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Autoria: Esp. Natalia Lohayne Dias. Vasconcelos
Revisão técnica: Ma. Zoé Maria Neves de Carvalho Guareschi
NUTRIÇÃO EM ESTÉTICA
INTRODUÇÃO À
NUTRIÇÃO ESTÉTICA
Introdução
Vamos começar esta unidade abordando os principais conceitos relacionados à
nutrição em estética. Traçaremos um histórico sobre as concepções de beleza
ao longo do tempo e como a alimentação e a saúde se inserem nesse contexto.
Além disso, conheceremos as principais formas de atuação do nutricionista na
estética, pois essa é uma área de crescente demanda.
Você também entenderá como realizar uma avaliação nutricional completa,
incluindo antropometria, interpretação de exames bioquímicos e físico e
ingestão alimentar. Diante disso, você saberia como relacionar essas
informações às principais desordens estéticas? Como você determinaria as
principais necessidades nutricionais, de energia e nutrientes, de modo a oferecer
ao paciente um planejamento alimentar individualizado que atenda às suas
necessidades estéticas? É possível que o plano alimentar voltado para o
tratamento de desordens estéticas, promova também a melhora da saúde?
Abordaremos ainda alguns conceitos de nutrição comportamental, uma vez que
preocupações estéticas em excesso podem não ser saudáveis e, muitas vezes,
prejudicam a relação com o corpo e com a comida.
Bons estudos!
Tempo estimado de leitura: 50 minutos.
Em nossa sociedade, a aparência física é extremamente valorizada, fazendo
com que, cada vez mais, indivíduos procurem por pro�ssionais da área estética
na busca por tratamentos que amenizem sua insatisfação.
Desse modo, a indústria da beleza tem lucrado bastante às custas dessa
insatisfação. Dietas milagrosas, pílulas emagrecedoras, suplementos,
procedimentos estéticos e outras “soluções” estéticas surgem a todo momento,
prometendo resultados rápidos e atraindo o consumo por diferentes tipos de
pessoas, como ilustra a �gura “Procedimentos estéticos como solução para a
insatisfação corporal”.
1.1 Conceitos em nutrição estética
Figura 1 - Procedimentos estéticos como solução para a insatisfação corporal
Fonte: Lyashenko Egor, Shutterstock, 2021.
#PraCegoVer
A ilustração mostra uma mulher com semblante
assustado cercada por objetos e produtos
comumente utilizados em procedimentos
estéticos, como caneta facial, caneta
microcorrete, pino bastão, caneta com ponteira
rolinho, seringa de preenchimento facial e
eletrodo sem agulha.
Nesse contexto, a alimentação, quando baseada no equilíbrio e visando à
promoção da saúde, é uma aliada essencial no tratamento de enfermidades
estéticas, como acne, alopecia, �broedema gelóide e outros. Em virtude disso,
crescentemente, alimentos e nutrientes têm sido estudados na prevenção do
fotoenvelhecimento, como aliados em procedimentos estéticos cirúrgicos e não
cirúrgicos, além de parte essencial do tratamento da obesidade.
Portanto, a Nutrição em Estética estuda a relação entre alimentação e desordens
estéticas, bem como o papel dos nutrientes na prevenção e tratamento dessas
condições, promovendo a saúde do indivíduo de forma integral.
Como mencionado anteriormente, a aparência é algo extremamente valorizado
em nossa sociedade, o que contribui para a busca por soluções rápidas e, na
maioria das vezes, nocivas à saúde. As dietas da moda, por exemplo, prometem
1.1.1 Valorização do corpo, beleza e saúde
resultados “milagrosos” por meio de uma dieta geralmente restritiva, em que
determinados alimentos, ou nutrientes são proibidos.
No entanto, essas dietas podem levar, a longo prazo, a prejuízos à saúde, como
de�ciências nutricionais, fraqueza, dores de cabeça, além de problemas de
maior gravidade, a exemplo dos transtornos alimentares e/ou visuais (dismor�a
corporal), além de desordens na função digestiva, hepática, renal etc. Tais dietas
podem prejudicar ainda a relação com a comida, fazendo com o que o indivíduo
acredite que certos alimentos são “permitidos” e outros “proibidos”, conforme
ilustra a �gura a seguir.
Figura 2 - Preocupação estética em excesso pode tornar indivíduos reféns de dietas
Fonte: Red Umbrella and Donkey, Shutterstock, 2021.
