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Gabriella R Oliveira - Clínica Cirúrgica III - 8ºP QUEIMADURAS: Definição: Traumatismo aos tecidos causados pelo contato com calor, fumaça, agentes químicos, eletricidade ou similares. -A queimadura causa necrose de coagulação da epiderme e tecidos subjacentes. - A profundidade depende da temperatura à qual a pele é exposta e da duração da exposição. EPIDEMIOLOGIA: - Nos Estados Unidos ocorrem cerca 500 mil queimaduras/ano; - 40 mil a 60 mil necessitam de internação; - 4 mil, aproximadamente, morrem por complicações de queimaduras/ano; - 66% das queimaduras ocorrem em casa; - Óbitos ocorrem nos extremos das idades; - As causas mais comuns das queimaduras são as chamas e escaldaduras; - As escaldaduras são mais comuns em vítimas de até cinco anos de idade. - % significativa das queimaduras em crianças → abuso infantil. Fatores de risco associados à queimaduras: - Idade (IDOSO E CRIANÇA), demografia/localização, baixo nível social/escolaridade (BOA EDUCAÇÃO, MENOR RISCO) - Maioria das lesões e mortes por queimaduras são evitáveis e exigem estratégias de intervenção e prevenção. CAUSAS: - CHAMA – lesão pelo ar oxidado superaquecido; FOGO - ESCALDADURA – lesão pelo contato com líquidos quentes; AÇÚCAR DERRETIDO - CONTATO – lesão pelo contato com materiais sólidos quentes ou frios; ROUPA DE MATERIAL SINTÉTICO DERRETE E COLA, GELO - QUÍMICA – contato com agentes químicos nocivos; PRODUTO DE LIMPEZA - ELETRICIDADE – condução de corrente elétrica através dos tecidos CHAMA, ESCALDADURA E CONTATO → • Dano celular por transferência de energia • Necrose de coagulação intracelular QUÍMICA E ELETRICIDADE → Lesão direta às membranas celulares e transferência de calor • Necrose de coagulação ou liquefação intracelular, componentes intracelulares liquefazem, morte celular FISIOPATOLOGIA: zona de coagulação: necrose irreversível zona de estase: tecido de transição zona de hiperemia: a partir dessa começa ter a regeneração do tecido, revitalização do tecido lesionado temperatura elevada e tempo de contato com agente causador da queimadura → zona de coagulação aumenta, aprofundou, avançando sobre a zona de estase as 3 zonas existem em todos os graus de queimadura A profundidade varia com o grau da queimadura 1º Grau: restrito a epiderme, zona de coagulação ocorre só na epiderme, ex: queimadura solar, hiperemia intensa, arde, incomoda, mas com hidratação oral e agente tópico melhora, não é considerada queimadura grave 2º Grau: tem bolhas, muito dolorosa, não furar bolhas, se tiver perfurada, desbrida e faz curativo, tem superficial e profunda Queimadura de 1º Grau - Lesão localizada na epiderme. - Não provoca alterações hemodinâmicas; -Eritema e dor local sem a presença de bolhas, se tornam pálidas ao toque – barreira epidérmica intacta -Queimadura solar; -Pequena escaldadura na cozinha; - Não resultam em cicatrizes; Tratamento: -Tópico: aloé vera e AINES Queimadura de 2º grau: Lesão localizada na epiderme e derme. 2o Grau Superficial: - Até derme superficial. 2o Grau Profunda: - Até derme profunda. 2º Grau Superficial: - Dolorosas, eritematosas, empalidecem ao toque e formam bolhas. - Lesões por escaldadura superaquecida, curtas exposições ao fogo. - Reepitelizam espontaneamente, após cicatrização, podem ter leve descoloração cutânea a longo prazo 2º Grau Profunda: - Comprometem a derme reticular. - Dolorosas, mais pálidas. - Lesões por escaldadura. - Cicatrizam entre duas a cinco semanas; - Podem necessitar de enxertos de pele para cicatrizarem em tempo hábil Queimadura de 3º grau: não tem dor pele desvitalizada, cor esbranquiçada - escurecida, dura, rígida, perde elasticidade, ex: couro - Lesão de espessura total - Da epiderme até a gordura subcutânea; comum em acidentes por rede eletrica, alta tensão temperatura alta - Escarificação dura, indolor, preta, branca ou avermelhada e presença de vasos trombosados. -Exemplo: Causa elétrica ou térmica. - Reepitelizam-se a partir das bordas cutâneas; -Necessitar de enxertos de pele para cicatrizarem em tempo hábil. Queimadura de 4º grau: - Lesão através da pele e gordura subcutânea até o osso ou músculo subjacente. O EXAME DA FERIDA INTEIRA CONSTITUI O PADRÃO-OURO PARA DIRECIONAR AS DECISÕES TERAPÊUTICAS POSTERIORES → CLÍNICO > muito necrosado INVESTIGAÇÃO COMPLEMENTAR: TAMANHO DA QUEIMADURA: - A determinação do tamanho da queimadura estima a extensão da lesão. - Pela “regra dos nove”. - “Maneira prática” CRIANÇA: CABEÇA MAIOR QUE O CORPO, palma da mão do paciente: quantas palmas de mão cabem na área queimada Alterações Sistêmicas - Queimaduras: grande queimado quando tem > 20% da ASCT em adultos (queimadura grave → a partir do 2º grau), idoso/criança: > 10% é grave ou 40% em pacientes pediátricos: - Estresse, inflamação e hipermetabolismo - Resposta hiperdinâmica com aumento da temperatura corporal, glicólise, proteólise, lipólise > EFEITOS SISTÊMICOS DE UMA QUEIMADURA GRAVE permeabilidade vascular aumentada - líquido extravasa para espaço intercelular - gera edema - choque hipovolêmico - tecidos lesados, corpo quer reagir - hipermetabolismo - mucosa intestinal: aumenta permeabilidade, para puxar liquido do intestino para jogar dentro do vaso sanguíneo - rim reduz taxa de filtração, vasoconstrição, débito urinário cai, vários mediadores inflamatórios liberados → imunossupressão - infecção oportunista 1ª Fase: glicose vem da GLICONEOGENESE DO FÍGADO 2ª Fase: não consegue captar glicose, fica circulante • Alterações metabólicas podem apresentar resolução após o fechamento da ferida; • A resposta hipermetabólica à queimadura pode durar mais de 12 meses; pode ficar até 3 anos na fase de fluxo • Alterações hipermetabólicas sustentadas após a queimadura - pelo aumento persistente dos níveis urinários de cortisol total, citocinas séricas, catecolaminas e necessidades basais de energia e acompanhadas de alteração no metabolismo da glicose e na sensibilidade à insulina podem persistir até três anos após a lesão por queimadura inicial TRATAMENTO: 1. PRÉ-HOSPITALAR: • Remover o paciente do cenário do trauma e o processo lesivo interrompido; • Apagar e remover roupas em combustão o mais rápido possível; • Retirar: Anéis, relógios, jóias e cintos - retêm calor; • Se possível irrigar área com água abundante, em temperatura ambiente, por 15 minutos para diminuir a profundidade da lesão panela pegando fogo: tampar, restringir oxigênio da cena molhar: para diminuir temperatura e zona de coagulação botijão - fechar, jogar cobertor - cortar oxigênio, sair correndo da cena fogos, foguete, track - cuidado, não usar em crianças extensões, T, superaquecimento da rede, pode dar incêndio, comprar filtro de linha queimadas na rodovia - pode ser politraumatizado, acidente automobilístico e ser queimado, tratar os 2 2. AVALIAÇÃO INICIAL: - Inspeção clínica completa. - ABCDE do trauma. A Via aérea com proteção da coluna cervical, colar cervical em explosão de botijão B Ventilação e respiração C Circulação com controle de hemorragia D Disfunção neurológica E Exposição com controle da hipotermia Interrupção do processo de queimadura Retirada de adornos VIA AÉREA E PROTEÇÃO DA COLUNA CERVICAL - Inspeção clínica completa. - Em casos de quedas, traumas, explosões, existe a possibilidade de lesão da medula espinhal. Esta deve ser estabilizada adequadamente com colares cervicais. Atentar para lesão por inalação: - Queimaduras faciais e/ou cervicais - Chamuscamento cílios e vibrissas nasais - Depósitos carbono e alterações inflamatórias agudas na orofaringe - Expectoração carbonácea - Lesão por inalação - Rouquidão - História de confusão mental ou confinamento no local do incêndio - História de explosão com queimaduras da cabeça e tronco Necessidade de via aérea definitiva??? suspeita de queimadura por inalação → fumaça, ar quente, queima via aérea, leva a edema, mesmo consciente e com glasgow 15, é obrigatóriointubar por via aérea definitiva precocemente, porque vai evoluir para edema, e não consegue Pode chegar com confusão mental pelo dióxido de carbono - hemoglobina VENTILAÇÃO: Exposição do tórax para se avaliar a respiração (em busca de lesão das VAS). - Fornecer O2. - Intoxicação por CO. CIRCULAÇÃO: - FC e palpação dos pulsos podem ser usados como uma medida indireta da circulação. - Considerar que o paciente está com choque hipovolêmico associado - Fórmula de Parkland – Volume de Cristalóide ATLS 10 ed - Adultos 2 ml X Peso X % SCQ, quando não é queimadura elétrica - Crianças 3 ml X Peso X % SCQ, quando não é queimadura elétrica volume de líquido que deve ser infundido nas primeiras 24 horas queimadura elétrica em qualquer idade: 4 ml x peso x % SCQ SABISTON 20 ed - 4ml X Peso X %SCQ PRESCRIÇÃO DO VOLUME TOTAL DAS 24 H: ½ - 8 h após queimadura; ½- 16 h seguintes EXPOSIÇÃO E CONTROLE DE HIPOTERMIA: - Aplicação de um curativo limpo ou de um lençol. - O paciente deve ser envolvido com um cobertor para minimizar a perda de calor e controlar a temperatura. - Analgesia: oral ou intramuscular no pequeno queimado e endovenosa no grande queimado. 