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28/09/2023, 11:16 Versão para impressão - PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_04/index.h… 1/22 PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL 28/09/2023, 11:16 Versão para impressão - PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_04/index.h… 2/22 ©2018 Copyright ©Católica EAD. Ensino a distância (EAD) com a qualidade da Universidade Católica de Brasília Apresentação Olá, seja bem-vindo (a)! O referencial deste estudo oportunizará novos saberes relacionados ao cotidiano de uma instituição de Educação Infantil, compreendendo a dinâmica das crianças e dos profissionais, especialmente, dos professores. Os estudos propostos enfatizarão a convivência das crianças nos espaços escolares, como elas se colocam nos ambientes destinados as suas interações e brincadeiras que são os dois eixos principais do trabalho pedagógico na Educação Infantil. É importante lembrar que a função sociopolítica das instituições se efetiva, principalmente, a partir da consciência de seu papel complementar aos processos educativos que se iniciam nas famílias que são parceiras essenciais para a promoção do desenvolvimento integral das crianças. Os conteúdos estão organizados em tópicos e subdivididos de forma didática, objetiva e coerente. As múltiplas linguagens da criança. O brincar e as interações no cotidiano da Educação Infantil. A organização dos espaços e tempos. O relacionamento escola e família. Objetivos Compreender a criança como um sujeito conhecedor que estabelece sua trajetória de desenvolvimento a partir das interações afetivas, cognitivas e sociais com o mundo. Identificar os componentes que constituem a base das interações entre crianças e adultos e as formas de mediação que se efetivam pelo afeto, pelo diálogo e pela escuta. Analisar, a partir das experiências, as intervenções positivas dos adultos na convivência diária com as crianças e que fortalecem os vínculos afetivos essenciais para o desenvolvimento humano. Conhecer os elementos nas práticas educativas que garantam o fortalecimento da relação entre família e Instituição de Educação Infantil. 28/09/2023, 11:16 Versão para impressão - PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_04/index.h… 3/22 ©2018 Copyright ©Católica EAD. Ensino a distância (EAD) com a qualidade da Universidade Católica de Brasília Desafio Para melhor compreender a dinâmica do trabalho com a criança o desafio é que você observe e participe da rotina de uma instituição. Apresente um plano de trabalho que deverá prever observação e participação para compreender os seguintes aspectos: Respeito à diversidade, Relacionamento com as famílias, Organização dos tempos e espaços, Práticas que favorecem as múltiplas linguagens. Você deverá utilizar uma pauta de observação que é um instrumento utilizado por alguns professores no processo de acompanhamento das crianças. 28/09/2023, 11:16 Versão para impressão - PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_04/index.h… 4/22 ©2018 Copyright ©Católica EAD. Ensino a distância (EAD) com a qualidade da Universidade Católica de Brasília Conteúdo As múltiplas linguagens da criança Você já sabe que as crianças são portadoras de grandes habilidades e capacidades, isso facilita o trabalho de descoberta do mundo. Elas têm o privilégio de saber utilizar muito mais do que o adulto suas múltiplas formas de linguagem e expressão. Veja a seguinte figura. Figura 1- Indagações Fonte: Clube da Mafalda, 2020. O desenvolvimento humano é um processo amplo e a criança, até os seis anos, adquire habilidades fundamentais, nos aspectos físicos, psicológicos e sociais. Estudos do campo da psicologia mostram que a emoção é a primeira realidade que o bebê vive compartilhando com o adulto. Ao nascer e receber novos contatos com o mundo exterior ao útero, ele experimenta forte emoção de sair de um espaço de encaixe físico e emocional para uma zona desconhecida, com seres desconhecidos e diversos. O conforto da acolhida, do colo, é que lhe dá segurança. É importante evidenciar que a emoção é uma forma de diálogo e de comunicação que abrange todo o corpo, o que não é diferente com os bebês e crianças pequenas. Desde muito cedo, manifestada pela criança, pode ser percebida pelo adulto observador, por meio dos sinais que ela já utiliza. Esses são apresentados de diferentes formas, por exemplo, o aumento de frequência de certos movimentos, a intensidade e o uso de outras formas de movimentação. Os gestos, também, são uma representação visual, uma forma de comunicação nos primeiros anos de vida. Tudo isso sinaliza que a criança está construindo formas de se comunicar. 28/09/2023, 11:16 Versão para impressão - PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_04/index.h… 5/22 Ainda no contexto, por meio de ações e percepções a criança vai construindo formas de representar mentalmente o mundo utilizando-se de múltiplas linguagens. A todo momento, cria significados para as coisas ao seu redor e, em cada fase, suas manifestações são expressas de formas diferentes. No início, o choro predomina, depois os gestos e balbucios, depois as palavras, a repetição, a imitação, o desenho, a escrita e outras. Outra dimensão da aprendizagem refere-se ao choro que se diferencia conforme a necessidade que a criança apresenta. O choro de fome é diferente do choro de dor, ou de sono ou de outros desconfortos. Em sua linguagem, iminentemente gestual, o bebê se relaciona e interage com o mundo a sua volta, desenvolvendo suas competências comunicacionais, em que as reações e os comportamentos diferem, também, conforme o parceiro desta interação. Na busca de se comunicar com este universo novo, a criança utiliza todo o seu corpo, criando movimentos e gestos que são interpretados pelo adulto de referência. Assim, ela vai