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Atenção continuada em saúde
Prof.ª Thais de Barros Fernandes
Descrição Caracterização da Educação Continuada em Saúde e a atuação do
farmacêutico nesse processo.
Propósito Conhecer e aplicar os princípios da atenção continuada é essencial, uma
vez que os serviços farmacêuticos representam a materialização dos
cuidados em saúde prestados para o paciente e para a sociedade. A
Educação em Saúde está incluída nessas atividades, buscando a
promoção do uso adequado e seguro de medicamentos.
Objetivos
Módulo 1
Cuidados farmacêuticos no
tratamento não
medicamentoso
Módulo 2
Aspectos gerais da
Educação em Saúde e
cuidados farmacêuticos
Distinguir os tipos de serviços clínicos
farmacêuticos não medicamentosos.
Identificar ações e processos de Educação
em Saúde a partir dos cuidados
farmacêuticos.
Introdução
Você sabia que o farmacêutico também atua no cuidado direto ao
paciente? A atenção continuada é um modelo de cuidado que busca o
seguimento do cuidado em saúde, centralizado nas prioridades em saúde
do paciente, em busca da atenção integral. Os últimos anos têm
demostrado a importância do farmacêutico para além dos serviços
tipicamente gerenciais da cadeia de medicamentos.
As atribuições clínicas do farmacêutico constituem serviços e
procedimentos que visam à promoção, proteção e recuperação da saúde,
além da prevenção de doenças e de outros problemas de saúde. Tais
ações têm como objetivo proporcionar cuidado ao paciente, à família e à
comunidade, de forma a promover o uso racional de medicamentos e
otimizar a farmacoterapia – com o objetivo principal de melhoria da
qualidade de vida do paciente.
O cuidado farmacêutico é um modelo de prática que orienta a entrega de
diferentes serviços e procedimentos, os quais podem estar diretamente
relacionados com o medicamento ou não.

1 - Cuidados farmacêuticos no tratamento não medicamentoso
Ao �nal deste módulo, você deverá ser capaz de distinguir os tipos de serviços clínicos farmacêuticos
não medicamentosos.
Assistência e atenção
farmacêutica
Assistência farmacêutica
Há uma dificuldade para definir esse conceito, originada a partir das diferenças
entre os serviços de atenção à saúde prestados. Algumas confusões estão
relacionadas às tentativas de tradução de termos utilizados em outros idiomas –
como pharmaceutical care e atención farmacéutica – e as tentativas de
transposições das práticas desses países.
Além disso, é sabido que a assistência farmacêutica vai além
da atuação do farmacêutico, reconhecido como um campo de
saberes multiprofissional e interdisciplinar.
No Brasil, esse termo tem um caráter
bastante abrangente.Trata-se de um
conjunto de ações e serviços
associados ao medicamento em
diversos níveis, sobretudo no que diz
respeito à melhoria das condições de
saúde promovida pela sua correta
utilização.
Dessa maneira, a atenção
farmacêutica se insere nesse
conceito, por se tratar de ações do
farmacêutico voltadas à assistência à
população (a um paciente ou a uma
comunidade) e a fim de promover o
uso racional de medicamentos.
A publicação da Política Nacional de Medicamentos permitiu o reconhecimento
da assistência farmacêutica como parte essencial do sistema de saúde e
elemento básico para a execução das atividades de promoção e aprimoramento
das condições de cuidado em saúde da população. A terminologia adotada por
ela é utilizada por pesquisadores que têm como objeto de estudo o tema, a
saber, a Portaria nº 3.916, de 30 de outubro de 1998:
Grupo de atividades relacionadas com o
medicamento, destinadas a apoiar as
ações de saúde demandadas por uma
comunidade. Envolve o abastecimento de
medicamentos em todas e em cada uma
de suas etapas constitutivas, a
conservação e controle de qualidade, a
segurança e a eficácia terapêutica dos
medicamentos, o acompanhamento e a
avaliação da utilização, a obtenção e a
difusão de informação sobre
medicamentos e a educação permanente
dos profissionais de saúde, do paciente e
da comunidade para assegurar o uso
racional de medicamentos.
(BRASIL, 1998)
Atenção farmacêutica
No começo da década de 1990, pesquisadores intensificaram as discussões
sobre o pharmaceutical care – posteriormente adaptado ao Brasil como “atenção
farmacêutica”. Tratava-se de uma ideia além da provisão e dispensação de
medicamentos, vislumbrando uma aproximação e o desenvolvimento de uma
relação entre farmacêutico e paciente em busca dos melhores resultados em
saúde para ele.
Dessa maneira, a Organização Mundial da Saúde define atenção farmacêutica
como:
Atitudes,
comportamentos,
compromissos,
inquietações, valores
éticos, funções,
conhecimentos,
responsabilidades e
destrezas do
farmacêutico na
prestação da
farmacoterapia, com
o objetivo de alcançar
resultados
terapêuticos
de�nidos na saúde e
na qualidade de vida
do paciente.
(Traduzido de Opas/OMS, 1993, p.3)
Mas quais seriam esses resultados em saúde?
A cura de doenças, amenizar ou acabar com sintomas e atrasar
ou prevenir o início de uma doença ou sintoma.
No Brasil, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a Sociedade Brasileira
de Farmácia Hospitalar (Sbrafh), o Conselho Federal de Farmácia (CFF), a
Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), a Secretaria Estadual de
Saúde do Ceará, a Gerência de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde
(GTAF) e a Rede Unida se uniram para estabelecer o significado dessa
terminologia, que foi publicada na Resolução n° 338, de 06 de maio de 2004,
como:
Atitudes, valores éticos, comportamentos,
habilidades, compromissos e
corresponsabilidades na prevenção de
doenças, promoção e recuperação da
saúde, de forma integrada à equipe de
saúde. É a interação direta do
farmacêutico com o usuário, visando a
uma farmacoterapia racional e à obtenção
de resultados definidos e mensuráveis,
voltados para a melhoria da qualidade de
vida. Esta interação também deve envolver
as concepções dos seus sujeitos,
respeitadas as suas especificidades
biopsicossociais, sob a ótica da
integralidade das ações de saúde.
(BRASIL, 2004)
Farmácia clínica e cuidado
farmacêutico
Farmácia clínica
Voltando um pouco, no final da década de 1960, nos Estados Unidos, os
farmacêuticos iniciaram um movimento de questionamento da sua formação e
suas atitudes em relação aos seus pacientes. Vários problemas foram
detectados e abordados, a fim de encontrar soluções viáveis dentro das suas
competências.
Assim, no final do século, surgiu a necessidade de criação de
uma nova disciplina, denominada “Farmácia Clínica”. Tal
conhecimento permitiria a melhoria do cuidado com os
pacientes e sua integração com a equipe de saúde.