3. CUIDADOS COM AS FERIDAS: - Aplicação de um curativo limpo ou de um lençol. - O paciente deve ser envolvido com um cobertor para minimizar a perda de calor e controlar a temperatura durante o transporte. - Analgesia: oral ou intramuscular no pequeno queimado e endovenosa no grande queimado. SULFADIAZINA, GAZE E ATADURA Queimadura por Inalação: - As principais evidências que levam a suspeita de lesão por inalação consistem em queimaduras em cabeça e pescoço, chamuscamento das vibrissas nasais, hiperemia da orofaringe, tosse com escarro carbonáceo, rouquidão e sibilos expiratórios, que evidenciam edema grave da via áerea e intoxicação por fumaça (CO). Fisiopatologia e Quadro Clínico: ex: trabalhador de zona rural TRATAMENTO: - Após a ressuscitação volêmica e estabilização clínica o cuidado deve voltar-se a queimadura em si, procedendo-se ao desbridamento cirúrgico (3ºgrau), quando indicado e cuidados locais, visando à prevenção de infecção da área queimada. Cirurgia plástica que faz desbridamento - Após a avaliação da profundidade e extensão da queimadura e da realização desbridamento e limpeza da ferida, um curativo oclusivo deve ser aplicado como tratamento inicial. CUIDADOS COM A FERIDA: • Proteção do epitélio lesado; • Reduzir a colonização bacteriana ou fúngica; • Imobilizar o segmento atingido para manter a posição funcional desejada; • Reduzir a perda calórica através da evaporação. - Queimaduras de 1º grau não precisam de curativos e são tratadas com antiinflamatórios não hormonais e soluções tópicas para manter a área hidratada e diminuir a dor. - As queimaduras de 2º grau são manejadas com troca diária de curativos, utilizando antimicrobianos tópicos. - Três antimicrobianos tópicos são utilizados de rotina: acetato de mafenida 11,1%, nitrato de prata 5%, e sulfadiazina de prata 1%. - Em alguns casos de queimaduras de 2º grau superficiais, opta-se pelo curativo biológico (banco de pele, de cadáver, ou enxerto de pele parcial, se não tiver área viável, usa pele de tilápia) ou sintético enquanto se aguarda a cicatrização da ferida. > evitar perda calórica, perda de líquido e colonização bacteriana, força zona de hiperemia a regenerar pele lesada, solta onde vai reepitelizando - As queimaduras de 2º grau profundas e as de 3º grau, principalmente, são tratadas com excisão da área queimada e substituição por auto enxerto retirado de áreas doadoras do próprio paciente. - Os pacientes idosos, pelas complicações mais graves que desenvolvem decorrentes da resposta metabólica à queimadura, somada à uma pele atrófica, raramente beneficiam-se do tratamento cirúrgico precoce. - Queimaduras < 20% da área corporal = 10% mortalidade. - Queimaduras ≥ 50% = cerca de 100% de mortalidade. QUEIMADURAS ELÉTRICAS: - 3 – 5% casos. - Áreas visíveis de necrose são pequenas: poupa a pele (boa resistência à eletricidade), mas caminha por vasos, nervos e músculos (baixa resistência). - Calor gerado pela corrente elétrica danifica os tecidos. necrose, alta tensão, área de entrada, amputação > funciona como fio terra > pode ter uma arritmia, precisa fazer ECG OBRIGATÓRIO, e estar preparado a fazer RCP > trajeto da corrente > escarotomia/fasciotomia, permite chegada do suprimento arterial em queimadura periférica, sem comprometer circulação, permite edema, mas não comprime vascularização - LESÕES BAIXA VOLTAGEM (110 - 220V): parecidas com as térmicas – poupa tecidos profundos. - LESÕES ALTA VOLTAGEM: Síndrome da Lesão de Alta Voltagem = destruição oculta de tecidos profundos. 1. Ressuscitação cardiopulmonar. 2. Monitoração (ECG alterado/parada cardio-respiratória). - Devem ser avaliados como qualquer outro paciente de trauma contuso. > desligar cabo e chamar ajuda Queimaduras Químicas: Incidente com agente químico → Irrigar copiosamente com água (vários litros), LAVAR, NADA ALÉM DISSO aloe vera = babosa, ótima para queimadura solar > lavar, com soro ou água