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Licenciado para - Antoniel Alves da Silva - 07451278433 - Protegido por Eduzz.com
Quebrando a Gramática com Betinho Português com Betinho! 
2 
 
SUMÁRIO 
SUMÁRIO ....................................................................................................................................... 2 
SINTAXE I ....................................................................................................................................... 3 
MORFOSSINTAXE....................................................................................................................... 3 
FRASE, ORAÇÃO E PERÍODO ...................................................................................................... 4 
CLASSIFICAÇÃO DOS TERMOS DA ORAÇÃO .............................................................................. 5 
SUJEITO...................................................................................................................................... 6 
PREDICAÇÃO VERBAL .............................................................................................................. 14 
PREDICADO .............................................................................................................................. 17 
PREDICATIVO ........................................................................................................................... 18 
OBJETO DIRETO ....................................................................................................................... 19 
OBJETO INDIRETO ................................................................................................................... 21 
COMPLEMENTO NOMINAL ..................................................................................................... 22 
VOZES VERBAIS ........................................................................................................................ 23 
PASSAGEM DA VOZ ATIVA À PASSIVA ..................................................................................... 25 
AGENTE DA PASSIVA ............................................................................................................... 27 
APOSTO ................................................................................................................................... 27 
ADJUNTO ADVERBIAL .............................................................................................................. 29 
ADJUNTO ADNOMINAL ........................................................................................................... 31 
VOCATIVO................................................................................................................................ 32 
FUNÇÕES SINTÁTICAS DOS PRONOMES OBLÍQUOS ÁTONOS ................................................ 33 
COMPLEMENTO NOMINAL X OBJETO INDIRETO .................................................................... 36 
AGENTE DA PASSIVA X COMPLEMENTO NOMINAL ................................................................ 37 
ADJUNTO ADNOMINAL X PREDICATIVO ................................................................................. 37 
ADJUNTO ADNOMINAL X COMPLEMENTO NOMINAL ............................................................ 39 
QUADRO RESUMITIVO ............................................................................................................ 42 
 
 
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3 
 
SINTAXE I 
 
 A Sintaxe é a parte da Gramática que estuda, basicamente, as estruturas da nossa 
língua. Aqui, veremos um mundo inteiro de Sintaxe. 
 
MORFOSSINTAXE 
 
 Antes de ver a Sintaxe propriamente dita, trabalharemos com a Morfossintaxe, 
isto é, a relação entre Morfologia e Sintaxe. A tabela abaixo relaciona as classes grama-
ticais às funções possíveis para elas. 
 
Classe gramatical Função sintática 
Substantivo 
Sujeito, predicativo do sujeito, predicativo do objeto, objeto direto, objeto in-
direto, complemento nominal, agente da passiva, aposto 
Adjetivo Adjunto adnominal, predicativo do sujeito, predicativo do objeto 
Artigo Adjunto adnominal 
Numeral 
Sujeito, predicativo do sujeito, predicativo do objeto, objeto direto, objeto in-
direto, complemento nominal, agente da passiva, aposto, adjunto adnominal 
Pronome 
Sujeito, predicativo do sujeito, predicativo do objeto, objeto direto, objeto in-
direto, complemento nominal, agente da passiva, aposto, adjunto adnominal, 
adjunto adverbial 
Advérbio Adjunto adverbial 
Verbo Núcleo do predicado 
Conjunção – 
Preposição – 
Interjeição – 
 
Para quem queira, ainda existe a tabela inversa: 
Função sintática Classe gramatical 
Sujeito Substantivo, numeral substantivo, pronome substantivo 
Núcleo do predicado Verbo 
Predicativo (do sujeito, do objeto) Substantivo, adjetivo, numeral substantivo, pronome substantivo 
Objeto direto Substantivo, numeral substantivo, pronome substantivo 
Objeto indireto Substantivo, numeral substantivo, pronome substantivo 
Complemento nominal Substantivo, numeral substantivo, pronome substantivo 
Agente da passiva Substantivo, numeral substantivo, pronome substantivo 
Aposto Substantivo, numeral substantivo, pronome substantivo 
Adjunto adnominal Adjetivo, artigo, numeral adjetivo, pronome adjetivo 
Adjunto adverbial Advérbio, pronome substantivo 
 
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 Antes de mais, vamos esclarecer alguns detalhes sobre essa tabela: 
1.º Essa tabela relaciona funções sintáticas aos seus núcleos. Portanto, quando digo 
que o substantivo pode ser sujeito, não quero dizer que ele sozinho é sujeito, mas 
sim que o núcleo do sujeito pode ser um substantivo. Isso não impede que outras 
palavras acompanhem esse núcleo. Perceba: 
 O dono da loja já fechou. 
 O sujeito do verbo “fechou” é “O dono da loja”. Tudo isso é o sujeito, porém o 
núcleo dele é o substantivo “dono”. 
2.º Todas essas regras da tabela também valem para locuções. Portanto, locuções ad-
jetivas podem desempenhar papel de núcleo das mesmas funções de um adjetivo; 
uma locução adverbial pode desempenhar papel de núcleo da mesma função de 
um advérbio e assim por diante. 
3.º Conjunção, preposição e interjeição são classes que não possuem função sintática 
nas análises sintáticas. 
4.º Eu coloquei na tabela que o verbo é o núcleo do predicado, mas já adianto que há 
exceção para isso. Nos predicados nominais, não há núcleo verbal, e sim nominal. 
 
FRASE, ORAÇÃO E PERÍODO 
 
 São conceitos diferentes, mas é fácil entende-los. Vamos ver isso rapidinho: 
 
1.º Frase é qualquer enunciado de sentido completo. As frases são separadas por 
ponto-final, ponto de interrogação ou ponto de exclamação. 
(a) Leia com atenção. Nem toda frase tem verbo! As frases com verbo são 
verbais; frases sem verbo são nominais. 
 Bom dia a todos! [frase nominal] 
 Eu te amo! [frase verbal] 
1.º Oração é a estrutura que se forma ao redor de um verbo ou de uma locução verbal. 
(a) Portanto, podemos concluir, com certeza, que toda oração possui somente 
um verbo ou locução verbal. Não pode ter mais de um. Além disso, não 
existe oração sem verbo ou locução verbal. A oração tem exatamente um 
verbo ou uma locução verbal. 
 Você é tudo de bom. 
 Eu posso falar a verdade. 
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(b) As orações estão sujeitas a diversas classificações. As orações podem ser 
absolutas, coordenadas, principais, subordinadas ou intercaladas (ou 
interferentes). Veremos a primeira majoritariamente neste tópico; as três 
últimas veremos melhor no tópico Sintaxe II. 
 O mundo é caótico. [oração absoluta] 
 João sai e Maria entra. [oração coordenada] 
 Nãosei o que você quer. [oração principal] 
 Preciso de que você me ajude. [oração subordinada] 
 O mundo – disse ele – é caótico. [oração interferente] 
2.º Período é uma frase que possui uma ou mais orações. 
(a) Um período que tem uma oração é chamado de simples; essa única oração 
que o compõe é chamada de absoluta. 
 Há muitas pessoas aqui. 
(b) Um período composto pode ser composto por coordenação, composto 
por subordinação ou misto. As diferentes composições geram orações 
diferentes. 
 João entra e Maria sai. 
 Sei que você está a fim. 
 Não sei por que você está tão rude! 
Veremos, neste capítulo, o período simples. No tópico de Sintaxe II, veremos o período 
composto e as orações interferentes. 
 
CLASSIFICAÇÃO DOS TERMOS DA ORAÇÃO 
 
 Agora, veremos como são classificados os termos da oração. 
 
1.º Existem os termos essenciais, que são o sujeito, o predicado e o predicativo 
(do sujeito e do objeto). 
2.º Existem os termos integrantes, que são o objeto direto, o objeto indireto, o 
complemento nominal e o agente da passiva. 
3.º Existem os termos acessórios, que são o aposto, o adjunto adnominal e o ad-
junto adverbial. 
4.º Existe, ainda, o vocativo, que não é um termo da oração; é um direcionador do 
discurso. 
 
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Entenda: o vocativo não é termo sintático porque não se associa a nenhum termo sin-
tático. Isso é uma característica básica de qualquer termo sintático: fazer referência a 
outro. Sujeito está ligado a verbo, adjunto adnominal está associado a substantivo (que 
exerce alguma função), adjunto adverbial está associado a verbo, adjetivo ou advérbio 
(que exercem alguma função). E o vocativo? Não se liga a ninguém; por isso, não é 
termo sintático. 
 
SUJEITO 
 
1.º O sujeito, por definição básica, é o termo com o qual o verbo concorda. Perceba: 
 O rapaz comprou um carro. 
 O sujeito é “O rapaz”, porque é com esse termo que o verbo concorda. Isso pode 
ser ratificado pela pluralização do termo: 
 Os rapazes compraram um carro. 
 Quando o sujeito é pluralizado, o verbo passa ao plural também. Isso acontece por 
causa da relação entre verbo e sujeito, que chamamos de concordância verbal. 
 Nem sempre o verbo concordará com o núcleo do sujeito. Há exceções; afinal, 
falamos aqui da Língua Portuguesa. Esses detalhes serão vistos no capítulo de concor-
dância. 
2.º O sujeito é classificado em tipos. O sujeito pode ser simples, composto, oculto, 
indeterminado, inexistente, oracional ou acusativo. 
(a) Essas classificações não se misturam. Então, um sujeito oculto não pode 
ser simples ao mesmo tempo. Ou é simples, ou é oculto. O mesmo vale 
para o resto. 
(b) Quando o sujeito é simples, composto ou oculto, ele é determinado. 
 Vamos falar de cada tipo de sujeito agora. 
3.º O sujeito simples é aquele que possui um único núcleo. 
 A invenção do cientista transformou os estudos da universidade. 
 Acontecem muitas festas naquela praça. 
 Nós fomos à igreja ontem. 
 
