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Oftalmo – Neoplasias Oculares Introdução: Nessa aula abordaremos os tumores da pálpebra, superfície ocular e intraoculares. Tumores das Pálpebras: Sinais de malignidade dos tumores palpebrais • Lesão de crescimento lento e indolor • Margens elevadas, perláceas, translúcidas com ulceração central • Ulceração com drenagem, sangramento e formação de crosta. 1. Papiloma ou hiperplasia epitelial • Termo genérico para denominar um epitélio que cresce com projeções digitiformes em torno de um corio vascular • Tumor benigno mais comum da pálpebra no adulto. • Esse não tem relação viral, é mais um termo genérico para crescimento digitiforme. • Tem várias formas de apresentação – pode ser séssil, pediculado ou verrucoso • Vários graus de pigmentação – coloração da pele ou pigmentados • Mais comum em idade mediana ou idosos • Tratamento: não necessariamente precisa de uma conduta, seria algo mais estético. 2. Carcinoma Basocelular: • Tumor maligno palpebral mais comum (representam cerca de 90-95% dos tumores malignos palpebrais) • Localização: o Maioria na pálpebra inferior (50- 60%) o Canto medial (25-30%) • Fatores de risco o Pele clara, idade média, idosos o Exposição prolongado ao sol • Representa uma mortalidade de 3% • Alta taxa de cura com tratamento com mortalidade baixa mesmo em lesões avançadas (a metástase é infrequente) • Tratamento cirúrgico o Envolvimento do canto medial -> remoção do sistema de drenagem lacrimal. o Invasão de outros tecidos: ocorre em casos negligenciados, tratamento inadequado ou formas atípicas → nesses casos o tratamento é a exenteração (retirada do globo ocular, pálpebras, musculatura extrínseca, gordura – deixando apenas a parte óssea) 3. Hemangioma capilar • Tumor benigno palpebral mais comum na infância • Lesão vascular presente ao nascimento • Apresenta um padrão de regressão (vai involuindo com o tempo) → normalmente cresce no primeiro ano de vida, involuindo no segundo e desaparecendo aos 4 anos. • sua aparência pode ser superficial ou profunda com aspecto violáceo • pode ter influencia de angioblastos placentários que migraram e se implantaram no feto, levando ao desenvolvimento do hemangioma capilar. • tratamento o vai depender se afeta ou não o eixo pupilar, normalmente se eixo pupilar livre -> não precisa tratar o se forem casos de estarem no eixo pupilar o trantamento é feito com propranolol, existem outras drogas como corticoide local, mas a mais usada é o propranolol com uma boa resposta. 4. Carcinoma espinocelular: • 40x menos comum que o carcinoma espinocelular • Mais relacionado com pacientes mais jovens e com algum grau de imunossupressão. • Mais agressivo e com potencial metastático maior. • Se desenvolvem em áreas de queratose actínica e lesões solares • Tratamento: excisão (retirada cirúrgica do tumor) com margens amplas. 5. Carcinoma de glândulas sebáceas • Altamente maligno, potencialmente letal • Origem do carcinoma pode estar: o Glândulas de meibomius (produz componente sebáceo para lágrima) do tarso (mais comum) o Glândulas de zeis associadas aos cílios o Glândulas sebáceas da carúncula, supercilio ou pele facial • Mais frequente no sexo feminino • Mais frequente na pálpebra superior o 6-8% acometem a pálpebra superior e inferior • Apresentação clínica: o Coloração amarela (material lipídico) dentro das células neoplásicas o Diagnostico diferencial com calázio e blefarite (se for unilateral lembrar de pensar em carcinoma) ▪ Lesões que se repetem sempre no mesmo lugar. • Metástase em 30% dos casos -> a metástase se dá por disseminação linfática principalmente para linfonodos submandibulares e pré-auriculares. • Mortalidade alta. • Tratamento: cirúrgico com uma boa margem de segurança. 6. Nevus: • Tumor benigno mais frequente na pálpebra da linhagem melanocítica • Potencial de malignização baixo (mas sempre deve ser acompanhado) • Classificação o Juncional – somente na parte basal do epitélio o Composta o Intradérmico A forma juncional e composta tem algum potencial de malignidade embora baixo e o intradérmico não há potencial de malignização • Tratamento: estético ou funcional → acompanhamento. 