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UNIDADE DE APRENDIZAGEM A VERDADE CIENTÍFICA E OS TIPOS DE CONHECIMENTO Produção Acadêmica e de Pesquisa 1 • Apresentação do Ebook • Objetivos da Disciplina • Unidade 1 • Unidade 2 • Unidade 3 • Unidade 4 • Unidade 5 • Unidade 6 ............. 03 ............. 04 ............. 04 ............. 09 ............. 16 ............. 22 ............. 29 ............. 39 Sumário 3 Apresentação do E-book: Olá! Sejam bem-vindos à disciplina Produção Acadêmica e de Pesquisa! Durante nosso percurso na disciplina, estudaremos os se- guintes temas: Ciência e Tipos de Conhecimento; Conceito de ciência e natureza do conhecimento do método científico; Lin- guagem acadêmica e científica; Fundamentos da Metodologia Científica. Gêneros textuais; Métodos e Técnicas de Pesquisa; Fontes de Pesquisa Científica, Normas para Elaboração e apre- sentação de Trabalhos Acadêmicos; Classificação da Pesquisa; Compreensão do projeto de pesquisa; As novas tecnologias para pesquisa científica e O papel do pesquisador na divulga- ção de resultados. Para compor nosso conteúdo, dividimos a disciplina em 6 unidades, conforme segue: Aula 1 - A verdade científica e os tipos de conhecimento Aula 2 - A construção do conhecimento científico: a co- munidade científica e sua linguagem Aula 3 - Ciência: uma questão de método Aula 4 - Gêneros textuais acadêmicos: fontes, técnicas de leitura, recepção e redação de textos acadêmicos Aula 5 - Delineando um projeto de pesquisa: normas téc- nicas e apresentação de trabalhos Aula 6 - Dados e Tecnologia em pesquisa: Inserção na pes- quisa acadêmica e perspectivas de divulgação A pesquisa científica e a produção acadêmica estarão com você ao longo de toda sua jornada na graduação. Esta dis- ciplina foi preparada para você desenvolver esse caminho. Bons estudos! 4 Para início de Conversa: A produção acadêmica e de pesquisa são fundamentais para o avanço do conhecimento em várias áreas do conheci- mento, bem como para a expansão do conhecimento científico e para a resolução de problemas na vida real. O tema inclui a publicação de pesquisas em livros, capítulos de livros, revistas especializadas e outras formas de divulgação, que permitem que os resultados das pesquisas sejam compartilhados e aces- síveis à comunidade acadêmica, científica e à sociedade em geral. A pesquisa acadêmica visa abordar questões teóricas e empíricas, ajudando a compreender e explicar fenômenos, criar teorias e sugerir soluções para problemas científicos, sociais e tecnológicos. A partir deste momento, falaremos sobre os cami- nhos que trilha um estudante da graduação dentro deste tema! Objetivos da Disciplina: Entre os objetivos desta disciplina, destacam-se: - Conhecer e analisar criticamente o conceito de ciência e de método científico; - Desenvolver habilidades de escrita de gêneros textuais no âmbito acadêmico, considerando a importância da prática da leitura, da oralidade e das múltiplas linguagens no pro- cesso dessa aprendizagem. - Compreender o sentido/significado do conhecimento cien- tífico e outras formas de conhecimento; - Aplicar fundamentos teóricos para o emprego adequado da metodologia da pesquisa; - Conhecer as etapas de um projeto de pesquisa científica. - Proporcionar amplo entendimento sobre uso de tecnolo- gia em pesquisa. FONTE: HTTPS://PIXABAY.COM/PT/VECTORS/C%C3%A9REBRO-PENSAR- PSICOLOGIA-ARVORES-4866447/ 5 Objetivo de Aprendizagem do Capítulo: • Esta unidade visa trazer a você a compreensão sobre o sentido/significado do conhecimento científico e como ocorrem outras formas de conhecimento. 1. VERDADE E CONHECIMENTO CIENTÍFICO Conforme Casarin e Casarin (2012, p.13), definir o que é ciência não é uma tarefa fácil. “A noção de ciência teve sua origem na antiga Grécia, onde o conhecimento científico era demonstrado através de argumentos lógicos mediante obser- vação de fenômenos”. Ainda segundo os autores, ao longo do tempo, a ciência foi passando por mudanças e passou a ser considerada sob três aspectos: como conhecimento ou sistema de enunciados provisoriamente estabelecidos (conhecimento científico); como busca da verdade e produtora de ideias (inves- tigação científica) e como produtora de bens materiais (tecno- logia). O termo “verdade científica” refere-se à compreensão co- mum dos fenômenos naturais e do mundo em geral, baseada em evidências científicas. É importante entender que a ciência procura descobrir coisas cada vez mais precisas, em vez de en- contrar verdades absolutas. Uma metodologia rigorosa é a base da verdade científica, que inclui a formulação de hipóteses, testes empíricos, revisão por pares e replicação independente dos resultados. 6 teorias. A comunidade científica é fundamental para o desenvolvi- mento do conhecimento científico. Os pesquisadores divulgam suas descobertas por meio de apresentações em conferências, publicações em revistas científicas revisadas por pares e discus- sões em grupos de pesquisa. A linguagem científica é rigorosa, precisa e imparcial. Os cientistas usam terminologia especializada para transmitir seus conceitos de forma clara e precisa, permitin- do que outros pesquisadores entendam e avaliem suas pesquisas. Em síntese, a verdade científica é uma interpretação da realidade que foi obtida por meio de um processo de cons- trução do conhecimento baseado na ciência. Esse proces- so é apoiado por uma variedade de tipos de conhecimento e a comunidade científica desempenha um papel significati- vo na confirmação e comunicação dos resultados científicos. A construção do conhecimento científico envolve uma variedade de tipos de conhecimento. Alguns exemplos são: Conhecimento empírico: é o conhecimento obtido por meio de observação ou experiência prática. Conhecimento empírico: é o conhecimento obtido por meio de observação ou experiência prática. Conhecimento teórico: é baseado em modelos e teorias que visam descrever e predizer fenômenos. Conhecimento intuitivo: é definido como idéias e/ou insi- ghts que parecem ter sua origem fora da razão ou do conheci- mento direto. Conhecimento autoritário: é baseado em informações de especialistas ou autoridades de um campo específico. Conhecimento científico: refere-se ao desenvolvimento de explicações verificáveis e replicáveis, bem como ao teste de hipóteses. 1.1 Construção de informações científicas A construção do conhecimento científico é uma atividade contínua e interativa. Os cientistas projetam experimentos ou coletam dados para testar hipóteses, baseiam-se em observa- ções e no que sabem atualmente, e então tiram conclusões. Esses resultados podem levar a revisões ou criação de novas FONTE: HTTPS://PIXABAY.COM/PT/VECTORS/COMPUTADOR-PORT%C3%A1TIL- CONHECIMENTO-1749345/ 7 Conhecimento das relações sociais: ao nos relacionarmos, podemos obter conhecimento empírico sobre comportamen- tos sociais e dinâmicos de relacionamento conversando com outras pessoas e observando suas reações. Importante: Casarin e Casarin (2012, p.16), destacam que a ciência é a principal contribuinte para o progresso da humanidade, visto que todo o todo desenvolvimento científico nos traz benefícios em diversas áreas. Ainda, os autores destacam que o conheci- mento pode ser dividido em quatro tipos: 1 – Empírico: fundamentado na experiência; 2 – Científico: fundamentado na razão; 3 – Filosófico: fundamentado na reflexão; 4 – Teológico: fundamentado na fé. Curiosidade: Entre os séculos XV e XVII, o modelo grego de fazer ciên- cia sofreu uma mudança drástica, quando o método conheci- do como científico-experimental (empírico) passou a ser predo- minante. Para explicar tal fenômeno, o novo modelo adotado deveria obedecer a uma sequência lógica: experimentação, for- mulação de hipóteses, repetição do experimento e formulação da lei para explicar o fenômeno (CASARIN; CASARIN, 2012, p.14) O conhecimentoempírico é adquirido por meio da ob- servação ou experiência prática. É baseado no que uma pessoa está testemunhando ou vendo em seu entorno. Exemplos: Conhecimento sobre as coisas naturais: aprendemos co- nhecimento empírico sobre os padrões de movimento do sol quando observamos o céu e percebemos que o sol nasce ao leste e se põe a oeste. Da mesma forma, aprendemos empirica- mente sobre o calor tocando uma superfície quente e sentindo a sensação de queimação. Habilidades práticas: o conhecimento empírico pode ser adquirido por meio de experiências práticas, como aprender a andar de bicicleta, dirigir um carro ou cozinhar. Repetição, fe- edback sensorial e tentativa e erro são os métodos pelos quais essas habilidades são desenvolvidas. FONTE: HTTPS://PIXABAY.COM/PT/VECTORS/ID%C3%A9IA- EDUCA%C3%A7%C3%A3O-O-NEG%C3%B3CIO-LENDO-6858948/ 8 Referências: CASARIN, Helen de Castro Silva; CASARIN, Samuel José. Pes- quisa científica: da teoria à prática. Curitiba: Intersaberes, 2012. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Lei- tor/Publicacao/5992/pdf/0 CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino; SILVA, Roberto da. Metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/ Leitor/Publicacao/341/pdf/0Considerações Finais: Atualmente a sociedade traz uma dinâmica mais acele- rada que a do século passado. A informação a qual as pessoas têm acesso democratizaram cenários ampliando o conheci- mento. Pesquisar é desbravar mundos e colocar em prática é produzir novos conhecimentos. O conhecimento científico é uma forma sistemática e confiável de aprender sobre o mundo natural e social, baseado em métodos científicos como obser- vação, experimentação e análise crítica. O objetivo do conhe- cimento científico é explicar, prever e controlar os fenômenos que acontecem em nosso mundo. Como é baseado em evidên- cias empíricas e submetido a revisões por pares, oferece uma base sólida para o desenvolvimento do conhecimento e para a tomada de decisões conscientes. FONTE: HTTPS://PIXABAY.COM/PT/VECTORS/PONTO-DE-INTERROGA%C3%A7%C3%A3O- ABSTRACT-1751308/ 9 UNIDADE DE APRENDIZAGEM A VERDADE CIENTÍFICA E OS TIPOS DE CONHECIMENTO: A LINGUAGEM PARA A DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA Produção Acadêmica e de Pesquisa 2 10 Para início de Conversa: O homem científico não pretende alcançar um resultado imediato. Ele não espera que suas ideias avançadas sejam imediatamente aceitas. Seus traba- lhos são como sementes para o futuro. Seu dever é lançar as bases para aqueles que estão por vir e apon- tar o caminho. NIKOLA TESLA A ciência tem sido fundamental para os grandes feitos da humanidade, e a sociedade continua evoluindo. A ciência avan- ça tão rápido que a sociedade tem dificuldade em acompa- nhá-la e, muitas vezes, compreendê-la. Como resultado, é ainda mais importante aumentar a conscientização das populações sobre os resultados desses avanços científicos e tecnológicos. Esse é o primeiro passo para assumir uma posição crítica em relação às mudanças que têm um impacto direto na vida das pessoas. A ciência tem feito grandes progressos nas últimas dé- cadas, e outros meios também têm visto isso. Os avanços tec- nológicos e o conhecimento científico têm atraído as pessoas para seu universo de observações e teorias. As revoluções tec- nológicas dos últimos séculos tiveram um impacto significativo nas transformações sociais. A eletricidade, os motores de com- bustão interna, os produtos químicos sintetizados de resíduos de centrais termoelétricas, a fabricação de aço e o surgimento das telecomunicações foram os principais impulsionadores da Segunda Revolução Industrial em meados do século XIX. A ciência é um caminho de acesso à realidade, e a pesqui- sa científica e sua divulgação são formas de tornar acessíveis os avanços contínuos do saber. Uma das principais preocupações do homem é fazer ciência. FONTE: HTTPS://PIXABAY.COM/PT/VECTORS/TUBOS-DE-ENSAIO-REAGENTES- QU%C3%ADMICA-155769/ 11 1. A LINGUAGEM PARA A DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA Existem várias razões pelas quais a divulgação científi- ca pode ser dirigida para melhorar a educação e aumentar o conhecimento público sobre o processo científico e sua lógica. Nesse caso, a informação pode ser transmitida com um obje- tivo prático de ensinar as pessoas sobre como descobrir e re- solver problemas cientificamente estudados, bem como com um objetivo cultural de despertar a curiosidade científica nos humanos, por exemplo. Com o objetivo cívico de formar uma opinião pública informada sobre como o avanço científico e tecnológico afeta a sociedade, principalmente em áreas do processo de tomada de decisão. A transmissão de informações científicas tem o objetivo de aumentar a consciência do cida- dão sobre questões científicas divulgadas. O desenvolvimento da ciência e da tecnologia vem acom- panhando a divulgação científica. Os cientistas não estão mais confiantes uns com os outros e estão levantando questões pre- ocupantes sobre a aplicação em massa da ciência no mundo e sobre seu status como método privilegiado de compreensão. A divulgação da ciência para o grande público requer uma habili- dade de transformar o conteúdo original em algo que seja mais próximo do entendimento de um público leigo, sem se tornar Objetivo de Aprendizagem do Capítulo: • Esta unidade visa trazer a você a compreensão sobre ci- ência e divulgação científica, além de exercitar com você o pensamento crítico sobre como a sociedade absorve os conteúdos científicos. 12 simplista, enquanto a divulgação da ciência para os pares re- quer conhecimento prévio e comum a todos. No entanto, não vamos discutir a transformação em detrimento da informação; é necessário considerar uma mudança estrutural que possa priorizar a estrutura fundamental da informação científica, a partir de um modo mais claro de ser compreendido pelo gran- de público. 1.1 Ciência para cientistas versus ciência para o grande público Muito se tem discutido sobre como a ciência pode ser divulgada de forma ampla e eficaz na internet, embora seja evidente que existe um enorme potencial para o sucesso. Até algumas décadas atrás, a ciência era transmitida principal- mente por meios impressos, como revistas e jornais. Posterior- mente, a televisão permitiu que a ciência progredisse em seus canais e programação. A capacidade da internet de promover e popularizar a ciência ainda é usada de forma modesta. Vejamos algumas formas de divulgação científica: 1. Artigos científicos: é comum os cientistas escreverem para revistas científicas que são revisadas por pares. Descober- tas, metodologias e análises de dados são discutidos nesses artigos. Os cientistas divulgam suas descobertas e ajudam a comunidade científica por meio dessas publicações. 2. Simpósios e conferências: simpósios e conferências científicas são eventos importantes em que os cientistas se re- únem para apresentar suas pesquisas. Os cientistas têm opor- tunidades de compartilhar conhecimento, conversar e traba- lhar juntos nesses eventos. 3. Grupos de pesquisa e/ou laboratórios: os pesquisadores se comunicam regularmente em grupos de pesquisa ou labo- ratórios para discutir ideias, compartilhar resultados prelimi- nares, discutir estratégias experimentais e trabalhar juntos em projetos conjuntos. Esses ambientes permitem reuniões e con- versas informais. 4. Comunicação eletrônica: os pesquisadores se comuni- cam por e-mail para trocar informações, fazer perguntas, soli- FONTE: SHARAKU1216 13 Curiosidade: Características do texto científico Impessoal Evitar usar a primeira pessoa do singular (eu) ou do plural (nós), a fim de transmitir sua natureza objetiva. Objetivo Não emitir opiniões pessoais; isto é, evitar o uso de ele- mentos subjetivos. O texto é baseado em observações sobre os resultados obtidospor meio de evidências científicas. Conciso Ele diz o que quer dizer, usando apenas o número de pa- lavras necessárias. Preciso citar colaboração e compartilhar artigos ou documentos perti- nentes. Além disso, um grande número de pesquisadores usa plataformas de mídia social acadêmica para se conectar com colegas, ficar de olho nas pesquisas mais recentes e divulgar seus próprios trabalhos. Há, ainda, páginas pessoais, blogs e outras fontes eletrônicas para essa comunicação. Como vimos, há a comunicação entre os pesquisadores e há também a forma como as pesquisas vão para o conheci- mento da opinião pública. Ou seja, a mesma linguagem que se usa para os pares não pode ser usada para o grande público, pois a forma de passar a informação pode não ser familiar ao público e este, por fim, deixar de ter interesse pelo assunto. A linguagem científica deve ser explicativa, trazer um texto claro, aproximar-se da sociedade. A ciência deve ser vista como um objetivo social, um fa- tor essencial para o desenvolvimento das pessoas e dos povos. É uma maneira eficiente e democrática de levar a sociedade a apropriar-se da cultura científica, incluindo sua linguagem, normas e princípios, e apresentar a ciência como uma forma de entender e relacionar-se com o mundo. FONTE: HTTPS://PIXABAY.COM/PT/VECTORS/LIVROS-EDUCA%C3%A7%C3%A3O- LIVROS-DID%C3%A1TICOS-25154/ 14 Considerações Finais: A linguagem científica é fascinante porque visa tornar as coisas claras para os cientistas e eliminar ambiguidades. Os pesquisadores geralmente recorrem a uma linguagem técni- ca e especializada, com termos e conceitos específicos de suas áreas de estudo para atingir esse objetivo. No entanto, essa precisão também pode resultar em uma linguagem densa e complicada, tornando a leitura de artigos científicos difícil para pessoas que não estão familiarizadas com o campo de pesquisa em questão. Assim, a capacidade de traduzir conceitos complexos em termos mais fáceis de enten- der e compreender é uma habilidade essencial para os cientis- tas. Além disso, existem padrões na linguagem científica so- bre como os artigos científicos devem ser estruturados e for- matados. O objetivo dessas convenções, que incluem a sepa- ração de tópicos como introdução, metodologia, resultados e discussão, é fornecer uma estrutura padrão para que os pesqui- sadores possam apresentar seus resultados de forma organiza- da e compreensível. Em resumo, a linguagem científica é caracterizada por ser precisa e objetiva, mas pode se tornar complexa e difícil de entender para os não especialistas. No entanto, a comunica- Tenha cuidado para dizer exatamente o que você quer dizer. Use conectores para fazer o sequenciamento simples de frases, assim como tempos verbais simples. Claro É compreensível para o tipo de público a que se destina. A precisão com a qual os fatos ou evidências são expostas é o que dá a um artigo ou discurso científico valor probatório e veracidade. Fonte: https://maestrovirtuale.com/linguagem-cientifica- -caracteristicas-funcoes-tipos/ 15 Referências: CASARIN, Helen de Castro Silva; CASARIN, Samuel José. Pes- quisa científica: da teoria à prática. Curitiba: Intersaberes, 2012. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Lei- tor/Publicacao/5992/pdf/0 CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino; SILVA, Roberto da. Metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/ Leitor/Publicacao/341/pdf/0 ção científica também envolve seguir padrões específicos para manter os resultados da pesquisa organizados e facilitar a com- preensão de conceitos complexos. 16 UNIDADE DE APRENDIZAGEM CIÊNCIA: UMA QUESTÃO DE MÉTODO Produção Acadêmica e de Pesquisa 3 17 Para início de Conversa: A busca constante pela verdade é uma característica dis- tintiva da ciência. Isso é feito revisando teorias e conceitos com base em novas descobertas e avanços tecnológicos. Com o tempo, os paradigmas da ciência mudam para fornecer infor- mações cada vez mais precisas e abrangentes. Isso demonstra que a ciência não é um campo estanque, e sim um campo vivo de novas descobertas. Além disso, o princípio da replicabilidade dos resultados é fundamental para a ciência. Isso significa que os resultados dos pesquisadores devem ser capazes de ser validados por ou- tros pesquisadores em diferentes contextos e condições experi- mentais. Isso reduz a probabilidade de erros ou vieses e garan- te que as informações científicas sejam confiáveis. A fim de garantir que a ciência ajude no avanço e no bem-estar da sociedade, há constantes discussões sobre a responsabilidade dos cientistas, como fazer uso adequado dos resultados da pesquisa e os efeitos socioambientais das desco- bertas. Por fim, a ciência não é apenas uma coleção de dados e informações coletadas ao longo dos anos. Ela é uma jorna- da incessante em busca da verdade, conduzida pelo método científico, que requer rigor, imparcialidade e revisão contínua de conceitos. A ciência ajuda a humanidade a aprender mais, superar obstáculos e abrir novas perspectivas para um futuro mais brilhante. Objetivo de Aprendizagem do Capítulo: • Conhecer e analisar criticamente o conceito de ciência e de método científico. 18 pesquisador; c) Observação controlada dos fenôme- nos: preocupação em controlar a qualidade do dado e o processo utilizado para sua obtenção; d) Originalida- de: trabalho criativo, original; e) Coerência: argumen- tação lógica, bem estruturada, sem contradições; f) Consistência: base sólida, resistente a argumentações contrárias; g) Linguagem precisa: sentido exato das palavras, restringindo ao máximo o uso de adjetivos; h) Intersubjetividade: opinião dominante da comuni- dade científica de determinada época e lugar. Para colocar em prática o método científico experimental, Pinto et al. (2023, s.p.) detalham alguns procedimentos a serem seguidos: 1. Observação: o pesquisador detecta algo a ser investigado, por exemplo, um material ou um fenô- meno físico ou químico; 2. Problematização: para elaborar o problema, pode-se formular uma pergunta, como por exemplo “Por quê e como esse fenômeno ocorre? Quais são os 1. O MÉTODO CIENTÍFICO O núcleo da ciência é o método científico, um processo organizado que orienta a pesquisa científica. A criação de uma pergunta ou problema, a coleta de dados pertinentes, a criação de uma hipótese explicativa, a realização de experimentos ou observações controladas, a análise dos resultados e a elabora- ção de conclusões são todos componentes desse método. A busca pela objetividade é uma característica essencial do método científico. Ao realizar pesquisas, os cientistas se esforçam para eliminar qualquer viés pessoal ou preconceito, buscando evidências empíricas e confiáveis para sustentar suas conclusões. Além disso, como a ciência é um campo aberto, ou- tros cientistas podem revisar, replicar e refutar suas descober- tas. O objetivo principal do método científico é testar hipóteses. Conforme Dias e Fernandes (2000, p. 1), [...] os critérios de cientificidade normalmente citados na literatura científica são: a) Objeto de estu- do bem definido e de natureza empírica: delimitação e descrição objetiva e eficiente de realidade empiri- camente observável, isto é, daquilo que se pretende estudar, analisar, interpretar ou verificar por meio de métodos empíricos; b) Objetivação: tentativa de co- nhecer a realidade tal como é, evitando contaminá-la com ideologia, valores, opiniões ou preconceitos do FONTE: HTTPS://PIXABAY.COM/PT/VECTORS/ORIGINAL-O-NEG%C3%B3CIO- DOCUMENTO-160131/ 19 fatores que originaram ele?” ou então “Qual é a com- posição do material e qual a sua importância?”; 3. Hipótese: a partir do questionamento, pro- põe-se respostas às perguntas, as quais serão poste- riormente testadas e avaliadas. Essasrespostas po- dem ser pautadas em seu conhecimento prévio sobre fenômenos ou materiais semelhantes, baseando-se em ciência de qualidade; 4. Experimentação: com base nas hipóteses levantadas, o cientista fará experimentos e pesquisas bibliográficas com o objetivo de encontrar a resposta para cada um dos questionamentos que foram elabo- rados; 5. Avaliação: por fim, os resultados obtidos serão analisados para que o cientista tenha algumas conclusões. Caso os resultados não sejam satisfa- tórios, novas hipóteses podem ser levantadas. Caso sejam, será possível fazer afirmações acerca dos fenô- menos ou materiais analisados, chamadas de teorias. Quando diferentes hipóteses e experimentações são realizadas e o resultado é sempre o mesmo, as teorias são consideradas como leis. 1.1 A ciência e o conhecimento Pinto et al. (2023) destacam que para que o conhecimen- to seja considerado científico, é necessário analisar as particu- laridades do objeto ou fenômeno em estudo e citam Lakatos e Marconi quando apresentam dois aspectos importantes: a) “a ciência não é o único caminho de acesso ao conhecimento e à verdade”; b) um mesmo objeto ou fenômeno pode ser observa- do tanto pelo cientista quanto pelo homem comum; o que leva ao conhecimento científico é a forma de observação do fenô- meno. A partir da ideia de que a finalidade da ciência é descobrir o conhecimento, pode-se dizer que o método científico é um conjunto de técnicas implementadas com o objetivo de atingir um objetivo específico. O método científico é um traço carac- terístico da ciência, pois é um instrumento básico que ordena inicialmente o pensamento em sistemas e traça os procedi- mentos do cientista ao longo do caminho para atingir um obje- tivo científico definido. Curiosidade: Como imaginamos um cientista FONTE: HTTPS://PIXABAY.COM/PT/VECTORS/O-NEG%C3%B3CIO-ID%C3%A9IA- ESTRAT%C3%A9GIA-4271251/ 20 Considerações Finais: Podemos dizer que a ciência é uma atividade que busca conhecimento lógico, coerente, consistente e controlado sobre os fenômenos naturais usando métodos de observação e análi- se. Ao criar inferências, teorias e distinguir as leis ou caracterís- ticas comuns que regem um fenômeno ou evento específico, a pesquisa científica tem como objetivo diminuir a quantidade de dúvida e desconhecimento existentes sobre esse fenômeno ou evento. A única preocupação dos pesquisadores deve ser a veraci- dade das descobertas, a quantidade de conhecimento e com- preensão sobre os fenômenos ou eventos estudados e o avanço da ciência, sem levar em consideração ideologias e preconcei- tos. Um conjunto de regras conhecido como método cientí- fico é aplicado para proteger a ciência e o próprio pesquisador de erros e precipitações. Os estereótipos dos filmes sobre cientistas foram lon- gamente construídos como homens, geralmente brancos, e extremamente loucos. Os filmes mostraram que uma carac- terística que os cientistas têm é a genialidade beirando a de- mência: os cientistas conseguem fazer coisas extremamente complexas que os indivíduos “normais” não poderiam alcançar. Os estereótipos criados pelo cinema dão a impressão de que a carreira de cientista é estranha ou não se encaixa nos “padrões” da sociedade. Além disso, isso leva as pessoas a se afastarem das questões científicas porque acreditam que essas questões são muito complexas e só os gênios podem entendê-las. Além disso, isso diminui a representatividade de quem somos como cientistas; portanto, é necessário aumentar o conhecimento dos cientistas reais. Pessoas que comem, dormem, choram, que têm sentimentos e que podem ser alguém da sua família ou até mesmo você. No filme Frankenstein, o qual mostrava um cientista maluco, esquisito, mas que também era extrema- mente comprometido com seu trabalho e também era ótimo no que fazia. Muitos de nós ficamos com essa representação de quem trabalha no laboratório e faz ciência (PINTO et al., 2023). 