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CETOACIDOSE DIABÉTICA (CAD) A CAD é um conjunto de alterações clínico-laboratoriais decorrentes da insuficiente ação insulínica e da concomitante hipersecreção dos hormônios contrarreguladores da insulina em resposta a alguma situação de estresse • A cetoacidose é a alteração metabólica grave desencadeada por profunda deficiência de insulina podendo estar presente no momento do diagnóstico do DM1 ou em descompensações de pacientes já previamente diagnosticados. • A CAD é a principal causa de morbidade e mortalidade em crianças com DM 1 Etiologia Na maioria dos casos, a CAD é causada por: • Novo aparecimento de diabetes; • Omissão de injeções de insulina; • Interrupção da administração de insulina em crianças que utilizam uma bomba de insulina; ou • Tratamento inadequado de uma infecção. Fisiopatologia A CAD resulta da ausência total ou quase total de insulina no organismo associada à elevação dos hormônios contrarreguladores: catecolaminas, glucagon, cortisol e hormônio do crescimento. • Essa combinação leva a um quadro de hiperglicemia com cetonemia e acidose metabólica • A CAD pode ocorrer tanto no DM1 quanto no DM2, e trata-se de um estado de acelerado catabolismo, com uma produção aumentada de glicose pelo fígado (via glicogenólise e gliconeogênese), além de lipólise e cetogênese, resultando em hiperglicemia, hiperosmolaridade, cetonemia e acidose metabólica • A CAD é caracterizada pela depleção grave de água e eletrólitos nos compartimentos intra e extracelulares, porém, apesar da desidratação, os pacientes geralmente mantêm a PA em níveis normais ou altos, pelos altos níveis de catecolaminas e pelo aumento da secreção do ADH em resposta à hiperosmolaridade. • O débito urinário também costuma estar mantido mesmo na desidratação devido à glicosúria, e só é reduzido quando há depleção grave no fluxo sanguíneo renal e redução da filtração glomerular A cetonemia e a hiperglicemia levam à cetonúria, glicosúria e à diurese osmótica • A diurese osmótica é responsável pela espoliação corporal de sódio, potássio, fosfato e outros minerais. hiperglicemia provoca glicosúria, gerando a diurese osmótica, que provoca perda de água, sódio, potássio, fósforo e magnésio, o que causa profunda depleção do volume intravascular, diminuindo a perfusão dos rins e a sua capacidade de excreção de glicose, em decorrência da disfunção renal de graus variados. Tal situação agrava a magnitude da hiperglicemia, o que aumenta ainda mais a osmolalidade sérica • A cetonemia também facilita a ocorrência de vômitos. • Na CAD a desidratação é consequência dos vômitos, da diurese osmótica e da redução da ingesta de líquidos por inapetência ou rebaixamento sensorial. • O estímulo do sistema reninaangiotensina-aldosterona contribui para a espoliação renal de potássio. • A hipovolemia leva à redução da perfusão tecidual e à acidose lática, agravando a acidose. • A redução do ritmo de filtração glomerular induzida pela desidratação diminui a eliminação renal de glicose e corpos cetônicos e contribui para a elevação da glicemia e da cetonemia. Estabelece-se um círculo vicioso, visto que quanto maior a glicemia maior a redução do ritmo de filtração glomerular Na CAD a hiperglicemia, a cetonemia e a elevação da ureia plasmática (decorrente da redução do ritmo de filtração glomerular) resultam em elevação da osmolaridade plasmática. • A hiperosmolaridade plasmática estimula nas células do SNC a produção de osmóis idiogênicos • Os osmóis idiogênicos diminuem o fluxo de água do intra para o extracelular, representando mecanismo de defesa dessas células contra os efeitos da hiperosmolaridade plasmática. • A hiperosmolalidade sérica causa desvio de água do meio intracelular para o