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GESTÃO DE PESSOAS E TALENTOS AULA 1 Profa. Mariana Patitucci Bacellar 2 CONVERSA INICIAL Olá, aluno! Quando falamos de realizar gestão de pessoas, o que te vem à mente? Nas organizações, é necessário lembrar que contamos com várias pessoas diferentes que pretendem alcançar um objetivo comum. Falar em gestão de pessoas, exige, portanto, a compreensão sobre a formação e a atuação dos indivíduos. As pessoas são formadas em realidades distintas, criando um modo próprio de pensar, agir e fazer. Esse modelo individual, nem sempre é compreensível para o outro, e o contrário também ocorre. Assim, se forma uma rede complexa de modelos individuais, propensa a existência de desacordos e conflitos. E essa rede é instalada dentro das equipes que passa a ser o principal desafio dos gestores. Com o passar dos anos, foram desenvolvidas ferramentas, técnicas e métodos que podem auxiliar na forma de lidar com essa trama. O foco dessa aula é introduzir esses modelos. CONTEXTUALIZANDO É fundamental lembrar a importância que as pessoas têm para as organizações. Veja o trecho do artigo Gestão de pessoas não é com o RH!, de José Luiz Bichuetti publicado na revista Harvard Business Review, em Maio de 2015. O motor das empresas A inteligência artificial evolui, robôs desempenham o papel de pessoas, fábricas se automatizam, mas nada substitui o verdadeiro motor que dá vida às empresas: gente! É necessário ter em cada posição, de liderança ou de chão de fábrica, indivíduos com o perfil adequado a cada uma delas; é preciso capacitá- los e motivá-los para exercer suas atividades com empenho e alto desempenho, individualmente ou em equipes. Funções diferentes requerem perfis específicos. Indivíduos de diferentes gerações podem necessitar de motivações igualmente diversas; integrar baby boomers, Xs e Ys é um dos desafios a serem vencidos pelos gestores. Gerir gente eficazmente é saber definir as necessidades de pessoal, saber atrair, contratar, reter, motivar, avaliar desempenho, desenvolver, remunerar, reconhecer empenho (diferente de desempenho) e, até, saber demitir. É reconhecer que gente é o propulsor que move as empresas. 3 Fonte: http://hbrbr.com.br/gestao-de-pessoas-nao-e-com-o-rh/ Vemos o desenvolvimento rápido da tecnologia que propõe novas formas de gestão e de relação entre os indivíduos. Com todo o suporte da tecnologia, o desafio de “gerir” parece ser mais simples. Mas, na prática, o fator humano nos traz uma infinidade de elementos que interferem na Gestão de Pessoas e fazem com que a complexidade se evidencie. Existe um conjunto de necessidades a serem atendidas (tanto das pessoas quanto das empresas) e essa aula pretende trabalhar com temas que auxiliem você na empreitada de gestão que traz, como principal foco, um equilíbrio na busca da satisfação dessas necessidades. E o que você pode fazer, então, para ser um gestor eficaz? O trecho desse artigo expressa, em poucas palavras, alguns dos tópicos que vamos trabalhar. É recomendável que você procure o artigo completo, que traz outras reflexões interessantes. TEMA 1: HISTÓRICO DE GESTÃO DE PESSOAS Você conhece o relato de uma suposta experiência com 5 macacos em uma jaula? Se não conhece, imagine que, nessa mesma jaula, além de 5 macacos, havia uma escada com um cacho de bananas sobre ela. Toda vez que um dos macacos subia para pegar as bananas, os que estavam no chão eram surpreendidos com um jato de água fria programado pelos cientistas. Depois de alguns dias repetindo essa ação, quando um macaco fazia menção de subir a escada, os demais macacos davam uma surra nele (para evitar que subisse e que levassem o jato d`água). Depois de um tempo, os macacos deixaram se subir as escadas, apesar das bananas expostas. Um dos macacos foi retirado da jaula e outro colocado em seu lugar. E quando o novo macaco foi pegar as bananas, apanhou dos macacos antigos. Depois de algumas tentativas, deixou de subir para não apanhar. Um segundo macaco foi substituído e o mesmo ocorreu. Inclusive o novo macaco, que não havia vivenciado os episódios de jatos d`água surrou o atual integrante do grupo quando esse subiu na escada. E gradativamente todos os macacados “antigos” foram substituídos, um a um. Não havia mais nenhum macaco do grupo inicial, isto é, nenhum deles tinha vivenciado o motivo original de “não subir as escadas”, mas, mesmo assim, os macacos repetiam o comportamento hostil para aquele que fosse subir a escada. 4 As relações no ambiente organizacional carregam as características individuais de cada integrante, mas o que prevalece são as características organizacionais. E, na história de cada organização, existem fatos que originam comportamentos de uma forma muito parecida com a história descrita. É interessante observar que algumas ações e reações não são explicadas por algo perceptível no momento atual da empresa, mas, com certeza, em algum momento foi originada por um fato real que moldou determinada conduta. É o conjunto de comportamentos de determinada organização que chamamos de Cultura Organizacional. As relações entre empresas e pessoas são regidas por um contrato de trabalho em que existe uma troca estabelecida. Os empregados assumem o compromisso de seguir as normas da organização e é comum que alguns comportamentos sejam repetidos, mesmo quando o fato originador do comportamento já foi extinto. Isto é, como o indivíduo se compromete em seguir as práticas organizacionais, ele se adequa ao modelo sem se questionar de onde vieram os métodos escolhidos. A história dos macacos é excelente para ilustrar essa dinâmica e pode ser vista de forma ilustrada no link https://www.youtube.com/watch?v=CAtRwDQKU8w Além da história da própria organização, as empresas também herdam o modelo de gestão de seus dirigentes. As influências trazidas demarcam os tipos de relações e a forma de trabalho. Você já assistiu ao filme O Diabo Veste Prada? É um exemplo interessante em que fica evidente o quanto a personalidade da dirigente (personagem “Miranda”) influencia o ambiente organizacional. Experimente assisti-lo observando a contínua preocupação de todos em atender o modo que a dirigente pensa, independente da sua presença. O segmento da empresa e a característica dos seus funcionários e dos seus clientes (faixa etária, gostos, gênero) também influenciam a conduta organizacional. De acordo com esses fatores a empresa pode ser mais ou menos tradicional, tecnológica, descolada e outros tantos fatores. Ao longo da evolução da relação entre pessoas e empresas, foram desenvolvidas diversas ferramentas que dão suporte para a sistematização do processo de gestão, contribuindo, dessa forma, para que os gestores apliquem práticas com base na conduta organizacional e não com base em sua conduta pessoal. 5 Apesar das empresas utilizarem ferramentas de gestão semelhantes, podemos observar que cada uma tem um jeito diferente de fazê-lo. O que reforça que as ferramentas de gestão são uma referência a ser seguida, mas que será preenchida com os elementos organizacionais que são particulares de cada Cultura Organizacional. E quais são os elementos que mais influenciam a forma como as ferramentas serão implantadas? Com base no que vimos até agora, podemos verificar 4 elementos que influenciam na forma: Os episódios que acontecem na história da organização que estabelecem alguns comportamentos; A personalidade dos dirigentes que influenciam o comportamento; As características da empresa (segmento, perfil funcionários e clientes); As características individuais de cada membro da equipe. Podemos afirmar que esses elementos tornam as organizações unidades complexas e únicas. Então, seria correto concluir que as ferramentas de gestão servem para dar um direcionamento, tornando o processo mais didático. Mas, mesmos que as organizações escolham as mesmas bases teóricas para aplicação dessas ferramentas, cada uma terá um modo próprio de agir. É o pressuposto da diversidade que exige que o gestor de pessoas seja um profissional preparado para lidar com a adversidade no seu dia a dia. Mesmo depois de parecer conhecer tudo, um ponto desconhecido ou não vivenciado emerge, sendo necessário que o gestor se adapte a essa nova situação. Nesse sentido, buscar o escopo das ferramentas de gestão é fundamental, pois dá um norte ao gestor, fazendo com que as algumas etapas sejam realizadas e, apesar dos obstáculos, que as ações sejam concluídas. O setor de Recursos Humanos das empresas costuma ser subdividido. A divisão é realizada pelo agrupamento de atividades semelhantes, encontrando na literatura variação nas nomenclaturas e reunião de atividades. O termo utilizado nessa divisão é subsistemas. Alguns deles veremos com mais detalhes nas próximas aulas, mas aqui já podemos verificar alguns deles: Recrutamento e Seleção Treinamento e Desenvolvimento Administração de Pessoal 6 Cargos e Salários Administração de Benefícios Segurança e Medicina do Trabalho Endomarketing Esse é um tema muito discutido e que está em constante atualização. É recomendável que você busque informações continuamente para melhorar sua crítica em relação à temática. A revista Harvard Business Review, em todas as suas edições, traz artigos e reportagens sobre o tema que vale a leitura. Algumas edições estão disponíveis na web. TEMA 2: SUBSISTEMAS Imagine que você ofereceu uma festa em sua casa e que compareceram 20 adultos e 8 crianças. A festa durou o dia todo, com direito a álbuns de família vistos pelos convidados, almoço servido, mesas e cadeiras foram pegas emprestadas, foi necessário mudar os móveis de lugar para acomodar a todos, a sobremesa foi servida em copos descartáveis e toda a sua louça foi usada. Alguns convidados eram fumantes, então, você tirou do armário cinzeiros que habitualmente não usa e travessas que costumam ficar em armários que são abertos somente em dia de festa. Suponha que, ao chegar ao fim da festa, você ficou responsável por organizar a casa! Quando temos um encargo como esse, temos que iniciar por algum lugar. Iniciamos então colocando as “coisas no lugar”. Devolver as mesas e cadeireiras para quem emprestou, jogar no lixo aquilo que é descartável e lavar o que está sujo são exemplos de ação que serão realizadas. Observe que, para que haja um início, existe uma definição já estabelecida: onde é o local que vou armazenar ou tratar cada um dos itens da “minha bagunça”. Por exemplo, a louça suja da festa geralmente é levada até a pia da cozinha, para que então possa receber o tratamento necessário (ser lavada), para depois ser guardada no seu local de destino. O procedimento e o local já estão previamente estabelecidos, então, o que é necessário fazer é executar o procedimento. Agora, imagine que, no meio da sua festa, uma das crianças se pendurou no armário em que as louças são armazenadas. Ele caiu em cima da pia e estourou o cano da torneira. Então, além de realizar o procedimento, é necessário desenvolver a ferramenta para lavá-la e definir novo local para 7 armazenamento. Nesse exemplo, vemos que a atividade principal deixa de ser o centro da sua atenção, pois você necessita focar sua energia em como fazer e onde armazenar e não na execução da organização propriamente dita. Você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com os subsistemas de Recursos Humanos. Assim como na nossa casa, as empresas precisam ser lugares para direcionar as coisas. Quando tratamos de gestão de pessoas, esses “lugares” são denominados de subsistemas. Cada subsistema fica sob responsabilidade de alguém, que assume a obrigação de criar procedimentos, processos e ferramentas para deixar esse “espaço” em pleno funcionamento. Se formos usar a nossa história, a responsabilidade do profissional do subsistema “cozinha” seria deixar o armário, a pia e a torneira funcionando, para você (o dono da casa) poder exercer sua atividade principal, que é a de organizar a casa. Ao longo do desenvolvimento das teorias de gestão de pessoas, foram se agrupando temáticas interligadas em blocos de semelhança, facilitando assim a organização sistemática da estrutura organizacional. Da mesma forma que no armário da cozinha se armazena panelas, louças, mantimentos e talheres (elementos distintos, mas interligados), no subsistema de “Rotinas” (ou Departamento Pessoal), se trata de benefícios, folha de pagamento, ponto, admissões e demissões (elementos distintos, mas interligados). O subsistema de “Cargos e Salários” engloba remuneração estratégica, cargos, salários, pesquisa salarial e carreira (elementos distintos, mas interligados). Outro exemplo é o subsistema de “Recrutamento e Seleção”, que absorve atração de talentos, recrutamento, seleção, procedimentos admissionais e entrevista de desligamento (elementos distintos, mas interligados). E assim por diante. Isto é, os subsistemas são setores responsáveis por uma série de temáticas interligadas. Seu principal papel é garantir que as obrigações da empresa com os funcionários sejam realizadas, bem como fazer a manutenção de procedimentos, métodos e ferramentas corporativas para que os gestores de pessoas possam fazer uso delas nas suas atuações enquanto gestores. Os subsistemas de Recursos Humanos e os profissionais que neles trabalham não devem assumir o papel de gestores de pessoas, mas sim instrumentalizar e dar suporte para os gestores da organização para que possam focar na sua atividade principal. Voltando para o exemplo da casa bagunçada, se eu precisar sair para comprar sacos de lixo antes de jogar as coisas no lixo, se eu precisar arrumar a 8 pia antes de lavar a louça, se eu precisar providenciar um armário antes de guardar as coisas, entre outros, a missão de arrumar a casa será muito mais demorada, onerosa e desgastante. É sabido que o gestor, além das suas atividades principais, muitas vezes assume a responsabilidade de desenvolver suas próprias ferramentas de Gestão de Pessoas, pelo fato de a empresa não as disponibilizar. As empresas evoluem de forma gradativa em sua estrutura e, em alguns casos, desenvolve maturidade lentamente. Assim, além de “lavar a louça, arrumar a pia”, é importante o gestor deixe claro para a empresa que a mudança de foco diminuirá sua capacidade de alcançar altas performances. Quando o gestor não alerta sobre esse ponto, pode ter avaliação de desempenho diminuída, pois não há percepção real de sua produção. Então, a escolha de mudança de foco do gestor para atividades que fujam do seu objetivo principal (por exemplo, o gestor comercial desenvolverá a ferramenta de avaliação de desempenho), deve ser uma escolha conjunta e consciente de que está havendo mudança de foco. Para entender de forma mais teórica as divisões dos subsistemas de Recursos Humanos, você pode ler o livro Gestão de Pessoas de Idalberto Chiavenatto, citado nas referências. TEMA 3: PAPEL DO GESTOR DE PESSOAS Comece o estudo desse tema respondendo a seguinte questão: na sua opinião, qual é o papel do gestor de pessoas? Em entrevista com Armando Levy, para a revista ABDT-PR, Mario Sérgio Cortella comenta sua percepçãoa respeito do novo gestor de pessoas. Veja no link https://www.youtube.com/watch?v=KezS2QxMajg. Sua breve fala traz uma visão macro da diversidade de responsabilidades que o gestor de pessoas é demandado. Seu comentário ajuda a dar início a um processo de reflexão de uma questão que, possivelmente, não tem uma resposta objetiva e direta. Mais do que isso, ajuda na percepção da magnitude desse tema e de seus desdobramentos. O gestor de pessoas assume, como responsabilidade central, o dever de mediar a relação entre pessoas e organização. É fundamental, portanto, que ele esteja alinhado com os objetivos organizacionais e, principalmente, com os 9 valores organizacionais. Para defender arduamente os interesses de uma empresa, o gestor precisa acreditar nessa instituição. E isso só ocorre quando existe combinação entre os valores propostos por essa empresa e os valores pessoais de seus gestores. Quando falamos em valores, você deve imaginar os princípios que estabelecem a conduta de determinado indivíduo. Quando existe desencontro dessas importâncias, a relação já inicia com uma divergência, pois dificilmente se conseguirá fazer um alinhamento eficaz do gestor com a organização, pois trata-se de fatores muito enraizados em que não se propõe apenas uma mudança de comportamento, mas sim uma mudança no modo de “pensar”. Podemos separar a divergência entre gestores e empresas em dois níveis. Um mais profundo, onde estão os princípios éticos e morais (os citados anteriormente), e outro mais superficial. em que encontramos procedimentos distintos sobre como fazer as coisas. Nesse segundo grupo, o alinhamento é necessário e possível de se estabelecer em um prazo mais curto. Por exemplo, um gestor era habituado na organização anterior a fazer feedbacks individuais semanalmente com sua equipe, que era de 4 funcionários. Chega para gerenciar, na nova organização, uma equipe de 35 pessoas e traz o modelo anterior. Porém, pelo volume da equipe, não consegue realizar suas outras atribuições, pois o feedback está lhe tomando todo o tempo. Sua gerência lhe sinaliza que isso precisa ser alinhado e, por mais que ele entenda que o melhor procedimento seja realizar conversas semanais, ele adequa seu comportamento ao novo cenário, realizando feedbacks semestrais e não mais toda semana. Nesse exemplo, temos uma mudança no processo que não invade o grupo de valores. Podemos considerar esses ajustes como calibragens necessárias e possíveis dentro da organização. É um alinhamento comum de comportamento, processo ao qual o gestor geralmente de submete para se adequar. Em um segundo exemplo, imagine que determinado gestor tem, na sua história de vida, repetidos exemplos familiares de honestidade. Por várias vezes, viu seus pais devolvendo trocos que receberam a mais, denunciando colegas que estavam realizando algo indevido e dando ênfase em seus discursos na importância de uma conduta ética e honesta. Chegando na organização, recebeu a seguinte orientação: “Costumamos realizar o pagamento de pessoal 10 no 10º dia útil. Embora a lei exija que seja até o 5º dia útil, geralmente os funcionários não se dão conta disso. Se questionarem, diga a eles que nosso sindicato permite o pagamento dessa forma. Apesar de ser mentira, ninguém vai atrás para saber mesmo”. Nesse modelo, temos uma orientação que evidentemente fere os princípios do gestor. Independente se o solicitado é certo ou errado, é provável que esse gestor não consiga representar os interesses da organização e, portanto, não cumprirá bem seu papel de mediador. O capítulo 2 do livro Gestão de Talentos de Erila Lotz e Lorena Gramms traz questões sobre conflitos nos relacionamentos com conceitos que ajudam a definir essa temática. Quando o gestor e a organização estão alinhados em seus princípios, ele inicia seu papel de mediador. Voltando para o que falamos no início, seu papel então é representar os interesses de uma pessoa jurídica que terá voz por meio de seus gestores. Portanto, sua missão central é atender os interesses dessa organização e conduzir os colaboradores ao encontro dos objetivos esperados. É essa atividade que pauta as atribuições e a rotina do gestor que vem recheada de atividades, responsabilidades e deveres, conforme vimos na entrevista de Cortella. Entramos aqui em uma segunda questão que merece mais detalhamento. Como conduzir pessoas, com origens, histórias e motivações distintas, para um objetivo comum? Como já vimos, pessoas trazem consigo uma complexidade na sua formação subjetiva que reflete em uma imensa diversidade de comportamentos. O papel do gestor de pessoas é administrar as questões que interferem no comportamento do indivíduo no ambiente de trabalho. Observe o quanto essa questão é ampla, obrigando ao gestor a escolher as formas de realizar essa tarefa dentre muitas opções e direções existentes. O gestor terá que eleger a forma de relacionamento que terá na organização, isto é, o seu próprio comportamento é uma escolha difícil de se fazer: ser mais cordial ou mais seco, ser mais rígido ou mais flexível, ser mais próximo ou mais distante, acolher as demandas pessoais da equipe ou não dar espaço para conversas desse tema são exemplos de escolhas que precisam ser feitas. 11 Assumir o papel de gestor de pessoas pode ser mais tenso no início, até que essas escolhas se tornem algo natural e até automático. É comum vermos profissionais que assumiram o papel de gestor não saberem como se comportar diante da equipe e de situações inusitadas. Para realizar essas escolhas, o primeiro passo importante é conhecer os membros da equipe. Determinados comportamentos de um gestor devem ser moldados de acordo com o seu time. Por exemplo, alguém que seja competitivo e focado em resultado, não será motivado com a frase “o importante é competir”. Para conhecer os membros de sua equipe, o gestor deve estar atento à comunicação e aos comportamentos de cada indivíduo. Deve observar suas relações, conhecimentos, habilidades, atitudes e, em suas intervenções, o que faz com que o indivíduo tenha reações positivas e negativas. Dessa forma, pode ajustar seu modelo de gestão de acordo com o que funciona. O gestor de pessoas pode expor o seu time a novas experiências com o propósito de desenvolver novos conhecimentos, descobrir as habilidades e incentivar atitudes. TEMA 4: EQUIPES E GRUPOS Um cargo é criado quando uma empresa tem um volume de atividades que, para serem realizadas, precisa de força de trabalho humano. Então, toda contratação deve só ocorrer somente quando a empresa de fato tem necessidade. Isso faz com que todos os integrantes de uma equipe sejam de igual importância. Se existe uma equipe constituída é porque, para alcançar os resultados almejados, é necessário um trabalho em grupo e não individual. Equipes comerciais serão estruturadas pela necessidade de ampliar ou manter o volume de vendas da organização. Isto é, a atividade fim desse setor é trazer receita para organização. O que faz com que a percepção sobre o prejuízo ou o lucro que esse profissional traz seja percebido rapidamente. É possível, nessas equipes, conhecer a produção financeira e realizar o cálculo para conhecer quanto cada profissional está contribuindo. Como é uma equipe da qual se espera produção e resultados visíveis, é comum que desligamentos ocorram antes mesmo de dar tempo de o profissional ter uma real interação com o produto ou serviço, com a empresa e com os processos. Isso faz com que o trabalho em equipe se torne mais difícil, pois não dá tempo de a equipe 12 amadurecer enquantogrupo, restando para essa empresa resultados individuais isolados. O esporte nos ensina muito sobre o trabalho em equipe. Podemos migrar muitos modelos para os cenários corporativos. Veja esse link que você encontra uma entrevista com Bernardinho, técnico da seleção brasileira de vôlei masculino, em que ele traz algumas reflexões sobre o trabalho em equipe: https://www.youtube.com/watch?v=OfXDXcsc_m0 Observe que ele fala sobre a importância de cada integrante da equipe, trazendo o conceito básico que falamos no início. Reforça que, em um time, não deve ter o mais ou o menos importante, pois todos são fundamentais para o pleno funcionamento da equipe. Ele fala também sobre confiança. Em equipes mais maduras e que alcançam resultados, é possível observar essa relação de confiança entre seus membros, que contribui com o outro ponto trazido por ele: a inspiração. Equipes com fortes vínculos entre seus membros tendem a ser mais capazes de sensibilizar inspiração uns nos outros. Existem vários filmes que ilustram o trabalho em equipe, um deles é a Fuga das Galinhas, que valoriza as habilidades de cada integrante do “time”, deixando claro que cada um pode trazer contribuições importantes que fazer a diferença. No trabalho em equipe, seja como gestor ou membro da equipe, há algumas posturas que podem ser testadas e tendem a ter um resultado positivo. Segue algumas delas: 1. Ouvir Uma das vantagens do trabalho em grupo é a diversidade de competências. Os inúmeros saberes de uma equipe podem agregar muito para seus integrantes. Para isso, é necessário estar aberto para ouvir. Essa é uma prática que pode ser treinada, mesmo que não seja um hábito do profissional. 2. Limpar os relacionamentos Cultivar mágoas no ambiente de trabalho ou deixar conflitos não resolvidos costumam prejudicar o resultado da equipe. A melhor forma de lidar 13 com essa situação é conversar. Os incômodos costumam ser direcionados para terceiros e essa atitude, além de não resolver o conflito, ainda pode trazer reflexos negativos caso se transformarem em fofocas. Então, é importante conversar com as pessoas da equipe no sentido de procurar eliminar as mágoas, apesar das diferenças. 3. Ter empatia A empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro. As relações de trabalho não exigem que você se torne amigo pessoal ou se solidarize com o outro a ponto de incorporar os problemas como se fossem seus. Mas realizar o acolhimento do outro, entendendo que esse tem histórias e realidades que justificam seus atos faz com que a relação de confiança, citada anteriormente, se fortaleça. 4. Respeito às diversidades O respeito pelas pessoas já não é mais uma escolha e sim uma obrigação. Cada vez mais se valoriza essa temática e se legaliza penalidades quando ele não está presente. Isto é, os indivíduos inseridos na sociedade brasileira têm o direito e o dever constitucional de respeitar os indivíduos com todas as suas escolhas e origens. Essa postura cria laços e contribui para que as pessoas estejam mais dispostas a fornecer sua capacidade produtiva para o alcance do objetivo do time. 5. Postura crítica adequada A visão crítica é algo admirável e pode ser benéfica desde que seja realizada de uma forma construtiva e afável. A crítica contínua, expositiva e hostil tende a criar um ambiente de menor produção e de mais conflitos. Em casos extremos, o indivíduo exposto durante um tempo prolongado a essa situação pode até manifestar doenças emocionais fruto de uma relação de trabalho destrutiva. Portanto assumir uma postura crítica adequada é fundamental para a contribuição dos resultados da equipe. Para complementar esse tema, leia o capítulo 1 do livro Gestão de Talentos de Erika Lotz e Lorena Gramms, indicado nas referências da aula, que trata a respeito das relações humanas. 