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CARACTERIZAÇÃO DA DISCIPLINA ANDRAGOGIA E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL EMENTA Compreender as diretrizes e orientações curriculares que norteiam a Educação de Jovens e Adultos na perspectiva de desenvolver uma prática docente sensível às necessidades dos sujeitos dessa modalidade de ensino. Analisar e discutir os fundamentos teóricos que embasam o processo ensino- aprendizagem de jovens e adultos. Incentivar a prática da pesquisa, da investigação dos modos de aprender e de vida de jovens e adultos, para o favorecimento de processos de sua aprendizagem no ambiente escolar. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO Andragogia; Os princípios da andragogia; Processo andragógico para a aprendizagem; Porque optar pela andragogia; PNATER; Aplicabilidade da andragogia no trabalho; Processo de ensino- aprendizagem; Quadro resumido de ensino-aprendizagem; Autores de educação de adultos; Os novos paradigmas de ensino-aprendizagem; Diferença entre andragogia e pedagogia; Quadro comparativo de concepções. BIBLIOGRAFIA BÁSICA AQUINO, Carlos Tasso Eira de. Como Aprender: andragogia e as habilidades de aprendizagem. São Paulo: Pearson, 1 Ed., 2007. Knowles, Malcon S., Holton, Elwood F., Swanson, Richard A. – Aprendizagem de Resultados – uma abordagem prática para aumentar a efetividade da educação corporativa. editora Elsevier. 408 páginas, 2009 Andragogia-o-que-é-e-qual-sua-importância-para-aprendizagem-corporativa. Disponível em:<http://veler.com.br/blog/> Acessado em: 06/06/2018. Educação-de-adultos-princípios-da-andragogia.Disponívelem: http://www.cpdec.com.br. Acessado em: 06/06/2018. Introdução A palavra andragogia deriva dos termos gregos: andros (homem) + agein (conduzir) + logos (ciência), significando a ciência da educação de adultos, segundo Cavalcanti e Gayo (2004). O termo foi criado justamente em oposição à Pedagogia, que trata da ciência da educação de crianças. O professor Alexander Kapp foi o primeiro a utilizar o termo em 1833, na Alemanha, para tratar de elementos da Teoria da Educação de Platão, apesar de o próprio Platão não o ter utilizado. Naquela época, o autor já defendia que a educação de adultos não poderia ser igual à educação de crianças, pelas características de cada um. O termo caiu no esquecimento e só foi reutilizado novamente em 1921 pelo cientista social alemão Eugen Rosenstock, quando defendeu que a educação de adultos precisaria de professores, métodos e filosofias especiais. Ele acreditava que não bastava que os professores traduzissem a Pedagogia para utilizá-la com adultos, mas que o professor precisaria cooperar com os alunos para ser um “andragogo” (KNOWLES; HOLTON; SWANSON, 2011). Ao longo da década de 1950, diversos autores europeus utilizaram o termo andragogia em seus trabalhos: H. Hanselmann, em 1951, na Suíça; T. T. Have, em 1954, na Holanda; M. Ogrizovic, em 1956, na Iugoslávia; F. Poggeler, em 1957, na Alemanha; além de cursos e programas sobre andragogia nas décadas de 1960 e 1970 encontrados, também, na Alemanha. Foi no início da década de 1970, no entanto, que surgiu o “pai” da Andragogia, o professor americano Malcolm Knowles. Ele é assim considerado pela sua vasta produção sobre o tema, além de ter desenvolvido o conceito base para a educação de adultos. A partir dos seus escritos, a orientação dos educadores de adultos mudou de “educar pessoas” para “ajudar as pessoas a aprenderem”. Portanto, andragogia é a ciência da educação de adultos, considerando suas características e interesses. Knowles desenvolveu o Método Andragógico baseado em seis pilares: 1. Necessidade de saber; 2. Autoconceito do aprendiz; 3. Papel das experiências; 4. Prontidão para aprender; 5. Orientação para a aprendizagem; 6. Motivação. O autor explica que o método andragógico precisa ser revisto em cada situação e não dá conta sozinho das situações de aprendizagem. Ele mesmo, aplicando seu método em diferentes grupos, percebeu duas situações: 1. O modelo andragógico tem como principal característica a flexibilidade. Ele pode e deve ser adaptado para cada situação, seja parcialmente ou completamente adaptado, pois não é uma ideologia, mas um sistema de elementos. 