Vamos falar sobre ordem! Nós ainda não vimos os termos sintáticos detalhadamente, 
mas você já deve conhecer a chamada ordem direta: 
 
Sujeito + verbo + complemento(s) + adjunto adverbial 
 
Qualquer termo que esteja fora da ordem direta está deslocado, ou seja, está numa 
ordem inversa. 
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Vale notar que a posição natural do sujeito é no começo da oração, antes do verbo. 
Porém, isso nem sempre acontece. 
 
Um exemplo simples: vários verbos intransitivos (acontecer, ocorrer, convir, doer, 
existir...) “empurram” o sujeito para a frente. Mas não se engane: eles não deixaram de 
ser sujeito por isso! 
 
 Dói o meu joelho! 
 
O sujeito é “o meu joelho”. Isso pode ser provado pela pluralização: 
 
 Doem os meus joelhos! 
 
O verbo passou ao plural porque aquele termo é sujeito. 
 
(a) Vale lembrar que o núcleo do sujeito sempre será um substantivo ou um 
pronome substantivo. Reveja a tabela de Morfossintaxe! 
(b) Além de ser um substantivo, o núcleo do sujeito não vem preposicionado. 
 É por isso que, em frases como esta, o sujeito é simples: 
 Um casal de namorados foi à praça. 
 Apesar de haver dois substantivos no sujeito (casal e namorados), apenas um deles 
não está preposicionado. Por isso, esse é o único núcleo. 
 
Atenção! Existem alguns casos raríssimos de sujeito preposicionado. A chance de isso 
cair na sua prova é quase zero. Darei alguns exemplos de sujeito preposicionado. 
 
 Aconteceu de meu filho ficar doente. [sujeito oracional preposicionado] 
 Mais da metade da população foi às ruas. [sujeito simples preposicio-
nado] 
 
(c) Cuidado para não confundir o sujeito sintático com a ideia que ele repre-
senta. O sujeito, como eu disse, é o termo com o qual o verbo concorda. 
Então, o sujeito é uma posição, que é ocupada por algum elemento (ou 
não). Veja isto: 
Pedro 
foi à praça para passear. 
Meu amigo 
O irmão da minha melhor amiga 
Um casal de namorados 
Um participante da festa 
Ninguém 
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 Nessa tabela, a primeira coluna é o sujeito da oração, a segunda é o predicado. 
Para um mesmo verbo, existem várias possibilidades de sujeito. Isso acontece porque se 
espera um sujeito para o verbo da oração. Qualquer sujeito que possa exercer a ação ex-
plicitada pelo verbo cabe ali. Tudo dependerá da frase que você quer criar. 
 Eu explico isso por causa de frases como esta: 
 Ninguém foi à festa. 
 O sujeito da oração é “Ninguém”. Alguns alunos, às vezes, pensam que, por o 
sujeito ser “ninguém”, não existe sujeito para a oração. Cuidado com a confusão entre 
ideia e sintaxe. Semanticamente, o sujeito é ninguém, ou seja, nenhuma pessoa foi à 
festa. Porém, quando você estiver fazendo análise sintática de uma oração, você deve se 
basear no que aparece na oração, ou seja, no que a oração lhe diz. Perceba que o termo 
que ocupa a posição de sujeito ali é “Ninguém”, logo ele é o sujeito; se tem um núcleo, 
então esse sujeito é simples. Fim. 
4.º Sujeito composto é aquele que tem dois ou mais núcleos. 
 Eu e você seremos felizes juntos. 
 Minha amiga e minha irmã foram ao supermercado. 
 Assistiram ao filme o pai e o filho. 
5.º Sujeito oculto é aquele que não aparece explícito na oração, mas em cuja oração 
a desinência número-pessoal do verbo denuncia o referente do sujeito. 
 Seremos felizes juntos. [sujeito oculto: nós] 
 Fui à universidade hoje. [sujeito oculto: eu] 
 Foste ao palácio ontem? [sujeito oculto: tu] 
 
Cuidado com alguns períodos! Veja o período abaixo: 
 
 João foi à escola e estudou tudo! 
 
Note que existem ali dois verbos: “foi” e “estudou”. Logo, há duas orações nesse perí-
odo: ele é composto. As orações são estas: 
 
1) João foi à escola 
2) e estudou tudo 
 
Agora, repare bem: como se classifica o sujeito da primeira oração? É simples! O su-
jeito é simples porque tem um único núcleo (João) expresso no enunciado. E como se 
classifica o sujeito da segunda oração? Oculto! É oculto porque o sujeito não está ex-
presso na segunda oração, e sim somente na primeira, mas, mesmo assim, você conse-
gue identificar o referente do verbo. Tome cuidado com isso! 
 
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6.º Sujeito indeterminado ocorre em três situações: 
(a) Verbo na 3.ª pessoa do plural empregado genericamente, sem referente. 
 Roubaram meu carro! 
 Falaram bem de você na reunião. 
 Dizem que essa escola é boa. 
 
Não confunda sujeito indeterminado com oculto! Quando o verbo está na 3.ª pessoa, 
sem referente, a intenção do autor da fraseé indeterminar o sujeito. Perceba: “Falaram 
bem de você.”. Quem falaram? Não sei! Pode, inclusive, ter sido uma pessoa só. 
 
Agora, veja esta sentença: 
 
 Aqueles meninos são loucos! Vieram correndo em minha direção sem mo-
tivo algum. 
 
Como se classifica o sujeito de “Vieram”? Bem, existe um referente para ele: “Aqueles 
meninos”. Então, você consegue identificar o referente do verbo, logo ele não tem su-
jeito indeterminado, mesmo que o verbo esteja na 3.ª pessoa do plural. O sujeito, na 
verdade, é oculto, pois não está expresso naquela oração (está expresso na oração an-
terior, mas não na que tem o verbo “Vieram”). 
 
(b) Verbo associado a índice de indeterminação do sujeito (veja funções sin-
táticas dos pronomes oblíquos átonos). 
 Precisa-se de ajuda nesta loja. 
 Vive-se bem aqui. 
 É-se feliz nesta cidade. 
(c) Verbo no infinitivo empregado genericamente, sem referente. 
 “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã.”1 
 É importante dizer que ama! 
 
Não confunda sujeito indeterminado com oculto – O Retorno! O que vale para a 
dica anterior vale para esta. Quando o referente não estiver expresso na oração, mas for 
identificável, o sujeito será oculto, e não indeterminado. 
 
 João foi à escola para estudar mais. 
 
Há duas orações nesse período: 
 
 
1 Legião Urbana – Pais e Filhos 
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1) João foi à escola 
2) para estudar mais 
 
Na segunda oração, o sujeito não está expresso, mas você sabe que o infinitivo “estu-
dar” se refere a “João”, logicamente. Assim, o sujeito é oculto, e não indeterminado. 
 
7.º Sujeito inexistente ocorre em orações sem sujeito. Ou seja, por diversos motivos, 
alguns verbos não abrem espaço para o sujeito na oração. São vários os casos de 
sujeito inexistente. Vamos a eles: 
(a) Verbo haver com sentido de existir ou ocorrer. 
 Havia muitas pessoas na sala. 
 Houve muitos problemas ontem. 
 
Uai, mas o verbo haver tem outros usos além desse? Sim! Vou mostrar alguns para 
você: 
 
1) Ele pode ser pessoal e transitivo direto no sentido de ter ou de sentir. 
 Hajamos (=tenhamos) paz no coração! 
 Eu hei (=sinto) medo a baratas. 
2) Ele pode ser pessoal e transitivo direto e indireto no sentido de alcançar, con-
seguir. 
 De quem os agricultores houveram (=conseguiram) essas terras? 
3) Ele pode ser pessoal e transitivo direto no sentido de considerar, julgar. 
 Os rapazes houveram-no (=consideraram-no) por inteligente. 
4) Ele pode ser pessoal, pronominal e intransitivo no sentido de comportar-se, 
proceder ou de prestar contas. 
 A criança se houve (=se comportou) mal durante o jantar. 
5) Ele pode ser auxiliar para construção haver de + infinitivo. 
 Eu hei de melhorar minhas notas. 
6) Ele pode ser auxiliar de tempo composto, substituível por ter. 
 A criança já havia (ou tinha) feito todos os deveres. 
 Já haviam (ou tinham) passado vários anos. 
7) Ele pode ser auxiliar da locução haver que + infinitivo, no sentido de ser pre-
ciso. 
 Eles hão que tem mais empatia. 
 
Perceba que, nesses outros sentidos, o verbo haver varia normalmente. Ele só é impes-
soal (ou seja, gera oração sem sujeito) quando tem sentido de existir ou de ocorrer ou 
quando indica tempo decorrido. 
 
(b) Verbos fazer ou haver indicando tempo decorrido. 
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 Não nos vemos há alguns anos. 
 Faz meses que não vemos novidades aqui. 
 Ele não estudava havia alguns meses. 
(c) Verbos que indicam fenômeno meteorológico. 
 Faz 38º por aqui. 
 Está quente nesta cidade. 
 Já amanheceu. 
 Chove muito forte aqui. 
(d) Construção ir + para indicando tempo decorrido. 
 Vai para dois anos desde que a obra começou. 
(e) Construção passar + de indicando tempo 
 Já passou das duas da tarde! 
(f) Verbo tratar-se indicando assunto. Para Bechara e alguns outros gramá-
ticos, o sujeito aqui é de fato inexistente. Porém, para a maioria, o sujeito 
é indeterminado e esse “se” que acompanha o verbo é um índice de inde-
terminação do sujeito. 
 Trata-se de um problema sem solução. 
 Aquela época já se foi; trata-se de um momento que não volta mais. 
(g) Na construção bastar/chegar + de no imperativo. 
 Chega de tanto videogame! 
 Basta de brigas aqui em casa! 
(h) Alguns verbos que indicam sensações, como cheirar ou doer, sem sujeito 
expresso. 
 Cheira mal neste lugar. 
 Dói muito na minha perna. 
 
Não confunda sujeito simples com inexistente! Veja estes dois períodos: 
 
 Dói muito a minha perna. 
 Dói muito na minha perna. 
 
