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OS NOVE
TITÃS DA IA
Como as gigantes da tecnologia e suas
máquinas pensantes podem subverter a
humanidade
AMY WEBB
A inteligência artificial já está entre nós, todavia não surgiu como todos
esperávamos. Ela é a espinha dorsal silenciosa de nossos sistemas
financeiros, fornecimento da rede elétrica e cadeia de suprimento de
varejo. Ela é a infraestrutura invisível que nos direciona no trânsito,
identifica o significado correto em nossas palavras equivocadas e
condiciona o que devemos comprar, observar, ouvir e ler. Ela é a tecnologia
sobre a qual o nosso futuro está sendo alicerçado, porque permeia todos os
aspectos de nossas vidas: saúde e medicina, transporte, moradia,
agricultura, esportes e até mesmo amor, sexo e morte.
A IA não é uma tendência tecnológica, um termo em voga ou uma
distração temporária - é a terceira era da computação. Estamos no meio
de uma transformação descomunal, não muito diferente da geração que
viveu a Revolução Industrial.
A carência de nuances é a primeira causa do roblema da IA: alguns
superestimam radicalmente a aplicabilidade da IA, ao passo que outros
defendem que ela se tornará uma arma invencível.
As nove gigantes da tecnologia - Google, Amazon, Apple, IBM, Microsoft e
Facebook, nos EUA; e Baidu, Alibaba e Tencent, na China - estão
arquitetando a IA a fim de inaugurar um futuro melhor e mais positivo para
todos nós. 
Acredito piamente que os líderes dessas nove empresas são motivados
por um sentimento profundo de altruísmo e um desejo de servir a um
bem maior: eles enxergarm com clareza o potencial da IA de melhorar a
saúde e a longevidade, solucionar nossos problemas climáticos iminentes
e tirar milhões de pessoas da pobreza. Já estamos vendo os benefícios
positivos e tangíveis do trabalho deles em todos os setores e na vida
cotidiana.
O QUE IMPEDE ESSA ATUAÇÃO
POSITIVA DOS NOVE TITÃS DA IA?
DOS DIAS ATUAIS À
SUPERINTELIGÊNCIA ARTIFICIAL:
OS SINAIS DOS TEMPOS
AMY WEBB
A evolução da inteligência artificial, desde sistemas robustos
capazes de concluir tarefas específicas até máquinas
pensantes de uso geral, está a todo vapor.
As tribos da IA, em serviço e em prol dos Nove Titãs da IA,
estão arquitetando modelos conceituais de realidade para
ajudar a treinar seus sistemas - modelos que não refletem, e
não conseguem refletir, um retrato fiel do mundo real. É por
meio desses modelos que as decisões futuras serão
tomadas: a respeito de nós, para nós e em nosso nome.
Neste instante, os Nove Titãs da IA estão construindo o código legado para
todas as gerações de seres humanos que estão por vir, e ainda não temos a
vantagem de analisar o passado a fim de determinar como este trabalho
beneficiou ou comprometeu a sociedade.
Em vez disso, devemos nos imaginar em situações futuras, fazendo o
melhor que conseguirmos para conceber os efeitos bons, neutros e nocivos
que a IA pode causar com o poder de decisão sobre os diversos aspectos
de nossa vida cotidiana.
MAPEAR OS
POSSÍVEIS
IMPACTOS DA IA 
Sinal #1: Tratamos equivocadamente a
inteligência artificial como uma
plataforma digital, sem princípios
norteadores ou planos em longo prazo
para seu crescimento.
Temos um exemplo vivo do que
acontece quando generaliamos a
tecnologia como uma plataforma: a
internet.
 IA COMO BEM PÚBLICO
Sinal #2: O poder da IA está cada vez
mais se concentrando na mão de alguns,
ainda que enxerguemos a IA como um
ecossistema aberto de poucas barreiras.
Os dois países que estão arquitetando o
futuro da IA (EUA e China) competem
por interesses geopolíticos, têm
economias intimamente entrelaçadas e
seus líderes estão sempre em conflito. A
IA está sendo manipulada para
vantagem econômica e estratégica. 