21 Referências: DIAS, Cláudia; FERNANDES, Denise. Pesquisa e método cien- tíficos. 2000, p. 1. Disponível em: https://docs.ufpr.br/~niveam/ micro%20da%20sala/aulas/tecnicas_de_pesquisa/pesquisacien- tifica.pdf MARTINS, Vanderlei; MELLO, Cleyson de Moraes (coord.). Me- todologia científica: fundamentos, métodos e técnicas. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2016. E-book. Disponível em: https://pla- taforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/37837/pdf/0 MASCARENHAS, Sidnei A. (org.). Metodologia científica. 2. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2018. E-book. Dis- ponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publica- cao/183213/pdf/0 PINTO, Luisa F. Ríos et al. Curiosidades: o que é ciência? Incen- tivando elas na ciência, 2023. Disponível em: https://www. blogs.unicamp.br/incentivandoelasnaciencia/?p=946 22 UNIDADE DE APRENDIZAGEM GÊNEROS TEXTUAIS ACADÊMICOS Produção Acadêmica e de Pesquisa 4 23 Para início de Conversa: Os gêneros textuais acadêmicos são um conjunto de estilos de escrita e comunicação comumente usados nos am- bientes acadêmicos e criados para expressar e transmitir infor- mações, pesquisas e pensamentos em uma variedade de áreas de estudo. Esses gêneros são instrumentos essenciais para o desenvolvimento do conhecimento científico e para o compar- tilhamento de informações. Os gêneros textuais acadêmicos são essenciais para a organização e apresentação clara das ideias em instituições de ensino superior e na produção científica. Isso permite que pes- quisadores, estudantes e profissionais se comuniquem de ma- neira precisa e padronizada. A validação e o reconhecimento das contribuições individuais ao campo do conhecimento tam- bém são facilitados pela adoção dessas formas de escrita. Cada gênero textual acadêmico tem suas próprias ca- racterísticas, incluindo estrutura, linguagem e objetivos. Eles também se adaptam aos diferentes objetivos da comunicação no contexto acadêmico. Esses gêneros, que incluem resumos, relatórios de pesquisa, resenhas e artigos científicos, estabele- ceram-se como ferramentas essenciais para a difusão de infor- mações e a promoção de conversas críticas entre acadêmicos e pesquisadores. Essa viagem pelos gêneros textuais acadêmicos ajuda a entender como eles se formam de acordo com as normas e convenções de várias áreas do conhecimento. Isso serve como base para o desenvolvimento intelectual e para a evolução da academia e da ciência como um todo. Ao dominar tais gêneros, estudantes e profissionais se tornam membros de uma comu- nidade global de pensadores, ajudando a expandir os horizon- tes do conhecimento. Objetivo de Aprendizagem do Capítulo: • Identificar os gêneros textuais acadêmicos e conhecer as fontes, técnicas de leitura, recepção e redação de textos acadêmicos. 24 1.1 A redação de textos acadêmicos: Fontes em textos acadêmicos são referências utilizadas para embasar e sustentar o conteúdo apresentado. Podem incluir livros, artigos científicos, teses, relatórios técnicos, sites confiáveis, entre outros materiais relevantes e confiáveis que possam contribuir para o embasamento teórico e a validade dos argumentos apresentados. As técnicas de leitura de textos acadêmicos envolvem estratégias para a compreensão efetiva do conteúdo. Isso inclui a identificação dos objetivos e estrutura do texto, a leitura aten- ta dos parágrafos, a identificação das ideias principais, a análise crítica e a reflexão sobre o conteúdo lido. Tais técnicas visam extrair o máximo de informações e conhecimentos dos textos acadêmicos. Já a recepção de textos acadêmicos refere-se à forma como os leitores compreendem e interpretam as informações apresentadas nos textos. Isso envolve a análise crítica, a avalia- ção da validade das fontes, a identificação de argumentos sóli- dos e a formação de opiniões embasadas. A recepção de textos acadêmicos é fundamental para a construção do conhecimen- to e a participaçãoefetiva no diálogo acadêmico. A redação de textos acadêmicos está ligada à produção de trabalhos escritos que seguem as normas e convenções acadêmicas. Isso inclui a organização estrutural do texto, o uso de linguagem formal e precisa, a citação adequada das fontes 1. O TEXTO ACADÊMICO Um gênero compreende uma classe de even- tos comunicativos, cujos membros compartilham alguns conjuntos de propósitos comunicativos. Esses propósitos são reconhecidos pelos membros especia- listas da comunidade discursiva de origem, e assim constituem a lógica para o gênero. Essa lógica molda a estrutura esquemática do discurso e influencia e constrange a escolha de conteúdo e estilo (SWALES, 1990, p. 58 apud SOUZA; BASSETTO, 2014). Os gêneros acadêmicos são entendidos como os textos escritos que são produzidos e que circulam no âmbito univer- sitário como meio de comunicação entre professores, pesqui- sadores e alunos, com diferentes propósitos comunicativos, por exemplo, divulgação de pesquisa, resumo de ideias, relatórios de atividades etc. A pesquisa acadêmica e científica acolhe os gêneros acadêmicos para poder avançar em sua construção. FONTE: HTTPS://PIXABAY.COM/PT/VECTORS/LISTA-%C3%ADCONE- S%C3%ADMBOLO-PAPEL-ASSINAR-2389219/ 25 utilizadas e a apresentação coerente dos argumentos e evidên- cias. A redação de textos acadêmicos busca a clareza, a objeti- vidade e a validade das informações apresentadas, com o obje- tivo de contribuir para o conhecimento em uma determinada área de estudo. As fontes são os materiais utilizados para embasar o con- teúdo de textos acadêmicos, as técnicas de leitura visam a uma compreensão efetiva desses textos, a recepção refere-se à inter- pretação crítica das informações e a redação trata da produção de trabalhos acadêmicos de forma adequada e válida. Veja no fluxo a seguir que escolher as fontes corretas an- tecede a organização da sua pesquisa e é essencial para que ela ocorra e chegue ao público. Os gêneros textuais são categorias que classificam os diferentes tipos de textos de acordo com suas características estruturais, funcionais e comunicativas. Eles podem variar de acordo com o contexto e o propósito da comunicação. - Vejamos alguns exemplos: 1. Narrativa: conto, romance, fábula, crônica. 2. Descritivo: relatório descritivo, resenha descritiva, perfil. 3. Argumentativo: ensaio argumentativo, artigo de opi- nião, resenha crítica. 4. Expositivo: artigo científico, livro didático, manual de instruções. 5. Instrucional: receita culinária, tutorial, manual de uso. 6. Dissertativo: dissertação acadêmica, dissertação argu- mentativa. 7. Poético: poema, soneto. 8. Jornalístico: notícia, reportagem, editorial. 9. Epistolar: carta, e-mail, mensagem. 