Na primeira frase, “a minha perna” é sujeito, porque é com esse termo que o verbo 
concorda: 
 
 Doem muito as minhas pernas. 
 
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Na segunda frase, contudo, o sujeito é inexistente, porque não há sujeito expresso. Per-
ceba que “na minha perna” não pode ser sujeito, porque está preposicionado. Veremos, 
mais à frente, que esse termo é um adjunto adverbial de lugar. Sim, um “n” mudou 
tudo na frase. Bem-vindo à Língua Portuguesa! Acredite: é a minha paixão. 
 
(i) Verbo ser indicando horas. 
 Já são duas da tarde. 
 É meio-dia e meia. 
 
Detalhe: todos os verbos impessoais (à exceção do ser) ficam obrigatoriamente no 
singular. Não se pluralizam verbos impessoais, ou seja, aqueles que não geram sujeito. 
O verbo ser é excepcional, porque está sujeito a regras especiais de concordância. 
 
Portanto, as frases que eu vou mostrar abaixo estão ERRADAS, já que nelas se plura-
lizou o verbo impessoal. 
 
 Houveram muitos problemas ontem. 
 Fazem 38º por aqui. 
 Tratam-se de problemas sem solução. 
 Já passaram das duas da tarde! 
 Fazem meses que não vemos novidades aqui. 
 
Todos esses erros de concordância verbal seriam resolvidos pondo o verbo no singular. 
 
Outro detalhe, que não pode faltar: quando o verbo impessoal é principal de uma 
locução verbal, o verbo auxiliar é que deve ficar no singular. Veja estes exemplos: 
 
 Pode haver muitos problemas ontem. 
 Deve fazer 38º por aqui. 
 Já vai passar das duas da tarde! 
 Vai fazer meses que não vemos novidades aqui. 
 
Perceba que os verbos sublinhados são impessoais, por isso os auxiliares, negritados, 
ficam no singular. 
 
8.º O sujeito será oracional quando for representado por uma oração. Veremos isso 
em período composto com mais detalhes. Aqui, darei apenas alguns exemplos. 
Caso queira saber mais, as orações que representam sujeitos são chamadas ora-
ções subordinadas substantivas subjetivas. 
 É importante que você se esforce mais. 
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 Sabe-se que nem tudo está perdido. 
 Vale a pena ver de novo. 
 
Uai, mas o sujeito não era indeterminado? Prestenção! Atente neste período: 
 
 Vale a pena ver de novo. 
 
Ele tem duas orações, a saber: 
 
1) Vale a pena 
2) ver de novo 
 
Cada oração tem a sua própria estrutura e, consequentemente, o seu sujeito, se houver. 
Então, vamos aos fatos: se temos duas orações, teremos duas classificações para su-
jeito: uma para cada verbo. 
 
1) O sujeito do verbo vale é “ver de novo”, a oração inteira. Por isso, o sujeito de 
vale é oracional. 
2) O sujeito do verbo ver é indeterminado, porque esse verbo está num infinitivo 
sem referente. 
 
Então, o sujeito realiza uma relação com o verbo. Se há dois verbos, teremos dois su-
jeitos a classificar. Cuidado com isso. 
 
9.º O sujeito acusativo aparece quando você tem uma construção deste tipo: 
Verbo causativo/sensitivo + infinitivo/gerúndio 
(a) Verbos causativos são aqueles que indicam a causa deum processo, que 
provoca algo. São exemplos frequentes mandar, deixar, fazer (no sentido 
de obrigar). 
(b) Verbos sensitivos são aqueles que indicam sensações. São exemplos fre-
quentes ver, ouvir e sentir. 
(c) O sujeito acusativo será o sujeito do infinitivo ou do gerúndio. 
(d) Este tipo de sujeito é especial, porque, além de poder ser representado por 
substantivo ou por pronome substantivo, ele pode ser representado por 
pronome oblíquo átono. Este é o único tipo de sujeito em que isso é pos-
sível. 
 A professora mandou o aluno fazer o dever. 
 Eu deixei o copo cair no chão. 
 Fizemo-lo trabalhar mais. 
 Ele não me viu trocando de roupa. 
 Eu senti um bicho me tocando. 
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14 
 
 Ouvi-lhe dizer a verdade. 
 
Vamos analisar uma dessas frases, para vocês entenderem a ideia. 
 A professora mandou o aluno fazer o dever. 
Primeiro, tenho que dizer: nunca a construção de causativo/sensitivo + infinitivo/ge-
rúndio formará locução verbal, e sim orações diferentes. Então, naquela frase há duas 
orações. 
 
1) A professora mandou 
2) o aluno fazer o dever 
 
O sujeito de “mandou” é simples (A professora). O sujeito de “fazer” é acusativo, 
porque entra na construção especial. O sujeito acusativo sempre será sujeito do infini-
tivo ou do gerúndio, e nunca do verbo causativo ou sensitivo. 
 
Vamos ver mais uma? 
 
 Ele não me viu trocando de roupa. 
 
A ordem está um pouco invertida, mas vamos analisar assim mesmo. Há duas orações: 
 
1) Ele não viu 
2) (me) trocando de roupa 
 
Sim, é assim que se analisa. Por mais que o “me” esteja antes do verbo (devido à atração 
da palavra negativa “não”), ele ainda é sujeito acusativo de “trocando”. O sujeito de 
“viu” é “Ele”. 
 
O gramático Rocha Lima afirma que, na verdade, em construções como esta: 
 Ouvi-lhe dizer a verdade. 
O pronome “lhe” é sujeito para “dizer” e objeto direto para “ouvi” ao mesmo tempo; é 
um caso de dupla função sintática, e na verdade bem único, já que, por regra, cada 
vocábulo/locução assume, no máximo, uma única função sintática. Polêmicas... Leve 
as duas análises na cabeça. 
 
10.º Nunca é tarde para recordar: quando o verbo está no imperativo, o sujeito é deter-
minado, a menos que se encaixe num dos casos especiais de sujeito inexistente. 
 Fiquem em casa! [sujeito oculto: vocês] 
 
PREDICAÇÃO VERBAL 
 
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 O próximo termo da oração que estudaríamos se chama predicado, mas, antes 
dele, você deve conhecer um pouco de predicação verbal. A rigor, os verbos são divididos 
em subgrupos, a depender das estruturas que geram no predicado. Veja só! 
 
Verbos 
Nocionais/ Significativos 
Transitivos 
Diretos 
Indiretos 
Diretos e indiretos/ Bitransitivos 
Intransitivos 
Copulativos/ de ligação 
 
1.º Verbos nocionais (ou significativos) são aqueles que indicam ação, diferente-
mente dos verbos de ligação (ou copulativos), que indicam estado. 
(a) Não decore verbos de ligação! Já vi inúmeras “diquinhas” de professores 
para memorizar os verbos de ligação. Não faça isso, porque vários verbos 
podem mudar a transitividade. Veja: 
 A festa será legal. [verbo de ligação] 
 A festa será amanhã. [verbo intransitivo] 
2.º Todos os verbos de ligação vêm acompanhados de predicativo do sujeito. 
(a) O predicativo do sujeito é uma característica que está associada ao sujeito, 
mas está fora dele. Veja: 
 O menino estava feliz. 
 O termo em negrito é predicativo do sujeito, porque se refere a ele, mas está fora 
dele. Perceba que o adjetivo “feliz” está se referindo ao “menino”. 
(b) Logicamente, quando não há predicativo do sujeito na frase, o verbo não 
é de ligação. 
 Vocês ficam em casa. [verbo intransitivo] 
 Esse verbo é intransitivo, porque “em casa” é um adjunto adverbial de lugar, e não 
predicativo do sujeito. 
3.º Os predicativos (do sujeito, do objeto) podem ocorrer em todas as transitividades, 
e não só com verbos de ligação. 
 Eles chegaram atrasados. [verbo intransitivo] 
 Os professores julgaram incompetente o aluno. [verbo transitivo direto] 
 Preciso desta sala limpa! [verbo transitivo indireto] 
 O aluno pediu chateado ajuda ao professor. [verbo bitransitivo] 
4.º Verbos intransitivos são aqueles que, além de não indicarem ação, não pedem 
complemento verbal (objeto direto ou objeto indireto). 
 A luz vive! 
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 Ele morreu. 
 O rapaz correu à noite. 
5.º Verbos transitivos diretos são aqueles que indicam ação e pedem apenas um 
complemento, que não é preposicionado obrigatoriamente. 
 A jovem comprou um carro. 
 Eu quero um emprego. 
 Ele bebeu a água. 
(a) O objeto direto não é obrigatoriamente preposicionado, porque existem 
casos, limitados, de objeto direto preposicionado. Veremos isso mais à 
frente. 
 O jovem comeu do bolo. 
6.º Verbos transitivos indiretos são aqueles que indicam ação e pedem apenas um 
complemento obrigatoriamente preposicionado. 
 Preciso de ajuda. 
 Pertenço a um bom grupo. 
 Ele gosta de bolo. 
7.º Verbos transitivos diretos e indiretos (ou bitransitivos) são aqueles que pedem 
dois complementos: um obrigatoriamente preposicionado (objeto direto); outro 
não obrigatoriamente preposicionado (objeto indireto). 
 Ele pediu ajuda ao professor. 
 Informei o policial do problema. 
 Nós agradecemos a aula ao professor. 
8.º Vi cair isto poucas vezes em prova! Mas existem alguns verbos que são transi-
tivos e, naturalmente, pedem um predicativo do objeto. Esses verbos são chama-
dos transobjetivos. 
 Os moradores nomearam João síndico. 
 Os juízes julgaram-no inocente. 
 Chamaram ao rapaz de inteligente. 
 São poucas as bancas que diferenciam os verbos transobjetivos dos demais tran-
sitivos. Para a maioria dos casos, os verbos das duas primeiras frases são transitivos dire-
tos mesmo; o da última é transitivo indireto. 
9.º Alguns verbos transitivos indiretos pedem dois objetos indiretos, e isso não muda 
a classificação deles. Existem divergências, é claro. Há gramáticos que falam em 
complemento relativo, mas a maioria trata complemento relativo e objeto indireto 
como se fossem a mesma coisa. Veja um exemplo de transitivo indireto com dois 
complementos: 
 O civil se queixou do problema ao policial. 
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 Viram só? Existem mesmo! 
10.º Existem um milhão de divergências, mas quero citar uma, que é bem comum. 
Verbos que indicam movimento geralmente pedem a preposição “a”. Veja alguns 
exemplos: 
 Ele vai à escola. 
 Eu cheguei ao apartamento. 
 O pai levou o filho ao hospital. 
 Esse termo que acompanha esses verbos é tradicionalmente classificado como ad-
junto adverbial de lugar, e assim é cobrado na maioria das provas. Alguns pesquisado-
res, como Luft, veem esses verbos como transitivos indiretos. Algumas bancas, como a 
FCC e a Consulplan, seguem essa visão do Luft; as demais adotam a visão majoritária. 
Fique atento! 
 
