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Rev. Intercon. Gest. Desport., Rio de Janeiro, 4 (1): 113-127, junho/2014 113 ORGANIZAÇÕES E ORGANIZAÇÕES ESPORTIVAS: UMA REVISÃO APLICADA AO CONTEXTO BRASILEIRO ORGANIZACIONES Y ORGANIZACIONES DEPORTIVAS: UNA REVISIÓN APLICADA AL CONTEXTO DE BRASIL ORGANIZATIONS AND SPORTS ORGANIZATIONS: AN APPLIED REVIEW TO THE BRAZILIAN CONTEXT Alfredo Ribeiro Cárdenas* alfredorcardenas@hotmail.com Simone Ghisi Feuerschütte* ghisi.simone@gmail.com * Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC - Brasil Resumo Resumen Abstract Segundo a literatura, a gestão do esporte pode ser entendida, fundamentalmente, como a aplicação dos princípios da Administração às organizações esportivas. Não obstante a este entendimento e embora a área da gestão do esporte esteja passando por um momento de visível evolução no contexto brasileiro, existe, ainda, certo desconhecimento sobre diversos de seus aspectos e conceituações fundamentais. Frente a este panorama, o presente artigo teve como objetivo apresentar uma revisão da literatura sobre os temas organizações e organizações esportivas, aplicando teorias organizacionais à realidade do contexto esportivo. Através do resgate dos conceitos e entendimentos mais fundamentais da teoria organizacional, buscou-se aplicá-las a exemplos práticos de organizações do esporte, possibilitando um entendimento amplo sobre conceitos e definições ligados às organizações esportivas. PALAVRAS CHAVE: Organizações; Organizações esportivas; Gestão do esporte. ... De acuerdo con la literatura, la gestión del deporte puede ser entendida principalmente como la aplicación de los principios de la gestión para las organizaciones deportivas. A pesar de este conocimiento, y aunque el área de la gestión del deporte está pasando por una época de progreso visible en el contexto brasileño, todavía hay un malentendido acerca de sus diversos aspectos y conceptos fundamentales. Frente a este escenario, el presente trabajo tiene como objetivo presentar una revisión de la literatura sobre los temas organizaciones y organizaciones deportivas, aplicando teorias organizacionales a la realidad del contexto deportivo. A través de la redención de los conceptos y la comprensión de la teoría organizacional más fundamentales, intentamos aplicarlas a ejemplos prácticos de las organizaciones deportivas, permitiendo una amplia comprensión de los conceptos y definiciones relacionados con las organizaciones deportivas. PALABRAS CLAVE: Organizaciones; Organizaciones deportivas; Gestión del deporte. Cárdenas & Feuerschütte Rev. Intercon. Gest. Desport., Rio de Janeiro, 4 (1): 113-127, junho/2014 114 ... Second literature, sport management can be understood primarily as the application of management principles to sports organizations. Nevertheless, although the sport management is an area that goes through a moment of visible progress, still exists in the Brazilian context, a great unfamiliarity on various aspects and concepts of the area. From this perspective, this paper aims to present a literature review on the topics organizations and sports organizations, seeking to apply organizational theories to the reality of the sporting context. Through the redemption of the most fundamental concepts and understandings of organizational theory, we attempted to apply the practical examples of sport organizations, enabling a broad understanding of concepts and definitions related to sports organizations. KEYWORDS: Organizations; Sports Organizations; Sport Management. 1. Introdução A gestão do esporte no Brasil passa por um momento de desafios e oportunidades ligados à realização dos megaeventos esportivos que o país sedia na década atual. Aliado a este cenário e embora exista um crescente interesse, tanto da sociedade em geral, como da comunidade acadêmica sobre o tema, existe ainda no país, conforme alegam Rocha e Bastos (2011) um grande desentendimento sobre vários aspectos e conceituações fundamentais da área. Os distintos entendimentos sobre o tema começam a partir das terminologias utilizadas, na literatura, para referenciar a área em questão. Gestão esportiva, gestão desportiva, administração desportiva, gestão de organizações/entidades/instituições esportivas – entre outros – são termos comumente observados em publicações sobre a temática. Frente à variedade de termos utilizados, Bastos e Mazzei (2012) argumentam que gestão do esporte tem sido considerada a terminologia mais apropriada e atual para referir-se ao tema. Internacionalmente, sport management e sport administration são as expressões comumente utilizadas. Ao contrário do que ocorre em outros países, no contexto brasileiro o próprio enquadramento conceitual da área não está ainda bem estabelecido, existindo divergências entre estudiosos que consideram a gestão do esporte como um campo dependente de outras áreas – como a ciência dos esportes e a administração, por exemplo. Por outro lado, outros autores a compreendem como uma área de estudos independente, que possuiria literatura, teorias e práticas próprias (Bastos & Mazzei, 2012). Em países da Europa, Ásia e nos EUA a gestão esportiva tem sido considerada uma área de formação específica, inclusive com cursos de graduação e pós-graduação (mestrados e doutorados) desenvolvidos exclusivamente para a formação de profissionais que desejam atuar neste campo de conhecimento (Bastos & Mazzei, 2012). No Brasil, este campo tem sido explorado de maneira bastante diversificada, podendo ser observado dentro de cursos de graduação em Educação Física que oferecem disciplinas Cárdenas & Feuerschütte Rev. Intercon. Gest. Desport., Rio de Janeiro, 4 (1): 113-127, junho/2014 115 ligadas à gestão esportiva (gestão esportiva e marketing esportivo, por exemplo) e também em cursos de Administração (nestes, porém, o enfoque não costuma ter predominância sobre a realidade das organizações esportivas). Cursos de especialização lato sensu na área da gestão do esporte também são observados (presenciais e na modalidade à distância). Mais recentemente – principalmente após a confirmação do Brasil como sede de megaeventos esportivos – surgiram cursos específicos de formação, em nível tecnológico, em gestão do esporte. Em 2009 teve início o primeiro curso de bacharelado em gestão desportiva e do lazer no país (Mazzei; Amaya & Bastos, 2012) e em 2012 o primeiro curso de mestrado na área. Embora certa evolução seja notada, tanto no âmbito da formação, como, principalmente, no âmbito das pesquisas e estudos desenvolvidos, ainda considera-se o atual nível de desenvolvimento da gestão do esporte insatisfatório, no contexto brasileiro, o que demonstra um campo potencial de oportunidades e de desenvolvimento. Conceitualmente falando não existe uma definição única e universal sobre gestão do esporte, no entanto as conceituações apresentadas por distintos autores convergem na ideia de confluência entre os princípios/fundamentos da área da Administração à realidade dos esportes e das organizações esportivas. Sob este prisma, Rocha e Bastos (2011) apresentam uma definição concisa e contemporânea afirmando que a gestão do esporte pode ser entendida, basicamente, como a “aplicação dos princípios de gestão a organizações esportivas”. Destaca-se que, os termos esporte/esportiva – das expressões gestão do esporte ou gestão esportiva e similares – devem ser compreendidos em um sentido mais amplo e não restrito unicamente, às práticas esportivas e ao esporte. Devem contemplar/compreender, também, as atividades e exercícios físicos, fitness, lazer e recreação (Pitts & Stotlar, 2002; Rocha & Bastos, 2011). Frente à definição apresentada pode-se compreender as organizações esportivas como lócus fundamental onde a gestão do esporte acontece ou onde a gestão do esporte é empreendida. Neste sentido, diante da realidade dedesentendimentos/desconhecimentos sobre questões fundamentais da área, acredita-se na pertinência de esclarecer aos interessados na gestão do esporte não somente sobre questões fundamentais das organizações (de maneira geral), mas igualmente sobre certas peculiares das organizações esportivas. Deste modo, alinhado aos elementos encadeados até aqui, e acreditando na necessidade de serem aprofundados os entendimentos sobre os temas em questão, o presente artigo teve como objetivo apresentar uma revisão da literatura sobre os temas organizações e organizações esportivas, aplicando algumas das teorias organizacionais à realidade do contexto esportivo. Frente ao objetivo apresentado, este trabalho está organizado, além desta introdução, da seguinte maneira: a segunda seção apresenta a revisão teórica sobre o tema organizações; em seguida, o tema organizações esportivas é explorado buscando-se aplicar as teorias organizacionais à realidade de organizações do contexto esportivo; na seção seguinte são Cárdenas & Feuerschütte Rev. Intercon. Gest. Desport., Rio de Janeiro, 4 (1): 113-127, junho/2014 116 apresentadas as considerações finais sobre os temas debatidos; e, por fim, são expostas as referências utilizadas no estudo. 2. Organizações Nesta seção estão apresentados elementos da literatura sobre o tema organizações. Além de uma visão mais ampla sobre o assunto apresentam-se considerações pertinentes à classificação e tipologias organizacionais, bem como sobre o ambiente que envolve as organizações. Embora as organizações esportivas compartilhem, essencialmente, do mesmo alicerce teórico que fundamenta conceitualmente as organizações, optou-se por apresentá-las em uma seção a parte com objetivo de apontar algumas de suas especificidades. 2.1. Entendendo as organizações e suas características Historicamente, o aumento da complexidade da vida em sociedade impôs necessidades de organizar os grupos e as atividades sociais para que fosse possível atender as demandas coletivas de sobrevivência. Ao longo dos tempos, foram surgindo unidades especializadas para o suprimento dessas demandas. Desse modo, as organizações surgiram como estruturas características para alcance de determinados objetivos (Dias, 2004; Bernardes & Marcondes, 2005). As organizações, conforme explicam Etzioni (1989) e Robbins (1999), não são produto da sociedade contemporânea. Não obstante, quando comparada às sociedades mais antigas, a moderna sociedade contém um número mais significativo de organizações. As organizações modernas são mais eficientes que suas ancestrais, além disso, o ambiente social tornou-se mais propício às organizações e a complexidade organizacional também