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Modelo OA-DA Esse é o modelo de oferta agregada e demanda agregada12; nesse modelo, temos o nível de preços como uma variável importante. Esse modelo faz uma relação entre o nível de preços e o nível de produção. Esse modelo faz uma dupla análise: do curto prazo e também do longo prazo. Dentro dessa análise, teremos o mercado de bens e serviços, o mercado monetário e o mercado de trabalho. A curva de demanda agregada vai trazer consigo dois mercados: o mercado de bens e serviços e o mercado monetário. A curva de demanda agregada é negativamente inclinada – isso porque a curva de demanda agregada é oriunda da curva IS-LM. Um aumento no nível de preços, por exemplo, não altera a curva IS – o preço não é uma variável importante para a curva IS; a elevação dos preços, entretanto, afeta a curva LM, visto que afetará o mercado monetário. A oferta de moeda é dada por 𝑀𝑆 𝑃 . Portanto, uma alteração no preço desloca a curva de oferta de moeda no mercado monetário. No caso de um aumento de preços, a oferta de moeda diminui – deslocando a curva de oferta de moeda para a esquerda (e aumentando a taxa de juros). A curva LM reflete esse deslocamento no mercado monetário, deslocando-se para a esquerda e elevando a taxa de juros. A curva de demanda agregada se origina do equilíbrio no modelo IS- LM. Por isso, qualquer alteração no modelo IS-LM afeta as curvas de oferta e demanda agregada. Para derivar a curva de demanda agregada através do modelo clássico (MV = PT): V = constante e M = constante 𝑀 𝑃 .V = T Se M e V são constantes, e dado que o volume de transações (T) aumentou (com um aumento da renda), o nível de preços precisará diminuir. Os deslocamentos da curva de demanda agregada • Política fiscal expansionista: desloca a curva IS para a direita, aumentando a renda (Y). Como a curva de demanda agregada reflete a curva IS, temos na demanda agregada um novo nível de renda, ENTRETANTO, mantém-se o mesmo nível de preços. O que vai acontecer é que, na presença desse tipo de política econômica, a curva de demanda agregada é deslocada para a direita. • Política fiscal contracionista: desloca a curva IS para a esquerda, reduzindo o nível de renda (Y). A curva de demanda agregada reflete esse novo nível de renda, sob o mesmo nível de preços. A curva de demanda agregada é deslocada para a esquerda. • Política monetária expansionista: essa política mexe na oferta de moeda, aumentando-a, e lá no modelo IS- LM, desloca a curva LM para a direita – aumentando a renda. Na demanda agregada, esse aumento do nível da renda é sentido, sob o mesmo nível de preços, deslocando para a direita a curva de demanda agregada. • Política monetária contracionista: essa política reduz a oferta de moeda, e desloca a curva LM para a esquerda – reduzindo o nível de renda – sentido na curva de demanda agregada, sob o mesmo nível de preços. A curva de demanda agregada é deslocada para a esquerda. Em suma, políticas expansionistas deslocam a curva de demanda agregada para a direita; políticas contracionistas deslocam a demanda agregada para a esquerda (não importa que tipo de política). 12 Demanda agregada não é demanda de mercado; em nada se relaciona com a microeconomia. A curva de oferta agregada, que como já vimos, vem do mercado de fatores – define-se oferta agregada como sendo o valor total da produção de bens e serviços de uma economia. Essa curva terá efeitos diferentes no curto e no longo prazo. No curto prazo teremos preços fixos, e no longo prazo, com preços variáveis. Oferta agregada de curto prazo A oferta agregada de curto prazo é inclinada positivamente – quando há um aumento da produção, há um aumento do nível de emprego. Com esse aumento do nível de emprego (ou redução do nível de desemprego), a substituição de mão de obra se torna mais difícil, aumentando o poder de barganha dos trabalhadores, que vão pressionar por maiores salários. Uma expansão dos custos, devido ao