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DISLIPIDEMIAS Dislipidemia é definida como qualquer alteração nos níveis séricos dos lipídios. • As principais consequências clínicas das dislipidemias são a aterosclerose, devido a concentrações altas de LDL, e a pancreatite aguda, secundária a níveis muito altos de triglicerídeos (TG). Dislipidemias são transtornos relacionados ao metabolismo e vias de transporte lipídico e lipoproteico associadas à DCVA • As dislipidemias representam importante fator de risco CV, sendo que a lipoproteína de baixa densidade colesterol (LDL-c) é o mais relevante fator de risco modificável para DAC. • Níveis mais baixos de LDL-c se associam à redução proporcional de desfechos CV, incluindo infarto do miocárdio, AVC e morte CV O colesterol e os TG são os principais lípides plasmáticos. • Circulam no plasma ligados a algumas proteínas, formando as lipoproteínas, que são classificadas conforme sua densidade em: HDL (alta densidade), LDL (baixa densidade), IDL (densidade intermediária), VLDL (muito baixa densidade) e quilomícrons Precisa de jejum para fazer os exames? • Não há obrigatoriedade do jejum para a realização da dosagem de colesterol total (CT) e da HDL-C, desde que o laboratório informe no laudo as diferentes situações, sem jejum ou com jejum de 12 horas. • No que se refere aos triglicérides (TG), pode ocorrer incremento na ausência de jejum • Na hipertrigliceridemia, em particular com valor > 440 mg/dL, torna-se necessária uma nova coleta com jejum de 12 horas Classificação das Dislipidemias Classificação etiológica: Causas primárias: são aquelas nas quais o distúrbio lipídico é de origem genética. • hipercolesterolemias comum ou poligênica e familiar, DLP familiar combinada, hipertrigliceridemias comum e familiar, hipoalfalipoproteinemia ou síndrome do HDL baixo. Causas secundárias: a dislipidemia é decorrente de estilo de vida inadequado, de certas condições mórbidas, ou de medicamentos • hipotireoidismo, diabete melito, síndrome nefrótica, insuficiência renal crônica, obesidade, alcoolismo, icterícia obstrutiva, uso de doses altas de diuréticos tiazídicos, betabloqueadores, corticosteroides, ou uso de anabolizantes. Classificação laboratorial: • Hipercolesterolemia isolada: aumento isolado do LDL-c (LDL-c ≥ 160 mg/dL). • Hipertrigliceridemia isolada: aumento isolado dos triglicérides (TG ≥ 150 mg/dL ou ≥ 175 mg/dL, se a amostra for obtida sem jejum). • Hiperlipidemia mista: aumento do LDL-c (LDL-c ≥ 160 mg/dL) e dos TG (TG ≥ 150 mg/dL ou ≥ 175 mg/ dL, se a amostra for obtida sem jejum). • HDL-c baixo: redução do HDL-c (homens < 40 mg/dL e mulheres < 50 mg/dL) isolada ou em associação ao aumento de LDL-c ou de TG Estratificando o risco cardiovascular Recomendação: avaliação rotineira dos fatores de risco CV para adultos de 40 a 75 anos de idade, segundo ERG para 10 anos • As metas terapêuticas primária (LDL-c) e secundária (colesterol não HDL – não-HDL-c) a serem atingidas para o controle lipídico são estabelecidas de acordo com a estratificação de risco do paciente E nos pacientes que usam estatinas qual valor de colesterol eu considero para estratificar o risco? • Naqueles pacientes que já usam terapia hipolipemiante, o uso dos escores para estimar o risco cardiovascular é mais impreciso, por isso deve-se usar o fator de correção para CT no cálculo do escore de risco nesse contexto. • Dada a redução média de 30% do CT com estatinas, sugere-se multiplicar o CT por 1,43 em pacientes em uso dessas medicações Diagnóstico laboratorial • A determinação do perfil lipídico deve ser feita aos 10 anos na população em geral e após 2 anos de idade, quando há doença aterosclerótica precoce em parentes de primeiro grau Metas Recomenda-se alcançar metas de LDL-c (meta primária) e de não HDL-c (meta secundária) de acordo com o risco cardiovascular • Alto RCV: preferir uso de estatina de alta intensidade