aprendendo e criando formas de interação com as pessoas e com as coisas ao seu redor, iniciando o processo de formação de símbolos. As linguagens que ela utiliza, durante as diferentes etapas de seu desenvolvimento, fazem a mediação entre ela e o ambiente. Faz-se oportuno destacar que na primeira infância, a criança tem uma predisposição natural para aprender e para se comunicar. Até os 12 meses, não usa palavras e sua comunicação se dá pelo choro, pelo sorriso, pelo balbucio, pelo grito, pelo balançar dos braços, pernas e cabeça. Estas formas de linguagens revelam sentimentos e emoções, e os adultos tendem a compreender e atender suas necessidades, sendo responsáveis por lhe dar segurança e conforto. Um outro ponto a evidenciar é que próximo ao primeiro ano, ela aprende a pronunciar vogais e algumas consoantes e a exercitar as junções, dando sequência a um processo de respostas aos estímulos dos adultos que lhe ensina a falar palavras e compreender vocábulos que expressam ações importantes para ela. Já no período posterior, dos 12 aos 24 meses, a linguagem oral vai se tornando cada vez mais presente no dia a dia da criança. Utiliza palavras simples para se referir às coisas e objetos de seu convívio. Nessa fase, sua linguagem oral é acompanhada por gestos e sua evolução depende dos estímulos que recebe das pessoas de sua convivência. Aos dois anos, de um modo geral, a criança tem um bom desenvolvimento das habilidades linguísticas, expressando o que quer e o que não quer. Isso não significa, necessariamente, o uso correto do vocabulário, uma vez que ela ainda se encontra em fase de desenvolvimento. Todavia, a persistência dedificuldades de pronúncia e de conexão entre palavras deve ser motivo de atenção especial dos adultos. Aos quatro anos apresenta um repertório linguístico básico completo e combina os elementos linguísticos de forma elaborada e surpreende os adultos com sua capacidade de descrever fatos com frases completas utilizando corretamente pronomes e outros elementos gramaticais. Além disso, demonstra uma habilidade ímpar de inventar e contar histórias. Aos seis anos é capaz de pronunciar sons corretamente, tem muito interesse na linguagem escrita e, quanto mais elaborada for a sua linguagem oral, maior será o seu sucesso com a escrita. 28/09/2023, 11:16 Versão para impressão - PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_04/index.h… 6/22 É importante destacar que as linguagens se apresentam de forma imbricada, ou seja, toda ação da criança é permeada por linguagens que se cruzam no seu processo de comunicação e expressão: corporal, musical, linguagem plástica visual como o desenho, os rabiscos, os traços, as esculturas e montagens de objetos e as construções, a linguagem oral e a escrita, a linguagem matemática, a linguagem digital. Cabe salientar que a singularidade de comunicação é através de símbolos. O desenvolvimento da função simbólica nas crianças é favorecido por sua inserção na vida social, que lhe fornece múltiplas possibilidades de manifestação e representação. É, na primeira infância, que a criança desenvolve os sistemas simbólicos que constituirão a base de aprendizagem e de construção de conhecimentos. A construção e utilização de símbolos têm importância na ampliação da memória e das formas de comunicação. Inserida em um determinado contexto social e cultural a criança, por meio das interações, se apropria dos significados das coisas construídas nas experiências coletivas. As diferentes formas de comunicação promovem sua adaptação nas circunstâncias vividas. Todavia, não há por parte da criança uma reprodução passiva, pois como sujeito capaz, recria os códigos e símbolos de forma particular. Desde muito cedo, observa e tenta reproduzir gestos e movimentos mais elaborados dos parceiros a sua volta. A imitação é apontada pelas diferentes teorias do desenvolvimento, como sendo fator preponderante nos processos de comunicação e de interações sociais, bem como na constituição da individuação . A criança percebe, elabora e imita tudo o que lhe chama a atenção e se esforça para que suas manifestações sejam compreendidas. Observando e imitando ela aprende muito sobre o funcionamento do grupo social, o que é fundamental nas primeiras interações e nas tentativas de realizar atividades como se alimentar, pegar objetos e interagir com outras crianças. É importante entender que a imitação não se dá apenas pela reprodução daquilo que o adulto deseja que ela repita. Ela é capaz, também, de reproduzir aquilo que efetivamente os adultos não têm a intenção de ensinar. Isso porque observa tudo o tempo todo e, muitas conquistas feitas por ela, se dão por meio da imitação. Assim, é preciso que os adultos a sua volta, saibam que ela está aprendendo o tempo todo, também, sobre respeito, preconceito, cuidado e atenção ao próximo. Toda ação do adulto de sua referência serve de modelo para ela, tanto para o que é apropriado, quanto para o que não se quer que aprenda e reproduza. É pela imitação que a criança reproduz sons e palavras no contato com as pessoas com as quais convive, o que favorece o desenvolvimento de habilidades linguísticas. Por esse motivo, os adultos devem falar com ela, mesmo quando bebê, pois desde muito pequena repete sons e, com o passar do tempo, imita-os. Nesse processo, reelabora-os e cria uma certa linguagem oral própria, sendo assim, o ambiente e as pessoas são as suas referências sonoras. Convém salientar que ela reage aos estímulos do ambiente, à medida em que os adultos a sua volta dialogam e brincam, ela responde como que agradecida pelos afetos. Nesse processo de interação, aprende a conviver com seus sentimentos e também a expressá-los, com segurança. Assim, o adulto representa uma referência para que ela se conheça melhor. 