evoluiu (Etzioni, 1989). A literatura administrativa e, mais especificamente, a literatura organizacional, convergem em entendimentos e definições sobre o que são organizações. O juízo mais aceito e difundido por diversos estudiosos organizacionais (Etzioni, 1974; 1989; Blau & Scott, 1979, Hampton, 1992; Lakatos, 1997; Robbins, 1999; Dias, 2004; Sobral & Peci, 2008) diz respeito à organização, essencialmente, como um agrupamento de pessoas intencionalmente criado para o alcance de determinados objetivos/metas. Neste mesmo sentido, Hall (2004) e Daft (2008) apresentam definições congruentes. Hall (2004) expõe uma definição ampla e detalhada sobre organizações: Uma organização é uma coletividade com uma fronteira relativamente identificável, uma ordem normativa (regras), níveis de autoridade (hierarquia), sistemas de comunicação e sistemas de coordenação dos membros (procedimentos); essa coletividade existe em uma base relativamente contínua, está inserida em um ambiente e toma parte de atividade que normalmente se encontram relacionadas a um conjunto de metas; as atividades acarretam Cárdenas & Feuerschütte Rev. Intercon. Gest. Desport., Rio de Janeiro, 4 (1): 113-127, junho/2014 117 consequências para os membros da organização, para a própria organização e para a sociedade (Hall, 2004, p.30) Por sua vez, Daft (2008, p.10) é mais sintético ao definir organizações como “(1) entidades sociais, (2) orientadas por metas, (3) projetadas como sistemas de atividades deliberadamente estruturados e coordenados e (4) ligadas ao ambiente externo”. Os objetivos ou metas organizacionais mencionados nas definições são, segundo Etzioni (1989) e Lakatos (1997), a razão de ser das organizações, ou ainda, a situação – ou situações – futura para as quais se dirigem os esforços da organização como um todo. Atualmente, a vida humana em sociedade é cercada por inúmeras organizações e, de certa forma, é dependente das organizações para sobreviver (Etzioni, 1989). Blau e Scott (1979) entendem que estas são características marcantes da vida contemporânea e que a diferenciam de épocas anteriores. Para os autores a vida contemporânea é rodeada por organizações grandes, complexas e formais. As organizações tornam-se indispensáveis para que as necessidades humanas individuais e sociais sejam atendidas (Stoner & Freeman, 1999; Hall, 2004, Sobral & Peci, 2008). Para os autores, organizações existem para realizar tarefas que indivíduos não poderiam realizar sozinhos. Hampton (1992, p. 9) metaforiza nesta mesma questão dizendo que uma organização é “uma máquina social que tem o potencial para realizar mais que qualquer pessoa poderia realizar sozinha”. Conforme explica Dias (2004), ao longo da vida as pessoas passam grande parte do tempo interagindo, direta ou indiretamente, com organizações, seja no trabalho realizado diariamente nas mais diversas organizações ou em atividades do cotidiano, de lazer e de descanso (restaurantes, clubes, shoppings, cinemas, academias de ginástica, clubes de futebol, etc.). Para o autor, a sociedade atual é uma “sociedade de organizações” (Dias, 2004, p. 179). Creches, escolas, universidades, academias de ginástica, clubes esportivos, hotéis, empresas de turismo, companhias aéreas, padarias, supermercados, comércios em geral, bancos, associações de moradores, restaurantes, igrejas, polícia, exercito, o governo. Pequenas, grandes, novas, antigas, duradouras, temporárias. As organizações estão por todas as partes, cercando a vida humana em sociedade, particularmente nos grandes centros urbanos (Dias, 2004; Daft, 2008). Diante da pluralidade e diversidade de organizações presentes na vida contemporânea, estudiosos apontam algumas características, ou componentes elementares que distinguem as organizações de outras formas sociais. Para Hampton (1992) toda organização é composta por três componentes básicos: pessoas, tarefas e administração. Assim como Hampton (1992), Sobral e Peci (2008) corroboram as pessoas como componentes fundamentais de uma organização. Além de pessoas, entendem ainda que possuir propósitos/objetivos e uma estrutura organizacional são características de toda e qualquer organização (Sobral & Peci, 2008). Cárdenas & Feuerschütte Rev. Intercon. Gest. Desport., Rio de Janeiro, 4 (1): 113-127, junho/2014 118 Etzioni (1989) assinala que organizações têm como características fundamentais: (1) divisões do trabalho, do poder e das responsabilidades de comunicação, que são estabelecidas e planejadas para a realização dos objetivos organizacionais; (2) presença de um ou mais centros de poder, que coordenam os esforços organizacionais para consecução dos objetivos; (3) substituição do pessoal, que indica que indivíduos podem ser substituídos por outros mantendo, mesmo assim, as tarefas e funções organizacionais. Segundo Blau e Scott (1979), tão importante quanto o entendimento das características/componentes fundamentais às organizações é a compreensão daquilo que distingue os diferentes tipos organizacionais. Neste sentido, estudiosos organizacionais apresentam possibilidades bastante variadas de compreensão das organizaçõespor meio de classificações/tipologias. 