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11/9/23, 8:13 PM Controle de poluição hídrica
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04896/index.html# 1/58
Controle de poluição
hídrica
Prof. Ronaldo Augusto Granha
Descrição
Os conceitos e as definições da poluição hídrica, seus impactos para o
meio ambiente e as formas para seu monitoramento e controle.
Propósito
Compreender os principais conceitos sobre a poluição hídrica, as suas
causas e consequências para as empresas, o meio ambiente e a
sociedade em geral, bem como a importância do controle da poluição
atmosférica e os esforços mundiais desenvolvidos nas últimas décadas
para controlá-la.
Objetivos
Módulo 1
Fontes de poluição das águas
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Identificar as origens dos agentes poluentes que causam a poluição
hídrica.
Módulo 2
Indicadores de qualidade da água
Reconhecer os principais indicadores de qualidade da água.
Módulo 3
Autodepuração, eutro�zação e
emissário
Reconhecer os fenômenos de autodepuração e eutrofização, bem
como a importância do emissário de esgoto.
Módulo 4
Modelagem como prognóstico na
poluição hídrica
Reconhecer modelos para composição de prognósticos sobre a
poluição hídrica.
Introdução
No vídeo A poluição hídrica nos dias de hoje, o especialista fala
brevemente sobre agentes poluentes, indicadores da qualidade
da água, fenômenos como autodepuração e eutrofização e os
modelos para composição de prognósticos sobre a poluição
hídrica.

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1 - Fontes de poluição das águas
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car as origens dos
agentes poluentes que causam a poluição hídrica.
Vamos começar!
Entendendo o que é a
poluição hídrica
Neste vídeo, o especialista fala sobre a origem dos agentes que causam
a poluição hídrica

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Importância da água
A ciência química nos ensina que a molécula da água é formada por
uma fórmula simples e bem conhecida pelas pessoas: um átomo de
hidrogênio e dois átomos de oxigênio (H2O). Ela pode ser reproduzida
em laboratório, mas os altos custos envolvidos nesse processo
inviabilizam essa reprodução em massa. O que é uma pena, pois há
uma grande carência de água para consumo da biota no mundo.
Apesar dessa carência e da dificuldade de sua reprodução, todos nós
desperdiçamos água ou a sujamos de incontáveis formas ao longo de
nossas vidas. Por que será que falhamos ou não nos preocupamos em
preservá-la? Eis a grande questão.
Planeta água
O que se pode falar sobre a água? Que ela é fundamental para a vida no
planeta Terra. O que teríamos sem ela? A ausência de vida. Podemos
confirmar isso ao ver as fotos das missões espaciais enviadas para Lua
ou Marte. Essas fotos mostram um solo sem vida e com uma aparência
muito semelhante ao que encontramos nas regiões desérticas da Terra,
onde a água é escassa e difícil de encontrar, o que limita a existência de
vida. Esses ambientes extraterrenos não aparentam ter água ou vida.
Atenção!
A água compõe cerca de 70% de nosso corpo e é fundamental para a
nossa sobrevivência, assim como dos animais e das plantas. A ciência a
considera a origem da vida na Terra. Nós a conhecemos e dependemos
dela desde que nascemos. A água está presente, direta ou
indiretamente, em uma infinidade de atividades que fazemos, nos
recursos que utilizamos, ou ainda nos ambientes que frequentamos no
nosso dia a dia.
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Por exemplo, o planeta Terra contém cerca de 1,4 bilhões de km3 de
água (PINTO-COELHO; HAVENS, 2016, p. 144) espalhados por toda a
sua superfície de forma desigual. Cerca de dois terços de sua superfície
são cobertos por ela. Não é por outro motivo que os astronautas dizem
que, vista do espaço, a Terra é azul!
Planeta água
Todo esse volume hídrico está distribuído de forma bastante variada
pela superfície terrestre. Entre oceanos, florestas e desertos, há uma
enorme variedade de concentrações de umidade no solo e no ar.
Há reservatórios naturais de água localizados sobre a superfície – rios,
lagos, geleiras, oceanos etc. – e também reservatórios subterrâneos –
aquíferos, lençóis de água etc. Além desses lugares, há reservatórios e
cursos de água de origem antrópica, construídos acima ou abaixo da
superfície, como canais, barragens, aquedutos, açudes, cisternas etc.
Localização de cidades
junto à água
A opção pela localização das cidades próxima a mananciais de água
tem sido uma tendência dominante da humanidade há milênios. A
história nos ensina que os primeiros agrupamentos humanos, assim
como as cidades que os sucederam, localizavam-se junto a fontes de
água doce, como poços, rios, lagos etc. Certamente, essa foi uma opção
lógica, pois a proximidade de mananciais de água permitiu a esses
primeiros humanos, por exemplo:
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Beber, cozinhar, lavar, limpar e
realizar demais tarefas do dia a
dia
Criar animais para consumo,
lazer, transporte etc
Plantar grãos, frutas e
hortaliças
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Pescar peixes e buscar
crustáceos
Caçar animais que venham se
hidratar nesses mananciais
Navegar até outras cidades ou
áreas de caça, ente outros
Se pesquisarmos onde estão localizadas as cidades antigas que ainda
existem, ou as ruinas e outros resquícios de cidades que já existiram,
veremos que a maioria delas está próxima a mananciais ou até sobre
fontes de água, ao ar livre ou subterrâneos. Ainda assim, essa
proximidade não resolvia o problema do suprimento de água
definitivamente.
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O crescimento populacional das cidades sempre se
relevou como um desafio para os administradores
urbanos, pois levava à saturação dos sistemas de
distribuição de água e das redes de esgoto já em uso.
Isso motivava a busca por mananciais alternativos,
normalmente mais distantes.
Com isso, tornou-se necessário construir sistemas de transporte de
longa distância para a água, assim como para o seu armazenamento.
Esses sistemas incluíam canais, calhas, aquedutos, barris e qualquer
outro meio disponível para viabilizar esse carregamento, além de
gigantescas cisternas para seu armazenamento.
Vejamos três exemplos:
Água Alexandrina, aqueduto romano localizado na cidade de Roma, Itália.
Roma (Itália)
Está localizada em uma região com poucas fontes de água.
Para suprir a demanda de uma população em constante
crescimento, o Império Romano construiu grandes aquedutos,
que traziam água para abastecê-la por dezenas de quilômetros.
Isso há cerca de dois mil anos.
Canal Saint-Martin, Paris, França.
Paris (França)
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Para sanar um problema já crônico de falta de água, foram
construídos canais de abastecimento no início do século XIX,
durante o período napoleônico.
Aqueduto da Lapa (RJ) hoje.
Rio de Janeiro (Brasil)
Durante o século XVII (período colonial), Portugal construiu um
aqueduto para trazer água para a população do Rio de Janeiro.
Trata-se do atual Aqueduto da Lapa, popularmente conhecido
como Arcos da Lapa.
Note que, ainda hoje, a disponibilidade de água para o consumo é um
dos principais fatores que usamos para selecionar locais para
localização de cidades ou mesmo da nossa própria moradia. O
crescimento das populações continua a pressionar as administrações
públicas a promoverinvestimentos nas redes de captação de água, na
criação de reservatórios etc.
Circulação da água pelo
planeta
A água está sempre circulando pelo planeta. Na atmosfera, ela segue os
ventos, na forma de nuvens (umidade). Nos oceanos, ela é
movimentada pelas correntes marítimas. Nos continentes, o transporte
ocorre através dos rios, canais e outros cursos de água. Inúmeros
fatores podem afetar essa movimentação, tais como as variações
climáticas, o relevo, a ação humana – barragens, canais etc. –, entre
outros.
No caso do relevo, por exemplo, os acidentes geográficos que o
compõem – sejam eles naturais, como serras, montanhas e mares, ou
artificiais, como prédios, estradas e pontes –, condicionam ou
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direcionam a circulação de água tanto através do fluxo das diversas
correntes de ar quanto pelo solo, seguindo os acidentes geográficos que
condicionam o caminho da água.