ou da associação entre ezetimiba e estatina (sinvastatina 40 mg ou outra estatina com potência pelo menos equivalente), ou seja, os tratamentos que promovem, em média, redução do LDL-c de pelo menos 50% • RCV intermediário: preferir o uso de estatina de intensidade pelo menos moderada, ou seja, tratamentos associados à redução do LDL-c entre 30 a 50% • A meta secundária para o não HDL-c deve ser 30 mg/ dL acima da meta para o LDL-c Nos casos de hipertrigliceridernia (> 400 mg/ dL), síndrome metabólica ou doença renal, o cálculo do colesterol não HDL é melhor para estimativa do risco cardiovascular em relação à análise da LDL • Em indivíduos com hipertrigliceridemia, o uso da não HDL-c estima melhor o volume total de lipoproteínas aterogênicas. • Assim, utiliza-se a não HDL-c como meta quando TG > 400 mg/ dL Não são propostas metas para o HDL-c e não se recomenda tratamento medicamentoso visando à elevação dos níveis de HDL-c • Embora se reconheça a relação epidemiológica inversa entre níveis de HDL-c e incidência de DCV, não houve benefício clínico por meio da elevação do HDL-c TG ≥ 500 mg/dL devem receber terapia apropriada para redução do risco de pancreatite. • Aqueles com valores entre 150 e 499 mg/dL devem receber terapia individualizada, com base no risco cardiovascular e nas condições associadas TRATAMENTO A maioria dos estudos que avaliaram o impacto do tratamento sobre o risco cardiovascular e os estudos com fármacos se basearam na análise de colesterol total e do LDL. • O benefício de outras medidas como apoB e colesterol não HDL não foi ainda estabelecido na prática Terapia Não-Farmacológica A terapia nutricional, a perda de peso e a prática de atividade física devem ser recomendadas a todos os pacientes. Devem ser orientados: • redução do consumo de gorduras saturadas e trans a < 7% do total de calorias; • redução do consumo de colesterol a < 200 mg/dia; • aumento do consumo de fibras e de fitoesteróis; • redução do peso corporal; • prática de atividade física. Tratamento Medicamentoso A decisão para o início da terapia medicamentosa das dislipidemias depende do: Risco cardiovascular do paciente: ➢ em pacientes de muito alto ou alto risco cardiovascular, o tratamento da dislipidemia deve incluir medicamentos já em associação com as modificações do estilo de vida. ➢ Para os pacientes de risco moderado ou baixo, o tratamento será iniciado apenas com as medidas do estilo de vida, com a associação, em uma segunda etapa, de medicamentos, se necessário, para obtenção das metas definidas do LDL-c. ➢ O tempo de reavaliação após a implantação das medidas de modificações do estilo de vida pode ser de 3 a 6 meses. Tipo de dislipidemia presente: ➢ Define a escolha da classe terapêutica. ➢ Os medicamentos hipolipemiantes costumam ser divididos nos que agem predominantemente nas taxas séricas de colesterol e naqueles que agem predominantemente nas taxas de TG. Tratamento Medicamentoso com Foco na Hipercolesterolemia As estatinas são as medicações de primeira escolha para o tratamento da hipercolesterolemia por reduzirem a mortalidade, de eventos isquêmicos coronários, da necessidade de revascularização e de AVC • o uso de estatina está indicado em terapias de prevenção primária e secundária como primeira opção • Dose única, diária, preferencialmente à noite (para as estatinas de meia-vida curta) • O tratamento da dislipidemia no hipotireoidismo só deve ser realizado após a regularização dos níveis hormonais (a correção do distúrbio tireoidiano pode reverter as alterações lipídicas) A redução do LDL-c varia entre as estatinas, e esta diferença está fundamentalmente relacionada à dose inicial • A cada vez que dobramos a dose de qualquer uma destas estatinas, a redução média adicional do LDL-c é de 6 a 7 %. • Embora haja diferenças na potência das estatinas quanto à sua capacidade de levarà redução do LDL-c, todas são capazes de reduzir