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GESTÃO SOCIAL
A GESTÃO SOCIAL NO TERCEIRO SETOR – 
A QUESTÃO DA ÉTICA NAS ORGANIZAÇÕES
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Olá!
Ao final desta aula, você será capaz de:
1. Entender que não basta as empresas buscarem o melhor resultado econômico, cumprirem as leis, pagarem
salários e recolherem os impostos, mas mostrarem que estão comprometidas com a sustentabilidade;
2. compreender que o surgimento de novas tecnologias, a rapidez como as informações circulam e a urbanização
acelerada estão fazendo com que os empresários se preocupem cada vez mais com as questões éticas;
3. saber que fundos levantados pelas instituições sem fins lucrativos são diferentes das fontes das empresas e do
governo, pois a instituição deve levantar dinheiro de doadores, que são – em sua maior parte – pessoas que
querem participar da causa, mas não são beneficiários.
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Cada vez mais aumenta sobre as empresas a cobrança da sociedade por mais ética, transparência, participação,
políticas efetivas de responsabilidade social, programas sociais efetivos, respeito aos colaboradores. As
empresas estão sendo mais cobradas pelo resultado de suas ações sociais e ambientais. Não bastam que elas
tenham o melhor resultado econômico, cumpram as leis, paguem salários e recolham os impostos, elas precisam
também mostrar que estão comprometidas com a sustentabilidade por meio de ações concretas.
A organização que queira competir no mercado globalizado em que vivemos terá que manter uma reputação
sólida de comportamento ético. É importante que seja inserido em sua estratégia de negócios, atitudes que
apoiem objetivos de ordem social e de preservação do meio ambiente, aliada a práticas gerenciais, de modo a
fortalecer sua imagem, sua reputação, sua marca perante o mercado consumidor. Dessa forma é que países que
desfrutam do estado de direito permitem que a sociedade civil reúna condições para se mobilizar e retaliar as
empresas socialmente irresponsáveis e inidôneas.
Desta forma, cabe sugerir às organizações que os resultados positivos na esfera profissional e empresarial
dependem de decisões morais e éticas. Portanto, ter padrões éticos é o melhor caminho para a obtenção de bons
negócios a curto e longo prazo.
Por oportuno, merece ser lembrada uma das maiores autoridades mundiais em ética empresarial, professora
Laura Nash, da , quando diz que a rapidez das mudanças nos negócios, o surgimento deHarvard Business School
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novas tecnologias e a rapidez como as informações circulam estão fazendo com que os empresários se
preocupem cada vez mais com as questões éticas. Pois, nos Estados Unidos, essa preocupação já está presente
em 95% das organizações, que criaram seus próprios códigos de ética, como forma de preservar suas imagens.
2 A Articulação do Social e do Produtivo
Os mercados mundiais vivem a era dos serviços. Mas muitas das vezes essa conceituação tende, por sua
generalidade, num primeiro momento, confundir mais do que ajudar. Vejamos o exemplo: a agricultura nos EUA
ocupa 2,5% da mão de obra. Tal avaliação é possível porque reduzimos a atividade agrícola à lavra da terra. A
atividade agrícola atual se apoia em serviços de análise de solos, em serviços de inseminação artificial, em
serviços de calagem, serviços de silagem, serviços meteorológicos etc.
Neste contexto, cabe a seguinte pergunta:
Deixou de haver agricultura ou a agricultura passou a funcionar de outra forma?
Da mesma forma, poderíamos dizer que a secretária ou o engenheiro que trabalham na fábrica não estão na
indústria, estão na área de "serviços". Que sentido teria isso? Na realidade, trata-se em grande parte de uma
transformação do conteúdo das atividades produtivas, e não do desaparecimento dessas atividades em proveito
de uma nebulosa área de "serviços".
Não é um terceiro "setor" que está surgindo, um "terciário". De certa forma, é o conjunto das atividades humanas
que está sendo transformado, ao incorporar mais tecnologias, mais conhecimento e mais trabalho indireto.
Adquirem maior conteúdo de pesquisa, de concepção, de planejamento e de organização tanto as atividades
produtivas, como as atividades ligadas às infraestruturas econômicas, à intermediação comercial e financeira, e
aos serviços sociais. É a dimensão de conhecimento do conjunto das nossas atividades de reprodução social que
está se avolumando.
A sociedade precisa e demanda as necessidades básicas formadas por: casas, sapatos, arroz e feijão. Contudo,
cada vez mais isso está sendo assegurado de forma diferente, ou seja, as atividades produtivas continuam
essenciais, mas a sua forma de produção está sofrendo profundas modificações.
Para que milhões de unidades empresariais da agricultura, da indústria, da construção, sejam produtivas, temos
que assegurar, além da própria organização do tecido produtivo e do progresso da gestão empresarial, sólidas
infraestruturas de transporte, energia, telecomunicações, bem como água e saneamento, as chamadas "redes" de
infraestruturas, sem as quais as empresas enfrentam custos externos insustentáveis e se tornariam não
competitivas.
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Veja os efeitos proporcionados pelo transporte individual. As grandes cidades do mundo, principalmente as dos
países que não optaram pelo transporte de massa, estão asfixiadas pelos sucessivos congestionamentos. Será
inocente em termos de racionalidade da sociedade em seu conjunto o fato de termos optado por transporte
rodoviário de carga e que usa predominantemente óleo diesel, altamente poluidor, em vez do transporte
ferroviário e por água? Quanto nos custa em gastos de saúde e desconforto o fato de uma ampla maioria de
domicílios do país não terem acesso a um saneamento adequado?