2. O ponto de partida e as estratégias a serem utilizadas para a aplicação do modelo devem ser analisados segundo a situação. Cabe ao educador perceber e avaliar a melhor forma de utilizar o modelo andragógico. As críticas a esse modelo defendem, principalmente, que ele não abrange explicitamente resultados como as mudanças sociais dos alunos. De fato, não se pretende que a andragogia lide com objetivos e propósitos da aprendizagem; nem seria possível. A andragogia propõe-se a educar adultos independentemente de um propósito específico, mas sendo aberta a vários, ela pode e deve ser combinada com diferentes teorias de ensino e aprendizagem. A imagem a seguir mostra os seis princípios da andragogia envolvidos no contexto social, individual e situacional, além dos objetivos e propósitos de aprendizagem: Fonte: Knowles, Holton e Swanson (2011, p. 22) ANDRAGOGIA DEFINIÇÃO QUANDO SURGIU PARA QUE SERVE ONDE UTILIZAR LIMITA ÇÕES É uma abordagem de ensino voltada para adultos. Objetivando buscar aprendizagem efetiva para o desenvolvimento de habilidades, competências e conhecimentos através de características específicas; É a arte ou ciência de orientar adultos a aprender; Procura compreen der o adulto. É aplicado há séculos, desde a antiguidade grega. Foi popularizado do pelo pai da andragogia Malcom Shepherd Knowles (1970); O termo andragogia vem do grego que une o prefixo “anér” ou “andrós” que significa “homem ou adulto”, ao sufixo “gogia” (arte e ciência da aprendizagem ou “gogos” (educar). Conhecer melhor o adulto e através desse modo andragógico de ensinar; Buscar técnicas e ferramentas para orientar cada indivíduo, respeitando suas necessidades e motivações; Buscar caminhos e estratégias de aprendizagem, que podem ser aplicadas em qualquer evento/ método. Em formações de adultos, tanto no meio acadêmico como empresarial, utilizado-a em eventos/ métodos; A andragogia pode ser utilizada por professores, facilitadores, gestores de equipes, coachings* e interessados na educação. * Coaching Atividade de formação pessoal onde o instrutor (coach) ajuda o seu cliente (coachee) a evoluir em alguma área da sua vida. O aprendizado pode não consolidar de forma eficaz caso utilize a pedagogia com adultos presumindo utilizar a andragogia; Ignorar os princípios fundamentais da andragogia em sua aplicação; Desinformação sobre a abordagem andragógica. “Ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar”. APLICAÇÃO DA ANDRAGOGIA Para aplicar a andragogia é preciso conhecer os princípios fundamentais da aprendizagem de adultos e definir quais são os objetivos da aprendizagem e seus resultados esperados. OS PRINCÍPIOS DA ANDRAGOGIA Malcolm Knowles (1913-1997) definiu seis princípios da aprendizagem de adultos, elementos que precisam ser considerados em qualquer ação educacional. São eles: Além dos seis princípios há outros fatores que identifica nos espaços de aprendizagem, que podem interferir no processo de aprender, que são as diferenças próprias de cada um, as diferenças de contextos, metas e propósitos de aprendizagem. A Andragogia tem funcionado melhor quando adaptada à prática e às peculiaridades dos aprendizes. Dessa forma somando os seis princípios às todas essas necessidades individuais há condições de fazer uma reflexão para compreender como auxiliá-los nessa trajetória. É necessário também definir quais são os objetivos eseus resultados esperados. Nos programas de desenvolvimento de pessoas, é preciso prestar atenção aos aspectos do modelo do processo andragógico. PROCESSO ANDRAGOGICO PARA A APRENDIZAGEM Os instrutores/facilitadores que trabalham na perspectiva andragógica devem organizar suas atividades sobre um conjunto de procedimentos para envolver os aprendizes considerando os seguintes elementos: Para o sucesso do ensino-aprendizagem a parceria educando/educador não está limitada só em colocar em prática os elementos citados acima. A parceria implica, por parte do facilitador compreender antes de tudo que “adultos são muito diferentes entre si e são capazes de aprender” (Nogueira, 2004). Para conhecimento: um mapa conceitual denominado “Escala de classificação autodiagnóstica para a educação de adultos,” que Malcolm Knowles publicou com base em três categorias de competências do instrutor de adultos. “Educar é ser um artesão da personalidade, um poeta da inteligência, um semeador de idéias”. Augusto Cury PORQUE OPTAR PELA ANDRAGOGIA Verificando a PIRÂMIDE DE APRENDIZAGEM, por si só ela orienta a uma reflexão sobre a forma de aprendizagem. Outros dados também auxiliam para uma reflexão sobre ensino-aprendizagem. Cabe ao facilitador fazer uma análise antes de trabalhar o ensino-aprendizagem. PNATER A Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (PNATER) também orienta para a formação de um profissional com visão holística, enfoque multidisciplinar e intercultural. A intervenção dos agentes de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) devem ocorrer de forma democrática, adotando metodologias participativas e uma pedagogia construtivista e humanista. E como ponto de partida a realidade e o conhecimento local. APLICABILIDADE DA ANDRAGOGIA NO TRABALHO Embora o termo seja antigo a sua aplicação no cenário corporativo é relativamente recente e tem ganhado força. A educação corporativa pautada na andragogia deve trazer um aprendizado aplicável, claro e relevante. A teoria não é suficiente nesse sentido, pois na andragogia o conhecimento do aprendiz é tão importante quanto o conhecimento do facilitador/instrutor. Ficam do lado de fora a inflexibilidade, as respostas prontas e as metodologias ultrapassadas. O aprendizado se torna prazeroso e se converte em práticas adquiridas. Porém, há necessidade de um preparo maior, mais dedicado e de co-responsabilidade por parte do instrutor/facilitador. Migrar do ensino clássico para os novos enfoques andragógicos é, no mínimo, trabalhoso. A maior colaboração da andragogia é a quebra do paradigma de que o extensionista detém todo o conhecimento e deposita o que sabe nos aprendizes. A andragogia caminha em outra direção, pois acredita em construir junto o conhecimento. PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM É um nome para um complexo sistema de interações comportamentais entre aprendizes e facilitadores. É como se fossem processos independentes da ação humana, há os processos comportamentais que recebem o nome de “ensinar” e de “aprender”. Engloba diversas medidas que devem ser tomadas ou evitadas para que o aprendizado realmente aconteça. Engloba uma série de questionamentos como a própria definição do que é aprender e ensinar. Por esse motivo torna-se necessário que os educadores sejam capazes de compreender as diferenças de cada ação e saber escolher a melhor maneira que irá trabalhar um determinado tema. Os seus métodos devem ser revistos a cada momento, o ato de ensinar precisa passar por reformulações constantes para que a aprendizagem seja alcançada. É preciso não apenas absorver conceitos como por em prática os objetivos propostos e acima de tudo alcançar o aprendizado do educando. Muitos pesquisadores consideram o ensino e a aprendizagem termos inseparáveis na construção do conhecimento. Assim, não se pode compreender a importância do primeiro, sem reconhecer o significado a que o segundo nos remete nessa construção. Baseado em teorias conclui que a atividade educacional do adulto está centrada na aprendizagem. Portanto coloque o aprendiz no centro do processo ensino-aprendizagem. QUADRO RESUMIDO DE ENSINO-APRENDIZAGEM “Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre”. Paulo Freire Ao praticar os princípios andragógicos, trabalhando com adultos, os resultados esperados virão com mais agilidade. É preciso estar atento porque pode haver ensino sem aprendizagem como pode também haver aprendizagem sem ensino. (só para ilustrar, uma sequência de quadrinhos - tirinha) AUTORES DE EDUCAÇÃO DE ADULTOS Para maiores conhecimentos sobre a educação de adultos, a respeito da andragogia, é interessante realizar leituras sobre as contribuições de John Dewey, Jean Piaget, Lev Vygostsky, Paulo Freire, Malcolm Knowlws e outros que dedicaram ao estudo da arte de ensinar e orientar aos adultos a aprender. Dewey defendeu a idéia de unir teoria e prática no ensino, e