eventos e mortes cardiovasculares. • Assim, recomenda-se usar a estatina que estiver disponível no serviço, procurando-se atingir as metas terapêuticas recomendadas, com o ajuste de doses e a eventual associação de fármacos As estatinas diferem em sua potência na redução do LDL-c; rosuvastatina e atorvastatina são consideradas as mais efetivas. • Objetivando reduções de LDL-c superiores a 50%, as doses de 20 a 40 mg de rosuvastatina e de 40 a 80 mg de atorvastatina são consideradas as principais opções para o alcance das metas terapêuticas para os pacientes de alto risco e muito alto risco cardiovascular. • Essas mesmas estatinas geralmente são as mais efetivas na redução de TG, efeito potencialmente associado à sua maior meia-vida plasmática. As estatinas reduzem os TG, em geral, tanto mais quanto maior sua capacidade de reduzir o LDL- c. • Com relação à HDL-c, as estatinas podem elevar suas taxas, mas, em geral, com pequeno aumento porcentual. • No entanto, a variação do HDL-C ou TG não influenciou na redução de eventos cardiovasculares. Efeitos colaterais das estatinas: • São raros • Principais: efeitos musculares (podem surgir em semanas ou anos de tratamento) e variam desde mialgia, com ou sem elevação da Creatinoquinase (CK), até a rabdomiólise. • A dosagem rotineira de CK não é recomendada em pacientes já em uso de estatina Quando dosar CK? • início do tratamento ou quando se eleva a dose da estatina; • sintomas musculares (dor, sensibilidade, rigidez, câimbras, fraqueza e fadiga localizada ou generalizada); e • introdução de fármacos que possam interagir com estatina Dosar ALT e AST? • A avaliação basal de ALT e AST deve ser realizada antes do início da terapia com estatina. • Durante o tratamento, deve-se avaliar a função hepática quando ocorrerem sintomas ou sinais sugerindo hepatotoxicidade (fadiga ou fraqueza, perda de apetite, dor abdominal, urina escura ou aparecimento de icterícia) A realização de análise de repetidas amostras de enzimas em pacientes assintomáticos incorre em custos adicionais sem benefícios aos pacientes Indicações para associação de outros hipolipemiantes (não-estatinas): • Ezetimiba: quando a meta do LDL-c não for atingida com o tratamento com estatinas na dose máxima tolerada em pacientes de muito alto risco TRATAMENTO DA HIPERTRIGLICIRIDEMIA A hipertrigliceridemia é fator de risco independente para a DCV, em especial a DAC • No entanto, não há evidências de que o tratamento farmacológico da hipertrigliceridemia diminua o risco de eventos cardiovasculares Indicação de fármacos para o tratamento da hipertrigliceridemia: • Os fibratos são indicados no tratamento da hipertrigliceridemia endógena quando houver falha das medidas não farmacológicas. • Quando os TG forem muito elevados (> 500 mg/dL) são recomendados, inicialmente, junto das medidas não farmacológicas e no tratamento da dislipidemia mista com predomínio de hipertrigliceridemia Recomendações • não se recomenda o uso de fibrato isolado ou associado a estatinas para reduzir o risco cardiovascular. • Porém, o uso de fibratos associdado a estatinas reduziu o risco de doenças microvasculares no diabetes. • Em pacientes com triglicérides acima de 204 mg/dL associdados a HDL < 34 mg/dL, o uso de fibrato, isoladamente ou em associação a estatinas, pode ser considerado • Quando os triglicérides forem muito elevados (> 500 mg/dL) são recomendados, inicialmente, junto das medidas não farmacológicas HIPERCOLESTEROLEMIA FAMILIAR A HF é uma condição genética caracterizada por níveis muito elevados de LDL-c e, portanto, risco aumentado de doença aterosclerótica prematura, sobretudo de evento coronariano • valores muito aumentados de colesterol podem ser indicativos de HF, uma vez excluídas as dislipidemias secundárias. • Indivíduos adultos com valores de CT ≥ 310 mg/dL ou crianças e adolescentes ≥ 230 mg/dL devem ser avaliados para essa possibilidade