Mesmo a água lançada sobre o solo e absorvida por ele pode circular
por entre as rochas, chegando até concentrações de água que estão
represadas na área ou mesmo seguindo por rios subterrâneos por
longas distâncias. Um exemplo desse represamento e dessa
movimentação é o Aquífero Guarani – uma grande reserva de água
presente no subsolo de vários países da América Latina, incluindo o
Brasil.
Aquífero Guarani.
É importante observar que a circulação de água pode ser aproveitada
para fins diversos, como a geração de energia hidrelétrica, o
abastecimento de reservatórios de água para consumo ou a irrigação de
projetos agrícolas.
Mas a água também pode estar “parada” ou mesmo congelada na
natureza. Por exemplo, as chuvas, as enchentes ou as marés podem
levar à concentração de água em determinadas áreas onde a disposição
e a estrutura do solo inviabilizam o seu escoamento pela superfície ou
subsolo. Com isso, ela ficará retida, certo? Na verdade, ela estará
“escoando” lentamente, graças à evaporação, e transformando-se em
umidade. Esse efeito de evaporação ocorre naturalmente e afeta
reservatórios de água naturais ou antrópicos.
O mesmo ocorre com as calotas polares, presentes nos polos da Terra,
ou nas geleiras que se formam no topo de montanhas muito altas, como
nos Alpes na Europa. Elas estão em movimento constante e muito lento,
salvo se ocorrer alguma avalanche.
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Geleiras.
Poluição das águas
Tanto a natureza quanto as pessoas têm lançado agentes poluentes
diretamente em rios, lagos, mares, entre outros. Mas essas águas
também recebem agentes que são lançados no ar ou na terra e que
chegam até ela por efeitos das chuvas e dos ventos.
Quando pensamos, então, em poluição hídrica ou da água, precisamos
considerar os vários tipos de agentes que chegam até ela, assim como
os diversos modos como podem afetar a vida nas águas e, por
consequência, a nós mesmos.
Entendendo a poluição
hídrica
A Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento e Meio
Ambiente Humano, ou Conferência de Estocolmo, ocorrida nessa cidade
da Suécia em 1972, debateu vários aspectos sobre os efeitos da
poluição. Nesse contexto, inclui-se o debate sobre os efeitos da
poluição ambiental na qualidade da água em todo o planeta. Também
foram debatidas as origens e os efeitos dessa queda de qualidade em
ambientes aquáticos de qualquer tipo ou tamanho. Foi apresentado que
a poluição hídrica atingiu níveis alarmantes em várias partes do planeta.
Note que tal poluição deve ser entendida como
qualquer degradação do meio ambiente aquático
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causada pelo lançamento de efluentes (resíduos) de
sistemas de produção industrial, de organizações de
serviços ou da própria população.Os efeitos dos
efluentes sobre os ambientes aquáticos se somam aos
causados pelo lixo e rejeitos lançados
indiscriminadamente nesses ambientes.
Deve-se compreender ambiente aquático como qualquer tipo de reserva
de água, incluindo poços, riachos, rios, lagos, lagoas, canais, lençóis de
água, aquíferos, mares ou oceanos.
Acúmulo de lixo nas águas
Fontes de poluição hídrica
Os efluentes industriais são originados pelos processos de produção
fabris, compreendendo desde as etapas de transporte e recebimento de
insumos, até seu processamento e o envio dos produtos finais para os
clientes. Também estão incluídos os resíduos da limpeza, da
alimentação ou do consumo de materiais de escritório, entre outros,
gerados nos ambientes de produção e administração dessa organização
industrial.
Saiba mais
Claro que esses efluentes variam conforme o porte da organização ou o
tipo de sistema de produção. Eles podem incluir, por exemplo, metais
pesados, derivados de petróleo, produtos químicos tóxicos, materiais
particulados, combustíveis usados, detergentes e outros tantos
elementos que resultam das etapas de produção de produtos ou
serviços. Isso quer dizer que pessoas e animais que venham a consumir
água, peixes, crustáceos e outros alimentos originários de um ambiente
poluído podem ter sérios problemas de saúde.
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Observe que as concentrações de fábricas em zonas industriais reúnem
uma ampla variedade de efluentes, que podem se combinar, formando
produtos químicos diferentes e agravando o seu efeito sobre a biota
aquática.
As organizações comerciais, de transportes ou de serviços, entre outras,
também são geradoras de efluentes que agridem o meio ambiente
aquático. Por exemplo:
Navios que lavam seus compartimentos de carga próximo aos
portos onde estão atracados. Com destaque para os navios que
despejam restos de petróleo nesse processo de lavagem.
Organizações comerciais e de serviços que descartam, na rede
de esgoto, produtos de limpeza, beleza, tinturas, óleos, restos de
comida e outros poluentes que não são biodegradáveis.
Por fim, a população emite efluentes durante as ações do dia a dia, que
incluem o descarte de lixo, de rejeitos e esgoto doméstico. Vejamos
alguns exemplos desses efluentes:
 Biológicos
R t d id d j t d b d
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Na imagem, observe a variedade de descartes lançados nas águas.
Água poluída por diversos tipos de efluentes e descartes.
Combate à poluição hídrica
Na época da Convenção de Estocolmo (1972), muitas organizações não
se preocupavam com o tratamento de seus resíduos antes de seu
descarte nos ambientes aquáticos, de forma a preservar a qualidade da
água. Por outro lado, havia uma carência de legislações e
regulamentações que as obrigassem a fazer esse tipo de tratamento.
No entanto, já havia Organizações Não Governamentais (ONGs) e
Restos de comida, dejetos e adubos usados em
jardins ou plantações.
 Químicos
Detergentes, amaciantes, sabões e outros produtos
não biodegradáveis lançados nos ambientes
aquáticos.
 Físicos
Sacos, tecidos (poliéster), garrafas PET e outros
objetos de plástico lançados na água etc.
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cientistas preocupados com o tema, e que usaram estudos sobre o
assunto para motivar a ONU a realizar esse congresso.
Com o alerta global, algumas consequências foram:
Cobranças
Após o alerta global
lançado na época,
começaram a surgir
cobranças da
sociedade, dos
cientistas e dos
ativistas do meio
ambiente por ações das
organizações que
tratassem seus
efluentes. Da mesma
forma, as autoridades
passaram a estabelecer
obrigações e limites de
emissões de fluentes
através da publicação
de novas legislações e
regulamentações.
CampanhasLogo, surgiram
campanhas
internacionais contra as
organizações
poluidoras, com a
divulgação de
documentos e
filmagens mostrando
como elas poluíam os
ambientes aquáticos.
Ao constatar os danos à
imagem e às suas
vendas, muitas
organizações
começaram a divulgar
ações que reduziam
essas emissões e
mitigavam os seus
efeitos.
Hoje, há muitas legislações e regulamentações no Brasil e no mundo
que definem a forma como os efluentes da produção industrial devem
ser tratados antes de chegarem ao meio ambiente. Também há
definições para as organizações de serviços e comerciais.
A população passou a se preocupar com o tema, dando preferência a
produtos biodegradáveis ou se preocupando com o destino de seu lixo.
Infelizmente, ainda há organizações e pessoas que liberam efluentes
sem tratamento, lixo e outros materiais nos rios ou córregos que cortam
as cidades. É fácil ver garrafas, embalagens e outros objetos lançados
neles, assim como diferentes colorações na água, revelando a presença
de diferentes tipos de esgoto doméstico ou industrial.

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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
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Questão 1
A água está armazenada de diversas formas na natureza. Uma
dessas formas são os aquíferos, que podemos definir como:
Parabéns! A alternativa D está correta.
Um aquífero é uma formação geológica que retém água por causas
naturais, criando um grande reservatório subterrâneo. Trata-se de
uma reserva de água importante para o planeta e da qual muitas
comunidades extraem a água que consomem.
Questão 2
Podemos afirmar que os chamados efluentes produzidos pelas
indústrias são:
A Reservatório natural ao ar livre
B Reserva de água de origem antrópica
C Tipo de rio grande e caudaloso
D Reservatório natural subterrâneo
E Piscina natural de água quente
A Produtos finais enviados para o mercado
B Pessoas que fazem a limpeza da fábrica
C Resíduos dos processos de produção
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Parabéns! A alternativa C está correta.
