uma tabela que contemple de forma real a intencionalidade institucional, é importante a existência de um escritório de projeto que centralize todas essas decisões estratégicas. Na linguagem mais comumente utilizada entre os envolvidos com projetos, um escritório de projetos é um conceito de organização moderna para o ambiente de projetos. De forma geral, é uma estrutura hierarquizada com a função de decidir sobre os projetos, programas e portfólios institucionais. Ou seja, é um centro de 8 referência para as decisões de projetos, também conhecido como Project Management Office, ou PMO. Assim, caberia ao PMO a organização de uma classificação para os projetos. Por meio de seu corpo técnico e diretoria, ele toma decisões sobre quais itens os projetos poderiam ser classificados, submetendo esses projetos a tal classificação. Além disso, um escritório de projetos também seria responsável por um suporte administrativo e tecnológico para os projetos, bem como um comitê executivo. Assim, vale salientar o papel hierárquico que esse escritório teria e sua importância nas decisões sobre projetos. No Brasil, já há escritórios de projetos. É possível constatar diversas áreas da gestão pública se valendo desse conceito, pois são importantes para que os projetos ocorram de forma plena. Contudo, ainda podemos visualizar um grande potencial de crescimento, pois ainda existem diversos órgãos carentes desse tipo de escritório (Pestana et al., 2010). TEMA 3 – GERENCIAMENTO DA COMUNICAÇÃO EM PROJETOS DA ÁREA PÚBLICA Os projetos realizados pela administração pública apresentam grande diversidade de canais e estilos de comunicação devido à grande variedade de stakeholders observados (Wirick, 2009). Por isso, o gerenciamento das comunicações é fator determinante para o alcance do sucesso nesses projetos. É a mais importante ferramenta utilizada pelo gerente de projetos e pela equipe. Assim, é necessário conhecer e aplicar práticas de comunicação não apenas para os projetos, mas para todo o ambiente organizacional. 3.1 Comunicação em projetos da área pública na prática A área do gerenciamento da comunicação requer minuciosa atenção em ambientes de projeto, pois ela é importante e seus conhecimentos podem ser aplicados a diversas atividades relevantes, e não apenas em projetos. Nesse sentido, vale iniciarmos a abordagem sobre comunicação de forma mais atenta ao conceito e sobre a comunicação em si. Sobre a terminologia da palavra comunicação, o termo é uma variante do latim comunicare, que pode ser traduzido como “ação de partilhar, dividir, ou, 9 ainda, tornar comum”. Ou seja, dividir, de fato, conhecimentos sobre determinada área e, no caso organizacional de projetos, partilhar informações sobre ele. É importante destacar que, para que a comunicação aconteça, é necessária a existência de diferentes elementos importantes para sua constituição. Na verdade, há três elementos que se articulam nesse processo: o emissor, a mensagem e o receptor. O emissor é quem vai emitir a informação necessária; a mensagem é a própria informação ali codificada; e, o receptor, é a pessoa que receberá essa informação e a processará para a tomada de decisão futura. Apesar de parecer evidente, o entendimento sobre o processo de comunicação se faznecessário para que se planeje ações específicas para o ambiente organizacional de modo que a comunicação aconteça de forma plena. Identificar que esse sistema pode ser realizado em um fluxo contínuo e aberto é essencial, assim poderá existir o envio de informações e, posteriormente, o recebimento de novas informações, em um fluxo dinâmico. Na comunicação organizacional, é fundamental que entendamos que ela deve focar, de forma decisiva, a ética, o profissionalismo e a transparência entre os envolvidos. Assim, a importância que o processo de comunicação recebe de uma determinada instituição está muito relacionada à instrução sobre a comunicação recebida pelos seus colaboradores. Dessa forma, o aprendizado constante, tanto sobre técnicas, quanto ferramentas de comunicação, é importante não apenas para os projetos, mas para