extracelular, causando uma importante desidratação intracelular. Nesse meio hiperosmolar, a quase totalidade das células do organismo (com exceção dos neurônios) sofre processo de desidratação • O aumento do fluxo de água livre do compartimento intracelular para o extracelular decorrente da elevação da osmolaridade plasmática leva à hiponatremia dilucional. DIAGNÓSTICO Quadro clínico Principais sintomas: polidipsia, poliúria, noctúria, polifagia ou anorexia (caso mais grave), náuseas e vômitos, dor abdominal e perda ponderal. • Realize glicemia capilar em toda criança que apresente respiração rápida ou vômitos e dor abdominal sem diarreia Exame físico ➢ Hálito cetônico, rubor facial; ➢ Desidratação; ➢ Taquicardia, hipotensão, redução da perfusão periférica, hiperventilação (respiração de kussmaul); e ➢ Dor abdominal* (pode ser intensa a ponto de simular apendicite, pancreatite ou abdome agudo) ➢ Casos graves: sonolência, rebaixamento do NC e coma ➢ Pode haver hipertermia e fraqueza muscular * Em geral, desaparece com a hidratação, correção dos distúrbios eletrolíticos e insulinoterapia Exames laboratoriais • Glicemia capilar de 1/1 h. • Gasometria venosa na admissão, após expansão e de 2/2 h. • Glicemia sérica, Na+, K+ na admissão e de 2/2 h. • Ureia, creatinina, cloro, cálcio, fósforo e magnésio na admissão e de 2/2 h. • Rastrear infecção conforme indicado com: hemograma, hemocultura, EAS, urinocultura, radiografia de tórax e punção lombar. Notas: ➢ Ânion gap (AG) normal 12 ± 2 mmol/L. Na CAD o AG esperado é entre 20 a 30 mmol/L, quando > 35 sugere acidose lática associada, avaliar rastreio infeccioso. ➢ Hiponatremia dilucional: para cada 100 mg/dL de aumento da glicemia acima de 100 mg/dL há uma queda do sódio de 1,6 mEq/L. ➢ A acidose leva à saída do potássio do intra para o extracelular, ou seja, há uma falsa hiperpotassemia no início do tratamento e, conforme ocorre a correção dessa acidose, o potássio cai. ➢ Falsamente reduzido pela hiperglicemia, o déficit corresponde a 2/3 do Na+ , mas como a reposição do Na é feita com NaCl, pode haver leve hipercloremia. ➢ Acidose leva à saída do fósforo do intra para o extracelular, levando à falsa hiperfosfatemia. Porém também há perdas pela diurese osmótica. Reposição pode levar à queda de cálcio e magnésio. ➢ CAD cursa com leucocitose com desvio para esquerda mesmo sem infecção. ➢ EAS pode apresentar piúria e proteinúria – DESCONSIDERAR Critérios de CAD CAD é definida pela presença de todos os seguintes itens: ➢ Hiperglicemia (glicemia > 200 mg/dL); ➢ Acidose metabólica (pH < 7,3 e/ou bicarbonato < 18 mEq/L) com elevação do ânion-gap; e ➢ Cetonemia (cetonas séricas ≥ 3 mg/dL) e cetonúria (resultado positivo na reação urinária com nitroprussiato de sódio*). *a reação com o nitroprussiato de sódio permite a detecção de acetoacetato e acetona, mas não de beta- hidroxibutirato. A concentração de acetoacetato representa cerca de 15 a 40% da concentração total de corpos cetônicos. Por isso, podemos inferir a presença de cetonemia pela avaliação qualitativa de cetoácidos na urina TRATAMENTO Essencial: individualização do tratamento e reavaliações frequentes! Objetivos: • Corrigir desidratação. • Correção das perdas eletrolíticas. • Corrigir acidose e reverter cetonemia. • Corrigir glicemia para próxima do normal. • Monitorar as complicações e revertê-las quando ocorrerem. • Identificar e tratar o fator desencadeante. A avaliação deve seguir as diretrizes PALS e inclui: • Medição imediata de glicemia; • cetonas no sangue ou na urina; • eletrólitos séricos e gases sanguíneos; e • avaliação do nível de consciência Monitorização: • A glicemia capilar deve ser avaliada a cada hora, até que o quadro clínico-laboratorial tenha se estabilizado • A cada 2 horas