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MEDICINA - 11º SEMESTRE GERIATRIA CAROLINA HENRIQUES GERIATRIA AULA 3 • As infecções causam maior impacto em idosos, principalmente os incapacitados e naqueles confinados em instituições de longa permanência • Várias infecções apresentam altas taxas de mortalidade e morbidade em idosos em comparação a população jovem e correspondem a 40% das internações hospitalares • As infecções que mais afetam os idosos são infecções do trato urinário, pneumonia, infecções de pele e partes moles, bacteremia, endocardite e meningite • O risco e a severidade da infecção está relacionada com a virulência e inóculo de patógeno e inversamente relacionado à integridade das defesas do hospedeiro • Infecção = Virulência x Inóculo / Defesa do hospedeiro • Virulência: é a capacidade que um agente biológico tem em produzir efeitos graves ou fatais • Inóculo: são microrganismos responsáveis pela disseminação das doenças • Defesa do hospedeiro: resposta imune inata e adquirida • Imunidade inata: macrófagos, complemento, NK, células dendríticas, a idade por si só não afeta o sistema de defesa, porém as doenças crônicas e agudas podem comprometer o mecanismo de defesa • Impedem que o microrganismo dissemine • Imunidade Adquirida: depende da exposição prévia a patógenos (Cél. B) e Linfócito T → Timo • Após apresentação da imunidade inata • Com o avanço da idade ocorre a involução e redução dos hormônios tímicos, e comprometimento da produção de Linfócitos T (T reguladores, T virgem (T helper) e T de memória) • Linf. T virgem → TCD4 —T auxiliar —— Linf. B ——- Ac T memória T efetora —- Th1 Th2 Th17 Th9 T reg (Citocinas: IL1, IL6, TNF, PCR) • Reforçar a vacinação para o idoso, pois ajuda melhorar a produção de anticorpos • É a infecção mais comum em idosos e correspondem a 30-40% das internações hospitalares e é associado com o aumento do risco de morbidade e mortalidade • Idosos com comorbidades e pobres em status funcional têm mais pred ispos ição a desenvo lverem pneumonia , principalmente os institucionalizados (uso de SNE, Dificuldade de deglutição e sedativos) • Patógenos principais em idosos: • Streptococcus pneumoniae • Haemophilus influenza • Vírus respiratórios: Influenza, Coronavírus, Rhinovírus • Legionella pneumoniae • Atípicos: Mycoplasma pneumoniae, Chlamydia spp • Em instituições de longa permanência: Moraxella catharrhalis, Staphylococcus aureus • Em idosos diferem dos jovens: forma latente, sem calafrios, com tosse leve ou sem tosse, e às vezes com catarro • Ao EF: confusão mental pode ser o único sintoma de pneumonia, febre pode estar ausente em 25-55% dos casos • Sinais atípicos: confusão (piorou nos últimos dias?, já era confuso?), delirium, desorientação ou perda de apetite • Opacidade pulmonar - considerado padrão ouro, não se evidencia consolidações em imagem • Pode ter infiltrado em paciente que teve uma infecção viral, por exemplo COVID e uma pneumonia secundária • RX tórax: maioria não é indicado devido status performance ruim, sarcopenia e impossibilidade de manter uma postura reta para realização do exame • TC tórax: é a mais indicada nessa população e considerada padrão ouro • Grande maioria dos tratamentos são realizados em domicílio após avaliação médica, porém em se tratando de idosos, essas estatísticas mudam com uma grande porcentagem sendo submetida à internação hospitalar • Alguns critérios podem direcionar tratamento em domicílio ou hospitalar: CURB 65 e PSI, com as pontuações abaixo já indica internação hospitalar: • CURB 65 > 2 pontos • PSI Classe IV - 91 a 130 pts Resposta Inespecífica (Imunidade Inata) Resposta Específica (Imunidade Adquirida) Primeira Linha de Combate Segunda Linha de Combate Terceira Linha de Combate Barreiras Naturais Inflamação 1. Pele e mucosas 2. Secreções 3. Flora Natural 4. Peristaltismo 1. Células fagocitárias 2. Substâncias antimicrobianas 3. Complemento 4. Altas temperaturas 1. Anticorpos (resposta imune humoral) 2. Resposta imune celular INFECÇÃO EM IDOSOS EPIDEMIOLOGIA PATOGÊNESE PNEUMONIA BACTERIANA ETIOLOGIA ACHADOS CLÍNICOS IMAGEM TRATAMENTO MEDICINA - 11º SEMESTRE GERIATRIA CAROLINA HENRIQUES • PSI: avalia idade, sexo, comorbidades, exame físico, sinais vitais, laboratório e imagem • TTO: • 1. Tipo de Pneumonia: Leve, moderada ou grave? • Leve: quadro inicial, estável, não é ventilatório- dependente, não dessatura • Moderada: não é ventilatório-dependente, não dessatura, retorna em 72h para reavaliar se houve melhora ou piora • Grave: ventilatório-dependente, sonolento, hipotenso, confuso • 2. Qual tipo de paciente é? • Idoso? • Veio de casa ou de alguma instituição de LP? • Há algum fator de risco para bactéria multirresistente (Pseudomonas aeruginosa)? • Se institucionalizado: ver se algum deles foi para internação