14 TEMA 5: GESTÃO ESTRATÉGIA Para trabalhar com gestão estratégica de pessoas, é necessário que os setores sigam algumas etapas parecidas com o que propõe um planejamento estratégico de uma empresa. A primeira etapa é estabelecer qual é o objetivo central da equipe que integra o setor em questão. Esse objetivo precisa estar alinhado aos objetivos gerais da organização. Não é viável, por exemplo, a organização ter uma meta de ampliar 30% suas vendas no ano e o setor comercial ter como objetivo central melhorar todos os procedimentos, mesmo que a venda fique em segundo plano. São objetivos conflitantes. O objetivo do setor alinhado com o institucional contribuirá para diversas escolhas. Quais profissionais quero atrair? Quais quero reter? O que vou priorizar? O que quero desenvolver? Quando se tem um objetivo, as escolhas devem convergir com esse alvo. Suponha que o objetivo da organização seja ampliar as vendas em 30% e que o objetivo do setor comercial seja superar essa meta organizacional, aumentando 35% das vendas. Nesse cenário, imagine que precisa contratar um novo profissional para o time e há duas opções: 1. Mauro: um excelente profissional que, em seu histórico, tem episódios de conquistas e superação. Se caracteriza por ser um profissional focado, mas que nem sempre se dispõe a assumir atividades de outros setores. Gosta da área comercial e aloca muitos esforços para superar seus resultados. 2. Jonas: um ótimo profissional com referências muito positivas. Caracteriza- se por ser multifuncional. Sempre que necessário, se dispõe a ajudar em outros setores, o que é positivo para que o setor comercial tenha uma boa relação com as demais áreas. Pode perder um pouco o foco de vendas em função dessa característica, mesmo assim, traz ganhos para o time. Qual profissional você entende ser mais adequado para compor a equipe, considerando o objetivo da empresa e do setor? Tendo os objetivos como base de referência, o primeiro profissional (Mauro) parece ser o mais indicado. O perfil profissional de ambos tem características positivas que agregam, mas, como o foco é a superação de 15 resultados e aumento das vendas, esse profissional parece ter mais condições de atender essas premissas. Outra questão importante para o processo de gestão estratégica de pessoas é trabalhar com indicadores reais que deem suporte em um planejamento. Por exemplo, uma equipe comercial tem como meta de venda o montante de R$ 300.000,00 e pretende ampliar para R$ 600.000,00. O diretor então determinou a contratação de mais três profissionais, repassando a seguinte justificativa: “Prezado Gerente comercial! Considerando que temos vendedores que chegam ao número de R$ 90.000,00 de venda ao mês, vamos aumentar três pessoas novas na equipe para duplicar nossa venda. Pela minha estimativa, alcançaremos isso em dois meses!” O gestor comercial, então, pegou seu relatório de vendas, conforme segue abaixo: Admissão jan/15 fev/15 mar/15 abr/15 mai/15 jun/15 Vendedor 1 jan/14 R$ 78.000,00 R$ 82.000,00 R$ 81.500,00 R$ 83.400,00 R$ 84.300,00 R$ 86.000,00 Vendedor 2 jun/14 R$ 66.000,00 R$ 66.600,00 R$ 68.700,00 R$ 67.800,00 R$ 69.800,00 R$ 71.000,00 Vendedor 3 dez/14 R$ 16.000,00 R$ 22.000,00 R$ 31.200,00 R$ 40.300,00 R$ 54.000,00 R$ 60.100,00 Vendedor 4 abr/15 xxx xxx xxx R$ 10.900,00 R$ 20.300,00 R$ 28.700,00 Vendedor 5 ago/15 xxx xxx xxx xxx xxx xxx Venda Total R$ 160.000,00 R$ 170.600,00 R$ 181.400,00 R$ 202.400,00 R$ 228.400,00 R$ 245.800,00 Admissão jul/15 ago/15 set/15 out/15 nov/15 dez/15 Vendedor 1 jan/14R$ 84.400,00 R$ 87.600,00 R$ 85.700,00 R$ 87.000,00 R$ 88.650,00 R$ 89.800,00 Vendedor 2 jun/14 R$ 71.100,00 R$ 70.500,00 R$ 72.300,00 R$ 71.500,00 R$ 72.000,00 R$ 72.100,00 Vendedor 3 dez/14 R$ 64.000,00 R$ 67.300,00 R$ 65.600,00 R$ 68.900,00 R$ 67.500,00 R$ 69.000,00 Vendedor 4 abr/15 R$ 35.000,00 R$ 42.300,00 R$ 49.000,00 R$ 50.250,00 R$ 56.000,00 R$ 58.750,00 Vendedor 5 ago/15 xxx R$ 13.200,00 R$ 20.650,00 R$ 28.900,00 R$ 41.000,00 R$ 47.000,00 Venda Total R$ 254.500,00 R$ 280.900,00 R$ 293.250,00 R$ 306.550,00 R$ 325.150,00 R$ 336.650,00 E respondeu para o diretor o seguinte: “Prezado Diretor, Pela minha análise, nosso vendedor aumenta de forma acelerada suas vendas nos 6 primeiros meses, período em que está focado na angariação de 16 novos clientes, pois ainda não tem uma carteira para administrar. Depois disso, tem crescimentos menos representativos, embora ele aconteça, mas tudo indica que, para chegar nos R$ 90.000,00 de vendas mensais, ele precisará de 18 meses. Com base nos indicadores de vendas dos nossos atuais vendedores, projetei a estimativa de venda em um suposto aumento de quadro. Creio que essas sejam nossas perspectivas reais de acréscimo de venda: Mês 1 Mês 2 Mês 3 Mês 4 Mês 5 Mês 6 Vendedor 1 R$ 12.000,00 R$ 20.000,00 R$ 30.000,00 R$ 40.000,00 R$ 50.000,00 R$ 60.000,00 Vendedor 2 R$ 12.000,00 R$ 20.000,00 R$ 30.000,00 R$ 40.000,00 R$ 50.000,00 R$ 60.000,00 Vendedor 3 R$ 12.000,00 R$ 20.000,00 R$ 30.000,00 R$ 40.000,00 R$ 50.000,00 R$ 60.000,00 Venda total R$ 36.000,00 R$ 60.000,00 R$ 90.000,00 R$ 120.000,00 R$ 150.000,00 R$ 180.000,00 Isto é, se não precisarmos fazer a substituição de nenhum dos profissionais, aumentaremos 60% as vendas no prazo de 6 meses e não 100% em 2 meses como é a sua expectativa”. Perceba que os indicadores permitem uma programação estratégica com base em dados reais. O planejamento da equipe, o modelo de treinamento, o perfil, as práticas de retenção de talentos podem ser feitas aleatoriamente, de acordo com o que o gestor “acha” ou de acordo com projeções numéricas que permitem uma programação mais certa do que ocorrerá no futuro. A gestão estratégica de pessoas pode ser composta por outros elementos além da definição do objetivo e acompanhamento de indicadores, mas esses dois são os que permitem que a gestão aconteça de forma mais ardilosa e planejada, com escolhas direcionadas aos objetivos organizacionais e não por pensamentos individuais dos representantes da organização. TROCANDO IDEIAS Veja a sinopse do filme Amor sem escalas: Ryan Bingham (George Clooney) tem por função demitir pessoas. Por estar acostumado com o desespero e a angústia alheios, ele mesmo se tornou uma pessoa fria. Além disto, Ryan adora seu trabalho. Ele sempre usa um terno e carrega uma maleta, viajando para diversos cantos do país. Até que seu chefe contrata a arrogante Natalie Keener (Anna Kendrick), que desenvolveu um sistema de videoconferência onde as pessoas poderão ser demitidas sem que seja necessário deixar o escritório. Este sistema, caso seja implementado, põe 17 em risco o emprego de Ryan. Ele passa então a tentar convencê-la do erro que é sua implementação, viajando com Anna para mostrar a realidade de seu trabalho. Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-138895/ Assista ao filme e apresente em fórum seu posicionamento quanto à questão do uso da tecnologia para intermediar as relações humanas, usando como base uma opinião crítica sobre a sugestão da nova ferramenta de demissão proposta pela personagem Natalie Keener. NA PRÁTICA José, gerente comercial de uma empresa de cosméticos, é responsável por uma equipe de 10 vendedores. Nos últimos dois meses, dois vendedores vêm apresentando faltas, atrasos e retorno hostil às solicitações da gerência. José chamou os dois para uma conversa individual e ambos relataram situações parecidas: a pressão por resultados está muito grande, as metas são inatingíveis, a comissão não é satisfatória e a equipe é muito competitiva. Com base na aula, quais ações você sugeriria para serem realizadas por José a fim de resgatar a motivação desses vendedores? Resolução: 1 – Leia com atenção os elementos que estão descritos explicitamente no texto e aqueles que podem ser interpretados. 2 – Relacione os pontos que podem ser percebidos como questões a serem observadas se cabe alguma intervenção. 3 – O capítulo 3 do livro Motivação e Satisfação no Trabalho, (WALGER, C.; VIPIANA, L.; BARBOZA, M.M. Motivação e Satisfação no Trabalho. 1ª ed. Curitiba: Intersaberes, 2014.) engloba diversas teorias que podem auxiliar na aplicação prática de ações motivacionais na organização. 4 – Em uma primeira fase, é importante relacionar todas as situações que podem ser observadas, independe de serem problemas organizacionais ou queixas pessoais ou isoladas. Relacionar os “problemas” facilitará que o plano de ação para a resolução seja elaborado de forma mais sistemática. Levantamento das supostas origens insatisfação: 18 a) Sinal de insatisfação pelo aumento de faltas e atrasos; b) Sinal de insatisfação pelas respostas hostis as solicitações da gerência; c) Queixa de elevada pressão por resultados; d) Queixa de metas inatingíveis; e) Queixa de baixa comissão; f) Queixa sobre ambiente competitivo. Perceba que, no breve relato, existem 6 pontos levantados. Uma das ações indicadas, é, a partir desse levantamento, aprofundar a investigação para compreender quais desses elementos são internos (o indivíduo está insatisfeito por uma situação de vida dele) ou externos (a organização está mobilizando nos empregados a insatisfação). O diagnóstico é importante, pois com ele você poderá realizar ações mais direcionadas. Mesmo sem a realização de um levantamento mais detalhado, algumas ações já podem ser realizadas, conforme vemos em cada um dos itens levantados: Sinal de insatisfação pelo aumento de faltas e atrasos: caso se observe que as faltas e atrasos são um hábito negativo, pode-se trabalhar nesse item com medidas específicas, como uma premiação por assiduidade e pontualidade e/ou desconto em caso das faltas e atrasos não apresentarem justificativa legal. Essas medidas costumam ser mais eficazes para grupos de cargos mais operacionais e administrativos. Outra medida fundamental é dar feedback aos empregados, sinalizando que as faltas e atrasos estão interferindo no desempenho. Sinal de insatisfação pelas respostas hostis às solicitações da gerência: o gestor precisa avaliar se essa postura está sendo direcionada para todos ou só para ele. Caso seja para todos, é fundamental um feedback para sinalizar o colaborador e abrir um canal de comunicação importante para alinhamentos mais contínuos. Quando a postura é só com o gestor, o feedback deve ser realizado para dar espaço para que o colaborador fale o que está incomodando, ao invés de demonstrar por meio de respostas hostis. Trabalhos de integração de equipe costumam ter efeitos positivos nessas situações. Queixa de elevada pressão por resultados: caso o modelo de pressão esteja parecendo algo abusivo, precisa ser revisto, mas profissionais da área comercial geralmente trabalham com metas e resultados. Algumas 19 pessoas não se adaptam com esse modelo e, neste caso, precisa sertrabalhado por meio de feedback se o profissional está na carreira correta. Queixa de metas são inatingíveis: se a maioria da equipe está atingindo a meta, é porque ela possivelmente esteja adequada. Neste caso, é necessário desenvolver os aspectos técnicos e comportamentais do profissional para que também seja capaz de alcançar os resultados esperados. Caso a maioria não esteja alcançando os resultados, deve-se rever as metas e traçá-las com base em histórico de indicadores. Queixa de baixa comissão: se esta é uma queixa coletiva, o sistema de remuneração variável pode ser revisto. Porém, antes de rever, é importante verificar se o combinado iniciado está sendo cumprido. Se a empresa se compromete com uma comissão “X” e possibilita o pagamento de apenas 50% disso, a insatisfação pode ser originada pela sensação de enganação. Outro ponto importante é verificar se existe problema na comissão ou se é uma queixa secundária em função de uma queixa principal. Lembre-se que, antes de implantar uma mudança na política de remuneração, é necessário avaliar se a empresa pode absorver o novo compromisso financeiro. Queixa sobre ambiente competitivo: ambientes competitivos não são ruins necessariamente, o que precisa ser avaliado é o quanto ele está munido de assedio ou hostilidade abusiva. Neste caso, são necessárias atitudes mais urgentes. De qualquer forma, um trabalho de integração da equipe pode ajudar. Para todos os itens, as premissas básicas das teorias de motivação devem ser aplicadas como temas centrais, contribuindo para que as ações sejam assertivas, mesmo sem um diagnóstico mais aprofundado. FINALIZANDO Essa aula foi uma introdução geral dos conceitos de gestão de pessoas para que possamos aprofundar os conteúdos específicos nas próximas aulas. Lembre que lidar com pessoas é algo dinâmico e inconstante. Então, muitas vezes, exige capacidade de aplicar os conteúdos sem uma ordem lógica. A situação-problema, por exemplo, demanda um olhar ampliado e ações conjugadas para reverter a conjuntura apresentada. Lembre-se de que não 20 existe "manual de instrução" para as questões que envolve pessoas, pois sempre podemos ter uma mudança surpresa de cenário! REFERÊNCIAS LOTZ, E.G.; GRAMMS, L.C. Gestão de Talentos. 1ª ed. Curitiba: Intersaberes, 2012. CHIAVENATTO, Idalberto. Gestão de Pessoas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Campus, 2005. WALGER, C.; VIPIANA, L.; BARBOZA, M.M. Motivação e Satisfação no Trabalho. 1ª ed. Curitiba: Intersaberes, 2014. Link: http://hbrbr.com.br/gestao-de-pessoas-nao-e-com-o-rh/ GESTÃO DE PESSOAS E TALENTOS AULA 2 Profa. Mariana Patitucci Bacellar 2 CONVERSA INICIAL Olá! Você já precisou escolher pessoas para compor uma equipe comercial? O que você fez? Como escolheu quem deveria ingressar? Quais técnicas usou? É comum que muitos gestores recebam essa demanda, mas que não saibam ao certo o que fazer. Nessa aula, vamos abordar as técnicas de recrutamento e seleção. Nosso objetivo principal é trazer algumas dicas bem práticas para que seja possível utilizá-las imediatamente. O termo “recrutamento e seleção” já expressa os dois desafios centrais dessa atividade. O primeiro é como encontrar os profissionais (recrutamento), pois só com eles disponíveis é que podemos entrar na segunda fase, que é o desafio de selecionar aquele que melhor atende à necessidade (seleção). CONTEXTUALIZANDO Temos falado repetidas vezes sobre a diversidade das pessoas. Ao dar início a um processo seletivo, não sabemos o perfil das pessoas que vão se candidatar e novamente a diversidade se faz presente. Existem algumas etapas indispensáveis para que os candidatos cheguem até a empresa para que se possa iniciar uma seleção. Sem pessoas, não há seleção. As diversas possibilidades de perfis fazem dessa atividade um processo dinâmico. Antes de iniciar esse conteúdo, assista a esse quadro feito por Roberto Justos em que ele registra um processo seletivo para estagiários em uma de suas empresas: https://www.youtube.com/watch?v=IcyZC34q_qU. Nesse vídeo, podemos observar que, muitas vezes, uma entrevista caminha de acordo com o que o candidato fala ou demonstra no momento. Mas existem algumas reflexões que devem ser feitas: como os candidatos chegam até a empresa? O que posso perguntar para eles? Como analiso as respostas dadas por eles? Os temas dessa aula vão responder algumas dessas reflexões e devem te auxiliar em processos seletivos, dando a base de como atrair os profissionais e o que fazer com eles quando chegam até você. TEMA 1: RECRUTAMENTO DE TALENTOS A primeira etapa do processo de recrutamento e seleção é a abertura de uma vaga. Nesta fase, é fundamental definir o escopo do que se está buscando. 3 Descrever a vaga ajuda nessas definições, e é importante constar os seguintes elementos: Nome do cargo Escolaridade mínima Descrição sumária das atividades desempenhadas Requisitos mínimos para as atividades desempenhadas Perfil comportamental necessário para cumprir com êxito as atividades desempenhadas Experiência anterior desejável Outras questões de acordo com a descrição da vaga (por exemplo: se for um cargo que precise viajar, tem que ter disponibilidade para viagens; se for uma vaga cujo horário é em uma escala noturna, é necessário ver se há transporte para retornar do trabalho). É fundamental também ter um breve descritivo do objetivo da empresa e do setor (quando existente). Conforme falamos na aula passada, esses fatores ajudam na tomada de decisão entre candidatos. Com o perfil definido, entramos na fase de recrutamento de talentos, fase que toma mais tempo em um processo seletivo. Muitas vezes, damos ênfase maior nas técnicas de seleção, procurando saber como avaliar os profissionais, mas, antes disso, precisamos ter bons profissionais candidatos a uma vaga. Todo processo seletivo deve iniciar com a divulgação da vaga (detalharemos melhor esse item no próximo tópico). São as divulgações que nos possibilitarão ter inscrições voluntárias para a vaga. Com base nisso, podemos falar que a empresa tem quatro fontes gerais de recrutamento, conforme detalharemos a seguir: 1) Recrutamento interno: são os profissionais que já atuam na organização, porém têm interesse de se inscrever para a vaga. Isto é, a expectativa do profissional é mudar de cargo (seja por promoção ou mudança de carreira); 2) Inscrições voluntárias para as vagas: são os profissionais que buscam a empresa contratante no período em que o processo seletivo está aberto como reflexo de divulgações realizadas; 4 3) Banco interno: são os profissionais que demonstraram seu interesse em trabalhar na organização em algum momento ou que foram indicados para tal. Geralmente a manifestação de interesse é realizada pelo envio de um Curriculum Vitae que contém a apresentação do histórico profissional do candidato. Para ter essa fonte, a empresa precisa sistematizar o arquivo dos currículos recebidos, possibilitando o resgate; 4) Busca ativa: são profissionais que são convidados a participar do processo seletivo, pois foram localizados em locais neutros de cadastramento profissional, tais como portais de emprego, agências de emprego, entre outros. Algumas empresas optam por terceirizar o recrutamento e seleção. O principal ganho em trabalhar com consultorias é que a fase de recrutamento é realizada por uma empresa terceira, ficando a encargo da empresaapenas a seleção, geralmente, de profissionais já pré-selecionados. Essa fase demanda bastante, em especial, se o acesso a cadastros de profissionais é restrito ou se a divulgação for feita de forma muito limitada. O fechamento eficaz de uma vaga depende da combinação de muitos fatores entre a empresa e o profissional, tais como: Horário de trabalho do cargo X Disponibilidade de horário do candidato Salário do cargo X Pretensão salarial do candidato Escolaridade mínima exigida X Escolaridade do candidato Experiência exigida para o cargo X Histórico Profissional do Candidato Requisitos básicos do cargo X Atendimento aos requisitos básicos Esses fatores são mais objetivos e podem ser detectados já no currículo ou em um primeiro contato por telefone. Realizar esse filtro é fundamental para otimizar o processo. Quando iniciamos um processo seletivo, dentre os currículos que aparentemente atendem o perfil, podemos considerar que apenas 50% se disponibilizará para a realização de uma entrevista. Parte deles encontrará incompatibilidade em um dos critérios relacionados acima e outra parte possivelmente não estará disponível por já estar trabalhando ou por ter outras questões particulares que impeçam o retorno imediato ao trabalho. Temos critérios subjetivos que podem ser percebidos e avaliados apenas no contato mais próximo com os profissionais, tais como: 5 Valores organizacionais x Valores pessoais Padrões de comportamento Motivação para a realização das atividades propostas Comunicação não verbal do candidato Sobre esses pontos, falaremos no decorrer da aula. O recrutamento, então, é uma espécie de filtro inicial para definir quem avança ou não para as próximas etapas do processo seletivo. O objetivo é fazer ingressar no processo somente aqueles que apresentarem maior compatibilidade. É importante alertar que questões discriminatórias e preconceituosas não podem servir como justifica para eliminação de candidatos em processos seletivos. A justificativa de eliminação de candidatos deve estar vinculada a uma das características objetivas do cargo, não em função de antipatias pessoais. TEMA 2: MEIOS DE DIVULGAÇÃO A divulgação de vagas não conta somente sobre as vagas em questão, mas expõe a imagem da empresa para o mercado, portanto é fundamental ter alguns cuidados prévios no processo de divulgação de vaga. Vamos começar falando sobre esses pontos. O que incluir no anúncio As informações do anúncio devem ser claras e objetivas, principalmente se as vagas divulgadas tiverem requisitos específicos. De qualquer forma, é bem provável que alguns candidatos que não atendam aos requisitos e se inscrevam para o processo, mas isso faz parte do processo seletivo. Quando se restringe demais um anúncio, pode ter um volume muito baixo de candidaturas. Então, se os requisitos são desejáveis e não obrigatórios, indica-se não incluir para aumentar o volume de candidatos inscritos. Texto do anúncio O texto do anúncio deve ser feito com atenção para que não haja erros. Como o anuncio representará a empresa, o tom do anúncio (mais ou menos formal) deve ser compatível com a política e a forma que a empresa habitualmente se comunica. O tamanho do anúncio dependerá de onde a 6 divulgação será realizada. Em jornais de alta circulação, por exemplo, o espaço tende a ser menor para que o custo não seja tão elado. Em alguns portais de emprego, a quantidade de caracteres também é limitada. Local do anúncio Os locais selecionados para que anúncios sejam feitos devem alcançar o público alvo. É importante escolher bem para ter retorno. Se você divulgar uma vaga de assistente comercial em um site especializado em vagas de TI, é possível que a divulgação traga pouco resultado. E por onde você começaria a divulgação de suas vagas? Abaixo seguem algumas sugestões com comentários sobre as vantagens e desvantagens: Jornais impressos: os jornais impressos de alta circulação já foram um dos principais canais de comunicação e traziam ótimo retorno de volume de candidatos. Continua sendo uma boa opção atualmente, mas o acesso amplo a internet traz outras opções com custo mais acessível e com retorno mais eficaz. Uma das desvantagens dessa divulgação é que existe uma procura muito grande de candidatos de outros setores e áreas que buscam a empresa mediante o anúncio. Assim, o recrutamento de candidatos torna-se mais trabalhoso, já que o volume de candidatos avaliados é grande para poucos efetivamente dentro do perfil. Rádio: algumas emissoras têm em sua programação um espaço reservado para a comunidade com a possibilidade de divulgação de vagas de emprego. Esses espaços são disponibilizados gratuitamente. Essa divulgação costuma ser mais eficaz para vagas mais operacionais. Geralmente, tem um volume grande de contatos, mas pouco aproveitamento. Portais de emprego: os portais de emprego permitem a divulgação de vagas e geralmente as inscrições já são direcionadas, porém exigem que os candidatos tenham acesso à internet. Geralmente, os portais têm opções gratuitas e pagas. Quem tem um plano pago desfruta de um volume maior de opções de acesso. Redes sociais: as redes sociais têm sido muito usadas para esse fim. Há a possibilidade de divulgação em grupos específicos de vagas de emprego, na própria página da empresa ou por meio de anúncios patrocinados para ampliação do alcance da divulgação. Exceto na opção de impulsionar os 7 anúncios, é uma possibilidade sem custo e com alto retorno. A escolha da rede social a ser utilizada segue o mesmo critério que falamos no início desse tema: verificar qual é o público alvo e escolher a rede que melhor atende o público procurado. Instituições de ensino: as instituições de ensino (tanto de ensino médio como superior) geralmente têm canais de divulgação de vagas para seus alunos e ex- alunos. Se o anúncio coincidir com férias dos alunos, costuma não ter bom retorno. Terminais de ônibus: algumas viações de transporte público disponibilizam espaço para divulgar vagas dentro dos ônibus ou terminais. Costuma ter um bom retorno essa divulgação, focado para profissionais que habitualmente usam transporte público. A vantagem é que não tem custo. Locais de alta circulação: qualquer local que tenha agrupamento de pessoas é uma opção para divulgação de vagas. Desde que haja abertura para tal, é possível realizar a divulgação. Exemplos: conselhos de classe, sindicatos, panificadoras de bairro, estabelecimentos religiosos e em quaisquer outros lugares que perceba que pode dar retorno. Um ponto importante a considerar é que as divulgações levam um tempo para acontecer, portanto nem todas têm retorno imediato. Quando for planejar um processo seletivo, considere um período no cronograma para que as divulgações comecem a dar resultado. Em função disso, depois do escopo da vaga definida, é necessário prontamente dar início às divulgações. Essa tarefa exige criatividade e alguns excelentes canais de comunicação são descobertos por selecionadores ou gestores, mas não são encontrados nas literaturas. Para finalizar, vale lembrar que algumas divulgações são realizadas e precisam ser retiradas quando a vaga é fechada. Essa é uma atenção importante. Quando a vaga fica divulgada por um tempo muito prolongado, aqueles que têm acesso a ela deixam de dar credibilidade. Isso acontece com muita frequência nos canais de comunicação digitais. Veja mais sobre o processo de recrutamento no livro Gestão de Pessoas de Idalberto Chiavenatto, citado nas referências desta aula. 8 TEMA 3: SELEÇÃO –CONCEITO E IMPORTÂNCIA A seleção é a etapa do processo seletivo em que os candidatos são de fato avaliados e pode ser considerada como o filtro que determina quem ingressa ou não na organização. É nessa fase que os responsáveis pelo processo vão avaliar a compatibilidade do candidato com o que a empresa espera e o cargo exige. Você sabe dizer no que a seleção reflete para a organização? Em primeiro lugar, imagine que a seleção – bem ou mal realizada – terá reflexos financeiros diretos para a organização. Após a seleção, a empresa realizará uma série de processos com o novo profissional: procedimentos admissionais, treinamento, disponibilização de materiais, instrumentos e locais de trabalho, entre outros. Geralmente leva um tempo para o novo profissional efetivamente produzir e transformar esse empenho em resultados. O sucesso dessa contratação faz com que o gasto nessas etapas seja acolhido como investimento. Havendo insucesso nessa contratação, isto é, tendo necessidade de substituição do profissional contratado antes mesmo que consiga reverter sua contratação em produção efetiva, os valores investidos são percebidos como custos, pois não haverá colheita de retorno desse investimento. Além do desembolso, uma contratação malsucedida pode gerar uma série de desgastes para a organização. Desgaste para os profissionais que fazem interface com o cargo preenchido de forma inadequada, pois pode gerar retrabalho, excesso de trabalho ou trabalhos mal realizados. Desgaste para a imagem da organização mediante novas contratações. Exposição excessiva dos processos da organização para profissionais que não permanecerão na empresa. Isto é, a seleção ou a falta de técnicas eficazes de seleção podem contribuir com ambientes de trabalho mais densos e propícios à desmotivação e até ao adoecimento. Em entrevista concedida ao telejornal Bom dia Santa Catarina da RBS TV, o psicólogo Adroaldo Faraco fala sobre recrutamento e seleção de pessoal, veja no link: https://www.youtube.com/watch?v=lsms0dPEQVo Observe que ele reforça o conceito de recrutamento e seleção e ainda ressalta os reflexos que a seleção traz para dentro de uma organização. 