#PraCegoVer
A fotografia mostra um prato, com um garfo à
esquerda e uma faca à direita. Em cima do prato,
há duas mãos amarradas por uma fita métrica.
Assim, o indivíduo se coloca em risco, adotando práticas que não são saudáveis
em prol de um “corpo perfeito” e uma “aparência impecável”, tornando-o uma
pessoa mais vulnerável aos transtornos alimentares.
Nesse sentido, é importante que o nutricionista incentive práticas alimentares
equilibradas, que atendam às necessidades estéticas do paciente, mas sem
abrir mão da saúde. É essencial também que as estratégias nutricionais tenham
embasamento cientí�co, de modo a não trazer riscos para a saúde do paciente.
Lembre-se de que o nutricionista é, antes de tudo, um pro�ssional da saúde,
devendo auxiliar também na promoção da saúde e no tratamento e na prevenção
de doenças.
O campo de atuação do nutricionista em estética tem se ampliado, uma vez que
o cuidado nutricional é essencial para prevenir e tratar desordens estéticas,
como mostra o quadro “Áreas de atuação do nutricionista em estética” (PUJOL,
2011).
Quadro 1 - Áreas de atuação do nutricionista em estética
Fonte: Elaborado pela autora, baseado em PUJOL (2011) e SCHNEIDER (2009).
#PraCegoVer
No quadro anterior, existem duas colunas e seis
linhas. A coluna da esquerda contém seis tipos
de ocupação do nutricionista, ou seja, Clínicas e
consultórios de cirurgia plástica, Clínicas de
Dermatologia, Spas e Day Spa, Academias e
clubes desportivos, Personal Estetic Diet e
Consultoria, já na coluna da direita existem as
descrições de cada uma dessas ocupações.
1.1.2 Áreas de atuação
Portanto, o nutricionista é um pro�ssional essencial no tratamento de desordens
estéticas, podendo atuar junto a uma equipe multidisciplinar, que pode envolver
�sioterapeuta, médico dermatologista, médico cirurgião plástico, esteticista,
pro�ssional de educação física e outros, de modo a potencializar resultados,
atingindo as necessidades estéticas do paciente e melhorando sua saúde.
A avaliação nutricional tem como �nalidade determinar o estado nutricional do
indivíduo, para que o nutricionista possa traçar uma conduta adequada ao seu
objetivo e às suas necessidades. Entre essas necessidades, alguns pacientes
apresentam queixas em relação à estética, as quais podem estar associadas a
possíveis de�ciências, ou excessos nutricionais.
Assim, é importante uma coleta de informações adequada, para que sejam
interpretadas corretamente, possibilitando um diagnóstico nutricional preciso e
um plano de intervenção que proporcione resultados. Ademais, é importante
ressaltar que o monitoramento da adequação da intervenção nutricional também
faz parte da avaliação nutricional, como mostra a �gura “Etapas da avaliação
nutricional”.
1.2 Avaliação nutricional em estética
Figura 3 - Etapas da avaliação nutricional
Fonte: Elaborada pela autora, baseado em RAVAZZANI, 2021.
#PraCegoVer
O esquema é representado em ciclo,
descrevendo as etapas da avaliação nutricional:
1) Coleta de Informações; 2) Interpretação de
indicadores; 3) Definição de diagnóstico
nutricional; 4) Elaboração de plano de
intervenção; e 5) Monitoramento da adequação
da intervenção nutricional.
Portanto, fazem parte da avaliação nutricional: a antropometria, os exames
bioquímicos, investigação da ingestão alimentar e exame físico. Adiante,
veremos cada um desses elementos.
A avaliação antropométrica usa medidas corporais, para predizer a composição
corporal, sendo esta um método duplamente indireto.
O peso é uma medida simples e bastante utilizada, contudo apresenta algumas
limitações, uma vez que não é capaz de avaliar os compartimentos corporais.
Desse modo, o peso é normalmente associado a outras medidas, para estimar a
composição corporal (SCHENEIDER, 2009).
1.2.1 Avaliação antropométrica
O Índice de Massa Corporal, por sua vez, consiste em uma ferramenta
importante na avaliação nutricional de coletividades, pois classi�caa adequação
do peso em relação à altura, mas também sem distinguir a massa de gordura
corporal em relação à massa livre de gordura.
Desta forma, é necessário muito cuidado ao fazer a classi�cação do estado
nutricional pelo IMC, especialmente em atletas, pois esses costumam
apresentar peso corporal elevado, em decorrência do grande conteúdo de tecido
muscular que possuem. Assim, para uma adequada determinação do estado
nutricional do indivíduo, pode ser útil a associação de medidas de circunferência
e dobras cutâneas (SCHEINDER, 2009).