afirmou que o conhecimento é construído coletivamente a partir das experiências. Já Piaget foi um observador compulsivo e criou uma teoria de aquisição do conhecimento, o construtivismo. Para Vygotsky, a vivência em sociedade é essencial para a transformação do homem de ser biológico em ser humano. Freire deu ênfase no diálogo entre educador e educando e entre o saber científico e popular. E Knowles propôs uma teoria para o modelo andragógico de educação onde considera as especificidades do adulto. OS NOVOS PARADIGMAS DE ENSINO-APRENDIZAGEM Esses paradigmas foram construídos para professor e aluno. Podendo ser utilizados e adaptados para instrutor, gestor, facilitador e aprendizes em cenário corporativo. DIFERENÇA ENTRE ANDRAGOGIA E PEDAGOGIA Adultos em geral possuem uma abordagem pragmática sobre tudo o que vão aprender. Já as crianças deixam conduzir com mais facilidade. O adulto precisa saber o porquê deve aprender algo e qual o ganho terá com isso. Não aprendem como criança. A educação de adultos é tão diferente de ensinar outras faixas etárias que foi preciso existir a andragogia. QUADRO COMPARATIVO DE CONCEPÇÕES HEUTAGOGIA Existe também a Heutagogia que é o conceito de aprendizagem autodirecionada em que o aprendiz é gestor e programador de seu próprio processo de aprendizagem, através do autodidatismo, autodisciplina e auto-organização. No processo heutagógico é o aprendiz que determina o que quer e como aprender, é o responsável em cumprir as etapas, por definir o método, pelos objetivos pretendidos e o ritmo de sua qualificação. É um modelo de processo educacional alinhado à Tecnologia da Informação e Comunicação –TIC e às inovações de blended learning (modelo de ensino não presencial, apoiado em TIC). Esse processo também tem sua importância a respeito à assimilação de novos conhecimentos para o desenvolvimento de novas habilidades. A Heutagogia, como a Andragogia, aceita e reconhece as experiências como fonte de aprendizado. UMA DÚZIA DE REFLEXÕES SUGERIDAS PARA O EXTENSIONISTA A Teoria das Inteligências Múltiplas e suas Implicações Qual tipo de assunto você tem mais facilidade para aprender? Matemática, linguagem, ciências... Vimos que as formas de aprender são diferentes entre as pessoas; cada um tem seu estilo de aprendizagem: visual, auditivo, cinestésico, divergente, assimilador, convergente ou acomodador. Além dos estilos diferimos, em outro aspecto: cada um tem mais facilidade de lidar com alguns assuntos do que outros. Essa facilidade está relacionada com os tipos de inteligência que todos nós temos e que podem ser mais ou menos desenvolvidos em cada pessoa de forma diferente. A teoria das inteligências múltiplas foi criada pelo psicólogo e professor americano Howard Gardner, em 1983, para contrapor a ideiade que a inteligência de uma pessoa era medida pelo teste de QI, que media basicamente a capacidade de raciocínio lógico da pessoa. Gardner (1995) tem uma visão pluralista da mente com facetas diferentes, reconhecendo que as pessoas têm “forças cognitivas diferenciadas e estilos contrastantes” (p. 13). Ele elaborou a teoria das inteligências múltiplas a partir dos conhecimentos da ciência cognitiva e da neurociência. A inteligência, para o autor, é um conjunto de capacidades, talentos ou habilidades mentais capazes de resolver problemas ou elaborar produtos que são importantes num determinado ambiente ou comunidade cultural. Para definir as inteligências de sua teoria, Gardner estudou o trabalho de gênios, como Einstein e Mozart, e estudou pessoas com lesões e disfunções cerebrais, junto a/aos: conhecimentos a respeito do desenvolvimento normal e de indivíduos talentosos; informações sobre o colapso das capacidades cognitivas quando há danos cerebrais; estudos sobre populações excepcionais, incluindo prodígios, “idiotas sábios” e crianças autistas; dados sobre a evolução da cognição ao longo do milênio; considerações culturais cruzadas sobre a cognição; estudos psicométricos, incluindo exames de correlações entre eles; estudos de treinamento psicológico, particularmente as medidas de transferência e generalização por meio de tarefas. As inteligências candidatas deviam cumprir todos ou a maioria dos critérios. Além disso, as inteligências deveriam ter uma operação nuclear ou conjunto de operações identificáveis, cada inteligência é ativada ou desencadeada por certos tipos de informação interno ou externamente apresentados e deve ser codificada em um sistema de símbolos. Cumpridos essas características e critérios, inicialmente, sete inteligências, que operam combinadas, muitas vezes, simultaneamente, foram definidas: musical, corporal-cinestésica, lógico-matemática, linguística, espacial, interpessoal e intrapessoal. 