9 Durante um processo seletivo, assim como a empresa avalia o candidato, o oposto também acontece. A seleção é o primeiro contato efetivo do candidato com a empresa. Então, todo detalhe deve ser visto como importante. A postura no contato para convite de participação em um processo seletivo deve ser sempre cordial. O responsável pelo processo deve estar aberto a responder possíveis dúvidas. Quanto mais exposição o candidato tiver da empresa e da vaga, melhor é a análise que ele pode fazer quanto à oportunidade. É melhor que um profissional desista na fase do processo seletivo do que depois de 30 dias trabalhando. Então, ele deve ter todas as suas dúvidas sanadas. Outras questões, como atender o candidato no horário marcado, evitar desmarcar entrevistas ou outras etapas do processo, avisar com antecedência a respeito de agendamentos, informar o tempo que candidato ficará na empresa para determinada etapa do processo seletivo, passam uma imagem positiva, transmitindo segurança para os profissionais participantes do processo. É na seleção que iniciam os primeiros estabelecimentos de combinados e o primeiro “contrato psicológico” (compromisso moral assumido pelas partes). Por isso, é importante que o profissional que conduz o processo esteja preparado para uma recepção adequada dos candidatos, com disposição para esclarecer todas as dúvidas e acolher as hesitações dos profissionais participantes de um processo seletivo. Para selecionar pessoas é necessário ter um alto índice de resiliência (capacidade de lidar com frustrações). Como a escolha de aceitar ou não uma proposta de emprego traz consideráveis reflexos para a pessoa e sua família, é comum que haja desencontro de expectativas no decorrer do processo. E, inúmeras vezes, uma seleção que parecia estar na reta final, começa novamente. Um dos pontos importantes para cultivar uma imagem positiva da empresa é o retorno aos candidatos participantes do processo seletivo. Independentemente de ser positivo ou negativo, é fundamental que todo candidato receba uma devolutiva sobre sua aprovação ou não. Note que, quando alguém participa de um processo, uma elevada carga emocional é dedicada para a espera do retorno. Lembre-se de amigos ou familiares seus que já participaram de processos. Você já deve ter ouvido pessoas próximas falarem: “puxa, ainda não me deram retorno do processo” ou “estou esperando, falaram que ligam até 10 quinta-feira”. Ao conduzir um processo seletivo, portanto, preocupe-se em realizar essa etapa. Embora as ferramentas de seleção foquem em análise de comportamento (portanto, são subjetivas), é necessário transformar o processo em números. A sugestão é que você tenha um controle de participantes do processo e ocorrências para que possa extrair as informações. É indicado ter algumas informações ao término de cada processo, tais como: Quantidade de candidatos contatados Quantidade de candidatos agendados para entrevista Quantidade de candidatos presentes na entrevista (excluir as faltas) Quantidade de candidatos aprovados para contratação Quantidade de candidatos efetivamente contratados Essas informações vão contribuir para que os próximos processos sejam planejados de forma mais assertiva. Elas também vão trazer informações sobre o mercado interno (condições que a empresa está propondo) e mercado externo (compatibilidade com que as outras empresas estão praticando). Se o índice de conversão de cada etapa for baixo, isso indica que as práticas propostas pela empresa estão menos competitivas. Com base no que vimos, podemos afirmar que a seleção representa a porta de entrada de uma empresa. Por isso, sua importância não está somente relacionada com os resultados diretos de seu processo, mas também com a imagem cultivada em cada contato e ação. No próximo tema, veremos com mais detalhes as técnicas de seleção. TEMA 4: TÉCNICAS DE SELEÇÃO As técnicas de seleção devem criar situações nas quais os candidatos fiquem expostos para relatar sobre si ou demonstrar seus comportamentos. Processos seletivos com mais etapas tem a intenção de ampliar o nível de exposição do candidato, permitindo, dessa forma uma análise mais aprofundada de seus padrões de comportamento. 11 A principal ferramenta de seleção, sem dúvida, é a entrevista. Ela pode ser aplicada individualmente ou coletivamente. A entrevista é a ferramenta em que o candidato se submete a responder uma série de perguntas sobre si, enquanto o entrevistador procura conhecer mais sobre ele. Vamos separar, inicialmente, a entrevista em três tipos, que são caracterizados por seus objetivos distintos: Coleta das informações objetivas Coleta de opinião (conduta e valores) Coleta de padrões de comportamento (competências) A coleta de informações objetivas é aquela que não exige análise mais aprofundada. Geralmente, essa etapa é composta por perguntas diretas com objetivos concretos. Dependendo da resposta, cabe mais algumas perguntas complementares para melhor compreensão do avaliador. Havendo desconfiança do entrevistador de omissão ou mentira nas respostas do entrevistado, as informações objetivas geralmente são possíveis de confirmação. Nesse momento, não entraremos na análise de conduta em função de mentiras e omissões, pois esse é um ponto que será explorado no segundo tipo de entrevista. A estrutura básica de uma entrevista de seleção que objetiva acoleta de dados, geralmente inclui os seguintes itens: Dados pessoais Onde mora? Com quem mora? O que as pessoas que moram junto fazem? Qual a idade? Tem filhos? Se tiver filho pequeno, com quem fica para trabalhar? Qual é a cidade de origem? Se ouve deslocamento para outra cidade, relatar os motivos. Dados profissionais e conhecimentos específicos Confirmação e explanação do histórico profissional (datas, cargos e salários). Escolaridade e histórico escolar. Conhecimentos específicos (cursos, certificações, idiomas, etc). 12 Confirmação da disponibilidade para requisitos básicos (CNH, disponibilidade para viagens, etc) Na entrevista objetiva, já começamos a ter indícios das características comportamentais. Geralmente, a entrevista objetiva é mais estruturada e já é aplicada com o intuito de coleta e análise ao mesmo tempo. A diferença é que no primeiro tipo, você precisa de uma resposta concreta, enquanto no segundo, você vai explorar algumas respostas para entender a forma de pensar do candidato. Você poderá avaliar se o discurso do candidato é alinhado com a organização. Abaixo, você poderá observar formas de complementar as perguntas objetivas a fim de obter esclarecimentos adicionais. O terceiro foco da entrevista é entender os padrões de comportamento do candidato no passado para presumir as atitudes do profissional no futuro. Neste caso, é indicado então solicitar que o candidato relate acontecimentos do passado com detalhes. É necessário que os fatos narrados sejam verídicos. Abaixo, veja o quadro que demonstra algumas alternativas de perguntas complementares às perguntas objetivas, separados nos três tipos de objetivo das perguntas: Perguntas Objetiva Coleta de opinião (análise de conduta e valores) Pergunta por competências (padrões de comportamento) Onde mora? - E é fácil para você chegar no local de trabalho? - Você levará em torno de 1h20 todo dia para chegar. Como você vê isso? - Você está me contando que prefere trabalhar aqui porque é perto e se você precisar se mudar? - Relate uma situação em que você teve dificuldade no trabalho em função da desistência. - Detalhe como foram suas atitudes nessa situação. O que as pessoas que moram com você fazem? - Considerando que você é a principal renda da casa, como você considera o salário que estamos ofertando? - Considerando que sua renda é menos representativa que a dos demais da sua família, você pretende um emprego temporário ou pretende fazer uma carreira? - Relate um acontecimento em que você precisou escolher entre uma questão pessoal e profissional. - Comente sobre sua escolha e os motivos que te levou a escolher. Você tem filhos? - Considerando que você tem filho pequeno e fica o dia todo na escola, qual sua opinião sobre essa distância no acompanhamento do crescimento do seu filho? - Comente uma situação em que você precisou dar uma atenção para seu filho ou família no horário de trabalho. - Detalhe como você se sentiu por não estar trabalhando nesse momento ou de não poder ficar com a sua família. - O que você acha que poderia ter 13 feito diferente do que você fez. - Comente sobre sua escolha e os motivos que te levaram a escolher. Explane seu histórico profissional. - Qual o motivo do seu desligamento nas empresas em que trabalhou? - Como era sua relação com seus superiores hierárquicos? - Você atingia suas metas? - Relate uma situação em que teve um desconforto com seu chefe ou equipe de trabalho. - Descreva como a situação foi resolvida. - Conte quais foram suas contribuições para a resolução. Relate seu histórico escolar. -Você pretende fazer outros cursos ou especializações? - Porque você não procurou se especializar? - Você acredita que o estudo é importante para a formação profissional? - Relate um fato em que você teve oportunidade de estudar. - Você aproveitou a oportunidade? Detalhe os motivos da sua escolha. - Entende que fez a escolha certa? A entrevista é a ferramenta mais comum, porque não exige qualificação técnica específica e, apesar da prática auxiliar no manejo da técnica, é possível realizá-la sem tanta experiência. Existem, porém, outras ferramentas e técnicas que podem ser utilizadas. Algumas opções mais comuns são listadas a seguir: Avaliação Psicológica: instrumento de uso privativo dos psicólogos. Objetiva uma avaliação mais aprofundada das características comportamentais dos participantes do processo por meio de aplicação de testes psicológicos. Geralmente o psicólogo emite um laudo com as características mais evidentes de personalidade. Dinâmica de grupo: instrumento de aplicação coletiva que tem dois objetivos: avaliar padrões de comportamento e observar o comportamento do profissional em grupo. Dinâmica situacional: aplicação de simulação que seja contextualizada nos mesmos moldes da atividade que o profissional vai exercer. Permite a observação do candidato em cenário semelhante ao qual ele irá atuar. Para compreender o perfil comportamental, muitas vezes precisamos interpretar o candidato, pois as informações são apresentadas entre linhas e não explicitamente. O avaliador, então, precisa estar atento aos sinais do avaliado para fazer uma leitura correta do que está sendo colocado. 14 TEMA 5: PROCESSO DE ADMISSÃO Depois de concluída a seleção, dá-se início ao processo de admissão do novo colaborador. Nessa fase, é necessário garantir que os procedimentos legais de contratação sejam realizados (exame médico admissional, anotações na carteira de trabalho, emissão de contrato de trabalho, coleta de documentos, etc). Também é o momento em que ocorre a comprovação de algumas informações repassadas por meio da apresentação de documentos, por exemplo, comprovante de escolaridade, apresentação de certificado, cópia de documentos específicos (carteira nacional de habilitação, por exemplo). Feitos os procedimentos burocráticos, o novo profissional precisa ser integrado às políticas e práticas da organização e necessita receber as orientações gerais sobre suas atribuições. Todo novo funcionário leva um tempo para iniciar de fato sua produção, mas o modelo proposto para o processo de socialização dele com o novo ambiente irá refletir nessa velocidade. Geralmente, a socialização é realizada por meio de um programa de treinamento denominado de treinamento de integração de novos colaboradores. Esses treinamentos são organizados em três grupos de conteúdo: 1. Procedimentos internos Espaço dedicado para apresentar aos novos colaboradores informações acerca dos procedimentos habituais da organização, como dia de pagamento, políticas de refeição no ambiente de trabalho, uso das ferramentas de trabalho, modelo de atendimento, uso de salas de reunião, descontos legais, plano de saúde, entre outras informações. Algumas empresas optam, inclusive, por apresentar uma relação de direitos e deveres legais para que não restem dúvidas sobre esses temas. Ainda neste bloco, costuma-se coletar a assinatura no contrato de trabalho e demais termos, devolver a carteira de trabalho, realizar entrega de crachás e cartões de benefícios e esclarecer informações sobre uso do plano de saúde e seguros. Também é nessa parte que o profissional recebe orientações de segurança no trabalho, uso de EPIs e mobilidade em locais restritos da organização (por exemplo, na fábrica). Perceba que o objetivo central é que o colaborador tenha as informações do funcionamento básico da organização, sem a necessidade de questionar sobre tudo para poder permearem seu novo local de trabalho. 15 2. Política, valores e código de conduta No processo de integração de novos colaboradores, a empresa também deve repassar informações sobre os padrões de conduta esperados. Esse tempo é reservado para a apresentação de questões relacionadas à forma da empresa se relacionar com o mercado, parceiros, colaboradores e clientes. Quando a empresa tem suas políticas descritas, é aqui que geralmente é apresentada a missão (para que a empresa existe), visão (para onde a empresa pretende ir), política de relacionamento, objetivos organizacionais, valores e pilares estratégicos. Ainda nesse eixo, questões mais objetivas devem ser incluídas, tais como padrão de apresentação, padrão de vestimenta, modelos de relacionamentos permitidos (em algumas empresas, funcionários que casam devem ser alocados para setores distintos, por exemplo), entre outras questões. Integração setorial Esse grupo de informações deve estar relacionado com as atividades desempenhadas pelo profissional. Essa fase pode contemplar um treinamento formal, sobre como desempenhar suas atividades, ou o treinamento pode ser realizado no próprio local de trabalho (isto é, o profissional faz e apreende ao mesmo tempo). Apenas depois dessa etapa é que a produção pode ser percebida. Porém, sem as etapas anteriores, comumente as escolhas do profissional serão com base nos seus valores e referências pessoais, não tendo um alinhamento com a cultura organizacional. Em função disso, o volume de feedbacks para realinhamento pode usar mais tempo do que se levaria repassando as informações em forma de treinamento. As relações de trabalho são regidas por um contrato de trabalho que estabelece um conjunto de direitos e deveres entre as partes. O processo admissional formaliza essa relação e, depois disso, revertê-la é trabalhoso. Conforme já colocado em temas anteriores, um contrato bem estabelecido contribui para que desacordos futuros sejam minimizados. O processo admissional sela alguns combinados e evita discussões. O último ponto sobre essa questão que precisa ser reforçado é a atenção às questões legais e ao cumprimento dos acordos (formais e informais). Uma relação de confiança é 16 construída pela segurança que uma parte tem na outra com base no real compromisso assumido. A empresa que estabelece combinados e os segue à risca tende a manter uma imagem positiva e a atrair mais talentos. No link http://www.ibccoaching.com.br/portal/rh-gestao- pessoas/preparando-treinamento-integracao-novos-funcionarios/ você encontra algumas dicas de como elaborar um treinamento de integração de novos colaboradores, confira. TROCANDO IDEIAS No link http://carreira.forumeiros.com/t14-recrutamento-e-selecao-quick- case-e-estudo-de-caso encontramos o seguinte caso hipotético para discussão: Pedro Casso, gestor de pessoa, reúne o seu pessoal em nível de chefia para preparar o anúncio de recrutamento para o cargo de recepcionista que deverá ser preenchido por um dos sexos dentro de 30 dias. Logo no início da reunião, Pedro coloca as linhas gerais para o recrutamento. São elas: para o sexo feminino, as restrições são referentes a piercings visíveis, roupas extravagantes e maquiagem excessiva. Já para o sexo masculino, as restrições são quanto aos cabelos longos, piercings e tatuagens visíveis e aparência gay. O espanto dos demais presentes foi inevitável. Por conta disso, José Nazareth reage fortemente dizendo que tais restrições eram puro preconceito contra pessoas e contra novas conquistas da sociedade. Ademais “parecer nada quer dizer” e, no caso específico, ele não via razão para as restrições, porque em nada se relacionavam com os requisitos para o cargo. Pedro, irritado, diz que ele deveria entender que o cargo tem como objetivo maior o contato com o público e ele não queira afetar a boa imagem da empresa. Nazareth retruca, dizento: “Pedro, na nossa clientela nós temos gente com piercing, cabelos longos, meninas maquiadas e pessoas tatuadas. Quanto à aparência gay, eu nem me manifesto, por entender que é se ir longe demais nos preconceitos”. Nessa situação, qual seria a sua atitude como gestor de pessoas?”. Com base no que vimos nessa aula, emita sua opinião em um fórum e discuta com os demais colegas. No link, você encontra algumas reflexões do autor que podem te ajudar, mas, antes de coletar referências, emita sua própria opinião. 17 NA PRÁTICA Maria Rita é gestora de uma equipe de 8 vendedores externos. Ela percebeu que os vendedores realizam contato inúmeras vezes durante o dia, solicitando confirmação de endereço de clientes, confirmação do andamento de pedidos, envio de formulários para clientes, contato para confirmação de reuniões. Em função desses pedidos, Maria Rita (que é a única que fica em período integral no escritório), não consegue fazer outra coisa que não seja dar suporte aos vendedores. Em função disso, conversou com o seu gestor e conseguiu a aprovação para a abertura de uma vaga de assistente comercial, que terá como objetivo central dar suporte aos vendedores externos. Com base nessas informações, defina em relação a essa vaga: 1) Detalhamento das atribuições do cargo; 2) Requisitos mínimos; 3) Perfil comportamental desejado. Para responder o detalhamento das atribuições, você pode iniciar pelo próprio enunciado da questão. Ali você já encontra uma descrição prévia de algumas das atividades. Você também pode complementar o detalhamento com aquilo que imagina que um assistente comercial deve desenvolver. Para realizar essa atividade, você pode imaginar a rotina desse profissional e relacionar as atividades centrais dessa rotina. Em relação aos requisitos mínimos, você pode responder as seguintes questões: Qual a escolaridade mínima que esse(a) profissional precisa ter para exercer as atividades relacionadas? O profissional precisa ter algum curso específico? Se sim, deve ser considerado como obrigatório ou diferencial (isto é, caso não tenha o curso não será eliminado do processo)? Qual é a remuneração proposta? E qual carga horária e horário de trabalho que esse profissional precisa estar disponível na empresa? Qual é o local de trabalho e quais são os locais da cidade que têm fácil acesso a esse local? 18 Esse profissional precisa ter experiência anterior? Se sim, em que função? Com base no descritivo de funções, é possível mapear o perfil comportamental do cargo. Para tal, imagine as atividades a desempenhar e verifique como o profissional deve ser para realizar as atribuições. Abaixo, algumas ideias: Foco: precisa ser mais focado ou mais disperso? Conformidade: é necessário que tenha o desejo de mudar de função ou é positivo que goste de realizar as mesmas coisas durante um longo período? Comunicação: precisa ser mais ou menos comunicativo (a)? Apresentação pessoal: precisa ser mais formal ou mais despojado? Multifuncionalidade: necessita que tenha perfil multifuncional se dispondo a interagir com diferentes atividades ou deve ser mais centrado na realização de suas atividades? Além desses exemplos propostos, avalie outras características comportamentais que julgue pertinentes também. 19 FINALIZANDO REFERÊNCIAS LOTZ, E.G.; GRAMMS, L.C. Gestão de Talentos. 1ª ed. Curitiba: Intersaberes, 2012. CHIAVENATTO, Idalberto. Gestão de Pessoas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Campus, 2005. WALGER, C.; VIPIANA, L.; BARBOZA, M.M. Motivação e Satisfação no Trabalho. 1ª ed. Curitiba: Intersaberes, 2014.GESTÃO DE PESSOAS E TALENTOS AULA 3 Profa. Mariana Patitucci Bacellar 2 CONVERSA INICIAL Olá! Convido você a refletir o quanto que treinar e desenvolver está relacionado com o processo de aprender. Todo profissional vinculado a uma empresa está exposto à necessidade constante de aprendizagem, portanto todo gestor assume a responsabilidade de ensinar. O caminho de aprendizagem corporativa é mais rápido quando guiado da forma adequada e em direção aos objetivos organizacionais. É sobre esse modelo que falaremos nessa aula. CONTEXTUALIZANDO Suponha que João trabalha em uma empresa e coordena uma equipe com 4 colaboradores de uma equipe comercial. A equipe dele não está apresentando os resultados esperados e seu gestor deu o prazo de 6 meses para que os resultados fossem apresentados, caso contrário, tomaria uma atitude mais “drástica”, sugerindo que ele seria substituído. Ele sabe que a sua equipe tem capacidade de alcançar os resultados, mas precisa desenvolver cada uma das pessoas e a equipe e não tem ideia de como fazer isso. Nessa aula, vamos ver formas de ajudar o João em sua empreitada. E retomaremos nossa história na evolução dos temas. TEMA 1: A IMPORTÂNCIA DO TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO Há alguns anos, o processo de treinamento e desenvolvimento tem focado no modelo de competências. Isto é, o levantamento dos pontos a serem desenvolvidos e o foco do desenvolvimento tem utilizado as práticas baseadas nessa proposta. No contexto de gestão de pessoas, competência é caracterizada pelo conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes. Conhecimento é considerado como sendo as informações captadas e “arquivadas” pelo indivíduo. Habilidade é a condição do indivíduo de realizar determinada tarefa (ter “jeito” para tal). Atitude pode ser entendida como sendo o impulso do indivíduo para aplicar seus conhecimentos e habilidades no seu dia a dia. O objetivo central do treinamento e desenvolvimento é encaminhar os colaboradores no sentido dos objetivos organizacionais. É esse processo que contribui para o desenvolvimento de talentos. É comum que empresas percam ou desistam de bons profissionais antes mesmo de realizar um esforço no seu 3 processo de desenvolvimento. A importância dessa ferramenta está diretamente relacionada com os resultados da empresa. Vamos separar o processo de treinar e desenvolver em três blocos que são trabalhados de forma distinta, seguindo o que propõe a teoria das competências: CONHECIMENTO Devemos incluir nesse campo todo conhecimento passível de ser explicitado. São as informações já sabidas por outros, mesmo que sem cunho científico. É a aquisição do saber, independente do que será feito com ele. Geralmente os treinamentos são munidos de informações com o objetivo de ampliar o alicerce de conhecimento do profissional, com o propósito que ele esteja mais instrumentalizado para atender o conjunto de atribuições sob sua responsabilidade. As bases de estudos desse processo estão relacionadas às teorias de ensino – aprendizagem. Porém é percebido que, para determinadas funções, apenas o conhecimento não é o suficiente para que as atividades e responsabilidades sejam concluídas com êxito. É quando a seguinte afirmação emerge: “Sabe tanto e não faz nada com isso...”