As circunferências são obtidas por meio da �ta antropométrica e buscam
mensurar as dimensões do corpo, além de estabelecer o padrão muscular e
veri�car a distribuição de gordura corporal (MUSSOI, 2014). As regiões do corpo
medidas são pescoço, braço, abdômen, cintura, quadril e coxa.
As dobras cutâneas são obtidas por meio do adipômetro e estimam o depósito
subcutâneo de gordura. As mais utilizadas são tricipital, biciptal, subescapular e
suprailíaca.
Existem ainda outras formas de avaliação da composição corporal, como o
Índice de Conicidade, utilizado para a veri�cação da obesidade e distribuição da
gordura corporal. O cálculo é feito usando peso, estatura e circunferência da
cintura e parte do princípio de que a obesidade central está mais associada às
doenças cardiovasculares (MILAGRES et al., 2019; VALDEZ, 1993):
A circunferência abdominal (CA) pode ser utilizada para classi�car o risco
cardiovascular (RCV) de indivíduos adultos. Assim, homens cuja CA seja
maior ou igual a 94 cm apresentam RCV aumentado, enquanto mulheres
são assim classi�cadas, quando o valor da CA é maior ou igual 80 cm
(WHO, 2000).
VOCÊ SABIA?
Para estimativa dos compartimentos corporais, a bioimpedância é um método
bastante simples e e�caz, pois se baseia na resistência que diferentes tipos de
tecidos corporais apresentam à passagem da corrente elétrica. Assim, é
possível estimar massa muscular, água corporal e a gordura total. Todavia,
embora seja um método satisfatório, esse exame apresenta algumas restrições,
como a hidratação do indivíduo no momento do exame (PUJOL, 2011).
Ainda como parte da avaliação nutricional, o nutricionista da área clínica pode
solicitar exames bioquímicos, possibilitando monitorar a evolução do estado
nutricional do paciente em acompanhamento dietoterápico (RAVAZZANI, 2021).
Na estética, na interpretação de exames laboratoriais é essencial para
estabelecer uma intervenção nutricional adequada, uma vez que carências
nutricionais podem se manifestar por meio de distúrbios estéticos (PUJOL,
2011).
Alguns exames são mais comumente utilizados na prática clínica, com o
objetivo de investigar mais precocemente distúrbios hematológicos, alterações
no per�l lipídico, problemas na tireoide e de�ciências nutricionais, como mostra
o quadro “Principais exames bioquímicos de interesse em nutrição estética e
saúde”.
1.2.2 Avaliação bioquímica
Ana Paula Pujol é nutricionista, professora e autora de vários livros na
área de nutrição estética. Possui vasta experiência em atendimento
nutricional, e é especialista em nutrição estética e emagrecimento, sendo
autora do livro Nutrição aplicada à estética.
VOCÊ O CONHECE?
Quadro 2 - Principais exames bioquímicos de interesse em nutrição estética e saúde
Fonte: Elaborado pela autora, baseado em RAVAZZANI (2021).
#PraCegoVer
Neste quadro, existem duas colunas, cujos
títulos são “Exames bioquímicos” e
“Importância” e seis linhas. Os nomes dos
exames são: Hemograma, ferro e ferritina,
Lipidograma, Dosagem de proteínas séricas,
Hormônio tireoestimulante (TSH),
triiodotironina (T3) e tiroxina (T4) e Dosagens de
vitaminas e minerais.
A avaliação do per�l glicêmico e resistência à insulina também integra a
avaliação nutricional em estética, uma vez que se relaciona à maior liberação de
mediadores in�amatórios, estresse oxidativo e lipogênese, que se manifestam,
muitas vezes, como acne, envelhecimento da pele �broedema gelóide e
obesidade. Assim, diagnosticando-se a resistência à insulina, é possível oferecer
um plano alimentar voltado para reduzir a resistência à insulina (PUJOL, 2011).
A função intestinal também está associada à saúde estética, isso por que a má
absorção de nutrientes, aliada à maior permeabilidade de toxinas, levam ao
aumento da produção de radicais livres e di�culdade de drenar a linfa. Em
resposta a essas alterações, podem ocorrer problemas, como �broedema
gelóide e desordens estéticas em cabelo e unhas. Em virtude disso, o exame
cropocológico funcional pode ser útil, pois permite diagnosticar disfunções no
aparelho digestório (PUJOL, 2011).