PREDICADO 
 
 Predicado é o termo que anuncia algo em relação ao sujeito. Basicamente, o pre-
dicado é tudo aquilo que não pertence ao sujeito. Vale lembrar que o vocativo também 
não participa do predicado nem do sujeito, já que não é termo da oração. 
 O predicado sempre contém verbo e pode ser de três tipos: verbal, nominal e 
verbo-nominal. 
 
1.º Predicado verbal é aquele em que há um verbo nocional, mas não há predicativo 
(nem do sujeito, nem do objeto). Assim, o núcleo do predicado é o próprio verbo. 
 Ela está em casa. 
 Eu quero ajuda. 
2.º Predicado nominal é aquele emque há verbo de ligação e, consequentemente, 
há predicativo do sujeito. Assim, o núcleo do predicado é apenas o predicativo. 
 Meu filho é estudioso. 
 Ele ficou sentado durante horas. 
3.º Predicado verbo-nominal é aquele em que há verbo nocional e predicativo (do 
sujeito ou do objeto). Assim, o predicado tem dois núcleos: o verbo e o predica-
tivo. 
 O professor trouxe corrigidas as provas? 
 A menina veio ontem desesperada. 
 
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Por que a nomenclatura é assim? É simples: o núcleo do predicado pode ser um verbo 
ou um nome (nomes são, em geral, substantivos ou adjetivos). 
 
Todos os verbos nocionais são núcleo do predicado. Os verbos de ligação não são, 
porque em geral são vazios de sentido. É por isso que eles existem um predicativo do 
sujeito em sua estrutura: para suprir a falta de significação própria. 
 
Os predicativos são núcleos nominais do predicado, já que são dotados de significação. 
Os verbos nocionais são núcleos verbais. Então, a regra é simples: 
 
1) Quando o predicado tem um núcleo verbal, ele é verbal. 
2) Quando o predicado tem um núcleo nominal, ele é nominal. 
3) Quando o predicado tem um núcleo verbal e um núcleo nominal, ele é verbo-
nominal. 
 
Simples, né? A nomenclatura tem lógica! 
 
 Betinho, predicado é só isso? É só, apenas, somente, solamente isso. 
 
PREDICATIVO 
 
 O predicativo, basicamente, é um termo que se refere a outro, mas sem estar dentro 
dele. Explicação difícil, eu sei, mas veja este exemplo: 
 Nós estamos felizes. 
 O professor trouxe corrigidas as provas. 
 O adjetivo “felizes” se refere ao sujeito “nós”, mas não pertence ao sujeito. Por 
isso, ele é um predicativo do sujeito. O adjetivo “corrigidas” se refere ao objeto “as pro-
vas”, mas está fora dele. Por isso, é um predicativo do objeto. 
1.º Alguns exemplos com predicativo do sujeito: 
 A criança ficou cheia de felicidade. 
 Mãe, eu estou com fome! 
 A professora contou feliz a história aos alunos. 
 Minha filha saiu apressada. 
2.º Alguns exemplos com predicativo do objeto direto: 
 Os moradores nomearam João síndico. 
 Os comerciantes julgaram o carro caro. 
 Os examinadores consideraram-no competente. 
3.º Alguns exemplos com predicativo do objeto indireto: 
 Preciso desta sala limpa! 
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 Chamaram ao rapaz de inteligente. 
 
Como você mesmo deve ter percebido, o predicativo (do sujeito ou do objeto) pode vir 
preposicionado. Isso dependerá do contexto. 
 
OBJETO DIRETO 
 
 Agora, vamos começar a série dos termos integrantes. 
 
1.º O objeto direto é um termo pedido por verbos transitivos diretos ou por verbos 
transitivos diretos e indiretos. 
2.º Naturalmente, não vem preposicionado. 
 Ela viu o amigo. 
 Meu amigo me ajudou. 
 Ela bebeu água e suco. 
3.º Existem alguns casos especiais de objeto direto: objeto direto interno, objeto 
direto pleonástico e objeto direto preposicionado. Vamos falar um pouco sobre 
eles: 
4.º Objeto direto interno ocorre quando se usa um verbo intransitivo como transi-
tivo direto, dando a ele um complemento cognato (com mesmo radical) ou do 
mesmo campo semântico do verbo. Sempre há um modificador para esse comple-
mento. Não entendeu muito bem? Veja os exemplos: 
 Ele morreu uma morte muito triste. 
 Eu ri um riso intenso. 
 Simplificadamente, é essa coisa de “viver uma vida”, “rir um riso”, “morrer uma 
morte”, “amanhecer um dia” etc. 
5.º Objeto direto pleonástico é representado por um pronome oblíquo átono, que 
retoma um objeto direto já apresentado no início da oração. Então, o pleonástico 
reforça o objeto direto que já existe na oração. 
 A mim ele não me ama. 
 Os presentes, a minha amiga já os comprou. 
6.º Objeto direto preposicionado é, logicamente, aquele que recebe preposição. Pri-
meiro, já vou alertando: não adianta ficar estericozinho, porque objeto direto pre-
posicionado não é bagunça! Nem sempre um objeto direto pode ser preposici-
onado! Alguns alunos ficam neuróticos, pensando “E agora, como vou diferen-
ciar o objeto direto do indireto?” Basta saber os casos em que ocorre objeto direto. 
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Não vou elencar todos aqui, porque são muitos e isso quase nunca cai em prova, 
mas vou colocar alguns, para você entender a ideia da coisa. 
(a) Algumas expressões idiomáticas enfáticas contêm objeto direto preposici-
onado. É o caso de fazer com que, cumprir com, pedir por e algumas 
em que a preposição indica parte, fração: beber de, dar de, comer de etc. 
 O rapaz pedia por socorro. 
 Você já bebeu do suco? 
 A mãe fez com que o filho estudasse. 
 Já comi do bolo. 
 Note que “comer do bolo” significa “comer uma parte do bolo”. Os termos negri-
tados são objetos diretos preposicionados. 
(b) Quando o objeto direto é um pronome oblíquo tônico. Isso acontece por-
que esses pronomes sempre vêm preposicionados, lembra? 
 Mãe, você viu a mim no jogo? 
 Encontrei a ti no shopping ontem. 
(c) Quando existe ambiguidade entre objeto direto e sujeito. Lembra que o 
sujeito não leva preposição? Então, se você preposiciona o objeto direto, 
já sabe quem é sujeito e quem é objeto direto. 
 Ao caçador o tigre matou. 
 O caçador ao tigre matou. 
 
Veja a frase sem preposição: 
 O caçador o tigre matou. 
Do jeito como a frase está, não é possível saber se quem matou foi o caçador ou o tigre, 
já que ambos têm capacidade para fazer isso. Então, você deve preposicionar o termo 
que você não quer que seja o sujeito: 
 Ao caçador o tigre matou. 
 O caçador ao tigre matou. 
Nas duas frases, os termos negritados são os objetos diretos preposicionados. 
Essa ambiguidade não acontece em frases como esta: 
 A mulher o carro comprou. 
Por uma razão muito simples: entre “a mulher” e “o carro”, apenas a mulher tem a 
capacidade de fazer uma compra, então é óbvio que ela é o sujeito. Assim, não se usa 
objeto direto preposicionado nesse caso. 
 
(d) Com a expressão de reciprocidade um ao outro, uma à outra, uns aos 
outros, umas às outras. 
 Os alunos ajudaram uns aos outros. 
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 As meninas conhecem umas às outras. 
(e) Quando o objeto direto é o pronome relativo quem, porque ele vem sem-
pre preposicionado. Lembra que eu até dei um exemplo? 
 O professor a quem respeito é muito bom. 
 A minha irmã, a quem conheço bem, não faria isso. 
(f) Quando o objeto direto é o numeral ambos. 
 Parece que você quer a ambos. 
 
OBJETO INDIRETO 
 
1.º O objeto indireto é aquele exigido por verbos transitivos indiretos ou verbos tran-
sitivos diretos e indiretos. 
2.º Ele sempre vem preposicionado. 
 Gostou da comida? 
 Eu agradeci-lhe. 
 Ele pensa em você. 
3.º Assim, como o objeto direto, existem alguns objetos indiretos especiais. Vamos a 
eles! 
4.º Objeto indireto pleonástico, assim como o objeto direto pleonástico, é aquele 
que, em forma de pronome oblíquo átono, retoma um objeto indireto já explícito 
no começo da frase. 
 Aos amigos, ceda-lhes ajuda. 
 A mim peça-me que o acompanhe. 
5.º Objeto indireto por extensão é aquele que aparece em estruturas de verbos que 
não são transitivos indiretos. Veja: 
 Os ladrões roubaram-me a carteira! 
 O verbo roubar é, naturalmente, transitivo direto, mas se pôs o pronome me aí 
para indicar que a carteira que foi roubada pertence ao sujeito. Alguns gramáticos enten-
dem que esse pronome, na verdade, é um adjunto adnominal, equivalendo ao pronome 
possesivo correspondente: 
 Os ladrões roubaram a minha carteira.Leve as duas visões para a sua prova. Ainda, há casos em que esse objeto indireto 
por extensão não carrega a ideia de posse, mas sim de opinião ou de interesse. 
 Você sempre será um bebê para mim. [de opinião] 
 Não me ponha os pés sobre a mesa! [de interesse] 
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COMPLEMENTO NOMINAL 
 
 O complemento nominal é muito parecido com o objeto indireto. A diferença é 
que o objeto indireto é um complemento verbal, ou seja, complementa verbos; o com-
plemento nominal é um complemento...nominal! Ele completa nomes. 
1.º O complemento nominal se associa a 
(a) Substantivo abstrato, geralmente deverbal ou que indica sensação, emo-
ção. 
 A falta de complementos pode destruir o projeto. 
 O ensino do professor é muito bom. 
 Tenho muito medo de baratas. 
(b) Adjetivo 
 Este livro pode ser útil a você. 
 Estou cheio de felicidade. 
 Sua atenção é importante para mim. 
(c) Advérbio 
 Ele agiu favoravelmente ao réu. 
 Diferentemente de você, eu me dou valor. 
 Estou longe de você. 
 