Os efluentes industriais são resíduos dos processos de produção
fabris, incluindo elementos particulados, produtos químicos,
material de limpeza etc.
2 - Indicadores de qualidade da água
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer os principais
indicadores de qualidade da água.
Vamos começar!
A importância da
preservação da qualidade
D Resíduos domésticos das residências
E Investimentos na produção de água

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da água
Neste vídeo, o especialista fala sobre os principais indicadores de
qualidade da água.
Ameaças à qualidade da
água
Você já percebeu quanta água é usada no dia a dia de uma residência só
para beber ou cozinhar? E para lavar roupa ou tomar banho? Toda essa
água acaba sendo descartada, após usada, cheia de resíduos
resultantes dos hábitos e das atividades pessoais e profissionais
realizadas pelas pessoas que habitam essa residência.
O problema é que esses descartes podem prejudicar a qualidade da
água do ambiente onde foi lançado.
Efeitos da poluição das
águas
O esgoto doméstico é composto por efluentes (resíduos), compostos
por restos de comida, óleos de cozinha queimados, sabões, tinturas,
dejetos, detergentes, elementos particulados e uma série de outros
resíduos de químicos, físicos e biológicos que seguem com a água já
usada e que está sendo descartada pelo sistema de esgoto que atende
à sua casa, seja ele privado ou municipal.
A Resolução Conama n. 430, de 13 de maio de 2011, esclarece que:
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Art 3º Os efluentes de qualquer
fonte poluidora somente poderão
ser lançados diretamente nos
corpos receptores após o devido
tratamento e desde que obedeçam
às condições, padrões e exigências
dispostos nesta Resolução e em
outras normas aplicáveis.
(Brasil, 2011)
Infelizmente, apesar de regulamentações como a apresentada, efluentes
continuam a alcançar diariamente os ambientes aquáticos sem
qualquer tratamento. Esses efluentes alteram o meio ambiente das
águas, causando a poluição hídrica, entenda:
Mudanças nas
características da
água
Tais efluentes são
capazes de alterar
características da água,
como a sua
temperatura, densidade,
oxigenação, salinidade,
acidez, limpidez etc.
Isso causa efeitos
negativos para a biota
nativa, assim como para
as pessoas que venham
a beber ou se banhar
nessas águas.
Degradação do
meio ambiente
Outros elementos
lançados nesses
ambientes e que
também causam efeitos
negativos nos
ambientes aquáticos
são o lixo doméstico e
outros rejeitos, que
liberam agentes
poluentes que também
degradam esse meio
ambiente.
O lixo e os rejeitos incluem restos de comida, dejetos, sacos plásticos,
garrafas PET, tecidos sintéticos – nylon, poliéster, borracha galvanizada
etc. –, papéis, entulho de obras, móveis e quaisquer outros resíduos
químicos, físicos ou biológicos descartados nesses ambientes.

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Lixo jogado em um terreno
A geração diária de todos esses efluentes é normal e faz parte dos
hábitos das famílias. Mas esses resíduos, ao serem lançados nos rios,
causarão algum efeito sobre o ambiente aquático, alterando a situação
ou até eliminando a biota que estiver em seu caminho. Por exemplo:
Sacos plásticos podem ser engolidos por peixes, causando o seu
sufocamento.
Microplásticos provenientes de tecidos compostos por fibras
sintéticas podem ser engolidos por peixes e tartarugas, matando-
os, além de serem transmitidos para nós ao comê-los.
O excesso de poluentes pode reduzir o oxigênio da água,
provocando a mortandade da biota.
Resíduos químicos, físicos ou biológicos podem destruir algas,
plâncton e outros organismos aquáticos que servem de alimento
para a vida aquática ou geram o oxigênio que respiramos.
Alguns tipos de efluentes poderão causar um efeito diverso, que é o
crescimento exagerado de plantas e algas, por exemplo, a eutrofização.
Esse efeito será estudado mais adiante.
Observe que a água poluída pode se propagar para
outras áreas distantes, seguindo o curso das águas,
espalhando e aumentando os danos à biota. Se
observarmos rios ou canais onde esgotos são
lançados sem tratamento, veremos que há pouca ou
nenhuma vida aparente neles.
As cidades devem oferecer meios de coleta de lixo e rejeitos, utilizando
o recolhimento domiciliar e a limpeza das ruas, ou ainda alocando
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caçambas públicas próprias para esse descarte. Existem legislações e
regulamentações que definem isso.
Ainda assim, podem ocorrer problemas. Por exemplo: uma chuva mais
intensa pode provocar uma enchente que carregue o lixo – esteja ele em
caçambas ou pelas ruas – para o rio mais próximo e, dali, para o mar.
Dessa forma, lá estará o lixo sujando praias para onde a correnteza do
mar o levou.
Poluição industrial
O lançamento de efluentes industriais nasceu com as primeiras fábricas,
há milênios. No entanto, como essas fábricas eram pequenas e
espalhadas, os danos para a biota eram limitados.
Com a Revolução Industrial, a operação das novas fábricas apresentava
novos requisitos, como a proximidade de vias de acesso, de fontes de
energia, de serviços de transporte de cargas e de mananciais de água,
entre outros. Por outro lado, a sua operação gerava problemas, como
fumaça, barulho, sujeirae movimentação de cargas e pessoas. Com
isso, as autoridades começaram a designar zonas industriais para a
concentração desses empreendimentos. Ficava mais fácil de planejar a
infraestrutura e ainda concentrava os problemas em um só lugar,
permitindo a aplicação de soluções coletivas.
Efluentes industriais podem causar danos ambientais.
Essa concentração trouxe impactos positivos e negativos para a
produção industrial, aos negócios e à vida nas cidades, incluindo a
possibilidade de formar centros de treinamento de mão de obra ou de
logística, mas impactou negativamente o meio ambiente. Em nosso
contexto, a poluição dos ambientes aquáticos atingidos pelos efluentes
industriais causou vários danos ambientais por décadas.
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Houve um crescimento inédito e acelerado do volume e da variedade de
agentes poluentes lançados na natureza. Isso ocorreu porque esses
sistemas usavam (e ainda usam) a água em várias de suas etapas de
produção, tanto na composição dos produtos quanto na limpeza ou no
resfriamento de máquinas. Essa água seguia para as redes de esgoto ou
era lançada diretamente em rios, por exemplo, causando prejuízos à
biota e às pessoas que usavam aquela água sem se darem conta dos
riscos de seu uso.
Atenção!
Vale lembrar que a poluição causada por efluentes industriais pode
causar danos muito mais graves do que os domésticos. Isso ocorre
porque a indústria utiliza, em seus processos de produção, muitos
materiais e substâncias químicas, físicas e biológicas que são tóxicas e
agressivas para nós e a biota.
Por outro lado, essas organizações têm sido obrigadas a tratar seus
efluentes antes que eles cheguem ao meio ambiente. Elas o fazem por
força de legislações, regulamentações, padrões normativos internos etc.
Esgoto industrial lançado sem tratamento nas águas.
Controle da qualidade da
água
Umas das perdas que tivemos com o processo de industrialização
envolve a qualidade da água, afetada por inúmeros efluentes lançados
nela ao longo dos séculos. Desse modo, é preciso sempre medir a
qualidade da água disponível para consumo, para identificar se ela se
apresenta em condições de ser prontamente consumida e, se não for
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este o caso, aplicar métodos para sua purificação, tornando-a própria
para o consumo.
Relação entre os seres
vivos e a água
O nosso planeta é habitado por quase 8 bilhões de pessoas, além de
uma infinidade de espécies de animais e plantas. Todas essas espécies
são dependentes da água de alguma forma.
Entenda como ocorreu o desenvolvimento dessas espécies:
Necessidade
A evolução natural
dessas espécies gerou
diferenças no que diz
respeito às proporções
de água que elas
precisam consumir.
Mas é fato que todas
essas espécies
necessitam ter acesso a
mananciais de água que
atendam às suas
necessidades
específicas. Focando na
água doce, ela
representa apenas
0,77% de toda a água do
planeta, e grande parte
dela encontra-se sob o
solo.
Acesso e
desenvolvimento
No entanto, essa água
doce está acessível a
toda forma de vida,
mesmo aquelas que
podem nos prejudicar.