28/09/2023, 11:16 Versão para impressão - PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_04/index.h… 7/22 Vale reforçar que as linguagens permeiam todas as atividades da criança. Ainda que o adulto, intencionalmente, organize outras com foco em uma determinada linguagem, na ação dela, várias linguagens comparecerão no exercício da atividade proposta. Assim, na organização do trabalho pedagógico nas instituições, deve-se considerar a importância de estimular o desenvolvimento das capacidades de manifestação e construção e significados pela criança, oferecendo-lhe oportunidades diversificadas de expressão. Valorizar as ideias da criança, conhecer os interesses, estimular as brincadeiras, observá-la e propor desafios, são ações que fortalecem os vínculos e favorecem o seu desenvolvimento. A criança se sente cada vez mais capaz e importante no seu meio e, assim, pode ampliar seu repertório formando, ideias sobre objetos e pessoas ao seu redor. O adulto como sujeito mais vivido será seu intérprete dando sentido aos gestos, aos sons e aos sinais que ela faz. De acordo com Vygotsky, O caminho do objeto até a criança e desta até o objeto passa através de outra pessoa. Essa estrutura complexa é o produto de um processo de desenvolvimento profundamente enraizado nas ligações entre história individual e história social (VYGOTSKY, 1996, p.40). Isso, significa que a criança, como sujeito da interação recebe do adulto que a interpreta a carga de valores de um determinado grupo social que são construídos e reconstruídos nas relações sociais. Conforme a teoria de Vygotsky, a criança sempre poderá realizar muito mais coisas se tiver a intervenção do adulto ou de crianças maiores. Isso permite pensar que é preciso olhar as competências da criança a partir do que é capaz de realizar sozinha (desenvolvimento real) mas, também, quando recebe pistas, desafios (desenvolvimento potencial). Segundo o autor a distância entre o nível real e o potencial é chamada de zona de desenvolvimento proximal, que é onde ocorrem as aprendizagens. É fundamental que ela se sinta livre para se expressar, seja valorizada e respeitada em suas formas de expressão, tendo o adulto participando de suas manifestações, dando-lhe atenção e propondo novos desafios. Pela observação atenta, o adulto passa a conhecer as necessidades, os interesses, as emoções presentes nas diferentes formas de comunicação da criança. É fundamental esse exercício de intervenção como mediação de outras possibilidades de elaboração da experiência social vivida por ela. Dentre as formas de linguagem utilizada pela criança, os rabiscos, os desenhos, as construções e os brinquedos variados, se destacam no processo de significação das coisas ao seu redor. A cada conquista no relacionamento com os objetos e com mundo social ela aguarda pela aprovação do adulto. Por esse motivo, ações que valorizam as atividades dão-lhe reforço à criatividade, estimulando-a para as novas descobertas. 28/09/2023, 11:16 Versão para impressão - PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_04/index.h… 8/22 Nesse processo, é essencial não ter pressa e deixá-la concluir uma atividade iniciada. É preciso mencionar, que desde pequena ela vive experimentando lançar objetos, remexer em formatos e, assim, está o tempo todo buscando entender como funcionam as coisas. Como um bom observador e incentivador, o adulto deve permitir que ela viva essa experiência garantindo que esse processo tenha princípio, meio e fim. Vivenciar acontecimentos completos favorece o desenvolvimentoda noção de tempo e de movimento, compondo sua consciência de que toda ação tem uma terminalidade. Nas diferentes formas de expressão de uma criança, os adultos podem identificar inúmeras possibilidades de realizar intervenções positivas. Por meio de imagens que são registradas, pelo desenho, pelos gestos, pelo jogo simbólico e pela linguagem oral e escrita podem ajudar a criança nesse processo rico de experiências em busca do conhecimento do mundo. O brincar e as interações no cotidiano da Educação Infantil Quanto ao lazer infantil, o Princípio VIII da Declaração Universal dos Direitos da Criança (1959), prevê que "a criança deve desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras os quais deverão estar dirigidos para educação; a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o exercício desse direito". Brincar é uma necessidade da criança e um direito previsto na Declaração Universal dos Direitos da Criança, na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente e no Marco Legal da Primeira Infância. Além de constituir-se como um direito das crianças, brincar tem acima de tudo, uma função específica no desenvolvimento das suas capacidades cognitivas, afetivas e psicomotoras, comprovada por estudos e pesquisas. O poema: A bailarina, de Cecília Meireles permite uma reflexão do que uma criança é capaz por meio de sua imaginação e pelo uso da imitação como linguagem essencial. Brincar, além de ser uma atividade da infância, é uma das formas de linguagem que ela utiliza para construir significados sobre o mundo em que vive. https://www.pensador.com/autor/cecilia_meireles/ 28/09/2023, 11:16 Versão para impressão - PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_04/index.h… 9/22 Assim, como a menina bailarina, na infância você brincou de ser algum personagem, representou situações, criou cenas e recriou situações de seu universo cultural. A infância, este tempo social mágico, que permite viver, à forma da criança, o mundo como ela vê. Assim sendo, brincar envolve emoção, partilha, reciprocidade. Mesmo quando a criança brinca sozinha de ser bailarina, ela está estabelecendo relações com o que já sabe sobre a atividade e sobre os comportamentos de quem a exerce. Brincando, a menina bailarina vai compreendendo a dinâmica do grupo social ao qual pertence e os laços que fazem a ligação entre ela e esse grupo. Além disso, por meio da brincadeira, os adultos, especificamente, aprendem a se conhecer melhor, a partir das relações que estabelecem com os brinquedos e com os parceiros. Compreendem normas e regras de convivência e se posicionam como sujeitos únicos, portadores de uma individualidade e de uma capacidade de ação sobre o mundo. Para os educadores, as brincadeiras representam a possibilidade singular de conhecer uma criança melhor, de estimular suas descobertas e de acompanhar o seu desenvolvimento. No universo do brincar, também os adultos podem adentrar e, juntos, reviver personagens e 28/09/2023, 11:16 Versão para impressão - PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_04/index.