se dividir quarto com idoso que apresenta quadro atual, e se o paciente teve alguma colonização com alguma bactéria do hospital • Se veio de casa: teve alguma internação hospitalar nos últimos 3 meses? Quanto tempo de internação? Qual tipo de bactéria que foi colonizado? • 3. Situações: • 1. Leve, idoso, casa, sem internações prévias, sem risco para MRSA: • 1ª escolha: Macrolídeo (cobre microorganismos atípicos) • Clarintomicina 500mg 12/12h • Azitromicina 500mg 1x/d • Alternativa: Doxiciclina 100mg 12/12h • Associar: ß-lactâmico (amoxicilina) + Azitromicina ou Clarintromicina • Amoxicilina + Clavulanato + Azitromicina ou Clarintromicina • 3ª opção: Cefuroxima (Zinat) 500mg 12/12h • 1. Leve, idoso, casa de repouso, sem internações prévias, sem risco para MRSA: • 1ª escolha: Amoxicilina + Clarintromicina • Clavulin + Clarintromicina • Cefuroxima + Clarintromicina • 2. Moderada, idoso, casa/ casa de repouso, sem internações prévias, sem risco para MRSA: • 1ª escolha: Ceftriaxone (IV) + Clarintromicina • Serviço de Home Care ou Hospital • 2ª escolha: Cefuroxima • 3. Grave, idoso, casa/ casa de repouso, sem internações prévias, sem risco para MRSA: • 1ª escolha: Cefepime + Clarintromicina • Piperacilina tazobactam + Clarintromicina • 3. Grave, idoso, casa/ casa de repouso, com internações prévias nos últimos 3 meses, com risco para MRSA: • 1ª escolha: Cefepime + Clarintromicina • Piperacilina tazobactam + Clarintromicina • OU • Staphylococcus: associar Vanco • Pseudomonas: Cefepime e piperacilina (já tem cobertura no esquema) • Atenção! Quinolonas respiratórias (Levo, Cipro, Amoxifloxacino) são CI ao IDOSO! Evento > para confusão mental, alteração cardíaca, ruptura de tendão • TTO: • Domiciliar: ATB e retorno em 72h (tempo que ATB começa a surtir efeito) • Medicação o deixa sonolento (O que toma de remédio? Quando começou a tomar? Está confuso?) • Hospitalar: • Paciente sonolento (Dorme mais do que o normal? Está confuso?) MEDICINA - 11º SEMESTRE GERIATRIA CAROLINA HENRIQUES • É definida como ITU alto e baixo ou combinados, podendo ser sintomática ou assintomática • ITU não complicada: infecção sintomática da bexiga manifestada por febres, incontinência urinária, disúria, dor suprapúbica, dor lombar sem reconhecimento da causa • ITU complicada: sintomas urinários em pacientes com anormalidades estrutural ou funcional, submetidos a manipulação cirúrgica, IRC, DM ou imunodeficiências, e tendo realizado transplante de órgãos • ITU sintomática (Sem CVD): incluem cistites (ITU baixo), pielonefrites (ITU alta), urosepsis, choque séptico, ou todas as combinações, definidos como pelo menos 2 critérios: febre (> 38ºC), urgência urinária, disúria, dor suprapúbica, dor lombar, cultura de urina positiva sem mais de 2 espécies de microrganismos e piúria • Bacteriúria assintomática: é a presença de pelo menos 100.000 UFC em amostra de urina ou 100 UFC em pacientes com cateterismo vesical, em 2 amostras consecutivas de urina, semqualquer sinal ou sintomas de ITU. Mais comum em idosas > 70 anos • Recorrência ITU: é definida como 2 ou mais episódios de ITU em 6 meses ou mais de 3 episódios em 1 ano • Muito comum, com maior acometimento em mulheres em todas as idades do que em homens (avaliar HPB) • São causas mais frequentes de sepse por Bacilos Gram negativos em idosos e necessidade de internação hospitalar • Afetam em 50% as mulheres ao longo da vida e em metade delas ocorrem recorrência do quadro em 6 a 12 meses • Em mulheres pós-menopausadas as chances de recorrência se eleva a baixos níveis de estrogênio, com mudanças do epitélio urogenital e o microbioma • Investigar nefrolitíase • Microrganismos mais comuns em mulheres: • Escherichia coli • Protheus mirabilis (comum para quem tem cálculo renal) • Klebsiella pneumoniae • Enterococcus faecalis (Gram +) • CAUSAS: • ITU baixa: HPB, estenose ureter, bexiga neurogênica, r e s p o s t a i m u n o l ó g i c a a t e n u a d a ( D R C , D M e imunossuprimidos) • ITU alta: refluxo vesico-uretral, cálculo, tumor, nefrostomia, stent uretral • Apresentação clínica • Grau de gravidade • Fator de risco • Fator de risco para patógenos • Avaliação clínica: • 1. > 60a • 2. Suspeita clínica de ITU: sinais e sintomas urinários • 3. Tem sintomas urinários? Sim, investigar com Urina 1 e Urocultura → Iniciar ATB empírica • 4. Se não tem sintomas urinários (incontinência crônica ou confusão mental)? Avaliar outras causas como: • Hidratação, uso de medicações diuréticas e psicotrópicas (BZD), status mental prévio, interações medicamentosas e eventos adversos, outros diagnósticos (doenças neurovasculares: AVC) • Morfina causa muita incontinência urinária • TTO empírico: • Fosfomicina (Monuril): 1 envelope de 8g (contém 3g de Fosfomicina) • 1 envelope diluído em 200mL de água filtrada, 1 x/d DU, tomar