Por exemplo: fungos,
bactérias, vírus,
protozoários e outros
microrganismos podem
causar doenças, como a
desinteria, a doenças de
chagas, a malária, entre
outras. São doenças
que se tornaram
conhecidas há milênios,
mas cuja cadeia de
transmissão só foi
realmente desvendada
nos últimos séculos.
Claro que os seres humanos começaram a perceber que águas com
determinados cheiros, gostos ou aparências lhes causavam doenças e
passaram a evitá-las. Mas muitos desses microrganismos são invisíveis
a olho nu. Uma água com aparência límpida, clara e sem cheiro pode
transmitir uma falsa impressão de segurança, de estar própria para ser
ingerida, mas está, sim, contaminada.

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Importância do controle de
qualidade da água
Desde a Revolução Industrial, o crescimento acelerado da
industrialização mundial também elevou o volume de lançamentos de
efluentes nas águas por parte da indústria e da população, agravando o
problema do consumo de água sem tratamento. Mas foi no século XX
que surgiu o debate sobre os efeitos que a má qualidade da água podia
trazer para as pessoas e para a biota. Muitos estudos técnicos e
acadêmicos foram desenvolvidos, vinculando as ocorrências de surtos
de várias doenças à falta de qualidade da água.
Saiba mais
Bittencourt e Paula (2014, p. 55) lembram de surtos de febre tifoide e
cólera que atingiram centros urbanos entre o fim do século XIX e o início
do século XX. As possíveis causas incluíam as condições precárias dos
sistemas de abastecimento de água potável e de redes de esgoto da
época, que eram insuficientes para atender o crescimento acelerado da
população das cidades atingidas. Com isso, a água que chegava para
consumo já estava contaminada com o esgoto doméstico.
Nos anos 1970, quando foi dado o alerta global sobre a poluição
ambiental, cresceu a preocupação com a qualidade da água. A mídia
mostrava reportagens sobre, por exemplo, rios cheios de lixo, espuma,
peixes mortos ou microrganismos que causavam doenças graves, e que
eram usados para abastecer diversas cidades. Outro exemplo de notícia
era a falta de água crônica em várias regiões pelo mundo – no campo
ou nas cidades – e que levavam as pessoas a consumirem água que
encontrassem, mesmo que de má qualidade.
Muitas cidades adotaram ou incrementaram Estações
de Tratamento de Água (ETA) e incentivaram a prática
de outros procedimentos de purificação da água, como
emprego do cloro, filtragem ou fervura da água antes
de seu consumo, por exemplo.
Também foram definidos padrões de qualidade da água, que
precisavam ser atendidos para que essa água fosse considerada própria
para o consumo – potável. Muitos desses padrões evoluíram e constam
hoje de legislação, regulamentações e normas técnicas em todo o
mundo.
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Foram ainda desenvolvidos testes de qualidade e análises que podiam
identificar os microrganismos e as substâncias que estavam ou não
presentes na água, permitindo classificá-la como própria ou imprópria
para o consumo.
Esgoto lançado sem tratamento nas águas.
Note que, mesmo antes desse alerta, os governos do Brasil e do mundo
já haviam publicado legislações e regulamentações estabelecendo
parâmetros para avaliar a qualidade da água. Estava, assim, definido o
padrão de qualidade a ser atendido pelas estações de tratamento de
água ou de esgoto que estavam em operação. Muitas organizações
industriais, por conta própria, já haviam estipulado critérios para o
lançamento de seus efluentes na natureza.
Meller e Oliveira (2017, p. 26) lembram que o assunto fez parte dos
debates da Convenção sobre o meio ambiente ocorrida no Rio de
Janeiro em 1992 – ECO-92. Entre as resoluções tomadas pelos líderes
mundiais ali reunidos, e que vieram formar o documento Agenda 21,
constavam diretrizes relacionadas a qualidade da água no planeta.
Pode-se destacar algumas diretrizes relacionadas a preservação da
qualidade da água firmadas nesse documento:
A preservação da qualidade da água nas bacias hidrográficas,
reservando os mananciais usados pela população e pela biota.
A universalização do saneamento básico, que estava pouco
desenvolvido em várias regiões do planeta.
A busca de alternativas ao emprego de agrotóxicos, fertilizantes e
outros recursos na agricultura, que chegavam às águas, alterando
esse ambiente.
A promoção da educação ambiental, chamando a atenção da
população sobre o trato correto da água no planeta, entre outros
aspectos.
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Como se pode observar, as diretrizes foram bem abrangentes e
acertaram em questões-chave para o combate à poluição hídrica. Muita
coisa evoluiu desde então, mas ainda há muito o que fazer. É importante
ressaltar que estudos recentes mostram que houve um crescimento da
extração de água de mananciais subterrâneos, ou seja, os mananciais a
céu aberto já não estão dando conta das necessidades da população
em determinadas áreas do planeta.
Felizmente, crescem iniciativas como as estações de dessalinização da
água, campanhas para economizar água e combate aos vazamentos de
tubulações de distribuição de águas. Além disso, também há o incentivo
ao emprego de água já usada (reuso) para atividades como limpeza de
ambientes externos, rega de jardins ou alimentação de chafarizes
usados para umidificar o ar em ambientes urbanos. Com tais iniciativas,
busca-se economizar a água tratada, direcionando-a para consumo
humano.
Potabilidade da água hoje
A disponibilidade de água própria para o consumo – ou seja, potável –
continua sendo um problema em inúmeras regiões do Brasil e do
mundo, incluindo regiões urbanas e muito populosas. Não é à toa que
eventualmente surgem reportagens, depoimentos e campanhas de
conscientização sobre os riscos de se beber água sem tratamento. Mas
ainda há um longo caminho pela frente.
Análise da água
A legislação e a regulamentação dos diversos países, incluindo o Brasil,
estabelecem parâmetros para a aprovação da potabilidade da água. Há
regulamentações emitidas pelo Ministério da Saúde do Brasil que
apresentam dezenas de quesitos a serem cumpridos para estabelecer a
potabilidade da água e aprová-la para consumo. Há, ainda, parâmetros
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usados para avaliar de mananciais até reservatórios de água para
consumo.
Claro que os governos buscam prover água potável para todos através
de seus sistemas de tratamento e distribuição de águas, ou até pela
distribuição direta da água. Esse tipo de ação faz parte de suas
responsabilidades legais. Mesmo residências que utilizam águas
extraídas de poços artesianos ou fontes naturais podem e devem
solicitar o teste a aprovação dessas origens, a fim de preservar a sua
saúde.
Poço artesiano
Ainda nos anos 1970, muitos grandes condomínios (verticais ou
horizontais) urbanos estavam surgindo no Brasil. Com isso, logo foi
estabelecida a obrigatoriedade da instalação de estações de tratamento
de efluentes particulares, assim como a obrigação de sua fiscalização
por parte de órgãos governamentais ligados ao saneamento urbano.
Essas miniestações de tratamento de esgoto filtram esses resíduos,
liberando no ambiente a água praticamente limpa. As autoridades
municipais também podem prover grandes estações de tratamento de
esgoto, capazes de tratar os detritos de diversas residências.
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
A poluição das águas passou dois séculos sendo percebida como o
preço do progresso. Essa aceitação passiva de um problema tão
grave mudou quando
A a poluição chegou aos aquiferos.
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Parabéns! A alternativa D está correta.
A poluição das águas foi uma das pautas da Conferência de
Estocolmo, em 1972, quando foi declarado o alerta global sobre os
riscos dessa poluição.
Questão 2
A água própria para ser ingerida pelos seres humanos, já que está
livre de contaminantes ou microrganismos, é a água
Parabéns! A alternativa C está correta.
B o preço da água subiu.
C as indústrias deram um basta.
D veio o alerta global dos anos 1970.
E a ONU alertou sobre isso em 1900.
A salgada.
B salobra.
C potável.
D doce.
E subterrânea.
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Trata-se da água potável, que passou por tratamentos para ficar
livre de contaminantes ou microrganismos.
3 - Autodepuração, eutro�zação e emissário
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer os fenômenos
de autodepuração e eutro�zação, bem como a importância do
emissário de esgoto.