10. Publicitário: anúncio, slogan, comercial de TV. Um trabalho científico é escrito sob a ótica do gênero tex- tual acadêmico-científico: formal, objetivo, sistemático e base- ado em pesquisa original. As características principais estão no fluxo a seguir: FONTE: A AUTORA (2023) 26 objetos de investigação. Há, então, conforme o caso: • conhecimento empírico; • conhecimento científico; • conhecimento filosófico; • conhecimento teológico. Para os autores Cervo e Bervian (2022, p. 6), a ciência, até o período da Renascença, era tida como um sistema de propo- sições rigorosamente demonstradas, constantes e gerais que expressavam as relações existentes entre seres, objetos, fatos e fenômenos da experiência. O conhecimento científico era ca- racterizado como: a) Certo, porque sabia explicar os motivos de sua certeza, o que não acontecia com o conhecimento empírico. b) Geral, no sentido de conhecer no real o que há de mais universal e válido para todos os casos da mesma espécie. A ci- ência, partindo do indivíduo concreto, procura o que nele há de comum com relação aos demais da mesma espécie. c) Metódico e sistemático, já que o cientista não ignorava que os seres e os fatos estavam ligados entre si por certas re- lações e seu objetivo era encontrar e reproduzir esse encadea- mento, o qual alcançava por meio do conhecimento ordenado de leis e princípios. Nessa perspectiva, o gênero artigo acadêmico-científico pode definir-se como o texto mais conceituado na divulgação do saber especializado acadêmico e científico. Sua função é ser uma forma de comunicação entre pesquisadores, profissionais, professores e alunos de graduação e pós-graduação. Pode-se definir o gênero acadêmico-científico como conjunto de proce- dimentos não padronizados adotados pelo investigador, orien- tados por postura e atitudes críticas adequadas à natureza de cada problema investigado. Curiosidade: Para Cervo e Bervian (2022), o homem, consequentemen- te o pesquisador, está se movendo dentro de quatro níveis di- ferentes de conhecimento. O mesmo pode ser feito com outros FONTE: A AUTORA (2023) 27 a entender como eles se formam de acordo com as normas e convenções de várias áreas do conhecimento. Isso serve como base para o desenvolvimento intelectual e para a evolução da academia e da ciência como um todo. Ao dominar tais gêneros, o pesquisador e profissionais se conectam globalmente para a expansão do conhecimento. A essas características acrescentam-se outras proprieda- des da ciência, como a objetividade, o interesse intelectual e o espírito crítico. Para ler mais sobre o método científico e suas forma- tações, consulte o texto: O histórico do método científico, de Cervo e Bervian(2022), disponível em: https://edisciplinas.usp.br/ pluginfile.php/4395121/mod_resource/content/1/Hist%C3%B3ri- co%20do%20m%C3%A9todo%20cient%C3%ADfico.pdf Considerações Finais: Ao desenvolver um texto, é necessário que estejamos com o formato adequado ao contexto. O receptor, que é a pessoa a qual se destina o texto, terá maior conexão com o conteúdo se soubermos levar o contexto correto à realidade deste. Cada gênero textual acadêmico tem suas próprias ca- racterísticas, incluindo estrutura, linguagem e objetivos. Eles também se adaptam aos diferentes objetivos da comunicação no contexto acadêmico. Esses gêneros, que incluem resumos, relatórios de pesquisa, resenhas e artigos científicos, estabele- ceram-se como ferramentas essenciais para a difusão de infor- mações e a promoção de conversas críticas entre acadêmicos e pesquisadores, de acordo com o contexto de cada pesquisa. Essa viagem pelos gêneros textuais acadêmicos ajuda 28 Referências: KÖCHE, Vanilda Salton; BOFF, Odete Maria Benetti; MARINELLO, Adiane Fogali. Leitura e produção textual: gêneros textuais do argumentar e expor. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 2014. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/ Leitor/Publicacao/149519/pdf/0 MARTINS, Vanderlei; MELLO, Cleyson de Moraes (coord.). Metodologia científica: fundamentos, métodos e técnicas. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2016. E-book. Disponível em: https:// plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/37837/pdf/0 MASCARENHAS, Sidnei A. (org.). Metodologia científica. 2. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2018. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/ Publicacao/183213/pdf/0 SOUZA, Micheli Gomes deI; BASSETTO, Lívia Maria Turra Bassetto. Os processos de apropriação de gêneros acadêmicos (escritos) por graduandos em letras e as possíveis implicações para a formação de professores/pesquisadores. In: Revista Brasileira de Linguística Aplicada, 20 dez. 2013. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/rbla/a/Ypm99GJVr7LyXsLsYyq7N7c/ abstract/?lang=pt>Acesso em 19 jul. 2023. 29 UNIDADE DE APRENDIZAGEM O PROJETO DE PESQUISA E AS NORMAS TÉCNICAS PARA TRABALHOS ACADÊMICOS Produção Acadêmica e de Pesquisa 5 30 Para início de Conversa: Para começar nosso estudo deste capítulo, olharemos para as etapas de um projeto de pesquisa e por onde começar. Vamos também conhecer algumas normas de padronização conformea Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. Após desenvolver uma pesquisa, o pesquisador precisa ter em mente que é preciso divulgar os resultados e isso pode ser feito de várias formas, sendo via publicações ou apresentações orais, por exemplo. Assim, trazemos para este momento de estu- dos também algumas indicações sobre o que é importante na apresentação de um trabalho acadêmico e científico. Objetivo de Aprendizagem do Capítulo: • Delinear um projeto de pesquisa e conhecer as normas técnicas para elaboração e apresentação de trabalhos. FONTE: HTTPS://PIXABAY.COM/PT/VECTORS/PROCURAR-SEO-INTERNET-MARKETING-1355847/ 31 uma prévia do que será a pesquisa. De modo geral, destacamos a seguir alguns passos a se- rem desenvolvidos em seguida: 1 – Escolha do tema e título da pesquisa O tema da pesquisa surge de um objeto de pesquisa e do questionamento que se faz sobre ele. Mas como podemos identificar um objeto de pesquisa? Para isso, a curiosidade do pesquisador é um ponto de pesquisa, a partir da reflexão sobre o quanto aquele tema incomoda a sociedade. Leia sobre o que já foi pesquisado. Questione-se sobre seu objeto de pesquisa e elabore três perguntas pelo menos sobre ele para que possa questionar sobre as possibilidades de investigação que o tema traz. Isso para que você possa explorar as possibilidades do seu tema. Outro ponto essencial nesse início é buscar informação científica em fontes confiáveis, seja em livros, artigos, revistas 1. O PROJETO DE PESQUISA Para que um projeto de pesquisa tenha sucesso, o pesqui- sador deve se dedicar muito. Além disso, dependendo do nível da pesquisa, sua elaboração, desenvolvimento e conclusão po- dem levar anos. Assim, para aumentar a produtividade, é lógico seguir várias etapas. Pode-se condensar essas etapas para faci- litar o processo. 1.1 Etapas: Planejamento da pesquisa é o primeiro passo a ser dado nesse sentido. É necessário que haja planejamento no senti- do de prever as etapas a serem realizadas, ter clareza sobre a forma como será desenvolvido o trabalho, identificar se será necessário apoio de alguma equipe e também deve-se prever eventuais dificuldades ao longo do desenvolvimento da pes- quisa. As dificuldades podem envolver tempo, recursos, acesso, documentos, materiais, entre outros itens. Além do planejamento, é importante que se realize uma apresentação do que trata a pesquisa, para o caso de ter que pleitear recursos, por exemplo. Pode-se fazer uma apresenta- ção do pesquisador, incluindo seu currículo com experiência e FONTE: ENVATO ELEMENTS 32 ou periódicos. As fontes de referência na área devem apoiá-lo no conhecimento do que foi pesquisado sobre o tema até o momento e precisa ser de fato de fonte científica. Com as leitu- ras, será possível identificar o estado da arte e o panorama atu- al das pesquisas, fazendo um levantamento bibliográfico sobre o tema escolhido. É importante que você realmente tenha interesse em pesquisar este assunto e estabeleça relação com sua área de pesquisa. O tema precisa ser relevante para a área na qual se insere, de modo que traga resultados igualmente relevantes. Pode ser que o pesquisador, ao definir o tema, pense também no título logo no início. Porém, é comum que o títu- lo seja definido ao final do projeto de pesquisa, quando todos os itens já tenham sido desenvolvidos. O título deve ser claro e destacar o objetivo principal da pesquisa. É preciso ter coe- rência entre ele e o conteúdo do projeto. Deve-se evitar títulos extensos, com mais de duas linhas e que tenham uma abran- gência muito grande. O título deve ser direto e objetivo. 2 – Problematização (problema) Cada pesquisa visa resolver um ou mais problemas. O problema consiste em uma dificuldade sugerida a partir do tema escolhido. Cada pesquisa visa analisar um problema e é a partir dele que o processo de pesquisa ganha sentido. Os as- suntos ou temas escolhidos devem atender aos requisitos hu- manos reconhecidos e declarados. Esse é o momento em que você considerará se o problema que você buscou na pesquisa é realmente um problema e se vale a pena tentar encontrar uma solução para ele. A problemática é o processo de transformar uma necessidade humana em um problema. O problema deve ser claro e objetivo, formulado em for- mato de interrogação. Será definido a partir de uma resposta que se busca por meio de uma problemática instaurada. Ele se tornará objeto central de discussão do trabalho. 