a noite • Nitrofurantoína (Macrodantina) 100mg: 1 cp de 6/6h por 5 a 7d • Sulfametoxazol-Trimetoprima 800/160mg (Bactrim): 1cp 12/12h, por 3 a 5 dias • Desenvolve anemia no paciente • Acetilcefuroxima 500mg (Zinnat): 1 cp de 12/12h por 7d • Ciprofloxacino: não utlizar em idosos • Amoxicilina e Clavulim não penetram na urina • Celulite e Erisipela • Englobam uma variedade de condições patológicas que envolvem a pele com acometimento do tecido subcutâneo, fáscia ou músculo envolvendo de forma leve a grave • Pode afetar qualquer parte do corpo e é um dos principais problemas nos departamentos cirúrgicos e uma das causas de emergências e internação hospitalar • Fatores de risco: doenças críticas, idosos, doença renal e hepática, insuficiência vascular • Fatores de risco causadores de infecções: mecanismos de injúria como traumas, contato de pele com pele, abscessos cutâneos, invasão da pele por microrganismo devido fragilidade ou diminuição das defesas ITU EPIDEMIOLOGIA ETIOLOGIA FISIOPATOLOGIA MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS TRATAMENTO INFECÇÃO DE PARTES MOLES MEDICINA - 11º SEMESTRE GERIATRIA CAROLINA HENRIQUES • Essa integridade das defesas dependem de fatores como idade, status nutricional, DM, tabagismo, obesidade, internação hospitalar e tempo de internação, colonização por microrganismo, hipertermia, choque e hipotermia • Febre e mal estar, que podem ter disseminação via hematogênica e linfática, além da lesão de pele com eritema, calor, rubor, edema • Mais comuns: • Staphylococcus aureus (coagulase positivo) e/ou Streptococcus spp, Staphylococcus coagulase negativo - todos Gram + • GRAM negativas (Pseudomonas aeruginosa - Queimados) • Fungos (Blastomicose, Candida spp, Cryptococcus neoformans, Fusarium) - DM e Imunossuprimido • Celulite cutânea superficial com comprometimento importante de vasos linfáticos da derme decorrente por Streptococcus ß- hemolítico do Grupo A e, raramente por Staphylococcus aureus • Placa eritematosa, demasiada, infiltrada e dolorosa, com bordas que crescem centrifugamente, bem delimitadas que avançam rapidamente sobre a pele circunvizinha • A apresentação bolhosa confere gravidade ao processo, podendo evoluir com necrose e ulceração posterior - internação hospitalar • Staphylococcus aureus • Infecção cutânea que compromete uma parte maior dos tecidos moles, estendendo-se profundamente através da derme e tecido subcutâneo, pode se iniciar como erisipela • Lesão extremamente dolorosa e infiltrativa, com borda mal delimitadas que se estende ao tecido subcutâneo. Em alguns casos podem se formar bolhas ou necrose, resultando em extensas áreas de descolamento epidérmico e erosões superficiais • Erisipela desde que não tenha bolha pode tratar com: Cefalexina 500mg, VO, de 6/6h ou 1g, VO, 12/12h • Clindamicina 300mg de 6/6h ou 600mg de 8/8h • Pode desenvolver diarreia ou colite pseudomembranas • Cefuroxima 500mg de 12/12h • Ceftriaxone 2g 1x/d IV (Staphylo e Strepto) • Oxacilina de 4/4h IV (Staphylo e Strepto) • Quinolonas - Levofloxacino/Ciprofloxacino - não utilizar em idosos • Tempo de TTO: por 7 dias e reavaliar o paciente, podendo ir até 21 dias. Paciente do sexo feminino, 70 anos, branca, APOSENTADA, natural e procedente de Salvador, Bahia, RESIDENTE EM SÃO Paulo há 10 anos,TRAZIDA EM Unidade de Pronto Atendimento (UPA) PELO FILHO com queixas DESORIENTAÇÃO há 3 dias associada a tosse produtiva com expectoração amarelo esverdeado, além de febre alta (mensurada 39ºc) . relata ter apresentado quadro prévio de resfriado com cefaléia, dor de garganta e coriza há 8 dias e passou em ubs com indicação de tratamento com amoxacilina 500mg de 8/8h por 7 dias. Segundo o filho, paciente apresenta artralgia, é hipertensa há 20 anos e faz uso de Losartana. tabagista há 30 anos, 20 cigarros/dia. Ao exame físico, mEG, desorientada em tempo e espaço, acianótica, descorada ++/4+, PA = 90x60mmHg, FC = 110bpm, FR: 28ipm e febril (39ºC). O exame de aparelho respiratório revelou expansibilidade diminuída na base de hemitórax direito, macicez à percussão Os exames solicitados foram: Hemograma – Hb: 12,2 mg/dl (VR:12-16), Ht: 36,1% (VR: 35-45), Leucócitos: 14500 (VR: 4500-11000), Plaquetas: 350.000 (VR:150.000 – 450.000) e RX de tórax 1) Qual a principal suspeita diagnóstica? 2) Qual o principal agente etiológico dessa doença? 3) Qual o Score mais utilizado para auxiliar na decisão de tratamento ambulatorial ou internação dessa doença? 4) Quais as principais manifestações clínicas dessa doença? 