No Brasil, as discussões acerca do desenvolvimento da Farmácia Clínica se
iniciaram somente na década de 1980, ou seja, com um atraso de 20 anos em
relação aos Estados Unidos. Tal discrepância resultou em um atraso no início do
processo de cuidado farmacêutico no País.
Atualmente, o Conselho Federal de
Farmácia define a disciplina como
uma área da Farmácia voltada para a
pesquisa e prática do uso racional de
medicamentos.
Seu núcleo está direcionado ao
cuidado do paciente, com a finalidade
de melhorar os resultados da terapia
medicamentosa, propiciar saúde e
bem-estar e evitar doenças.
Na área da pesquisa, ela aborda a
esfera da atuação clínica do
farmacêutico e as possíveis melhorias
das práticas de cuidado.
Seu campo permite o desenvolvimento de estudos de:

Avaliação de
tecnologias em
saúde
Por meio de
metodologias de revisão
ou abordagens
farmacoeconômicas.

Serviços de
saúde
Por meio de estudos
experimentais.

Utilização de
medicamentos
Por meio de estudos
observacionais.
Como área de prática profissional, direciona modelos de práticas que sugerem a
condução de diferentes serviços e procedimentos farmacêuticos. Seu principal
objetivo está no empenho da busca pela prevenção e a resposta aos problemas
relacionados à terapia medicamentosa, ao uso adequado e racional de
medicamentos, à promoção, à proteção e à recuperação da saúde,bem como à
prevenção de doenças e de outros problemas de saúde.
O farmacêutico atua em conjunto com a equipe multidisciplinar.
Cuidado farmacêutico
Trata-se do embasamento teórico para garantia da qualidade dos serviços
farmacêuticos. O conceito determina que o farmacêutico tem por função o
atendimento, dentro das suas capacidades profissionais, das necessidades de
saúde do paciente, sobretudo ao que diz respeito à terapia medicamentosa.
É dever do farmacêutico garantir que a farmacoterapia seja
adequada para tratar seus problemas de saúde. Do ponto de
vista do medicamento, sua segurança e efetividade devem
ser asseguradas. Do ponto de vista do paciente, o
farmacêutico deve certificar seu interesse e sua aptidão para
a utilização correta dos medicamentos.
O processo do cuidado se desenvolve com base no método científico, partindo
da observação de um problema e buscando a sua resolução. O campo da gestão
utiliza a metodologia circular denominada PDCA, conhecida pela execução das
ações de planejar (plan), fazer (do), verificar (check), agir (act) e retornando ao
início para um novo ciclo – planejar, fazer, verificar e agir.
A Saúde utilizou tal metodologia para basear a criação de protocolos de cuidado
com o paciente. O cuidado farmacêutico envolve etapas como:
Atribuições clínicas do
farmacêutico
De�nições
As atribuições compõem os direitos e as obrigações clínicas desse profissional,
a partir da sua habilitação e registro no conselho regional do seu estado. No
Brasil, são regulamentados pela Resolução CFF nº 585, de 29/08/2013, que
determina as atribuições clínicas do farmacêutico em diferentes ambientes
(como hospitais, ambulatórios, unidades de atenção primária à saúde, farmácias
comunitárias, drogarias, entre outros).
Assim, vamos diferenciar alguns termos importantes na prática profissional:
 Acolhimento ou a identi�cação da demanda
 Identi�cação das necessidades de saúde (a anamnese
farmacêutica)
 Criação de um plano de cuidado com a participação ativa do
paciente
 Avaliação dos resultados obtidos
Atribuições
São os direitos e
deveres do profissional,
no que tange à sua área
de atuação.
Atividades
São ações do processo
de trabalho.
Serviços
É o conjunto dessas
atividades.
Os serviços clínicos farmacêuticos, como o acompanhamento
farmacoterapêutico, são constituídos de um agrupamento de atividades
específicas de natureza técnica e podem ser realizadas por esse profissional
devido ao aporte legal na definição das suas atribuições clínicas.
Saiba mais
A importância de definir esses conceitos partiu da necessidade de expansão das
atividades clínicas do farmacêutico ̶ a qual ocorreu, em parte, devido a
mudanças no perfil demográfico e epidemiológico da população brasileira. O
País apresentou um envelhecimento da população, refletindo em um aumento na
morbidade e na mortalidade por doenças crônicas não transmissíveis (como a
hipertensão e a diabetes). Esse cenário demonstrou a necessidade de realizar o
cuidado direto com o paciente, possibilitando o uso racional de medicamentos e
de outros insumos em saúde e reorientando as suas atividades desse
profissional, com base nas demandas dos pacientes, família, cuidadores e
sociedade.
Em resumo, o cuidado prestado pelo farmacêutico se efetiva por meio da
realização de:
É a conciliação de medicamentos, monitorização terapêutica de
medicamentos, revisão da farmacoterapia, acompanhamento
farmacoterapêutico, gestão da condição de saúde, educação em saúde,
entre outros.
Serviços farmacêuticos direcionados ao paciente 
Serviços farmacêuticos direcionados ao paciente, à família e à
comunidade 
São práticas integrativas e complementares (reconhecidas a partir da
Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, PNPIC –
são consideradas a acupuntura, a antroposofia, a fitoterapia, a floral
terapia e a homeopatia) e práticas em estética.
É a verificação/monitorização de parâmetros clínicos, realização de
pequenos curativos, organização dos medicamentos em uso pelo
paciente, entre outros.
Serviços clínicos farmacêuticos
Afinal, o que é um serviço? Quando pesquisamos no dicionário, podemos achar
diferentes significados relacionados com a natureza e com os tipos de
atividades executadas. Aqui, vamos nos ater ao significado de que um serviço é
um conjunto de atividades estruturadas a partir de um processo de trabalho.
Por hierarquia, os serviços farmacêuticos fazem parte dos
serviços de saúde, os quais atuam para a prevenção, o
diagnóstico e o tratamento de doenças e sintomas, assim
como a promoção, manutenção e recuperação da saúde.
Então, os serviços farmacêuticos são um grupo de atividades estruturadas em
um processo de trabalho que têm por intenção apoiar os serviços de saúde, com
o propósito de melhoria da qualidade de vida das pessoas.
Saiba mais
Cabe destacar o caso da consulta farmacêutica, que não pode ser classificada
como um serviço. Trata-se de uma ação na qual o farmacêutico realiza um
encontro com o paciente com o objetivo de prover diferentes tipos de serviços
ou procedimentos de acordo com as dificuldades encontradas naquele caso, as
carências do paciente e as qualidades do serviço de saúde ao qual aquele
profissional pertence. Seu principal objetivo é obter os melhores resultados
possíveis, a partir da terapia farmacológica e proporcionar o uso racional de
Procedimentos diretamente relacionados ao paciente 
medicamentos. Ela também tem como meta a promoção, proteção e
recuperação da saúde e prevenção de doenças e de outras condições de saúde.