Algumas condições estéticas requerem uma avaliação bioquímica mais
especí�ca, como a acne e a queda de cabelo.
De acordo com Pujol (2011), vários hormônios podem estar envolvidos no
processo da acne, sendo o aumento da dehidroepiandrosterona a alteração mais
comumente observada. Além disso, a in�amação da acne aumenta
principalmente na adolescência devido à intensa secreção de hormônios. Os
andrógenos, cuja produção costuma ser maior em homens, são responsáveis
pelo aumento da secreção sebácea. Logo, nas mulheres, deve-se ainda
investigar a ocorrência de síndrome do ovário policístico, uma vez que, nessa
condição, há aumento dos andrógenos. Ademais, as concentrações séricas de
zinco e selênio também devem ser avaliadas, pois a de�ciência desses minerais
pode agravar a condição.
Em casos de queda de cabelo, deve-se avaliar, principalmente, ferro, ferritina,
saturação de transferrina e estradiol, uma vez que a alopecia está
frequentemente associada à de�ciência de ferro. A função tireoidiana também
deve ser investigada, pois disfunções nessa glândula podem levar a essa
condição (PUJOL, 2011).
Para entender a relação entre as desordens estéticas observadas no paciente e
seu estado nutricional, é importante, antes de tudo, conhecer seus hábitos
alimentares. Desse modo, existem vários métodos de inquérito alimentar
utilizados na prática clínica, os quais fornecem informações que permitem ao
nutricionista propor modi�cações alimentares adequadas à saúde e à rotina do
paciente. De acordo com Fisberg, Marchioni e Colucci (2009), os principais
métodos são:
1.2.3 Avaliação da ingestão alimentar
Quanti�ca todos os alimentos e bebidas ingeridas no dia
anterior à consulta.
Recordatório de 24 horas
Diário alimentar ou registro alimentar
Estudante, para aprofundar esse conhecimento, sugerimos que con�ra o recurso
a seguir.
O paciente registra em formulário todos os alimentos e bebidas
consumidos ao longo de um ou mais dias.
É composto por uma lista de alimentos prede�nida e uma seção
com a frequência de consumo.
Consiste em uma extensa entrevista sobre os hábitos
alimentares atuais e passados, com maior detalhamento.
Questionário de frequência alimentar
(QFA)
História Alimentar
Portanto, é preciso utilizar o inquérito alimentar adequado, de modo a obter
dados �dedignos que permitam um diagnóstico preciso do estado nutricional.
De acordo com Ravazzani (2021), o exame físico em estética consiste na
observação de sinais ou sintomas que possam estar associados às desordens
estéticas. Além disso, algumas das principais queixas estéticas dos pacientes
estão relacionadas a de�ciências ou excessos nutricionais.
Diante disso, Schneider (2009) destaca os principais aspectos associados à
estética que devem ser avaliados no exame físico:
1.2.4 Exame físico
pele: presença de lesões, manchas, rugas, cicatrizes e
�acidez;
cabelo: queda, ressecamento e falta de brilho;
unha: fragilidade, descamação e manchas.
O inquérito alimentar utilizado deve ser escolhido com cuidado, uma vez
que cada um apresenta vantagens e desvantagens, além de indicação de
uso mais apropriado de acordo com o objetivo. Saiba mais sobre a
aplicabilidade de cada inquérito alimentar no artigo Avaliação do
Consumo Alimentar e da Ingestão de Nutrientes na Prática Clínica
(https://www.scielo.br/j/abem/a/y96PnbFww5kJDSfdYfpDsqj/abstract/?
lang=pt), cuja autoria é de Regina Mara Fisberg,Dirce Maria Lobo
Marchioni e Ana Carolina Almada Colucci (2009).
VOCÊ QUER LER?
https://www.scielo.br/j/abem/a/y96PnbFww5kJDSfdYfpDsqj/abstract/?lang=pt
Figura 4 - Desordens estéticas de pele, cabelo e unha
Fonte: Dimid_86, Shutterstock, 2021.
#PraCegoVer
A primeira imagem é uma fotografia de uma
mulher pressionando os dedos na pele na parte
da coxa, evidenciando as celulites, que parecem
ondulações na pele. A segunda imagem é uma
fotografia de uma mulher com a mão esquerda
na cabeça, com uma expressão preocupada,
olhando um pente com vários fios de cabelo. A
terceira imagem é uma fotografia de uma mão,
evidenciando as unhas, que parecem frágeis e
apresentam descamação.
