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IEPSIS O papel da Terapia Ocupacional no atendimento da criança com TEA Funções Executivas Neuroanatomia Terapias Cognitivas Funções Executivas Disfunção Executiva Terapia Ocupacional As evidências científicas descrevem o TEA como sendo um distúrbio neurobiológico influenciado por fatores genéticos e ambientais que afetam o cérebro em desenvolvimento. Neuroanatomia Damásio e Maurer (1979) foram os primeiros pesquisadores a descreverem as inúmeras estruturas cerebrais comprometidas no TEA, como: o lobo frontal, o lobo temporal, os gânglios da base e o tálamo. Além destas áreas, estão envolvidas também outras estruturas cerebrais, como: a amígdala, o hipocampo e o cerebelo (GIRODO, NEVES, CORREIA, 2008; PEREIRA, 2007). Neuroanatomia No tocante à neuroanatomia do TEA, as evidências científicas revelaram um desenvolvimento cerebral atípico, comparado aos indivíduos típicos, que não apresentam o transtorno. Esse dado foi percebido através de estudos longitudinais realizados em indivíduos com TEA que detectaram crescimento excessivo do cérebro durante o desenvolvimento inicial, seguido de diminuição ou crescimento interrompido durante a infância, ocorrendo diminuição significativa em todo o volume cerebral na fase da adolescência e na vida. Neuroanatomia Em relação às regiões corticais, a literatura aponta 3 regiões no córtex pré frontal que são tidas como diferenciais e importantes para as funções executivas, que são áreas corticais pré-frontal do lobo dorsolateral, orbitofrontal e ventromedial. Neuroanatomia Apesar dos avanços obtidos ao longo de várias décadas, ainda há muito a ser descoberto sobre a complexa interação entre os fatores genéticos, ambientais e neurobiológicos, pois o que se têm publicado, até o presente momento, são dados obtidos através de estudos científicos que suscitam hipóteses que tentam explicar a etiologia do TEA. Teorias Cognitivas Existem teorias cognitivas ou neuropsicológicas que tentam esclarecer alguns dos comportamentos presentes nos indivíduos com TEA. Porém, não existem uma teoria única que explique de modo absoluto os comportamentos relacionados aos prejuízos de interação social e comunicação, bem como os comportamentos repetitivos, estereotipados e interesses restritos. São elas: • Teoria da mente • Teoria da coerência central • Teoria das funções executivas. Teoria da Mente Esta teoria está relacionada à habilidade que o ser humano tem de poder fazer a leitura do contexto social, isto é, compreender a comunicação verbal e não verbal e as diversas formas do indivíduo expressar sentimentos, desejos, intenções, emoções, pensamentos, antecipar e prever as próprias intenções e reações e as dos outros Teoria da Mente Quando essas habilidades estão comprometidas, há impactos na interação social, pois o indivíduo não consegue reagir adequadamente às situações presentes no convívio social, tomando consciência do seu próprio estado emocional, comportamental e das pessoas envolvidas, dificultando, assim, a interação social. Teoria da Mente Dentre os comportamentos presentes em indivíduos com TEA que possam estar relacionados ao déficit da teoria da mente temos: • incapacidade ou dificuldade para perceber os sentimentos e interesses das outras pessoas • dificilmente sabem ou percebem quando e como devem confortar alguém, expressar afeto e cooperar com uma pessoa • costumam não demonstrar malícia ao se aproximarem de pessoas estranhas ou “suspeitas” • não ajustam os seus comportamentos em relação às expressões afetivas das outras pessoas • demonstram dificuldade para compreender regras sociais implícitas e explícitas. Teoria da Coerência Central Esta se baseia no foco atencional, isto é, indivíduos com autismo prestam mais atenção aos detalhes e não conseguem integrar as partes da informação para formar o todo. Há duas possibilidades para compreender a teoria da coerência central, ou seja, se o foco do indivíduo com TEA está direcionado no que é essencial à tarefa, isto pode revelar uma forte coerência e, se o foco estiver no detalhe, tende a revelar uma fraca coerência. Teoria da Coerência Central Os autores Milne e Szczerbinski não mencionam a teoria da coerência central como sendo um déficit. Para eles, ter forte ou fraca coerência central pode trazer vantagens e desvantagens, o que determinará é a situação ou contexto. Por exemplo, pode ser vantajosa para a aprendizagem da área de exatas, ter a capacidade de focar naquilo que é essencial, porem, a fraca coerência pode trazer prejuízos para a aprendizagem da leitura, pois, ao se atentar ao detalhe, apresenta dificuldade em compreender o sentido global de um texto. Teoria das Funções Executivas As funções executivas são processos neurológicos que permitem que a pessoa planeje coisas, inicie uma tarefa, se controle para continuar na tarefa, tenha atenção e, finalmente, resolva o problema. A hipótese de comprometimento da função executiva no TEA surgiu em função da semelhança entre o comportamento de indivíduos com disfunção cortical pré- frontal e daqueles com autismo. Teoria das Funções Executivas Malloy-Diniz e colaboradores (2008), por sua vez, definem as funções executivas como um conjunto de processos e habilidades cognitivas que, de forma integrada, permitem ao indivíduo direcionar comportamentos a metas, avaliar a eficácia e a adequação destes comportamentos, abandonar estratégias ineficazes em prol de outras mais eficientes e, desse modo, resolver problemas. Teoria das Funções Executivas Esta teoria diz respeito às habilidades cognitivas complexas e superiores específicas da espécie humana e envolve vários componentes como: memória operacional, atenção, planejamento, controle inibitório, flexibilidade cognitiva, dentre outras habilidades indispensáveis na realização de tarefas do cotidiano, na aprendizagem e na interação social. Teoria das Funções Executivas Pessoas com essa condição apresentariam maiores dificuldades envolvendo inibição de respostas, planejamento, atenção e flexibilidade cognitiva o que explica, em parte, as dificuldades na interação social, na comunicação e o comportamento repetitivo e estereotipado característicos do TEA. Prejuízos no controle executivo poderiam estar relacionados a alguns dos comprometimentos cognitivos e comportamentais observados em indivíduos com TEA. Funções Executivas Os componentes executivos serão expostos de forma didática para compreensão das funções executivas, mas no cérebro tudo acontece de modo integrado. • Flexibilidade cognitiva: capacidade que o indivíduo tem de alterar o pensamento, seu próprio ponto de vista e do outro, bem como modificar a ação ou estratégia de resolução em função dos acontecimentos, situações ou experiências do ambiente. Funções Executivas • Planejamento: refere-se à habilidade de elaborar e executar um plano de ação, de “pensar antes” e de estipular os passos necessários para atingir um objetivo. • Controle inibitório: refere-se à capacidade humana de inibir comportamentos, pensamentos e estímulos do ambiente que possam distrair o individuo, interrompendo o curso eficaz de sua ação ou tarefa. Funções Executivas • Memória de trabalho: consiste na habilidade de organizar uma quantidade de informações na mente por alguns segundos, no máximo poucos minutos, até a realização de uma tarefa, trabalho ou ação. • Atenção seletiva: corresponde à habilidade de selecionar apenas o que será importante para determinada tarefa em dado momento, de focar a atenção e não se distrair com os diversos estímulos do ambiente. Disfunções Executivas No TEA, muitas dessas habilidade encontram-se prejudicadas, acarretando em inflexibilidade e rigidez de comportamento, problemascomunicativos e dificuldades severas de engajamento em interação e comunicação social, além de comportamentos repetitivos e estereotipados. Disfunções Executivas Devido à Disfunção em Flexibilidade Cognitiva, as crianças terão dificuldade em antecipar consequências futuras e recrutar estratégias distintas para atingir o objetivo final diante de uma tarefa. Quando ocorre Superseletividade (déficit na atenção seletiva) há a tendência de a criança manter-se atenta por muito tempo a um estímulo específico. Quanto ao Déficit no Planejamento haverá falha no estabelecimento de estratégias para alcançar um objetivo. Disfunções Executivas Devido à Defasagem em Controle Inibitório as crianças apresentam comportamentos repetitivos, interesses restritos e resposta rígida e inadequada. Déficits na Memória de Trabalho evidenciam dificuldades na compreensão após uma leitura, mesmo com boa capacidade de decodificação, rapidez com que se esquece de algo aprendido, e de manter-se em uma conversa. Disfunções Executivas O comprometimento no TEA das funções executivas, em especial a flexibilidade cognitiva e a memória operacional com a presença de padrões restritos e repetitivos de interesses e atividades, haverá grande impacto no brincar, com ausência ou escassez de brincadeira simbólica, por exemplo. Disfunções Executivas As funções executivas contribuem para o desenvolvimento da linguagem e da comunicação, visto que se faz necessário manter a atualizar a conversação em curso, sem perder informações relevantes advindas da manipulação de fatos na memória de trabalho e da inibição de respostas que estão fora do tema. As funções executivas surgem e amadurecem em diferentes etapas da vida humana, que vão desde o crescimento intrauterino até os 20 anos deidade. Entretanto, destaca-se três momentos em que ocorre um intenso desenvolvimento das funções executivas: entre os 5 e os 7 anos, os 9 e os 12 anos e na adolescência. O desenvolvimento das funções executivas, ocorrido na primeira infância, será fundamental para a formação de habilidades em fases posteriores da vida. Assim, encontra- se relação entre o nível de desenvolvimento das funções executivas na infância e diversos indicadores de qualidade de vida na fase adulta. Dessa forma, há necessidade de planejar estratégias de reabilitação que permitam desenvolver as funções executivas em pessoas com TEA, independentemente da idade e severidade do transtorno. Esse tema requer aprofundamento devido ao fato de o cérebro infantil estar em processo de desenvolvimento e ser necessário exercitá-lo nos em todos os espaços que convive. As Funções executivas são requisitadas quando há um plano de ação e quando uma sequência apropriada de etapas e respostas deve ser selecionada e esquematizada. Prejuízos nos componentes das Funções Executivas refletem no dia a dia, nas dificuldades em tomada de decisão, julgamento de segurança, organização para iniciar uma tarefa, seguir instruções, acarretando também em comportamentos sociais inapropriados ou até mesmo em isolamento ou apatia. Terapia Ocupacional Ocupações Atividades de Vida Diária (AVD) Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVD) Gestão da Saúde Brincar LazerDescanso e Sono Educação Trabalho Participação Social Referências • CARDOSO, D.M.P.; PITANGA, B.P.S. O Transtorno do Espectro Autista e as Funções Executivas: contribuições da neuropsicologia na compreensão do Transtorno. Estudo IAT, Salvador, v.5, n.1, p.6-15, abr 2020. • CZERMAINSKI, F.R.; BOSA, C.A.; SALLES, J.F. Funções executivas em crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro do Autismo: uma revisão. Revista Psico, Porto Alegre, v.44, n.4, pp. 518-525, out/dez. 2013. • MARANHÃO, S.S.A.; PIRES, I.A.H. Funções Executivas e Habilidades Sociais no Espectro Autista: um estudo multicascos. Cadernos de Pós Graduação em Distúrbios do Desenvolvimento, São Paulo, v.17, n.1, p.100-113, 2017. • BOSA, C.A. As relações entre autismo, comportamento social e função executiva. Revista Psicologia: reflexão e crítica, v. 14(2), pp. 281-287, 2001.