7. Melanoma • Representam 5% dos tumores cutâneos e apenas 1% das malignidades das pálpebras • Podem ser primários ou a partir de um nevo melanocítico • Conduta: o Excisao cirúrgica o Avaliação histopatológica das margens o Dissecção regional de linfonodos o Avaliação metastática pré-operatórias em tumores > 1,5 mm • A disseminação é pela via linfática (linfonodos pré- auriculares e submandibulares) • O estadiamento do risco de metástase do tamanho da lesão o Lesões menores -> menor a chance de metástase (lesões planas < 0,75 mm – sobrevida em 5 anos de 98%) o Lesões espessas (> 4 mm) -> sobrevida em 5 anos menor que 50% 8. Outros tumores • Cisto de Moll (glândula sudorípara) – segunda lesão benigna mais comum, é um hidrocistoma de glândula sudorípara na margem da pálpebra. • Cisto de Zeiss (cisto sebáceo) – cisto sebáceo do folículo palpebral • Hemangioma capilar adquirido – é mais presente em idosos (terceira imagem acima) requer apenas acompanhamento. • Ceratoacantoma - uma lesão pré-maligna semelhante ao CBC. Às vezes o diagnóstico diferencial só é possível através do histopatológico. • Ceratose seborreica – lesão benigna com proliferação de células da camada basal do epitélio, tem cor mais acastanhada e faz diagnostico diferencial com melanoma. Tumores de superfície ocular: Lembrando que a superfície ocular é composta pela conjuntiva (bulbar, fundo de saco e palpebral) e a córnea. 1. Dermoide epibulbar ou dermolipoma • É congênito • Com localização no limbo e na região temporal inferior (mais frequente) • É um coristoma – proliferação tecidual de um tecido maduro e bem formado que não é típico daquela região (fâneros, tecido ósseo, gordura) o Lembrando que o coristoma é diferente do hamartoma que é um nome genérico para uma tumoração de tecidos próprios, como ocorre na Neurofibromatose • Tratamento: o Indicação de tratamento depende do tamanho e da privação do estímulo visual -> risco de ambliopia ou de desconforto visual. Atenção: Na presença de dermoide é importante pesquisar a Síndrome de Goldenhar, uma alteração do desenvolvimento que leva a: • Alteração dos arcos costais • Malformação facial (atrofia de mandíbula, apêndices pré-auriculares, mandibulares e oculares) • Anormalidades vertebrais • Malformação – renal, GI, GU... 2. Papiloma conjuntival • Geralmente relacionado com o HPV (sorotipos diferentes da transmissão sexual) • Acomete crianças e adultos jovens (bimodal – incidência) • Sinais cardinais o Múltiplos ou bilaterais ou únicos (adultos costumam ser únicos) o Acomete o fornix ou a conjuntiva bulbar • Tratamento: exérese no touch com crioterapia (não tocar para não ter a disseminação para outros tecidos) 3. Carcinoma espinocelular (atenção na superfície ocular NÃO EXISTE CARCINOMA BASOCELULAR) • É o tumor maligno mais frequente da superfície ocular • Acomete mais brancos a partir da 6ª década de vida • Mais comum na região limbar • Fatores de risco: o Exposição UV o Idade avançada o Sorotipos 16 e 18 HPV o Imunossupressão. • Apresentação clínica variável que no início pode lembrar pterígio e também com melanoma (quando a lesão é mais pigmentada) • Tratamento: exérese o touch com margem de segurança + crioterapia 4. Nevus da conjuntiva • Tumor benigno mais frequente da superfície ocular • Mais comum em crianças ou adultos jovem •Sinais cardinais o Delimitado o Pouco elevado o Localização o Cistos • Lembrar se sempre acompanhar, pois pode ocorrer transformação maligna. • Normalmente tem a presença de um vaso nutridor e pode ter um cisto Intralesional (sinal de cronicidade) • O nevus pode ser amelanótico também (sem pigmento) • Tratamento: mudança da lesão ou crescimento documentado / quando já surge no adulto. 