Vamos começar!
Compreendendo os
fenômenos da
autodepuração e da
eutro�zação
Neste vídeo, o especialista fala sobre como reconhecer os fenômenos
de autodepuração e eutrofização, e a importância do emissário de
esgoto.

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Autodepuração
Dizem que a natureza é sabia, e talvez essa afirmativa se prove ao
considerarmos como ela trata a poluição hídrica. Ela possui
mecanismos que podem dispensar ou eliminar as contaminações
naturais e diversas antrópicas (ações feitas pelo homem). Muitas
tecnologias desenvolvidas pelo ser humano para tratar os efluentes
contam com essas funções da natureza.
Riscos de captar água onde
se lança o esgoto
A poluição hídrica causada pelo esgoto doméstico ocorre desde os
primeiros aglomerados humanos a milhares de anos. A história registra
preocupações de administradores municipais desde a Antiguidade
sobre a necessidade de se coletar o esgoto doméstico e escoá-lo para
fora das cidades.
Há inúmeras cidades fundadas há centenas ou milhares de anos onde
se pode observar evidências de sistemas de esgoto bastante
complexos. Inclusive existem diversos exemplos de sistemas de coleta
de esgoto milenares que continuam em operação ainda hoje.
Atenção!
A existência dessas redes de esgoto antigas demonstra a preocupação
dos nossos antepassados em dar um destino aos efluentes que
sujavam as cidades e prejudicavam a sua saúde. É importante lembrar
que, no esgoto, podem se proliferar diversos vetores, incluindo ratos e
pulgas que transmitem a peste bubônica, por exemplo.
No entanto, durante esse tempo, ainda vigorava a percepção equivocada
de que a água clara, límpida e sem cheiro estava boa para o consumo.
Com isso, ela continuava como um canal de disseminação de doenças.
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Hábitos como a fervura ou a filtragem foram surgindo e mitigando a
ocorrências dessas doenças.
Outro ponto a observar é a possibilidade de que as próprias famílias que
produziram esses agentes poluentes sejam afetadas por eles. Por
exemplo, isso ocorre se:
A água para o consumo for recolhida no mesmo lugar onde o
esgoto doméstico for lançado.
O esgoto doméstico contaminar o lençol de água que está
próximo ao solo (lençol freático), afetando poços ou córregos de
onde se coleta a água para o consumo.
Tanto os administradores municipais antigos quanto os atuais
perceberam a importância da coleta de água para o consumo em pontos
distantes dos pontos de despejo de esgoto, ainda respeitando o fluxo do
rio. Eles também perceberam que a população pode usar os rios que
passam pelas cidades para pescar, banhar-se ou lavar roupas. Assim, é
preciso projetar a instalação de pontos de água antes da cidade (a
montante) e os pontos de despejo para depois da cidade (a jusante).
Podem haver vários despejos de esgoto de cidades,
fazendas e moradias isoladas ao longo de um rio, ou
seja, podem ter ocorrido várias descargas de esgoto
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antes do ponto de coleta de determinada cidade.
Desse modo, a localização do ponto de despejo após o
ponto de coleta não vai impedir a coleta de água
contaminada pelos despejos anteriores.
Por essa razão, a água captada precisar ser sempretratada em
Estações de Tratamento de Água (ETA), ou ainda filtrada e fervida em
casa, antes de ser usada. O interessante é que essas estações realizam
funções inspiradas em mecanismos que a natureza utiliza a séculos
para tratar a poluição que causa. Trata-se da autodepuração.
Empresa Municipal de Saneamento Ambiental (EMASA), estação de tratamento de águas, Itabuna,
Brasil.
Por fim, vale lembrar que a própria natureza gera seus poluentes e que
eles circulam naturalmente pelos rios e demais cursos de água. Há
microrganismos e elementos particulados que estão em suspensão na
água e que precisam ser filtrados. Com isso, a água é purificada antes
de ser consumida.
Esse fato reforça a importância do emprego de Estações de Tratamento
de Água ou da prática de hábitos domésticos de purificação da água,
como a filtragem, a fervura de água antes do uso, além do emprego de
cápsulas de cloro em cisternas ou caixas de água.
Conceituando a
autodepuração
Já aprendemos que a natureza lança agentes poluentes na atmosfera,
no solo e nas águas, e que fenômenos como a chuva e o vento podem
levar esses agentes aéreos e terrestres para a água, agravando a
poluição hídrica que já estava estabelecida pelos poluentes lançados
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diretamente lá. Trata-se de um processo natural de formação da
poluição hídrica.
Mas a natureza tem mecanismos próprios para tratar a poluição que ela
mesma causa. Esses mecanismos permitem que os ambientes
aquáticos possam degradar ou dispersar esses poluentes,
reestabelecendo o equilíbrio ecológico desses ambientes, ou seja, o seu
estado anterior à chegada dos poluentes. Esse fenômeno é denominado
autodepuração (MELLER; OLIVEIRA, 2017, p. 135).
A autodepuração é fundamental para viabilizar a continuidade da vida
nos ambientes aquáticos. Mas é importante observar que ela tem
limites e que um maior volume de poluentes pode exigir um tempo
maior para ser degradado ou dispersado. Por outro lado, a natureza tem
recebido cargas crescentes e variadas de efluentes lançados pelas
pessoas e, sobretudo, pelas organizações.
Despejo de esgoto sem tratamento
Segundo Meller e Oliveira (2017, p. 135), há fatores químicos e físicos
que condicionam e viabilizam a ocorrência do fenômeno da
autodepuração. As três principais formas de autodepuração são a
dispersão do poluente no ambiente, a capacidade de reposição de
oxigênio na água (reaeração) e a sedimentação do poluente no
ambiente.
Para que essas soluções naturais funcionem, deve haver um equilíbrio
entre diversas dimensões físicas, tais como:
A vazão e a velocidade do fluxo da água.
A largura, a profundidade e a declividade do ambiente aquático.
A temperatura ambiente.
As características físicas do próprio poluente.
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Pelo lado da química, há dimensões que também precisam participar
desse equilíbrio, que são a acidez, a alcalinidade, a salinidade e as
caraterísticas químicas do poluente.
Eutro�zação
Você já deve ter visto rios ou lagos em que a camada superficial está
coberta por plantas aquáticas, como se fosse um tapete cobrindo a
água. Algumas dessas plantas são tão pequenas que essa camada, se a
água estiver totalmente sem movimento, forma uma espécie de tapete e
vai se misturar ao solo da área, parecendo parte dele.
Comentário
Você talvez até já tenha pisado sobre esse tipo de tapete, pensando que
estava andando sobre terra firme, e se molhou todo. Você também deve
ter reclamado da água turva, com aparência de suja, e do mal cheiro,
que deve ter ficado impregnado na usa roupa. Um verdadeiro desastre!
Imagine só se você estivesse de carro ou de moto e entrasse ali
pensando que era um bom lugar para estacionar? Seu veículo ficaria
alagado e cheirando mal.
A formação desse tapete verde, o mal cheiro que ele emana e a água
turva são os efeitos normais do fenômeno da eutrofização.
Lago coberto por plantas flutuantes.
Esse termo deriva de uma palavra grega que significa bem nutrido e que
resume bem a causa desses efeitos, ou seja, uma forte concentração de
nutrientes naquele trecho do rio ou lago onde o fenômeno ocorreu.
Esses nutrientes acumulados levam ao crescimento excessivo de
alguns tipos de algas ou plantas naquele ambiente aquático.
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Para que esse fenômeno ocorra, é preciso que a água esteja
praticamente parada, como ocorre em lagos, lagoas, represas, beiradas
de rios muito lentos, ou mesmo em águas de chuva que ficaram
empoçadas. O pouco ou nenhum movimento da água é uma condição
necessária para que esse fenômeno ocorra. Se houvesse um movimento
maior da água, os nutrientes seriam carregados pela correnteza para
outros lugares.
Tipos e efeitos da
eutro�zação
De onde vieram esses nutrientes? Existem dois conjuntos de origens
possíveis que levam à eutrofização (MELLER; OLIVEIRA, 2017, p. 120):
Natural
Resulta do acúmulo de
matéria orgânica gerada
naturalmente no
ambiente, ocasionando
essa produtividade
biológica, ou seja, o
crescimento excessivo
das plantas e algas.
