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Curso de Andragogia

Disciplina sobre Andragogia e Educação de Jovens e Adultos: ementa, conteúdo programático, bibliografia básica e introdução histórica e teórica (origem do termo, autores, método andragógico de Malcolm Knowles e seus seis princípios).

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CARACTERIZAÇÃO DA DISCIPLINA ANDRAGOGIA E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 
EMENTA 
Compreender as diretrizes e orientações curriculares que norteiam a Educação de Jovens e Adultos 
na perspectiva de desenvolver uma prática docente sensível às necessidades dos sujeitos dessa 
modalidade de ensino. Analisar e discutir os fundamentos teóricos que embasam o processo ensino-
aprendizagem de jovens e adultos. Incentivar a prática da pesquisa, da investigação dos modos de 
aprender e de vida de jovens e adultos, para o favorecimento de processos de sua aprendizagem no 
ambiente escolar. 
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 
Andragogia; Os princípios da andragogia; Processo andragógico para a aprendizagem; Porque optar 
pela andragogia; PNATER; Aplicabilidade da andragogia no trabalho; Processo de ensino-
aprendizagem; Quadro resumido de ensino-aprendizagem; Autores de educação de adultos; Os 
novos paradigmas de ensino-aprendizagem; Diferença entre andragogia e pedagogia; Quadro 
comparativo de concepções. 
BIBLIOGRAFIA BÁSICA 
AQUINO, Carlos Tasso Eira de. Como Aprender: andragogia e as habilidades de aprendizagem. São 
Paulo: Pearson, 1 Ed., 2007. 
Knowles, Malcon S., Holton, Elwood F., Swanson, Richard A. – Aprendizagem de Resultados – uma 
abordagem prática para aumentar a efetividade da educação corporativa. editora Elsevier. 408 
páginas, 2009 
Andragogia-o-que-é-e-qual-sua-importância-para-aprendizagem-corporativa. Disponível 
em:<http://veler.com.br/blog/> Acessado em: 06/06/2018. 
Educação-de-adultos-princípios-da-andragogia.Disponívelem: http://www.cpdec.com.br. Acessado 
em: 06/06/2018. 
 
 Introdução 
A palavra andragogia deriva dos termos gregos: andros (homem) + agein (conduzir) + logos (ciência), significando a 
ciência da educação de adultos, segundo Cavalcanti e Gayo (2004). 
O termo foi criado justamente em oposição à Pedagogia, que trata da ciência da educação de crianças. 
O professor Alexander Kapp foi o primeiro a utilizar o termo em 1833, na Alemanha, para tratar de elementos da Teoria 
da Educação de Platão, apesar de o próprio Platão não o ter utilizado. Naquela época, o autor já defendia que a 
educação de adultos não poderia ser igual à educação de crianças, pelas características de cada um. 
O termo caiu no esquecimento e só foi reutilizado novamente em 1921 pelo cientista social alemão Eugen Rosenstock, 
quando defendeu que a educação de adultos precisaria de professores, métodos e filosofias especiais. Ele acreditava 
que não bastava que os professores traduzissem a Pedagogia para utilizá-la com adultos, mas que o professor precisaria 
cooperar com os alunos para ser um “andragogo” (KNOWLES; HOLTON; SWANSON, 2011). 
Ao longo da década de 1950, diversos autores europeus utilizaram o termo andragogia em seus trabalhos: H. 
Hanselmann, em 1951, na Suíça; T. T. Have, em 1954, na Holanda; M. Ogrizovic, em 1956, na Iugoslávia; F. Poggeler, 
em 1957, na Alemanha; além de cursos e programas sobre andragogia nas décadas de 1960 e 1970 encontrados, 
também, na Alemanha. 
Foi no início da década de 1970, no entanto, que surgiu o “pai” da Andragogia, o professor americano Malcolm 
Knowles. 
Ele é assim considerado pela sua vasta produção sobre o tema, além de ter desenvolvido o conceito base para a 
educação de adultos. A partir dos seus escritos, a orientação dos educadores de adultos mudou de “educar pessoas” 
para “ajudar as pessoas a aprenderem”. 
Portanto, andragogia é a ciência da educação de adultos, considerando suas características e interesses. Knowles 
desenvolveu o Método Andragógico baseado em seis pilares: 
1. Necessidade de saber; 
2. Autoconceito do aprendiz; 
3. Papel das experiências; 
4. Prontidão para aprender; 
5. Orientação para a aprendizagem; 
6. Motivação. 
O autor explica que o método andragógico precisa ser revisto em cada situação e não dá conta sozinho das situações 
de aprendizagem. Ele mesmo, aplicando seu método em diferentes grupos, percebeu duas situações: 
1. O modelo andragógico tem como principal característica a flexibilidade. Ele pode e deve ser adaptado para cada 
situação, seja parcialmente ou completamente adaptado, pois não é uma ideologia, mas um sistema de elementos. 
2. O ponto de partida e as estratégias a serem utilizadas para a aplicação do modelo devem ser analisados segundo a 
situação. Cabe ao educador perceber e avaliar a melhor forma de utilizar o modelo andragógico. 
 