Procedimentos clínicos farmacêuticos
Os procedimentos são metodologias que permitem a execução de ações e
processos, ou seja, dizem sobre a maneira pela qual uma tarefa deve ser
cumprida.
Na área da saúde, assim como em outras áreas que buscam a padronização de
ações com o objetivo de diminuir a ocorrência de desvios de execução de uma
determinada atividade, é comum que certos procedimentos sejam desenvolvidos
por meio de instruções denominadas Procedimento Operacional Padrão (POP).
Comentário
Esses documentos devem trazer informações sobre o que é aquele
procedimento, seu objetivo, quando o executar, quem deve executar, os materiais
necessários, entre outras informações importantes.
A Resolução nº 585/2013, do Conselho Federal de Farmácia, estabelece os
procedimentos que podem ser executados por esse profissional durante a
realização dos serviços farmacêuticos ou fora deles, objetivando contribuir para:

A prevenção de
doenças

A promoção e
recuperação da
saúde

O bem-estar
das pessoas
Ou seja, essas ações têm o propósito de obter informações sobre o paciente ou
contribuir para o uso de recursos terapêuticos necessários para executar o
processo de cuidado.
A maioria desses procedimentos, como:
Verificação de parâmetros clínicos;
Perfuração de lóbulo auricular;
Realização de pequenos curativos;
Administração de medicamentos;
Procedimentos em estética e acupuntura;
Entre outros procedimentos,
necessita do desenvolvimento de habilidades motoras. Dessa maneira, o
profissional deve estudar exaustivamente como executar o procedimento e ter
acesso a todas as instruções presentes nos POPs, porém, ter noção de que
algumas dessas ações só serão aperfeiçoadas a partir da prática.
Atenção!
A segurança e a qualidade desses procedimentos são garantidas por meio da
padronização das ações, o cumprimento das normas de biossegurança,
registros documentais, o uso de equipamentos calibrados e qualificados e o
cumprimento da legislação vigente.
Tratamento não medicamentoso
Cuidados farmacêuticos no tratamento não
farmacológico
São consideradas práticas não farmacológicas de cuidado ações de promoção,
proteção e recuperação da saúde que não são centralizadas na utilização de
medicamentos alopáticos. Diferentes abordagens são necessárias, de acordo
com a doença ou sintoma a ser tratado.
Um exemplo bastante comum sobre o uso de terapias não farmacológicas é o
manejo da dorcrônica. Nesse caso, os tratamentos podem ser utilizados com o
objetivo de diminuir a dor, trazer alívio psicológico (por meio de redução da
ansiedade, do estresse e do medo) e trazer a sensação de controle para o
paciente. São exemplos de práticas:
Intervenções físicas
Por meio de massagem, uso
de calor e frio, acupuntura,
corrente elétrica,
homeopatia, entre outros.
Intervenções psicológicas
Por meio de terapia
cognitivo-comportamental,
técnicas de Mindfulness,
meditação, entre outros.
Como o farmacêutico pode atuar nessa modalidade de cuidado?
Resposta
Existem diversas maneiras, sobretudo, devido à posição em que esse
profissional se encontra – muitas vezes em contato direto com o paciente em
unidades dispensadoras de medicamentos. Entre os serviços que ele pode
ofertar e que não estão diretamente relacionados à farmacoterapia, destacam-
se: a educação em saúde, o rastreamento em saúde e manejo de problemas de
saúde autolimitados, que serão abordados adiante.
Serviços farmacêuticos no tratamento não
medicamentoso
Rastreamento em saúde
Esse serviço permite ao farmacêutico identificar uma doença ou uma condição
de saúde em duas situações: quando o paciente ainda não manifestou os
sintomas ou quando ele tem possibilidade de desenvolvê-las. Na prática, o
profissional conduz uma série de procedimentos, exames ou aplicação de
instrumentos validados (fluxogramas, escalas, entre outros); analisa os
resultados; e realiza a orientação e o encaminhamento do paciente ao
profissional ou ao serviço de saúde adequado para o seu diagnóstico e
tratamento. É importante ressaltar que o rastreamento em saúde não é utilizado
como prova diagnóstica definitiva.
Dessa maneira, o rastreamento em
saúde tem um papel importante na
contribuição para a redução do
agravamento de diversas doenças –
sobretudo as crônicas não
transmissíveis (como hipertensão e

Farmacêutica fazendo aferição de pressão arterial. diabetes), que muitas vezes ainda são
subdiagnosticadas. Assim, a
contribuição do farmacêutico para a
identificação e o cuidado precoce
dessas doenças ajuda muito na
redução da sua morbidade.
A eficiência desse serviço para rastreamento de doenças específicas deve
considerar algumas questões, como:
Vamos ver, a seguir, como isso é feito.
Avaliação de parâmetros clínicos e laboratoriais
O farmacêutico pode executar uma série de procedimentos, exames ou
aplicação de instrumentos a fim de avaliar resultados complementares e decidir
 A doença deve ocorrer com bastante frequência e ser
considerada grave nessa população
 Os sinais e sintomas relacionados a ela devem ser
detectáveis e prevalentes
 A detecção precoce pode contribuir para a redução da
morbidade pela doença
 E, quando detectada, deve dispor de tratamento efetivo
sobre a melhor conduta para auxiliar o paciente. Entre outros testes utilizados,
os principais são:
Veri�cação da
pressão
arterial
Medidas da
glicemia, do
colesterol e
dos
triglicerídeos
capilares
Análises
antropométricas
Alguns instrumentos de entrevista adaptados ao português e validados também
são comumente utilizados, como, por exemplo:
Escore de risco de diabetes tipo 2 (do inglês Finnish Diabetes Risk –
FINDRISC);
Miniexame do estado mental;
Escore para triagem de depressão (do inglês The Patient Health
Questionnaire 2 - PHQ2);
Entre outros.
Para garantir a eficiência do serviço, os procedimentos usados devem ser de
baixo custo, boa sensibilidade e reprodutibilidade e de fácil aplicação. Mais uma
vez, cabe ressaltar a importância da criação dos POPs – Procedimentos
Operacionais Padrão – para garantir a padronização da execução dessas
atividades. Por fim, os testes devem ser os menos invasivos possíveis, a fim de
aumentar a aceitação pelos pacientes.
A escolha da melhor conduta clínica não medicamentosa, após a avaliação dos
testes, pode conduzir o farmacêutico a dois caminhos: o aconselhamento
farmacêutico ou encaminhamento. Vamos dedicar este espaço para a
compreensão do encaminhamento farmacêutico e retomar a discussão sobre o
aconselhamento no tópico de Educação em Saúde.
A decisão sobre o encaminhamento
do paciente deve ser registrada no seu
prontuário ou na sua receita. Além
disso, ele deve receber um documento
contendo as motivações do
farmacêutico para realizar essa ação e
as demais informações necessárias
para garantia da continuidade do
cuidado. Todo o processo deve ser
explicado para o seu paciente e seu
cuidador.