devem ser realizadas análises das concentrações de glicose, sódio, potássio, cloro, fósforo, ureia, creatinina e da gasometria até a correção da acidose metabólica na CAD HIDRATAÇÃO A reposição de fluidos deve ser iniciadaimediatamente, antecedendo o início da insulinoterapia, pois a perfusão adequada é necessária para que a insulina atinja seus receptores nos tecidos-alvo. • SEMPRE puncionar dois acessos venosos periféricos, não há necessidade de acesso profundo a princípio Expansão: • Administrar SF 0,9%: 10-20 mL/kg, infundido por 20 a 30 minutos • Se o volume circulante ainda estiver comprometido após a conclusão do bolus inicial, infusões IV adicionais em bolus de 10 a 20 mL/kg podem ser administradas • Se sinais de choque (TEC > 3 segundos, pulso fino, taquicardia, oligúria, rebaixamento do NC): SF 0,9% 20 mL/kg em 20 minutos, com reavaliação posterior, podendo repetir o processo até o paciente sair da instabilidade hemodinâmica (máximo de 1.000 mL/h) Manutenção e reposição de perdas: hidratação de manutenção pela regra de Holliday-Segar (necessidade hídrica diária – NHD) Perdas estimadas: • Leve (< 5%) – repor 50 mL/kg/dia • Moderada (5 a 7%) – repor 70 mL/kg/dia • Grave (7 a 10%) – repor 100 mL/kg/dia As perdas médias de água em crianças com CAD são de aproximadamente 70 mL/Kg (variação de 30 a 100 mL/Kg). A depleção de volume é causada por perdas urinárias por diurese osmótica, bem como por perdas gastrointestinais por vômito e perdas insensíveis por hiperventilação. Os sinais clínicos de desidratação tendem a ser imprecisos para avaliar a gravidade da desidratação na CAD Hidratação em 24-48 horas: NHD + perdas estimadas. O volume total será reposto da seguinte forma: ➢ ⅓ nas primeiras 6 horas. ➢ ⅓ nas 6 horas seguintes. ➢ ⅓ nas 12 horas seguintes Composição da solução: • SF 0,9% até glicemia 300 mg/dL. • Quando glicemia cair para 250-300 mg/dL (ou antes se queda de glicemia > 90 mg/dl/h) trocar para soro 1:1 (SF 0,9%:SG 5%). Para evitar hipoglicemia ou hiperglicemia, é aconselhável manter as concentrações de glicose no sangue em torno de 100 a 150 mg/dL em crianças mais velhas, ou 150 a 180 mg/dL em crianças mais novas. • Aumentar a taxa de infusão de glicose (TIG), se necessário, para manter glicemia > 120 mg/dL (Pode ser necessário uso de SG 10% ou 12,5% para prevenir a hipoglicemia ao manter a infusão de insulina). • Não usar soro com concentração < 70 mEq/L de Na+ . • Só adicionar NaCl 20% quando hidratação venosa de manutenção sem soro fisiológico Iniciar hidratação por via oral assim que o paciente apresente melhora clínica e recuperação da integridade neurológica (objetivo: redução gradual da hidratação parenteral até a sua suspensão) Quando a glicemia atingir valores próximos a 250 mg/dL e o paciente ainda necessitar da administração de insulina regular para bloqueio da cetogênese, o soro passará a ser constituído por partes iguais de SF e SG5%. • Daí por diante a concentração de glicose no soro irá depender dos valores subsequentes da glicemia Insulinoterapia Objetivo inicial: redução da glicemia e da cetogênese • Início na segunda hora do tratamento, após a expansão inicial (quando já se obteve melhora da perfusão periférica) Cetoacidose grave ou com desidratação significativa: insulina IV em infusão contínua • insulina regular IV, em bomba de infusão contínua, pois permite a gradual redução da glicemia, com menores riscos de complicações como hipoglicemia e edema cerebral. • Use uma veia diferente daquela usada para hidratação • Preparo da diluição: 100 mL de SF 0,9% + 10 U de insulina regular (0,1 U/ml) ou 50 U insulina regular + 500 mL SF 0,9% (0,1 U/kg/hora = 1 mL/kg/hora) Desprezar os primeiros 50 mL da solução para saturar as ligações da insulina com o plástico, caso