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SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS FACULDADE DE PSICOLOGIA Resumo do sexto capítulo do livro: a psicologia da inteligência. Patrícia Siqueira Soeiro Dos Santos 2021 PIAGET. J.A psicologia da inteligência. 2 edição. Os fatores sociais do desenvolvimento intelectual, pg 72-78. Petrópolis, 2013. Diante da leitura do sexto capítulo do livro a psicologia da inteligência, os fatores sociais o desenvolvimento intelectual, compreende-se que há diversos fatores que podem influenciar no processo de desenvolvimento do ser humano desde o seu nascimento, levando em conta que o meio social tem a capacidade de transformar esse indivíduo em sua própria estrutura, porque,além de obrigá-lo a reconhecer fatos, a sociedade fornece-lhe um sistema já totalmente construído de signos que modificam seu pensamento, propõe- lhe novos valores e impõe- lhe uma sequência indefinida de obrigações. Dessa forma, é evidente que a vida social transforma a inteligência pela tripla mediação da linguagem ( signos), do conteúdo dos intercâmbios ( valores intelectuais) e de regras ao pensamento ( normas coletivas lógicas ou pré- lógica). Diante disso, observa-se que é constante o processo de aprendizagem que o ser humano passa e em diferentes fases da vida, analisa- se mudanças ocorridas nos aspectos biológicos e emocionais. Nesse sentido, é necessário a visão da sociologia em relação à sociedade, a qual venha a considerar esta como um todo, ainda que este todo bastante distinto da soma dos indivíduos seja apenas o conjunto das relações entre esses sujeitos. Cada interação entre indivíduos ( a partir de dois) acaba efetivando por modificá-los e dessa forma, constitui já uma totalidade, de tal modo que a totalidade formada pelo conjunto da sociedade é menos uma coisa, um ser ou uma causa do que um sistema de relações. Porém essas relações são extremamente numerosas e complexas, visto que elas constituem, de fato, não só uma trama contínua na história pela ação que as gerações exercem umas sobre as outras, mas também um sistema síncrono de equilíbrio em cada momento da história. Na sociologia do pensamento é possível inclusive se questionar se não há vantagem em substituir a linguagem global pela menção dos tipos de relações em jogo ( tipos que, obviamente , são também estatísticos). Pelo contrário, quando se trata de psicologia, ou seja, quando a unidade de sequência é o indivíduo modificado pelas relações sociais, em vez do conjunto ou dos conjuntos de relações como tais, tornando-se inteiramente ilegítimo contentar-se com termos estatísticos demasiado gerais, pois " ação da vida social" é uma noção exatamente tão imprecisa quanto seria a da " ação do meio físico " se houvesse recusa em esmiuçá-la. A seguir, é apresentado o tópico sobre A socialização da inteligência individual,onde mostra-nos que durante o período sensório- motor, o bebê já é naturalmente objeto de múltiplas influências sociais; prodigalizar-lhe os maiores prazeres suscetíveis de serem percebidos por sua ainda jovem experiência. Com a aquisição da linguagem, ou seja, com os períodos simbólicos e intuitivos,novas relações sociais aparecem,enriquecendo e transformando o pensamento do indivíduo. Porém neste aspecto, convém distinguir três questões: Primeiro, é que o sistema dos signos coletivos não cria a função simbólica, mas vai desenvolvê-la naturalmente em proporções que, por si só, o indivíduo teria ignorado. Segundo, a linguagem transmite ao indivíduo um sistema já totalmente preparado de noções, classificações, relações, em suma, um potencial inesgotável de conceitos que se reconstroem em cada indivíduo a partir do modelo multissecular que já havia moldado às gerações anteriores. E em terceiro lugar, estão as próprias relações que o sujeito mantém com as pessoas à sua volta, dessa forma, as relações " sincrônicas" por oposição aos processos " diacrônicos" de que a criança sofre a influência ao adquirir a linguagem e as maneiras de pensar que lhe são inerentes. Por mais dependente que seja das influências circundantes, a criança pequena vai assimilá-las à sua maneira, reduzindo- as a seu ponto de vista e, portanto, deformando-as sem o saber , pelo simples fato de que ela ainda não estabelece a distinção entre esse ponto de vista e o ponto de vista dos outros, por falta de coordenação ou de " agrupamento" dos próprios pontos de vista. Ela é assim egocêntrica por inconsciência de sua subjetividade, seja no plano social ou físico. Nas questões