Arti�cial
Os nutrientes têm
origem no descarte sem
tratamento de efluentes
de atividades agrícolas
(adubo) ou fabris, ou
ainda do esgoto
doméstico.
Observe que as duas origens podem atuar em conjunto para gerar esse
fenômeno. Um dos seus efeitos danosos para a biota é a redução do
oxigênio na água, devido ao crescimento excessivo de microrganismos.
Essa falta de oxigenação pode alterar a biodiversidade da área,
causando a mortandade de várias espécies de animais, com destaque
para os peixes, algas e plantas aquáticas.
É claro que, como já vimos, há espécies de microrganismos, algas e
plantas que se beneficiam desse acúmulo de nutrientes e crescem
excessivamente, gerando o fenômeno. Vejamos dois exemplos reais de
suas consequências:

Moradores do Rio de Janeiro reclamam do sabor da água 
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Nos últimos anos, durante o verão, a mídia tem noticiado
reclamações da população sobre o gosto e da aparência da água
distribuída pelo sistema de tratamento de águas do Guandu, que
abastece a cidade do Rio de Janeiro. Esses efeitos são causados
pelo crescimento excessivo de plantas aquáticas como as
Gigogas. Essa eutrofização é causada pelo lançamento de
matéria orgânica de várias cidades nos rios que trazem água
para o sistema Guandu.
Ainda no Rio de Janeiro, as lagoas do bairro da Barra da Tijuca,
que recebem uma grande quantidade de esgoto doméstico sem
tratamento, costumam ficar infestadas das Gigogas e de outras
plantas aquáticas. Elas ficam represadas, de forma a não atingir
o mar, sujando as praias da área.
Emissário de esgoto
Muitas vezes, o volume ou a natureza dos efluentes a serem lançados
no ambiente aquático podem exigir muito tempo para que a natureza
siga o seu curso normal e faça a sua depuração.
Uma solução já antiga, mas ainda muito eficaz para tratar os efluentes, é
lançá-los a uma boa distância de onde estão as pessoas e os pontos de
captação da água. Parece algo parecido com jogar o lixo naquele
terreno baldio em vez de esperar o seu recolhimento pela prefeitura, não
é? Mas aspectos como o volume de efluentes ou a sua natureza podem
superar a capacidade da natureza em tratá-los, deixando o ambiente
onde ocorreu o seu lançamento comprometido para uso das pessoas ou
da biota.
Lagoas sofrem com infestação de plantas aquáticas 
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Emissários de esgoto
O emprego do emissário de esgoto, que é uma rede de esgoto de longa
distância, permite que os efluentessejam lançados e tratados em algum
lugar mais seguro, longe das pessoas e da biota. Considere que, se os
aquedutos e canais trazem de longe a água para o tratamento visando
ao seu consumo pela população, o emissário leva para longe os
efluentes, deixando-os em um local mais adequado para a ação da
natureza.
A escolha do local precisa considerar, por exemplo, a possibilidade de
correntezas ou marés trazerem os efluentes de volta a sua origem,
causando os males que se procurou evitar com a construção do
emissário.
O local escolhido para o lançamento de efluentes pelo emissário deve
considerar as caraterísticas físicas e químicas do ambiente, permitindo
que a autodepuração possa agir e dispersar ou sedimentar os poluentes
contidos nos efluentes.
Esse recurso não substitui ou elimina a necessidade de
tratar o esgoto antes de seu lançamento nos
ambientes aquáticos. Ele deve, sim, ser tratado antes
de ser lançado na natureza através do emissário, de
forma a reduzir a dependência da capacidade da
autodepuração.
Note que pode haver poluentes que levarão anos ou décadas para
serem depurados naturalmente. Desse modo, é importante identificá-los
e tratá-los previamente, de forma a acelerar o processo. É por isso que a
indústria trata vários efluentes que emanam de suas linhas de produção
e que são mais difíceis de serem tratados pela natureza.
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Praia de Ipanema (Rio de Janeiro, Brasil) limpa, sem resíduos de esgoto.
Emissário submarino
Os emissários submarinos são bons exemplos desse tipo de tecnologia.
Existem vários no Brasil e no mundo. Dois exemplos no Brasil são o
emissário de Ipanema, no Rio de janeiro, e o emissário de Santos, em
São Paulo.
Trata-se do envio para o mar de esgoto doméstico tratado em uma
estão de tratamento de esgoto e que será lançado após o ponto onde se
formam as ondas, já no mar aberto. Essa tecnologia utiliza a
autodepuração dos mares, que é muito forte, para dispersar ou
sedimentar esses resíduos.
Atenção!
O emissário emprega um sistema de tubulações que recebem esgoto
doméstico proveniente de estações de tratamento a ele conectadas.
Elas recebem esses resíduos das redes municipais de esgoto
doméstico.
Essa solução não se propõe a enviar esgoto industrial, que deve ser
tratado na própria indústria. O despejo que ela fizer na rede de esgotos
terá uma concentração de elementos muito baixa. Importante observar
que o ponto de desague do emissário deve estar fora da ação de
correntezas que possam trazer esses resíduos de volta para a cidade,
atingindo as praias, por exemplo.
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
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A natureza emite poluentes que contaminam rios, lagos e mares
desde muito antes dos seres humanos andarem pela Terra. Mas,
felizmente, ela criou meios naturais que degradam ou dispersam
essas contaminações. A esse fenômeno atribui-se o nome de
Parabéns! A alternativa C está correta.
Como o nome sugere, mecanismos naturais presentes nos
ambientes aquáticos promovem a degradação ou dispersão desses
poluentes, reestabelecendo o equilíbrio ecológico.
Questão 2
A concentração de efluentes de origem orgânica nos rios, lagos e
lagoas com água parada ou muito lentas pode levar a ocorrência da
eutrofização, ou seja, o acumulo na superfície da água de
A autodegradação.
B purificação.
C autodepuração.
D tropopausa.
E emissário.
A dejetos.
B efluentes.
C peixes mortos.
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Parabéns! A alternativa D está correta.
Ocorre o acúmulo de plantas aquáticas ou de algas. Elas crescem
exageradamente devido aos nutrientes liberados por esses
efluentes orgânicos.
4 - Modelagem como prognóstico na poluição
hídrica
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer modelos para
composição de prognósticos sobre a poluição hídrica.
Vamos começar!
D plantas aquáticas.
E plâncton.

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A importância dos modelos
de prognóstico no estudo
da poluição hídrica
Neste vídeo, o especialista fala sobre como reconhecer os modelos para
composição de prognósticos sobre a poluição hídrica.
Métodos de tratamento da
poluição hídrica
Considerando a dependência que temos da água, a sua escassez, o seu
excesso ou a queda da sua qualidade podem causar graves problemas
de saúde e perdas financeiras devido aos seus efeitos nos negócios e
nas condições de vida. Por outro lado, as diversas propriedades das
águas na natureza nos ajudam a controlar ou mitigar os efeitos dos
efluentes lançados nos ambientes aquáticos.
É importante, assim, estudar essas propriedades e seus efeitos sobre a
poluição, utilizando modelos e sistemas desenvolvidos especificamente
para isso.
Reservas de água do
planeta
Se analisarmos as reservas de água do planeta apenas pelo seu volume,
concluiremos que ela é superabundante no planeta e que pode atender a
todos os seres humanos e à biota sem dificuldade e com fartura. No
entanto, infelizmente, quase todo esse volume de água é impróprio para
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o consumo humano ou da biota, ao menos sem um tratamento prévio
que o viabilize para esse fim.
Atenção!
Acontece que pouco mais de 97% da água da Terra encontra-se nos
mares e nos oceanos, ou seja, é água salgada. Essa denominação se
deve ao fato de ela conter uma forte concentração de sais minerais,
com destaque para o cloreto de sódio (sal de cozinha), além de uma
infinidade de elementos particulados, microalgas etc. Seu consumo não
elimina a sede e pode causar doenças, como a desidratação, devido ao
excesso de sal no organismo.
