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AO JUIZO DA __ VARA DA FAZENDA PÚBLICA DO FORO CENTRAL DA COMARCA DE PORTO ALEGRE, ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. TAAL LTDA. pessoa jurídica de direito privado, devidamente inscrita no CNPJ sob nº 000.000.000/0001- 00 estabelecida com sede na Rua DOS Trilhos, n.º 054, Bairro São Pelegrino, na cidade de Canoas/RS, vem respeitosamente, a presença de Vossa Senhoria apresentar: Ação Anulatória de Lançamento Fiscal Em face da Secretaria da Fazenda, Receita Estadual, pessoa jurídica de direito público, inscrita no CNPJ sob o nº 87.958.674/0001-81, com sede à Avenida Mauá, nº 1155 e/ou Rua Siqueira Campos, 1044 - Porto Alegre / RS CEP: 90030-080, pelas razões de fato e de direito a seguir expostas: I. DOS FATOS Em 19/11/2020, às 16:18ha, a parte ré lavrou Auto de Infração em face da parte autora para cobrar-lhe o ICMS supostamente devido em operações de transferências interestaduais de mercadorias entre estabelecimentos do mesmo titular, constantes na DANFE 24670, SERIE 5 (anexo). De acordo com a fiscalização, a parte autora teria adotado a base de cálculo incorreta nas transferências interestaduais de mercadorias entre seus estabelecimentos, conforme colaciona-se abaixo e em anexo. Ao ver o auto provido pela parte ré, segundo a mesma, a parte autora agiu em desacordo com o disposto no art. 13, IV, do RICMS aprovado pelo Decreto 37.699/97 e alterações. Considerando o documento fiscal como inidôneo. De acordo com o agente da mesma, a parte autora não teria adotado o correto cálculo para circular, para efeito de determinação da base de cálculo nas suas operações interestaduais de transferência, o valor exato dos produtos. Em razão dos acontecimentos acima narrados, foi lavrado Auto de Lançamento Tributário para a cobrança de imposto no valor de R$ 85.844,32, multa no valor de R$ 103.013,18 e juros no valor de R$ 7.039,23, perfazendo, na data da lavratura do Auto de Infração, o valor total de R$ 195,896,73. Tentando resolver de forma mansa e pacifica, a autora tentou recorrer de forma administrativa, porém, não obteve êxito ao apresentar a impugnação ao delegado da receita. Colaciona-se a mesma em anexo. Como visto, não restou outra saída a parte autora a não ser te procurar o judiciário para resolver essa questão. Visto, a autora solicita a anulação de auto de lançamento, assim como as demais multas e cobranças posta a mesma. II. DO DIREITO 1) DA NÃO OBSERVÂNCIA AOS REQUISITOS DO AUTO DE INFRAÇÃO O Processo Administrativo Tributário Estadual, nos temos no Decreto n.º 6.537/73, tem procedimento específico, e, para tanto, tem requisitos legais que deve ser cumpridos. Em se tratando do Auto de Infração de valores inexatos, aplica-se o artigo 17, que prevê como requisitos indispensáveis à sua constituição os seguintes elementos: Art17 §1º O Auto de Lançamento conterá: (...) III - a descrição da matéria tributável, com menção do fato gerador e respectiva base de cálculo, e/ou do fato que haja infringido a legislação tributária; Ou seja, a norma é de clara redação, exigindo que a ocorrência apurada deve ser clara e precisa. Esta previsão legal visa garantir ao contribuinte que ele possa identificar a irregularidade e a norma legal que por ventura tenha infringido, viabilizando o pleno e viabilizando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. É nesta linha de raciocínio a lição do ilustre HELY LOPES MEIRELLES: "Por garantia de defesa deve-se entender não só a observância do rito adequado, como a cientificação do processo ao interessado, a oportunidade para contestar a acusação, produzir prova de seu direito, acompanhar os atos da instrução e utilizar-se dos recursos cabíveis. [...] Processo administrativo sem oportunidade de defesa ou com defesa cerceada é nulo, conforme têm decidido reiteradamente nossos Tribunais Judiciais, confirmando a aplicabilidade do princípio constitucional do devido processo legal, ou mais especificamente, da garantia de defesa." (Direito Administrativo Brasileiro, Ed. Revista dos Tribunais, 1989, pág. 