… 10/22 fantasias. Você já sabe que as crianças vivem suas infâncias de diversas formas pelo mundo a fora. Todavia, independentemente dos lugares onde vivem, há algo de semelhante em todas elas, a capacidade de criar, imaginar, e recriar. Brincar é um exercício de memória que envolve o desenvolvimento da função simbólica. Para a criança qualquer objeto pode ser usado para brincar, pois exercem um fascínio sobre sua imaginação, desperta sua curiosidade, exercita sua inteligência e, pode se transformar naquilo que ela quiser: uma boneca, um carrinho, um cavalo, uma galinha. E, mesmo que não exista um objeto, utiliza o próprio corpo e se transforma em uma bailarina, ou em um piloto de avião. "A criança brinca com o que ela tem à mão e com o que ela tem na cabeça" (BROUGÈRE ,2001, p.97). Complementarmente, os bebês iniciam a construção dos ritos de brincar com os objetos primeiramente descobrindo suas mãos e aprendendo o poder que têm de apanhar objetos, revirá-los e colocá-los em diversas posições. Brincam, também, com os sons, com os próprios movimentos corporais e vão evoluindo à medida em que crescem e se desenvolvem, em um processo ininterrupto de relacionamento com as coisas e pessoas ao seu redor. Como ser cultural, a criança vai conhecendo, aprendendo e se apropriando das especificidades de seu meio social. Nessa abordagem, percebe-se que as possibilidades de experimentação da criança e sua iniciativa ao brincar aguçam a curiosidade, ao mesmo tempo em que satisfazem suas necessidades e elevam autoestima, sobretudo, quando descobrem algo novo nos objetos ou nas atividades. Por isso, é muito importante que ela brinque por inciativa própria e que seja incentivada pelos adultos a usar elementos da natureza e materiais diversos que encontra em seu ambiente. O contato com terra, pedras, folhas, areia, tocos de madeira são substanciais nessa fase de descoberta. A figura seguinte ilustra as brincadeiras e suas transformações. Figura 2 – Brincadeira de criança Fonte: Clube da Mafalda, 2020. O ato de brincar se organiza com os objetos que a criança tem disponíveis e com o repertório de experiências que ela construiu com seu meio. Assim, a brincadeira é recurso de perpetuação da cultura e da própria infância. É na relação com a cultura que ela revela sua singularidade e suas capacidades de convivência e de adaptação. Como integrante de um grupo social e 28/09/2023, 11:16 Versão para impressão - PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_04/index.… 11/22 vivenciando nele as normas, as regras e as formas de viver e de recriar a tradição cultural, as crianças revelam o mundo a partir da sua ótica, e também o mundo do adulto. Nessa perspectiva, o brincar e os brinquedos representam traços da cultura da criança. É, portanto, uma atividade social e cultural, conforme afirma Bougère, A brincadeira é um processo de relações interindividuais, portanto de cultura. É preciso partir dos elementos que ela vai encontrar em seu ambiente imediato, em parte estruturado por seu meio, para se adaptar as suas capacidades. A brincadeira pressupõe uma aprendizagem social (BROUGÈRE, 2001, p. 97). Nessa perspectiva, entende-se o brincar como uma construção social que, dentre outras experiências humanas, é uma estratégia para a apropriação dos modos de vida de um dado grupo social. Assim sendo, não é algo que pertença somente à criança pois, apesar de ser eminentemente uma atividade que realiza o tempo todo, brincar não é exclusividade da infância. Sendo um modo de construir conhecimentos sociais, brincar não é inato, é também aprendido nas relações entre as pessoas, no dia a dia da experiência cultural. A criança, como exímia observadora, percebe os modos de agir, as regras, os acordos, as partilhas, os gestos e olhares dos adultos e ou das outras crianças e incorpora os valores que são transmitidos, informalmente, por meio dos jogos e das brincadeiras. Segundo Walter Benjamim (1984), as brincadeiras das crianças revelam como os adultos se colocam em relação ao mundo delas. Houve um tempo em que as crianças brincavam livres das intervenções dos adultos, elas decidiam sobre o que e com quem brincar. Eles, por vezes, brincavam com elas ensinando o que foram passando de geração a geração. Os brinquedos eram construídos manualmente pelos pais com a participação dos filhos, o que representava uma riqueza de materiais e de formas peculiares de produção de um mesmo tipo de brinquedo. Além de construírem brinquedos, os adultos participavam das brincadeiras das crianças e elas também dos jogos que eram considerados somente para eles.Friedman (2006. P. 81), afirma que "a atividade lúdica era um fenômeno social de que todos desfrutavam. " É plausível mencionar que o processo de industrialização impulsionou a fabricação de brinquedos que, inicialmente, eram acessíveis a uma pequena parcela da sociedade. Com o avanço das indústrias especializadas, a partir do século XIX, os brinquedos criados pelos adultos e produzidos em série passaram a fazer parte do cotidiano das crianças. Não obstante, os avanços tecnológicos e a lógica da vida moderna provocaram mudanças nos modos de lazer e, cada vez mais, as crianças tiveram seu tempo de brincadeiras livremente diminuídos, como também, as possibilidades de brincar com muitas outras crianças mais velhas e mais novas. Isso se deve em função dos modos de vidas cada vez mais determinados por condições sociais, por exemplo, a mudança da casa com quintal para o apartamento, as brincadeiras coletivas para atividades específicas no "playground," dentre outras. Além desses 28/09/2023, 11:16 Versão para impressão - PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_04/index.