Durante a avaliação clínica, é necessário investigar a possível associação entre
essas alterações e problemas endócrinos (como hipertireoidismo e síndrome do
ovário policístico), uso de medicamentos, presença de alergias ou intolerância e
cuidados dermatológicos (SCHNEIDER, p. 2009).
Além disso, alguns sinais clínicos podem estar associados a de�ciências
nutricionais, como mostra o quadro “Manifestações clínicas x de�ciências
nutricionais”.
Quadro 3 - Manifestações clínicas x deficiências nutricionais
Fonte: Elaborado pela autora, baseado em DUARTE e CASTELLANI (2002).
#PraCegoVer
No quadro, existem três colunas e onze linhas,
sendo que a primeira coluna tem os nomes em
que ocorrem as manifestações e o tipo de
deficiência ocorridas por conta da inadequada
ingestão nutricional.
Portanto, uma avaliação completa, relacionando as informações coletadas na
avaliação dietética com as alterações observadas no exame físico e, quando
possível, com os exames bioquímicos, é essencial para diagnosticar o estado
nutricional do paciente e permite ao nutricionista estabelecer uma conduta
adequada, que atenda às necessidades do paciente.
Sobre isso que acabamos de discutir, estudante, convidamos você a resolver a
questão a seguir.
Leia a citação a seguir.
“A avaliação nutricional con�gura-se como um processo inicial
de fundamental importância no tratamento estético. Consiste da
aplicação de medidas antropométricas e parâmetros
bioquímicos e da avaliação do consumo alimentar. A aplicação e
análise dessas ferramentas norteia a equipe na de�nição da
melhor estratégia e principalmente na sua aplicação de forma
individualizada e mais apropriada a cada indivíduo, na busca do
seu ideal”.
RAVAZANNI, E. D. A. Avaliação nutricional e estética. Curitiba:
Contentus, 2021. p. 8.
Assim, quanto aos métodos de avaliação nutricional em
estética, analise as a�rmativas a seguir:
I. ( ) Para a avaliação antropométrica, são su�cientes dados
como peso e altura para classi�car o estado nutricional do
indivíduo.
II. ( ) A avaliação de exames bioquímicos é essencial para
investigar distúrbios nutricionais que muitas vezes se
manifestam como desordens estéticas.
(ATIVIDADE NÃO PONTUADA)
TESTE SEUS CONHECIMENTOS
Após resolver a questão, estudante, adiante, estudaremos sobre um tema
relevante para a sua formação: a avaliação e determinação das necessidades
nutricionais em estética.
III. ( ) Para a avaliação dietética, o registro alimentar é uma
ferramenta de difícil aplicação, pois exige que a paciente tenha
habilidade de recordar tudo que consumiu no dia anterior.
IV. ( ) Durante a avaliação clínica, deve-se investigar a
associação entre alterações estéticas e aspectos nutricionais,
mas também a problemas endócrinos, uso de medicamentos,
presença de alergias ou intolerância e cuidados dermatológicos.
Está correto o que se a�rma em:
a) II e IV.
b) I e II.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) II, III e IV.
VERIFICAR
1.3 Avaliação e determinação das necessidades
nutricionais em estética
Agora que você já realizou uma avaliação completa e estabeleceu um
diagnóstico nutricional para o seu paciente, é hora do planejamento alimentar.
Para tanto, é importante atender não só ao objetivo estético do paciente, mas
também às melhorias para promover sua saúde.
Nesse sentido, o planejamento alimentar deve ser adequado à idade, ao estado
�siológico, ao estado de saúde, aos hábitos alimentares, à cultura e às
condições socioeconômicas do paciente. Por �m, a elaboração do plano
alimentar deve atender às recomendações de necessidades energéticas e de
nutrientes.
A ingestão dietética de referência (Dietary Reference Intakes - DRI) representa
valores de referência para ingestão de nutrientes e visam a prevenir doenças
crônicas não transmissíveis e de�ciências nutricionais (MUSSOI, 2014).
Segundo Mussoi (2014), para adultos, a necessidade estimada de energia
(Estimated Energy Requirement- EER) contempla o gasto energético total (GET),
o qual é composto por:
1.3.1 Necessidades energéticas
Gasto energético basal (GEB)
Energia necessária para manter o metabolismo ativo de
células e tecidos, para manter a circulação, a respiração, o
processo gastrintestinal e renal.