Vale observar que os oceanos recebem inúmeros lançamentos de
efluentes diariamente e de uma infinidade de fontes. São poluentes de
origem antrópica ou natural, ou ainda lixo e rejeitos de todo o tipo. Eles
podem vir dos continentes, navios e até do espaço. Felizmente, o seu
volume imenso, sua salinidade e as correntezas atuam de forma a
acelerar a sedimentação ou a dispersão desses elementos.
Proporção entre as águas doce e salgada no planeta.
A água doce que consumimos vem dos rios, dos lagos, dos aquíferos e
das geleiras (após derretimento). Note que os rios, lagos e aquíferos
podem oferecer, no máximo, 0,77% da água doce do mundo, como está
demonstrado na imagem a seguir.
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Distribuição da água doce por tipo de manancial.
Vale observar que o fato de a água ser doce não significa que ela é
própria para o consumo. Ela pode conter diversos poluentes de origem
natural ou antrópica, além de vírus, bactérias, protozoários e outros
microrganismos que podem nos causar doenças bem sérias. Daí a
necessidade de se fazer um tratamento prévio antes de consumi-la.
Minimamente, ela deve ser filtrada ou fervida.
Tratamentos de poluentes
da água
A água é de extrema importância para nós, de modo que fazemos uso
dela em diversas atividades do dia a dia. Por exemplo:
Ela é necessária para matar a nossa sede, realizarmos a nossa
higiene pessoal, limparmos os ambientes que frequentamos,
lavarmos as nossas roupas, cozinhar etc.
A indústria de bebidas precisa dela não só para produzir seus
produtos, como para limpar constantemente suas máquinas e os
ambientes de produção.
Muitos sistemas de produção de bens são muito dependentes da
água,pois a utilizam para pintar, cortar, limpar, resfriar ou compor
inúmeros produtos.
As empresas de serviços e de comércio as utilizam de diversas
formas, viabilizando os seus negócios.
Hidrelétricas mantêm grandes reservatórios de água, de forma a
estabilizar o fluxo de água que passa pelas suas turbinas, gerando a
energia que consumimos.
As prefeituras usam a água para limpar as ruas, melhorar a
umidade do ambiente urbano através de chafarizes e ainda para
realizar a limpeza, manter a higiene, fazer refeições, saciar a sede
de seus funcionários, de crianças em escolas etc.
Todas essas atividades também geram diversos tipos de efluentes
domésticos e industriais, que poderão ser lançados nos córregos, rios e
outros cursos de águas após usados. Claro que eles deveriam ter
passado por estações ou processos de tratamento de esgoto antes de
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chegarem a essas águas. Há, inclusive, legislações e regulamentações
que obrigam a realização desse tratamento.
Como ocorrem esses tratamentos e como utilizá-los? Eles foram
inspirados na natureza. Há séculos que a sua observação tem nos
ensinado como tratar os poluentes.
Estações de tratamento de esgoto.
Meller e Stein (2017, p. 55) destacam a influência que as propriedades
físicas, químicas, bioquímicas e biológicas do ambiente aquático
possuem sobre os efluentes:
Tipo Mecanismo
Físico
Temperatura, sedimentação,
decantação, diluição, iluminação, força
da gravidade etc.
Bioquímico
Autodepuração, reaeração,
decomposição etc.
Químico
Reações químicas causadas pela
acidez, temperatura etc.
Biológico
Concentrações de microrganismos,
algas, plâncton etc.
Tabela: Mecanismos naturais que afetam os poluentes.
Adaptado de Meller & Stein (2017, p. 57).
Elas representam métodos desenvolvidos pela natureza para tratar as
emissões de poluentes que ela mesma tem produzido por bilhões de
anos. A humanidade tem estudado esses métodos e outros métodos
naturais de purificação das águas, visando adaptá-los para o tratamento
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tanto nas águas que consumimos quanto na que descartamos no
ambiente.
Note que várias dessas propriedades são usadas nas estações de
tratamento de esgoto, tais como a decantação ou a diluição, por
exemplo. Essas propriedades podem levar à mitigação dos efeitos de
grandes concentrações de poluentes, mesmo que leve algum tempo.
Efeitos do clima sobre a
poluição hídrica
Vimos que uma das propriedades usadas pela natureza para purificar a
água é a temperatura. Ela afeta as ligações químicas ou a ação de
microrganismos que consomem poluentes, por exemplo.
A temperatura também apresenta problemas para o
tratamento dos poluentes, que vêm se agravando ao
longo dos últimos anos devido ao aquecimento global.
Acontece que esse aquecimento afeta a circulação das
massas de ar pela atmosfera, assim como as variações
temperatura e a umidade do ar junto a superfície, por
exemplo.
A conjunção desses e de outros fenômenos, associadas às ações
humanas, como o desmatamento, têm provocado mudanças na
temperatura média, na distribuição da umidade e das chuvas em várias
partes do planeta, incluindo no Brasil.
Crise hídrica.
Secas intensas, grandes incêndios florestais, queda na produção
agrícola devido ao calor, ou mesmo a escassez de água que levou, por
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exemplo, à redução dos níveis dos reservatórios de água no Brasil ao
longo dos últimos anos e os efeitos dessas mudanças são visíveis. O
conjunto desses efeitos tem sido chamado de crise hídrica.
Note que essa crise afeta a forma como nós e a natureza tratamos os
efluentes lançados nas águas. Em muitos ambientes, há menos água
disponível para fazer o transporte e a dispersão de efluentes lançados
em rios e outros cursos de água, por exemplo. Também há um incentivo
para a produção exagerada de plantas flutuantes (eutrofização).
Modelos para o prognóstico
da poluição hídrica
Vivemos, hoje, a quarta revolução industrial, ou seja, a Indústria 4.0.
Essa nova era da industrialização mundial é caracterizada pelo emprego
de um amplo conjunto de tecnologias, como a internet, a Inteligência
Artificial, o Data Analisys (análise de dados), entre outras. Há uma
grande facilidade de se obter dados de fontes diferentes e cruzá-las de
forma a montar, por exemplo, prognósticos sobre os resultados do
futebol, das eleições, do clima e, é claro da evolução da poluição
ambiental.
Essas tecnologias envolvem a criação de modelos matemáticos e
computacionais complexos que permitem rastrear, identificar, avaliar e
monitorar diversos tipos de poluição.
Importância do controle da
poluição hídrica
Você já deve ter percebido que a poluição hídrica representa,
efetivamente, tanto um problema de saneamento básico quanto de
saúde pública. Entenda a seguir:
Saneamento básico
O avanço da poluição hídrica revela que os planejamentos de
abastecimento de água, de tratamento de resíduos ou de
descarte de esgoto podem estar desatualizados ou falhos,
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expondo a população aos riscos do contato ou ingestão de águas
de má qualidade.
Saúde pública
A eventual busca crescente pelo atendimento da rede hospitalar
para tratamento de doenças derivadas da ingestão ou contato
com água de má qualidade, além de confirmar a deficiência de
saneamento apontada, expõe os pacientes aos riscos dessas
doenças e exige o empenho de recursos para o seu tratamento,
reduzindo a sua disponibilidade para o tratamento de outras
doenças.
Por esses e outros motivos, estudos que identifiquem as origens, as
causas, dos facilitadores, da expansão geográfica ou ainda das
populações afetadas, entre outros aspectos, podem ser vitais para que
os planejadores urbanos e dos sistemas de saneamento busquem
soluções que mitiguem o problema, reduzindo a exposição da
população a essas doenças.
Hoje em dia, com a disponibilidade de dados, conhecimentos,
tecnologias, sistemas de monitoramento das águas e modelos
matemáticos de prognóstico, torna-se possível identificar e tratar
preventivamente as fontes de riscos de emissão de poluentes sem
tratamento, ou ainda os fatores que facilitam sua expansão e a
contaminação da população.
Emprego de modelagem no
estudo da poluição
Há muito tempo que modelos matemáticos são usados pela ciência
para analisar os eventos reais e prever as suas possíveis evoluções, ou
seja, os possíveis cenários futuros que poderão ocorrer se uma ou outra
ação for tomada, por exemplo.
