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O PAPEL DA QUÍMICA ANALÍTICA NO DESENVOLVIMENTO DE MEDICAMENTOS FARMÁCIA QUÍMICA ANALÍTICA BÁRBARA RAMOS QUEIROZ RÂNNYA BATISTA FIGUEIREDO 1. Introdução A Química Analítica é o ramo da química que envolve a separação, identificação e determinação das quantidades relativas dos componentes de uma amostra. Seu objetivo dentre outros é estabelecer uma noção de métodos de análise para o profissional farmacêutico, visto que ela permite a ele analisar o medicamento em todos os sentidos: ensaios microbiológicos, bioquímicos, ensaios de pureza, controle de qualidade e de biodisponibilidade. Sabendo disso, compreendemos que a análise química é quem vai subsidiar o avanço da tecnologia farmacêutica. O conhecimento e o desenvolvimento para novas drogas ou novos fármacos só vai ser permitido por meio de uma análise bem feita - e para fazê-la de maneira segura e confiável, temos que entender a Química Analítica. 1.1 Objetivos Esta atividade tem como objetivo destacar como os estudos de química analítica são essenciais para a pesquisa, desenvolvimento e qualidade de medicamentos. 2. Métodos Analíticos 2.1 Cromatografia A cromatografia é uma técnica baseada na migração de componentes de uma mistura entre duas fases: a fase estacionária, que retém elementos e a fase móvel, que conduz a mistura por meio de um soluto através da fase estacionária. É um método que pode ser utilizado para purificação ou detecção de substâncias, ou como auxiliar na separação de substâncias indesejáveis. As técnicas cromatográficas podem ser divididas principalmente em cromatografia em papel, cromatografia em camada delgada (CCD), cromatografia gasosa (CG), cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC), e mais atualmente a cromatografia líquida de ultra-eficiência (U-HPLC). Os métodos cromatográficos podem ser utilizados separadamente ou em conjunto dependendo dos componentes a serem separados ou identificados. Todas as técnicas cromatográficas citadas anteriormente apresentam alta confiabilidade e precisão em seus resultados, sendo as mesmas utilizadas em diversas áreas do conhecimento. Na química, por exemplo, sua utilização vai desde a dosagem de compostos em alimentos até o monitoramento de componentes tóxicos no meio ambiente, e até mesmo na indústria petroquímica. Já na área farmacêutica, a cromatografia é amplamente utilizada para dosagem de princípios ativos de drogas em medicamentos, auxílio em estudos farmacocinéticos, validação de técnicas de identificação de agentes, dentre outros. 2.2 Espectroscopia A espectroscopia compreende um grupo de métodos analíticos baseados nas propriedades dos átomos e moléculas de absorver ou emitir energia eletromagnética em uma determinada região do espectro eletromagnético, sendo essa forma de energia propagada em ondas transversais emitidas através de luz. Basicamente, podemos resumir que essa técnica é usada para identificar um composto ou investigar a composição de uma amostra, sendo muito utilizada nas áreas de química de produtos naturais, síntese e transformações orgânicas. Por meio de um aparelho chamado espectrofotômetro, conseguimos quantificar a radiação eletromagnética (específica para cada elemento) que é produzida quando uma partícula excitada (átomos, íons ou moléculas) relaxa para níveis de energia mais baixos, fornecendo seu excesso de energia como fótons. Existem diversas regiões no espectro magnético caracterizadas pela frequência de onda que possuem, sendo elas ondas de rádio, micro-ondas, infravermelho, luz visível, ultravioleta, raios X e raios gama. Geralmente a região do infravermelho é a mais utilizada dentro do CQ na indústria farmacêutica para a identificação de medicamentos, sendo um sistema que assegura a qualidade, a segurança e eficácia dos mesmos. 2.3 Titulação A titulação é um processo no qual uma substância teste (analito) reage completamente com um reagente adicionado (geralmente de uma bureta) como uma solução de concentração conhecida (solução padrão), chamada de titulante. A partir da quantidade que foi utilizada de titulante, podemos calcular a quantidade do analito que está presente. Entre os tipos de titulação estão as reações de Neutralização, Complexação, Precipitação e Oxidação-redução. A titulação é um procedimento de análise volumétrica considerada uma das técnicas analíticas de mais utilidade e exatidão, além de ser razoavelmente veloz e barata (e podendo ser automatizada). Sua principal aplicabilidade está relacionada ao controle de qualidade e se dá através da análise de pureza, processo essencial na farmacologia. Por meio dos resultados obtidos na medição, é possível reduzir ou mesmo eliminar o risco de efeitos colaterais do fármaco, tornando assim os efeitos daquele medicamento mais seguros e satisfatórios. 2.4 Análise de Impurezas A análise de impurezas na área farmacêutica corresponde a um conjunto de técnicas analíticas empregadas a fim de assegurar a qualidade, segurança, eficácia e credibilidade dos seus medicamentos junto ao mercado consumidor, sendo portanto de grande importância na área de produção industrial. No geral, as impurezas são controladas por métodos seletivos, sendo eles variadas técnicas cromatográficas e espectroscópicas (que podem ser utilizadas isoladamente ou em combinação). 