As críticas a esse modelo defendem, principalmente, que ele não abrange explicitamente resultados como as 
mudanças sociais dos alunos. De fato, não se pretende que a andragogia lide com objetivos e propósitos da 
aprendizagem; nem seria possível. A andragogia propõe-se a educar adultos independentemente de um propósito 
específico, mas sendo aberta a vários, ela pode e deve ser combinada com diferentes teorias de ensino e aprendizagem. 
A imagem a seguir mostra os seis princípios da andragogia envolvidos no contexto social, individual e situacional, além 
dos objetivos e propósitos de aprendizagem: 
 
Fonte: Knowles, Holton e Swanson (2011, p. 22) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANDRAGOGIA 
DEFINIÇÃO QUANDO 
SURGIU 
PARA QUE SERVE ONDE UTILIZAR LIMITA ÇÕES 
É uma 
abordagem de 
ensino voltada 
para adultos. 
Objetivando 
buscar 
aprendizagem 
efetiva para o 
desenvolvimento 
de habilidades, 
competências e 
conhecimentos 
através de 
características 
específicas; 
É a arte ou 
ciência de 
orientar adultos 
a aprender; 
Procura 
compreen der o 
adulto. 
É aplicado há 
séculos, desde a 
antiguidade 
grega. Foi 
popularizado do 
pelo pai da 
andragogia 
Malcom 
Shepherd 
Knowles (1970); 
O termo 
andragogia vem 
do grego que 
une o prefixo 
“anér” ou 
“andrós” que 
significa 
“homem ou 
adulto”, ao 
sufixo 
“gogia” (arte e 
ciência da 
aprendizagem ou 
“gogos” 
(educar). 
Conhecer melhor 
o adulto e 
através desse 
modo 
andragógico de 
ensinar; 
Buscar técnicas e 
ferramentas para 
orientar cada 
indivíduo, 
respeitando suas 
necessidades e 
motivações; 
Buscar caminhos 
e estratégias de 
aprendizagem, 
que podem ser 
aplicadas em 
qualquer 
evento/ método. 
Em formações de 
adultos, tanto no 
meio acadêmico 
como 
empresarial, 
utilizado-a em 
eventos/ 
métodos; 
A andragogia 
pode ser 
utilizada por 
professores, 
facilitadores, 
gestores de 
equipes, 
coachings* e 
interessados na 
educação. 
* Coaching 
Atividade de 
formação 
pessoal onde o 
instrutor (coach) 
ajuda o seu 
cliente (coachee) 
a evoluir em 
alguma área da 
sua vida. 
O 
aprendizado 
pode não 
consolidar de 
forma eficaz caso 
utilize a 
pedagogia com 
adultos 
presumindo 
utilizar a 
andragogia; 
Ignorar os 
princípios 
fundamentais da 
andragogia em 
sua aplicação; 
Desinformação 
sobre a 
abordagem 
andragógica. 
 
“Ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar”. 
 
APLICAÇÃO DA ANDRAGOGIA 
Para aplicar a andragogia é preciso conhecer os princípios fundamentais da aprendizagem de adultos e definir quais 
são os objetivos da aprendizagem e seus resultados esperados. 
OS PRINCÍPIOS DA ANDRAGOGIA 
Malcolm Knowles (1913-1997) definiu seis princípios da aprendizagem de 
adultos, elementos que precisam ser considerados em qualquer ação educacional. São eles: 
 
 
 
 
 
Além dos seis princípios há outros fatores que identifica nos espaços de aprendizagem, que podem interferir no 
processo de aprender, que são as diferenças próprias de cada um, as diferenças de contextos, metas e propósitos de 
aprendizagem. 
A Andragogia tem funcionado melhor quando adaptada à prática e às peculiaridades dos aprendizes. Dessa forma 
somando os seis princípios às todas essas necessidades individuais há condições de fazer uma reflexão para 
compreender como auxiliá-los nessa trajetória. 
É necessário também definir quais são os objetivos eseus resultados esperados. Nos programas de desenvolvimento 
de pessoas, é preciso prestar atenção aos aspectos do modelo do processo andragógico. 
PROCESSO ANDRAGOGICO PARA A APRENDIZAGEM 
Os instrutores/facilitadores que trabalham na perspectiva andragógica devem organizar suas atividades sobre um 
conjunto de procedimentos para envolver os aprendizes considerando os seguintes elementos: 
 