585) Mas, contrário legis, a autoridade fiscalizadora, limitou-se a tão somente informar que o " que existia uma infração feita pela impugnante euqe o ICMS deveria ser colhido anteriormente". Analisando o artigo objeto da ocorrência, temos uma série de eventos onde o ICMS deve ser recolhido antecipadamente, e nenhum deles se enquadra na exigência imposta à Empresa Autuada, vejamos: Art. 7º - Quanto às circunstâncias de que se revestem, as infrações materiais são havidas como: (Redação dada ao art. 7° pelo art. 2° da Lei 7.027, de 25/11/76. (DOE 26/11/76); (...) I - qualificadas, quando envolvam fraude, conluio, simulação ou, ainda, falsificação ou adulteração de livros, guias ou documentos exigidos pela legislação tributária, inserção neles de elementos falsos ou utilização dolosa de documentário assim viciado, bem como quando a lei, ainda que por circunstâncias objetivas, assim as considere; (Redação dada pelo art. 33, I, da Lei 15.576, de 29/12/20. (DOE 29/12/20, 2ª ed.) - Efeitos a partir de 01/01/21.); Art. 8º - Consideram-se, ainda: (Redação dada pelo art. 1°, I, da Lei 9.826, de 03/02/93. (DOE 04/03/93) I - qualificadas, as seguintes infrações tributárias: (...) d) adquirir, transportar ou fazer transportar, depositar ou receber em depósito mercadorias desacompanhadas de documento fiscal exigido pela legislação tributária; (Redação dada pelo art. 1°, I, da Lei 7.349, de 24/01/80. (DOE 16/01/80) Assim, diante a ausência de menção expressa sobre a possível desobediência cometida pela Empresa Autuada, não há que se falar em regularidade do Auto de Infração n.º 0000000 devendo ser anulado. 2) DO ICMS O Imposto sobre circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação, de competência dos Estados e do Distrito Federal é regulamentado pela Lei estadual 8.820 / 89 nos termos da LC 87/1996. Desta forma, a incidência do ICMS ora impugnada deve ser revista, sob pena de grave afronta ao princípio da legalidade. 3) DA INEXISTÊNCIA DO FATO GERADOR A Lei Complementar 87/1996 dispõe claramente em rol taxativo sobre os produtos e serviços com a incidência do imposto, in verbis: Art. 2° O imposto incide sobre: I - operações relativas à circulação de mercadorias, inclusive o fornecimento de alimentação e bebidas em bares, restaurantes e estabelecimentos similares; II - prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, por qualquer via, de pessoas, bens, mercadorias ou valores; III - prestações onerosas de serviços de comunicação, por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; IV - fornecimento de mercadorias com prestação de serviços não compreendidos na competência tributária dos Municípios; V - fornecimento de mercadorias com prestação de serviços sujeitos ao imposto sobre serviços, de competência dos Municípios, quando a lei complementar aplicável expressamente o sujeitar à incidência do imposto estadual. § 1º O imposto incide também: I - sobre a entrada de mercadoria ou bem importados do exterior, por pessoa física ou jurídica, ainda que não seja contribuinte habitual do imposto, qualquer que seja a sua finalidade; II - sobre o serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior; III - sobre a entrada, no território do Estado destinatário, de petróleo, inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e de energia elétrica, quando não destinados à comercialização ou à industrialização, decorrentes de operações interestaduais, cabendo o imposto ao Estado onde estiver localizado o adquirente. Assim, considerando que oobjeto da empresa, a transferência de mercadoria entre a matriz e sua filial, não se enquadra em quaisquer dos produtos expressamente previstos em lei, não pode haver a obrigação do recolhimento do imposto. Nos termos do doutrinar Ruy Barbosa Nogueira, a base de cálculo tem papel fundamental na validade da cobrança do imposto, não podendo ser ignorada: "A base de cálculo é o retrato quantitativo do próprio fato gerador, é a expressão da grandeza ou valor da relação fáctica ou situação descritiva ou eleita pela Lei substantiva como assento do imposto. (...) A base de