1. Inteligência musical A inteligência musical relaciona-se com a capacidade de tocar instrumentos musicais e compor músicas. Gardner analisou o trabalho do violinista Yehudi Menuhin, que iniciou seus estudos na música aos três anos ao assistir um concerto na Orquestra de São Francisco. Por essa análise, Gardner percebeu que, de alguma forma, a disposição biológica para que ele pudesse desenvolver essa inteligência estava nele. As evidências para que a inteligência musical seja considerada foi a presença de crianças autistas que tocam instrumentos, mas não falam, mostra a independência dessa inteligência. Além disso, há presença de entendimentos musicais ao longo da história e a uma região do cérebro que tem papel importante para a produção musical. 2. Inteligência corporal-cinestésica Esta inteligência é a capacidade de controlar os movimentos do corpo para resolver problemas; são pessoas com habilidade de dança ou esportiva. Gardner afirma que Babe Ruth, famoso jogador de baseball americano, simplesmente “soube” que ele seria batedor no momento em que ele subiu à base. Ele já tinha esse conhecimento antes de ter o aprendizado formal. 3. Inteligência lógico-matemática A característica dessa inteligência é a capacidade de desenvolver raciocínio lógico-dedutivo e habilidade em matemática. Pessoas com essa inteligência desenvolvida utilizam-se da razão para realizar tarefas complexas; pode relacionar, agrupar informações para entendê-las melhor. Outra característica é que essas pessoas têm é a facilidade em lidar com números, utilizam-se de sistematização para resolver problemas, por isso, criam listas de tarefas. Gardner percebeu essa inteligência estudando o trabalho de Barbara McClintock, ganhadora do Prêmio Nobel de Medicina em 1983. Diante de um problema com a fertilização de milhos, ela soube da solução dele apenas pensando em seu laboratório. Depois de rascunhar a explicação em um papel, ela foi testar sua hipótese, que era idêntica ao seu rascunho. Essa inteligência, junto à inteligência linguística, era utilizada nos testes de QI. Talvez por isso pessoas com essa inteligência mais desenvolvida tenham a fama de inteligentes. 4. Inteligência linguística Pessoas com inteligência linguística desenvolvida têm habilidade em escrita, leitura, aprender outros idiomas, enfim, comunicar-se por meio das palavras. O poeta americano, naturalizado britânico, T. S. Elliot, foi o exemplo estudado por Gardner (1995) para essa inteligência. Aos 10 anos, Elliot criou uma revista chamada de Fireside, que ele escreveu oito edições completas em três dias; cada edição tinha histórias de aventura, humor, fofoca e poemas. Essa inteligência também é utilizada para a medição do QI, assim como a lógico-matemática. 5. Inteligência espacial A inteligência espacial relaciona-se com a visão, com a capacidade de resolver problemas utilizando-se do concreto e de sua localização. Pessoas com essa inteligência desenvolvida tendem a ter um estilo visual de aprendizagem. No entanto, pessoas cegas também possuem essa inteligência bastante desenvolvida; elas percebem o ambiente por meio do tato. Gardner (1995) traz o exemplo de uma “sábia idiota” chamada de Nadia, uma criança autista que desenhava com imensa exatidão e destreza. Há um Savant chamado Stephan Wetchire que é capaz de desenhar com precisão uma paisagem depois de vê-la apenas uma vez. Quando criança, ele era mudo e foi diagnosticado como autista e hoje é conhecido com homem câmera pela sua capacidade de precisão. 