 
Para o sucesso do ensino-aprendizagem a parceria educando/educador não está limitada só em colocar em prática os 
elementos citados acima. A parceria implica, por parte do facilitador compreender antes de tudo que “adultos são 
muito diferentes entre si e são capazes de aprender” (Nogueira, 2004). 
Para conhecimento: um mapa conceitual denominado “Escala de classificação autodiagnóstica para a educação de 
adultos,” que Malcolm Knowles publicou com base em três categorias de competências do instrutor de adultos. 
 
“Educar é ser um artesão da personalidade, um poeta da inteligência, um semeador de idéias”. Augusto Cury 
 
PORQUE OPTAR PELA ANDRAGOGIA 
Verificando a PIRÂMIDE DE APRENDIZAGEM, por si só ela orienta a uma reflexão sobre a forma de aprendizagem. 
Outros dados também auxiliam para uma reflexão sobre ensino-aprendizagem. Cabe ao facilitador fazer uma análise 
antes de trabalhar o ensino-aprendizagem. 
 
 
 
 
PNATER 
A Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (PNATER) também orienta para a formação de um 
profissional com visão holística, enfoque multidisciplinar e intercultural. A intervenção dos agentes de Assistência 
Técnica e Extensão Rural (ATER) devem ocorrer de forma democrática, adotando metodologias participativas e uma 
pedagogia construtivista e humanista. E como ponto de partida a realidade e o conhecimento local. 
 
 
APLICABILIDADE DA ANDRAGOGIA NO TRABALHO 
Embora o termo seja antigo a sua aplicação no cenário corporativo é relativamente recente e tem ganhado força. 
A educação corporativa pautada na andragogia deve trazer um aprendizado aplicável, claro e relevante. A teoria não é 
suficiente nesse sentido, pois na andragogia o conhecimento do aprendiz é tão importante quanto o conhecimento do 
facilitador/instrutor. Ficam do lado de fora a inflexibilidade, as respostas prontas e as metodologias ultrapassadas. 
O aprendizado se torna prazeroso e se converte em práticas adquiridas. Porém, há necessidade de um preparo maior, 
mais dedicado e de co-responsabilidade por parte do instrutor/facilitador. Migrar do ensino clássico para os novos 
enfoques andragógicos é, no mínimo, trabalhoso. A maior colaboração da andragogia é a quebra do paradigma de que 
o extensionista detém todo o conhecimento e deposita o que sabe nos aprendizes. A andragogia caminha em outra 
direção, pois acredita em construir junto o conhecimento. 
 
PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM 
É um nome para um complexo sistema de interações comportamentais entre aprendizes e facilitadores. É como se 
fossem processos independentes da ação humana, há os processos comportamentais que recebem o nome de 
“ensinar” e de “aprender”. Engloba diversas medidas que devem ser tomadas ou evitadas para que o aprendizado 
realmente aconteça. Engloba uma série de questionamentos como a própria definição do que é aprender e ensinar. 
Por esse motivo torna-se necessário que os educadores sejam capazes de compreender as diferenças de cada ação e 
saber escolher a melhor maneira que irá trabalhar um determinado tema. Os seus métodos devem ser revistos a cada 
momento, o ato de ensinar precisa passar por reformulações constantes para que a aprendizagem seja alcançada. É 
preciso não apenas absorver conceitos como por em prática os objetivos propostos e acima de tudo alcançar o 
aprendizado do educando. 
Muitos pesquisadores consideram o ensino e a aprendizagem termos inseparáveis na construção do conhecimento. 
Assim, não se pode compreender a importância do primeiro, sem reconhecer o significado a que o segundo nos remete 
nessa construção. 
Baseado em teorias conclui que a atividade educacional do adulto está centrada na aprendizagem. Portanto coloque 
o aprendiz no centro do processo ensino-aprendizagem. 
 