cálculo é assim uma entidade só e aplicável somente para gerar determinado tributo sobre a situação para a qual essa mesma base de cálculo é imputada ou atribuída. Ainda que criada por Lei ela não pode sem o expresso consentimento da Lei ser atribuída a outra diferente da situação ou fato gerador." (Supl. Tributário L.T.R. Leg. Tributária 109, pág. 501 - (Hipótese de Incidência Tributária, Ed. Rg. 943-43 12- pág. 117). Assim, para que o imposto possa a ser cobrado faz-se necessário que haja fato gerador, alíquota e base de cálculo expressamente previstos em lei, o que não ocorre no presente caso. E, sendo distintos os fatos geradores ou hipótese de incidência, não poderia a Administração Pública deixar de distinguir também a base de cálculo de cada uma delas. 4) DA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA - TRIBUTO PRESUMIDO SUPERIOR À OPERAÇÃO No presente caso, tratando se de valor recolhido com base em valor presumido que se confirma posteriormente, superior ao devido, tem o Autor direito à restituição do valor pago a mais. Trata-se de direito do contribuinte obter restituição do ICMS pago a maior quando, em operações sujeitas ao regime de substituição tributária, a operação posterior tiver ocorrido em valor inferior ao presumido. Nesse sentido, confirma o posicionamento do STJ: CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. JUÍZO DE RETRATAÇÃO (ART. 1.040, II, DO CPC/2015). ICMS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. FATO GERADOR PRESUMIDO. COMPENSAÇÃO DE VALORES. TEMA JULGADO PELO STF SOB O REGIME DA REPERCUSSÃO GERAL. 1. No REsp 331.351/DF, o STJ reconheceu o direito de o contribuinte obter restituição do ICMS pago a maior quando, em operações sujeitas ao regime de substituição tributária, a operação posterior tiver ocorrido em valor inferior ao presumido. 2. Esse acórdão foi rescindido pela Primeira Seção diante do entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal na ADI 1.854-4/AL de que o direito à restituição só existiria quando o fato gerador presumido terminasse por não se realizar, inexistindo quando se realizasse com base de cálculo menor que a presumida. 3. Apreciando a mesma questão, o Plenário do STF, no julgamento do RE 593.849, em 19/10/2016, relator o Ministro Edson Fachin, assentou compreensão permitindo restituição do ICMS pago a maior quando, em operações sujeitas ao regime de substituição tributária, a operação posterior tiver ocorrido em valor inferior ao presumido. 4. Juízo de retratação, nos termos do art. 1.040, II, do CPC/2015. 5. Recurso Especial parcialmente provido para reconhecer o direito ao crédito de ICMS pago a maior, oriundo do regime de substituição tributária progressiva. (STJ - REsp: 944618 SC 2007/0091989-0, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento: 08/05/2018, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 02/08/2018, #83307113) Afinal, devido o pagamento do tributo estritamente nos limites da base de cálculo tributável, o que foi estrapolado no presente caso, devendo ser anulado com a devida repetição de indébito. Assim, por todo exposto, não há que se falar em recolhimento de ICMS sobre transferência entre filiais por ausente base legal. Devendo ser imediatamente suspenso tais recolhimentos. 5) DO PEDIDO Diante do exposto, requer o impugnante: A) A procedência da presente ação, com a consequente anulação do débito fiscal em tela, declarando-o como inexigível, devido ao auto de infração postulado a autora, assim como a multa e cobrança de tributos posto sobre o mesmo.; B) A citação da FAZENDA PÚBLICA ESTADUAL na pessoa de seu representante legal, para que, querendo, apresente contestação no prazo legal; C) A produção de todas as provas admitidas em direito, especialmente documental, pericial e testemunhal, a fim de demonstrar a ilegalidade do débito fiscal em questão; D) A condenação da parte ré ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios; Dá-se a causa o valor de R$ 195,896,73. Termos em que, pede deferimento. Canoas, 24 de agosto de 2023. ______________________ Jhon Uchoa OAB 000.000/RS