. Nesse momento, entramos nos outros dois campos do modelo de competências, que veremos a seguir. HABILIDADE Esse é o campo que trata da habilidade do indivíduo para realizar algo. É o saber fazer. Aqui já temos a ação mais presente do que no conhecimento, mas ainda está mais relacionada com o conseguir ou não fazer do que com a iniciativa de realizar. No processo de treinamento e desenvolvimento, o que atende bem o desenvolvimento desse item é a repetição. A habilidade então, pode ser desenvolvida com o treino. Geralmente, se receia perder profissionais de determinados cargos com bastante tempo de casa, pois ele já fez aquela atividade tantas vezes que sua habilidade é evidente. Ainda nesse campo, podemos encontrar determinadas habilidades desconhecidas. Isto é, a pessoa tem desenvoltura para determinadas atividades, mas não sabe disso. Por exemplo, pode ser muito bom no comercial, mas nunca experimentou realizar essa atividade, então, nem sabe que tem jeito para isso. ATITUDE 4 Podemos afirmar que esse é o campo mais trabalhoso quando se trata de desenvolvimento. Diversos autores propuseram e têm proposto teorias que estudam o comportamento humano com o objetivo de encontrar formas de mudar os padrões de comportamento assumidos pelo indivíduo ao longo de sua vida. Observa-se, nesses estudos, que habitualmente a pessoa adquire modelos de conduta para as diversas situações que exigem enfrentamento e repetem esses modelos nos diferentes aspectos da sua vida. Quando falamos em desenvolver “atitudes”, estamos propondo a mudança nesses padrões. Porém as teorias afirmam que esses aspectos são enraizados, portanto alterá-los pode ser uma tarefa difícil. Algumas ferramentas têm sido utilizadas com o objetivo de trabalhar comportamentos, como o feedback, que propõe uma devolutiva para o profissional evidenciando seus padrões de comportamento para que, com o processo de conscientização e orientações, ele possa adotar novos padrões. O vídeo do link https://www.youtube.com/watch?v=wqhHBW6_V7o pode ajudar você a fixar o conceito de conhecimento, habilidade e atitude. Ele ilustra algumas ações relacionadas a cada um desses campos, podendo contribuir com a diferenciação de cada um desses temas. A importância do treinamento e desenvolvimento reside no fato de ser a área que estabelece métodos e técnicas para garantir que colaboradores sejam desenvolvidos dentro dos três campos, conforme suas necessidades específicas. É comum que algumas empresas treinem seus colaboradores em temáticas aleatórias, não contribuindo, efetivamente com resultados para a organização. Como o investimento é realizado pela empresa, poderá ser considerado satisfatório o resultado de um programa de desenvolvimento se ele for revertido direta ou indiretamente como resultados para a empresa. Para tal, existem duas etapas fundamentais a serem realizadas: Mapear as necessidades organizacionais Mapear os colaboradores Geralmente, os mapeamentos são resultantes da aplicação de algumas ferramentas (como avaliação de desempenho, entrevista de desligamento, análise e descrição de cargos, levantamento de clima organizacional, entre outras) que permitem a coleta de informações sobre esses dois prismas. A etapa 5 oficial de coleta é o levantamento de necessidades de treinamento, que será visto no próximo tema com mais detalhes. TEMA 2: LEVANTAMENTO DE NECESSIDADES Vamos voltar à história que usamos para contextualizar essa aula. João não sabe o que fazer com a missão que recebeu: desenvolver sua equipe de trabalho para que dê resultado no prazo de 6 meses. De forma bem prática, vamos tratar aqui de algumas alternativas que o João tem. Para desenvolver a equipe, primeiro ele precisa estabelecer quais são os pontos que pretende trabalhar. Essa fase é chamada de levantamento de necessidades de treinamento (LNT). Podemos conduzi-la em um modelo mais ou menos formal. Independente da escolha, é fundamental que se tenha uma estrutura básica de itens a serem realizados para não desviar do objetivo. Abaixo, segue uma sugestão de tópicos que podem ser trabalhados nessa fase: 1) Definição dos objetivos do setor Em primeiro lugar, é importante estabelecer os objetivos do setor quereceberá a aplicação de um programa de desenvolvimento. Se o objetivo do setor do João é realizar a manutenção da carteira de clientes, focando na ampliação de vendas para os clientes já existentes na carteira, o programa poderá ter conteúdos focados para qualidade de atendimento e técnicas de relacionamento. Se o objetivo for prospectar o maior número de clientes, é interessante trabalhar conceitos de agilidade e controle de informações. Isto é, o objetivo que se quer alcançar fará toda a diferença. Caso os objetivos não estejam definidos, ele pode ser feito respondendo as seguintes perguntas (considerando um setor comercial para esse exemplo): O que pretendemos alcançar no prazo de 6 meses? Como acreditamos que podemos alcançar o pretendido? Qual o tipo de relacionamento que se pretende estabelecer com o cliente? O produto ou serviço tem margem suficiente para um relacionamento que exija mais investimento de tempo? No exemplo do João, as perguntas podem ser direcionadas para ele mesmo, para seu gestor e para sua equipe. Depois que as informações forem coletadas, podem ser transformadas em objetivos concretos. 6 2) Análise e descrição dos cargos contemplados no setor Aqui a descrição busca dar base para o processo de mapeamento dos requisitos necessários para atender os cargos em questão. Para realizá-la, as seguintes questões podem ser usadas como referência: Qual o nome do cargo? Qual é o objetivo central do cargo? Qual são as principais atribuições do cargo? Quais são as principais responsabilidades do cargo? Com essas informações descritas, é possível caminhar para a próxima etapa. Algumas vezes, esse trabalho já existe elaborado na empresa pelo setor de recursos humanos e, neste caso, pode ser usado como base. 3) Apontamento dos itens necessários para realização das atividades em relação aos conhecimentos, habilidades e atitudes Essa é a parte mais importante do levantamento de necessidades de treinamento, pois estabelecerá os possíveis pontos a serem inclusos no programa de desenvolvimento. É necessário então, realizar uma atividade menos descritiva e mais analítica. Os itens a serem respondidos nesse momento são mais abertos: Qual os conhecimentos necessários para realizar cada uma das atividades descritas? Teria algum conhecimento complementar, não obrigatório, mas que auxiliaria na realização das atividades? No que o ocupante do cargo precisa ser bom para realizar melhor suas atividades? Dos ocupantes dos cargos, quais as habilidades que se destacam? Quais as atitudes necessárias para a realização das atividades? Qual o comportamento esperado para o ocupante do cargo? Quais comportamentos auxiliariam o setor como um todo? Observe que, conforme colocado anteriormente, é necessário observação e análise crítica para responder essas questões. 4) Levantamento de como cada colaborador está em relação às competências levantadas no item 3 7 Nesta fase, começamos então a comparar o colaborador com as características esperadas para o cargo. Na próxima aula, veremos de forma mais aprofundada esses métodos de avaliação de desempenho. Quando existe um processo formal de avaliação de desempenho, os resultados são usados para o programa de desenvolvimento. Se não houver, é possível fazer um levantamento dessa etapa, tanto para a equipe como para cada colaborador. Seguem algumas referências que podem ajudar: Para cada comportamento, relembre situações em que o colaborador precisou ter o comportamento esperado e, de acordo com as situações que lembrar, avalie seu conhecimento, habilidade e atitude. Relacione os itens que o colaborador apresentou conhecimento, habilidade ou atitude abaixo do esperado (esses são os itens destacados no levantamento de necessidade de treinamento). 5) Análise das metas para a compreensão em caso de trabalho em equipe. O trabalho em equipe será ou não necessário dependendo das atividades, metas e objetivos. Caso haja necessidade de trabalho em equipe, tópicos relacionados a esse item deverão ser incluídos. O processo de levantamento de necessidades de treinamento serve para identificar os gaps (lacuna de desempenho) de cada um dos colaboradores. Com base nisso, é possível então realizar o programa de desenvolvimento individual (PDI) dos colaboradores da empresa. Apesar do PDI ser individual, o treinamento costuma ser coletivo, agrupando profissionais com necessidades semelhantes para a aplicação do programa. TEMA 3: PLANEJAMENTO DO TREINAMENTO O planejamento de um treinamento geralmente se estabelece no que chamamos de programa de treinamento e desenvolvimento, que é um cronograma munido de elementos que buscam contribuir com a aprendizagem organizacional. Esses elementos podem ser diversos, desde que foquem na construção de conhecimento individual e organizacional dirigidos para os objetivos organizacionais. 8 Para iniciar o planejamento, é necessário estabelecer um prazo limite para o término e saber se a empresa possui orçamento disponível para o programa. Dependendo disso, é possível avaliar quais elementos incluir no programa de treinamento e desenvolvimento. Caso não haja, será necessário pensar no programa, se limitando aos recursos já existentes na própria organização (ministrante, espaço disponível, recursos áudio visuais, etc). Ao escolher trabalhar com recursos, a empresa deve considerar que existem custos de qualquer forma, mas esses custos estão incorporados no orçamento rotineiro da organização, por isso, são mais difíceis de serem notados. Por exemplo, ao contratar um treinamento com consultor externo, a empresa terá claro o valor do investimento. Se realizar o mesmo treinamento com a condução realizada por um gestor interno, o profissional envolvido emprega diversas horas da sua jornada de trabalho para se dedicar ao treinamento. Se reverter isso em valor financeiro, observa-se muitas vezes que o custo para desenvolvimento interno é mais alto do que o externo. A vantagem de trabalhar com instrutores internos é que o condutor consegue trabalhar com exemplos práticos da organização, além se já estar alinhado com a política da empresa. Por outro lado, quando conduzido por profissionais externos, vem presente uma visão de mercado diferente das práticas da organização, podendo assim contribuir com um novo olhar sobre o tema. Estabelecidos prazo e orçamento, é hora de escolher os temas do programa, com base nos dados do levantamento de necessidade de treinamento. Esses temas serão transmitidos pelos elementos selecionados, que podem ser criados ou escolhidos. Veja alguns exemplos: Treinamento presencial; Treinamento à distância; Treinamento em serviço (treinamento que ocorre no próprio posto do trabalho com o colaborador já em serviço); Rodízio (alternância de funções dentro da empresa para compreensão do todo); Dinâmicas; Incentivo à leitura; 9 Atividades de interação social (atividades com foco de integração); Vivências; Informes de utilidade (por exemplo, campanha de vacinação); Estágio; Visita Técnica; Reuniões Informativas; Encontros de disseminação de treinamento; Palestras (tanto internas quanto fora da organização); Workshop (tanto interno quanto fora da organização); Seminário (geralmente fora da organização); Congresso/conferência (fora da organização); Socialização Corporativa (integração entre colaboradores e políticas organizacionais). Esses elementos vão se encorpando conforme os temassão recebidos e se defina quem conduzirá o programa de treinamento. Depois de estabelecidos os elementos, datas e condutores, inicia-se um planejamento de ordem mais prática, por exemplo: Definição dos recursos audiovisuais que precisam estar disponíveis; Material de apoio; Convocação dos participantes; Reserva do espaço em que ele será ministrado; Intervalos e coffee break (para os elementos de maior duração); Certificado de participação; Deslocamento do ministrante (quando externo); Acompanhamento da aplicação dos elementos do programa; Crachá para os participantes; Formulário de avaliação (veremos mais no último tema dessa aula). Entre outras questões que, de alguma forma, possam interferir ou melhorar. O programa de treinamento pode ter muitas pessoas envolvidas, então, ter um controle que ajude a checar se tudo foi realizado é importante para evitar surpresas desagradáveis no meio do caminho. Geralmente, é o planejamento 10 que formata essa relação de ações para posterior conferência e acompanhamento. Em empresas de maior porte, os processos de planejamento e organização são específicos para esse fim e geralmente os elementos são conduzidos por terceiros. Em empresas de menor porte, o mais comum é que o planejador, organizador e ministrante seja o mesmo profissional. Nestes casos, planejar é mais importante ainda para dar conta do volume de atividades. Acesse o link https://www.youtube.com/watch?v=LOyX-vgdQGQ. De uma forma lúdica, o desenho propõe a tentativa de fazer sem planejar. O investimento de tempo e energia do personagem é grande, mas ele não consegue alcançar seu objetivo. Isso representa algo comum em processos que são realizados sem planejamento. TEMA 4: EXECUÇÃO- METODOLOGIA No nosso exemplo no começo da aula, João, o gestor de uma equipe de 4 profissionais, recebeu o desafio de desenvolver sua equipe de trabalho no prazo de 6 meses. Seu gestor demanda melhoria de resultados nesse prazo. Vamos supor que o gestor de João informou a ele que terá que fazer esse processo pelas próprias pernas, isto é, não terá orçamento para contratar especialistas para a realização do treinamento. Pelo que vimos até agora, poderíamos sugerir que João siga com as etapas propostas, responda os questionamentos relacionados e, com isso, ele já poderia então propor um programa de desenvolvimento para sua equipe. Mas ainda temos uma parte importante para estudar, que é como organizar e aplicar o treinamento com base em conceitos funcionais. Falaremos sobre isso nesse tema. Como organizar um treinamento para conduzi-lo? Já vimos o conceito de competência e a separação nos três campos de desenvolvimento do indivíduo (conhecimento, habilidades e atitudes). Nessa etapa, é importante ter claro quais os pontos de cada um desses aspectos que é preciso desenvolver. Uma das sugestões que facilita a visualização é expor os pontos levantados, já associando à necessidade de treinamento, ao campo e ao elemento selecionado para trabalhar o ponto em questão. Veja o modelo abaixo: Queixa LNT Campo Elemento Programa de Desenvolvimento 11 Os profissionais do comercial não conhecem muito bem o serviço oferecido. Treinar os profissionais do comercial em relação aos serviços ofertados. Conhecimento Treinamento sobre as especificações dos serviços com carga horária de 6 horas. Quando o cliente tem interesse em comprar, os profissionais não sabem como conduzir uma negociação. Treinar os profissionais para que desenvolvam a habilidade de negociação. Habilidade Realizar dinâmicas situacionais com introdução teórica com objetivo de treinar repetidas vezes o ato de negociar com carga horária de 10 horas, dividida em 5 dias distintos. Quando os clientes chegam, os profissionais do comercial não vão até ele, mas esperam o cliente vir. Desenvolver postura mais ativa em relação à recepção dos clientes. Atitude Aplicação de dinâmica de grupo para posterior feedback para conscientização da sua postura e fatores organizacionais que contribuem para a permanência dessa conduta. A sugestão é a aplicação de 2 dinâmicas ao longo dos 6 meses. No campo de conhecimento, os elementos selecionados devem sempre trabalhar a aquisição informações que, após internalizadas, serão conhecimento. É fundamental, nessa etapa, lembrar que pessoas captam as informações por meio de seus canais sensoriais, porém arquivam elas por meio de imagens mentais que podem ser conservadas em três diferentes formatos: 1. Imagens visuais: são as imagens que, na lembrança, trazem características visuais. Se você, nesse momento, lembrar de uma bola azul, provavelmente você resgate uma imagem visual, pois, na frase, está sendo referenciada uma cor, que é um elemento visual. 2. Imagens auditivas: lembre agora da sua música preferida. Mentalmente cantarole ela. Essa lembrança que veio é um exemplo de uma imagem auditiva. Ela trará, portanto, questões relacionadas a sons que você tenha conhecido ou imaginado. 3. Imagens sinestésicas: são aquelas que são sentidas, geralmente pelos canais do tato, paladar e olfato, como quando você se imagina dando um gole no vinagre, sentindo o cheiro de um perfume gostoso ou o sol de 35 graus na sua pele. As lembranças vêm em forma de uma imagem que chamamos de sinestésica. 12 Para facilitar o arquivo de informações, além de usar a linguagem, devemos complementar com o uso de elementos que facilitem a formação das imagens. Isso facilitará a aquisição de conhecimento. Algumas pessoas apresentam maior afinidade para a absorção do conhecimento quando eles são apresentados em um formato visual, auditivo ou sinestésico. Por isso, é recomendável sempre trabalhar com elementos variados para todos os conceitos, isto é, ensinar a mesma coisa incluindo os três elementos. Por exemplo, uma parte falada (auxiliará na formação de imagens auditivas), uma parte mostrada (auxiliará na formação de imagens visuais) e uma parte “sentida” ou vivenciada (auxiliará na formação de imagens sinestésicas). Para essa última, pode ser incluso qualquer meio que mobilize algum tipo de sentimento. Crie seus treinamentos fazendo uso de todas as formas para ampliar o aproveitamento de seus ouvintes. No campo da habilidade, temos dois artifícios que podem ser trabalhados por meio dos elementos do programa: 1. Incentivo ao uso e descoberta das habilidades: os elementos com esse objetivo devem incentivar que os participantes a experimentar coisas novas, podendo assim reconhecer novas possibilidades antes desconhecidas. Somos portadores de inúmeras capacidades que só serão reveladas se experimentadas. E esse é uma das possibilidades dessa fase. 2. Treino por repetição: é a escolha de elementos que proponham a repetição do uso de determinada habilidade para que seja uma atividade automática e, quando necessário de ser realizada, que seja feita com aptidão. No campo da atitude, as ações precisam adentrar mais no indivíduo, pois, para que haja mudança no comportamento, é necessário que haja um processo de reflexão do próprio indivíduo. Os elementos devem focar na devolutiva de percepções para que a pessoa se conscientizar de seus comportamentos e realinhá-los. Ao realizar um treinamento, o ministrante deve se preocupar em ser um trabalho dinâmico, pois precisa atrair a atenção de quem está participando. 13 TEMA 5: AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS Partindo do princípio que o programa de treinamento é organizado com foco em trabalhar o desenvolvimento dos colaboradorespara atingir os objetivos organizacionais, uma das primeiras formas de avaliar os resultados é acompanhar o progresso dos resultados da empresa. Alguns resultados quantitativos podem levar um tempo maior para aparecerem, então, é necessário também avaliar aqueles resultados que não são passíveis de mensuração, os chamados resultados qualitativos. Veja o texto escrito por Fátima Cristina Nobrega da Silva disponível no site www.rh.com.br: “As avaliações de treinamento e desenvolvimento de pessoas aplicadas pelos profissionais de RH têm estado focalizadas nos seguintes elementos: reação, aprendizado, comportamento e resultados – os elementos definidos por Kirkpatric. Há um tipo de avaliação que precisamos nos preocupar em desenvolver que é a avaliação do retorno dos investimentos feitos em um treinamento. As avaliações aplicadas têm sido avaliações do próprio treinamento e não do retorno que este treinamento teve para a organização. O que a organização ganhou com o treinamento feito? Quando a empresa decide oferecer um treinamento ou fornecer subsídios para o desenvolvimento contínuo de seus funcionários, esta tem objetivos específicos, como melhorar a performance empresarial, alavancar resultados para a empresa, aumentar as vendas, diminuir as perdas de matéria-prima na fabricação de um produto, entre muitos outros. O treinamento e o desenvolvimento de pessoas na empresa deve estar ligado a estes objetivos para que possamos avaliar o efetivo retorno do treinamento. Devemos definir indicadores baseados na missão, na visão de futuro e nos objetivos da empresa para que possamos assegurar que o investimento em treinamento e desenvolvimento de pessoas tenha um retorno efetivo para a organização. Estes indicadores devem ser avaliados a curto, médio e longo prazos para que possamos ter a visão holística do retorno do treinamento e para que possamos assegurar que as necessidades de treinamento e desenvolvimento estejam adequadamente atendidas”. 14 Fonte: http://www.rh.com.br/Portal/Desenvolvimento/Artigo/3433/avaliacao-de- treinamento-e-desenvolvimento-de-pessoas.html O texto nos ajuda a pensar sobre a temática em questão. Usando as classificações propostas por Donald Kirkpatric para os tipos de avaliações possíveis, vamos refletir um pouco mais sobre o tema. Avaliação de reação Nesta avaliação, o objetivo é conhecer a reação das partes envolvidas em relação a um determinado elemento do programa de treinamento e desenvolvimento ou ao próprio programa. Geralmente, as informações são coletadas com os participantes do treinamento e com outros colaboradores diretamente interessados no processo e que tiveram contato suficiente para avaliar uma série de pontos. Em regra, o modelo da avaliação é apresentado de forma estruturada e objetiva, em que os avaliadores atribuem uma nota para cada um dos itens avaliados. Além das questões objetivas, é deixado um espaço aberto destinado a críticas, elogios e sugestões. Os itens mais comuns nesse tipo de avaliação, são os seguintes: Avaliação do ministrante Avaliação do local Avaliação do material de apoio Avaliação dos recursos audiovisuais Avaliação da carga horária Avaliação do tema e aplicação prática Avaliação do coffee break Avaliação do aprendizado Essa avaliação visa a avaliar a construção do conhecimento individual. Isto é, quanto que cada indivíduo conseguiu absorver dos conteúdos expostos no treinamento ou no programa. Geralmente essa avaliação feita por meio da aplicação de testes de conhecimento. É comum que a mesma prova seja aplicada antes e depois do treinamento, sendo possível conferir o gap desenvolvido. 15 Avaliação do Comportamento A avaliação de desempenho é a ferramenta mais comum para a análise do comportamento. Ela não será necessariamente vinculada ao plano de desenvolvimento, mas contribuirá para a avaliação dos comportamentos. A forma mais utilizada para essa análise é a aplicação de ferramentas por competências. Isto é, os envolvidos no processo (gestores, o próprio colaborador, colegas e subordinados) podem contribuir com informações para essa análise. Uma das formas de coleta é a entrevista por competências, técnica em que o entrevistador solicita que o entrevistado realize relatos de situações recentes que aconteceram no ambiente de trabalho em que o avaliado protagonizou e, com base nesse relato, se observa os comportamentos. Avaliação dos Resultados A avaliação dos resultados é vinculada aos indicadores dos próprios setores e não ao treinamento propriamente dito. Supondo que um programa de treinamento foi elaborado com o objetivo de aumentar as vendas, o indicador de resultado, nesse caso, é o relacionado a vendas. Conforme vimos no texto descrito, a avaliação dos resultados é o que melhor mensura a efetividade do treinamento, pois está diretamente relacionada aos objetivos organizacionais. TROCANDO IDEIAS No filme Tropa de Elite, como plano de fundo do enredo principal, o personagem Capitão Nascimento assume a função de treinar uma equipe de choque. Os métodos escolhidos para o processo de treinamento demonstram uma relação munida de assédio e agressividade por parte dos ministrantes com os alunos e chegam a ferir os direitos humanos estabelecidos na Constituição. Avaliando o contexto das atividades que serão realizadas pelos alunos depois do treinamento e a periculosidade do ambiente de trabalho em que o grupo estará inserido quando assumir suas funções, em fórum, discutam as vantagens e desvantagens dos elementos propostos no programa de treinamento do filme. NA PRÁTICA Imagine que você é responsável por uma equipe comercial de 12 colaboradores. Por uma questão de estratégia corporativa, toda a equipe foi substituída recentemente, tendo a pessoa com mais tempo de empresa apenas 16 2 meses. Seu gestor pediu para que você ministrasse um treinamento de 4 horas para essa equipe, disponibilizando local e orçamento para o que fosse necessário. O gestor fez a solicitação, com o seguinte discurso: "Preciso que você prepare sua equipe. Eles conhecem pouco dos nossos produtos, não sabem sobre as técnicas de atendimento ao cliente, precisam melhorar a negociação e seria importante melhorar a postura e a abordagem.". Usando o conteúdo das aulas, desenhe um escopo do treinamento para propor para esse gestor. Em primeiro lugar, estabeleça quais são os temas que serão trabalhados. Como a situação relatada é hipotética, você não conseguirá realizar coleta para o processo de levantamento de necessidades, portanto, inicie a questão propondo alguns temas. Depois dos temas definidos, utilize as informações do tema 4 dessa aula para propor o escopo do treinamento. Uma dica que pode ajudar é: trabalhe com um tema central para cada 1 hora de treinamento. Em seguida, subdivida o tema central em 6 tópicos. Dessa forma, você terá que elaborar pequenos treinamentos de 10 minutos cada ao invés de um de 4 horas. Para cada tema central, opte por, pelo menos, uma atividade mais descontraída (ajuda a prender a atenção). Pode ser um pequeno vídeo, uma atividade mais dinâmica, a leitura de um texto ou outra questão (use a criatividade). FINALIZANDO É importante que todo gestor saiba como organizar um processo de treinamento, pois, mais cedo ou mais tarde, é uma demanda que acaba surgindo. Essa aula objetivou fazer um apanhado geral desse tema, dando referências e diretrizes de como levantar necessidades, planejar, executar e avaliar um treinamento. Se receber essa demanda, é fundamental que você se prepare para o processo. Nasprimeiras vezes, busque teorias já construídas e replique modelos já delineados. Desde que identificadas as fontes, contar com a base das teorias já construídas ajudam no repasse de informações já testadas. REFERÊNCIAS LOTZ, E.G.; GRAMMS, L.C. Gestão de Talentos. 1ª ed. Curitiba: Intersaberes, 2012. 17 CHIAVENATTO, Idalberto. Gestão de Pessoas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Campus, 2005. WALGER, C.; VIPIANA, L.; BARBOZA, M.M. Motivação e Satisfação no Trabalho. 