a sobrevivência institucional como um todo (Bueno, 2003). As ferramentas tecnológicas estão presentes no processo de comunicação há muito tempo. Assim, o ambiente no qual a comunicação acontece deve levar em consideração as devidas ferramentas, bem como a própria interação entre os envolvidos. Entretanto, vale destacar que, mesmo com a grande capilaridade e utilização de tecnologias de comunicação, ainda assim, elas não podem ser entendidas como o fim, mas como meio para que o processo aconteça. Desse modo, mesmo com a utilização das tecnologias mais atuais e completas, a comunicação deve se valer de uma série de estruturas necessárias para que sua realização em projetos ocorra. Assim, informações úteis e relevantes para um indivíduo, bem como o tempo correto de recebimento dessa informação, devem ser considerados (Batchelor, 2013). 10 Levando em conta que a comunicação não é somente realizada em projetos, mas de forma institucional, Robbins (1999) indica um importante modelo de comunicação otimizada. Ele indica que a comunicação institucional deve priorizar seis diferentes preceitos básicos: 1. Comunicação fluente e constante entre todos os colaboradores. 2. Atenção especial às linguagens não verbais, pois elas esclarecem muitos detalhes importantes da comunicação. 3. A importância da criação de canais de comunicação para os colaboradores e interessados externos à instituição, pois esse tipo de ação evidencia a atenção para a comunicação em dois fluxos, e de forma contínua. 4. É necessário o entendimento da importância da comunicação presencial. Claro que muitas vezes, esse tipo de comunicação não é possível no ambiente organizacional, muito por conta da distância entre dois atores. Porém, sempre que esse tipo de comunicação é escolhido, maior é a eficácia da troca de informação. 5. Compartilhamento das ambições institucionais: essa abertura fortalece os laços entre os envolvidos e cria um sentido de sincronia e pertencimento a todos. 6. A existência de uma comunicação contínua e eficiente, entre a organização e todos os seus envolvidos, é um cuidado que leva a redução da utilização de canais de comunicação alternativos, que muitas vezes se utilizam de informações inverídicas ou maliciosas. Assim, quanto maior a comunicação oficial, menor será a atuação de comunicações inverídicas. A comunicação organizacional é extremamente importante e, para que os projetos e as ações da instituição pública aconteçam, é vital estar atento a ela, pois somente com uma comunicação fluente e contínua é possível obter o sucesso na experiência com projetos. TEMA 4 – BARREIRAS DA COMUNICAÇÃO EM PROJETOS As barreiras de comunicação são elementos que interferem negativamente no processo de comunicação, e precisam ser observadas continuamente. Nesse sentido, é importante entendermos todas as ações que podem prejudicar a comunicação para que o projeto evolua continuamente. 11 4.1 As barreiras no processo de comunicação na prática As barreiras são prejudiciais ao processo de comunicação, e devem ser consideradas para não comprometer o sucesso de um projeto, ou, ainda, o âmbito organizacional. O tema das barreiras na comunicação bastante discutido na literatura especializada: vários autores já se debruçaram sobre o tema, indicando diferentes classificações para tais barreiras. Apesar disso, de forma geral, destacamos especialmente as barreiras ligadas técnicas, comportamentais e organizacionais. As barreiras ligadas ao conhecimento afetam o desenvolvimento de algumas atividades, e incluem diversas ações que comprometem a comunicação, como a falta ou despreparo com a própria comunicação oral ou escrita. Outra barreira é a utilização de linguagem técnica não conhecida por algum receptor do processo de comunicação. Esse tipo de barreira pode afetar, de forma considerável, o processo de comunicação, impedido que o receptor entenda a situação e tome as devidas medidas necessárias (Chaves et al., 2010). Outra barreira de comunicação está ligada ao conhecimento: o excesso informações no processo de comunicação. É um tipo de obstáculo bastante comum