Saiba mais
Embora o prontuário seja um documento muito conhecido no âmbito hospitalar,
ele existe em outros ambientes de saúde. No caso de consultórios
farmacêuticos ou farmácia não vinculados a outros serviços de saúde (como
hospitais) ou outros profissionais de saúde, apenas o farmacêutico registrará os
atendimentos e orientações, para que possa ter registro do plano de cuidados do
paciente e avaliar se há necessidade de encaminhamento a outro profissional.
Agora vamos ver um vídeo para entendermos como fazer o rastreamento em
saúde e a definição da melhor conduta clínica.
Rastreamento em saúde
Neste vídeo, a partir de um relato de caso, a especialista explicará como deve ser
feito o rastreamento em saúde e quais os sinais que devem ser observados para
a escolha da melhor conduta clínica: orientação farmacêutica ou
encaminhamento.

Problema autolimitado e prática
integrativa e complementar
Manejo do problema de saúde autolimitado
Problemas de saúde autolimitados são condições agudas conhecidas como
transtornos menores, que duram por curtos períodos e são de baixa gravidade,
como dores de cabeça e resfriados. No geral, sua evolução não leva a danos
para a saúde.
O farmacêutico pode realizar
diferentes tipos de manejo para os
problemas de saúde autolimitados. O
processo se inicia pelo acolhimento
sobre a questão trazida pelo paciente
e tem sequência com a prescrição de
medicamentos que não necessitam de
prescrição médica para a
dispensação.
O farmacêutico pode prescrever medicamentos industrializados e preparações
magistrais – alopáticos ou dinamizados –, plantas medicinais e drogas vegetais.
O processo deve ser acompanhado pelo profissional, a fim de verificar a sua
resolução. Quando necessário, esse serviço também deve ter como desfecho o
encaminhamento para outro profissional ou serviço de saúde.
Veja o fluxo que deve ser seguido desde o acolhimento da demanda do paciente
até a avaliação dos resultados obtidos. Esse fluxo pode ser usado também no
rastreamento em saúde quando forem observadas alterações nos parâmetros
clínicos, como a glicemia, por exemplo.
Fluxo de cuidado farmacêutico.
Esse serviço é de extrema importância devido aos riscos da utilização de
medicamentos de maneira desassistida, os quais podem estar relacionados ao
insucesso na resolução do transtorno ou à ocorrência de mais problemas de
saúde. Tais riscos justificam a oferta desses serviços, sobretudo em farmácias
comunitárias e drogarias. Além do que foi dito, esse serviço contribui para a
redução da sobrecarga das unidades de atendimento, pois permite a resolução
de pequenas condições que não exigem consulta médica.
Indicação de práticas integrativas e
complementares
Você sabe o que são práticas integrativas e complementares? Conhecidas como
PICS, elas são consideradas recursos terapêuticos fundamentados em
conhecimentos tradicionais. Podem ser usadas para a prevenção de agravos e a
promoção e recuperação da saúde, além do tratamento paliativo de algumas
condições crônicas de saúde. São elas:
Medicina Tradicional Chinesa/Acupuntura;
Medicina Antroposófica;
Homeopatia;
Plantas Medicinais e Fitoterapia;
Meditação;
Reiki;
Yoga;
Aromaterapia;
Ozonioterapia;
Terapia de Florais;
Entre outras 18 práticas.
A Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares foi implementada
no Sistema Único de Saúde, em 2006, com o propósito de contribuir no processo
de atenção integral à saúde. Esse processo foi impactado por um relatório
emitidoa partir da 1ª Conferência Nacional de Assistência Farmacêutica, o qual
enfatizava a importância de aumentar o acesso aos medicamentos fitoterápicos
e homeopáticos no SUS. O acesso a essas práticas têm aumentado desde 2006,
pois muitos estados e municípios criaram legislações específicas para a sua
implantação.
As práticas integrativas e
complementares proporcionaram
novos campos de atuação para o
farmacêutico. Além da manipulação,
esse profissional também pode
realizar a prescrição de medicamentos
homeopáticos e florais, tornando-o
protagonista de atendimentos com as
PICS em vários ambientes de saúde.
Atenção!
Ressaltamos a contribuição das PICS para a atenção à saúde – não em um
caráter de substituição à Medicina tradicional e ao uso de medicamentos
alopáticos, mas sim em um caráter de complemento. Elas são oferecidas de
maneira paralela ou integrada aos medicamentos, cirurgias e demais
procedimentos oferecidos pela Medicina convencional.
A homeopatia e a terapia �oral
O farmacêutico homeopata é o profissional registrado no Conselho Regional de
Farmácia do seu estado e ele possui formação teórico-prática em homeopatia.
Tal conhecimento é acessado por meio de disciplinas oferecidas por cursos de
graduação de Farmácia e estágio na área, por curso de pós-graduação latu sensu
(especialização) ou por outros cursos reconhecidos pelo Conselho Federal de
Farmácia.
Seguindo uma regra semelhante aos medicamentos
alopáticos, o farmacêutico só pode prescrever medicamentos
homeopáticos isentos de prescrição médica. Quais são eles?
São os medicamentos que têm
concentração de substância ativa
equivalente às doses máximas
farmacologicamente estabelecidas.
Ou seja, ele só pode indicar
medicamentos homeopáticos de baixa
potência, utilizados para o tratamento
de patologias menores.
Assim, a entrevista farmacêutica para
a indicação de medicamento
homeopático deve ser baseada em
técnicas de comunicação que
propiciem a boa compreensão do
paciente sobre a utilização do seu
medicamento.
Medicamentos homeopáticos e fitoterápicos fazem
parte das PICS.
A entrevista farmacêutica para a indicação de medicamento homeopático deve
ser baseada em técnicas de comunicação que propiciem a boa compreensão do
paciente sobre a utilização do seu medicamento. São etapas fundamentais
nesse processo:
 Identi�cação da questão de saúde
 Observação de sinais e sintomas aparentes
 De�nição sobre a necessidade de indicação do medicamento
 Possibilidade de encaminhamento ao médico
 Seleção do medicamento apropriado para a resolução do
caso
 Construção de um conjunto de informações a serem
passadas
 Acompanhamento do paciente para avaliação da resolução
das questões
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
De acordo com a Resolução nº 585, de 29 de agosto de 2013, do Conselho
Federal de Farmácia (CFF), é uma atribuição clínica do farmacêutico que
pode ser relacionada ao tratamento não medicamentoso
Parabéns! A alternativa B está correta.
Trata-se de uma atribuição do farmacêutico relacionada à comunicação e
Educação em Saúde, e não associada diretamente ao tratamento
medicamentoso. As demais opções são relacionadas ao uso de
medicamentos.
Questão 2
Sobre o serviço clínico de manejo de problema de saúde autolimitado, é
correto afirmar que
A
determinar parâmetros bioquímicos e fisiológicos do
paciente, para fins de acompanhamento da farmacoterapia e
rastreamento em saúde.