3 – Justificativa Nessa etapa, considera-se a relevância da pesquisa para a área estudada, para a sociedade e/ou para um grupo em ques- tão. Deve trazer dados que embasam o texto. Para justificar algo, é preciso fornecer uma justificativa suficiente para que algo tenha acontecido ou aconteça. A jus- tificativa de um projeto consiste em fornecer razões razoáveis FONTE: FREEPIK 33 respeito de algo que ainda não é conhecido ou, pelo menos, não é conhecido de forma satisfatória. Hipóteses são afirmações sobre um desconhecido e são feitas com base no que a humanidade sabe sobre o assunto. Dependendo do que o pesquisador sabe ao responder à per- gunta, essa afirmação será positiva, negativa ou duvidosa. Sem- pre será uma afirmação e deve ser verificável, ou seja, pode-se desenvolver testes e verificações intelectuais a respeito delas. 6 – Fundamentação teórica ou revisão de literatura A revisão de literatura é uma etapa essencial para projetos de pesquisa, seja em níveis de trabalho de conclusão de curso, dissertações, teses ou trabalhos acadêmicos em geral. Consiste em uma análise sistemática e crítica das fontes bibliográficas relevantes para o tema de estudo e seu objetivo principal é coletar, sintetizar e analisar as informações disponíveis sobre determinado assunto, a fim de identificar lacunas no conheci- mento, avaliar estudos anteriores e estabelecer o contexto no para o desenvolvimento de pesquisa sobre um tema específico ou objeto geral. O conteúdo de uma justificativa deve levar em considera- ção dois elementos: importância ou relevância do tema; abran- gência do assunto, que é a descrição do interesse da comuni- dade humana, particularmente no momento atual, no assunto em questão. 4 – Definição dos objetivos É a parte em que acontece a definição do propósito do pesquisador perante o tema estudado. Será dividido em geral e específicos. Casarin e Casarin (2012, p. 100-101) explicam que são obje- tivos gerais aqueles de maior abrangência, com caráter gene- ralista. Já os específicos são aqueles relacionados diretamente com o tema principal da pesquisa. São pontuais e restritos à área do conhecimento do projeto. Quando são alcançados, podem apresentar uma solução definitiva para o problema que está sendo pesquisado ou trazer uma proposta inovadora para sua solução. 5 – Hipóteses Hipóteses são respostas possíveis ao questionamento inicial. São essenciais para qualquer processo de investigação científica, pois consistem no lançamento de uma afirmação a FONTE: FREEPIK 34 todológicas relevantes para a pesquisa em questão. Fundamentação teórica: após a revisão, o pesquisador sustenta suas afirmações e hipóteses com o conhecimento que possui sobre o assunto. Referenciais bibliográficos: após a conclusão da revisão da literatura, é importante incluir uma lista de todas as fontes bi- bliográficas usadas no estudo. Isso mantém tudo claro e permi- te que outros pesquisadores consultem as mesmas referências. A qualidade e a originalidade de qualquer pesquisa de- pendem de uma revisão de literatura bem executada. Isso ocorre porque permite que os pesquisadores compreendam melhor o estado da arte do tema, evitem a duplicação de pes- quisas anteriores e contribuam para o avanço do conhecimen- to na área de interesse. 7. Metodologia qual o novo trabalho de pesquisa será desenvolvido. Algumas atividades dessa etapa são: Identificaçãode fontes: o pesquisador procura e seleciona artigos científicos, livros, teses, relatórios e outros materiais que estão diretamente relacionados ao assunto da pesquisa. Leitura e análise crítica: o pesquisador lê, compreende e avalia as informações das fontes escolhidas. A avaliação da qualidade dos estudos, seus métodos, resultados e conclusões é crucial. Síntese e organização: as informações pertinentes são sintetizadas e organizadas de maneira lógica. Para ilustrar as relações entre os vários estudos, podem ser usadas tabelas, gráficos ou mapas conceituais. Identificar áreas de falha: ao longo da revisão, o objetivo do pesquisador é descobrir quaisquer lacunas no conhecimen- to existente sobre o assunto. A relevância e originalidade do novo trabalho de pesquisa podem ser justificadas com base nesses espaços. Contextualização: realizar uma revisão da literatura ajuda a colocar o estudo atual no contexto do conhecimento cientí- fico mais amplo. Apresentar a história do tema, os principais conceitos teóricos e as discussões atuais no campo fazem parte disso. Definir teorias e conceitos-chave: a revisão da literatura ajuda na seleção de teorias, conceitos-chave e abordagens me- FONTE: HTTPS://PIXABAY.COM/PT/VECTORS/LISTA-DE-CONTROLE-LISTAS-O-NEG%C3%B3CIO-41335/ 35 desenvolvido com base no tempo disponível para a pesquisa e as atividades propostas. 9. Referências O termo “referência” para trabalhos acadêmicos refere-se a um conjunto de elementos que, quando combinados, identi- ficam documentos impressos ou digitais, fornecendo detalhes sobre como e onde podem ser encontrados. Por exemplo, tra- balhos acadêmicos exigem uma pesquisa bibliográfica para fornecer ao pesquisador o embasamento teórico. Assim, a refe- rência bibliográfica, que lista todos os documentos que foram utilizados naquela pesquisa, serve como um elemento de veri- ficação daquela base teórica. Ao final do trabalho, o pesquisador deve ilustrar suas re- ferências para verificar as suas fontes e onde elas podem ser encontradas. Tudo que foi citado na obra deve ser referenciado. Assim, o pesquisador apresenta autoridade, embasamento te- O percurso metodológico deve ser escrito nessa etapa. Qual método é o melhor para sua pesquisa? Casarin e Casa- rin (2012, p. 104) destacam que nessa etapa o pesquisador vai descrever se serão realizados experimentos e quais serão eles, quais técnicas e equipamentos serão utilizados, qual instru- mento de coleta será aplicado (exemplo: questionário, entre- vista, protocolo de observação etc.); quais parâmetros estatís- ticos serão utilizados, qual tipo de amostra; se a pesquisa vai envolver seres humanos e quais critérios de seleção, se haverá pesquisa e coleta de campo, se haverá atividade em laborató- rio, qual a técnica de observação etc. Nessa etapa, também se descrevem os materiais e equipamentos a serem utilizados, se for o caso. A metodologia demonstra como o pesquisador vai con- duzir o projeto de pesquisa e qual percurso metodológico será seguido. 8. Cronograma No cronograma, o pesquisador vai apresentar as etapas da pesquisa, considerando atividades de acordo com cada mês. O cronograma de pesquisa é uma ferramenta de gestão e pla- nejamento que proporciona maior eficiência, controle e organi- zação ao desenvolvimento de projetos de pesquisa, permitindo ao pesquisador focar nas atividades essenciais e atingir os obje- tivos propostos dentro dos prazos estabelecidos. Ele poderá ser FONTE: FREEPIK 36 triais e prestação de serviços. A normalização visa garantir que a produção científica, tecnológica e documental do país seja compreendida e que os trabalhos e produtos que seguem esse padrão sejam confiáveis. As principais normas da ABNT usadas para trabalhos acadêmicos são: • NBR 14724 – trabalhos acadêmicos • NBR 10520 – citações • NBR 6023 – referências • NBR 6024 – numeração progressiva • NBR 6027 – sumário • NBR 6028 – resumos, resenhas e recensões Em seu trabalho acadêmico você precisará consultar todas as normas citadas acima. A NBR 14724 é a norma que órico e confiabilidade àquela pesquisa. Para essa etapa, a regra utilizada para a padronização é a norma técnica 6023:2028, da ABNT, que traz uma série de possibilidades de formatação e padronização de acordo com a obra a ser citada. Exemplo (conforme NBR 6023:2018): Elementos essenciais GOMES, A. C.; VECHI, C. A. Estática romântica: textos dou- trinários comentados. São Paulo: Atlas, 1992. Elementos complementares GOMES, A. C.; VECHI, C. A. Estática romântica: textos dou- trinários comentados. Tradução Maria Antonia Simões Nunes, Duílio Colombini. São Paulo: Atlas, 1992. 