3. Controle de Qualidade O controle de qualidade estrito de produtos farmacêuticos agrega valor científico quando verificado a lisura do processo desde o início de fabricação dos produtos, quando se trata de química farmacêutica, e em toda a cadeia de produção da indústria farmacêutica. (NASCIMENTO, 2022). De fato, o controle de qualidade nas indústrias farmacêuticas tornou-se parte do processo industrial, podendo, inclusive, ser considerada a etapa mais importante da fabricação de um medicamento (KESIC, 2008). As principais vantagens do controle de qualidade incluem a otimização de processos, redução de tempo e desperdícios, padronização de procedimentos, qualidade do ambiente, dos insumos utilizados e dos produtos finais (ROCHA e GALENDE, 2014). A realização do controle de qualidade nas indústrias farmacêuticas é de extrema importância para que a qualidade, segurança, eficácia e credibilidade dos seus produtos sejam asseguradas junto à população que irá consumir estes medicamentos (ROCHA e GALENDE, 2014). E, a fim de garantir esses requisitos durante a fabricação de seus produtos, as indústrias farmacêuticas necessitam cumprir as determinações impostas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), definidas pela Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 17, de 16 de abril de 2010, que dispõe sobre as Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos de uso humano (ROCHA e GALENDE, 2014) 4. Montelucaste de Sódio 4.1 Validação de métodos analíticos e estudo preliminar de estabilidade em comprimidos revestidos O montelucaste sódico (MTC) é um agente antagonista do receptor cisteinil leucotrienos, utilizado para o tratamento da asma e comercializado no Brasil sob a forma de comprimidos revestidos, comprimidos mastigáveis e grânulos orais sob o nome de Singulair. Em Goiânia, foi realizado por Alves, 2011, um estudo sobre o desenvolvimento farmacotécnico e analítico de comprimidos de MTC, desenvolvimento e validação de métodos analítico e bioanalítico, visando a obtenção de equivalência e bioequivalência com o medicamento referência do mercado. Para isso, foram realizadas as seguintes técnicas: alguns parâmetros físico-químicos foram caracterizados, desenvolvidos e validados métodos de doseamento e dissolução por cromatografia líquida de alta eficiência com detecção ultravioleta para quantificação de montelucaste presente em comprimidos revestidos de 10,0mg; determinação em plasma humano utilizando-se loratadina como padrão interno e cromatografia líquida de alta eficiência acoplada a detector de massas, e o fármaco extraído do plasma utilizando extração por precipitação. 4.2 Análise Quantitativa por Cromatografia Líquida de altaEficiência A cromatografia líquida de alta eficiência é o tipo de cromatografia mais versátil e amplamente utilizada. Esta técnica é empregada para separação e determinação de uma variedade de compostos orgânicos, inorgânicos e biológicos. Para a detecção do fármaco, os equipamentos utilizam com maior frequência a técnica de espectrofotometria em ultravioleta (UV), uma vez que a maioria dos grupos orgânicos funcionais absorve nesta região. Estes detectores geram sinais elétricos que são convertidos em cromatogramas por softwares especiais, instalados em computadores. Assim, os equipamentos são controlados via computadores e todos os cálculos das análises são realizados pelos mesmos. Para a análise quantitativa, preparam-se soluções de amostras e padrões conforme a monografia individual de cada fármaco e calcula-se a concentração, através da área obtida no cromatograma referente à substância. Este tipo de calibração é denominado de calibração externa, mas pode-se utilizar, conforme a monografia, a calibração interna onde uma substância de concentração conhecida é adicionada em quantidade constante as soluções amostras e padrão, desta forma o cálculo para determinação da concentração leva em conta a razão entre a área da substância em questão e a área do padrão interno. 4.3 Análise Quantitativa por Cromatografia Líquida de alta Eficiência acoplada a espectrômetro de massas O espectrômetro de massas é um instrumento que permite determinar a massa molar de compostos eletricamente carregados, ou íons previamente formados. Estes íons são selecionados no espectrômetro de massas de acordo com a razão massa-carga (m/z). O acoplamento do detector de MS/MS a técnica de Cromatografia Líquida permite que os compostos pré-separados por esta última sejam identificados e quantificados com alto grau de seletividade, sensibilidade e confiabilidade. Com isso, os compostos presentes em amostras complexas (ex: fluidos biológicos) podem ser analisados livres de interferentes, proporcionando análises rápidas. Além disso, a técnica de espectrometria de massas apresenta elevada sensibilidade, podendo quantificar os analitos na ordem de picogramas. A ionização do analito é uma das etapas cruciais para análise por espectrometria de massas. Através da aplicação de forças elétricas e magnéticas, a energia e velocidade de espécies iônicas podem ser controladas, auxiliando na separação e detecção. Referências A importância do controle de qualidade na indústria farmacêutica. Disponível em: https://www.mastereditora.com.br/periodico/20141106_165613.pdf Aplicações das técnicas de cromatografia no diagnóstico toxicológico. Disponível em: https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/67/o/Daniel_Goulart_1c.pdf?1349116580 Desenvolvimento farmacotécnico e analítico de comprimidos revestidos de Montelucaste: equivalência farmacêutica e bioequivalência. Disponível em: https://repositorio.bc.ufg.br/tedeserver/api/core/bitstreams/0a201d36-c679-4093-a53 f-87cfe28ec643/content Impurezas farmacêuticas: análise do contexto nacional e internacional. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/184749/001020655.pdf?sequence=1&is Allowed=y Introdução aos métodos espectrométricos. Disponível em: https://www2.ufjf.br/nupis//files/2010/10/aula-5-UV-VIS.pdf Princípios da análise volumétrica e titulometria ácido-base. Disponível em: https://cesad.ufs.br/ORBI/public/uploadCatalago/15125611102012Quimica_Analitica _II_Aula_5.pdf Titulação em química analítica. Disponível em: https://www2.ufjf.br/nupis//files/2016/08/aula-2-introdu%c3%a7%c3%a3o-%c3%a0-ti tula%c3%a7%c3%a3o-e-titula%c3%a7%c3%a3o-%c3%a1cido-base.pdf Strategic Analysis of the World Pharmaceutical Industry. Disponível em: https://www.proquest.com/docview/221282682 https://www2.ufjf.br/nupis//files/2010/10/aula-5-UV-VIS.pdf