Efeito térmico dos alimentos (ETA)
Energia gasta durante os processos de digestão, absorção,
transporte e metabolismo dos nutrientes.
Termorregulação
Energia gasta para manter a temperatura corporal.
Atividade física (AF)
Energia gasta para realizar as atividades no dia a dia.
Nível de atividade física (NAF)
Assim, para calcular a EER, deve-se utilizar fórmulas, de acordo com o sexo e
condição nutricional, além de escolher o NAF adequado, que pode ser
sedentário, leve, moderado ou intenso (MUSSOI, 2014).
Portanto, a partir da classi�cação do IMC, o nutricionista deve utilizar um desvio-
padrão para determinar as necessidades de energia, como mostra o quadro
“Fórmulas para cálculo das necessidades energéticas, de acordo com sexo e
IMC”.
Quadro 4 - Fórmulas para cálculo das necessidades energéticas, de acordo com sexo e IMC
Fonte: Elaborado pela autora, baseado em CUPPARI (2005c).
#PraCegoVer
O quadro é dividido em cinco colunas, são elas:
sexo, classificação do Índice de Massa Corporal,
equação para cálculo da energia, desvio-padrão
e Nível de Atividade Física.
É importante lembrar que o dé�cit calórico deve ser determinado de modo que a
perda de peso seja gradual. Dietas com baixa quantidade de calorias podem ser
prejudiciais ao organismo, por isso o valor energético não deve ser menor que
Razão entre o GET e o GEB (GET/GEB).
1200kcal por dia. Assim, o dé�cit calórico deve ser de 500 a 1000kcal por dia
(PUJOL, 2011).
Portanto, é necessário que o Valor Energético Total planejado seja, antes de
tudo, viável, de modo que o paciente consiga aderir e alcançar os resultados
esperados.
A ingestão dietética de referência (DRI) foi determinada para cada nutriente,
conforme idade e sexo, com base nas funções desempenhadas no organismo
humano, sendo utilizados no planejamento e avaliação de dietas (IOM, 1997;
MUSSOI, 2014). As DRI contemplam:
1.3.2 Necessidades de nutrientes
Paciente G. S. C., sexo feminino, 41 anos, peso de 81kg, 1,56m de altura,
IMC de 33,3kg/m² (Obesidade grau I), pratica exercício de intensidade
modera. Assim, determine as necessidades energéticas da paciente.
1º passo: Calcular a EER da paciente utilizando a fórmula para mulher
com obesidade:
EER = 448 – (7,95 × 41) + 1,27 × {(11,4 × 81) + (619 × 1,56)}
(Necessidades energéticas estimadas igual a quatrocentos e quarenta e
oito menos sete vírgula noventa e cinco vezes quarenta e um mais um
vírgula vinte e sete vezes onze vírgula quatro vezes oitenta e um mais
seiscentos e dezenove vezes um vírgula cinquenta e seis).
2º passo: Estabelecer o intervalo de con�ança subtraindo e somando 2
desvios padrão ao valor da EER.
EER = 2520kcal ± 2×160kcal
Ou seja, a EER da paciente está entre 2200 e 2840 kcal.
ESTUDO DE CASO
Quadro 5 - Componentes das ingestões dietéticas de referência
Fonte: Elaborado pela autora, baseado em MUSSOI (2014).
#PraCegoVer
O quadro é dividido em duas a colunas, a
primeira com os componentes das DRI e a
segunda com as respectivas descrições.
No caso dos macronutrientes, há ainda os intervalos de distribuição aceitáveis
para macronutrientes (AMDR), que consistem na faixa adequada de consumopara proteína, carboidrato e lipídios. Tais valores, assim como as
recomendações de micronutrientes foram estabelecidas para reduzir o risco de
de�ciência nutricional e de doenças crônicas (MUSSOI, 2014).
Diante disso, estudante, sugerimos que você resolva a questão adiante, a �m de
veri�car o que aprendeu.
Acompanhe a citação a seguir.
(ATIVIDADE NÃO PONTUADA)
TESTE SEUS CONHECIMENTOS
“Tanto para a avaliação da dieta como para sua prescrição, são
estabelecidos valores de referência para ingestão de nutrientes,
os quais são periodicamente revisados à luz de novos achados.
Assim, são incorporados novos conhecimentos sobre eventuais
manifestações aos extremos de exposição, ou seja, sinais
carenciais decorrentes de ingestão insu�ciente, ou de
toxicidade, que indicam efeitos adversos decorrentes do
excesso de consumo”.