B
elaborar materiais educativos destinados à promoção,
proteção e recuperação da saúde e prevenção de doenças e
de outros problemas relacionados.
C
monitorar níveis terapêuticos de medicamentos, por meio de
dados de farmacocinética clínica.
D
realizar, no âmbito de sua competência profissional,
administração de medicamentos ao paciente.
E
prescrever, conforme legislação específica, no âmbito de sua
competência profissional.
A
o farmacêutico também deve atuar no manejo de problemas
de saúde considerados graves.
Parabéns! A alternativa D está correta.
O farmacêutico pode utilizar da indicação de medicamentos isentos de
prescrição para o manejo de condições de saúde consideradas menores e
agudas. As alternativas A, B e C não são atribuições do farmacêutico,
enquanto a alternativa E apresenta outro serviço, o rastreamento em saúde.
B
o farmacêutico não deve realizar o encaminhamento do
paciente para outros profissionais ou serviços de saúde.
C
o farmacêutico deve utilizar métodos invasivos para o
diagnóstico das condições.
D
o farmacêutico pode indicar terapias não medicamentosas,
que incluem as práticas integrativas e complementares em
saúde.
E
o farmacêutico pode utilizar esse serviço para realizar o
rastreamento de doenças prevalentes na população.
2 - Aspectos gerais da Educação em Saúde e cuidados
farmacêuticos
Ao �nal deste módulo, você deverá ser capaz de identi�car ações e processos de Educação em Saúde
a partir dos cuidados farmacêuticos.
Fundamentos da Educação em
Saúde
Breve histórico
A Educação em Saúde no Brasil se desenvolveu a partir do século XX, em meio
às endemias de doenças infecciosas e parasitárias. Sua execução era
considerada vertical, na qual os que obtém maior grau de formação passam os
ensinamentos para quem tem menos e não há troca; e higienista, na qual se
defende que a população deve adotar certos padrões sociais e de
comportamento em nome da saúde. Vamos ver agora um resumo sobre os
principais acontecimentos:
 Na segunda metade do século XIX
Esse campo recebia o nome de “educação higienista”, na
qual seu foco eram os determinantes biológicos das
doenças infecciosas.
 Em 1920
Seu nome passou a ser “educação sanitária”, devido ao
desenvolvimento da saúde pública. Porém, seu foco ainda
era na prevenção de doenças e seu processo guiado por
orientações embasadas na mudança de comportamento.
Educação em Saúde
Além de ser reconhecido como um serviço clínico, a Educação em Saúde é uma
atribuição do farmacêutico em diferentes ambientes de trabalho. Esse serviço é
 Em 1950
As metodologias de educação foram alteradas devido à
influência de novas teorias e estratégias adotadas em
outros países. Tais ideias apontavam para a necessidade do
aumento da participação da população, favorecendo o
desenvolvimento de habilidades pessoais e da comunidade.
 Em 1960
Os profissionais passaram a praticar essa nova dimensão,
com o uso de métodos e técnicas específicas usadas para
reafirmar a participação comunitária e a consideração do
saber popular. Dessa maneira, fica claro o quanto o
processo de desenvolvimento da Educação em Saúde foi
mediado por limites e manipulação política da sua prática.
 Atualmente
Usamos “Educação em Saúde”, pois esse termo incorpora
os determinantes sociais e culturais no conceito de saúde.
A proposta atual coloca os educadores e os educandos em
posição de troca de conhecimento, permitindo que os
saberes se complementem em uma parceria de zelo por
melhores condições de vida. Essa terminologia é adotada
por todas as outras profissões da área da saúde.
praticado com o uso de diferentes estratégias educativas, juntando a sabedoria
popular e a científica.
Atendimento ao paciente.
Seu principal objetivo é obter a
autonomia dos pacientes e o
compromisso de todos os envolvidos
(pacientes, cuidadores, profissionais e
gestores) com a promoção da saúde,
prevenção e controle das doenças e
aumento da qualidade de vida. Seus
métodos visam ampliar os
conhecimentos, aperfeiçoar as
habilidades e as condutas sobre os
problemas de saúde e seus
tratamentos.
Seus princípios implicam na mobilização da comunidade com o compromisso
do exercício da cidadania.
A conquista da autonomia e da responsabilidade por decisões em saúde é
compreendido como o processo de empoderamento do paciente.
O profissional da saúde não deve impor ou realizar a
transferência vertical dos conhecimentos, e sim transmiti-los,
adaptando-os à realidade do receptor.
Educarem Saúde significa criar e aprimorar os conhecimentos dos pacientes a
fim de desenvolver responsabilidade pela própria saúde e pela saúde da
comunidade. Dessa maneira, o indivíduo também tem a possibilidade de
participar ativamente em sua comunidade.
A prática da Educação em Saúde está prevista na lei nº 13.021/2014, na qual fica
definido que a farmácia deve prover orientação sanitária individual e coletiva. O
farmacêutico pode conduzir essas ações por diversas maneiras, que veremos
agora:
São instrumentos úteis nessa prática:
Tabelas que auxiliem a visualização do horário adequado para usar
os medicamentos;
Caixas organizadoras de medicamentos que auxiliam na adesão;
Etiquetas ou rótulos com informações escritas ou visuais
(pictogramas) – sobretudo quando o paciente ou o cuidador não
sabem ler;
Demonstração da técnica de uso de dispositivos para administração
de medicamentos (como medicamentos inalatórios ou
medicamentos injetáveis) ou aparelhos para monitoramento de
parâmetros da saúde (como o glicosímetro);
Folders, panfletos ou cartazes, vídeos, outros.
 Aconselhamento sobre mudanças de hábitos de vida (como
cessação do tabagismo, por exemplo)
 Criação de atividades educativas para promover a adesão ao
tratamento ou o descarte correto dos medicamentos
 Demonstração da importância do tratamento
 Promoção de informações sobre doenças, fatores de risco e
condições de saúde
Importância da Educação em
Saúde
Educação em Saúde e o uso racional de
medicamentos
A contribuição da Educação em Saúde para o uso racional de medicamentos
está prevista na Política Nacional de Medicamentos (PNM). O código de ética do
farmacêutico e algumas legislações específicas que citam suas atribuições
reafirmam a relevância desse profissional em ações educativas individualizadas
e comunitárias.
Dispensação de medicamentos.
A dispensação é a atividade mais
realizada pelo farmacêutico nas
farmácias públicas e privadas no
Brasil. Ao mesmo tempo que esta se
trata da principal necessidade dos
usuários, é a atividade que mais
demanda tempo do farmacêutico. A
dispensação não é somente uma
entrega de medicamentos, ela é
composta por um processo de
orientação sobre o uso adequado
dessas tecnologias.