hoje, quando os computadores conseguem processar um grande número de informações, nem sempre necessariamente importantes. Em uma comunicação completa, a atenção ao excesso de informação é muito relevante. Figura 2 – Barreiras de comunicação Crédito: pathdoc/Shutterstock. Já as barreiras comportamentais estão ligadas à relação preexistente entre os atores do processo de comunicação. Assim, indivíduos com desconfiança, ou em ambientes institucionais hostis, alteram o processo de comunicação, 12 causando danos à informação. Desse modo, as barreiras comportamentais estão relacionadas a prejulgamentos ocorridos entre os agentes da comunicação (Chaves et al., 2010). Chaves et al. (2010) afirma que as barreiras organizacionais ou técnicas estão ligadas ao funcionamento institucional no qual os agentes estão inseridos. A existência de uma estrutura que suporta a comunicação é importante para que os agentes interajam entre si no processo de comunicação. Dessa forma, estruturas burocráticas e que privilegiam uma série de regras e procedimentos desnecessários pode fazer com que o processo de comunicação e a informação em si sejam afetados. Isso também ocorre quando a organização disponibiliza uma tecnologia para comunicação interna obsoleta, ou com características pouco familiares aos envolvidos, o que pode afetar os projetos de forma decisiva. Para resolver esse tipo de problema, é importante citar que não existe um manual completo com todas as práticas de comunicação corretas para qualquer instituição e projeto. Cada instituição possui suas particularidades, fazendo com que as práticas de comunicação também se adequem a cada realidade. Assim, uma prática altamente recomendada para um ambiente pode não colher bons frutos se aplicada a outros. Contudo, de forma geral, para que a comunicação aconteça plenamente é importante citar os 5 Cs da comunicação. O Guia PMBOK (PMI, 2021) indica que a comunicação respeite cinco aspectos: ela deve ser correta, concisa, clara, coerente e controlada. Devemos dar ao termo controlada especial atenção. A comunicação controlada não é identificada apenas pelo controle da linguagem empregada no processo de expor informações; mais do que isso, ela também diz respeito a mecanismos, processos e tecnologias que auxiliam no controle de toda a comunicação no projeto. TEMA 5 – AMBIENTE INSTITUCIONAL ONDE OS PROJETOS OCORREM Além de analisar os projetos realizados na área pública, também é importante conhecermos o ambiente onde os projetos acontecem, pois, em ambientes de projetos, o cenário influencia o projeto e, ao mesmo tempo, é influenciado por ele. É necessário que, portanto, além da visualização dos papéis 13 e responsabilidades dentro do projeto, o total conhecimento do ambiente onde ele é desenvolvido. 5.1 Identificação do ambiente dos projetos Cada instituição públicapossui suas particularidades relacionadas aos papéis desempenhados dentro de cada projeto. Assim, toda forma de gerenciar projetos possui suas próprias características e rituais que auxiliam os envolvidos a concluírem o projeto. Porém, aliado à completa identificação dos envolvidos e à plena comunicação, é necessário visualizar, de forma clara, como o ambiente em que os projetos estão inseridos está construído. Somente com um completo entendimento desse cenário será possível potencializar as ações necessárias ao longo do progresso das atividades. Para facilitar esse processo, David John Snowden criou o Cynefin Framework, que nada mais é do que um modelo que classifica cinco tipos de cenários organizacionais presentes em uma organização e, assim, os responsáveis conseguem tomar decisões mais apropriadas. O Cynefin é dividido em cinco ambientes: simples, complicado, complexo, caótico e desordenado. Cada um deles identificará previamente de que modo uma decisão pode ser tomada, bem como seus possíveis impactos (Kurtz; Snowden, 2003). Em ambientes considerados simples, os problemas e soluções são conhecidos pelos envolvidos, que possuem experiência com o ambiente de forma que é possível prever a relação de causa e efeito obtida por suas