6. Inteligência interpessoal Inteligência interpessoal é a capacidade de entender os desejos e as intenções de outras pessoas, de perceber o outro, especialmente no que tange a contrastes de humor, temperamentos e vontades. Pessoas com essa inteligência desenvolvida têm grande facilidade no relacionamento social. Para exemplificar sua teoria de que a inteligência interpessoal possui uma operação nuclear, é desencadeada por certas informações internas ou externas, além de ser codificada em um sistema de símbolos, Gardner estudou o famoso caso de Anne Sullivan e Hellen Keller. Hellen Keller era uma criança surdo-cega e Anne Sullivan foi instruí-la. Após diversos conflitos, Anne conseguiu que sua pupila mudasse seu comportamento e a partir daí ela se desenvolveu rapidamente e foi a primeira pessoa surdo-cega a se formar bacharel em Filosofia. A inteligência interpessoal da tutora Anne possibilitou que ela conseguisse “entrar” no mundo de Hellen para conseguir ensiná-la. 7. Inteligência intrapessoal Se a inteligência interpessoal é a capacidade de perceber o outro em suas nuances, a inteligência intrapessoal é a capacidade de perceber a si mesmo; seria o autoconhecimento e a capacidade de discriminar as próprias emoções e utilizá-las para orientar o próprio comportamento. Essa inteligência é a mais interna de todas e ela só é perceptível por meio de outras inteligências. Gardner (1995) utiliza-se de um trecho de um ensaio de Virgínia Wolf em que ela retrata três aspectos da sua vida para entender seus sentimentos e alterar seu comportamento. À esta inteligência Gardner (1995) acrescentou outras duas: natural e existencial. A primeira relaciona-se com o desenvolvimento biológico e entendimento da natureza; a segunda refere-se à capacidade de refletir sobre a própria existência. Conhecer essas diferentes inteligências possibilita ao professor preparar-se para lidar pessoas muito diferentes e, assim, contribuir com a aprendizagem do aluno. Thomas Armstrong (2001) elaborou um quadro que nos auxilia a pensar no planejamento de aulas a partir das inteligências múltiplas: Quadro: modelo de aulas que possibilitam a utilização da teoria das inteligências múltiplas. Modelo de aulas que possibilitam a utilização dessa teoria na prática Inteligência Ativ. de en- sino Materiais Estratégias Mov. Edu- cacional At. Professor AtividadeLinguística Palestras, discussões, jogos de pa- lavra, leitura e jornal. Livros, gra- vadores e máquinas de escrever. Ler escrever, sobre ela, fa- lar sobre ela. Linguagem total. Ensinar por narrações de histórias. Palavra no quadro negro. Lógico-mate- mática Enigma, so- luções de problemas, jogos. Livros em fita, calcula- dora. Quantificar algo, colocar em estrutura lógica. Pensamento crítico. Quest. Socrático. Propor um paradoxo ló- gico. Espacial Apresenta- ção, visual, jogos de ma- peamento. Gráfico, ma- pas, vídeos, materiais de ilusão ótica. Ver uma coisa, dese- nhá-la. Pensamento crítico. Desenhar, mapear. Pendurar na sala ima- gem incomum Corporal ci- nestésica Aprendiza- gem prática, teatro e dança. Instrumento de argila. Construir algo, tocá-la. Aprendiza- gem prática. Usar gestos expres- sões. Passar para turma em ar- tefatos. Musical Aprendiza- gem rítmica . Instrumentos musicais. Cantar, criar uma música. Sugestope- dia. Usar voz rítmica. Tocar música na sala. Interpessoal Atividades cooperativas, reuniões e simulações. Jogos tabu- leiros, aces- sórios para teatro. Ensinar algo. Aprendiza- gem coope- rativa. Interação com os alu- nos. Compartilhar experiên- cias com os alunos. Intrapessoal Instrução in- dividuali- zada, desen- volvimento autoestima. Materiais de autoavalia- ção. Relação de experiência com a vida. Instrução in- dividuali- zada. Fazer apresentação com sentimento. Pensar na vida. Naturalista Estudo na natureza. Plantas e animais. Apreciar fe- nômenos na- turais. Estudos eco- lógicos. Vincular assuntos a estudos. Trazer planta ou animal para discussão Fonte: Armstrong (2001, p. 62-63) Aprendizagem Autodirigida Na nossa vida, frequentemente, deparamo-nos com situações nas quais temos de resolver um problema, mas não temos conhecimento suficiente para isso. Para sairmos dessa situação procuramos aprender o que nos falta. Essa ação de buscar o aprendizado que nós precisamos pode