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MÓDULO II 
 A INFÂNCIA E A PSICOMOTRICIDADE 
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2. MÓDULO II - A INFÂNCIA E A PSICOMOTRICIDADE 
 
Na infância, a Psicomotricidade tem como finalidade otimizar e maximizar o potencial de 
aprendizagem e a adaptabilidade psicossocial da criança. Por meio de experiências concretas, a 
Psicomotricidade permite transformar o cérebro em um órgão com maior capacidade para captar, integrar, 
armazenar, elaborar e expressar informação. 
Desta forma, surge como um recurso crucial para o harmonioso desenvolvimento da criança, pois é 
por meio do movimento que a criança se relaciona com o mundo, com os objetos e com os outros e por meio 
do qual desenvolve a inteligência e pacifica os seus estados emocionais. 
O objetivo da reeducação Psicomotora consiste no fato de que essa é uma técnica que constitui em 
torno de técnicas que têm por objetivo eliminar no indivíduo mecanismos e hábitos, cuja aquisição deu lugar 
às perturbações que o conduziram à reeducação. Devemos salientar que a Psicomotricidade tem como 
objetivo desenvolver o aspecto comunicativo do corpo, o que equivale a dar ao indivíduo a possibilidade de 
dominar seu corpo aperfeiçoando o seu equilíbrio. 
Conhecendo as áreas de abrangência da Psicomotricidade, podemos afirmar que sua inserção no 
ambiente escolar possibilita que seja possível desenvolver e aprimorar os conceitos que permitem a criança 
e o pedagogo que atuam no universo da educação infantil e nas séries iniciais do ensino fundamental superar 
o dualismo cartesiano corpo/mente, valorizando a formação do homem, cujo valor centra-se para além da 
racionalidade técnica instrumental, permitindo que seja valorizada na criança os seus conhecimentos e 
saberes expressos por meio de sua comunicação corporal, adquiridos por meio das relações psicofísicas e 
sócioemocionais que a criança está inserida. Portanto, falamos aqui de uma abordagem que torna as 
atividades psicomotoras uma ação preventiva, que prima pelo aspecto qualitativo do desenvolvimento da 
criança. 
Portanto, ao usarmos em sala de aula atividades psicomotoras, estamos permitindo que a criança 
desenvolva sua expressão, superando possíveis conflitos, que poderiam prejudicar o processo de ensino-
aprendizagem que a criança encontra-se acometida, auxiliando o processo de desenvolvimento cognitivo, 
psicomotor e sócioemocional, na medida em que estão diretamente vinculados a fatores psicoafetivos. 
As atividades desenvolvidas, por meio da perspectiva psicomotora, podem proporcionar um espaço de 
legitimação dos desejos e dos sentimentos no qual a criança pode se mostrar na sua inteireza, com seu 
medos, desejos, fantasias e ambivalências, na relação consigo mesmo, com o outro e com o meio, 
potencializando o desenvolvimento global, a aprendizagem, o equilíbrio da personalidade, facilitando as 
relações afetivas e sociais. 
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O brincar, o faz de conta ocupam um espaço essencial, para se desenvolver as habilidades de 
comunicação e expressão, pois na prática ao jogo, seja ele dirigido ou espontâneo, a criança e seu corpo 
participam em todas as dimensões, privilegiando a comunicação não verbal, onde, por meio de situações 
lúdicas e dinâmicas, o corpo se movimenta, esse movimentar-se pode induzir situações nas quais sejam 
expressos atos desencadeados por sentimentos, que somente mais tarde serão traduzidos em termos 
conscientes, as emoções em que se originaram, ou seja, em um primeiro momento de forma impulsiva e 
inconsciente, para depois chegar ao consciente. 
Isso quer dizer que o comportamento e a comunicação são provocados e desencadeados por imagens 
de relações inscritas no corpo, com todos os matizes sensoriais, como visão, audição, olfato, paladar, tato, 
sensações viscerais e outras (ACOUTURIER; LAPIERRE, 2004). 
Aqui, ocorre para a criança o encontro consigo mesmo, com o objeto ou com o outro, suas relações 
com pessoas, lugares, músicas, cheiros e relações integradas no tempo e no espaço de algo a ser conhecido, 
mas também de um EU, um self no ato de conhecer (FONSECA, 2001). 
Lapierre (2002) afirma que, nesse contexto, a criança vive ao mesmo tempo aquele que sente, observa, 
percebe e toma conhecimento de que são seus atos e os sentimentos. Portanto, essas imagens sensoriais 
estão sempre acompanhadas por uma presença, que significa o eu, que é o sentimento do que acontece 
quando o ser é modificado pelas ações vividas de aprender algo e essa presença tem que estar presente, 
caso contrário, não há como existir. 
Observamos, nesse sentido, que a linguagem tem como função primordial a expressão e a 
comunicação do pensamento, além de possibilitar a socialização do grupo. 
Permite ao indivíduo trocar experiências e atuar verbal e gestualmente no mundo. Uma vez que a 
linguagem verbal encontra-se, intimamente, dependente da articulação e da respiração, mas também das 
relações com o meio social que a criança encontra-se inserida. 
 
2.1 PERCEPÇÃO 
De acordo com Santos et al. (2004), o desenvolvimento motor na infância caracteriza-se pela aquisição 
de um amplo espectro de habilidades motoras, que possibilita à criança um amplo domínio do seu corpo em 
diferentes posturas (estáticas e dinâmicas), locomover-se pelo meio ambiente de variadas formas (andar, 
correr, saltar etc.) e manipular objetos e instrumentos diversos (receber uma bola, arremessar uma pedra, 
chutar, escrever etc.). Santos et al. (2004) ressaltam ainda que essas habilidades básicas são requeridas para 
a condução de rotinas diárias em casa e na escola, como também servem a propósitos lúdicos, tão 
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característicos na infância. A cultura requer das crianças, já nos primeiros anos de vida e particularmente no 
início de seu processo de escolarização, o domínio de várias habilidades. 
Sabendo desse fato, podemos afirmar que a percepção é a capacidade de reconhecer e compreender 
estímulos recebidos. A percepção está ligada à atenção, à consciência e à memória (FONSECA, 2008). Os 
estímulos que chegam até nós provocam uma sensação que possibilita a percepção e a discriminação. 
Primeiramente sentimos, por meio dos sentidos (tato, visão, audição, olfato e degustação). Em seguida, 
percebemos, realizamos uma mediação entre o sentir e o pensar. E, por fim, discriminamos, ou seja, 
reconhecemos as diferenças e semelhanças entre estímulos e percepções. A discriminação é que nos permite 
saber, por exemplo, o que é verde e o que é azul e a diferença entre o 1 e o 7. 
 
2.2 COORDENAÇÃO 
A coordenação motora está ligada ao desenvolvimento físico, pode ser entendida como a união 
harmoniosa de movimentos. Supõe, ainda, a integridade e maturação do sistema nervoso. 
Por ser subdividida em: coordenação motora, coordenação dinâmica global ou geral, viso manual ou 
fina e visual. A coordenação dinâmica global envolve movimentos amplos, com todo o corpo (cabeça, 
ombros, braços, pernas, pés, tornozelos, quadris etc.) e, desse modo, coloca grupos musculares diferentes 
em ação simultânea, com vistas à execução de movimentos voluntários mais ou menos complexos. A 
coordenação viso manual engloba movimentos dos pequenos músculos em harmonia, na execução de 
atividades utilizando dedos, mãos e pulsos. 
A coordenação visual refere-se aos movimentos específicos com os olhos nas mais variadas direções 
(FONSECA, 2008). 
 
2.3 ORIENTAÇÃO 
A orientação ou estruturação espacial/temporal é importante no processo de adaptação do indivíduo 
ao ambiente, já que todo corpo, animado ou inanimado, ocupa, necessariamente, um espaço em um dado 
momento. 
Corresponde à organização intelectual do meio e está ligada à consciência, à memória, às experiências 
vivenciadas pelo indivíduo. 
 
2.4 A MATEMÁTICA E A PSICOMOTRICIDADE 
A matemática pode ser considerada uma linguagem cuja função é expressar relações de quantidade, 
espaço, tamanho, ordem, distância etc. 
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À medida que brinca com formas, quebra-cabeças, caixasou panelas, a criança adquire uma visão dos 
conceitos pré-simbólicos de tamanho, número e forma. Ela enfia contas no barbante ou coloca figuras em 
quadros e aprende sobre sequência e ordem; aprende frases: acabou, não mais, muito, o que amplia suas 
ideias de quantidade. 
A criança progride na medida do conhecimento lógico-matemático, pela coordenação das relações que 
anteriormente estabeleceu entre os objetos. Para que se construa o conhecimento físico (referente à cor, 
peso etc.), a criança necessita ter um sistema de referência lógico-matemático que lhe possibilite relacionar 
novas observações com o conhecimento já existente, por exemplo: para perceber que um peixe é vermelho, 
ela necessita um esquema classificatório para distinguir o vermelho de todas as outras cores e outro 
esquema classificatório para distinguir o peixe de todos os demais objetos que conhece. 
 
2.5 A ALFABETIZAÇÃO E A PSICOMOTRICIDADE 
As habilidades psicomotoras são essenciais ao bom desempenho no processo de alfabetização. 
A aprendizagem da leitura e da escrita exige habilidades, tais como: 
- Dominância manual já estabelecida (área de lateralidade). 
- Conhecimento numérico suficiente para saber, por exemplo, quantas voltas existem nas letras m e n, 
ou quantas sílabas formam uma palavra (área de habilidades conceituais). 
- Movimentação dos olhos da esquerda para a direita, domínio de movimentos delicados adequados à 
escrita, acompanhamento das linhas de uma página com os olhos ou os dedos, preensão adequada para 
segurar lápis e papel e para folhear (área de coordenação visual e manual). 
- Discriminação de sons (área de percepção auditiva). 
- Adequação da escrita às dimensões do papel, reconhecimento das diferenças dos pares b/d, q/d, p/q 
etc., orientação da leitura e da escrita da esquerda para a direita, manutenção da proporção de altura e 
largura das letras, manutenção de espaço entre as palavras e escrita orientada pelas pautas (áreas de 
percepção visual, orientação espacial, lateralidade, habilidades conceituais). 
- Pronúncia adequada de vogais, consoantes, sílabas, palavras (área de comunicação expressão). 
- Noção de linearidade da disposição sucessiva de letras, sílabas e palavras (área de orientação 
têmporo-espacial). 
- Capacidade de decompor palavras em sílabas e letras (análise). 
- Possibilidade de reunir letras e sílabas para formar novas palavras (síntese).

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