5) Qual o tratamento para um paciente que apresenta sinais de PAC? Paciente do sexo feminino, 76 anos, viúva, aposentada, procurou atendimento com queixa de dor lombar, calafrios, febre intermitente, disúria, polaciúria e náuseas há 4 dias. Apresentava dor lombar de forte intensidade e dor leve em abdome inferior, sem fatores de melhora ou piora, de caráter contínuo com irradação para fossa ilíaca esquerda. História mórbida pregressa de infecção do trato urinário de repetição, nefrolitíase à esquerda, hidronefrose moderada à esquerda e leve à direita. Realizou litotripsia renal a laser aproximadamente há um mês. Antecedentes pessoais: Renal crônica não dialítica, DM tipo 2 e HAS Ao exame físico se encontrava em estado geral regular, lúcida e orientada. Temperatura axilar: 38° C. PA:100 x 70 mmHg. FC: 95 bpm. SAT O2 96% ar ambiente. FR: 18 irpm. Aparelho respiratório sem anormalidades. ABD: sem dor à palpação superficial ou profunda. Apresentava sinal de Giordano positivo bilateral. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS ERISIPELA ETIOLOGIA CELULITE TRATAMENTO CASO CLÍNICO 1 CASO CLÍNICO 2 MEDICINA - 11º SEMESTRE GERIATRIA CAROLINA HENRIQUES Para investigação foram solicitados exames laboratoriais : Hemograma: leucócitos: 11.320/ mm3 . Hb 10,6 g/dL. Plaquetas: 179 mil/mm3 . Urina 1: Leucocitúria. Hematúria. Proteinúria. Nitrito positivo. Urocultura: indicava presença de 100.000 UFC de Klebsiella pneumoniae , esbl negativo, sensível a ceftriaxone, cefepime, piperacilina-tazobactam,meropenem e ertapenem a) a principal hipótese diagnóstica é pielonefrite aguda e O microrganismo mais comum nessa população é a escherichia coli podendo ser iniciado tratamento empírico ate o resultado da urocultura. De acordo com a urocultura , A escolha do tratamento para este caso clínico é o ceftriaxone 2g a cada 24h, por 7 dias b) A principal hipótese diagnóstica é itu complicada com cistite e O microrganismo mais comum nessa população é o enterococcus faecalis , não podendo ser iniciado tratamento empírico ate o resultado da urocultura. De acordo com a urocultura , A escolha do tratamento para este caso clínico é o Ceftriaxone 1 g de 12/12h por 7 dias. c) trata-se de bacteriúria assintomática em idosa de 76 anos com amostra de urocultura em 100.000ufc de klebsiella pneumoniae e sem indicação de tratamento d) Em se tratando da urocultura apresentada e levando em consideração á análise do antibiograma, é possível iniciar tratamento com ciprofloxacino 500mg de 12/12h por 7 dias Paciente sexo masculino, 65 anos de idade, casado, trabalha como pedreiro procurou atendimento em ubs devido quadro de edema, dor, calor e eritema em região tibial de perna direita de início há 5 dias e há 1 dia evoluindo com bolhas, prejudicando sua deambulação. Há 7 dias relatou trauma no mesmo local após queda de tijolo. AP: diabético, hipertenso e apresenta insuficiência venosa crônica.Tabagista há 25 anos de 10 maços/dia e etilista social Sinais vitais: febre de 37,8°c, fc:110, pa: 150x100, dextro: 250, saturação 96%, dor de intensidade 7/10 Ao exame físico de membros inferiores apresentava com edema importante com acometimento em toda região tibial e panturrilha direita associado a bolhas e com saída de secreção purulenta 1. Qual hipótese diagnóstica e qual o diagnóstico diferencial? 2. Quais exames devem ser solicitados para a investigação? 3. De acordo com a etiologia do quadro, quais possibilidades terapêuticas seriam indicadas? 4. Em relação ao quadro clínico apresentado, o paciente em questão deverá realizar o tratamento ambulatorial ou hospitalar? justifique 1. Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC). É uma infecção do trato respiratório causada por agentes adquiridos na comunidade ou com surgimento de 48h apos a internação hospitalar. Pacientes que estiveram hospitalizados por outras razões durante menos de 48h antes do surgimento de sintomas respiratórios também entram nessa categoria. 2. Streptococcus pneumoniae, 12 a 85% dos casos. Produz pneumolisina e enzimas implicadas na destruição celular e possuem capsula que dificulta a fagocitose e ação de macrófagos de defesa. 3. CURB-65. C = confusão mental; U = ureia > 50mg/dP.; R = frequência respiratória > 30 ciclos/min; B = pressão arterial sistólica < 90 mmHg ou diastólica < 60 mmHg); Idade > 65 anos. 4. Paciente com pneumonia, geralmente, apresentam inicio agudo ou subagudo de febre, tosse com ou sem expectoração e dispneia. Outros sintomas em comum, como dor torácica, dor pleurítica e escarro com hemoptoicos, além de sintomas inespecíficos como mialgias, fadiga e anorexia, podem estar presentes. Os achados em exame físico como taquipneia, taquicardia, hipotensão, crepitações localizadas e sinais sugestivos de consolidação pulmonar, que se manifesta por diminuição da expansibilidade torácica, podem ser encontrados. Além do aumento do frêmito vocal, maciez à percussão, redução do som vesicular, presença de sopro brônquico. 