O enfoque das informações deve permanecer na obediência à dosagem, a
influência de bebidas e alimentos, a interação com outros medicamentos, a
possível ocorrência e o desenvolvimento de reações adversas, além de questões
de conservação de medicamentos.
A bula dos medicamentos é o material mais utilizado pelos pacientes para a
busca de informações. Porém, a linguagem utilizada na sua escrita é muito
técnica, o que dificulta a compreensão da população com baixa escolaridade.
Re�exão
O uso incorreto dos medicamentos devido à falta de informações proporciona a
ocorrência de problemas de efetividade e segurança. É preciso ter em mente que
o uso de um medicamento sempre poderá apresentar riscos. Nesse contexto, o
processo de orientação, quando realizado de maneira adequada, deve servir de
ferramenta para a prevenção de erros de medicação e problemas relacionados a
medicamentos.
Grupo de ações educativas em saúde.
É importante ressaltar o papel do
farmacêutico como educador em
ações coletivas. Trata-se de ações
comunitárias em saúde, reuniões para
grupos de usuários portadores de
determinadas doenças (como grupos
de diabetes e AIDS), ações
comunitárias locais, entre outras.
Esses métodos permitem a aplicação
de técnicas de prevenção primária,
além do compartilhamento de saberes
multi e interprofissional.
Aconselhamento farmacêutico
O aconselhamento em saúde é uma atividade na qual o farmacêutico executa
uma escuta ativa e voltada às demandas trazidas pelo paciente. Ela se baseia na
construção de uma relação de confiança entre as partes para que o paciente
possa reconhecer a sua autonomia e tornar-se o protagonista do seu processo
de saúde.
Seu principal objetivo é consolidar as aptidões do paciente no
controle do seu processo de tratamento para aprimorar a sua
adesão e com isso melhorar a sua saúde e a sua qualidade de
vida. O profissional também pode abordar informações sobre
cuidados em saúde e de higiene, de prevenção de doenças e
complicações ou de melhoria do estado geral de saúde.
Sua execução se desenvolve em um processo de troca de informações dinâmico
e bidirecional acerca de aspectos de cuidados em saúde e do uso de
medicamentos. Durante essa atividade, o profissional deve utilizar recursos que
favoreçam o processo, como:
Frascos graduados;
Conta-gotas;
Colheres de medida;
Seringas;
Cartazes ou folhetos educativos.
O aconselhamento também pode ter como desfecho o encaminhamento para
outro profissional e, nesse caso, uma ação deve dar sequência à outra.
Atenção!
O farmacêutico deve explicar a questão de saúde identificada por ele
(propiciando a troca de conhecimentos), aconselhar sobre a busca de outro
profissional ou serviço e redigir o documento para encaminhamento.
O benefício direto dessa atividade para o paciente se reflete no aumento da
segurança a respeito dos medicamentos, em que o sujeito aprimora os seus
conhecimentos, a fim de reconhecer a importância dos medicamentos para a
manutenção da sua saúde. Para o farmacêutico, essa atividade traz
reconhecimento profissional por parte da comunidade e dos demais
profissionais da saúde, além de aprofundar as relações de confiança com o
paciente – as quais facilitam o seu acesso a informações que podem auxiliar no
cuidado.
Ações em saúde para a comunidade
As ações comunitárias têm o papel de levar informação, a fim de que se
alcancem níveis elevados de saúde. A população deve ser orientada quanto à
utilização de medicamentos e maneiras de prevenir ou minimizar as
consequências das doenças mais prevalentes na sua região. Dessa forma, a
comunidade poderá apoiar os profissionais de saúde na realização de
movimentos maiores, contribuindo para a promoção da saúde.
Como o farmacêutico pode iniciar uma ação em saúde?
Vamos ver agora as etapas necessárias para o desenvolvimento desta ação:
O incentivo à participação popular garante um complemento para as demais
ações adotadas para a melhoria da saúde. Ter a comunidade como aliada nesse
processo significa ter mais pessoas conscientes sobre o uso de medicamentos
e as questões relacionadas às doenças. Assim, as pessoas podem contribuir e
levar as demandas para serem abordadas nas ações direto para os profissionais
que as executam.
Como incentivar a participação das pessoas?
Resposta
Basicamente, por meio da construção da relação de confiança. Os profissionais
devem escutar a opinião da comunidade quanto aos temas mais importantes a
 Ele deve se informar sobre as necessidades de informação
em saúde da população – incluindo medicamentos,
alimentação, habitação, escolaridade, morbidade e
mortalidade, higiene, entre outros.
 Nesta etapa, é importante garantir que haverá um material
de apoio à ação e, por isso, ele deve criar cartilhas, cartazes,
folhetos sobre os principais temas a serem abordados.
 Devem ser ministradas palestras, de preferência voltadas a
grupos específicos (pacientes com hipertensão, diabetes,
AIDS, alcoólatras, entre outros). Essas palestras também
podem ser ministradas no formato de roda de conversa e
troca de experiências, mediadas pelo profissional. Dessa
maneira, o paciente se torna consciente da sua importância
e do seu papel para a obtenção do sucesso no tratamento,
dividindo o protagonismo com o profissional de saúde e os
medicamentos.
serem abordados nos encontros de educação. A população também deve ser
convidada a participar das palestras e das rodas de conversa (por exemplo, na
ação sobre como administrar medicamentos injetáveis, convidar um paciente
usuário de insulina e permitir o seu relato de experiência).
Educação em cuidados com o
medicamento
Educação em Saúde e cuidados farmacêuticos
A abordagem do farmacêutico como educador deve incluir assuntos que vãoalém daqueles identificados na prescrição daquele paciente. A educação deve
ser a mais ampla possível, porém, dentro dos limites da compreensão de quem
se pretende educar. As informações envolvidas nesse processo devem ser
passadas com o foco de embasar mudanças de comportamentos acerca de
diversas questões relativas ao uso de medicamentos. A seguir, discutiremos
tópicos importantes e que devem ser tratados.
Conservação
Pouco se fala sobre como os medicamentos devem ser guardados e os
malefícios da falta de conservação.
A primeira informação importante é que os medicamentos devem ser mantidos
em suas embalagens originais. Os blisters ou cartelas só devem ser abertos no
momento da tomada da dose, caso contrário, o medicamento poderá perder a
sua atividade. Na fase do desenvolvimento, as indústrias avaliam a capacidade
de proteção da embalagem, tornando-a a mais adequada possível.
Saiba mais
Visto esse ponto, as embalagens devem ser mantidas em um local de abrigo da
luz, do calor e da umidade. Por isso, cômodos como cozinha e banheiro não são
adequados para o armazenamento, pois o calor e a umidade podem favorecer a
decomposição do medicamento. Já os medicamentos sensíveis à temperatura
devem ser mantidos sob refrigeração em geladeira – o local mais indicado é o
meio da geladeira, onde ocorrem menos variações de temperatura do que na
porta e tem menor risco de congelamento.