Neste último caso, existem duas análises possíveis. Alguns autores entendem que 
“longe” é um advérbio de lugar e “de você” é complemento nominal, que se associa a 
esse advérbio. Outros autores, porém, analisam “longe de” como uma locução prepo-
sitiva. Assim, “longe de você” é um adjunto adverbial de lugar, sem complemento no-
minal dentro. Cuidado com esses casos dúbios! 
 
(d) Alguns substantivos concretos, mais raramente. 
 Ele é um candidato à presidência da república. 
2.º O complemento nominal é sempre preposicionado. 
3.º O complemento nominal, quando associado a substantivo derivado de verbo tran-
sitivo, tem valor paciente. 
 A invenção da máquina fotográfica foi genial! 
 A máquina fotográfica foi inventada. 
4.º O complemento nominal oracional tem algumas peculiaridades: 
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(a) Alguns autores entendem que a preposição é facultativa com eles, mas não 
é assim que se cobra em provas geralmente. 
 Tenho certeza de que tudo ficará bem. 
(b) Alguns nomes só recebem complemento nominal oracional, mas não com-
plemento nominal simples. 
 Não gosto dessa história de você ficar saindo tarde. 
 
VOZES VERBAIS 
 
 O próximo termo que veríamos seria o agente da passiva, porém, para entendê-lo, 
você precisa conhecer as vozes verbais, ou seja, as vozes a que o verbo está sujeito. 
 O fato é este: o verbo varia em voz, a depender da maneira como está estruturado 
o predicado. Alguns gramáticos criam polêmica quanto a isso, dizem que alguns verbos 
não são classificados em relação à voz. Para os curiosos, adotarei aqui a visão de Bechara, 
que leva em conta a forma do verbo. Não caem muitas questões sobre isso, e a visão mais 
adotada é a dele. Então, é isso. Vamos lá? 
 
1.º A rigor, existem quatro tipos de voz verbal: ativa, passiva, reflexiva e reflexiva 
recíproca. Todos os verbos podem ser classificados quanto à voz, exceto os de 
ligação. 
2.º A voz passiva é dividida em dois tipos: analítica e sintética. 
(a) A voz passiva analítica ocorre quando há locução de voz passiva. A lo-
cução verbal de voz passiva é formada pela seguinte estrutura: 
SER2 + PARTICÍPIO 
 Os desenhos foram vistos pelas crianças. 
 Os alunos foram ajudados pelos professores. 
 O trabalho será feito por mim. 
 As provas foram entregues aos alunos pela professora. 
A voz passiva, a rigor, só pode ser realizada por verbos transitivos diretos ou por verbos 
transitivos diretos e indiretos. Veremos mais à frente por que isso é verdade. 
 
Há, porém, algumas exceções de verbos transitivos indiretos excepcionais, que permi-
tem a voz passiva. São alguns deles assistir, pagar, perdoar e responder. Veja exem-
plos: 
 
 
2 Alguns autores dizem que a locução de voz passiva também pode ser formada por ESTAR ou, mais rara-
mente, por FICAR, em construções como “A terra estava habitada de índios.” e “A rua ficou inundada de 
água.”. 
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 O filme foi assistido por nós. 
 A pergunta foi respondida pelo aluno. 
 O cobrador já foi pago. 
 Meu amigo já foi perdoado. 
 
Nem sempre a sequência ser + particípio é de voz passiva analítica. Cuidado, porque 
haverá casos em que esse verbo ser será de ligação, e o particípio que está na frente 
funcionará como um adjetivo, um predicativo do sujeito. Por exemplo: 
 É proibido saltos na piscina. 
Pode-se interpretar que “É” é verbo de ligação e que “proibido” é um adjetivo com 
função de predicativo do sujeito. “saltos” é o sujeito. Nesse caso, não há voz passiva, 
porque “É proibido” não forma locução verbal. 
 
 
(b) A voz passiva sintética é aquela em que um verbo transitivo direto ou um 
verbo transitivo direto e indireto está associado a um pronome se, chamado 
partícula apassivadora. Veremos melhor todas as funções dos pronomes 
oblíquos átonos mais à frente. 
 Viram-se muitos filmes no cinema. 
 Alugam-se casas. 
 Deram-se as provas aos alunos. 
3.º A voz reflexiva acontece quando o sujeito realiza uma ação que volta contra si 
mesmo. Nesses casos, haverá um pronome reflexivo (que é um pronome oblíquo 
átono que concorda com o sujeito). Esse pronome será complemento do verbo 
(objeto direto ou indireto). 
 O menino se cortou com a faca. 
 Eu me dei o direito de ajudá-los. 
 Tu te barbeaste com a máquina? 
4.º A voz reflexiva recíproca ocorre nos mesmos moldes da voz reflexiva comum. 
A diferença é que na reflexiva o sujeito realiza uma ação que volta para si; na 
recíproca, os dois sujeitos realizam a ação, um para o outro. 
 Os empresários se abraçaram. 
 Os estudantes se ajudaram. 
 Nós nos beijamos. 
 
Basicamente, na voz reflexiva, X faz a ação e X recebe a ação. Na recíproca, X faz 
ação para Y, e Y faz ação para X. 
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5.º A voz ativa é fácil: acontece sempre que não ocorre nenhuma outra voz. Ou seja, 
se o verbo não se encaixa em nenhuma das situações acima, ele está na voz ativa. 
 Há muita gente boa no mundo. 
 Nós estamos em casa. 
 Precisa-se de ajudantes nesta loja. 
 Eu quero a sua companhia. 
 
PASSAGEM DA VOZ ATIVA À PASSIVA 
 
 Agora, vamos falar da transposição de vozes. Como se passa da voz ativa para a 
voz passiva analítica? É bem simples. Siga esta tabelinha: 
 
Voz ativa Voz passiva analítica 
Sujeito Agente da passiva 
Objeto direto3 Sujeito 
Predicativo do objeto direto Predicativo do sujeito 
Verbo na voz ativa Locução de voz passiva 
 
 Isso mostra a mudança de funções entre a voz ativa e a passiva analítica. Veja a 
frase abaixo: 
 O professor entregou as provas aos alunos. 
1.º Vamos ao passo a passo, para entender o que devemos fazer para essa oração 
passar à voz passiva analítica. 
(a) O sujeito da oração é “O professor”. Esse sujeito (veja a tabelinha) deve 
se transformar no agente da passiva, que, comumente, fica lá no final da 
oração. Ele será, agora, “pelo professor”. 
(b) O objeto direto é “as provas”. Ele será o sujeito da oração na voz passiva. 
Então, agora, o sujeito é “As provas”. 
(c) O verbo “entregou” deverá fazer locução de voz passiva. Para concordar 
com o novo sujeito (as provas), ele deverá ir ao plural: “foram entregues”. 
(d) Por fim, o termo “aos alunos” é objeto indireto. Ele está na tabela? Não! 
Logo, ele não sofre modificação nenhuma, continua sendo objeto indireto. 
 A frase final, na voz passiva analítica, é esta: 
 As provas foram entregues aos alunos pelo professor. 
 
3 Ou objeto indireto, no caso daqueles verbos especiais (perdoar, responderetc.). 
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2.º Mais um exemplo? Agora, vamos a um que tenha predicativo do objeto. Vamos 
passar a oração abaixo à voz passiva. Veja: 
 Os juízes consideraram o réu culpado. 
(a) O sujeito é “Os juízes”. Transformamos esse termo em “pelos juízes”, para 
que ele seja o novo agente da passiva. 
(b) O objeto direto é “o réu”. Esse será o novo sujeito da oração. 
(c) O verbo deverá fazer locução de voz passiva e concordar com o novo su-
jeito. Assim, temos “foi considerado”. 
(d) O predicativo do objeto “culpado” vai continuar na mesma posição, porém 
agora ele não será mais predicativo do objeto, e sim do sujeito. 
 No fim, temos isto: 
 O réu foi considerado culpado pelo júri. 
 
 Beleza, Betinho. Mas o que eu faço se eu quiser passar uma oração à voz passiva 
sintética? Aí a história é um pouquinho diferente. Nas orações em voz passiva sintética, 
é comum que o agente da passiva não apareça, porque é indeterminado. Então, passam-
se à voz passiva sintética orações com sujeito indeterminado principalmente, já que 
esse será o novo agente da passiva. A maneira de passar é bem simplesinha. Quer ver? 
 
3.º Vamos passar a oração abaixo à voz passiva sintética: 
 Viram o jogo de futebol na televisão. 
(a) O sujeito é indeterminado, logo o agente da passiva também será. Não há 
nenhuma modificação aqui; é apenas um detalhe. 
(b) O verbo sofrerá duas alterações: (1) ele receberá a partícula apassivadora 
se; (2) ele passará a concordar com o antigo objeto direto (que agora será 
sujeito). Então, agora será assim: Viu-se. 
(c) O objeto direto (o jogo de futebol) será o novo sujeito. Por isso, o verbo 
concordará com ele, ficando no singular. 
(d) “na televisão” é um adjunto adverbial de lugar. Adjuntos adverbiais estão 
naquela tabelinha que eu passei? Não! Então, ele continua com a mesma 
função. 
 Ao fim e ao cabo, a frase que temos é esta: 
 Viu-se o jogo de futebol na televisão. 
 Não mudou quase nada, não foi? Pois é, é isso mesmo. 
 