QUADRO RESUMIDO DE ENSINO-APRENDIZAGEM 
 
“Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. 
Por isso aprendemos sempre”. Paulo Freire 
 
 
Ao praticar os princípios andragógicos, trabalhando com adultos, os resultados esperados virão com mais agilidade. É 
preciso estar atento porque pode haver ensino sem aprendizagem como pode também haver aprendizagem sem 
ensino. (só para ilustrar, uma sequência de quadrinhos - tirinha) 
AUTORES DE EDUCAÇÃO DE ADULTOS 
Para maiores conhecimentos sobre a educação de adultos, a respeito da andragogia, é interessante realizar leituras 
sobre as contribuições de John Dewey, Jean Piaget, Lev Vygostsky, Paulo Freire, Malcolm Knowlws e outros que 
dedicaram ao estudo da arte de ensinar e orientar aos adultos a aprender. 
Dewey defendeu a idéia de unir teoria e prática no ensino, e afirmou que o conhecimento é construído coletivamente 
a partir das experiências. Já Piaget foi um observador compulsivo e criou uma teoria de aquisição do conhecimento, o 
construtivismo. Para Vygotsky, a vivência em sociedade é essencial para a transformação do homem de ser biológico 
em ser humano. Freire deu ênfase no diálogo entre educador e educando e entre o saber científico e popular. E 
Knowles propôs uma teoria para o modelo andragógico de educação onde considera as especificidades do adulto. 
OS NOVOS PARADIGMAS DE ENSINO-APRENDIZAGEM 
 
 
Esses paradigmas foram construídos para professor e aluno. Podendo ser utilizados e adaptados para instrutor, gestor, 
facilitador e aprendizes em cenário corporativo. 
DIFERENÇA ENTRE ANDRAGOGIA E PEDAGOGIA 
Adultos em geral possuem uma abordagem pragmática sobre tudo o que vão aprender. Já as crianças deixam conduzir 
com mais facilidade. O adulto precisa saber o porquê deve aprender algo e qual o ganho terá com isso. Não aprendem 
como criança. A educação de adultos é tão diferente de ensinar outras faixas etárias que foi preciso existir a andragogia. 
 
 
QUADRO COMPARATIVO DE CONCEPÇÕES 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
HEUTAGOGIA 
Existe também a Heutagogia que é o conceito de aprendizagem autodirecionada em que o aprendiz é gestor e 
programador de seu próprio processo de aprendizagem, através do autodidatismo, autodisciplina e auto-organização. 
No processo heutagógico é o aprendiz que determina o que quer e como aprender, é o responsável em cumprir as 
etapas, por definir o método, pelos objetivos pretendidos e o ritmo de sua qualificação. 
É um modelo de processo educacional alinhado à Tecnologia da Informação e Comunicação –TIC e às inovações de 
blended learning (modelo de ensino não presencial, apoiado em TIC). 
Esse processo também tem sua importância a respeito à assimilação de novos conhecimentos para o desenvolvimento 
de novas habilidades. A Heutagogia, como a Andragogia, aceita e reconhece as experiências como fonte de 
aprendizado. 
 
UMA DÚZIA DE REFLEXÕES SUGERIDAS PARA O EXTENSIONISTA 
 
 
 