… 12/22 aspectos, passaram a ter mais atividades consideradas "produtivas" e importantes para o desenvolvimento, aos olhos da sociedade moderna, tais como: aula de natação, judô, balé, xadrez, música, inglês e outras. A despeito das mudanças nos modos de vida social as crianças continuam convidando o adulto a brincar com elas. Esta parceria cumpre um importante papel no processo de simbolização, ou seja, no desenvolvimento da habilidade de representar mentalmente objetos, lugares, pessoas e tudo com o que elas se relacionam. Além disso, gostam das brincadeiras dos adultos, pois se sentem fortalecidas nas relações afetivas que se instauram nos momentos de brincar e aprendem de forma lúdica, enriquecendo o repertório de experiências culturais. Isso se deve porque os jogos, as brincadeiras e os brinquedos são constituídos por uma identidade do contexto cultural em que a ação lúdica se realiza. Dessa forma, são legitimados, pela dimensão histórica e cultural das relações e dos vínculos que se estabelecem em uma determinada situação, em espaços e tempos determinados. Talvez, então, as possíveis explicações das brincadeiras em família que reúnem, agregam, envolvem emoções, sentimentos e trazem felicidade e, como isso, fortalecem os vínculos afetivos. Conforme dito, as mudanças nos modos de vida da sociedade trouxeram, como consequências, muitas demandas para as crianças tendo como base a crença dos pais de que é preciso prepará-las para o mundo competitivo. Todavia, há um apelo mundial pelo direito da criança ao brincar, pelas comprovações científicas da importância das brincadeiras para a formação de estruturas internas relacionadas às várias áreas do desenvolvimento humano, ou seja, para o seu desenvolvimento integral. A BNCCEI define, a partir dos dois eixos curriculares citados, 6 direitos de aprendizagem, dentre eles: Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros (crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais (BRASIL , 2018, p. 34). Observa-se que o brincar está previsto como direito e está legitimado como eixo curricular nas instituições de Educação Infantil. Todavia, é essencial compreender, que em vista das características da vida moderna, em que as crianças passam muito tempo nas instituições de Educação Infantil, o compromisso com a garantia do direito de brincar deve ser prioridade nos projetos institucionais. Assim, como previsto nas DCNEI e na BNCC, é importante que as propostas e intervenções pedagógicas sejam organizadas no sentido de ampliar o repertório cultural das crianças, tendo o brincar como um componente curricular fundamental para essa finalidade. 28/09/2023, 11:16 Versão para impressão - PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_04/index.… 13/22 As instituições escolares, historicamente, tendem à instrumentalização das atividades lúdicas para o fim último das aprendizagens ditas escolarizadas. Cumpre evidenciar que a função do brincar está ligada à socialização da criança e ao desenvolvimento de sua autonomia e de sua identidade pessoal. Assim sendo, cabe às instituições respeitar as crianças como seres eminentemente lúdicos e compreender que o brincar vai muito além da perspectiva de ensinar o que está estruturado no currículo. Brincar e aprender são ações inerentes às crianças e que coexistem em seus cotidianos. Não se trata, portanto, de oferecer a elas um somatório de atividades, mas as inúmeras possibilidades de oportunizar espaços, recursos para que brinquem, se coloquem e se estabeleçam como sujeitos ativos que são. Nessa perspectiva, brincar não é instrumento pedagógico para ensinar, exclusivamente, é uma linguagem primordial da cultura da infância. É imprescindível que a criança tenha acesso às tantas outras formas de expressão e linguagens, como as artes de um modo geral, que cumprem o importante papel de diversificar e ampliar o repertório cultural, tanto dentro da escola como nos espaços de difusão cultural da cidade e dos demais ambientes pelos quais ela transita e se relaciona. Os educadores, assim como os adultos de referência na vida da criança, ao observarem as suas brincadeiras, podem perceber como ela compreende o mundo. Portanto, ela deve ser estimulada a brincar espontaneamente, pois a brincadeira sempre revela os valores, os costumes, as manifestações, enfim, a cultura de uma época. É, um instrumento de observação para os educadores. A organização dos espaços e tempos Conforme os conhecimentos apresentados, você já sabe que as crianças estão sempre em movimento e isso significa a exploração dos lugares ao seu dispor. Imagine o que significa para o professor organizar a rotina das crianças garantindo-lhes espaços e matérias disponíveis que favoreçam suas interações e brincadeiras? Trata-se de um grande desafio, que, todavia, deve ser enfrentado de maneira coletiva. As crianças devem ter à disposição todos os ambientes da instituição e isso pressupõe um olhar diferenciado para as práticas pedagógicas. Ou seja, na Educação Infantil elas devem ter uma sala de referência, mas devem ter, também, todos os locais possíveis para suas explorações. Sendo assim, é importante abordar os diferentes tipos de espaços nas instituições: os considerados mais administrativos como salas destinadas às atividades de secretaria e gestão, as outras destinadas aos demais serviços como cozinha, dispensa e entre outros, os ambientes coletivos de uso das crianças como refeitórios, parquinhos, pátios, área verde, biblioteca, brinquedoteca, sala de vídeo, banheiros e, ainda, os reservados para cada turma, que comumente são chamados de sala de referência. Ainda sobre esse propósito, é preciso evidenciar que os espaços de uso compartilhado são de responsabilidade de todos os profissionais que devem discutir as regras de utilização, as formas de alterações e adaptações periódicas e a adequação às necessidades das crianças. À 28/09/2023, 11:16 Versão para impressão - PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_04/index.