Características organolépticas dos medicamentos
O gosto, o cheiro e o formato de certos medicamentos podem dificultar a adesão
do paciente ao tratamento (sobretudo, no caso de crianças e idosos). Essa é
uma preocupação da indústria e das farmácias de manipulação, que tentam usar
excipientes compatíveis para disfarçar essas características.
O farmacêutico deve prestar orientação prévia sobre esses
aspectos, pois em muitos casos os pacientes podem desistir
da terapia devido a esses incômodos.
No caso de comprimidos, uma alternativa encontrada pela indústria para
mascarar esse problema foi o revestimento ou a encapsulação de formas
farmacêuticas sólidas. Em casos extremos, em que a adesão seja muito
dificultada, o farmacêutico deve contatar o médico para discussão sobre
possíveis alternativas.
Validade
O prazo de validade corresponde à data-limite que a indústria garante a eficácia
e a segurança do medicamento, caso a embalagem primária não seja aberta.
Isso significa que o prazo de validade é alterado a partir do momento em que o
paciente começa a utilizar o medicamento (seja sólido ou líquido).
Comentário
O contato do medicamento com agentes externos, como o ar, pode causar
alterações na formulação. Essa observação deve ser reforçada sobretudo no
caso das suspensões extemporâneas, que são reconstituídas com água filtrada
da casa do paciente. Dessa maneira, o paciente deve ser orientado a descartar
de maneira adequada os seus medicamentos em caso de sobra no final do
tratamento.
Educação em cuidados com o
paciente
Automedicação
A prática da automedicação faz parte dos cuidados de manutenção em saúde.
Quando realizada de maneira correta, ela pode ajudar a tratar pequenos males e
prevenir agravos. Porém, quando realizada de maneira desassistida e sem os
conhecimentos necessários para a sua execução, essa prática pode estar
relacionada a diversos riscos.
Atenção!
Dos problemas que podem ocorrer, destacam-se a dificuldade para avaliar a
gravidade das questões de saúde apresentadas e o conhecimento necessário
para optar por uma alternativa terapêutica adequada. O farmacêutico deve
avaliar se o problema realmente é uma queixa menor, que pode ser tratada com
um medicamento que não precisa de prescrição médica. Caso contrário, o
farmacêutico deve realizar o encaminhamento para outro profissional.
Riscos para crianças
Crianças são as principais vítimas da intoxicação devido ao uso acidental de
medicamentos. A indústria farmacêutica tenta aprimorar a farmacotécnica para
tornar as formulações cada vez mais aceitáveis para esses pacientes, incluindo
cor, sabor e odores agradáveis, porém, se a formulação for agradável demais, ela
pode gerar o risco do uso excessivo pela criança (que não compreende o seu
papel como medicamento) e, com isso, gerar intoxicação.
Algumas medidas para evitar esse
problema incluem o uso de frascos
com uma tecnologia especial na
tampa, que dificulta a abertura pelas
crianças e a criação de frascos
multigotas.
Por precaução, os medicamentos
devem ser guardados longe do
alcance das crianças.
Riscos para idosos
Idosos podem necessitar de cuidados específicos para a utilização de
medicamentos. Doenças relacionadas à memória ou à cognição podem dificultar
na compreensão do processo de tratamento, além de ocasionarem
esquecimentos sobre a tomada das doses.
Além do risco de causar diferenças farmacocinéticas devido à alteração nas
tomadas, pode haver duplicação ou supressão da dose, impactando no efeito
terapêutico. Os idosos também podem ter problemas em relação à abertura das
embalagens e à leitura de bulas e rótulos.
Se possível, o farmacêutico deve fazer desenhos esquemáticos e listas com o
auxílio de desenhos, que facilitem a compreensão, a seguir veremos um
exemplo. Por isso, assim como no caso das crianças, é necessário educar os
cuidadores para prestarem apoio.
O uso de imagens facilita o entendimento do paciente idoso ou analfabeto.
Riscos para a gravidez e a lactação
O uso de medicamentos durante a gravidez deve ser realizado com bastante
cautela. Algumas moléculas são capazes de atravessar a barreira da placenta e
atingir o feto, ou até mesmo se acumular no seu organismo. Dependendo do
período de desenvolvimento, os medicamentos podem causar más-formações
ou até mesmo levar ao aborto.
Efeitos negativos da utilização de medicamentos também
podem ocorrer durante a amamentação, em que certos
fármacos podem ser excretados ainda com atividade
biológica pelo leite materno. Nos dois casos, o uso de
medicamentos deve ocorrer somente quando necessário.
O paciente deve se consultar com o médico e com o farmacêutico para que
esses profissionais verifiquem se é possível utilizar aquele remédio e avaliem os
riscos e benefícios da sua utilização.
Riscos associados ao consumo de medicamentos durante a gravidez.
Consumo de bebidas alcoólicas
O álcool pode interferir no metabolismo de diversos medicamentos, aumentando
e/ou reduzindo o seu efeito. Anti-inflamatórios ou antibióticos podem ter sua
efetividade totalmente comprometida e, no caso da segunda classe, esse ato
ainda pode favorecer a ocorrência de microrganismos multirresistentes. Por
isso, é indicado que os pacientes não façam a sua ingestão até vinte e quatro
horas antes do início do esquema posológico.
O consumo de bebidas alcoólicas deve ser evitado
durante o tratamento medicamentoso.
Pacientes etilistas devem ter um
acompanhamento multidisciplinar e o
farmacêutico pode ser a porta de
entrada para esse processo.
Esse profissional pode ser o elo entre
os outros e realizar uma troca de
informações, além de acompanhar de
perto a evolução do paciente durante
o processo de dispensação.
Reutilização da prescrição
Nesse contexto, o paciente pode perceber semelhanças entre sinais e sintomas
que ele já teve no passado e utilizar as mesmas prescrições médicas para sanar
os problemas. Aqui, voltamos ao conceito e aos problemas relacionados à
automedicação. Para ser efetivo, exige conhecimentos básicos sobre sintomas,
problemas de saúde e decisões sobre a melhor escolha terapêutica.
Comentário
A reutilização da prescrição também pode ocorrer devido à dificuldade de
acesso ao sistema de saúde. É importante relembrar que as prescrições têm
prazos de validade diferentes, a depender da classe de medicamentos utilizada.
Seja qual for o motivo para essa prática, o paciente deve ser capaz de identificar
os riscos que essa ação pode causar à sua saúde e como ele pode reduzi-los.
Duplicação da dose
O que fazer quando verificar que se esqueceu de tomarum medicamento? Trata-
se de uma pergunta que os farmacêuticos escutam com grande frequência.
Nesses casos, muitos pacientes decidem por duplicar a dose.
Porém, eles não têm noção dos riscos associados com essa
prática, sobretudo para os medicamentos com faixa
terapêutica estreita (na qual a dose efetiva e a dose tóxica
são bastante próximas).