 Agora sim! Vamos ao agente da passiva! 
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AGENTE DA PASSIVA 
 
1.º O agente da passiva é um termo que só aparece na voz passiva (analítica). Ele 
corresponde ao sujeito da voz ativa. 
 O trabalho foi feito por mim. [Eu fiz o trabalho.] 
 O filme foi assistido por todos na sala. [Todos assistiram ao filme na sala] 
 A menina já era conhecida dos professores. [Os professores já conheciam a 
menina] 
2.º Esse termo vem sempre preposicionado pelas preposições por ou, mais raramente, 
de. 
3.º Por corresponder ao sujeito, o agente da passiva pode estar indeterminado quando 
corresponder a um sujeito indeterminado. 
 O carro já foi consertado. [Consertaram o carro] 
4.º Assim como o sujeito, também existe o agente da passiva oracional. Falaremos 
mais sobre isso em Sintaxe II (ansioso, né?). 
 A venda foi efetuada por quem estava no caixa. [Quem estava no caixa efe-
tuou a venda] 
 
APOSTO 
 
 A partir de agora, veremos os termos acessórios da oração. Começamos com o 
aposto, que é um termo de núcleo geralmente substantivo, mas que se refere a outro ele-
mento substantivo. Veja um exemplo: 
 Minhas duas filhas passaram no vestibular: uma para Química, outra para 
Física. 
 O aposto da frase acima tem dois núcleos: “uma” e “outra” (pronomes indefinidos 
substantivos). Esses se referem a “Minhas duas filhas”, no começo da oração. 
1.º O aposto tem uma característica única: ele realiza uma “igualdade”. Veja o exem-
plo abaixo: 
 Marcos Pontes, astronauta brasileiro, voltou à Terra encantado. 
 Se eu substituir o termo a que o aposto se refere pelo próprio aposto, não haverá 
problemas. Veja: 
 O astronauta brasileiro voltou à Terra encantado. 
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 Isso é uma característica única do aposto: ele equivale ao termo a que se refere. 
2.º Existem seis tipos de aposto, cujos nomes já denunciam seu valor: 
(a) Aposto explicativo 
 Pelé, rei do futebol, fez mais de mil gols. 
 Gregório de Matos, autor do Seiscentismo, é considerado o primeiro poeta 
brasileiro. 
(b) Aposto enumerativo 
 O aluno dever ir à escola com vários materiais escolares: borracha, lápis, 
caderno, cola, tesoura, apontador e régua. 
 Lembro duas grandes obras que li: “Grande Sertão: Veredas” e “Dom Cas-
murro”. 
(c) Aposto especificativo 
 Fui à cidade do Rio de Janeiro. 
 A aluna Joana continua a nos surpreender. 
Como você deve ter notado, os apostos podem vir preposicionados. Isso não impede a 
regrinha da equivalência: 
 Fui à cidade do Rio de Janeiro. 
 Fui ao Rio de Janeiro. 
 
(d) Aposto resumitivo 
 Bebidas, salgados, sobremesas, lembrancinhas, tudo já foi preparado para 
o aniversário. 
 Joana, Maria, Clara, todas estavam na festa. 
(e) Aposto distributivo 
 João e Maria moram no mesmo país: esta na cidade do Porto, e aquele na 
cidade de Lisboa. 
 Os dois são bons alunos: um na História, outro na Matemática. 
(f) Aposto de oração 
 O cachorro abanou o rabo, sinal de felicidade. 
 Maria disse que está doente, fato que me preocupa muito. 
 João sempre vai às aulas, o que o fez passar na prova. 
3.º E não confunda aposto de oração com aposto oracional, porque são coisas dife-
rentes. Aposto de oração é aquele que se refere à oração inteira. Aposto oracio-
nal é aquele que aparece em forma de oração. O aposto oracional existe, mas ele 
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é uma outra versão do aposto explicativo. Ou seja, o que existe, na verdade, é a 
possibilidade de se construir um aposto explicativo oracional. Veja: 
 Preciso te contar uma coisa: que eu te amo demais! 
 Isso é um aposto explicativo em forma de oração. Ele se refere ao termo “uma 
coisa”, antes dos dois-pontos. 
 
ADJUNTO ADVERBIAL 
 
 O adjunto adverbial é um termo que exprime circunstância na oração. Essa cir-
cunstância pode ser de vários tipos. Veremos isso mais adiante. 
1.º Os adjuntos adverbiais podem se associar a verbos, a adjetivos ou a advérbios. 
 Você trabalha muito. 
 Ela fez o trabalho com rapidez. 
 Você é muito bonita. 
 Esta cena é bonita demais. 
 Você chegou bastante cedo. 
 Ela age muito intensamente. 
2.º Eles podem exprimir diversas circunstâncias. Vou elencar algumas aqui. 
(a) Afirmação 
 Certamente, eu irei à festa. 
 Ele com certeza é muito inteligente. 
 Sim, eu estou bem. 
(b) Negação 
 Não há o que fazer nesses casos. 
 Você não sai daqui de jeito nenhum! 
 Ela nem sequer estudou o mínimo. 
(c) Lugar 
 Fiquem em casa! 
 Onde você está? 
 Ela perdeu o carro dentro do estacionamento. 
(d) Tempo 
 Não sei quando ele chegará, meu filho. 
 Nós sairemos às duas horas. 
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 Durante o evento, ocorreram vários sorteios. 
(e) Modo 
 Como você entrou aqui? 
 Você trabalha muito devagar! 
 Ela age igualmente ao seu pai. 
(f) Companhia 
 Você já sabe com quem vai viajar? 
 Amanhã, sairei com meu namorado. 
 Fiz o trabalho todo sem você. 
(g) Assunto 
 Sobre futebol, não entendo nada! 
 Há pouco que dizer quanto a esse tópico. 
 Acerca de Física, meu filho passa horas estudando. 
(h) Intensidade 
 Aquele livro não é de todo4 inútil. 
 Essa menina é extremamente chata. 
 Você é muito inteligente! 
(i) Causa 
 Quase morro de fome! 
 Não sei por que ele está tão ansioso. 
 Ele ficou triste por causa do filme. 
(j) Meio 
 Vendi meus livros porintermédio de propagandas na internet. 
 Com esforço, consegui alcançar meus objetivos. 
 Eu amo viajar de avião. 
(k) Instrumento 
 Unte a fôrma com manteiga. 
 Fiz um desenho à caneta. 
 Acabei me machucando com o prego. 
(l) Ordem 
 O atleta chegou em primeiro lugar. 
 
4 “De todo” é o mesmo que “totalmente”. 
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 Primeiro, não te acho coerente. 
 Por último, quero que você suma! 
(m)Preço 
 As mercadorias custam muito caro! 
 Quanto custa esse material? 
 Eles cobraram barato pelo caderno. 
(n) Matéria 
 70% do seu corpo é feito de água. 
 Essa camisa é feita com algodão. 
 Esse aparelho é todo feito de metal. 
(o) Inclusão 
 Ele também está na lista. 
 Todos nós vamos, inclusive você. 
 Além de mim, mais alguém quer vir? 
(p) Exclusão 
 Todos deverão ficar, exceto você. 
 Apenas faremos uma pergunta. 
 Esse direito é exclusivamente nosso. 
3.º Existem, é claro, adjuntos adverbiais oracionais. Isso será visto no capítulo de 
Sintaxe II. 
 A rua está molhada porque choveu. 
 Nós só sairemos se vocês arrumarem o quarto. 
 Quando a chuva passar, sairei para correr um pouco. 
 
ADJUNTO ADNOMINAL 
 
 O adjunto adnominal é mais simplesinho. Você vai ver! 
 
1.º Adjunto adnominal é o termo que se associa a substantivo (ou a palavra seme-
lhante, como pronome substantivo) para restringir-lhe o sentido. 
 Aquelas lindas moças de olhos azuis estão sentadas. 
2.º Além disso, o adjunto adnominal é sempre uma função que está dentro de outra. 
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 O menino da escola me pediu ajuda no dever. [dentro do sujeito] 
 Ela queria o meu presente. [dentro do objeto direto] 
 O trabalho foi feito por um grande amigo meu. [dentro do agente da pas-
siva] 
3.º O adjunto adnominal pode ser desempenhado por artigo, adjetivo, numeral adje-
tivo, pronome adjetivo e locução adjetiva. 
 O mundo antigo é cruel. [artigo, adjetivo] 
 Aquele tempo era mais sombrio. [pronome adjetivo] 
 Tenho dois amigos muito legais. [numeral adjetivo] 
 O aluno do Canadá virá hoje à tarde. [artigo, locução adjetiva] 
4.º Geralmente o adjunto adnominal exprime posse, mas outros sentidos também são 
possíveis. 
 O caderno dele estava manchado de café. [posse] 
 O brinco daquela moça é bonito. [posse] 
 A sua casa é grande, hem! [posse] 
 A entrega das provas pelo professor assustou os alunos. [agente] 
 A venda da loja gerou vários lucros. [agente] 
 Um fio de cobre será suficiente. [matéria] 
5.º Pode haver um adjunto adnominal dentro de outro adjunto adnominal. 
 Ele é um amigo do filho do meu primo. [adjunto adnominal de “amigo”] 
 Ele é um amigo do filho do meu primo. [adjunto adnominal de “filho”] 
6.º Existem adjuntos adnominais oracionais. Veremos isso em Sintaxe II. 
 O aluno que estuda consegue o que quer. 
 
VOCATIVO 
 
 Como eu já havia dito antes, o vocativo não é termo oracional, e sim direcionador 
do discurso, mas é importante que você saiba o que ele é, já que cai em prova. 
 