… 14/22 gestão da instituição cabe zelar para que haja segurança, limpeza, organização e exploração devida de acordo com as possibilidades que os espaços oferecem. Para isso, deve contar com a participação dos familiares como observadores e colaboradores da manutenção e da modernização dos ambientes. É fundamental, ainda, que se garanta nos espaços abertos e semiabertoso uso de mobiliários e ou equipamentos que favoreçam os deslocamentos e estimulem a capacidade de exploração inata às crianças. Atenção especial deve ser dada aos espaços destinados à higiene pessoal como banheiros, área de banho e de higienização dos bebês, área de escovação dos dentes que possibilitem agilidade e estimulem a autonomia. Para além disso, os ambientes destinados ao repouso devem ser harmônicos, com o conforto necessário ao descanso do corpo e da mente, garantindo o respeito à individualidade, aos tempos e ritmos diversos. Os Parâmetros Nacionais de Qualidade da Educação Infantil em relação ao espaço apresenta como princípio 3.1: A garantia da qualidade depende das ações constantes de planejamento, avaliação, monitoramento e manutenção das estruturas físicas das Instituições de Educação Infantil. É essencial que os ambientes, em geral, garantam acessibilidade aos adultos e crianças com deficiência e ou mobilidade reduzida. Além disso, a observação atenta às condições dos terrenos e das instalações optando por uma gestão mais preventiva e de uma perspectiva de manutenção sempre para a melhoria e não somente para o reparo. Os espaços coletivos devem ser bastante valorizados, cumpre lembrar que os tipos de semiabertos podem ser demarcados com pequenas tendas, túneis e mesmo casinhas, com abertura em mais de um lado para a movimentação das crianças e a observação e o monitoramento do professor. É importante lembrar que os espaços devem ser organizados e estruturados, conforme as idades e as características de desenvolvimento de cada grupo de crianças, com atenção especial a ser dada aos bebês. Essas perspectivas constam, também nos Parâmetros Nacionais de Qualidade da Educação Infantil, conforme o princípio 7.1. Os espaços, materiais, brinquedos e mobiliários são itens potencializadores de aprendizagem e desenvolvimento quando atraem as crianças para brincar e interagir e quando proporcionam simultaneamente multiplicidade de experiências e vivência de múltiplas linguagens. No trabalho de organização dos ambientes mais reservados às turmas os professores devem contar com o protagonismo infantil. As atividades na sala de referência podem transformar, diariamente, os espaços e "cantos" da sala com as intervenções arquitetônicas das crianças: suas produções, suas coleções individuais e coletivas, seus registros de escritas, seus álbuns, seus brinquedos, seus livros, esculturas e outros objetos. A sala de referência pode contar, também, com cantinho fixos, por exemplo, de literatura que não precisa ser grande, mas que sejam sempre trocados os livros. Outros cantos podem permanecer por tempo determinado, conforme o interesse delas e ou enquanto durar um tema em estudo ou um projeto em desenvolvimento. É bom saber que diferentes materiais poderão ser utilizados para a separação desses cantinhos como tapetes, pequenas estantes, mesas e outros. Ademais, é importante garantir acesso, sem dificuldade, bem como criar junto com as crianças as normas para os usos de cada espaço. 28/09/2023, 11:16 Versão para impressão - PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_04/index.… 15/22 Para ilustrar este referencial de estudo, assista ao vídeo abaixo, que apresenta as possibilidades de uso compartilhado de espaços em uma creche e a importância dos materiais colocados à disposição das crianças pelas professoras. O vídeo apresenta uma abordagem que diferencia espaços de ambientes. Espaço se refere aos aspectos mais objetivos, são os locais com mobiliários e elementos de decoração onde as atividades acontecem. Já o ambiente é o conjunto dos espaços e das interações e relações que se estabelecem entre os que utilizam os espaços e neles compartilham experiências. Assim, o ambiente representa uma dimensão mais subjetiva que deve ser considerado, principalmente quando a instituição tem como princípio fundante em seu projeto pedagógico o reconhecimento do valor educativo das interações em suas mais variadas formas. Assim também afirma Zabalza , (2007, p. 241), "o espaço é um acúmulo de recursos de aprendizagem e desenvolvimento pessoal. Justamente por isso é tão importante a organização dos espaços de forma tal que constituam um ambiente rico e estimulante de aprendizagem". Retoma-se, então, a questão da qualidade na Educação Infantil, destacando que a organização de ambientes é um requisito de qualidade uma vez que demonstra as concepções de crianças e de práticas pedagógica de uma instituição. Sendo assim, espaços e ambientes ricos em possibilidades de experiências favorecem o desenvolvimento da autonomia, da criatividade das crianças e, portanto, representam instrumentos essenciais da prática educativa. Vídeo: Um ambiente para a Infância 28/09/2023, 11:16 Versão para impressão - PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_04/index.