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Dâmarys Vitória FIOS Qual o melhor fio para realizar uma sutura? Composição do fio; Tecido em que será implatado; Quantidade de fio que será usado; Tipo de sutura – técnica; O fio ideal deve manter a força tênsil até a cicatriz ficar resistente, tendo o mínimo de reação tecidual. Os fatores a serem considerados são: - Ser suficiente para unir as bordas - Esperar uma boa cicatrização - Livre de infecção e não irritativo - Baixo custo - Fácil esterilização e curativo - Mínima reação tecidual CLASSIFICAÇÃO DOS FIOS Quanto à quantidade de seus filamentos 1. Monofilamentar: Possuem apenas um filamento e, por este motivo, são menos maleáveis e possuem maior memória, o que torna mais difícil o seu manuseio e diminui a segurança de seus nós. No entanto, têm como vantagem o fato de causarem menos lesões durante sua passagem pelos tecidos. 2. Multifilamentar: podem ser torcidos, trançados ou trançados revestidos. Possuem vários filamentos trançados ou torcidos entre si, conferindo maior flexibilidade, porém causam maiores traumas ao tecido e possibilitam maior adesão bacteriana entre seus filamentos Quanto a degradação pelo organismo 1. Absorvíveis: Fios absorvíveis geram reação local de hidrólise ou proteólise, perdendo cerca de 50% de sua força tênsil em quatro semanas. Conforme sua duração, podem ser absorvíveis de curta permanência, como o fio de catgute, ou absorvível de longa permanência, como o fio de poligalactina. Obs.: Categute fio biológico derivado do intestino delgado de ovelhas ou da serosa de bovinos. Podem ser simples ou cromado. Ácido Poliglicólico fio sintético obtido pela polimerização do ác. glicólico. Possui resistência têxtil maior que a do Categute. A reabsorção ocorre por hidrólise entre 60-90 dias. Muito usado na sutura de músculos, fáscias, tecido celular subcutêneo, ocasiona pouca reação inflamatória. É multifilamentado. Ácido Poligaláctico Fio sintético. Hidrolísa-se e é completamente absorvido dentro de 60 dias. Polidioxanona Fio sintético. Monofilamentar. De absorção lenta. Utilizado em suturas de tendões, cápsulas articulares e fechamento da parede abdominal. 2. Inabsorvíveis: não são completamente degradados pelo organismo, como os fios de aço, de algodão, de nylon ou de polipropileno. Seda Fio proteico obtido do bicho-da-seda, especialmente o Bombix mori. Suas fibras são retorcidas ou trançadas, tratadas com polibutilato. Muito utilizado em suturas odontológicas. Algodão Processado a partir das fibras de algodão, é multifilamentar. Pode fazer granuloma de corpo estranho. Poliéster Sintético, multifilamentar, é fabricado a partir das fibras de poliéster. São fios resistentes e de grande durabilidade. Excelentes para suturas de aponeuroses, tendões e vasos. Requer no mínimo cinco nós para fixação segura. Pouca reação tecidual e pouca reação inflamatória. Nylon Derivado de poliamidas. Pode ser mono ou multifilamentar. Pouca reação, mas de difícil manipulação. Pouca resistência tênsil. Pode ser degradado e absorvido ao longo de 2 anos, mas considera-se inabsorvível. São muito usados em suturas de pele. Polipropileno Sintético e monofilamentar. Muito usado em suturas vascular. Facilmente removível e ideal para sutura intradérmica. Quanto sua origem 1. Orgânicos 2. Sintéticos 3. Mistos 4. Minerais É importante sempre observar os seguintes critérios: Força Tênsil: Força necessária para que o fio sofra algum rompimento. Elasticidade: Capacidade do fio se alongar quando está sob tensão e retornar ao seu comprimento habitual ao fim desta. Memória: Capacidade do fio em retornar a sua forma original após ser manipulado. Diâmetro/Calibre do fio: Os fios apresentam diâmetros ou calibres variados expressos em número de zeros (#-0), por exemplo 2-0 (dois-zeros) ou 6-0 (seis-zeros). O número de zeros corresponde a um diâmetro capaz de determinar a resistência tênsil. Quanto maior o número de zeros, mais fino é o fio. AGULHAS CLASSIFICAÇÃO DAS AGULHAS Quanto ao seu formato 1. Retas utilizadas em reconstrução de vísceras ocas, tendões, nervos e suturas intradérmicas 2. Curvas Quanto ao trauma do tecido: 1. Traumáticas precisa que o fio de sutura seja montado no fundo. 