186 p. Importante: A elaboração e a formatação de trabalhos seguem padro- nizações específicas. Essas padronizações são baseadas nas normas da ABNT, a Associação Brasileira de Normas Técnicas, que é uma organização privada sem fins lucrativos e objetiva uniformizar as técnicas de produção no Brasil. É responsável pela elaboração de normas técnicas e pela certificação de pro- dutos, sistemas e rotulagens ambientais. Embora seja frequentemente relacionada à academia, a ABNT também define normas e técnicas para produtos indus- FONTE: ADOBE STOCK 37 fundamentadas. As opções usuais para disseminar suas desco- bertas são publicações em revistas especializadas e apresenta- ções orais em eventos acadêmicos. Ao se preparar para essas situações, é essencial considerar a adequação da linguagem ao público-alvo. Adaptar o discurso de acordo com o nível de conhecimento e a expertise dos ou- vintes é fundamental para uma comunicação eficaz. Outro aspecto de extrema importância é a oratória e a qualidade da apresentação. A clareza, a objetividade e a con- fiança na exposição dos resultados são cruciais para transmitir a importância e relevância do trabalho realizado. Caso o trabalho tenha sido desenvolvido em grupo, é imprescindível que todos os membros estejam alinhados para eventuais questionamentos que possam surgir durante a ava- liação. Uma comunicação coesa entre os integrantes do grupo demonstra a solidez da pesquisa e reforça a credibilidade das descobertas apresentadas. Em resumo, ao finalizar um trabalho de pesquisa, é essen- cial dar atenção especial às etapas metodológicas e aos resul- tados, pois eles serão a base das divulgações. Utilize a lingua- gem de acordo com o público-alvo, aprimore suas habilidades de oratória e garanta que todos os membros do grupo estejam preparados para responder a possíveis questionamentos. Ao seguir essas práticas, você estará preparado para compartilhar suas contribuições de forma clara, impactante e bem funda- determina como os trabalhos acadêmicos devem ser elabora- dos, principalmente em relação à sua estrutura. Nela estão es- pecificados os elementos essenciais e obrigatórios que devem constar nos trabalhos. Já a NBR 10520 é a norma que aborda citações. As citações são essenciais nos trabalhos e na pesquisa acadêmica e é por meio delas que se dá crédito ao autor con- sultado. Acesse todas as normas no link que segue: https://www. normasabnt.org/ Curiosidade Ao desenvolver sua pesquisa, o pesquisador deve estar atento às fontes referenciadas para que todos os autores e tra- balhos usados para desenvolver a pesquisa sejam citados em seu trabalho. A não citação dos autores, ou seja, usar as obras sem dar os devidos créditos aos autores, incorre em plágio, có- pia indevida sujeita a sanções previstas na Lei do Direito Auto- ral - n.º 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Para conhecer o detalhamento da lei, acesse o link: https://www2.senado.leg.br/bdsf/item/id/243240 Finalização e apresentação Após a conclusão do trabalho, é fundamental concen- trar-se especialmente nas etapas metodológicas e nos resulta- dos, pois é a partir desses elementos que as divulgações serão 38 Referências: CASARIN, Helen de Castro Silva;CASARIN, Samuel José. Pesquisa científica: da teoria à prática. Curitiba: Intersaberes, 2012. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/ Leitor/Publicacao/5992/pdf/0 CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino; SILVA, Roberto da. Metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/ Leitor/Publicacao/341/pdf/0 MARTINS, Vanderlei; MELLO, Cleyson de Moraes (coord.). Metodologia científica: fundamentos, métodos e técnicas. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2016. MASCARENHAS, Sidnei A. (org.). Metodologia científica. 2. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2018. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/ Publicacao/183213/pdf/0 PEROVANO, Dalton Gean. Manual de metodologia da pesquisa científica. Curitiba: Intersaberes, 2016. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/ Publicacao/37394/pdf/0 mentada. Considerações Finais: Os projetos de pesquisa fornecem a base para os avanços científicos e tecnológicos, permitindo o entendimento mais profundo de questões complexas e difíceis. É por meio de pro- jetos que se iniciam pesquisas que irão se concretizar na cons- trução de teorias sólidas validando e refutando hipóteses. É fundamental manter a ética e a integridade na condu- ção de pesquisas, respeitando os direitos dos participantes e divulgando os resultados de forma transparente, da mesma forma que se conduz a pesquisa. A comunidade científica pode ganhar a confiança da sociedade e fortalecer a credibilidade da ciência por meio desses princípios. A metodologia científica garante a confiabilidade e a validade dos resultados por meio de projetos de pesquisa bem definidos. Além disso, a disseminação adequada dos resultados ajuda a aumentar o conhecimento em todo o mundo e facilita o desenvolvimento da sociedade. 39 UNIDADE DE APRENDIZAGEM DADOS E TECNOLOGIA EM PESQUISA: INSERÇÃO NA PESQUISA ACADÊMICA E PERSPECTIVAS DE DIVULGAÇÃO Produção Acadêmica e de Pesquisa 6 40 Para início de Conversa: A inteligência artificial (IA) é um grande aliado para os estudos científicos e acadêmicos, pois oferece muitas oportuni- dades e avanços significativos. A IA é uma ferramenta vital para a análise de dados em várias áreas do conhecimento, pois pode processar grandes quantidades de dados com rapidez e identi- ficar padrões complexos. A IA pode ser útil na pesquisa acadêmica para facilitar a busca e seleção de literatura científica relevante, facilitar a re- visão da literatura e fornecer base sólida para novas pesquisas. Além disso, a IA ajuda os pesquisadores a buscar problemas mais promissores por meio da identificação de lacunas de co- nhecimento. Na ciência, a inteligência artificial pode economizar tempo e recursos acelerando experimentos e simulações. Ela permite a descoberta de novos fenômenos e a criação de hi- póteses inovadoras por meio de análises detalhadas de dados complexos. No entanto, é necessário levar em consideração questões éticas, como o uso adequado dos dados, transparência nos al- goritmos e mitigação de vieses para usar a IA de forma respon- sável. A pesquisa acadêmica e científica pode alcançar novos patamares e contribuir significativamente para o progresso da humanidade ao combinar o potencial da inteligência artificial com a criatividade e a expertise humanas. Objetivo de Aprendizagem do Capítulo: • Verificar como dados e tecnologia atuam em pesquisa e como se dá a inserção de inteligência artificial na pesqui- sa acadêmica, bem como na perspectiva de divulgação. 41 2. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA PESQUISA ACADÊMICA – ALGUMAS MUDANÇAS A utilização da Inteligência Artificial (IA) na pesquisa aca- dêmica tem promovido mudanças significativas no cenário científico e no apoio para o avanço de pesquisas e levantamen- to de dados. Com sua capacidade de processar dados em larga escala e identificar padrões complexos, a IA otimiza a análise de informações e acelera a descoberta de temas relevantes. Nas bibliotecas digitais, a IA aprimora a busca por literatu- 1. CONHECIMENTO À DISPOSIÇÃO DE TODOS Todos devem ter acesso ao conhecimento. Porém, como grande parte da população não está familiarizada com a lin- guagem da ciência, a divulgação científica frequentemente fica longe das pessoas. A divulgação científica é essencial para aumentar o co- nhecimento e a qualidade de vida de todos. A inovação pode se tornar conhecida por meio da divulgação adequada. Isso pode ser o caso de um novo produto útil à população que não é conhecido ou utilizado por falta de divulgação. Por mais im- portante que seja uma ideia, ela só será aceita se for validada e divulgada em um meio facilmente acessível. Para ampliar o alcance do conhecimento, é fundamental que as pesquisas es- tejam disponíveis em uma variedade de materiais. Além disso, a divulgação científica facilita a discussão de diferentes pontos de vista sobre uma teoria e leva a um maior debate sobre as novas tendências. As pessoas aprendem a pensar criticamente com isso, o que as ajuda a entender seus direitos e obrigações. Eles também aprendem a raciocinar com base em várias perspectivas. FONTE: HTTPS://PIXABAY.COM/PT/ VECTORS/C%C3%A9REBRO-CONHECIMENTO-ARTE-DE-DESIGN-2029391/ 42 ra científica, oferecendo resultados mais precisos e relevantes, o que agiliza a revisão bibliográfica para os pesquisadores. A IA também está revolucionando a forma como os ex- perimentos são conduzidos. Com o uso de algoritmos sofisti- cados, é possível realizar simulações mais precisas e eficientes, economizando recursos e tempo. Também tem contribuído para o desenvolvimento de sistemas de aprendizado automa- tizado, tornando-se uma ferramenta poderosa na análise de dados e no auxílio à formulação de hipóteses. Contudo, é essencial equilibrar o uso da IA com a criativi- dade humana e garantir a ética na manipulação de dados, as- segurando que a pesquisa acadêmica continue a ser conduzida com rigor científico e responsabilidade. Com essas mudanças, a IA está se tornando uma aliada para impulsionar a pesquisa acadêmica e impelir a fronteira do conhecimento humano. A reportagem “CINCO MUDANÇAS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA PESQUISA CIENTÍFICA: E cinco paradoxos envol- vidos nisso”, de Rafael Cardoso Sampaio e Rafael Perich, publi- cada na Revista Piauí demonstra diversas possibilidades que a IA oferece. Aqui, trazemos algumas para nosso capítulo: 1. Para busca e seleção de artigos: Sampaio e Perich (2023) ressaltam que as IAs ajudam na busca de tópicos, pesquisas e artigos acadêmicos. Plataformas digitais como OA.mg, RDisco- very, Consensus, Elicit, Perplexity