… 16/22 O relacionamento escola e família Por atuar nos primeiros anos de vida, a Educação Infantil figura como principal parceira das famílias, uma vez que é responsável pelo cuidado e pela educação das crianças em processos educativos complementares. As características da primeira infância, seu desenvolvimento, os vínculos afetivos necessários nessa etapa, a saúde, o bem-estar e a educação tornam ainda mais relevantes o enfoque integral na promoção de um desenvolvimento infantil melhor no qual todas as ações devem convergir. Essa é uma condição que exige dos setores e das instituições responsáveis pela implementação de políticas públicas para a primeira infância a garantia de que os serviços de atendimento respeitem critérios de qualidade definidos para cada área de atendimento. A articulação com os demais serviços públicos como saúde, assistência social, conselhos de direitos da criança e do adolescente, é substancial para consolidação de políticas e práticas intersetoriais que fortalecem as instâncias responsáveis pela garantia dos direitos das crianças. Assim, vale reforçar que garantir os direitos das crianças e promover o seu desenvolvimento integral pressupõe uma ação conjunta de toda sociedade. No caso da Educação Infantil trata- se de uma condição, pois essa é, por natureza, obrigatoriamente, um serviço social. É inegável que as ações educativas destinadas às crianças pequenas prescindem da parceria entre as instituições e as famílias. As políticas e os programas para a infância, que envolvem os familiares, em todas as áreas, tendem a ter mais sucesso, uma vez que possibilitam melhorias nas relações afetivas para os cuidados essenciais destinados às crianças. No âmbito da educação, a participação das famílias enriquece as atividades pedagógicas, especialmente, no caso de crianças de 0 a 3 anos, período em que são aprendidos os padrões de comportamento e os hábitos de convivência social. Algumas crianças passam muito tempo nas instituições iniciando essa etapa muito cedo o que implica a exigência de que escola e família estabeleçam relações firmes e sustentadas em projetos comuns de cuidado e educação. Convém salientar que as instituições de Educação Infantil possuem autonomia delegada a elas com relação à elaboração e à gestão de seus projetos pedagógicos, pela legislação e por orientações normativas do MEC. No atual contexto, as famílias têm cada vez menos tempo em casa para ficar com as crianças. Além disso, existem diferentes formas de configuração familiar, o que traz implicações sobre as responsabilidades com a educação das crianças. Para ampliar o entendimento das muitas realidades familiares em que vivem as crianças assista ao vídeo abaixo: 28/09/2023, 11:16 Versão para impressão - PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_04/index.… 17/22 Conforme o referidovídeo, as famílias, independente, da classe social a qual pertencem, se organizam das mais diversas formas. Isso é fundamental para que as instituições conheçam como vivem as crianças sob sua responsabilidade para que possam construir vínculos que fortaleçam a ação educativa compartilhada, estabelecendo com os familiares um diálogo aberto, garantindo que elas sejam, de fato, interlocutoras dos processos formativos das crianças. A perspectiva de educação compartilhada das crianças nas instituições de Educação Infantil, ainda, representa um grande desafio. Questiona-se nas instituições a legitimidade da participação dos pais nas práticas pedagógicas, por se acreditar que esses desconhecem questões técnicas do trabalho de educar, além do entendimento de que o professor tem autonomia plena no exercício pedagógico, isso significa, para alguns, que as possíveis contribuições, são interferências negativas. Essas questões persistem no cenário da Educação Infantil e colocam, em evidência, a necessidade de melhor se compreender a noção de parceria educativa, ou de educação compartilhada. Ainda, no que se refere a esse contexto, cresce cada vez mais o entendimento da importância de se estabelecer relações entre família e instituição que estimulem uma participação colaborativa. Isso significa, por exemplo, a participação das famílias nos processos de elaboração e revisão da proposta pedagógica colaborando com seus pontos de vista e suas experiências. Além disso, os processos de comunicação entre educadores e familiares, quando bem estruturados, favorecem a continuidade das aprendizagens das crianças, o que traz satisfação e segurança a todos. Vídeo: Infância e família 28/09/2023, 11:16 Versão para impressão - PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_04/index.… 18/22 Esses processos ocorrem por meio de estratégias que os educadores e a gestão das instituições oportunizam para oferecer informações aos pais e que podem ser: Organização de oficinas pedagógicas entre pais e filhos e entre pais e pais - eventos em que podem ser realizadas atividades de culinária, pintura, elaboração de material didático para as salas, decoração e organização dos ambientes da instituição, construção de brinquedos e outros. Quadros informativos e formativos na entrada da instituição – onde os familiares podem registrar sugestões ou dúvidas e se manterem informados sobre ações planejadas e realizadas. Correspondências e contatos por meios impressos e aplicativos de aparelhos celulares - quando for o caso, recados ou notícias nas agendas e ou cadernos das crianças, com informações regulares sobre as atividades realizadas por elas relatando experiências positivas ou os momentos mais significativos. Reuniões e conversas informais - nos momentos do acolhimento e da despedida. Essas e outras estratégias de comunicação favorecem a parceria. Além