5. O tratamento antibiótico inicial é definido de forma empírica devido à impossibilidade de se obterem resultados microbiológicos logo após o diagnóstico da PAC, o que permitiria escolher antibióticos dirigidos a agentes específicos. CASO CLÍNICO 3 RESPOSTA CASO CLÍNICO 1 MEDICINA - 11º SEMESTRE GERIATRIA CAROLINA HENRIQUES GERIATRIA AULA 1 • Segundo a ONU: A população total atual corresponde á 8 bilhões de pessoas no mundo com 1,1 bilhão de idosos de 60 anos ou mais • Em 2020, 30 milhões de brasileiros tem 60 anos ou mais correspondendo a 14% da população brasileira • Em 2030 superará crianças e adolescents em 2,28 milhões • Em 2050 representará 30% da população brasileira • Globalmente o número de pessoas >80 anos deverá triplicar em 2050 passando de 137 milhões em 2017 para 425 milhões em 2050 • NO BRASIL: • Segundo dados do IBGE, a população total no Brasil em 2022 corresponde a 214 milhões de pessoas com a população de idosos (>65 anos) em 10,4% do total e estima-se um aumento dessa população para 25% em 2060. • A população de idosos > 80 anos era de 153 mil em 1950 e passou para 4,4 milhões em 2020 com estimativas de 28,2 milhões em 2100 • ÍNDICE DE ENVELHECIMENTO: • Conceito: Número de pessoas de 60 anos ou mais para cada 100 pessoas menores de 15 anos de idade, na população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado. • Interpretação : • Razão entre os componentes etários extremos da população, representados por idosos e jovens. Valores elevados desse índice indicam que a transição demográfica encontra-se em estágio avançado. • Atual: relação entre a razão de idosos e jovens era de 43,9% (2018) e aumentará para 173,4% (2060) • Ajuda a avaliar a Expectativa de vida • EXPECTATIVA DE VIDA: • No mundo: 77,2 anos de idade com EUA em média de 80 anos • 69,8 anos para homens e 74,9 anos para mulheres • No Brasil dados do IBGE 2022: média de 77 anos de idade com a média para mulheres de 80,5 anos, enquanto para os homens é de 73,6 anos • A expectativa de vida relaciona-se á qualidade de vida como saúde, questões socioeconômicas, educação, saneamento, assistência social, segurança do trabalho, ìndices de violência • Segundo a Organização Mundial da Saúde, define Enve lhec imento Saudáve l como “o p rocesso de desenvolvimento e manutenção da capacidade funcional que permite o bem estar na idade avançada”. • Capacidade funcional é definida como a interação entre os recursos físicos e mentais do próprio indivíduo e os ambientes em que ele está inserido para realização de atividades consideradas importantes para sua sobrevivência. Isso faz diferença na qualidade de vida do idoso • ENVELHECIMENTO: • Envelhecimento e Longevidade são dois conceitos correlacionados, mas que tem acepções diferentes. • Segundo o dicionário Houaiss: • Longevidade (substant ivo feminino) s ignifica: característica ou qualidade de longevo; duração da vida mais longa que o comum; • Envelhecimento (substantivo masculino) significa: ato ou efeito de envelhecer; ato ou efeito de tornar-se velho, mais velho, ou de aparentar velhice ou antiguidade. • O Envelhecimento é caracterizado pelas modificações qualitativas e quantitativas do sistema imune e esse fenômeno é conhecido como Imunossenescência • A Imunossenescência é a desregulação das citocinas proporcionando um aumento das citocinas pró- inflamatórias e redução das citocinas anti-inflamatórias, desencadeando uma resposta inflamatória de baixo grau e conta com níveis elevados de citocinas como INF alfa, PCR e IL 6 • Em um nível biológico, o envelhecimento resulta do impacto da acumulação de uma grande variedade de danos moleculares e celulares ao longo do tempo, levando a diminuição gradual da capacidade física e mental, um risco crescente de doenças e, em última instância, à morte. • Além das mudanças biológicas, o envelhecimento também está associado a outras transições de vida, como a aposentadoria, a mudança para uma moradia mais apropriada e a morte de amigos e parceiros. • As oportunidades trazidas ao longo dessas mudanças apresentam uma contribuição a nível social e de saúde, não só para as pessoas idosas e suas famílias, mas também para a sociedade como um todo. • Anos de vida adicionais fornecem a possibilidade de buscar novas atividades, tais como mais educação, uma nova carreira ou viver uma longa paixão negligenciada • No entanto, a extensão dessasoportunidades e dessas contribuições dependem muito de um fator: a Saúde. • LONGEVIDADE: • Hábitos para alcançar a longevidade com saúde: • 1) Gerenciar o Stress: atividade física regular, dormir regularmente, criar um hobby (meditação, organização financeira), terapia • 2) Ter atividades de lazer: ler, pintar, assitir filmes, artesanatos, atividade física, ouvir músicas, viajar em grupos, exercitar a mente com jogos que estimulam o raciocínio, tocar algum instrumento musical • 3) Evitar automedicação • 4) Realizar uma alimentação adequada: vitaminas