1ª ed. Curitiba: Intersaberes, 2014. GESTÃO DE PESSOAS E TALENTOS AULA 4 Profa. Mariana Patitucci Bacellar 2 CONVERSA INICIAL Você já pensou como a avaliação de desempenho pode te ajudar pessoalmente e como gestor? Em aulas anteriores, tratamos sobre o grande desafio que é lidar com inúmeras pessoas com diferentes modos de pensar e de se comportar. Geralmente, as pessoas erram nas organizações, tentando acertar, e o motivo desse desvio é a falta de alinhamento entre empresa e empregado. A avaliação de desempenho é o método que melhor contribui para que haja entrega de cada colaborador de acordo com a expectativa da empresa. Quando bem conduzida, costuma ser recebida com bons olhos pelos envolvidos no processo. CONTEXTUALIZANDO Vamos conhecer a história de Paulo e de Jonas: Paulo é um profissional da área comercial, com 29 anos. Ao longo da sua caminhada, obteve vários sucessos em sua carreira, sendo referência por seu crescimento rápido. Sempre trabalhou em empresas de menor porte. Em função das características das empresas pelas quais passou, nunca precisou desenvolver o hábito de cumprir procedimentos. Seguir regras sempre foi um de seus pontos fracos, mas, até então, nunca havia atrapalhado em sua carreira. Aos 28 anos, Paulo recebeu um convite de uma empresa de grande porte para assumir um cargo de vendedor externo com uma remuneração três vezes maior do que a que recebia e com possibilidade de duplicar com as comissões de vendas. Sem hesitar, Paulo aceitou o convite. Avaliou que estava no momento de dar um passo importante e mais ousado, além de sentir-se bastante confiante em seu potencial e de ter vontade de fazer as coisas acontecerem. Passado um ano, porém, era evidente a insatisfação da empresa com o Paulo e de Paulo com sua carreira. Paulo refletia diariamente no que estava errando. O que fez sempre deu resultado e estava se dedicando arduamente para atender as expectativas da empresa, mas não conseguia acertar. Jonas, o gestor da equipe comercial, estava certo da capacidade de Paulo, reconhecia seus esforços, mas não conseguia encontrar formas de converter isso em resultados. Jonas tinha consciência que esse desafio era seu. Então, procurou gestores de outras áreas para compartilhar a situação. Um deles fez o seguinte comentário: “Jonas, se você percebe que o Paulo tem as 3 competências necessárias para atuar na sua equipe e tem força de vontade, talvez só esteja faltando alinhar algumas questões para sobrepor expectativa e realização. Por que você não realiza um processo de avaliação de desempenho para iniciar o processo de alinhamento?”. No dia seguinte, Jonas estava decidido que iria partir para o uso da ferramenta de avaliação de desempenho, mas não tinha ideia de como fazer. Essa aula trará elementos que ajudarão na compreensão do processo de avaliação de desempenho e dará diretrizes para o novo desafio de Jonas. TEMA 1- CONCEITOS BÁSICOS A avaliação de desempenho é uma ferramenta que compara as necessidades da empresa em relação a um determinado cargo com o desempenho do ocupante desse cargo. Seu objetivo central é o mapeamento de possíveis desencontros para realização de ações específicas para sobrepor expectativa e realização. Inicialmente, a ferramenta foi desenvolvida com a visão de que se deveria ajustar o indivíduo à organização. Isto é, as habilidades do colaborador não era um aspecto levado em conta, pois havia uma perspectiva de ajustamento das pessoas às necessidades organizacionais. Apesar desse modelo trazer contribuições para o alinhamento organizacional, ele era limitado, pois desconsiderava o fator subjetivo e comportamental dos indivíduos. Por exemplo, além do desejo de acertar, todo o indivíduo é portador de padrões de comportamentos enraizados que se revelam também na relação de trabalho. As primeiras propostas de avaliações de desempenho propunham a análise de questões objetivas focadas nas ações observáveis, como assiduidade, pontualidade, erros e acertos, simpatia e antipatia, não conformidades, etc. Desde o início, a ferramenta traz uma proposta de processo dividida em avaliação e devolutiva. Isto é, alguém avalia e depois expõe a avaliação ao avaliado, com a expectativa de mudanças nos pontos negativos e de manutenção das ações positivas. As alterações nos modelos organizacionais e a evolução das relações de trabalho também modificaram a avaliação de desempenho em uma proposta mais ampla e visivelmente mais funcional. A avaliação de desempenho contemporânea destaca-se por alterações, tanto na avaliação em si, quanto na 4 devolutiva, evoluindo no sentido de que seja um processo de transformação profissional e não somente uma conscientização da satisfação ou não da empresa com seus empregados. Os conceitos que vamos trabalhar se apropriam desse modelo atual. Apesar de ele se apresentar de forma mais complexa, é também mais eficaz. Em relação aos conceitos gerais, a avaliação de desempenho pode ser estudada por diferentes perspectivas, conforme segue: Quanto ao modelo/conteúdo; Quanto à amplitude; Quanto à Ferramenta/Pontuação; Quanto ao método de devolutiva. Em relação ao modelo, ele vai direcionar o conteúdo integrante na avaliação. O modelo mais comumente utilizado é a avaliação por competências, que compreende a análise da composição de conhecimentos, de habilidade e de atitudes para um parecer em relação ao avaliado. Esse modelo exige um mapeamento de competências prévio, que é particular de cada organização. A proposta central desse modelo é criar condições para que os avaliadores possam apontar o status do avaliado em relação ao que ele conhece, o que ele é capaz de fazer e o que efetivamente ele faz. A avaliação de desempenho por competência é uma ferramenta eficaz no processo de desenvolver pessoas, pois pretende captar a condição de aplicação prática do conjunto de conhecimentos e de habilidades do indivíduo e direcioná-lo a favor dos objetivos organizacionais. Outro modelo comum é a avaliação com foco em resultados. Para a organização, o profissional pode ser considerado com uma boa performance quando atende as competências exigidas, revertendo suas ações em resultados objetivamente mensuráveis. Para a utilização desse modelo, portanto, é necessário que a organização tenha condições de medir resultados. Geralmente essa avaliação é escolhida por empresas que já tenham uma gestão de indicadores implementada. Depois da seleção do modelo, é definida a amplitude da avaliação. Geralmente, essa etapa é realizada pela formação de um mapa de avaliação que deve conter todos os avaliados, bem como o apontamento de quem vai avaliar quem. A avaliação pode ser feita de forma mais simples, quando o gestor 5 avalia todos os membros da sua equipe, por exemplo. Uma prática habitualmente escolhida é a chamada Avaliação 360°. Neste caso, o empregado é avaliado por diversos níveis derelação dele dentro da empresa, por exemplo, gestor imediato, autoavaliação, par, alguém que faça interface setorial e subordinado. Isto é, um representante de todas as funções que o cercam participa do processo de análise, fazendo com que a avaliação seja bastante completa, mas também complexa. Esse método é mais trabalhoso por exigir critérios para a ponderação dos resultados. Algumas organizações optam por realizar modelos distintos por grupos de cargos ou optam por selecionar apenas alguns grupos para participar do processo. Todas essas questões são definidas nesse bloco. A ferramenta de avaliação é geralmente apresentada em forma de formulário para que os avaliadores possam fazer suas análises. O modelo por competências, por exemplo, propõe que os avaliadores recebam o máximo possível de referências em cada item a ser avaliado, de forma que cada competência seja “traduzida” por um conjunto de indicadores que relatam o que é competência para aquela organização. A sugestão de constar o detalhamento na ferramenta é uma forma de padronizar os conceitos. Para cada um dos itens avaliados, geralmente se propõe a classificação por níveis, conforme o exemplo abaixo: Assinale cada um dos indicadores abaixo com as alternativas de A a D, conforme critérios que seguem: A. Colaborador possui conhecimento e habilidade e geralmente tem iniciativa (atitude) para agir aplicando o que sabe. B. Colaborador possui conhecimento e habilidade, porém nem sempre tem iniciativa para fazê-lo. C. Colaborador possui conhecimento técnico e teórico, mas não tem habilidade para realizar o descrito no indicador. D. Colaborador não possui conhecimento sobre o tema relatado no indicador e não procura se capacitar ou melhorar (menor pontuação). 6 A pontuação é realizada com base nas alternativas selecionadas. A etapa da devolutiva é o momento em que o avaliado vai receber as informações sobre sua avaliação. Veremos as técnicas e modelos para essa etapa mais adiante. TEMA 2- TIPOS DE AVALIAÇÃO Já introduzimos esse tema no tópico anterior. Neste segundo tema, compreenderemos com mais detalhes o papel e a importância de cada tipo de avaliação. A classificação dos tipos de avaliação de desempenho está relacionada, geralmente, com a escolha dos avaliadores para cada avaliado. A avaliação pode ser realizada por diferentes posições de interface com o avaliado, conforme segue: Auto avaliação Quando falamos de mudança de comportamento, o processo de reflexão individual talvez se apresente como o tema de maior relevância para o processo de desenvolvimento. Nesse sentido, a autoavaliação se apresenta como grande aliada. É nesse momento que o colaborador se avalia, retomando momentos de acertos e erros e se forçando a explicitar seu conceito sobre si. Esse movimento faz com que haja, muitas vezes, conscientização de atitudes realizadas automaticamente e não percebidas de forma clara. Quando isso ocorre, temos a oportunidade de mudar, já que, no momento da ação, muitas vezes não nos damos conta claramente de nossas atitudes. A autoavaliação também serve como uma sensibilização sobre as expectativas organizacionais, sendo uma rica fonte de informação sobre as expectativas da empresa. Avaliação do gestor imediato Um dos principais papéis do líder é o processo de desenvolvimento da sua equipe. Entre todos os tipos de avaliação, esse é o que está presente em praticamente todos os processos. É o gestor que assume, geralmente, a responsabilidade de realizar a devolutiva com os colaboradores de sua equipe. Esse dever exige que a avaliação seja feita com um olhar mais aprofundado, já que é ela que dará a base para o feedback. Ao realizar uma avaliação, o gestor, inevitavelmente, terá a oportunidade de conhecer melhor os integrantes da sua 7 equipe e, dessa forma, fazer um melhor aproveitamento das competências disponíveis. Avaliação do Par O par de trabalho se refere a profissionais que possuem cargos equivalentes (sem relação hierárquica). Geralmente, são funções de relação direta na rotina diária, o que faz com seja uma avaliação muito rica de informações e exemplos. Os pares podem carregar vínculos pessoais em função da convivência próxima, portanto, é um tipo de avaliação que exige zelosa sensibilização dos avaliadores. É necessário que haja a compreensão da avaliação como impulsionador de desenvolvimento e não com outros fins. Quando existe essa compreensão e o par avaliador realiza uma análise com esse olhar, costuma-se ter uma avaliação munida de exemplos. Avaliação de interface setorial Consideramos como interface setorial profissionais que atuam na mesma empresa, porém, em setores distintos, independente do cargo ou posição ocupada. O que vai caracterizar esse tipo de avaliação é, principalmente, a relação direta de trabalho entre os profissionais. É essa avaliação que pode indicar como o profissional está em relação aos procedimentos cruzados (que envolvem mais de um setor) e pontos relacionados ao relacionamento interpessoal, empatia e comunicação. Nem todos os colaboradores têm relação direta com profissionais de outros setores, sendo mais complexo, muitas vezes, formar mapas que envolvam esse tipo de avaliação. Avaliação de subordinado Esse tipo é caracterizado quando o subordinado avalia seu gestor imediato. Esse modelo exige maturidade dos profissionais (tanto do avaliado quanto dos avaliadores), pois pode gerar desconfortos se a sensibilização não for realizada de forma adequada. Mesmo com um bom processo de sensibilização, para que a carga dos resultados da avaliação não seja dirigida aos subordinados, geralmente ela é usada apenas como parte de uma avaliação mais ampla, como no caso da avaliação 360° que veremos a seguir. De qualquer forma, ela costuma trazer contribuições importantes para o processo de desenvolvimento das lideranças da organização. 8 Avaliação de Cliente Quando a organização prima pela satisfação do cliente, esse é um tipo de avaliação utilizada com frequência. Geralmente, é aplicada por meio de um modelo de formulário distinto, que envolve questões relacionadas à satisfação do cliente e não às competências de desempenho. O objetivo da avaliação é compreender se o colaborador que faz interface com o cliente consegue satisfazê-lo. Avaliação de Comitê As empresas que habitualmente usam um modelo de gestão de decisões compartilhadas costumam optar por esse tipo de avaliação. Para tal, é constituído um comitê (com quatro a oito participantes) e esses profissionais, de forma conjunta, debatem sobre cada colaborador. Após o consenso, o formulário de avaliação é preenchido. Esse tipo de avaliação garante a sustentação de diferentes pontos de vista, possibilitando uma análise mais justa e real. Essa avaliação exige que os integrantes do comitê dediquem tempo considerável para a realização das avaliações. É comum, em organizações de grande porte, que haja diversos comitês que se responsabilizam por diferentes grupos de cargos para possibilitar a aplicação desse tipo de avaliação. Avaliação 360° A avaliação 360° propõe a realização de diversas avaliações para cada um dos avaliados, de forma que ele seja “cercado” por todos aqueles que, de alguma forma, fazem interface com ele. Esse modelo apresenta as vantagens e desvantagens de todos os tipos e, geralmente, tem resultados bem eficazes. O ponto negativo é a exigência de grande dedicação de carga horária para o processo. Avaliação 180° Esse modelo seleciona alguns tipos de avaliação, como a autoavaliação, a avaliação do gestor imediato ea do par. Não é tão completa como a 360°, mas já propõe uma visão mais ampla do profissional avaliado. 9 Para finalizar, é importante ressaltar que, quando a avaliação de desempenho serve como base de premiação de meritocracia, a autoavaliação tende a ter um peso de menor relevância para fins de pontuação. Dessa forma, garante-se que seus resultados não gerem impacto, fazendo com que ela seja feita de forma fidedigna. Um ponto importante para a seleção do tipo de avaliação é avaliar se a empresa consegue dedicar o tempo necessário para realizar com excelência o tipo escolhido. A avaliação 360°, por exemplo, exige uma dedicação de carga horária mais extensa de diversos colaboradores. Não adianta existir um bom processo desenhado, porém fazê-lo de qualquer jeito. A dedicação de tempo é fundamental para garantir essa premissa. TEMA 3- O PROCESSO DE AVALIAÇÃO A avaliação de desempenho deverá ser escolhida de acordo com os objetivos organizacionais e maturidade da organização. Como vimos no capítulo anterior, alguns tipos exigem mapeamentos prévios, alguns funcionam somente de forma conjunta com um modelo específico de gestão. Geralmente a avaliação de desempenho é implementada por um processo organizacional. O tipo da avaliação e metodologia geralmente são definidos pelo setor de Recursos Humanos. As demais áreas devem seguir as instruções e o cronograma proposto. O processo de avaliação de desempenho é caracterizado pelo fato de a empresa avaliar o empregado e dar retorno para ele sobre essa avaliação, direcionando aos objetivos organizacionais. Mesmo sem uma metodologia formal implementada é possível realizar esse processo. No relato do início da aula, falamos sobre Paulo e Jonas e o empasse de um bom profissional não estar atendendo as expectativas da empresa. A princípio, a demanda existe no setor comercial e, aparentemente, não há avaliação de desempenho implementada. Esse é um caso típico em que a realização do processo de avaliação fica a encargo do gestor. A sugestão, nesse caso, é seguir os princípios das etapas da avaliação de desempenho para chegar nos resultados desejados. A seguir, fica exposto a sugestão do que pode ser realizado. É importante lembrar que, nesse item, estamos considerando a implantação da avaliação de desempenho informal, dentro do setor comercial, e 10 não a implantação corporativa do processo. Neste caso, vamos explanar sobre os itens por esse prisma, considerando que o processo está sendo conduzido por um gestor, não por um especialista nas práticas de gestão do desempenho: Sensibilização A avaliação de desempenho pode mobilizar diversas fantasias errôneas, como passar a impressão de que servirá como base para um processo de demissão ou promoção em massa. Para que isso não ocorra, é necessário sensibilizar os participantes, revelando abertamente e de forma clara seus objetivos. Definição dos itens avaliados O gestor em questão percebe a necessidade de alinhamento de um colaborador que apresenta características que agradam e outras que não estão compatíveis com a organização. Umas das formas de mapear os itens avaliados é relacionar os pontos que agradam e não cada um dos colaboradores da equipe. Veja o exemplo abaixo: O que agrada: É pontual Atende o cliente com prioridade Cria um ambiente propício para negociação O que não agrada: Não elabora relatórios no prazo As reuniões internas não são prioridade Não realiza os procedimentos internos determinados Depois de relacionar uma extensa lista de pontos, a próxima etapa deve ser transformar essa relação em indicadores de competências. Geralmente, os itens que agradam podem ser mantidos na sua forma original e os que desagradam devem ser transformados em frases afirmativas e positivas. Veja: Indicadores: É pontual. Atende o cliente com prioridade. 11 Cria um ambiente propício para negociação. Elabora relatórios dentro dos prazos. Trata de reuniões internas como prioridade. Realiza os procedimentos internos determinados com zelo e preocupação. Pronto! Mesmo com esse breve exemplo, já temos seis indicadores de competência para serem analisados. Elaboração da ferramenta de avaliação A ferramenta de avaliação deve englobar todos os itens que o avaliador precisa destacar. Ela deve seu um guia para que nenhum ponto seja deixado de lado. No nosso exemplo, é possível que o gestor desenvolva um formulário apenas para uso próprio. De qualquer forma, indica-se que o faça. Veja o exemplo de um formulário de avaliação com indicadores exemplificados no item anterior: Nome do colaborador: Data de admissão: _____/_____/_____. Data da avaliação: _____/_____/_____. A B C D Assinale a alternativa de enquadramento do colaborador, conforme características que seguem: • D (menor pontuação) – Colaborador não possui conhecimento sobre o tema relatado no indicador e não procura se capacitar ou melhorar. • C – Colaborador possui conhecimento técnico e teórico, mas não tem habilidade para realizar o descrito no indicador. • B – Colaborador possui conhecimento e habilidade, porém nem sempre tem iniciativa para fazê-lo. • A – Colaborador possui conhecimento e habilidade e geralmente tem iniciativa (atitude) para agir aplicando o que sabe. Realiza os procedimentos internos determinados com zelo e preocupação. É pontual. Atende o cliente com prioridade. Elabora relatórios dentro dos prazos. Indicadores Cria um ambiente propício para negociação. Trata de reuniões internas como prioridade. Avaliação A avaliação é o momento em que o avaliador vai se debruçar e refletir sobre o ciclo de ações do colaborador. Neste momento, ele precisa ter em mente 12 que seu objetivo é contribuir com o desenvolvimento do colaborador, portanto é necessário que seja justo nas suas análises. Devolutiva Esse é o momento da conversa entre avaliador (gestor) e avaliado. Essa é a principal oportunidade de desenvolvimento, e o espaço que deve ser dedicado exclusivamente para focar no desenvolvimento do colaborador. Já que o nosso gestor realizará todas as etapas para auxiliar o processo de desenvolvimento de um de seus vendedores, indica-se que aproveite para aplicá-lo em toda a equipe. O tipo de avaliação dependerá de uma série de questões. O importante é compreender que, independente do porte ou da implementação formal da avaliação de desempenho, é possível aplicar os princípios do processo. TEMA 4- FEEDBACK: SUA IMPORTÂNCIA A avaliação de desempenho será pouco eficaz se a devolutiva ou feedback não ocorrer para os profissionais avaliados. Como já vimos, a principal função dessa prática é o processo de desenvolvimento. Para falar da importância do feedback, emprestaremos os conceitos do modelo de competência já citado em aulas anteriores. Todo indivíduo se forma gradativamente no seu trajeto de vida e, acompanhando essa formação, assume alguns padrões de comportamento que lhe acompanham em todos os seus aspectos de vida, inclusive no trabalho. Além do desenvolvimento e das necessidades físicas naturais, que expõem o indivíduo à necessidade de aprendizado contínuo, o ambiente social em que o indivíduo se insere também exige adaptações contínuas. Usando a proposta da gestão por competência, podemos separar essas mudanças em três diferentes níveis: a do conhecimento, a da habilidade e a da atitude (usaremos esses conceitos mais adiante). Cada indivíduo tem suas particularidades na sua forma de pensar e agir. A essa formação exclusiva chamamos subjetividade humana. A formaçãose dá pela interação das pessoas com o meio em que ela está inserida. Sabemos que a família ou o ambiente que o indivíduo se encontra durante sua infância traz os primeiros ensinamentos dos conceitos e valores, 13 fazendo do indivíduo um ser social. Isto é, ele aprende regras compartilhadas e, com isso, o conceito de poder e não poder, de certo e errado, de fazer ou não fazer, de acordo com essas normas. Com isso, deixa de estar sujeito somente aos seus desejos, necessitando discernir o que é ou não aceito no meio que ele está incluso. A formação da chamada subjetividade se dá de forma diferente para cada pessoa, pois é sujeita a três fatores essenciais: Desenvolvimento fisiológico Necessidades que o organismo gera para o indivíduo. Por exemplo, uma pessoa que tem dificuldade de enxergar precisa lidar com essa questão e se adaptar a esse cenário. Aprendizagem cognitiva Diversos conceitos são “ensinados” no decorrer de nossas vidas. Seja por meio de exemplos, seja pelo discurso, vamos aprendendo o conceito das coisas no decorrer de nossa existência. Experiências Mesmo com o conceito aprendido, nossas experiências podem mostrar algo diferente. Suponha que alguém ouviu a vida inteira que abelhas não picam. Ou melhor, que picam somente se pisarmos nela. Repetiu isso durante anos e nunca sentiu medo. Certo dia, uma abelha pousou em sua mão e a picou. A experiência lhe mostra algo diferente daquilo que tinha convicção cognitiva (por experiência). O cruzamento desses fatores traz uma possibilidade infinita de subjetivos e, no ambiente profissional, encontraremos pessoas com diferentes formas de pensar e agir. O modelo de cada um é enraizado e, para mudá-lo, temos que fazer um trabalho contínuo de reconstrução de saberes. Já é comprovado que pessoas têm a capacidade de reconstruir seus conhecimentos, treinar habilidades e alterar suas atitudes, porém, para isso, é necessário ter a participação ativa do indivíduo nesse processo. O processo de feedback deve ser um primeiro convite para a mudança do indivíduo. Na relação de trabalho, os empregados emprestam suas competências para as empresas para que, por meio delas, a organização alcance seus objetivos. A empresa tem 14 a necessidade de alteração de comportamento por parte de seus empregados, mas a escolha de mudar ou não será dos indivíduos. O principal objetivo do feedback é sensibilizar o indivíduo sobre outras formas de fazer as coisas, portanto se propõe uma mudança em seu modo de pensar. Mais do que isso, é o momento que o gestor apresenta o colaborador para ele mesmo, apresentando hábitos de comportamento que estão tão enraizados que ele não percebe que os tem. Quando falamos da importância do feedback, temos que compreender que ele é a abertura do canal de comunicação da empresa com seus empregados e que é por esse canal que a empresa aborda a discordância sobre o jeito da pessoa fazer as coisas, propondo o seu próprio modelo. É importante perceber a delicadeza desse momento, que trará uma proposta de avanço por um caminho novo e desconhecido. Para facilitar, a proposta de desenvolvimento pode ser dividida em três aspectos: conhecimento, habilidades e atitudes. Nos pontos relacionados ao conhecimento, o foco é a inclusão de novos conhecimentos ou reconstrução dos existentes. Esse é uma abordagem mais fácil e objetiva. Não se propõe, necessariamente, a mudança, mas sim o acréscimo. A habilidade é algo que pode ser desenvolvida por meio do treino, da repetição. O que é proposto nessa temática é esforço. As pessoas precisam estar dispostas a se esforçar, o que significa abrir mão de outras coisas ou ter uma carga maior para a realização da proposta. O último e mais delicado aspecto é a atitude. Quando falamos de atitude, propomos a mudança nos conceitos mais aprofundados da pessoa, que é exatamente o que rege seus comportamentos. Para compreender melhor, imagine o vendedor Antônio ouviu, a vida inteira, seus pais falarem que “o importante no trabalho é a ação”, que “as empresas são burocráticas” e que é “um absurdo alguém que é bom no que faz ser julgado, simplesmente, porque não apresenta um relatório”. Suponha que esse vendedor ouve do seu gestor que ele precisa entregar os relatórios no prazo, caso contrário, não permanecerá na empresa. O mesmo gestor 15 complementa: “Antônio, não adianta ser bom na prática e não fazer o serviço interno”. Nesse momento, existe um “choque” de conceitos. É provável que a convicção dos pais de Antônio venha à tona e que os pais de Antônio tenham um peso maior em sua vida do que seu gestor. A proposta de mudança de comportamento e de pensar, nesse sentido, precisa ser feita respeitado as concepções originais. TEMA 5- TÉCNICAS DE FEEDBACK Neste tema, vamos tratar de algumas técnicas e dicas que podem ajudar no processo de feedback. Como já vimos, esse processo exige preparo que para que seja funcional. Nosso foco agora é fornecer informações que podem deixar o processo mais sistematizado. Feedback, no processo de avaliação de desempenho, pode ser representado pelo momento em que o indivíduo recebe a devolutiva em relação ao seu desempenho durante determinado ciclo. Nesse modelo, o gestor relata os pontos de destaque e pontos que necessitam de melhoria, procurando conscientizar o avaliado sobre suas ações. Atualmente, o conceito de feedback tem sido substituído pelo feedforward: processo que, além de trazer para consciência os pontos relevantes, o gestor traz propostas de ações práticas compatíveis às competências do colaborador em questão. O momento do feedback ou feedfoward pode ser dividido em seis partes, podendo ou não seguir essa ordem. A primeira parte é a coleta da opinião do colaborador sobre ele na empresa. Essa é uma forma simpática de deixar o ambiente menos tenso. Ajuda avaliador e avaliado a introduzir o tema. A pergunta pode ser no sentido profissional e pessoal também, por exemplo: “me conte como está seu momento de vida e o que o trabalho está representando para você nesse momento”. Após a escuta da resposta do colaborador, próxima etapa pode ser o repasse das informações dos pontos de destaque do colaborador. É importante lembrar que a análise do colaborador deve ser do ciclo em questão e não somente da última semana ou mês. É importante contar os comportamentos que agradam, destacar conhecimentos adquiridos que interferem no trabalho e trazer 16 a percepção sobre as habilidades desenvolvidas. Todas essas questões devem ser exemplificadas com acontecimentos reais e não postas de forma genérica. A terceira etapa pode introduzir os pontos de desenvolvimento, apontando aquilo que foi percebido como negativo no ciclo. Para melhor compreensão, é necessário que exemplos sejam citados. Apesar de parecer a parte mais delicada, é comumente a mais esperada pelo avaliado. Ela deve ser tratada com calma e naturalidade e dar espaço para o colaborador concordar ou discordar sobre o que está sendo colocado. A quarta etapa é uma continuidade da terceira e pode ser feita paralelamente. Além do destaque nos pontos não atendidos ou interpretados como desalinhados, o gestor já deve sugerir o que o colaborador pode fazer para ser melhor avaliado. Nesse momento é que se tem a tentativa de realinhamento organizacional. É importante pensar que o colaborador, muitas vezes, se esforçou para fazer o melhor e se mesmo assim não conseguiu, é necessário dar diretrizes do que é o “melhor” para a organização. A quinta etapa pode ser aproveitada para especular as intenções de promoções e até para introduzir possiblidadede demissões. Caso não haja planos de movimentações, isso deve ser explicitado. A última etapa é contínua, que é o acompanhamento. Ela não deve ser pontual e planejada como as demais, mas pode ser realizada sempre que houver repetição de um padrão negativo ou destaque de algum comportamento. Caso haja limitação de tempo para a realização do feedback, isso deve ser informado no início da conversa, por exemplo: “temos 1 hora para conversar sobre você, portanto, tentarei ser objetivo”. Algo comum de acontecer é que o colaborador comece a falar da empresa, de um colega que incomoda ou até do gestor que está fazendo a devolutiva. Nesse momento, é importante pontuar que a proposta da conversa não é essa e retomar ao objetivo original. Outro ponto fundamental é que o sigilo das informações tratadas no feedback deve ser preservado. Essa atitude fortalece a relação de confiança e valoriza o processo. Para finalizar o tema, a revista Harvard Business Review publicou, em abril de 2013, o artigo Liderança, feedback e motivação, de autoria de Renato Grinberg. No artigo, o autor sugere alguns cuidados no momento do feedback. 