 A Teoria das Inteligências Múltiplas e suas Implicações 
Qual tipo de assunto você tem mais facilidade para aprender? Matemática, linguagem, ciências... 
Vimos que as formas de aprender são diferentes entre as pessoas; cada um tem seu estilo de aprendizagem: visual, 
auditivo, cinestésico, divergente, assimilador, convergente ou acomodador. Além dos estilos diferimos, em outro 
aspecto: cada um tem mais facilidade de lidar com alguns assuntos do que outros. 
Essa facilidade está relacionada com os tipos de inteligência que todos nós temos e que podem ser mais ou menos 
desenvolvidos em cada pessoa de forma diferente. A teoria das inteligências múltiplas foi criada pelo psicólogo e 
professor americano Howard Gardner, em 1983, para contrapor a ideiade que a inteligência de uma pessoa era medida 
pelo teste de QI, que media basicamente a capacidade de raciocínio lógico da pessoa. 
Gardner (1995) tem uma visão pluralista da mente com facetas diferentes, reconhecendo que as pessoas têm “forças 
cognitivas diferenciadas e estilos contrastantes” (p. 13). Ele elaborou a teoria das inteligências múltiplas a partir dos 
conhecimentos da ciência cognitiva e da neurociência. 
A inteligência, para o autor, é um conjunto de capacidades, talentos ou habilidades mentais capazes de resolver 
problemas ou elaborar produtos que são importantes num determinado ambiente ou comunidade cultural. 
Para definir as inteligências de sua teoria, Gardner estudou o trabalho de gênios, como Einstein e Mozart, e estudou 
pessoas com lesões e disfunções cerebrais, junto a/aos: conhecimentos a respeito do desenvolvimento normal e de 
indivíduos talentosos; informações sobre o colapso das capacidades cognitivas quando há danos cerebrais; estudos 
sobre populações excepcionais, incluindo prodígios, “idiotas sábios” e crianças autistas; dados sobre a evolução da 
cognição ao longo do milênio; considerações culturais cruzadas sobre a cognição; estudos psicométricos, incluindo 
exames de correlações entre eles; estudos de treinamento psicológico, particularmente as medidas de transferência e 
generalização por meio de tarefas. 
As inteligências candidatas deviam cumprir todos ou a maioria dos critérios. 
Além disso, as inteligências deveriam ter uma operação nuclear ou conjunto de operações identificáveis, cada 
inteligência é ativada ou desencadeada por certos tipos de informação interno ou externamente apresentados e deve 
ser codificada em um sistema de símbolos. 
Cumpridos essas características e critérios, inicialmente, sete inteligências, que operam combinadas, muitas vezes, 
simultaneamente, foram definidas: musical, corporal-cinestésica, lógico-matemática, linguística, espacial, interpessoal 
e intrapessoal. 
1. Inteligência musical 
A inteligência musical relaciona-se com a capacidade de tocar instrumentos musicais e compor músicas. 
Gardner analisou o trabalho do violinista Yehudi Menuhin, que iniciou seus estudos na música aos três anos ao assistir 
um concerto na Orquestra de São Francisco. 
Por essa análise, Gardner percebeu que, de alguma forma, a disposição biológica para que ele pudesse desenvolver 
essa inteligência estava nele. 
As evidências para que a inteligência musical seja considerada foi a presença de crianças autistas que tocam 
instrumentos, mas não falam, mostra a independência dessa inteligência. Além disso, há presença de entendimentos 
musicais ao longo da história e a uma região do cérebro que tem papel importante para a produção musical. 
2. Inteligência corporal-cinestésica 
Esta inteligência é a capacidade de controlar os movimentos do corpo para resolver problemas; são pessoas com 
habilidade de dança ou esportiva. 
Gardner afirma que Babe Ruth, famoso jogador de baseball americano, simplesmente “soube” que ele seria batedor 
no momento em que ele subiu à base. Ele já tinha esse conhecimento antes de ter o aprendizado formal. 
3. Inteligência lógico-matemática 
A característica dessa inteligência é a capacidade de desenvolver raciocínio lógico-dedutivo e habilidade em 
matemática. 
Pessoas com essa inteligência desenvolvida utilizam-se da razão para realizar tarefas complexas; pode relacionar, 
agrupar informações para entendê-las melhor. 
Outra característica é que essas pessoas têm é a facilidade em lidar com números, utilizam-se de sistematização para 
