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DOR ABDOMINAL RECORRENTE FUNCIONAL Dor abdominal crônica (DAC) Queixa comum na infância e adolescência 0,5% - 19% de prevalência 2 picos etários- 4 a 6 anos e 8 a 12 anos FISIOPATOLOGIA: Complexa, multifatorial, não totalmente esclarecida. Envolvimento do eixo cérebro- intestino. (forma isolada ou associada). Hiperalgesia (ou alodinia) visceral. Distúrbios na motilidade do TGI Predisposição genética. Inflamação com pouca intensidade. Perfil psicológico. Estresse ambiental. Microbiota intestinal Definições clínicas recomendadas de DAICLD em crianças Dor abdominal funcional - Sem evidência demonstrável de patologias infecciosas, metabólicas, anatômicas, inflamatórias, neoplásicas. *Dispepsia Funcional *Síndrome do intestino irritável *Enxaqueca abdominal *Síndrome da dor abdominal funcional CRITÉRIOS DE ROMA III - H2D. DOR ABDOMINAL FUNCIONAL DA INFÂNCIA Os critérios diagnósticos* devem incluir todos os seguintes fatores: Dor abdominal contínua ou episódica Critérios insuficientes para outras doenças intestinais funcionais. Ausência de evidências de processo inflamatório, anatômico, metabólico, ou neoplásico *Critérios preenchidos ao menos 1 vez na semana por 2 meses ou mais. H2D1 SINDROME DA DOR ABDOMINAL FUNCIONAL DA INFÂNCIA Os critérios diagnósticos* devem satisfazer os critérios para H2D e ter em ao menos 25% do tempo 1 ou 2 desses fatores: Alguma perda de atividade diária, Sintomas somáticos adicionais (cefaléia, dor em membros, dificuldade de dormir) ANAMNESE: • Características da dor, • Sintomas gastrointestinais associados, • Sinais/sintomas de outros sistemas, • Sinais de comprometimento orgânico, • Medicações em uso ou utilizadas, • História alimentar, • História familiar, • Antecedentes pessoais, • Perfil psicológico e comportamental da criança, • Conhecimento de situações geradoras de ansiedade. INVESTIGAÇÃO: Exame físico detalhado, avaliação do crescimento pondero estatural, Avaliação laboratorial básica (hemograma, análise de urina e EPF, sorologia para doença celíaca). S/N investigação laboratorial mais ampla (VHS, PCR, PFT, amilase e lipase). exclusão da lactose => melhora=má absorção Ultrassonografia (?) ENXAQUECA ABDOMINAL: Vem apresentando aumento da frequência na infância; 4% da população Sintomas prodrômicos: - mudanças de comportamento e humor; -fotofobia e - sintomas vasomotores Fatores desencadeantes Estresse Fadiga Obesidade Alimentos - chocolate(75%) - queijo(48%) - frutas cítricas (30%) - bebidas alcóolicas (25%) CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS: Deve incluir todos os seguintes sintomas ocorrendo ao menos duas vezes: 1. episódios paroxísticos de dor abdominal intensa, aguda e periumbilical, na linha média ou difusa, durando 1 hora ou mais (deve ser o sintoma mais grave e aflitivo) 2. episódios intervalados por semanas ou meses 3. a dor é incapacitante e interfere com as atividades normais 4. padrões estereotipados e sintomas individualizados para cada paciente 5. a dor está associada a dois ou mais dos seguintes sintomas: a. anorexia, b. náusea, c. vômito, d. cefaleia, e. fotofobia, f. palidez 6. após avaliação adequada, os sintomas não podem ser plenamente explicados por outra condição médica. Estes critérios devem ocorrer por pelo menos 6 meses antes do diagnóstico ABORDAGEM: A abordagem da criança com DAC dependerá da hipótese diagnóstica Assegurar o paciente e à família quanto à benignidade do quadro. A terapêutica pode incluir: Abordagens dietéticas. s/n restringir: carboidratos fermentáveis não absorvíveis (FODMAPs- frutose, lactose, sorbitol, fruto-oligossacarídeos, gluco- oligossacarídeos e manitol). sensibilidade ao glúten não celíaca aditivos alimentares. Observar: cafeína, picantes, gordurosos. Suporte psicológico e suporte familiar: Terapia cognitivo comportamental (TCC) e psicoterapia, Terapias suplementares: técnicas de relaxamento, meditação, exercícios físicos... TERAPIA FARMACOLÓGICA: - Probióticos (Lactobacillus rhamnosus GG, Lactobacillus reuteri DSM 17938 e o VSL#3 ) - Anticolinérgicos (escopolamina). - Antidepressivos (amitriptilina, Imipramina) - Antihistamínicos (ciproeptadina)- 4 semanas. - Inibidor de bomba de prótons- 4 semanas. - Óleo de Hortelã-pimenta ( Menta piperita). - Sintomáticos. PROGNÓSTICO: Em cerca de 30% das crianças, a DAC se tornará persistente. Existem evidências de que a DAC na infância é um fator de risco para Síndrome do intestino irritável na vida adulta Evidência moderada de que possuir história parental de sintomas gastrointestinais esta associada à persistência da DAC.