A orientação mais segura para esse caso é explicar que o paciente deve voltar a
tomar o medicamento no horário previamente estabelecido, sem duplicar as
doses. Alguns medicamentos podem ser tomados assim que o paciente lembrar
ou constatar que não ingeriu a dose na hora certa, porém, são casos que devem
ser avaliados por um profissional. Certos medicamentos devem ser tomados em
horários específicos, então, essa informação deve ser combinada com o médico.
Cultura de prescrição de medicamentos
Muitos pacientes reclamam ao sair do consultório médico sem uma prescrição
de medicamento ou com poucos medicamentos. Popularmente, a prescrição é
altamente desejada e compreendida como parâmetro de qualidade de um bom
atendimento. Porém, é papel do farmacêutico alertar quanto à necessidade (ou a
falta de necessidade) do uso de medicamentos e de outras opções terapêuticas.
Polifarmácia, o uso concomitante de vários
medicamentos.
Por outro lado, o uso concomitante de
vários remédios, conhecido como
polifarmácia, pode resultar em
reações adversas e interações
medicamentosas que podem levar a
sérios danos à saúde. Então, o
paciente deve ser esclarecido quanto
à ausência de prescrição e quanto aos
riscos do uso conjunto de vários
medicamentos.
Outros aspectos
Como foi dito, a informação deve ir além da prescrição do paciente. Além disso,
o farmacêutico deve repetir quantas vezes forem necessárias as informações
referentes ao tratamento, independentemente do número de encontros e do
tempo de utilização do medicamento.
As ações educativas podem ocorrer em caráter individual ou coletivo. Suas
metodologias vão variar com os objetivos a serem alcançados, que devem ser
firmados em conjunto com a população.
Agora, veremos um vídeo que aborda os principais pontos que o profissional
farmacêutico deve ter em mente para a educação em saúde dos pacientes e da
comunidade.
Educação em Saúde e cuidados
farmacêuticos
Neste vídeo, serão discutidos os pontos mais importantes da Educação em
Saúde no que tange aos medicamentos e as principais dúvidas encontradas pelo
profissional farmacêutico no dia-dia com os pacientes.

Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
O serviço farmacêutico que tem por objetivo promover a autonomia dos
pacientes e o seu compromisso com a promoção da saúde, prevenção e
controle das doenças é chamado de
Parabéns! A alternativa E está correta.
A Educação em Saúde pode ser compreendida como um método educativo
estruturado na apropriação de temáticas em saúde por parte da população.
Trata-se de práticas que contribuem para a ampliação da autonomia das
pessoas sobre as discussões acerca do seu cuidado e nas discussões com
profissionais e gestores com o objetivo de garantirem uma atenção em saúde
de acordo com as suas necessidades.
A manejo do problema de saúde autolimitado.
B assistência farmacêutica.
C rastreamento em saúde.
D atenção farmacêutica.
E educação em saúde.
Questão 2
É uma informação correta em relação ao uso adequado de medicamentos:
Parabéns! A alternativa A está correta.
O álcool pode alterar o metabolismo de vários medicamentos, afetando
diretamente a sua efetividade.
Considerações �nais
A
O consumo de álcool deve ser evitado durante a
farmacoterapia.
B
Os medicamentos podem ser guardados na cozinha ou no
banheiro para facilitar que o paciente se lembre do seu uso.
C
Ao perceber que esqueceu de tomar uma dose, o paciente
deve ingeri-la de imediato, independentemente do
medicamento.
D
Pacientes grávidas não podem usar medicamentos no
primeiro trimestre de gestação.
E
Idosos não devem ser supervisionados quando utilizam
medicamentos, pois isso pode ferir a sua autonomia.
O farmacêutico atua na prestação da atenção continuada por meio dos serviços
clínicos. Para tal, é importante compreender a diferença entre os termos
“assistência farmacêutica”, “atenção farmacêutica”, “farmácia clínica” e
“cuidados farmacêuticos”. As atribuições clínicas desse profissional incluem
serviços e procedimentos, os quais podem ou não estar diretamente
relacionados ao uso de medicamentos. O tratamento não medicamentoso inclui
ações de rastreamento em saúde, manejo de problemas de saúde autolimitados
e Educação em Saúde. O manejo de problemas de saúde autolimitados pode
incluir a indicação de práticas integrativas e complementares, como a
homeopatia.
A Educação em Saúde é parte fundamental da garantia da continuidade do
cuidado. Seus atributos devem ser amplamente aplicados em busca do uso
racional de medicamentos. São ações de educação o aconselhamento
farmacêutico e as ações comunitárias em saúde. Por fim, existem tópicos a
serem destacados para orientação em saúde, como informações sobre o
acondicionamento, a validade, a utilização por grupos de risco, entre outros.
Podcast
Neste podcast, a especialista trará os principais pontos abordados no conteúdo,
debatendo a importância do farmacêutico na prevenção de doenças e na
qualidade de vida do paciente.
Explore +

Leia mais sobre o aconselhamento farmacêutico no artigo O papel do
farmacêutico comunitário no aconselhamento ao paciente, das autoras Emília
Vitória da Silva, Janeth de Oliveira Silva Naves e Júlia Vidal, publicado em 2008.
Aprenda mais sobre os conceitos de Educação em Saúde e educação na saúde
no artigo Educação em saúde e educação na saúde: conceitos e implicações
para a saúde coletiva, escrito por Mirian Falkenberg e outros autores, de 2014.
Recomenda-se ainda a exploração da Portaria nº338/2004, da Resolução nº
585/2013 e do livro Serviços farmacêuticos diretamente destinados ao
paciente, à família e à comunidade: contextualização e arcabouço conceitual,
do Conselho Federal de Farmácia, publicado em 2016.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Medicamentos. Brasília: MS,
1998.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Práticas Integrativas e
Complementares no SUS: atitude de ampliação de acesso. Brasília, 2015, p. 96.
GALATO, D. et al. Curso on-line: prescrição farmacêutica no manejo de
problemas de saúde autolimitados – módulo 2 – unidade 3 – documentação do
processo de atendimento e da prescrição farmacêutica. Brasília: Conselho
Federal de Farmácia, 2015.
MARQUES, T. C. Educação em saúde: uma estratégia inovadora para a
dispensação de medicamentos. Bases da Dispensação Racional de
Medicamentos para Farmacêuticos. 1. ed. [S. l.]: LMC – Pharmabooks, 2012. 300
p.
NELLY, M. et al. Organização Mundial da Saúde. Organização Panamericana de
Saúde. Assistência farmacêutica para gerentes municipais. Rio de Janeiro:
OPAS/OMS, 2003.
OPAS/OMS. El papel del farmacéutico en el sistema de atención de salud:
informe de la reunión de la OMS, Tokio, Japon, 31 ago. al 3 sep., 1993.
STORPIRTIS, S. et al. Farmácia clínica e atenção farmacêutica. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2008.
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