No que diz respeito à IA, atualmente os sinais dos tempos são claros e
prenunciam crises futuras, ainda que não sejam imediatamente óbvios.
Devemos perseguir incansavelmente os sinais
dos tempos e elaborar cenários alternativos em
relação à trajetória da IA a fim de nos ajudar a
antecipar o risco e - com sorte - driblar uma
catástrofe.
Por ora, não existe um método probabilístico
que consiga prever com exatidão o futuro,
porque nós, humanos, somos impulsivos, não
conseguimos explicar o caos e o acaso e, de uma
hora para a outra, surgem mais pontos de dados
a serem considerados.
Qualquer risco que imaginemos é oriundo da
ficcção científica: a IA como robôs fantasiosos
que saem à caça de seres humanos e vozes
incorpóreas que psicologicamente nos torturam.
Não pensamos com naturalidade a respeito do
futuro da IA dentro das esferas do capitalismo,
geopolítica e democracia.
Nem sequer pensamos em nossos futuros eus e
em como os sistemas autônomos podem
impactar nossa saúde, relacionamentos e
felicidade.
IA estreita ou fraca
(ANI)
Superinteligência
artificial (ASI)
IA geral
(AGI)
Os Nove Titãs da IA estão atualmente avançando
depressa rumo à construção e implementação de
sistemas AGI, esperando que um dia eles consigam
raciocinar, solucionar problemas, pensar de forma
abstrata e fazer escolhas tão facilmente quanto nós,
com resultados iguais ou melhores.
Mais cedo ou mais tarde, as melhorias da ABI
devem nos levar à terceira categoria: a
superinteligência artificial. Os sistemas da ASI são
ligeiramente mais capazes de realizar tarefas
cognitivas humanas do que os da IAs, que são
trilhões de vezes mais inteligentes que os
humanos em todos os aspectos.
Por isso é fundamental, embora pareça
utópico, incluir as máquinas em qualquer
conversa sobre a evolução da espécie humana.
Uma IA superinteligente não é necessariamente perigosa e nem
elimina obrigatoriamente o papel que desempenhamos na
civilização. No entanto, é provável que uma IA superinteligente tome
decisões de modo inconsciente usando uma lógica que nos seria
insólita.
"Uma máquina ultrainteligente poderia projetar máquinas ainda
melhores; haveria, então, sem sobra de dúvidas, uma 'explosão de
inteligência' e a inteligência do homem ficaria para trás. Assim, a
primeira máquina ultrainteligente é a última invenção que o
homem precisa fazer, desde que a máquina seja domesticada o
bastante para nos dizer como controlá-la" (I. J. Good, 1965 - UK)
O planejamento do futuro da IA exige que construamos
novas narrativas usando dados do mundo real.
 
Como o futuro ainda não aconteceu, não podemos saber
com certeza todos os resultados possíveis de nossas ações
no presente.
CENÁRIOS DO FUTURO
Cenário otimista
perguntando o que
aconteceria se os Nove Titãs
da IA decidissem promover
mudanças radicais a fim de
garantir que a IA beneficie
todos nós.
Estamos supondo que as
melhores decisões possíveis
são tomadas e que quaisquer
obstáculos serão superados.
Cenário pragmático
descrevendo como o futuro
seria caso os Nove Titãs da IA
realizassem apenas melhorias
insignificantes em curto
prazo.
Cenário que não espera por
grandes mudanças.
Cenário catastrófico explica o
que acontece se todos os
sinais forem deixados de lado
e se os sinais dos tempos
forem ignorados: não
conseguiremos planejar o
futuro de modo ativo e os
Nove Titãs da IA continuarão
a competir entre si.
Extremamente aterrorizante
e perturbador.
REGISTRO DE DADOS
PESSOAIS (PDR)
todos nós temos
escolhas a fazer
no que diz respeito
à ia.
É hora de usarmos as informações
que temos disponíveis para nos
contarmos histórias - cenários que
descrevem como todos nós podemos
viver em conjunto com as nossas
máquinas pensantes.