O setor produtivo precisa, portanto, de infraestruturas adequadas para que a economia no seu conjunto
funcione. Mas precisa também de um bom sistema de financiamento e de comercialização, para que os processos
de trocas possam fluir de forma ágil: esses serviços de intermediação, no nosso caso, se tornaram um fim em si
mesmo, drenando o essencial da riqueza, constituindo-se mais propriamente em atravessadores do que
intermediários, esterilizando a poupança do país.
Nem a área produtiva, nem as redes de infraestruturas, e nem os serviços de intermediação funcionarão de
maneira adequada, se não houver investimento no ser humano, na sua formação, na sua saúde, na sua cultura, no
seu lazer, na sua informação. Em outros termos, a dimensão social do desenvolvimento deixa de ser um
"complemento", uma dimensão humanitária de certa forma externa aos processos econômicos centrais, para se
tornar um componente essencial do conjunto da reprodução social.
Não há nada de novo, naturalmente, em se afirmar que para o funcionamento adequado da área empresarial
produtiva são necessárias amplas redes de infraestruturas, serviços eficientes de intermediação, e um forte
desenvolvimento da área social. O que há de diferente é a nova importância relativa da dimensão social do nosso
desenvolvimento. A saúde, para ser viável, tem de ser preventiva, permear todo o tecido social, e atingir toda a
população. A educação no Brasil envolve hoje, entre alunos e professores, mais de trinta milhões de pessoas. A
cultura tornou-se um dos setores mais importantes no conjunto das atividades econômicas e sociais.
A dimensão e a importância da área social mudaram qualitativamente, exigindo novos equilíbrios nas
prioridades da sociedade. E a construção desse novo equilíbrio passa a depender de articulações sociais mais
complexas, que nos obrigam a deixar de lado as simplificações que estão embutidas nos modelos tradicionais de
funcionamento da economia, que coloca a questão de mais estado (estatista) ou menos estado (liberal).
3 Ética e Ação Social
"Vivemos num mundo absurdamente desigual, um verdadeiro barril, não mais de pólvora, mas nuclear, químico,
ecológico e biológico. A diferença entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres do planeta era de 11 vezes em
1913, passou para 30 vezes em 1960, para 60 vezes em 1990 epara 74 vezes em 1997”.
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Ocorre que esses problemas – cuja solução passa por acordos e decisões de ordem ética – são os principais
problemas da sociedade atual e os que inquietam a comunidade internacional. Com efeito, os dados disponíveis
permitem entrever uma alternativa entre . Neste sentido, anota Oded Grajew:responsabilidade social ou barbárie
"As consequências desse processo - que inclui também a degradação ambiental – podem ser dramáticas".
Continua Oded Grajew: "Com os recursos tornando-se menos abundantes, os alimentos mais escassos, a brecha
entre ricos e pobres mais larga e a mudança climática promovendo tensões crescentes e migrações em massa,
não é difícil prever cenários que levem, acidentalmente ou deliberadamente, ao conflito nuclear".
4 Para Reflexão
Em um ensaio de jornalismo econômico, Joelmir Betting faz-nos recuar até o ano de 1900, e propõe a um homem
dessa época dois grupos de questões, perguntando-lhe quais deles serão resolvidos no final do século.
No primeiro grupo, encontram-se dificuldades como: transportar um elefante pelos céus a uma velocidade duas
vezes maior do que a do som, transmitir instantaneamente a imagem e o som de um acontecimento ocorrido em
outro continente, reproduzir para sempre a voz de uma pessoa falecida, e outras coisas do mesmo estilo.
Como afirma o jornalista, o nosso interlocutor certamente responderia que o segundo grupo de problemas
poderia estar resolvido em fins do século, já que só exigiria um pouco de bom senso e cooperação, ao passo que
os problemas do primeiro grupo exigiriam procedimentos fantásticos e absurdos. No entanto, a realidade foi
bem outra; enquanto os problemas foram resolvidos, os demais não só não encontraram solução,fantásticos
como se agravaram bastante.
Os problemas do primeiro grupo são problemas técnicos, que dependem fundamentalmente do desenvolvimento
das ciências físicas, ao passo que os demais dependem de atitudes e decisões éticas.
5 Ética e Captação de Recursos
Nos países mais desenvolvidos, duas dificuldades ameaçam o terceiro setor: a burocratização e a
mercantilização, isto é, converter-se em um agente da Administração (a qual às vezes substituem) ou em uma
mera empresa entre outras (com as quais às vezes competem). Para preservar seu espírito e identidade, as
organizações devem reforçar sua independência tanto em relação ao Estado quanto às empresas comerciais,
buscando sua vinculação com o cidadão, seja como doador (de tempo, de dinheiro) ou como receptor de seus
serviços.
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O que vem na próxima aula
Na próxima aula, você vai estudar:
• A origem das ONGs e os movimentos de mobilização social nos anos 60 no mundo;
• como o governo brasileiro faz parcerias com ONGs para implementação de suas políticas sociais;
• o papel da SOS Mata Atlântica, exemplo de funcionamento de uma ONG.
CONCLUSÃO
Nesta aula, você:
• Entendeu que não basta as empresas buscarem o melhor resultado econômico, mas precisam mostrar 
que estão comprometidas com a sustentabilidade;
• compreendeu que vários fatores têm contribuído para que os empresários se preocupem cada vez mais 
com as questões éticas;
• aprendeu que fundos levantados pelas instituições sem fins lucrativos são diferentes das fontes das 
empresas e do governo, pois as pessoas se propõem a participar da causa, embora não sejam as 
beneficiárias.
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	Olá!
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	2 A Articulação do Social e do Produtivo
	3 Ética e Ação Social
	4 Para Reflexão
	5 Ética e Captação de Recursos
	O que vem na próxima aula
	CONCLUSÃO

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