17 O artigo está disponível no link: http://hbrbr.uol.com.br/lideranca-feedback-e- motivacao/ Grinberg (2013) faz as seguintes recomendações: Nunca comente muitas questões em uma sessão de feedback. Ou seja, aqueles formulários padrão que pedem para você avaliar o funcionário em 1 milhão de quesitos só funcionam para cumprir tabela, pois a pessoa sai da sessão com uma série de “pontos de desenvolvimento” e simplesmente não consegue focar em nada. O resultado é quase sempre inócuo. Ao invés disso, separe um ou dois pontos fundamentais de desenvolvimento e se aprofunde nesses temas. Lembre-se de uma frase dos músicos de Jazz: “menos é mais”. Não realize outras atividades enquanto estiver dando o feedback, como ver seu e-mail, atender o telefone ou outras distrações, pois, ao fazer isso, a pessoa se sentirá desrespeitada. Parece óbvio, mas acontece o tempo todo. Encare a sessão de feedback como aquele momento de atenção totalmente focado na pessoa que está com você. Não tenha medo de dar feedback negativo. Uma pesquisa conduzida por Ayelet Fishbach, da University of Chicago, e Stacey R. Finkelstein, da Columbia University, comprovou que as pessoas realmente ficam mais motivadas para persistir em um objetivo depois de terem recebido feedback, mas revelou que isso ocorre tanto para o feedback positivo quanto para o negativo. A questão fundamental aqui não é só o conteúdo, mas também a forma com que esse feedback negativo é passado. E talvez, mais importante ainda, é se lembrar de que críticas devem ser feitas de maneira privada. (GRINBERG, Renato. Liderança, feedback e motivação. Harvard Business Review. Abril de 2013). TROCANDO IDEIAS Os atores Matt Damon e Ben Affleck escreveram e estrelaram o filme Gênio Indomável, drama que conta a história do rebelde Will Hunting (interpretado por Damon). Hunting é um garoto dotado de grande inteligência, mas que vive se metendo em encrenca. Sem família e com pouca educação formal, ele devora livros, mas guarda tudo que aprende para si e procura empregos que dispensam qualificação. Um professor do MIT descobre que Will é um gênio e quer o garoto em sua equipe de matemática, mas, como Will tem problemas com a polícia, é preciso fazer um acordo com a justiça. São impostas duas condições: ele tem que trabalhar com o professor e fazer terapia. Sean McGuire (Robin Willians) é o terapeuta chamado para domar o difícil temperamento do rapaz. Ambos são igualmente teimosos, mas surge uma amizade que convence Will a encarar seu passado e seu futuro. Nesse filme, podemos verificar a mudança de comportamento de Hunting, resultado de diversos feedbacks. Assista ao filme e apresente seu posicionamento sobre os pontos que mobilizam a mudança de comportamento do personagem principal. 18 NA PRÁTICA A empresa Tucotique está no mercado há 5 anos. Ela teve um crescimento rápido e atualmente está com 150 colaboradores. Nunca teve um processo formal de análise de desempenho dos colaboradores, porém está percebendo a necessidade. Cerca de 100 profissionais (65% da equipe) estão na equipe comercial e, em função dessa proporção, o gestor dessa equipe recebeu a demanda de implantar a ferramenta de avaliação de desempenho no seu setor. Apesar de nunca ter feito isso antes, o gestor teve que criar todo o processo. Caso você fosse esse gestor e com base do que vimos nas aulas, faça: 1) Realize a leitura do caso. 2) Defina as etapas para implementação da avaliação de desempenho, contendo: Proposta de sensibilização Tipo de avaliação Ferramenta de avaliação Cronograma de aplicação da avaliação e feedback 3) Essa aula pode te ajudar nas etapas de elaboração da atividade prática. 4) Apresentação da solução do problema No relato, observa-se que o responsável pela empresa não tem experiência em implementação de avaliação de desempenho. Essa aula traz o detalhamento de uma situação semelhante e suas etapas podem ser seguidas para a resolução desse problema. FINALIZANDO O objetivo dessa aula foi fazer um apanhado geral de todas as etapas que compõe o processo de avaliação de desempenho. É importante que tenha sido compreendido que o principal objetivo dessa ferramenta é o processo de desenvolvimento dos colaboradores, no sentido de conduzi-los a incrementar seus conhecimentos, habilidades e atitudes de acordo com as necessidades do cargo e da organização. Como foi possível notar, o processo não é complexo, mas exige alguns cuidados para que seja eficaz. 19 REFERÊNCIAS LOTZ, E.G.; GRAMMS, L.C. Gestão de Talentos. 1ª ed. Curitiba: Intersaberes, 2012. CHIAVENATTO, Idalberto. Gestão de Pessoas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Campus, 2005. WALGER, C.; VIPIANA, L.; BARBOZA, M.M. Motivação e Satisfação no Trabalho. 1ª ed. Curitiba: Intersaberes, 2014 GESTÃO DE PESSOAS E TALENTOS AULA 5 Profa. Mariana Patitucci Bacellar 2 CONVERSA INICIAL Olá! A relação entre empresa e empregados é regida por um contrato de trabalho em que existe um compromisso de troca estabelecido. Por um lado, o colaborador disponibiliza sua força de trabalho em um horário pré-estabelecido, e por outro, a organização oferece uma contraprestação em dinheiro, que é o que chamamos de salário. Chamamos de cargo, o conjunto de atribuições que o empregado se responsabiliza em troca desse montante que receberá. Considerando que o objeto do contrato de trabalho é exatamente a troca que envolve cargo e salário, podemos afirmar que, possivelmente, esse seja o tema que mais ocupa a atenção dos gestores e equipes, em especial pelo fato de ter inúmeros desdobramentos. CONTEXTUALIZANDO A empresa Manda S/A é uma empresa de origem italiana que fabrica pequenos motores e tem uma unidade fabril no Brasil desde 2010. Pelo sucesso do produto no país, a fábrica atualmente conta com 500 colaboradores, além de 250 profissionais no administrativo. Porém, nos últimos dois anos, próximo à data base (período em que ocorre o reajuste coletivo dos salários e demais direitos), os funcionários têm reivindicado a implantação de um Plano de Cargos e Salários. No último ano, houve rumores, inclusive, de parar a fábrica com uma greve, caso não houvesse o compromisso da empresa de realizar a implantação deste plano. O último dissídio encerrou com a conquista, pelo sindicato, de um reajuste com percentual superior ao índice da inflação.Porém, prevendo uma possível mobilização para a próxima data base, a empresa optou por contratar um consultor para realizar a implantação do Plano de Cargos e Salários. Antes de iniciar a implantação, ocorreu o seguinte diálogo entre o consultor contratado e o diretor executivo da Manda S/A: Consultor: Quais são os objetivos da implantação do Plano de Cargos? Diretor Executivo: Queremos evitar a paralização da fábrica, já que essa é a principal ameaça dos empregados. Consultor: Qual a expectativa dos empregados com o Plano de Cargos e Salários? Diretor Executivo: Ter garantia de crescimento acelerado dentro da empresa e políticas de remuneração mais agressivas. 3 Consultor: Qual a expectativa da empresa com o Plano de Cargos e Salários? Diretor Executivo: Contemplar as reinvindicações dos empregados para evitar que os empregados realizem greves, garantindo assim a solidez da empresa. Depois de ouvir essas breves respostas do diretor executivo, o consultor sentiu uma preocupação, pois observou que os objetivos relatados pelo diretor possivelmente não seriam alcançados. Na aula de hoje, vamos trabalhar os temas relacionados a cargos, salários e carreiras que nos ajudem a compreender a preocupação do consultor contratado pela Manda S/A. A relevância desse tema se dá em função da representatividade dos custos com pessoal em uma empresa. Cargos, salários e carreira devem ser vistos como um dos pilares centrais do planejamento estratégico, pois uma política de remuneração e crescimento inadequados podem, a médio e longo prazo, comprometer a saúde financeira de um setor ou até da organização. No link https://www.youtube.com/watch?v=NV3axrrOU8k você pode observar uma explicação ilustrada de alguns conceitos básicos relacionados a plano de cargos e salários. TEMA 1 – GESTÃO DE CARGOS E SALÁRIOS A partir do momento em que a empresa está constituída e tem funcionários, independente do seguimento ou do porte, ela já apresenta algum tipo de gestão de cargos e salários. Muitas vezes essa gestão é pouco apropriada e exige uma série de ajustes. Geralmente as políticas de remuneração iniciam sem uma estrutura planejada, gerando uma série de desiquilíbrios que vão desde uma folha de pagamento com custos elevados até sensação de injustiça por parte dos funcionários ao compararem salários de outros cargos da empresa ou do mercado. Para facilitar o processo de gerir cargos e salários, as empresas fazem uso de uma série de ferramentas como tabelas salariais, pesquisa de mercado, análise de cargos, descrição de cargos, entre outros, que auxiliam no planejamento e projeções. A gestão de cargos e salários deve sempre ser vista por dois prismas: o da organização e o do indivíduo. Para as pessoas, um plano de cargos e salários deve garantir equilíbrio da sua remuneração com conjunto de atividades realizadas, bem como ser compatível com outros critérios utilizados para a 4 remuneração de outros cargos da organização, além de garantir equilíbrio com o mercado externo. Para a empresa, ele deve garantir a possibilidade de visualização dos custos da folha de pagamento a curto, médio e longo prazo. Para que as duas expectativas (da organização e dos indivíduos) sejam atendidas é necessário seguir algumas etapas, sobre as quais vamos explanar. Sempre que houver proposta de mudança nas políticas de cargos e salários, a equipe precisa ser sensibilizada em relação ao tema. E esse é o primeiro passo. É preciso esclarecer os objetivos e informar aos envolvidos o que deve ocorrer no processo de mudança, e quais os objetivos. Caso esses pontos não sejam esclarecidos pela empresa, pode gerar a expectativas erradas, como a de aumentos salariais homéricos ou o receio de demissões. A melhor forma de evitar suposições incorretas é que a comunicação parta da própria organização. A primeira etapa então, deve ser a formação de um comitê de cargos e salários, que se responsabilizará pela construção e validação da política, bem como se encarregará pelo processo de repasse de informações para a equipe. A estruturação de uma política de cargos e salários inicia, geralmente, com a análise e descrição de cargos. Esse processo garante a reflexão do conjunto de atividades e requisitos de cada um dos cargos, além de promover a padronização e organização das informações inerentes a cada cargo. A empresa deve adotar um modelo para a descrição de todas as funções e explicitar nesse documento seus requisitos obrigatórios, bem como descrever as atividades e tarefas, tanto de forma sumária, quanto detalhada. Um ponto importante é que deve constar o que o ocupante do cargo realiza e não como; este poderá constar em outros documentos, como procedimentos internos, que não fazem parte do escopo da gestão de cargos e salários. O próximo passo é coletar informações que contribuam para a base de uma estrutura salarial definida, que geralmente é apresentada por meio de uma tabela salarial. Para essa etapa são necessários dois processos que podem acontecer paralelamente: análise do mercado externo e análise do mercado interno. Análise do mercado externo A análise de mercado externo é a coleta de informações sobre as práticas de mercado de empresas de porte e segmento similares, para fins de 5 comparação, o que permite a classificação das políticas da empresa. A organização que não está enquadrada do mercado está sujeita a dois fenômenos: Ter práticas salariais abaixo do mercado: empresas com essa característica acabam se posicionando como um “centro de treinamento” do mercado. Isto é, os profissionais são contratados e qualificados, e quando conhecem bem as atividades, estarão com sua empregabilidade aumentada, e acabam recebendo do mercado propostas salariais mais atrativas. Dessa forma, tem grande probabilidade de irem trabalhar para a concorrência. Ter práticas salariais acima do mercado: apesar dessa prática atrair pessoas, a empresa costuma ser menos competitivas no preço dos seus serviços e produtos. Isto é, a folha de pagamento mais onerosa que a dos concorrentes reflete em custos mais elevados para o cliente. Apesar da menor rotatividade de colaboradores, o fluxo de vendas tende a ser menor também. As empresas podem optar por utilizar uma dessas estratégias, porém, é importante que seja uma escolha consciente para que os reflexos negativos sejam compensados ou eliminados. Entretanto, as empresas que não realizam análise de mercado externo podem estar em uma dessas situações sem realizar ações que minimizem os impactos. Análise do mercado interno A análise de mercado interno é o processo de avaliação dos cargos internos da empresa. Isso inclui definir critérios que permitam, por comparação, classificar o valor dos cargos. Existem diversas metodologias que ajudam no processo objetivo de pontuação de cargos, permitindo sua visualização racional. Não ter critérios internos ou ter fatores obscuros pode causar sensações de injustiça e de percepção de valorização por preferências pessoais dos gestores, e não por meritocracia, e que é um fator que pode elevar a insatisfação, como veremos mais adiante. É o cruzamento dessas informações que deve dar a base de uma estrutura salarial quando existe uma composição formal. Na ausência de um 6 procedimento protocolar para a formação de uma estrutura, as informações devem ser aplicadas nas escolhas individuais dos cargos e salários da empresa. Por vezes, as pessoas têm a sensação de que empresas que apresentam um plano de cargos e salários estruturadofornece garantia de evolução de carreira aos seus colaboradores. Essa não é uma premissa verdadeira, pois este tipo de gestão não deve garantir a ascensão em uma carreira. O modelo deve também contemplar o esforço humano como elemento de mérito para o crescimento. Caso contrário, os empregados ficam em uma zona de conforto, tendendo a diminuir a aplicação da sua capacidade produtiva em prol da organização. A carreira deve ser percebida como um terceiro tema a ser trabalhado, além de cargos e salários – tema este a ser tratado mais adiante. TEMA 2 – GESTÃO PREVENTIVA A gestão preventiva de cargos e salários deve considerar que decisões a respeito dessas práticas terão impactos financeiros consideráveis para a empresa. Imagine uma empresa que tem uma rotatividade abaixo de 1% ao mês, e já tem o reajuste salarial obrigatório da data base que geralmente é compatível com a inflação. A prática do segmento dessa organização também é o de reajustar o valor dos produtos e/ou serviços de acordo com o índice da inflação. Suponha que essa empresa definiu na sua política de remuneração que os colaboradores têm um aumento salarial automático de 2,5% a cada aniversário de empresa. Também incluiu na sua política que a cada 12 meses terá uma avaliação de desempenho e todos os colaboradores que apresentarem desempenho dentro do esperado, terão aumento automático de 2,5% sob seu salário. Esse é um exemplo típico de uma política que pode estar comprometida a médio prazo. Como a rotatividade da empresa em questão é baixa, esta vai aumentar sua folha de pagamento com o índice de inflação – comumente de ser aplicado na data base – somado a 5% das regras de progressão automáticas. Isto é, os custos de pessoal aumentam 5% a mais do que o faturamento. A médio e longo prazo, a saúde financeira da empresa entrará em colapso. O gráfico a seguir representa esse modelo. 7 Gráfico 1: Representação de política de cargos e salários equivocada Chegará um momento em que os custos com a folha de pagamento serão equivalentes ao próprio valor de faturamento. Contudo, a saúde financeira da empresa estará comprometida bem antes disso, quando o orçamento disponível passa a ser utilizado integralmente com os custos com o pessoal, não tendo mais reserva destinada a outros gastos, e menos ainda para o lucro. Uma política de cargos e salários bem estruturada deve avaliar preventivamente cenários futuros. Algumas empresas ou gestores focam em atender o desejo dos colaboradores, porém, sem se preocupar com a sustentabilidade da empresa. A gestão preventiva também deve estar presente no relacionamento de rotina entre empresa e empregados. Nesta relação, os gestores são os representantes oficiais da organização. São eles os responsáveis pelas decisões do dia a dia e consequentemente, podem deixar a empresa mais ou menos exposta a riscos. Relembrando a história das organizações, a relação de prestação de serviços inicia no Brasil com um modelo de escravidão no qual que aquele que servia tinha deveres, porém, não tinha direitos. Após a abolição da escravatura, as relações de trabalho começaram a se constituir efetivamente no Brasil, porém, com heranças do modelo de escravidão, considerando que o poder permanecia exclusivamente com o empregador. A Escola das Relações Humanas inicia um olhar para os indivíduos e propõe algumas iniciativas que valorizam um pouco mais as pessoas. O fortalecimento dos movimentos sindicais e a reivindicação dos indivíduos por melhores condições de trabalho ganham força no mundo, exigindo regulamentação de direitos para os empregados, e deveres para as empresas. O ordenamento jurídico gradativamente se adapta ao novo modelo de relação instaurado em que as duas partes (empresas e empregados) têm 8 direitos e deveres. Com isso, os gestores passam a assumir a função de garantir que a empresa realize seus deveres. Caso contrário, a organização se expõe ao risco de ser acionada judicialmente para o cumprimento da legislação. A gestão preventiva de rotina é a aplicação de ações que garantam o que a lei exige. Cargos e salários são alvos de reivindicações onerosas em reclamatórias trabalhistas, já que, nem sempre, as políticas são estruturadas atendendo a todas as determinações legais. Alguns exemplos podem ser citados: Pessoas que exercem a mesma atividade na mesma localidade devem ter o mesmo salário. Não ocorrendo isso, o de salário mais baixo pode solicitar equiparação salarial com aquele de salário mais alto; Profissionais que exercem cargo de gestão/confiança podem se isentar do registro de jornada de trabalho. O cargo de confiança será caracterizado pelo pagamento de aditivo de 40% do salário de registro; O profissional que exerce atividades de mais de um cargo, deve receber um aditivo por acúmulo de funções; O profissional que trabalha a maior parte do tempo com telefone e digitação enquadra-se na NR 17 do Ministério do Trabalho, devendo realizar jornada semanal máxima de 36 horas semanais. Cada uma dessas determinações legais, se não seguidas, expõe a empresa a desembolso futuro. A realização de gestão de cargos e salários deve incluir a reflexão desses pontos no dia a dia. Não é necessário ter uma política salarial estruturada para que esses pontos sejam garantidos. Mas é necessário que a organização esteja preparada para o acolhimento e encaminhamento dessas demandas. TEMA 3 – REMUNERAÇÃO E MOTIVAÇÃO Imagine a seguinte situação: Pedro trabalha em uma empresa de pequeno porte há 5 anos. Desde o início do seu contrato de trabalho, mostra-se motivado. Conta com empolgação sobre as atividades que realiza, elogia o ambiente de trabalho agradável e sempre se sentiu satisfeito com a política de remuneração da empresa. Tem ciência de que ao longo desses 5 anos a empresa contribuiu para uma série de realizações pessoais. Há 6 meses Pedro resolveu ousar. Fez um financiamento para comprar uma casa na praia. Inicialmente, este parecia caber em seu orçamento, porém descobriu que além 9 da parcela assumida, existiam outros custos de manutenção não planejados. Dessa forma, percebeu que a remuneração que tinha não era suficiente como antes. Sem perceber, seu discurso em relação ao trabalho começou a mudar. Passou a dizer que a empresa não reconhece o seu trabalho como deveria, e que a empresa deveria ter políticas salariais mais agressivas. Esse é um exemplo comum de acontecer. A satisfação e motivação no trabalho é alcançada por um conjunto de elementos, entre eles, o quanto que a política de remuneração atende à necessidade de consumo do colaborador. Esse é um tema delicado, pois na teoria, o indivíduo deveria comprometer aquilo que está certo de que tem para receber. No entanto, no exemplo de Pedro, isso ocorre de forma diferente. Em vez de aumentar o consumo de acordo com sua capacidade financeira, o rapaz deseja aumentar a capacidade financeira em função do consumo já realizado. A pressão por melhores salários pode ter essa origem. E, conforme visto nos temas anteriores, a empresa precisa ser cuidadosa em ceder a essas reivindicações para não comprometer seu orçamento a médio e longo prazo. Vem a pergunta então: o que a empresa pode fazer para lidar com esse impasse? O ingresso das pessoas no mercado de trabalho, em um país capitalista, está diretamente relacionado ao consumo. Nesse modelo, existe uma moeda de troca intermediária (dinheiro ou o representante dele), que é necessária para se obter as coisas. A opção pelo trabalho, geralmente, tem origem na necessidade ou interesse em consumir. Existemoutros diversos motivos que levam o indivíduo à iniciação laboral: raízes culturais, preocupação com a sustentabilidade social, gosto, compensação etc. No entanto, ainda que a contraprestação recebida em troca da força de trabalho oferecida, ou seja, o salário – entre outras recompensas – tenha um peso considerável, ele pode estar pagando por outros fatores que não sejam necessariamente pela realização do trabalho. Respondendo à pergunta anterior – acerca desse impasse – há alguns itens que podem estar contemplados na política de cargos e salários para lidar com o impulso de consumir dos colaboradores versus a política de remuneração da empresa. 