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Pesquisa & Prática Pedagógica I Roberto da Silva Junior Pesquisa & Prática Pedagógica I Roberto da Silva Junior Sumário 1 Profissionais do Magistério:Aspectos legais, desafios e dilemas. Página 07 2 Profissionalização do magistério:Ações públicas Página 12 3 Estrutura e organização deProjeto de Pesquisa: A docência como objeto de pesquisa Página 19 EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 4 Palavra do Professor Autor Caro (a) aluno (a), Segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais (2006), o curso de Licenciatura em Pedagogia destina-se à formação de professores para exercer funções de magistério na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nos cursos de Ensino Médio, na modalidade Normal, de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar e em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos. As atividades docentes também compreendem participação na organização e gestão de sistemas e instituições de ensino, englobando: I - planejamento, execução, coordenação, acompanhamento e avaliação de tarefas próprias do setor da Educação; II - planejamento, execução, coordenação, acompanhamento e avaliação de projetos e experiências educativas não-escolares; III - produção e difusão do conhecimento científico-tecnológico do campo educacional, em contextos escolares e não-escolares Ainda conforme essas Diretrizes, o egresso do curso de Pedagogia deverá estar apto a: •Realizar pesquisas que proporcionem conhecimentos, entre outros: sobre alunos e alunas e a realidade sociocultural em que estes desenvolvem suas expe- riências não escolares; sobre processos de ensinar e de aprender, em diferentes meios ambiental- ecológicos; sobre propostas curriculares; e sobre organização do trabalho educativo e práticas pedagógicas; •Identificar problemas socioculturais e educacionais com postura investiga- tiva, integrativa e propositiva em face de realidades complexas, com vistas a contribuir para superação de exclusões sociais, etnicorraciais, econômicas, cul- turais, religiosas, políticas e outras; Dessa forma, o presente componente curricular será uma oportunidade do futuro pedagogo ingressar no campo da pesquisa científica educacional. Espera-se que o fu- turo graduando possa também interagir com outras áreas do conhecimento científico, visto o caráter interdisciplinar da Pedagogia. É de bom alvitre dialogar com todos os outros componentes curriculares ofertados nesse semestre. Não é recomendado, nesse estudo, limitar-se apenas ao caderno pedagógico (apostila), é essencial a pes- quisa em outras fontes e materiais didáticos. Assim sugerimos, que essa disciplina seja estudada de modo interativo, por meio da sua participação com várias mídias e as outras disciplinas. Sugerimos que o estudante de pedagogia interaja e participe também dos fóruns e discussões, socializando suas experiências pessoais, acadêmicas e profissionais. Esperamos que todos os graduandos alcancem um excelente desem- penho nessa disciplina. EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 5 Apresentação da Disciplina Não se faz educação sem pesquisa. Docência e pesquisa são duas fazes da mesma moeda. A educação é um mundo de desafios e problemáticas, mas também pode ser um universo de descobertas por meio da pesquisa. No mundo contemporâneo, ca- racterizado por mudanças frenéticas, instantâneas e a curto prazo, exige-se cada vez mais dos profissionais da educação uma postura investigativa diante da realidade, buscando respostas que superem as adversidades e limites que se apresentam tanto no âmbito escolar quanto em outros ambientes de aprendizagem humana. Destarte, o caráter dinâmico da educação requer, por parte dos profissionais da educação uma atitude reflexiva, questionadora e propositiva para a educação. Uma das áreas de estudo e pesquisa que mais têm atraído atenção dos pesquisa- dores da educação é a própria docência. As reformas educacionais trouxeram muitas alterações para a vida dos professores, bem como para sua formação. As mudanças socioeconômicas apresentam exigências e fazem com que eles vivam tempo parado- xais. Por um lado, têm suas tarefas ampliadas, são muito exigidos, mas, por outro, pouco ou quase nada lhes é oferecido em troca. A carreira continua apresentando as dificuldades existentes há muito tempo. No campo educacional, a própria docência deve ser objeto de reflexão e pesquisa, de modo que sirva para pensar políticas pú- blicas educacionais que partem da percepção e do olhar do próprio profissional da educação. (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2012). Nessa disciplina, você irá descobrir a relevância de estudos e pesquisa científicas acerca das perspectivas da profissão docente. Ao final da disciplina você será capaz de elaborar os passos de uma pesquisa que investigue os desafios e perspectivas da formação docente e as dificuldades da carreira docente. Mas antes de mais nada é preciso que você tenha consciência de que a sua primeira atitude é saber que só ter vontade de pesquisar é muito pouco; é necessário manter uma atuação disciplinada, tendo em mente que sem o esforço da procura não é possível a satisfação da conquis- ta. Para chegar à vitória, é preciso coragem e disposição. Para que seu estudo se torne proveitoso e prazeroso, esta disciplina foi organizada em três Unidades, por meio da discussão de temas e subtemas, atendendo aos objeti- vos do processo de ensino-aprendizagem. A Unidade 1, que trata dos Profissionais do Magistério: desafios e dilemas na for- mação, conheceremos os aspectos legais que normatizam a docência na educação bá- sica brasileira; analisaremos os desafios e dilemas da formação docente no Brasil; es- peramos reconhecer que a valorização docente não é apenas um ato legal, mas social e político. Na Unidade 2, conheceremos o processo de profissionalização do magistério por meio de algumas iniciativas e ações governamentais que visam a formação docente e o exercício profissional. Espera-se que possamos reconhecer que a formação e atuali- EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 6 zação docente é permanente e contínua. Finalmente, na última Unidade, apresentaremos a estrutura e a organização de Projeto de Pesquisa. Faremos a distinção dos elementos que compõem a estrutura bá- sica de um projeto de pesquisa. Nessa Unidade, vocês poderão exercitar a imaginação científica criando o seu próprio projeto de pesquisa investigando a docência. Esperamos que, até o final da disciplina você seja capaz de: •Ampliar a compreensão dos limites e perspectivas da formação docente na atualidade; •Ampliar a compreensão sobre os principais desafios da transposição didáti- ca na práxis pedagógica. •Investigar acerca das dificuldades de inserção e atuação docente nas diver- sas regiões do país; •Elaborar um projeto de pesquisa em educação abordando as expectativas acerca da profissão docente. Para tanto, a metodologia das aulas será feita de modo interativo, permanente e contínuo. Porém, antes de iniciar a leitura, gostaríamos que vocês parassem um ins- tante para refletir sobre algumas questões: O que move o homem a fazer pesquisa? Que perguntas podem ser feitas sobre a formação docente? Quais os desafios, limites e perspectivas da profissão docente? Calma, não precisa responder agora. Mas, espe- ramos que até o final, vocês tenham respostas e também formulem outras perguntas. Vamos, então, iniciar nossas aulas? Bons estudos! EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 7 1 Profissionais do Magistério: Aspectos legais, desafios e dilemas. OBJETIVOS ESPECÍFICOS DE APRENDIZAGEM Ao finalizar esta unidade você deverá ser capaz de: •Conhecer os aspectos legais que normatizam a docência na educação básica brasileira; •Analisar os desafios e dilemas da formação docente no Brasil. •Reconhecer que a valorização docente não é apenas um ato legal. FORMAÇÃO DOCENTE: UM ATO LEGAL, SOCIAL E POLÍTICO Caro estudante! Como está regulamentada a profissão docente no Brasil? Pense um pouco sobre isso.A formação dos profissionais do ensino sofreu muitas mudanças com a nova LDB nº 9.394/1996. Antes dessa lei, existiam duas formas de atuar com professor: a docência em nível de 2º grau (atual ensino médio) e atual licenciatura no curso superior. A nova LDB/1996 am- pliou essas modalidades de ensino. CONHEÇA COMO A LDB/1996 REGULAMENTA A PROFISSÃO DOCENTE NO BRASIL. No título que trata dos profissionais da educação, a Lei 9.394/1996, em seu art. 61, considera como profissionais da educação escolar básica os que, nela estando em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos reconhecidos, são: I – Professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na edu- cação infantil e nos ensinos fundamental e médio; II – Trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia, com habilitação em administração, planejamento, supervisão, inspeção e orientação educacional, bem como com títulos de mestrado ou doutorado nas mesmas áreas; EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 8 III – Trabalhadores em educação, portadores de diploma de curso técnico ou superior em área pedagógica ou afim; IV – Profissionais com notório saber reconhecido pelos respectivos sistemas de ensino, para ministrar conteúdos de áreas afins à sua formação ou experiência profissional, atestados por titulação específica ou prática de ensino em unidades educacionais da rede pública ou privada ou das corporações privadas em que tenham atuado, exclusivamente para atender ao inciso V do caput do art. 36; e V – Profissionais graduados que tenham feito complementação pedagógica, conforme disposto pelo Conselho Nacional de Educação. A LDB/1996, ainda no art. 6, em seu Parágrafo Único, estabelece que a for- mação dos profissionais da educação, de modo a atender às especificidades do exercício de suas atividades, bem como aos objetivos das diferentes etapas e mo- dalidades da educação básica, terá como fundamentos: I – A presença de sólida formação básica, que propicie o conhecimento dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho; II – A associação entre teorias e práticas, mediante estágios supervisionados e capacitação em serviço; III – O aproveitamento da formação e experiências anteriores, em instituições de ensino e em outras atividades. Em seu Art. 62, a LDB/1996 institui que: A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura plena, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nos cinco primeiros anos do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade normal. Esse artigo da LDB/1996 definiu ainda o seguinte: § 1o A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios, em regime de colabo- ração, deverão promover a formação inicial, a continuada e a capacitação dos profis- sionais de magistério. § 2o A formação continuada e a capacitação dos profissionais de magistério pode- rão utilizar recursos e tecnologias de educação a distância. § 3o A formação inicial de profissionais de magistério dará preferência ao ensino presencial, subsidiariamente fazendo uso de recursos e tecnologias de educação a distância. § 4o A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios adotarão mecanismos facilitadores de acesso e permanência em cursos de formação de docentes em nível superior para atuar na educação básica pública. § 5o A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios incentivarão a forma- ção de profissionais do magistério para atuar na educação básica pública mediante programa institucional de bolsa de iniciação à docência a estudantes matriculados em cursos de licenciatura, de graduação plena, nas instituições de educação superior. § 6o O Ministério da Educação poderá estabelecer nota mínima em exame nacional aplicado aos concluintes do ensino médio como pré-requisito para o ingresso em cur- sos de graduação para formação de docentes, ouvido o Conselho Nacional de Educa- ção – CNE. § 7o (Vetado) § 8o Os currículos dos cursos de formação de docentes terão por referência a Base Nacional Comum Curricular. Art. 62-A. A formação dos profissionais a que se refere o inciso III do art. 61 far-se- -á por meio de cursos de conteúdo técnico-pedagógico, em nível médio ou superior, incluindo habilitações tecnológicas. EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 9 Parágrafo único. Garantir-se-á formação continuada para os profissionais a que se refere o caput, no local de trabalho ou em instituições de educação básica e superior, incluindo cursos de educação profissional, cursos superiores de graduação plena ou tecnológicos e de pós-graduação. Art. 63. Os institutos superiores de educação manterão: I – Cursos formadores de profissionais para a educação básica, inclusive o curso normal superior, destinado à formação de docentes para a educação in- fantil e para as primeiras séries do ensino fundamental; II – Programas de formação pedagógica para portadores de diplomas de edu- cação superior que queiram se dedicar à educação básica; III – programas de educação continuada para os profissionais de educação dos diversos níveis. Art. 64. A formação de profissionais de educação para administração, plane- jamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta formação, a base comum nacional. Art. 67. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação, assegurando-lhes, inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público: I – Ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos; II – Aperfeiçoamento profissional continuado, inclusive com licenciamento periódico remunerado para esse fim; III – Piso salarial profissional; IV – Progressão funcional baseada na titulação ou habilitação, e na avaliação do desempenho; V – Período reservado a estudos, planejamento e avaliação, incluído na carga de trabalho; VI – Condições adequadas de trabalho. § 1o A experiência docente é pré-requisito para o exercício profissional de quais- quer outras funções de magistério, nos termos das normas de cada sistema de ensino. § 2o Para os efeitos do disposto no § 5o do art. 40 e no § 8o do art. 201 da Consti- tuição Federal, são consideradas funções de magistério as exercidas por professores e especialistas em educação no desempenho de atividades educativas, quando exer- cidas em estabelecimento de educação básica em seus diversos níveis e modalidades, incluídas, além do exercício da docência, as de direção de unidade escolar e as de coordenação e assessoramento pedagógico. Uma profissão não se faz apenas com o estabelecimento de leis. É preciso muito mais do que isto. É de bom alvitre levar em conta as condições históricas, culturais, políticas e sociais em que essa profissão é exercida. É recomendável que a profissiona- lização do magistério se inicie no seio da própria sociedade, a partir de suas próprias necessidades; a profissionalização docente passa pela valorizando e reconhecimento da sociedade, considerando que sem professores bem formados, bem remunerados e motivados não se consegue o tão desejado crescimento econômico e a redução das desigualdades sociais. Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, 281) explicam que: EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 10 A profissionalização diz respeito ao processo pelo qual uma ati- vidade se vai estruturando por meio de determinado domínio de conhecimentos e competências, constituindo características de uma profissão pelas quais é socialmente reconhecida. Ainda segundo esses autores (2012, p.281), a condição de conceituação de uma profissão pressupõe a inclusão de outros elementos como: Especificidade das tarefas, o exercício dessas tarefas, os requisitos de formação, a remuneração do trabalho compatível com a atividade realizada, a carreira, a regulamentaçãodas relações de trabalho, a organização em sindicatos. A LDB/1996 somente teve o seu art. 61 alterado pela Lei nº 12.014, de 6 de agosto de 2009. Essa lei definiu como profissionais da educação escolar básica aqueles que estão em efetivo exercício, tendo sido formado em curso reconhecidos. É motivo de muita preocupação a profissionalização docente no país, sobretudo na educação bá- sica. Passando por tempos difíceis, de desprestígio social, de salários aviltantes, com péssimas condições de trabalho, a profissão de professor já não atrai a juventude, e muitas escolas e inúmeras áreas do conhecimento sentem a falta desse profissional (Libâneo, Oliveira e Toschi (2012). É crescente o número de professores que aban- donam a profissão. São docentes que passaram em média quatro anos na faculdade, investindo em livros e dedicando horas de estudo. São profissionais que muitas vezes tiveram até que participar de cursos preparatórios para se ingressar na carreira públi- ca e, quando se obtém êxito, em poucos meses, abandonam o cargo. Porém, a evasão docente parece não preocupar uma nação que se apresenta no cenário mundial como um emergente em desenvolvimento. Pensar em uma real profissionalização docente exige políticas públicas que não se restrinjam a apenas aspectos legais e a medidas governamentais isoladas, imediatista e de curto alcance. Uma política com claros objetivos de interferir a fundo em ques- tões estruturais deveria atuar sobre condições de trabalho, salários, planos de carreira e o mal-estar que o professor tem experimenta- do na atualidade, e não simplesmente facilitar a entrada de outros profissionais que decerto atuarão na área educacional não como op- ção de tempo integral, conhecendo e vivendo suas especificidades profissionais, mas como ‘bico’ para uma situação de desemprego ou até que consigam ocupação mais vantajosa (LIBÂNEO, OLIVEIRA e TOSCHI (2012, 282). Não é raro advogados lecionando aulas de história; veterinários conduzindo tra- balhos pedagógicos nas aulas de ciências e engenheiros lecionando nas aulas de ma- temáticas. São profissionais que no mais das vezes não foram bem-sucedidos em suas áreas específicas ou mesmo por razões econômicas, aventuram-se na profissão do- cente, atuando por meio de ensaio e erro. E as consequências são as mais nocivas possíveis, começando pela desvalorização da carreira docente. EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 11 ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM Agora que você já conhece os aspectos legais que normatizam a docência na edu- cação básica brasileira, que tal fazer alguns exercícios de fixação que preparamos para você? Caso tenha alguma dúvida em relação aos exercícios, entre em contato com seu tutor, que está à sua disposição para ajudá-lo. 1.A criação de uma Lei é suficiente para a efetivação da profissionalização dos professores? Por quê? 2.Na sua opinião quem podem ser considerados profissionais da educação? Apenas os professores? Por quê? 3.O que levou você a escolher esse curso de licenciatura? Por que a docência lhe interessa? Pense sobre essa questão antes de ir para a próxima unidade. 4.Leia novamente os artigos acima da LDB/1996, e procure identificar se algum deles traz alguma conceituação dos profissionais da educação. EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 12 2 Profissionalização do magistério: Ações públicas OBJETIVOS ESPECÍFICOS DE APRENDIZAGEM Ao finalizar esta unidade você deverá ser capaz de: •Conhecer e analisar ações públicas no campo da formação docente; •Reconhecer que a formação e atualização docente é permanente e contínua. FORMAÇÃO DOCENTE: UM ATO LEGAL, SOCIAL E POLÍTICO Caro estudante! Como está regulamentada a profissão docente no Brasil? Pense um pouco sobre isso. Educação de qualidade não se faz apenas com boa vontade. É lúcido para um país que prioriza a educação como meio de desenvolvimento econômico e re- dução das desigualdades sociais, inserir na sua agenda governamental, polí- ticas públicas e ações que tenham como alvo o professor. Sem o apoio insti- tucionalizado por meio de política públicas educacionais eficientes, torna-se muito difícil e até impossível uma formação continuada e permanente dos profes- sores. Com uma jornada de trabalho normalmente em três turno e com salários baixos, como encontrar tempo e recursos para dar continuidade à sua formação? Assim, desde os anos de 1990, o Governo Federal tem procurado desenvolver algu- mas ações visando à formação permanente e continuada dos professores. Vamos co- nhecer agora algumas dessas ações que foram criadas com o propósito de consolidar política públicas que corroborem para a qualificação da profissão docente no Brasil. Plataforma Freire Imagem 1. Fonte: http://freire.capes.gov.br Acesso em 17 de out. 2017. EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 13 A Plataforma Freire, criada pelo Ministério da Educação, é a porta de en- trada dos professores da educação básica pública, no exercício do magisté- rio, nas instituições públicas de ensino superior. Ao mesmo tempo em que coloca em prática o Plano Nacional de Formação de Professores da Edu- cação Básica, a plataforma homenageia o educador brasileiro Paulo Freire. É na Plataforma Freire que os professores vão escolher as licenciaturas que desejam cursar, fazer inscrição, cadastrar e atualizar seus currículos. Constru- ída para ser uma ferramenta de fácil acesso do professor, ela também é infor- mativa. Os docentes vão encontrar uma série de dados, entre eles, as tabelas com a previsão de oferta de cursos, as instituições, as modalidades de formação. Para aproveitar todas as informações disponíveis da Plataforma Freire, o professor precisa fazer um cadastro. Entra na plataforma e clica em primeiro acesso, preen- che dados, como o CPF e nome completo, cadastra uma senha (com quatro letras e dois números) e informa o e-mail (se não tiver e-mail, a plataforma tem um campo para criá-lo). Depois de cadastrado, o professor deve consultar o ícone previsão de oferta de cursos. Ali, ele encontrará tabelas com a projeção da oferta de cursos, por estado. Depois de verificar os cursos disponíveis, o professor pode fazer a pré-ins- crição no curso que pretende fazer. Primeiro, seleciona o estado e a área do conhe- cimento. Feito isso, a plataforma informa a relação de cursos disponíveis (presen- ciais e a distância). Então, faz a pré-inscrição. Pode fazer até três opções de cursos. Para saber sobre a Plataforma Freire, acesse o seguinte link: http://freire.capes.gov.br/index/index Portal do Professor Fonte: http://portaldoprofessor.mec.gov.br Acesso em: 17 de outubro de 2017. O Portal do Professor foi lançado em 2008 em parceria com o Ministé- rio da Ciência e Tecnologia e tem como objetivo apoiar os processos de for- mação dos professores brasileiros e enriquecer a sua prática pedagógi- ca. Este é um espaço público e pode ser acessado por todos os interessados.. O que os professores podem fazer no Portal? Nesse portal, é possível produzir e compartilhar sugestões de aulas. Constitui uma comunidade de aprendizagem onde os professores de todo o País podem compar- tilhar suas ideias, propostas, sugestões metodológicas para o desenvolvimento dos temas curriculares e para o uso dos recursos multimídia e das ferramentas digitais. Espera-se com este espaço se criar um intercâmbio de experiências para o desen- volvimento criativo de novas estratégias de ensino e aprendizagem. As atividades disponíveis nesta área são sugestões de professores, em uma proposta colaborativa. Qualquer pessoa pode acessar as sugestões, deixar comentários, classificá-las ou bai- xá-las para a sua máquina pessoal EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 14 Quem pode criar uma aula? Todos os profissionais de educação, desde que inscritos e logados no ambien- te do Portal; caso contrário, as aulas poderão ser somente lidas, classificadas, co- mentadas ou baixadas. Uma vez logado, o professor terá a possibilidade de criar sua própria aula, inserindo recursos disponíveisno menu Recursos Educacionais. Ele poderá deixá-la em seu espaço pessoal para acesso e edição posteriores ou pu- blicá-la para que outros professores a visualizem e deixem seus comentários. Além disso, no Portal do Professor é possível acessar informações diversas so- bre a prática educacional. O Jornal do Professor tem um foco e um interlocu- tor colaborador, o professor. É um veículo inteiramente dedicado a revelar o co- tidiano da sala de aula, trazendo, quinzenalmente, temas ligados à educação. Neste espaço, o professor também participa na escolha do assunto das edições. O Portal oferece materiais em diferentes mídias como vídeos, animações, simula- ções, áudios, hipertextos, imagens e experimentos práticos. São materiais previamente selecionados para atender a todos os componentes curriculares e temas relacionados. COMO OS RECURSOS MULTIMÍDIA PODERÃO SER USADOS PELOS PROFESSORES? Os recursos multimídia publicados no Portal estão disponíveis para se- rem baixados para sua máquina, CD-ROM ou pendrive. Também podem ser copiados e distribuídos, sendo, entretanto, vedada a utilização para fins lu- crativos. Esses recursos podem ser usados pelo professor para subsidiar sua prática de acordo com as suas necessidades, realidade de sala de aula e, princi- palmente, contextualizados com o projeto político-pedagógico. O objetivo, por- tanto, é fornecer materiais didáticos para suporte e incremento das ações educa- cionais, respeitando, sempre, as diferenças regionais e especificidades das escolas. Os materiais estão disponíveis também para classificação e comentários no Portal. O docente também pode se informar sobre os cursos e acessar materiais de es- tudos. Os professores têm acesso a sites com informações sobre os programas de capacitação que o MEC e demais instituições oferecem. Há também materiais de estudo contendo orientações, apostilas, estratégias pedagógicas, entrevistas, publicações diversas e outros recursos de fundamentação ao trabalho docente. Em interação e colaboração o professor pode trocar informações de diferentes ma- neiras e compartilhar seu trabalho com educadores de todo o país. Além disso, este espaço permite estabelecer novos canais de comunicação entre docentes, valorizando suas experiências de trabalho e fomentando estratégias pedagógicas mais criativas e inclusivas, de modo a tornar mais dinâmicas e interessantes as atividades dedica- das ao ensino e à aprendizagem. Para a participação nesta área é necessário que o professor esteja logado no Portal. Também nesta área estão publicadas diversas fer- ramentas de interação e colaboração disponíveis na web catalogadas em categorias. Neste espaço há uma coletânea de endereços separados por temáticas que visam auxiliar as pesquisas dos professores. Neste item os professores podem conhecer ou- tras práticas e ter acesso a conteúdos, podendo dinamizar ainda mais suas aulas. EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 15 PLANO NACIONAL DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA (PARFOR) O Parfor, na modalidade presencial é um Programa emergencial instituí- do para atender o disposto no artigo 11, inciso III do Decreto nº 6.755, de 29 de janeiro de 2009 e implantado em regime de colaboração entre a Capes, os estados, municípios o Distrito Federal e as Instituições de Educação Supe- rior – IES. O Programa fomenta a oferta de turmas especiais em cursos de: I. Licenciatura – para docentes ou tradutores intérpretes de Libras em exercício na rede pública da educação básica que não tenham forma- ção superior ou que mesmo tendo essa formação se disponham a reali- zar curso de licenciatura na etapa/disciplina em que atua em sala de aula; II. Segunda licenciatura – para professores licenciados que estejam em exer- cício há pelo menos três anos na rede pública de educação básica e que atuem em área distinta da sua formação inicial, ou para profissionais licenciados que atuam como tradutor intérprete de Libras na rede pública de Educação Básica; e III. Formação pedagógica – para docentes ou tradutores in- térpretes de Libras graduados não licenciados que se encontram no exercício da docência na rede pública da educação básica. O Parfor tem como principal objetivo induzir e fomentar a oferta de edu- cação superior, gratuita e de qualidade, para professores em exercício na rede pública de educação básica, para que estes profissionais possam ob- ter a formação exigida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB e contribuam para a melhoria da qualidade da educação básica no País. Como funciona? Anualmente a Capes divulga o Calendário de Atividades do Programa. Nele estão definidos os prazos e as atividades a serem realizadas pelas secretarias de educação estaduais, municipais e do DF, os Fóruns e as IES e o período das pré- -inscrições. Para concorrer à vaga nos cursos ofertados, os professores devem: a) realizar seu cadastro e pré-inscrição na Plataforma Freire; b) estar cadastrado no Educacenso na função Docente ou Tradutor Intérprete de Libras na rede pública de educação básica; e c) ter sua pré-inscrição validada pela Secretaria de educação ou órgão equiva- lente a que estiver vinculado. Os resultados do Programa Segundo a Plataforma do próprio programa, até o final de 2016, foram im- plantadas 2.890 turmas, em 509 municípios, localizados em 24 unidades da fe- deração. Nesse período o Parfor atendeu professores oriundos de 3.282 muni- cípios brasileiros e de 28.925 escolas. Até aquele ano, o Programa registrava 36.871 professores cursando uma licenciatura e 34.549 formados. EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 16 PISO SALARIAL DA CARREIRA DOCENTE O que é? Em 16 de julho de 2008 foi sancionada a Lei n° 11.738, que instituiu o piso sa- larial profissional nacional para os profissionais do magistério público da edu- cação básica, regulamentando disposição constitucional (alínea ‘e’ do inciso III do caput do artigo 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias). 1) Resolução define critérios de repasse de recursos do Fundeb para complementação do Piso Salarial Profissional Nacional. A Resolução nº 7, de 26 de abril de 2012 do Ministério da Educação traz os novos critérios de complementação do Piso Salarial aprovados pela Comissão Intergovernamental para Financiamento da Educação de Qualidade, composta por membros do MEC, do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Con- sed) e da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). Essa resolução trata do uso de parcela dos recursos da complementação da União ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fun- deb) para o pagamento integral do piso salarial dos profissionais da educação básica pública. 2) Decisão do STF sobre a validade da Lei do Piso No dia 27/02/2013, o Supremo Tribunal Federal decidiu que a Lei 11.738/2008, que regula o piso salarial nacional dos profissionais do magistério público da educação básica, passou a ter validade a partir de 27 de abril de 2011, quando o STF reconheceu sua constitucionalidade. A decisão tem efeito erga omnes, isto é, obriga a todos os entes federativos ao cumprimento da Lei. PROGRAMA NACIONAL DE RESIDÊNCIA PEDAGÓGICA Em pronunciamento em rede nacional pelo Dia do Professor, no dia 15 de ou- tubro desse ano, o ministro da Educação, Mendonça Filho, anunciou o lançamen- to do Programa Nacional de Residência Pedagógica para 2018, visando “aper- feiçoar a formação dos professores”. A residência pedagógica é uma das ações da política de formação de professores que o MEC deve anunciar esta semana. O ministro destacou, ainda, a manutenção dos investimentos na área. “Vamos in- vestir dois bilhões de reais na promoção, formação e valorização da profissão do- cente, entre 2017 e 2018. Apesar da grave crise econômica, este ano fizemos os repasses integrais para educação básica. Ao mesmo tempo, conseguimos cum- prir rigorosamente o cronograma de repasse dos recursos para as universida- des e institutos federais”, declarou o Ministroda Educação. (BRASIL, MEC, 2017). Durante seu pronunciamento, o ministro reforçou que as ações do MEC têm buscado dar a estes profissionais “reconhecimento e condições de traba- lho compatíveis com a missão que exercem”. “O governo do presidente Mi- chel Temer já aprovou a reforma do Ensino Médio e, na Nova Base Comum Cur- EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 17 ricular (BNCC), garantiremos mais apoio ao professor”, disse Mendonça Filho, que logo em seguida, completou: “Priorizar a educação é obrigação do gover- no. Mas, acima de tudo, temos que valorizar o homenageado do dia: o professor. Para saber mais: veja o vídeo do pronunciamento do atual Ministro da Educação no seguinte link: https://www.youtube.com/watch?v=reC3R8RTGBE ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM Agora que conhecemos e analisamos as ações públicas no campo da formação do- cente, vamos fazer alguns exercícios de fixação? Se você encontrar dificuldades, pro- cure o seu tutor, que está sempre pronto para lhe ajudar. 1. Liste as ações públicas que têm como alvo a formação de professores. Comente como cada uma delas pode beneficiar os professores. 2. Leia o texto abaixo, em seguida, responda ao que se pede. Inep divulga estudo sobre salário de professor da educação básica Estudo inédito apresentado nesta quarta-feira, 21, servirá de base para debate na- cional com as redes de ensino sobre a remuneração média dos professores em exer- cício na educação básica. O levantamento, resultado de uma nova metodologia do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), con- tém informações que poderão contribuir, por exemplo, para a formulação do Custo Aluno-Qualidade Inicial (Caqi) e para discussões sobre a carreira dos professores. O estudo, referente a 2014, foi feito a partir do cruzamento das bases de dados do Censo Escolar com a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Traba- lho e da Previdência Social. O levantamento mostrou uma população de 2.080.619 professores e a seguinte remuneração média: REMUNERAÇÃO MÉDIA PONDERADA POR CARGA HORÁRIA PADRONIZADA PARA 40H SEMANAIS – BRASIL – 2014 Fonte: BRASIL, MEC. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/component/content/article?id=50471 Acesso em 21 jun. 2017. Os dados revelam que a maior remuneração é dos professores da rede fede- ral de ensino que atuam, prioritariamente, no ensino médio. A rede municipal, 45 vezes maior que a federal, paga menos da metade. E a rede privada tem os salá- EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 18 rios mais baixos. Além disso, segundo o estudo, existem disparidades regionais e inter-regionais na remuneração de professores. Apesar das redes de ensino se- rem distintas, há casos de estados em que os professores trabalham 20 horas se- manais e, mesmo assim, têm remuneração maior que professores com carga de 40 horas semanais, apesar de existir o piso nacional. (BRASIL, MEC, 2017). Na sua opinião, que tipo de ação o Estado e sociedade poderia desen- volver para resolver o problema das disparidades regionais e inter-regio- nais na remuneração de professores? Qual seria o melhor caminho? Comente. QUESTÃO EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 19 3 Estrutura e organização de Projeto de Pesquisa: A docência como objeto de pesquisa OBJETIVOS ESPECÍFICOS DE APRENDIZAGEM Ao finalizar esta unidade você deverá ser capaz de: • Estruturar e organizar um projeto de pesquisa no campo educacional; • Distinguir os elementos que compõem a estrutura básica de um projeto de pesquisa; • Enumerar os elementos constitutivos de um projeto de pesquisa; • Investigar a realidade contextual da profissão docente. CIÊNCIA PEDAGÓGICA OU PEDAGOGIA COMO CIÊNCIA? A base de um curso de Pedagogia não pode ser a docência. A base de um curso de pedagogia é o estudo do fenômeno educativo, em sua complexidade, em sua amplitude. Então, podemos dizer: Todo trabalho docente é trabalho pedagógico, mas nem todo trabalho pe- dagógico é trabalho docente (LIBÂNEO, 2006). Qual é a identidade da Pedagogia? É ou não é uma ciência? A pedagogia é Ciência da Educação? Qual é o objeto de estudo da Pedagogia? Educação ou ensino? Reflita sobre esses questionamentos (problemas)? Um dos trabalhos pedagógicos é a pesquisa. A pedagogia não se limita apenas ao trabalho da docência. O campo de atuação da profissão é muito vasto como vimos na Unidade 1. A pedagogia tem se dedicado bastante no exercício das funções de magis- tério na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nos cursos de EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 20 Ensino Médio, na modalidade Normal, de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar e em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógi- cos. No entanto, além dessas áreas de atuação, a pedagogia pode se ocupar da pesqui- sa como forma de aquisição e produção de novos conhecimentos. A pesquisa é uma forma de retroalimentação da própria pedagogia. Considerando que o fim último da Pedagogia é o ser humano. As pesquisas feitas pelos pedagogos devem ser pensadas na direção de contribuir para o desenvolvimen- to humano. No caso das pesquisas sobre a formação docente, por exemplo, deve-se buscar respostas para os principais problemas que obstaculizam o próprio bem-es- tar desse profissional. Para Richardson (2010, p.16), “como ferramenta para adquirir conhecimento, a pesquisa pode ter os seguintes objetivos: resolver problemas espe- cíficos, gerar teorias ou avaliar teorias existentes”. As pesquisas para se resolver pro- blemas estão, geralmente, dirigidas para resolver problemas práticos. Como exem- plo, podemos citar um estudo feito pelo Instituto Ayrton Senna que, a partir de um recorte de dados da Prova Brasil de 2013, procurou identificar qual a percepção dos professores da rede pública do Brasil em relação a seus alunos. A partir da tabulação das respostas dos docentes ao questionário que acompanha a avaliação do MEC, foi possível observar que quanto mais baixo o nível socioeconômico dos alunos atendi- dos pela escola, menor a expectativa dos professores sobre a continuidade dos estu- dos pelos seus estudantes. Segundo Richardson (2010, p.17), “a maior parte dessas pesquisas não está destinada a familiar ou testar teorias; o pesquisador está, apenas, interessado em descobrir a resposta para um problema específico ou descreve um fenômeno de melhor formal possível”. O PROJETO DE PESQUISA COMO EXERCÍCIO CIENTÍFICO NA PEDAGOGIA Um projeto de pesquisa constitui a síntese de múltiplos esforços intelectuais que se contrapõe e se complementam: de abstração teórico-conceitual e de conexão com a realidade empírica, de exaustividade e síntese, de inclusões e recortes, e, sobretudo, de rigor e criatividade. Um projeto é fruto do trabalho vivo do pesquisador. (DES- LANDES, 2010). Para isso, ele vai precisar articular informações e conhecimentos disponíveis (um amplo conjunto de saberes e técnicas), usar certas tecnologias (o uso de internet ou de certos programas, por exemplo), empregar sua imaginação e emprestar seu corpo ao esforço de realizar a tarefa (DESLANDES, 2010). O projeto de pesquisa não surge espontaneamente, unicamente pela vasta experi- ência ou pelo grande compromisso social de um pesquisador em relação a certa temá- tica. Entretanto, se torna necessário o trabalho sistemático para o domínio de teorias e métodos justamente para que o pesquisador possa ser criador, evitando o “fetichismo do método e da técnica”, para que possa usá-los artesanalmente, adequando-os, rein- ventando os caminhos próprios para sua investigação. (DESLANDES, 2010). Segundo Deslandes (2010), quando escrevemos um projeto de pesquisa, estamos definindo uma cartografia de escolhas para abordar a realidade (o que pesquisar, EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 21 como, por que, por quanto tempo, etc.). Isso porque o projeto científico trabalha com um objeto construído e não com o objeto percebido, nem com o objeto real. Segundo essa socióloga,é possível distinguir três tipos de objetos. O objeto perce- bido é aquele que se apresenta aos nossos sentidos pela forma de imagens, é o que vemos e sentimos e que, na maioria das vezes, se apresenta como ‘real’, natural e transparente. Em pesquisa social sabemos o quanto estas percepções sofrem influ- ências das nossas visões de mundo, possuidoras de uma historicidade, portanto, em nada “naturais”. O objeto real diz respeito à totalidade das relações da existência social. Suas fronteiras e complexidade, porque dinâmicas e constantemente reinven- tadas, excedem a apreensão do conhecimento científico. O objeto construído, por sua vez constitui uma tradução, uma versão do real a partir de uma leitura orientada por conceitos operadores. É resultado de um processo de objetivação teórico-conceitual de certos aspectos ou relações existentes no real. (DESLANDES, 2010). Ao elaborarmos um projeto cientifico estaremos lidando, ao mesmo tempo, com pelo menos três dimensões importantes que estão interligadas (DESLANDES, 2010). Dimensão técnica A dimensão técnica, que trata das regras reconhecidas como científicas para a cons- trução de um projeto, isto é, como definir um objeto, como abordá-lo e como escolher os instrumentos mais adequados para a investigação. Sendo que técnica sempre diz respeito à montagem de instrumentos (DEMO, 1991), o projeto de pesquisa é visto neste sentido como um instrumento da investigação. Dimensão ideológica A dimensão ideológica se relaciona às escolhas do pesquisador. Quando defini- mos o que pesquisar, a partir de que base teórica e como pesquisar, estamos fazendo escolhas que são, mesmo em última instância, ideológicas. Hoje, mesmo os cientistas naturais reconhecem que a neutralidade da investigação científica é um mito. Dimensão científica A pesquisa científica de um projeto de pesquisa articula estas duas dimensões an- teriores. A pesquisa científica busca ultrapassar o senso comum (que por si é uma reconstrução da realidade) através do método científico. O método científico permite que a realidade social seja reconstruída enquanto objeto do conhecimento, através de um processo de categorização (possuidor de características específicas) que une dialeticamente o teórico e o empírico. (DESLANDES, 2010). POR QUE PRECISAMOS FAZER UM PROJETO? Fazemos um projeto de pesquisa, sobretudo, para esclarecer a nós mesmos qual a questão que estamos propondo investigar, as definições teóricas de suporte e as estra- tégias do estudo que utilizaremos (o que pesquisar, como, por quanto tempo etc.). A redação do projeto cria uma série de demandas à pesquisa para tornar clara, coerente e consistente sua proposta. Redigir seu protocolo de investigação sob a forma de um projeto ajuda o autor a perceber o que ainda precisa estudar, definir e mesmo refletir para concluí-lo (DESLANDES, 2010). EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 22 [...] um projeto de pesquisa consiste basicamente em um plano para uma investigação sistemática que busca uma melhor compre- ensão de um dado problema. É um guia, uma orientação que indica onde o pesquisador quer chegar e os caminhos que pretende tomar. (ALVES-MAZZOTTI; GEWANDSZNAJDER, 1999, p. 149). O projeto ajuda também a mapear um caminho a ser seguido durante a investiga- ção. Podemos, assim, antecipar cenários e criar um plano de trabalho. Isso permite ao pesquisador planejar e administrar cada etapa da investigação e os esforços, recursos e empreendimentos que serão necessários (DESLANDES, 2010). Finalmente, ao apresentar um projeto, o pesquisador assume uma responsabilida- de pública com a realização do que foi prometido. Mudanças podem ser necessárias e imprevistos costumam acontecer. Essa contingência revela que a pesquisa é uma prá- tica dinâmica, contudo, o pesquisador precisará esclarecer e justificar as modificações daquilo que foi preconizado inicialmente (DESLANDES, 2010). QUAIS SÃO OS ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DE UM PROJETO DE PESQUISA? O projeto de pesquisa deve, fundamentalmente, responder as seguintes perguntas: • O que pesquisar? (Definição do problema, hipóteses, base teórica e conceitual) • Para que pesquisar? (Propósitos do estudo, seus objetivos) • Por que pesquisar? (Justificativa da escolha do problema.) • Como pesquisar? (Metodologia) • Por quanto tempo pesquisar? (Cronograma de execução) • Com que recursos? (Orçamento) • A partir de quais fontes? (Referências) • O QUE PESQUISAR? Definição do Tema e escolha do problema. O primeiro passo na elaboração do projeto de pesquisa é pensar no tema (assunto) a ser estudado. Orienta-se que o tema escolhido seja algo do interesse do pesquisador. Do contrário, o pesquisador se encontrará fazendo uma pesquisa apenas por obrigação, sem o devido enga- jamento e envolvimento com o estudo. É razoável que não se escolha um tema apenas por estar “na moda”, indicado por terceiros, sem levar em conta a sua real necessidade de investigação. Na definição do objeto de pesquisa, é essencial partir de uma questão sobre o tema. O pes- quisador dever fazer uso de sua imaginação para criar problemáticas envolvendo o tema es- colhido. Alguns autores sugerem que o problema deva ter algumas características, como por exemplo, (GIL, 1991 apud DESLANDES, 2010): a) Deve ser formulado como pergunta; b) O problema deve ser claro e preciso; c) Deve ser delimitado a uma dimensão viável. EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 23 A escolha de um problema merece que o pesquisador faça sérias indagações (RU- DIO, apud DESLANDES, 2010): a) Trata-se de um problema original? b) O problema é relevante? c) Ainda que seja “interessante”, é adequado para mim? d) Tenho hoje possibilidades reais para executar tal estudo? e) Existem recursos financeiros para a investigação deste tema? f) Terei tempo suficiente para investigar tal questão? Formulação de hipótese Geralmente, quando o pesquisador elabora suas perguntas, de modo intuitivo ou mesmo partindo de suas experiências pessoais, acadêmicas ou profissionais, ela já traz algumas respostas provisórias para sua questão. A esta resposta provisória, dá-se o nome de hipótese. As hipóteses são afirmações provisórias ou uma solução possível a respeito do problema colocado em estudo (SANTOS apud DESLANDES, 2010). As hipóteses não são obrigatórias em um projeto de pesquisa, no entanto, a sua construção se faz importante pois pode ser uma bússola na condução da pesquisa. As hipóteses possuem algumas características para ser consideradas uma “hipóte- se aplicável” (GIL, 1991 apud DESLANDES, 2010): a) Deve ter conceitos claros. b) Deve ser específica; c) Não deve se basear em valores morais; d) Deve ter como base uma teoria que a sustente. Definição do quadro teórico Teoria significa um modo de ver a realidade. Geralmente o pesquisador visualiza o seu objeto de pesquisa com as lupas de suas teorias. O projeto de pesquisa deve levar em consideração um quadro teórico. Este representa o conjunto de princípios, defini- ções, conceitos e categorias que articulados entre si formam um sistema explicativo coerente (MINAYO; SEVERINO apud DESLANDES, 2010). O pesquisador deve ser preocupar com a construção de um quadro teórico que seja coerente em si mesmo e em relação ao objeto de pesquisa. É recorrente pesquisadores utilizarem um quadro teórico cujos conceitos e postulados são inteiramente incongruentes. É recomendável utilizar sempre um quadro teórico atualizado e que favoreça a real problematização do tema e a construção de hipóteses. Por último, o quadro teórico não deve ser como uma camisa de força para alinhar e encaixar o objeto nos moldes da teoria. Como dissemos, a teoria é um modo de ver a realidade. Portanto, a teoria não é mais impor- tante do que o próprio objeto de estudo. • PARA QUE PESQUISAR? Objetivos da pesquisa Os objetivos da pesquisa têm a função de apresentar com clareza para o leitor “[...] o que se visa com o trabalho” (MARCONI; LAKATOS, 2007). Devem ser escritos com ver- bos no infinitivo: registrar,analisar, compreender, identificar, comparar, entre outros. EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 24 Objetivo Geral Com a definição do objetivo geral, o pesquisador informará ao leitor qual será a contribuição da pesquisa quando ela, de fato, se concretizar. Informa-se qual será a contribuição com a realização da pesquisa, geralmente, identificado logo no início da introdução do projeto de pesquisa. Objetivos específicos Os objetivos específicos são opcionais e vêm logo depois do objetivo geral. Os ob- jetivos gerais indicam as ações que o pesquisador desenvolverá para se alcançar o objetivo geral. Ou seja, os objetivos específicos representam a descrição minuciosa das etapas necessárias para que o objetivo geral possa ser plenamente atendido. Da mesma forma, do objetivo geral, os específicos, também se apresentam com verbos no infinitivo. Por exemplo, identificar, descrever, conhecer, entre outros. •POR QUE PESQUISAR? Justificativa Na justificativa, o pesquisador deverá argumentar a relevância da pesquisa de um ponto de vista pessoa, acadêmico e social. Do ponto de vista pessoal, o pesquisador demonstra o seu envolvimento com o objeto em estudo, seja partindo de outras expe- riências de pesquisa, ou mesmo profissional. A relevância acadêmica, o pesquisador pode apontar as lacunas e problemas deixados por outros estudos científicos. Por último, o pesquisador justifica sua pesquisa sob um ponto de vista social. A pesquisa científica deve levar em consideração o seu impacto na vida das pessoas, consideran- do que o fim último da ciência é o próprio homem e a sociedade. COMO PESQUISAR? Metodologia Nessa etapa, o pesquisador indicar os passos que seguirá para se alcançar os obje- tivos da pesquisa. O pesquisador deve se guiar pelos objetivos da pesquisa. São eles que vão guiar que caminho seguir ao longo da pesquisa. O pesquisador deve se mos- trar bastante flexível, sem, no entanto, perder de vista a sua problemática. Por isso, a definição da metodologia requer do pesquisador dedicação e cuidado. Recomenda-se que o pesquisador defina técnicos e métodos adequados para cada um dos objetivos da pesquisa. A seção de metodologia contempla a descrição da fase de explora- ção de campo (escolha do espaço da pesquisa, critérios e estratégias para escolhas do grupo/sujeitos de pesquisa, a definição de métodos, técnicas e instrumentos para a construção de dados e os mecanismos para entrada em campo), as etapas do trabalho de campo e os proce- dimentos para análise. (DESLANDES, 2010, p. 47) EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 25 •POR QUANTO TEMPO PESQUISAR? Cronograma O projeto deve informar o tempo necessário para a consecução de cada etapa da pesquisa. Normalmente, os pesquisadores apresentam a relação atividade/tempo por meio de quadro. •COM QUE RECURSOS? Orçamento A pesquisa por mais simples que seja demanda recursos para sua realização. No entanto, muitos pesquisadores não se preocupam em fazer um levantamento dos cus- tos da pesquisa e em estabelecer os recursos que serão necessários em cada etapa da pesquisa. Em não sendo bem definido, pode-se prejudicar a própria evolução da pesquisa. •A PARTIR DE QUAIS FONTES? Citações e referências Há uma enorme variedade de fontes que um projeto de pesquisa pode utilizar: livros, capítulos de livros, artigos de revistas científicas, revistas leigas, jornais, do- cumentos oficiais, informações pessoais, teses, dissertações, monografias, textos não publicados, bancos de dados, entre outros. Acesso a estas fontes pode se dar através da consulta de um determinado acervo disponível numa biblioteca, centro de docu- mentação ou coleção pessoal. (DESLANDES, 2010). Como citar estas fontes tão diversas? O pesquisador não deve utilizar essas fontes para montar uma espécie de “colcha de retalho”. As fontes servem para contribuir na fundamentação teórica do trabalho e ajudar a responder às problemáticas construídas pelo pesquisador. Este deve evitar uma “fetichização” das fontes teóricas, pois estas podem, como já dissemos, colocar o objeto de estudo em uma “camisa de força”. As fontes teóricas não podem ser ci- tadas de qualquer jeito. O trabalho científico possui suas regras. No Brasil temos as regras de normalização de citações produzidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que é entidade privada, sem fins lucrativos. A ABNT é responsável por criar normas para diversos procedimentos tecnológicos, inclusive para a redação científica. Para maiores informações sobre a ABNT, acesse o site: www.abnt.org.br EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 26 FEITO O PROJETO, AGORA É HORA DE APRESENTÁ-LO Sugerimos, então, um modelo operacional, inspirado nas regras da ABNT, a ser apresentado na seguinte ordem: ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS (capa, folha de rosto, sumário, listas de ilustrações, lista de símbolos e abreviaturas (opcional). ELEMENTOS TEXTUAIS (apresentação do tema e do problema de pesquisa; hipóteses; objetivos; justificativas; quadro teórico; metodologia; orçamento). ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS (referências bibliográficas [sugerimos consultar as Normas da ABNT 6023 e 10520]; anexos e apêndices [opcional]). ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM Após aprender a distinguir os elementos que compõem a estrutura bá- sica de um projeto de pesquisa, agora chegou a sua vez de elaborar o seu próprio Projeto de Pesquisa. Procure elaborar um problema de pesquisa envolvendo a temática da docência. Use a sua imaginação e criatividade científica. Logo abaixo, disponibilizamos uma Sugestão para um Projeto de Pesquisa. Em caso de dúvidas, volte ao ponto que você não compreen- deu, releia o texto e, caso precise de auxílio, entre em contato com o seu tutor, que está sempre à disposição para ajudá-lo em seus estudos.1. Liste as ações públicas que têm como alvo a formação de professores. Comente como cada uma delas pode beneficiar os professores. EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 27 SUGESTÃO PARA UM PROJETO DE PESQUISA CAPA 1. INSTITUIÇÃO (local onde será desenvolvida a pesquisa) 2. TÍTULO 3. SUBTÍTULO 4. NOME DO PESQUISADOR 5. MÊS E ANO I. INTRODUÇÃO 1. Objetivo Geral (questão principal da pesquisa, problema a ser resolvido) (o quê? Principal) 2. Objetivos Específicos (questões secundárias a serem respondidas, relacionadas à questão principal) (os quês? Secundários) 3. Objeto (indivíduo, grupo ou instituição pesquisada (quem? Onde?) II. JUSTIFICATIVA (importância do tema proposta; motivação individual, profissional, social e teórica para escolher o tema) (por quê?) III. HIPÓTESES DE TRABALHO (algo provável, antecipa algo que será ou não confirmado) (eu acredito que) IV. DISCUSSÃO TEÓRICA (contextualizar o tema dentro do debate teórico existente; princi- pais conceitos e categorias; estudos precedentes: diálogo com os autores) (a partir de quem?). V. METODOLOGIA (caminhos possíveis, instrumentos e fontes de pesquisa) (como?) VI. CRONOGRAMA (quanto tempo?) Etapa I: Revisão Bibliográfica Etapa II: Construção dos instrumentos de pesquisa Etapa III: entrevistas Etapa IV: análise do material coletado Etapa V: redação do trabalho final Meses 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Etapas I X X X II X III X X X X IV X V X X X VII. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (livros e artigos citados) EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 28 Referências Bibliográficas ALVES-MAZZOTTI, A. J.; GEWANDSNAJDER, F. O método nas ciências naturais e sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa. São Paulo: Pioneira, 1999. DESLANDES, Suely Ferreira. O projeto de pesquisa como exercício científico e artesanato intelectual. In: DESLANDES, Suely Ferreira; GOMES, Romeu; MINAYO, Cecíliade Souza. (Organizadora). 29ª edição. Petrópolis, RJ. Editora Vozes, 2010. LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. de A. Metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2011. LIBÂNEO, José Carlos; OLIVEIRA, João Ferreira de; TOSCHI, Mirza Seabra. Edu- cação escolar: políticas, estrutura e organização. 10ª ed. São Paulo. Editora Cortez, 2012. RICHARDSON, Roberto Jarry. Pesquisa social: métodos e técnicas. 3ª ed. São Pau- lo. Editora Atlas, 2010. Legislação Educacional consultada BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. ______. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cur- sos de Pedagogia. Parecer CP/CNE 05_2005, homologação publicada no DOU 15/05/2006, Seção 1, p. 10. Parecer CP/CNE 03_2006, homologação publicada no DOU 11/04/2006, Seção 1, p. 19. Resolução CP/CNE 01/2006, publicada no DOU 16/05/2006, Seção 1, p. 11. ______. Lei nº 12.014, de 6 de agosto de 2009. Altera o art. 61 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, com a finalidade de discriminar as categorias de trabalhadores que se devem considerar profissionais da educação. ______. Lei nº11.738, de 16 de julho de 2008. Regulamenta a alínea “e” do inciso III do caput do art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, para instituir o piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica. ______. Resolução nº7, de 26 de abril de 2012. Fixa a parcela da complementação da União ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valori- zação dos Profissionais da Educação - FUNDEB, prevista no caput do art. 7º da Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007. EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 29 Sites acessados http://freire.capes.gov.br http://portaldoprofessor.mec.gov.br http://portal.mec.gov.br/component/content/article?id=50471 https://www.youtube.com/watch?v=reC3R8RTGBE www.abnt.org.br Currículo do Professor-Autor Roberto da Silva Júnior nasceu em Redenção - CE. Concluiu o Bacharelado em Ci- ências Sociais na Universidade Estadual do Ceará - UECE em 2002; licenciou-se pela mesma Universidade em Sociologia, História e Filosofia no ano de 2003. Licenciou- -se em Pedagogia pela Faculdade Integrada do Brasil em 2014. Concluiu o Mestrado Acadêmico em Políticas Públicas na UECE em 2009. É doutorando em Educação Bra- sileira na Universidade Federal do Ceará – UFC; especializou-se em Psicopedagogia Clínica e Institucional na Escola Superior Aberta do Brasil; especializou-se em Gestão Pública na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira; especializou-se ainda em Docência do Ensino Superior na UECE; Atua como profes- sor de História na Prefeitura Municipal de Fortaleza; É professor e Coordenador de Pós-Graduação na Faculdade do Maciço de Baturité (FMB). Atua clinicamente como Psicanalista da Sociedade Contemporânea de Psicanálise (COMBRAPSI). É membro do Núcleo de História e Memória da Educação (NHIME/UFC). EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 30 Pesquisa & Prática Pedagógica I Roberto da Silva Junior EAD / FACULDADE DO MACIÇO DE BATURITÉ 31 Rua Edmundo Bastos . s/n Sanharão . Baturité . Ceará www.faculdade.edu.br @fmbce 85 3347 2774