decisões. Em projetos nesses ambientes, é possível identificar um gerenciamento preditivo, no qual o planejamento é mais claro e os processos relacionados a ele compõem uma organização sequencial. Uma vez que os problemas e soluções são mais conhecidos, esse tipo de ambiente proporciona maior experiência dos envolvidos, além de maior previsibilidade de custo, tempo e qualidade, por exemplo. Os ambientes de projetos complicados exigem maior análise dos envolvidos. Espera-se deles maior grau de riscos, incertezas e possibilidades não totalmente mapeadas. As causas dos problemas podem ser conhecidas, contudo, a dificuldade para encontrar a melhor solução é grande, tornando a análise uma importante ferramenta. Esses ambientes necessitam de maior trabalho de especialistas com grande conhecimento. Eles auxiliam na busca por respostas 14 que atendam às necessidades observadas. Há uma particularidade que, de certa forma, aumenta a dificuldade nestes ambientes: diferentemente dos ambientes simples, para os quais há uma resposta certa para cada situação, em ambientes complicados, poderão existir vários caminhos diferentes para a resolução de um mesmo problema. Via de regra, a resposta mais barata e rápida acaba sendo escolhida para essas situações. Já os ambientes complexos, segundo Camargo et al. (2019, p. 87) indicam que “existem diversas hipóteses quanto ao problema. Não sabemos o que levará até o resultado que queremos, mas podemos efetuar uma série de experimentos para validar nossas respostas”. Ou seja, em ambientes assim, é exigida uma maior sensibilidade dos envolvidos. É necessário realizar a experimentação e também a sondagem de qual ideia responde melhor a determinada situação no projeto. Existe pouca possibilidade de se prever exatamente como será o resultado do experimento, o que demanda grande nível de identificação dos envolvidos. Na sequência, temos os ambientes caóticos, nos quais há muita turbulência e a instabilidade é grande. Nesses cenários, é realmente muito difícil determinar uma simples relação entre causa e efeito nas decisões do projeto. Isso ocorre por conta da grande fluidez das decisões, pois a volatilidade causa grande dano ao planejamento. O ideal é agir inicialmente de forma intensa, para se tentar sair dessa situação e, posteriormente, realizar algum planejamento. O quinto ambiente é o desordenado, que nada mais é do que aquele no qual há desconhecimento do cenário no qual estamos inseridos. Neles, é mais comum os envolvidos agirem como estão mais habituados em seu dia a dia, para que, depois, tenhamos mais noção do ambiente em que o projeto está sendo desenvolvido. 15 A Figura 3 apresenta um esquema sobre o Framework Cynefin. Figura 3 – Framework Cynefin Fonte: elaborado com base em Kurtz; Snowden, 2003. Vale ratificar a existência de algumas ações que auxiliam na tomada de decisão própria de cada cenário. Assim, ações que possuem aderência com sondar, sentir, agir, responder, categorizar e analisar devem ser realizadas de acordo com cada realidade. 16 REFERÊNCIAS BATCHELOR, M. 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The New Dynamics of Strategy: Sense-Making in a Complex and Complicated World. IBM System Journal, v. 42, n. 3, 2003. Disponível em: <http://alumni.media.mit.edu/~brooks/storybiz/kurtz.pdf>. Acesso em: 8 jun. 2022. PESTANA, C. V. S.; VALENTE, G. V. P. Gerenciamento de projetos na administração pública: da implantação do escritório de projetos à gestão de portfólio na Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos do Espírito Santo. III CONGRESSO CONSAD DE GESTÃO PÚBLICA. Anais..., Brasília, 2010. PMI – Project Management Institute. PMBOK: guide to the project management body of knowledge (PMBOK Guide). 7. ed. Newtown Square: PMI, 2021. ROBBINS, S. Comportamento organizacional. São Paulo: Prentice Hall, 1999. 17 VARGAS, R. V. Gerenciamento de projetos: estabelecendo diferenciais competitivos. Rio de Janeiro: Brasport, 2016. WIRICK, D. Public-Sector Project Management: Meeting the challenges and achieving results. Hoboken, New Jersey: John Wiley & Sons, 2009.