1.º O vocativo indica um chamamento, ou seja, chama à atenção a pessoa para que 
ela escute o que será dito. 
2.º Esse direcionador sempre é separado por vírgula. 
 Betinho, ajude-me! 
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 Rosa, venha aqui! 
 Você precisa estudar mais, meu amigo! 
 Rafael, preste atenção à aula! 
 
FUNÇÕES SINTÁTICAS DOS PRONOMES 
OBLÍQUOS ÁTONOS 
 
 Agora vamos falar das funções sintáticas dos pronomes oblíquos átonos. Se você 
não lembra quais são eles, volte ao capítulo de Pronomes Pessoais e revise-os. A questão 
é que esses pronomes podem desempenhar diversas funções sintáticas na oração. 
 Por questões puramente didáticas, dividirei os pronomes oblíquos átonos em cinco 
grupos: (1) me; (2) te, nos, vos; (2) o, a, os, as; (3) lhe, lhes; (4) se. 
 Vamos lá? 
 
1.º O pronome me 
(a) Sujeito acusativo 
 Eles não me deixaram sair da sala. 
(b) Objeto direto 
 Ele me abraçou ontem! 
(c) Objeto indireto 
 Meu namorado me mandou flores. 
(d) Complemento nominal 
 Obrigado! Seu livro me foi muito útil. [útil a mim] 
(e) Adjunto adnominal 
 Roubaram-me a carteira! [a minha carteira] 
(f) Partícula expletiva5: só se associa a verbos intransitivos 
 Eu me fui daquele lugar. 
 
5 Partícula expletiva não é uma função sintática. Partícula expletiva é aquela que pode ser removida da frase 
sem causar prejuízo sintático ou semântico. Geralmente serve para dar realce, apenas; por isso, alguns a 
chamam de partícula de realce. 
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(g) Parte integrante do verbo6: só se associa a verbos transitivos indiretos, in-
transitivos ou de ligação 
 Eu me referi ao problema da empresa. 
2.º Os pronomes te, nos e vos 
(a) Sujeito acusativo 
 Vou te fazer entender a matéria! 
 Ouviram-nos contar a técnica de jogo. 
 Vi-vos jogando futebol ontem. 
(b) Objeto direto 
 Eu te amo! 
 Nós nos ajudamos nos estudos ontem. 
 Vós vos namorais? 
(c) Objeto indireto 
 O teu amigo te respondeu? 
 Nossos amigos nos levaram comida. 
 Vossos filhos vos obedecem? 
(d) Complemento nominal 
 Eu te tenho muita paixão. [paixão por ti] 
 Sua presença nos é muito importante. [importante para nós] 
 A ajuda é-vos necessária? [necessária a vós] 
(e) Adjunto adnominal: equivale ao possessivo correspondente 
 Eles devem obedecer-te às regras. [às tuas regras] 
 Ele quer-nos o auxílio. [o nosso auxílio] 
 Vós já vos vendestes o carro? [o vosso carro] 
(f) Parte integrante do verbo: só se associa a verbos transitivos indiretos, in-
transitivos ou de ligação 
 Tu te queixaste da questão ao professor? 
 Nós todos nos arrependemos. 
 Vós vos esforçastes para isso! 
3.º Os pronomes o, a, os e as 
 
6 Parte integrante do verbo também não é uma função sintática; é um pronome que se associa obrigatoria-
mente a alguns verbos. Esses verbos são chamados pronominais. Esses verbos não podem ser conjugados 
sem o pronome. Portanto, você não “queixa” de um problema, mas sim se queixa dele. 
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(a) Sujeito acusativo 
 Mandei-os fazer as tarefas! 
(b) Objeto direto 
 Eu quero namorá-la! 
4.º Os pronomes lhe e lhes 
(a) Sujeito acusativo: somente quando o verbo no infinitivo ou no gerúndio 
possui objeto direto (ou seja, quando é transitivo direto ou transitivo direto 
e indireto) 
 Fiz-lhe fechar a boca. 
(b) Objeto indireto 
 O professor em breve lhe responderá. 
(c) Complemento nominal 
 Essa obra lhe será essencial. [essencial a você/a ele/a ela] 
(d) Adjunto adnominal: equivale ao possessivo seu ou flexões 
 Pegaram-lhe as canetas. [as suas canetas] 
5.º O pronome se 
(a) Partícula apassivadora: somente quando o verbo possui objeto direto e esse 
não é preposicionado 
 Compraram-se as bebidas. [As bebidas foram compradas] 
 Deu-se dinheiro aos pobres. [Dinheiro foi dado aos pobres] 
(b) Índice de indeterminação: associa-se a verbos transitivos indiretos, intran-
sitivos, de ligação ou verbos transitivos diretos que tenham objeto direto 
preposicionado 
 Assiste-se a filmes. 
 Vive-se bem neste lugar. 
 É-se feliz aqui. 
(c) Sujeito acusativo 
 A estudante se permitiu descansar um pouco. 
(d) Objeto direto7 
 O rapaz, depois de tanto descansar, entregou-se ao trabalho. 
(e) Objeto indireto 
 
7 O pronome se, especialmente, só assume valor reflexivo no Português. Isso significa que esse pronomesempre se referirá ao sujeito. Não são adequadas à norma brasileiras frases como esta: Eu se dei um pre-
sente. 
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 A menina deu-se um presente. 
(f) Complemento nominal 
 Aquele homem se guarda muito rancor. [rancor de si] 
(g) Partícula expletiva: só se associa a verbos intransitivos 
 Ele se riu durante a reunião. 
(h) Parte integrante do verbo: só se associa a verbos transitivos indiretos, in-
transitivos ou de ligação 
 Ele está se sentindo triste. 
 
COMPLEMENTO NOMINAL X OBJETO INDI-
RETO 
 
 Agora começaremos a entender como se diferenciam algumas funções muito pró-
ximas. O primeiro par de funções é esse: complemento nominal e objeto indireto. A dife-
rença entre os dois é bem simples: o complemento nominal é pedido por um nome, en-
quanto o objeto indireto é pedido por um verbo. Veja só: 
 Ele respondeu à pergunta. 
 Ele deu ao professor uma resposta à pergunta. 
 Quase a mesma coisa, mas não é. Na primeira frase, o termo é objeto indireto. Por 
quê? Porque está associado ao verbo “respondeu”. Basta fazer o testezinho básico: Quem 
responde responde a algo. Então, esse “à pergunta” está ligado ao verbo. Na segunda 
frase, “à pergunta” está associado ao nome “resposta”. Quer ver? Quem dá resposta dá 
resposta a algo. Não foi o verbo “deu” que pediu essa preposição, e sim o substantivo 
“resposta”. 
 Lembra-se daquele quadrinho verde em Vozes Verbais que afirmava que, às ve-
zes, a sequência ser + particípio não forma locução verbal. Pois bem, cuidado com esses 
casos aqui. 
 As provas foram dadas aos estudantes. 
 E aí, complemento nominal ou objeto indireto? O fato é que, se “dadas” for adje-
tivo, “aos estudantes” só pode ser complemento nominal (já que complementos nominais 
se associam a verbos, mas objetos indiretos só se associam a verbos). Porém, “dadas” só 
será adjetivo se “foram dadas” não for locução de voz passiva. Como desfazer o mistério? 
Tentando passar à voz ativa! É possível? 
 Deram as provas aos estudantes. 
 Sim, é possível! Logo, “foram dadas” é locução de voz passiva, “aos estudantes” 
está associado a essa locução e, portanto, é objeto indireto. Nesse caso, “dadas” não é 
adjetivo, e sim um verbo no particípio. 
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 Vamos a mais uma: 
 O homem é exagerado nas críticas. 
 Vamos tentar passar à voz ativa: 
 *Exageraram o homem nas críticas. 
 Ficou esquisito, né? Quando ficar esquisito ou o sentido mudar muito, é sinal de 
que a construção ser + particípio não forma locução verbal. É isso mesmo! “é”, naquele 
caso, é verbo de ligação e “exagerado” é predicativo do sujeito. Assim, “nas críticas” está 
associado ao adjetivo “exagerado”, logo com certeza é complemento nominal. 
 
AGENTE DA PASSIVA X COMPLEMENTO NO-
MINAL 
 
 Quando você ficar em dúvida entre agente da passiva e complemento nominal, 
lembre-se do básico: agente da passiva só ocorre na voz passiva e corresponde ao sujeito 
da voz ativa. Então, você vai tentar passar a oração à voz ativa. Se funcionar e o termo 
virar sujeito, esse será o agente da passiva, com certeza. Se a passagem à voz ativa ficar 
esquisita ou mudar muito o sentido, será porque a oração não está na voz passiva; assim, 
o termo só poderá ser complemento nominal. Vamos ver? 
 O evento é realizado pela grande empresa. 
 Tente passar à voz ativa. Veja o que acontece: 
 A grande empresa realiza o evento. 
 Fez sentido? Sim! Percebeu que o termo virou sujeito? Se, na voz ativa, é sujeito, 
então na voz passiva será agente da passiva. Por isso, “pela grande empresa” é agente da 
passiva. Sacou? Vamos para outra: 
 Minha irmã é apaixonada por aquele rapaz. 
 Tente passar à voz ativa: 
 Aquele rapaz apaixona minha irmã. 
 A frase até fez sentido, mas...você sentiu que houve uma alteração de sentido. Na 
primeira frase, você fala de um estado da irmã; na segunda, você coloca o rapaz como 
causador da paixão. Então, a primeira frase não equivale à segunda, não está na voz pas-
siva. Assim, “por aquele rapaz” está completando “apaixonada” (que é um adjetivo com 
função de predicativo do sujeito), logo é complemento nominal. 
 