antioxidantes, os carotenoides (tons vermelhos e laranjas) e composto fenólicos (frutas cítricas) e as fibras alimentares • 5) Evitar o sedentarismo • 6) Cessar tabagismo e ingesta de bebidas alcoólicas • 7) Prevenção da saúde com vacinação e exames de rotina • Vacina Herpes zoster > 50a • Após Herpes zoster: 1 ano depois do último episódio SAÚDE DO IDOSO POPULAÇÃO DE IDOSOS ENVELHECIMENTO E LONGEVIDADE MEDICINA - 11º SEMESTRE GERIATRIA CAROLINA HENRIQUES • COVID, H1N1, Pneumo 23 (2 doses - 1 agora e outra com 5 anos), Menino C (2 doses), dupla adulto, Hepatite B • Pode ser realizada apenas com o paciente caso não apresente alguma alteração cognitiva que comprometa a avaliação • Em caso da presença de um acompanhante, realizar a coleta da historia clínica primeiramente com o paciente e em seguida complementar com o familiar presente • Comunicação de forma clara e pausada. Chamar o paciente pelo nome ou da maneira que ele se sentir a vontade • Atentar para pacientes com déficits visuais e auditivos • Durante a coleta da anamnese,quando o paciente fala, manter o campo de visão direcionado para ele e sem interrupções. • Direcionar de forma calma e confortável os questionamentos da anamneses clínica • Confiabilidade da história: avaliar verocidade dos fatos- análise do status mental • Queixas principais e história da doença atual: os pacientes idosos relatam múltiplas queixas • Desenhar cronologicamente os fatos da história da doença atual • Atividade de vida básica do paciente • Pontuação 6: independência • Pontuação 4: dependência parcial (requer ou não auxílio) • Pontuação <2: necessidade de assistência indicando dependência importante • Pontuação total de 28, incluindo escala de equilíbrio e marcha • < 19 pontos: indica risco 5 x maior de quedas • Quanto menor a pontuação, maior o risco de quedas • AVALIAÇÃO DA MARCHA • Muito utilizadas em Cuidados paliativos • Escala de Karnofsky avalia a capacidade física e autossuficiência • Escala de ECOG avalia como a doença afeta as habilidades de vida diária do paciente ANAMNESE E EXAME FÍSICO ÍNDICE DE KATZ MODIFICADO ÍNDICE DE TINETTI ESCALAS DE PERFORMANCE MEDICINA - 11º SEMESTRE GERIATRIA CAROLINA HENRIQUES • Sinais vitais: FC, PA, Temperatura (mais baixa que o normal) e FR, peso e altura • Cabeça e pescoço: avaliar deformidade da cabeça, perda de cabelo e surgimento de fios grisalhos, palpação das artérias temporais, pele da face (enrugada e frouxa, perda de turgor e palidez), lentigos, ceratose seborréica, ceratose actínica, dermatite seborréica e carcinomas, as pálpebras podem abaular ou se tornarem flácidas, simulando ptose, os pêlos das sobrancelhas se tornam mais finos. Quanto aos olhos, perguntar sobre uso de óculos, se há perda visual, borramento da visão. Avaliar ouvidos, se perda auditiva (sussurros). Inspeção da boca: avaliar dentição, se uso de dentaduras ou prótese dentária, avaliar a mucosa jugal. Palpação de nódulos submandibulares, retroauriculares e no pescoço. Realizar ausculta de carótidas. • Exame do Tórax: Avaliar cifose, lesões de pele, deformidade do tórax, presença de mamas (homens). Realizar ausculta pulmonar a procura de patologias, presença de pêlos, cor dos pêlos • Exame cardiovascular: Avaliar mediante ausculta cardíaca a procura de sopros (2 bulha quase não encontrada e presença de 4 bulha evidência de patologias cardíacas), comumente encontrado em idosos acima dos 80 anos indicando patologia valvular e disfunção cardíaca. Bulhas são hipofonéticas • Exame do abdome: Avaliar tônus da pele, avaliação na palpação dos conteúdos viscerais e deformidades na musculatura, procurar por cicatrizes cirúrgicas, hernias umbilicais, diástese abdominal, massas, vasos. • Exame geniturinário: avaliar incontinência urinária, prolapso uterino, realizar palpação infra-abdominal para avaliação de ovários e útero, toque retal para avaliação de próstata. • Exame musculoesquelético: inspeção dos pés procurando por deformidades, avaliar punhos, dedos e articulações, palpar pulsos periféricos e pedioso, avaliar tônus muscular. • Exame neurológico: Teste de força e reflexos, avaliar sensibilidade do tato, teste da marcha (avaliar se levanta da cama sem auxílio, se caminha normalmente, se consegue ficar em pé com os dois pés juntos e com os olhos abertos e depois fechados, suportando o peso corporal sobre os calcanhares e depois sobre os dedos dos pés), teste index- index, avaliação ocular motora. • HAS, DM E ATEROSCLEROSE • PECULIARIDADES DO IDOSO: • Aplicação da avaliação geriátrica ampla (AGA): avalia capacidade física, mental, social e condições médicas • Funcionalidade avaliada pelas escalas de atividades de vida diária • Expectativa de vida • História medicamentosa e possível polifarmácia • ESTRATIFICAÇÃO DE RISCO CARDIOVASCULAR: • Aplicação do Score de Framinghan • Critérios para classificação de alto risco cardiovascular: • Doença a te rosc le ró t i ca a r te r i a l co rona r i ana , cerebrovascular ou obstrutiva periférica • Procedimentos de Revasc. Arterial • DM 1 e 2 • DRC • Hipercolesterolemia familiar • * Presença de 1 ou mais fatores • METAS LIPÍDICAS: • Alto risco: LDL < 70 ou redução de mais de 50% • Intermediário: LDL < 100 ou redução de 30 a 50% • Baixo risco: meta individualizada ou redução de 30% • Controle com Estatinas, avaliar mudança de estilo de vida • METAS TERAPÊUTICAS PARA CONTROLE DA HAS: • Idosos < 80 anos -- <140x90 mmHg • Idosos > 80 anos com cognição e funcionalidade preservadas -- < 150x90mmHg • Idosos frágeis, com varias comorbidades e expectativa de vida limitada – decisão terapêutica individualizada • 60-79 anos: 135x85mmHg • TERAPIA FARMACOLÓGICA PARA HAS: • Diuréticos tiazídicos --- Preferir em: ICC, osteoporose, hipertensão sistólica isolada; Evitar em: InconBnencia urinaria, prostaBsmo, gota • IECA e antagonistas de Ag II ---- Preferir em ICC, IAM ou AVC prévios, DM, nefropaBa, hipertrofia de VE; Evitar em: IRC grave, estenose de artéria renal • Antagonistas de canal de cálcio – Preferir em: Inf. Arte. Periférica, Ins. Coronariana sintomáBca; Evitar em ICC (exceto anlodipino) • Betabloqueadores – Preferir em: ICC, taquiarriBia, Ins, coronariana, migrânea, tremor essencial, hiperBroidismo; Evitar em: Bradiarritmia, broncoespasmo, Insf. Arte. Periferica • Alfabloqueadores – Preferir em ProstaBmo; Evitar em Hipotensão ortostáBca EXAME FÍSICO Lentigos Ceratose Seborréica Ceratose Actínica Dermatite Seborréica DISTÚRBIOS CARDIOMETABÓLICOS MEDICINA - 11º SEMESTRE GERIATRIA CAROLINA HENRIQUES • METAS GLICÊMICAS: • Idoso saudável e sem comorbidades • Pré- Prandial: 90-130 ao deitar: 90-150 • Hb glic < 7,5% • Comorbidades e comprometimento cognitivo e funcional leve a moderado • Pré- prandial: 90-150 ao deitar: 100-180 • Hb glic < 8,0% • Comorbidades graves com comprometimento funcional cognitivo e expectativa de vida limitada • Pré- prandial: 100 -180 ao deitar: 110-200 • Hb glic: < 8,5% • TERAPIA FARMACOLÓGICA PARA DM: • Biguanidas – Metformina --- efeitos gastrintestinais, deficiência de VB12 • Sulfonilureias de 2 geração – Glicazida, Glibenclamida --hipoglicemia, ganho de peso, possível aumento de evento CV • Meglitinidas – Repaglinida --hipoglicemia e ganho depeso • Tiazolidinedionas – Pioglitazona, Rosiglitazona -- ganho de peso, edema, ICC, fraturas osseas • Inibidores de DDP4 – Sitagliptina – relatos ocasionais de urticaria, edema, casos de pancreatite • TERAPIA NÃO FARMACOLÓGICA: • Controle de peso • Atividade física regular – exercícios de Resistência de aeróbicos • Redução da ingesta de sal, açucares, álcool, gorduras • Dieta rica em vegetais • Cessação do tabagismo MEDICINA - 11º SEMESTRE GERIATRIA CAROLINA HENRIQUES GERIATRIA AULA 2 • As Sd. Demenciais são caracterizadas pelo declínio cognitivo persistente que interfere na capacidade funcional do paciente (desempenho profissional ou social) • Observa-se um declínio cognitivo em relação ao nível prévio que decorre do comprometimento de pelo menos uma ou mais funções cognitivas ou do comportamento: • Memória • Linguagem • Função executiva • Aprendizagem • Atenção • Capacidade de abstração • Nas demências vasculares a função executiva se altera primeiro do que a memória • História clínica detalhada com o objetivo de identificar a cronologia e a velocidade das perdas cognitivas e funcional do paciente, bem como afastar possíveis diagnósticos diferenciais (causas orgânicas: hipotireoidismo, anemia crônica…) • Testes de rastreio ajudam avaliar qual função cognitiva está mais comprometida e para acompanhar a evolução do quadro - não fazem diagnóstico, apenas ajudam a ver os graus de comprometimento ao longo do tempo • Principais testes de rastreio: os testes se complementam entre si • MEEM: ver funções executivas, memória só de evocação e imediata, atenção, foco, linguagem • 20 pontos para analfabeto • 25 pontos para pessoas com escolaridade de 1 a 4 anos • 26,4 pontos para 5 a 8 anos • 28 pontos para aqueles com 9 a 11 anos • 29 pontos para mais de 11 anos • MOCA: • Pontua até 30 pontos • Teste do desenho do relógio: • As disfunções executivas podem preceder as alterações da memória na demência • Bom para avaliar demência vascular • Teste de fluência verbal • Escala de avaliação de funcionalidade: • Escala de Lawtow (AIVD) • Escala de Katz (ABVD) avalia as funções mais básicas • KPS para todo paciente na clínica geral • ECOG paciente oncológico • Outras: PFEFFER, FAST, ECOG, KARNOFSKY, ETC. • Exames de imagem: TC ou RNM de crânio • Descartar causas irreversíveis (TU SNC maligno ou benigno, efeito de massa, hidrocefalia de pressão normal, HSA crônico) • Exames laboratoriais: descartar