A tecnologia da informação facilitou muito esses processos, permitindo
a criação de aplicações especializadas na composição de modelos
matemáticos complexos e representações de cenários possíveis.
Atenção!
Certamente, você já viu os resultados produzidos por modelos
matemáticos ao ver, no noticiário, as previsões sobre o clima, sobre o
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time que vencerá o campeonato de futebol, o cálculo do prêmio de
seguro do seu carro, os efeitos sobre os passageiros de um acidente
automobilístico etc. No combate à poluição da água, esses modelos são
usados para prever, por exemplo, como os efluentes serão
transportados pelos riachos, rios e outros curso de água, ou ainda como
vão se difundir nesses ambientes ou no mar (MOREIRA et al., 2008).
Para isso, o modelo pode receber dados muito variados sobre o
poluente ou o ambiente aquático onde foi lançado. Por exemplo: largura
do rio, volume de água e sua vazão, temperaturas (do ar e da água),
umidade do ar, declives, velocidade vento, acidez, salinidade,presença
de outros poluentes etc.
A variedade de dados necessários para o cálculo do
modelo dependerá das hipóteses que se pretende
testar. Poderão ser usados dados atuais ou históricos,
ou até estimativas. Tudo dependerá do que se pretende
testar com o modelo.
Observe que esses modelos são desenhados para testar várias
combinações de hipóteses e dados reais, por exemplo. Assim, pode-se
criar uma infinidade de cenários possíveis, a fim de se escolher aquele
mais provável.
Modelagem matemática
Prognósticos sobre a
poluição hídrica
A definição do modelo começa com a definição das hipóteses que se
quer testar, visando estabelecer um prognóstico:
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Prognóstico é uma previsão
baseada em fatos ou dados reais e
atuais, que pode indicar o provável
estágio futuro de um processo. Em
suma, o prognóstico é todo o
resultado que é tido como uma
hipótese ou probabilidade, ou seja,
algo que pode acontecer devido as
circunstâncias observadas no
presente.
(LEI nº 1.006/2021)
Para compreender como um prognóstico pode ser usado, vejamos um
exemplo bem comum, a seguir, relacionado à previsão do tempo.
Você está assistindo ao noticiário da manhã e vê uma previsão do
tempo que anuncia uma tempestade para o final do dia, apesar do
tempo bom lá fora. A reportagem termina recomendando levar um
guarda-chuva se for sair. Mas você acha que estão exagerando, decide
sair sem ele, pois não acredita que vai chover. À noite, você chega em
casa todo molhado pela chuvarada que está caindo, olha o guarda-
chuva e pensa: “me dei mal!”
Dia de chuva
Sobre o modelo matemático usado para prever o comportamento de
determinado lançamento de um efluente, sabemos que o modelo poderá
fornecer um prognóstico baseado no cenário criado pelo sistema e
considerado como o mais provável. Com isso, será possível, por
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exemplo, definir até onde determinados efluentes viajarão na correnteza
antes de se degradar ou dispersar, se poderão se combinar com outros
ou mesmo que nível de risco vão representar para as pessoas a cada
quilometro percorrido.
Graças a esse prognóstico, as pessoas que estiverem
junto ou dentro do rio nos próximos quilômetros
poderão ser avisadas para se afastar da água, o que
poderá lhes poupar vários problemas de saúde.
Também poderá ser possível desenvolver algum plano de reação a essa
contaminação. Um bom exemplo é o dos derramamentos de óleo. Como
ele flutua junto à superfície, pode-se colocar barreiras flutuantes à sua
frente, que poderão reter esse óleo até que uma equipe especializada
lance detergentes sobre ela e a recolha para fora da água.
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Nós, seres humanos, precisamos ingerir água doce para ficarmos
hidratados e sobreviver. No entanto, não podemos beber a água de
que precisamos sem que antes ela seja
Parabéns! A alternativa D está correta.
A desidratada.
B adoçada.
C salgada.
D fervida.
E congelada.
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A água doce, em seu estado natural na natureza, pode conter vírus,
fungos, bactérias, protozoários, microrganismos etc. Daí a
necessidade de fervermos a água antes de ingeri-la.
Questão 2
Atualmente, cientistas e autoridades lançam mão de modelos
matemáticos para entender como os efluentes lançados na água
são transportados e como vão se difundir nesse ambiente, entre
outros aspectos. Esses modelos permitem que se façam __________
sobre esses aspectos.
Assinale a alternativa com o termo que preenche corretamente a
lacuna.
Parabéns! A alternativa E está correta.
Os modelos permitem a definição de prognósticos sobre o
comportamento do efluente, viabilizando a tomada de decisão
sobre o que será feito em relação a ele.
A ações
B correções
C definições
D diagnósticos
E prognósticos
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Considerações �nais
Neste conteúdo, foram apresentados os principais conceitos sobre a
poluição hídrica. Foram debatidas as suas causas, os efeitos, as
características e os meios para dimensioná-la e tratá-la. Também foram
apresentados os problemas que esse tipo de poluição causa ao meio
ambiente e aos seres humanos. Por fim, foram debatidos modelos
matemáticos que podem ser usados no seu estudo e prognóstico de
evolução.
Vimos o que é a qualidade da água, assim como as consequências da
falta dela. Estudamos como é feito o controle da qualidade da água e
como os governos disciplinam isso. Debatemos a importância da água
para a vida na Terra e firmamos o entendimento do que é a poluição das
águas, ou poluição hídrica.
Aprendemos sobre dois fenômenos da natureza: a autodepuração, que
são os mecanismos que a natureza dispõe para tratar dos efluentes que
ela mesma lança nas águas; a eutrofização, que é um crescimento
exagerado de plantas e algas causado pelo acúmulo de efluentes
biológicos.
Apresentamos métodos de tratamento da poluição hídrica, que foram
inspirados nos mecanismos de autodepuração, e aprendemos sobre os
modelos matemáticos usados para a formulação de prognósticos sobre
a evolução da poluição.
Desse modo, compreendemos as origens e os impactos da poluição das
águas nas nossas vidas, as providências já tomadas para reduzir os
impactos da ação humana e da natureza nas águas, tornando possível
promover a sua recuperação futura.
Podcast
Neste podcast, o especialista fala sobre os principais tópicos abordados
neste conteúdo.
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Leia a reportagem Relatório da UNESCO destaca águas
subterrâneas como solução para crise hídrica, disponível no site
das Nações Unidas – Brasil.
Leia o texto Conheça os diferentes tipos de água, disponível no site
da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).
Referências
BARRETO. P. Rio-92: mundo desperta para o meio ambiente. Desafios
do Desenvolvimento – IPEA [online], ano 7, ed. 56, 2009. Consultado na
Internet em: 30 set. 2022.
BITTENCOURT, C.; PAULA, M. A. S. D. Tratamento de água e efluentes:
fundamentos de saneamento ambiental e gestão de recursos hídricos.
Rio de Janeiro: Saraiva, 2014. E-book.
CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE CONAMA. Resolução
CONAMA n. 430, de 13 de maio de 2011. Dispõe sobre as condições e
os padrões de lançamento de efluentes, complementa e altera a
Resolução n. 357, de 17 de março de 2005, do Conselho Nacional do
Meio Ambiente-CONAMA. Consultado na internet em: set. 2022.
COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO. CETESB.
Conheça os diferentes tipos de água. 2022. Consultado na Internet em:
30 set. 2022.
MELLER, G. S. et al. Controle da poluição. Rio de Janeiro: Grupo A, 2017.
MOREIRA, D. M.; TIRABASSI, T.; MORAES, M. R. Meteorologia e poluição
atmosférica. Ambiente & Sociedade , v. 11, n. 1, p. 1-13, 2008.
11/9/23, 8:13 PM Controle de poluição hídrica
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04896/index.html# 58/58
Consultado na Internet em: 30 set. 2022.
PINTO-COELHO, R. M.; HAVENS, K. Gestão de recursos hídricos em
tempos de crise. [S. l.]: Grupo A, 2016. E-book.
PREFEITURA ÁGUAS MORNAS. Lei n° 1.006 de 2021. Santa Catarina,
2021. Consultado na Internet em: 19 out. 2022.
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