resolver problemas, por isso, criam listas de tarefas. 
Gardner percebeu essa inteligência estudando o trabalho de Barbara McClintock, ganhadora do Prêmio Nobel de 
Medicina em 1983. Diante de um problema com a fertilização de milhos, ela soube da solução dele apenas pensando 
em seu laboratório. Depois de rascunhar a explicação em um papel, ela foi testar sua hipótese, que era idêntica ao seu 
rascunho. 
Essa inteligência, junto à inteligência linguística, era utilizada nos testes de QI. Talvez por isso pessoas com essa 
inteligência mais desenvolvida tenham a fama de inteligentes. 
4. Inteligência linguística 
Pessoas com inteligência linguística desenvolvida têm habilidade em escrita, leitura, aprender outros idiomas, enfim, 
comunicar-se por meio das palavras. 
O poeta americano, naturalizado britânico, T. S. Elliot, foi o exemplo estudado por Gardner (1995) para essa 
inteligência. Aos 10 anos, Elliot criou uma revista chamada de Fireside, que ele escreveu oito edições completas em 
três dias; cada edição tinha histórias de aventura, humor, fofoca e poemas. 
Essa inteligência também é utilizada para a medição do QI, assim como a lógico-matemática. 
5. Inteligência espacial 
A inteligência espacial relaciona-se com a visão, com a capacidade de resolver problemas utilizando-se do concreto e 
de sua localização. 
Pessoas com essa inteligência desenvolvida tendem a ter um estilo visual de aprendizagem. No entanto, pessoas cegas 
também possuem essa inteligência 
bastante desenvolvida; elas percebem o ambiente por meio do tato. 
Gardner (1995) traz o exemplo de uma “sábia idiota” chamada de Nadia, uma criança autista que desenhava com 
imensa exatidão e destreza. Há um Savant chamado Stephan Wetchire que é capaz de desenhar com precisão uma 
paisagem depois de vê-la apenas uma vez. Quando criança, ele era mudo e foi diagnosticado como autista e hoje é 
conhecido com homem câmera pela sua capacidade de precisão. 
6. Inteligência interpessoal 
Inteligência interpessoal é a capacidade de entender os desejos e as intenções de outras pessoas, de perceber o outro, 
especialmente no que tange a contrastes de humor, temperamentos e vontades. 
Pessoas com essa inteligência desenvolvida têm grande facilidade no relacionamento social. 
Para exemplificar sua teoria de que a inteligência interpessoal possui uma operação nuclear, é desencadeada por certas 
informações internas ou externas, além de ser codificada em um sistema de símbolos, Gardner estudou o famoso caso 
de Anne Sullivan e Hellen Keller. 
Hellen Keller era uma criança surdo-cega e Anne Sullivan foi instruí-la. Após diversos conflitos, Anne conseguiu que sua 
pupila mudasse seu comportamento e a partir daí ela se desenvolveu rapidamente e foi a primeira pessoa surdo-cega 
a se formar bacharel em Filosofia. 
A inteligência interpessoal da tutora Anne possibilitou que ela conseguisse “entrar” no mundo de Hellen para conseguir 
ensiná-la. 
7. Inteligência intrapessoal 
Se a inteligência interpessoal é a capacidade de perceber o outro em suas nuances, a inteligência intrapessoal é a 
capacidade de perceber a si mesmo; seria o autoconhecimento e a capacidade de discriminar as próprias emoções e 
utilizá-las para orientar o próprio comportamento. 
Essa inteligência é a mais interna de todas e ela só é perceptível por meio de 
outras inteligências. 
Gardner (1995) utiliza-se de um trecho de um ensaio de Virgínia Wolf em que ela retrata três aspectos da sua vida para 
entender seus sentimentos e alterar seu comportamento. 
À esta inteligência Gardner (1995) acrescentou outras duas: natural e existencial. A primeira relaciona-se com o 
desenvolvimento biológico e entendimento da natureza; a segunda refere-se à capacidade de refletir sobre a própria 
existência. 
Conhecer essas diferentes inteligências possibilita ao professor preparar-se para lidar pessoas muito diferentes e, 
assim, contribuir com a aprendizagem do aluno. 
Thomas Armstrong (2001) elaborou um quadro que nos auxilia a pensar no planejamento de aulas a partir das 
inteligências múltiplas: 
Quadro: modelo de aulas que possibilitam a utilização da teoria das inteligências múltiplas. 
Modelo de aulas que possibilitam a utilização dessa teoria na prática 
Inteligência Ativ. de en-
sino 