ADJUNTO ADNOMINAL X PREDICATIVO 
 
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 Se você ler com atenção o que eu expus nos capítulos de Predicativo e de Adjunto 
Adnominal, perceberá que a diferença entre um e outro é que o adjunto adnominal sempre 
está dentro da função a que se associa; o predicativo está fora dela. Então, em alguns 
casos, será óbvio se é adjunto adnominal ou predicativo: 
 A menina é feliz. [predicativo do sujeito] 
 A menina feliz está aqui. [adjunto adnominal] 
 Meu genro fez encantada a minha filha. [predicativo do objeto] 
 Meu genro conheceu a minha filha encantada. [adjunto adnominal] 
 O problema acontece em algumas construções como esta: 
 Os juízes julgaram o réu incapaz. 
 Você sabia que esse adjetivo é predicativo do objeto direto? Mas, Betinho, ele está 
dentro do objeto direto! Eis a questão: não está. Se eu passo a oração à voz passiva ana-
lítica, obtenho isto: 
 O réu foi julgado incapaz pelos juízes. 
 Notou que o objeto direto se tornou sujeito, mas o adjetivo continuou paradinho 
onde estava? Pois é. Isso prova que ele não estava dentro do objeto direto, já que, se 
estivesse, teria ido junto. 
 Então, vou dar algumas técnicas para diferenciar o adjunto adnominal do predica-
tivo: 
1.º Você pode tentar transformar o objeto em um pronome. Se o adjetivo continuar 
na oração mesmo com essa transformação, então ele é predicativo. Se, na trans-
formação, o adjetivo sumir, ele é adjunto adnominal. Confuso? Veja o exemplo. 
 Comprei uma moto bonita. 
 Vamos transformar o objeto direto do verbo em um pronome. Qual das frases 
abaixo você julga mais adequada? 
 Comprei-a. 
 Comprei-a bonita. 
 A primeira! A segunda frase fica meio esquisita, parece não fazer muito sentido. 
Então, consideremos a primeira frase como única correta. Agora pense: o adjetivo “bo-
nita” sumiu? Sim! Logo, ele é adjunto adnominal. Vamos ver outro exemplo: 
 Os alunos consideram o garoto chato. 
 Vamos fazer o mesmo teste. Qual frase está “melhor”? 
 Os alunos consideram-no. 
 Os alunos consideram-no chato. 
 As duas frases estão gramaticalmente corretas, mas você há de convir que a frase 
que mais combina com o sentido da original é a segunda. Então, se a segunda for tomada 
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como correta, responda: O adjetivo “chato” sumiu? Não. Ele continuou lá. Então pronto! 
Ele é predicativo do objeto. 
2.º Passe a oração à voz passiva analítica. Se o adjetivo mudar de posição, então será 
adjunto adnominal. Se ele continuar no mesmo lugar, será adjunto adnominal. 
 Vamos usar os mesmos exemplos de antes. Veja: 
 Comprei uma moto bonita. 
 Passe à voz passiva analítica e veja o que acontece com o adjetivo: 
 Uma moto bonita foi comprada por mim. 
 O adjetivo mudou de posição (para antes do verbo), certo? Logo, ele é adjunto 
adnominal. Agora, veja o outro exemplo: 
 Os alunos consideram o garoto chato. 
 Passe à voz passiva analítica: 
 O garoto é considerado chato pelos alunos. 
 Percebeu que o adjetivo continuou após o verbo? Pois é. Isso indica que o adjetivo, 
na frase original, era predicativo do objeto. 
3.º Quando o adjetivo está ao lado do sujeito e recebe vírgula, é predicativo do sujeito. 
Quando não recebe, é adjunto adnominal. 
 A professora nervosa brigou com os alunos. [adjunto adnominal] 
 A professora, nervosa, brigou com os alunos. [predicativo do sujeito] 
(a) Inclusive,existe a possibilidade de o predicativo ficar no início da oração, 
desde que receba vírgula. 
 Nervosa, a professora brigou com os alunos. [predicativo do sujeito] 
 
ADJUNTO ADNOMINAL X COMPLEMENTO 
NOMINAL 
 
 Agora, o ápice – e o fim – do capítulo. Qual é a diferença entre o adjunto adnomi-
nal e o complemento nominal? 
1.º Quando o termo preposicionado se liga a substantivo concreto, ele certamente é 
complemento nominal. 
 A casa do meu amigo é gigante! 
 A mesa da sala é suficiente para nós todos. 
 O teto da casa estava para cair. 
2.º Quando se liga a adjetivo ou a advérbio, certamente é complemento nominal. 
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 Ele agiu favoravelmente ao filho. 
 Sua presença é importante para mim! 
 Existem pessoas diferentes de você. 
3.º Quando se liga a substantivo abstrato, porém, a análise se torna mais complexa: 
(a) Alguns que indicam sensações, emoções (medo, horror, amor, paixão, ter-
ror...) regem preposição. 
 Tenho medo de baratas. 
 Guardo muita paixão por você. 
 Sinto horror a esses bichos. 
(b) Quando o termo tem valor agente, é adjunto adnominal. 
 A invenção do cientista mudou o mundo. 
 O ensino do professor ajuda muito os alunos. 
 A entrega dos Correios é rápida às vezes. 
(c) Quando o termo tem valor paciente, é complemento nominal. 
 A invenção da máquina fotográfica mudou o mundo. 
 O ensino dos alunos é essencial na Educação. 
 A entrega das encomendas será feita amanhã. 
 
Esses casos de agente e paciente podem ser testados pela voz do verbo correspondente 
ao nome. Por exemplo, vamos ver os dois exemplos com “invenção”: 
 A invenção do cientista mudou o mundo. 
 A invenção da máquina fotográfica mudou o mundo. 
Betinho, é o mesmo nome! Por que a classificação mudou?! Bora lá. Você sabe que o 
substantivo “invenção” deriva do verbo “inventar”, certo? Na primeira frase, você con-
corda que os cientistas inventaram, e não foram inventados. Pois é. Na segunda, você 
concorda que a máquina fotográfica foi inventada, e não inventou nada. Veja estas 
transcrições: 
 O cientista inventou. 
 A máquina fotográfica foi inventada. 
A primeira oração está na voz ativa, logo o termo “do cientista” é agente. A segunda 
oração está na voz passiva, logo o termo “da máquina fotográfica” é paciente. Por isso, 
“do cientista” é adjunto adnominal, e “da máquina fotográfica” é complemento nomi-
nal. 
 
Tenha cuidado! Em alguns casos, substantivos originalmente abstratos são empregados 
como concretos. Veja os dois exemplos abaixo: 
 Recebi a cópia das fotos pelos Correios. 
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 A cópia das fotos foi feita numa gráfica do outro lado da rua. 
Perceba que a construção é exatamente a mesma, mas a função muda. Por quê? Bem, 
você poderia interpretar que “as fotos foram copiadas”, mas isso vale sempre? 
 
Veja a primeira frase. Nela, entende-se que essas cópias, na verdade, são cópias físicas, 
são folhas de papel, são entidades concretas. Então, na primeira frase, o substantivo 
“cópia” não indica ação, ele foi empregado como concreto. Então, a primeira regra já 
deixa claro que não se ligam a substantivos concretos os complementos nominais. 
Logo, na primeira frase, “das fotos” é adjunto adnominal. 
 
Na segunda frase, a análise “as fotos foram copiadas” é perfeitamente válida, porque 
nela se entende que houve uma ação real, ou seja, se a cópia de X foi feita, é porque X 
foi copiado. Assim, na segunda frase, “das fotos” é complemento nominal mesmo, e 
“cópia” é substantivo abstrato. 
 
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QUADRO RESUMITIVO 
 
Sujeito 
Termo com o qual o verbo concorda. 
Simples Um núcleo apenas 
Composto Dois ou mais núcleos 
Oculto Núcleo não expresso, mas recuperável 
Indeterminado 
Verbo na 3.ª pessoa do plural sem contexto 
Índice de indeterminação do sujeito 
Infinitivo impessoal 
Inexistente 
Haver como sinônimo de existir 
Fazer e haver indicando tempo decorrido 
Verbos que indicam fenômenos meteorológicos 
Verbo ser indicando horas 
Ir+para e passar+de indicando tempo 
Bastar/chegar+de no imperativo 
Verbos que indicam sensação sem sujeito expresso 
Tratar-se de 
Oracional 
Verbo no singular 
Exceção: núcleos antônimos 
Acusativo 
Causativo/sensitivo+infinitivo/gerúndio 
Pode ser exercido por POA 
Predicado 
Verbal Verbo nocional sem predicativo 
Nominal Verbo de ligação com predicativo do sujeito 
Verbo-nominal Verbo nocional com predicativo 
Objeto direto Em geral não tem preposição 
Objeto indireto Sempre tem preposição 
Agente da passiva 
Só ocorre na voz passiva analítica 
Corresponde ao sujeito da voz ativa 
Complemento no-
minal 
Liga-se a substantivos abstratos, adjetivos ou advérbios 
É sempre preposicionado 
Tem, em geral, valor passivo 
Aposto 
Em geral tem valor substantivo e retoma outro termo de valor substantivo 
Pode ser explicativo, enumerativo, resumitivo, especificativo, distributivo ou de oração 
Adjunto adverbial 
Expressa circunstância (tempo, lugar, companhia, assunto, inclusão, exclusão etc.) na oração 
Associa-se a verbos, adjetivos ou advérbios 
Adjunto adnomi-
nal 
Geralmente tem valor agente 
Associa-se a substantivos ou palavras equivalentes 
Vocativo 
Realiza um chamamento 
É sempre separado por pontuação 
Funções 
dos 
POAs 
me 
Sujeito acusativo, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, adjunto adnominal, 
partícula expletiva, parte integrante do verbo 
te, nos, vos 
Sujeito acusativo, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, adjunto adnominal, 
parte integrante do verbo 
o, a, os, as Sujeito acusativo, objeto direto 
lhe, lhes Sujeito acusativo (se houver OD), objeto indireto, complemento nominal, adjunto adnominal 
se 
Partícula apassivadora, índice de indeterminação do sujeito, sujeito acusativo, objeto direto 
ou indireto, complemento nominal 
Quando sujeito, objeto ou complemento nominal, tem valor reflexivo 
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