10 Promoções e progressões O crescimento salarial em uma empresa se dá pelo que chamamos de promoções e progressões. A promoção deve ocorrer somente quando existe um cargo disponível na organização e que os profissionais que nela atuam pode se candidatar ou serem convidados a preenchê-lo. As progressões devem ocorrer quando existe uma faixa salarial estabelecida para determinado cargo e em função de desempenho, pequenas diferenças de atividades e/ou de carga de trabalho o profissional recebe uma diferença no salário, porém, não de cargo. Ter uma política de promoções e progressões bem estabelecida e clara contribui para que os gestores possam repassar possibilidades claras de crescimento salarial para sua equipe. O colaborador que pretende se comprometer com algo que ultrapasse 20% da sua receita nos próximos 6 meses, deve ser informado qual a probabilidade de ele ter esse aumento salarial, para que sua tomada de decisão seja com base em dados reais. Gestão preventiva de custos Conforme a legislação trabalhista vigente, não é possível realizar reduções salariais para a mesma carga horária trabalhada. Portanto, implementar uma gestão preventiva da política de remuneração, conforme vimos no tema anterior, é fundamental. Caso os salários estejam comprometendo financeiramente a organização por uma gestão sem planejamento, a empresa precisa optar por vezes por deixar a folha de pagamento menos onerosa. Para tal, muitas vezes é necessário substituir os profissionais que estão com salários mais altos por outros que exerceriam as mesmas atividades por uma remuneração mais baixa. Essa ação faz com que os profissionais fiquem mais inseguros para suas escolhas pessoais, pois estão mais expostos ao risco do desemprego, e traz perdas para a organização, que perde mão de obra já qualificada. Profissionais mais inseguros resultam em menor motivação. Educação financeira As empresas podem incluir na sua política de remuneração um suporte na educação financeira de seus colaboradores. As ações podem ser educativas, no sentido de instrumentalizar os profissionais sobre formas de garantir o consumo consciente e de acordo com sua renda, por meio de palestras ou da orientação individual com consultores especialistas no tema. Também podem 11 ser feitas ações secundárias, como acompanhar se o colaborador tem restrições junto aos órgãos de proteção ao crédito e, em caso positivo, oferecer orientação. Intervenções desse modelo devem ser cuidadosas para não serem confundidas com ações discriminatórias em função da situação financeira. Portanto, a intervenção deve ser somente de orientação, sem tom de ameaça da perda de emprego. Tratamos até aqui de fatores externos à organização que podem causar insatisfação relacionada à remuneração. As causas internas estão vinculadas a possíveis desiquilíbrios internos e externos, que já vimos anteriormente, e que causam a sensação de injustiça, de desvalorização e, consequentemente, desmotivação. TEMA 4 – NÍVEIS DE MATURIDADE DA EQUIPE Uma política de remuneração bem estruturada geralmente trabalha com critérios claros. Todavia, quando a meritocracia impera em uma organização, é difícil explicar em palavras quais são os pontos principais avaliados para as diferenças salariais. A história a seguir, de autor desconhecido, que pode ser encontrada no blog <http://www.blogdofabossi.com.br/2010/02/por-que-ele-e- nao-eu-lideranca/>, mostra uma forma interessante de sensibilizar a respeito das diferenças de mérito. Por que ele, e não eu? Carlos trabalha na empresa há 15 anos. É um funcionário dedicado, e muito orgulhoso por ser um dos primeiros colaboradores da organização. Apesar disso, ele passa por um momento profissional delicado. Ele não consegue entender porque o João, que tem apenas um ano de empresa, foi promovido recentemente, e já ganha o mesmo que ele. Um absurdo! Foi então que Carlos decidiu “reclamar seus direitos”, e foi falar com o Sr. Alberto, seu chefe: – Sr. Alberto, preciso conversar com o senhor sobre algo muito importante. O João trabalha aqui há apenas um ano, já foi promovido, e está ganhando o mesmo que eu, que trabalho aqui desde o começo desta empresa, há mais de 15 anos. Eu sempre fiz tudo certinho, nunca me atraso, e sempre faço o que senhor manda. Eu é que estava contando com um aumento de salário, mas foi o João, que nem bem chegou, que foi promovido e já está ganhando o mesmo que eu! O senhor acha isso correto? (continua) 12 (continuação do texto) O Sr. Alberto pensou um pouco e respondeu: – Carlos, no próximo mês eu pretendo reunir todos os vendedores para um treinamento, e quero que façamos um coffee-break diferente, apenas com frutas e sucos naturais. Me faça um favor [sic]: pegue a lista de frutas e quantidades com minha secretária, e veja o que consegue negociar com o supermercado vizinho. Veja se eles têm o que precisamos, os preços, etc. Assim que tiver as informações, voltamos a conversar, ok? Carlos não perdeu tempo. Pegou a lista com a secretária, foi correndo ao supermercado que ficava bem em frente ao escritório, e uma hora depois voltou dizendo: – Sr. Alberto, eu fui até o supermercado aí em frente, e eles não têm todas as frutas da lista. Eu perguntei para a pessoa que estava fazendo a reposição, e ela disse que a cada semana eles recebem tipos de frutas diferentes, por isso não dá para garantir que eles terão as frutas que pediu para semana da reunião. Acho que não vai dar certo não. O Sr. Alberto agradeceu, e pediu para que Carlos aguardasse um pouco, chamou o João, e pediu a ele exatamente o que havia pedido ao Sr. Alberto. Enquanto o João foi ao supermercado, ele e Carlos ficaram conversando sobre a história e os velhos tempos da empresa, mas em apenas 25 minutos o João retornou, e disse: – Sr. Alberto, desculpe a demora. Conversei com a gerente do supermercado, e ela não pode garantir que as frutas que precisamos estejam disponíveis na semana da reunião. Por isso, fui ao supermercado que fica na rua detrás. Lá consegui o compromisso do gerente de que teremos todas as frutas para nossa reunião. Aqui está a lista de preços: a banana custa R$ 5.00 a dúzia, a laranja R$ 10,00 o saco com 24 unidades, mas eles podem entregar descascadas por R$ 15,00. Bem, os preços são melhores que os do outro supermercado, e ainda consegui um desconto de 15% por causa da quantidade. Por favor, apenas confirme se está de acordo para que eu possa confirmar o pedido. No dia da reunião, a entrega será feita bem cedinho, e eu mesmo estarei aqui para receber e conferir a mercadoria. O Sr. Alberto então agradece ao João, diz que falará com ele depois, e olha para o Carlos que continuava aguardando em sua sala, e diz: – Muito bem Carlos, sobre o que mesmo estávamos conversando? E Carlos respondeu: – Nada não, Sr. Alberto, nada mesmo. Essa história representa um caso interessante de reconhecimento pormérito. Também ilustra o processo de sensibilização para que um membro da equipe prestigie as competências daquele que se destaca. As políticas atuais de gestão de pessoas ressaltam a importância do mapeamento do conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes desejadas para que ocorra o desenvolvimento dos colaboradores nesse sentido. A equipe madura é aquela em que seus integrantes reconhecem as diferenças e méritos uns dos outros, havendo esforço para o alcance de 13 resultados. Para tal, um gestor deve ser capaz de apontar para seus liderados qual direção devem seguir para apresentarem resultados mais eficazes, bem como pontuar as limitações apresentadas. É comum que em equipes comerciais, a política de remuneração esteja mais relacionada ao resultado de vendas do que outras questões. O profissional mais bem-sucedido tem um conjunto de comportamentos que resultam em venda, portanto esse indicador é um reflexo de ações merecedoras de reconhecimento. Em uma empresa, o esforço por si só não deve ser premiado, mas sim aquele empenho que contribua para os objetivos organizacionais. A história relatada acima, demonstra um exemplo de um profissional esforçado, porém, que tem pouca contribuição para os objetivos organizacionais. TEMA 5 – MOTIVAÇÃO INDIVIDUAL Veja o exemplo abaixo: A empresa TS Alimentos tem uma equipe comercial com práticas salariais agressivas. Habitualmente consegue atrair bons profissionais do mercado por propor uma variável interessante. Também tem uma política de premiação atraente, com viagens, vale compras e brindes como geladeiras, fogões, micro-ondas, entre outros. Fazendo uma análise das informações disponibilizadas pelo setor de Recursos Humanos, o gestor observou, que apesar dessas práticas, 90% dos desligamentos é por iniciativa do empregado. Outra informação ressaltada foi que o tempo médio de permanência dos empregados nessa equipe é de 8 meses. Também foi observado que a promessa de ganhos acima do mercado, é concretizada em 80% dos casos. Realmente a política proposta é realizada. A conclusão do gestor é que a empresa está atraindo os profissionais, mas apesar das práticas salariais, não está retendo os colaboradores. Segundo o RH, a política salarial do setor comercial dessa empresa foi elaborada com o objetivo de ampliar a motivação individual dos profissionais, mas tudo indica que não está funcionando. Vimos no início dessa aula, que quando falamos em motivação individual, estamos falando não só daquilo que a empresa oferece, mas também do que as pessoas precisam. Diversos teóricos propõem teorias a respeito do tema. Em especial, os autores relacionados às escolas de Relações Humanas trazem teorias que, embora tenham sido propostas entre 1900 e 1950, deixam fortes heranças para as teorias atuais. 14 Uma das teorias mais usadas como referência é a proposta por Abraham H. Maslow, referente à hierarquia das necessidades. O modelo propõe que as pessoas, apesar das suas particularidades, seguem uma hierarquia de necessidades a serem atendidas para se sentirem satisfeitas. Independente dos fatores que as motivam, caso as necessidades não sejam atendidas na ordem proposta, fica uma lacuna que impede a real satisfação. A ordem de necessidades é relacionada em uma pirâmide de cinco níveis, na qual a base é composta pelas primeiras necessidades a serem atendidas e assim, gradativamente. Apenas após suprir os cinco níveis de necessidade é que o indivíduo se sente realizado. Imagem 1: Pirâmide de Maslow No primeiro nível, encontramos as necessidades fisiológicas básicas. São as necessidades primárias do indivíduo, aquelas que fazem com que se mantenha vivo e se reproduza. Esse é o primeiro bloco que precisa ser suprido. O trabalho do indivíduo precisa proporcionar-lhe a possibilidade de atender a essas necessidades. Cargos que exigem cargas horárias muito prolongadas, sem intervalo intrajornada tendem a desrespeitar o primeiro nível, podendo ser causa de insatisfação. No segundo nível, estão as necessidades relacionadas à segurança. O indivíduo precisa se sentir seguro (longe do perigo) e protegido da possibilidade de perder suas fontes de segurança. Funções com alta periculosidade ou com a sensação de ameaça da perda do próprio emprego são fatores que podem deixar lacunas nesse nível. 15 No terceiro nível, estão as necessidades de relacionamentos humanos harmônicos. O isolamento social ou a impossibilidade da manutenção de relações pessoais ativas são fatores que geram essa necessidade. Ambientes de trabalho muito hostil, com assédio constante são igualmente desfavoráveis. No quarto nível, encontramos a necessidade de auto reconhecimento e reconhecimento dos outros em relação às nossas ações. Ambientes de trabalho muito críticos e sem ferramentas de reconhecimento (sem feedback) podem fazer com que essa necessidade não seja atendida. No quinto e último nível, encontramos a auto realização que pode ser caracterizada pela autonomia de aplicação da capacidade produtiva do indivíduo. Quando a atividade é muito limitada e ou o indivíduo tem pouca autonomia, essa necessidade pode não ser atendida. A empresa do exemplo do início do tema – a TS Alimentos – pode estar com brechas em qualquer um desses níveis. Segundo a teoria de hierarquia das necessidades, a partir do momento em que se tem uma destas lacunas abertas, há a redução da motivação individual. O próximo passo para a TS Alimentos seria confirmar se a área comercial está apresentando um ambiente desfavorável, e buscar corrigir o que for possível. TROCANDO IDEIAS Ouça o comentário do Max Gehringer no link <https://www.youtube.com/watch?v=I1hq5fMqBFk> e apresente um posicionamento sobre a questão proposta em relação aos níveis de cargo e salário. 16 SÍNTESE G A B C D E H ICOLETA DE INFORMAÇÕES F CRUZAMENTO DE DADOS J K L FORMAÇÃO DA TABELA SALARIAL TABELA DE PONTUAÇÃO DE CARGOS ADEQUAÇÃO DA EQUIPE AO PLANO DE CARGOS E SALÁRIOS FORMAÇÃO DO MANUAL DE FUNCIONAMENTO P Q RESULTADO DA REFERÊNCIA DE VALORES DA TABELA SALARIAL DEFINIÇÃO DA QUANTIDADE DE NÍVEIS DA TABELA SALARIAL M N AVALIAÇÃO DOS CARGOS (POR COMPARAÇÃO) LEVANTAMENTO SOBRE AS INFORMAÇÕES CONSENSO DO COMITÊ DE AVALIAÇÃO DESCRIÇÃO DE CARGOS FORMAÇÃO DE UM COMITÊ | GRUPO DE TRABALHO O PESQUISA SALARIAL DEFINIÇÃO DOS CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DEFINIÇÃO DAS EMPRESAS PARTICIPANTES MANUAL DE AVALIAÇÃO (DEFINIÇÃO DO PESO DOS CRITÉRIOS) REFERÊNCIAS CHIAVENATTO, I. Gestão de pessoas. 2. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2005. LOTZ, E.G.; GRAMMS, L.C. Gestão de talentos. 1. ed. Curitiba: InterSaberes, 2012. PONTES, B. R. Administração de cargos e salários, carreiras e remuneração. 17. ed. São Paulo: LTR, 2014. WALGER, C.; VIPIANA, L.; BARBOZA, M. M. Motivação e satisfação no trabalho. 1. ed. Curitiba: InterSaberes, 2014. GESTÃO DE PESSOAS E TALENTOS AULA 6 Profa. Mariana Patitucci Bacellar 2 CONVERSA INICIAL "A um chefe você obedece. Um líder você segue, procura e admira." (Mario Sérgio Cortella) Olá! Muitos desejam e se esforçam no meio corporativo para serem seguidos, procurados e admirados. Outros não desejam ter esse papel, mas assumem o desafio de liderar uma equipe e, consequentemente, se veem com a necessidade de realizarbem essa função para que os objetivos organizacionais sejam alcançados. Essa é uma tarefa difícil, que exige atitudes diversas. Porém, nem sempre o conjunto de comportamentos de quem assume a função de liderança traz seguidores por admiração. Dentro das empresas, as hierarquias definem as relações de poder, estabelecendo quem "manda" e quem "obedece". Entretanto, mais do que ter pessoas obedecendo, as organizações precisam de resultados. E será sobre esses temas que vamos falar nessa aula. CONTEXTUALIZANDO A seguir você conhecerá a história de um líder, contada por Max Gehringer em um de seus comentários na Rádio CBN. Muitos daqueles que se julgam líderes deveriam conhecer o Raul. Talvez, assim, merecessem a liderança que acreditam exercerem. Durante minha vida profissional, eu topei com algumas figuras cujo sucesso surpreende muita gente. Figuras sem um vistoso currículo acadêmico, sem um grande diferencial técnico, sem muito networking ou marketing pessoal. Figuras como o Raul. Eu conheço o Raul desde os tempos da faculdade. Na época, nós tínhamos um colega de classe, o Pena, que era um gênio. Na hora de fazer um trabalho em grupo, todos nós queríamos cair no grupo do Pena, porque o Pena fazia tudo sozinho. Ele escolhia o tema, pesquisava os livros, redigia muito bem e ainda desenhava a capa do trabalho – com tinta nanquim. Já o Raul nem dava palpite. Ficava ali num canto, dizendo que seu papel no grupo era um só, apoiar o Pena. Qualquer coisa que o Pena precisasse, o Raul já estava providenciando, antes que o Pena concluísse a frase. Deu no que deu. O Pena se formou em primeiro lugar na nossa turma. E o resto de nós passou meio na carona do Pena – que, além de nos dar uma colher de chá nos trabalhos, ainda permitia que a gente colasse dele nas provas. No dia da formatura, o diretor da escola chamou o Pena de ‘paradigma do estudante que enobrece esta instituição de ensino’. E o Raul ali, na terceira fila, só aplaudindo. Dez anos depois, o Pena era a estrela da área de planejamento de uma multinacional. Brilhante como 3 sempre, ele fazia admiráveis projeções estratégicas de cinco e dez anos. E quem era o chefe do Pena? O Raul. E como é que o Raul tinha conseguido chegar àquela posição? Ninguém na empresa sabia explicar direito. O Raul vivia repetindo que tinha subordinados melhores do que ele, e ninguém ali parecia discordar de tal afirmação. Além disso, o Raul continuava a fazer o que fazia na escola, ele apoiava. Alguém tinha um problema? Era só falar com o Raul que o Raul dava um jeito. Meu último contato com o Raul foi há um ano. Ele havia sido transferido para Miami, onde fica a sede da empresa. Quando conversou comigo, o Raul disse que havia ficado surpreso com o convite. Porque, ali na matriz, o mais burrinho já tinha sido astronauta. E eu perguntei ao Raul qual era a função dele. Pergunta inócua, porque eu já sabia a resposta. O Raul apoiava. Direcionava daqui, facilitava dali, essas coisas que, na teoria, ninguém precisaria mandar um brasileiro até Miami para fazer. Foi quando, num evento em São Paulo, eu conheci o vice-presidente de recursos humanos da empresa do Raul. E ele me contou que o Raul tinha uma habilidade de valor inestimável:… ELE ENTENDIA DE GENTE! Entendia tanto que não se preocupava em ficar à sombra dos próprios subordinados para fazer com que eles se sentissem melhor, e fossem mais produtivos. E, para me explicar o Raul, o vice-presidente citou Samuel Butler, que eu não sei ao certo quem foi, mas que tem uma frase ótima: “Qualquer tolo pode pintar um quadro, mas só um gênio consegue vendê- lo”. Essa era a habilidade aparentemente simples que o Raul tinha, de facilitar as relações entre as pessoas. Perto do Raul, todo comprador normal se sentia um expert e todo pintor comum, um gênio. Essa era a principal competência dele. ‘Há grandes homens que fazem com que todos se sintam pequenos. Mas, o verdadeiro Grande Homem é aquele que faz com que todos se sintam Grandes’.” Fonte: <http://www.administradores.com.br/artigos/marketing/entender-de-gente/26639/>. Nesta aula, vamos ver um pouco sobre os modelos de liderança e poder dentro das organizações com o objetivo de trazer a reflexão sobre o tema. TEMA 1 – O PAPEL DO LÍDER O papel central do líder sempre foi o de garantir que as normas institucionais fossem seguidas e acompanhar processos. A evolução das relações de trabalho exigiu que as lideranças se tornassem corresponsáveis pelo processo de desenvolvimento de seus liderados, bem como pela máxima utilização de suas competências. Anteriormente as atividades de gestão limitavam-se à gestão de processos. Porém, gradativamente, um rol de novas responsabilidades foi adicionado aos cargos de liderança. Atualmente, espera- se que o líder assuma um papel multifuncional que atenda diversas áreas distintas de cada indivíduo da sua equipe. Vamos ver nesse tema um pouco desses diferentes papéis, procurando dar referências para a atuação do líder do dia a dia. 4 Acolhimento das demandas pessoais Todo indivíduo carrega consigo toda a sua história, suas vivências e seu presente. Isto é, diferente do que as organizações desejavam no início de sua constituição, é impossível que o profissional esteja no ambiente de trabalho deixando integralmente de lado os acontecimentos da sua vida. Qualquer relação de trabalho duradoura permeará bons e maus momentos do empregado. E ambos trarão algum tipo de interferência no ambiente de trabalho (que pode ser positiva ou negativa). Negar completamente a existência de uma vida munida de acontecimentos dos integrantes da sua equipe não é a postura mais indicada para um líder. O interesse real pelas pessoas causa admiração e aproximação. Isso pode ser feito por meio do acolhimento das demandas pessoais. Lembre-se de momentos importantes da sua vida: que o filho está doente, ou que acabou de comprar a casa própria, ou que brigou com o marido ou esposa, ou ainda que ganhou uma festa surpresa. Essas são situações naturais que ocorrem na vida de qualquer pessoa, porém, que podem alterar o padrão de comportamento da pessoa acarretando falta de atenção, falta de foco, atrasos ou faltas e até falhas graves. O líder pode acolher, isto é conversar com o colaborador e perguntar sobre as evoluções dessas situações. Essa atitude tende a aproximar os liderados e fazer um que a relação de trabalho seja mais favorável à produção. Direcionamento de carreira O líder pode ser um tutor da carreira de seus liderados. Isto é, auxiliá-lo no processo de reflexão sobre suas possibilidades e orientá-lo para o alcance de seus objetivos. Essa atitude faz com que as empresas tenham um melhor aproveitamento das habilidades de seus empregados. Contribui também de forma positiva com o vínculo entre líderes e liderados. Direcionamento das atividades É comum que o início das atividades de um novo empregado seja recheado de orientações e direcionamento. Depois que as atividades principais se tornam rotina, os colaboradores criam seus modos de fazer as coisas. Neste momento, é comum que o direcionamento das atividades cesse e ele atue com autonomia. Contudo, isso não significa que ele não precisará mais de 5 direcionamento. Um dos papeis do líder é exercer essa função de orientador. O funcionamento humano cria mecanismos de comunicação que nem sempre são explícitos. Colaboradores que executam suas atividades por muito tempo podem se sentir desconfortáveis em pedir ajuda. Então, dão indícios de que precisam de direcionamento entre linhas. Nesse momento, o líder deve entrar em ação e realizar os direcionamentosnecessários. O gestor também precisa fazer intervenções por iniciativa própria toda vez que observar atitudes desalinhadas com os objetivos ou a cultura organizacional. Aproveitamento das competências individuais Essa é uma função que exige boa percepção e tato. O aproveitamento das competências individuais é o ato de aplicar o conjunto de conhecimento, habilidades e atitudes de cada indivíduo a favor do alcance dos objetivos organizacionais. É uma tarefa mais complexa, pois cabe aqui ao gestor fazer o incentivo dos colaboradores do uso do jeito individual, porém garantindo a direção correta. Para o aproveitamento acontecer, antes é necessário que o gestor conheça bem os integrantes da sua equipe. Feedback Já vimos essa temática com mais detalhes quando falamos de Avaliação de Desempenho. O feedback é o retorno a respeito de atitudes do liderado no dia a dia. Serve para que a equipe de conscientize dos seus atos ou para que receba um reforço positivo de suas atitudes. Essa deve ser uma atividade de rotina dos líderes, porém, toma um certo tempo. Feedfoward Essa é uma função que auxilia a equipe no direcionamento das duas atividades. Não somente apontar o que está funcionando ou não, mas também mostrar como fazer ou compartilhar sobre as sugestões do uso das competências. Seleção de profissionais A seleção dos profissionais da equipe é uma das etapas mais importantes para a composição de uma equipe de alta performance. Os gestores geralmente se apropriam dessa atividade no momento de conhecer os candidatos finalistas. 6 Porém, em algumas empresas o setor de Recursos Humanos assume de forma independente essa missão. O que pode não apontar ser um caminho positivo já que o líder que responderá por seus resultados e se responsabilizará por seu desenvolvimento. Demissão de profissionais Para alguns, esse é o papel mais difícil no ciclo das atividades de um líder. A tomada de decisão e o ato de demitir costumam sensibilizar as lideranças, chegando ao ponto de a decisão ser até adiada por longos períodos. Para que esse procedimento se torne mais fácil, falar abertamente (quando possível) sobre os motivos do desligamento pode contribuir. Outro ponto é sinalizar gradativamente o profissional sobre esse risco para que o momento seja realizado com as expectativas mais alinhadas. Reporte de resultados Além do conjunto de funções acima citadas, o líder habitualmente precisa reportar os resultados do seu setor e/ou equipe. Nem sempre será claramente demandado, mas a empresa sempre espera essas informações. Os papéis que o líder assume dependem do desafio que recebe e o tempo que tem disponível. O grande desafio é conciliar tantas atividades em pouco tempo. TEMA 2 – FONTES DE PODER Antes de falarmos das fontes de poder propriamente ditas, vamos compreender alguns conceitos sobre pessoas. As relações humanas estão presentes toda vez que temos um indivíduo se relacionando com outro. Quando isso ocorre, emergem reações emocionais. Essas reações não são controláveis, elas simplesmente surgem. E são elas que direcionarão a forma da pessoa agir. O indivíduo é considerado um ser social. O que caracteriza ele dessa forma é o fato de se dispor a estar em convivência contínua com outros indivíduos e, para tal, obedecer às regras coletivas pré-estabelecidas. Aquilo que é definido em um ambiente social pode ser um insulto aos desejos e instintos de determinado indivíduo. Mesmo assim, para estar incluído na sociedade, a pessoa dita “normal” se dispõe a seguir o código de conduta previsto para aquele 7 grupo. Para que isso aconteça, o indivíduo precisa perceber uma “razão”. Ele precisa ver sentido naquilo. Essa razão pode estar relacionada a uma crença ou a um aprendizado, ou seja, não precisa necessariamente ter uma justificativa racional, porém, ela precisa existir. Para compreendermos melhor, seguem alguns exemplos: Paulo não rouba, pois na sociedade em que ele está inserido, pessoas que roubam vão presas. Portanto, receia a punição. Carlos respeita e admira seu pai que a vida inteira falou que o bom trabalhador deve chegar sempre 30 minutos antes no trabalho. Portanto, Carlos acorda e chega mais cedo apesar do sono, pois repete aquele que admira. Os ambientes sociais, geralmente, têm “fiscais” para que as regras definidas sejam garantidas. Os próprios integrantes do grupo social podem fazer esse papel. As empresas são ambientes sociais munidos de regras, crenças e políticas que devem ser continuamente dissipadas. Temos nelas diversos indivíduos em um mesmo ambiente e com um objetivo comum. Essas pessoas não compõem esse ambiente social de forma fixa, isto é, os integrantes são substituídos constantemente. Para o pleno funcionamento desse ambiente, existe um conjunto de normas compartilhadas e uma extensa relação de questões do que “pode” ou “não pode”. Algumas dessas questões são implícitas (veladas) e outras explícitas (declaradas). A empresa precisa garantir a disseminação e o cumprimento dessa rede de regras e de direcionar as equipes aos objetivos organizacionais. Para tal, a empresa define algumas pessoas chave, denominadas de líderes, que devem assumir esse papel. Para que sua liderança seja legitimada por seus liderados é necessário que cada integrante reconheça uma razão para seguir esse líder. E é exatamente esse motivo que chamamos de “fontes de poder”. O processo que chamaremos aqui de empoderamento exige que a pessoa que cumpre esse papel seja reconhecida como portadora de uma fonte de poder. Desta forma, o direcionamento e orientações da pessoa empoderada são seguidas naturalmente. Habitualmente, esse processo é natural, isto é, ocorre de forma automática dentro dos grupos sociais. Os autores das teorias de liderança e poder, puderam, ao longo de seus estudos, identificar quais as fontes que legitimam o poder de uma pessoa sobre as demais. Veja alguns exemplos da classificação das fontes de poder: 8 Poder de recompensa Há reconhecimento pelo fato do indivíduo possuir a possibilidade de