Materiais Estratégias Mov. Edu-
cacional 
At. Professor AtividadeLinguística Palestras, 
discussões, 
jogos de pa-
lavra, leitura 
e jornal. 
Livros, gra-
vadores e 
máquinas de 
escrever. 
Ler escrever, 
sobre ela, fa-
lar sobre ela. 
Linguagem 
total. 
Ensinar por narrações 
de histórias. 
Palavra no quadro negro. 
Lógico-mate-
mática 
Enigma, so-
luções de 
problemas, 
jogos. 
Livros em 
fita, calcula-
dora. 
Quantificar 
algo, colocar 
em estrutura 
lógica. 
Pensamento 
crítico. 
Quest. Socrático. Propor um paradoxo ló-
gico. 
Espacial Apresenta-
ção, visual, 
jogos de ma-
peamento. 
Gráfico, ma-
pas, vídeos, 
materiais de 
ilusão ótica. 
Ver uma 
coisa, dese-
nhá-la. 
Pensamento 
crítico. 
Desenhar, mapear. Pendurar na sala ima-
gem incomum 
Corporal ci-
nestésica 
Aprendiza-
gem prática, 
teatro e 
dança. 
Instrumento 
de argila. 
Construir 
algo, tocá-la. 
Aprendiza-
gem prática. 
Usar gestos expres-
sões. 
Passar para turma em ar-
tefatos. 
Musical Aprendiza-
gem rítmica . 
Instrumentos 
musicais. 
Cantar, criar 
uma música. 
Sugestope-
dia. 
Usar voz rítmica. Tocar música na sala. 
Interpessoal Atividades 
cooperativas, 
reuniões e 
simulações. 
Jogos tabu-
leiros, aces-
sórios para 
teatro. 
Ensinar algo. Aprendiza-
gem coope-
rativa. 
Interação com os alu-
nos. 
Compartilhar experiên-
cias com os alunos. 
Intrapessoal Instrução in-
dividuali-
zada, desen-
volvimento 
autoestima. 
Materiais de 
autoavalia-
ção. 
Relação de 
experiência 
com a vida. 
Instrução in-
dividuali-
zada. 
Fazer apresentação 
com sentimento. 
Pensar na vida. 
Naturalista Estudo na 
natureza. 
Plantas e 
animais. 
Apreciar fe-
nômenos na-
turais. 
Estudos eco-
lógicos. 
Vincular assuntos a 
estudos. 
Trazer planta ou animal 
para discussão 
Fonte: Armstrong (2001, p. 62-63) 
Aprendizagem Autodirigida 
Na nossa vida, frequentemente, deparamo-nos com situações nas quais temos de resolver um problema, mas não 
temos conhecimento suficiente para isso. Para sairmos dessa situação procuramos aprender o que nos falta. Essa ação 
de buscar o aprendizado que nós precisamos pode ser entendida como a aprendizagem autodirigida. 
Aliada a essa intencionalidade, ainda há a questão das rápidas e repentinas mudanças no mundo, fazendo com que o 
sentimento de defasagem seja bastante comum. 
Diante disso, há necessidade de a pessoa desenvolver a capacidade de “aprender a aprender”, ou seja, a pessoa precisa 
ter a habilidade de buscar a aprendizagem sempre que achar necessário. 
Na aprendizagem autodirigida, o sujeito toma a rédea de seu aprendizado e o organiza no lugar do professor. Ele decide 
o que será aprendido, como será feita a aprendizagem, identificação e seleção dos recursos humanos e materiais, além 
de avaliar o que foi aprendido (KNOWLES, 1975 apud MOURA, 1998). 
Nessa perspectiva, o aprendiz tem total controle de sua aprendizagem e decide quais caminhos tomar; como em uma 
viagem, ele escolhe para onde ir, quando viajará, onde ficará hospedado, quais passeios fará etc. 
A questão na aprendizagem autodirigida é se o aprendiz estaria sozinho nessa jornada. A autodireção da aprendizagem 
não significa que o aprendiz faça esse percurso de maneira solitária; ele pode buscar ajuda na educação formal, não- 
formal ou informal. É comum momentos em que o adulto busca aprendizagem com amigos, familiares e colegas. 
O estudo de Andrade (2011) sobre desenvolvimento docente corrobora essa ideia quando apresenta as fontes de 
aprendizagem que os professores buscam. Das 12 inicialmente apresentadas na aula 04, ao menos seis dizem respeito 
à informalidade como fonte de aprendizagem: observação atenta do desenvolvimento dos alunos com os quais 
trabalho, troca de ideias com os colegas no grupo de trabalho, consulta a livros e revistas especializadas, minha 
experiência pessoal e familiar, observação do comportamento dos colegas e publicações voltadas para a Educação 
Superior. 
Independentemente de como o aprendiz irá buscar a aprendizagem necessária, um fator é certo: ela depende 
diretamente da capacidade crítica e questionadora do aprendiz. 
Como vimos na aula 02, uma das bases da Heutagogia é a aprendizagem por laço duplo de Schön e Argyris (2000), pois 
ela explica sobre a necessidade de o adulto ser capaz de criticar as variáveis governantes ou as teorias em uso. 
 