aumento de salários, causa também uma expansão dos preços. Um aumento da capacidade de produção desloca a curva de oferta agregada para a direita; uma redução da capacidade de produção desloca a curva de oferta agregada para a esquerda. A curva de oferta agregada de curto prazo será horizontal (infinitamente elástica) quando houver rigidez total de preços e salários. Esse caso também é chamado de caso keynesiano. Todos os fatores que deslocam a curva de oferta do curto prazo também deslocam a curva de oferta no longo prazo. Oferta agregada de longo prazo No longo prazo, temos pleno emprego de fatores. Uma produção que envolve pleno emprego de fatores significa que não há mais possibilidade de aumento da produção – o pleno emprego é a capacidade máxima. A curva de oferta agregada no longo prazo é, portanto, vertical (infinitamente inelástica). É chamado de caso clássico. A curva de oferta agregada no longo prazo se desloca toda vez que houver uma alteração na capacidade máxima da produção – se essa capacidade diminuir, ela se desloca para a esquerda; se aumentar, se desloca para a direita. O encontro entre a curva de oferta agregada de curto prazo e da curva de oferta agregada de longo ocorre quando o nível de preços da economia é exatamente o nível de preços esperado dentro dessa economia. Y = YN + a (P – PE) Isso significa que é possível produzir mais que no pleno emprego (à curto prazo), ao custo de exaustão dos fatores de produção. Esse tipo de produção não se sustenta por muito tempo – portanto, no longo prazo, só é possível produzir até o pleno emprego. Produto natural e taxa natural de desemprego O produto natural da economia significa o produto de pleno emprego. Esse nível de pleno emprego não significa que não exista desemprego – o nível de desemprego desse produto natural é estabelecido pela taxa natural de desemprego (desemprego friccional). O equilíbrio do modelo OA – DA: Hiato inflacionário: quando o nível de produção está maior que o produto natural; isso significa dizer que os preços estão sendo pressionados para cima (nível de preços maior que os preços esperados). Uma política econômica que tem por objetivo aumentar a renda, tende a aumentar o hiato inflacionário. Hiato deflacionário: quando o nível de produção está menor que o produto natural; isso significa que os preços estão sendo pressionados para baixo (nível de preços menor que os preços esperados). Uma política econômica que tem por objetivo reduzir a renda, tende a aumentar o hiato deflacionário. O equilíbrio desse modelo se dá em 2 prazos (curto e longo prazo) e relaciona 3 mercados (de bens e serviços, monetário e de fatores): As políticas expansionistas do governo sempre deslocam a curva de demanda agregada para a direita, gerando um hiato inflacionário; as políticas contracionistas deslocam a demanda agregada para a esquerda, gerando um hiato deflacionário. A curva de oferta agregada responde a essas alterações através da alteração do nível de preços de equilíbrio. Inflação e desemprego Inflação A inflação é uma alta generalizada e sistemática (contínua) do nível de preços. O contrário da inflação é a deflação – uma baixa generalizada e sistemática de preços. Uma deflação pode indicar um encolhimento da economia. Nenhum dos dois casos é desejável – o que se deseja são preços estáveis. O controle de preços é estabelecido pelas metas de inflação. Tipos de inflação: ✓ inflação de demanda: fala-se em termos de aquecimento da demanda agregada (ex: política econômica expansionista) a) inflação monetária: é um tipo de inflação de demanda, associada à expansão da oferta de moeda ✓ inflação de custos/oferta: há uma redução na oferta agregada (associada a um processo de estagflação: redução do PIB e alta dos preços). ✓ inflação inercial: uma condição em que os preços aumentam em escalada, eocorre quando a economia passa por um processo de indexação (a inflação de hoje é uma função das inflações anteriores). ✓ inflação estrutural: a própria estrutura produtiva pressiona os preços para cima O regime de metas de inflação: o conselho monetário nacional estabelece uma meta e essa meta vai ser alcançada por meio de uma política monetária passiva (através da taxa de juros). Para colocar a inflação dentro da meta, no caso de uma redução da demanda agregada, o governo aquece a economia com uma redução de taxa de juros. No caso de uma redução de oferta agregada, o governo faz o movimento contrário: ele desaquecendo a economia, aumenta a taxa de juros. Consequências da inflação: 1. Distorção na alocação de recursos 2. Desincentiva a ação de investir 3. Distúrbio na distribuição de renda (tendência a aumentar a concentração de renda) 4. Alterações nas contas públicas: efeito Tanzi (Tanzi-Oliveira). Diante de cenários de inflação, quando o governo recebe as receitas para pagar suas despesas, essas receitas (por conta da inflação) já serão menores que o valor das despesas realizadas no passado. 5. Transferência de renda entre pessoas e das pessoas para o governo (imposto inflacionário) 6. Custos de "sola de sapato” 7. Custos de “menu” 8. Aumento nos custos de transação 9. Indexação: favorecendo a inflação inercial 10. Desequilíbrio externo: os altos preços internos tornam o produto nacional menos competitivo no exterior, redirecionando produtos de exportação para o mercado doméstico. Desemprego A força de trabalho é a parte da população total que tem condições de trabalhar – dentro desse grupo, temos a população economicamente ativa, dividida em ocupados e desocupados (desempregados: em busca de emprego; desalentados: que desistiram de procurar emprego; e os desocupados voluntariamente: não querem um emprego). Tipos de desemprego: ✓ Desemprego conjuntural (de curto prazo): há, dentro da economia, uma conjuntura específica que reduz o número de empregos. ✓ Desemprego estrutural (de longo prazo): nesse caso, ocorre uma mudança muito grande na estrutura daquela economia, e algumas vagas de emprego deixam de existir (normalmente, influenciado por um avanço tecnológico13). 13 Normalmente, o avanço tecnológico extingue áreas de emprego que não são intensivas em capital humano, ou seja, que não necessitam de estudo, e criam outros empregos em áreas que exigem mais capital humano (intelecto). ✓ Desemprego friccional: quando um trabalhador sai de um emprego para ir para outro – é um desemprego de curtíssimo prazo, temporário. Quando em uma economia só há desemprego friccional, temos uma taxa natural de desemprego. Lei de Okun: é uma teoria que propõe uma relação inversa entre o PIB e o desemprego. Nesse caso, uma alta do PIB gera uma alta dos empregos disponíveis – e uma redução do desemprego; o contrário também é verdadeiro. A Curva de Philips mostra uma relação inversa entre inflação e desemprego. Essa relação só é válida para o curto prazo, porque no longo prazo a economia está em pleno emprego. A curva de Philips mostra, portanto, as combinações de inflação e desemprego quando há deslocamentos da curva de demanda agregada e movimentos ao longo da oferta agregada. Quando há um aumento de produção, há um aumento do nível de empregos – o que gera, automaticamente, um aumento de preços (visto que o aumento do nível de empregos aumenta o poder de barganha do trabalhador – e aumenta a estrutura de custos das empresas). A redução da produção gera uma redução do nível de empregos, reduzindo também o nível de preços. 𝜋 = −𝐵 (𝜇 − 𝜇𝑛) onde 𝜋 é a inflação, 𝜇 é a taxa de desemprego e 𝜇𝑛 é a taxa natural de desemprego. Se a inflação for igual a 0, é porque a taxa de desemprego é igual a taxa natural de desemprego. ✓ Versão da equação da curva de Philips com expectativas adaptativas: 𝜋 = 𝜋𝐸 − 𝐵 (𝜇 − 𝜇𝑛) ✓ Versão da equação com os choques de oferta: 𝜋 = 𝜋𝐸 − 𝐵 (𝜇 − 𝜇𝑛) + 𝐸 onde E são os choques de oferta (eventos aleatórios) ✓ Versão da equação com expectativas racionais: é a versão de longo prazo. É uma linha vertical, que representa o pleno emprego.