disso, as instituições podem estimular o interesse dos familiares pela constituição de grupos de discussão e ou fóruns para debate de temas relativos ao desenvolvimento e à educação das crianças. O fortalecimento dos vínculos entre família e instituição não acontece naturalmente e nem de maneira imediata. É importante estabelecer as estratégias de interação que favorecerão a tarefa educativa e planejar o cotidiano da instituição de modo a garantir um clima de convivência, respeito e liberdade que é fundamental para as relações de parceria. Isso significa ir, paulatinamente, construindo formas de apoio mútuo em que as famílias possam participar das decisões da gestão institucional, atuando efetivamente nos conselhos e nas atividades de planejamento e avaliação. Todavia, é essencial que a parceria alcance as ações educativas, pois é no dia a dia que elas se efetivam por meio do cuidado e da educação das crianças. 28/09/2023, 11:16 Versão para impressão - PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_04/index.… 19/22 Finalizando a Unidade Este referencial de estudo permitiu compreender as questões específicas das práticas cotidianas nas instituições de Educação Infantil, as formas de organização das rotinas, dos tempos e dos espaços, as estratégias de envolvimento das famílias para a continuidade do trabalho de cuidado e educação. Isso pressupõe, dentre outras ações, o conhecimento dos modos de vida das crianças, o relacionamento constante com os adultos diretamente responsáveis por elas. É importante lembrar que as formas de organização das instituições e as práticas pedagógicas somente têm sentido considerando os eixos essenciais para efetivação do currículo da Educação Infantil: as interações e a brincadeira. É por meio de interações que a criança se coloca no mundo e constrói suas aprendizagens e se desenvolve como sujeito ativo, inserido no seu universo cultural e social. Nas brincadeiras ela não apenas se distrai e ocupa seu tempo, pois brincar é uma das suas formas de linguagem, assim como as representações, a imitação, o desenho e outras. Vale ainda ressaltar, que o MEC disponibiliza materiais em forma de livros, artigos e outras produções que visam a orientar e subsidiar as práticas pedagógicas na Educação Infantil. Seguem as seguintes sugestões de leitura. 28/09/2023, 11:16 Versão para impressão - PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_04/index.… 20/22 ©2018 Copyright ©Católica EAD. Ensino a distância (EAD) com a qualidade da Universidade Católica de Brasília Dica do Professor A seguinte obra é uma importante referência para os profissionais da Educação Infantil. EDWARDS, C.; GANDINI, L; FORMAN, G. As cem linguagens da criança: a abordagem da Reggio Emília na educação da primeira infância. Porto Alegre: Penso, 2016. Você poderá conhecer também: Brinquedos e brincadeiras - documento técnico com a finalidade de orientar professoras, educadoras e gestores na seleção, organização e uso de brinquedos, materiais e brincadeiras. Campos de Experiências - Efetivando direitos e aprendizagens da Educação Infantil. http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=12451-publicacao-brinquedo-e-brincadeiras-completa-pdf&category_slug=janeiro-2013-pdf&Itemid=30192 https://www.fmcsv.org.br/pt-BR/biblioteca/direitos-aprendizagens-educacao-infantil/ 28/09/2023, 11:16 Versão para impressão - PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_04/index.… 21/22 ©2018 Copyright ©Católica EAD. Ensino a distância (EAD) com a qualidade da Universidade Católica de Brasília Saiba Mais Com o intuito de aprimorar os conhecimentos, visite os seguintes sites: O programa Território do Brincar é um trabalho de escuta, intercâmbio de saberes, registro e difusão da cultura infantil. Disponibiliza vídeos produzidos pelos documentaristas Renata Meirelles e David Reeks, que acompanhados de seus filhos, percorreram o Brasil visitando comunidades rurais, indígenas, quilombolas, grandes metrópoles, sertão e litoral, revelando o país através dos olhos das crianças. O site contém, ainda, artigos e livros que tratam de temas referentes às infâncias e às crianças. Veja no mesmo programa, especialmente, Território do Brincar- diálogo com escolas . Ainda no Programa Territórios do Brincar, leia o livro Friedmann, Adriana. O universo simbólico da criança: olhares sensíveis para a infância . https://territoriodobrincar.com.br/o-projeto/ https://territoriodobrincar.com.br/videos/dialogos-do-brincar-9-o-audiovisual-na-educacao/ https://territoriodobrincar.com.br/wp-content/uploads/2015/06/Adriana_Friedmann_O_Universo_Simbolico_da_Crianca.pdf 28/09/2023, 11:16 Versão paraimpressão - PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_04/index.… 22/22 ©2018 Copyright ©Católica EAD. Ensino a distância (EAD) com a qualidade da Universidade Católica de Brasília Referências BRASIL, Parâmetros Nacionais de Qualidade da Educação Infantil, Ministério da Educação, Brasília, 2018. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Base nacional comum curricular Secretaria de Educação Básica. – Brasília, D.F. MEC, SEB, 2018. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes curriculares nacionais para a Educação Infantil / Secretaria de Educação Básica. – Brasília, D.F. MEC, SEB, 2010. BROUGÈRE, Gilles. Brinquedo e cultura. Coleção: questões da nossa época, nº 43. São Paulo, Cortez, 2001. CRAIDY, C. E KAERCHER, G. E. Educação Infantil Pra que te quero? Porto Alegre: Artmed, 2001. FRIEDMANN, Adriana. O desenvolvimento da criança através do brincar / Adriana Friedmann. – São Paulo: Moderna, 2006.BENJAMIN, Walter. Reflexões: a criança, o brinquedo, a educação. São Paulo: Summus, 1984. VYGOTSKY, Pensamento e Linguagem. São Paulo, 3ª edição: Martins Fontes, 1996. ZABALZA, Miguel. Qualidade na Educação Infantil. Artmed: Porto Alegre,2007.