outras causas, para corrigindo e continuar com quadro cognitivo pensar em demência • Hemograma completo • Creatinina/ UR • Enzimas hepáticas • TSH e T4 livre • Glicemia • Vit. B12 • Cálcio sérico (alteração neurológica) • Sorologia (sífilis e HIV) • Comprometimento cognitivo subjetivo • Comprometimento cognitivo leve • Depressão (Pseudodemência) - tem fator desencadeante no idoso (luto…) • Delirium (agudo) • DEMÊNCIA NA DOENÇA DE ALZHEIMER: • Causa mais frequente de demência (80% dos casos após os 65a) • 7ª causa de morte nos EUA • É uma doença degenerativa, sem fator etiológico determinado, 1ª causa degenerativa • Principais características: • Perda de memória com início insidioso, progressão gradual e perda de fluência das palavras • Prejuízo no aprendizado e na retenção de informações recentes • Principais achados anatomopatológicos são as placas amiloides (depósitos insolúveis de proteína ß-amiloide) e os emaranhados neurofibrilares, constituídos por proteína Tau fosforilada • O acúmulo destas proteínas causa danos oxidativos e inflamatórios, que por sua vez levam à falta de energia e disfunção sináptica • As alterações mais precoces ocorrem em estruturas do sistema límbico, em especial o hipocampo (recebe e armazena memória recente) • RNM com atrofia hipocampo • Atrofia generalizada, mais acentuada dos lobos temporal e parietal DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL PRINCIPAIS SÍNDROMES DEMENCIAIS DIAGNÓSTICO EXAMES COMPLEMENTARES DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL PRINCIPAIS CAUSAS DE DEMÊNCIA MEDICINA - 11º SEMESTRE GERIATRIA CAROLINA HENRIQUES • DEMÊNCIA VASCULAR: • Principais características: • 2ª causa de demência na população idosa • Início e evolução: insidioso e contínuo / agudo com progressão gradual em degraus • Principais causas: HAS, DM, dislipidemia, as mesmas alterações que atingem outros sistemas atingindo o SNC • Difere de um AVC, a demência é: • Acometimento vascular de pequenas arteriolas - gradual progressiva • O quadro clínico depende do número de lesões • O que difere do Alzheimer: Alterações da marcha (apraxia) desde o início da demência - e incontinência urinária podem ocorrer em fases iniciais da doença • Sinais e sintomas de paralisia pseudobulbar (disfagia, disartria e labilidade emocional) também são característicos • Flutuações cognitivas, piora noturna e apatia são comuns, perda de funcionalidades, não possuem déficits de memórias, mas sim em relação à função executiva • RNM: áreas de micro infarto e leucoaraiose (imagem com setes) abaixo imagem de AVC (4 imagens juntas) e as 3 últimas imagens (substância branca, bilateral, sempre levando a uma atrofia cortical - padrão de D. Vascular) • DEMÊNCIA MISTA: • Alzheimer potencializado por danos vasculares • Paciente com demência vascular e com as isquemias desenvolve características de Alzheimer • Perda de memória e perda executiva • DEMÊNCIA COM CORPOS DE LEWY (DCL): • Principais características: • 2ª causa de demência degenerativa em idosos • Etiologia desconhecida • Presença dos corpos de Lewy • Inclusões intracitoplasmáticas eosinofílicas chamadas corpos de Lewy, que contém alfa-sinucleíma agregada, nas camadas cort icais profundas do cérebro, especialmente nos lobos frontais e temporais anteriores, giro cinzelado e ínsula • Principais caraterísticas clínicas: • Quadro demencial progressivo, com déficits atenciosas, visões espaciais e de funções executivas • Flutuação dos sintomas cognitivos com variação intensa na atenção e alerta • Alucinações visuais recorrentes, geralmente detalhadas e vívidas • Parkinsonismo - rigidez com tremores finos • Outras características clínicas comuns: • Quedas repetidas • Síncope • Distúrbios do sono REM (presente em 85% dos pacientes) • Delírios • Depressão • Sens ib i l idade ao neuro lép t ico - p io ra do Parkinsonismo • Sintomas cognitivos precedem os sintomas motores em cerca de 12 meses. (Diferença da demência relacionada à Doença de Parkinson - primeiro tem Parkinson depois podem desenvolver quadro demencial) • DEMÊNCIA FRONTOTEMPORAL (DOENÇA DE PICK): • Principais características: • 3ª causa mais comum de demência degenerativa • Início precoce: geralmente antes dos 65 anos com curso rápido • Alteração do comportamento ou personalidade (apatia, hipersexualidade, mexer com pessoas, comportamento com gestos com a boca, hiperfagia, com ausência de crítica) • Há dificuldade em planejamento e capacidade de julgamento MEDICINA - 11º SEMESTRE GERIATRIA CAROLINA HENRIQUES • Inibidores da acetilcolinesterase: degrada acetilcolina, inibindo a enzima, sobra mais enzima para melhorar o impulso entre um neurônio e outro, para melhorar uma consequência na demência, não age na causa • Memantina: para demência moderada/grave, modulador de receptor de glutamato TRATAMENTO