Sem o pensamento crítico que o faz questionar as teorias em uso, o aprendiz reproduzirá a ideia sem que haja, 
necessariamente, transformação no indivíduo, ou seja, aprendizagem. O questionamento possibilita que o aprendiz 
transforme, não só sua prática, mas seus conhecimentos. 
Curiosamente, a ideia de aprendizagem autodirigida é difundida em vários países, como Estados Unidos e França, mas 
pouco se pensa sobre esse conceito no Brasil (NOGUEIRA, 2011), por isso, bibliografia em português não é muito 
comum. 
A Universidade de Waterloo, em seu site, ensina quatro passos para a aprendizagem autodirigida: esteja pronto para 
aprender, estabeleça objetivos de aprendizagem, engaje-se no processo de aprendizagem e avalie a aprendizagem. 
Estar pronto para aprender é o primeiro passo, até porque sem ele o processo de aprendizagem autodirigida não inicia. 
Este passo relaciona-se com um dos pilares da Andragogia. Alguns sinais de que o aprendiz está pronto para a 
aprendizagem autodirigida são: autonomia, organização, disciplina, boa comunicação, aceitação de críticas, 
autoavaliação e autorreflexão. 
A segunda etapa é a definição de objetivos de aprendizagem. Assim como num processo de heteroeducação, os 
objetivos de aprendizagem e o contrato pedagógico são estabelecidos pelo professor, na autodireção esses objetivos 
também devem ser estabelecidos. Dessa forma, o aprendiz deve definir: metas, estrutura e sequência das atividades, 
cronograma de realização, recursos materiais para cada meta, avaliação da conclusão da meta. 
Definir reuniões sistemáticas para discutir questões sobre o que está sendo aprendido também pode ser uma boa 
ideia. 
Como dito, essa etapa requer que o aprendiz seja extremamente organizado e engajado no aprendizado. 
A terceira etapa é o engajamento no processo de aprendizagem. É preciso que o aluno compreenda a si mesmo como 
aprendiz para que ele entenda suas necessidades. Responder às perguntas a seguir pode ajudar pensar a respeito: 
quais são as minhas necessidades e os métodos de ensino? Quem foi o meu 
professor favorito? Por quê? O que ele fez que era diferente dos outros professores? 
A ideia é refletir sobre essas questões durante todo o processo e substituí-lo como seu próprio aconselhador. 
Além dessas perguntas, é preciso entender sua abordagem de estudo e adaptar-se para que a aprendizagem seja 
efetiva. 
A mais aconselhável é a abordagem aprofundada, que envolve transformação para: compreender ideias por si mesmo, 
conseguir aplicar o conhecimento a novas situações, usar novos exemplos para explicar um conceito e aprender mais 
do que necessário para a conclusão da unidade. 
A última abordagem é a avaliação da aprendizagem. Como ele é o condutor do processo, essa avaliação precisa ter 
caráter de autoavaliação e de autorreflexão. 
Autoavaliação é o processo de reflexão de como foi o aproveitamento da sua aprendizagem e envolve as seguintes 
perguntas: Como eu sei que eu aprendi? Sou flexível na adaptação e aplicação do conhecimento? Tenho confiança no 
material de explicar? Quando eu sei que eu aprendi o suficiente? Quando é hora de autorreflexão e quando é tempo 
para conversas com outros? 
1. A aprendizagem autodirigida e a educação a distância 
Educação a distância é qualquer educação mediada por tecnologia. Há conhecimento da educação a distância no Brasil 
desde a década de 1940 com um curso ministrado por rádio. Ao longo dos anos e com a evolução das tecnologias, a 
educação a distância foi ganhando novas nuances. 
Atualmente, ela é uma importante ferramenta da formação, principalmente quandoé preciso levar conhecimento a 
lugares distantes e para muitas pessoas. A aprendizagem autodirigida é privilegiada pela educação a distância porque 
o aprendiz precisa cumprir os quatro passos propostos pela Universidade de Waterloo. 
O engajamento no processo de aprendizagem deve ser ponto principal, pois sem ele o aluno deixa de buscar o 
conhecimento. Porém, um dos maiores desafios dessa modalidade é a organização para o estudo, essencial para o 
estudo aprofundado de algo. 
Baseado na motivação e na autodireção da aprendizagem, Moore (1986) definiu três tipos de aprendizes adultos que 
procuram a educação a distância: aquele que escolhe estudar por interesse ou necessidade; aquele que precisa do 
diploma da formação; e aquele que gosta e precisa continuar estudando. 
Independentemente do tipo de aprendiz, o aluno da educação a distância precisa de vontade de estudar e conseguir 
estudar por si só; ou seja, precisa ter a direção da sua aprendizagem. 
Sobre isso, Moore diz que o aprendiz precisa cuidar do que ele chama de “eventos”, que podem ser de 
estabelecimento, de execução e de avaliação. Os eventos de estabelecimento tratam de estabelecer objetivos e metas 
de aprendizagem. Os de execução são os momentos de aprendizagem propriamente ditos. Já os eventos de avaliação 
podem ser entendidos como balanços das aprendizagens. 
Esses três eventos compartilham os passos propostos pela Universidade de Waterloo para se ter sucesso na 
aprendizagem autodirigida. Para finalizar, Knowles (1975 apud RABELLO, 2007) explica três razões para que o adulto 
dirija sua própria aprendizagem. A primeira é que o aluno que toma a iniciativa da aprendizagem tende a se sair melhor; 
isso tem a ver com os pilares da Andragogia. A segunda razão é que a autodireção na aprendizagem tem a ver com o 
amadurecimento e o desenvolvimento psicológico. A terceira razão é que a aprendizagem autodirigida está em 
consonância com os dias de hoje e com as rápidas mudanças, permitindo que o adulto esteja atualizado. 
 
REFERÊNCIAS 
DeAQUINO, Carlos Tasso Eira de. Como Aprender: andragogia e as habilidades de aprendizagem. São Paulo: Pearson, 
1 Ed., 2007. 
Knowles, Malcon S., Holton, Elwood F., Swanson, Richard A. – Aprendizagem de Resultados – uma abordagem prática 
para aumentar a efetividade da educação corporativa. editora Elsevier. 408 páginas, 2009 
Andragogia-o-que-é-e-qual-sua-importância-para-aprendizagem-corporativa. Disponível 
em:<http://veler.com.br/blog/> Acessado em: 06/06/2018. 
Educação-de-adultos-princípios-da-andragogia.Disponívelem: http://www.cpdec.com.br. Acessado em: 06/06/2018

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