PADOVANI, R. M. et al. Dietary reference intakes: aplicabilidade
das tabelas em estudos nutricionais. Revista de Nutrição,
Pontifícia Universidade Católica de Campinas, v. 19, p. 741-760,
2006. p. 742.
Assim, sobre as ingestões dietéticas de referência, analise as
a�rmativas a seguir e assinale V para a(s) verdadeira(s) e F para
a(s) falsa(s).
I. ( ) A Necessidade Média Estimada (EAR) é utilizada na
avaliação de dietas, enquanto as Cotas dietéticas
recomendadas (RDA) devem ser utilizadas como meta de
ingestão.
II. ( ) Os intervalos de distribuição aceitáveis para
macronutrientes (AMDR) se refere às recomendações de
carboidratos, proteínas e lipídios representados em grama.
III. ( ) Para promover uma perda de peso saudável, o valor
energético total deve estar entre 800 kcal e 1200 kcal diárias.
IV. ( ) A equação adequada par estimar o gasto energético deve
ser escolhida com base no sexo do indivíduo avaliado e em seu
estado nutricional.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
Estudante, chegou a hora de estudarmos a última parte deste material, cujo
assunto está associado à nutrição comportamental, temática muito importante
para o universo da nutrição.
a) I e IV.
b) I e II.
c) I e II.
d) II e III.
e) III e IV.
VERIFICAR
A alimentação nos é apresentada, atualmente, como um dos caminhos para se
alcançar o “corpo perfeito”. Muitas vezes, até a saúde é deixada de lado, em prol
de objetivos estéticos, fazendo com que a aparência seja responsável por regrar
a alimentação dos indivíduos.
Portanto, a nutrição comportamental é uma abordagem que considera não
apenas os aspectos biológicos da alimentação, mas também os valores sociais,
culturais e emocionais que o alimento representa. Esta abordagem visa a
promover mudanças no relacionamento do nutricionista com seu paciente, bem
como da mídia e da indústria com seus consumidores, desconstruindo cada vez
mais os conceitos de alimentos “saudáveis x não saudáveis”, que promovem
uma dieta restritiva e nada prazerosa (ALVARENGA et al. 2015).
1.4 Nutrição comportamental
1.4.1 Relação com a comida x preocupação estética
Quando falamos em alimentos, não estamos falando apenas de nutrientes.
“Comer” é um ato repleto de signi�cado, que vai muito além de satisfazer apenas
nossas necessidades energéticas e nutricionais. Logo, quando reduzimos a
alimentação a essa visão dicotômica “alimentos proibidos x permitidos”,
estamos deixando de lado todo esse signi�cado que o alimento tem para o
indivíduo e para a sociedade.
Tal visão leva, muitas vezes, ao sentimento de culpa ao comer algo “não
saudável”, prejudicando a relação do indivíduo com a comida que passa a ter
“medo de comer”, uma vez que entende que isso poderá trazer consequências
negativas para sua saúde e estética.
Assim, embora saibamos que alguns alimentos apresentem uma composição
nutricional desbalanceada e que sua ingestão excessiva deve ser evitada,
sabemos também que a alimentação, para ser saudável, deve ser equilibrada,
então não há alimentos proibidos, como também não existe justi�cativa para
estimular esse comportamento tão restritivo.
De modo geral, transtornos alimentares caracterizados por alterações graves no
comportamento alimentar, que podem levar a uma série de prejuízos à saúde. As
mais conhecidas são anorexia e bulimia, nas quais se pode observar uma
preocupação excessiva com o peso, distorção da imagem corporal e medo de
engordar (CARMO; PEREIRA; CÂNDIDO, 2014), como mostra a imagem
“Características dos transtornos alimentares”.
1.4.2 Transtornos alimentares
Para se aprofundar mais na abordagem comportamental e em suas
estratégias propostas para promoção da mudança de comportamento,
leia o livro Nutrição Comportamental (ALVARENGA et al., 2015). Este livro
traz ferramentas que buscam mudar a comunicação do nutricionista com
o paciente e com a mídia. Uma recomendação seria iniciar com o capítulo
1, que aborda conceitos iniciais interessantes e relevantes. Depois, caso
seja de seu interesse, continue a leitura da obra por completo!
VOCÊ QUER LER?
Figura 5 - Distorção de imagem provocada por transtornos alimentares
Fonte: Tatyana Dzemileva, Shutterstock, 2021.