ser entendida como a aprendizagem autodirigida. Aliada a essa intencionalidade, ainda há a questão das rápidas e repentinas mudanças no mundo, fazendo com que o sentimento de defasagem seja bastante comum. Diante disso, há necessidade de a pessoa desenvolver a capacidade de “aprender a aprender”, ou seja, a pessoa precisa ter a habilidade de buscar a aprendizagem sempre que achar necessário. Na aprendizagem autodirigida, o sujeito toma a rédea de seu aprendizado e o organiza no lugar do professor. Ele decide o que será aprendido, como será feita a aprendizagem, identificação e seleção dos recursos humanos e materiais, além de avaliar o que foi aprendido (KNOWLES, 1975 apud MOURA, 1998). Nessa perspectiva, o aprendiz tem total controle de sua aprendizagem e decide quais caminhos tomar; como em uma viagem, ele escolhe para onde ir, quando viajará, onde ficará hospedado, quais passeios fará etc. A questão na aprendizagem autodirigida é se o aprendiz estaria sozinho nessa jornada. A autodireção da aprendizagem não significa que o aprendiz faça esse percurso de maneira solitária; ele pode buscar ajuda na educação formal, não- formal ou informal. É comum momentos em que o adulto busca aprendizagem com amigos, familiares e colegas. O estudo de Andrade (2011) sobre desenvolvimento docente corrobora essa ideia quando apresenta as fontes de aprendizagem que os professores buscam. Das 12 inicialmente apresentadas na aula 04, ao menos seis dizem respeito à informalidade como fonte de aprendizagem: observação atenta do desenvolvimento dos alunos com os quais trabalho, troca de ideias com os colegas no grupo de trabalho, consulta a livros e revistas especializadas, minha experiência pessoal e familiar, observação do comportamento dos colegas e publicações voltadas para a Educação Superior. Independentemente de como o aprendiz irá buscar a aprendizagem necessária, um fator é certo: ela depende diretamente da capacidade crítica e questionadora do aprendiz. Como vimos na aula 02, uma das bases da Heutagogia é a aprendizagem por laço duplo de Schön e Argyris (2000), pois ela explica sobre a necessidade de o adulto ser capaz de criticar as variáveis governantes ou as teorias em uso. Sem o pensamento crítico que o faz questionar as teorias em uso, o aprendiz reproduzirá a ideia sem que haja, necessariamente, transformação no indivíduo, ou seja, aprendizagem. O questionamento possibilita que o aprendiz transforme, não só sua prática, mas seus conhecimentos. Curiosamente, a ideia de aprendizagem autodirigida é difundida em vários países, como Estados Unidos e França, mas pouco se pensa sobre esse conceito no Brasil (NOGUEIRA, 2011), por isso, bibliografia em português não é muito comum. A Universidade de Waterloo, em seu site, ensina quatro passos para a aprendizagem autodirigida: esteja pronto para aprender, estabeleça objetivos de aprendizagem, engaje-se no processo de aprendizagem e avalie a aprendizagem. Estar pronto para aprender é o primeiro passo, até porque sem ele o processo de aprendizagem autodirigida não inicia. Este passo relaciona-se com um dos pilares da Andragogia. Alguns sinais de que o aprendiz está pronto para a aprendizagem autodirigida são: autonomia, organização, disciplina, boa comunicação, aceitação de críticas, autoavaliação e autorreflexão. A segunda etapa é a definição de objetivos de aprendizagem. Assim como num processo de heteroeducação, os objetivos de aprendizagem e o contrato pedagógico são estabelecidos pelo professor, na autodireção esses objetivos também devem ser estabelecidos. Dessa forma, o aprendiz deve definir: metas, estrutura e sequência das atividades, cronograma de realização, recursos materiais para cada meta, avaliação da conclusão da meta. Definir reuniões sistemáticas para discutir questões sobre o que está sendo aprendido também pode ser uma boa ideia. Como dito, essa etapa requer que o aprendiz seja extremamente organizado e engajado no aprendizado. A terceira etapa é o engajamento no processo de aprendizagem. É preciso que o aluno compreenda a si mesmo como aprendiz para que ele entenda suas necessidades. Responder às perguntas a seguir pode ajudar pensar a respeito: quais são as minhas necessidades e os métodos de ensino? Quem foi o meu professor favorito? Por quê? O que ele fez que era diferente dos outros professores? A ideia é refletir sobre essas questões durante todo o processo e substituí-lo como seu próprio aconselhador. Além dessas perguntas, é preciso entender sua abordagem de estudo e adaptar-se para que a aprendizagem seja efetiva. A mais aconselhável é a abordagem aprofundada, que envolve transformação para: compreender ideias por si mesmo, conseguir aplicar o conhecimento a novas situações, usar novos exemplos para explicar um conceito e aprender mais do que necessário para a conclusão da unidade. A última abordagem é a avaliação da aprendizagem. Como ele é o condutor do processo, essa avaliação precisa ter caráter de autoavaliação e de autorreflexão. Autoavaliação é o processo de reflexão de como foi o aproveitamento da sua aprendizagem e envolve as seguintes perguntas: Como eu sei que eu aprendi? Sou flexível na adaptação e aplicação do conhecimento? Tenho confiança no material de explicar? Quando eu sei que eu aprendi o suficiente? Quando é hora de autorreflexão e quando é tempo para conversas com outros? 1. A aprendizagem autodirigida e a educação a distância Educação a distância é qualquer educação mediada por tecnologia. Há conhecimento da educação a distância no Brasil desde a década de 1940 com um curso ministrado por rádio. Ao longo dos anos e com a evolução das tecnologias, a educação a distância foi ganhando novas nuances. Atualmente, ela é uma importante ferramenta da formação, principalmente quandoé preciso levar conhecimento a lugares distantes e para muitas pessoas. A aprendizagem autodirigida é privilegiada pela educação a distância porque o aprendiz precisa cumprir os quatro passos propostos pela Universidade de Waterloo. O engajamento no processo de aprendizagem deve ser ponto principal, pois sem ele o aluno deixa de buscar o conhecimento. Porém, um dos maiores desafios dessa modalidade é a organização para o estudo, essencial para o estudo aprofundado de algo. Baseado na motivação e na autodireção da aprendizagem, Moore (1986) definiu três tipos de aprendizes adultos que procuram a educação a distância: aquele que escolhe estudar por interesse ou necessidade; aquele que precisa do diploma da formação; e aquele que gosta e precisa continuar estudando. Independentemente do tipo de aprendiz, o aluno da educação a distância precisa de vontade de estudar e conseguir estudar por si só; ou seja, precisa ter a direção da sua aprendizagem. Sobre isso, Moore diz que o aprendiz precisa cuidar do que ele chama de “eventos”, que podem ser de estabelecimento, de execução e de avaliação. Os eventos de estabelecimento tratam de estabelecer objetivos e metas de aprendizagem. Os de execução são os momentos de aprendizagem propriamente ditos. Já os eventos de avaliação podem ser entendidos como balanços das aprendizagens. Esses três eventos compartilham os passos propostos pela Universidade de Waterloo para se ter sucesso na aprendizagem autodirigida. Para finalizar, Knowles (1975 apud RABELLO, 2007) explica três razões para que o adulto dirija sua própria aprendizagem. A primeira é que o aluno que toma a iniciativa da aprendizagem tende a se sair melhor; isso tem a ver com os pilares da Andragogia. A segunda razão é que a autodireção na aprendizagem tem a ver com o amadurecimento e o desenvolvimento psicológico. A terceira razão é que a aprendizagem autodirigida está em consonância com os dias de hoje e com as rápidas mudanças, permitindo que o adulto esteja atualizado. REFERÊNCIAS DeAQUINO, Carlos Tasso Eira de. Como Aprender: andragogia e as habilidades de aprendizagem. São Paulo: Pearson, 1 Ed., 2007. Knowles, Malcon S., Holton, Elwood F., Swanson, Richard A. – Aprendizagem de Resultados – uma abordagem prática para aumentar a efetividade da educação corporativa. editora Elsevier. 408 páginas, 2009 Andragogia-o-que-é-e-qual-sua-importância-para-aprendizagem-corporativa. Disponível em:<http://veler.com.br/blog/> Acessado em: 06/06/2018. Educação-de-adultos-princípios-da-andragogia.Disponívelem: http://www.cpdec.com.br. Acessado em: 06/06/2018