2.2. Classificações e tipologias das organizações No que concerne às classificações organizacionais, conforme alerta Hall (2004), deve existir certo cuidado em análises e classificações excessivamente simplistas, com base em uma única ou em poucas características. O autor entende que apresentar tipologias ou classificar organizações pode ser válido para determinadas análises e completamente irrelevantes para outras apreciações. Para o autor, é necessário discernimento, em cada caso, para que as classificações não confundam mais do que esclareçam. As classificações mais elementares e amplamente apontadas na literatura classificam as organizações considerando, por exemplo: a distinção entre organizações públicas e privadas; o porte/tamanho da organização; a finalidade social da organização, ou o setor que exerce sua atividade – organizações educacionais, agrícolas, de transporte, da saúde, esportivas, etc. (Blau & Scott, 1979; Lakatos, 1997; Hall, 2004; Daft, 2008). Blau e Scott (1979), bem como Lakatos (1997), apontam ainda a possibilidade de classificar organizações pelo critério da inclusão dos membros na organização (voluntariado, convocação, imposição, etc.). Já Hall (2004) expõe que a classificação das organizações pode considerar seus propósitos econômicos – se orientadas ao lucro ou sem fins lucrativos – ou mesmo o grau de abrangência e de poder que exerce sobre determinado mercado. Uma forma de análise organizacional bastante difundida na literatura é apresentada por Etzioni (1974). Conforme o autor, as organizações poderiam ser classificadas de acordo com o padrão dominante de consentimento sobre os indivíduos subordinados dentro da organização. Esta classificação dividiria as organizações em coercitivas, utilitárias e normativas. Organizações coercitivas seriam aquelas em que o principal modo de controle sobre os integrantes da organização é a coerção, a força – como em campos de concentração. Organizações utilitárias seriam aquelas em que o meio de controle dominante é alguma forma de recompensa, como salários, comissões, prêmios, folgas, gratificações, melhores condições de trabalho ou qualquer outra forma de recompensa. Como exemplo, tem-se as indústrias em geral. Por fim, as organizações normativas seriam aquelas em que os Cárdenas & Feuerschütte Rev. Intercon. Gest. Desport., Rio de Janeiro, 4 (1): 113-127, junho/2014 119 integrantes da organização sentem-se engajados aos ideais da organização e internalizam seus princípios e objetivos, assim como as organizações religiosas (Etzioni, 1974). Blau e Scott (1979), por sua vez, propõem uma classificação considerando o critério cuibonum, que leva em consideração quem é o principal – mas não único – beneficiado pela organização, ou ainda a razão de ser da organização. A classificação defendida pelos autores resulta em quatro categorias organizacionais (Blau & Scott, 1979, p. 57-74): (1) “organizações de benefício mútuo”, nas quais os próprios integrantes das organizações são os beneficiários principais (como no caso de associações de classe e sindicatos de categorias); (2) as “firmas comerciais”, normalmente são organizações de propriedade particular (indústrias, comércios em geral), construídas para gerar lucros, e onde os proprietários da organização são considerados os principais beneficiados; (3) “organizações de serviço” são aquelas cujo principal beneficiado é o próprio público/clientes que tem contato direto com a organização (assim como em hospitais, escolas, etc.) e; (4) “organizações de bem-estar público”, como o próprio nome diz, são aquelas em que o público em geral, a sociedade, é a principal beneficiada (como o exército, corpo de bombeiros, ministério público). Diante das diversas tipologias apresentadas na literatura organizacional e da complexidade inerente às organizações e aos estudos organizacionais, Hall (2006) entende que os esquemas classificatórios necessitariam representar essa complexidade. Assim, uma classificação adequada deveria considerar uma variedade de elementos, como, por exemplo, o ambiente interno e externo da organização, bem como os impactos das ações da própria organização no meio/no ambiente em que se encontra. 2.3. As organizações e o ambiente Existem diferentes perspectivas teóricas sobre o ambiente às organizações e, neste tópico, serão abordadas algumas dessas teorias que ajudarão a compreender e analisar o ambiente que as envolve – ambiente externo. Conforme argumenta Mintzberg (1999), as variáveis do ambiente podem ter um efeito profundo na estrutura organizacional, muitas vezes sobrepondo-se às variáveis internas da organização. Para Sobral e Peci (2008), o ambiente é uma força com potencial para impactar sobre o sucesso ou insucesso das organizações, não podendo ser desconsiderado em uma análise sobre o tema. As relações de permuta entre a organização e o ambiente externo à organização acontecem como uma via de mão-dupla, onde as organizações influenciam e geram impactos no ambiente, ao mesmo tempo em que o ambiente influencia na organização – estrutura, pessoas, processos, etc. (March, Simon & Guetzkow, 1981; Lakatos, 1997; Hall, 2004; Daft, 2008; Andrade & Amboni, 2011). O ambiente externo às organizações passa por transformações rápidas e contínuas repercutindo tanto nas estratégias administrativas utilizadas como nos próprios padrões organizacionais contemporâneos (Stoner & Freeman, 1999). O ambiente externo, que é o meio no qual a organização está inserida, é entendido de modo consensual entre os estudiosos da área como sendo os elementos, forças ou Cárdenas & Feuerschütte Rev. Intercon. Gest. Desport., Rio de Janeiro, 4 (1): 113-127, junho/2014 120 aspectos do ambiente que, externos à organização, são relevantes às suas operações e capazes de influenciá-la, afetá-la (Stoner & Freeman, 1999; Hall, 2004; Daft, 2008). Para grande parte dos estudiosos, o ambiente externo divide-se em dois níveis. Existem determinados elementos ou aspectos ambientais que influenciam as organizações de maneira direta – chamados de ambiente direto, de ação direta, de tarefa, ou operacional – e outros que influenciam as organizações de uma maneira menos direta ou indireta – chamados de ambiente indireto, de ação indireta, geral, ou contextual (Stoner & Freeman, 1999; Sobral & Peci, 2008; Daft, 2008; Andrade & Amboni, 2011). Para esses autores os concorrentes, fornecedores, clientes, grupos de interesse e regulamentadores, são elementos que fazem parte do ambiente direto, ou seja, aqueles que influenciam diretamente as atividades da organização. O ambiente indireto, por sua vez, é percebido naqueles componentes do ambiente com contato menos direto, ou regular, com a organização, como por exemplo, elementos demográficos, políticos, culturais, econômicos. Segundo Hall (2004), o ambiente pode ser compreendido como um conjunto das condições que envolvem a organização – tecnológicas, legais, políticas, econômicas, demográficas, ecológicas e culturais. A possibilidade das diferentes condições, ou variáveis ambientais apresentarem-se de modo diverso na realidade de cada organização – por exemplo, uma organização com condições econômicas dinâmicas e políticas estáveis – faz com que exista uma “multiplicidade dos ambientes da organização” (Mintzberg, 1999, p. 299). Em decorrência do exposto, considera-se que o ambiente exerce influência sobre as organizações de maneira desigual. Assim sendo, quanto mais uma organização é dependente de seu ambiente mais vulnerável ela se torna. De certa forma, toda organização é dependente do ambiente que esta inserida, pois a origem dos recursos organizacionais essenciais a sua sobrevivência – materiais, humanos, econômicos, etc. – é o próprio ambiente (Hall, 2004). Diferentes teorias ambientais são encontradas na literatura e, conformeargumentam Motta e Vasconcelos (2006), existem duas percepções principais sobre a relação que se estabelece entre as organizações e o ambiente. Uma considera o ambiente como dado de uma realidade ao qual a organização se adapta; e, em outra perspectiva, entende-se o ambiente como resultado de interações, relacionamentos e negociações entre os diversos grupos organizacionais – o ambiente, neste caso é constituído/criado/moldado. As teorias da ecologia das populações e da dependência de recursos ilustram essas duas percepções. A teoria da ecologia das populações (Hannan & Freeman, 2007), ou da seleção natural, é uma perspectiva teórica que percebe o ambiente como determinante para a sobrevivência de populações de organizações. Neste prisma, entende-se que as organizações não se adaptam ao ambiente, mas, ao contrário, é o ambiente – os fatores, a estrutura, ou as condições ambientais – que seleciona os tipos organizacionais mais aptos àquele contexto ambiental (Motta & Vasconcelos, 2006). Sob outro ponto de vista, a teoria da dependência de recursos reconhece que as organizações dependem dos ambientes no que tange aos recursos necessários para sua Cárdenas & Feuerschütte Rev. Intercon. Gest. Desport., Rio de Janeiro, 4 (1): 113-127, junho/2014 121 sobrevivência. Deste modo, o grau de controle que uma organização tem sobre os recursos dos quais é dependente, assim como as próprias ações e associações que realiza para garantir o acesso aos recursos, são aspectos relevantes nessa teoria, que percebe o ambiente como o resultado do processo de estruturação interorganizacional para o controle dos recursos. Além de ser fonte de recursos organizacionais, o ambiente, salienta Daft (2008), exerce influência sobre as organizações na medida em que fornece informações relevantes e essenciais a sua sobrevivência. As condições de complexidade, mudança e incerteza criam a obrigação de buscar informações do ambiente – e no ambiente – e responder às necessidades organizacionais. A incerteza ambiental é a teoria relacionada às dimensões ambientais simples-complexa e estável-instável (Daft, 2008). Segundo o autor, a dimensão simples-complexa se refere à heterogeneidade de elementos relevantes para as operações de uma organização, ou seja, à quantidade e variabilidade de elementos que regularmente interagem e influenciam a organização. Nesta perspectiva, uma organização opera em um ambiente complexo quando apresenta interações com muitos elementos ambientais, e em um ambiente simples quando existem poucos elementos influenciadores externos à organização. A dimensão estável-instável faz relação à dinamicidade dos elementos do ambiente, ou seja, se os elementos permanecem por períodos extensos sem sofrer modificações – ambientes estáveis – ou modificam-se de maneira constante e intensa – ambientes instáveis. Para Mintzberg (1999) a importância do ambiente para as organizações não está nele em si, ou em sua análise, mas no impacto que ele exerce sobre as organizações e, sobretudo, na capacidade destas em aprender, responder, confrontar e adaptar-se aos ambientes dos quais fazem parte. Desse modo, o autor entende que as questões ambientais – dimensões simples-complexa e estável-instável – dão origem a diferentes estruturas organizacionais. Se, por exemplo, um ambiente é simples e estável a estrutura organizacional pode ser mais centralizada e burocrática. Por outro lado, se o ambiente é complexo e instável – dinâmico – a estrutura organizacional convém ser mais descentralizada e orgânica. Para concluir, percebeu-se existência de múltiplos aspectos que envolvem a questão do ambiente que envolve as organizações. Frente a esses aspectos, Mintzberg (1999) e Hall (2004) destacam que o ambiente não deve tornar-se o foco único de análise organizacional, mas que, certamente, é e será um componente significante deste processo. 2.4. Organizações esportivas e aplicação da teoria organizacional As organizações esportivas – como antes mencionado – compartilham essencialmente do mesmo alicerce teórico apresentado anteriormente e que sustenta o entendimento mais amplo sobre as organizações. Deste modo, considerando o referencial teórico exposto sobre o tema, poder-se-ia compreender uma organização esportiva como aquela cuja atividade principal está Cárdenas & Feuerschütte Rev. Intercon. Gest. Desport., Rio de Janeiro, 4 (1): 113-127, junho/2014 122 relacionada ao esporte. Diante desta perspectiva, Cadori (2006) entende um time ou equipe de um determinado esporte – vôlei ou futebol, por exemplo – poderia ser percebido como uma organização, afinal, atende ao preceito de agrupamento de pessoas intencionalmente criado para o alcance de objetivos/metas preestabelecidas – ganhar um campeonato, não perder nenhuma partida, melhorar a qualidade de vida dos participantes da equipe, lazer, etc. Este entendimento, correto sobre um ponto de vista conceitual mais amplo, no entanto, abarcaria uma ampla variedade de organizações esportivas distintas do escopo entendido e defendido por este estudo. Assim sendo, é com base na classificação que considera a finalidade ou setor social em que a organização exerce sua principal atividade (Blau & Scott, 1979; Lakatos 1997; Hall, 2004; Daft, 2008), que este artigo distingue uma organização esportiva das demais. Entende-se, portanto, por organização esportiva aquela cuja atividade principal está intimamente ligada à administração – entenda-se também coordenação, regulamentação, fiscalização, promoção, comercialização ou oferecimento – de atividades esportivas, exercícios e atividades físicas. Nesta perspectiva, uma organização esportiva não é aquela onde a principal atividade é a prática esportiva, mas sim a gestão, administração – coordenação, regulamentação, etc. – da prática esportiva. A definição assumida neste estudo considera adequada e pertinente a argumentação de Chelladurai (2009, apud Rocha & Bastos, 2011), que distingue organizações esportivas de outras organizações que se utilizam de produtos de organizações esportivas para promover seus próprios produtos. O autor entende que empresas de materiais esportivos, de transmissão de jogos ou de agenciamento de atletas – por exemplo – não deveriam ser consideradas como organizações esportivas, pois, na verdade, apenas tomam serventia de produtos esportivos para promover seus próprios produtos e negócios. Frente às considerações apresentadas podem ser compreendidas como organizações esportivas: clubes, federações, confederações e associações esportivas; órgãos públicos ligados ao esporte, como ministérios, secretarias, fundações; empresas privadas, como, por exemplo, academias de ginástica e outros empreendimentos onde se pratiquem atividades físicas e esportivas. Os clubes – não simplesmente os times – de futebol (Botafogo, Flamengo, São Paulo, Corinthians, Real Madrid, Barcelona, etc.) são organizações esportivas, assim como outros clubes de outras modalidades esportivas (vôlei, basquete, remo, natação, rúgbi, peteca, etc.) também são. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a Federação Internacional de Natação Amadora (FINA), o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), a Federação Catarinense de Atletismo (FCA) e a Federação de Triathlon do estado do Rio de Janeiro (FTERJ) também são organizações esportivas; a Fundação Municipal de Esportes de determinada cidade e a Fundação Estadual de Esportes também podem ser consideradas organizações esportivas. As academias de ginástica e musculação, os estúdios de Pilates, os centros de treinamentos esportivos para condicionamento físico e saúde são, também considerados organizações esportivas, em conformidade as argumentações de Pitts e Stotlar (2002), que esclarecem que o termo esporte/esportivo das expressões gestão esportiva e organização esportiva Cárdenas & Feuerschütte Rev. Intercon. Gest. Desport.,Rio de Janeiro, 4 (1): 113-127, junho/2014 123 deve considerar uma conotação mais ampla que os esportes e modalidades esportivas, em si. Os esportes, os exercícios físicos relacionados ao fitness, a recreação e o lazer devem ser conjuntamente compreendidos