#PraCegoVer
Na figura, temos a fotografia de uma mulher
abaixo do peso, com expressão triste, diante do
espelho, no qual se vê acima do peso.
A anorexia se caracteriza pela perda de peso intensa e intencional por meio de
dietas restritivas, além de distorção da imagem corporal (achar que está acima
do peso, embora encontre-se visivelmente emagrecido). Já bulimia diz respeito a
períodos de grande ingestão alimentar em um curto período de tempo, que
levam a um sentimento de descontrole levando a práticas compensatórias,
como vômito, uso de laxantes, diuréticos e exercícios físicos extremamente
intensos (CARMO; PEREIRA; CÂNDIDO, 2014).
Comumente, o estado nutricional desses pacientes �ca bastante comprometido,
em decorrência dessas práticas compensatórias inadequadas para o controle do
peso, levando a complicações gastrintestinais, metabólicas, imunológicas e
sistêmicas, reduzindo a qualidade de vida e podendo levar à morte (CARMO;
PEREIRA; CÂNDIDO, 2014).
Portanto, transtornos alimentares são doenças psiquiátricas complexas, que
requerem cuidado interdisciplinar, incluindo médicos, como endocrinologista e
psiquiatra, além de psicólogo e nutricionista. Sua prevenção se dá,
principalmente, promovendo uma relação saudável com a comida,
conscientizando sobre a importância de se ter uma alimentação equilibrada.
A paciente S. D. F., 28 anos, queixa-se do excesso de gordura abdominal e diz
que excluiu todas as fontes de carboidrato de sua dieta. Ela ainda relata um
histórico de dietas restritivas sem sucesso. Diante disso, quais as prioridades
você escolheria para o tratamento nutricional dessa paciente?
A princípio, é fundamental conduzir a paciente
O documentário Sem Filtro produzido pela TV UNESP trata sobre o
impacto de transtornos alimentares na vida das pessoas, trazendo relatos
de pessoas que já sofreram de anorexia e bulimia, além de especialistas
no tema. Você pode assisti-lo clicando no link a seguir.
Acesse (https://www.youtube.com/watch?v=O4mc7BwIn2Y)
VOCÊ QUER VER?
VAMOS PRATICAR?
https://www.youtube.com/watch?v=O4mc7BwIn2Y
A alimentação é parte essencial do tratamento de desordens estéticas, devendo
também atuar na promoção da saúde e qualidade de vida. O nutricionista deve,
portanto, estabelecer uma conduta adequada, com base em uma avaliação
nutricional completa e fundamentada em evidências cientí�cas. Deve ainda
estimular a boa relação com a comida, considerando os aspectos a ela
relacionados e as motivações do paciente.
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
CONCLUSÃO
aprender conceitos relacionados à nutrição estética, bem
como suas principais áreas de atuação;
compreender a importância de uma avaliação nutricional
completa para estabelecer um diagnóstico nutricional
adequado;
analisar a importância de aplicar conceitos da nutrição
comportamental na nutrição estética, de modo a prevenir
transtornos alimentares;
em um processo de reeducação alimentar,
ressaltando os malefícios de uma dieta restritiva
para a saúde, bem como a falta deevidências
sobre a segurança de dietas com exclusão total
do carboidrato. É importante, também,
conscientizar a paciente sobre a importância de
uma alimentação planejada conforme suas
necessidades individuais, a �m de obter os
resultados desejados. Por �m, faz-se necessário
trabalhar estratégias de nutrição
comportamental, de modo a melhorar a relação
da paciente com a comida.
Feedb
ack
entender como de�nir as necessidades nutricionais do
paciente para um planejamento alimentar que atenda ao
seu objetivo e melhore sua saúde.
Clique para baixar conteúdo deste tema.
ALVARENGA, M. et al. Nutrição comportamental. Barueri: Editora Manole,
2015.
CARMO, C. C.; PEREIRA, P. M. L.; CÂNDIDO, A. P. C. Transtornos
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complicações clínicas. HU Revista, Juiz de Fora, v. 40, n. 3, p. 173-181,
2014. Disponível
em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/hurevista/article/view/2439
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ESTÚDIO Unesp | Sem Filtro. [S. l.], 5 de outubro de 2019. 1 vídeo 58min
32s. Publicado pelo canal TV Unesp. Disponível
em: https://www.youtube.com/watch?v=O4mc7BwIn2Y
(https://www.youtube.com/watch?v=O4mc7BwIn2Y). Acesso em: 2 set.
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