esteja sendo utilizado frasco e/ou equipo com PVC. • Saturar equipo com 50 mL da solução e desprezar. A cada troca de equipo deve-se repetir a operação. Trocar a cada 6 h Insulina regular 0,05*- 0,1 U/kg/h • Manter infusão 0,1 U/kg/hora até glicemia ≤ 300 mg/dL. • Quando atingir 250 mg/dL, reduzir infusão para 0,05 U/kg /hora. • Só suspender quando pH > 7,3 e bicarbonato > 15 mEq/L *A taxa de infusão de insulina de 0,05 unidade/kg/hora é recomendada para < 5 anos, em todas que apresentam glicemia < 250 mg/dL ao início da insulinoterapia e em caso de transferência entre hospitais, em razão do acesso limitado ao monitoramento glicêmico A cada hora deve ser verificada a glicemia de ponta de dedo a fim de monitorizar a taxa de queda e ajustar, se necessário, a velocidade de infusão de 0,05 UI/kg/h a mais ou a menos até que se resolva a acidemia • A queda desejada de glicemia é de 40 a 90 mg/dL/h. Se menor = aumentar infusão de insulina. Se a queda da glicemia for > 90 mg/dL/h, a infusão de insulina deve ser reduzida para 0,05 U/kg/h. Insulinoterapia de manutenção: Critérios para a transição da insulinização venosa para a SC: a infusão de insulina deve continuar em 0,05 a 0,1 unidades/kg/hora até que todas as seguintes condições sejam atendidas: ✓ Anion gap sérico reduzido ao normal (12±2 mEq/L) ou BOHB sérico ≤1 mmol/L ✓ pH venoso >7,3 ou bicarbonato sérico >18 mEq/L ✓ Glicemia <200 mg/dL ✓ O paciente está tolerando a ingestão oral Quando a cetoacidose for resolvida, a ingestão oral for tolerada e a mudança para insulina SC for planejada, uma dose de insulina basal deve ser administrada além da insulina de ação rápida. • O momento mais conveniente para mudar para insulina SC é imediatamente antes da refeição. • Alternativamente, a insulina basal pode ser administrada enquanto a criança ainda está recebendo infusão intravenosa de insulina. Como fazer transição: • Insulina NPH: (0,3 a 0,5 U/kg/dia) pelo menos 2h antes da suspensão ou mais cedo (p.ex. na noite anterior e supende a infusão venosa na manhã seguinte) • Insulina regular: 0,1 a 0,2 U/kg SC 1-2h antes de suspender a infusão venosa Esquema de insulinização: Insulina regular SC: • Dose inicial de 0,8-1 unidade/kg/24 horas dividindo em 6, para a aplicação de insulina a cada 4 horas. • Aumentar as doses em 10-20% na aplicação seguinte, baseado no nível da glicemia • Fazer doses menores antes de dormir e na madrugada • Monitorizar com glicemias antes das refeições (a cada 3 ou 4 horas) e na madrugada. Insulina de ação rápida SC antes das refeições de acordo com a glicemia capilar: ➢ 150 – 200 mg/dL = 0,1 U/kg (máximo 4 U). ➢ > 200 – 300 mg/dL = 1 unidade a mais que acima. ➢ > 300 – 500 mg/dL = 1 unidade a mais que acima. ➢ > 500 mg/dL = 1 unidade a mais que acima. Insulina Basal • NPH (0,3 a 0,5 U/kg/dia), administrando-se 2/3 da dose pela manhã e 1/3 da dose antes de o paciente se deitar. Reposição de potássio O potássio corporal total encontra-se depletado em decorrência da diurese osmótica e da ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona. • O potássio é perdido principalmente pela diurese osmótica, e em menor escala por vômitos, porém seu nível sérico pode estar aumentado, normal ou diminuído • A acidose e a redução da função renal aumentam a concentração extracelular de potássio, de forma que os pacientes com CAD podem apresentar à admissão níveis séricos de potássio normais ou mesmo elevados. Reposição de potássio a partir da segunda hora de tratamento (na primeira hora se hipocalemia), desde que a função renal esteja preservada, o paciente tenha apresentado diurese • Dose: 20 a 40 mEq/L de solução, respeitando-se o limite de infusão de 0,5 mEq/kg/h. • Apresentação: KCl 19,1% (1 mL = 2,5 mEq de potássio). • No entanto, quando