quando se fala em gestão do esporte (Rocha & Bastos, 2011). Analisando a literatura sobre o assunto, percebe-se que a palavra “organização”, muitas vezes, não é encontrada/utilizada, ficando suprimida dentro do conceito de gestão esportiva ou gestão do esporte – que são as expressões mais comumente encontradas nos textos acadêmicos. Neste prisma, entende-se que o conceito implícito na expressão gestão do esporte compreende uma ampla área de conhecimento – de pesquisa, intervenção profissional, formação – no entanto, destaca-se, conforma Roche (2002), que o desenvolvimento esportivo – seja na vertente espetáculo ou prática de lazer da população – acontece fundamentalmente por meio de organizações/entidades/instituições que regulamentam, coordenam, fiscalizam ou oferecem atividades esportivas. Assim, frente à percepção de que são as organizações esportivas que são administradas e não o esporte propriamente dito, cabe mencionar que, a expressão gestão de organizações esportivas também poderia ser empregada em determinadas publicações sobre o tema. Cabe, ainda, menção, de que as expressões gestão esportiva, gestão desportiva, gestão do esporte, administração desportiva ou, ainda, administração esportiva – entre outras semelhantes a estas –, são consideradas equivalentes e tradicionalmente utilizadas na literatura com o mesmo significado (Nolasco et al., 2005). Muitas das classificações da literatura organizacional poderiam ser utilizadas para analisar organizações esportivas, como, por exemplo: tamanho, porte da organização; distinção entre públicas e privadas, etc. Neste sentido, a classificação mencionada por Hall (2004), que considera os propósitos econômicos da organização – voltada ou não ao lucro – classificaria de maneira diferenciada, por exemplo, um clube, ou associação esportiva que comercializa suas atividades (escolinhas e treinamentos de diferentes esportes como futebol, vôlei, artes marciais, ou tênis) e uma organização não governamental, que oferece atividades semelhantes de maneira filantrópica. Pelo critério de inclusão dos membros na organização (Blau & Scott, 1979; Lakatos, 1997), seria possível diferenciar, por exemplo, uma organização não governamental (ONG), que conta com voluntários para desenvolver o esporte como instrumento de transformação social; um clube esportivo, que detém legalmente o passe de um atleta; e a CBF, que convoca jogadores para formar a seleção brasileira para um amistoso. Ao classificar utilizando-se do padrão dominante de consentimento dentro da organização (Etzioni, 1974), poder-se-ia identificar muitos clubes brasileiros de futebol como organizações utilitárias, pois o meio de controle dominante sobre os indivíduos nessas organizações, normalmente, acontece sob a forma de recompensa, como salários e prêmios. Não obstante, nestes mesmos clubes esportivos, provavelmente seria fácil apontar Cárdenas & Feuerschütte Rev. Intercon. Gest. Desport., Rio de Janeiro, 4 (1): 113-127, junho/2014 124 indivíduos/funcionários que, por sentirem-se engajados aos ideais da organização – do time do coração – possibilitariam uma perspectiva normativa às organizações esportivas. Por fim, pelo critério cuibonum, que leva em consideração quem é o principal beneficiado pela organização (Blau & Scott, 1979), uma academia poderia ser classificada como uma organização de serviço, pois seus clientes são os principais beneficiários de sua existência; enquanto uma Fundação Municipal/Estadual de Esportes poderia ser enquadrada como uma organização de bem-estar público, pois tem como objetivo a promoção do esporte para o bem estar geral da população de determinada localidade/região. Uma classificação específica para organizações esportivas é apresentada por Roche (2002) com base na legislação espanhola. Para o autor, as organizações esportivas podem ser agrupas em quatro grandes grupos: - Organizações esportivas públicas: são aquelas criadas e mantidas pelo poder público para o desenvolvimento do esporte e de políticas esportivas dos diversos níveis governamentais. - Organizações esportivas privadas sem fins lucrativos: podem ser de primeiro grau, quando pessoas físicas se reúnem e criam uma personalidade jurídica cuja finalidade é a prática ou promoção da atividade esportiva; ou de segundo grau, quando associações se unem formando uma nova entidade (esses tipos de organização esportiva são respectivamente os modelos típicos do clube esportivo e federação esportiva que se tem no Brasil). - Empresas de serviços desportivos: podem ser compreendidas como organizações esportivas privadas que comercializam serviços esportivos – ou serviços relacionados aos esportes. São voltadas ao lucro e regidas pelos princípios de gestão e mercado, próprias de empresas privada. Academias de ginásticas, por exemplo. - Sociedades anônimas desportivas: são organizações que estão entre as privadas sem fins lucrativos e as organizações privadas. Segundo o autor, sob o ponto de vista jurídico seriam sociedades comerciais, com ações distribuídas por vários indivíduos. Roche (2002) faz menção a subclassificações dos grandes grupos apresentados, possibilitando identificação de outros diversos subgrupos/subclassificações de organizações esportivas. Como por exemplo, organizações monodesportivas – que promovem apenas um esporte – como a CBF, ou poliesportivas – que gerenciam vários esportes, como a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) que promove a natação, pólo aquático, nado sincronizado, saltos ornamentais e maratonas aquáticas. No contexto brasileiro, embora não exista uma classificação explícita para organizações esportivas, a lei Pelé (principal legislação sobre o esporte brasileiro) faz menção às organizações esportivas utilizando-se das expressões “entidades de prática esportiva”, “entidades de administração do desporto” e”ligas” em seu texto – embora não descreva as características de cada tipo. Assim como apontam Blau e Scott (1979), na verdade, qualquer característica organizacional poderia ser tomada como base para agrupá-las em classificações. Cárdenas & Feuerschütte Rev. Intercon. Gest. Desport., Rio de Janeiro, 4 (1): 113-127, junho/2014 125 Como visto, as organizações esportivas compartilham do mesmo fundamento teórico- conceitual das organizações de maneira geral. Na prática, se comparada a outro tipo organizacional, a organização esportiva apresenta similaridades em certos aspectos e diferenças em outros tantos (Cadori & Dazzi, 2003). Frente ao apresentado até aqui, percebe-se que a importância das organizações e dos estudos organizacionais é decorrente não só às inúmeras e significativas responsabilidades incumbidas a elas na sociedade moderna, mas igualmente aos impactos que podem gerar nos indivíduos e na coletividade. As organizações estão por todas as partes e cercam a vida do homem, tendo como propósito fundamental a melhoria da qualidade de vida das pessoas e a satisfação das necessidades sociais (Dias, 2004). O entendimento a respeito das organizações é imperativo para que se melhore a qualidade do ambiente interno de trabalho e o desempenho das organizações no ambiente externo, ou seja, na sociedade e no contexto social. Compreender organizações significa compreender melhor a sociedade em que se vive e o contexto social em que se está inserido (Hall, 2004). Como visto nesta seção, a gestão do esporte no Brasil passa por um momento potencialmente decisivo e relevante ao seu desenvolvimento. Suas diferentes facetas – atuação profissional, formação, pesquisas, área de conhecimento, etc. – têm recebidocrescente interesse, acadêmico e social e certa evolução da área é notada. Não obstante, é um campo que ainda está longe de um nível de desenvolvimento ideal, demonstrando, portanto, oportunidades de crescimento teórico e prático para área. 3. Considerações finais Frente aos elementos encadeados ao longo deste estudo, e reportando-se ao objetivo inicial da pesquisa – o qual pretendeu apresentar uma revisão da literatura sobre os temas organizações e organizações esportivas, aplicando algumas das teorias organizacionais à realidade do contexto esportivo brasileiro – é possível se chegar a algumas considerações e conclusões. A gestão do esporte é entendida, fundamentalmente, como a área onde os fundamentos da Administração/os princípios de gestão são aplicados ao contexto esportivo, e mais especificamente às organizações esportivas. Organizações esportivas são, portanto, o lócus fundamental onde a gestão do esporte acontece, ou onde ela é empreendida. Entende-se por organização esportiva aquela cujo fim – ou atividade principal – está intimamente ligado à administração, coordenação, regulamentação, fiscalização, promoção, comercialização ou oferecimento – de atividades esportivas. Organizações ligadas ao fitness, recreação e lazer podem, também, ser compreendidas como organizações esportivas quando atendem à definição apresentada. A principal atividade de uma organização esportiva não é, necessariamente, a prática esportiva em si, mas a gestão/administração de práticas esportivas. Cárdenas & Feuerschütte Rev. Intercon. Gest. Desport., Rio de Janeiro, 4 (1): 113-127, junho/2014 126 O entendimento sobre questões relacionadas às classificações/tipologias organizacionais e, também, sobre o ambiente que contextualiza as organizações pode contribuir para a compreensão mais aprofundada sobre a teoria organizacional e sua aplicabilidade às organizações esportivas. Tais questões, não necessariamente serão foco único de análises organizacionais, mas, certamente, devem fazer parte do processo de compreensão das mesmas. Por fim, entende-se que a sociedade moderna é uma sociedade repleta de organizações que atendem às necessidades e desejos humanos individuais e sociais, e as organizações esportivas fazem parte deste cenário integrando direta e indiretamente da vida de grande parcela da população. Um entendimento mais profundo sobre as teorias que envolvem as organizações esportivas pode contribuir para a diminuição do comentado desentendimento sobre esse fundamento da gestão do esporte no contexto brasileiro. 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Recebido em: 15 mai 2014 Aceito em: 16 jun 2014 Endereço para correspondência: Alfredo Ribeiro Cárdenas alfredorcardenas@hotmail.com Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Attribution 3.0 http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/ http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/ http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/