5. Melanoma de conjuntiva • É uma lesão com borad irregular com muitos vasos • Pode surgir: o um nevus pré existente o pode originar já como um melanoma (melanoma de novo) – mais raro. o Melanose primária adquirida (PAM) – Pigmento conjuntival que surge escure a conjuntiva ▪ Necessita de biopsia → se existir atipia chance alta de melanoma, se não existir é so acompanhar. • Tratamento o Exérese da lesão cirúrgica com margens amplas (3-5mm) + crioterapia + acompanhamento para doença metastática por um tempo prolongado (preferencia por linfonodos e depois sistêmicas osso, pulmão e cérebro) o Invasão orbitária → enucleação modificada, exenteração Tumores intraoculares: Relembrando: • Túnica interna – retina • Túnica média – tecido uveal (íris, corpo ciliar e coroide) → A MAIORIA DOS TUMORES TEM ORIGEM NA TUNICA MÉDIA (TANTO PRIMÁRIO COMO SECUNDÁRIOS) • Túnica externa – esclera e córnea. 1. Metástases oculares: • São as lesões mais frequentes da neoplasia maligna ocular • Casos são subdiagnosticados o Estado do paciente o Não valorização dos sintomas • Via hematogênica • Estruturas acometidas o Tecido uveal ▪ Coroide (93%) e íris/corpo ciliar (7%) ▪ Conjuntiva, vítreo e nervo optico – raros. • Maioria são carcinomas (tumores de origem epitelial) e menos frequentemente os sarcomas e melanomas. o Origem no homem – pulmão o Origem na mulher – mama • Fundo de olho com a característica de pele de leopardo – lesões esbranquiçadas múltiplas bilateral (característico da metástase coroidal) e pode evoluir com descolamento de retina. 2. Nevus da íris • Benigno • Localização – tecido uveal (inferior) • Acompanhamento 3. Melanoma de íris • Muito raro • Pode surgir a partir do nevus o Crescimento o Diâmetro > 3mm 4. Nevo de coroide • Definição – lesão melanocítica < 5 mm no maior diâmetro e < 1 mm de altura → vista no fundo de olho • Prevalência de nevus: muito variável 0,2-30% • Geralmente assintomáticos • Transformação maligna de nevus 1/8000 ano • Estacionário • Fatores preditivos de transformação maligna o Fluido sub-retiniano o Pigmento alaranjado o Espessura > 2 mm o Proximidade com NO 5. Melanoma uveal • Tumor maligno primário mais frequente intraocular • Sitio mais frequente – coroide • Fatores de risco o Brancos o Íris clara o Idade • Baixa visual, fotopsias e descolamento da retina • Casos avançados – invasão orbitária (dor/ infiltração escleral) • Tendencia a doença metastática (acompanhamento) • Tratamento ➔ Pequeno – braquiterapia ➔ Médio – braquiterapia + TTT (terapia sanduiche) ➔ Grande – enucleação + radiação com feixe de prótons + braquiterapia + ressecção local 6. Retinoblastoma • Mais comum dos tumores intraoculares da infância • Lesões determinadas geneticamente – mutação do gene RB do cromossomo 13 • Acomete um ou ambos os olhos • 90% de novo (maioria já nasce maligno então a historia familiar negativa não exclui a doença) • 10% familiar • Teorias Mutação germinativa (1/3 dos casos) o Acometimento bilateral o Segundo tumor não ocular o Determina retinoblastoma e outros tipos de tumores não oculares o Padrão germinativo o 50% de chance de transmitir para a prloe Mutação somática (2/3 dos casos) o Acometimento unilateral o Mutação apenas na célula da retina o Não transmite para a prole • Sinais mais frequentes o Leucocoria o Celulite orbitária o Endoftalmite (aumento do olho pela pressão) o Estrabismo (SINAL MAIS FREQUENTE NO RETINOBLASTOMA) o Uveite • A medida que cresce a lesão calcifica • Diagnostico clinico o Tumor intraocular → sobrevida de 95% o Tumor extraocular → mortalidade de 60- 100% • Tratamento o Enucleação ▪ Tumor avançado, é a forma mais frequente de tratamento no nosso meio ▪ 95% cura • Tratamento conservador – depende do diagnostico precoce 7. Hemangioma da coroide • Tipos o Circunscrito ▪ Tumor vascular benigno ▪ Alaranjado, localização posterior ▪ Sem associação sistêmica ▪ Achado incidenta ▪ sintomas – acumlo de fluido sub- retiniano ou ambliopia por anisometropia o difuso ▪ Relacionado com a sindrome de Sturge Weber → hemangiomatose no territorio de inervaçao do nervo trigemio e cerebral ▪ Lesão violacia na região do trigemio ▪ É um hemangioma cavernoso que não regride