de tempo, ocorre até mesmo que uma criança que, ao declarar o pai muito mais velho do que ela , acredita que este tenha nascido " depois"dela por não se "lembrar "do que fazia antes, em suma concentração intuitiva, oposta à descentração operatória, duplica-se assim de um primado inconsciente, e tanto mais sistemático, do ponto de vista próprio. Esse egocentrismo intelectual nada é nos dois casos, além de uma falta de coordenação, de uma ausência de " agrupamento" das relações tanto aos outros indivíduos quanto às coisas. Em suma, nos níveis pré- operatórios que se estendem da aparição da linguagem até a idade de 7-8 anos, aproximadamente, as estruturas próprias do pensamento incipiente excluem a formação das relações sociais de cooperação que são as únicas capazes de implicar a constituição de uma lógica: oscilando entre egocentrismo deformante e a aceitação passiva das imposições intelectuais, a criança ainda não é, portanto, objeto de uma socialização da inteligência capaz de modificar profundamente seu mecanismo. Nos níveis de construção dos agrupamentos de operações concretas, em seguida, sobretudo, formais, é que apresenta, pelo contrário, em toda a sua acuidade, o problema dos respectivos papéis, relativamente ao intercâmbio social e às estruturas individuais no desenvolvimento do pensamento. "Agrupamentos"operatórios e cooperação é outro tópico apresentado no texto, onde fornecem duas respostas distintas e complementares, onde uma delas , é que sem o intercâmbio de pensamento, nem a cooperação com os outros, o indivíduo não conseguiria agrupar suas operações em um todo coerente,neste sentido, o agrupamento operatório pressupõe, portanto, a vida social. O agrupamento consiste essencialmente em libertar, do ponto de vista egocêntrico, as percepções e as intuições espontâneas do indivíduo para construir um sistema de relações tais que seja possível passar independentemente do ponto de vista de um termo para outro ou de uma relação para outra. O agrupamento é, então, em seu próprio princípio, uma coordenação dos pontos de vista, e isso significa, de fato, uma coordenação entre observadores; portanto, uma cooperação de vários indivíduos. De fato, é precisamente o intercâmbio constante de pensamentos com os outros que nos permite assim, encontrar-nos e nos garante a possibilidade de coordenar interiormente as relações que emanam de pontos de vista distintos. Em particular, é muito difícil explicar como, sem a cooperação, os conceitos seriam capazes de conservar seu sentido permanente e sua definição: a própria reversibilidade do pensamento é associada , assim, a uma conservação coletiva, fora da qual o pensamento individual só terá à sua disposição uma mobilidade infinitamente mais restrita. Diante disso, não resta dúvida de que as leis do agrupamento constituem formas de equilíbrio gerais que expressam o equilíbrio tanto nos intercâmbios interindividuais quanto das operações de que se torna capaz qualquer indivíduo socializado quando raciocina interiormente, em conformidade com suas idéias mais pessoais e novas. E por fim, a inteligência aparece como uma estruturação que imprime determinadas formas aos intercâmbios entre o sujeito ou sujeito e os objetos circundantes, próximos ou mais afastados. Sua originalidade consiste essencialmente na natureza das formas que ela constrói com essa finalidade. Compreende-se , agora, a natureza da reversibilidade própriada inteligência operativa, assim como a maneira como as operações inversas do agrupamento procedem das regulações, não só intuitivas, mas ainda sensório- motoras e perceptivas. Todavia, a fase antagônica do ritmo está no ponto de partida da regulação e, para além desta última, das " operações inversas " da inteligência, e pode-se já conceber os agrupamentos operatórios da inteligência como a" forma de equilíbrio final para a qual tendem as funções sensoriais- motoras e representativas no decorrer de seu desenvolvimento, e essa concepção permite compreender a profunda unidade funcional da evolução mental, ao mesmo tempo em que indica as diferenças de natureza que distinguem as estruturas próprias das etapas sucessivas. Ritmos, regulações e " agrupamentos" constituem, assim, as três fases do mecanismo evolutivo que reata a inteligência ao poder morfogenético da própria vida, permitindo-lhe empreender as adaptações, ao mesmo tempo ilimitadas e equilibradas entre si, impossíveis de realizar no plano orgânico. REFERÊNCIAS Piaget J. ( 2013). A psicologia da inteligência. Petrópolis -RJ: editora Vozes.