recompensar os seus liderados. Isto é, ele pode trocar, permitir exceções, premiar, entre outras atitudes que sejam percebidas como compensatórias. As organizações fazem uso dessa fonte para legitimar suas lideranças e o cuidado para a manutenção disso é o cumprimento das promessas. A fonte de poder precisa ser reconhecida pala prática, e não pelo discurso. Poder de autoridade O reconhecimento ocorre por existir uma legitimação da pessoa por força de uma regra (seja legal ou norma interna da organização), como um cargo. Quando é essa a única fonte de poder, é comum que os membros das equipes façam comentários como: “Não é inteligente fazer dessa forma, mas ele é o chefe e quer assim, então temos que fazer”. É também de praxe que o poder inicialmente seja reconhecido pela fonte da autoridade, porém que, posteriormente, outras fontes sejam percebidas no líder. Poder da persuasão É reconhecido pela capacidade de sustentação e convencimento. A forma que a pessoa defende seu ponto de vista e se articula para conseguir as coisas é percebida e admirada. Sua presença e aptidão de envolver outras pessoas faz com que seu poder seja legitimado. Poder de coerção Como o nome mesmo diz, o reconhecimento é caracterizado pelas atitudes coercivas. As empresas têm demonstrado cautela nesse modelo, pois, quando aplicado de forma inadequada será qualificado como assédio moral. Considerando que a coerção geralmente é utilizada por profissionais que também tema fonte de autoridade, o assédio será rotulado. Poder da informação Neste caso, o reconhecimento se dá por meio do acesso à informação. Nas organizações, o processo de decisão será assertivo somente quando 9 houver base de dados consistente. Portanto, aquele que tem acesso à base de dados é referenciado por tal fato. Assim como na autoridade, quando não há outra fonte de poder, é comum comentários como: “Por mim não incluiria essa pessoa no processo, mas ela que tem as informações, então, teremos que incluí- la.” Poder do conhecimento Este é reconhecido pelo conhecimento em determinado tema. Pode ser que alguém que porte um conhecimento específico receba o reconhecimento esporádico (quando seu conhecimento é necessário). Isto é, o profissional não tem o tempo todo o reconhecimento da posição de poder, porém, quando é demandado, assume essa posição. É comum que as posições oficiais de liderança tenham elementos de diferentes fontes e poder. É importante ressaltar que as fontes de poder precisam ser reconhecidas pela prática e não pelo discurso. TEMA 3 – CONCEPÇÃO DE TRABALHO As teorias de formação comportamental dos indivíduos propõem, de maneira geral, que os padrões de comportamento assumidos pelo indivíduo na vida adulta são definidos por suas experiências, crenças e aprendizados que recebe do ambiente em que está inserido. Resumidamente, o indivíduo, ao nascer, recebe as informações do mundo externo por meio dos canais sensoriais: tato, visão, audição, paladar e olfato. Inicialmente, os conteúdos recebidos são internalizados em forma de imagens que, a princípio, não têm significado associado. Ao longo dos primeiros anos, a criança aprende a linguagem e, dessa forma, além do que percebe do mundo externo por meio dos canais sensoriais, receberá também “ensinamentos” a respeito das coisas por meio da linguagem. Esses preceitos são repassados pelo núcleo social em que ela está inserida nos primeiros anos de vida, que geralmente é a família. Algumas dessas doutrinas serão confirmadas pela experiência, fazendo com que o indivíduo tenha a oportunidade de concordar ou discordar, transformando o que aprendeu em conceitos próprios. Outras, são apenas internalizadas, sem a possibilidade da vivência, tornando-se crenças. Portanto, o ambiente em que o sujeito está sempre apresentará forte influência em sua formação. Nos primeiros 10 anos de vida, tal influência é mais acentuada. Depois de adulto, contudo, ainda apresentara estas influências. Na trajetória de vida, todos passamos por diversas e diferentes experiências, algumas delas que nunca foram contadas por nossos núcleos familiares. Mesmo assim, também são internalizadas como conhecimento. Já é comprovado que o processo da construção de conhecimento é dinâmico e passível de alterações contínuas. Construímos as concepções que temos da vida dessa forma. Ao chegar em uma empresa, o indivíduo já tem um conceito sobre trabalho, independente do que encontrará. E é essa visão que definirá os seus comportamentos na relação de trabalho. Imagine que Fátima e Carla têm a mesma idade e, por serem vizinhas, cresceram juntas e conviveram diariamente até os 23 anos. Ambas ingressaram no mercado de trabalho jovens na mesma empresa. Na época, esta empresa estava com um programa de contratação de jovens de 18 anos. Ambas se reportavam para o mesmo gestor, André, que aos 23 anos recebeu o desafio de gerir uma equipe de cinco jovens, recém empregados, e em seus primeiros empregos. Após aprender algumas técnicas de motivação de equipe, André resolveu lançar um desafio aos seus liderados: sugeriu que todos assumissem uma nova atividade, que geralmente é executada pelos analistas da empresa. Falou individualmente com cada jovem. A primeira conversa foi com Fátima. Após a exposição do desafio, ele teve certeza de que sua ideia seria um sucesso. Fátima ficou evidentemente feliz com a nova atividade. Agradeceu o voto de confiança e falou que iria fazer o possível para superar a expectativa de André. Em seguida, André chamou Carla. Após a exposição, Carla perguntou: “Certo. Mas terei aumento de salário? Pois geralmente as pessoas que fazem isso, ganham muito mais.” André respondeu de pronto que não. Que a proposta era o desafio da realização de uma atividade com mais responsabilidade, que era a oportunidade para Carla mostrar seu potencial. André observou que Carla não se sentiu convencida e, depois de conversar com as 5 pessoas chamou ela novamente, e disse: “Carla, observei que você não ficou feliz com o desafio lançado. Está acontecendo alguma coisa? É importante que você seja sincera.” E Carla respondeu: “André, sinceramente acho que essa só é uma forma de vocês terem a atividade realizada e pagar menos para as pessoas. Falar que 11 é um desafio não me engana. Sei que é uma forma ‘bonita’ de fazer isso, e que é errado.” André sabia da relação de Fátima e Carla e ficou pensando como duas pessoas tão próximas poderiam ter reações tão diferentes. No entanto, André desconhecia que o conceito de trabalho para a família de Fátima era distinto da concepção da família de Carla. Quando as duas eram pequenas, as mães de ambas eram donas de casa e os pais trabalhavam fora. Quando Fátima perguntava para sua mãe onde estava o papai, esta respondia sorrindo: “Está trabalhando filha! Temos de agradecer todos os dias por ele ter esse emprego abençoado.” Quando Carla, por sua vez, perguntava para sua mãe sobre o pai, a mãe respondia: “Seu pai? Está naquela empresa que suga ele até não poder mais. Coitado... trabalha tanto para os outros ganharem dinheiro, enquanto ele ganha só um mísero salário.” Quando o pai de Fátima chegava em casa, após o dia de trabalho, ela perguntava: “Como foi o trabalho, papai?” E ele respondia: “Foi um ótimo dia, filha! Tive que fazer um trabalho diferente e todos gostaram do que eu fiz... Quando crescer, sempre aproveite as oportunidades que tiver”. Ao passo que Carla, quando questionava seu pai, ouvia a seguinte resposta: “Nem me lembre do trabalho. Quero pensar nisso só amanhã! Acredita que tive que fazer coisas novas, mas nada de mudar de cargo ou salário. Minha filha, nunca deixem abusar de você no trabalho. Seja esperta, não se submeta a o que te pedirem.” Conhecendo esses exemplos, podemos observar que a reação de Fátima e Carla possivelmente sejam reflexos do que aprenderam sobre trabalho. Formamos concepções e reagimos de acordo com esses princípios. As empresas são portadoras de uma cultura organizacional. Essa cultura propõe uma concepção própria sobre o trabalho e toda vez que há um distanciamento entre o que a empresa quer e o que as pessoas pensam, há um clima de estranhamento. Esse desalinhamento organizacional é comum e, apesar de cada um ser portador de uma concepção própria, a resolução desse impasse geralmente é o convite para que as pessoas passem a pensar da mesma forma que as empresas. Os gestores precisam ser hábeis em contornar esses desalinhamentos, pois devem respeitar as concepções individuais, já que são enraizadas ao logo do desenvolvimento de cada indivíduo. Compreender o conceito da concepção de trabalho pode ajudar a ter mais tato com as pessoas. Elas podem ser convidadas a construir novos conceitos, incluindo o proposto 12 pela empresa. Porém, isso precisa ser feito sem que haja desrespeito a o que ela já tem. TEMA 4 – PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO O desenvolvimento humano é um processo que inicia no nascimento e continua durante a vida toda. Quando um profissional atua em uma organização, espera-se queele alcance os objetivos organizacionais. Para tal, o gestor é incumbido da tarefa de direcionar os colaboradores nos seus processos de desenvolvimento, e as empresas podem ter ferramentas pré-definidas para auxiliá-los nessa tarefa. Caso não tenham, os gestores podem realizar o direcionamento ou implementar algumas práticas que sustentem um processo de desenvolvimento. Como já vimos anteriormente, as ferramentas de Desenvolvimento de Pessoas trabalham com quatro etapas centrais comuns a todas elas, que são: 1. Levantamento de necessidades de treinamento; 2. Planejamento; 3. Execução; 4. Avaliação de resultados. Existe uma crença comum dentro das empresas, porém inverídica, que repassa a responsabilidade do desenvolvimento das pessoas para o departamento de Recursos Humanos (RH). O RH deve ser um facilitador na apresentação e implementação de técnicas e ferramentas para o processo de desenvolvimento de pessoas, mas não é o responsável central por essa prática. É o gestor que tem a responsabilidade de ampliar as capacidades de cada integrante da sua equipe, bem como de direcioná-los no sentido dos objetivos organizacionais. No artigo “Gestão de pessoas não é com o RH!”, publicado em maio de 2015 na Harvard Business Review, José Luiz Bichuetti aborda essa questão. Leia a seguir um trecho do artigo. “Presidentes e gestores têm papel fundamental na atração, retenção e na administração de pessoas; a área de RH é estratégica e atua como parceiro de negócios. ‘Passe lá no RH!’ Não são poucas as vezes que os colaboradores de uma empresa recebem esta orientação. Não são poucos os chefes que não sabem como tratar um tema que envolve seus subordinados, ou não têm coragem de fazê-lo, e empurram a responsabilidade lateralmente para seus colegas da área de RH. Promover ou comunicar um aumento de salário 13 é com o chefe mesmo; resolver conflitos, comunicar uma demissão, selecionar pessoas, identificar necessidades de treinamento é ‘lá com o RH’. É impressionante ver quantas áreas de RH aceitam equivocadamente essa abdicação de responsabilidade dos gestores! Em pleno século 21, ainda existem empresas cujos executivos não sabem quem são os reais responsáveis pela gestão de seu capital humano, além de tratá-lo como custo e não como ativo. Os responsáveis pela gestão de pessoas numa organização são os gestores, e não a área de RH. E, ao contrário do que possa parecer pelo título, não digo que a área tem atribuições menos importantes do que cuidar das pessoas. Ao contrário: defendo-a como maior do que isso, uma área estratégica que deve ser parceira de negócios dentro da organização. Gente é o ativo mais importante nas organizações: é o propulsor que as move e lhes dá vida. As barreiras que inibem a formação e manutenção de equipes de alto desempenho, porém, são várias: a. Líderes que não encaram seu capital humano como ativo, influenciando a cultura da empresa e a atitude de seus gestores; b. Despreparo dos executivos para gerir seu pessoal, não raro servindo de mau exemplo a seus subordinados; c. Posicionamento não estratégico e falta de valorização das áreas de recursos humanos nas empresas; d. Não tratamento desse tema como matéria relevante nos cursos superiores. Os aspectos que envolvem a gestão de pessoas têm de ser tratados como parte de uma política de valorização desse ativo, na qual gestores e RH são vasos comunicantes, trabalhando em conjunto, cada um desempenhando seu papel de forma adequada.” O artigo completo pode ser acessado em: <http://hbrbr.uol.com.br/gestao- de-pessoas-nao-e-com-o-rh/>. O autor do texto reforça a responsabilidade do gestor no processo de desenvolvimento. Além de desenvolver pessoas, o gestor deve se ocupar com o desenvolvimento da própria organização. Equipes mais qualificadas favorecem a imagem de qualificação da empresa diante do mercado, dos colaboradores, dos clientes e dos parceiros. Vimos em capítulos anteriores que os líderes serão reconhecidos como tal a partir do momento em que uma fonte de poder for reconhecida. Essas fontes de poder irão determinar o modelo de liderança assumida pelo profissional em questão. Cada tipo de liderança apresenta uma tendência maior ou menor ao desenvolvimento das pessoas. A seguir, apresentamos alguns exemplos. 14 Liderança autocrática O líder assume as decisões. A tendência é ter uma equipe com maior volume de trabalho e com maior pressão. O ambiente de desenvolvimento surge pela necessidade de concluir as missões. Liderança liberal É caracterizada pela liberdade do grupo. Apesar de valorizar a criatividade, tende a mobilizar pouco senso de equipe e ter a produção reduzida. Existe pouca pressão para o processo de desenvolvimento Liderança democrática A contribuição da equipe para as decisões, caracteriza esse modelo. O senso de equipe costuma predominar e o desenvolvimento é forçado pelos membros da equipe serem acionados constantemente para a participação na tomada de decisão. TEMA 5 – ACOMPANHAMENTO DA EQUIPE Acompanhar a equipe é a ação ampliada de levantar as necessidades, orientar e avaliar os progressos. Esse ciclo deve acontecer diversas vezes, e não é uma tarefa fácil. Diferentes ferramentas já foram desenvolvidas e auxiliam os gestores no dia a dia. Vamos conhecer algumas delas: Roda da vida Metodologia desenvolvida pelos hindus, a qual prevê a avaliação da vida do indivíduo como um todo. Diversos aspectos são avaliados e pontuados e aqueles que receberem as menores pontuações devem receber uma atenção especial. O princípio desta ferramenta é que se não existir qualidade em todos os aspectos da vida, os demais serão prejudicados também. Isto é, para que ele tenha resultados satisfatórios no trabalho, é necessário que esteja bem com sua espiritualidade, ambiente familiar etc. Esse modelo ressalta a saúde como questão fundamental. Isto é, se houver prejuízo nesse fator, sua influência sobre os demais pode ser comprometedora. A aplicação da ferramenta exige conhecimento e habilidade, mas seus princípios são interessantes para o processo de reflexão de todo gestor. 15 Definição de metas Ter os objetivos claros é um dos pontos fundamentais para que eles sejam alcançados. Por isso, é tão comum que as empresas proponham metas para suas equipes. A meta geralmente é percebida como um desafio a ser alcançado. Pode despertar sentimentos de superação e conquista (quando alcançada) e frustração (quando não atingida). Esses sentimentos são os elementos que o gestor poderá trabalhar no processo de desenvolvimento de seus liderados. Autofeedback O feedback só será funcional se o colaborador realizar o processo de reflexão dos pontos levantados. Isto é, ele precisa realizar o autofeedback e fazer disso um hábito. O gestor pode contribuir fazendo o convite para a reflexão. Nem sempre o que ele percebe sobre o outro é exatamente o que o outro está fazendo, por isso, ele não pode tomar a sua percepção como verdade absoluta sobre o outro. Gestores que realizam feedback com frequência tendem a ter equipes mais capazes de realizar o autofeedback. Autoconhecimento: Podemos ter três prismas distintos em relação a um indivíduo: 1. Como ele se percebe; 2. Como ele é; 3. Como os outros o percebem. Quanto maior for a congruência dessas três visões, maior será a fluência das relações desse indivíduo. Quanto mais o indivíduo sabe sobre como ele é, melhor será sua percepção e expressão de si mesmo, refletindo na forma que ele é visto. Além do próprio processo de feedback,avaliações comportamentais são grandes aliadas no processo de autoconhecimento. O processo de avaliação costuma ser oneroso, pois exige suporte externo à organização. Quando não existe orçamento, o feedback é a ferramenta mais comum para o avanço do autoconhecimento. 16 5W2H Essa ferramenta pode contribuir para que a visão holística de determinado tema seja garantida. Consiste em se fazer sete perguntas sobre o processo em questão, garantindo dessa forma que todos os pontos estejam contemplados no processo de desenvolvimento de uma tarefa ou na tomada de decisão. Seu nome vem do inglês e se refere à letra inicial das perguntas que dão o nome à ferramenta. Veja quais são as perguntas: What “O que será feito?” Who “Quem o fará?” When “Quando será feito?” Where “Onde será feito?” Why “Por quem será feito?” How “Como será feito?” How much “Quanto custará?” Quando o profissional ainda não tem essas perguntas internalizadas, pode usar um documento complementar que dará suporte ao processo de planejamento, no qual essas perguntas serão literalmente respondidas. O gestor pode exigir o documento preenchido. Análise SWOT Essa ferramenta é comumente aplicada no modelo de negócios das empresas. Consiste na análise de quatro questões principais e o posterior cruzamento delas: Pontos fortes; Pontos fracos; Fraquezas; Oportunidades. Esse mesmo conceito pode ser aplicado aos indivíduos. Resulta em um mapeamento profundo que geralmente traz um processo de reflexão importante a respeito do direcionamento de vida, podendo ser focado na carreira ou em outros aspectos que estejam tomando a atenção. 17 Análise dos gaps É o mapeamento da expectativa da organização com a posição atual do colaborador. Isto é, localizam-se os pontos de desalinhamento para que seja realizado um trabalho de desenvolvimento direcionado para esses pontos. Quando a empresa tem uma política de avaliação de desempenho formal, a ferramenta geralmente traz os gaps mapeados, cabendo ao gestor a trabalhar com seus resultados. De alguns anos para cá, o coaching tem sido bastante utilizado como referência para o líder eficaz em seu processo de desenvolvimento. Sua proposta é de que o líder seja um direcionador dos membros da sua equipe. É o líder que foca o uso das competências dos liderados, incentivando a apropriação de novos conhecimentos, o treino das habilidades e a mudança contínua de atitude para o alcance dos objetivos. TROCANDO IDEIAS A revista Época Negócios publicou, em setembro de 2015, um artigo sobre sutis indícios que podem ser percebidos e associados ao fato do “seu chefe não gostar de você”. Leia a seguir um artigo que descreve os sinais sugeridos e discuta com o grupo sua opinião sobre como lidar com estes sinais no ambiente de trabalho, tanto no papel de líder quanto no papel de liderado. 1. Seu chefe nunca pede sua opinião ou o envolve em decisões importantes Quando seu chefe não o inclui em grandes decisões relacionadas à sua esfera de influência, talvez seja um sinal de que ele não confia na sua opinião. “Toda vez que alguém pede sua opinião, um input, é como se enviassem uma mensagem dizendo: você é valorizado. Fazer o contrário, ou seja, não pedir sua opinião, é como dizer: ‘Eu realmente não ligo para o que você acha’”, diz o especialista Michael Kerr. 2. Seu chefe faz de conta que você não existe Se o seu superior não lhe dá “Bom dia” quando você chega ou “Boa noite” quando está de saída, mas não deixa de cumprimentar os outros funcionários, pode ser sinal de que não gosta de você, diz Lynn Taylor. 3. Seu chefe é “seco” com você e não sorri quando você está por perto Se você pergunta “Como vai?”, e ele responde algo como “Ok” ou “Bem” e ponto final – ou se os e-mails sempre vão direto ao ponto, nunca começando com um “Olá, como vai” ou “Boa tarde”, pode ser um sinal de que seu chefe não está entre os seus maiores fãs. “Se seu chefe 18 dá respostas como se fosse um adolescente de mau humor, esse é um sinal muito forte”, diz Kerr. 4. Seu chefe não consegue olhar nos seus olhos É difícil para alguém que está zangado olhar de frente para o “objeto de sua ira”, diz Lynn Taylor. “Quando estão zangados, muitos chefes temem que você possa detectar a hostilidade, então em geral tendem a olhar para o lado e evitar ficar perto de você, sempre que possível”. 5. Seu chefe foge de você como o diabo foge da cruz Se você percebe que seu chefe prefere ir pela escada quando você está sozinho esperando o elevador ou então monta seu cronograma de maneira que ele passe o menor tempo possível no escritório a seu lado, esse é um bom sinal de que ele está te evitando. 6. Seu chefe evita conversar com você sempre que possível e prefere se comunicar por e-mails Um bom sinal de que seu superior não gosta de você é a limitação de contato a somente o necessário – o que não inclui, por exemplo, a comunicação cara a cara. Se notar que ele prefere usar e-mails e outras formas de comunicação digital, está aí sua prova. 7. Seu chefe nunca te convida para participar de reuniões importantes ou projetos especiais Quaisquer sinais de que você está sendo deixado de lado devem acender o sinal vermelho de que ele tem problemas com você, diz Michael Kerr. 8. Seu chefe discorda de todas as suas opiniões Se cada vez que você abre a boca para dar uma ideia ou opinião, seu chefe corta para dizer que é contra ou discorda (mas não faz isso com outros funcionários), provavelmente ele não vai mesmo com a sua cara. 9. Seu chefe nunca pergunta sobre sua vida pessoal, só fala de trabalho Se perceber que seu chefe pergunta aos colegas sobre filhos, férias ou sobre aquele curso de fotografia nas horas vagas, mas jamais mostra interesse por sua vida pessoal, está claro que não quer saber da sua vida – e provavelmente tudo ligado a você, diz Kerr. 10. Seu chefe só passa tarefas que ninguém quer fazer Se seu superior lhe passa apenas tarefas “idiotas”, que estariam bem abaixo da sua capacidade ou competência, seria um sinal de que está te encorajando a procurar emprego em outro lugar, diz Taylor. 11. Seu chefe nunca te dá feedback... Um chefe que está interessado em fazer com que seus funcionários “cresçam” e desenvolvam suas habilidades sempre dá feedback – bom ou ruim. “A falta de feedback mostra total indiferença em relação ao seu desempenho e possível crescimento desse funcionário”, diz Michael Kerr. 12. … ou só te dá feedback negativo, e normalmente em público Criticar abertamente seus esforços ou ideias em uma reunião é um grande sinal de desrespeito. Se o seu chefe faz um esforço extra para deixá-lo sem graça na frente dos colegas, as chances são muitos grandes de que ele não gosta mesmo de você. 13. Seu chefe nunca faz brincadeiras ou piadas que o incluam quando se diverte com o grupo 19 Fazer brincadeiras com os funcionários é normalmente um sinal de que eles são parte da equipe, no melhor espírito “você é um dos nossos”. Então, quando um chefe nunca se sente à vontade para fazer piadas com você, já sabe. 14. Seu chefe leva o crédito por ideias que são suas “Vale dizer que muitos chefes fazem esse tipo de coisa mesmo com funcionários dos quais gostam, mas se seu chefe não gosta mesmo de você, ele pode detestar a menor possibilidade de te dar crédito por seu trabalho ou por suas ideias”, explica Lynn Taylor. Entendeu agora ou quer que desenhe? Fonte: 14 SINAIS de que seu chefe te odeia (secretamente, claro). Época Negócios, 09 set. 2015. Disponível em: <http://epocanegocios.globo.com/Inspiracao/Carreira/noticia/2015/09/14-sinais-de-que-seu-chefe-te-odeia-secretamente-claro.html>. Acesso em: 08 mar. 2017. NA PRÁTICA Eduardo foi contratado como supervisor de uma equipe comercial com 12 vendedores e 12 assistentes comerciais internos. Em seu primeiro dia de trabalho, foi chamado na sala de seu gestor que fez o seguinte relato: "Eduardo, o supervisor anterior tratava todos com desrespeito, fazendo sempre fortes críticas. A rotatividade da equipe está muito alta, estamos perdendo em torno de cinco profissionais por mês. Em função disso, a supervisão perdeu a credibilidade. A equipe é bem arredia e possivelmente tenha resistência à sua gestão. Gostaria que você estruturasse um plano para abordar a equipe e me apresentasse hoje à tarde, antes do seu primeiro contato com eles." Com base no que você aprendeu nas aulas, sugira um plano de ação para Eduardo apresentar para o seu gestor. Comentário: Tudo indica que o supervisor anterior fazia uso de uma fonte de poder de coerção e de autoridade, não sendo admirado nem reconhecido por suas efetivas habilidades. Como o texto indica a equipe receosa, um primeiro passo para o novo supervisor seria se aproximar dessa equipe. Poderia, por exemplo, fazer uma conversa individual com todos os integrantes da equipe. O supervisor pode experimentar práticas de outras fontes de poder, como vimos no Tema 2: contar um pouco das suas experiências (conhecimento), ser mais afável (persuasão) e criar planos de premiação (recompensa). Você pode detalhar 20 essas práticas por meio de um cronograma ou sugestões de ações que atendam esses modelos. FINALIZANDO Em resumo, a liderança estabelece disciplina e equilíbrio elevados, já que o ocupante dessa posição se depara com demandas diversas e não planejadas. Vimos nessa aula pontos fundamentais do que pode e do que não deve ser feito, com o objetivo de lhe dar subsídios para a realização desse papel. Fazer a gestão de uma equipe é viável por meio da utilização de ferramentas, que costumam trazer resultados. Mas se fazer líder, é algo além de gerir pessoas, pois é caracterizado somente se houver reconhecimento voluntário dos liderados acerca dessa posição. REFERÊNCIAS CHIAVENATTO, I. Gestão de pessoas. 2. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2005. LOTZ, E. G.; GRAMMS, L. C. Gestão de talentos. 1. ed. Curitiba: InterSaberes, 2012. WALGER, C.; VIPIANA, L.; BARBOZA, M. M. Motivação e satisfação no trabalho. 1. ed. Curitiba: InterSaberes, 2014.