se optar pela correção de fosfato, administra-se 2/3 de potássio na forma de KCl 19,1% e 1/3 na forma de KH2PO4 25% (1 mL = 1,8 mEq de potássio) Repor após início de diurese: • Se < 4,5: 40 mEq/L de solução. • Se > 4,5: 20 mEq/L de solução. • Se > 6,0: aguardar queda para iniciar reposição Reposição de bicarbonato Não há indicação para a reposição de bicarbonato na CAD, exceto durante a ressuscitaçãocom o intuito de se preservar a ação da epinefrina • A reposição de bicarbonato pode facilitar o surgimento de edema cerebral. • A reposição de bicarbonato também pode causar hipernatremia e hipocalemia. Considerar apenas se: • pH < 6,9 mEq/L, após fase de expansão com comprometimento da contratilidade cardíaca (repor 1 mEq/kg em 4 horas). • Hipercalemia com risco de morte Reposição de fosfato O fosfato é um ânion predominantemente intracelular que durante a CAD sofre deslocamento para o meio extracelular, de forma que seus níveis plasmáticos à admissão se encontram normais ou elevados. • Por outro lado, a diurese osmótica leva ao aumento da perda renal de fosfato e à depleção do fosfato corpóreo total. • A insulinoterapia promove retorno do fosfato para o intracelular, de modo que seus níveis plasmáticos tendem a cair durante o tratamento da CAD. • A hipofosfatemia pode causar hipóxia tecidual e quando grave pode estar relacionada a complicações como depressão respiratória e miocárdica, fraqueza muscular, rabdomiólise, anemia hemolítica e alterações cardíacas. • A prevenção desses distúrbios poderia justificar a reposição de fosfato durante o tratamento da CAD. A reposição de fosfato pode beneficiar pacientes em tratamento de CAD e que apresentem anemia, insuficiência cardíaca congestiva, pneumonia ou outras causas de hipóxia, bem como pacientes com níveis plasmáticos de fosfato < 1,0 mg/dL • Apresentação: KH2PO4 25% (1 mL = 1,8 mEq de fosfato/1,8 mEq de potássio). • O volume de KH2PO4 25% será o necessário para fornecer 1/3 do potássio a ser reposto ALGUNS CUIDADOS NO MANEJO DA CAD • Hipopotassemia (tendência após início da insulinização). • Soro hiposmolar. • Hidratação excessiva. • Variação rápida da glicemia. • Uso de bicarbonato. • Perigo: edema cerebral Fluxograma de diagnóstico e tratamento da cetoacidose diabética EDEMA CEREBRAL Complicação mais temida da CAD, podendo estar presente já na admissão do paciente ao PS • A sua prevenção envolve a gradual correção tanto da desidratação e da depleção hídrica quanto da hiperglicemia, da cetonemia e da acidose. • Nos pacientes que se apresentam mais intensamente descompensados provavelmente as alterações metabólicas evoluíram durante alguns dias e devem ser revertidas mais lentamente Diagnóstico Sinais e sintomas indicativos de edema cerebral: • Surgimento de cefaleia ou piora desta após o início do tratamento; • Bradicardia; • Redução abrupta da FR (não relacionada à reidratação); • Hipertensão arterial (a evolução do quadro neurológico pode causar hipotensão arterial); • Vômitos recorrentes; • Alterações do nível de consciência (desde sonolência até o coma); • Alucinações; • Queda da SpO2; • Alterações pupilares (anisocoria ou pupilas médio-fixas); e • Papiledema. O edema cerebral, sempre que possível, deve ser confirmado através de TC Manejo do edema cerebral • Mantido em jejum, com sonda nasogástrica e em decúbito elevado, para se evitar broncoaspiração. • Deve receber oxigenioterapia e monitoração cardíaca e sua PA deve ser verificada a cada hora. Tratamento do edema cerebral: • Manitol: 0,5 a 1,0 g/kg, IV, em infusão por 30 minutos (de acordo com a resposta clínica, a dose pode ser repetida a cada hora). • Solução hipertônica (3%): pode representar alternativa ao manitol, devendo ser infundida na dose de 5 a 10 mL/kg, em 30 minutos.