2. Atraumáticas fio montado. Quanto à ponta: 1. Cilíndricas 2. Triangulares (cortantes) 3. Espatuladas SUTURAS Podem ser classificadas em: Quanto à permanência 1. Absorvíveis (temporárias) 2. Inabsorvíveis (permanentes) Quanto à técnica 1. Sutura descontínua 2. Sutura contínua Quanto aos planos 1. Em planos separados 2. Planos conjuntos Quanto à posição das bordas 1. Coaptante 2. Eversante 3. Inversante Técnica correta de sutura Sutura descontínua/ separada Ponto simples Ponto simples invertido Ponto em “U” horizontal Ponto em “U” vertical ou Donatti Ponto em “X” horizontal ou cruzado Sutura contínua Ponto contínuo simples/ Chuleio simples Chuleio ancorado Sutura em U horizontal/ barra grega Sutura em U horizontal interna/ intradérmica Sutura da Pele: Devem ser utilizados fios inabsorvíveis tipo nylon ou poliéster que, por promoverem menor reação tecidual, propiciam cicatrizes estéticas. Suturas mais indicadas para feridas de pele: a) pontos separado de fio inabsorvivel; b) pontos separados de fjos obtidos do ácido poliglicólico; c) pontos intradérmicos, preferentemente separados, de fio inabsorvível ou absorvível tipo poliglicólico; d) aproximação com tiras de esparadrapo microporado. Sutura da Tela Subcutânea: Tela subcutânea deve ser aproximada em uma ferida para evitar a formação de espaço morto e de consequentes coleções serosas e hemáticas, que favorecem à infecção. Deve ser suturada com pontos separados com fio absorvível tipo categute ou poliglicólico. Sutura de Aponeurose: A síntese correta das aponeurose é fundamental no fechamento das incisões abdominais. Dever-se utilizar, preferentemente, pontos-separados de fio inabsorvível como nylon, poliéster, algodão ou seda. A sutura contínua das aponeuroses facilita as eventrações. Sutura Muscular: Em geral, quando a aponeurose que recebe o másculo é delicada, utilizam- se, conjuntamente, as miorrafias, feitas mais frequentemente com fios absorvíveis, evitando pontos isquemiantes. Sutura de Vasos e Nervos: Utilizam-se suturas separadas ou contínuas, mas sempre com fios inabsorvíveis. Na neurorrafia emprega-se fio inabsorvível de nylon ou poliéster. Sutura do Tubo Digestivo: Desde o século passado a questão das anastomoses gastrintestinais vem despertando o interesse dos cirurgiões pesquisadores, Lembert, em 1825, foi quem salientou a necessidade do afrontamento serosa-serosa para a viabilidade de uma anastomose intestinal. Retirada dos fios de sutura Nas incisões cutâneas pequenas, com menos de 4 cm de comprimento, os pontos são retirados entre o 4° e 5° dia pós-operatório. Nas incisões mais extensas deve-se aguardar o 7 ou o 8° dia. A experiência do cirurgião, no entanto, servirá para decidir a época oportuna. Entre os elementos que devem pesar favoravelmente na avaliação preponderam: 1) aspecto da cicatriz seca, sem edema nem congestão; 2) local da ferida, livre de tensões excessivas; 3) direção da cicatriz, obedecendo as linhas de força;4) ausência de condições que interferem na cicatrização; 5) tipo de tecido e sua capacidade intrínseca de adquirir resistência tênsil com o processo de cicatrização; 6) tensão a que o tecido está submetido. NÓS O nó bem-executado exige atenção aos seguintes itens: - não deve ser cruzado, sob risco de rompimento; - o primeiro nó não deve estar frouxo; - deve-se empregar forças iguais em ambos os braços do fio, sem deslocar o nó; - os dedos indicadores acompanham o laço do nó, dirigindo-o e fixando-o no local apropriado e com tensão apropriada; - na execução do segundo nó, evita-se a tração do primeiro já executado, pois qualquer tração mais intensa removerá o primeiro nó; - o número de nós varia de acordo com o tipo de fio empregado e com os tipo de tecido. Os fios finos e monofilamentares (mononylon e Prolene), pela propriedade de “memória” do fio, exigem a execução de mais de três nós.