permitem examinar diversos indexadores e bases de artigos para obter referências. A pesquisa pode ser no formato de uma pergunta ou a partir de um PDF. Segundo os autores, em todos os casos, a principal diferença é que essas plataformas não apenas dão uma lista de referências, mas também apresentam trechos dos artigos relacionados e insights sobre esses artigos. Outros exemplos dados pelos autores: [...] como o Connected Papers, Inciteful, Litmaps, já geram mapas de referências, mostrando as redes de citações de artigos e literaturas. Em praticamente todas é possível criar sua biblioteca pessoal dentro do aplicativo e ir alimentando a inteligência artificial, aprimorando as buscas e as sugestões. Outros ainda, como o scite, mostram o impacto de determinadas pesquisas, os trechos refutados ou apoiados pela lite- ratura acadêmica (SCOOP.IT). FONTE: HTTPS://PIXABAY.COM/PT/VECTORS/CHATBOT-ROB%C3%B4-BATE-PAPO-FALAR-6626193/ 43 de seus dados”. • Para aperfeiçoamento da escrita: diversas platafor- mas, a exemplo de Cohere, PaperPal, ResearchRabbit, Writefull, Word Tune e QuillBot, entre tantas outras, fazem correções gramaticais, ortográficas e estruturais nos textos.Sampaio e Perich (2023) comentam que “Elas irão revisar e aprimorar sua escrita, especialmente em inglês, durante o próprio processo. Além de gra- mática e ortografia, ainda avaliarão linguagem (tom), estrutura, dados, tabelas e referências dos manuscritos. Será comum em pouco tempo que nenhum resumo ou título, por exemplo, não tenha sido elaborado ou testado com a ajuda deIas”. • Para apresentação de dados, os autores destacam que: “O ChatGPT 4 já é capaz de gerar tabelas e infor- mações em diversos formatos. Também já existem IAs capazes de elaborar tabelas, gráficos, infográficos, pos- • Para leitura dos artigos: Sampaio e Perich (2023) di- zem que: “Não apenas leremos o texto, faremos grifos e comentários pessoais. Agora, também pediremos que a inteligência artificial analise os textos e PDFs e indique os trechos principais, e vamos fazer pergun- tas à IA sobre os textos. Para esse processo, programas como Scholarcy, Resoomer, Elicit, Paper Digest, Scis- pace, Humata, ExplainPaper, PaperBrain, ChatPDF realizam o papel de resumir ou mesmo de “conversar” com o arquivo. Ou seja, o usuário pode perguntar o que quiser para a AI sobre aquele upload e com isso des- trinchar ainda mais aquele documento, questionando por exemplo a quantidade de casos analisados, a me- todologia, a principal conclusão ou quais são os prin- cipais conceitos chave dos textos. Em suma, teremos resumos automáticos de artigos acadêmicos”. • Para análise de dados: os autores Sampaio e Perich (2023) destacam que “O ChartGPT e o PandasAI elabo- ram gráficos de forma automatizada. Softwares acadê- micos para pesquisa qualitativa (Atlas.ti) e quantitativa (Tableau) estão incluindo ferramentas de AI em suas opções. Com a vindoura integração de IA ao Office e ao Google Docs, teremos IA indicando possíveis testes, cruzamentos e análises a serem realizadas. Você pode- rá inclusive ‘dialogar’ com a AI tratando exclusivamente FONTE: ADOBE STOCK 44 de sistemas de inteligência artificial (IA) na construção de ma- teriais científicos, como pesquisas e artigos. No editorial “Tools such as ChatGPT threaten transparent science; here are our ground rules for their use”, disponível em https://www.nature. com/articles/d41586-023-00191-1, consta que nenhum sistema de inteligência será aceito como autor de um trabalho de pes- quisa e caso alguma IA seja utilizada em trabalhos de pesquisa, isso precisa estar documentado. Essa medida foi tomada após a divulgação e popularização do chatGPT, inteligência artificial que interage com humanos e fornece soluções em formato de texto para diversos tipos de questionamentos. ters (como DataGPT). O momento é tão surpreendente (e assustador!) que já há ferramentas como o Gamma e Tome, que com poucas palavras criam uma apresenta- ção inteira sobre determinado assunto, usando o Cha- tGPT para criar os textos e o Dall-e ou Midjourney para criar as imagens. O Canva já cria automaticamente uma apresentação, bastando você prover o texto para ele e já tem uma IA para sugerir textos nas apresenta- ções e também para geração de imagens”. A quebra do paradigma sobre ler, resumir e elaborar pes- quisas está ao nosso alcance com as opções citadas aqui e com muitas outras que ainda surgirão. Em outras palavras, estamos falando de IAs selecionando, resumindo, destacando ideias importantes, fazendo conexões com a literatura e respondendo a perguntas de pesquisadores. Tudo isso faz parte da evolução da pesquisa acadêmica para os próximos anos e deve elevar a agilidade tanto na pesquisa quanto na sua disseminação. Curiosidade Ao longo deste capítulo, vimos que a inteligência artificial (IA) tem desempenhado um papel crescente e transformador na pesquisa científica em diversas áreas. Entretanto, algumas discussões se fazem necessárias e uma delas é sobre autoria. Recentemente, a revista Nature impôs regras para o uso 45 tecnologia tornou-se um fator crucial para aprimorar nossas pesquisas e enfrentar os desafios complexos do mundo con- temporâneo. Assim, consideramos que essa disciplina desempenha um papel fundamental na formação acadêmica e científica do es- tudante, fornecendo ferramentas e conhecimentos necessários para a formação de pesquisadores críticos e comprometidos. Você agora está preparado para aplicar as habilidades em gê- neros textuais, metodologia da pesquisa e tecnologia em prol do avanço do conhecimento em sua áreas de atuação. Considerações Finais: Em nosso último capítulo de estudos, observamos como se dá o novo paradigma da pesquisa com as tecnologias de IA e como essas tecnologias estão atuando para os avanços das pesquisas e da divulgação científica. Encerramento do E-book: A disciplina buscou desenvolver conhecimentos sobre gêneros textuais no âmbito acadêmico, considerando a impor- tância da prática da leitura, da oralidade e das múltiplas lingua- gens no processo dessa aprendizagem; trouxe a possibilidade de analisar criticamente o conceito de ciência e de método científico, buscando compreender o sentido/significado do co- nhecimento científico e outras formas de conhecimento. Du- rante nossos estudos, aplicamos fundamentos teóricos para o emprego adequado da metodologia da pesquisa, conhecemos as etapas de um projeto de pesquisa científica e vimos inova- ções sobre uso de tecnologia em pesquisa. Ao explorarmos as inovações no uso da tecnologia em pesquisa, percebemos como os recursos de Inteligência Arti- ficial têm impulsionado a eficiência, a precisão e a amplitude das investigações científicas. A adoção responsável e ética da 46 2007. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/ Leitor/Publicacao/341/pdf/0 GARCIA, Lara Rocha et al. Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD): guia de implantação. São Paulo: Blucher, 2020. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/ Publicacao/183221/pdf/0 KÖCHE, Vanilda Salton; BOFF, Odete Maria Benetti; MARINELLO, Adiane Fogali. Leitura e produção textual: gêneros textuais do argumentar e expor. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 2014. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual. com.br/Leitor/Publicacao/149519/pdf/0 PAIXÃO, Márcia Valéria. Inovação em produtos e serviços. Curitiba: Intersaberes, 2014. E-book. Disponível em: https:// plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/22491/pdf/0 SAMPAIO, Rafael Cardoso; PERICH, Rafael. Cinco mudanças da inteligência artificial na pesquisa científica. PIAUÍ, 19 maio 2023. Disponível em: Cinco mudanças da inteligência artificial na pesquisa científica (uol.com.br) REFERÊNCIAS BÁSICAS: MARTINS, Vanderlei; MELLO, Cleyson de Moraes (coord.). Metodologia científica: fundamentos, métodos e técnicas. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2016. E-book. Disponível em: https:// plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/37837/pdf/0 MASCARENHAS, Sidnei A. (org.). Metodologia científica. 2. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2018. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/ Publicacao/183213/pdf/0 PEROVANO, Dalton Gean. Manual de metodologia da pesquisa científica. Curitiba: Intersaberes, 2016. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/ Publicacao/37394/pdf/0 REFERÊNCIAS COMPLE- MENTARES: CASARIN, Helen de Castro Silva; CASARIN, Samuel José. Pesquisa científica: da teoria à prática. Curitiba: Intersaberes, 2012. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/ Leitor/Publicacao/5992/pdf/0 CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino; SILVA, Roberto da. Metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall,