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COMPRAS, ESTOQUE E 
LOGÍSTICA 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Rosinda Angela da Silva 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Em conteúdos anteriores conhecemos alguns princípios elementares 
sobre estoques, como sua importância, tipos, vantagens e desvantagens, entre 
outros conceitos. Estamos então prontos para prosseguir e acessar mais 
informações sobre estoques. 
Para isso, os seguintes objetivos foram determinados para esta etapa: 
estudar o planejamento de estoques; compreender a determinação do volume 
de estoques; conhecer os principais custos decorrentes dos estoques; conhecer 
a classificação ABC de estoques; e, por fim, alguns indicadores dos estoques. 
São assuntos que certamente auxiliarão na construção de seu 
conhecimento sobre esse tema, que é um desafio para grande parte das 
empresas que utilizam os estoques como base para seu negócio. 
CONTEXTUALIZANDO 
Os temas centrais desta etapa são gestão e controle de estoques, os 
quais são imprescindíveis para as organizações que utilizam estoques em seus 
negócios. A gestão dos estoques é realizada por meio de ações e decisões 
tomadas diariamente com o intuito de buscar um equilíbrio entre não ter estoques 
e não deixar faltar produtos para entregar ao cliente! Para realizar tal gestão, 
será necessário conhecer os estoques da empresa, os custos que a empresa 
tem em decorrência de mantê-los, além das necessidades de infraestrutura 
como armazenagem, pessoas e sistemas de controle. Com isso, é possível 
compreender que a gestão de estoques é mais ampla que apenas comparar as 
entradas (compras de matérias-primas ou mercadorias) com as saídas (vendas 
dos produtos). 
Uma gestão de estoque eficiente ajudará a melhorar o desempenho da 
organização porque atuará desde o planejamento dos volumes dos estoques a 
serem mantidos até como e porque monitorá-los. Isso trará como benefícios 
redução de custos, racionalização dos itens armazenados, oferta de nível de 
serviço ao cliente condizente com o que o mercado exige, entre outras 
possibilidades. É claro que para isso será necessário controle dos processos, o 
que será obtido por meio do uso de técnicas, ferramentas, monitoramento por 
indicadores e sistemas informatizados robustos e condizentes com as 
necessidades da organização. 
 
 
3 
TEMA 1 – PLANEJAMENTO DE ESTOQUES 
Para que seja possível realizar a gestão e o controle dos estoques de 
forma adequada é necessário planejar, atividade considerada imprescindível 
para a maximização do valor financeiro investido nos estoques, pois, segundo 
Viana (2011), os materiais representam cerca de 50% do custo do produto 
vendido em uma indústria ou comércio. Essa importância justifica-se também 
pela quantidade de elementos envolvidos com a gestão, conforme mostra a 
Figura 1. 
Figura 1 – Principais atividades de gestão de estoques 
Fonte: Elaborado com base em Viana, 2011, p. 109. 
As variáveis apresentadas na Figura 1 indicam que para planejar o volume 
dos estoques é necessário avaliar cada uma delas e outras que sejam 
particulares do negócio, como, por exemplo, se a empresa é uma importadora 
de itens para revenda. Assim, entendemos que planejar o volume de estoque 
ultrapassa a simples verificação das entradas e saídas em determinado período 
e envolve buscar a resposta para o dilema “não ter produto em estoque e não 
deixar faltar o produto que o cliente deseja comprar”. Tal situação é vivenciada 
Gestão 
de 
estoques 
Classifica-
ção ABC
Custos
Parâme-
tros de 
ressupri-
mento
Reposição
Métodos 
de 
controle Indicado-
res 
gerenciais 
Contabili-
zação
Sanea-
mento 
Inventário 
físico
Compor-
tamento 
da 
demanda 
 
 
4 
por inúmeros profissionais da área, que são pressionados diariamente para 
buscar esse equilíbrio, por isso planejar é o primeiro passo. 
O planejamento pode ser realizado de diversas formas. Vejamos algumas 
ações facilitadoras. 
• Determinar os níveis de estoques para cada item; a análise ABC auxilia 
nesse aspecto. Tal análise será apresentada mais adiante. 
• Determinar e parametrizar, no sistema, o ponto de pedido dos itens, 
principalmente dos críticos. 
• Organizar o espaço que acomoda os estoques, armazém ou 
almoxarifado, pois a gestão visual também ajuda a planejar os volumes. 
• Determinar o tipo de técnica de armazenagem mais apropriada para o seu 
tipo de estoque: aleatória – em qualquer, lugar conforme os produtos 
chegam – ou fixa – sempre no mesmo lugar no depósito. 
• Atentar para o modelo de previsão de demanda que a empresa utiliza. 
Além dessas ações, Viana (2011) contribui sugerindo outros elementos 
conforme mostra o Quadro 1. 
Quadro 1 – Elementos do planejamento de estoques 
Impedir entrada de materiais desnecessários, 
mantendo em estoque somente os de real 
necessidade da empresa. 
Desenvolver e implantar política de 
padronização de materiais. 
Centralizar as informações que possibilitem o 
permanente acompanhamento e 
planejamento das atividades de gestão. 
Decidir sobre a regularização ou não de 
materiais entregues além da quantidade 
permitida, portanto, em excesso. 
Definir os parâmetros de cada material 
incorporado ao sistema de gestão de 
estoques, determinando níveis de estoque 
respectivos (máximo, mínimo e segurança). 
Ativar o setor de compras para que as 
encomendas referentes a materiais com 
variação nos consumos tenham suas 
entregas aceleradas, ou para reprogramar 
encomendas em andamento, em face das 
necessidades da empresa. 
Determinar, para cada material, as 
quantidades a comprar, por meio dos 
respectivos lotes econômicos e intervalos de 
parcelamento. 
Realizar frequentemente estudos propondo 
alienação, para que os materiais obsoletos e 
inservíveis sejam retirados do estoque. 
Analisar e acompanhar a evolução dos 
estoques da empresa, desenvolvendo 
estudos estatísticos a respeito. 
Desenvolver, juntamente com os gestores 
dos estoques, análise crítica frequente do 
ciclo de vida do produto (CVP). 
Fonte: Elaborado com base em Viana, 2011, p. 117. 
As ações apresentadas podem até não reduzir o estoque ao volume zero, 
porém certamente ajudarão o gestor a não permitir que o volume de estoque já 
armazenado aumente. 
 
 
5 
1.1 Passos para planejar o estoque 
O planejamento de estoques não é uma atividade a ser realizada somente 
por um setor, como o planejamento, programação e controle da produção ou 
vendas, por exemplo, tampouco somente pelo marketing ou pela área comercial. 
É preciso contribuição e envolvimento dos demais departamentos para que se 
busque o equilíbrio entre volume de estoque, comprometimento financeiro e 
espaço para armazenagem. É possível iniciar um planejamento com base nos 
passos a seguir. 
• Controle as entradas e saídas de materiais em sistemas informatizados. 
• Faça projeção de pedidos dos clientes frequentes e planeje a produção 
com base nesses itens. 
• Conheça os custos dos estoques (em todas as categorias, como matérias-
primas, em processo, produto acabado, entre outras). 
• Gerencie os itens de estoque, preferencialmente por ordem de criticidade 
ou custo. 
• Construa e cultive boa relação com fornecedores confiáveis, os quais 
apoiarão a empresa em momentos de crise também. 
• Realize inventários frequentes para compreender o comportamento do 
item. 
• Registre o movimento dos estoques e utilize os dados para transformá-los 
em informações que sejam úteis nas tomadas de decisões. 
• Invista em um sistema informatizado robusto, mas não complexo, no qual 
os colaboradores farão os registros. 
Além desses itens, capacite as pessoas, pois profissionais qualificados 
tendem a compreender melhor os impactos das situações internas e externas na 
gestão dos estoques. 
TEMA 2 – DETERMINAÇÃO DO VOLUME DOS ESTOQUES (JIT, JIC E LEC) 
Para determinar o volume de estoques é preciso identificar o modelo de 
gestão que a organização utiliza. Nesse caso, pode ser JIT (Just intime) ou JIC 
(Just in case), geralmente com o lote econômico de compras (LEC). Em ambos 
os casos será necessário levantar informações para o planejamento, por isso é 
importante conhecermos os princípios dessas modalidades. 
 
 
6 
2.1 Just in time (JIT) 
O modelo JIT é mais comumente observado nas cadeias de suprimentos 
organizadas e maduras, nas quais temos bem claros o papel da empresa dona 
da cadeia, também conhecida como focal, e a relação com seus fornecedores 
de 1º nível. A Figura 2 traz o modelo conceitual e simplificado da organização de 
uma cadeia de suprimentos (com os sentidos dos fluxos montante e jusante), em 
que a empresa focal gerencia diretamente o fornecedor e o cliente de 1º nível. 
Os demais são gerenciados por este e assim por diante, ou seja, se ocorrer 
algum problema a empresa focal negociará diretamente com os fornecedores e 
clientes que estão próximos dela e não com todos, o que inviabilizaria o modelo. 
Figura 2 – Empresa focal e seus aliados 
 
Podemos perceber, no centro da cadeia, a empresa focal, que pode ser 
uma indústria automobilística, uma indústria de móveis, de confecções, de 
calçados, entre outros tipos de negócios. Também é possível observar esse 
arranjo no varejo, quando a empresa focal é um grande varejista, hipermercado, 
atacadista, distribuidor, atacarejo, entre outras configurações. 
No modelo de gestão de estoque JIT, a empresa focal não mantém 
estoque de matérias-primas, componentes, partes e peças em sua planta; ela 
repassa as informações aos seus fornecedores de 1º nível, os quais se 
organizam ao longo da cadeia para entregar os materiais necessários somente 
quando a empresa focal realmente tiver necessidade. Na prática, o que vemos 
é que os fornecedores responsabilizam-se pela gestão dos estoques da empresa 
focal. 
Aparentemente, parece ser algo simples a fazer, mas não é. Esse 
“repassar as informações” da empresa focal para seus fornecedores nem 
sempre ocorre conforme o previsto, por isso o relacionamento entre as empresas 
cliente e fornecedora (lembrando que a empresa cliente é a focal) precisa ser 
bem alinhado pelos gestores dos processos. 
...
Fornecedor 
2º nível
Fornecedor 
1º nível
Empresa 
focal 
Cliente 1º 
nível
Cliente 2º 
nível
...
Montante Jusante 
 
 
7 
A implementação do JIT leva tempo e exige mudança de cultura, pois será 
necessário alinhar a programação de produção com a entrega dos materiais no 
tempo certo. O desafio é que “ter estoque em casa” traz segurança para os 
gestores dos processos produtivos ou de vendas, então fazer com que eles 
confiem nos fornecedores é uma quebra de paradigma. 
A gestão dos estoques por meio da filosofia JIT exige confiança plena 
entre as empresas envolvidas e planejamento conjunto, o que demanda tempo 
e energia dos setores, por isso não é prática comum trabalhar JIT com todos os 
fornecedores e sim com os fornecedores de 1º nível. Um longo trabalho de 
desenvolvimento, homologação e aprovação de material é realizado para que o 
fornecedor esteja apto a atender a demanda da empresa focal, pois no JIT 
subentende-se que o material já está aprovado e, ao chegar à empresa, seguirá 
direto para a linha de produção ou para a área de vendas, sem ficar parado 
aguardando liberação do controle de qualidade. 
Os principais elementos que fazem o JIT funcionar em uma organização 
são a eliminação de desperdícios, o correto aproveitamento dos recursos 
disponíveis, a capacitação das equipes e, claro, planejamento. E isso se obtém 
com esforço e dedicação das equipes envolvidas, pois é um investimento de 
longo prazo, mas que vale muito a pena. Após a implementação do JIT, a 
empresa focal se beneficia em diversos aspectos, tais como: 
• aumento da qualidade; 
• a própria eliminação de desperdícios; 
• estoque zero ou quantidades mínimas; 
• relacionamento estreito com fornecedores; 
• não necessidade de espaço para armazenagem; 
• redução de custos com estoques, equipamentos e pessoas. 
Como os benefícios que as empresas alcançam com a implementação da 
filosofia JIT são bem mensuráveis, é comum que um dos primeiros 
questionamentos em uma discussão sobre gestão dos estoques seja: Por que 
não usar o JIT? 
2.2 Just in case (JIC) 
Just in case, em tradução livre, significa “no caso de” ou “caso se”. Para 
a gestão de estoques significa: caso o cliente solicite uma antecipação, caso o 
 
 
8 
cliente aumente o pedido, caso a linha de produção sofra uma interrupção, caso 
a máquina necessite de manutenção corretiva, caso o fornecedor atrase, entre 
outras possibilidades. Caso isso ou aquilo aconteça, como manter as entregas 
em dia? A solução que as empresas utilizam são os estoques! Por isso o JIC é 
um modelo muito mais utilizado que o JIT, embora, é claro, tenha seus pontos 
positivos e negativos. 
Os pontos positivos resumem-se a proteger a empresa das dúvidas 
mencionadas, além de permitir atender prontamente o cliente, permitir 
promoções de marketing e um controle mais rigoroso do CQ, assuntos que já 
discutimos em conteúdos anteriores. Isso também é verdadeiro quanto aos 
pontos negativos: custos dos estoques com armazenagem, seguros, mão de 
obra, sistemas, riscos, entre outros. Em relação ao volume do estoque mantido 
para evitar os riscos de ruptura, dependerá muito da política adotada pela 
organização. Além disso, é preciso ter claro que um volume de estoque que 
parece alto para uma organização pode não ser tão alto para outra. 
2.2.1 Lote econômico de compras (LEC) 
Outro elemento que impacta o volume do estoque que se forma na 
organização é o lote econômico de compras (LEC), a quantidade adequada de 
materiais a ser adquirida por uma organização. O que ocorre é que essa 
“quantidade adequada a ser comprada” nem sempre é a mesma quantidade 
adequada a ser fabricada pelo fornecedor, que nesse caso se chama lote 
econômico de fabricação (LEF). Por isso é importante conhecermos o LEC e 
compreendermos como ele pode ser útil na gestão dos volumes de estoques. 
O LEC é uma equação simples de ser aplicada e geralmente os sistemas 
informatizados de gestão de estoques já o trazem como padrão. No entanto, 
para o gestor desse processo é importante conhecer quais parâmetros o sistema 
utiliza para realizar o cálculo e determinar a quantidade adequada a ser adquirida 
em cada pedido de compras. O Quadro 2 traz essas informações. 
 
 
 
9 
Quadro 2 – Equação do LEC 
Equação Elementos 
 
OU 
 
Q = Quantidade do lote 
Cp = Custo de preparação (obtenção) 
D = Demanda 
CA = Custo de armazenagem 
i = Taxa de juros correntes 
P = Preço que será pago ao fornecedor 
 
 
Atenção! Perceba que, na segunda opção, a 
expressão (CA + i x P), que representa o 
custo de carregamento (Cc), já vem calculada. 
No exemplo aplicado, isso ficará mais claro. 
Fonte: Elaborado com base em Martins; Alt, 2006, p. 229. 
Martins e Alt (2006) propõem um exemplo para facilitar a compreensão de 
como aplicar o LEC. 
Com base nos dados da empresa Vende Mais, calcule o LEC para o 
produto. 
D = Demanda: 40.000 unidades/ano 
Cp = Custo de preparação (obtenção, aquisição): R$ 30,00/pedido 
Cc = Custo de carregamento (CA + i x P): R$ 0,30/unidade/ano 
Ci = Custo independente (custo fixo): R$ 50,00/ano 
P = Preço pago ao fornecedor: R$ 0,18 a unidade 
 
 
10 
Quadro 3 – Passos da resolução 
Passo 1 
 
 
 
 
Passo 3 
 
 
 
Passo 2 Passo 4 
QLEC = 2.828,43 unidades/pedido 
Arredonda-se para 2.830 peças. 
Fonte: Elaborado com base em Martins; Alt, 2006, p. 230. 
A quantidade encontrada por meio do cálculo do LEC é um parâmetro 
para comparação com a quantidade mínima que o fornecedor ofertará para o 
comprador. Ao calcular o custo total dos estoques, utiliza-se também a 
quantidade de LEC para análise. 
TEMA 3 – CUSTOS DOS ESTOQUES 
Pelos estudos que fizemos até este momento já percebemos que estoque 
tem custo, não é mesmo? Pois bem, mas vocêjá pensou quais são os elementos 
reais envolvido nesses custos? Conheceremos agora os custos mais 
recorrentes. 
3.1 Custos de carregamento 
Como custos de carregamento entendemos aqueles que ocorrem 
somente se a empresa tiver estoque; são diretamente proporcionais à 
quantidade estocada. Assim, se a empresa mantém alto volume de estoque, 
esse custo é alto; se mantém pouco volume, esse valor diminui. Os principais 
elementos estão dispostos no Quadro 4. 
 
 
11 
Quadro 4 – Custos de carregamento dos estoques 
Elementos de custo Justificativa 
Quanto mais estoque... 
Armazenagem ... mais área necessária, mais custo de aluguel. 
Manuseio ... mais pessoas e equipamentos necessários para manusear os 
estoques, mais custo de mão de obra e equipamentos. 
Perdas ... maiores as chances de perdas, mais custos decorrente de perdas. 
Obsolescência ... maiores as chances de materiais tornarem-se obsoletos, mais 
custos decorrentes de materiais que não mais serão utilizados. 
Furtos e roubos ... maiores as chances de materiais serem furtados e/ou roubados, 
mais custos decorrentes. 
Fonte: Elaborado com base em Martins; Alt, 2006, p. 178. 
Para conhecermos o custo de carregamento (Cc) de um item em 
estoque temos que seguir os seguintes passos: somamos os custos 
apresentados no Quadro 4, que chamaremos de custos de armazenagem (Ca), 
pois ocorrem dentro do armazém; acrescentamos a taxa de juros correntes (i) 
e o valor P (preço) que pagamos pelo produto para o fornecedor. Assim, 
formaremos a seguinte equação: 
Cc = Ca + i x P 
Exemplo: Certa empresa tem um item com custo de armazenagem 
estimado em R$ 0,44 por unidade e paga R$ 8,00 pelo produto ao fornecedor. 
Com uma taxa de juros correntes ao ano de 12%, podemos concluir que o custo 
de carregamento desse item é: 
Cc = Ca + i x P = 0,44 + 0,12 x 8,00 
Cc = Ca + i x P = 0,44 + 0,96 
Cc = Ca + i x P = 1,40 por unidade por ano 
Ao encontrarmos o valor de R$ 1,40 de custo de carregamento para uma 
unidade de produto, não parece muito, não é mesmo? Mas, e se a empresa tiver 
10 mil peças desse item em estoque? Conhecer quanto custa manter um item 
em estoque por um ano certamente fará o gestor refletir sobre os custos. 
3.2 Custo de obtenção (de fazer o pedido) ou preparação 
Outro elemento que impacta o custo do estoque de uma empresa é o valor 
despendido para obtê-lo, ou seja, para fazer um pedido de compras ou o custo 
 
 
12 
de preparação para produzir o item internamente. Por convenção, esse custo 
chama-se Cp. Para calcular o Cp, utilizamos dois fatores: 
1. o custo de emissão do pedido de compras e seu follow-up; 
2. o custo do transporte do pedido. 
No fator 1 estão os valores do setor de compras, como mão de obra, custo 
do espaço, energia, internet, sistema informatizado, entre outros. Já no fator 2 
temos o valor do frete com os tributos, pago ao transportador. A expressão é 
simples e obtida por meio de: 
Cp = custo de preparação ou obtenção + custo do transporte 
Exemplo aplicado: A empresa do item anterior tem um custo de pedido de 
compras de R$ 35,00 por pedido e paga um frete de R$ 180,00 por entrega. 
Assim, podemos dizer que o Cp para um pedido é igual a: 
Cp = R$ 35,00 + R$ 180,00 
Cp = R$ 215,00 
Analisando esse custo já sabemos que, cada vez que o comprador 
adquirir esse item do fornecedor, terá um custo de R$ 215,00. Até aí tudo bem. 
Mas, e se extrapolarmos essa análise para a seguinte situação: o comprador 
repete esse pedido todos os meses? 
Em um ano, então, a empresa terá esse custo 12 vezes, logo R$ 215,00 
x 12 = R$ 2.580,00 somente para obter esse item. Um comprador inexperiente 
pode pensar na alternativa de fazer um pedido só e comprar para o ano inteiro 
e, nesse caso, a empresa só gastaria R$ 215,00 ao ano com esse produto. 
Parece uma boa solução, no entanto ele precisa lembrar que esse item parado 
o ano todo aumentará o custo de carregamento (Cc) que vimos no tópico 
anterior. Além disso, a empresa terá recurso financeiro investido nesse item o 
ano todo também, entre outras variáveis a serem consideradas. 
Assim, o ponto de reflexão é: será que compensa manter um estoque o 
ano todo só pelo custo do frete? Ou pagar o frete todos os meses e ter um 
estoque menor no depósito é mais vantajoso? Esse cálculo precisa ser feito com 
detalhes para que se encontre a resposta. No entanto, se porventura a empresa 
importa produtos, certamente que quanto mais a cubagem do contêiner for 
 
 
13 
aproveitada, melhor para ela, já que os custos dos fretes são muito mais altos e 
o lead time é muito maior. 
3.3 Custo independente 
A análise dos custos dos estoques envolve também considerar o custo do 
espaço físico onde o estoque está guardado, além do próprio custo da 
armazenagem que já conhecemos no Cc. 
O custo do espaço físico inclui o aluguel do armazém, o seguro e outros 
que podem decorrer da manutenção da estrutura física. Esse custo é chamado 
de custo independente (Ci) porque, independentemente, de o espaço estar 
vazio ou cheio de estoque, ele ocorrerá todos os meses. Você também poderá 
encontrar as nomenclaturas custo invariável e custo fixo do espaço. Nesse caso, 
não há necessidade de criar uma equação para ele, no entanto ele precisa fazer 
parte do custo total do estoque (CT). 
3.4 Custo do material comprado 
Por fim, para identificarmos corretamente o custo total do estoque, ainda 
temos que considerar o valor pago ao fornecedor, pois o capital financeiro saiu 
do caixa da empresa, não é mesmo? Então, tem que ser considerado! Nesse 
caso chamamos esse custo de P (preço) e o obtemos quando multiplicamos a 
demanda pelo preço (D x P). 
Com isso, conhecemos as quatro variáveis principais que compõem o 
custo total (CT) do estoque. Outras variáveis que são utilizadas para o cálculo 
são o tamanho do lote de compras, que é obtido por meio da divisão da 
demanda pela quantidade do lote (D/Q), e o estoque médio (EM). Quando 
temos todos esses elementos em mãos, podemos calcular o CT. Para se ter uma 
ideia do tamanho da equação, ela será apresentada a seguir. Mas não se 
preocupe, os sistemas informatizados de gestão e controle de estoque já a 
trazem como padrão também! 
CT = (Ca + i x P) x (Q/2) + Cp x D/Q + Ci + D x P 
Observe o exemplo aplicado do CT proposto por Martins e Alt (2006) e 
você compreenderá que não é tão difícil quanto parece! 
 
 
14 
Determinar o custo total (CT) de estoque do item WJ-2530, fornecido por 
terceiros, sabendo-se que: 
D = 25.000 peças/ano 
i = 15% a.a. = 0,15 
P = R$ 0,15 a unidade 
Cp = 60,00/pedido 
Ca = R$ 0,08 a unidade/ano 
Ci = R$ 150,00/ano 
Q (quantidade do lote) = 5.000 unidade/lote 
Quadro 5 – Resolução do CT 
CT = (Ca + i x P) x (Q/2) + Cp x D/Q + Ci + D x P 
Passo 1 
(Ca + i x P) x (Q/2) 
(0,08 + 0,15 x 0,15) x 5.000/2 = 
(0,1025) x 2.500 = 256,25 
+ 
Passo 3 
Ci 
150,00 
+ 
Passo 2 
Cp x D/Q 
60,00 x 25.000/5.000 = 
60,00 x 5 = 300,00 
+ 
Passo 4 
D x P 
25.000 x 0,15 = 3.750,00 
Custo total: 256,25 + 300,00 + 150,00 + 
3.750,00 = 
CT = 256,25 + 300,00 + 150,00 + 3,750,00 
CT = 4.456,25 
 
Fonte: Elaborado com base em Martins; Alt, 2006, p. 185. 
Conforme já comentamos, esse cálculo é realizado pelos sistemas 
informatizados, mas também pode ser feito em planilhas eletrônicas, pois o 
importante é identificar corretamente os dados. Além disso, o comprador ou o 
gestor dos estoques podem aplicar esse cálculo considerando o LEC como a 
quantidade do lote (Q). Com isso, é possível comparar o CT para o LEC com o 
CT do tamanho do lote que o fornecedor entrega hoje, que pode ser uma 
imposição do LEF dele. 
TEMA 4 – CONTROLE DE ESTOQUE (ANÁLISE ABC) 
Depois de conhecer os custos de estoques podemos concluir que é 
preciso controlá-los, pois, caso contrário, a empresa pode perder 
competitividade se não souber o que acontece com esse valioso recurso. No 
entanto, para controlar é preciso conhecer. Assim,apresentaremos um método 
muito útil para iniciar o processo: a análise ABC. 
 
 
15 
4.1 Análise ABC 
A análise ABC é também conhecida como classificação ABC, curva ABC, 
curva de Pareto, regra de Pareto, regra 80-20, entre outras denominações. 
Embora seja utilizada em diferentes contextos na gestão de estoques, foi 
traduzida como a classificação dos itens por grau de importância, que pode ser 
financeira ou de criticidade para o processo. Esse grau de importância tem três 
faixas: A, B e C (Quadro 6). 
Quadro 6 – Sugestão de classificação ABC 
Classificação Quantidade do item em estoque Valor acumulado do item em 
estoque 
A 10% 70% 
B 20% 20% 
C 70% 10% 
O Quadro 6 é um modelo conceitual que pode ser adaptado para a 
realidade das organizações. Essa classificação é útil para que o gestor possa 
analisar criticamente por faixa e não necessariamente dispensar o mesmo 
controle para todos os itens. Ainda que os gestores queiram priorizar sempre um 
item de alto valor em estoque, um item de baixo valor de aquisição, mas que 
interrompe o processo, caso falte, receberá um atendimento diferenciado. 
Como o mais corriqueiro é análise pelo valor financeiro, conheceremos 
um exemplo com base nessa premissa. Primeiramente, será necessário 
identificar os itens, verificar o estoque médio deles, o valor que foi pago por cada 
um deles e o total. Depois, esses itens serão organizados por ordem decrescente 
de valor e, finalmente, serão calculados os valores acumulados e os percentuais, 
permitindo, assim, classificar os itens em A, B ou C. Os Quadros 7, 8 e 9 trazem 
a construção passo a passo da classificação ABC. 
Quadro 7 – Valor total por item 
Item Estoque médio (q) Preço unitário (R$) Valor total 
AI1J 110 R$ 2,50 R$ 275,00 
BS9E 60 R$ 25,00 R$ 1.500,00 
CF8T 2.000 R$ 6,50 R$ 13.000,00 
DN6G 50 R$ 20,00 R$ 1.000,00 
FL5P 250 R$ 5,00 R$ 1.250,00 
MK2H 140 R$ 50,00 R$ 7.000,00 
OQ3U 75 R$ 3,00 R$ 225,00 
TE0G 25 R$ 7,00 R$ 175,00 
VY4W 50 R$ 4,00 R$ 200,00 
ZR7X 50 R$ 7,50 R$ 375,00 
Fonte: Elaborado com base em Morais, 2015, p. 181. 
 
 
16 
Quadro 8 – Itens em ordem decrescente de valor total 
Item Estoque médio (q) Preço unitário (R$) Valor total 
CF8T 2.000 R$ 6,50 R$ 13.000,00 
MK2H 140 R$ 50,00 R$ 7.000,00 
BS9E 60 R$ 25,00 R$ 1.500,00 
FL5P 250 R$ 5,00 R$ 1.250,00 
DN6G 50 R$ 20,00 R$ 1.000,00 
ZR7X 50 R$ 7,50 R$ 375,00 
AI1J 110 R$ 2,50 R$ 275,00 
OQ3U 75 R$ 3,00 R$ 225,00 
VY4W 50 R$ 4,00 R$ 200,00 
TE0G 25 R$ 7,00 R$ 175,00 
Fonte: Elaborado com base em Morais, 2015, p. 182. 
Quadro 9 – Cálculo dos valores acumulados e classificação ABC 
Item Total Valor 
acumulado 
% 
acumulado 
de itens 
% valor 
acumulado 
Classificação 
CF8T R$ 13.000,00 R$ 13.000,00 10% 52% A 
MK2H R$ 7.000,00 R$ 20.000,00 20% 80% 
BS9E R$ 1.500,00 R$ 21.500,00 30% 86% 
B FL5P R$ 1.250,00 R$ 22.750,00 40% 91% 
DN6G R$ 1.000,00 R$ 23.750,00 50% 95% 
ZR7X R$ 375,00 R$ 24.125,00 60% 96,5% 
 
C 
AI1J R$ 275,00 R$ 24.400,00 70% 97,6% 
OQ3U R$ 225,00 R$ 24.625,00 80% 98,5% 
VY4W R$ 200,00 R$ 24.825,00 90% 99,3% 
TE0G R$ 175,00 R$ 25.000,00 100% 100% 
Fonte: Elaborado com base em Morais, 2015, p. 182-183. 
A classificação ABC apresentada no Quadro 9 demonstrou que somente 
dois tipos de itens (CF8T e MK2H) são responsáveis por 80% do capital 
financeiro em estoque, sendo considerados classe A. Na classe B, outros três 
itens consomem 15% do capital e os demais itens, que representam 50% da 
quantidade de itens, consomem somente 5% do capital. Com base nessa 
informação, o gestor consegue identificar os itens que precisam de maior 
atenção, para que se evitem desperdício de recursos financeiros e falta de itens. 
Os demais itens (classes B e C) também serão controlados, mas geralmente por 
sistemas automatizados de emissão de pedido automático ou por meio de 
contratos de reposição automática com fornecedores. 
4.2 Acurácia do controle com o uso da classificação ABC 
A classificação ABC também é utilizada na realização dos inventários dos 
estoques. As empresas podem optar por fazer um inventário geral (contagem 
 
 
17 
física de itens), no final do ano fiscal, e contar todos os itens do estoque de uma 
única vez ou contar com frequência esses itens, no chamado inventário rotativo. 
O inventário rotativo possibilita que o gestor do estoque identifique mais 
rapidamente o comportamento dos itens, até reduzindo os riscos de ocorrer algo 
com os itens que não seja identificado. Lembra-se do conceito de custo de 
estoque, que trata dos riscos de perda, furtos, roubo e obsolescência? Se os 
estoques forem contados somente uma vez ao ano, uma falha dessas pode não 
ser identificada, porém se os itens forem conferidos com frequência, certamente 
esse risco reduz. 
Para facilitar a realização do inventário, a classificação ABC é um recurso 
que ajuda a indicar quais itens serão contados e conferidos, o que considera sua 
representatividade, seja de valor ou criticidade. O exemplo a seguir demonstrará 
como a classificação ABC foi utilizada na realização de um inventário rotativo e 
na verificação da acuracidade do controle. 
A acuracidade do controle é um indicador que demonstra quão correto 
estão os controles dos estoques. Embora iremos estudar os indicadores de 
estoque no tema a seguir, já aproveitaremos para compreender a acuracidade 
devido a sua aplicação juntamente com a classificação ABC. 
Segundo Martins e Alt (2006, p. 201), a acuracidade pode ser obtida por 
meio das seguintes equações: 
Acurácia = número de itens com registros ÷ número total de itens 
contados 
Acurácia = valor de itens com registros corretos ÷ valor total dos itens 
O exemplo a seguir facilitará o entendimento. 
Determinada empresa realiza inventário rotativo a cada três meses. Para 
isso, utiliza a classificação ABC para determinar quais quantidades dos itens de 
cada classe serão contados. No inventário do último trimestre, foram 
encontradas as seguintes divergências entre o número de unidades contadas 
por item e o número indicado pelo controle. 
 
 
 
18 
Quadro 10 – Exemplo aplicado de acurácia 
Classe Número de 
itens contados 
Número de 
itens contados 
(%) 
Número de 
itens com 
divergências 
Acurácia 
A 4.910 4.910/16.915 = 
0,2903% 
268 (4.910 – 268) / 
4.910 = 
0,9454% 
B 9.125 9.125/16.915 = 
0,5395% 
438 (9.125 – 438) / 
9.125 = 
0,9520% 
C 2.880 2.880/16.915 = 
0,1702% 
55 (2.880 – 55) / 
2.880 = 
0,9809% 
Total 16.915 
Fonte: Elaborado com base em Martins; Alt, 2006, p. 202. 
Solução do exemplo: 
Acurácia = (0,2903) x (0,9454) + (0,5395) x (0,9520) + (0,1702) x (0,9809) 
Acurácia = 0,9550% (x 100) = 95,50% 
Considerando que a acurácia significa que o estoque físico (está no 
depósito) está de acordo com o estoque que está registrado no sistema 
informatizado, 95,50% parece um bom índice, pois quase chega a 100%. No 
entanto, é indicado que o gestor analise esse percentual por outra perspectiva, 
a que demonstra que 4,5% do estoque está em desacordo. E ainda que reflita: 
4,5% de um mil reais em estoque pode não representar tanto, mas se forem 
4,5% de dez, vinte, cem, quinhentos mil reais? Lembre-se de que grandes 
empresas podem manter estoques na casa dos milhões de reais; aí, sim, 4,5% 
é um resultado inaceitável. 
Diante da aplicação simplista da classificação ABC e da análise da 
acurácia, foi possível entender a importância de controlar o estoque de uma 
organização. 
TEMA 5 – INDICADORES DE ESTOQUE (GIRO, COBERTURA E RUPTURA) 
Na gestão dos estoques, os indicadores são recursos úteis para que os 
gestores possam entender como está o comportamento dos estoques. Na 
prática, os indicadores mostram uma foto de determinado período, a qual serve 
para que o gestor possa avaliar se a estratégia que está implementada está 
surtindo o efeito desejado ou se são necessários alguns ajustes. 
 
 
19 
Segundo Pavani e Scucuglia (2011, p. 209),o estabelecimento de 
indicadores é importante devido a dois motivos: 
1. permite o gerenciamento quantitativo do desempenho de cada processo; 
2. permite o estabelecimento de metas de melhoria que mensurem de forma 
objetiva a eficácia de ações de melhorias nos processos. 
Em se tratando de estoques, isso pode ser verificado pelos volumes de 
produtos nos armazéns, após a aplicação dos indicadores mais utilizados na 
gestão e no controle de estoques, que são: giro de estoque (GE), cobertura de 
estoque (CE) e ruptura de estoque, os quais serão apresentados a seguir. 
5.1 Giro de estoque (GE) 
Esse indicador tem como função mostrar ao gestor quantas vezes o 
estoque se renovou (girou) em um período analisado. Esse indicador é bem 
simples de utilizar e traz uma informação muito importante, pois, na prática, 
demonstra quanto tempo o estoque ficou “parado”. 
O indicador de giro de estoque é geralmente utilizado para verificar o 
período anual, mas, dependendo do negócio, esse período é menor. O cálculo 
do giro de estoque é obtido pela seguinte equação: 
GE = valor consumido no período ÷ valor do estoque médio no período 
Observe o exemplo aplicado com base em dados de Martins e Alt (2006, 
p. 204-205). 
Uma organização apresentou o valor de R$ 1.667.037,59 aplicado no seu 
estoque no primeiro semestre de determinado ano fiscal. Seu estoque médio 
semestral foi de R$ 576.597,20, mas o estoque médio mensal ficou em R$ 
96.099,53. Nesse semestre, o GE dessa empresa foi de: 
GE = valor consumido no período ÷ valor do estoque médio no período 
GE = R$ 1.667.037,59 ÷ R$ 96.099,53 = 17,34 vezes 
Esse GE significa que, em seis meses, o estoque se renovou mais de 17 
vezes e, considerando que um semestre tem em média 26 semanas, podemos 
entender que o estoque se renovou a cada uma semana e meia. Para entender 
se esse GE é adequado ou não, é preciso analisar o tipo do produto, o segmento 
e o GE da concorrência. 
 
 
20 
5.2 Cobertura de estoque 
Ao identificar o giro de estoque é possível também calcular a cobertura de 
estoque, que significa para quantos dias o estoque médio será suficiente. É 
obtida da seguinte maneira: 
CE = número de dias do período em estudo ÷ giro de estoque 
Utilizando o exemplo do GE calculado no tema anterior, é possível 
observar que a cobertura de estoque foi de: 
CE = 180 dias (1 semestre) ÷ 17,34 vezes = 10,38 dias 
Imagine a seguinte situação: Certo produto vendeu um pouco mais do que 
estava previsto e, por isso, é preciso solicitar ao fornecedor que antecipe uma 
entrega. Conhecendo o tempo de cobertura real é possível checar se o 
fornecedor consegue a antecipação ou se outra ação terá que ser tomada. 
5.3 Ruptura de estoque 
O indicador de ruptura de estoque aponta quais itens têm faltado no 
estoque; não simplesmente “faltado”, mas sim prejudicado as vendas, no caso 
do varejo, ou a produção, no caso da indústria. A ruptura pode ocorrer por vários 
motivos, entre eles: ruptura de exposição (não está exposto, mas está no 
estoque físico); fantasma (não se sabe onde o item está dentro do depósito); 
abastecimento (falha na compra de determinado tamanho ou cor); cadastro de 
item ou de preço (não foram cadastrados). É considerada um indicador chave do 
desempenho de uma organização e demonstra como a gestão do estoque está 
sendo guiada. 
Matias (2023) explica essa importância com o seguinte exemplo: 
se você possui 100 produtos no seu portfólio, mas 20 deles estão em 
falta, o ponto de ruptura do seu estoque é de 20%. Como esse 
indicador está relacionado à falta de itens nas prateleiras, o ideal é que 
esse número seja o mais baixo possível para assegurar que a sua 
empresa sempre dispõe dos produtos que o cliente quer comprar. 
A ruptura é obtida pela seguinte equação: 
Ruptura = itens em falta ÷ total de produtos na loja x 100 
 
 
21 
Exemplo aplicado: Uma loja virtual especializada em venda de produtos 
naturais tem 80 tipos de chás em seu catálogo. Com a chegada do inverno a 
venda desse produto disparou e a loja começou a ter problema de ruptura. 
Assim, fez um levantamento e concluiu que 16 chás sofreram ruptura no último 
trimestre. Nesse caso, o índice de ruptura da empresa foi de: 
Ruptura = 16 ÷ 80 = 0,20 x 100 = 20% 
Observe que nesse exemplo utilizamos somente o produto chá, assim 
esse índice de ruptura é somente desse item, pois é comum as empresas 
calcularem a ruptura total de seu estoque. 
TROCANDO IDEIAS 
Neste momento eu o convido a fazer um exercício. Vá até o armário 
(provavelmente na cozinha) ou até a geladeira, onde são guardados os alimentos 
comprados no supermercado. Analise brevemente os itens que você tem em 
casa e os classifique em A, B, C. A seguir, analise, por categoria, quais itens 
você mais tem no armário ou na geladeira: A, B ou C? 
Depois disso, discuta no fórum com seus colegas quais foram os critérios 
que você utilizou para classificar os itens de sua casa: Valor? Criticidade? 
Dificuldade em obter? 
NA PRÁTICA 
Leia o fragmento de texto e realize a atividade proposta. 
Não é novidade que a boa gestão de estoque promove às empresas 
lucratividade, melhor posicionamento e autoridade no mercado. Por 
outro lado, um estoque desorganizado e pouco planejado está sujeito 
a falhas de gerenciamento constantes e, consequentemente, a falta de 
mercadorias, influenciando diretamente nas vendas, baixa 
produtividade, redução da confiança e fidelidade do cliente, além, é 
claro, de inúmeros prejuízos financeiros. Não há uma fórmula mágica 
para um funcionamento inteligente do estoque, mas existem caminhos 
estratégicos que auxiliam na organização, redução de riscos e trazem 
benefícios ao armazém, entre eles estão a metodologia Just-in-
time (JIT) e Just-in-case (JIC). (Delage, 2023) 
Após a leitura do fragmento e desse capítulo, responda as questões a 
seguir. 
a) Explique a diferença entre o JIT e o JIC. 
b) Sugira dois tipos de negócios em que é possível utilizar o JIT; 
 
 
22 
c) Cite dois tipos de negócios em que é possível utilizar o JIC. 
FINALIZANDO 
Esta etapa foi dedicada a entendermos alguns temas envolvidos na 
gestão e no controle de estoques, isso porque empresas que utilizam estoques 
em seus processos produtivos ou de vendas comprometem parte de seu capital 
com os materiais. Por isso, estudamos a gestão e o controle e, na sequência, 
conhecemos os custos dos estoques, quando aprendemos que há, no mínimo 
quatro categorias: custo de carregamento, de obtenção, independente e de 
material comprado. Estudamos ainda noções de JIT, JIC e LEC, classificação 
ABC dos estoques e finalizamos com alguns indicadores aplicados aos 
estoques. 
Caro(a) leitor(a), não esgotamos os assuntos sobre essa temática, mas 
agora é com você! Complemente seu conhecimento com suas pesquisas. 
Bons estudos! 
 
 
 
23 
REFERÊNCIAS 
DELAGE – Expertise em Supply Chain. Gestão de estoque: como equilibrar o 
just-in-time com o just-in-case. Disponível em: 
<https://delage.com.br/blog/como-equilibrar-just-in-time-e-just-in-case/>. 
Acesso em: 25 maio de 2023. 
MARTINS, P. G.; ALT, P. R. C. Administração de materiais e recursos 
patrimoniais. São Paulo: Saraiva, 2006. 
MATIAS, S. Indicadores de estoque: saiba como analisar as métricas em 
poucos passos. Disponível em: 
<https://webmaissistemas.com.br/blog/indicadores-de-estoque/>. Acesso em: 
25 maio de 2023. 
MORAIS, R. R. Logística empresarial. Curitiba: InterSaberes, 2015. 
PAVANI JÚNIOR, O.; SCUCUGLIA, R. Mapeamento e gestão por processos 
– BPM: gestão orientada à entrega por meio de objetos: metodologia GAUSS. 
São Paulo: M. Books, 2011. 
VIANA, J. J. Administração de materiais: um enfoque prático. São Paulo: Atlas, 
2011.

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